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| Secretaria de Agricultura e Abastecimento

Terminação de cordeiros em confinamento


Mauro Sartori Bueno
[instituto de Zootecnia –APTA-SAA-SP]
| Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios

Características dos ovinos


• São classificados como Pastejadores seletivos (NRC
2006)

• Boca e lábios pequenos- permite grande seleção do


alimento ingerido (dificuldade para ingerir dietas completas)
• Têm rúmem em proporção menor que grandes
ruminantes ( bovinos , búfalos ). Maior velocidade de
passagem das partículas alimento. Menor tempo para
fermentação fibra. Moagem da fibra aumenta taxa de
passagem e aumenta ingestão.

• Maior consumo /unidade de peso vivo: 3,5-


4,5%peso em Materia seca (MS)
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Vantagens da terminação em Confinamento


• Antecipa abate (120-150 dias de idade):carne
nobre
• Diminui problemas de verminose
• Produz carcaças com características desejáveis
e homogêneas- pouca gordura, sabor agradável, cor
vermelho claro
• Raças e Cruzamentos
• Animais puros ou cruzados c/ elevado potencial
ganho peso e características de carcaça adequadas
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Terminação em confinamento
• Peso Inicio:17-22 kg (60-80 dias) final : 35 Kg (120-150dias)
• Ganho de peso diário: 250-350g/dia
• Tempo em confinamento : 50-70dias
• Conversão Alimentar: 3- 4 kg MS/kg ganho de peso
• Consumo matéria seca: 3,5-4,5 % peso vivo
• Exigência nutricional:
16% PB, 75% NDT, 20%FDN; 0,50%Ca; 0,30%P
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Instalações para confinamento


• Área : 1m2/cordeiro
• Espaço de cocho de 30 cm /cordeiro
• Piso áreas cobertas : chão batido ou solo cimento
• Piso com cama (Maravalha, bagaço cana, palhas, etc...)
• Corredor central de 1-1,5m.
• Baias e cochos dispostos no corredor central
• Cochos com 30 cm de largura e 20-30 cm de altura
• Evitar que cordeiros entrem no cocho
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Recebimento dos cordeiros ao confinamento


• Vacinar contra Clostrídios (Clostridium perfringens tipo D)
antes do desmame ou 2 semanas antes do
confinamento.

• Vermifugar na entrada ( redução OPG)


• Adaptar à ingestão de alimento com alta energia e às
instalações.

• Utilizar alguma medida contra Coccidiose


(sulfas, decoquinato ou ionóforos na dieta)
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Ingredientes para ração


Energéticos: milho, rolão de milho, sorgo, arroz, aveia, melaço,
polpa cítrica, farelo de trigo ou de arroz, etc.

Proteicos: farelos de soja, de algodão, ureia, refinasil, protenose,


etc...

Volumosos: úmidos: forragens verdes, silagens, cana


secos: palhas, fenos,casca de algodão, café e de
soja

Mineriais : premix (núcleo), sal mineral p/ovinos, calcário, sal


branco, fosfato bicalcico, etc.
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Milho e Sorgo
• Milho grão: 9%PB, 82%NDT, 0% Ca, 0,3%P

• Rolão de milho: 6%PB, 72%NDT, 0% Ca, 0,23% P


(Além de energia é fonte de fibras)

• Sorgo: Pode ser utilizado. Sorgo tanifero tem menor


aceitabilidade. Moer fino
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Farelo de trigo e de arroz

• Farelo de trigo: 17% PB, 71%NDT, 0,13% Ca, 0,71% P


• Farelo arroz gordo: 14% PB, 67% NDT, 0,1%Ca; 1,3% P
Cuidado: rancifica muito rápido!!!

• F.Arroz Desengordurado:18%PB, 60% NDT, 0,1% Ca e


1,4% P.

• Utilizar até 20% da dieta


• Consumo excessivo farelos ricos em Fósforo: Cálculo
uretral devido a pouco cálcio e excesso de fósforo (P)
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Concentrados Proteicos
•Farelo de soja: 46% de PB, 82% NDT, 0,4%Ca e 0,7% P

• Farelos de algodão:
• - 28% PB ( 60% NDT, 44% FDN)
• - 38% de PB ( 65% NDT, 25% FDN)

•comparar preço da unidade de proteína com o f.de soja,


utilizar se mais barato que o farelo de soja.
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Minerais :
• Premix ou núcleo (com ou sem vit ADE e monensina)
Fórmula: ao redor de 18%Cálcio, 1-4% de fósforo, <200pppm
de Cu + outros (Zn, Mn, Co, Se, etc...)

• Sal mineralizado: Utilizado para suplementação de animais


em pastagem. Baixo em Ca e alto em P . Pode ser utilizado
como núcleo em ração, mas tem que adicionar calcário (1:1)
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Minerais:
Calcário calcítico: 33-38% Ca. Melhor fonte de cálcio
p/animais. Deve ser moído finamente.
Calcario de conchas : boa fonte de Ca

Sal branco: fonte de sódio (Na), recomendação de 0,5% da MS


da dieta
Pode-se aumentar p/ 1% da dieta para estimular ingestão de
água e aumentar fluxo de urina ( eliminação de cálculos)
Ou deixar a disposição nos saleiros nas baias
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Casca de algodão

• Utilizar como fonte de fibra (FDN) em dietas


completas secas

• Composição: 3% de PB, 45% NDT e 74% de FDN;

• Pode-se utilizar até 20% na dieta de cordeiros.


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Casca de soja
• 11-13% PB; 72% NDT, 67% FDN; 0,18% P, 0,49%
Ca

• Ingrediente energético e pode substituir 45 % do


milho

• Fonte de fibras de elevada digestibilidade


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Polpa cítrica desidratada


(6% de PB, 75%NDT, 1,5% de Ca e 0,18 %P )

• Rica em pectina: fibras de alta digestibilidade e não


causa acidose ruminal
• Substitui o milho e ajuda a prevenir acidose
• Rico em energia e baixo em proteína
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Ureia
• Pode ser transformada em proteína pela flora
ruminal e digerida e absorvida nos intestinos
Equivalente proteico :220% PB

• Não aconselhável para cordeiros em amamentação


(ração de creep feeding)

• Pode-se utilizar para animais com mais de 90 dias


(1 - 1,5% da MS da dieta)
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Cálculo na uretra (urolitíase obstrutiva)


• Muito comum em cordeiros em confinamento e
machos reprodutores

• Sintomas: Obstrução da uretra por cálculos de


Fosfato (estruvita). Sinais de dor ventral e esforço
para urinar. Leva a óbito por rompimento da bexiga

• Causa: Dieta com pouca FIBRA e com muitos


grãos e farelos, com excesso fósforo e baixo teor de
cálcio; relação Ca:P tem de ser 2:1.
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Cálculo na uretra (urolitíase obstrutiva)


• Formular a dieta adequadamente com volumosos
fontes de fibras- estimular a ruminação
• Fonte de cálcio: Calcário calcítico ou premix para
confinamento (18% de Ca).
• Aumentar sal branco da dieta: 1% da dieta. Aumento
consumo d’água e aumento de volume de urina (eliminação
dos cálculos). Deixar disponível em cochos dentro das baias.
• Se necessário utilizar 0,5% cloreto de amônio
matéria seca da dieta
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Acidose
• Grandes quantidade de amido (milho) causam
abaixamento do pH (acidose)

• Sinais de acidose: parar de comer, fezes


pastosas
• Incluir fibra na dieta . Mínimo de 18-20% de FDN.
• Substituir parte do amido por outra fonte de
energia ( pectina e outros): casca de soja, polpa
cítrica
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Tamponante:
• Dietas ricas em concentrado (AMIDO) causam
abaixamento do pH do rúmen (acidose)

• Prevenção: Bicarbonato de sódio: 0,5% MS da dieta


ou mistura de 2:1 de bicarbonato de sódio e óxido
de magnésio.
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Intoxicação por cobre


• Sintomas: Hematúria e Icterícia- danos aos rins e
hemácias
• Ingestão excessiva de cobre: Minerais p/ bovinos,
subproduto rico em cobre:cama de frango, adubação de
pastos com esterco de suinos e aves, pomares (calda
bordalesa).

• Prevenção: Nunca utilizar núcleos ou mistura mineral


de outras espécies. Não utilizar ingredientes ricos em
cobre

• Solução: aumentar molibdênio (antagonista).Há no


mercado premix para confinamento para este fim.
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Ionóforos (antibiótico)
• Monensina sódica e Lasalocida
• Coccidiostático,
• Promotor de crescimento: melhora conversão
alimentar e modifica favoravelmente a
fermentação ruminal.

• utilizar : 20ppm (g/ton) na dieta total (MS)


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Promotor de crescimento natural


(Probiótico)

• Levedura viva - Saccharomyces cerevisiae


Leveduras vivas administrada oralmente, que
colonizam o rúmen e aumentam o aproveitamento do
alimento e diminui acidose.

• Utilizar desde o creep-feeding e no confinamento

• Quantidade: utilizar a recomendação do fabricante


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Dietas completas secas


• Dieta completa seca:
• Fontes de fibra entre 10 - 20%: feno e palhas moídas,
casca de algodao ou café.

• Substituir parte do milho por casca de soja e/ou polpa


cítrica desidratada: ruminação e salivação acidose.

• Os ingredientes proteicos são os farelos de soja (45% de


proteína bruta) e algodão (28 ou 38% de PB ).
• Ureia para animais com mais de 100 dias, na proporção de
1% da dieta total.
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PqC. Mauro Sartori Bueno -Zootecnista


F.: (19) 3476-0940
E-mail: mauro.bueno@sp.gov.br
Obrigado!

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