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SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo

13º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo


Campo Grande – UFMS – Novembro de 2015
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Newsgames e seus critérios de noticiabilidade

Ana Paula Bourscheid 1

Resumo: O objetivo deste trabalho é identificar quais são os critérios de noticiabilidade empre-
gados nos newsgames publicados por veículos de comunicação que integram a grande mídia, e
classificar essas iniciativas com base nas categorias de newsgames criadas por Ian Bogost, Si-
mon Ferrari e Bobby Schweizer (2010). A partir da Análise de Conteúdo dos newsgames O
mundo da Copa, do Jornal Folha de S.Paulo, e Pirate Fishing, da rede de notícias árabe Al Jaze-
era, ambos publicados em 2014, conclui-se que embora o jornalismo adote novas narrativas,
como é o caso dos newsgames, a prioridade é sempre a mesma, o fato noticioso.

Palavras-chave: jornalismo; newsgames; critérios de noticiabilidade.

1. Introdução
A matéria-prima do jornalismo é a notícia. Sem ela não haveriam veículos de co-
municação, nem profissionais do jornalismo. Logo, o que move o jornalismo é a notícia,
compreendida por Lage (1987) como “[...] o relato de uma série de fatos a partir do fato
mais importante ou interessante; e de cada fato, a partir do aspecto mais importante ou
interessante” (LAGE, 1987, p.16). A notícia não trata da narração dos acontecimentos,
mas, conforme o autor está relacionado com a exposição desses acontecimentos, partin-
do sempre do fato mais importante.
Lage (1987) dá ênfase à responsabilidade atribuída a quem escreve à notícia, e
destaca que é preciso ter a preocupação em saber se determinada informação tem a de-
vida importância, se merece ser publicada, sem nunca esquecer o respeito à conformi-

1
Jornalista, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa
Catarina (PósJor-UFSC). Email:bourscheidana@gmail.com.

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dade dos fatos. Para isso são fundamentais os critérios de noticiabilidade, critérios esses
que ajudam a distinguir o que é do que não é notícia.
No jornalismo, as mídias consolidadas e tradicionais como o jornal, a revista, o
rádio e a televisão utilizam como base os mesmos critérios de noticiabilidade, uma vez
que eles são critérios próprios do jornalismo. No entanto, a ascensão da internet possibi-
litou o surgimento de novas narrativas jornalísticas, como é o caso dos newsgames, jo-
gos eletrônicos criados a partir de conteúdo jornalístico. O objetivo deste trabalho é i-
dentificar quais são os critérios de noticiabilidade empregados nos newsgames publica-
dos por veículos de comunicação que integram a grande mídia, se são utilizados os
mesmos critérios já conhecidos e adotados em outras narrativas jornalísticas ou se sur-
gem novos critérios de noticiabilidade específicos dos newsgames. Este trabalho tam-
bém visa classificar essas iniciativas com base nas categorias de newsgames criadas por
Ian Bogost, Simon Ferrari e Bobby Schweizer (2010).
A metodologia adotada é a Análise de Conteúdo proposta por Laurence Bardin
(1977). O método é definido como um conjunto de técnicas para análise das comunica-
ções. Berelson apud Bardin (1977) classifica a Análise de Conteúdo como “técnica de
investigação que através de uma descrição objetiva, sistemática e quantitativa do conte-
údo manifesto das comunicações, tem por finalidade a interpretação dessas mesmas
comunicações” (BARDIN, 1977, p. 36).
Seguindo o modelo proposto pela Análise de Conteúdo, o trabalho está dividido
em três etapas: a) pré-análise: nesta etapa, os newsgames foram escolhidos através da
consulta a sites dos veículos de comunicação, nacionais e internacionais. Como critério
para a seleção foram escolhidos dois newsgames, um do Brasil e outro do exterior; b)
exploração do material: identificação por meio das categorias de análise dispostas em
ficha de observação dos critérios de noticiabilidade empregados nesses newsgames,
utilizando como base a tabela operacional de valores-notícia proposta e desenvolvida
por Gislene Silva (2014). Classificação desses newsgames em categorias com base na
categorização criada por Bogost et al. (2010); e c) tratamento dos resultados, inferência
e interpretação: apresentação dos principais critérios de noticiabilidade que compõem os
newsgames analisados e divisão categórica desses newsgames.

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O corpus deste trabalho é formado pelos newsgames: O mundo da Copa, do Jornal


Folha de S.Paulo; e Pirate Fishing, da rede de notícias árabe Al Jazeera, ambos publica-
dos em 2014. Os dois exemplos são considerados newsgames, pois utilizam as caracte-
rísticas dos jogos eletrônicos como base para tratar de conteúdos noticiosos.

2. Definição de noticiabilidade
As noções de noticiabilidade já eram mencionadas na primeira tese sobre jorna-
lismo intitulada “De relationibus novellis” (Os relatos jornalísticos) e apresentada por
Tobias Peucer em 1690 na Universidade de Leipzig, na Alemanha. Em sua tese, Peucer
(2004) explica que o termo “notícia” já era usado no período anterior à 1690 pelos
monges, porém, como forma de tornar seu trabalho compreensível, Peucer prefere fazer
uso do termo “relatos” para fazer menção às notícias. A tese de Peucer, como expõe
Silva (2014), não é uma obra teórica reflexiva, porém, trata de temáticas abrangentes
relacionadas à prática jornalística, uma vez que o autor apresenta discussões referentes
ao estilo e à forma dos periódicos, restrição quanto às publicações, verdade, credibilida-
de, noticiabilidade e critérios de seleção.
O autor Mauro Wolf, em seu livro “La investigación de la comunicación de ma-
sas” (1987), definiu a noticiabilidade como um conjunto de elementos através dos quais
o sistema informativo gere a quantidade e o tipo de eventos que serão selecionados para
se tornarem notícias. Wolf (2012) avalia que a noticiabilidade é constituída por um con-
junto de requisitos exigidos para os eventos, “[...] do ponto de vista da estrutura do tra-
balho nos aparatos informativos e do ponto de vista do profissionalismo dos jornalistas,
para adquirir a existência pública de notícia” (WOLF, 2012, p. 195). O autor acrescenta
que tudo aquilo que não corresponde a esses requisitos não possui o estatuto público de
notícia e, assim, permanece sendo um simples evento.
A noticiabilidade é avaliada por Wolf (2012) como [...] conjunto de critérios, ope-
rações e instrumentos com os quais os aparatos de informação enfrentam a tarefa de
escolher cotidianamente, de um número imprevisível e indefinido de acontecimentos,
uma quantidade finita e tendencialmente estável de notícias (WOLF, 2012, p. 196).

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Para o autor, a definição de noticiabilidade está vinculada à perspectiva da notícia


e o questionamento diário feito pelos próprios jornalistas em relação a quais aconteci-
mentos são de fato importantes. Wolf (2012) entende que a noticiabilidade está relacio-
nada com os processos e as práticas rotineiras de produção. O autor aponta que a notici-
abilidade de determinado acontecimento é avaliada a partir do grau de integração desse
evento em relação às fases de produção. Para ele, tanto a definição como a escolha do
que é ou não noticiável contam com uma orientação pragmática, “[...] em primeiro lu-
gar, para a “condição factível” do produto informativo a ser realizado em tempos e com
recursos limitados” (WOLF, 2012, p. 197).
Outro autor que trata da noticiabilidade é Nelson Traquina (2005), que a define
como o conjunto de critérios que avalia se determinado assunto merece receber trata-
mento jornalístico, se possui algum valor como notícia.

Assim, os critérios de noticiabilidade são o conjunto de valores-notícia que


determinam se um acontecimento, ou assunto, é susceptível de se tornar notí-
cia, isto é, de ser julgado como merecedor de ser transformado em matéria
noticiável e, por isso, possuindo “valor-notícia” (newsworthiness) (TRA-
QUINA, 2005, p.63).

Traquina ressalta que é a partir dos valores-notícia que os jornalistas desenvolvem


suas próprias maneiras de ver o mundo. O autor enfatiza que os valores-notícia são ele-
mentos que compõem o campo jornalístico, por isso “[...] servem de “óculos” para ver o
mundo e para o construir” (TRAQUINA, 2005, p. 94).
Jorge Pedro Sousa (2000) corrobora com as ideais sobre noticiabilidade defendi-
das por Traquina e Wolf. O autor entende que aquilo que torna um acontecimento noti-
ciável é a sua noticiabilidade, que pode ser explicada pelo conjunto de fatores confor-
mativos compostos pela ação pessoal, ação ideológica e ação cultural.
O autor cita que uma série de critérios são utilizados por jornalistas durante o pro-
cesso jornalístico para avaliar o que tem valor-notícia. Sousa (2000) menciona que esses
critérios que atribuem qualidade noticiável aos acontecimentos são “[...] de índole soci-
al, ideológica e cultural, embora não se exclua a ação pessoal (por exemplo, os diretores
terão maior poder de definição do que é notícia)” (SOUSA, 2000, p. 102).

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Sousa avalia que essas múltiplas forças fazem com que os critérios de noticiabili-
dade não sejam universais e nem tão rígidos. Porém, na visão do pesquisador, são por
vezes opacos e contraditórios, atuando durante todo processo de produção da notícia.
Esse processo, conforme Sousa (2000) depende da forma como a organização noticiosa
opera. O autor considera que os critérios do que é ou não valor-notícia muda com o pas-
sar do tempo. Além disso, Sousa entende que esses critérios são de naturezas diversas,
“[...] apesar de revelarem uma certa homogeneidade no seio da cultura profissional jor-
nalística transnacional” (SOUSA, 2000, p. 102).
Em análise sobre as definições de noticiabilidade defendidas por Wolf e Traquina,
a pesquisadora Gislene Silva (2014) aponta que Wolf explica a noticiabilidade como
resultado da cultura profissional, enquanto Traquina classifica a notícia como resultado
de um processo de produção, que transforma a matéria-prima (os acontecimentos) em
um produto. A autora, contudo, discorda das ideias de noticiabilidade estabelecidas por
Wolf e Traquina. Em sua definição, ela vai além e entende que:

É reducionista, portanto, definir noticiabilidade ou somente como conjunto


de elementos por meio dos quais a empresa jornalística controla e administra
a quantidade e o tipo de acontecimentos ou apenas como o conjunto de ele-
mentos intrínsecos que demostram a aptidão ou potencial de um evento para
ser transformado em notícia (SILVA, 2014, p. 54).

A autora aponta que a noticiabilidade resulta da soma desses dois conjuntos, a-


companhado de um terceiro, que trata da área ético-epistemológica. Para a autora, pen-
sar sobre os critérios de noticiabilidade se torna uma ação necessária e fundamental. Ela
avalia que a questão tem origem na falta de espaço nos veículos de comunicação para a
publicação dessa grande quantidade de acontecimentos que marcam nosso cotidiano.
“Frente a volume tão grande de matéria-prima, é preciso estratificar para escolher qual
acontecimento é mais merecedor de adquirir existência publica como notícia” (SILVA,
2014, p. 54).
Quanto à definição do que são os valores-notícia, Silva (2014) aponta que são
atributos que orientam para a seleção primária dos fatos, mas que também interferem
durante a seleção hierárquica no momento em que o material recebe o tratamento dentro
da redação. A pesquisadora destaca que os valores-notícia também podem ser denomi-

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nados como valores informativos ou fatores de notícia, [...] esse grupo de critérios cerca
a noticiabilidade do acontecimento considerando origem do fato, fato em si, aconteci-
mento isolado, características intrínsecas, características essenciais, atributos inerentes
ou aspectos substantivos do acontecimento (SILVA, 2014, p. 56).
A autora acrescenta que os valores-notícia agem como parte do processo de pro-
dução da notícia e, além deles, fazem parte desse processo outros critérios de noticiabi-
lidade, como a linha editorial do veículo e o público. “Valores-notícia, as características
do fato em si, em sua origem, são somente um subgrupo de fatores agindo juntamente
com esse segundo conjunto de critérios de noticiabilidade, relacionados agora ao trata-
mento do fato” (SILVA, 2014, p. 56).
Com base em autores como Mauro Wolf, Nelson Traquina, Nilson Lage, Walter
Lippmann e Tobias Peucer, Silva (2014) propõe uma tabela operacional (Figura 1) de
valores-notícia. Além dos atributos de valores-notícia citados pelos autores, a autora
inclui outros valores que contribuem para a análise dos acontecimentos tanto noticiados
como noticiáveis. Ao longo deste trabalho usaremos a tabela operacional proposta por
Silva (2014) para identificar quais são os critérios de noticiabilidade empregados nos
newsgames publicados por veículos de comunicação que integram a grande mídia.

Impacto Proeminência
- Número de pessoas envolvidas (no fato) - Notoriedade
- Número de pessoas afetadas (pelo fato) - Celebridade
- Grandes quantias (dinheiro) - Posição hierárquica
- Elite (indivíduo, instituição, país)
- Sucesso / Herói
Conflito Entretenimento/Curiosidade
- Guerra - Aventura
- Rivalidade - Divertimento
- Disputa - Esporte
- Briga - Comemoração
- Greve
- Reivindicação
Polêmica Conhecimento/Cultura
- Controvérsia - Descobertas
- Escândalo - Invenções
- Pesquisas
- Progresso
- Atividades e valores culturais

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- Religião
Raridade Proximidade
- Incomum - Geográfica
- Original - Cultural
- Inusitado
Surpresa Governo
- Inesperado - Interesse nacional
- Decisões e medidas
- Inaugurações
- Eleições
- Viagens
- Pronunciamentos
Tragédia/Drama Justiça
- Catástrofe - Julgamentos
- Acidente - Denúncias
- Risco de morte e Morte - Investigações
- Violência / Crime - Apreensões
- Suspense - Decisões judiciais
- Emoção - Crimes
- Interesse humano

Figura 1: Proposta de tabela operacional de valores-notícia criada por Silva (2014).

3. O jogo e o jornalismo
Newsgames se tornaram conhecidos a partir do trabalho desenvolvido pelo desig-
ner uruguaio Gonzalo Frasca, que criou em 2003 o jogo September 12th2. O newsgame
tratava do combate aos terroristas muçulmanos após os ataques às Torres Gêmeas, ocor-
rido em 11 de setembro de 2001, em Nova York (EUA). Com base na iniciativa de
Frasca, veículos de comunicação como os jornais The New York Times e El País passa-
ram a criar e publicar newsgames em seus sites.
Segundo Brasil (2012), newsgames são jogos eletrônicos da categoria “sérios”,
com conteúdo jornalístico e que se caracterizam pela criação rápida em resposta a even-
tos atuais. “Serious games ou ‘jogos sérios’ são projetados com a finalidade de resolver
um problema. Embora os jogos possam ser divertidos, o seu principal objetivo é formar,
investigar, ou anunciar” (BRASIL, 2012, p. 32-33).

2
Disponível em: <www.newsgaming.com/games/index12.htm>. Acesso em: 1 de julho de 2015.

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Pesquisadores como Santos e Seabra (2014) reforçam que a ideia desse tipo de
jogo ultrapassa a simples publicação de textos, imagens e animações. Para eles, os
newsgames não visam o fim do texto, e sim, propor uma maior relação entre texto e
imagem no campo digital. Os autores defendem que newsgames são agregadores de
valores sociais, além de serem plataformas ludo-informacionais que superam notícias de
conteúdo vazio e incluem o cidadão na narrativa jornalística.
Complementar a isto, Bogost et al. (2010) salientam que os newsgames trazem
como diferencial ao leitor/jogador a possibilidade de vivenciar a experiência de como as
coisas aconteceram, em vez de uma simples descrição do evento. Os autores explicam
que o jogo tem a capacidade de simular como as coisas funcionam por meio de formatos
interativos.
Bogost et al. (2010) apontam que nem todos os jogos jornalísticos vão explorar
notícias factuais, que estejam em pauta na mídia. Dessa forma, classificam os newsga-
mes em gêneros: a) Newsgames de atualidades, essa categoria tem proximidade tempo-
ral com o conteúdo jornalístico com o qual se relaciona; b) Newsgames infográficos,
esses podem ser interativos e até mesmo jogáveis. A interação com a informação é a
característica mais marcante nessa categoria que pode ser subdividida em newsgames
infográficos: explicativos; exploratórios e direcionados; c) Newsgames documentários,
categoria que visa reconstituir um evento real; d) Newsgames de raciocínio: uma adap-
tação dos jogos de raciocínio, como as palavras-cruzadas, em que é preciso que o lei-
tor/jogador conheça o conteúdo de notícias recentes para chegar as respostas do jogo; e)
Newsgames para letramento: modalidade voltada para o aprendizado da prática jornalís-
tica que pode ser voltada tanto para estudantes e profissionais da área como para cida-
dãos; f) Newsgames de Comunidade; essa categoria tem como característica a formação
de comunidades colaborativas de jogadores.
No Brasil, os newsgames começaram a ser adotados nas redações entre os anos de
2006 e 2007. Neste período, o portal de notícias G1 lançou em seu site o jogo Nano-
pops3, que tem como temática central a política internacional. Outro veículo que inves-
tiu na produção de jogos jornalísticos foi a revista Superinteressante, que criou uma
3
Disponível em: <g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL148591-5602,00-
JOGUE+E+APRENDA+COM+O+NANOPOPS+DE+POLITICA+INTERNACIONAL.html>. Acesso
em: 1 de julho de 2015.

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equipe voltada especialmente para esta produção e lançou, em 2008, o CSI: ciência con-
ta o crime4, onde o jogador é um agente que precisa desvendar um crime misterioso. Em
2009, a mesma revista publicou O jogo da máfia5, que trata da atuação das máfias em
todos os continentes. Outro newsgame publicado pela Superinteressante é o Filosofigh-
ters6, lançado em 2011, que apresenta uma batalha de ideias entre nove renomados filó-
sofos. Cada um desses newsgames estava diretamente relacionado às matérias aborda-
das na versão impressa da revista.
Também em 2011 o jornal Zero Hora de Porto Alegre publicou em seu site O
combate do Barro Vermelho7. Nesse newsgame, os jogadores voltam no tempo e lutam
em um dos combates mais acirrados da Revolução Farroupilha. Em 2014 o jornal tam-
bém lançou o DOP!8, newsgame que trata da influência que os games exercem na região
do córtex pré-frontal do cérebro.
Desde que teve início, a produção e a publicação de newsgames vêm crescendo no
Brasil e no mundo, e vários veículos de comunicação estão adotando a prática de produ-
zir e publicar newsgames em seus sites. Os newsgames vêm também sendo incluídos
como componentes de grandes reportagens multimídia9, como é o caso do newsgame
Pule o muro10, que integra o especial Muro de Berlim 25 anos, publicado no site da re-
vista Galileu, em setembro de 2014.
Outra novidade é que agora os newsgames publicados por veículos de comunica-
ção também podem ser encontrados em lojas de aplicativos, como Google Play e Apple
Store. Exemplo disso é o Folhacóptero, que integra A batalha de Belo Monte, grande
reportagem multimídia produzida pelo jornal Folha de São Paulo e publicada na seção
Tudo Sobre em 2013 e que está disponível para download para uso em dispositivos mó-
veis com sistema Android e iOS.

4
Disponível em: <super.abril.com.br/multimidia/info_405177.shtml>. Acesso em: 2 de julho de 2015.
5
Disponível em: <super.abril.com.br/multimidia/info_420553.shtml >. Acesso em: 2 de julho de 2015.
6
Disponível em: <super.abril.com.br/multimidia/filosofighters-631063.shtml>. Acessado em: 2 de julho
de 2015.
7
Disponível em: <www.clicrbs.com.br/swf/game_farroupilha/> Acesso em: 3 de julho de 2015.
8
Disponível em:<www.clicrbs.com.br/sites/swf/zh_DOP/index.html> Acesso em: 3 de julho de 2015.
9
Termo definido por Longhi (2010) como “[...] formatos de linguagem multimídia convergentes, inte-
grando gêneros como a entrevista, o documentário, a infografia, a opinião, a crítica, a pesquisa, dentre
outros, num único pacote de informação, interativo e multilinear” (LONGHI, 2010, p.153).
10
Disponível em: <www.quedamurodeberlim25anos.com.br/index.html>. Acesso em: 3 de julho de 2015.

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Após discorrer de forma breve sobre o que são newsgames e apresentarmos al-
guns exemplos dessas narrativas, tratamos na sequência dos newsgames que compõem
o corpus deste trabalho: O mundo da Copa, do Jornal Folha de S. Paulo; e Pirate Fi-
shing, da rede de notícias árabe Al Jazeera.

4. O mundo da Copa
O Jornal Folha de S. Paulo publicou em seu site em maio de 2014 o newsgame O
mundo da Copa11 (figura 2), que trata dos aspectos do mundial realizado no mesmo ano
no Brasil. O newsgame é composto por 40 perguntas que devem ser respondidas pelo
leitor/jogador, que visita quatro espaços do Maracanã para avançar no jogo: o campo, o
entorno, o corredor e o vestiário. Ao responder cada pergunta, o leitor/jogador recebe
informações relacionadas à pergunta que acabou de responder. Em caso de erro nas re-
postas, o leitor/jogador recebe uma punição – a cada três repostas erradas, recebe um
cartão amarelo, e se errar todas as questões do espaço que ele estiver visitando recebe
cartão vermelho.

Figura 2: Newsgame O mundo da Copa.

11
Disponível em: <arte.folha.uol.com.br/esporte/2014/05/22/mundodacopa/abertura/> Acesso em: 3 de
julho de 2015.

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Com base na classificação de Bogost et al. (2010) podemos catalogar O mundo da


Copa como newsgame do gênero de atualidades, pela proximidade temporal com o con-
teúdo jornalístico com o qual se relaciona. Os autores distinguem esse gênero em três
subcategorias: a) jogos editoriais, entendidos como jogos de eventos atuais que possuem
argumento, seu objetivo é ao longo do jogo convencer o jogador/leitor da ideia apresen-
tada naquele jogo; b) jogos de tablóides, para os pesquisadores, essa modalidade está
relacionada a notícias sem grande repercussão, consideradas como de pouco impacto
para o público. Os autores citam como exemplo fatos relacionados a celebridades; c)
jogos reportagem, newsgames feitos a partir de muita pesquisa, sua base é a descrição
factual e sua publicação se dá enquanto os fatos ainda estão atuais.
Assim, o newsgame O mundo da Copa pertence ao gênero de newsgames de atua-
lidades, mais precisamente a subcategoria dos jogos reportagem, pois traz ao longo do
jogo informações da história da Copa do Mundo e também dados atualizados do mundi-
al de 2014, além de ter sido publicado no mês que antecedeu a Copa. Esse newsgame
pode ser classificado também como pertencente ao gênero newsgames de raciocínio,
pois o leitor/jogador precisa estar informado sobre os fatos que marcaram os mundiais
anteriores, bem como estar a par dos acontecimentos que envolveram a Copa do Mundo
realizada no Brasil para assim responder de forma correta e avançar no jogo.
Em relação aos critérios de noticiabilidade que compõe o newsgame O mundo da
Copa a partir da tabela operacional de valores-notícia proposta por Silva (2014), pode-
mos identificar que os critérios são: o impacto, que está relacionado à quantidade de
pessoas (atletas e turistas) e países envolvidos no mundial, além da grande movimenta-
ção financeira que envolve a realização da Copa do Mundo; a raridade, uma vez que o
evento ocorre de quatro em quatro anos sempre em um país diferente; proeminência,
que pode ser entendida como a notoriedade que o país recebe por sediar o evento; entre-
tenimento, justificado pelo fato de o futebol ser um esporte de grande popularidade no
mundo; e, por fim, a proximidade, pois os jogos do mundial foram realizados em 12
cidades brasileiras, incluindo São Paulo, cidade sede do jornal.

5. Pirate Fishing

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Publicado em setembro de 2014 pela rede de notícias árabe Al Jazeera, o news-


game Pirate Fishing12 (figura 3) convida o leitor/jogador a se tornar um jornalista da Al
Jazeera. Durante o jogo, é preciso coletar provas, tomar notas e verificar fatos que aju-
darão a denunciar o crime ambiental de pesca ilegal na Serra Leoa, para as autoridades
responsáveis. Além de ser crime ambiental, a prática da pesca ilegal consiste em privar
o povo de sua fonte de comida e renda. O Pirate Fishing conta com vídeos extraídos do
documentário criado pela Al Jazeera sobre o mesmo tema do jogo.
Durante o jogo, o leitor/jogador consegue informações e provas assistindo alguns
trechos do documentário, alguns desses vídeos são obrigatórios para conduzir o lei-
tor/jogador ao longo do jogo, já outros são opcionais. No decorrer do newsgame o lei-
tor/jogador pode visitar ambientes virtuais, como por exemplo, o Centro de Vigilância
Marítima da Serra Leoa, como forma de coletar informações sobre a pesca ilegal. Na
medida em que o leitor/jogador vai avançando no jogo ele é premiado com distintivos e,
ao concluir o jogo de forma bem sucedida, o leitor/jogador recebe o título de jornalista
investigativo sênior.

Figura 3: Newsgame Pirate Fishing da Al Jazeera.

12
Disponível em: <interactive.aljazeera.com/aje/2014/piratefishingdoc/>. Acesso em: 4 de julho de 2015.

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Pirate Fishing, de acordo com a classificação de Bogost et al. (2010), pode ser
considerado como newsgame da categoria documentário, pois como expõem os autores
essa modalidade se dedica a tratar de eventos históricos e atuais de uma maneira seme-
lhante à fotografia documental, cinema e jornalismo investigativo, além de oportunizar
ao leitor/jogador a experiência de estar no cenário em que os fatos acontecem ou acon-
teceram.
Porém, optamos em classificar o Pirate Fishing também como newsgame de le-
tramento, modalidade segundo Bogost et al. (2010) voltada para a compreensão da prá-
tica jornalística, pois durante todo o tempo o leitor/jogador deve atuar como um jorna-
lista investigativo que procura informações e provas para comprovar o que está ocor-
rendo na Serra Leoa. Bogost et al. (2010) reforçam que essa categoria não quer formar
jornalistas a partir de um jogo, e sim abordar as regras e valores que guiam o jornalis-
mo, exatamente como está evidenciado no Pirate Fishing.
Analisando os critérios de noticiabilidade que integram o newsgame Pirate Fi-
shing destacamos: o impacto e a polêmica, uma vez que a Serra Leoa é uma região de
grande pobreza, um dos países mais pobres do mundo, em que a pesca ilegal afeta dire-
tamente a população do país, pois além de servir de alimento, a pesca é fonte de renda
da população; o governo e a justiça, no mercado da pesca ilegal estão em jogo o interes-
se nacional, além da prisão e do julgamento dos criminosos.

6. Considerações finais
Critérios de noticiabilidade surgiram com o jornalismo, começaram a ser adotados
no jornal impresso, depois foram empregados pelo rádio e em seguida pela televisão. As
noções de noticiabilidade já eram mencionadas na primeira tese sobre jornalismo escrita
e apresentada por Tobias Peucer em 1690. Nota-se que embora o jornalismo tenha pas-
sado ao longo dos anos por vários processos evolutivos, desde o surgimento do jornal
impresso até a televisão a cores e mais recentemente com a ascensão da internet, sua
essência segue a mesma e o foco é sempre na notícia. Ao longo deste trabalho, pudemos
comprovar essa afirmação, uma vez que embora se adote novas narrativas para se fazer
jornalismo, como é o caso dos newsgames, a prioridade é sempre a mesma, o fato noti-
cioso.

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SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo
13º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo
Campo Grande – UFMS – Novembro de 2015
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Nos dois newsgames analisados neste trabalho, O Mundo da Copa e o Pirate Fi-
shing, são utilizados os mesmos critérios de noticiabilidade já conhecidos e adotados no
jornalismo tradicional. Embora cada um dos newsgames aborde pautas distintas, foi
possível encontrar nos dois newsgames um critério de noticiabilidade em comum, o
impacto. Os dois newsgames destacam o número de pessoas envolvidas no evento noti-
cioso, a quantidade de pessoas afetadas e as grandes quantias de dinheiro que integram
cada uma das pautas.
Embora os newsgames produzidos e publicados por veículos de comunicação uti-
lizem dos mesmos critérios de noticiabilidade já conhecidos do jornalismo, eles conse-
guem algo que vai além dos critérios de noticiabilidade, que é o envolvimento do públi-
co a partir do aspecto lúdico do jogo. Eles permitem que o leitor se transforme em lei-
tor/jogador e conheça melhor o que está em pauta por intermédio da ludicidade propor-
cionada pelo jogo. O newsgame permite que o leitor visite o cenário noticioso, como
acontece nos dois exemplos analisados, em que o leitor/jogador pode navegar pela local
dos fatos, conhecendo o lugar referenciado ao longo da pauta por meio da imersão no
jogo.
Newsgames também vão além da descrição do acontecimento, pois oferecem ao lei-
tor/jogador a possibilidade de conhecer e explorar o cenário em pauta de perto. Logo, os
newsgames conseguem algo que o impresso, o rádio, a fotografia e a televisão sozinhos
não possibilitam, que é levar o seu público para dentro da cena noticiosa. Newsgames
agregam recursos de cada uma dessas mídias para oferecer ao leitor/jogador a imersão
na notícia. Com o aporte do jogo é possível ler e ver a cena dos fatos, ouvir o que nele
acontece e escolher qual caminho será explorado ao longo do jogo.
É possível notar que não é qualquer pauta que pode ser transformada em um news-
game nos veículos de comunicação que integram a grande mídia. É preciso que os even-
tos tenham valor noticioso, que atendam a critérios de noticibilidade que permitam tra-
tar da notícia através do jogo. Não há um manual que diga qual notícia é digna ou não
para se tornar um newsgame, pois, como esse campo é novo e ainda pouco explorado,
permite que se faça vários experimentos relacionados a aliar o jornalismo ao jogo. Po-
rém, o que se pode afirmar com certeza é que para que um evento seja transformado em
um newsgame ele precisa estar munido de critérios de noticiabilidade que possam ser

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exploradas a partir da ludicidade do jogo. Além disso, para a produção de newsgames as


redações precisam se adequar ao trabalho multidisciplinar e colaborativo, que integra
profissionais designers, programadores e jornalistas.

Referências
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