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Tributação das Empresas numa Perspetiva Internacional

Direito Fiscal (Universidade Catolica Portuguesa)

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Seminário Tributação das Empresas numa Perspetiva Internacional

Avaliação:
 Ensaio escrito em PT (época ordinária)
o 3500 palavras, excluindo referências bibliográficas e máximo 5000 (com tudo)
o Entrega até 15 de Janeiro
 Email: do pp
 Email suplente: miguel.goncalvescorreia@gmail.com
o Temas sugeridos durante a aula:
 Razões para termos IRC
 Princípio da realização em IRC (porque é que existe, quais são as exceções, como é que
funciona em Pt, EUA, etc)
 Exame em PT (época de recurso)
o 2h
Bibliografia:
 Taxation of corporate groups, Miguel Correia
 IRC e renegociações empresariais, António Rocha Mendes, Católica Editora (cap. 1)

Economia fechada: vamos ver como é que o sistema funciona, assumindo que as transações ocorrem todas dentro
do mesmo país
Economia aberta: transações internacionais, assumindo a interação dos sistemas uns com os outros

Economia fechada
 O sistema de IRC está organizado em 3 pilares primários e 6 secundários
 IRC = corporate income tax (CIT)

Pilares básicos do cálculo do IRC


1. Atribuição de personalidade tributaria passiva às empresas (= Corporate Level Tax)
 Faz-se de certo tipos de empresas o sujeito passivo
 As sociedades têm acionistas e, neste momento temos a empresa a ser tributada em sede de IRC
(lucro da empresa) e os sócios a serem tributados em sede de IRS (através da alienação das ações ou
distribuição de dividendos)  o imposto sobre o rendimento é implementado sobre estes dois
impostos (IRC e IRS). Porque é que temos o IRC?
 Razões que legitimam a existência do IRC?
 Podíamos tributar apenas em IRS apenas quando resultassem lucros ou alienassem as partes
sociais, no entanto, não é possível termos só o IRS porque tratam-se de eventos que podiam
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ser controlados pelos acionistas e, portanto, havia uma propensão para reter os lucros nas
empresas
 Mas, e se tivesse na mesma só o IRS, através de um sistema mark to market, ou seja,
comparar o valor das partes sociais em dois momentos temporais diversos (ex. comparo os
valores exemplo, 1000€ inicio do ano e, no final do ano, valem 3000€, o que faço é tributar
automaticamente a mais vale, ou seja, 2000€ sem que seja necessário os acionistas fazerem
nada
 Isto pode não refletir o lucro real da empresa
 Nas ações que não estão cotadas em bolsa, os custos associados à avaliação são
onerosos, ou seja, só funcionaria em relação às ações cotadas em bolsa
 Isto implicaria uma tributação sobre um valor que não tinha efetivamente recebido,
ou seja, a um problema de liquidez
 Devido ao facto de ter o IRC há um interesse acrescido da AT em fiscalizar e, portanto, o IRC
também tem esta vantagem regulatória, o que leva as empresas a “portarem-se bem”
 Critério que reside à tributação do sujeito passivo em IRC?
 A maioria dos legisladores entendeu atribuir legitimidade tributária passiva, em regra, às
empresas que possuem personalidade jurídica e, nos códigos dão alguns exemplos
elencando os tipos de empresas e a seguir estabelecem um critério
 Tributação do IRC nos EUA (particularidades):
 Nos EUA isto não é assim, existe o IRC federal dos EUA e, depois alguns estados têm
o seu IRC em simultâneo com o IRC, no entanto, apenas vamos estudar o IRC federal
dos EUA
 EUA – Formulário 8832
 Nota: nos EUA a corporate law é estadual e não federal (ex. antes de 1996, as leis
dos estados divergiam e os estados desenhavam as suas leis de modo a atraírem os
investidores e, Delaware tornou-se um estado bastante conhecido pelas suas leis
atrativas)
 EUA o IRC é o “checks the box”
o Em relação às empresas CO (ex. pepsi & CO) estas são sempre suejito
passivo de IRC
o Nas LLC (limited liability corporation) and LLP (limited liability partnership), é
possível ao investidor escolher se essa empresa é sujeito passivo de IRC ou
não, há uma flexibilidade muito grande  depois de fazerem a eleição ficam
vinculados a essa eleição para o futuro
 Ex. LLC e digo no former 8832 que quero que seja sujeito passivo de IRC e, essa LLC
tem filiais em PT, DE e NL  este former 8832 vai permitir definir como é que cada
uma das empresas vai ser tributada em termos norte amaericanos

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o Em PT tenho a PT Lda, em PT a sociedade por quotas é um sujeito passivo de


IRC, mas a sua forma vai variar porque o rendimento de fonte estrangeira
tem um impacto na casa mãe (nos EUA). Temos 3 abordagens:
 1) Seguir as regras de classificação do país de origem (não é muito
comum) – ex. se diz que é suj. passivo em PT então os EUA também
vão considerar um suj. passivo
 2) Olhar par a minha lei e, ver se esta empresa de acordo com a
minha lei é considerada sujeito passivo ou não (mais comum) – ex.
os EUA vao aplicar as suas regras e ver se é sujeito passivo ou não
 3) Abordagem norte americana – se tiver uma empresa que seja S.A
então é sempre sujeito passivo, se for uma sociedade por quotas,
limitada (LLP e LLC) então vão poder escolher se querem que seja
sujeito passivo ou não, de acordo com o formulário, mesmo que a
sociedade estrangeira seja sujeito passivo no seu país (ex. em Pt é
sujeito passivo)
 Nota: as S.A são sempre consideradas sujeitos passivos para
efeitos de tributação nos EUA
o Significa que, quando os investidores americanos
investem em PT eles privilegiam o investimento em
sociedades por quotas e não em sociedades
anónimas
2. Cálculo e liquidação do imposto numa base anual
 Utilizar para efeitos fiscais o mesmo ano que se utiliza para as demonstrações financeiras
 Exceções:
o Ter um ano mais curto porque a empresa foi liquidada ou dissolvida, portanto, aplicamos a
regra temporal em relação aos meses em que esteve operacional
o Quando temos empresas consolidadas e uma empresa sai, então o período fiscal
interrompe-se com a saída

3. Tributação com base no principio da realização


 O principio da realização tributa a criação de riqueza, mas apenas quando a riqueza é transferida
o Ex. duas empresas, de acordo com o principio da realização, regra geral, só há tributação
quando há transferência de riqueza, ou seja, quando dou algo e recebo algo em troca.
Devemos seguir os seguintes passos para termos a estrutura base do imposto:
i. Portanto, o ponto de partida é a análise transacional, tendo em conta que,
dependendo do que vai ser transacionado o IRC vai mudar

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ii. Alocações de deduções e inclusões ao contribuinte: da transação só podem resultar


duas coisas, isto é, da transferência ou vai haver uma inclusão de determinado valor
ou vai haver uma dedução
 No final do ano, depois das deduções e inclusões temos a matéria coletável
(= taxable income)
iii. A matéria coletável x taxa do imposto = valor a pagar em imposto
o Quem paga tem uma dedução, quem recebe tem uma inclusão  as despesas dedutíveis
têm de ter uma ligação com a atividade empresarial do sujeito passivo
o Mecânicas que vão ser aplicadas consoante a forma da transação:

1. Mecânica simples de dedução e inclusão (= simple mechanics of deduction and inclusion)


 é aplicável a pagamentos de juros (=interests), royalties, honorários por serviços
prestados (= service fees)
 A roupagem jurídica que eu dou à transferência pode ditar um sistema fiscal
diferenciado, ou seja, é necessário caracterizar a transferência
 Segundo esta mecânica, vamos deduzir todo o montante que foi pago por
quem pagou e, inclui-lo a quem recebeu (ex. x pagou 1000 e y recebeu 1000
– x tem uma dedução e y tem uma inclusão)
 Esta mecânica trata dos ativos correntes

2. Mecânica do reconhecimento (= mechanics of recognition)


 Vai-se aplicar à transferência de ativos e, varia se os ativos forem sujeitos a
depreciação ou não sujeitos a depreciação
A) Ativos fixos sujeitos a depreciação (= depreciable fixed assets)
o Ex. A pagou os 1000, mas recebeu uma máquina  neste caso, a
mecânica é diferente, a dedução de A não vai ser 1000 e a inclusão
de B também não vai ser 1000
o Esta transferência vai ter 4 efeitos fiscais:
 Há uma dedução de quem paga
 Verificar quanto é que o A que comprou a maquina
por 1000 vai poder deduzir  regras de
amortização ou depreciação
 Depreciação – quando os ativos
fixos são intangíveis; = Amortização
– quando os ativos fixos são
tangíveis

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 Além do valor de mercado que varia, a própria base


fiscal pode sofrer alterações, ou seja, pode descer
(com depreciação ou amortização) ou subir (se
houver capitalização)  nos ativos fixos sujeitos a
depreciação estes valores podem alterar-se
 A base da depreciação é a base fiscal originária 
maquina tinha valor de mercado de 1000 e base
fiscal de 1000, portanto, a base é a base fiscal, ou
seja, 1000. Mas, preciso de saber a vida útil do ativo
e o método de depreciação
 Base fiscal após aquisição: 1000
 Vida útil e depreciação estão no código, ex. 5 anos
de vida útil e o método de depreciação:
o 1) Método das quotas constantes (=
straight line method)  é uma linha reta a
5 anos, ou seja, o valor de depreciação vai
ser sempre igual, ou seja, 20% por cada ano
 No exemplo, vai poder deduzir 200
no primeiro ano, ou seja, ele vai
poder deduzir os 1000, mas
faseadamente, ou seja, eu começo
com 1000 deduzo os 200, mas após
os 5 anos, a minha base fiscal é de 0
o 2) Método das depreciações aceleradas (=
acceleration depreciation method)  é
utilizado para ativos em que o legislador
quer incentivar o investimento das
empresas  pode deduzir logo 50% no
primeiro ano e depois vai descendo,
exemplo, 30%, 10%, 7%, 5%, 3%
 Vai haver uma inclusão do valor recebido
o Quanto é que vai ser a mais valia?
o Os ativos fixos são aqueles ativos cuja
duração é superior a 1 ano, os ativos
correntes são aqueles cuja duração não
ultrapassa um ano  os ativos fixo para
efeitos fiscais têm um valor duplo, ou seja

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têm um valor fiscal e têm um valor de


mercado, que nem sempre podem ser
iguais
 Este valor fiscal começa por ser o
valor da aquisição  temos de
fazer a diferença entre o valor de
mercado e o valor fiscal do ativo
 É preciso fazer a diferença entre o
valor de mercado e a base fiscal (ex.
1000 – 500 = inclusão de 500) na
inclusão, incluímos apenas a
diferença dos dois valores
 Nota: se não houver diferença
entre os dois valores, o valor da
inclusão é 0)
 Efeito ao nível do ativo
o A base fiscal do ativo passa a ter
exatamente o mesmo valor do valor de
mercado = atualização da base fiscal com o
valor de mercado
o Com a transação reconhece-se a mais valia
latente
o Tudo o que está abaixo da base fiscal não é
tributável  a função da base fiscal é
registar o valor do ativo que já foi sujeito a
tributação para se evitar uma dupla
tributação; se o valor for igual é 0; se o
valor for acima tenho uma mais valia
 Efeito ao nível do ativo, mas a longo prazo
o A longo prazo vai poder deduzir todo o
valor, ou seja, ao fim dos 5 anos, a base
fiscal é 0, conseguiu deduzir os 1000
B) Ativos fixos não sujeitos a depreciação (= non depreciable fixed assets)
o Aqui, não existe o efeito 1 porque não há lugar a dedução e o efeito
4 porque como não deduzi não vou reduzir gradualmente o valor ao
longo do prazo, portanto, apenas existem os efeitos 2 e 3
o Aqui, eu nunca vou ter direito a dedução

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o Por outro lado, a base do ativo nunca vai diminuir, ou seja, passados
5 anos a base é na mesma 1000
o Os legisladores montaram o sistema assim para que, a longo prazo
as situações passassem a ser iguais, isto é, o valor de mercado vai
ser 1000 e o valor fiscal 1000, como é igual, a base fiscal vai ser 0 
a longo prazo a base fiscal vai ser sempre 0
o Aqui, vou usufruir do beneficio de uma base fiscal elevada
o Nota: a base fiscal dá-nos sempre o valor de tributação que vai ser
incluído e deduzido na alienação  é um beneficio ter uma base
fiscal elevada
Notas/conceitos:
 Capitalização: há despesas, normalmente que tem a ver com benfeitorias,
que estão de tal forma associadas ao ativo que o legislador não deixa
deduzir a despesa logo de imediato quando a faço, mas tem de a capitalizar,
ou seja, adiciono esse valor ao valor da base fiscal diluir a dedução da
despesa ao longo do tempo, ao mesmo tempo que se faz a depreciação do
ativo
o Ex. base fiscal 5 000 e tenho uma despesa de 1000 que tem de ser
capitalizada  eu tenho de adicionar essa despesa à base fiscal, ou
seja, a minha base fiscal passa a ser 6 000, portanto, a minha
depreciação passa a ser de 1200 por cada ano, até 5 anos.
o Ex. E no caso de colocar o motor novo que vale 1000 nos últimos
anos de depreciação dos 5 000? Quando é que se conta? As
diferentes jurisdições dão soluções diferentes quanto a esta
questão
 Ativo fixo sujeito a depreciação:
o Os ativos correntes têm de ter (vida útil inferior a 1 ano, em alguns
países até 3 anos)
o Tem de estar sujeito a desgaste, tem de haver para que a dedução
por depreciação seja aceitável
o Tem de haver uma ligação entre a aquisição e a atividade
económica do contribuinte
o Base que utilizo para o calculo da depreciação é o valor histórico
(mas, em alguns países, permite-se aumentar os 1000 com as
despesas que são necessárias ter para por a maquina a funcionar),
o Timing de reconhecimento:

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 Há países que dizem que independentemente da data em


que comprou o ativo, tem direito a dedução dos 1200 nesse
dia  full anual depreciation;
 Mas, há países que dizem que só pode depreciar o
montante do ativo em que teve o ativo, isto é, se comprou
em junho só pode usar a depreciação no equivalente a
esses 6 meses, ou seja, metade  accrual method
 Aquele montante que não foi logo deduzido
naquele momento vai ser alocado pelos restantes
anos
 Outro método: ou compra no dia 1 de janeiro ou emtão é
50%
o Métodos:
 Straight line method
 Declining balance

3. Mecânica da neutralidade fiscal (= mechanics of non recognition)


 Aplica-se a transferência de ativos fixos, em transações não tributáveis, ou
seja, transações em que é aplicável a neutralidade fiscal (esta neutralidade
fiscal é feita pelo legislador)  ex. certas fusões, cisões, etc
 Ex. temos um valor de mercado 1000 e base fiscal 500, ou seja, mais valia
latente de 500. Dá-se uma fusão, faz-se um carry over da base fiscal, como
há neutralidade fiscal, a base fiscal mantém-se nos 500, ou seja, igual e,
normalmente, há uma continuidade do efeito histórico da depreciação, ou
seja, se a depreciação é 5 anos, e se faz a fusão no 3º ano, este 3º ano
mantém-se
o A dinâmica dos impostos é o impacto comportamental da mecânica, que a parte técnica
tem
 Exceções ao principio da realização:
o A tributação da mera detenção de ativos, ou seja, vai-se tributar sem transferir nada 
aplica-se à tributação de certos ativos financeiros (mark to market – ajuste diário de ganhos
e perdas)
 Ativos de fácil avaliação e elevada liquidez  ex. ativos transacionados em bolsa
o Contratos de construção de longo termo: ex. empresa que vai construir uma ponte, em vez
de tributarem a empresa pelo dinheiro que vai recebendo (principio da realização puro),
utiliza-se o principio de percentagem de conclusão do contrato, independentemente de já
ter recebido o dinheiro ou não

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Principio da continuidade económica


 É o principio que subjaz as transações fiscalmente neutras (transações da mecânica 3) e os legisladores
tendem a usar esta mecânica quando o ativo circula entre entidades que pertencem do ponto de vista
económico, à mesma pessoa  há uma continuidade do interesse económico
 Portanto, quando há transferência de ativos entre entidades pertencentes à mesma entidade, a maior parte
das jurisdições diz que há uma neutralidade fiscal e, portanto, vamos aplicar a mecânica 3
o Entidades controladas pela mesma entidade/pessoa
 É uma tax free transaction

Ligação que os IRC’s têm à contabilidade


 A ligação à contabilidade diverge à volta do mundo
o Em PT, temos de pegar nos resultados contabilísticos e fazer alterações para chegar à matéria
coletável  esta é uma regra muito europeia
 Em Bruxelas, anda-se a estudar um IRC europeu (CCCTE), que não tem uma ligação tão forte
à contabilidade
o Nos EUA, há uma ligação mais distante com a contabilidade
 A escolha do contribuinte entre seguir um modelo de caixa (cash model) ou um modelo de acréscimo
(accrual model), o impacto do método contabilístico que o contribuinte tem pode também ter um impacto
na determinação do preciso momento em que ocorre
o Modelo caixa: as despesas são dedutíveis quando há o pagamento efetivo
o Modelo acréscimo: reconheço a despesa e reconheço o rendimento, não quando efetivamente o
recebi, mas quando passei efetivamente a recebe-lo ou, quando efetivamente tenho direito a
recebe-lo  é o que mais se aplica nas grandes empresas

Equação fiscal em Portugal


 Lucro tributável = lucro contabilístico com alterações extracontabilisticas
Lucro tributável (-) deduções ao lucro tributável = matéria coletável
Matéria coletável (x) taxa de imposto = coleta de imposto
Coleta de imposto (-) deduções à coleta = imposto a pagar
 Nota: a divergência nos vários regimes globais é em relação à determinação do lucro tributável, a partir daí é
tudo mais ou menos igual

24.11.2018
Comparative Tax Structure
Tax design – é uma abordagem da fiscalidade
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 Base tributável x taxa de imposto = imposto a pagar


 Taxa de imposto:
o Constante e única – ex: IAD
o Taxas variáveis – ex: IVA
o Progressivas – ex: IRS
 Base tributável: é necessário determinar este valor e é a determinação deste valor que faz toda a diferença
em todos os impostos.
Para determinarmos este valor temos de saber:
o Incidência objetiva: as coisas sobre que incide o imposto (ex. rendimentos, património; ex. IMI é o
imposto sobre a detenção da propriedade e o IMT é o imposto sobre a transferência da
propriedade)
o Incidência subjetiva: as pessoas sobre que incide aquele imposto
o Facto gerador do imposto
o Período tributável

Resumo da aula anterior:


 Todos os IRC são assentes no principio da realização (tributa-se a transferência de algo regra geral) e
tributam empresas que tem personalidade jurídica
 O principio da realização é alicerçado da transferência
 Os IRC’s estão muito dependentes da forma contratual porque, dependendo da transação temos 3
mecânicas diferentes a aplicar:
o 1) Mecanica simples (= simple mechanics of inclusion and deduction)
 Quem paga tem uma dedução (aceitando que são despesas ligadas à atividade da empresa)
e quem recebe tem uma inclusão  mecânica do (-) 100 e (+) 100
o 2) Fixed assets – recognition
 O contrato de compra e venda de um ativo fixo (máquina)
 Aqui temos duas variantes:
 a) Uma aplicável aos sujeitos a depreciação  temos 4 efeitos:
o Efeito ao nível do vendedor que tem de incluir a diferença entre o valor de
mercado e o valor fiscal (efeito imediato)
o Quem paga não vai poder deduzir logo no ano tudo o que pagou (os 1000),
mas apenas a percentagem de depreciação a que aquele ativo está sujeito
(efeito imediato)
o Equalizar a base fiscal ao valor de mercado (efeito imediato)
o Conforme vamos depreciando todos os anos vamos reduzindo a base fiscal
do ativo (efeito a longo prazo)

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 b) Outra aplicável a ativos não sujeitos a depreciação


o 3) Mecânica a nível internacional que se aplica às transações sujeitas à neutralidade fiscal (cisões,
fusões, etc)  fixed assets – non recognition
 O ativo mantém-se exatamente igual, ou seja, nada acontece
 Isto é um jogo de deduções e inclusões, o que é necessário saber é quanto é que vou incluir e deduzir –
no final do ano temos o valor de matéria coletável (= taxable income) e, depois, aplico a taxa de imposto e
fico a saber qual é o imposto a pagar

--------------------------//--------------------

 Particularidade do sistema Inglês e Americano que não encontramos no sistema PT


 Fazem um cálculo separado das mais e menos valias resultantes das transações dos ativos fixos e dos
restantes rendimentos empresariais  temos duas categorias (capital e business) e ao longo do ano pago
100 juros e recebo 3000 royalties e, no final do ano, chega-se ao resultado + 2000 e – 1000  este prejuízo
fiscal, os -1000 não pode ser utilizado para deduzir os + 2000 de matéria coletável, estas categorias não se
misturam  esses – 1000 ficam para reporte de perdas nos anos seguintes (tax loss através de carry
forward e carry back)  o reporte para trás obriga o contribuinte a reabrir a sua declaração periódica, posso
levar o prejuízo fiscal que tive em 2018 para 2017 onde tinha + 10 000 e, portanto, se for necessário o Estado
depois reembolsa1
o Somos tributados no momento da transferência
o Na conta de business eu tenho pouca latitude para determinar o timing da realização (a coca cola o
que ganha com a venda as latas entra no business, a atividade regular entra toda aqui. A coca cola
não vai deixar de vender latas este ano para alterar o timing)  as empresas não mexem no timing
do business, mas têm uma grande flexibilidade para mexer no timing dos ativos fixos
o Ao dar-se a realização reconhecem-se as mais valias e menos valias latentes
 Na Europa continental não temos isto, mas temos regras anti abuso especificas para atacar os principais
focos de planeamento abusivo  ex. se tenho uma menos valia mas ela oi reconhecida na alienação de
partes socias de empresas relacionadas, a menos valia ou não é reconhecida ou pode utilizar apenas em 50%
o Limitação na utilização de prejuízos fiscais, decorrentes da alienação de parte sociais entre empresas
relacionadas
 Pode haver deduções à coleta (tax credit)

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Tema de prejuízos fiscais e formas do mesmo é um tema interessante para o ensaio. Pensamento económico: trazer o prejuízo
fiscal para o ano anterior, mas os países que têm este tipo de mecanismos tornam as suas empresas muito resilientes à crise
financeira  se eu só tenho reporte para a frente, em caso de crise, eu só vou poder reportar os meus prejuízos quando tiver
novamente lucros. A vantagem do carry back é que permite à empresa, no ano da crise, receber dinheiro de reembolso do
Estado do imposto pago no ano anterior  o impacto na economia é brutal porque a empresa vai receber dinheiro no momento
em que mais precisa e, recupera mais facilmente da crise  funciona bem em países que têm facilidade em aceder ao crédito
exterior, o Estado financia-se a um juro mais baixo do que as empresas e, a vantagem do carry back é que, na crise, em vez de
serem as empresas a financiar a economia com custos elevados, é o Estado que vai buscar dinheiro para todos a 1% e injeta-o
nas empresas, reembolsando os impostos pago do passado
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Nota: à volta do mundo criam-se benefícios fiscais para atrair investimentos e, um beneficio muito utilizado é
dizer que essa despesa pode ser utilizada como dedução à coleta, qual é a vantagem?
o Ex. nos EUA temos + 10 000 de matéria coletável, aplica-se a taxa de 20% e dá-nos 2 000.
 Mas, e se eu tiver uma dedução simples de 2 000? Temos 10 000 – 2 000 dedução = 8 000 x
20% taxa de imposto = 1 600  aqui, a minha dedução é apenas 400, só vou ter 20 % de
vantagem em termos finais
 E se for uma dedução à coleta? Temos 10 000 matéria coletável x 20% taxa de imposto = 2
000 – 2 000 de dedução à coleta = 0  eu vou pagar zero  aqui, o beneficio é muito mais,
já não vou ter um beneficio de 20%, mas sim de 100%
 É muito mais vantajoso ter uma dedução à coleta do que uma dedução simples

Relações horizontais
 As relações podem ser relacionadas ou não relacionadas
 Quando há uma relação de partes não relacionadas, a AT tende a acreditar nos valores que os contribuintes
declaram, porque há uma oposição de interesses  portanto, aqui, não há grandes regras anti abuso para
apurar o valor
 Quando as empresas são relacionadas, elas têm grande vantagem em alterar os preços, e, portanto, há
muitas regras anti abuso:
o Regras de preços de transferência
o Princípios de substância sobre a forma jurídica da transação
 Nos IRC’s mexendo na forma jurídica e no valor de transação vamos ditar o resultado final, porque eu posso
mexer no preço e na forma jurídica (ex. posso transformar aquilo numa fusão para aplicar a mecânica 3 que
beneficia de neutralidade)

Relações verticais
 Dividendos
o Ex. empresa A é detida a 100% pela empresa B e a empresa B tem dois acionistas e cada um detém
50%. Empresa tem 1000 materia coletável x 20% dá 200€ de IRC. Fica com 800 que distribui pela
empresa B – 800 x 20% = 160. Sobra 640 que vão distribuir pelos acionistas, ou seja, 320 para cada
que vai ser tributado em IRS
o O legislador cria mecanismos para minimizar ou eliminar esta dupla tributação económica (o mesmo
dinheiro a ser tributado várias vezes)  relief of double economic taxation

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 Método mais comum (dividend exclusion system)  mexer na base tributável da empresa
mãe, o dividendo ou não era incluído (isenção), ou era incluído apenas numa parte e isto era
aplicado a todos os níveis
 No entanto, há legisladores que não mexem na tributação da empresa mãe, mas quando
chegam aos 160€ vão dar um crédito de imposto sobre o que a subsidiária pagou (= dividend
tax credit system)
 Outros, aplicam uma taxa mais baixa para minimizar a dupla tributação económica (=
shareholder differentitation system)
 Alienação de partes sociais (= sale of shares)
o Este é um elemento importante para compreender a complexidade do IRC nas reestruturações
empresariais  Ex. empresa A tem um só ativo, um ativo fixo (máquina) que tem como valor de
mercado 1 000 e base fiscal 500. Se houver uma alienação eu tenho de ver a diferença entre estes
valores e, há uma mais valia latente (built in gain). A empresa é detida pelo acionista que tem ações
e as ações também são um ativo fixo. O valor das partes sociais é o valor do ativo, ou seja, 1000, mas
a base fiscal pode ser diferente e tende a ser diferente porque as partes sociais são um ativo fixo não
sujeito a depreciação. Regra geral o ativo tem como base o valor de aquisição e, podemos chegar a
um ponto em que temos uma base fiscal mais reduzida e, no caso das partes sociais o valor da base
fiscal, em muitas jurisdições, vão ser o valor do que eu contribui (ex. se eu contribui com um ativo
que vale 1000 então o valor da parte social é 1000)  Se eu vender o ativo vou ter de reconhecer
500 de mais valia, mas se eu em vez de vender o ativo vender a empresa que tem o ativo, o que eu
estou a vender são as partes sociais e aqui, como o valor é 1000 e o valor fiscal é 1000 eu vou pagar
0 (fazemos a diferença entre asset deal vs share deal)
 As ações também têm base fiscal
 A base fiscal das ações, geralmente não corresponde a base fiscal dos ativos que a empresa
tem porque, tendencialmente esses ativos tendem a depreciar e as partes sociais não tem
depreciação
o Asset deal vs share deal
 Quais são os atributos fiscais da empresa e do acionista?
 Tenho de olhar para a diferença entre a base fiscal e o preço de mercado dos ativos e olhar
para os atributos ficais
 Se os acionistas forem empresas individuais, vai ser incluído ao nível de IRS e não do IRC e,
portanto, a taxa de imposto aplicável poderá ser diferente
 O share deal em principio é mais fácil do que o asset deal, mas pode haver casos em que é
ao contrario
 Uma desvantagem de comprar as ações é que ao comprar as ações estamos a
comprar tudo o que a empresa tem e tudo o que a empresa deve (traz o bom e o
mau), enquanto que, a aquisição de ativos é apenas os ativos e, do ponto de vista

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jurídico fica-se mais protegido em relação aos problemas que a empresa possa
eventualmente ter

Taxation of corporate = tributação reestruturações societárias


 Slide 66 – checklis de coisas que temos de verificar quando existe uma transação
o Ex. há muitos países que, em principio a transação é sujeita a imposto, mas se preencher um pedido
de isenção, são isentos desse imposto

Tributação de grupos – Transactional flowchart


 Há vários caminhos transacionais para movimentar os fluxos transacionais, se quero passar da A2 para a
empresa P, o caminho mais simples é o T5, ou então posso passar para T2 e depois T1  isto é relevante
porque eu quando transfiro dinheiro para outra empresa eu tenho de titular o dinheiro  cada um dos
fluxos transacionais pode revestir diferentes formas jurídicas e que existem em determinados caminhos que
não possam existir noutros caminhos
 Tributação consolidada
o Este sistema existe em PT e na maior parte dos países e, permite-nos que, as empresas estejam
relacionadas por elevados graus de detenção (dentro do perímetro da consolidação fiscal, todas elas
têm que estar relacionadas por elevados graus de detenção, exemplo, 80% [este quantum varia de
país para país]  portanto, só se pode consolidar empresas sobre as quais se tenha um elevado grau
de detenção
o Diferentes modelos disponíveis para o legislador para consolidar um grupo de empresas 2  todos
fazem um offset de prejuízos fiscais com lucro tributável, preenche-se uma declaração periódica
comum em que se faz um offset de todas as empresas e paga-se o total da matéria coletável de
todas  isto é muito melhor porque os torna mais eficientes, o legislador permite que o grupo de
empresas acabe por declarar aquilo que, de facto teve de lucros de uma forma agregada
 O sistema PT faz isto, permite-nos este offset, esta anulação de prejuízos. No entanto, o que
o sistema PT não faz é que há consolidaas fiscais (como o Americano, Inglês) que dão a
possibilidade de se transferirem ativos fixos entre empresas (maquinarias), sem qualquer
implicação fiscal  isto tem enormes vantagens porque permite a este grupo de empresas
serem muito mais flexíveis no aproveitamento dos seus ativos

Economia aberta

2
Possível tema para ensaio  diferentes modelos disponíveis para consolidar um grupo de empresas
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Surgimento do BEPS
 Houve uma crise financeira e, face a esta pressão tentou-se encontrar novas fontes de financiamento do
estado, o que se fez:
o Iniciou-se uma discussão sobre uma tributação mais pesada no setor financeiro  relatório 2010
FMI aprovado pelo G20 que deu origem à contribuições extraordinárias do setor bancário (=bank
levy) para financiar fundos de resolução (pós crise financeira se os bancos chegar ao fundo tem de
haver um fundo que eles vão pagando com as contribuições que depois os vão salvar nesse caso) 
tributar mais o setor financeiro
o FMI disse que seria necessário criar um imposto de ...  não foi aprovado, só foi aprovado o bank
levy
o Outra consequência foi o surgimento do BEPS (erosão da base tributável e deslocalização de lucros)
 o BEPS tenta apanhar o planeamento fiscal agressivo das multinacionais de forma a força-las a
pagar o imposto devido nos países onde operam
 Estava a reduzir bastante a receita dos países
 Estava a criar problemas
 O BEPS trata de regras anti abuso definidas ao nível da OCDE e que todos os países do mundo
implementaram para que não exista “buracos” para onde fugir
 As discussões começaram na OCDE com os membros da OCDE e com vários outros países que não fazem
parte da OCDE e que aderiram ao movimento (atualmente temos cerca de 100 e tal países) e enviou-se
técnicos da AT que foram para Paris que começaram a falar sobre como criar regras anti abuso comuns a
todos e que obriguem as multinacionais a pagar o que têm de pagar. Criaram 13 relatórios que criaram as
ações, 15 ações. Portanto, o BEPS são 15 ações e 13 relatórios
 Os relatórios são relatórios escritos em inglês, para legisladores com instruções para fazer as leis e com
alguns exemplos
o Cada Estado pegaria nestas instruções com os legisladores e faria as suas próprias leis e tomam
opções, sendo que, foi acordado que, pelo menos, um patamar mínimo tem de existir entre os
países para proteção dos sistemas
o Na União Europeia, o que aconteceu foi que quanto mais harmonizadas forem as nossas leis que
transponham o BEPS melhor e, portanto, a melhor forma de fazer usso é fazermos todos a mesma
lei e aplicamos aos EM  foi feita uma Diretiva (esta diretiva tem de ser transposta)  foi o método
com que se decidiu acolher o método do BEPS na Europa e dá mais latitude na transposição do que o
regulamento.
o Diretivas:
 ATAD 1 – tem de ser transposta até 1 de Janeiro de 2019
 ATAD 2 – até 2020

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Breves conceitos de direito fiscal internacional:


 Elementos de conexão no imposto de rendimento: Fonte e residência
o Um estado só pode tributar um rendimento de uma determinada atividade empresarial se essa
empresa tiver lá a sua fonte de rendimento ou a sua residência nesse país
 Problema 1: Qual é o estado da fonte e o estado de residência?
 Este problema resolve-se através da criação de regras de precedência que está
alicerçada na categoria do rendimento 
o Se o rendimento em causa for rendimento ativo (rendimento da atividade
normal da empresa e serviços prestados), quem tem precedência para
tributar é o EF
o Se for rendimento passivo (ex. juros e royalties) quem tem precedência para
tributar é o ER
 O país que tem precedência (=competência primária) tributa à vontade, faz a
equação fiscal e, o outro Estado é que tem de criar mecanismos para diminuir ou
eliminar a dupla tributação internacional:
o Vai fazendo modificando um e apenas um dos elementos da equação fiscal
e, ou não inclui esse rendimento (isenção para o rendimento que já foi pago
no estrangeiro) OU
o É sujeito a uma taxa de imposto mais baixa OU
o Inclui tudo e aplica a taxa normal, mas depois permite dar um crédito sobre
o imposto pago no estrangeiro
Dupla tributação internacional é a mesma entidade e o mesmo rendimento
estarem a ser tributadas em dois países diferentes  há duas equações fiscais (a
do EF e do ER)
 Problema 2: Definição do que o que é fonte e o que é residência
 Este problema resolveu-se através da criação de uma regra nas CDT’s  no país de
residência criou-se a regra do timebraker (art.4º CDT)  temos dois países que
dizem que a empresa x é residente no seu país  de acordo com a time braker ao
nível da OCDE quem tem competência para tributar é o país que tem a direção
efetiva, de acordo com o modelo dos EUA (têm o seu próprio modelo para celebrar
CDT’s) quem tem competência para tributar é o estado onde a empresa está
registada no registo comercial
 Relativamente à fonte, o país só pode tributar se houver um limiar de presença - EF
só pode tributar se tiver um estabelecimento estável, ou seja, existe um limiar de
presença, se não se verificar este limiar de presença o EF não vai poder tributar:
o Ter um local de negocio fixo no país OU
o Ter um agente dependente

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 As empresas perante isto, começaram a criar agentes independentes e


faziam o negócio de modo a que não houvesse EF e o país não pudesse tributar,
tendo em conta que, ficavam sempre abaixo do limiar e das exceções
 Soluções para estes problemas:
 Ação unilateral
 Acordos de dupla tributação
 Ação multilateral  Diretivas da EU
 Os tratados de dupla tributação o que fazem é alocar competência tributária, no entanto, o EF pode dizer
que não quer tributar e tem esse direito, se depois tributam ou não e quando é que tributam é com o
Estado, as CDT apenas dizem quem pode tributar
 Possibilidade de atuar e fazer negócios:
o Ou está abaixo do limiar de presença, não tem EE  não há direito a tributação
o Ou ultrapassou o limiar, mas não tem uma empresa tem apenas um EE (=permanent establishment)
 o país onde esse EE está so pode tributar os rendimentos daquele EE que têm a ver com aquele
país  é uma definição mais estreita daquilo que é a matéria coletável
o Ultrapassou o limiar e tem uma empresa nesse estado  é muito mais abrangente, esse estado vai
poder tributar todo o rendimento dessa empresa em todo o mundo
 Na maior parte dos países, o EE é transparente
 Diretivas mães e filhas e juros e royalties
o A diretiva mães e filhas trata de dividendos e tem dois benefícios: elimina a retenção na fonte no
país que distribui e proíbe a tributação do rendimento recebido no ER da empresa mãe pelo
respetivo ER
o Diretiva juros e royalties, tem um efeito: elimina a retenção na fonte do EF, mas deixa que o ER
tribute o juro ou royalty
 Esta é uma assimetria que marca a tributação internacional das empresas e que vai dar origem a uma das
ações BEPS – debt vs equity bias
o Relativamente a dividendos, quando se paga dividendos não há direito de dedução, mas
também não deverá haver inclusão do dividendo
o No entanto, no caso do juro o juro é sempre dedutível e, portanto, quem o recebe vai-se
poder tributar e, por isso, é que não eliminou a possibilidade de tributar

15.12.2018

BEPS – Iniciativa
 BEPS surge numa altura pós crise financeira e foram criadas duas grandes iniciativas pelo G20

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o 1) BEPS – quis fazer com que as multinacionais pagassem o seu quinhão justo de impostos, uma vez
que, as multinacionais tinham a capacidade de um planeamento fiscal agressivo, deslocalizando as
base tributáveis pertencentes a um país para outro onde não há impostos  visa assegurar que, a
atividade económica, o lucro, é tributado onde é gerado
o 2) Tributação do setor financeiro – FMI propôs duas coisas:
 criasse contribuições extraordinárias sobre o setor bancário (Bank levy) de forma a
financeira os custos que o próprio setor financeiro tinha com os fundos de resolução que a
banca tinha  isto é, quando um banco entra em insolvência, em vez de serem os
contribuintes a pagar, será através deste fundo que é pago anualmente pelos próprios
bancos  esta proposta foi implementada em todo o mundo
 criação de um imposto que fosse ou um imposto sobre as transações financeiras (financial
transactional tax) ou imposto sobre as atividades financeiras (financial ativities tax)  este
não foi implementado
 Planeamento fiscal agressivo das multinacionais existe, não só pelas multinacionais, mas também pela
própria competição entre Estados, ou seja, os Estados lutam entre si para atrair as empresas e para atrair
base tributável para os seus países
o Na fase pós crise financeira as multinacionais pagavam pouco imposto porque tinham astucia para o
planeamento, mas também porque tinham a ajuda dos Estados através de informações vinculativas
(tax ruling) , como era o caso do Luxemburgo, da Irlanda, Holanda, Malta e Estónia
o Portanto, o BEPS parte do planeamento fiscal agressivo das multinacionais, mas nasce também da
competição entre estados e da capacidade que vários estados têm para atrair a base tributável para
os seus países
 A ideia inicial do BEPS era criar um patamar mínimo de tributação efetivo em IRC (ex. 10%) ou seja, não
poderia existir taxa 0%  no entanto, não se conseguiu chegar a este patamar (não houve consenso politico
para isso)
o A EU trabalha com unanimidade em matéria fiscal, ou seja, é necessário que os 28 estados digam
sim
o A OCDE trabalha com um critério parecido em que é necessário que quase todos digam que sim, o
que é bastante difícil
o A ausência ou tributação reduzida não é uma preocupação, só o é quando há uma deslocalização da
base tributável de um país para outro
 O objetivo do BEPS é acabar com as praticas que artificialmente segregam a base tributável das atividades
que a geram
 O BEPS é fruto de um consenso entre os Estados, tendo ficado vários “buracos” e, o maior buraco deles
todos é o facto de não se ter conseguido a taxa mínima para todos os estados e eliminado a taxa zero. No
entanto, vai conseguir acabar com algumas coisas de planeamento fiscal, outras vão-se manter
 São 13 relatórios, mas 15 ações  as ações 8 a 10 estão no mesmo relatório

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 O BEPS não são leis, mas sim relatórios para o legislador fazer as leis, isto é, são relatórios de politica fiscal 
é melhor harmonizar leis que todos devemos aplicar e, portanto, criaram-se diretivas comunitárias para que
os países adotem, deste modo, o BEPS: ATA 1 (Anti Tax Avoidance Directive) e ATAD 2 e várias DAC
(cooperação administrativa e troca de informações – Directive of admnistrative cooperation)
o A transposição da ATAD 1 e ATAD 2 está agora a decorrer, principalmente a da ATAD 1 que tem de
ser transposta até ao inicio do ano

BEPS – Técnica fiscal


 A direção dos fluxos transacionais
 A caracterização jurídica das transferências
o Ex. empréstimo; pagamento de royalties; juros  titulo jurídico que se dá a transferência
 Dependendo do que é pode ter um resultado fiscal melhor ou pior
 Que variáveis é que se usam/”jogam”:
o Localização da empresa
 Escolhe-se como é que se calcula a base tributável e a taxa aplicável, isenções e benefícios
existentes, tratados existentes naquele país e as regras anti abuso que esse país tem
o Direção da empresa
o Caracterização do instrumento jurídico que é utilizado  por todos os países envolvidos na
transação
o Caracterização das entidades envolvidas
 Nota: nem todas as empresas só algumas, portanto, saber se escolhem entidades com
transparência fiscal ou não

Nota: quem não cumprir os requisitos do BEPS tem sanções

Ações BEPS:
Ação 2: Híbridos
 Esta ação trata de um conjunto de estratégias de planeamento fiscal agressivo que constroem em
assimetrias dos sistemas fiscais
 Dois tipos:
o Planeamento utilizando instrumentos financeiros híbridos
o Entidades híbridas
Instrumentos financeiros híbridos
 Estas situações nascem porque há incongruências nos IRC’s:
o Assimetria existente entre o financiamento por empréstimo e por capital de uma empresa

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 Financia-se uma empréstimo através de capital ou então concede-se o empréstimo (divida),


mas, do ponto de vista fiscal há uma assimetria de base (debt equity bias3)  eu pago um
juro (interest) ou um dividendo (dividend) – quem paga o juro aplica a mecânica 1 (mecânica
simples), ou seja, faz o pagamento de juros tem dedução ao que pagou  esta é a mecânica
aplicável ao juro
 No entanto, no caso dos dividendos é diferente porque, os dividendos não têm direito a
dedução
 Portanto, há uma assimetria de base se eu pago juro tenho direito a dedução, se for um
dividendo não há direito a dedução  Tal significa que, eu gostaria que, o pagamento
entrasse como juro para ser dedutível, mas depois quero que no pais de tributação chegue
lá como dividendo porque se não é dedutível então também não vai ser tributado
 Eu vou fazer um contrato em que, no país seja visto como juro (dedução), mas vai ser
formulado de tal forma que, de acordo com o pais onde está sediado o pagamento, à luz do
seu direito comercial, seja visto como um dividendo e não como um juro  jogando-se com
as diferentes regras de cada país eu vou buscar uma dedução sem inclusão 4 (DNI)
 O BEPS decidiu acabar com este mismatch (disparidade) e, portanto, quer criar leis
em que diz o seguinte: se há dedução tem de haver inclusão
 Outra forma de abordagem (não foi implementado pelo BEPS mas está a ser
utilizado por alguns países) é acabar com a assimetria, ou seja, o dividendo passa
também a ser dedutível e, portanto, passa também a ser tributado  acabar com a
assimetria de base e, portanto, o objetivo é tratar o dividendo da mesma forma que
se trata o juro Isto chama-se SISTEMAS DE ACE
o Quem tem este sistema: Bélgica e Itália está a testar
o Isto faz com que, se dê através do IRC, um incentivo um excessivo
endividamento pelas empresas porque as empresas gostam de poder
deduzir e, portanto, vai haver um excessivo endividamento  portanto,
estes sistema de ACE são bons porque atacam a base estrutural que permite
os híbridos, mas são ainda melhores porque induzem as empresas a não se
financiar tanto com divida
o Nota: o próprio sistema CCTB (imposto comunitário) propõe o sistema de
ACE
Entidades híbridas
 Neste caso, há um país que olha para uma entidade como sujeito passivo de IRC e o outro país olha como
uma entidade transparente
o Ex. empresa no EUA (US Co.) e empresa em PT (PT Lda)  os EUA para determinar como vão olha
para a PT Lda tem 3 possibilidades:
3
Tema para tese de mestrado
4
DNI – deduction no inclusion: DD – double deduction  conceitos utilizados pela OCDE
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 1) Vão seguir a caracterização eu o país daquela entidade segue  segue o que PT entender
como caracterização daquela empresa (esta abordagem não é nada comum)
 2) Olha para as regras fiscais do país da sede (EUA) e, de acordo com as regras dele ver se
essa entidade (PT) seria ou não sujeito passivo de IRC? De acordo com as regras dos EUA não
é. Aqui começam a surgir problemas porque, de acordo com PT a empresa é vista como um
sujeito passivo e, de acordo com os EUA não é sujeito passivo de IRC  esta abordagem é
muito utilizada
 3) Se é uma entidade estrangeira eu considero sempre para aplicação da minha lei que é
sempre uma entidade opaca, ou seja, uma entidade sujeito passivo de IRC  esta
abordagem não é nada comum, apenas é utilizada em Itália
o Estas diferentes abordagens geram assimetrias, o que leva ao planeamento
 Exemplos de transações que as multinacionais implementavam para fazer planeamento fiscal agressivo com
entidades hibridas:
o As entidades híbridas ou criam uma DD (double deduction  consigo deduzir o mesmo pagamento
em dois países diferentes) ou uma dedução sem inclusão
o Caso da DD: empresa A está no estado 1 e esta empresa A tem o capital de uma empresa B (esta não
tem atividade operacional é apenas para planeamento fiscal) que está no estado 2 e a empresa B
tem uma subsidiaria que é a empresa C (esta ultima é que tem a fábrica) no estado 2 faz-se uma
consolidação, ou seja, um tax group
 A empresa B é o cerne da estrutura de planeamento fiscal e é uma entidade hibrida, ou seja,
é uma entidade que é sujeito passivo de IRC de acordo com o Estado 2 (entidade opaca),
mas de acordo com o estado 1 a empresa B é vista como uma empresa transparente  o
efeito é que a empresa B paga um juro e este juro ia ser dedutível no estado 1 e no estado 2
com a empresa C. Mas, no estado 1 como essa entidade é considerada como transparente
(não sujeito passivo de IRC) tudo o que faz é como se fosse a empresa A, então aquele juro
pago vai ser possível que seja dedutível no estado 1 também  Portanto, utilizavam a
dedução em dois países diferentes, ou seja, duas declarações e os países aceitavam porque
estava de acordo com a lei fiscal desse país
o Caso da dedução sem inclusão: empresa A (estado 1) que tem a empresa B e a empresa C (estado 2).
empresa B é vista pelo estado 1 como entidade transparente, mas no estado 2 como entidade
sujeita a imposto de IRC  empresa B faz um pagamento intragrupo para empresa A
 Forma como o Estado 1 olha para isto:
 Vê uma só uma entidade (empresa B) e considera-a como uma entidade
transparente  para o Estado 1 o pagamento não tem qualquer efeito fiscal, porque
quando a B paga dinheiro A isto não é nada, apenas uma transferência de dinheiro
dentro da mesma empresa
 Forma como o Estado 2 olha para isto:

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 Vê uma entidade como sujeito passivo de IRC e, portanto, como está a fazer um
pagamento a uma entidade diferente, então vai poder deduzir
 Portanto, deduz no Estado 2 porque de acordo com o prisma do estado 2 o pagamento esta
a se feito a uma entidade distinta e, portanto, deduz, mas sem inclusão porque quem podia
incluir não o vai fazer porque considera que aquele pagamento não é nada, é só uma
transferência de dinheiro dentro da mesma empresa
 Conclusão, só há dois efeitos nas entidades hibridas: (1) dupla dedução ou (2) dedução sem inclusão – artigo 9º
da ATAD 1
ATAD 1  lida com medidas anti abuso: forma para neutralizar este planeamento fiscal agressivo
 A ATAD foca-se apenas em híbridos entre EM e deve ser adotada até 31 de Dezembro de 2018
 Na dupla dedução só vamos dar a dedução uma vez, no Estado membro onde o pagamento tem a sua fonte
(artigo 9º/1)
o Ou seja, no nosso exemplo, apenas poderá deduzir no estado 2
 No caso da dedução sem inclusão, o Estado membro de quem paga tem que negar a inclusão, ou seja, não
pode dar a dedução e, portanto, deixa de haver dedução sem inclusão, não havendo dedução então não vai
haver inclusão
o Outras regras: se tiver dedução então força-se a inclusão
PT já tinha regras anti abuso em várias áreas, ou seja, standards mínimos estabelecidos, países como Luxemburgo
terão de mudar a lei muito mais porque têm regras anti abuso muito flexíveis  nota: estas diretivas são um padrão
mínimo que todos os estados têm de ter
ATAD 2  lida só com híbridos sofisticados
 Lida também com híbridos em estados terceiros e entra em vigor de forma faseada: uma parte até 1 de
janeiro 2010 e outra parte até janeiro de 2022
 Na ATAD 2 PT já vai ter mudanças legislativas muito grandes para lidar com os híbridos

Ação 5: combater práticas fiscais prejudiciais


 Slide global tax planning esquema com 3 tipos: paraíso fiscal (azul) taxa alta (laranja) e taxa baixa (amarela)
objetivo: colocar as deduções nos países de elevada tributação e as inclusões nos países de baixa ou nula
tributação
 Há três grandes estratégias que as multinacionais estavam a utilizar:
o 1) Estratégia envolvente da propriedade intelectual
 Neste momento, a parte da propriedade intelectual das multinacionais representa uma
parte muito significativa do seu valor (patentes =contratos)  As patentes estão todas
localizadas em paraíso fiscais e as empresas que estão em França, Alemanha, PT, Itália
(países de elevada tributação), etc a pagar royalties à empresa que está no paraíso fiscal 
ex. coca cola  efeito: há uma (dedução mecânica 1) e, não há tributação no paraíso fiscal
porque tem uma taxa de 0%

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 Em PT existe uma regra que diz que, pagamentos de royalties para estes paraísos
fiscais vai ser sujeita a uma tributação com retenção na fonte  para isso entra a
Irlanda (CO4 – taxa 10%)  Diretiva juros e royalties
o Esta Diretiva diz que, elimina-se a retenção na fonte, portanto, se o
pagamento fosse feito diretamente havia uma taxa de retenção acresida,
para evitar isto pagam primeiro à Irlanda através de um sub-licenciamento
e, aqui temos a diretiva juros e royalties que nos diz que não há qualquer
retenção e, depois a Irlanda na sua lei interna não tem vedação para a saída
para os paraísos fiscais (ex. british virgin islands) e, deste modo, circula
livremente para os paraísos fiscais sem qualquer tipo de tributação
 Nota: este é o problema da Irlanda e Holanda
o Ao nível da EU tentou-se ainda que:
 Só poderia ter direito a diretiva juros e royalties se o país tivesse
vedação à saída  não foi aprovado, fracassou
 Criação de uma lista negra de paraísos fiscais e todos os EM
implementam um arsenal comum de regras anti abuso que
implementassem em todos os pagamentos que fluíssem da EU para
esses países:
 Falhanço desde logo porque tudo o que é do reino unido
não está incluído nessa lista e, além disso ainda não se
conseguiu o acordo para as regras comum do arsenal à saída
 Portanto, hoje, este problema ainda se mantém
o 2) Empréstimos – financiamentos intra grupo
o 3) Criação de centros de serviço partilhados
 Concentra-se todos os serviços de contabilidade de uma empresa da europa por exemplo
numa empresa na Irlanda
 Relativamente a esta ação 5, o BEPS tentou atacar as IP Box 5 (international property box), ou seja, num
determinado país de baixa tributação tenho IP e tenho o país de alta tributação que está a pagar o royalty 
BEPS diz que só se pode tributar o rendimento da propriedade intelectual a uma tributação baixa, (caso de
Malta, Irlanda, Holanda) apenas se a propriedade intelectual tiver sido desenvolvida neste país  se a IP não
tiver sido desenvolvida nesse país então não vai poder aplicar aquela taxa especial baixa, mas sim vai ter de
aplicar a taxa alta
 As multinacionais faziam estes esquemas com conivência dos Estados (informações vinculativas)  agora, é
obrigado a enviar as informações vinculativas para o país da sociedade (ex. ruling do Luxemburgo com a Fiat
– tem de enviar a informação vinculativa para o Estado Italiano)

5
São regimes especiais de tributação apenas para a propriedade intelectual
23

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Ação 13: Country by country reporting


 Caso em que as multinacionais têm volumes de negócios superiores a 750 milhões de euros e, têm de
preencher neste relatório o valor de imposto que andam a pagar em cada país  estas informações circulam
apenas entre administrações fiscais, são confidenciais

Ação 4: Limitação da dedutibilidade de juros


 Vai-se acumulando o dinheiro das empresas que estão em paraísos fiscais e financia-se a atividade das
empresas que estão em países de alta tributação (utiliza-se para financiar as subsidiarias) e, portanto, o
dinheiro vai sob a forma de juros, logo, pode deduzir e taxa 0%  agora, se o pagamento for feito a
subsidiarias então limita-se a dedução
 ATAD 1 artigo 4º: só se pode deduzir até 30%  cria-se um limiar de dedutibilidade

Ação 3: Regimes de CFC (regras de imputação de lucros)


 Regras que existem no país de alta tributação em que a empresa tem uma subsidiaria num paraíso fiscal
se tiver uma subsidiaria num paraíso fiscal há um arsenal de regras para tributar essa subsidiária situada
no paraíso fiscal dizendo que, tudo o que gerar da empresa do paraíso fiscal vai ser tributado no país de alta
tributação  faz-se uma desconsideração da subsidiária e, portanto, tributa-se no país da empresa mãe
o Nota: as regras CFC’s apenas são aplicáveis aos casos em que a empresa situada no paraíso fiscal é
uma empresa subsidiária do país de alta tributação, ou seja, quando temos o paraíso fiscal a ser a
empresa mãe aqui já não temos regras para combater este fenómeno  Tal significa que, hoje em
dia, tende-se a situar no paraíso fiscal a empresa mãe porque é muito difícil combater estes casos
 Tem de haver controlo da entidade: + de 50%
 Vários testes para determinar se a empresa está ou não localizada num paraíso fiscal
o Ex. Comparação com a taxa de imposto do paraíso fiscal
 Regra da atribuição:
o Tudo o que é lucro da subsidiaria vem para a empresa acima
 De acordo com a ATAD 1 todos os estados têm de implementar regras CFC

Ação 7: Operações que visavam evitar a criação de um EE


 Ex. no país da fonte podemos ter vários tipo de presença e, de acordo com a regras de tributação
internacionais, só a partir do momento em que ultrapasso um determinado limiar de presença é que passa a
ter competência para tributar  o limiar é o EE
o As multinacionais tinham um planeamento cuidado para não ter um EE:
 Não tinham lá escritório
 Tinham agentes independentes
o Utilizavam as exceções: (1) utilização de agentes independentes (2) atividades preparatórias  a
Google o Facebook ainda fazem isto hoje em dia
24

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o De forma a não criar o limiar, em vez de se ter uma só empresa, segregava-se a operação em
múltiplas empresas, de forma a que cada uma ficasse abaixo do limiar de presença tributável
 Agora, já não é possível evitar-se o status de EE através da fragmentação de uma operação em diversas

Ação 1: Tributação da economia digital


 Os relatórios do BEPS saíram em 2015, mas o relatório sobre a economia digital ainda não está fechado
o 1º) 2015, 2º) 2018 e o relatório final só sai em 2020
 A ação 1 lida com IRC, mas também excecionalmente também com o IVA
 Este relatório diz-nos como tributar as plataformas digitais: Uber, Facebook, Airbnb, Google, Amazon 
montam estruturas que saem fora da rede de impostos
 Ex. Facebook ganha milhões com a venda de dados dos usuários e isto não se consegue apanhar, por isso é
que surge esta ação para tentar apanhar
 Empresas da era digital que estão a pagar muito menos impostos do que as empresas tradicionais
 Ao nível da OCDE vai haver o relatório em 2020 (orientações de politica fiscal para os legisladores)
 Ao nível da EU está-se já a trabalhar e, portanto, lançou no início de 2018 duas diretivas e uma
recomendação  estas diretivas tem o objetivo de adiantar já duas soluções e irem contribuindo para a
solução da OCDE
o 1) Digital services tax diretive (DST)  criação de um novo imposto fora dos IRC’s, mas que será
dedutível em sede de IRC (medida provisoria enquanto se desenvolve uma medida mais
permanente)
 É um imposto provisório
 Imposto tem uma taxa de apenas 3% sobre o volume de vendas (ex. volume de vendas da
Facebook em frança é 3%)  é um imposto muito simples, tem uma base bruta, não tem
direito a deduções
 No entanto, o que se pagar é dedutível para o que se pagar em RC  a ideia é que haja um
limiar mínimo de tributação em IRC  forçar estas empresas a ter um presença tributável
num país
 Este imposto está a ser negociado na EU e ideia é que seja aprovado já
o 2) Criação de um EE virtual em sede de IRC (medida mais permanente)
 Alteração da definição de EE para que esta já abarque a noção de EE digital  pretende
alterar o teste do EE (demora mais tempo, tem de ser aprovado pelos 28 EM e, prevê-se que
se consiga até 2020)
 Artigo 4º da diretiva:
 Se tiver mais de 100 mil usuários no meu país; ou
 Se tiver mais de 3 mil contratos; ou
 Se gerar mais de 7 milhões de euros
 Basta preencher uma das três que se considera que tem um EE

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Ações 8 a 10: Preços de Transferência


 Manipulação dos preços que são cobrados entre as entidades do mesmo grupo
 Ex. juros; venda de produtos entre as subsidiárias;
 Mexe muito na área da propriedade intelectual
 Há determinados lucros (ex. grupo que tem 5 sociedades distribuídas a nível internacional), a alocação de
lucro é feita de 3 formas atrves dos preços de transferencia:
 Ativos
 Funções desempenhadas pelo grupo
 Risco (risks)
o Com base nestes 3 critérios aloca-se a base tributável
 Com o BEPS prevê-se um conjunto de regras que só se pode atribuir os riscos a entidade que tem capacidade
financeira para, de facto, suportar esses riscos  apertar o critério dos preços de transferência

CCCTB (ideia de IRC europeu) 6


 Visa eliminar a necessidade de controlar os preços de transferência no espaço europeu
 Dentro do espaço europeu é necessário preparar relatórios que digam que está a ser alocado de acordo com
os ativos, funções e riscos  o CCCTB pretende acabar com isto e tratar o grupo como um todo, ou seja,
consolida-se a matéria coletável e depois vai-se repartir a matéria coletável pelos países
o Ex. FR 1000, PT, 1000, PL – 1000, ES – 1000  faz-se o total do grupo consolidado
 Em 2016 surgiram duas propostas para:
o Tentar criar este IRC só para as grandes empresas (multinacionais), ou seja, que tenham um volume
de vendas superior a 750 000€
 Como é que isto funciona: a multinacional que está em FR preenche apenas uma declaração fiscal entregue
em FR com o resultado consolidado a nível europeu. A FR pega nos 2000 de matéria coletável e vai dividi-los
pelos EM através de uma chave de repartição:
o Vendas
o Numero de funcionários
o Valor dos ativos em cada país
Posteriormente à alocação da repartição, cada país aplica a sua taxa de imposto

Ação 6: Evitar medidas anti abuso dos tratados (treaty shopping)


 Há um tratado entre o Estado A e o Estado C e outro tratado entre o estado A e o estado B em que a taxa é
5%  stepping stone (= empresa utilizada para triangular, sem substancia nenhuma)  criam-se estas
empresas para triangular o investimento e beneficiar de taxas de retenção na fonte mais baixas
 Ver slides com princípios gerais
6
ideia de tema para tese
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 Breve comentário: na ATAD1 há uma clausula feral anti abuso que segue muito a linha da regra anti abuso
que foi criada pela OCDE – teste do principal objetivo da transação foi obter uma vantagem fiscal e não
implementar uma atividade comercial (= transações não são genuínas) – artigo 6º ATAD 1

Ação 15: Instrumento multilateral


 Esta ação permite que se faça apenas um instrumento e os países assinam, ratifica e aprovam este
instrumento multilateral  a partir deste momento todos os tratados passam a estar automaticamente
atualizados com as ações do BEPS
 PT já assinou, mas ainda não ratificou
o Ex. a partir do momento em que PT ratifique e FR ratifique, o tratado entre PT-FR fica atualizado
o Todos os tratados passam a estar automaticamente atualizados, ou seja, vão ter regras novas
 DAC (diretiva comunitária cooperação administrativa)  um dos pontos do BEPS é o de aumentar a troca de
informações fiscais entre Estados – estas medidas foram vertidas na EU, através de alterações (DAC 1, DAC 2,
DAC 3) à DAC (Diretiva 77/799/CEE)  estas são as novas diretivas entre trocas de informação entre
autoridades fiscais
o DAC 3- tax rulings
o DAc 4- country by country report
 As alterações feitas a DAC original visaram tomar em consideração as ações do BEPS

Criação da lista europeia de jurisdições


 A maioria dos paraísos fiscais não estão nesta lista

Conclusão:
 Está a haver um acompanhamento por parte da OCDE para ver se os Estados estão a adotar as ações do
BEPS e como estão a fazer

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