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Projeto: “Literatura, um Direito Humano”

Educação em Direitos Humanos

Ana Clara do Amaral Santos – Matemática – Diurno

Lívia dos Santos Amaral – Letras – Noturno

Lorenzo Barreiro Lopes de Almeida – Letras – Noturno

Luca Barreiro Lopes de Almeida – Letras – Noturno

Renata Fagali Franchi – Letras – Noturno

Janeiro – 2021
Título do projeto, público alvo (alunos de qual série/ano?)

O Debate “Literatura, um Direito Humano” é direcionado para alunos do 1° e


2° ano do Ensino Médio.

Tema do projeto e Justificativa:

O tema do projeto será, em suma, um debate sobre o direito humano, o


direito à educação e o direito à literatura. Assim, relacionamos como a literatura é
direito do homem, tendo como plano de fundo as teorias que vimos ao longo do
curso. Como está no ​Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos/
Parecer (​ BRASIL, 2012), os direitos humanos são frutos da dignidade humana e são
direitos para que o seu cumprimento seja universal. Além disso, a educação, como
continua o texto, é fundamental, pois, nela, o sujeito tem acesso ao legado histórico,
político e social; também é uma ferramenta contra a desigualdade e a exclusão
social. Quando Giuseppe Tosi (2005) discute o fundamental dos Direitos Humanos
em seu texto “Direitos humanos: reflexões iniciais”, coloca que algumas das
dimensões da desses direitos são a dimensão social, dentro dela o direito da
educação, da dimensão educativa, que coloca que o homem nasce livre, mas
também tem o direito de tomar essa consciência, e a dimensão histórica e cultural, o
direito ao acesso do conhecimento acumulado do homem de sua cultura. Como
propomos neste projeto, a Literatura é um direito, pois é não só um bem social,
histórico, formador e cultural, mas também uma ferramenta do conhecimento dos
seus direitos e de centenas de outras áreas (sem falar da própria Literatura).
Com base nessa relação direito-educação, propomos o debate sobre a
literatura ser um direito. Isso pois, segundo Antônio Cândido (2012) em seu texto
crítico e, de certa maneira, sociológico, discute como a literatura é fundamental para
a formação do ser humano. Assim, por haver uma função social de humanizar o
homem, a literatura, segundo o estudioso, é um direito. Como objeto da discussão,
traremos uma tirinha da Mafalda, personagem do livro de quadrinhos ​Mafalda no
jardim de infância, de Quino. Nessa obra, a personagem discute a importância do
direito da educação, assim, a obra literária discutirá o direito.
De início, é importante esclarecermos, resumidamente, as concepções
teóricas adotadas. Começando pela literatura ser entendida, segundo Antonio
Candido (2012), como algo essencial para o ser humano. Desde a existência dessa
espécie, podemos encontrar meios de representações que contam histórias e criam
identidades por meio da cultura, produzidas a partir do imaginário. De pinturas
rupestres a cantigas folclóricas, sempre estivemos constantemente nos
relacionando com a criação de uma fantasia que, com a organização de sistemas
verbais, possibilitou-nos a criar obras ficcionais como a prosa e a poesia.
De acordo com Candido (2002), pensar a partir da fantasia é uma das
necessidades fundamentais do homem, de modo que é impossível passar um dia
sem adentrar no universo do imaginário, seja para criar uma situação hipotética ou
narrar um acontecimento a alguém.
A todo o tempo estamos lidando com a faculdade de elaborar ou de participar
de um contexto ficcional, seja em um devaneio ou contando uma anedota. Um dos
modos para trabalhar a necessidade humana de imaginar é por meio de seu contato
com o universo literário, o qual é compreendido desde o fazer romanesco,
propriamente dito, até formas mais populares, como cantos folclóricos. O leitor, pela
literatura, pode entrar em contato com uma nova comunidade descrita ao longo da
obra literária e “incorporar à sua experiência humana mais profunda o que o escritor
lhe oferece como visão da realidade.” (CANDIDO, 2002, p. 89-90). Essa realidade,
representada ficcionalmente pelo escritor, pode ser absorvida por aquele que a lê e,
assim, pode servir para ele em um processo de humanização.
A literatura é como uma das “necessidades mais elementares” (CANDIDO,
2002, p. 83), pois ela responde a essa característica básica da nossa espécie, que é
a de criar e imaginar. Nesse sentido, Candido argumenta em seu texto ​A literatura
como formação do homem (​ 2002) que a literatura e o seu acesso fazem parte, ou
ao menos deveriam, do grupo de elementos indispensáveis ao sujeito e sua
formação. Nesse mesmo texto, o professor e crítico literário ainda argumenta que a
literatura, o cinema e os contos populares atuam “tanto quanto a escola e a família
na formação de uma criança e de um adolescente. (CANDIDO, 2002, p. 84).
Então, concordamos com o autor quando ele diz que a literatura educa como
a vida, não como um manual moralizante do que é certo ou errado, do que deve ou
não ser feito, mas como uma contribuição para a formação da personalidade do
indivíduo, oferecendo a ele um conhecimento que foge do convencional da
sociedade da qual faz parte, fazendo-o enfrentar uma nova realidade e novos
paradoxos usando a sua capacidade de imaginar. A partir de tudo isso, a literatura,
como podemos ver na citação acima, é tão importante quanto a escola para a
formação do ser humano.
Apresentado o nosso tema e nossa justificativa, como discorreremos a
seguir, pretendemos realizar uma discussão com os alunos, apresentando os
conteúdos e depois dialogando com eles numa espécie de debate.

Objetivos:

O projeto tem como objetivo mostrar a importância da Literatura e como ela


também é um direito de todo ser humano. Levaremos questionamentos e
levantamentos para demonstrar qual é o papel da Literatura no crescimento /
desenvolvimento de uma pessoa, assim como ela não é apenas uma área de
estudos, ela é aplicável e essencial para a edificação.
Através das leituras selecionadas, da apresentação da charge, do
debate/discussão em si, temos como objetivo explicar qual é o papel da Literatura
na construção de uma vida melhor para todos, demonstrando que ao ser
considerada um Direito Humano (e explicando quais e como são estes Direitos
Humanos) ela só irá garantir benefícios em todos os âmbitos sociais, pessoais e
profissionais. Mais do que um objetivo final, temos um objetivo a longo prazo, fazer
com que a sociedade se torne respeitada (pelo menos dentro do ambiente da sala
de aula trabalhada), que ela consiga ser um instrumento formador de opinião dos
alunos, tornando-os conscientes, auxiliando na construção de cada intelecto que
entra em contato com este tipo de “arte”.

Conteúdo: quais conteúdos relativos à EDH serão abordados? Quais valores?


Quais práticas?

De acordo com a proposta do trabalho, os conteúdos relativos à EDH serão


os seguintes: Dignidade humana através da Literatura, Igualdade de direitos em
relação ao acesso à Literatura, Reconhecimento e valorização das diferenças e das
diversidades através dos textos literários e dos diversificados autores apresentados
nos debates, Democracia na educação por meio do debate e todo seu
desenvolvimento, Transversalidade, vivência e globalidade para fazer com que o
debate atinja todos os presentes e suas opiniões/experiências pessoais.
Além dos textos de EDH, trabalharemos com o autor Antônio Cândido,
fornecendo uma base teórica para o debate, as charges da personagem Mafalda e
os demais acessos via Internet que servem como apoio para a realização do
trabalho, particularmente o site do Planalto e do MEC que servirão como alicerce
para defendermos e trabalharmos sob as leis dos Direitos Humanos, do Estatuto da
Criança e do Adolescente e também do Plano Nacional de Educação em Direitos
Humano.
Os valores que trabalharemos serão a integridade e a dignidade humana
desenvolvidas através do acesso à Literatura; a construção de uma Identidade civil
consciente, participativa e inovadora; liberdade de pensamentos e crenças
estimulados através dos conteúdos diversificados da Literatura; objetivando a
igualdade de acesso e de crescimento intelectual o estímulo ao respeito às
diferenças e as novas visões de mundo; equidade, solidariedade e cooperação ao
lidar com os sentimentos e a vida ampla de todo o ser vivo, participação ativa nas
atividades desenvolvidas, seja no campo profissional ou pessoal,
Uma vez que a literatura, juntamente com toda a sua bagagem histórica, e
em especial a sua magia em viajar no tempo, pode se tornar uma peça fundamental
no próprio desenvolvimento do aluno, gerando assim um campo fértil para o
aprendizado que é o seu maior direito. Ao ter acesso ao texto literário, a sua leitura,
tem-se a oportunidade, do conhecimento, acesso a realidades e tempos históricos
que, muitas vezes não diferem do nosso como também realidades e experiências
nunca apresentadas aos alunos, construindo então, novas visões e novos
entendimentos sobre a construção do ser humano e da sociedade.
Dessa forma, os valores apresentados visam o desenvolvimento humano
através do acesso e dos amplos conhecimentos que a Literatura apresenta,
trazendo para perto de cada um construções que edificam o homem, tornando-os
seres preparados para as diversidades internas e externas que afetam nossa vida.
Adotaremos como prática para este projeto o debate. Debater é uma forma
de colocar para o outro a visão e os argumentos que o objeto apresentado tem em
nossa visão, respeitando a opinião é o momento de serem colocadas tais ideias. Em
especial, escolhemos o debate por ser uma prática que tem a capacidade de formar
seres humanos mais preparados para aceitar e praticar novos conceitos, fazer com
que o outro possa se sentir afetado pela comunicação que está ocorrendo e com
isso, ir atrás do novo, das ideias que lhe estão sendo mostradas.

Metodologia: Desenvolvimento do projeto:

Para discutir a literatura como direito, com os alunos, propomos uma breve
leitura de alguns tópicos do que é o Direito Humano (que trouxemos no tópico 3).
Podemos mostrar para os alunos o documento do MEC, o ​Plano Nacional de
Educação em Direitos Humanos,​ que coloca: “Nessa direção, o governo brasileiro
tem o compromisso maior de promover uma educação de qualidade para todos,
entendida como direito humano essencial.” (BRASIL, 2010, p. 11). Assim, por mais
que seja um direito básico uma educação de qualidade, ela não é atendida. O que é
um compromisso básico do povo é deixado de lado, e isso tem bases históricas,
como vimos. No ​Plano nacional de direitos humanos ​(2006), documenta-se, não
educação de qualidade, mas que o estado está deixando de lado o direito humano
do povo. Além disso, se a literatura é um direito, mas que não é atendido
socialmente, qual é a relação do Estado com isso?
Também propomos a leitura de trechos dos estudos e documentos
mencionados ao longo deste escrito e sobre os assuntos mencionados nos
conteúdos. Essas leituras teriam um efeito introdutório no conteúdo e também o
objetivo de orientar a discussão dos alunos.
Para ajudar a fomentar a discussão, vamos levar para a sala de aula esta
charge (logo, literatura) da Mafalda, na qual os personagens questionam a função
educação; assim, será possível, por extensão, questionar a função da literatura:

A discussão será interessante, pois é um gênero oral que se desenvolve ao


redor de discussões problemáticas, o que é rico para a esfera escolar como método
de aprendizado e de capacidade de argumentação. A discussão é uma maneira de
praticar a democracia, pois, sempre que um pensa nos seus argumentos ou mesmo
quando argumenta, deve ter espaço para a opinião dos demais. Também faz com
que o aluno busque conhecimento e também tome cuidado com as suas palavras.

Avaliação: como avaliar se os objetivos serão atingidos.

Podemos avaliar o desempenho dos alunos conforme sua colaboração no


debate, participação, argumentação, desenvolvimento do próprio raciocínio e
questões levantadas durante a discussão. Fatores como respeitar a opinião dos
colegas, prestar atenção ao que está sendo discutido e apresentar argumentos
consistentes para defender sua ideia podem auxiliar o professor na Avaliação do
aluno.

Referências Bibliográficas

ARAÚJO, Ulisses Ferreira. Pedagogia de projetos e direitos humanos: caminhos


para uma educação em valores. Pro-Posições, v.19, n.2, p.193-204, 2008.

BRASIL. Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos. Plano Nacional de


Educação em Direitos Humanos. Comitê Nacional de Educação em Direitos
Humanos. – Brasília: Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Ministério da
Educação, Ministério da Justiça,UNESCO, 2006.

BRASIL. ​Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos/ Parecer.


Diário Oficial da União,​ 2012.

CANDIDO, Antônio. A literatura e formação do homem In: Textos de Intervenção.


São Paulo:​ Duas Cidades/Editora,​ v. 34, 2002.

Planalto: O Portal do Brasil. Disponível em:


<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm>. Acesso 08 de Fevereiro de
2021.
Portal do Mec. Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/docman/2191-plano-nacional-pdf/file>Acesso 08 de
Fevereiro de 2021.

QUINO. ​Mafalda no jardim de infância. Tradução de Mônica Stahel.São Paulo:


Martins Fontes, 1999.

TOSI, Giuseppe. Direitos humanos: reflexões iniciais. In TOSI, Giuseppe (org)


Direitos humanos: história, teoria e prática. João Pessoa: Editora
Universitária/UFPB, 2005.

SOUZA, Leonardo L.; KLEIN, A. M. . DIVERSIDADE E EDUCAÇÃO EM DIREITOS


HUMANOS NA ESCOLA: CONCEITOS, VALORES E PRÁTICAS. In: Iranete Maria
da Silva Lima; Maria Joselma do Nascimento Franco; Kátia Silva Cunha. (Org.).
Reflexões e ações sobre educação, estado e diversidade. 1ed.Recife: Ed.
Universitária da UFPE, 2013, v. 1, p. 19-45.