Você está na página 1de 43

Policia Penal – MG

Direito Penal

Profª Carolina Carvalhal


1) Acerca dos princípios aplicáveis ao direito penal e das disposições gerais acerca
dos crimes contra o patrimônio, contra a dignidade sexual e contra a
administração pública, julgue o item a seguir.
Situação hipotética: Maria, de sessenta e oito anos de idade, e Teresa, de
cinquenta e quatro anos de idade, são irmãs e residem no mesmo endereço. Na
ocasião de uma festividade familiar, Teresa se aproveitou de um descuido de
Maria e acabou por subtrair-lhe a bolsa. Assertiva: Nos termos do Código Penal,
o processamento do crime de furto praticado por Teresa dependerá de
representação de Maria.

( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: ERRADO
O artigo 181 do Código Penal elenca hipóteses de escusa absolutórias, em que os crimes serão
isentados de pena, desde que se refira a crimes contra o patrimônio e desde que não haja
emprego de grave ameaça ou violência à pessoa. Desse modo, é isento de pena que comete o
crime em prejuízo do cônjuge, na constância da sociedade conjugal e de ascendente ou
descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural. O artigo 182, inciso II
do CP elenca as hipóteses de escusas relativas, que são aquelas que tornam os crimes de ação
penal pública incondicionada em condicionada à representação do ofendido. Menciona o
dispositivo que somente se procede mediante representação, se o crime previsto neste título é
cometido em prejuízo do irmão, legítimo ou ilegítimo. Porém o artigo 183 do mesmo dispositivo
aduz que não isenta o réu de pena se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou
superior a 60 (sessenta) anos, bem como também não se aplica a representação, devendo a ação
ser pública incondicionada. Pode se mencionar ainda que o estatuto do idoso, Lei 10.741/2003
incluiu o artigo 183, III do código penal para dar uma maior proteção à pessoa idosa, aduzindo
que os crimes definidos nesta lei são de ação penal pública incondicionada, não lhes aplicando o
artigo 181 e 182 do CP. Na questão em análise, percebe-se que Teresa é irmã de Maria, porém
como a vítima possui 64 anos de idade, não será possível a aplicação da escusa relativa, desse
modo, não dependerá de representação de Maria, pois como o crime foi praticado contra pessoa
com 64 anos, será pública incondicionada e não se aplicará os artigos 181 e 182 do CP.
2) Mário, após ingerir bebida alcoólica em uma festa, agrediu um casal de namorados, o
que resultou na morte do rapaz, devido à gravidade das lesões. A moça sofreu lesões
leves.
A partir dessa situação hipotética, julgue o item a seguir.

Se, após a apuração dos fatos, a morte do rapaz caracterizar homicídio simples doloso, a
conduta de Mário não será classificada como crime hediondo.

( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: Certo

No homicídio simples, seria considerado HEDIONDO apenas nessa hipótese


segundo a lei 8.072/90 (CRIMES HEDIONDOS)

I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de


extermínio, ainda que cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art.
121, § 2º, incisos I, II, III, IV, V, VI, VII e VIII);

No caso da questão realmente não seria classificado HEDIONDO.


3) Com relação a aspectos do direito penal, julgue o item a seguir.

Caracteriza crime contra a fé pública a venda, no exercício de atividade comercial,


de mercadoria em que tenha sido aplicado selo falsificado que se destina a
controle tributário.

( ) Certo ( ) Errado
Gabarito – Certo

A conduta narrada no enunciado da questão configura um dos crimes praticados contra a fé pública
previstos no Título X, da parte especial, do Código Penal. A referida conduta encontra-se tipificada no
artigo 293, § 1º, inciso III, alínea "a", do Código Penal, senão vejamos:
Art. 293 - Falsificar, fabricando-os ou alterando-os:
(...)
§ 1º - Incorre na mesma pena quem:
(...)
III - importa, exporta, adquire, vende, expõe à venda, mantém em depósito, guarda, troca, cede,
empresta, fornece, porta ou, de qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no exercício de
atividade comercial ou industrial, produto ou mercadoria: (Incluído pela Lei nº 11.035, de 2004)
a) em que tenha sido aplicado selo que se destine a controle tributário, falsificado;
4) Com relação a aspectos do direito penal, julgue o item a seguir.

Auditor que, no intuito de obter vantagem econômica, inserir, no


banco de dados da secretaria de fazenda local, informações falsas em
relação a dívida de determinado contribuinte terá cometido o crime
de falsidade ideológica.

( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: Errado

A conduta descrita no enunciado da questão subsome-se de modo perfeito ao


tipo penal do artigo 313 - A, do Código Penal, que configura o crime de inserção
de dados falsos em sistemas de informações. O referido dispositivo legal conta
com a seguinte redação: "inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção
de dados falsos, alterar ou excluir indevidamente dados corretos nos sistemas
informatizados ou bancos de dados da Administração Pública com o fim de obter
vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar dano".
Não se trata, portanto, de crime de falsidade ideológica, tipificado no artigo 299,
do Código Penal, pois a conduta descrita não guarda perfeita correspondência
com a conduta vedada pelo referido dispositivo legal, que conta com a seguinte
redação: "omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia
constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia
ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade
sobre fato juridicamente relevante."
Sendo assim, a assertiva contida na questão é falsa.
5) Conforme o Código Penal, julgue o item

A conduta de atribuir‐se falsa identidade para obter vantagem é subsidiária, ou seja, só


responde por este crime o acusado se o fato não constituir elemento de infração penal
mais grave.

( ) Certo ( ) Errado
Gabarito CERTO

O princípio da subsidiariedade, juntamente com os princípios da especialidade e da consunção, é uma fórmula


jurídica empregada para solucionar o conflito aparente de normas, que se apresenta quando há dúvida quanto à
qual norma será aplicada a determinado fato delitivo. De um modo bem resumido, assim a doutrina e a
jurisprudência tratam os mencionados princípios, vejamos:

1 - o princípio da especialidade, segundo o qual a norma especial predomina sobre a norma geral;

2 - o princípio da subsidiariedade, segundo o qual a norma primária prevalece sobre a subsidiária, que apenas se
aplica quando a norma primária, que é mais abrangente e abarca um fato mais grave, não é aplicável ao caso
concreto e;

3 - o princípio da consunção, segundo o qual a norma que abarca um fato mais amplo e mais grave consome, isto é,
absorve a norma que tipifica outros fatos menos amplos e graves, que funcionam como fase normal de preparação,
de execução, ou como mero exaurimento.

Com efeito, quando uma falsidade for praticada, mas não estiverem presente todos os elementos configuradores
do crime de estelionato, por exemplo, caso o agente tenha atribuído-se ou atribuido a terceiro falsa identidade para
obter vantagem, em proveito próprio ou alheio, ou para causar dano a outrem, subsidiariamente aplica-se o tipo
penal constante do artigo 307 do Código Penal.
6) Pedro, com vinte e dois anos de idade, e Paulo, com vinte anos de idade, foram
denunciados pela prática de furto contra Ana. A defesa de Pedro alegou
inimputabilidade. Paulo confessou o crime, tendo afirmado que escolhera a
vítima porque, além de idosa, ela era sua tia.

Com relação a essa situação hipotética, julgue o item subsecutivo, a respeito de


imputabilidade penal, crimes contra o patrimônio, punibilidade e causas de
extinção e aplicação de pena.

Uma vez que a vítima é tia de Paulo, a ação penal será pública condicionada a
representação.

( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: ERRADO

De fato, tratar-se-ia de ação penal pública condicionada à representação, se a


vítima não fosse idosa. Inicialmente pode-se pensar que cabe a escusa
absolutória, vez que é crime patrimonial contra alguém da família, mas como 'tia'
não consta no art. 181 do CP, passamos para o seguinte: art. 182. Este abre para
representação quando cometido em prejuízo de tio (inciso III). Todavia, surge o
art. 183 excetuando quando se tratar de pessoa com mais de 60 anos. A questão
foi clara ao apontar a vítima como pessoa idosa.

Portanto, a ação será pública incondicionada.


7) No crime contra o patrimônio em que a coisa é subtraída e
a violência é praticada com a intenção de matar a vítima,
sem que esta chegue a morrer, a conduta é tipificada como
tentativa de latrocínio, e não como roubo consumado, nem
como latrocínio consumado (art. 157 do CP), conforme
definido pela jurisprudência dominante no STJ.

( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: Certo

"PENAL. PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. OFENSA AO ART. 157, § 3º, DO CP.
LATROCÍNIO TENTADO. POSSIBILIDADE DE CONFIGURAÇÃO. SÚMULA N. 610/STF.
1. O Tribunal a quo, ao decidir que no delito de latrocínio não se admite a forma tentada, contrariou a jurisprudência
desta Corte Superior de Justiça, no sentido de que, sempre que caracterizado o dolo do agente de subtrair o bem
pertencente à vítima e o dolo de matá-la, não ocorrido o resultado morte por circunstâncias alheias à sua vontade, há
tentativa de latrocínio (REsp 1525956/MG, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Sexta Turma, julgado em 24/11/2015,
DJe 07/12/2015).
2. Não há qualquer contrariedade à Súmula n. 610/STF (Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que
não realize o agente a subtração de bens da vítima), uma vez que tal enunciado não afasta a possibilidade de tentativa de
latrocínio.
3. O crime de latrocínio (CP, art. 157, § 3º, in fine) é um delito complexo, formado pela união dos crimes de roubo e
homicídio, realizados em conexão consequencial ou teleológica e com animus necandi, e, para haver a sua consumação,
conforme a Súmula n. 610 do STF, deve haver o resultado morte, sendo despicienda a efetiva inversão da posse do bem.
Assim, se houve prova de que o acusado agiu com animus necandi, no crime de roubo, não ocorrendo a consumação da
morte por circunstâncias alheias à vontade do réu, conclui-se pela ocorrência da tentativa de latrocínio e não o roubo
qualificado pela lesão corporal de natureza grave.
4. Agravo regimental não provido." (STJ; Turma Quinta; AgRg no REsp 1647962 / MG; Ministro Reynaldo Soares da
Fonseca; DJe 15/03/2017)
8) A respeito de consumação e tentativa delitiva, julgue os itens a seguir.

I Tentativa inacabada é impunível, pois nela é impossível a consumação delitiva pela ineficácia absoluta
do meio ou por absoluta impropriedade do objeto material.

II Nos casos de desistência voluntária e arrependimento eficaz, o agente responderá apenas pelos atos
delitivos já praticados, mas não por delito tentado.

III Crime monossubsistente, contravenção penal e crime preterdoloso não admitem punição por tentativa.

IV No caso de crime habitual ou continuado, a consumação se prolonga no tempo por vontade do agente,
e o prazo prescricional se inicia quando cessada a consumação.

Estão certos apenas os itens

A) I e II.
B) I e IV.
C) II e III.
D) I, III e IV.
E) II, III e IV
9) A entrada em vigor da nova Lei de Drogas,revogando a anterior, fez com que o crime de porte de drogas para
consumo pessoal deixasse de prever a aplicação de pena privativa de liberdade, passando a adotar as
seguintes como sanções: advertência sobre os efeitos das drogas; prestação de serviços à comunidade e
medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. Nesse sentido, no que tange à pena
aplicável ao autor do citado delito, é correto afirmar que a nova lei de drogas constitui um exemplo de:

A) novatio legis não incriminadora

B) abolito criminis

C) novatio legis in pejus

D) novatio legis in mellius

E) lei intermediária
Gabarito: Letra D

Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo
pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será
submetido às seguintes penas:
I - advertência sobre os efeitos das drogas;
II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.
O Art. 28, da lei de drogas, alterado em 2006, sofreu apenas uma DESPENALIZAÇÃO, ou seja,
ainda ostenta status de crime. Este é um assunto totalmente pacificado pelo STF.
10) Iter criminis corresponde ao percurso do crime, compreendido entre o momento da cogitação pelo
agente até os efeitos após sua consumação. Há relevância no estudo do iter criminis porque, conforme o
caso, podem incidir institutos como desistência voluntária, princípio da consunção e tentativa.
Considera-se punível o crime tentado no caso de

A) o agente ser flagrado elaborando os planos para a prática do crime.

B) o agente ser flagrado realizando atos de preparação para o crime.

C) o crime, iniciada a execução, não se consumar por ineficácia absoluta do meio empregado para sua
prática.

D) o agente, iniciada a execução, desistir de prosseguir com a ação, impedindo seu resultado.

E) o crime, iniciada a execução, não se consumar por circunstâncias alheias à vontade do agente.
Gabarito: Letra E

a) cogitação não é punível.

b) atos preparatórios, em regra, não são puníveis.

c) ineficácia absoluta do meio empregado, característica de crime impossível.

d) destituiu de prosseguir com a ação, trata-se de desistência voluntária.

e) o crime não se consumou por circunstancias alheias à vontade (dolo) do agente -


trata-se de tentativa e esta é punível.
11) Acerca das noções gerais de direito, julgue o item.
No âmbito do direito penal, aplica‐se, em regra, o princípio do tempus regit
actum, por meio do qual se deve aplicar a lei penal em vigor na data da prática do
ato delituoso. No entanto, se a nova lei, mesmo não estando em vigor na data do
crime, for mais benéfica ao acusado, deverá retroagir para ser aplicada no caso
concreto.

( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: CERTO
De fato, o princípio que norteia a aplicação da lei penal é o do tempus regit actum,
pelo que a lei a ser aplicada a uma infração penal é a que se encontrava vigente no
momento de sua prática. Paralelo a isso, importante ressaltar o princípio da
irretroatividade da lei penal, previsto no artigo 5º, inciso XL, da Constituição
Federal. No entanto, o referido dispositivo constitucional cria uma importante
exceção, consignando que a lei penal mais favorável ao réu retroagirá. Em sendo
assim, mesmo que alguém tenha praticado um crime na vigência de determinada
lei, a ele poderá ser aplicada uma lei posterior, se esta lhe beneficiar. São duas as
hipóteses reconhecidas pela doutrina de leis benéficas ao réu, ambas identificadas
por expressões latinas: abolitio criminis e novatio legis in mellius. Na primeira, a lei
nova é supressora de uma conduta tida anteriormente como criminosa. Na
segunda, a nova lei traz maiores vantagens ao réu em termos de pena, de regime
ou de benefícios.
12) O arrependimento eficaz somente se configura (é
necessário) em relação à tentativa perfeita.

( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: Certo

Ocorre o chamado arrependimento eficaz, previsto na segunda parte do artigo 15 do Código


Penal, quando, depois de já praticados todos os atos executórios suficientes para que o crime se
consuma, o agente adota providências aptas a impedir a produção do resultado. Exemplo: depois
de ministrar veneno à vítima, que o ingeriu ao beber o café “preparado" pelo agente, este lhe
oferece o antídoto, impedindo a eficácia causal de sua conduta inicial. Disso se extrai, com efeito,
que o arrependimento eficaz só é compatível com a tentativa perfeita ou acabada, em que o
agente esgota todos os meios de execução que se encontravam à sua disposição. Do contrário,
ocorreria a desistência voluntária, prevista na primeira parte do dispositivo mencionado.

Nesses casos o Supremo Tribunal Federal vem decidindo da seguinte forma:

“Crime tentado: arrependimento eficaz (CP, art. 15): consequências jurídico-penais. Diversamente
do que pode suceder na 'desistência voluntária' – quando seja ela mesma o fator impeditivo do
delito projetado ou consentido –, o 'arrependimento eficaz' é fato posterior ao aperfeiçoamento
do crime tentado, ao qual, no entanto, se, em concreto, impediu se produzisse o resultado típico,
a lei dá o efeito de elidir a punibilidade da tentativa e limitá-la aos atos já praticados". (STF;
Primeira Turma; HC 84653/SP; Relator Ministro Sepúlveda Pertence; Publicado no DJ de
14/10/2005)
13) No caso em que o sujeito realiza a conduta e prevê a possibilidade de
produção do resultado, mas não quer sua ocorrência e conta com a “sorte” para
que ele não se materialize, pois sabe que não tem o controle sobre a situação
implementada, se configura um exemplo de “culpa consciente” e não de “dolo
eventual”, porque se o sujeito soubesse de antemão que o resultado iria ocorrer,
provavelmente não teria atuado.

( ) Certo ( ) Errado
Gabarito – ERRADO

O enunciado da questão demanda do candidato o conhecimento da diferença entre


culpa consciente e dolo eventual.
O dolo eventual se dá quando o agente, embora não queira o resultado, assume o risco
de produzi-lo após representar em sua mente que, da sua conduta, possa ocorrer o
resultado típico, nos termos da segunda parte do artigo 18, inciso I do Código Penal.
Nos casos de culpa consciente, o agente efetivamente prevê o resultado, mas não o quer
nem o aceita. Segundo Fernando Capez, em seu Direito Penal, Parte Geral, "a culpa
consciente difere do dolo eventual porque neste o agente prevê o resultado mas não se
importa que ele ocorra, ao passo que na culpa consciente, embora prevendo o que possa
vir a acontecer, o agente repudia essa possibilidade. Logo, o traço distintivo entre ambos
é que no dolo eventual o agente diz: 'não importa; dane-se', enquanto na culpa
consciente supõe: 'é possível mas não vai acontecer de forma alguma'".
14) A especial finalidade da conduta (também denominada “dolo
específico”) é um elemento subjetivo do tipo existente em alguns
delitos materiais, mas não é compatível com os delitos formais.

( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: Errado

O dolo específico, também conhecido como especial fim de agir, configura-se,


segundo Fernando Capez, em seu livro Direito Penal, Parte Geral, pela "...
vontade de realizar a conduta visando a um fim especial previsto no tipo". Difere
do dolo genérico que, ainda segundo o autor, "é a vontade de realizar a conduta
sem um fim especial, ou seja, a mera vontade de praticar o núcleo da ação típica
(verbo do tipo) sem qualquer finalidade específica". Nos crimes em que há um
elemento subjetivo do tipo, diz Capez, "... a consciência e a vontade a respeito
dos elementos objetivos, não basta, pois o tipo exige, além da vontade de
praticar a conduta, uma finalidade especial do agente". Não obstante essas
observações, como se trata de elemento que se afere no momento da conduta, a
sua existência pode ocorrer tanto em delitos materiais como em crimes de
natureza formal. O que importa é, portanto, a intenção do agente ao praticar a
conduta típica e não a realização efetiva do resultado. Com efeito, a assertiva
contida neste item está errada.
15) Considerando o Código Penal brasileiro, julgue o item a seguir, com relação à
aplicação da lei penal, à teoria de delito e ao tratamento conferido ao erro.

Em razão da teoria da ubiquidade, considera-se praticado o crime no lugar em que


ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria
ter sido produzido o resultado.

( ) Certo ( ) Errado
Gabarito CERTO

Art 6° CP

Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a


ação e omissão, no todo ou em parte, bem como onde se
produziu ou deveria produzir-se o resultado.
16) Com relação ao tempo e ao lugar do crime e à aplicação da lei penal no
tempo, julgue o item seguinte.
A superveniência de lei penal mais gravosa que a anterior não impede que a nova
lei se aplique aos crimes continuados ou ao crime permanente, caso o início da
vigência da referida lei seja anterior à cessação da continuidade ou da
permanência.

( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: CERTO

Aplica-se a lei mais gravosa cuja vigência incidir no curso da


permanência ou da continuidade do delito, sem que haja violação do
princípio da irretroatividade da lei penal mais grave. O Supremo
Tribunal Federal sedimentou esse entendimento ao editar a súmula
nº 711, cuja redação diz que "a lei mais grave aplica-se ao crime
continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à
cessação da continuidade delitiva".
17) Com relação ao tempo e ao lugar do crime e à aplicação
da lei penal no tempo, julgue o item seguinte.
O Código Penal adota a teoria da atividade, segundo a qual
o delito deverá ser considerado praticado no momento da
ação ou da omissão e o local do crime deverá ser aquele
onde tenha ocorrido a ação ou a omissão.

( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: ERRADO

A questão requer conhecimento sobre as teorias adotadas pelo Código Penal


sobre o tempo em que o crime é considerado consumado e o local. Sobre o
tempo, o Código Penal adota a teoria da atividade, segundo a qual o delito
deverá ser considerado praticado no momento da ação ou da omissão (Artigo 4º,
do Código Penal). Em relação ao local, o Código Penal adota a Teoria da
Ubiquidade, aquela que considera praticado o crime no lugar em que ocorreu a
ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria
produzir-se o resultado (Artigo 6º, do Código Penal).
18) O art. 1.º do Código Penal brasileiro dispõe que “não há crime sem lei
anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal”.

Considerando esse dispositivo legal, bem como os princípios e as repercussões


jurídicas dele decorrentes, julgue o item que se segue.

O presidente da República, em caso de extrema relevância e urgência, pode


editar medida provisória para agravar a pena de determinado crime, desde que a
aplicação da pena agravada ocorra somente após a aprovação da medida pelo
Congresso Nacional.

( ) Certo ( )Errado
Gabarito: ERRADO

A assertiva em análise pretende analisar a viabilidade de se agravar a pena de


determinado crime por meio de medida provisória.
Como facilmente se conclui, a assertiva está incorreta, pois conforme dispõe o
art. 62, §1°, inciso I, 'b' da Constituição Federal, é vedada a edição de medida
provisória que trate de direito penal.
19) Em um clube social, Paula, maior e capaz, provocou e humilhou injustamente Carlos,
também maior e capaz, na frente de amigos. Envergonhado e com muita raiva, Carlos foi
à sua residência e, sem o consentimento de seu pai, pegou um revólver pertencente à
corporação policial de que seu pai faz parte. Voltando ao clube depois de quarenta
minutos, armado com o revólver, sob a influência de emoção extrema e na frente dos
amigos, Carlos fez disparos da arma contra a cabeça de Paula, que faleceu no local antes
mesmo de ser socorrida.

Acerca dessa situação hipotética, julgue o próximo item.

Carlos agiu sob o pálio da legítima defesa putativa.

( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: ERRADO

A questão requer conhecimento sobre as excludentes de ilicitude previstas no Código


Penal. De acordo com o Artigo 20, § 1º, do Código Penal, "é isento de pena quem, por
erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se
existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de
culpa e o fato é punível como crime culposo". Neste sentido, a figura putativa é aquela
que o agente acredita que haverá uma injusta agressão e um perigo iminente, ou seja,
para o agente a legítima defesa se faz necessária porque ele, ou terceiro, de fato
acredita que corre algum perigo.
20) Depois de adquirir um revólver calibre 38, que sabia ser produto de crime, José
passou a portá-lo municiado, sem autorização e em desacordo com determinação
legal. O comportamento suspeito de José levou-o a ser abordado em operação policial
de rotina. Sem a autorização de porte de arma de fogo, José foi conduzido à delegacia,
onde foi instaurado inquérito policial.
Tendo como referência essa situação hipotética, julgue o item seguinte.

Se, durante o processo judicial a que José for submetido, for editada nova lei que
diminua a pena para o crime de receptação, ele não poderá se beneficiar desse fato,
pois o direito penal brasileiro norteia-se pelo princípio de aplicação da lei vigente à
época do fato.

( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: ERRADO

Como se verifica da leitura da situação hipotética narrada no enunciado da questão, a


edição de nova lei no curso do processo judicial beneficiou o réu, na medida em que
diminuiu a pena cominada para o crime de receptação. Sendo assim, a lei penal deve
retroagir a fim de beneficiar o réu ainda que a ação penal já esteja em curso (novatio
legis in mellius), nos termos do artigo 2º caput e parágrafo único, do Código Penal, cujo
fundamento se encontra no inciso XL, do artigo 5º, da Constituição da República.
Assim, de acordo com o disposto no dispositivo legal mencionado: “A lei posterior, que
de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que
decididos por sentença condenatória transitada em julgado."

Você também pode gostar