Você está na página 1de 14

Autor: Sergio Alfredo Macore Sergio.macore@gmail.

com 846458829

ÍNDICE

1.Introdução ...................................................................................................................... 3
2.Revisão de literatura ...................................................................................................... 4
2.1.Formação da Constituição ...................................................................................... 4
2.1.1.Princípios fundamentais ................................................................................... 4
2.1.2.Estado de Direito .............................................................................................. 4
2.1.3.Democracia....................................................................................................... 4
2.1.4.Estado Laico ..................................................................................................... 5
2.2.Conceito .................................................................................................................. 5
2.2.1.Conceito Jurídico Material de Constituição ..................................................... 5
2.3.Conceito Jurídico Formal de Constituição.............................................................. 5
2.3.1.Regras Constitucionais: .................................................................................... 5
2.4.Poder constituinte ................................................................................................... 6
2.4.1.Poder constituinte originário ............................................................................ 6
2.4.2.Dos Princípios Fundamentais ........................................................................... 7
2.4.3.Poder constituinte derivado .............................................................................. 7
2.4.4.Poder constituinte derivado reformador ........................................................... 8
2.4.5.Poder constituinte derivado revisor ou divisional ............................................ 9
2.4.6.Poder constituinte derivado decorrente ............................................................ 9
2.5.Constituição e Soberania ........................................................................................ 9
2.5.1.Soberania Popular .......................................................................................... 10
2.5.2.Limitações da Soberania ................................................................................ 11
3.Constituição ................................................................................................................. 11
3.1.Princípio da unidade da constituição .................................................................... 11
3.2.Concepções sobre a Constituição. ........................................................................ 12
Conclusão ....................................................................................................................... 14
Bibliografias ................................................................................................................... 15

Pemba Cidade Página 2


Autor: Sergio Alfredo Macore Sergio.macore@gmail.com 846458829

1.Introdução

O presente trabalho aborda sobre A formação da constituição. A Constituição da é o


documento que estabelece a forma de organização e funcionamento do Estado bem
como reconhece os direitos, deveres e liberdades fundamentais dos cidadãos. A
Constituição é a lei fundamental do nosso Estado e serve como base de todas as leis que
existem em Moçambique em todos os países.

A brochura em vosso poder tem como meta divulgar e informar as populações sobre a
Constituição da Republica de Moçambique (C.R.M) aprovada no dia 22 de Dezembro
de 2004. Trata dos princípios bem como dos direitos e liberdades fundamentais dos
cidadãos.

Pretendemos que este trabalho, que seja um instrumento importante para que as
comunidades conheçam e saibam defender os seus interesses e direitos. Como se pode
ver, a brochura é apresentada em linguagem simples e esclarecedora, isto para facilitar a
qualquer cidadão comum a perceber esta lei. Não pretendemos esgotar a matéria
constitucional, mas queremos responder a alguns problemas concretos que nos afectam
dia após dia.

Pemba Cidade Página 3


Autor: Sergio Alfredo Macore Sergio.macore@gmail.com 846458829

2.Revisão de literatura

2.1.Formação da Constituição

A Constituição é a lei fundamental de um determinado Estado. Pois, aí estão


consagrados e protegidos os direitos e garantias fundamentais do cidadão. Também
estão estabelecidas as regras de organização e funcionamento dos órgãos estatuais bem
como princípios fundamentais válidos nesse Estado.

2.1.1.Princípios fundamentais

A Constituição da República de Moçambique estabelece alguns princípios que regem no


nosso país. Os mais importantes são: o princípio do Estado de Direito e o princípio de
Democracia. Além desses é para destacar que o nosso Estado é laico.

2.1.2.Estado de Direito

O princípio de Estado de Direito trata do conteúdo, extensão e modo, como o Estado


deve proceder com as suas actividades. O princípio de Estado de Direito conforma as
estruturas do poder político e a organização da sociedade segundo a medida do direito.
O direito estabelece regras e medidas, prescreve formas e procedimentos, e cria
instituições.

As características mais importantes do Estado de Direito são:

 Império da lei como expressão da vontade geral; todos os actos do Estado são
limitados pela lei;
 Divisão dos poderes: legislativo, executivo e judicial;
 Direitos e liberdades fundamentais
 Garantia jurídica formal e efectiva realização.

2.1.3.Democracia

A República de Moçambique é uma democracia. Isto quer dizer que, é dirigido pelo
povo. É uma democracia representativa, significa que o povo exerce o seu poder através
de representantes eleitos por ele. A democracia como princípio fundamental da
República de Moçambique explicámos intensivamente na nossa outra brochura sobre:
“Estrutura do Estado e democracia em Moçambique”.

Pemba Cidade Página 4


Autor: Sergio Alfredo Macore Sergio.macore@gmail.com 846458829

2.1.4.Estado Laico

Em Moçambique, a religião é separada do Estado. Há uma divisão total, em que a


religião não tem nada a ver com o Estado. A constituição reconhece a liberdade de se
praticar a religião assim como desenvolver actividades de interesse social, mas sempre
em observância com as leis do Estado.

2.2.Conceito

Aplicado ao Estado, o termo “Constituição” em sua acepção geral pode designar a sua
organização fundamental total, quer social, quer política, quer jurídica, quer económica.

2.2.1.Conceito Jurídico Material de Constituição

A constituição pode ser conceituada como sistemas de normas jurídicas, escritas ou


costumeiras, que regulam a estrutura do Estado, a forma de seu governo, o modo de
aquisição e o exercício do poder, a organização de seus órgãos, os limites de sua
actuação, os direitos fundamentais do homem e suas respectivas garantias. Em síntese, a
constituição é o conjunto de normas que organiza os elementos constitutivos do Estado.

2.3.Conceito Jurídico Formal de Constituição

É o conjunto de normas jurídicas formalmente constitucionais inseridas num texto


unitário.

2.3.1.Regras Constitucionais:

1) Regras Materialmente Constitucionais:

São aquelas referentes à matéria da constituição, são em suma as que por seu conteúdo
referem-se directamente à forma do Estado, à forma do governo, ao modo de aquisição
e exercício do poder, ao estabelecimento de seus órgãos, aos limites de sua acção;

2) Regras Formalmente Constitucionais:

São as regras que existem na Constituição escrita que rigorosamente falando. Podem ter
ou não conteúdo constitucional.

Pemba Cidade Página 5


Autor: Sergio Alfredo Macore Sergio.macore@gmail.com 846458829

2.4.Poder constituinte

O Poder Constituinte é aquele capaz de editar uma Constituição, estabelecendo uma


organização jurídica fundamental, dando forma ao Estado, constituindo poderes e
criando normas de exercício de governo, tal qual o estabelecimento de seus órgãos
fundamentais, os limites da sua acção e as bases do ordenamento económico e social.

O titular desse poder é o Povo, representados por um órgão colegiado (Assembleia


Constituinte). A legitimação destes é a representação da democracia de um Estado
soberano, onde a premissa do ubi societas e ibi ius encontram-se límpidas na forma de
criação de um Estado.

O Poder Constituinte causa um rompimento com a ordem jurídica anterior, fazendo com
que o Estado precedente à que o povo estava sendo submetido seja substituído por uma
nova legitimação maior, através de sua Carta Magna.

Quanto à Natureza Jurídica do Poder Constituinte, os positivistas acreditam que é um


poder político, que tem a sua força extraída não de normas jurídicas, mas de forças
sociais consolidadas, sendo um poder de Fato. Já para os jusnaturalistas, o poder
Constituinte está acima do direito positivo, sendo um direito inato do homem, partindo
do seu direito natural que é eterno, universal e imutável.

Existem, para tanto, duas formas de manifestação do Poder Constituinte: o Poder


Originário e o Poder Derivado.

2.4.1.Poder constituinte originário

O Poder constituinte originário é aquele responsável pela criação integral de uma nova
Constituição, inaugurando uma nova ordem jurídica. Este tem várias características,
sendo ele: a) Inicial, porque inicia uma nova ordem jurídica, posto que também é
chamado de Poder Constituinte Genuíno ou de Primeiro Grau; b) Ilimitado, porque não
sofre qualquer limite anterior, ao passo que pode desconsiderar de maneira absoluta o
ordenamento vigente anterior; c) Autónomo, da forma que só cabe a ele estruturar os
termos da nova Constituição; d) Incondicionado e Permanente, por conta de não se
submeter a nenhum processo predeterminado para sua elaboração, bem como que não se
esgota com a realização da nova Constituição, podendo o legislador deliberar a qualquer
momento pela criação de uma nova.

Pemba Cidade Página 6


Autor: Sergio Alfredo Macore Sergio.macore@gmail.com 846458829

Sob uma perspectiva subjectiva, o Poder Constituinte Originário é exercido quando o


povo é titular do seu poder, conforme prelecciona o Art. 1˚ da Constituição Federal de
1988 (visão de Rosseau):

2.4.2.Dos Princípios Fundamentais

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e
Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem
como fundamentos:

I - A soberania;

II - A cidadania;

III - A dignidade da pessoa humana;

IV - Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;

V - O pluralismo político.

2.4.3.Poder constituinte derivado

O Poder Constituinte Derivado é o poder já estabelecido na própria Constituição pelo


poder Originário, que está inserido com o objectivo de legitimar a sua alteração quando
necessária.

Conforme ensina Manoel Gonçalves Ferreira Filho:

Embora grupo constituinte algum cuide de preparar a substituição da ideia de direito


que incita a agir, a experiência faz prever a necessidade futura de alterações ou
complementações no texto que edita. Por isso é que dispõe sobre a revisão da
Constituição, atribuindo a um poder constituído o direito de emendá-la. Esse poder
instituído goza de um Poder Constituinte Derivado do originário. Sua Modalidade
principal é o poder de modificar formalmente a Constituição.

Pemba Cidade Página 7


Autor: Sergio Alfredo Macore Sergio.macore@gmail.com 846458829

O Poder Constituinte Derivado tem várias formas, podendo ser reformador, revisor ou
decorrente.

2.4.4.Poder constituinte derivado reformador

É poder responsável pela alteração e ampliação do texto constitucional, que se


manifesta através das emendas constitucionais, bem como os tratados de Direitos
Humanos com força de emenda constitucional.

A titularidade desse poder emana do povo, que, por sua vez, será representado pelo
Congresso Nacional (Art. 60, CC). Tem por principais características ser: a)
Subordinado, porque retira a sua força do poder originário, previamente estabelecido; b)
Limitado, porque tem os seus limites definidos pelo poder originário, que estabeleceu o
texto base constitucional; c) Condicionado, sendo que o seu exercício deve seguir as
regras previamente estabelecidas na Constituição.

Esta forma de reforma está subordinada a diversas limitações materiais quando ao seu
procedimento, devendo seguir diversos requisitos para a sua legitimidade, sendo estes a:

a) Iniciativa: são titulares para apresentarem o projecto de emenda constitucional (Art.


60, I a III, CC): o Presidente da República; 1/3 dos membros da Câmara dos Deputados
ou 1/3 dos membros do Senado Federal; mais da metade das Assembleias Legislativas
das unidades dos Estados, cada uma delas, manifestando-se pela maioria relativa dos
seus membros.

b) Deliberação: a proposta deve ser discutida e votada em cada casa do Congresso


Nacional em 2 (dois) turnos, sendo aprovada se obtiver, em ambas, 3/5 dos votos dos
respectivos membros, ou seja, a maioria qualificada (Art. 60, §2, CF/88).

c) Promulgação: as emendas são promulgadas pelas Mesas da Câmara dos Deputados e


do Senado Federal, com o respectivo número de ordem.

O Poder constituinte derivado reformador está sujeito a limites, estes que tratam tanto
da matéria do conteúdo da emenda, até os procedimentos formais da promulgação, são
estes os limites: a) Material, ao passo que é proibido ser matéria de emenda
constitucional a abolição das chamadas "cláusulas pétreas" (forma federativa do Estado;
voto directo, secreto, universal e periódico; separação dos Poderes e direitos e garantias
individuais - Art. 60, §4, CC/88); b) Circunstancial, é defeso que a Constituição Federal

Pemba Cidade Página 8


Autor: Sergio Alfredo Macore Sergio.macore@gmail.com 846458829

seja alterada durante diversas situações em que o Estado esteja vivendo, como a
vigência do estado de sítio, estado de defesa ou intervenção federal (Art. 60, §1, CF/88);
c) Temporal, ao passo que uma proposta de emenda constitucional é rejeitada ou
prejudicada, a mesma matéria não pode ser tratada através de nova proposta até nova
sessão legislativa (Art. 60, §5, CF/88).

2.4.5.Poder constituinte derivado revisor ou divisional

Encontra normatividade no Art. 3˚ CC (Actos das Disposições Constitucionais


Transitórias), que dispõe sobre a necessidade do Congresso Nacional realizar uma
"revisão constitucional" após 5 (cinco) anos da promulgação da Constituição Federal.

É um poder de revisar a Constituição por um processo legislativo menos dificultoso à


forma das emendas constitucionais. Tem eficácia exaurível, ao passo que fora realizada
em 1993, originando 6 (seis) emendas de revisão. Logo, este poder não mais poderá ser
exercido, sendo que qualquer mudança na Constituição Federal actualmente só poderá
ser feita através de emendas, pelo poder Reformador.

2.4.6.Poder constituinte derivado decorrente

Trata-se do poder de cada Estado-Membro (unidade federativa) em criar a sua própria


Constituição estadual, sendo, todavia, respeitada a supremacia da Constituição Federal.
Cada Assembleia Legislativa, com os poderes constituintes definidos, deveria elaborar a
sua Constituição do Estado dentro do prazo de 1 (um) ano, à partir da promulgação da
Constituição da república.

Difere o Distrito Federal, que, de acordo com o art. 32 da CC/88, se auto-organiza


através de leis orgânicas, votadas em 2 (dois) turnos com intervalo mínimo de 10 (dez)
dias, aprovada por 2/3 da Câmara Legislativa.

2.5.Constituição e Soberania

Soberania, em seu sentido político ou jurídico, é o exercício da autoridade que reside em


um povo e que se exerce por intermédio dos seus órgãos constitucionais representativos.
A soberania é uma autoridade superior que não pode ser restringida por nenhum outro
poder e, portanto, constitui-se como o poder absoluto de acção legítima no âmbito
político e jurídico de uma sociedade.

Pemba Cidade Página 9


Autor: Sergio Alfredo Macore Sergio.macore@gmail.com 846458829

A palavra soberania deriva da junção de dois fragmentos de raiz latina: super e omnia,
que literalmente significam algo como poder supremo, no sentido de que não há poder
superior ao “soberano”.

2.5.1.Soberania Popular

Um Estado em que impera a Soberania Popular é criado e sujeito à vontade das pessoas,
que são a fonte de todo o poder político. Trata-se do princípio básico das democracias.
Na Legislação brasileira, a Soberania popular está consagrada na Constituição:

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e
Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem
como fundamentos:

I - A soberania;

II - A cidadania;

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

III - A dignidade da pessoa humana;

IV - Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;

V - O pluralismo político.

Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes
eleitos ou directamente, nos termos desta Constituição. De forma mais aprofundada, o
professor e jurista Celso Ribeiro de Bastos1 analisa a soberania Mocambicana:

“Ter a soberania como fundamento do Estado brasileiro significa que dentro do nosso
território não se admitirá força outra que não a dos poderes juridicamente constituídos,
não podendo qualquer agente estranho à Nação intervir nos seus negócios.”

Pemba Cidade Página 10


Autor: Sergio Alfredo Macore Sergio.macore@gmail.com 846458829

2.5.2.Limitações da Soberania

Apesar de os Estados – como Moçambique – possuírem a Soberania, as liberdades


humanas constituem um valor superior ao da soberania desse Estado. O poder da
soberania exercido pelo Estado encontra fronteiras não só nos direitos da pessoa
humana, como também nos direitos dos grupos e associações. A soberania também não
pode ferir o direito dos outros Estados soberanos.

3.Constituição

Uma constituição é o conjunto de normas jurídicas que ocupa o topo da hierarquia do


direito de um Estado, e que pode ou não ser codificado como um documento escrito.

Tipicamente, a constituição enumera e limita os poderes e funções do Estado, e, assim,


formam, ou seja, constituem, a entidade que é esse Estado. No caso dos países
(denominação coloquial do Estado nacional soberano) e das regiões autónomas dos
países, o termo refere-se especificamente a uma constituição que define a política
fundamental, princípios políticos, e estabelece a estrutura, procedimentos, poderes e
direitos, de um governo. Ao limitar o alcance do próprio governo, a maioria das
constituições garante certos direitos para as pessoas. O termo constituição pode ser
aplicado a qualquer sistema global de leis que definem o funcionamento de um governo,
incluindo várias constituições históricas não codificadas que existiam antes do
desenvolvimento de modernas constituições.

3.1.Princípio da unidade da constituição

Fundamental para a manutenção do Estado, o princípio da unidade regula e pacifica os


conflitos de diversos grupos que formam uma sociedade. Portanto, necessário se faz que
os cidadãos se entendam como responsáveis por este princípio e não só o defendam
como também o sustente.

Segundo este princípio, o direito constitucional deve ser interpretado de forma a evitar
antinomias entre suas normas e entre os princípios constitucionais. Deve-se considerar a
Constituição na sua globalidade, não interpretando as normas de forma isolada, mas sim
como preceitos integrados num sistema interno unitário de normas e princípios.

Em decorrência desse princípio, tem-se que todas as normas da Constituição possuem


igual dignidade, não havendo hierarquia dentro dela; Além disso, há controvérsia sobre
Pemba Cidade Página 11
Autor: Sergio Alfredo Macore Sergio.macore@gmail.com 846458829

a existência de normas constitucionais inconstitucionais, justamente pela ausência de


hierarquia entre elas. Enquanto uns defendem que as cláusulas pétreas implicam em tal
possibilidade, outros a negam. Por isso, é polémico o reconhecimento da
inconstitucionalidade de uma norma constitucional em face de outra; Por fim, a escola
actual da jurisprudência dos valores indica a resolução de antinomias entre princípios
constitucionais pelo método da ponderação. Neste caso, o texto constitucional deve ser
visualizado de modo harmónico.

3.2.Concepções sobre a Constituição.

A dificuldade de estabelecer-se um conceito para a Constituição decorre da existência


de concepções prévias sobre o que é ou deveria ser uma Constituição e qual o conteúdo
que ela deveria veicular. Ou seja, se ela é um mero instrumento jurídico para a
organização do Estado, ou deve possuir um sentido político de eleger programas e
tarefas a serem alcançadas ou, ainda, se deve reflectir os valores da realidade social do
Estado no qual se insere.

Identificam-se três principais concepções ou sentidos sobre a Constituição:

Concepção sociológica: para Ferdinand Lassalle, em seu ensaio O que é uma


Constituição, a Constituição é a soma dos fatores reais do poder que regem um país. Os
agentes do poder são os que representam a Constituição real e efectiva, sendo que a
Constituição escrita, caso não represente esses factores, não será mais que uma "folha
de papel". Sempre prevalece a vontade daqueles que detêm efectivamente o poder. Se as
normas escritas na Constituição coincidirem com a vontade de quem titulariza o poder,
essas normas serão legítimas. Trata-se, assim, de distinguir entre o mero texto formal de
uma Constituição e a realidade do efectivo exercício do poder.

Concepção política: elaborada por Carl Schmitt, entende a Constituição como a decisão
política fundamental. A partir daí, faz distinção entre Constituição (que se restringe às
normas do texto que versam sobre decisões fundamentais sobre a forma do Estado) e
leis constitucionais, que são aquelas normas que, muito embora também constem do
texto da Constituição, não tratam de matéria estritamente constitucional.

Pemba Cidade Página 12


Autor: Sergio Alfredo Macore Sergio.macore@gmail.com 846458829

Em Moçambique, essa distinção era feita na Constituição de 1975, cujo artigo 173
estabelecia que era "só Constitucional o que diz respeito aos limites, e atribuições
respectivas dos Poderes Políticos, e aos Direitos Políticos, e individuais dos Cidadãos.
Tudo, o que não é Constitucional, pode ser alterado sem as formalidades referidas, pelas
Legislaturas ordinárias". Na actual Constituição de 1988, tal distinção não mais
subsiste, devendo o procedimento de alteração do texto seguir o disposto no artigo 60,
como será estudado mais adiante em Emenda, reforma e revisão.

Pemba Cidade Página 13


Autor: Sergio Alfredo Macore Sergio.macore@gmail.com 846458829

Conclusão

Chegando o fim do trabalho, conclui-se que, a constituição é a lei máxima de um país,


que traça os parâmetros do sistema jurídico e define os princípios e directrizes que
regem uma sociedade. Ou seja, ela organiza e sistematiza um conjunto de preceitos,
normas, prioridades e preferências que a sociedade acordou. É um pacto social
constitutivo de uma nação.

A Constituição é também conhecida como a Lei Fundamental do Estado ou a lei que um


povo impõe aos que o governam, para evitar o despotismo dos governantes. Segundo
Pedro Salvetti Netto, a Constituição política estrutura a organização do Estado e
disciplina o exercício do poder político.

Já no conceito de Manoel Gonçalves Ferreira Filho, a Constituição pode ser entendida


como “o conjunto de regras concernentes à forma do Estado, à forma do governo, ao
modo de aquisição e exercício do poder, ao estabelecimento de seus órgãos e os limites
da sua acção”.

A Constituição, essencialmente: (a) regula a natureza, a amplitude e o exercício dos


poderes do Estado; (b) institui os direitos básicos dos cidadãos; (c) define as instituições
essenciais ao Estado e fixa as suas competências; e (d) define os métodos de escolha dos
governantes.

As Constituições podem ser sintéticas, que tem apenas sete artigos e 27 emendas, num
total de pouco mais de 8 mil palavras, ou analítica, como a brasileira, que tem 250
artigos permanentes, mais 114 nas disposições transitórias, e já recebeu 102 emendas,
sendo 96 normais e seis revisionais, totalizando quase 170 mil palavras.

Pemba Cidade Página 14


Autor: Sergio Alfredo Macore Sergio.macore@gmail.com 846458829

Bibliografias

CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito constitucional Coimbra: Almedina, 1993, Apud


MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. São Paulo: Atlas, 2010, p. 7

SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. São Paulo: Malheiros,
2008, p. 37-38.

SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. São Paulo:
Malheiros, 2008. p. 38

TEMER, Michel. Elementos de direito constitucional. São Paulo: Malheiros, 2004, p.


17.

Pemba Cidade Página 15