Você está na página 1de 27

EDIÇÃO 1

2020

CONTENÇÃO
ORTODÔNTICA
HÉLIO VENÂNCIO

WWW.HELIOVENANCIO.COM.BR.
EDIÇÃO 1
2020

SOBRE O
AUTOR
Hélio Venâncio é ortodontista que
vive 80% do seu tempo na clinica
ortodôntica e apaixonado pela
docência.
Ultimamente chamado por seus
alunos de “O Explicador da vida
Real", tem sido solicitado para
palestrar nos maiores congressos
do País
como o da SPO, CIOSP, ABOR,
SOEX e ABOFM (Academia
Brasileira de Ortopedia Funcional
dos Maxilares ) que foi transmitido
online para 23 países.
Criador da maior escola online de
ortodontia do Brasil, com foco na
ortodontia, com 4500 alunos
espalhados por 17 países.
Atualmente, se dedica ao
propósito de Transformar
Ortodontistas Comuns em
Profissionais De Alta Perfomance,
com resultados invejáveis e muito
bem remunerados, por meio dos
seus treinamentos e mentorias.
INTRODUÇÃO
Me pediram há pouco tempo para fazer uma aula
sobre contenções, eu fiz, e sinceramente achei
que poderia fazer mais!
Então transformei a aula de Contenção
Ortodôntica num livro, num guia, pra você deixar aí
de cabeceira e consultar sempre que necessário.
Eu poderia ter optado por um Guia mais Complexo,
cheio de teorias, mas resolvi fazer em um formato
de bater um papo, afinal a contenção ortodôntica
é muito simples, não precisa complicar.
Espero que goste e que seja realmente útil e
transformador para você!
Bons estudos e Boas práticas
PLANEJAMENTO
da contenção
Quando é que eu faço o planejamento da minha contenção?
O planejamento de contenção tem que ser feito junto com o
planejamento do tratamento ortodôntico. No momento que você
faz o planejamento do seu tratamento ortodôntico, você já faz o
planejamento da sua contenção. Inclusive é interessante que
você já fale para o seu paciente sobre essa contenção, você tem
que falar com eles assim: 
Olha, no final do tratamento a gente vai utilizar uma
contenção, vai ser assim, assim e assado. 
E você vai dar detalhes dessa contenção para o seu paciente, por
quê? Já aconteceu comigo e foi uma coisa que até assustei muito
quando isso aconteceu, de o paciente falar para mim assim no
final do tratamento:
- Ô, Hélio, eu não quero usar contenção.
E eu respondi:
- Ô meu querido paciente, é o seguinte, tem que usar. Contenção
todo mundo usa.
E aí ele olhou para mim e falou:
- Não, mas você não me avisou no começo. Se eu soubesse que eu
tinha que colocar contenção, não teria nem feito o tratamento.
4
Cara, tudo bem. Ele foi meio radical? Foi. Mas ele não tinha uma
certa razão? Eu devia ter falado para ele no início. 
Então, tudo o que você fala no começo é sabedoria. Passou,
depois falou, depois virou desculpa.
Faça o planejamento da sua contenção e fale para o seu
paciente qual é o planejamento do  tratamento e da contenção
até o final . Fala lá no início, fala no momento de planejar, você já
fala:
Nós vamos utilizar o seu aparelho por tanto tempo, vamos fazer a
mecânica tal, tal e tal. No final você vai usar a contenção X, Y ou Z.

SIMPLIFICANDO...
este assunto
Qual é a contenção? E como é que maioria dos nossos colegas
fazem? Simplesmente coloca ali uma contenção? Chegou no final,
o que é o trivial?
Placa de Hawley superior, contenção fixa inferior.
Mas oclusões não são iguais. Os pacientes não são iguais, você
não pode fazer contenção igual para todo mundo. Não faz sentido
nenhum, concorda?
5
Você vai fazer a sua contenção conforme cada problema
ortodôntico.
Para cada problema ortodôntico existe um tipo de contenção.
Então, eu vou relatar para você, vou exemplificar agora cada tipo
de problema e para cada problema eu vou dizer para você qual é a
contenção ideal para você colocar.
Qual que é o problema mais comum que a gente vê nos nossos
pacientes ortodônticos? Apinhamento. Inclusive a maioria dos
nossos clientes, dos nossos pacientes, chega no consultório
dizendo assim:
- Ah, o meu dente está torto. 
E vocês sabem disso. Então, o apinhamento, o inferior, você
pegou ali o modelo do seu paciente, você está fazendo o
planejamento, pegou as fotografias e você está vendo ali o
apinhamento inferior desse paciente. Qual é a contenção que
você tem que colocar nesse paciente à hora que esse paciente
terminar o tratamento?
Eu sei que talvez você vai pensar “contenção fixa”. Mas não é só
isso que eu quero que você pense... Veja bem:
Contenção fixa colada em todos os dentes? 
Contenção fixa colada só nos caninos? 
É colada nos caninos e em algum dente? 
É contenção removível? 
É placa de acetato?

6
Vamos lá...
Se eu tenho dentes que estão nesse apinhamento, dentes que
estão vestibularizados e eu peguei outros dentes e vestibularizei,
como é que a gente vestibulariza dentes num apinhamento? A
gente vestibulariza dentes num apinhamento simplesmente
alinhando e nivelando, aí você vai jogar os dentes para frente,
concorda comigo?
Sim. E se eu joguei esses dentes para vestibular, se o meu
objetivo de tratamento é jogar esses dentes para vestibular, se
eu colar a resina da contenção só nos caninos e passar um arco
0,6 na face lingual dos incisivos, a tendência de recidiva é o
movimento contrário do que eu fiz, concorda? É exatamente isso,
a tendência da recidiva é o movimento contrário do que eu fiz. 
Então, se eu fiz um movimento para vestibular, a recidiva vai
ser para onde? Para a lingual. Se eu colei a minha contenção nos
dois caninos e passei um fio 0,6 somente encostado nesses
incisivos, esses incisivos, eles vão lingualizar? Eu sei que você vai
me responder: não. Eles não vão lingualizar. Mas porquê eles não
vão lingualizar? Porque esse fio encostado nos incisivos, que não
precisa estar colado em todos os incisivos, ele está só
encostado, não deixa esses dentes lingualizarem. Correto?
Então, tem o apinhamento, vestibularizou todo mundo. Qual a
contenção que você escolhe? Uma contenção convencional com
fio 0,6 colada só nos caninos.  Ponto. Por que é que essa é a
melhor contenção para o seu paciente? Porque essa contenção,
ela fica posicionada do meio  do incisivo para a incisal, longe da
gengiva, então, ela acumula menos tártaro e seu paciente
consegue passar o fio dental correndo de um lado para o outro,
fica superconfortável para ele passar o fio dental.
7
Ô Hélio, mas o meu paciente não tinha só apinhamento assim não.
O meu paciente tinha uma giroversão de um incisivo. 
Aí você tem que colar esse incisivo também. Agora, atenção: se
você tinha um incisivo girado, você vai ter que colar a resina
nesse incisivo, porque senão ele vai girar de novo. Isso, eu te
garanto que vai girar de novo. Tá bom? 
Ô Hélio, quando é que eu colo então, nesses incisivos inferiores a
resina em todos os dentes? Vou contar um segredo para você
aqui, que eu já colei essa resina em todos os dentes várias vezes.
Não conte para ninguém. Era padrão, preguiça. Mas não a preguiça
de fazer, que dá mais trabalho, era preguiça de pensar!
Ah, essa contenção do exemplo que eu estou ilustrado é a reta,
okay. Deixa eu só comentar um negócio da higiênica...
Tem artigos publicados que dizem que a contenção higiênica
acumula mais placa e tártaro do que a contenção convencional,
por quê? Porque ela fica mais próxima da gengiva. Mas só que
também tem artigos que falam que é mais ou menos a mesma
coisa e tal. Agora, eu vou dizer para vocês a experiência de
consultório. E outra coisa, vou dar uma dica: atenda o seu
paciente, marque o seu paciente depois que ele terminou o
tratamento, de seis em seis meses pelo resto da sua vida e
pelo resto da vida dele. Você vai dizer para ele o seguinte:
- Você venha de seis em seis meses para eu verificar se está tudo
bem, porque eu quero dar a garantia do meu trabalho, mas eu
preciso que você venha. E quando você vier você vai me pagar
uma manutenção, uma mensalidade. Mas eu quero ver o que está
acontecendo.
8
Teve uma época que eu invoquei com a contenção higiênica. E
como meu paciente volta de seis em seis meses, eu assustava
quando os pacientes voltavam, tinha muito tártaro naquela
contenção. Não estou aqui para falar mal da contenção, não estou
aqui para falar mal de quem criou a contenção, eu simplesmente
estou relatando uma experiência clínica, tá? 
Ô Hélio, mas você marca um paciente de seis em seis meses
para voltar no seu consultório? 
Marco! Porque o dia que ele volta, depois, por exemplo, vamos
supor que ele sumiu, desapareceu e aí ele voltou no meu
consultório depois de dois anos. Se teve uma recidiva, se tem
uma resina da contenção que está solta e ele não veio de seis em
seis meses e ele precisar colocar um alinhador, um aparelho
novamente, ele vai gastar com isso. Ele vai ter que pagar. Mas, se
ele veio de seis em seis meses, e ele teve uma pequena recidiva,
eu falo para ele: 
- Cara, você veio tão certinho, você veio de seis em seis meses,
você é tão dedicado. Eu vou alinhar esse dentinho para você aqui,
não vou te cobrar nada.
Coloca lá um aparelho metálico mais simples, faz um alinhador que
você mesmo faz no consultor um alinhador ali, baixa uma placa de
acetato no modelo, faz um alinhador e alinha o dente desse
paciente seu. Ele vai ficar feliz da vida, ele está indo no seu
consultório com frequência.
Qual é o tempo para usar a contenção? Quanto tempo você
recomenda para tirar?  Eu costumo dizer o seguinte: contenção
fixa inferior, você pode remover dois dias antes do óbito. Tanto
seu quanto do cliente. Talvez de quem morrer primeiro.
9
Não, isso é brincadeira, mas eu deixo a contenção fixa para o
resto da vida, a inferior. Eu sei que tem uma escola que diz que
não precisa usar contenção. Tudo bem. Mas eu não quero ter dor
de cabeça com meu cliente, eu não quero ele me incomodando,
então, é um critério meu. E é um critério meu, não é um critério da
maioria dos ortodontistas e dos grandes nomes desse país. 
Contenção higiênica desse inferior. Eu evito ao máximo, por quê?
Acumula muito tártaro, experiência clínica. Contenção desse
apinhamento inferior, convencional colada em todos os dentes. 
Na maioria das vezes não é necessário colar em todos os dentes,
a não ser que você tenha vários dentes girados, vários dentes que
eram vestibularizados e você ter que colocar para a lingual. 
Você tem que lembrar de uma coisa: contenção serve para
conter o movimento, ponto. A recidiva vai acontecer, ela é um
movimento contrário do que você fez. 
Você tinha diastemas inferiores, você fez uma lingualização. Você
vai colar só uma contenção encostada nos incisivos aqui? Vai
vestibularizar, não tem. Não tem outro caminho. Então, você tem
que colar nesse caso todos os incisivos.
E a placa de acetato, Hélio? Pode usar a placa de acetato
também para dormir, placa de 1 milímetro naquele paciente que
não tem parafunção. Ah e se o paciente tem parafunção? 
É aquele paciente que relata que tem dores de cabeça, dores
musculares. É aquele paciente que você vê a oclusal dos dentes
está toda desgastada. É aquele paciente que fala assim: 
Não, eu tenho bruxismo, eu tenho apertamento.
10
Não use contenção de placa de acetato nesse paciente. Ele vai
ficar louco de dor, porque a placa de acetato, ela não tem a dureza
de uma placa de acrílico, então, esse paciente vai mastigar essa
placa a noite inteira. Ele vai ficar louco. Não utilize placa de
acetato no paciente que tem parafunção!
E agora eu vou falar do apinhamento superior. O apinhamento
superior, você faz contenção fixa de canino a canino? Eu faço
contenção fixa de canino a canino em quase todos os pacientes.
Mas quais são os pacientes especificamente que precisam ter
uma contenção fixa de canino a canino superior, ou de lateral a
lateral superior? 
Olha só. Se eu tinha apinhamento onde os caninos estavam muito
vestibularizados, eu vou colar a contenção fixa de canino a canino.
Se eu tinha laterais lingualizados ou vestibularizados, eu vou colar
a contenção fixa de canino a canino superior. 
Se eu tinha diastemas entre os incisivos centrais, eu vou colar
contenção fixa. 
Se eu tinha só o diastema entre os centrais, e o lateral e o canino
estava bem posicionado, eu vou colar contenção fixa só nos dois
centrais.
Ah, mas eu tinha, ô Hélio, os laterais tortos, mas o canino estava
bem. Eu vou colar contenção fixa só de lateral a lateral. 
E agora, no superior, eu gosto de utilizar a contenção fixa
higiênica, por incrível que pareça, porque eu percebo que ela não
acumula tanto, não acumula tártaro. E eu vejo que é uma
contenção que fica fácil de o paciente passar fio dental.
11
Professor, mas quando eu coloco a contenção fixa no superior, o
meu paciente morde em cima da contenção fixa e eu quase não
consigo colocar essa contenção fixa. Se o seu paciente, se o seu
tratamento terminou com uma mordida um pouco profunda é
porque faltou detalhes nessa finalização. O nosso paciente não
pode terminar com overjet e não pode terminar com mordida
profunda. Não pode. 
A não ser que sejam casos de tratamento em adulto que o
paciente tem problemas periodontais, perdas ósseas, e o objetivo
do tratamento é diferente do objetivo do tratamento de um
paciente com dentadura normal, com suporte normal.
Professor, eu posso fazer uma contenção com placa de
acetato?  Para cuidar da estabilidade dos meus dentes
superiores?
Cuidado! Se você tinha laterais lingualizados, o acrílico por dentro
segura, só que se o paciente não usar, vai recidivar.
 
Se você tinha laterais vestibularizados, o arco vestibular, se
estiver tocando nessas laterais, segura. Mas se o paciente não
usar, vai recidivar. 
Diastema. A placa de acetato segura? Não. Não segura. E você, já
teve problemas com recidiva de diastema usando Placa de
Hawley?
Aí você vai me perguntar assim:
Ô Hélio, mas você nunca usa então uma contenção com Placa
de Hawley no arco superior?
12
Uso. Qual é o melhor momento e para qual tipo de má oclusão que
se usa uma Placa de Hawley no arco superior?
É naquela má oclusão onde você teve que expandir o arco. Você
teve, por exemplo, uma mordida cruzada. Você tinha uma mordida
cruzada e você fez uma disjunção, você mexeu no transversal do
arco superior.
E aí sim, eu usaria uma contenção com Placa de Hawley, para quê?
Para evitar a recidiva do transversal. Certo? 
Agora, para garantir diastema e apinhamento aqui na fachada, eu
utilizo contenção fixa pelo menos o lateral a lateral. Sempre!
E agora eu vou dar uma dica muito bacana. Se você tinha uma
mordida profunda, você também tem que cuidar da sua
contenção da mordida profunda. 
Não sei se você está entendendo uma coisa. Isso, todos esses
problemas, eles podem estar num único paciente.
Imagina que eu tenho um paciente com apinhamento inferior,
diastema superior e ainda mordida profunda no início do
tratamento? E ainda atresia da maxila. Qual é a contenção para
esse cara? Qual é o planejamento da contenção para esse
paciente? 
O apinhamento, aí eu vou estudar como é que é o apinhamento, o
movimento que eu fiz. De repente eu vou fazer só colado nos
caninos, ponto. Superior tinha diastema? Tinha. Mas o resto dos
dentes estavam bem posicionados, então eu vou colocar naquele
diastema, eu coloco contenção fixa.
13
Ah, ô Hélio, mas ele tinha mordida profunda. 
O que é que eu uso para conter uma mordida profunda? Eu
tenho que ter um batente anterior, um platô. Esse platô ou
batente anterior, ele pode ser fixo ou ele pode ser removível. 
Ô Hélio, mas como é que funciona isso? 
Esse platô removível, por exemplo, se eu coloco uma Placa de
Hawley e faço um platô anterior aqui na face palatina dos
incisivos, o meu paciente, ele, na hora de dormir, ele toca o
incisivo inferior no platô, desoclui os dentes posteriores e aí eu
vou manter essa mordida que era profunda, estável. Só que eu
usar essa Placa de Hawley se eu tenho alguma outra função para
essa Placa de Hawley na boca desse paciente, como por exemplo,
ele tinha uma atresia. 
Professor, mas o meu paciente não tinha atresia, ele tem só
mordida profunda e ele tinha diastema. 
Eu vou fazer uma contenção fixa para ele nos dentes anteriores,
de canino a canino. 
E ele tinha uma mordida profunda. O que é que eu posso fazer para
que fique confortável para ele não precisar usar uma Placa de
Hawley com platô? 
Você pode fazer o levante com resina na face palatina dos
centrais. 
Ah, mas eu vou deixar esse negócio lá, professor? 
Vai deixar. Vai deixar.
14
Ah, mas não vai sobrecarregar os incisivos? 
Não vai sobrecarregar, por quê? Porque com o passar dos dias os
dentes posteriores, eles vão extruir e vão entrar em contato, vai
formar um tripé de dois pontos posteriores e um ponto anterior,
não tem problema. Você não vai deixar desequilibrado nos dentes
anteriores. 
Então, aquela contenção higiênica que a gente faz lá nos dentes
anteriores no paciente que tem mordida profunda, posso colocar
um batente com resina? Pode. 
Quanto tempo que esse batente fica ali? 
Lembra que eu falei que o meu paciente, ele volta de seis em seis
meses? Então, daqui a seis meses eu vou conferir como é que
está, eu vou de repente, ou eu vou desgastar o batente e aí
depois eu coloco alguma coisa mais leve para ele, eu coloco um
platô menor aqui na frente, eu não sei. Mas eu tenho que conferir,
eu tenho que estar em contato com esse paciente. 
Não vai me colocar uma resina de batente lá na frente e deixar
esse cara: 
Ah, agora ele sumiu, foi embora, ficou 10 anos sem voltar aqui. 
Não é assim, você tem que acompanhar o paciente.
E talvez você esteja se perguntando se a contenção superior
também até o óbito. Não! A superior não é até o óbito, não. A
superior eu costumo deixar aí uns 2-3 anos e aí depois, se o
paciente não tem parafunção, eu faço uma placa de acetato de 1
milímetro e deixo só para ele dormir.
15
Ah, ô Hélio, e para conter uma mordida aberta? O que é que eu
uso? 
Em primeiro lugar, como é que você fechou essa mordida aberta?
Você fechou a sua mordida aberta extruindo dentes anteriores?
Você colocou elástico aqui na frente, extruiu os dentes
anteriores? Se foi isso que você fez, você tem que manter esses
dentes extruídos. 
Como é que você vai manter? Você pode, por exemplo, colocar
pequenos attachments nos incisivos, minhoquinhas de resina,
quadradinhos de resina nos incisivos, bem pequeninos, moldar o
seu paciente, fazer uma placa de acetato que vai encaixar nos
dentes para que ele possa segurar a recidiva de inclusão dos
incisivos. Isso é um fator que você pode fazer. 
Agora, se você, por exemplo, fez o fechamento da mordida aberta
com a intrusão de dentes posteriores, qual é a sua contenção? A
sua contenção é uma placa que pode ser também uma placa de
acetato com um acrílico na oclusal dos molares e pré-molares,
uma pequena camada de acrílico na oclusal dos molares e pré-
molares. 
Para quê? Para a hora que o paciente ocluir, a força muscular
manter os molares intruídos. É o mesmo princípio do bite block.
Entenderam? Agora é claro, nós estamos falando de contenções
ativas. Só que na mordida aberta a gente também precisa
trabalhar o músculo da língua. E o músculo da língua, ela deve ficar
aonde? No palato, no céu da boca. Como é que você mantém a
língua do seu paciente no palato? Óbvio. Durante o tratamento
isso será reeducando essa língua durante toda vida.
16
E como é que eu educo a língua do meu paciente? 
Se o paciente é jovem, eu coloco um aparelho ortopédico
funcional, esse aparelho ortopédico funcional, ele fica caindo
sobre a língua, o paciente fica levantando a língua o tempo inteiro
e empurrando esse aparelho para cima, isso vira um hábito,
colocar a língua no céu da boca. Esse aparelho funcional também
incomoda a parte inferior da língua. E quando ele incomoda a parte
inferior da língua, a língua não quer ficar na parte de baixo, no arco
inferior, que ela está sendo incomodada. Então, essa língua vai
para o palato também. 
No final do tratamento, eu posso colocar esporões,
professor? 
Pode. Você pode inclusive colocar esporões na sua contenção
inferior, e nesse caso eu aconselharia você a colocar uma bolinha
de resina em cada dente, em cada incisivo inferior e sobre essa
bolinha de resina você vem e cola um esporão nos quatro centrais,
nos quatro incisivos. Você vai ter ali a sua contenção fixa com
quatro esporões colados por sobre ela e pode fazer isso.
Professor, e para recidiva da classe 2? O que é que você usa de
contenção? 
Quase nada. Por quê? Porque a classe 2, quando ela é tratada de
verdade, você não precisa se preocupar com contenção. A classe
2, quando bem tratada, você não precisa se preocupar com a
contenção para a classe 2. Eu sei que eu vou assustar muitas
pessoas agora, só que o que eu quero dizer é o seguinte: se você
está usando elástico de classe 2 ou propulsor mandibular,
acredite, você está mudando a postura da mandíbula do seu
paciente. Se você não for um bom manipulador em relação
cêntrica, essa postura da mandíbula vai te enganar.
17
E aí, você tira esse elástico de classe 2 e o paciente está lá
ocluindo bonitinho, classe 1 bonitinho. E aí, você olha aquele
paciente com aquela oclusão tão linda e fala: “acabou o
tratamento, veja como nós somos feras nisso”. 
Aí você tira o aparelho. Aí o paciente volta daqui a seis meses, a
mandíbula está lá para trás novamente. 
Você acha que recidivou? Você acha que aqueles dentes todos,
superior que movimentou para trás, o movimento dentoalveolar, o
inferior que movimentou para frente, movimento dentoalveolar,
você acha que eles recidivaram de novo? Não. Não é isso que
acontece. 
Pode até acontecer uma pequena recidiva de 2 milímetros, aí eu
até acredito. Mas aquele overjet de 5-6 milímetros que você
tinha, e aí você olhou o paciente depois que tirou o aparelho e
voltou com um overjet grande de novo, você sabe o que
aconteceu na sua classe 2? Não foi tratada. Ela não foi tratada. 
Como é que eu sei que uma classe 2 foi tratada? Eu tiro o elástico,
manipulo o paciente, relação cêntrica até chegar a mandíbula para
trás o máximo que der.
Ah, não. Mas não está chegando nada. 
Tá bom. Mas deixa ele quieto aí, vai vendo uma televisão, vê a
novela, daqui a pouco a gente manipula de novo. 
Eu tenho que ter certeza de que ele não está retraindo essa
mandíbula nada. Eu tenho que ter certeza de que não é postural.
E, mesmo assim, se eu quiser colocar uma contenção ativa
nesse paciente, o que é que eu vou usar? Um aparelho SN1 ou
então, qualquer aparelho que mantenha a postura mandibular dele
lá na frente.
18
Vamos falar de classe 3 agora... Recidiva da classe 3
principalmente acontece por conta da reeducação lingual.
Você pegou aquele paciente, você vai iniciar o tratamento dele e
aí você percebe que ele tem uma mandíbula grande, a língua está
posicionada na região inferior. E aí você trata esse classe 3, extrai
pré-molar inferior, ou então você de repente usa máscara facial,
você faz de tudo para enganar os dentes desse paciente. Se você
não reeducar a posição dessa língua que está posicionada, que
está posturada no arco inferior, você vai ter recidiva, ponto. 
Como que eu vou mudar a língua desse paciente? Talvez você
pergunte assim: Ô Hélio, eu vou encaminhar para a fonoaudióloga
para mudar a postura da língua?
 
É um bom auxílio, mas não tem nada melhor do que educar a língua
do paciente com um aparelho funcional. Aparelho funcional é o
poder para reeducar, para tirar a língua desse paciente da região
inferior. 
Outro detalhe muito importante.  No final do tratamento, você
vai colar esporões nos incisivos inferiores por igual? Vou colar
esporões nos incisivos inferiores. Agora, tudo depende da postura
da língua. Tem línguas que estão muito baixas, esse esporão, ele
não resolve nada.
Ô Hélio, como é que eu sei que a língua do meu paciente está
muito baixa?  Sabe aquele paciente que chega no seu
consultório, você vê um volume ósseo aqui na região apical dos
incisivos? Esse volume ósseo é mais ou menos assim, você vê
uma maxila, uma mandíbula com volume, e os incisivos inferiores
já estão lingualizados. É mais ou menos desse jeito aqui, olha, tá?
Significa que a língua está aqui embaixo.
19
Se você percebeu no início do tratamento que os incisivos estão
assim, diastemas e vestibularizados com a mordida cruzada
anterior, a língua deve estar aqui em cima, certo? Então, essa
língua pode estar muito baixa ou ela pode estar um pouco mais
alta. A língua alta, onde você vê os diastemas, inclinações dos
incisivos, essa língua, ela vai ser inibida ou ela vai ser incomodada
pelos esporões. Mas aquela língua baixa, ela não é incomodada
pelos esporões. Não se iluda, tá?
A única forma de melhorar a postura dessa língua seria sim
colocar um aparelho funcional, inclusive na Ortodontia Clínica
Essencial (OCE) nós temos uma aula da Flávia que fala sobre
ortopedia funcional. 
Tempo de contenção já falamos aqui. Contenção inferior, eu não
tiro. Quanto tempo o paciente vai no meu consultório? A vida
inteira. 
Contenção fixa superior, eu deixo pelo menos de 2 a 3 anos. Se eu
tenho depois que remover, eu coloco uma contenção de placa de
acetato, coloco uma placa de acetato de 1 milímetro se o
paciente não tiver parafunção. Mas eu acompanho esse paciente
a vida inteira, ou pelo menos eu tento acompanhar.
Ô Hélio, mas não é muito chato? 
Cara, ele está retornando ao seu consultório, ele está te pagando,
de seis em seis meses. Eu tratei clientes que tinham 15 anos de
idade, hoje a menina é mãe, ela já tem dois filhos com 10 anos de
idade e os dois estão tratando comigo, porque ela está sempre
lembrando de mim. 

20
Professor, você recomenda o uso do fio twist flex para
contenção? 
Eu uso twist flex para contenção inferior. Tem um fio que é muito
bom, que é o fio que chama penta-one. É muito bom, mas o twist
flex também não deixa muito a desejar, não. Eu estou dizendo isso
observando os meus pacientes a longo prazo, como eu falei. Volta
de seis em seis meses ou de oito em oito meses.
Quando coloca a contenção fixa no superior, você ainda faz a
contenção móvel? 
Nem sempre. Eu só faria contenção móvel no superior que está
usando contenção fixa se eu tivesse outros problemas que me
deixassem receoso de ter uma recidiva.
Mas vou dar exemplo, olha só: se eu fiz um tratamento onde eu fiz
expansão, eu preciso de uma contenção móvel. Aí eu colocaria, se
eu tinha apinhamento, eu colocaria a fixa lá na frente e a
removível para inibir a recidiva da expansão. Outra coisa também
é, por exemplo, nos pacientes que fizeram exodontia de pré-molar.
Vamos supor que o meu paciente fez exodontia de pré, fez a
retração, fechou o espaço. Eu tenho duas opções. Fazer uma
contenção fixa de pré a pré, que eu acho meio chatinho de fazer,
enjoado de fazer. Ou até poderia utilizar uma contenção fixa de
lateral a lateral, e a contenção removível para manter aqueles
dentes sem que aconteça abertura de espaço na distal do canino.
Lembrando que essa contenção removível tem que ser a
contenção com arco vestibular contínuo passando na distal dos
molares.

21
Professor, o senhor faz contenção fixa inferior de pré a pré? 
Eu às vezes faço de pré a pré quando eu fiz exodontia de pré
inferior. Mas olha, eu tenho uma birra de fazer contenção até o
pré-molar, eu acho chato para caramba, mas tem hora que tem
que fazer, não tem outro jeito. 
Você usa twist flex superior e aço? 
Ah, é uma boa pergunta. Twist flex inferior, o mais espesso, eu não
me lembro agora se é... o mais grosso dos twist flex, o mais
espesso. E do arco superior, contenção higiênica, você pode fazer
com fio 0,6, que eu acho muito grosso, às vezes eu não gosto
muito de fazer com 0,6, talvez com 0,5 fique mais confortável. E
já fiz até com fio 0,20, lembrando: gente, cuidado com as
contenções higiênicas. Já deve ter acontecido no consultório de
vocês a abertura de diastemas no paciente usando contenção
higiênica. Já deve ter acontecido.
Por que é que acontece isso? 
O protético, ele pega um fio reto ou então um fio do rolo. Aí ele
pega e faz aquelas dobrinhas da contenção higiênica e ele manda
para nós. O que é que acontece com um fio que era reto e você fez
um monte de dobra? O que é que ele quer fazer? Ele quer voltar a
ser reto. 
Aí você coloca aquela contenção cheia de dobrinha, cola nos
dentes. Aquela dobrinha que era assim, daqui a 15 dias ela está
assim, aí ela abriu um diastema nos seus incisivos. 
Como é que você tem que fazer? 

22
Ou você recebe essa contenção do protético e deixa para instalar
ela só daqui a uns 20 dias, que aí já deu tempo de ela, da
contenção, do fio recidivar, ou então você faz um revenido na sua
contenção higiênica, você passa, faz o revenido. É isso aí, faz um
revenido porque aí essa contenção higiênica não vai abrir os
espaços. 
Qual a espessura ideal para o fio da contenção fixa? 
Contenção fixa inferior, a espessura é 0,6 se for fazer ela
contínua com fio de aço, colada só nos caninos. Se for fazer com
twist flex, veja na dental qual é o twist flex que é o fio mais
espesso, e no superior você pode fazer com 0,6. Prefiro com fio
mais delgado do 0,6. O 0,5 ou quem sabe até um fio 20 de aço.
Paciente classe 3, mordida aberta. Qual contenção usar?
 
Vamos pensar o seguinte, como é que você tratou a sua classe 3?
Você fez a retração dos incisivos inferiores extraindo prés? Você
vai ter que fazer contenção fixa. 
Esse incisivo inferior, ele tinha diastemas? Você vai ter que por
esporão porque se ele tinha diastemas é porque a língua estava
ali. 
Se a língua estava mais baixa, aí você vai ter que reeducar a língua
para a parte de cima.
Se você fechou a mordida aberta com intrusão de dentes
posteriores, que no classe 3 não é uma boa, você vai ter que fazer
um levante posterior em uma placa de acrílico, uma Placa de
Hawley.
23
Então, tudo depende. Não daria para eu falar para você assim, para
um classe 3 faça isso, porque depende. Perceberam que a
contenção precisa ser planejada? Parece loucura, mas precisa de
planejamento. 
O fio da Reliance você usa? Onde comprar? 
Poxa vida, cara, eu não uso. E faz tanto tempo que eu não uso, eu
não sei nem onde eu comprar. Essa eu não consigo responder. 
Os attachments faz para o vestibular? Ou pode ser feito por
palatino? 
Para o vestibular, principalmente no superior. Para o palatino,
talvez para o palatino pudesse ser feito próximo da cervical, não é
uma má ideia, não. Mas às vezes que eu fiz, eu fiz por vestibular.
Vou testar essa dica aí, olha como é que a gente aprende. 
Por que contenção de acetato e não Hawley? 
Devido à facilidade e à economia, talvez. E também pela precisão
do movimento. Vamos pensar, vamos imaginar o seguinte. Você
faz uma contenção de Hawley superior, eu tenho que para moldar,
mandar para um protético, eu tenho a despesa com o protético e
essa contenção de Hawley, se ela não for muito bem-feita, vai
recidivar.
E o que é que é muito bem-feita? O contorno do acrílico pela face
palatina dos dentes tem que ser um contorno perfeito. O fio por
vestibular, imagina que você tinha laterais que estavam
vestibularizados. Esses laterais que estavam vestibularizados, se
o fio não passar tocando neles, eles vão vestibularizar. Já viram
que o protético às vezes manda aquele fio vestibular um
pouquinho distante, e um pouquinho que recidiva o paciente
reclama.
24
Então, no caso do acetato não tem erro, você encaixou o acetato,
ele vestiu sobre todos os dentes. Então, a recidiva é muito menor,
mas lembrando que o acetato, você não usa no paciente que tem
parafunção. Perguntaram aqui, acabei de ver uma pergunta aqui. 
Qual é a espessura do acetato? 
Eu posso fazer de 1 milímetro. Só para dormir, aí eu uso só para
dormir. 
Mas o uso do acetato não faz perder a intercuspidação por
recobrir a oclusal? 
Perfeito. Se você precisa de uma intercuspidação pela extrusão
dentária, pela mastigação, não use acetato. E vou dizer outra
coisa, vou ser muito honesto com você. Eu prefiro usar uma
contenção de Hawley pensando nessa intercuspidação, no
refinamento da oclusão, do que usar uma contenção de acetato.
Resumindo, existe contenção perfeita?
Não. Não existe. A contenção de acetato é melhor para manter a
precisão do alinhamento e nivelamento? É melhor. Mas e a
intercuspidação? Não é melhor do que a de Hawley, não é melhor. 
Então, veja o seguinte. Se eu conseguir terminar o meu
tratamento muito bem intercuspidado, eu posso usar uma
contenção de acetato? Posso.

25
MARATONA DA
ORTODONTIA ESSENCIAL
Você acha que trabalhar todo dia vai te dar o
resultado que você quer?
Muitas vezes falta um caminho, e eu vou mostra-
lo em uma série de 04 episódios onde eu explico
como Trabalhar com Segurança, Simplificando o
Planejamento, a Mecânica e a Finalização, para
tratar seus casos com Menos Esforço e Muito
Mais Resultado.
Clique para se inscrever gratuitamente!
WWW.HELIOVENANCIO.COM.BR

Você também pode gostar