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FILOSOFIA JURÍDICA

EXERCÍCIOS AULA 01
Questão 1: Analise as sentenças abaixo sobre discurso jurídico:
I - O discurso filosófico é estudado de maneira mais aprofundada desde os
tempos da democracia grega;
II - Tem por objetivo expressar ideias de forma argumentativa e persuasiva;
III - Tem por característica expressar ideias de forma argumentativa e
persuasiva e seus conteúdos se alteram na medida em que são modificados
os contextos.
Agora, marque a opção CORRETA:
a) Todas estão erradas.
Questão 2: Considere a seguinte afirmativa: “A filosofia utiliza
primordialmente a razão”. Essa sentença está CORRETA?
a) Sim, primordialmente é pela razão que a filosofia ergue suas
considerações.
Questão 3: Gramsci afirma que “não se pode pensar em nenhum homem
que não seja também filósofo”. Tendo em conta essa afirmação muito
interessante, responda às perguntas abaixo:
a) Por que podemos afirmar que cada pessoa humana tem em si um
filósofo, prestes a acordar?
GABARITO: Porque é da natureza humana agir e refletir sobre nossas
ações em nível moral. Quando assim fazemos, estamos acordando o
filósofo dentro de nós.
b) Qual é a maior diferença que se pode apontar entre a filosofia de nossa
vida e o que os filósofos conceberam para criar um pensamento tipicamente
filosófico?
GABARITO: Os filósofos utilizaram o elemento do pensamento racional.
ATIVIDADE
Ao chegar em casa, Ricardo encontrou seu primo Fernando, vindo do
interior do Maranhão para uma visita surpresa. O primo de Ricardo, ao
saber que este cursava Direito na Universidade Estácio de Sá e estudava a
disciplina Filosofia Jurídica, começou a caçoar dele, afirmando que não
havia a menor importância o estudo dessa disciplina. Muito contrariado,
Ricardo, enviou um e-mail para você, seu colega de classe, pedindo que o
ajudasse a dar uma resposta que mudasse a visão do seu primo. O que você
vai responder para ajudá-lo?
GABARITO: Como ser moral, o homem é atraído pelo bem, pela justiça,
pela verdade, pela honestidade etc. E é compelido a repelir o mal, a
injustiça, a falsidade e a desonestidade. Dessa forma, a Filosofia é um
incentivo ao estudante de Direito a combater o que já está determinado,
deixando de ser um mero espectador da realidade jurídica atual, para
participar ativamente dos processos de mudança do ordenamento jurídico,
como operador do direito, de maneira consciente.
EXERCÍCIOS AULA 01
Questão 1: Muitos são os autores que discutem e conceituam ética. Uma
das possíveis definições é de que ela seria uma parte da filosofia que lida
com a compreensão das noções e dos princípios que sustentam as bases da
moralidade social e da vida individual. Em outras palavras, trata‐se de uma
reflexão sobre o valor das ações sociais consideradas tanto no âmbito
coletivo quanto no âmbito individual. Analise as afirmativas a seguir,
marque V para as verdadeiras e F para as falsas.
( ) Sócrates, Platão e Aristóteles foram responsáveis por propor uma
espécie de “estudo” sobre o que de fato poderia ser compreendido como
valores universais a todos os homens, buscando, dessa forma, ser correto,
virtuoso, ético.
( ) Os sociólogos clássicos foram os primeiros a discutir sobre ética, num
esforço pelo exercício de um pensamento crítico e reflexivo quanto aos
valores e costumes dos seres humanos.
( ) A ética seria uma reflexão acerca da influência que o código moral
estabelecido exerce sobre a nossa subjetividade, nossa forma de conduta.
( ) Consciência e responsabilidade são condições indispensáveis à vida
ética ou moralmente correta.
A sequência está correta em:
c) V, F, V, V
Questão 2: É a junção do bom caráter com a boa razão, ou seja, raciocínio
desiderativo e desejo raciocinativo:
a) Prudência
Questão 3: Para Aristóteles, as virtudes éticas são hábitos que se
apresentam na (o):
c) Satisfação total dos apetites.
ATIVIDADES
O conflito entre o que é justo e o que diz a lei é um tema jamais esgotado
pela humanidade, ou seja, de um lado os valores inerentes à natureza
humana que compõem uma ordem moral de Justiça e de outro as leis
escritas, postas pelo Estado. O direito à vida versus a pena de morte ou
mesmo o direito à igualdade humana de um lado e de outro as leis de certos
países que impedem o acesso à educação e ao trabalho para meninas e
mulheres. O que deve prevalecer?
Com base no que você aprendeu até agora sobre o Jusnaturalismo, analise a
questão atual da influência religiosa na proibição do acesso à educação
formal às meninas paquistanesas, como foi o caso de Malala, ganhadora do
prêmio Nobel da Paz, de 2014.
Leia o caso Malala e depois escreva um texto discursivo, de no mínimo 10
linhas, fazendo uma relação entre Direito–Moral–Ética-Justiça a respeito
do caso.
GABARITO: Você deverá demonstrar o domínio em relação aos conceitos
de Ética - ciência que trabalha com o objeto maior dos valores morais que
norteiam uma sociedade -, Moral - conduta ou farol que ilumina a ação do
indivíduo -, e Direito - conjunto de normas jurídicas postas pelo Estado e,
portanto, exteriores ao indivíduo, ministrados ao longo do presente
encontro.

Questão 1: A Justiça é uma espécie de meio-termo, não no mesmo sentido


das outras virtudes, mas porque se relaciona com uma quantia ou
quantidade intermediária, enquanto a injustiça se relaciona com os
extremos. E Justiça é aquilo em virtude do qual se diz que o homem justo
pratica, por escolha própria, o que é justo [...].

Esse trecho, extraído de uma obra clássica da Filosofia ocidental, trata de


uma discussão da Justiça considerada como:
d) Virtude, dentro do pensamento ético de Aristóteles.
Questão 2: O Jusnaturalismo jurídico engloba doutrinas que entendem que:
I. As leis positivas que estão em conflito com a ordem moral objetiva
(retirada dos direitos naturais) são consideradas leis injustas e, nesse
sentido, privadas tanto de validade moral, como de validade jurídica;
II. Os princípios do Direito natural são moralmente vinculante para os
cidadãos e para os detentores do poder, especialmente para os legisladores
e juízes;
III. O Direito natural, imutável e universalmente válido, é o fundamento da
autoridade legítima.
Sobre essas afirmações:
e) Estão todas corretas.
PERGUNTAS & RESPOSTAS
Direito Natural: O Direito natural é o ordenamento ideal, correspondente a
uma Justiça superior e suprema.
O que é o Direito natural em Aristóteles?
Trata-se do Direito da natureza. Mas, a natureza de Aristóteles não é o que
nós, modernos, concebemos como natureza: não se trata da oposição entre
natureza e cultura, nem de questões de meio ambiente, em oposição à nossa
cultura, nossas cidades, nossas técnica e produção industrial.
E o que é o justo?
O justo, segundo o pensamento aristotélico, é dar a cada um o que é seu. O
justo é estabelecer e atribuir o meu e o teu. Assim, a função do juiz seria
essencialmente organizadora.
Para o pensamento jusnaturalista cosmogônico como se determina o que é
o seu e o meu por Justiça? Por meio de uma relação igual entre as coisas.
Positivismo Jurídico
O Direito Positivo, assim denominado porque é o que provém diretamente
do Estado, é também, como acentua Goffredo Telles Jr., "a base da unidade
do sistema jurídico nacional".
A natureza do Positivismo Jurídico
No Positivismo jurídico, enquadram-se todas as teorias que consideram
expressar o Direito à vontade do legislador, definindo-o como comando e
reduzindo-o ao Direito do Estado.
Atividade
Questão 1: Leia a sinopse do filme Na Terra de Amor e Ódio:
Ajla (Zana Marjanovic) e Danijel (Goran Kostic) se conheceram em uma
boate. Logo eles começam a flertar um com o outro, mas a explosão de
uma bomba acaba com qualquer clima existente entre eles. Era o início da
Guerra da Iugoslávia, que colocaria sérvios e bósnios como inimigos
mortais. Logo Ajla, que é bósnia, é capturada pelo exército sérvio. Em
meio a ameaças de estupro, ela é salva por Danijel, que ocupa uma posição
de destaque na tropa. A partir de então, ela se torna a protegida de Danijel,
que ordena que ninguém toque nela. É o início de um estranho
relacionamento, onde ele tenta protegê-la e também tê-la sob seu controle,
enquanto ela segue suas ordens com medo de que algo pior lhe aconteça.
GABARITO: O filme retrata a guerra da Bósnia e trata da história de amor
entre um soldado sérvio, filho do rigoroso comandante do campo de
prisioneiros, e uma jovem croata que é prisioneira e fora sua namorada
antes da guerra. O extermínio de pessoas na guerra não configuraram
qualquer ilícito; tudo foi feito de acordo com as leis vigentes; apesar de
claramente imorais e profundamente injustos seus atos eram legais. Razão
pela qual é possível afirmar que muitas vezes a lei positivada representa tão
somente o que é imoral e injusto. Por esse motivo, o Positivismo entrou em
crise com o fim da Segunda Guerra Mundial.

Questão 2: Conforme palavras do próprio Kelsen: “Norma é o sentido de


um ato por meio do qual uma conduta é prescrita, permitida ou,
especialmente, facultada, no sentido de adjudicada à competência de
alguém. Neste ponto importa salientar que a norma, como o sentido
específico de um ato intencional dirigido à conduta de outrem, é qualquer
coisa de diferente do ato de vontade cujo sentido ela constitui. Na verdade,
a norma é um dever-ser e o ato de vontade de que ela constitui o sentido é
um ser.”
Diante disso e tendo em conta o que você aprendeu sobre o normativismo
kelseniano, aponte a opção correta:
b) Para Kelsen, a norma é o sentido de um ato através do qual uma conduta
é prescrita, permitida ou, especialmente, facultada, no sentido de
adjudicada à competência de alguém.
Questão 3: "Na fase madura de seu pensamento, a substituição da lei pela
convicção comum do povo (Volksgeist) como fonte originária do Direito
relega a segundo plano a sistemática lógico-dedutiva, sobrepondo-lhe a
sensação (Empfindung) e a intuição (Anschauung) imediatas. Savigny
enfatiza o relacionamento primário da intuição do jurídico não à regra
genérica e abstrata, mas aos institutos de Direito (Rechtsinstitute), que
expressam relações vitais (Lebensverhältnisse) típicas e concretas".
Essa caracterização, de acordo com os autores positivistas, corresponde a
aspectos essenciais da seguinte escola filosófico-jurídica:
d) Historicismo Jurídico
Questão 4: São características do Direito positivo, EXCETO:
e) Direito como sinônimo de ideal de justiça e moralmente perfeito.
O QUE É AGIR POR DEVER?
É orientar-se pela disposição para a personalidade, e consiste na elaboração
de leis racionais a que a própria Razão se submete (autonomia). O dever é o
respeito pela lei moral.
Assinale a opção correspondente ao imperativo categórico de Kant.
a) Age de tal modo que a máxima de tua ação possa ser sempre erigida em
princípio de uma legislação universal.
Para Rousseau,
d) as causas da desigualdade humana se originam do estabelecimento da
propriedade privada.
Para Hobbes, o estado de natureza
a) é idêntico ao estado de guerra.
ATIVIDADE
Assista ao vídeo Contractualismo Hobbes Locke Rousseau. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=s2SFQWZbZ_o.
Procure identificar a ambiência em que viveram os contratualistas para
entender melhor a razão de ser de seus pensamentos. Situe as biografias de
Hobbes, Locke e Rousseau e os principais fatos históricos a elas
relacionados.
GABARITO: Nascido em 1588 na Inglaterra dos Tudors, Thomas Hobbes
foi influenciado pela Reforma Anglicana, que ocorrera cinco décadas antes.
No século XVII foram lançadas as bases do capitalismo industrial na
Inglaterra com a Revolução Gloriosa.
Locke viveu em uma Inglaterra permeada por guerras civis, revoluções
políticas e execuções de reis, isto é, marcada pelo conflito entre a Coroa,
defensora do Absolutismo, e o Parlamento, defensor do Liberalismo.
Assim, se Thomas Hobbes é o teórico que justifica o Absolutismo
(prescindindo de recursos bíblicos e adâmicos), John Locke é o teórico pai
do liberalismo político.
Com efeito, Locke recebeu grande influência política do líder dos Whigs e,
entre 1689 e 1690, após a Revolução Gloriosa, publicou Dois tratados
sobre o governo civil, a sua obra basilar em filosofia política, com a qual
fundamenta e justifica o Liberalismo.
AS NATUREZAS DO SER
Kant se destaca pela complexidade de seu pensamento. Quando ele
assegurou que o valor dos seres humanos “está acima de qualquer preço”
não tinha em mente apenas um efeito retórico, mas sim um juízo objetivo
sobre o ambiente dos seres humanos na ordem das coisas. Há dois fatos
respeitáveis sobre as pessoas que apoiam, do seu ponto de vista, este juízo.
Uma vez que os indivíduos trazem desejos e objetivos, as outras coisas
apresentam valor para eles em relação aos seus projetos.
ATIVIDADE
Leia o texto:
“Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele
próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu
entendimento sem a direção de outro indivíduo. O homem é o próprio
culpado dessa menoridade se a causa dela não se encontra na falta de
entendimento, mas na falta de decisão e coragem de servir-se de si mesmo
sem a direção de outrem. Tem coragem de fazer uso de teu próprio
entendimento, tal é o lema do esclarecimento. A preguiça e a covardia são
as causas pelas quais uma tão grande parte dos homens, depois que a
natureza há muito os libertou de uma condição estranha, continuem, no
entanto, de bom grado menores durante toda a vida” (Adaptado de: KANT,
I. Resposta à pergunta: o que é esclarecimento? Petrópolis: Vozes, 1985).
Kant destaca no texto o conceito de Esclarecimento, fundamental para a
compreensão do contexto filosófico da Modernidade. Esclarecimento, no
sentido empregado por Kant, representa:
b) A reivindicação de autonomia da capacidade racional como expressão da
maioridade.
Questões
1. Para Immanuel Kant, o indivíduo moral não visa à felicidade em suas
ações, mas ao cumprimento do dever que o torna digno dela. Em sua obra
Fundamentação da metafísica dos costumes, ele afirma que a busca por
assegurar a própria felicidade seria um dever indireto, por quê:
b) Afastaria a tentação para a transgressão dos deveres decorrente do
sofrimento.
2. Com relação à Ética kantiana, assinale a opção correta.
c) A boa vontade pode ser entendida a partir do dever e do querer
autônomo. Dever é a necessidade de uma ação feita por respeito à lei
moral. A lei moral, porém, é dada pela racionalidade prática do sujeito. Ter
boa vontade é seguir o imperativo categórico da razão.
3. Kant, na introdução de sua obra Fundamentação da Metafísica dos
Costumes afirma: “Neste mundo e até também fora dele, nada é possível
pensar que possa ser considerado como bom sem limitação a não ser uma
só coisa: uma boa vontade.”
Tendo em vista a Ética Kantiana e o trecho, pode-se acertadamente dizer
que:
d) A utilidade ou inutilidade de alguma coisa em nada pode tirar o valor do
bem.
Exercício
O pensador norte-americano John Rawls (1921-2002) contribuiu para a
reformulação do pensamento moral contemporâneo, ao pretender ampliar o
conceito e o papel da justiça. Nesse sentido, seu modelo de justiça:
e) É pluralista, no sentido de compreender o universo social como
composto por elementos diferentes e conflitantes, mas orientado por
princípios, entre os quais, o da liberdade.
ATIVIDADES
Leia o trecho a seguir:
Segundo Rawls, idealizador do liberalismo-igualitário — proposta que
relaciona os conceitos de justiça e de equidade —, cada pessoa deve ter um
direito igual ao sistema total mais extenso de liberdades básicas
compatíveis com um sistema de liberdade similar para todos, o que ele
considera o primeiro princípio da justiça.
Agora concorde ou discorde com essa afirmação justificadamente,
utilizando até 10 linhas, tendo como base nossa aula e o livro de Filosofia
Jurídica do professor Marcelo Machado Lima, capítulo 4.
GABARITO
John Rawls almeja elaborar uma Teoria da Justiça que consiga conjugar os
dois mais importantes valores do mundo moderno: a liberdade (valor
supremo da vida humana) e a igualdade (valor fundamental na convivência
entre os membros de uma comunidade política).
A teoria política de Rawls fundamenta-se na prioridade do justo sobre o
bem. Isto quer dizer que as liberdades individuais, embora prioritárias,
devem ser complementares aos anseios por igualdade e que os princípios da
justiça têm de ser independentes de qualquer concepção particular de vida
boa.
“Todos os bens sociais primários têm que ser distribuídos de um modo
igual, a menos que uma distribuição desigual de um ou de todos estes bens
resulte em benefício dos mais necessitados”.
Assim, aceitando o primeiro princípio (princípio da liberdade)
consideramos que a sociedade tem o dever de assegurar a máxima
liberdade para cada pessoa compatível com uma liberdade igual para todos
os outros.
O segundo princípio (princípio da diferença) pressupõe duas condições:
• Os maiores benefícios possíveis devem ser distribuídos aos mais
desfavorecidos, devendo a sociedade promover a distribuição igual da
riqueza, exceto se a existência de desigualdades econômicas e sociais
beneficiar os menos favorecidos, sendo este o princípio da maximização do
mínimo;
• Devem resultar do exercício de cargos e funções disponíveis para todos
em condições de um igualdade equitativa de oportunidades (Princípio da
igualdade de oportunidade).
Para John Rawls, dois “princípios de justiça” emergem na posição original
através de um acordo unânime. A partir daí podemos afirmar que:
I - Cada pessoa tem um direito igual a um esquema plenamente adequado
de liberdades básicas iguais que seja compatível com um esquema similar
de liberdade para todos;
II - As desigualdades sociais e econômicas devem satisfazer duas
condições;
III - Primeiro, elas devem estar associadas a cargos e posições abertos a
todos em condições de igualdade equitativa de oportunidades;
IV - Segundo, elas devem ser para o maior benefício dos membros menos
favorecidos da sociedade.
Das assertivas acima são corretas somente:
e) I, II, III e IV

ATIVIDADE
1 - Assista ao vídeo “Habermas – Teoria da Comunicação”.
Agora responda, como o autor vê papel da comunicação nas relações de
poder na sociedade?
GABARITO: A mídia pauta o que está em discussão na sociedade,
precisamos lidar com esse potencial ambíguo e conquistar uma condição de
igualdade comunicativa via democracia e aplicação do direito.
2 - Jürgen Habermas, na obra Direito e democracia (Faktizität und
Geltung), menciona dois modelos de democracia os quais ele pretende
superar, conciliando-os: o primeiro é o sugerido por I. Kant, mais próximo
do liberalismo, centrado na autonomia do indivíduo; o segundo é o de J-J.
Rousseau, mais próximo do republicanismo, centrado na comunidade ética.
O terceiro modelo, proposto por Habermas, consiste:
c) No modelo procedimental da política deliberativa.
3 – Leia a trecho a seguir:
A Corte Constitucional deve “entender a si mesma como protetora de um
processo legislativo democrático, isto é, como protetora de um processo de
criação democrática do direito, e não como guardiã de uma suposta ordem
suprapositiva de valores substanciais. A função da Corte é velar para que se
respeitem os procedimentos democráticos para uma formação da opinião e
da vontade políticas de tipo inclusivo, ou seja, em que todos possam
intervir, sem assumir a mesma o papel de legislador político”.
(Más Allá del Estado Nacional. Madrid: Trotta, 1997, p. 99)
O trecho citado, acerca da postura de um Tribunal Constitucional durante o
seu processo de interpretação da Constituição, corresponde à obra e
concepção:
c) Procedimental de Jürgen Habermas da teoria do discurso.
4 - Leia o texto a seguir. (UEL 2011):
Habermas distingue entre racionalidade instrumental e racionalidade
comunicativa. A racionalidade comunicativa ocorre quando os seres
humanos recorrem à linguagem com o intuito de alcançar o entendimento
não coagido sobre algo, por exemplo, decidir sobre a maneira correta de
agir (ação moral). A racionalidade instrumental, por sua vez, ocorre quando
os seres humanos utilizam as coisas do mundo, ou até mesmo outras
pessoas, como meio para se alcançar um fim (raciocínio meio e fim).
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a teoria da ação
comunicativa de Habermas, é correto afirmar que:
d) Alguém que decide economizar dinheiro durante vários anos a fim de
fazer uma viagem para os Estados Unidos da América é um exemplo de
racionalidade instrumental.

Atividade
1. Leia as afirmações:
I Entre a queda do Comunismo russo em 1989 e o triunfo o Liberalismo
anglo-americano no mundo até 2007-2008, a sociedade fica sem rumo para
as suas novas esperanças, porque
II Com a necessidade de contestar o Liberalismo, surge o Comunitarismo,
para enriquecer os debates políticos do mundo pós-guerra fria.
Sobre as assertivas é correta a opção:
e) Ambas estão corretas e a primeira justifica a segunda.

2. Em 1971, o filósofo estadunidense John Rawls publicou a Theory of


Justice, obra na qual apresentou sua teoria da Justiça como equidade. A
década de 1980 ambientou o surgimento da corrente do comunitarismo, que
se contrapôs à perspectiva de orientação liberal de Hawls. Leia o texto:
"Para os comunitaristas, os liberais (universalistas) estariam simplesmente
preocupados com a questão de como estabelecer princípios de Justiça que
poderiam determinar a submissão voluntária de todos os indivíduos
racionais, mesmo de pessoas com visões diferentes sobre a vida boa.
O que se estabelece como crítica é que, para os comunitaristas, os
princípios morais só podem ser tematizados a partir de sociedades reais, a
partir das práticas que prevalecem nas sociedades reais. Para eles, em John
Rawls, encontram-se premissas abstratas de base como a liberdade e a
igualdade que orientam (ou devem orientar) as práticas legítimas.
A questão colocada é que, na interpretação comunitarista, a prática tem
precedência sobre a teoria, e não seria plausível que pessoas que vivem em
sociedades reais identifiquem princípios abstratos para sua existência. A
crítica comunitarista aponta como insuficiente a tentativa de identificar
princípios abstratos de moralidade através dos quais sejam avaliadas as
sociedades existentes.
A questão-chave é a negação de princípios universais de Justiça que
possam ser descobertos pela razão, pois, em sua avaliação, as bases da
moral não são encontradas na Filosofia, e, sim, na política".

(SILVEIRA, Denis Coitinho. "Teoria da Justiça de John Rawls: entre o


Liberalismo e o Comunitarismo". In: Trans/Form/Ação, São Paulo, 30(1):
169-190, 2007).
De acordo com o texto e com seus conhecimentos, assinale a alternativa
que não corresponde à crítica comunitarista à teoria da Justiça de Hawls:
d) Embora liberal, aproximou-se do marxismo, tendo apenas nas suas obras
mais maduras uma veia materialista que olha para as comunidades reais.

ATIVIDADE
1 - Consulte o site do Superior Tribunal de Justiça e encontre uma decisão
que tenha sido fundamentada a partir do pensamento de algum dos autores
pós-positivistas citados na aula de hoje, transcrevendo-a na íntegra.
GABARITO: Você deverá encontrar no voto de algum dos Ministros uma
base de sustentação jurídica que seja fundamentada no pensamento de
algum dos pensadores pós-positivistas que estudamos. O aluno se
surpreenderá com a quantidade de decisões a partir do pensamento pós-
positivista. Veja, por exemplo, a decisão acostada, a partir de pesquisa feita
nesse site do STJ:
STJ - RECURSO ESPECIAL REsp 963871 RS 2007/0148403-5 (STJ)
Data de publicação: 19/11/2008
Ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL.
ADMINISTRATIVO. EXECUÇÃO. DESAPROPRIAÇÃO.
SUBSTITUIÇÃO DE PRECATÓRIO POR TDAs. POSSIBILIDADE. 1.
A desapropriação para o fim de reforma agrária compete à União, tendo
como fundamento o interesse social, e como objeto o imóvel rural que não
esteja cumprindo sua função social. 2. A expropriação perfaz-se mediante
prévia e justa indenização em Títulos da Dívida Agrária, com cláusula de
preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até 20 (vinte) anos, a
partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei,
no que pertine à terra nua, sendo certo que as benfeitorias úteis e
necessárias devem ser indenizadas em dinheiro, via de regra (artigo 184,
§1.º, da CF/1988). 3. A interpretação teleológica da norma constitucional
conduz ao entendimento de que as benfeitorias citadas são indenizadas em
dinheiro, porquanto essa reparação faz-se de forma mais breve em razão da
distinção entre a perda de propriedade adquirida outrora e de benfeitorias
empreendidas a posteriori, por isso que razoável entrever-se regra mater
que tem como destinatário favorecido o expropriado. 4. Consequentemente,
é possível o recebimento de crédito indenizatório decorrente de
desapropriação, em Títulos da Dívida Agrária, com renúncia a precatórios
requisitórios antes expedidos nos autos, tanto mais que, mercê de especial,
a execução contra a Fazenda Pública também sofre o influxo do princípio
da economicidade devendo ser satisfeita de forma menos onerosa para o
erário, que dispensado de pagar quantia certa pode destinar os recursos à
satisfação das necessidades fundamentais da coletividade. 5. Interpretação
constitucional à luz do cânone da razoabilidade e da ponderação de bens,
técnica escorreita de interpretação pós-positivista das normas
constitucionais na visão de Dworkin e Alexi. 6. Recurso especial
desprovido.
2 - Alexy (2008) afirma ser possível solucionar um conflito entre regras
com a introdução de uma cláusula de exceção em uma das regras, a fim de
eliminar o conflito ou quando pelo menos uma das regras for declarada
inválida. Os conflitos entre regras ocorrem na dimensão da validade
jurídica, o que não é graduável.
No que se refere à solução da colisão entre princípios, Alexy entende que:
b) Um dos princípios terá precedência em face do outro em determinadas
condições.
3 - Ronald Dworkin cita o caso Riggs contra Palmer (livro Levando os
Direitos a Sério, 2007), em que um jovem matou o próprio avô para ficar
com a herança. O Tribunal de Nova Iorque julgou o caso (em 1889),
considerando que a legislação do local e da época não previa o homicídio
como causa de exclusão da sucessão. Para solucionar o caso, o Tribunal
aplicou o princípio, não legislado, do Direito que diz que ninguém pode se
beneficiar de sua própria iniquidade ou ilicitude. Assim, o assassino não
recebeu sua herança.
Com esse exemplo podemos concluir que a jusfilosofia de Ronald
Dworkin, dentre outras coisas, pretende:
d) Argumentar que regras e princípios são normas com características
distintas e, em certos casos, os princípios poderão justificar de forma mais
razoável a decisão judicial, pois a tornam também moralmente aceitável.