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CENTRO UNIVERSITÁRIO DA GRANDE FORTALEZA – UNIGRANDE


CURSO DE DIREITO

MAYRA BIANCK CANÁRIO RANGEL SILVA

POLICIAMENTO COMUNITÁRIO E O PROJETO SENTIDO CONSCIENTE

FORTALEZA
2020
2

MAYRA BIANCK CANÁRIO RANGEL SILVA

POLICIAMENTO COMUNITÁRIO E O PROJETO SENTIDO CONSCIENTE

Artigo Científico apresentado à disciplina de


Trabalho de Conclusão de Curso II, como
requisito para obtenção do título de Bacharel
em Direito, do curso de Direito do Centro
Universitário da Grande Fortaleza –
UNIGRANDE.

Orientador: Profª.Dra.Nádia Marques Gadelha

FORTALEZA
2020
3

MAYRA BIANCK CANÁRIO RANGEL SILVA

POLICIAMENTO COMUNITÁRIO E O PROJETO SENTIDO CONSCIENTE

Este artigo foi julgado adequado como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel
em Direito e aprovado em sua forma final pelo curso de Direito do Centro Universitário
da Grande Fortaleza – UNIGRANDE

Fortaleza, ____, ______________, _________

BANCA EXAMINADORA

_____________________________________________
Profª. Dra. Nádia Marques Gadelha (Presidente)

____________________________________________
Profª. Ma. Karin Becker Lopes (Examinadora)

____________________________________________
Prof. Me. Holmes Cordeiro Neto (Examinador)
4

RESUMO
O enfrentamento à criminalidade, em especial a delinquência que atinge crianças e
adolescentes, tem se constituído como um dos maiores desafios a serem superados no cenário
social contemporâneo, levando a construção de novas formas de enfretamento ao delito. Neste
contexto de transformações, a atividade desenvolvida pelas Polícias Militares, foi sendo
gradativamente alterada, se moldando na busca pela obtenção de resultados cada vez mais
eficazes no combate as práticas criminais. Destaca-se nesse processo de modificação das
posturas no exercício profissional policial a Polícia Militar do Ceará, que em meados da
década de 2000 passou a adotar o policiamento comunitário como uma das formas de atuação
de seus agentes. A partir das diretrizes apresentadas pelo Programa Ronda do Quarteirão, a
instituição passou a construir uma aproximação com a sociedade, buscando distanciar dos
delitos aqueles indivíduos mais vulneráveis à prática criminal. O presente estudo com bases
teóricas assentadas na Constituição Federal de 1988 e no Estatuto da Criança e do
Adolescente (1990) tem como objetivo descrever as ações realizadas pelo Policiamento
Comunitário, com foco no Projeto Sentido Consciente, desenvolvido na Área Integrada de
Segurança (AIS) 02, que inclui seis bairros da cidade de Fortaleza: Bom Jardim, Siqueira,
Granja Lisboa, Conjunto Ceará, Genibaú e Granja Portugal, da periferia da cidade de
Fortaleza-CE, com o objetivo de levar à comunidade escolar da região, meios de
distanciamento de crianças e adolescentes do interesse pelo crime.

Palavras-chave: Delinquência Juvenil. Estatuto da Criança e do Adolescente. Policiamento


Comunitário.
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ABSTRACT
The fightagainst crime, especially the delinquency that affectschildren and adolescents, has
constitutedone of the greatestchallenges to beovercome in the contemporary social context,
leading to the construction of new ways of facing crime. In thiscontext of transformations, the
activitydeveloped by the Military Police, was graduallychanged, moldingitself in the search
for obtaining more and more effectiveresults in the fightagainst criminal practices. The
Military Police of Ceará stands out in this process of modification of postures in
professionalpolicepractice, which in the mid-2000s began to adoptcommunitypolicing, as one
of the forms of action of its agents. Based on the guidelinespresented by the Ronda do
Quarteirão Program, the institutionstarted to build a rapprochementwithsociety, seeking to
distance crimes, those individuals most vulnerable to criminal practice. The present study has
as mainobjective to investigate the impact of the actionsdeveloped by the
CommunityPolicing, focusing on the SentidoConsciente Project, developed in anarea of the
periphery of the city of Fortaleza-CE, with the objective of taking the schoolcommunity of the
region, means of distancingchildren and adolescents from interest in crime.

Keywords: Juvenile Delinquency. Child and Adolescent Statute. Community Policing.


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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 7
2 REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................................................ 8
2.1 SEGURANÇA PÚBLICA E POLÍCIA COMUNITÁRIA .................................................. 8
2.2 DELINQUÊNCIA JUVENIL ............................................................................................. 11
2.3 A APLICABILIDADE DO ECA E O PROJETO SENTIDO CONSCIENTE .................. 14
3 METODOLOGIA................................................................................................................ 18
3.1 QUANTO AO TIPO .................................................................................................. 19
3.2 QUANTO À UTILIZAÇÃO E ABORDAGEM DOS RESULTADOS .................... 19
3.3 QUANTO AOS OBJETIVOS .................................................................................... 19
4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS.......................................................................... 19
FIGURA 1. GUIAS EXPEDIDAS POR ATOS INFRACIONAIS NOVEMBRO DE 2016 .. 22
FIGURA 2. RELAÇÃO ENTRE O IDH E O NÚMERO DE HOMICÍDIOS NAS ÁREAS
INTEGRADAS DE SEGURANÇA DE FORTALEZA .......................................................... 23
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................. 25
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 27
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1 INTRODUÇÃO

Dentro do vasto campo do Direito, a atuação contemporânea da Polícia Militar vai


muito além das implicações pertinentes ao Direito Penal e sua aplicabilidade diante da
ocorrência de uma infração as disposições contidas neste diploma normativo. Como atividade
estatal desenvolvida no cerne da coletividade, a Polícia Militar assume para si papel social de
identificação e enfrentamento das causas originárias do delito, propondo e realizando políticas
públicas de intervenção no movimento de atração do menor para prática de atos infracionais.
Neste contexto, a presente pesquisa se ocupa em investigar e compreender a
delinquência que atinge de forma específica crianças e adolescentes, observando o conjunto
normativo presente no Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA Brasil (1990) pertinente a
proteção dos interesses dessa parcela da sociedade. Ainda se busca de forma especial,
investigar a capacidade de atuação dos órgãos policiais na construção de ações capazes de
intervir diretamente no processo de atração de jovens para o crime.
Discutir o papel da Polícia Militar do Estado do Ceará no enfrentamento da
delinquência juvenil se revela ao fim como uma questão complexa, envolta em uma rede
multidimensional, social, econômica e política. O plano de fundo dessa realidade infanto-
juvenil apresenta uma das mais graves situações que perpassa a população juvenil no Brasil
em sua vasta dimensão periférica dos abismos sociais sob os quais se encontram.
As autoras Jana Gonçalves Zappe e Ana Cristina Garcia Dias (2010) destacam em
sua obra a soma de inúmeros fatores que agem na predisposição do indivíduo em delinquir.
Para as autoras, adolescentes que cometem atos infracionais têm sido abordados a partir de
três níveis de conceitualização: o nível estrutural, o sociopsicológico e o individual,
encontrando-se esses fatores como decisivos no processo de aproximação do jovem com o
delito.
O processo de reversão da realidade padece uma investigação profunda de meios
suficientemente capazes de eliminar desde a origem a atração do jovem pelas práticas
delitivas. Compreender esse processo de criminalização da população como um todo e em
especial do jovem no Brasil, tem como objetivo principal a propositura de intervenções
capazes de reverter o interesse dos indivíduos, cada vez mais cedo, pela criminalidade
(CARVALHO; SILVA, 2011, online).
No contexto de atuação dos órgãos de segurança pública, além das disposições
contidas na Constituição Federal de 1988, destaca-se o conjunto normativo instituído por
meio da Lei nº 13.675, de 11 de Junho de 2018 - Política Nacional de Segurança Pública e
8

Defesa Social (PNSPDS). A Política Nacional de Segurança estabelece as bases para a


edificação de um sistema de comportamentos a ser implementado com o objetivo de
minimizar as práticas infracionais identificadas nas diversas camadas da sociedade.
A intervenção no seio escolar pode contribuir positivamente no processo de
distanciamento da juventude no ambiente delitivo, a partir da construção desde a infância de
aproximação do infante para a adoção de uma postura cidadã. Assimilando o desenvolvimento
de ações no ambiente escolar e quais impactos poderão ser projetados a curto, médio e longo
prazo no processo de descriminalização da sociedade.

O presente trabalho tem como objeto de estudo o Projeto Sentido Consciente,


desenvolvido a partir da implementação do policiamento comunitário no Estado do Ceará,
com o intento de desfazer preconceitos e construir pontes de confiança entre Polícia Militar e
sociedade, discutindo um novo papel de política de segurança comunitária escolar da Policia
Militar do Estado do Ceará.
Destarte, busca-se o estreitamento dos laços entre polícia e sociedade juvenil,
desconstruindo preconceitos, tornando o policial uma referência para os adolescentes com o
desígnio de desviá-los do aliciamento ao mundo do crime e conscientizá-los a construir seus
futuros dentro da legalidade e de forma cidadã, pois acreditamos que é preferível prevenir a
reprimir.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 SEGURANÇA PÚBLICA E POLÍCIA COMUNITÁRIA

A Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social (PNSPDS) instituída


por meio da Lei nº 13.675, de 11 de Junho de 2018, tem como objetivo principal a criação de
políticas que possam contribuir para a redução nos índices de criminalidade. Neste cenário, o
Sistema Nacional de Segurança Pública, por meio das políticas de segurança tem como
competência:

Art. 3º Compete à União estabelecer a Política Nacional de Segurança Pública e


Defesa Social (PNSPDS) e aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios
estabelecer suas respectivas políticas, observadas as diretrizes da política nacional,
especialmente para análise e enfrentamento dos riscos à harmonia da convivência
social, com destaque às situações de emergência e aos crimes interestaduais e
transnacionais (BRASIL, 2018, online).

A atividade de segurança pública sofreu um avanço de grande relevância com o


advento da Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, uma vez, que por meio
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deste sistema as ações de combate à criminalidade passaram a ser pensadas de forma


conjunta, como um grande sistema onde cada órgão carrega em si suas funções típicas e
contribuem de forma solidária para que efetivamente sejam construídos resultados
expressivos, como bem lecionou o Ministério da Justiça e Segurança Pública ao apresentar o
Sistema Único de Segurança Pública, in verbis:

A criação do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) é um marco divisório na


história do país. Implantado pela Lei nº 13.675/2018, sancionada em 11 de Junho, o
Susp dá arquitetura uniforme ao setor em âmbito nacional e prevê, além do
compartilhamento de dados, operações e colaborações nas estruturas federal,
estadual e municipal. Com as novas regras, os órgãos de segurança pública, como as
polícias civis, militares e Federal, as Secretarias de Segurança e as Guardas
Municipais serão integrados para atuar de forma cooperativa, sistêmica e harmônica
(MJSP, 2006,online).

No contexto social atual, o confronto à criminalidade deve se pautar em diversas


frentes de ação, ganhando destaque, aquelas atividades que se ocupam em agir na origem do
delito, evitando assim, que o indivíduo seja atraído por uma imaginária vantagem que se
vincula a prática delitiva.

O Sistema Nacional de Segurança Pública, por meio da soma de esforços de toda


a sociedade e dos órgãos encarregados da manutenção das relações interpessoais devem voltar
seus esforços para a compreensão da importância das políticas públicas nesse processo de
transformação que se busca alcançar, uma vez que um resultado palpável nas questões sociais
apenas poderá ser sentido quando efetivamente houver modificações no viver em sociedade.

A sociedade brasileira precisa urgentemente de um fórum verdadeiro para debate e


discussão a respeito da necessária atualização da política nacional de segurança
pública e direitos humanos, e um bom começo seria justamente a criação da
Associação de Defesa do Direito de Punir, espaço aberto que dará voz não só para
aqueles cansados de viver aprisionados em suas próprias casas, com medo da
violência, como também e, especialmente, para aqueles que discordam que a
criminalidade imponha regras para a nação. Em suma, para todos os cidadãos que
almejam viver em um País mais justo, humano e seguro. Não podemos esquecer que
a nossa Constituição Federal estabelece que a segurança pública é dever do Estado, e
um direito e responsabilidade de todos. Não se omita. Participe e divulgue se você
compartilha essas aspirações, pois a falta de união de toda a sociedade é o
combustível que alimenta a chaga da violência que nos aflige (FERREIRA,
2019,online).

Discutir a violência urbana remete necessariamente ao conhecimento de toda a


estrutura do sistema público de segurança, devendo compreender qual a competência de cada
instituição para a construção de uma sociedade pacífica, uma vez que dentro de suas
limitações os órgãos colaboram para que ao fim os esforços sejam somados e os resultados
almejados possam ser efetivamente obtidos.
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Com um número crescente de jovens com tendências desviantes, quer seja pela
sua classe social menos favorecida, quer seja pela pressão do sistema em se convalidar junto
aos seus pares, a força policial ostensiva tem cada vez mais dificuldades em tratar sobre os
diversos aspectos que permeiam o tratamento a crianças e adolescentes em conflito com a lei
(FELTES, 2003, p. 109).

Há necessidade, então, de que a polícia fique mais perto destes jovens e


adolescentes, de modo a prevenir incidentes delitivos, agindo antes que eles aconteçam e
formando cidadãos para o mundo, pois segundo o art. 144 da CF/88 a segurança pública é
“[...] dever do Estado, direito e responsabilidade de todos [...], cabendo às policias militares a
polícia ostensiva e a preservação da ordem pública”(BRASIL, 1998, online).

O policiamento comunitário manifesta-se como uma estratégia de aproximar estes


infantes à força policial, como forma de criar um distanciamento das práticas delitivas menos
violentas, que via de regra são portas de entrada no universo da criminalidade. Assim, se faz
necessário apresentar a polícia como um agente amigo, que sugira confiança, buscar o
fortalecimento dos princípios fundamentais da vida em sociedade e, consequentemente, evitar
o surgimento das práticas delitivas nos ambientes sociais.
O Manual de Policiamento Comunitário desenvolvido pelo Núcleo de Estudos da
Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP, 2009) apresenta de forma clara, uma
conceituação sobre quais as bases fundamentais da polícia comunitária e quais devem ser os
objetivos perseguidos nessa nova maneira de se pensar a polícia, de acordo com o documento:
A polícia pode adotar diferentes formas de policiamento. Uma delas é o
policiamento comunitário, um tipo de policiamento que se expandiu durante as
décadas de 1970 e 1980 quando as polícias de vários países introduziram uma série
de inovações em suas estruturas e estratégias para lidar com o problema da
criminalidade. Apesar de essas experiências terem diferentes características, todas
tiveram um aspecto comum: a introdução ou o fortalecimento da participação da
comunidade nas questões de segurança. (NEV/USP, 2009, p.13)

Ainda se utilizando das lições proferidas pelo Núcleo de Estudos da Violência- NEV é
possível se compreender o papel fundamental da população local no desenvolvimento das
práticas de policiamento comunitário, uma vez que nesta categoria de polícia, a segurança
pública não fica delegada apenas aos agentes públicos instituídos por lei no mister de proteção
do indivíduo, mas sim, a toda a comunidade que concebe a segurança com a colaboração de
todos, in verbis:
Isso significa que as pessoas de uma determinada área passaram não só a participar
das discussões sobre segurança e ajudar a estabelecer prioridades e estratégias de
ação como também a compartilhar com a polícia a responsabilidade pela segurança
da sua região. Essas mudanças tiveram como objetivo melhorar as respostas dadas
11

aos problemas de segurança pública, tornando tanto a polícia mais eficaz e


reconhecida como também a população mais ativa e participativa nesse processo. É
interessante notar que a Constituição brasileira ratifica esse tipo de policiamento ao
estabelecer, em seu artigo 144, que a segurança pública não é apenas dever do
Estado e direito dos cidadãos, mas responsabilidade de todos (NEV/USP, 2009,
p.13).

No exterior e no âmbito nacional, a inserção da prática do policiamento


comunitário tem um aspecto em comum: fortalecer a participação da comunidade em todas as
questões que envolvem sua segurança. Assim, há uma compreensão de que a polícia e a
comunidade são responsáveis por juntos identificar e buscar soluções para os problemas que
permeiam às comunidades, como: drogas, crimes e adolescentes em conflito com a lei
(SALES, FERREIRA e NUNES, 2009).
Esse tipo de policiamento foi implementado no Estado do Ceará em meados do
ano de 2007, pelo então governador Cid Ferreira Gomes, quando houve a criação do
Programa Ronda do Quarteirão. O programa tinha como fundamento principal a construção
dos laços de proximidade entre a Polícia Militar Estadual e a sociedade civil, base essencial
da ideia de policiamento comunitário.
No governo posterior, em 2015, o governador do Estado do Ceará, Camilo
Sobreira de Santana, ainda no intento de fomentar a prática de polícia comunitária
implementou no Estado do Ceará as Unidades Integradas de Segurança (UNISEG), inovando
o serviço de segurança pública e agregando a Secretaria de Segurança Pública com outros
órgãos dos governos Municipal e Estadual, objetivando ter mais qualidade no enfrentamento
ao crime e à violência.
Atualmente há diversos projetos relacionados à dança, música, esportes e
palestras, todos com o mesmo objetivo, publicizar o novo formato da Polícia Militar do Ceará
e aproximar polícia e sociedade. Deixou-se, então, de se voltar os olhos apenas para o
resultado; passou-se a identificar maneiras e mecanismos de prevenção dos crimes, em
conjunto com a comunidade, envolvendo-a na construção de políticas públicas voltadas à
segurança pública.

2.2 DELINQUÊNCIA JUVENIL

Debater a delinquência infanto-juvenil necessariamente remete a busca por


explorar os contextos sociais onde se constituem as infrações levadas a cabo por essa parcela
da sociedade. Cumulativamente, é preciso ainda se ocupar em compreender as consequências
mais relevantes no processo de criminalização do jovem. Jana Gonçalves ZappeI e Ana
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Cristina Garcia Dias (2010), destacam que é entre os jovens que se encontram as mais altas
estatísticas de mortalidade por agressões, assim como são os jovens os mais apontados como
autores de agressões, tanto no país quanto na América Latina.

É possível perceber que pesquisas inseridas neste contexto relatam que as


contravenções penais são mais comuns, ou estatisticamente prováveis, de serem cometidas
por adolescentes. Importante destacar a relevância cultural e criminológica do estudo sobre a
participação frequente, ou até mesmo assustadora de jovens menores de idade como sujeitos
ativos de infrações penais. Luís Adorno (2017):
Entre 1996 e 2014, o número de jovens entre 12 e 17 anos que foram apreendidos no
Brasil pela prática de crimes aumentou em quase seis vezes. De acordo com o
anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta segunda-feira
(30), há uma crescente no encarceramento de adolescentes no país: passou de 4.245
para 24.628. Os dados foram compilados pelo anuário através de índices do
Ministério dos Direitos Humanos e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística). Entre os jovens apreendidos, 22,5% está em detenção provisória. E
cerca de 9% está em semiliberdade (ADORNO, 2017, online).

Flora Sartorelli Venâncio de Souza (2019) fazendo uso das lições de Pires (2004)
ensina que:
Pires (2004) estuda o fenômeno do adolescente marginalizado sob o enfoque de uma
racionalidade penal moderna, pautada numa visão hostil e retributiva da conduta
delitiva, que influenciou e foi influenciada pelo crescente envolvimento da mídia e
da opinião pública em matéria penal. Este autor trabalha com a hipótese de que a
justiça criminal juvenil está sendo invadida ou colonizada pelo sistema de
pensamento da justiça criminal dos adultos tal como ele se constituiu durante os
séculos 18 e 19” (PIRES, 2006, p. 623). Assim, segundo o professor, a justiça
juvenil passaria a se subordinar à lógica da racionalidade penal moderna, tal qual o
sistema adulto (SOUSA apud PIRES, 2019, p 59/60).

Frente ao ensinamento apresentado, é possível encontrar um dos maiores desafios


no processo de distanciamento do menor infrator da prática de novas condutas delitivas. A
viabilidade de se atingir a ressocialização do menor por meio das mesmas regras impostas a
um adulto torna-se de difícil alcance, a partir do instante que não se alcança as peculiaridades
inerentes da condição do jovem em desenvolvimento.
Souza (2019) preleciona sobre a influência que o sistema punitivo para menores
infratores possa ter causado na atividade penal judicante, onde cada vez mais se busca a
ressocialização e não meramente punir o infrator. A autora fazendo uso das lições proferidas
por Zimring; Lang (2015) afirma que:

A justiça juvenil não teria sido colonizada pelo sistema adulto, mas, pelo contrário,
se desenvolveu com tendências à especialização gradual. Um exemplo dessa
interpretação é o recente trabalho de Zimring e Langer (2015). Esses autores
pontuam que, apesar da retórica do ideal ressocializador ainda estar presente em
todo o mundo, os programas e a lógica prática da reabilitação penal nunca foram
13

predominantes na realidade dos tribunais. Como argumento para tanto, eles afirmam
que os programas de privação de liberdade foram – e são ainda – muito menos
utilizados do que medidas em meio aberto. Haveria, portanto, uma visão das
virtudes da justiça juvenil enquanto virtudes “passivas”, ao contrário de uma crença
em virtudes intervencionistas. Ou seja, a visão predominante seria a de que quanto
menor a intervenção, melhor para o adolescente e para a sociedade (SOUZA apud
ZIMRING; LANGER, 2019, p.57).

Ainda de acordo com as lições de Souza (2019) a principal distinção entre a


atividade penal praticada para o público juvenil e o adulto, reside no fato de que os tribunais
juvenis terminam por sancionar penas privativas de liberdade em menor grau, uma vez que
estes juízes possuem tendência a uma maior confiabilidade na ressocialização do menor.
Para além das questões punitivas ao menor que tenha adentrado no contexto da
delinquência, é preciso se compreender a importância de evitar que crianças e adolescente
decidam pela prática infracional. A sociedade deve assumir o compromisso de tornar possível
o pleno desenvolvimento do menor, edificando meios suficientemente capazes de reverter à
atração delitiva que venha a surgir para o menor. É indispensável que, para além dos direitos
básicos já positivados pela legislação brasileira, garanta-se à criança na fase da primeira
infância um crescimento qualitativo, em que haja ações voltadas à prevenção da delinquência
juvenil.
Jhonatan Senna (2019) prelecionando sobre a condição de vulnerabilidade da
criança e do adolescente destaca que essa parcela da sociedade é diretamente atingida pelas
duas condições pertinentes à criminalidade. Nas palavras do autor, as disparidades sociais
terminam por colocar o menor tanto no status de vítima como de praticante de alguma espécie
de infração, a saber:
Levando o exposto em consideração, faz-se necessário considerar que crianças e
adolescentes constituem um dos grupos mais vulneráveis aos problemas que
decorrem da defasagem estrutural e do descompasso do funcionamento da sociedade
contemporânea. Nesse sentido, a exposição da população infanto-juvenil à violência
amplia-se e transforma o público supracitado como vítima e/ou praticante desta
(SENNA, 2019, online).

Para além das questões meramente normativas, investigar a delinquência infanto-


juvenil requer necessariamente a exploração dos fatores sociais que remetem a construção do
processo delitivo. O Estado e a sociedade civil devem ser capazes de compreender a
relevância dos fatores estruturantes do interesse do menor e do jovem pelas ações
infracionais.
Daniel Cerqueira e Rodrigo Leandro de Moura (2019) afirmam que:

A maior dificuldade em se analisar o efeito da estrutura demográfica sobre os


crimes, no plano agregado, consiste em conseguir separar inúmeros condicionantes
14

desse fenômeno, que afetam a dinâmica socioeconômica das localidades. No


entanto, a interação de alguns desses fatores com a juventude pode arrefecer ou
potencializar a criminalidade juvenil. Como exemplo, podem-se citar as
oportunidades no mercado de trabalho. O aumento do contingente de jovens na
população, ao elevar a competição por postos de trabalho em que não se requer
experiência, pode aumentar a taxa de desemprego nessa faixa etária e diminuir o seu
salário, o que poderia funcionar como um incentivo a favor do crime.
(CERQUEIRA; MOURA, 2014, p. 356/357)

Fica claro pela lição apresentada que uma investigação sobre a delinquência
infanto-juvenil não poderá ser realizada sem a devida exploração de fatores sociais que
terminam por contribuir no desencadeamento das ações delitivas executadas por determinados
jovens. É preciso a edificação de um sistema social capaz de eliminar no nascedouro o desejo
do jovem em participar das empreitadas delitivas.

O processo de criminalização da juventude se revela muito além das questões


normativas, passando necessariamente pelo cenário social, como falta de oportunidades
educacionais, laborativas, a ausência da construção de perspectivas sociais, o avanço do
tráfico de drogas ilícitas, a incapacidade do sistema de proteção ao menor de efetivamente
garantir os interesses dessa parcela da sociedade. Estes e tantos outros fatores agindo
simultaneamente terminam por levar ao quadro assustador da violência praticada por menores
e da difícil reversão dessa realidade.

2.3 A APLICABILIDADE DO ECA E O PROJETO SENTIDO CONSCIENTE

Foi por meio da Constituição Federal de 1988, corroborada pela Lei nº 8.069, de
13 de Julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), que crianças e adolescentes
tiveram resguardados e tutelados seus direitos, sendo reconhecidos como, de fato, cidadãos
(VERONESE e COSTA, 2006). Compreende-se assim que apenas no contexto
contemporâneo é que as crianças e adolescentes tiveram seus direitos resguardados de forma
expressa pelo ente estatal.
Andrea Antico Soares (2019) fazendo uso das lições de Sarlet (2015) ensina que:
“a dignidade da pessoa humana é um atributo de todos os que integram a comunidade
humana, constituindo, portanto, uma noção universal [...]” (online), o que vem evidenciar que
a criança e adolescente estão abarcados nesta ótica de pensamento.
A adolescência, etapa crucial da vida de formação do ser humano enquanto agente
transformador de sua realidade, deve ser assistida de forma completa por todos aqueles que o
rodeiam, garantindo mecanismos que possibilitem construir e maximizar as suas
15

potencialidades, elevando de forma responsável as melhores condições de desenvolvimento


para crianças e adolescentes.
Crisna Maria Miller (2011, online) preleciona que para sanar a necessidade
principiológica de defesa de direitos fundamentais das crianças e adolescentes, no Brasil, há
consolidado o princípio da Proteção Integral, manifesto no art. 227 da Constituição Federal, e
que diz respeito à assistência às crianças e adolescentes por parte de todos os que na sua
formação estejam envolvidos de algum modo.
Os direitos de crianças e adolescentes devem ser reconhecidos como direitos
especiais, específicos pela condição que alçam, já que ainda estão em desenvolvimento, ou
seja, a Proteção Integral voltada à criança e ao adolescente.
O sistema de resguardo especial referente à proteção na concepção mais ampla da
palavra, necessitando a família, o Estado e a sociedade garantir condições mínimas para a
felicidade atual e futura destes indivíduos em formação. Também, alude à integralidade da
perspectiva da criança e do adolescente que tem seus direitos resguardados em todas as
esferas que precisam ser resguardaras para o seu efetivo desenvolvimento, quais sejam: físico,
mental, moral, espiritual e social, como prelecionado por CURY, et al (2002).
Neidemar José Fachinetto (2008) ensina que:

Consolidada a democracia brasileira, pelo menos não havendo mais ameaças às suas
instituições Políticas, e, percorridas quase duas décadas da promulgação dos textos
legais que posicionaram o Brasil como um dos países com a mais avançada
legislação na área da infância e juventude, verifica-se que o País alcançou índices
significativos de implementação da estrutura prevista no ECA (FACHINETTO,
2008, p. 35).

No entanto, o que há, na realidade, é uma igualdade formal e não material, o que
visa dizer que há uma legislação extremamente garantista e à frente de seu tempo, mas que
não efetivamente repercute isso em linhas gerais aos indivíduos destinatários. Isto porque
anteriormente ao Estatuto da Criança e do Adolescente, Brasil (1990), estes menores eram
legalmente definidos como em situação irregular e tidos como marginalizados, sem direitos.
Diante da situação sociopolítica e econômico-social que o país se encontra, o
adolescente se depara com inúmeros desafios para lidar e enfrentar as diversas denúncias
sobre os efeitos que a pobreza vem exercendo sobre as famílias de baixa renda, ao mesmo
tempo, em que sofre, tal como a população mais vulnerável no país, o fracasso dos modelos
de desenvolvimento econômico.
Mario Volpi, gerente de projetos do Fundo das Nações Unidas para a Infância
(UNICEF) e um dos criadores do ECA, em entrevista concedida a Karina Gomes no ano de
16

2015, posiciona-se em favor da mudança de paradigmas para a inserção da criança e do


adolescente nos contextos sociais contemporâneos. É preciso pensar as necessidades dessa
parcela da sociedade para que intervenções concretas, que possam ir além da letra da lei,
venham a ser realizadas, a saber:
As principais dívidas do país com a infância estão relacionadas à desigualdade
social, à alta taxa de homicídios e às medidas socioeducativas aplicadas aos
adolescentes infratores. Foi bom o país ter tomado a decisão de ter essa lei, mas em
cada avanço há sempre uma lacuna a ser preenchida. Apesar de ter reduzido a
mortalidade infantil, o Brasil ainda tem uma grande dívida com os adolescentes
negros de comunidades pobres, as principais vítimas de homicídio, e também com as
comunidades indígenas. As crianças indígenas têm duas vezes mais chance de
morrer antes de completar 1 ano de idade do que a média do país (GOMES,2015,
online).

Compreende-se pela leitura das palavras apresentadas que existe uma necessidade
urgente de se investigar de forma profunda as questões que terminam por levar o menor à
prática delitiva. E para além das motivações dos atos infracionais, a construção de
intervenções capazes de reverter o quadro de delinquência infanto-juvenil de forma concreta,
garantindo efetivamente o pleno desenvolvimento de crianças e adolescentes.
As desigualdades sociais se revelam ao fim como um dos fatores que mais
diretamente interferem no assustador agravamento dos números de adolescentes
marginalizados que são, na maioria, provenientes de lares carentes, sendo comum ignorar a
história de vida destes adolescentes e excluí-los da experiência do seu convívio social
(MERELES, 2017).
Priscila Piovesan Sarzi Sartori (2009), escrevendo sobre os efeitos da
desestruturação familiar na formação do indivíduo e principalmente, sobre as influências que
provêm de questões domésticas na edificação de um perfil indesejado em todos os elementos
inseridos naquele contexto social. Sartori citando Veronese e Costa (2006) afirma que:
É nesse sentido que se pode afirmar ter a família como influência sobre o ser
humano durante a vida, pois desde a concepção estão presentes os fatores familiares.
[...] para que se transforme em um ser social o jovem necessita de um ambiente
familiar onde possa cultivar e fortalecer os sentimentos básicos de um crescimento
sadio e harmonioso, tais como segurança e afeto. [...] Com a falta dessa intervenção,
devido às falhas do grupo familiar, a deterioração da personalidade é uma
consequência lógica, podendo converter-se em agente gerador de condutas infantis
indesejáveis, seja ou não de caráter delitivo (SARTORI apud VERONESE;COSTA,
2009, p.30)

Torna-se imprescindível a proteção dos direitos das crianças e adolescentes por


todos os sujeitos garantidores, como família, Estado e sociedade, proporcionando presente e
futuro dignos, com acessibilidade à saúde, educação, segurança, lazer, proteção, entre tantos
outros direitos fundamentais elencados no art. 5º da CF/88 (BRASIL, 1988). Assim, ao
17

assegurar seus direitos, crianças e adolescentes passam a ter mais oportunidades e,


consequentemente, distanciam-se do mundo do crime.
Essa questão de complexa rede multidimensional, social, econômica e política é o
pano de fundo de uma das mais graves situações que perpassa a população juvenil no Brasil
em sua vasta dimensão periférica dos abismos sociais sob os quais se encontram.
A Polícia Militar do Estado do Ceará tem seu papel histórico de combate a esta
problemática com suas metodologias preventivas e ostensivas, inclusive, através do
policiamento proativo que inclui três modelos de composições: Grupo de Apoio às Vítimas de
Violência (GAVV), Grupo de Segurança Comunitário (GSC) e Grupo de Segurança Escolar
(GSE).
A partir da implementação do policiamento comunitário no Estado do Ceará, surgiram
alguns projetos no intento de desfazer preconceitos e construir pontes de confiança entre
Polícia Militar e sociedade. Assim, em Abril de 2019 foi elaborado o Projeto Sentido
Consciente, idealizado pelos policiais militares Mayra Bianck Canário Rangel Silva e
Riccardo Victor Nóbrega de Carvalho e endossado pelo comandante da 2ª Companhia do 17º
Batalhão de Polícia Militar do Ceará – Capitão Ricardo César – para atuar nas escolas de
ensino fundamental e médio da rede pública e privada da Área Integrada de Segurança (AIS)
02, que é uma demarcação geográfica implementada pelo atual governo para otimizar o
policiamento e reduzir o número de crimes. A AIS 02 inclui seis bairros da cidade de
Fortaleza: Bom Jardim, Siqueira, Granja Lisboa, Conjunto Ceará, Genibaú e Granja Portugal.
Soldados Mayra e Nóbrega pertenciam inicialmente ao Grupo de Segurança Escolar
(GSE), composição específica para patrulhar e atender ocorrências em escolas ou nas
proximidades delas. Ocorrências de campo envolvendo adolescentes e jovens praticando atos
infracionais, principalmente roubo à pessoa (art. 157, do Código Penal Brasileiro) e tráfico de
drogas (art. 33, Lei 11.343/2006) são muito presentes no dia a dia daqueles policiais.

Destarte, se dispuseram a refletir e buscar formas de aproximação entre a segurança


pública e a comunidade escolar, com o intuito principal de apresentar aos adolescentes, dentro
do espaço escolar, por meio constitucional, através de ações preventivas em forma de
palestras e oficinas, seus direitos e deveres, e como consequência, afastá-los da prática de atos
ilícitos.

Assim, pretendemos através deste artigo científico demonstrar como este projeto está
se desenvolvendo e quais impactos poderão ser projetados. Na atual fase, podemos considerá-
lo como um projeto piloto e como tal, ao longo do desenvolvimento do trabalho
18

apresentaremos em que fase se encontra. Acreditamos que a experiência em seu nascimento é


exitosa, e esperamos, no decurso de seu desenvolvimento, discutir um novo papel de política
de segurança comunitária escolar da Polícia Militar do Estado do Ceará. Importante destacar
que o Projeto Sentido Consciente atua em uma área de grande vulnerabilidade social,
compostas pelos seis bairros já citados. A realidade social pertinente a essa região da cidade
de Fortaleza - CE transcreve-se a partir dos altos índices de violência registrados pelos órgãos
de acompanhamento da criminalidade.

O Projeto Sentido Consciente está suspenso desde Março deste ano devido à
pandemia do novo coronavírus e tem previsão de retorno quando as aulas nas escolas
Estaduais e Municipais forem liberadas. De abril de 2019 até a suspensão das atividades do
projeto, dez escolas da rede pública e duas escolas da rede particular e cerca de 1600 alunos
foram alcançados pelo projeto. Todas as escolas participantes estão localizadas na AIS 02 e
são as seguintes: Escola de Ensino Fundamental e Médio Dona Julia Alves Pessoa (Bairro
Siqueira), EMTI Escola Municipal de Tempo Integral Dom Antônio de Almeida Lustosa
(Bairro Granja Lisboa), Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente Maria Alves
Carioca (Bairro Granja Lisboa), Escola de Ensino Fundamental e Médio Poeta Patativa do
Assaré (Bairro Granja Lisboa), Escola de Ensino Fundamental e Médio Michelson Nobre da
Silva (Bairro Granja Lisboa), Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Sebastião
de Abreu (Bairro Bom Jardim), Escola de Ensino Médio Liceu do Conjunto Ceará (Bairro
Conjunto Ceará), Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Professora Maria Antonieta
Nunes (Bairro Conjunto Ceará), Escola de Ensino Médio Professora Eudes Veras (Bairro
Bom Jardim), Centro Educacional Vida Viva (Bairro Siqueira) e Escola Luís de França
(Bairro Bom Jardim).

3 METODOLOGIA

O Projeto Sentido Consciente ocorre, inicialmente, por meio de visitas escolares onde
os policiais apresentam aos diretores das escolas as diretrizes do projeto. Com a aceitação dos
mesmos, é montado um cronograma de atuação de acordo com a disponibilidade das turmas.
Ao deliberar questões burocráticas entre a escola e os policiais, dá-se o início do projeto com
palestras, oficinas, debates e dinâmicas consoantes as temáticas das drogas, incluindo o uso e
seus males, tráfico de entorpecentes, apresentação da Polícia Comunitária objetivando a
desconstrução da imagem de polícia apenas na qualidade de opressor/repressor, violência
ensejada pelos crimes de racismo, homofobia e feminicídio, bem como tornar púbico os
19

direitos e deveres das crianças e adolescentes previstos na Constituição Federal de 1988 e no


Estatuto da Criança e do Adolescente.

3.1 QUANTO AO TIPO

Quanto ao tipo de pesquisa, decidimos pela investigação bibliográfica, tratando-se esse


tipo de pesquisa de uma averiguação que tem como fonte livros, artigos e outras produções de
caráter científico já desenvolvidos, onde se realiza uma contraposição de vários
posicionamentos sobre o tema em discussão, fornecendo assim resultados capazes de gerar
conclusões novas sobre a discussão, como ensinou Telma Cristiane Sasso de Lima e Regina
Célia Tamaso Mioto (2007), ocorre por meio de revisões de literatura que embasam as
discussões normativas do Estatuto da Criança e do Adolescente, da Constituição Federal de
1988 e das caracterizações sobre delinquência juvenil com o intento de assimilar a
identificação do problema dentro de um contexto social.

3.2 QUANTO À UTILIZAÇÃO E ABORDAGEM DOS RESULTADOS

A abordagem aplicada aos resultados auferidos será a abordagem qualitativa,


conceituada por Tatiana Engel Gerhardt e Denise Tolfo Silveira, (2009) como aquela que faz
um estudo dos conhecimentos coletados, na tentativa de encontrar conceitos e significados do
objeto investigado, possuindo um caráter subjetivo, esse tipo de abordagem tem como critério
um resultado valorativo e não exato capaz de ser expresso de forma numérica.

3.3 QUANTO AOS OBJETIVOS

Por fim, ainda fazendo uso das lições de Tatiana Engel Gerhardt e Denise Tolfo
Silveira (2009) os objetivos a serem perseguidos pela presente pesquisa podem ser
conceituados como uma pesquisa de cunho descritivo haja vistas a exposição dos fatos e/ou
fenômenos que circundam o objeto de pesquisa, buscando estabelecer as conexões existentes
entre as dimensões do tema.

4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS

Na sociedade contemporânea, onde as relações interpessoais definem a maneira


como as pessoas vão interagir umas com as outras, encontra-se inserida a categoria juventude.
Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, Organização Mundial da Saúde
(OPS/OMS), juventude é uma categoria sociológica que representa um momento de
20

preparação de sujeitos - jovens - para assumirem o papel de adulto na sociedade e abrange o


período dos 15 aos 24 anos de idade (SILVA; SILVA, 2011, online).

De acordo com a UNESCO (2004) a situação da juventude no mundo encontra-se


diretamente vinculada a contextos concretos aos quais os jovens são submetidos, sendo
possível se compreender a juventude se levar em consideração fatores como sexo, idade, raça,
etc., resultando na construção do perfil social do indivíduo jovem.

As diferentes juventudes não são “estados de espírito” e sim uma realidade palpável
que tem sexo, idade, raça, fases, uma época que passa cuja duração não é para
sempre, ou seja, uma geração. Depende, fundamentalmente, de suas condições
materiais e sociais, de seus contextos, de suas linguagens e formas de expressão.
Nos últimos anos, a condição juvenil foi prolongada, tanto pela maior permanência
no sistema educacional como pela dificuldade de ingressar no mercado de trabalho e
com isso adquirir autonomia e independência econômica, inclusive para a
constituição de nova família (UNESCO, 2004).

No Brasil, o Ministério da Saúde aponta que mesmo com a desaceleração do ritmo


de crescimento da população jovem, hoje, a geração de adolescentes e jovens de 10 a 24 anos
de idade é a mais numerosa em toda a história do Brasil, representando, no censo de 2002, um
total de 51.429.397 pessoas – 30,3% da população brasileira –, sendo 35.287.882 adolescentes
de 10 a 19 anos e 16.141.515 jovens com idades entre 15 e 24 anos.

Dessa população jovem, grande parte encontra-se fora do ambiente escolar e


mesmo aqueles que estão devidamente matriculados no ensino regular, apresentam um
número considerado do chamado analfabetismo funcional, que é quando o indivíduo consegue
unir as sílabas, mas não possui a capacidade de compreensão do que está escrito. De acordo
com as Diretrizes Nacionais para a Atenção Integral à Saúde de Adolescentes e Jovens na
Promoção, Proteção e Recuperação da Saúde, do Ministério da Saúde:

Em 2004, a PNAD mostrou que 8,9% do grupo etário de 5 a 17 anos estavam sem
estudar. Em 2008 esses números revelaram sensível melhora do acesso: 97,5% das
crianças entre 6 e 14 anos e 72,8% de 4 e 5 anos estavam frequentando a escola. No
entanto, ainda é preocupante o analfabetismo funcional, que chega a 30 milhões de
pessoas acima de 15 anos de idade. Para a população adolescente e jovem os dados
indicam que, apesar da melhora do acesso escolar na faixa etária de 5 a 17 anos, na
faixa etária de 18 anos ou mais foi constatado que esta população tinha, em média,
7,4 anos de estudo (considera-se que este grupo já teria idade suficiente para ter
concluído o ensino médio, tendo cursado pelo menos 11 anos de estudo). Aos 25
anos ou mais de idade o número médio de anos de estudo foi calculado em 7,0 anos.
Chama à atenção a disparidade regional. Na Região Nordeste, este indicador era
quase o dobro do índice nacional (BRASIL, 2010, p.19).

A relevância da juventude no contexto social tem início desde os primeiros passos


desses jovens no convívio com a coletividade, precisando assim, que os demais personagens
sociais venham a colaborar para o pleno desenvolvimento de crianças a adolescentes. Nesse
21

sentido as Políticas Públicas de Juventude devem ser vistas como vias para a efetivação de
direitos – já consagrados ou a consagrar. Nesta ótica, ao efetivar direitos, os Programas e
Ações implementadas pelo poder público estarão respondendo a demandas juvenis de
distribuição, de reconhecimento e de participação e, desta maneira, estarão gerando
oportunidades para que os jovens construam suas trajetórias de autonomia e emancipação
(BRASIL, 2014, p.56).

Para prevenir a delinquência, as chamadas políticas públicas de prevenção, são


parcialmente ineficazes a partir da ideia de se planejar ações de forma universal, sem
considerar as peculiaridades de cada região e de cada grupo social que se pretende atingir com
as políticas públicas desenvolvidas. É preciso a necessidade de se investigar as demandas
particulares de cada região onde se pretende executar ações que venham a possibilitar a
reversão das realidades prejudiciais.

Para se chegar a uma Política Pública eficaz, é necessário conhecer a realidade e


planejar a temática na qual será desenvolvida. Assim, é possível perceber a real
necessidade da sociedade e a demanda. Somente então deve haver propositura pelo
Legislativo para implementação da Política Pública, tornando-a mecanismo de
controle social. De acordo com Dimenstein (2011), as políticas públicas são
respostas a determinados problemas sociais, logo, elas são estratégias de regulação
das relações sociais. Essas estratégias se institucionalizam por meio de ações,
programas, projetos, leis, normas, que o Estado articula a fim de conduzir de
maneira mais equitativa os diversos interesses sociais. Indicando assim que as
políticas públicas são criadas porque existe uma demanda de proteção social que
exige medidas e ações (SILVA, 2016, online).

Um dos maiores desafios na atividade policial contemporânea se mostra a partir


do entendimento e do enfrentamento a delinquência infanto-juvenil, a partir dos efeitos que
surgem dessa criminalidade. Delitos como o tráfico de drogas (artigo 33 da Lei 11.343/2006),
roubo nas suas modalidades simples e qualificado (Art. 157 do Código Penal), Furto (Art.,
155 do Código Penal), delitos do Sistema Nacional de armas (posse e porte ilegal de arma de
fogo) e outros crimes mais leves, se encontram como aqueles de maior recorrência entre a
população juvenil (CNJ, 2016, online).

A seguir, na figura 1, serão apresentados dados relativos aos atos infracionais de


maior recorrência entre jovens que terminam por entrar em conflito com a lei, demonstrando
de maneira clara, a inclinação do jovem infrator para com os delitos de drogas e contra o
patrimônio. Os dados apresentados foram extraídos do Cadastro Nacional de Adolescentes em
Conflito com a Lei (CNACL) do Conselho Nacional de Justiça (CNJ):
22

FIGURA 1. GUIAS EXPEDIDAS POR ATOS INFRACIONAIS NOVEMBRO DE 2016

Fonte:Conselho Nacional de Justiça(2016)

A figura 1 demonstra que de todas as guias de internação provisória dos


adolescentes expedidas pelas Varas de Infância e Juventude do país por atos infracionais no
mês de Novembro de 2016 no Brasil, 59.169 versavam sobre condutas vinculadas ao tráfico
de drogas, 51.413 sobre roubo qualificado, 23.710 roubo na sua forma simples, 13.626
registros de furto na forma simples, 10.886 ocorrências de furto qualificado. Seguindo a
análise da figura 1 é possível encontrar 8.716 registros de atos infracionais fundamentados nas
disposições do Sistema Nacional de Armas, 7.726 registros de posse de drogas para consumo
pessoa e por fim 7.174 ocorrências de atos infracionais por condutas consideradas leves.

De tal forma, é sabível que crianças e adolescentes devem ser compreendidos


como partes mais vulneráveis no grande cenário social, devendo a todos a construção de ações
que possam evitar que a juventude seja atraída pelo crime. O Estatuto da Criança e do
Adolescente estabelece em seu Art. 4º que:

É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público


assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à
saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à
cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária
(BRASIL, 1990, online).

Salienta-se que existe uma preocupação de caráter global, da necessidade de se


pensar de forma local e regionalizada a delinquência juvenil, para que seja possível dar vazão
às políticas de enfrentamento e prevenção à delinquência infanto-juvenil.
Traçando um paralelo do que dispõe o art. 227 e seguintes da Carta de 1988, e a
Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, de 20-11-1989 e ratificada
pelo Brasil em 20-09-1990, constata-se que, muito embora o texto constitucional
seja anterior à Convenção, a esta se encontra perfeitamente vinculada, pois já trazia,
na íntegra o princípio da especial proteção, por meio de uma doutrina de proteção
integral mencionada na Convenção, estendida a todas as crianças e jovens, sem
qualquer distinção, garantindo-lhes todos os direitos e liberdades enunciados, os
quais foram incorporados ao direito interno infraconstitucional, por meio do Estatuto
da Criança e do Adolescente, Lei n 8.069, de 13-07-1990 (PEREIRA, 2006, p.35).
23

O indivíduo com idade inferior a 18 anos completos, não se encontra imune a uma
responsabilização por algum ato praticado em desacordo com o sistema legal vigente. Na
ocorrência de uma conduta conflitante com o sistema normativo vigente o menor de idade
poderá ser autuado pela prática de ato infracional, como previsto entre os Arts. 103 a 105 do
ECA:
Art. 103. Considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou
contravenção penal.
Art. 104. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às
medidas previstas nesta Lei.
Parágrafo único. Para os efeitos desta Lei, deve ser considerada a idade do
adolescente à data do fato.
Art. 105. Ao ato infracional praticado por criança corresponderão as medidas
previstas no art. 101 (BRASIL, 1990, online).

O enfretamento ao crime e a busca da segurança pública e social pela Polícia


Militar do Estado do Ceará tem passado nas últimas duas décadas, entre os anos de 2000 a
2019 por novas formas de ação no Estado do Ceará. Assim, diferente de práticas de cunho
meramente ostensivas, a construção das chamadas políticas de segurança contemporâneas
permeiam também a aproximação dos agentes públicos com a sociedade, construindo um
vínculo de afinidade entre a comunidade e as polícias.
Nessa busca pela proteção dos interesses da comunidade juvenil a Polícia Militar
do Ceará passou a desenvolver atividades que viessem a aproximar cada vez mais a juventude
das unidades policiais. O objetivo dessas ações é difundir na sociedade a ideia de estima que o
cidadão deve ter para com os agentes de segurança (PEQUENO, 2018).
A seguir, na figura 2, uma reportagem apresentada pelo Jornal O Povo em Abril
de 2019, mostrou um levantamento realizado pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa
Social do Estado do Ceará, onde o mesmo revelou uma correlação entre o Índice de
Desenvolvimento Humano – IDH e o registro de homicídios em cada região da capital
cearense. Os dados apresentados pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social -
SSPDS/CE demonstram que a violência contra a vida é mais presente nas localidades de
menor desenvolvimento social. O cálculo do IDH leva em conta os indicadores de renda,
educação e longevidade. O levantamento foi feito pela Secretaria de Desenvolvimento
Econômico (SDE) em 2014, tendo como base o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE).

FIGURA 2. RELAÇÃO ENTRE O IDH E O NÚMERO DE HOMICÍDIOS NAS ÁREAS


INTEGRADAS DE SEGURANÇA DE FORTALEZA
24

Fonte: SSPDS/CE (2019)


A figura 02 apresenta um diagnóstico da realidade no registro de crimes violentos
letais e intencionais (CVLIs) na cidade de Fortaleza, quando de acordo com os dados
apresentados pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social –SSPDS/CE, os registros
de Homicídios por Área Integrada de Segurança no Município de Fortaleza são: AIS 01: 3,
AIS 02: 35, AIS 03:14, AIS 04: 9, AIS 05: 14, AIS 06: 24, AIS 07: 22, AIS 08: 18, AIS 09:
25, AIS 10: 5.

A figura 02 ainda apresenta os melhores índices de Desenvolvimento Humano –


IDH na cidade de Fortaleza: 1º Lugar: Meireles (0,953), 2º Lugar: Aldeota (0,866), 3º Lugar:
Dionisio Torres (0,859), 4º Lugar: Mucuripe (0,793), 5º Lugar: Guararape (0,767), 6º Lugar:
Cocó (0,762), 7º Lugar: Praia de Iracema (0,720), 8º Lugar: Varjota (0,717), 9º Lugar: Bairro
de Fatima (0,694), 10º Lugar: Joaquim Távora (0,662).

Por fim a fugura 02 revela os piores índices de Desenvolvimento Humano na


cidade de Fortaleza: 1º Lugar: Conjunto Palmeiras (0,119), 2º Lugar: Parque Presidente
Vargas (0,135), 3º Lugar: Canindezinho (0,136), 4º Lugar: Genibaú (0,139), 5º Lugar:
Siqueira (0,149), 6º Lugar: Praia do Futuro II (0,168), 7º Lugar: Planalto Ayrton Senna
(0,168), 8º Lugar: Granja Lisboa (0,17), 9º Lugar: Jagurussu (0,172), 10º Lugar: Aeroporto
(0,177).
25

É possível identificar na figura um distanciamento geográfico entre as regiões de


elevado IDH e a maior parte das localidades com altos índices de ocorrências de homicídio,
revelando que o crime contra a vida é mais presente em bairros de baixo desenvolvimento
humano, locais estes onde a população, de maneira geral, se encontra mais vulnerável. Vale
destacar que entre os dez bairros com menor IDH, encontram-se três bairros localizados na
AIS 02 e entre todas as AISs da Cidade de Fortaleza, a AIS 02 foi a que teve o maior número
de homicídios.
O Projeto Sentido Consciente, atuando em uma região comprovadamente
vulnerável, busca reverter à realidade criminal que atinge crianças e adolescente através do
diálogo, do provimento de informações relevantes para a construção de uma postura de
distanciamento de ações infracionais e, consequentemente, da reversão da realidade delitiva
presente nessas comunidades.
Destaca-se por fim, nas ações mais contemporâneas levadas a execução pela
Polícia Militar, o Projeto Sentido Consciente, uma vez que atuando dentro das unidades
escolares da periferia da cidade da Fortaleza-CE busca agir nas populações jovens daquela
região. A atuação pretendida pelo projeto tem como base fundamental a difusão do
compromisso prematuro que os jovens devem assumir, em se distanciar de práticas delitivas.
A construção de uma postura de distanciamento do crime pela população juvenil
deve ser buscada de forma prematura, propondo e efetivamente executando políticas públicas
de inclusão que possa auferir resultados satisfatórios. Nesse sentindo, o Projeto Sentido
Consciente se mostra como uma intervenção suficientemente capaz de edificar as mudanças
desejadas quanto ao distanciamento da população juvenil do crime, servindo o projeto como
um modelo a ser amplamente difundido.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por tudo que foi exposto, a compreensão sobre a delinquência infanto-juvenil e os


meios a serem desenvolvidos para a sua eliminação ou mesmo redução, passa por uma série
de fatores que ultrapassam as questões puramente criminais. A delinquência juvenil é um
problema que perfaz desafios sociais a serem enfrentados de forma geral por todas as camadas
da sociedade.

A condição de crianças e adolescentes no contexto social contemporâneo é


permeada de um conjunto de características especiais que remetem a imposição de um
tratamento diferenciado. Essa especificidade das circunstâncias sociais dos menores de idade
26

levou a construção do Estatuto da Criança e Adolescente, diploma legal voltado à proteção


dos interesses dessa parcela da sociedade.

Nesse cenário de enfrentamento à criminalidade que atinge crianças e


adolescentes, as instituições públicas envolvidas no fazer da segurança devem ser capazes de
compreender as realidades e as necessidades pertinentes a cada ambiente. Essa investigação
das peculiaridades de cada local propicia um melhor planejamento de como devem agir cada
um dos órgãos dentro de suas competências.

Para colaborar no desenvolvimento cidadão de crianças e adolescentes da Área


Integrada de Segurança 02, periferia de Fortaleza - CE, o efetivo da Polícia Militar, lotado
naquela região, promoveu o Projeto Sentido Consciente, como forma de colaborar com
práticas preventivas do distanciamento do crime. Esse afastamento da delinquência tem como
fundamento a concepção de oportunidades educacionais, ações de cidadania e a compreensão
do papel responsável de todos na edificação de novas oportunidades para a juventude não ser
arrastada pelo mundo do crime.
27

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