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CENTRO DE TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA - CTEAD

CURSO TÉCNICO EM PETRÓLEO E GÁS

CLÁUDIO SOARES DE OLIVEIRA

A IMPORTÂNCIA DO PRÉ-SAL NA ECONOMIA BRASILEIRA COMO FONTE


GERADORA DE EMPREGOS

NATAL/RN
2010
CLÁUDIO SOARES DE OLIVEIRA

A IMPORTÂNCIA DO PRÉ-SAL NA ECONOMIA BRASILEIRA COMO FONTE


GERADORA DE EMPREGOS

Trabalho de Conclusão de Curso – TCC,


apresentado ao Centro Tecnológico de Educação
à distância – CTEAD, como parte dos requisitos
obrigatórios para obtenção de grau de Técnico
em Petróleo e Gás.
ORIENTADORA: Cristiane Parpinelli da Silva
Chaves

NATAL/RN
2010
CLÁUDIO SOARES DE OLIVEIRA

A IMPORTÂNCIA DO PRÉ-SAL NA ECONOMIA BRASILEIRA COMO FONTE


GERADORA DE EMPREGOS

Trabalho de Conclusão de Curso – TCC,


apresentado ao Centro Tecnológico de Educação
à distância – CTEAD, como parte dos requisitos
obrigatórios para obtenção de grau de Técnico em
Petróleo e Gás.

Aprovado em:______/______/______

BANCA EXAMINADORA

____________________________________________________________

Cristiane Parpinelli da Silva Chaves - CTEAD


Orientadora

_____________________________________________________________

Jovan Machado e Silva – CTEAD


Examinador

____________________________________________________________

Examinador
Dedico esse trabalho a Jesus Cristo, a minha mãe
Marluce Lucindo de Oliveira, pela compreensão
e incentivo demonstrado durante todo o período
do curso. Ao meu pai, José Jeová Soares de
Oliveira (in memoriam), a minha avó Rosélia e
aos meus irmãos e primos pelo apoio em
conquistar este sonho acadêmico.
AGRADECIMENTOS

Na nossa trajetória de vida, nos deparamos com algumas pessoas que nos estendem a
mão nos momentos mais difíceis. Nesses momentos, toda emoção toca a alma, abrindo
passagem para resolvermos fases, as quais somos submetidos, e nos orgulhamos quando
concluímos cada uma delas.
Neste sentido, não posso esquecer-me de todos os que sempre permaneceram ao meu
lado, estimulando e apoiando-me nesta caminhada. A cada um, manifesto os meus sinceros
agradecimentos.
Aos meus tios, em especial a minha tia Josineide por estar sempre incentivando
durante todos os momentos, da minha vida.
Aos meus amigos de infância que estiveram sempre presente nos momentos bom e
ruins da minha vida.
Aos amigos do Curso em Petróleo e Gás por termos compartilhado juntos todos os
momentos de conhecimentos durante 1 ano e 6 meses de luta acadêmica.
A Marione por estar presente ao meu lado, me incentivando e apoiando nesse período
durante 1 ano e 6 meses de curso.
A minha orientadora, Cristiane, pela sua imensa contribuição para a realização deste
trabalho, que, provavelmente, não teria se tornado uma realidade sem as suas importantes e
preciosas orientações. Pela sua paciência e compreensão diante das minhas dificuldades e,
sobretudo, por ter me aceito.
Por fim, agradeço a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, confiaram e
colaboraram para que eu chegasse até aqui, e assim, pudesse estar encerrando, mas ao mesmo
tempo abrindo novas portas/etapas de minha vida pessoal e profissional sempre com intuito
de melhorar a cada dia.
RESUMO

O assunto abordado neste TCC aborda a Importância do Pré-Sal na economia brasileira como
fonte geradora de empregos. Essa descoberta feita pela Petrobrás busca esclarecer as novas
oportunidades geradoras de empregos e do crescimento econômico e tecnológico do país
mediante a extração do Petróleo e gás em águas ultraprofundas. Objetiva-se, dessa forma,
mostrar os avanços a partir das novas descobertas do pré-sal que levará o país a um salto de
qualidade. Essa pesquisa foca estudos em teóricos como Goldberg (2010); Felipe (2010);
Oliveira (2010) e o site da Empresa Petrobrás (2009), que apontam em seus artigos o futuro
brasileiro, a partir dessa descoberta que mudará o perfil da economia, podendo contribuir para
a diminuição das desigualdades sociais e regionais. Metodologicamente, buscou-se
aprofundar em detalhes como a descoberta das jazidas até a sua retirada, armazenamento e
produção. Nesse sentido, destaca-se o conceito e a importância da camada do pré-sal para a
produção do petróleo, a importância de pessoas capacitadas para o trabalho nas plataformas e
finaliza tecendo considerações sobre o início de uma nova era para a política econômica
petrolífera capaz de gerar empregos e desenvolver o país tecnológica e economicamente.

Palavras-Chaves: Camada Pré-sal; Extração do petróleo; Petrobrás.


LISTA DE FIGURAS

FIGURA 01 Reservas Provadas (Diário de Pernambuco/2010).............................. 12


FIGURA 02 Obstáculos do Pré-sal (Internet/Google).............................................. 14
FIGURA 03 Empregos e projeções de crescimento (VocêS/A, 2009)...................... 18

SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO......................................................................................................... 08
2 DO PETRÓLEO AO PRÉ-SAL.............................................................................. 10
2.1 IDENTIFICANDO O PRÉ-SAL................................................................................ 10
2.2 CORRIDA DE OBSTÁCULOS................................................................................. 12
3 MÃO DE OBRA QUALIFICADA: UM DESAFIO PARA A PETROBRÁS..... 15
3.1 DA MÃO DE OBRA QUALIFICADA PARA O INVESTIMENTO NO PRÉ-
SAL............................................................................................................................. 18
4 UMA NOVA ERA PARA A PETROBRÁS........................................................... 20
5 CONCLUSÃO........................................................................................................... 22
REFERÊNCIAS........................................................................................................ 24
8

1 INTRODUÇÃO

O panorama brasileiro sobre a questão do pré-sal requer um estudo que viabilize a


exploração do petróleo em águas (ultraprofunda), os gastos subsequentes da Petrobrás e, por
consequência, a capacitação de uma mão de obra qualificada para o desenvolvimento das
atividades de exploração e produção, principalmente das reservas localizadas na área do Pré-
Sal.
Nesse sentido, o futuro do Brasil está submerso nas gigantescas jazidas de petróleo
abaixo das camadas do pré-sal. Essa descoberta trás perspectivas promissoras de
investimentos contínuos, até o ano de 2020, totalizando um gasto inicial de R$ 580 bilhões,
onde R$ 102 bilhões dessa remessa são destinados aos campos de petróleo ativos do
Nordeste, onde será possível um enorme salto qualidade.
Com inovação tecnologia e segurança jurídica para os investimentos, milhares de
empregos serão gerados com desdobramentos positivos para todos os setores produtivos.
Dessa forma espera-se crescer as receitas públicas sendo possível uma redução nas
desigualdades sociais e a esperança de um país mais justo.
Com base nessas informações e através de consultas em periódicos e artigos
disponibilizados na internet, por empresas e consultorias especializadas, além do site da
Petrobrás, bem como em palestras sobre o referido tema foi possível escrever nesse TCC
informações acerca do pré-sal e contextualizá-lo para o leitor.
Dessa forma, objetiva-se esclarecer as novas oportunidades geradoras de empregos e
do crescimento econômico e tecnológico do país. Essa descoberta e avanço na produção de
petróleo em nosso país apontam para o futuro brasileiro que irá mudar todo perfil da
economia, contribuindo para diminuir, também, as desigualdades regionais.
Essa descoberta de gigantescas jazidas de petróleo abaixo da camada do pré-sal tem
tudo para levar o Brasil para o bloco dos dez primeiros produtores de petróleo do mundo.
Essa informação, de acordo com a Petrobrás, pode dobrar nos próximos 10 anos a produção
de barris onde o país passará de 2 milhões para 4 milhões de barris por dia.
Já estão sendo instaladas novas plantas industriais como cinco refinarias, estaleiros
etc, onde partes dos recursos deverão ser aplicadas em infraestrutura para assegurar
escoamento da produção com garantias de qualidade e competitividade.
Assim sendo, o presente trabalho trata do tema apresentando informações básicas
sobre o petróleo no pré-sal e sua localização em dois estados brasileiros (Santa Catarina e
9

Espírito Santo), além de trazer informações relevantes sobre a formação, composição e


localização da camada pré-sal no Brasil e no Mundo. Na metodologia, buscou-se aprofundar
um pouco mais o estudo sobre o tema em questão para dar maiores detalhes, desde a
descoberta das jazidas até a sua retirada, armazenamento e produção.
No primeiro momento, destaca-se o conceito e a importância da camada do pré-sal
para a produção do petróleo, explicitando também, os maiores produtores petrolíferos do
mundo e os obstáculos encontrados para que o acesso ao petróleo seja possível mediante as
novas tecnologias.
Em outro momento aborda-se sobre a importância de pessoas capacitadas para o
trabalho nas plataformas, onde a própria Petrobrás afirma ser um dos maiores desafios que
deverá ser enfrentado para o crescimento da economia do país. É preciso treinamento e
formação de mão de obra especializada em petróleo no Brasil, seja através da Petrobrás, dos
convênios da Agencia Nacional do Petróleo, e outros órgãos competentes, com destaque para
áreas que deverão ser perfuradas para a extração do petróleo.
Dessa forma, termina-se tecendo considerações de que o pré-sal é o início de uma
nova era para a política econômica brasileira petrolífera capaz de gerar empregos e
desenvolver o país tecnologicamente e economicamente.
10

2 DO PETRÓLEO AO PRÉ-SAL

Há inúmeras teorias sobre o surgimento do petróleo, porém, a mais aceita é que ele
surgiu através de restos orgânicos de animais e vegetais (principalmente algas) e micro
organismos depositados no fundo de lagos e mares sofrendo transformações químicas ao
longo de milhares de anos. ‘O petróleo vem do latim e quer dizer petroleum, petrus, pedra e
óleo, oleum’. Por ser uma substância oleosa e inflamável, geralmente menos densa que a
água, possui cheiro característico e coloração que pode variar desde o incolor ou castanho
claro até o preto, passando por verde e marrom (castanho).
Para os químicos da Petrobrás, o petróleo é uma combinação complexa de
hidrocarbonetos, composta na sua maioria de hidrocarbonetos saturados, insaturados e
aromáticos. Também pode conter quantidades pequenas de nitrogênio (N), oxigênio (O),
compostos de enxofre (S) e íons metálicos, principalmente de níquel (Ni) e vanádio (V).
Até hoje não existe uma teoria rigorosa sobre a formação, mas admite-se que a maior
quantidade provém de um processo de transformação anaeróbia de sedimentos orgânicos sob
condições favoráveis de pressão e temperatura ou diretamente do magma interno da Terra.
No entanto, por ser um combustivel fossil, não renovável, é preciso investir
tecnologicamente para descobrir novas fontes de petróleo. Esse interesse da empresa resultou
numa descoberta gigantesca de jazidas de óleo bruto abaixo da camada de sal.

2.1 IDENTIFICANDO O PRÉ-SAL

Segundo a Petrobrás (2009), o pré-sal é uma porção do subsolo que se encontra sob
uma camada de sal situada a alguns quilômetros abaixo do leito do mar, nas porções marinhas
de grande parte do litoral brasileiro, com potencial para a geração e acúmulo de petróleo,
sendo de fundamental importância para o crescimento econômico do país. Acredita-se que
essa camada foi formada há 150 milhões de anos, possuindo grandes reservatórios de óleo
leve (de melhor qualidade e que produz petróleo mais fino).
De acordo com os resultados obtidos pelos engenheiros petrolíferos e através de
perfurações de poços, constatou-se que as rochas do pré-sal se estendem por 800 quilômetros
do litoral brasileiro, desde Santa Catarina até o Espírito Santo, e chegam a atingir até 200
quilômetros de largura.
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Convencionou-se chamar de pré-sal porque forma um intervalo de rochas que se


estende por baixo de uma extensa camada de sal, que em certas áreas da costa atinge
espessura de até 2000m. O termo pré é utilizado porque, ao longo do tempo, essas
rochas foram sendo depositadas antes da camada de sal. A profundidade total dessas
rochas, que é a distancia entre a superfície do mar e os reservatórios de petróleo
abaixo da camada de sal, pode chegar a mais de 7 mil metros (PETROBRÁS, 2009).

Nesse sentido, explicita Peruzzollo (2008), que para se chegar a esses resultados foi
preciso fazer um “Imageamento em Profundidade” para poder obter com mais precisão o local
da existência do petróleo. Nesse sentido, a descoberta do petróleo nas camadas de rochas
localizadas abaixo das camadas de sal foi possível não somente devido ao desenvolvimento de
novas tecnologias como a sísmica 3D e sísmica 4D de exploração oceanográfica, mas também
devido ao desenvolvimento de técnicas avançadas de perfuração do leito marinho, sob até 2
km de lâmina d'água.

Desde 1998, ano da abertura do mercado de petróleo no Brasil, começamos com os


levantamentos sísmicos 2D utilizando cabos longos de oito quilômetros já com o
objetivo de obter uma melhor imagem da seção geológica e também abaixo do sal da
plataforma continental brasileira. Depois disso vieram os levantamentos sísmicos 3D
com cabos de seis quilômetros e, em seguida, de oito quilômetros, também com o
objetivo de melhor imagear a parte mais profunda. Mais recentemente os
levantamentos ‘wide azimuth’, aplicados pioneiramente no Golfo do México desde
2003, apresentaram bons resultados em áreas complexas. Temos processos
diferentes que ajudam no melhor imageamento em profundidade dos dados em três
dimensões (PERUZZOLLO, 2008, p. 6).

Logo, “as maiores descobertas de petróleo, no Brasil, foram feitas recentemente pela
Petrobrás, na camada pré-sal, localizada entre os estados de (Santa Catarina e Espírito Santo),
onde se encontrou grandes volumes de óleo leve”. Na Bacia de Santos, por exemplo, o óleo já
identificado no pré-sal tem uma densidade de 28,5° API, baixa acidez e baixo teor de enxofre.
São características de um petróleo de alta qualidade e maior valor de mercado (PETROBRÁS,
2009).
Ainda de acordo com a empresa, a estimativa das reservas na camada pré-sal na bacia
de Santos são mais significativas do que na região ultraprofunda das bacias de Campos e do
Espírito Santo. Nesta região, a camada de sal deslocou-se ao longo dos anos, fazendo com que
o óleo anteriormente sob a camada, subisse. Na bacia de Santos, a camada de sal manteve-se
praticamente intacta, preservando o óleo abaixo dela.
Nesse contexto, cita-se também a descoberta dos três primeiros campos do pré-sal:
Tupi, Iara e Parque das Baleias, por serem reservas brasileiras de exploração de petróleo da
Petrobrás, em fase de comprovação e que futuramente triplicarão em número de bilhões de
barris na liderança de perfuração de poços, onde demarca o centro de uma região de sal que
12

está num raio de 160.000 km². Essa é uma das áreas mais promissoras, que possui uma
espécie de morro submerso, batizado de Pão de Açúcar, que se estende por pelo menos
quatros blocos de exploração já licitados. “Chamada de pré-sal, esta grande região pode
guardar até 70 bilhões de barris de petróleo” (DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 2010).
Se as reservas forem comprovadas, o Brasil pulará 8 posições no ranking mundial, se
tornando um dos dez primeiros nas reservas comprovadas em bilhões de BOE - barris de óleo
equivalente. Abaixo, o gráfico que explica a quantidade de bilhões de barris de petróleo pelo
mundo.

Figura 1 - Reservas Provadas (Diário de Pernambuco/2010)

2.2 CORRIDA DE OBSTÁCULOS

A descoberta dos depósitos na camada do pré-sal traz desafios tecnológicos


semelhantes aos da Bacia de Campos, embora numa escala muito maior em termos de
profundidades e distâncias a serem vencidas.
Se o país decidir olhar para o pré-sal como a ponta de um iceberg de oportunidades e
inserir na agenda nacional a formulação de uma estratégia integral para sua área marítima,
terá de vencer os obstáculos presentes no mar. Nesse sentido, cabe a Petrobrás partir para o
desenvolvimento tecnológico em suas plataformas, e seus equipamentos offshore. É preciso
ter um planejamento estratégico levando em consideração os fenômenos naturais como as
ondas, as marés, as correntes e, a partir disso pensar na construção de estruturas navais;
navegação de cabotagem e internacional; vigilância por satélites que vão ajudar positivamente
nos impactos que levam ao pré-sal.
Ainda se pode afirmar que para chegar a extração do petróleo e do gás na camada do
pré-sal é preciso levar em consideração duas vertentes, sendo uma vertical e outra horizontal.
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A primeira é de natureza vertical: para perfurar o poço até o reservatório, é preciso


atravessar as camadas de água, de sedimentos e de sal, cada uma com um tipo de
comportamento e temperaturas que variam de 80ºC a 140ºC, sob altas pressões e gases
corrosivos.
Nesse sentido, é necessário considerar ainda o caminho de volta até a superfície, pois
durante o transporte do petróleo e do gás extraídos dos poços, podem ocorrer entupimentos
nos dutos e causar vazamentos que provoquem acidentes ambientais.
A segunda vertente é a dos desafios horizontais, ou seja, pensar numa forma de
transportar o petróleo e o gás da área de produção até a costa, a 300 quilômetros de distância,
por meio de navios e gasodutos, além disso, transportar pessoal, equipamentos e suprimentos
para as plataformas.

Tudo isso será feito num ambiente onde nada é estático. Plataformas, navios e
tubulações balançam e se desgastam sob a ação de ventos, ondas e correntes;
sedimentos desabam sobre as sondas que perfuram os poços; o sal volta a se fechar
sobre o caminho recém-aberto pela sonda; e até o movimento do óleo e do gás que
escoam pelas tubulações provoca desgaste e fadiga nos materiais, podendo causar
rompimentos. É, em resumo, um conjunto de problemas que começa com a grande
profundidade da água, passa pela colocação de revestimentos nas perfurações em
sedimentos moles, não consolidados, continua na difícil travessia da espessa camada
de sal, até chegar a um ambiente de altíssima pressão e temperatura, saturado de
gases corrosivos (SEIXAS, 2010, p. 08).

 Água: A primeira etapa a ser vencida são 2-3 km de água. Até aqui não muito
diferente do tipo de exploração já realizada na costa brasileira. A principal dificuldade
é que a região promissora está a cerca de 300 km do litoral.
 Rocha: A barreira seguinte consiste numa muralha de rocha, mais ou menos com a
mesma espessura da camada de mar acima dela, ou seja, aproximadamente outros 2
km de pedras no fundo do mar, que precisa ser atravessada para a instalação do poço.
No entanto, é preciso analisar e conhecer as variações de espessura dessa camada
geológica e da temperatura das mesmas em grandes profundidades, pois já se sabe que
elas podem chegar até 140 graus centígrados. Além dessa contestação, os
pesquisadores, também já sabem que as camadas de sal registram altos níveis de
pressão e temperatura e apresentam consistência semelhante à de um material plástico,
o que pode comprometer as perfurações e obstruir poços já abertos.
 Sal: Abaixo de toda essa água e rocha, outra camada, também de aproximadamente 2
km, é feita de sal. Embora compacta essa área de sal sofra os efeitos da pressão e do
calor gerado pela energia geotérmica e se comporta menos como um sólido e mais
14

como uma gelatina, além de ser considerado impermeável, ou seja, mal aberto o poço,
volta a fechá-lo. É preciso desenvolver técnicas de perfuração e revestimentos para o
poço, capazes de conter os sedimentos não consolidados, para que não colapsem
facilmente, e de inibir o efeito gelatinizado do sal, para que não volte a preencher o
volume onde se encontrava antes da passagem da sonda.
 Rocha do Petróleo: Ao ser atingida a rocha reservatório, possivelmente aparecerá
mais surpresas, pois a mesma é do tipo calcário carbonática, cujo comportamento é
desconhecido dos geólogos e engenheiros e se apresentam como esponjas, em cujos
poros se armazenam o petróleo e o gás. Logo, é preciso fazer poços direcionais,
desviados lateralmente, que se estendam para formar uma malha de produção que
carreia o óleo extraído para uma mesma plataforma. Um poço direcional no pré-sal
pode chegar a medir de 12 a 20 quilômetros, sendo uma boa parte rocha desse
percurso dentro da camada de sal. Quanto maiores as profundidades das áreas de
operação, mais altas são a pressão e a temperatura. Desenvolver materiais que resistam
a temperaturas da ordem de 150ºC e a pressões de 400 bar, o equivalente a 400 vezes a
pressão atmosférica em que vivemos, é mais um desafio. Outro é lidar com o ambiente
hostil, de gases corrosivos abundantes no pré-sal – no caso, o dióxido de carbono
(CO2) e o ácido sulfídrico (H2S) (SEIXAS, 2010, p 08-12).
 Petróleo: Sob o sal foi encontrado gás natural e petróleo leve, de alta qualidade. A
extração, porém, não é simples. O próprio peso de uma tubulação de 7 km impõe
desafios mecânicos. Além disso, ao ser bombeado o petróleo está quente (100°) e
fluido, mas pode “endurecer” nas baixas temperaturas do oceano.

Figura 2 - Obstáculos do Pré-sal (Internet/Google)


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Se bem executada, a exploração do petróleo do pré-sal pode garantir recursos para os


investimentos estruturantes que o Brasil precisa para elevar sua economia. Nota-se que o país
está diante de uma oportunidade inédita para aprofundar os avanços macroeconômicos e
aumentar de forma consistente sua carteira de investimentos. Para a Petrobrás (2009) os
próximos anos apresentam uma conjunção de fatores propulsores da atividade industrial no
Brasil com a certeza de representar “uma grande oportunidade para o país e a indústria”.
Nesse sentido, afirma-se que a produção de petróleo aumentará muito, em média em
100% das reservas brasileiras. Além do mais, a expectativa é de que o óleo obtido nessas
reservas será do tipo médio-leve, que possui alto valor de mercado. Em explicações sobre o
pré-sal, a Petrobrás (2009) ainda afirma que:

Para movimentar toda a atividade de prospecção, exploração, transporte e


comercialização do petróleo extraído do pré-sal, diversos seguimentos produtivos
deverão ser acionados: construção e operação naval, transporte e dutos, refino,
armazenagem e infraestrutura portuária são alguns deles (PETROBRÁS, 2009).

Portanto, os desafios tecnológicos deverão, também, ser primordiais e passarem por


diversas áreas, que vão desde a nanotecnologia e materiais especiais, até automação, dutos
inteligentes, sensores especiais e engenharia submarina que representará um grande desafio
para a indústria nacional. Contudo, é preciso avançar na ampliação de escala de produção e
qualificação de recursos humanos.

3 MÃO DE OBRA QUALIFICADA: UM DESAFIO PARA A


PETROBRÁS

Um dos grandes desafios para a Petrobrás é buscar a mão de obra qualificada para
atender a demanda de extração do petróleo, na Bacia Tupi, após a perfuração da camada do
pré-sal. Embora esteja preparada, tecnologicamente, a empresa vem se estruturando nas
ultimas décadas no campo de pesquisa e instalação de laboratório tecnológico que garantirá,
nos próximos anos, a produção dessa nova fronteira exploratória.

Para este fim, vem oferecendo a seus colaboradores a oportunidade de


desenvolvimento e de capacitação em uma ampla gama de atividades inerentes à
indústria petrolífera. Nesse aspecto, investe na qualidade de seu corpo técnico
através da Universidade Petrobras (UP), que é um órgão que visa o treinamento e o
desenvolvimento de pessoal em acordo com os objetivos da empresa e, sendo uma
Universidade Corporativa, tem por objetivo preparar seus funcionários em alto grau
e excelência nas áreas científicas, tecnológicas e de gestão para a execução de suas
16

tarefas cotidianas e nos novos desafios, dos quais a exploração das jazidas na área
do pré-sal é um dos mais relevantes. Sendo a UP o principal órgão da empresa para
treinamento e desenvolvimento de seu pessoal, um funcionário de nível superior,
quando recém-admitido em concurso e sem experiência prévia, chega a passar de
três meses a um ano em uma sala de aula até estar apto a ocupar efetivamente seu
cargo. Na Universidade trabalharão o aprimoramento de suas competências, tanto no
lado técnico quanto no lado organizacional da empresa. A Universidade Petrobrás
conta atualmente com três campi: Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador [...]. Os
Programas de formação que compõem a Universidade Petrobras são considerados de
excelente qualidade e reconhecidos internacionalmente. Na Escola de Ciências e
Tecnologias de Exploração & Produção são ministradas aulas na área de exploração,
que abrangem desde a geologia, com a avaliação da formação, a aquisição e o
processamento sísmico, a interpretação exploratória, a análise de projetos e de
bacias, até o acompanhamento e controle de projetos. Já nas matérias referentes à
produção, o foco está voltado ao estudo de reservatório, engenharia de poços,
processos de produção, instalações de produção e engenharia naval (FELIPE, 2010,
p. 27).

Um exemplo do seu crescimento econômico é “o Programa Tecnológico para o


Desenvolvimento da Produção dos Reservatórios Pré-sal – PROSAL, a exemplo dos bem-
sucedidos programas desenvolvidos pelo seu Centro de Pesquisas - CENPES, como o
Programa de Capacitação de Pessoal - PROCAP, que viabilizou a produção em águas
profundas” (PETROBRÁS, 2009).
Nesse sentido, a empresa vem desenvolvendo uma tecnologia própria, e trabalhando
em acordo mútuo com várias universidades, outros órgãos competentes, além da Escola do
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI, que vai acelerar a formação de
técnicos especializados nas novas demandas do setor produtivo. Esse avanço na qualificação
de profissionais para trabalhar nas camadas do pré-sal contribui para a formação de um sólido
portfólio tecnológico nacional. Dessa parceria surgiu, em dezembro de 2009, o Centro de
Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello – CENPES, concluindo a
modelagem integrada em 3D das Bacias de Santos, Espírito Santo e Campos, que será
fundamental na exploração das novas descobertas.
Contudo, antes dos resultados finais sobre o pré-sal, o trabalho de qualificação de mão
de obra da Petrobrás já vinha acontecendo em ritmo acelerado, no Estado de Pernambuco.
Nesse estado, “diversos estudos foram realizados pela Confederação Nacional da Indústria -
CNI, juntamente com a Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco - FIEPE e o
SENAI, como forma de atender a demanda por profissionais preparados para atuar em
investimentos estruturadores como o Estaleiro Atlântico Sul (EAS), a Refinaria Abreu e Lima
e o polo petroquímico” (DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 2010, p. 03).
Como exemplo da falta de mão de obra especializada pode ser citada a refinaria de
Pernambuco, que teve, por um período, várias máquinas paradas por falta de operadores
17

qualificados. Daí, a preocupação da Petrobrás em sanar esse quadro de despreparo nos seus
profissionais. Dessa forma, foi pensado o acordo mútuo entre a empresa e o SENAI, com o
apoio da CNI, para montar um canteiro escola. Dessa união foram formados, em torno de
1.100 operadores e o cronograma da obra foi rigorosamente cumprido.
Dessa forma, a empresa procura desenvolver, também, pesquisas em parceria com as
principais universidades e instituições do país, contando com instalações comparáveis ao que
há de melhor em ternos globais: como o calibrador hidrodinâmico da Universidade de São
Paulo (USP), o Núcleo de Tecnologia de Óleo e Gás, no Espírito Santo, e o Laboratório de
Ensaios Não Destrutivos, Corrosão e Soldagem na Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ).
De fato, essa qualificação leva a um grande salto de qualidade e eficiência dessas
escolas que já promoveram a educação tecnológica formando vários profissionais habilitados
nas mais diversas áreas. As oportunidades de negócios com a descoberta do petróleo nas
camadas do pré-sal e os novos empreendimentos são tantos que muitos empresários não
sabem sequer dimensionar as oportunidades. Chama-se a isso, "tsunami de oportunidades",
pois a medida que a exploração do pré-sal for acontecendo será preciso usar profissionais
qualificados de nível básico, técnico e superior, em diferentes áreas para que atendam as
exigências da Petrobrás no que se refere à construção de equipamentos de exploração e
produção, como foi exposto no Plano Decenal de Energia para 2008 a 2017, lançado no início
de agosto desse ano. Essa ideia de profissionalismo traz para a empresa petrolífera uma
estrutura sólida e produtiva, de tal ordem que a exploração na camada do pré-sal seja
conseguida com sucesso.
Além de operários, a empresa deverá buscar profissionais para as áreas de compras,
logística, engenharia e RH. No entanto, a escassez de profissionais dessa área é um problema
a ser enfrentado pela empresa, pois mesmo tendo suprido a demanda com engenheiros
químicos que fizeram carreira fora da área de petróleo, não se pode levar em conta só as
competências técnicas para a contratação de pessoal. O ideal é buscar profissionais que
tenham a iniciativa de se desenvolver por conta própria, sem esperar a ajuda da empresa.
Logo, a lógica é contratar para aumentar a produtividade, pois de acordo com a
Petrobrás se espera que, nos próximos quatro anos, 500.000 empregos sejam abertos na cadeia
de petróleo, elevando dos atuais 200.000 para 700.000, e que o número de profissionais que
trabalharão na Petrobrás cresça de 74.000 para 209.000 no mesmo período.
18

Figura 3 - Empregos e projeções de crescimento (VocêS/A, 2009)

3.1 DA MÃO DE OBRA QUALIFICADA PARA O INVESTIMENTO NO


PRÉ-SAL

Com base nesses dados, Monteiro Neto, em entrevista para o Diário de Pernambuco
(2010, p. 04), afirma: “a CNI defende a criação de um ambiente competitivo e atrativo para o
investimento privado, em complementação ao investimento estatal. O novo marco regulatório
terá de conferir aos investidores parâmetros de atratividade e segurança jurídica adequados e
terá de ser capaz de atrair o investimento privado nacional e estrangeiro”.
Essa condição da CNI só foi possível através do investimento em profissionais, em
conjunto com o SENAI e a própria Petrobrás. No entanto, foi necessário fazer um contrato
onde houvesse medidas fundamentais que precisavam ser atendidas: respeito aos contratos;
previsibilidade; transparência; retornos compatíveis com riscos e competitividade com
oportunidades oferecidas em outros países.
Para o presidente da FIEPE, Jorge Wicks Côrte Real, o investimento na qualificação
dos profissionais para trabalhar no pré-sal gera renda a partir dos royalties do petróleo,
especialmente para o Nordeste e abre portas para o mercado de trabalho local e nacional.

[...] Os investimentos previstos pela Petrobras no período 2009-2013 são da ordem


de US$ 140 bilhões, sendo que dessa cifra US$ 25 bilhões serão destinados ao
Nordeste. Isso, sem contar os investimentos de outras empresas e aqueles aplicados
na cadeia produtiva do petróleo. São números que representam a importância do
setor para a economia e que, sem dúvida, se traduzirão em desenvolvimento. As
oportunidades da cadeia de fornecedores para o setor de petróleo e gás são inúmeras.
Se as políticas de desenvolvimento regional forem bem direcionadas para a criação
19

de novas empresas e a ampliação das já existentes, o pré-sal será um elemento


indutor do crescimento, atuando na redução das disparidades regionais e das
desigualdades sociais, proporcionando a melhoria da qualidade de vida da
população. O governo tem em mãos a possibilidade de promover o dinamismo das
áreas de menor vigor econômico e integrá-las ao mercado nacional. A exploração do
pré-sal permitirá esse enfoque integrador sobre as diversas regiões. O Nordeste deve
aproveitar esse momento inédito da economia e se diferenciar pela qualidade das
suas ações e políticas. O Brasil tem inúmeras oportunidades de investimentos, um
mercado doméstico amplo e uma economia em expansão. É fundamental atuar
também sobre a agenda de reformas estruturais e microeconômicas para que as
transformações sejam permanentes (DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 2010, p. 11).

Nesse contexto, o novo marco regulatório para o pré-sal deve concentrar-se na


atividade de extração do petróleo e, consequentemente, na garantia de um ambiente de
trabalho seguro e um investimento tecnológico que seja capaz de fazer crescer a economia e
transformar o país. Contudo, a garantia de investimentos nessa área deve-se ao fato da
segurança da Petrobrás para que às transações e aos investimentos aconteçam no âmbito
jurídico, mesmo porque, onde há dúvidas sobre investimentos, os mesmos param ou se
retraem.
Tendo como meta o desenvolvimento regional e da política industrial “o país não pode
eximir-se de redistribuir os recursos do pré-sal aos diferentes estados para que possamos
construir uma sólida cadeia industrial de fornecedores” afirma Jorge Wicks Côrte Real, para o
Diário de Pernambuco, em maio de 2010.
Em relação ao mercado mundial, o Brasil tem que se preparar para enfrentar e
competir economicamente com o ranking internacional. Nessa lógica, o país já se antecipou e
tem o maior mercado de equipamentos offshore do mundo, possuindo uma grande
oportunidade de manutenção da atividade e de empregos. É, ainda, uma referência para países
como o Reino Unido e Noruega que estão com a sua produção petrolífera em fase de redução.
Além disso, deve se preparar para mudanças nas reformas estruturais, principalmente
na área tributária, pelo fato de estar em condições de igualdade competitiva com países, como
a China. Contudo, em tempos recentes é preciso refletir sobre mudanças na economia para
que o país não venha a sofrer a "maldição do petróleo" e com isso, tenha o seu crescimento
econômico afetado, ou seja, permita que os recursos originários da sua exportação voltem ao
país em sua totalidade econômica e supervalorize a moeda local.
Nesse caso específico, essa supervalorização da moeda provocaria uma forte
desindustrialização na nação que se tornaria refém da cotação do produto no mercado
internacional. Daí a reflexão sobre a economia do país que deverá investir num fundo de
renda para que a indústria do petróleo não tenha impacto negativo.
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A criação desse tipo de fundo é prática comum, em especial entre países produtores
de commodities não renováveis. Uma de suas funções é atenuar a apreciação do
câmbio decorrente do impacto do aumento substancial de divisas de exportações.
[...] logo, o papel deste fundo soberano tem como objetivo evitar que toda a receita
auferida pela produção seja consumida pela geração presente. Visa garantir que
quando a produção do bem estiver exaurida as gerações futuras possam continuar a
usufruir da riqueza, evitando assim quedas bruscas da renda nacional. Os Emirados
Árabes Unidos, Arábia Saudita, Kuwait e Rússia investem grande parte dos recursos
advindos da exploração do petróleo em ativos internacionais. Assim, grande parte do
excesso de oferta de moeda externa é absorvida pelo fundo, de forma a capitalizar
seus investimentos externos. É importante que a destinação dos recursos do fundo
visem o desenvolvimento de longo prazo [...] (DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 2010,
p. 05).

Nesse patamar de investimento econômico, o Brasil encontra-se em um cenário de


favoritismo, onde o Estado de Pernambuco é o epicentro da indústria de petróleo, onde em
números reais o Nordeste encontra-se num raio de 800 quilômetros, cobrindo 90% do Produto
Interno Bruto - PIB da região. Essa realidade vai transformar o estado num centro econômico,
pois as definições do novo plano de negócios da Petrobrás para o período 2010-2014, foi
confirmado com o projeto da Refinaria Premium I que terá a capacidade de produzir 600 mil
barris de petróleo por dia. Ela será a mais moderna da América Latina, construída numa área
de 20 km² no município de Bacabeira, a 66 quilômetros de São Luís, refinado tanto o óleo
pesado extraído da Bacia de Campos quanto o petróleo leve a ser produzido no pré-sal. Isso
terá um impacto muito grande na nossa economia. As empresas já instaladas são de alta
tecnologia e dá para concorrer com os países produtores de petróleo.

4 UMA NOVA ERA PARA A PETROBRÁS

A Petrobras deu início a uma nova era do setor petrolífero no país, em 1º de maio de
2009, com a produção do Campo de Tupi, o primeiro a ser descoberto na área do pré-sal da
Bacia de Santos e a maior reserva já descoberta no país. Esse achado tem dados econômicos
positivos que vão elevar o país no ranking mundial. Por esta descoberta foi comemorado a
extração do primeiro óleo do Pólo Pré-Sal da Bacia de Santos, dando início ao
desenvolvimento do campo de Tupi.
O início dessa produção ocorreu nos moldes do chamado teste de longa duração, a
partir da Floating, Production, Storage and Offloading - FPSO BW Cidade de São Vicente,
uma plataforma do tipo que explora, produz e estoca petróleo e gás com uma vazão inicial de
30 mil barris de petróleo por dia.
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No final desse ano, após ser concluído o teste de longa duração entrará em operação o
projeto-piloto da bacia Tupi. A mesma terá capacidade de produzir e processar diariamente
100 mil barris de óleo e 4 milhões de metros cúbicos de gás. Com duração prevista de 15
meses, o teste nessa bacia obterá informações técnicas para o desenvolvimento dos
reservatórios descobertos pela empresa na Bacia de Santos.
Para Guilherme Estrella, diretor de Exploração e Produção da Companhia, “essas
informações serão decisivas não só para definir o modelo de desenvolvimento da área de
Tupi, como também das outras acumulações do pré-sal daquela bacia sedimentar, que
configuram uma das maiores descobertas já feitas pela indústria do petróleo” (JORNAL DO
BRASIL ONLINE, 2009).
Essa realidade admitiu que as condições inovadoras em que a produção se dará
servirão para uma melhor avaliação de como se comportará o reservatório. Mesmo porque
ainda não se conhece profundamente as rochas que antecedem a camada do pré-sal. Daí, a
necessidade de se ter um laboratório de caracterização de rochas que contenham petróleo do
pré-sal e, nos ajude a simular, fisicamente, o comportamento desses fluidos. No entanto, no
pré-sal foram perfurados 16 poços e, nos 16, existem petróleo, numa margem de 100% de
acerto.
Nessa perspectiva de produção, a empresa passa a utilizar o navio-plataforma P-57,
que irá operar no campo de Jubarte, na porção capixaba da Bacia de Campos, a 80 km da
costa do Espírito Santo. “Essa unidade inaugura uma nova geração de plataformas,
concebidas e montadas a partir do conceito de engenharia que privilegia a simplificação de
projetos e a padronização de equipamentos. Um modelo que será referência para as futuras
plataformas da Petrobrás, como a P-58 e P-62, e para as unidades que irão operar no pré-sal
da Bacia de Santos” (PETROBRÁS, 2010).
Nesse contexto, o objetivo definido pela empresa é criar um Plano Estratégico e
audacioso que a coloque entre as cinco maiores empresas integradas de energia do mundo até
2020. Sabe-se que em 2008, a produção de óleo e gás atingiu a marca de 2,4 milhões de barris
de óleo equivalente por dia. Para 2013, espera-se superar o volume de 3,6 milhões de barris
por dia e para 2020, nossa meta é de 5,7 milhões por dia.
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5 CONCLUSÃO

A grande descoberta do petróleo, nas fontes do pré-sal, pela Petrobrás, vem gerando
discussões sobre a forma de aproveitamento e retirada em grandes quantidades do
combustível fóssil das águas ultraprofundas. Esse empreendimento está motivando uma
variedade de oportunidades que vai gerar permanentes desafios oferecidos pelo setor do
petróleo, como a capacitação de profissionais e o aumento da economia na balança comercial
brasileira, fazendo com que a empresa passe a registrar saldos positivos e uma diferença em
milhões de dólares entre exportação e importação do produto.
Sabe-se que pré-sal é o início de uma nova era para a política econômica do país e por
isso deve estar tecnologicamente apto a extrair o petróleo do subsolo, investindo em máquinas
e equipamentos offshore. No entanto, os bens e serviços para a indústria do petróleo terão que
dobrar sua capacidade instalada na próxima década para que a demanda prevista pela
Petrobrás seja concretizada.
Dessa forma, dezenas de milhares de empregos qualificados serão criados e muitas
oportunidades serão oferecidas para os jovens que estão chegando ao mercado de trabalho.
Porém, políticas ativas nos planos da empresa devem ser prioridade, principalmente no campo
tecnológico e educacional, para que esses efeitos indutores se cristalizem.
Internacionalmente, o pré-sal abre a perspectiva de reposicionamento geopolítico mais
favorável para o Brasil, pois ele pulará 8 posições no ranking mundial e, internamente, o
Brasil poderá promover a articulação do sistema energético regional valorizando as fontes
energéticas com baixo custo de oportunidade, como acontece em Pernambuco.
Essa perspectiva de desenvolvimento do pré-sal se dará em um prazo mínimo de 20
anos. No entanto, essa empreitada depende da continuidade de políticas governamentais de
longo prazo, assentadas em consenso político. Logo, fica explícito que transformar o
potencial petrolífero do pré-sal em riqueza econômica não é tarefa simples, pois ela exige
regulamentações que sejam capazes tanto de atrair os grandes recursos financeiros necessários
para a sua extração, quanto de uma ascensão e articulação empresarial para promover o
desenvolvimento competitivo do suprimento de bens e serviços para a indústria do petróleo.
Nesse sentido, é fundamental que o ritmo de seu desenvolvimento seja adequado à
capacidade de absorção de seus efeitos pela economia do país.
Dessa forma esse TCC, que possui como tema: “a importância do pré-sal na economia
brasileira como fonte geradora de empregos”, foi estruturado de forma a identificar o processo
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atual de extração do petróleo nas camadas pré-sal e sua representação econômica para a
Petrobrás, passando pelos desafios e obstáculos encontrados para a sua extração, além de
investir na qualificação da mão de obra. A princípio, foi pensado em dar uma conclusão sobre
o assunto pesquisado, mas deixam-se as considerações finais em aberto pelo fato da extração
do petróleo nessas camadas estar apenas começando, visto que novas jazidas já foram
identificadas e aumentarão a produção pré-existente.
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REFERÊNCIAS

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regulatório na pauta do Senado. Disponível em:
<http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/05/30/especial1_0.asp>. Acesso em 15 de
setembro de 2010.

FELIPE, Gisele Figueira Ritter et al. Desafios no pré-sal: recursos humanos. Publicado em
fevereiro de 2010. Disponível em: <http://tecnopeg.blogspot.com/2010/02/tcc-unisanta-
desafios-do-pre-sal>. Acesso em 19 de setembro de 2010.

GOLDBERG, Simone. Nas águas profundas e distantes do pré-sal. Valor Especial:


Tecnologia e Inovação. Complemento do Jornal Valor Econômico. Junho de 2010. P. 66-67.

JORNAL DO BRASIL ONLINE. Petrobras entra em nova era com produção do óleo de
Tupi no pré-sal. Publicado em maio de 2009. Disponível em:
<http://dialogospoliticos.wordpress.com> Acesso em 11 de outubro de 2010.

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<http://www.ie.ufrj.br/aparte/pdfs/adilson260908.pdf>. Acesso em 25 de setembro de 2010.

PENNA, Gabriel. A Corrida do Pré-Sal: Investimentos em petróleo podem criar 500 000
empregos. VOCÊ S/A - Caderno Destaques - É hora de crescer. As oportunidades no Brasil
para os próximos anos e as competências para aproveitar essa onda. Edição 137,
Novembro/2009. Disponível em: <http://vocesa.abril.com.br>. Acesso em 11 de outubro de
2010.

PERUZZOLLO, Cosme. Imageamento em profundidade. SBGf boletim. - Publicação da


Sociedade Brasileira de Geofísica. Número 1. 2008. Disponível em:
<http://www.sbgf.org.br/publicacoes/boletins/boletim1_2008.pdf >. Acesso em 15 de
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______. Petrobrás inaugura nova plataforma e instalações do Cenpes. Base de dados


2010. Disponível em: <http://www.infonet.com.br> Acesso em 11 de outubro de 2010.

SEIXAS, Lúcia. Viagem às profundezas do pré-sal. COOPE UFRJ – Corrida para o mar: os
desafios tecnológicos e ambientais do pré-sal. Disponível em: <www.coppe.ufrj.br>. Acesso
em 21 de outubro de 2010.