Você está na página 1de 13

UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA

NÚCLEO DE CIÊNCIAS HUMANAS DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA


EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO
MESTRADO ACADÊMICO

HERMENEUTICA E EDUCAÇÃO: UM DIALOGO COM A REALIDADE


FORMADORES DE PROFESSORES NA EDUCAÇÃO DO SÉCULO XXI NO
ESTADO DE RONDÔNIA? Análise Desafios e Desencontros no Ensino Básico
Pós-Pandemia

Seringueiras – RO
Outubro de 2020
Como são as representações da figura feminina e masculina nos livros
didáticos no estado de Rondônia? Análise retórica de imagens em manuais
didáticos

Projeto de Pesquisa apresentado ao


Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu
em Educação – Mestrado Acadêmico em
Educação da Universidade Federal de
Rondônia – PPGE/UNIR - Campus José
Ribeiro Filho - Porto Velho. Como requisito
para ingressar no Mestrado Acadêmico em
Educação. Linha de Pesquisa: Formação
Docente. A linha discute Projetos de
pesquisa que se proponham a investigar a
formação docente, os processos de ensino
e de aprendizagem e a relação
pensamento-linguagem e o trabalho
colaborativo em uma perspectiva histórico-
cultural.

Seringueiras – RO
Outubro de 2020
1. INTRODUÇÃO

Para dar início da apresentação a ser manifestada aqui é imprescindível


tomar-se nota sobre o atual cenário pandêmico que o Brasil se encontra, este que
contribuiu no aumento da disparidade entre os gêneros, tanto no desemprego e a
diminuição salarial acentuado as mulheres, o aumento de números de casos da
violência domésticas sofrida pelos grupos de minorias.
Diante desses apontamentos, conduzo as inquietações: qual foi o fator que
predominou nosso país até aqui para que tamanhos acontecidos distorcidos sociais
estejam ocorrendo? O que foi proferido e norteou na construção social que conduziu
a desvalorização do trabalho da figura feminina em relação ao trabalho da figura
masculina? Quais são os discursos que fomentam ou que dilui a cultura de
desvalorização das mulheres e outros grupos minoritários? O que a educação tem
feito para destituir a sociedade de disparidade entre os gêneros? Como a base da
sociedade, que é a educação, tem distribuído em seus dispositivos sobre as
representações das relações de gênero?
A proposta de estudo, aqui a ser apresentada, está em torno do profícuo
campo de pesquisa em políticas públicas educacionais, instrumentos norteadores da
educação, examinando os impactos das políticas educacionais vigentes, entendendo
quais são os discursos presentes que estes dispositivos transferem sobre gênero,
relações de gênero, sexualidade, representações perante a sociedade. Questiona-
se: como vem ocorrendo, preparado, distribuído o conceito do que é ser homem, do
que é ser mulher, isto é, as diferenças dos papéis sociais dos distintos gêneros;
como os documentos públicos nacionais da educação, os instrumentos e o discurso
tem apresentado sobre os papéis de gênero, delimitam ou ampliam? Como esse
tema tem sido repercutido dentro de nosso estado de Rondônia? Nas formas
teóricas e nas práxis, como estão sendo proferidos nos discursos e também
descrevidos em manuais, seja eles documentos oficiais ou manuais de acesso direto
a àqueles que utilizam dos instrumentos educacionais, ou seja, a/o
professora/professor e a/o aluna/o.
O processo de equivalência entre os gêneros é uma discussão que se dispõe
historicamente, neste que depende do grupo e percepção social proferida no tempo.
No século XXI, muitos ganhos significativos foram levantados, contudo nos últimos
anos houve uma queda brusca nas melhorias de políticas públicas. Condizente a
isto, demarcamos a anulação das discussões dos pressupostos de gênero e
diversidade sexual na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
No presente cenário que se levanta, faz-se necessário pesquisas em
diversidade sexual e de gênero no ambiente escolar destacando assim, quais são as
repercussões dos discursos presentes nestes dispositivos. Analisar de forma mais
ampliada sobre as representações de gênero dentro do viés da base que estrutura
toda a educação como os documentos educacionais, perceber a política pública é
condizente para que possamos verificar, discutir de frente as diretrizes, verificando a
permeabilidade dos aparatos legais da educação, como a BNCC, na elaboração de
grades curriculares e materiais didáticos, redirecionar as concepções nos processos
formativos à docência, compreender a condução de ensino-aprendizagem que
contemplem questões relativas à diversidade sexual e de gênero. E, desta forma, a
escola, como um espaço privilegiado de discussão e a base do ser humano, abrir a
possibilidade que haja o enfraquecimento da disparidade sociais, com ações
favoráveis para a consolidação de cidadãos que serão inseridos na sociedade como
adultos com repensadas atitudes, valores, eliminando práticas discriminatórias e
preconceituosas.
Investigar as questões de gênero contidas nos instrumentos pedagógicos,
documentos oficiais educacionais, política públicas para o ensino fundamental, onde
se faz necessário refletir o que estes têm denotado para o contexto educacional
brasileiro, uma vez que tais documentos e manuais são articulações de proliferação
de concepções adotadas pelo estado, podem conduzir e contribuir para criar ou
reproduzir representações e conceitos. Este é a primeira prepositiva a ser tomada
como análise, conduzindo a verificações nos artefatos direto ligado ao uso do ensino
fundamental: manuais didáticos; somando assim a fase posterior da pesquisa.
Esse estudo apresenta uma proposta de análise e descrição da
argumentação nas técnicas argumentativas da Nova Retórica, de Perelman e Tyteca
(2005). Com esse intuito, o resultado será exposto em esquemas argumentativos de
acordo com técnicas argumentativas (TA), uma análise fundamentada na tradição da
retórica aristotélica, nos escritos contemporâneos de Perelman e Tyteca (2005).

2. OBJETIVO GERAL:
Investigar as questões de gênero contidas nos documentos oficiais
educacionais, política públicas e instrumentos pedagógicos, como os manuais
didáticos para o ensino fundamental do estado de Rondônia, refletindo os papéis de
gênero, sobre o ser homem e o ser mulher e, como essas definições molduradas
desenvolvem um discurso direcionado para as crianças.

Objetivos específicos:

 Analisar o sentido de gênero nos documentos oficiais da educação, como os


Parâmetros Curriculares Nacional, na Base Nacional Comum Curricular e nos
manuais didáticos;
 Refletir os papéis de gênero, sobre o ser homem e o ser mulher e, como
essas definições molduradas desenvolvem um discurso direcionado para as
crianças.
 Verificar quais são os discursos de gênero presentes nos documentos oficiais
da educação do estado de Rondônia;
 Identificar a representação dos papéis sociais veiculada nos manuais
didáticos do ensino fundamental pertencentes do estado de Rondônia
utilizados entre 2015 a 2020;
 Investigar as representações imagéticas o sentido dos papéis designado a
figura feminina e a figura masculina nos manuais didáticos no ensino
fundamental;

3. JUSTIFICATIVA

O objeto escolhido para tomar como pesquisa deste posterior trabalho


constitui a partir de reflexões feitas durante os anos em que participei do Laboratório
Amazônico Episteme (LAE/Ji-Paraná), as quais proporcionaram aproximação com o
campo de investigação que analisa e discorre sobre aspectos filosóficos, históricos,
pedagógicos, políticos e socioeconômicos das relações entre Gênero, Sexualidade e
Ciência direcionados à Educação.
Ainda no LAE, tive a experiência com uma pesquisa em 2017 desenvolvida no
Programa Institucional de Bolsas e Trabalho Voluntário de Iniciação Científica
(PIBIC), cujo objeto de estudo consistia em um trabalho sobre os manuais didáticos
de ciências dos anos finais do ensino fundamental, no qual identificamos o sentido
dos discursos de gênero dentro da perspectiva da diferença sexual.
Verificamos, em geral, como são apresentados os papéis de gênero, sobre o
ser homem e o ser mulher e, dentro dos livros didáticos de ciências. Existem
mulheres cientistas? Esta foi a questão que me impulsionou. Em geral, não! Com
poucas exceções encontradas, os livros não apresentam as mulheres como
pensadoras, mas, reiteram o papel de cuidadoras e pertencentes à vida privada e
não ao contexto de produção do conhecimento. A pesquisa ainda demostrou que
tais instrumentos pedagógicos apresentam ocupações e condutas específicas,
contribuindo, deste modo, para a continuidade de uma sociedade de relações
desiguais entre homens e mulheres.
Os questionamentos sobre as apresentações distintas sobre a figura feminina
e masculina na sociedade levantadas com a pesquisa mencionada, como também
ocasionados durante socializações do grupo de pesquisa, em estudos
independentes e percepções do cotidiano, levando-me à decisão de analisar de
forma mais ampliada sobre as representações de gênero dentro do viés da base que
estrutura toda a educação: a formação, a política pública educacional e os
instrumentos norteadores. Questiona-se: como tem vem ocorrendo, preparado,
distribuído o conceito do que é ser homem, do que é ser mulher, isto é, as
diferenças dos papéis sociais dos distintos gêneros; como os documentos públicos
nacionais da educação, os instrumentos e o discurso tem apresentado sobre os
papéis de gênero, delimitam ou ampliam? Como esse tema tem sido repercutido
dentro de nosso estado de Rondônia? Nas formas teóricas e nas práxis, como estão
sendo proferidos nos discursos e também descrevidos em manuais, seja eles
documentos oficiais ou manuais de acesso direto a àqueles que utilizam dos
instrumentos educacionais, ou seja, a/o professora/professor e a/o aluna/o.
Sabe-se que nos últimos anos, com a mudança dos norteadores educacional,
como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), houve alterações nos discursos
apresentados até então. Mas o que mudou de fato? Como tem sendo discutido,
reescrito nas políticas nacionais da educação sobre tais temas? Para tomar como
ponto de análise inicial, tomar-se-á a análise concluída em 2017 que verificou a
forma de como abordam representações de gênero nas imagens nos livros
didáticos, qual analisou os livros didáticos de Ciências dos anos iniciais do ensino
fundamental da educação pública, utilizado em Rondônia entre os anos de 2010 a
2015, em que ainda tinha como norteador os Parâmetros Curriculares Nacionais,
colocando em comparação aos manuais didáticos atuais que toma a BNCC como
base, fazendo uso de documentos atuais da educação, levando em consideração
sobre quais são os discursos dotados na atualidade, se ainda há reprodução de
estereótipos de gênero, contribuem para criar ou reproduzir representações e
conceitos científicos, assim como no passado ou apresentam mudanças, se sim,
quais?
Investigar as questões de gênero contidas nos instrumentos pedagógicos,
documentos oficiais educacionais, política públicas para o ensino fundamental, onde
se faz necessário refletir o que estes têm denotado para o contexto educacional
brasileiro, uma vez que tais documentos e manuais são articulações de proliferação
de concepções adotadas pelo estado, podem conduzir e contribuir para criar ou
reproduzir representações e conceitos.
Nesta perspectiva, condiz com Scott (1991) ao sugerir analisar as relações de
gênero, a partir de qualquer realidade histórica, pois essa análise favorece mapear
os regimes excludentes, que segundo a autora, se repete em quase todas as
culturas ao longo da história. Essas concepções contribuem no saber sobre a
construção cultural, compreendendo como causa na formação e na organização dos
seres nos lugares aos quais habitam.
Desta forma, entender sobre o lugar se torna pertinente para entendermos as
concepções que o cercam. Sendo esse viés proposta aqui, de analisar sobre a
cultura que vivemos, como estão sendo os discursos proferidos na base, se tais
contribuem ou não para a construção de uma sociedade com menores impactos de
desigualdade de entre mulheres e homens. Denotamos que é uma articulação entre
linha do tempo dos últimos anos, perpassando sobre os norteadores educacionais
anteriores e o atual.
A teia que trama as relações institucionais de gênero perpassa o corpo e seus
significados historicamente inscritos. Por isso nossa curiosidade em investigar como,
em Rondônia, os documentos oficiais, os instrumentos pedagógicos, manuais
didáticos apresentam sobre os papéis sociais que representam a figura feminina e
masculina, qual a posição presente nos discursos da educação de Rondônia.
A ausência da apresentação do tema gênero, feminismo, mulher, igualdade
de direitos entre mulheres e homens, seus papéis na sociedade, nas abordagens da
educação, concedem continuidade aos fatores históricos negativos repercutidos no
processo da formação das relações entre homens e mulheres, conduzindo passos
vagarosos para uma sociedade de relações iguais. Há alguns avanços perceptíveis
nas propostas educacionais, entretanto, ainda há longo percurso de reflexões e
ações para uma educação não-sexista. É necessário ir além de meramente
percepções conceituais, mas analisar as entrelinhas disponível nos artefatos totais
apresentados a sociedade.

4. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

As convenções culturais e sociais são permeadas pelas relações de poder,


este que produz e regulamenta um modelo definido a ser seguido nas relações entre
mulheres e homens distribuído nos diversos campos da vida. Butler (2008) confirma
essa percepção sobre o corpo. A filósofa estadosunidense acredita que o corpo tem
significados históricos, limites políticos e direitos negados, delineados por seus
sujeitos e pelas sociedades ao longo de suas histórias – o corpo é um produto
retórico de uma ideia não realizada em seus estritos limites, torna-se uma paródia do
mundo inteligível platônico.
O corpo feminino é o outro, não é o corpo padrão, cultuado pela norma
machista e patriarcal construída ao longo dos séculos. Este outro, na
contemporaneidade, tem lutado por conquistar reconhecimento de uma identidade e
da cidadania plena, sendo dono de si. Contudo, existem dificuldades e desafios que
se apresentam, e estes variam em cada espaço e tempo.
Sabe-se que, historicamente, os papéis sociais entre mulher e homem são
dicotomias. Conforme Scott (1991) e Grosz (2000) uma dessas justificativas das
diferenças entre mulheres e homens nas posições sociais parte de descrições
biológicas, qual é tomado como natural, concebido por meio das diferenças de
forte/frágil, mente/corpo, razão/emoção, público/privado, político/doméstico,
ativo/passiva; minimizando e presumindo a incapacidade feminina em relação ao
homem que tem a mente como parte lídimo. Existe uma marca corporal na qual se
inscreve um significado da realidade, este significado, por sua vez, trabalha na
perspectiva de fornecer indícios de quais tipos de trabalhos os seres humanos
podem exercer – em suma, trata-se de um argumento reducionista, no qual a
biologia fundamenta a diferença e a exclusão. Esta divisão sexual de espaços entre
a esfera privada e esfera pública, por muito tempo, deu-se em função de uma
construção simbólica do que seria atribuída ao longo da história, pregando o
confinamento na vida privada, submissão ao domínio masculino, destinação ao
mundo doméstico, a maternidade compulsória, a negação da educação para mulher,
recorrentes até no presente século XXI.
Para Louro (1997), separar papéis entre os gêneros, isto é, supor o que seria
papel masculino e papel feminino ressalta a concepção de um padrão determinado,
não considerando “as múltiplas formas que podem assumir as masculinidades e as
feminilidades” (IDEM, p.24), reforçada pelas “complexas redes de poder que através
das instituições, dos discursos, dos códigos, das práticas e dos símbolos, constituem
hierarquias entre os gêneros” (IDEM, p.24), contribuindo, assim, para a construção
de uma sociedade constituída de implicações da estrutura de poder que inferem
noções de valores, concepções atuantes nos processos sociais e, imergem as
dicotomias das diferenças entre os gêneros, repercutindo nos variados espaços, de
distintas formas.
No campo da Educação, os estudos de Gênero são recentes. Em território
brasileiro, o conceito de gênero começou a ser empregado na década de 1980,
sobretudo pelos movimentos sociais feministas e LGBT. Em fins da década de 1990,
as orientações propostas nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) trouxeram
o assunto apresentando-o como um “conjunto das representações sociais e culturais
construídas a partir da diferença biológica dos sexos” (1998, p. 320). No currículo
brasileiro anterior, o tema foi abordado especificamente dentro do eixo temático “Ser
Humano e Saúde”, determinando as discussões sobre sexualidade e o respeito às
diferenças entre as pessoas e entre os sexos ao campo das ciências da vida.
A disciplina Ciências trabalhava de forma explícita o tema Corpo Humano; em
que, segundo os PCNs, estão “incluídas as dimensões da aprendizagem e as
potencialidades do indivíduo para a apropriação de suas vivências” (BRASIL, 1998,
p. 318), abarcados pelas relações de gênero. Contudo, se faz necessário um olhar
além do taxar o conceito, mas uma proposta de ampliação as percepções sutis,
entrelinhas de um conjunto ao todo.

Gênero, educação e manuais didáticos

A escola é a instituição mais influente de formação de valores e práticas de


igualdade. Para Louro (1997), a escola não apenas transmite conhecimentos, mas,
fabrica sujeitos. As salas de aula possibilitam o encontro com diferentes sujeitos da
sociedade, sendo um ambiente propício para o confronto e constituição do eu,
contribuindo, assim, para a formação das identidades de gênero.

[...] se admitimos que a escola está intrinsecamente comprometida


com a manutenção de uma sociedade dividida e que faz isso
cotidianamente, com nossa participação ou omissão, se acreditamos
que a prática escolar é historicamente contingente e que é uma
prática política, isto é, que se transforma e pode ser subvertida; e,
por fim, se não nos sentimos conformes com essas divisões sociais,
então, certamente, encontramos justificativas não apenas para
observar, mas, especialmente, para tentar interferir na continuidade
dessas desigualdades. (LOURO,1997, p.85-86).

Sobre este foco, os LDs como elemento utilizados em sala de aula propaga
um certo tipo de discurso, o qual pode produzir ou reproduzir “significados para os
sujeitos, influenciando e demarcando características como normais, atribuindo
sentido e modelando o que é e como é ser menina, ser menino, homem e mulher.”
(DINIZ e SANTOS,2011, grifo nosso).
São reconhecidos os aparos que permitiram o desenvolvimento de políticas
educacionais direcionadas para a igualdade de direitos no intuito de abolir as
exclusões existentes no ensino. Segundo dados do MEC, os livros devem cumprir
um duplo papel: o primeiro é o pedagógico, garantindo a veiculação de conceitos e
informações corretas, bem como auxiliar professores em sua tarefa docente; o
segundo é social, contribuindo para a formação da cidadania, estimulando a
autonomia de estudantes e valorizando a liberdade de expressão e pensamento,
além de diminuir as tensões promovendo o respeito mútuo. Percebe-se, portanto, a
relevância do livro didático no processo educativo pedagógicas do ensino
educacional da rede pública.
O livro didático tem sido a única referência para o trabalho de professores,
confundindo-se com o próprio currículo e, assim, definindo de estratégias de ensino.
Devido à ausência de outros materiais que guiem os professores quanto ao ‘que
ensinar’ e ‘como ensinar’, o livro didático passou a ser o principal instrumento de
trabalho em sala de aula. Os livros didáticos apresentam símbolos e recursos no
intuito de desenvolver uma cultura comum, por meio de textos e imagens, indicando
uma forma de pensar e agir, possibilitando às crianças instrumentos que podem
contribuir com a transmissão cultural e influenciar na formação e transformação de
identidade dos/as educandos/as.
Para se entender como os LDs estabelecem as concepções do gênero, é
necessário ir além da questão básica da quantidade de imagens, mas também
examinar como estas imagens representam os diferentes modos de manifestação do
gênero.
Dentro desse contexto, destacam-se algumas questões sobre o sentido e a
representação do gênero nos materiais didáticos: quais são os papéis de gênero
delimitados pelos livros? Esses papeis de gênero fornecem qual sentido de mulher
para o aluno? As mensagens presentes nos LD discutem ou reproduzem os papéis
socialmente aceitos para homens e mulheres? As imagens estimulam uma
representação de mulher no mercado de trabalho, estudando e/ou vida pública
política? Elas apresentam mulheres na vida pública social? As imagens fazem
referência a alguma atividade laboral para as mulheres? Assim, no desenvolver de
parte da proposta, os seguintes itens serão compreendidos: a quantificação das
imagens nas quais há representações de gênero, o papel social associado ao
gênero, os discursos presentes nos manuais didáticos, os estereótipos imagéticos
dos papéis sociais entre homem e mulher.
Neste sentido, Louro (1997) indica que, mais importante do que escutar o que
é dito sobre os sujeitos, é perceber o não dito, perceber o que é silenciado e
colocado à margem. O omitido não possibilita a discussão, o enfrentamento ao
poder e, portanto, intensifica as relações de poder, as desigualdades e os processos
de exclusão social. (FOUCALT, 1988).

5. METODOLOGIA E PROCEDIMENTOS TÉCNICOS

A natureza desta pesquisa é empírica. Em sua primeira fase realizamos uma


investigação documental, na qual se propõe análise com os documentos integrante
da educação, sendo eles: Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), Diretrizes e
Bases da Educação Nacional (LDB), as Diretrizes Curriculares Nacionais para a
Educação Básica e o Plano Nacional de Educação, ênfase ao Referencial Curricular
do Estado de Rondônia e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
O objetivo da pesquisa bibliográfica é de formar o referencial teórico do
trabalho, favorecendo nas reflexões conceituais, como também na análise
precedente da coleta de dados, tornando, portanto, o passo essencial em qualquer
pesquisa científica. A pesquisa, portanto, de natureza qualitativa, com caráter
descritivo e documental (ALVES-MAZZOTTI; GEWANDSZNAJDER, 1998) e
destaque em procedimentos de análises de conteúdo. O procedimento de leitura e
análise dos documentos, sejam nos textos oficiais de educação ou manuais
didáticos, constituirá na retórica.
Para aprofundamento da análise será utilizado pensadores como Judith
Butler, que nos oferece base nos estudos sobre identidade de gênero, reflexões
acerca do corpo e, em conjunto com ela, Elizabeth Grosz (2000), entre outros
pensadores que discutem gênero, gênero e educação. Sabe-se que os estudos de
gênero e as contribuições do feminismo têm apontado para uma série de
repercussões; suas discussões estão relacionadas na importância da compreensão
de análises que apresente sobre questões da igualdade dos sexos, a sexualidade, a
legitimidade da mulher, ampliação das discussões de gênero.
É sobre essa vertente que o espaço acadêmico deve compor seus objetivos,
pensar criticamente e atuar na/com a sociedade, sendo necessário entender a
importância de estudos que aborde e repercuta abertura de indagação social,
envolvendo nas questões poucos demonstrados, levando a participação do corpo
social. Torna-se assim, a categoria gênero, como instrumento analítico de pesquisas
científicas (LOURO, 1999, 2004a; SCHIEBINGER, 2001).
Destarte, o estudo se apropriará com proposta de análise e descrição da
argumentação nas técnicas argumentativas da Nova Retórica, de Perelman e Tyteca
(2005). Com esse intuito, o resultado será exposto em esquemas argumentativos de
acordo com técnicas argumentativas (TA), uma análise fundamentada na tradição da
retórica aristotélica, nos escritos contemporâneos de Perelman e Tyteca (2005).

6. CRONOGRAMA

ETAPAS PERÍODOS
Cursar disciplinas Mar./2021 a Jul./2021
Levantamento bibliográfico Set./2021 a Set./2021
Defesa do pré-projeto Set./2021
Coleta de dados Out./2021 a Dez./2021
Tabulação e análise dos dados Dez./2021 e Jan./2022
Revisão e redação final Fev./2022
Defesa da dissertação Mar./2022

REFERÊNCIAS

ALVES-MAZZOTTI, A. J.; GEWANDSZNAJDER, F. O Método nas Ciências


Naturais e Sociais: Pesquisa Quantitativa e Qualitativa. 2. ed. São Paulo: São
Paulo, 1999.

BUTLER, J. P. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade.


Tradução de Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Civilização, 2008.

DINIZ, G. A.; SANTOS, S. P. Discutindo as Relações entre os Gêneros em Livros


Didáticos de Ciência. UFU.

FOUCAULT, M. Microfísica do poder. Organização e tradução de Roberto


Machado. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979.

GROZ, E. Corpos reconfigurados. In: Cadernos Pagu. Campinas; n. 14; 2000.

LOURO, G. L. Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-


estruturalista. 2.ed. Petrópolis: Vozes, 1997.

________ Parâmetros Curriculares Nacionais: primeiro e segundo ciclos. -


apresentação dos temas transversais. S.E.F. Brasília: MEC/SEF, 1998.

PERELMAN, C.; TYTECA, O. L. Tratado da argumentação: a nova retórica. São


Paulo, Martins Fontes: 1999.

SCOTT, J.; Gênero: Uma categoria útil para a análise histórica. Trad. Christine
Rufino Dabat e Maria Betânia Ávila Recife: SOS Corpo. 1991.