Você está na página 1de 8

Émile Durkheim Quadro teórico

OBJETO DE ESTUDO, DEFINIÇÕES E CARACTERÍSTICAS.

FATO SOCIAL

COERCITIVO – os fatos sociais se impõem aos indivíduos, que se conformam com as


regras de sua sociedade; A coerção que os fatos sociais exercem sobre os indivíduos se
manifesta quando estes adotam um determinado idioma, quando se submete a um
determinado tipo de formação familiar ou quando os mesmos estão subordinados a
determinado código de leis, as crenças e as práticas religiosas, as formas de vestir.
EXTERIORIDADE – os fatos sociais existem e atuam sobre os indivíduos
independentemente de suas vontades; As regras sociais, os costumes, as leis, já existem
antes do nascimento do indivíduo.
GENERALIDADE – os fatos se repetem na maioria dos indivíduos

O fato social apresenta uma existência própria, é externo aos membros da sociedade e
exerce sobre seus corações e mentes uma autoridade que os leva a agir, a pensar e a sentir
de determinadas maneiras.

Divisão do trabalho social _ É um fato social presente em todas as sociedades, estabelece


vínculos entre os indivíduos em sociedade. Uma das fontes de solidariedade social e coesão
social.

Solidariedade social – Durkheim procura através deste conceito entender porque os


indivíduos se mantenham em sociedade e evita a todo o custo a desintegração social, luta
para que a sociedade não se desfaça. Através da solidariedade social, aquilo que une os
indivíduos de uma determinada organização social, o autor procurou mostrar como ela se
constituía e se tornava responsável pela coesão social entre os homens e de que maneira
variava segundo o tipo de organização social, dada a maior ou menor presença da divisão
do trabalho e de uma consciência coletiva mais ou menos similar entre os membros de uma
sociedade.

Tipos de organização social e tipos correspondentes de solidariedade e divisão do


trabalho social.

Sociedades Simples – Solidariedade Mecânica – Forte consciência coletiva -Direito


Repressivo (Penal)
As sociedades simples produzem sua solidariedade social através da semelhança, os
indivíduos possuem uma forte consciência coletiva, as crenças, os sentimentos, são comuns
a todos os indivíduos. A solidariedade é mecânica pelo fato dos indivíduos apenas
obedeceram as regra da consciência coletiva sem nenhum questionamento, é automático.
Aquele que ameaçar, através de uma conduta considerada criminosa por ofender
gravemente a consciência coletiva, será severamente punido por ter colocado em risco a
coesão social do grupo.
Sociedades Complexas – Solidariedade Orgânica – Fraca consciência coletiva – aumento
do individualismo - Direito Restitutivo (Cooperativo, inclui direito civil, direito comercial,
direito processual, direito administrativo e constitucional, principal função é a reparação de
danos para manter a cooperação entre os atores sociais)
A solidariedade orgânica é produzida pela diferença, produzida pelo aumento da divisão do
trabalho, que supõe precisamente a diferenciação e a complementaridade de funções como
forma de cooperação entre os membros da sociedade.

MAX WEBER

Para Weber a sociologia é o estudo das interações significativas de indivíduos que


formam uma teia de relações sociais, sendo seu objetivo a compreensão da conduta
social. Esta ênfase dada à compreensão subjetiva levou o sociólogo a definir ação social
como uma conduta humana, pública ou não, a que o agente atribui significado
subjetivo. Para Weber a conduta social apresenta quatro formas:
 Ação tradicional – relativa às antigas tradições.
 Ação afetiva – reação habitual ou comportamento dos outros.
 Ação racional com relação a valores – agindo de acordo com o que os outros
esperam de nós.
 Ação racional com relação a fins – agir em relação à conduta que espera dos
demais.

A contribuição de Weber à metodologia foi a distinção preconizada entre o


método cientifico de abordar os dados sociológicos e o método de valor –
julgamento: a validade dos valores é um problema de fé, não de conhecimentos e as
Ciências Sociais devem libertar-se dos valores. O principal objetivo da análise
sociológica é a formulação de regras sociológicas. Weber desenvolveu um
instrumento de análise dos acontecimentos ou situações concretas que exigia
conceitos precisos e definidos. – o tipo ideal. Quando a realidade concreta é
estudada desta forma, torna-se possível estabelecer relações causais entre seus
elementos.
Por espírito, o autor entendia um sistema de máximas de comportamento
humano. Weber chegou à conclusão de que o surgimento do capitalismo não é
automaticamente assegurado só por condições econômicas especificas, deve haver
pelo menos uma segunda condição que deve pertencer ao mundo interior do
homem, isto é, existe forçosamente um poder motivador especifico, qual seja, a
aceitação psicológica de idéias e valores favoráveis a essa transformação.

AÇÃO SOCIAL

Weber quando conceitua de modo subjetivo a ação social – objeto da


sociologia – baseia-se em critérios internos dos indivíduos participantes. Weber
considerava que as Ciências Sociais tinham certas vantagens sobre as Ciências
Naturais, havendo a possibilidade de uma compreensão, baseada no fato de que os
seres humanos são diretamente conscientes das suas ações. Segundo o autor, a ação
social seria uma espécie de conduta que envolve significado para o próprio agente.
A conduta social seria o caminho para a compreensão da situação social e o
entendimento das intenções. Portanto, a compreensão social deve envolver a análise
dos efeitos que o ser humano procura conseguir.

O ponto de partida da teoria sociológica de Max Weber, isto é, do estudo dos fenômenos sociais é a
AÇÃO SOCIAL, que é toda conduta humana dotada de um sentido dirigida à ação de outro. A
referência ao outro é que imprime o caráter social da ação humana. Por exemplo, quando
cumprimentamos ou elogiamos alguém esperamos que alguma pessoa indeterminada o aceite,
realizamos uma ação social. Desta forma, aquela não é um processo isolado, mas percorre uma
seqüência definida de elos significativos. Ex: Despachar uma carta = cadeia motivacional
(interesses) de atos isolados em seqüência geram um processo. Os atos isolados são poeiras
incompreensíveis

Sentido: motivo sustentado pelo agente como fundamento da sua ação, sentido é o que se
compreende e compreensão é a captação do sentido (circular). Sentido é o responsável pela unidade
dos processos da ação tornando-a compreensível. O sentido weberiano não se trata de aspectos
psicológicos, pois o que se compreende não é o agente mas o sentido de sua ação.
Agente.. A ação é sempre de agentes individuais que é o único capaz de conferir sentido e vínculos
subjetivos as esferas da ação. (individualismo kantiano é muito presente nesta idéia weberiana de
agente).

Relação social.. Nas ações sociais dos agentes existem certas regularidades onde múltiplos
indivíduos (agentes) agem orientados pelo conduta uns dos outros, compartilhando conteúdo de
sentido. Só é possível pensar em termos de probabilidade. A amizade é uma relação social.

Weber tipifica quatro tipos ideais de AÇÃO SOCIAL

1 – AÇÃO SOCIAL RACIONAL LIGADA A FINS


O ator concebe claramente seu objetivo e concebe claramente os meios disponíveis para atingi-lo. A
ação é definida em função dos conhecimentos do ator e não do pesquisador.
O agente procura atingir um fim, um objetivo previamente definido e para tal ele age examinado os
meios adequados para atingir o fim objetivo e analisa as conseqüências de maneira previsível.
Exemplos: A ação de um engenheiro que pretenda construir uma ponte ou de um general que
pretenda ganhar uma batalha.
2 – AÇÃO RACIONAL LIGADA A VALORES
O agente orienta-se por fins últimos, por princípios e valores morais como honra, dignidade,
honestidade, castidade entre outros. Sua ação está orientada para levar em conta somente sua
fidelidade a tais valores que são inspiradores de sua conduta. O ator age racionalmente, aceitando
todos os riscos, não para obter um resultado objetivo definido e exterior, mas para permanecer fiel à
sua idéia de honra.
Exemplo: Um lutador que luta até a morte ou um capitão que afunda com o seu navio.
3 – AÇÃO AFETIVA
Orientada por sentimentos passionais como raiva, paixão, ódio ciúme e todas as ações na qual esta é
definida por uma reação emocional em determinadas circunstâncias. As ações afetivas não são
orientadas por nenhum objetivo ou sistema de valores, ela é irracional.
4- AÇÃO TRADICIONAL
Orientada pelos hábitos, costumes e crenças. Para agir de acordo com a tradição não é necessário
para o ator conceber um objetivo ou valor, nem ser impelido por uma emoção. A ação se
desenvolve simplesmente pela prática, sem nenhum tipo de reflexão.

Karl Marx

“O trabalhador é tanto mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais cresce sua
produção em potência e em volume. O trabalhador converte-se numa mercadoria tanto mais
barata quanto mais mercadoria produz. A desvalorização do mundo humano cresce na
razão direta da valorização do mundo das coisas. O trabalho não apenas produz
mercadorias, produz também a si mesmo e ao operário como mercadoria, e justamente na
proporção em que produz mercadorias em geral”.
O Materialismo Dialético
Para Marx, não basta interpretar o mundo, é preciso transformá-lo – instaura-se, assim,o
tribunal da Práxis.

A Práxis é um conceito central no pensamento de Marx. A Práxis não se confunde com a


pratica. A Práxis é a união da interpretação da realidade (teoria – conhecimento cientifico)
à prática (realização efetiva, atividade),em outras palavras, é a ação consciente do sujeito na
transformação de si mesmo e do mundo que o cerca.

Partindo desta visão Marx estabelece o conceito dialética materialista: no conceito marxista
o termo materialismo refere-se à teoria filosófica preocupada em destacar a importância dos
seres objetivos (os homens) como elementos constitutivos da realidade do mundo.

O que é Dialética?
Dialética é o modo de pensarmos as contradições da realidade, de pensarmos as diferenças
sociais e, conseqüentemente, à transformação permanente da realidade – a realidade
dialética.

Princípios básicos da dialética:;


Tudo se relaciona; tudo se transforma; mudanças qualitativas; luta dos contrários – tudo
cíclico.

TESE  SÍNTESE

Antítese

A aplicação das teses fundamentais do materialismo dialético à realidade social deu origem
à concepção materialista da história. Segundo esta concepção, o entendimento da realidade
da vida só é possível à medida que conheçamos o modo de produção da sociedade – modo
de produção é entendido aqui como a maneira pela qual os homens obtêm seus meios de
existência material. É através do modo de produção que conhecemos uma sociedade em
especificidade histórica e social.

A partir do modo de produção é possível identificar as diferenças históricas e as relações


sociais presentes em cada época determinada.

Não é a consciência que determina a vida material, mas a vida material que determina a
consciência. A história do mundo é resultado da ação humana, os homens fazem sua
própria história, contudo, a realiza sob condições historicamente determinadas.

Na história, podemos distinguir pelo menos cinco grandes modos de produção: Primitivo; o
regime asiático; a escravatura; a servidão (feudal) e o capitalista.
Alienação
Marx afirma que o homem está alienado do trabalho, ele não mais controla o processo de
produção, que é dirigido e controlado pelo capitalista. O desenvolvimento da mecanização
e a divisão do trabalho alienaram o trabalhador do processo produtivo, ele já não produz
objetos por inteiro mas apenas peças separadas. O trabalho perde, portanto, para ele, todo o
significado.
O trabalhador é alienado produto do seu trabalho, do qual é expropriado após a fabricação.
Os objetos do seu trabalho tornam-se estranhos, uma vez que são apropriados pelo
proprietário dos meios de produção a fim de serem trocados no mercado.

Luta de Classes
No Manifesto do Partido Comunista Marx afirma que as classes sempre se enfrentaram e
mantiveram uma luta constante, luta que terminou sempre com a transformação
revolucionária de toda sociedade. A história da luta de classes informa a existência de
contradições, do antagonismo entre proprietários e não proprietários dos meios de
produção. As classes sociais são definidas a partir do lugar ocupado no processo de
produção.
A luta de classes é o confronto entre duas classes antagônicas quando lutam por seus
interesses de classe. No modo de produção capitalista, a relação antagônica se faz entre o
burguês, que é o detentor dos meios de produção, do capital, e o proletariado que nada
possui e só vive porque vende sua força de trabalho.
A luta de classes, na perspectiva materialista da história, relaciona-se diretamente à
mudança social, à superação dialética das contradições existentes. Marx afirma que a luta
de classes é o “motor da história”.

ESQUEMA DE MODO DE PRODUÇÂO


Este esquema serve para qualquer modo de produção, mas aqui só estudaremos o
capitalista.

A sociedade se estrutura em dois níveis

Superestrutura Ideológica
Superestrutura jurídico-política representada pelo estado e pelo Direito: segundo Marx,
a relação de exploração de classe no nível econômico repercute na relação de dominação
política, estando o Estado a serviço da classe dominante.
Superestrutura ideológica referente às forma da consciência social, tais como a religião, as
leis, a educação, a literatura, a filosofia, a ciência, a arte, os códigos morais e estéticos,
representações coletivas de sentimentos, ilusões, modos de pensar e concepções de vida
diversos, etc. A cultura, os valores e o modo de vida da classe que se encontra no poder se
tornam o padrão de vida dominantes.


Infra-estrutura econômica
Forças Produtivas – é a forma pela qual os homens obtêm os bens que necessitam e para
isso utilizam capacidades materiais, meios de produção (maquinário, ferramentas, matéria-
prima, tecnologia), força de trabalho (divisão técnica do trabalho, habilidades)

Relações de Produção – Relações Sociais: homens entre si e com a natureza.


Refere-se às formas estabelecidas de distribuição dos meios de produção e do produto, e
o tipo de divisão social do trabalho numa da sociedade e em um período histórico
determinado. Ele expressa o modo como os homens se organizam entre si para produzir;
que formas existem naquela sociedade de apropriação de ferramentas, tecnologia, terra,
fontes de matéria-prima e de energia, e eventualmente de trabalhadores; quem toma
decisões que afetam a produção; como a massa do que é produzido é distribuída, qual a
proporção que se destina a cada grupo, as diversas maneiras pelas quais os membros da
sociedade produzem e repartem o produto. A cada desses grupos cabem tanto tarefas
distintas quanto porções maiores ou menores do produto social, já que eles ocupam
posições desiguais relativamente ao controle e propriedade dos meios de produção

A infra-estrutura é a base material da sociedade, as relações materiais (relação


homem/natureza) que os homens estabelecem e o modo como produzem seus meios de
vida formam a base de todas as suas relações. Em outras palavras, a produção não é
somente física, ela constitui um modo determinado de atividade, uma determinada forma de
manifestar sua vida, um modo de vida determinado. As idéias, concepções, gostos, crenças,
ideologias, são gerados socialmente e dependem do modo como os homens se organizam
para produzir.

Divisão do Trabalho
MANUAL X INTELECTUAL (Diferença de classes)

Divisão Social do Trabalho:


Produz Alienação: Fetiche da Mercadoria.

Estado e o papel do Direito


O Estado Burguês é um coletivo “ilusório”, cria a ideologia (falsas idéias) dominante de um
Estado que está acima das classes, aparenta ser um órgão político imparcial, capaz de
representar toda a sociedade e dirigi-la pelo poder delegado pelos indivíduos. Para Marx o
Estado não é representativo do conjunto da sociedade, a imparcialidade é apenas aparente, é
falsa. Na verdade, a burguesia se apropria do Estado e de suas instituições, aparentemente
atua sobre ambas as classes sociais. Contudo, seu papel fundamental é impedir que o
conflito entre as classes se transforme em uma luta aberta.
O Estado é gerido pela classe dominante e atende aos seus interesses de uma forma geral e
universal.
O Direito tem importância central neste processo, seu papel é ideológico, pois obscurece as
reais relações existentes entre as classes. Ideologicamente protege a todos os cidadãos,
todos são iguais diante da lei, todos possuem os mesmos direitos. O Direito está
fundamentado nas condições econômicas, é estabelecido por uma classe economicamente
dominante. A lei é um instrumento utilizado para a classe dominante manter-se no poder. A
lei é opressora e de caráter classista. De acordo com Marx, o Estado só pode ser entendido
nas condições materiais de existência. A idéia de justiça é alienada. O Direito é produto das
forças econômicas.

Você também pode gostar