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CENTRO UNIVERSITÁRIO CESMAC

IGOR DE SOUZA LEÃO RODRIGUES LINS DA SILVA


JOÃO VICTOR SANTOS PEREIRA

PLANEJAMENTO COMO FERRAMENTA BÁSICA


PARA TOMADA DE DECISÃO NA ESCOLHA ENTRE OS
CONCRETOS USINADO E RODADO EM OBRA

MACEIÓ-AL
2018/1
CENTRO UNIVERSITÁRIO CESMAC

IGOR DE SOUZA LEÃO RODRIGUES LINS DA SILVA


JOÃO VICTOR SANTOS PEREIRA

PLANEJAMENTO COMO FERRAMENTA BÁSICA


PARA TOMADA DE DECISÃO NA ESCOLHA ENTRE OS
CONCRETOS USINADO E RODADO EM OBRA

Trabalho de conclusão de curso apresentado como


requisito final, para conclusão do curso de
Engenharia Civil, Cesmac, sob a orientação da
professora Ma. Roseneide Honorato dos Santos.

MACEIÓ-AL
2018/1
REDE DE BIBLIOTECAS CESMAC

Silva, Igor de Souza Leão Rodrigues Lins da


S586p Planejamento como ferramenta básica na escolha entre
os concretos usinados e rodado em obra / Igor de Souza
Leão Rodrigues
Lins da Silva, João Victor Santos Pereira . -- Maceió: 2018

56 f.: il.

TCC (Graduação em Engenharia civil) - Centro


Universitário CESMAC, Maceió - AL, 2018.
Orientadora: Roseneide Honorato dos Santos

1. Concreto usinado. 2. Concreto in loco. 3.


Planejamento. I. Santos, Roseneide Honorato. II.
Título.
CDU: 666.97

Evandro Santos Cavalcante

Bibliotecário CRB-4/1700
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO..............................................................................................5
1.1 Problema...................................................................................................6
1.2 Objetivos...................................................................................................6
1.2.1 Objetivo Geral.........................................................................................6
1.2.2 Objetivos Específicos..............................................................................7
1.3 Justificativa...............................................................................................7
1.4 Descrição dos capítulos..........................................................................7
2 REFERENCIAL TEÓRICO...........................................................................9
2.1 Conceituação de concreto......................................................................9
2.2 Materiais para o concreto.......................................................................10
2.2.1 Cimento................................................................................................. 10
2.2.2 Areia e pedra..........................................................................................12
2.2.3 Água.......................................................................................................13
2.3 Propriedades do concreto fresco..........................................................13
2.3.1 Mistura....................................................................................................13
2.3.2 Transporte..............................................................................................14
2.3.3 Lançamento............................................................................................15
2.3.4 Adensamento..........................................................................................15
2.3.5 Cura........................................................................................................16
2.4 Propriedades do concreto endurecido..................................................16
2.4.1 Resistência à tração simples..................................................................17
2.4.2 Resistência à compressão......................................................................18
2.4.3 Flexão à fadiga.......................................................................................19
2.5 As deformações do concreto.................................................................20
2.5.1 Volume....................................................................................................20
2.5.2Retração por Secagem e Fluência..........................................................20
2.6 Concreto rodado emobra........................................................................21
2.6.1 Benefícios...............................................................................................23
2.6.2 Desvantagens.........................................................................................24
2.7 Concreto usinado....................................................................................24
2.7.1 Vantagens sobre o concreto usinado.....................................................25
2.7.2 Outros motivos para utilização do concreto industrializado...................26
2.8 Prevenções à serem tomadas................................................................27
2.9 Planejamento...........................................................................................28
2.9.1 Importância do planejamento na construção civil..................................29
2.10 Planejamento na concretagem............................................................30
2.10.1 Procedimento preliminar......................................................................31
2.10.2 Transporte............................................................................................31
2.10.3 Lançamento..........................................................................................32
2.10.4 Cura......................................................................................................33
3 METODOLOGIA...........................................................................................34
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES.................................................................36
4.1 Dados........................................................................................................36
4.2 Estudo de custos.....................................................................................39
4.2.1 Custo para o concreto produzido no canteiro de obras..........................40
4.2.2 Custo para o concreto usinado...............................................................41
4.2.3 Análise dos custos..................................................................................42
4.3 Questionários...........................................................................................43
4.3.1 Questionário com o Engenheiro 1..........................................................43
4.3.2 Questionário com o Engenheiro 2..........................................................45
4.4 Estudo do questionário...........................................................................45
5 CONCLUSÃO...............................................................................................47
REFERÊNCIAS...............................................................................................48
5

1 INTRODUÇÃO

Com relação a tamanha importância desse produto são nos detalhes que
se deve ter mais atenção, tendo como base a questão financeira, produtiva e
qualitativa do concreto.
Deve pôr ser uma dúvida frequente em construtoras na qual a decisão a ser
tomada, de que tipo de concreto você vai querer trabalhar, e qual será a mais
econômica para o orçamento da obra, para obter a maior facilidade, rapidez e
produtividade na obra, é necessário ter esse conhecimento, para que essa decisão
seja tomada de maneira correta e eficiente, sem causar problemas no decorrer da
construção.
Com o propósito de abranger e tentar esclarecer esse produto que desperta
curiosidade para muitas pessoas, que há uma diferença nesses dois tipos, seja
usinado ou o feito convencional para se precaver e não ter dificuldades quando o
assunto for concreto na obra.
O concreto virado compreende o concreto preparado por serventes na obra,
este procedimento é considerado superficial, expondo assim, uma baixa precisão na
exatidão de cálculos, ou seja, traços a serem utilizados coerentemente, baixando
assim, sua qualidade. Ultimamente o fato de utilizar concreto, feito no canteiro de
obra, é uma possibilidade analisada criteriosamente, que muitas das vezes é
denominada, inviável, devido a diversos fatores como: à questão da limpeza no
canteiro de obra, o espaço disponível para que seja realizado esse procedimento, o
gasto maior de água, energia elétrica, dentre outros fatos que podem causar à perda
de qualidade, ao concluir o processo final do concreto. (Cadernos de Graduação -
Ciências Exatas e Tecnológicas, 2013)

Este também nem se compara ao concreto usinado, com alto


desenvolvimento tecnológico na produção, podendo assim, avaliar o controle de
qualidade. As análises mostram como melhor alternativa para obra a utilização do
concreto usinado, tendo em vista, a agilidade na aplicação do produto, menor custo
do valor homem/hora aplicado durante a operação com a garantia da qualidade e
dos requisitos exigidos pelas normas atualmente em vigor. (Cadernos de Graduação
- Ciências Exatas e Tecnológicas, 2013)
6

1.1 Problema

O concreto sendo um dos materiais mais importantes das estruturas de obras


civis, tendo sua utilização desde obras de grande porte (construção de pontes,
abertura de tuneis, obras marítimas) como em obras pequenas como pequenos pré-
moldados.

A construção civil atualmente sofre dificuldades por não ter um método


estabelecido para a escolha entre qual concreto utilizar, diante disso fica a escolha
de cada construtor o tipo de concreto que irá usar para seu serviço.

Para muitas empresas, existe apenas a escolha do concreto mais prático,


porém não o mais viável para cada tipo de serviço, necessitando uma margem para
comparação que nos possibilitará uma escolha baseada em vantagens sejam elas
econômicas, custo-benefício ou tempo.

Pelo planejamento ser uma etapa não-regular e sujeita a alterações, muitas


construtoras optam por não seguir rigorosamente e por fim acabam prejudicando o
cronograma da obra, com isso havendo prejuízo para si próprio, e o planejamento é
essencial para as etapas de concretagem nas obras.

Evitar esses problemas pode ser se suma importância para poupar gastos
futuros em questões pós-obra e garantir o lucro das construtoras tendo em vista o
cenário atual da construção civil no pais.

1.2 Objetivos

1.2.1 Objetivo Geral

Desenvolver uma comparação, através de estudos e pesquisas, para exaltar


a diferença do concreto usinado e o concreto convencional, levando em
consideração seus aspectos de tempo, economia e mão de obra. Para obter a
7

melhor escolha dos produtos, e mostrando a diferença de cada na utilização na


obra.

1.2.2 Objetivos Específicos:

• Desenvolver um estudo entre os dois tipos de concreto, com fins de contribuir


com o campo acadêmico;

• Comparar o concreto usinado com o concreto rodado em obra com fins de


elencar os diferenciais característicos de ambos;

• Identificar fatores que influenciam sobre a escolha do concreto;

• Coletar dados no canteiro de obras para obter informações para a


comparação dos concretos.

1.3 Justificativa

Para obter uma boa escolha para um melhor custo-beneficio entre os


concretos usinados e rodados in loco, pode-se usar o planejamento como uma
ferramenta que nos mostre comparações para uma decisão eficaz.
Dentro desse cenário, um modelo de como pode ser feito esse planejamento
torna-se primordial para que esse tipo de decisão seja possibilitada de oferecer uma
maior vantagem para o construtor.

1.4 Descrição de capitulos

O presente trabalho foi desenvolvido e organizado em capítulos. Segue-se um


breve resumo do conteúdo de cada um deles, o segundo capitulo compreende, uma
revisão da literatura pertinente ao planejamento viável na escolha dos concretos.
Nele são citados estudos sobre o tema específico, assim como estudos sobre
assuntos correlatos.
8

O capítulo 3 descreve, o metodo que usamos para a obtenção dos dados e


como utilizamos nossos dados para nos proporcionar comparações, o capitulo 4 foi
focado em nossa coleta de dados e apresenta diagnosticos de engenheiros que
foram questionados sobre o tema, e apresentação dos resultados relacionando
preço/tempo e O quinto capítulo é apresentado a conclusão final do trabalho.
9

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 Conceituação do concreto

Concreto é o resultado da mistura de cimento, água, pedra e areia, sendo que


o cimento ao ser hidratado pela água, forma uma pasta resistente e aderente aos
fragmentos agregados (pedra e areia), formando um bloco monolítico. (PORTAL DO
CONCRETO, 2016)

Figura 1 – Componentes para fabricação do concreto

Fonte: Portal da construção civil, 2015

No preparo do concreto, um ponto de atenção é o cuidado que se deve ter


com a qualidade e a quantidade da água utilizada, pois ela é a responsável por
ativar a reação química que transforma o cimento em uma pasta aglomerante. Se
sua quantidade for muito pequena, a reação não ocorrerá por completo e se for
superior a ideal, a resistência diminuirá em função dos poros que ocorrerão quando
este excesso evaporar. (PORTAL DO CONCRETO, 2016)

Para fins de obter um concreto de resistência alta, constante e que passe


pelos testes submetidos, é importante que sua dosagem venha a ser da maneira
mais precisa possível. As alterações na dosagem do concreto podem causar uma
drástica mudança na resistência final do material.

O concreto deve ter uma boa distribuição granulométrica a fim de preencher


todos os vazios, pois a porosidade por sua vez tem influência na permeabilidade e
na resistência das estruturas de concreto. (P PORTAL DO CONCRETO, 2016)

A proporção entre todos os materiais que fazem parte do concreto é também


conhecida por dosagem ou traço, sendo que pode obter concreto com
características especiais, ao acrescentar à mistura, aditivos, isopor, pigmentos,
10

fibras ou outros tipos de adições. Cada material a ser utilizado na dosagem deve ser
analisado previamente em laboratório (conforme normas da ABNT), a fim de verificar
a qualidade e para se obter os dados necessários à elaboração do traço (massa
específica, granulometria, etc.). (PORTAL DO CONCRETO, 2016)

Segundo o ACI 211(1990), American Concrete Institute (Instituto Americano


de Concreto), o concreto estrutural leve é um concreto estrutural em todos os
sentidos. Visando a redução do custo total, o concreto é feito com agregados leves,
sendo seu peso específico aproximadamente igual a dois terços do peso específico
do concreto feito com agregado normal. Desde que o objetivo primordial seja o baixo
peso, as especificações limitam o peso específico máximo permissível do concreto,
exigindo também uma resistência à compressão mínima aos 28 dias, para assegurar
a qualidade estrutural do concreto leve.

2.2 Materiais para o concreto

2.2.1 Cimento
É um pó fino acinzentado com propriedades aglomerantes, isto é, quando
misturado com água vira uma pasta que funciona como “cola”, envolvendo os outros
materiais do concreto, que são a areia e a pedra. Depois de endurecido, torna todo o
conjunto resistente, que é o concreto. É o cimento que faz do concreto um material
estrutural. Por isso é o mais importante e o mais caro dos ingredientes do concreto.
(Portal da Construção Civil, 2009)

Após a invenção do cimento, teve-se uma revolução na engenharia civil, pois


foi descoberto um dos principais componentes para a construção civil atual.
Surgiram estudos para o aprofundamento sobre as estruturas resultando no
concreto que conhecemos atualmente.

O cimento endurece após misturado com a água, o que se chama hidratação.


Cimento hidratado é portanto, cimento “molhado”. (Portal da Construção Civil, 2009)

Depois de endurecido, mesmo que seja novamente submetido à ação da


água, o cimento não se decompõe mais. Isto traz outra grande vantagem para o uso
11

do concreto, pois é um material excelente para obras executadas sob a água, como
pontes e hidroelétricas, por exemplo. (Portal da Construção Civil, 2009)

O cimento é fabricado a partir de dois ingredientes que existem na natureza: o


calcário, que é uma rocha, e a argila, que é um tipo de solo. Tanto o calcário quanto
a argila existem em abundância no Brasil. Eles são misturados e colocados num
forno, a uma temperatura muito alta (aproximadamente 1500° C). O produto que sai
do forno chama-se clinquer, que tem a aparência de pedras escurecidas. Depois de
resfriado o clinquer é moído resultando num pó, que é o cimento. Na fase de
moagem adiciona-se gesso para regular o que se chama tempo de pega do cimento.
(Portal da Construção Civil, 2009)

Há, porém, vários tipos de cimento Portland. Os mais utilizados no Brasil são:
o cimento portland comum (denominado pela norma brasileira CP I) e o cimento
portland composto, denominado pela norma brasileira CP II. A diferença entre os
diversos tipos é a colocação de produtos que alteram algumas propriedades do
cimento. Por exemplo: há um tipo de cimento chamado cimento de alto forno
(denominado pela norma brasileira CP III) que é um cimento fabricado com clinquer
mais escória de alto forno, que é um resíduo siderúrgico que vem da produção do
aço. Isso faz aumentar a durabilidade do cimento, o que pode ser importante
dependendo do tipo de obra. Outro tipo de cimento é o cimento branco (chamado
pela norma CP B) que é utilizado para rejunte de azulejos. (Portal da Construção
Civil, 2009)

Todos os tipos de cimento comercializados no Brasil devem obedecer a


norma brasileira e serem certificados (aprovados) pela Associação Brasileira de
Cimento Portland – ABCP. A importação é permitida desde que o cimento seja
certificado. Praticamente não há importação. O Brasil tem capacidade para produzir
mais do que consome, embora não seja exportador. (Portal da Construção Civil,
2009)
12

2.2.2 Areia e Pedra

Segundo Neville (1997), O lado econômico não é a única razão de seu uso, já
que o agregado confere vantagens técnicas consideráveis ao concreto, que passa a
ter maior estabilidade dimensional e melhor durabilidade do que a pasta de cimento
pura”. Os agregados são considerados inertes por não possuir propriedades
ligantes, porém o uso de materiais contaminados ou com características
mineralógicas inadequadas podem acarretar uma série de condições desfavoráveis
ao concreto estrutural, causando patologias e o colapso da estrutura. Com intuito de
garantir a qualidade do concreto estrutural e obter economia na sua produção, deve
conhecer os seus materiais constituintes e suas influências nas propriedades do
concreto fresco e endurecido.

Os agregados são classificados de acordo com o tamanho dos grãos: podem


ser agregados miúdos (grãos pequenos), como as areias, e os graúdos, que são as
pedras ou britas, com grãos maiores. Dentro desses dois tipos há ainda uma
classificação mais detalhada de acordo com o tamanho, conforme será visto a
seguir. (PORTAL DA CONSTRUÇÃO CIVIL, 2009)

Os agregados podem ser obtidos diretamente da natureza, como por


exemplo, as areias, em leitos de rio. Os graúdos, que são as pedras, são obtidos
normalmente pela quebra de rochas, que se chama britagem. Daí o nome de britas,
para caracterizar as pedras que são usadas no concreto. (PORTAL DA
CONSTRUÇÃO CIVIL, 2009)

As funções dos agregados (areia e brita) no concreto são:

• Reduzir o custo do concreto, uma vez que os agregados aumentam o volume


da massa de concreto, sem perda de resistência, e são mais baratos que o
cimento;
• Aumentar a resistência da superfície do concreto quanto ao desgaste e
intempéries (chuva e sol por exemplo);
• Fazer diminuir as variações de volume do concreto durante sua cura, ou
processo de endurecimento, que será visto adiante;
13

• Ajudar a aumentar ou diminuir a densidade, ou o peso do concreto, em


situações em que isso se faz necessário.
O concreto estrutural leve, conter somente agregado leve, ou, por diversas
razões, uma combinação de agregados leves e agregados normais. Com o objetivo
de melhorar o seu desempenho e outras propriedades, é bastante utilizado, na
prática, usar areia comum como agregado miúdo e limitar o tamanho nominal
máximo do agregado leve a 19 mm. (PORTAL DA CONSTRUÇÃO CIVIL, 2009)

2.2.3 Água

A água a ser utilizada no concreto deve ser limpa – sem barro, óleo, galhos,
folhas e raízes. Pode-se até dizer que água boa para o concreto é água de beber. A
água fornecida pela rede pública por exemplo (água de torneira) pode ser usada
com toda a segurança. (PORTAL DA CONSTRUÇÃO CIVIL, 2009)

O Uso de águas impuras ou agressivas, podem comprometer seriamente a


qualidade do concreto e a segurança da obra, podendo causar até o seu
desabamento. Havendo dúvidas sobre a qualidade da água, devem ser feitas
análises em laboratórios apropriados para saber se pode ou não ser utilizada para o
concreto. (PORTAL DA CONSTRUÇÃO CIVIL, 2009)

2.3 Propriedades do Concreto fresco:

Segundo Bauer (2000), o concreto fresco apresenta as seguintes


propriedades:

2.3.1 Mistura

Mistura é a operação de produção de concreto onde o principal objetivo é


obter um conjunto homogêneo resultante do agrupamento interno dos agregados,
aglomerantes, aditivos e água. A mistura pode ser feita manualmente que só é
aplicado para pequenos volumes de concreto ou em obras de pequeno porte, deverá
ser realizado sobre uma superfície plana, impermeável e resistente misturando
14

primeiramente os agregados e o cimento até obter uma mistura homogênea,


adicionando depois a água aos poucos até atingir a quantidade previamente definida
e uma mistura homogenia. (BAUER,2000)

Após o termino da mistura dos componentes do concreto até que resulte em


uma pasta homogênea onde se encontrará no começo do estado da pega que ao
passar do tempo se tornara um concreto endurecido quando chegar no final da
pega.

A mistura também pode ser mecânica usando máquinas especiais,


constituídas de um tambor ou cuba, fixa ou móvel em torno de um eixo vertical,
horizontal ou inclinada. Segundo a NBR 6118, que trata de projeto de estrutura de
concreto, o amassamento mecânico em canteiro deve durar, sem interrupção, o
tempo necessário para permitir a homogeneização da mistura de todos os
elementos, inclusive eventuais aditivos. O referido tempo aumenta com o volume
dos componentes do concreto e será tanto maior quanto mais seco for o mesmo.
(BAUER,2000)

2.3.2 Transporte

O transporte do concreto do seu local de fabricação até o seu local de


aplicação depende do tipo, da localização e volume da obra e muitas vezes é ela
quem define a trabalhabilidade que o concreto deve possuir. Por ser um material
constituído por materiais heterogêneos em dimensões, peso e densidade, o concreto
é facilmente segregado. Por isso o maior cuidado que se deve ter durante o seu
transporte é o de evitar a segregação do mesmo através do lançamento direto nas
formas evitando-se depósitos intermediários e evitando que o transporte demore
muito tempo evitando-se assim que o concreto perca a trabalhabilidade ou seque.
(BAUER,2000)

O transporte pode ser feito na horizontal com carinho de mão, carro de duas
rodas, pequenos veículos motorizados, caminhões agitadores e vagonetas sobre
trilhos. Pode ser inclinado por meio de calhas e chicanas ou tapetes rolantes. Na
15

vertical o transporte pode ser feito com o uso de guinchos, guindastes equipados
com caçambas de descarga pelo fundo, de manobra ou mecanicamente comandada
por sistema elétrico ou ar comprimido. Outro modo de transporte bastante utilizado
em obras de médio e grande porte é o bombeamento por ser um método bastante
flexível e muito rápido (30 a 60 m³/h). O diâmetro interno dos tubos deve ser no
mínimo de 3 vezes o diâmetro máximo dos agregados. (BAUER,2000)

2.3.3 Lançamento

É a colocação do concreto nas formas ou local de aplicação que é dividido


em três etapas sendo o primeiro a preparação da superfície para receber o concreto,
a colocação do material transportado no local de aplicação e finalmente, a maneira
como deve ficar depositado, de modo a receber a compactação. Não é permitido
que o concreto passe mais de uma hora entre o fim do amassamento e o
lançamento do mesmo, a não ser que se use um aditivo retardador de pega e
endurecimento. A altura de queda livre não deve ultrapassar 2 metros para evitar a
segregação do concreto. (BAUER,2000)

2.3.4 Adensamento

É o processo de compactação do concreto através de processos manuais ou


mecânicos, que provocam a saída do ar, facilitando o arranjo interno dos agregados
e melhorando o contato do concreto com as formas e as ferragens. O adensamento
pode ser manual recomendado para concreto plástico e com espessura máxima de
20 centímetros, essa compactação só deve parar quando aparecer na camada
superficial do concreto uma camada lisa de cimento e elementos finos de concreto.
O adensamento pode também ser por processos mecânicos onde na maioria dos
casos se usa vibradores de agulha que são imersos na massa de concreto
espalhando-o. A agulha é uma peça metálica que é fixada na extremidade de uma
mangueira flexível dentro da qual gira um eixo ligado a uma ponteira de aço dentro
da agulha que sendo excêntrica bate nas paredes da mesma provocando a
vibração. Os vibradores têm um raio de ação, ou seja, ele só provoca o
16

adensamento com eficiência se agir em camadas subsequentes e adjacentes.


(BAUER,2000)

2.3.5 Cura

Uma prática muito importante na execução de qualquer elemento de


concreto, que nem sempre recebe a devida atenção, é a cura. A cura do concreto é
um conjunto de medidas que têm por objetivo evitar a evaporação da água utilizada
na sua mistura e que deverá reagir com o cimento, hidratando-o. Todas as
qualidades desejáveis do concreto como a resistência mecânica à ruptura e ao
desgaste, impermeabilidade e resistência a ataques de agentes agressivos são
extremamente favorecidas e até mesmo somente conseguidas através de uma boa
cura. (BAUER,2000)

Com o objetivo de evitar a evaporação da referida água pode proceder das


seguintes formas: irrigação ou aspersão de água sobre o concreto fresco em
intervalos frequentes, submersão, recobrimento com areia, terra e sacos de aniagem
rompidos, conservação de formas, impermeabilização por pinturas, aplicação de
cloreto de cálcio ou ainda a aplicação de membranas de cura. (BAUER,2000)

2.4 Propriedades do Concreto endurecido:

Basicamente, o concreto endurecido deve apresentar resistência mecânica e


durabilidade compatíveis com as condições do projeto e ao ambiente ao qual a
estrutura fica exposta. Como obter a resistência desejada? Para obter a resistência
especificada no projeto estrutural, vários fatores devem ser considerados:

• Para a dosagem do concreto, é importante ter a especificação da relação


água / cimento, as características dos agregados e a especificação do
cimento.
• Durante a execução, devem ser tomados cuidados no recebimento,
transporte, lançamento, adensamento e cura.
17

É o valor da resistência abaixo do qual é esperada a probabilidade de 5% de


todas as medições possíveis da resistência especificada. Para o concreto, admite-se
a distribuição normal de Gauss para as resistências mecânicas. O concreto de uma
estrutura deve ser especificado através de sua resistência característica à
compressão (fck), estimada pela moldagem e ensaios de corpos de prova cilíndricos
aos 28 dias de idade. (Comunidade da Construção,2016)

2.4.1 Resistência à tração simples

Os conceitos relativos à resistência do concreto à tração direta, fct, são


análogos aos expostos no item anterior, para a resistência à compressão. Portanto,
tem-se a resistência média do concreto à tração, fctm, valor obtido da média
aritmética dos resultados, e a resistência característica do concreto à tração, fctk ou
simplesmente ftk, valor da resistência que tem 5% de probabilidade de não ser
alcançado pelos resultados de um lote de concreto. A diferença no estudo da tração
encontra-se nos tipos de ensaio. Há três normalizados: tração direta, compressão
diametral e tração na flexão.

• Ensaio de tração direta neste ensaio, considerado o de referência, a


resistência à tração direta, fct, é determinada aplicando-se tração axial, até a
ruptura, em corpos de prova de concreto simples.
• É o ensaio mais utilizado, por ser mais simples de ser executado e utilizar o
mesmo corpo de prova cilíndrico do ensaio de compressão. Para a sua
realização, o corpo de prova cilíndrico é colocado com o eixo horizontal entre os
pratos da máquina de ensaio, e o contato entre o corpo de prova e os pratos
deve ocorrer somente ao longo de duas geratrizes, onde são colocadas tiras
padronizadas de madeira, diametralmente opostas, sendo aplicada uma força até
a ruptura do concreto por fendilhamento, devido à tração indireta
• Ensaio de tração na flexão, para a realização deste ensaio, um corpo de
prova de seção prismática é submetido à flexão, com carregamentos em duas
seções simétricas, até à ruptura (PINHEIRO, Libânio M. 2007)
18

2.4.2 Resistência à compressão

A resistência à compressão simples, denominada fc, é a característica


mecânica mais importante. Para estimá-la em um lote de concreto, são moldados e
preparados corpos de prova segundo a NBR 5738 que trata de moldagem e cura de
corpos-de-prova cilíndricos ou prismáticos de concreto, os quais são ensaiados de
acordo com a NBR 5739 que trata de concreto – ensaio de compressão de corpos-
de-prova cilíndricos. O corpo de prova padrão brasileiro é o cilíndrico, com 15 cm de
diâmetro e 30 cm de altura, e a idade de referência é 28 dias. Após ensaio de um
número muito grande de corpos de prova, pode ser feito um gráfico com os valores
obtidos de fc versus a quantidade de corpos de prova relativos a determinado valor
de fc, também denominada densidade de frequência. A curva encontrada denomina-
se Curva Estatística de Gauss ou Curva de Distribuição Normal para a resistência do
concreto à compressão. (PINHEIRO, Libânio M. 2007)

Na curva de Gauss encontram-se dois valores de fundamental importância:


resistência média do concreto à compressão, fcm, e resistência característica do
concreto à compressão, fck. O valor fcm é a média aritmética dos valores de fc para
o conjunto de corpos de prova ensaiados, e é utilizado na determinação da
resistência característica, fck, por meio da fórmula: fck = fcm −1,65s O desvio padrão
s corresponde à distância entre a abscissa de fcm e a do ponto de inflexão da curva
(ponto em que ela muda de concavidade). O valor 1,65 corresponde ao quantil de 5
%, ou seja, apenas 5 % dos corpos de prova possuem fc  fck, ou, ainda, 95 % dos
corpos de prova possuem fc  fck. Portanto, pode-se definir fck como sendo o valor
da resistência que tem 5 % de probabilidade de não ser alcançado, em ensaios de
corpos de prova de um determinado lote de concreto. (PINHEIRO, Libânio M. 2007)

Como será visto posteriormente, a NBR 8953 que trata de concreto para fins
estruturais, define as classes de resistência em função de fck. Concreto classe C30,
por exemplo, corresponde a um concreto com fck = 30 MPa. Nas obras, devido ao
pequeno número de corpos de prova ensaiados, calcula-se fck,est, valor estimado
da resistência característica do concreto à compressão. (PINHEIRO, Libânio M.
2007)
19

2.4.3 Flexão à fadiga

Avalia a resistência do concreto quando submetido a ação de cargas


repetidas. A capacidade do concreto em resistir aos esforços de tração por flexão se
reduz à medida que aumenta o número de vezes que a carga atua. Dessa forma, a
consideração dessa característica no projeto é extremamente importante,
principalmente quando a estrutura receberá ações repetidas de cargas. O controle
da resistência à compressão do concreto permite avaliar se o que está sendo
produzido corresponde ao que foi especificado no dimensionamento da estrutura.
Durante a retirada da amostragem para o ensaio de resistência, utilize o concreto
situado no terço médio do caminhão, ou seja, não permita que a amostra seja
retirada nem no princípio nem no final da descarga da betoneira. O ensaio de
resistência à tração por flexão é muito empregado para o controle de qualidade de
pavimentos de concreto. (COMUNIDADE DA CONSTRUÇÃO,2016)

Na figura a seguir podemos identificar fatores que influenciam na resistência


mecânica do concreto. Toda variável pode vim a degradar a resistência do concreto
tornando-o mais suscetível ao colapso.

Figura 2 – Fatores que influenciam na resistência do concreto

Fonte: B. Maycon, 2013


20

2.5 As deformações do concreto

2.5.1 Volume
As variações de volume do concreto podem ser oriundas de diversos fatores:

• Higrométricas - ocorrem devido à variação do teor de água e independe de


causas externas.
• Químicas - retrações resultantes das reações químicas provocadas durante o
processo de endurecimento do concreto.
• Térmicas - variações volumétricas ocasionadas pelo gradiente de
temperatura.
• Mecânicas - ocasionadas pela ação de cargas.

2.5.2 Retração por Secagem e Fluência


Segundo PINHEIRO (2007), retração por Secagem e Fluência Denomina-se
retração a redução de volume que ocorre no concreto, mesmo na ausência de
tensões mecânicas e de variações de temperatura. A retração por secagem é a
deformação associada à perda de umidade. A fluência é o fenômeno do aumento
gradual da deformação ao longo do tempo, sob um dado nível de tensão constante.
No caso de muitas estruturas reais, a fluência e a retração ocorrem ao mesmo
tempo. Assim, por uma série de motivos, é pertinente discutir os fenômenos de
retração por secagem e de fluência conjuntamente, considerando os aspectos:

• Primeiro: Tanto a retração por secagem quanto a fluência têm a mesma


origem, ou seja, a pasta de cimento hidratado;

• Segundo: As curvas deformação versus tempo são muito semelhantes;

• Terceiro: Os fatores que influenciam a retração por secagem também


normalmente influenciam a fluência, da mesma forma;

• Quarto: No concreto a microdeformação de cada fenômeno é significativa e


não pode ser ignorada em projetos estruturais;

• Quinto: Tanto a retração por secagem quanto a fluência são parcialmente


reversíveis.
21

Presume-se que tanto as deformações de retração por secagem quanto as de


fluência sejam relativas, principalmente, à remoção da água adsorvida da pasta de
cimento hidratada. A diferença é que, em um caso, a umidade diferencial relativa
entre o concreto e o ambiente é a força motriz, enquanto, no outro, é a tensão
constante aplicada. As causas da fluência no concreto são mais complexas. Além
dos movimentos de umidade, há outras causas que contribuem para a fluência,
principalmente a microfissuração da zona de transição e a resposta elástica
retardada no agregado. (PINHEIRO, Libânio M. 2007)

Além da retração por secagem, também denominada de retração capilar, que


ocorre por evaporação parcial da água capilar e perda da água adsorvida, gerando
tensão superficial e fluxo de água nos capilares que provocam a retração, há
também a retração química, que é a contração da água não evaporável, durante as
reações de hidratação do cimento. (PINHEIRO, Libânio M. 2007)

A retração por carbonatação também pode ser considerada uma retração


química. Entretanto, ocorre pela reação de um produto do cimento já hidratado, o
hidróxido de cálcio (CH), com o dióxido de carbono (CO2), produzindo o carbonato
de cálcio mais água [Ca(OH)2 + CO2 → CaCO3 + H2O]; esta reação ocorre com
diminuição de volume. A carbonatação pode melhorar algumas características do
concreto. Porém, devido ao cobrimento insuficiente e a fissuração, a carbonatação
pode despassivar a armadura, deixando-a suscetível à corrosão. (PINHEIRO,
Libânio M. 2007)

2.6 Concreto rodado em obra

Concreto rodado ou virado na obra é aquele preparado pelos próprios


serventes no canteiro de obras. Esse processo pode ser considerado rudimentar e
apresentar baixa precisão, devido ao baixo controle de qualidade e aos instrumentos
utilizados. Para a dosagem, usa-se a padiola (caixote de dimensões conhecidas), de
forma que o traço deve ser dado em volume. A mistura pode ser feita com betoneira
ou no chão, com enxada (obras pequenas).
22

Atualmente, o uso de concretos virados no canteiro é questionado, pela


perda de qualidade do produto final quando comparado com concreto usinado, que
possui maior desenvolvimento tecnológico na produção, controle de qualidade e
aplicação e cujo uso se difunde devido as vantagens apresentadas nesse quesito.

Concreto “Virado na Obra” é uma forma popular de dizer que o concreto está
sendo dosado e misturado, no canteiro da própria obra onde será aplicado. Baldes,
latas ou caixotes de madeira com dimensões conhecidas, são utilizados para fazer a
dosagem dos componentes do concreto volumétricamente. Para a mistura e
homogeneização do concreto são utilizadas pás, enxadas, ou pequenas betoneiras
elétricas. Hoje, com toda a tecnologia desenvolvida para o concreto, contando com
aditivos para diversas finalidades, controle tecnológico do concreto (amostras,
ensaios, etc.), os mais diversos equipamentos para bombeamento, centrais
dosadoras móveis (equipamentos dotados de balanças e que podem ser instalados
nos canteiros mais distantes), ‘virar o concreto na obra’ passou a ser uma atividade
que deve ser analisada com muito critério. (Portal do Concreto, 2016)

Figura 3 – Concreto rodado em obra feito manualmente e com auxílio da betoneira

Fonte: ABCP, 2006


23

Outros fatores que podem pesar na decisão é que ‘virar na obra’ afeta na
limpeza, na organização e no espaço disponível no canteiro, ocupa mais mão de
obra, gasta mais água e energia elétrica, além das perdas de material devido a
intempéries, falta de precisão na dosagem, etc. (Portal do Concreto, 2016)

Outra medida que deve ser tomada para ‘virar na obra’ e não se perder nos
custos é checar o volume recebido de todos os caminhões que chegam com areia e
pedra, armazenar o cimento protegido de qualquer tipo de umidade (local coberto e
afastado do piso), além de ensaiar estes materiais em laboratório para conseguir um
traço mais econômico. (Portal do Concreto, 2016)

2.6.1 Benefícios

Tratando-se de custo, deve-se lembrar que comprando concreto usinado, são


pagos não só os materiais, mas também o transporte (há necessidade de utilização
de bombas para lançá-lo na obra) e o lucro do produtor (além de impostos que este
é obrigado a arcar). (PET CIVIL UFJF,2012)

Sabe-se que o concreto feito muitas vezes é feito na própria obra, também
por questões de logística (dificuldade de transporte, ou dependência de horários de
entrega), ou mesmo em pequenas concretagens, onde seja inviável ou impossível
utilizar o concreto usinado. (PET CIVIL UFJF,2012)

Outro fator de relevância é a necessidade de verificação da conformidade do


concreto usinado, ou seja, se o mesmo atende às especificações do pedido.
Havendo discrepância entre os resultados obtidos pela construtora e pela
concreteira, ocorre grande transtorno, fazendo-se necessário em alguns casos
buscar uma empresa de controle tecnológico independente para tratar as
divergências. Vale lembrar ainda que o concreto usinado também pode causar
patologias, como deficiência de adensamento na cura e no cobrimento da armadura
menor do que o especificado no projeto. (PET CIVIL UFJF,2012)
24

2.6.2 Desvantagens

Segundo o Programa de Educação Tutorial da Universidade Federal de Juiz


de Fora-MG (PET CIVIL UFJF,2012), pode-se afirmar algumas desvantagens:

• É preciso manter no canteiro estoques de materiais utilizados para a


fabricação do concreto, além de equipamentos e mão-de-obra especializada
• Os níveis de controle de qualidade das concreteiras são superiores, já que a
dosagem é mais precisa e o concreto mais homogêneo
• Um melhor controle de produção também pode gerar economia de cimento
• A conformidade do concreto recebido com as especificações do contrato é de
responsabilidade do fornecedor
• O tempo de concretagem é maior quando o mesmo é produzido na obra, e
essa produção afeta na limpeza, na organização e no espaço disponível no
canteiro
• Concreto virado na obra gasta mais água e energia elétrica, exige grande
esforço e responsabilidade
• Poder ocorrer perdas de material
• Produção inviável em obras muito grandes por meio dos métodos tradicionais.

2.7 Concreto usinado

Segundo MEHTA, P.K. e MONTEIRO, P.J.M. (1994), A crescente utilização


do concreto, que é o produto mais fabricado no mundo em termos de volume,
somada à pressão do mercado por redução de custos com manutenção das
exigências mínimas para segurança do projeto, tem impacto direto na importância e
necessidade do controle de qualidade do material. Para concretos usinados,
predominantes em grandes centros urbanos, as normas do país preconizam a não
utilização dos 15% iniciais e finais do volume total de concreto do caminhão
betoneira para fins de ensaio. No entanto, devido a maior facilidade e agilidade, é
constatada como prática comum nos canteiros de obra da região a coleta de
amostras logo da primeira porção de concreto descarregado. Considerando tal
25

procedimento, fora do padrão preconizado por norma, somado à ausência de


normatização para aferição da qualidade do misturador e uniformidade da mistura do
concreto e a importância dos ensaios de controle de qualidade dos concretos
perante a segurança das estruturas, a presente pesquisa tem como objetivo analisar
as variações de resistência à compressão e de propriedades físicas do concreto ao
longo da descarga da mistura em caminhão betoneira.

O Concreto Usinado tem conquistado diversos adeptos por uma grande


característica: que a praticidade que ele traz aos procedimentos de concretagem ao
longo da obra. (DALDEGAN,2016)

Por se tratar de um produto industrializado o concreto chega à obra pronto


para ser lançado nas formas previamente preparadas. Isso facilita os procedimentos
necessários para esta importante etapa da obra, além do grande volume
comportado pelos caminhões betoneiras, que possibilitam um consumo maior de
concreto com mão de obra reduzida na obra. (DALDEGAN,2016)

Entretanto, é importante planejar a chegada dos caminhões na obra,


conforme a quantidade de concreto necessária, de modo que não ocorra atraso na
chegada do material e nem que o mesmo fique esperando dentro do caminhão
betoneira por tempo demasiado. (DALDEGAN,2016)

O atraso de caminhões betoneiras é um problema recorrente nos grandes


centros urbanos. Devido à possibilidade de engarrafamentos e imprevistos ao longo
do trajeto. Cuidado especial deve ser tomado para que a logística da chegado dos
caminhões seja ideal. (DALDEGAN,2016)

2.7.1 Vantagens sobre o concreto usinado

Definindo-se como uma alternativa rápida e econômica, o concreto usinado é


um dos principais recursos utilizados em construções de lajes, vigas, pisos e contra
pisos.

A aplicação é realizada com a ajuda de caminhões betoneiras, responsáveis


pelo transporte do concreto que também pode ser bombeado para que o processo
torne ainda mais rápido. (CONSTRUINDO & REFORMANDO,2012)
26

Sua aplicação difere do concreto preparado na obra graças à sua praticidade.


Isso porque a matéria-prima do concreto usinado é produzida por uma empresa
especializada e despejada diretamente no local desejado. Ou seja, o material
dispensa a sujeira e o trabalho de pedreiros em realizar a mistura e espalhar o
concreto manualmente.

A opção possui o diferencial de reduzir os gastos com mão-de-obra, exigindo


menos profissionais para sua aplicação. Além disso, a mistura do concreto usinado é
altamente concentrada, o que o torna mais firme e garante acabamentos
perfeitamente alinhados. (CONSTRUINDO & REFORMANDO,2012)

Por ter uma elevada resistência à compressão em comparação a outros


materiais de construção como por exemplo a madeira e o aço, e ter uma vida útil por
até 100 anos se for bem produzido.

O material requer atenção apenas no que diz respeito ao tempo para o seu
transporte, que não deve ultrapassar 90 minutos dentro do caminhão betoneira
(devido à sua secagem rápida). Por isso, o recomendável é sempre procurar por
profissionais especializados, aptos para trabalhar com esse recurso.
(CONSTRUINDO & REFORMANDO,2012)

A alternativa caracteriza-se como uma opção altamente rentável, estando


disponível em diversas regiões. (CONSTRUINDO & REFORMANDO,2012)

2.7.2 Outros motivos para utilização do concreto industrializado

A praticidade não é o único motivo para a utilização do Concreto Usinado,


abaixo veja outros motivos que ajudam o engenheiro a tomar a decisão de utilização
este produto. (ENGENHARIA CONCRETA,2016)

• Redução do espaço destinado ao estoque

A industrialização deste processo reduz drasticamente o espaço destinado ao


armazenamento de agregados e do cimento, além de reduzir o consumo de água
dentro da obra. Em obras executadas em espaço reduzido, esta qualidade pode
27

ser preponderante pela opção da industrialização. (ENGENHARIA


CONCRETA,2016)

• Maior controle de qualidade

É mais fácil controlar a qualidade em uma indústria que no canteiro de obra.


Devido a presença de equipamentos ideais e mão-de-obra especializada a
concreteira possui plenas condições de alcançar os padrões necessários para
utilização do concreto. (ENGENHARIA CONCRETA,2016)

O controle da umidade dos agregados, a quantidade correta de cimento, o


alcance de resistência média do concreto mais próxima da resistência
características e a melhor utilização de aditivos químicos são parâmetros simples
para as indústrias envolvidas no processo. (ENGENHARIA CONCRETA,2016)

• Responsabilidade pela qualidade do concreto

Outro ponto positivo para o empreiteiro é a responsabilidade pela


qualidade do produto que a concreteira possui quando oferta o concreto. Ela é
responsável por garantir a resistência e a trabalhabilidade informados em projeto,
garantindo assim maior segurança para o construtor. (ENGENHARIA
CONCRETA,2016)

• Velocidade na concretagem

Pelo fato da concreteira ter a possibilidade de disponibilizar grande volume de


concreto ao cliente, a concretagem pode ser realizada de maneira rápida e sem
interrupções. O que gera elementos estruturais com maior qualidade, evitando juntas
frias ao longo da peça. (ENGENHARIA CONCRETA,2016)

2.8 Prevenções à serem tomadas

Segundo DALDEGAN (2016),

• Tenha cuidado com o transporte da usina até o canteiro de obra. Deve ser
observado prazo máximo para que o concreto não seja descartado por iniciar o
28

processo de cura. A simples adição de água para dar novamente a


trabalhabilidade ao material deve ser evitada;
• É importante comprar o concreto de uma empresa que seja realmente
confiável. Solicitando sempre ensaios que garantam a qualidade dos agregados
utilizados e se possíveis certificações de qualidade e treinamento da mão-de-
obra;
• Planeje com antecedência a quantidade de concreto necessário e o prazo
para chegada dos caminhões em sua obra. Confirme com a concreteira a
disponibilidade de caminhões betoneiras e dê preferência a empresas com trajeto
facilitado até o canteiro;
• Sempre que possível faça uma visita à usina. Verifique, in loco, os bons
procedimentos adotados pela empresa que você irá solicitar o concreto para sua
obra;
• Procure fazer boas parcerias com concreteiras confiáveis. Não deixe de
comparar sempre o custo benefício entre preço baixo e qualidade;
• Faça sempre o controle de qualidade interno do concreto que chega à sua
obra. Retire os corpos de prova conforme a norma e faça o ensaio de slump
antes de liberar o lançamento do material;
• Caso perceba que as características do concreto não estão conforme
indicadas em projeto e visualmente o material já apresenta processo de
endurecimento não utilize o material. Privilegie sempre a qualidade.

2.9 Planejamento

Todo projeto bem planejado tende a minimizar os desperdícios, o retrabalho e


a mão de obra ociosa. Para obter estes resultados é fundamental detalhar todas as
atividades como predecessoras e sucessoras bem definidas e consequentemente o
planejamento elaborado tenderá a minimizar esses riscos. (CARDOSO,2010)

Resultados que se referem a etapa de planejamento, pois um resultado


proveitoso é de máxima importância para que a obra tenha um cronograma regular,
que não venha a ter grandes empecilhos ou imprevistos que possam a prejudicar a
construtora.
29

O planejamento constitui um passo decisivo para controlar a execução de


uma obra de forma econômica e no prazo estabelecido. No tocante da construção
civil, faz-se necessário um sistema que possa canalizar informações e
conhecimentos dos mais diversos setores e posteriormente direcioná-las de tal
forma que todas estas informações e conhecimentos sejam utilizados para
construção. O planejamento surge exatamente desta necessidade de organização,
deste complexo que é um empreendimento da construção civil. (CARDOSO,2010)

“O primeiro passo necessário para que se tenha um bom planejamento de


obra é a organização. A construção de um modo geral é um complexo que deve ser
caracterizado quanto aos seus insumos (materiais, mão de obra e equipamentos).
É baseada neste fato que se verifica a necessidade de um plano, discriminando – o
e procurando organizar as várias fases da execução da obra e ao mesmo tempo,
englobando tudo que afete diretamente a construção”. (GOLDMAN, Pedrinho, 2008)

2.9.1 Importância do planejamento na construção civil

Um empreendimento é definido como algo não rotineiro na vida de uma


organização e cuja implantação é sempre marcada por objetivos de custos, prazos,
qualidades e benefício social. Desta forma, todo empreendimento apresenta um
ciclo de vida transitório e predefinido, ou seja, apresenta começo, meio e fim. Pode-
se firmar que todo empreendimento é singular, isto é, único, na história de uma
organização; o momento escolhido para realizá-lo, os contextos sócio, econômico e
político que o cercam, os objetivos esperados, tudo converge para uma situação em
que há muitas incertezas em relação ao futuro. Gerenciar a implantação de um
empreendimento significa levar em consideração não só a situação que se
apresenta como também prevenir-se quanto às incertezas que o futuro reserva. Mas
como o empreendimento é singular, as experiências anteriores pouco contribuem, e
servem, no máximo para estabelecer padrões de respostas para a tomada de
decisões. (YAZIGI, 2000)

“O empreendedor serve-se de um planejamento bastante característico.


Enfatiza a estratégia e as decisões mais do que a organização para a ação. Na outra
ponta, aos executores associamos os planos táticos, que equivalem à versão mais
30

tradicional de planejamento taylorista; metódico, detalhado, pouco flexível, mas que


serve para racionalizar o uso de recursos, organizar a ação e essencialmente
controla - lá.” (YAZIGI, 2000)

2.10 Planejamento na concretagem


O plano de concretagem é um conjunto de medidas a serem tomadas
antes e durante o lançamento do concreto para assegurar a qualidade da peça a ser
concretada. É necessário elaborar um planejamento detalhado considerando
diversos condicionantes e prevendo os seus comportamentos nas atividades; o qual
consiste em programar desde os movimentos do caminhão até as ações de cada
operário. (GUERRA, 2012)

A figura 4 nos proporciona um plano de concretagem básico onde todas as


etapas são descritas desde os procedimentos preliminares até a sua correção

A figura abaixo no item de Recebimento vale ressaltar a importância dos


ensaios e das medidas de abatimento para determinar o quão resistente o concreto
será para a obra.

Figura 4 – Plano de concretagem

Fonte: Plano de concretagem Planta Tower, 2012


31

2.10.1 Procedimento Preliminar

Segundo GUERRA (2012), na concretagem primeiramente deve-se ter alguns


cuidados:

• Reservar um espaço nas bandejas de proteção para que o caminhão, ao


estacionar, chegue mais próximo da edificação e se conecte com a girafa que
bombeia o concreto para os pavimentos superiores;
• Os pilares tendem que ser concretados após a colocação prévia das
armaduras e fôrmas;
• As escadas devem ser concretadas juntamente com os pilares para
possibilitar a sua utilização para transporte dos materiais até os pavimentos
superiores;
• Garantir a existência de fontes de água e de tomadas de energia para ligação
dos adensadores, réguas e iluminação;
• Garantir que os moldes estejam limpos e preparados;
• Requisitar a presença de equipes de carpinteiros, armadores e eletricistas
para estarem de prontidão durante a concretagem para eventuais serviços de
reparos e reforços nas fôrmas, armaduras e instalações;
• Acercar-se das condições de segurança interna e externamente à obra,
verificando as proteções de taludes, valas, trânsito de veículos próximos;
• Planejar e acompanhar a sequência de concretagem anotando o local onde
foram lançados o material de cada caminhão e terminar a concretagem sempre
no ponto de saída da laje.

2.10.2 Transporte

De acordo com GUERRA (2012), o transporte do concreto é um item


importante da concretagem, pois interfere diretamente nas definições das
características do concreto, trabalhabilidade desejada, na produtividade do
serviço e na elaboração de um projeto para produção.
32

O tempo de duração do transporte deve ser o menor possível, para


minimizar os efeitos relativos à redução da trabalhabilidade com o passar do
tempo. Tipos de sistema de transportes:
• Carrinho de mão: A sua capacidade é menos de 80 litros, seu uso é
improdutivo, pois há a dificuldade de equilíbrio em apenas uma roda.
• Bombas de concreto: Capacidade de 35 a 45 m3/hora, permite a continuidade
no fluxo do material. Reduz a quantidade de mão de obra.
• Grua e caçamba: Capacidade de 15 m³/h, realiza a movimentação horizontal
e vertical com um único equipamento. Apresenta um abastecimento do concreto
descontinuado. Libera o elevador de cargas.
• Para a escolha e o dimensionamento do sistema de transporte do concreto,
considera o volume a ser concretado, a velocidade de aplicação, a distância -
horizontal e vertical - entre o recebimento e a utilização e o arranjo físico do
canteiro.

2.10.3 Lançamento

De acordo com GUERRA (2015), têm-se algumas orientações:

• Fazer com que o concreto seja lançado logo após o batimento, limitando em 2
horas e meia o tempo entre a saída do caminhão da concreteira e a aplicação na
obra;
• Limitar em 1 hora o tempo de fim da mistura no caminhão e o lançamento, o
mesmo valendo para concretagem sobre camada já adensada e se for o caso,
utilizar retardadores de pega, nas obras com maior dificuldade no lançamento;
• Lançar o mais próximo da sua posição final;
• Limitar o transporte interno do concreto com carrinhos a 60 metros para evitar
a segregação e perda de consistência (utilizar carrinhos ou jericas com pneus);
• Preparar rampas e caminhos de acesso às fôrmas (prever antiderrapantes).
33

2.10.4 Cura

Segundo GUERRA (2015), a cura do concreto é uma etapa importante da


concretagem, pois evita a evaporação prematura da água e fissuras no concreto.
Após o início do endurecimento, o concreto continua a ganhar resistência, mas
para que isso ocorra de forma satisfatória, devem-se tomar alguns cuidados:

• Iniciar a cura tão logo a superfície concretada tenha resistência à ação da


água (algumas horas) e estenda por, no mínimo, 7 dias;
• Manter o concreto saturado até que os espaços ocupados pela água sejam
então ocupados pelos produtos da hidratação do cimento.
• Deixar o concreto nas fôrmas, mantendo-as molhadas;
• Mantenha um procedimento contínuo de cura.
34

3 METODOLOGIA

Os caminhos trilhados para a elaboração deste projeto podem ser resumidos


da seguinte forma:

• Revisão bibliográfica sobre planejamento de obras e propriedades do


concreto;
• Contato com o setor produtivo com o objetivo de complementar o
conhecimento da revisão bibliográfica;
• Coleta de dados em escritório e canteiro de obra;
• Processamento dos dados e analise dos resultados;

Com relação à pesquisa bibliográfica, baseou em alguns autores com o


conhecimento nas áreas de planejamento, cronograma, propriedades do concreto
através de livros, artigos e dissertações provenientes da internet e na biblioteca.
Reunindo os conceitos apresentados, pôde-se elaborar um projeto no qual foi
necessário um aprofundamento no assunto junto com profissionais que já são
especializados ou tenham experiência vividas nos locais de trabalho.

Com os conhecimentos obtidos na pesquisa bibliográfica, obteve-se um


contato com os profissionais da área do setor produtivo, como engenheiros,
encarregados, mestre de obra, através de visitas a 2 canteiros de obras localizados
nas cidades de Arapiraca e Maceió. A discussão dos temas com os profissionais nos
proporcionaram a concretização dos conhecimentos adquiridos.

Após o fundamento teórico, pôde-se prosseguir para o método de coleta de


dados e sua aplicação para o estudo de comparação entre os dois tipos de
concretos nas obras em que foram visitadas previamente.

Após o uso do método de coleta de dados pôde-se elaborar um questionário


com perguntas específicas para cada engenheiro responsável pela devida obra em
que passaram seu conhecimento sobre o assunto abordado e com isso obteve-se
dois quadros que comparam as diferentes situações de ambos os concretos.

Foi feito um estudo do cronograma desde o início do processo de


concretagem até a desforma com o intuito de identificar em suas distintas situações
35

a forma em que os dois concretos possam ter suas vantagens e desvantagens em


relação ao tempo que a obra é decorrida.

Foram utilizados, também, recursos fotográficos para registrar os


momentos mais significativos e propiciar à pesquisa relatos de momentos que
venham contribuir com o trabalho e facilitar o entendimento do leitor.

Com a pesquisa bibliográfica e a coleta de dados feitas nas visitas in loco,


foi analisado o desenvolvimento para obter uma maior efetividade econômica,
qualitativa e com o menor tempo para que a obra tenha uma produtividade elevada.

A pesquisa tem o intuito de guiar o leitor com base nos dados apresentados a
aprimorar seu conhecimento de forma que possa facilitar a decisão do próprio, com
relação a qual concreto seria a escolha eficaz para a sua obra, tendo em vista o seu
ponto de vista específico. Com o propósito de abranger essa área, que é de
importância para muitos e que existe uma diferença entre esses dois tipos de
concreto, e que o leitor não tenha dificuldades quando o assunto for concreto na
construção civil.
36

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Para essa análise teve-se a ideia por meio de pesquisas e visitas in loco,
observar a importância do planejamento em relação a concretagem, tendo como
aspectos os pontos: financeiro, a qualidade e o tempo.

Para obter essas informações foi feito um estudo entre os concretos por meio
de quantidade de produção feita por dia, tempo tomado para a fabricação, gasto de
mão de obra e materiais para sua produção por metro quadrado (m²).

Registros das opiniões de engenheiros experientes para uma melhor decisão,


sabendo qual seria mais viável para uma certa situação, sua preferência em questão
de melhor benefício para quando se tratar de tempo, qualidade e quantidade.

4.1 Dados

Para melhor entendimento e ter resultados mais precisos, os investigadores


compareceram em dois diferentes tipos de concretagem, sendo elas rodadas in loco
e também utilizando o concreto usinado. A primeira impressão notável é o número
de pessoas que estão trabalhando, podendo existir uma equipe bem reduzida para a
concretagem.

Após o início da concretagem, era evidente que o processo usinado tinha uma
rapidez em comparação ao in loco. Enquanto no concreto in loco a equipe era
dividida entre fazer o concreto, movimentar até o destino, despejar e vibrar, no
entanto, todos da concretagem com concreto usinado estão focados em apenas
vibrar e manusear a mangueira.

Ao longo da concretagem pode-se notar que os traços do concreto realizado


na obra são inconstantes, tendo seus insumos medidos de forma grosseira; possui
formas e cores quase sempre diferentes. Porém ambos corpos de provas, tanto do
concreto in loco como o usinado, passaram nos testes submetidos após o envio
deles ao laboratório para testes
37

Na figura 5 observa-se como é feito o processo de concretagem em uma


residência na qual foi usada o concreto rodado in loco.

Para a concretagem de uma laje residencial de 21m² situada na cidade de


Arapiraca - AL, constatada na figura 5, foi usado o concreto rodado in loco de traço
1:3:3 no qual foi necessário um total de 4 funcionários para executa-la

Figura 5 – Etapa de concretagem de uma residência

Fonte: Autor,2018

A figura 6 representa o processo de concretagem de uma laje de um edifício


utilizando o concreto usinado.

Na figura a seguir, mostra registro da obra de um edifício constituído por 1


subsolo, 1 pilotis, 2 pavimentos garagem, 12 pavimentos tipo e 1 pavimento coberta,
localizada no bairro da Ponta Verde, em Maceió - AL, uma concretagem que durou
cerca de 9 horas para ser finalizada no dia.
38

Figura 6 – Etapa de concretagem de um edifício.

Fonte: Autor,2018

A figura 7 mostra a laje finalizada por meio da utilização do concreto usinado.


Na figura abaixo mostra a mesma obra, no bairro da Ponta Verde, dia
seguinte onde encontra-se a laje concretada, bem produzida e finalizada com
sucesso.

Figura 7 – Laje finalizada feito pelo concreto usinado

Fonte: Autor,2018
39

Quando chegado o término, podia notar a diferença de m² feitos cada uma


das alternativas. Conseguir obter o entendimento que o concreto usinado, tinha feito
um uma área maior e mais rápida, porém necessitava de um elevado número de
trabalhadores; tendo o concreto rodado in loco, um pequeno número de
trabalhadores conseguia ir devagar e constante.

Após a coleta dos dados, pode-se obter uma tabela dada a seguir:

Observa-se no quadro 1 um comparativo do estudo feito nas duas obras


visitadas tendo em vista sua produtividade em média por dia.

Na comparação abaixo, leva-se em conta que cada caso é uma situação


diferente, em questão de tempo e volume.

Quadro 1 – Quadro comparativo entre os concretos relacionando tempo e dinheiro

Tempo de Tempo de
Funcionários preparo sarrafeamento m³/h m²/h

Concreto in 3 15 minutos 20 minutos 0,42 3,5


Loco
5 8 minutos 15 minutos 0,915 7,625
Concreto
usinado 12 0 60 minutos 13 108
Fonte: Autor,2018

4.2 Estudo de custos

Para a análise de custos foram levados em consideração os traços em massa


apresentados em relação a massa do cimento.

Elaborou-se uma pesquisa de campo no município de Maceió baseado nas


notas fiscais que as empresas forneceram, com a finalidade de fazer um
levantamento de custos dos materiais constituintes no preparo do concreto.
40

No quadro 2 têm-se uma comparação de cotações feitas em empresas de


porte médio do município de Maceió.

No quadro abaixo, informa as cotações apuradas das empresas para obter


uma média dos valores de cada material, para usar como base do concreto
produzido no canteiro de obras na comparação entre os tipos de concreto.

Quadro 2 – Quadro comparativo de cotações

Insumo Unidade Empresa A (R$) Empresa B (R$)


Cimento sc 20 19,5
Areia m³ 79 75
Brita m³ 72,59 70
TOTAL 171,59 164,5
Fonte: Autor,2018

4.2.1 Custo para o concreto produzido no canteiro de obras

A partir do traço (1:3:3) em massa verificou-se os seguintes custos para os


materiais constituintes desse tipo de concreto:

• Cimento: R$ 126,4
• Areia: R$ 55,36
• Brita 1: R$ 48,05
• Mão-de-obra: R$ 17,71

Somando esses materiais resultou em um custo de R$ 247,52 por m³ de


concreto.
41

Quadro 3 – Tabela de custos unitários para obras e serviços de engenharia

Para um melhor estudo de custos, foi usado a tabela de custos da Companhia


Pernambucana de Saneamento – COMPESA, para comparação com os valores
encontrados no mercado livre de Maceió.

Fonte: COMPESA, 2016

Como não houve uma divergência grande em relação aos valores


encontrados pela pesquisa do mercado livre de Maceió, optou-se por usar o valor
encontrado nas pesquisas por meio das cotações.

4.2.2 Custo para o concreto usinado

A partir da nota fiscal apresentada pela empresa, pode-se obter o valor do m³


do concreto usinado.

No quadro 4 apresenta-se uma tabela de relação de insumos provenientes de


uma nota fiscal cedida por uma construtora onde equivale a um caminhão de 8m³ de
concreto usinado extraídos da nota fiscal disponibilizada pela empresa.

Com estes valores, foram usados como base para obter os resultados do
concreto usinado descobrindo o custo do concreto por m³ e mostrando que a própria
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concreteira faz com que o comprador esteja ciente do valor de cada material para a
fabricação do concreto.

Quadro 4 – Relação de insumos

Insumos Unid. Quantidade Preço Custo


Cimento CP II KG 3000 0,2824 847,2
Areia Natural KG 5595 0,0064 35,808
Brita 0 KG 3787 0,0503 190,4861
Brita 1 KG 3787 0,0506 191,6222
Aditivo KG 20,1 2,4588 49,42188
Água L 1500 0,0001 0,15
TOTAL 1314,688
Fonte: Terraço Engenharia LTDA,2018

Somando esses materiais resultou em um custo de R$ 175,29 por m³ de


concreto, porém ainda deve ser considerado o valor do aditivo plastificante.

4.2.3 Análise dos custos

Para ambos os tipos de concreto não foram levados em consideração o custo


de energia elétrica, água utilizada e o transporte para a produção do concreto.

Nota-se que há uma razoável diferença entre os preços de ambos os


concretos, tendo em vista que os casos não foram considerados os custos da mão-
de-obra para a concretagem e sim para sua produção.

Pode-se observar no gráfico 1 uma comparação de custo do concreto usinado


e o concreto rodado in loco.
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O gráfico abaixo representa o custo final de cada concreto, mostrando seu


valor médio por m³, informando que concreto rodado in loco obtém um custo bem
mais elevado que o concreto usinado.

R$300,00

R$247,52
R$250,00

R$200,00
R$175,29

R$150,00

R$100,00

R$50,00

R$0,00
Concretos

In loco Usinado

Gráfico 1 – Comparação de custo de concretos


Fonte: Autor,2018

4.3 Questionários

Foi feito um questionário onde dois engenheiros experientes, com fins de


analisar opiniões externas sobre os concretos usinado e concreto in loco.

4.3.1 – Questionário com o Engenheiro 1:

- Qual a sua preferência entre os dois concretos?

‘’Prefiro o concreto usinado, apesar de ser mais oneroso que o concreto feito
em obra. Algumas vantagens do concreto usinado tais como: controle tecnológico,
garantia de resistência à compressão exigida em projeto, rapidez ao concretar as
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peças (lajes, pilares, entre outros), fazem com que esse tipo de concreto passe a ser
bem vantajoso comparado com o concreto feito em obra’’.

- Qual você acha mais viável para as suas obras?

“No nosso caso, o concreto usinado é sem dúvidas o mais viável, além dos
fatores citados no item anterior, na obra não conseguimos ter o controle dos
agregados graúdos e miúdos, além do controle da água de amassamento, um dos
principais fatores do fator água/cimento (que influencia diretamente na resistência à
compressão)”.

- Em questão de economia, qual seria o mais proveitoso?

“O concreto feito em obra tem um custo mais baixo do que o concreto


usinado, me refiro a economia. O concreto feito em obra seria muito mais econômico
do que o concreto usinado, mas conseguimos tirar o máximo de proveito desse tipo
de concreto, uma vez que com ele conseguimos dar uma celeridade maior a nossa
obra e dessa maneira conseguimos liberar frentes de trabalho muito rapidamente.
Se fôssemos fazer o concreto na obra, por exemplo, não conseguiríamos
encher todos os nossos pilares em um único dia! Já com o concreto usinado,
conseguimos encher todos os pilares em poucas horas, utilizando uma bomba
lança”.
- Em quais tipos de situações você usa um ou outro? Ou sempre o mesmo
tipo?

“Nós sempre utilizamos o concreto usinado, apenas utilizamos o concreto


feito em obra para concretagem de algum complemento pequeno de laje ou para o
caso de executarmos concreto magro para proteger o concreto do subsolo do
edifício”.
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4.3.2 – Questionário com o Engenheiro 2:

- Qual seu parâmetro para decidir qual concreto usar?

“Bom, dependerá muito do meu planejamento pois dependendo do tempo que


eu tenho para realizar a obra e o volume de concreto usado, posso adaptar o tipo de
concreto que irei utilizar. Quando construo casas, normalmente faço o concreto in
loco e quando é uma construção maior opto pelo usinado”.

- Quão proveitoso é uma obra bem planejada?

“Uma obra bem planejada é essencial para que tudo ocorra bem e no tempo
certo. Com um planejamento correto podemos utilizar melhor o nosso tempo tanto
para a rapidez como para os dias em que a obra não está a todo vapor, reduzindo
riscos de atraso e de falta de materiais”.

- Você acha viável a espera de um maior volume de concreto para iniciar a


concretagem?

“A viabilidade de concretar logo ou esperar para um volume maior quem dirá


é o meu planejamento, quando eu tenho um prazo para cumprir, vou ter uma
referência para agilizar a minha obra ou andar com o tempo normal”.

4.4 Estudo do Questionário

Com base no questionário proposto, pode-se concluir que há uma preferência


pelo concreto usinado por ter uma praticidade maior em questão de tempo mesmo
necessitando um grande número de funcionários para realizar o serviço; porém
haverá casos em que o concreto rodado in loco terá uma melhor funcionalidade pois
necessita de uma equipe reduzida e independência de qualquer provedora.

Ambos os engenheiros citam a importância do planejamento em suas obras,


isso mostra como é essencial a questão do cronograma em uma obra,
principalmente na questão da concretagem, pois, com a etapa de superestrutura
concluída, pode-se dar sequência nos serviços posteriores.
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Á medida que as obras vão se tornando verticais e a tecnologia vem


crescendo cada vez mais no ramo da engenharia, a decisão de qual concreto irá
usar está sendo mais direcionada para o concreto usinado tornando unânime a sua
escolha deixando o concreto rodado in loco para uso de complementos, reformas e
ajustes.
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5 CONCLUSÃO

No Trabalho de Conclusão de Curso fizemos uma comparação entre o


concreto usinado e o concreto rodado em obra, para qualquer um poder ter melhor
conhecimento e com isso obter uma melhor escolha na hora de decidir qual será
usado em uma devida situação, seja ela para um menor tempo de produção, uma
melhor qualidade, ou menor gasto de mão de obra e materiais.

Através dos resultados obtidos nessa pesquisa, podemos ter vários aspectos
entre o planejamento com o tipo de concreto feito. Tendo em vista que o concreto é
um serviço que precisa ser executado perfeitamente, não há espaços para erros
durante a concretagem pois podem acarretar em grandes prejuízos no futuro.

Para garantir o resultado de um perfeito traço, existe um grande cuidado


desde a escolha dos materiais, homogeneização da mistura, sua aplicação e
adensamento.

Podemos observar que a produção do concreto rodado na obra é mais


elevada que o concreto usinado, porém não foi avaliada sua aplicação que será
onde o planejamento da obra irá atuar.

Para melhor situação em que uma obra se encontra, tendo em vista cada
obra tem seus orçamentos, proporções e prazos distintos, usa-se dois tipos
diferentes de obras nesse caso, para obter-se uma base para a pesquisa e
consequentemente a coleta de dados.

Com base no fim da pesquisa, chegamos à conclusão que cada concreto tem
a sua peculiaridade, podendo ter suas vantagens e desvantagens em cada tipo de
situação encontrada. Dentre todas as suas variáveis, temos que o planejamento seja
seu principal aliado para cumprir o cronograma e ter uma obra rentável.

Com o planejamento e o ritmo da obra operando em sintonia, podemos usar


qualquer método de concretagem à nosso favor. Mesmo com os imprevistos, como
há em toda obra, teremos um guia para direcionar onde estamos cometendo nossos
erros e podendo contorna-los de acordo com o planejado.
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REFERÊNCIAS

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