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NOÇÕES DE ESTATÍSTICA (RESUMO)

Frequentemente assistindo à televisão, lendo jornais ou revistas, nos deparamos com gráficos, tabelas que nos dão muitas informações, como índices de inflação, consumo de água, taxa de desemprego, taxa de mortalidade infantil.

A todas essas informações devemos inicialmente colher dados, em

seguida organizá-los e analisá-los. Para chegarmos ao resultado desejado utilizamos a Estatística.

A estatística pode ser entendida como sendo um campo da matemática aplicada que tem por objetivo: coletar, organizar, descrever, analisar e interpretar dados.

POPULAÇÃO

É

o

conjunto

observação de grupos.

Exemplos:

de

objetos,

de

indivíduos

ou

de

ocorrência

na

Conjunto de estudantes do ensino fundamental de uma escola.

Conjunto de pessoas que moram num condomínio fechado.

AMOSTRA

É uma parte dessa população; isto é, um subconjunto do universo

estudado.

FREQÜÊNCIA ABSOLUTA

Freqüência absoluta de uma variável é dada pelo número de vezes que essa variável aparece no conjunto considerado.

FREQÜÊNCIA RELATIVA

É a razão entre a freqüência absoluta e o número total de elementos

do conjunto.

A freqüência relativa é dada em porcentagem.

FREQÜÊNCIA ABSOLUTA ACUMULADA

A freqüência absoluta acumulada é obtida adicionando-se a cada freqüência absoluta os valores das freqüências anteriores.

Exemplo:

 

A

tabela mostra a distribuição das idades dos jogadores de um time

de futebol.

 

Número de

Idade

Freqüência

Freqüência absoluta acumulada

Freqüência

jogadores

(em anos)

absoluta

relativa

4

18

4

4

14

%

6

20

6

10

20

%

3

21

3

13

10

%

7

23

7

20

24

%

2

24

2

22

6 %

8

25

8

30

26

%

 

TOTAL

30

30

100 %

GRÁFICOS

 

Podemos representar graficamente a distribuição de freqüências de um levantamento estatístico.

As representações gráficas mais utilizadas são:

Gráfico de segmentos.

É representado pela união dos segmentos de reta.

200

150

100

50

0

1° 2° 3° 4° Trim Trim Trim Trim
Trim
Trim
Trim
Trim
No r t e Oe s te Leste
No r t e
Oe s te
Leste

Gráficos de setores

1° Trim 2° Trim 3° Trim 4° Trim
1° Trim 2° Trim 3° Trim 4° Trim
1° Trim
2° Trim
3° Trim
4° Trim

Gráficos de barras

4° Trim 3° Trim 2° Trim No r t e Oe s te Leste 1°
4° Trim
3° Trim
2° Trim
No r t e
Oe s te
Leste
1° Trim
0
50
100

DISTRIBUIÇÃO DE FREQÜÊNCIAS COM DADOS AGUPADOS

Gráficos de colunas

100 80 Leste 60 Oeste 40 Norte 20 0
100
80
Leste
60
Oeste
40
Norte
20
0

1° Trim 2° Trim 3° Trim 4° Trim

Observando-se as “mesadas” dos alunos da Turma A do colégio X, foram obtidos os seguintes valores em reais:

800

500

700

400

200

 

400

800

200

800

200

400

700

400

800

700

500

700

300

900

1000

Com absoluta e relativa.

esses

dados,

vamos

construir

uma

tabela

de

freqüências

Para

determinarmos

a

distribuição

absoluta,

organizaremos

as

mesadas em ordem crescente (rol).

 
 

200

200

200

300

400

400

400

400

500

500

700

700

700

700

800

800

800

800

900

1000

Observamos que a menor mesada é de 200 reais e a maior é 1 000

reais.

A variação de mesadas é 1 000 – 200 = 800.

Esse valor é chamado de amplitude total.

Podemos

agrupar

esses

valores

em

intervalos

de

classe

(são

intervalos de variação dos dados observados) da seguinte forma:

Como a menor mesada é de 200 reais e a maior é de 1 000 reais, podemos agrupá-los em intervalos de amplitude 200, ou seja:

200

├── 400

4 alunos

400

├── 600

6 alunos

600

├── 800

4 alunos

800

├──┤1000

6 alunos

Nesse caso, 200 é o limite inferior e 1 000 é o limite superior da

classe.

A diferença amplitude da classe.

entre o

limite

superior e o limite inferior

é igual

à

No intervalo 400 ├── 600, por exemplo, podemos determinar o ponto médio do intervalo.

(400 + 600) ÷ 2 = 500.

Assim, podemos construir a tabela de freqüência com classes.

Mesadas (reais)

Freqüência

Freqüência

Freqüência

Freqüência

absoluta

absoluta

relativa

relativa

acumulada

acumulada

200

├── 400

4

4

20

%

20

%

400

├── 600

6

10

30

%

50

%

600

├── 800

4

14

20

%

70

%

800 ├──┤1 000

6

20

30

%

100 %

 

20

100 %

 

REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DE UMA DISTRIBUIÇÃO DE FREQÜÊNCIAS

Uma distribuição de freqüências, ao ser representada graficamente, tem por objetivo fornecer informações analíticas de uma maneira mais rápida. A sua representação gráfica se faz através do histograma, ou polígono de freqüência.

HISTOGRAMA

É formado por um conjunto de retângulos justapostos, onde no eixo das abscissas temos os intervalos de classes e no eixo das ordenadas, as freqüências.

Exemplo:

Consideremos a tabela que representa as médias de 100 alunos do 3º ano do ensino médio do Colégio Alfa, em Matemática.

Classes

fi

fa

0

├── 2

40

40

2

├── 4

30

70

4

├── 6

10

80

6

├── 8

15

95

8

├── 10

5

100

Fonte: Secretaria do Colégio

 

fi: freqüência absoluta. fa: freqüência acumulada.

POLÍGONO DE FREQÜÊNCIA

fa: freqüência acumulada. POLÍGONO DE FREQÜÊNCIA È o gráfico em linha, sendo as freqüências marcadas

È o gráfico em linha, sendo as freqüências marcadas sobre perpendiculares ao eixo horizontal, levantadas pelos pontos médios dos intervalos de classe.

marcadas sobre perpendiculares ao eixo horizontal, levantadas pelos pontos médios dos intervalos de classe.

MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL (OU DE POSIÇÃO)

As medidas de posição nos mostram a localização dos elementos da amostra quando esta é disposta em rol.

MÉDIA ARITMÉTICA ( X )

Considerando um grupo de 20 pessoas com 22, 20, 21, 24 e 20 anos, observamos que:

x

=

22 20 21 24 20

+

+

+

+

5

=

107 = 21,4

5

Calcular a média aritmética ponderada de um aluno que obteve no bimestre 8,0 (peso 2), 7,0 na pesquisa (peso 3), 9,0 no debate (peso 1) e 5,0 no trabalho de equipe (peso 2).

x

=

+

8x2 7x3 9x1 5x2

+

+

8

LEMBRETE: SOMATÓRIO

Exemplo:

1) Calcular o somatório

5

n 1

=

.

Resolução:

5

n 1

=

= 1² + 2² + 3² + 4² + 5² = 55

=

56

8

= 7

ATENÇÃO !

Usa-se também o símbolo de somatório para representar média aritmética.

1. Para valores discretos:

Exemplo:

x =

n

i = 1

xi

n

1) As alturas dos jogadores de um time de basquete são 1,98 m; 2,02 m; 2,08 m; 1,92 m e 1,95 m. Qual é a média de altura desse time?

Resolução:

x =

5

i = 1

xi

1,98 2,02 2,08 1,92 1,95

+

+

+

+

=

5

5

= 1,99 m

2 . Para valores agrupados em classes.

Quando os dados estão agrupados, aceita-se, por convenção, que as freqüências se distribuem uniformemente ao longo da classe e que, portanto, o ponto médio da classe é o valor representativo do conjunto. Nesse caso, a média é calculada partindo-se do ponto médio da classe.

x =

n

fi.xi

i

=

1

n

fi

i

=

1

Onde: fi: freqüência da classe. xi: ponto médio da classe.

Exemplo:

Consideremos a tabela que representa as notas de 45 alunos do 3º Colegial em Física, no Colégio Alfa.

Classes

Xi

fi

0

├── 2

1

 

3

2

├── 4

3

 

9

4

├── 6

5

10

6

├── 8

7

15

8

├── 10

9

 

8

 

x

=

n

=

i

1

fi.xi

n

fi

i

=

1

x =

3.1 9.3 10.5 15.7 8.9

+

+

+

+

45

MODA ( Mo)

= 5,71

Define-se como moda de uma série de números ao valor que ocorre com a maior freqüência.

Exemplo:

15, 17, 15, 18, 17, 16, 18, 17, 14, 17, 15

ATENÇÃO:

Mo = 17.

Amodal: Distribuição que não tem moda.

Exemplo:

4, 8, 7, 13, 12, 21

Bimodal: Distribuição que apresenta duas ou mais modas.

Exemplo:

1, 3, 3, 3, 4, 4, 4, 5, 6, 7, 7, 8,

Mo = 3 e 4

Distribuições com intervalos de classe:

A classe de maior freqüência é a classe modal.

Moda bruta é a média aritmética dos extremos da classe modal.

Exemplo:

Consideremos a tabela que representa as notas de 45 alunos do 3º Colegial em Física, no Colégio Alfa.

Classes

Xi

fi

0

2

├── 2

├── 4

1

3

3

9

Classe modal: 6├── 8

4

├── 6

5

10

Moda bruta: (6 + 8) ÷ 2 = 7

6

├── 8

7

15

8├── 10

9

8

MEDIANA (Md)

Considerando-se

um

conjunto

de

dados

dispostos

em

ordem

crescente, define-se como mediana ao valor que ocupa a posição central.

1. O número de dados é ímpar:

Exemplo:

3, 4, 4, 2, 5, 3, 4, 6, 5 (9 elementos)

A posição ocupada pela mediana é :

2k + 1 = 9 k = 4.

Posição: k + 1

k = 5.

Colocando em ordem crescente: 2, 3, 3, 4, , 4, 5, 5, 6

Md = 4.

2. O número de termos é par:

Neste caso a mediana será a média entre os valores centrais.

Exemplo:

2, 3, 3, 4, 4, 5, 5, 5, 6, 6.

Md = (4 + 5) ÷ 2

Md = 4,5

Aplicações:

01) Foi analisada uma amostra com 10 latas de um determinado refrigerante e registrados os volumes em mililitros dos líquidos dessas latas, obtendo- se os valores:

298, 300, 302, 303, 299, 301, 297, 300, 300, 300

Calcular a média, a moda e a mediana dessa amostra.

Resolução:

Ordem crescente: 297, 298, 299, 300, 300, 300, 300, 301, 302, 303

Média Aritmética.

x =

297 298 299 4 300 301 302 303 =

+

+

+

.

+

+

+

10

Mediana.

Md: (300 + 300) ÷ 2 = 300.

Moda.

Mo: 300.

3000

10

= 300

02) (UFBA) De acordo com o Boletim do Serviço de Meteorologia de 07 de junho de 2000, o quadro abaixo representa a temperatura máxima, em graus Celsius, registrada em Fernando de Noronha e nas capitais da Região Nordeste do Brasil.

Aracaju

Fernando de Noronha

Fortaleza

João Pessoa

Maceió

27ºC

30ºC

31ºC

30ºC

27ºC

Natal

Recife

Salvador

São Luís

Teresina

30ºC

30ºC

26ºC

32ºC

32ºC

Com base nessas informações, pode-se afirmar:

lado

representa a distribuição de freqüência das temperaturas.

(01) O gráfico

ao

informações, pode-se afirmar: lado representa a distribuição de freqüência das temperaturas. (01) O gráfico ao

(02) A freqüência relativa da temperatura de 31ºC é igual a 10%.

(04) Representando-se a freqüência relativa por meio de um gráfico de setores, a região correspondente à temperatura de 27ºC tem ângulo de 36º.

(08) A média aritmética das temperaturas indicadas no quadro corresponde a

29,5ºC.

(16) A mediana das temperaturas registradas é igual à temperatura modal.

(32) A amplitude das temperaturas é de 32 ºC.

Resolução:

(01)

Verdadeira. Freqüência é o número de vezes que ocorre cada observação. Logo, podemos resumir o quadro acima na seguinte tabela:

Temperatura

 

Freqüência

26ºC

1

(Salvador)

27ºC

2

(Aracaju e Maceió)

30ºC

4

(Fernando de Noronha, João Pessoa, Natal e

Recife)

31ºC

1 (Fortaleza)

32ºC

2 (São Luís e Teresina)

Total de observações

 

10

(02)

Verdadeira. Freqüência relativa é a razão entre a freqüência e o número total de observações (10). Para a temperatura de 31ºC, temos 1/10, ou seja, 10%.

(04) Falsa. A freqüência relativa, para a temperatura de 27ºC, é 2/10, isto é, 20%. Para determinar o ângulo da região corresponde à temperatura de 27ºC usaremos a seguinte regra de três:

100

20





360

x

x = 72.

(08) Verdadeira. Temos: (26 + 2.27 + 4.30 + 31 + 2.32) ÷ 10 = 29,5 A média aritmética das temperaturas é igual a 29,5ºC

(16) Verdadeira.

A mediana (Md):

26 27

27

30

30

30

(Md) = (30 + 30) ÷ 2 = 30

Md = 30ºC

30

31

32

32

A temperatura modal (Mo) é a mais freqüente entre os valores observados.

Mo = 30ºC (4 observações)

(32) Falsa. A amplitude (A): 32 – 6 = 6

A amplitude das temperaturas é 6ºC.

MEDIDAS DE DISPERSÃO

As medidas de dispersão indicam o quanto os dados se apresentam dispersos em torno da região central.

Consideremos os conjuntos

A

= {6, 6, 6, 6, 6, 6, 6},

B

= {3, 4, 5, 6, 7, 8, 9},

C

= {1, 2, 3, 6, 9, 10, 11}

As médias aritméticas dos elementos desses conjuntos são iguais a 6. Entretanto nota-se que a dispersão dos elementos de A em relação à média (valores mais ou menos espalhados em relação à média) é nula. A dispersão dos elementos de C é maior que a dispersão B, isto é, B é mais homogêneo que C.

As principais medidas de dispersão são:

DESVIO (Di)

O desvio é definido como sendo a medida do grau de dispersão de cada valor

da variável em relação à média.

Exemplo:

Seja o conjunto B = {3, 4, 5, 6, 7, 8, 9}

x =

42

7

= 6

D 1 = 3 – 6 = – 3 D 4 = 6 – 6 = 0 D 7 = 9 – 6 = 3

VARIÂNCIA

D 2 = 4 – 6 = – 2 D 5 = 7 – 6 = 1

D 3 = 5 – 6 = – 1 D 6 = 8 – 6 = 1

Define-se por variância como sendo a média aritmética dos quadrados dos desvios.

V =

n

i = 1

(xi x )²

n

No exemplo anterior:

v

=

( 3)² ( 2)² ( 1)² (0)² 1²

+

+

+

+

+

+

7

DESVIO PADRÃO

= 4

O desvio padrão é definido com sendo a raiz quadrada da variância.

Exemplo:

Dp =

com sendo a raiz quadrada da variância. Exemplo : Dp = V . Vamos comparar o

V .

Vamos comparar o desvio padrão dos Conjuntos B e C.

B = {3, 4, 5, 6, 7, 8, 9},

C = {1, 2, 3, 6, 9, 10, 11}

Conjunto B

V = 4 (exemplo anterior)

Dp =

x =

4 = 2 Conjunto C 42 = 6
4 = 2
Conjunto C
42
= 6

7

V

=

(1 6)² (2 6)² (3 6)² (6 6)² (9 6)² 10 6)² (11 6)² =

+

+

+

+

+

+

7

6)² (11 6)² = − + − + − + − + − + − +

Dp = 14,29 = 3,78

+ − + − + − + − + − + − 7 Dp = 14,29

14,29

Comparando o desvio padrão de B (2,00) com o de C (3,78) nota-se que o conjunto B é mais homogêneo em relação à média.

O conjunto B é menos disperso que o conjunto C.

Aplicações:

01) Numa pequena ilha, há 100 pessoas que trabalham na única empresa ali existente. Seus salários (em moeda local) têm a seguinte distribuição de freqüências:

Salários

Freqüência

$ 50,00

30

$ 100,00

60

$ 150,00

10

Qual o desvio padrão dos salários?

Resolução:

Média aritmética:

x

= (30.50 + 60.100 + 10. 150) ÷ 100 = 90.

Variância: [30.(50 – 90) 2 + 60.(100 – 90) 2 + 10.(150 – 90) 2 ] ÷ 100 = 900.

Desvio padrão:

+ 10.(150 – 90) 2 ] ÷ 100 = 900. Desvio padrão: D p = 900

D p = 900 = 30

] ÷ 100 = 900. Desvio padrão: D p = 900 = 30 O desvio padrão

O desvio padrão dos salários é $ 30,00

03) Dois jogadores de futebol de times diferentes marcaram os seguintes números de gols em 5 partidas seguidas:

Partida

Jogador A

Jogador B

 

1 0

3

 

2 1

3

 

3 2

2

 

4 6

4

 

5 6

3

Qual dos jogadores teve o desempenho mais regular?

Resolução:

Média aritmética:

Jogador A:

x = (0 + 1 + 2 + 6 + 6) ÷ 5 = 3

Jogador B:

Variância:

Jogador A:

V = [(0 – 3) 2 + (1 – 3) 2 + (2 – 3) 2 +(6 – 3) 2 + (6 – 3) 2 ] ÷ 5 = 6,4

Jogador B:

V = [(3 – 3) 2 + (3 – 3) 2 + (2 – 3) 2 + (4 – 3) 2 + (3 – 3) 2 ] ÷ 5 = 0,4

Desvio Padrão:

Jogador A:

 

D p =

Jogador B:

 

D p =

= 2,53 2,53

  D p = Jogador B:   D p = = 2,53 0,4 = 0,63 O

0,4 = 0,63 = 0,63

  D p = Jogador B:   D p = = 2,53 0,4 = 0,63 O

O jogador B teve o desempenho mais regular.