Você está na página 1de 46

www.fisicanaveia.com.

br

Dulcidio Braz Jr
dulcidio@fisicamoderna.com.br
www.twitter.com/dulcidio | www.facebook.com/dulcidiobrazjr
Dulcidio Braz Jr
“A Persistência da Memória”
Salvador Dali (1931) Dulcidio Braz Jr
Dulcidio Braz Jr
Os postulados de Einstein

1. As Leis da Física são as


mesmas em todos os
referenciais inerciais.

2. A velocidade da luz é
absoluta, ou seja, independe
do observador.

De onde Einstein
tirou estas ideias?

1905
Dulcidio Braz Jr
•Um observador está dentro de um vagão, parado em relação ao vagão;
•O vagão é totalmente fechado e sem comunicação com o exterior;
•O vagão se move em relação ao chão em linha reta sem acelerar;
•O vagão não vibra nem sofre qualquer tipo de trepidação;

?
Como pode o observador saber se o vagão está ou não em movimento?
Que experimento(s) ele poderia ele realizar dentro do vagão para tentar
descobrir a resposta?
Experimento 1: colocar uma bolinha no piso do vagão e ver o que acontece com ela.
Dulcidio Braz Jr
•Um observador está dentro de um vagão, parado em relação ao vagão;
•O vagão é totalmente fechado e sem comunicação com o exterior;
•O vagão se move em relação ao chão em linha reta sem acelerar;
•O vagão não vibra nem sofre qualquer tipo de trepidação;

?
Como pode o observador saber se o vagão está ou não em movimento?
Que experimento(s) ele poderia ele realizar dentro do vagão para tentar
descobrir a resposta?
Experimento 1: colocar uma bolinha no piso do vagão e ver o que acontece com ela.
Dulcidio Braz Jr
•Um observador está dentro de um vagão, parado em relação ao vagão;
•O vagão é totalmente fechado e sem comunicação com o exterior;
•O vagão se move em relação ao chão em linha reta sem acelerar;
•O vagão não vibra nem sofre qualquer tipo de trepidação;

?
Como pode o observador saber se o vagão está ou não em movimento?
Que experimento(s) ele poderia ele realizar dentro do vagão para tentar
descobrir a resposta?
Experimento 2: pendurar a bolinha no teto do vagão por um fio e ver o que acontece com ela.
Dulcidio Braz Jr
•Um observador está dentro de um vagão, parado em relação ao vagão;
•O vagão é totalmente fechado e sem comunicação com o exterior;
•O vagão se move em relação ao chão em linha reta sem acelerar;
•O vagão não vibra nem sofre qualquer tipo de trepidação;

?
Como pode o observador saber se o vagão está ou não em movimento?
Que experimento(s) ele poderia ele realizar dentro do vagão para tentar
descobrir a resposta?
Experimento 3: deixar a bolinha cair verticalmente dentro do vagão e ver o que acontece com ela.
Dulcidio Braz Jr
Galileu Galilei
(1564-1642)

“O movimento
ABSOLUTO
não existe.”


postulado
Princípio da Relatividade
Todas as Leis da Física são as mesmas em qualquer referencial inercial.

!
CONCLUSÃO: não dá para o observador, de dentro do vagão, realizar um
experimento que permita a ele saber se o vagão está em repouso ou em
movimento retilíneo e uniforme!

Dulcidio Braz Jr
O1 O2
V1 = 80 km/h V2 = 100 km/h

Referencial
da pista

O1 O2
V1,1 = 0 km/h V2,1 = 20 km/h

Vpista,1 = - 80 km/h
Referencial
de O1
Dulcidio Braz Jr
O1 O2
V1 = 80 km/h V2 = 100 km/h

Referencial
da pista

O1 O2
V1,2 = -20 km/h V2,2 = 0 km/h

Vpista,2 = - 100 km/h


Referencial
de O2
Dulcidio Braz Jr
século XIX século XX
tempo

Ideias ligadas às ondas:


•A velocidade de uma onda não depende da velocidade da fonte;
•A velocidade de uma onda depende do tipo de onda e do meio onde a
onda se propaga;
•Toda onda ondula o meio que, por sua vez, é o suporte da onda;
•O som é uma onda. O som ondula o meio (sólido, líquido ou gasoso);
•A luz é uma onda. A luz ondula o ÉTER (luminífero).

Dulcidio Braz Jr
O1 SOM VSOM =1224 km/h
V1 = 80 km/h

Referencial
da pista Ar parado em relação à pista

O1 SOM VSOM,1 =1144 km/h


V1,1 = 0 km/h

Vpista,1 = - 80 km/h
Referencial
de O1
Dulcidio Braz Jr
O1 SOM VSOM =1224 km/h
V1 = 80 km/h

O2
V2 = - 100 km/h
Referencial
da pista Ar parado em relação à pista

O1 SOM VSOM,1 =1144 km/h


V1,1 = 0 km/h

O2
Vpista,1 = - 80 km/h V2,1 = - 180 km/h
Referencial
de O1
Dulcidio Braz Jr
O1 SOM VSOM =1224 km/h
V1 = 80 km/h

O2
V2 = - 100 km/h
Referencial
da pista Ar parado em relação à pista

O1 SOM VSOM,1 =1144 km/h


V1,1 = 0 km/h

O2
Vpista,1 = - 80 km/h V2,1 = - 180 km/h
Referencial
de O1
VSOM,2 = ? VSOM,2 = 1324 km/h VSOM,2  VSOM,1
Dulcidio Braz Jr
1. Por que os dois observadores (O1 e O2) mediram velocidades
diferentes para o som?
Resposta: Porque o som se move em relação ao ar que
está parado em relação à pista. E cada observador tem um
movimento relativo à pista. Logo, cada um tem um
movimento diferente em relação ao ar e, portanto, ao som.
2. Se repetirmos o último experimento, trocando o som pela luz (em
Nenhum experimento
vez do som da buzina do carro, imagine um pulso de luz emitido pelo
farol), os dois observadores (O1 e O2) mediriam velocidades diferentes
conseguiu provar a
para a luz?
existência do éter.
Resposta: Depende se existe ou não o éter.

Se o éter existir Se o éter não existir

SIM NÃO
3. O éter existe?
Dulcidio Braz Jr
século XIX século XX

1905 tempo

Ideias ligadas às ondas:


•A velocidade de uma onda não depende da velocidade da fonte; 
•A velocidade de uma onda depende do tipo de onda e do meio onde a
onda se propaga;
•Toda onda ondula o meio que, por sua vez, é o suporte da onda; 
•O som é uma onda. O som ondula o meio (sólido, líquido ou gasoso);
•A luz é uma onda. A luz ondula o ÉTER (luminífero).

Einstein desconsiderou o éter: 2º


A velocidade da luz é absoluta. postulado

Dulcidio Braz Jr
Os postulados de Einstein

1. As Leis da Física são as


mesmas em todos os
referenciais inerciais.

2. A velocidade da luz é
absoluta, ou seja, independe
do observador.

1905
Dulcidio Braz Jr
V

E
O2
O1 D

•Um observador O1 está fora do vagão, parado em relação ao chão;


•Outro observador O2 está dentro de um vagão, parado em relação ao vagão;
•O vagão se move em relação ao chão em linha reta sem acelerar. Mas ao contrário dos
vagões que conhecemos, pode alcançar velocidades não desprezível em relação a c
(velocidade da luz no vácuo);
•Dentro do vagão, uma fonte F emite luz que pode ser refletida num espelho E no teto do
vagão;

Dulcidio Braz Jr
Matemática “sofisticadíssima” para nossa modelagem:

S
1. Velocidade média: S t 
Vm  Vm
t
S  Vm  t
2. Teorema de Pitágoras:

x
z x  y z
2 2 2

3. Álgebra elementar

Dulcidio Braz Jr
Sempre “vejo” a
luz subindo e
depois descendo,
na vertical, esteja
V
o vagão parado
ou em MRU.
E
O2
D

O que o S 2D
observador O2 t2  t2 
“vê”/mede? V c Guarde este
valor na
Referencial memória!
de O2
Dulcidio Braz Jr
“Vejo” a luz
V
subindo, de
F para E, E
inclinada...
O2
O1 D

Referencial
de O1
Dulcidio Braz Jr
... e agora a luz
V
desce, de E
para F, também E
inclinada.
O2
O1 D

O que o F
observador O1
“vê”/mede?

•Para O1 a luz fez um caminho maior; •TEMPO


•Mas, pelo 2º postulado de Einstein, tanto O1 quanto O2 DIFERENTE?
devem medir o mesmo valor para a velocidade da luz;
•CONCLUSÃO: No referencial de O1 o tempo MEDIDO •TEM COMO
também deve ser maior para compensar o caminho maior, QUANTIFICAR TAL
Referencial garantido constância da velocidade da luz! DIFERENÇA?
de O1
Dulcidio Braz Jr
V
... e agora a luz
desce, de E
para F, também E
inclinada. O2
O1 L
D
D

O que o F
observador O1
“vê”/mede?
d
S  V .t
t1
O1 vê a luz percorrer uma L d  V.
distância 2L, o dobro da D 2
hipotenusa L de um
t1
triângulo retângulo de L  c.
Referencial catetos D e d. d 2
de O1
Dulcidio Braz Jr
 t1   t1  2 t1 2 t1
2 2 2 2
t1   2
 c .  V .  D 2
L  c.  c.   V .  D
2  2   2  4 4

t1
d  V. t 2
4 D 2
2  (c 2  V 2 ) 1  D 2  t12  2
4 (c  V 2 )
L2  d 2  D2
4D2 2D
 t1  
(c  V )
2 2
(c 2  V 2 )
Referencial
de O1
Dulcidio Braz Jr
2D 2D 2D 1
t1   t1   t1 
(c  V )
2 2
V 2 c V2
c 2 (1  2 ) (1  2 )
c c
2D
t2 
c
1
1 
 t1  t2  t1    t2
2
V 
V 2 1  
(1  2 ) c 
Referencial
de O1 c Fator de Lorentz
Dulcidio Braz Jr
 
V 2
V 1
c1   2

Se 1
V 0   1
2
0
1  
c
1 1 1 1 1
V  0,6c         1, 25
 0, 6c 
2
1   0, 6 
2
1  0,36 0, 64 0,8
1  
 c 
1 1 1 1 1
V  0,8c         1, 67
 0,8c 
2
1   0,8 
2
1  0, 64 0,36 0, 6
V  1  
 c 
0,000c 1,000
1 1 1
0,200c 1,021 V  1,0c      
1  1, 0 
2 2
0,400c 1,091  1, 0c  0
1  
0,600c 1,250  c 
0,800c 1,667
1
0,900c 2,294

t1    t2
2
0,990c 7,071
V 
0,999c 22,361 1  
c
1,000c 

Dulcidio Braz Jr
t1    t2 •Se  =1 t1 = t2

1 O1 e O2 medem o
 mesmo intervalo
2
V 
1   de tempo
c
•Se  > 1 t1 > t2
V  O1 e O2 não medem
0,000c 1,000 o mesmo intervalo
0,200c 1,021 de tempo
0,400c 1,091
0,600c 1,250
0,800c 1,667
0,900c 2,294
0,990c 7,071
0,999c 22,361
1,000c 

Dulcidio Braz Jr
t1    t2 •Se  =1 t1 = t2

1 O1 e O2 medem o
 mesmo intervalo
2
V 
1   de tempo
c
•Se  > 1 t1 > t2
V  O1 e O2 não medem
0,000c 1,000 o mesmo intervalo
0,200c 1,021 de tempo
0,400c 1,091
0,600c 1,250
0,800c 1,667
0,900c 2,294
0,990c 7,071
0,999c 22,361
1,000c 

Dulcidio Braz Jr
t1  γ.t2 •Se  > 1, t1 > t2
O1 mede um inter-
valo de tempo maior
•Dilatação
do que O2
do tempo

L •Se  > 1, L2 < L1


L2  1 O2 mede um
γ comprimento menor
1 do que O1
γ •Contração
2
v do espaço
1  
c
•O relógio de O2 anda mais devagar
O fator de e ele vê os objetos contraídos na
Lorentz direção do movimento

Tempo e espaço são relativos


Dilatação do tempo | Contração do espaço
e estão “entrelaçados”.

Dulcidio Braz Jr

O1 a
O2

S1 = 4 anos-luz

Supondo V = 0,8c:
S 4
t1ida    5anos
V 0,8

Dulcidio Braz Jr
O1 O

S1 = 4 anos-luz

Supondo V = 0,8c:
S 4 S 4
t1ida    5anos t volta    5anos t TOTAL
 10anos
V 0,8 1
V 0,8 1

t1TOTAL   .t TOTAL


2
 10  1,67.t TOTAL
2
 t TOTAL
2
 6anos
O1 envelheceu 10 anos enquanto que O2 apenas 6 anos !!!

Dulcidio Braz Jr
Superman, viajando em altíssima
velocidade ao redor da Terra, em
qualquer sentido, não faria o tempo retroceder.
Pelo contrário, quando voltasse ao ponto de partida, estaria no
futuro!

Dulcidio Braz Jr
O Princípio da Equivalência
Se um observador está dentro de
um recinto fechado, sem ter como
olhar para fora, não há como
saber se o recinto está acelerado
ou sob ação de um campo
gravitacional uniforme.

De onde Einstein
tirou esta ideia?

" Eu estava sentado em uma cadeira no


escritório de patentes, em Berna, quando de
repente ocorreu-me um pensamento: se uma
pessoa cair livremente, ela não sentirá seu
próprio peso. Eu estava atônito. Este simples
pensamento impressionou-me profundamente.
Ele me impeliu para uma teoria da gravitação.”

1907 Albert Einstein


Dulcidio Braz Jr
Sinto-me
“grudado” no piso Os efeitos da gravidade
e vejo a mala
cair, acelerando. e da aceleração são
indistinguíveis!

Sinto-me
“grudado” no piso
g e vejo a mala
cair, acelerando.

Campo gravitacional uniforme g = 9,8 m/s² Aceleração uniforme a = g = 9,8 m/s²


Dulcidio Braz Jr
O Princípio da Equivalência
Se um observador está dentro de
um recinto fechado, sem ter como
olhar para fora, não há como
saber se o recinto está acelerado
ou sob ação de um campo
gravitacional uniforme.

1907
Dulcidio Braz Jr
a

Referencial
da fonte de luz Aceleração uniforme a = g
Dulcidio Braz Jr
Conclusões:
Sinto-me
“grudado” no piso
•A luz fez curva por conta da aceleração
e “vejo” a luz da nave;
fazer curva entre •Como aceleração e gravidade produzem
as janelinhas.
efeitos equivalentes, então a gravidade
também pode curvar a luz;
•Pelo “Princípio de Fermat” : “a luz viaja
entre dois pontos pela trajetória que
minimiza o tempo de viagem”. No espaço
Euclidiano, esta trajetória é uma reta;
•Na presença da gravidade, a trajetória da
a luz é curva. Logo, o espaço não é
Euclidiano;
•A presença da massa, que gera a
gravidade, pode curvar o espaço;
•Como tempo e espaço estão
relacionados, temos uma geometria não
Euclidiana com quatro dimensões: três de
espaço e uma de tempo, o que
Aceleração uniforme a = g
Referencial chamamos de
da nave Espaço-Tempo.
Dulcidio Braz Jr
Física de Newton

z
Dulcidio Braz Jr
Física de Einstein y (x, y, z, t)

Dulcidio Braz Jr
2GM
Vesc 
r
2GM 2GM
c  c2 
r r
2GM
 rS 
c2
Raio de Schwarzschild, homenagem
a Karl Schwarzschild (1873-1916)
Buraco Negro
rSSol  3km rSTerra  9mm

1963: O matemático neozelandês Roy Patrick Kerr (1934 - ) estudou o problema de


uma partícula orbitando um buraco negro em rotação (sem cair nele, obviamente). E
encontrou soluções matemáticas para as equações de Einstein que previam que a
partícula poderia sempre voltar ao ponto/momento de partida, ou seja, viajar para o
passado.
Dulcidio Braz Jr
Trajetória da luz entrada

atalho

saída

Buraco de Minhoca ou Ponte de Einstein-Rosen

São instáveis...

Dulcidio Braz Jr
Dr. Harold White
Centro Espacial Johnson, da NASA
Laboratório Eagleworks
Experimento com Interferômetro de Campo de Dobra White-Juday

Dulcidio Braz Jr
Satélites do GPS
Velocidade: ~ 4 km/s
Altitude: ~ 20000 km
Relógios atômicos

TRR
Tempo passa mais
lentamente para o relógio
do satélite
 = - 1/10.109 TRG
Tempo passa mais
rapidamente para o relógio
do satélite
 = + 5/10.109

Dulcidio Braz Jr
Dulcidio Braz Jr
As ideias discutidas nesta palestra
estão detalhadas no livro
“Tópicos de Física Moderna”

Autor: Dulcidio Braz Jr


Editora: Companhia da
As ideias
Escola (Sistema
Integral de Ensino)
Ano: 2002

Os slides da palestra e todo o seu conteúdo


não podem ser usados comercialmente.

Dulcidio Braz Jr

Você também pode gostar