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Guia Prático

Aplicações Estéticas
de Toxina Botulínica
na Odontologia

EDITORA

DESDE 1953

1ª EDIÇÃO

2017
Copyright © Editora RGO

Ricardo Cauduro Jr.


Editoria de Texto

Jairo Ribeiro da Rosa


Produção de capa

Eliazar Chaves
Revisão de Emendas

Pedro M. A. Hoffmann
Editoração e Composição Eletrônica

Este livro no todo ou em parte, conforme determinação legal, não pode ser reproduzido por qual-
quer meio sem autorização expressa e por escrito da editora. A exatidão das informações e dos
conceitos e opiniões emitidos, bem como as imagens, tabelas, quadros e figuras, são de exclusiva
responsabilidade dos autores.

FICHA CATALOGRÁFICA

Guia Prático Aplicações Estéticas de Toxina Botulínica na


Odontologia 1ª Edição /
[de autoria de Caroline Boneti Seibel / Marcela Kelin Giachini
- Porto Alegre: Ed. RGO 2017, 52 p, 21 cm.
1. Toxina Botulínica na Odontologia. 2. Preenchedores na
Odontologia. 3. Odontologia. 4. Terapêutica Odontológica.
I. Boneti Seibel, Caroline, aut. II. Giachini Kelin, Marcela, aut.

ISBN IMPRESSO: 978-85-61660-22-2


ISBN DIGITAL: 978-85-61660-23-9

RGO Editora Informação e Didática Ltda


Estrada da Ponta Grossa, 5245
CEP: 91780-580
Porto Alegre/RS
Fone: +55 51 3248-1195
E-mail: rgo@rgo.com.br
Sumário

1 . INTRODUÇÃO........................................................................................7
1.1 Mecanismo de ação

2 MARCAS..................................................................................................9
2.1 Botox
2.2 Xeomin
2.3 Prosigne
2.4 Dysport
2.5 Botulift

3. DILUIÇÃO..............................................................................................12

4. MÚSCULOS DA MIMICA FACIAL.......................................................14



5. OCCIPTOFRONTAL..............................................................................15

6. PRÓCERO..............................................................................................18

7. CORRUGADOR DE SUPERCILIO.........................................................21

8. ORBICULAR DO OLHO........................................................................24

9. LEVANTADOR DO LÁBIO SUPERIOR E DA ASA DO NARIZ............27

10. DEPRESSOR DO SEPTO NASAL........................................................30

11. ORBICULAR DA BOCA......................................................................33

12. RISÓRIO..............................................................................................36

13. ABAIXADOR DO ÂNGULO DA BOCA..............................................39

14. MENTUAL...........................................................................................42

15. PLATISMA..........................................................................................45

16. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................50


As Autoras

Caroline Boneti Seibel


- Especialista e Mestre em Ortodontia.
- Professora de Toxina Botulínica e Acido Hialurônico na Odontologia
- Coordenadora de Pós Graduação em Harmonização Orofacial com ênfase em Toxina
Botulinica e Preenchedores Faciais

Marcela Kelin Giachini


- Especialista em Ortodontia.

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1. Introdução

A Toxina Botulínica é uma proteína catalisadora, de origem biológica,


obtida a partir do Clostridium Botulinum, uma bactéria anaeróbica capaz de
produzir sete sorotipos diferentes (A, B, C1, D, E, F e G).

A Toxina Botulínica do tipo A (TXB-A) é a mais potente e a de maior tem-


po de duração do efeito.

Já conhecida na medicina desde 1973, vem ganhando espaço na Odon-


tologia com indicações especificas da profissão e também com finalidade de
estética e harmonia da face de acordo com a ultima resolução CFO- 176|2016
que reconhece de forma clara o uso odontológico da Toxina Botulinica e tam-
bém dos Preenchedores Faciais para fins terapêuticos funcionais e\ou estéti-
cos dentro da área de atuação do cirurgião dentista.

Para afastar qualquer tipo de polêmica, essa resolução também esta-


belece em seu artigo 1 que a área anatômica de atuação clinico-cirurgica do
cirurgião-dentista é superiormente ao osso hioide até o limite do ponto násio
(ossos próprios do nariz) e anteriormente ao tragus, abrangendo estruturas
anexas e a fins.

Para os casos de procedimentos não-cirurgicos, de finalidade estética


de harmonização facial em sua amplitude, inclui-se também o terço superior
da face.

Esse guia prático tem o objetivo de apresentar protocolo de aplicação de
Toxina Botulínica na estética facial.

-7-
Introdução

1.1 MECANISMO DE AÇÃO



A Toxina Botulínica age nas terminações nervosas bloqueando os canais
de cálcio e diminuindo a liberação de acetilcolina, neurotransmissor que trans-
porta as mensagens do cérebro para os músculos. Sem ordem para se movi-
mentar, o músculo relaxa temporariamente até o restabelecimento gradual da
transmissão neuromuscular com retorno da função normal que leva em torno
de 4 meses.

Há evidências de que a denervação química induzida pela toxina botulí-


nica estimula o crescimento de brotamentos axonais após aproximadamente
dois meses, quando o tônus muscular é parcialmente restaurado. Quando a
junção neuro-muscular se recupera, há involução dos brotamentos axonais
citados.

Quando o alvo é um músculo, a paralisação pela denervação química


ocorre e o efeito na pele aparece entre o terceiro e o décimo dia, permanecen-
do em media por dois a três meses antes de gradualmente iniciar a desapa-
recer.

-8-
2. Marcas

No Brasil, existem cinco formulações de Toxina Botulinica tipo A comer-


cializados e aprovados pela ANVISA. Embora as cinco apresentações tenham
eficácia e segurança comprovadas cientificamente, apresentam diferenças na
composição, nas indicações aprovadas em bula e também na potência.

Caracteristicas específicas de cada fórmula devem ser muito bem anali-


sadas e prescritas adequadamente a cada paciente, salientando característi-
cas como a presença ou não de lactose, albumina humana, gelatina animal e
teor de açúcar, conforme descrito abaixo:

2.1 BOTOX:
Produzida pela Allergan Produtos Farmacêuticos Ltda, é comercializado em
frascos de 50U, 100U ou 200U, na forma congelada á vácuo.
Conservação: No freezer em temperatura igual ou inferior a 5 graus ou na
geladeira entre 2 e 8 graus.
Composição: Albumina humana 0,5 mg, NaCl 0,9 mg.
Peso molecular: 900 KDa

-9-
Marcas

2.2 XEOMIN:
Produzido pela Biolab Sanus Farmacêutica Ltda, é comercializado em frascos
de 100 U, na forma liofilizada.
Conservação: 15 a 30 graus.
Composição: Albumina humana 1g, sucrose 5 mg
Peso molecular: 150 KDa

2.3 PROSIGNE:
Produzido pela Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos Ltda, comerciali-
zado em frascos de 50U e 100U, na forma liofilizada.
Conservação: 2 a 8 graus.
Composição: Gelatina bovina 5mg, Dextran 25 mg, Sucrose 25 mg.
Peso molecular: 500 a 900 KDa.

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Marcas

2.4 DYSPORT:
Produzido pela IPSEN Biopharm Ltda, comercializado em frascos de 300 U
ou 500 U, na forma liofilizada.
Conservação: 2 a 8 graus.
Composição: Solução de albumina humana 0,125mg, lactose 2,5 mg.
Peso molecular: 500 a 900 KDa.

2.5 BOTULIFT:
Produzido pelo Laboratório Bergamo, comercializado em frascos de 50U,
100U e 200U, na forma liofilizada.
Conservação: 2 a 8 graus.
Composição: Albumina humana 0,5 mg, NaCl 0,9 mg.
Peso molecular: 900 KDa.

- 11 -
3. Diluição

A técnica de diluição descrita na bula deve ser seguida para obter o re-
sultado esperado.

Recomenda-se como diluente soro fisiológico 0,9%, sem conservantes.


A quantidade de diluente pode variar entre cada profissional, mas a quantida-
de de toxina botulínica preconizada para cada caso deve ser a mesma, inde-
pendente do volume de soro fisiológico injetado no frasco; portanto, quanto
mais diluída a toxina, mais volume será injetado no músculo em questão para
ter o mesmo resultado.

Peso molecular é um fator a ser observado quando se pretende alterar


a diluição prevista por bula, para evitar difusão do produto para músculos vizi-
nhos que não são alvo no tratamento.

- 12 -
4. Músculos da Mímica Facial

São músculos de localização muito superficial, também chamados de


cuticulares por se fixarem na cútis sobre a qual atuam. Por esse motivo, a
agulha para injeção de Toxina Botulínica nas aplicações estéticas a serem
descritas nesse guia não precisam ultrapassar o comprimento de 8 mm, sendo
que na maioria dos casos, apenas metade dessa profundidade de injeção será
necessária.

SOBREPOSIÇÃO
DOS MÚSCULOS
DA MÍMICA EM
UMA FACE EM
REPOUSO

- 13 -
Músculos da Mímica Facial

A inervação motora dos músculos da expressão facial é feita pelo VII par
craniano e por haver uma grande variedade no grau de desenvolvimento, for-
ma e potência desses músculos, a criação de um protocolo único para todos
os pacientes torna-se inviável.

A atuação na estética facial com uso de Toxina Botulínica requer um


conhecimento anatômico da região. Sabendo a origem, a inserção e a ação
de cada músculo da expressão facial, o cirurgião –dentista tem conhecimento
e habilidade para trabalhar com segurança dentro da área de atuação de sua
formação.

Origem = peça óssea onde o músculo esta fixado. Não se desloca no momen-
to da contração muscular.

Inserção = extremidade que se desloca no momento da contração.

Os músculos da expressão facial mais procurados para injeção de toxi-


na botulínica com a finalidade estética são: occiptofrontal, prócero, corrugador
de supercílio, orbicular dos olhos, levantador do lábio superior e asa do na-
riz, depressor do septo nasal, orbicular da boca, risorio, abaixador do ângulo
da boca, mentual e platisma. Nesse guia será apresentado o protocolo das
indicações estéticas mais procuradas pelos pacientes; seguindo o mesmo ra-
ciocínio, esses conhecimentos devem ser aplicados para cada músculo que
eventualmente seja necessaria redução do tônus muscular.

- 14 -
5.
Músculo
Occiptofrontal

O músculo occipitofrontal é
um músculo do subcutâneo do
crânio que possui dois ventres:
um occipital e outro frontal; que
segundo alguns autores podem
ser considerados como músculos
distintos.

- 15 -
Músculo Occiptofrontal, Ventre Frontal

Origem: Gálea aponeurótica


Inserção: Pele dos supercílios
Ação: Eleva a pele da fronte e do supercílio, formando rugas horizontais na testa.

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Músculo Occiptofrontal, Ventre Frontal

Protocolo:
Considerando um raio de ação de aproximadamente 1 cm, variando de acordo com
a marca de toxina botulinica utilizada e o volume de diluição, os pontos devem ser marca-
dos com espaços de até 2 cm entre eles, injetando-se 1 a 2 U de toxina botulínica de acordo
com o grau de hiperatividade muscular.
Profundidade da agulha: 4mm

Cuidados:
A ação do músculo occiptofrontal é de elevar a pele da fronte e do supercílio; portan-
to, a aplicação de toxina botulínica nessa região vai proporcionar um relaxamento muscular
cujo efeito na pele vai ser no sentido contrario da ação do músculo, ou seja, abaixamento
da pele.
Cuidado especial deve ser tomado em relação às sobrancelhas, deixando uma mar-
gem de segurança delas de, no mínimo, 1 cm para evitar o efeito indesejável de queda das
mesmas e\ou das pálpebras.
Desse modo, a medida que os pontos de aplicação se aproximam das sobrancelhas,
um abaixamento delas é esperado; pelo contrario, quanto mais distante delas for a aplica-
ção, mais deixamos outros músculos agirem no intuito de elevá-las.

- 17 -
6. Músculo Prócero

6.
Músculo
Prócero

O músculo prócero é um mús-


culo do nariz. Em latim chama-
se piramidalis nasi. Recebe este
nome por ter formato piramidal
e estar situado sobre o osso na-
sal. É quase uma continuação do
músculo frontal.

- 18 -
Músculo Prócero

Origem: Osso nasal, cartilagem nasal lateral


Inserção: Pele da glabela
Ação: Abaixa a pele entre as sobrancelhas

- 19 -
Músculo Prócero

Protocolo:
2 locais de punção, injetando 2 a 3 U em cada ponto, dependendo da potência e
hiperatividade do músculo.
profundidade da agulha: 4 mm.

Cuidados:
A aplicação nesse músculo pode resultar em ptose palpebral pela difusão da toxina
ou pela injeção no septo orbital. Cuidados com o volume injetado na glabela devem ser
considerados.

- 20 -
7. Corrugador do Supercílio

7.
Corrugador do
Supercílio

O músculo corrugador do supercí-


lio é um pequeno músculo piramidal lo-
calizado no limite medial da sobrance-
lha. O corrugador do supercílio puxa a
sobrancelha para baixo e medialmente,
produzindo as rugas verticais na testa.
É o considerado o principal músculo na
expressão de sofrimento.
- 21 -
Corrugador do Supercílio

Origem: margem supra-orbital


Inserção: Terço médio da pele do supercílio
Ação: Aproxima as sobrancelhas na linha média

- 22 -
Corrugador do Supercílio

Protocolo:
2 a 3 U de toxina botulínica em cada ponto.
profundidade da agulha: 8 mm

Cuidados:
A injeção de Toxina Botulínica no corrugador de supercílio é feita em conjunto com
o prócero; os mesmos cuidados já citados anteriormente devem ser considerados também
nesse músculo, juntos são responsáveis pelas rugas transversais profundas sobre a raiz do
nariz.

- 23 -
8. Orbicular do Olho

8.
Orbicular do
Olho

O músculo orbicular do olho


contorna toda a circunferência da
órbita. Divide-se em três porções:
palpebral, orbital e lacrimal.

- 24 -
Orbicular do Olho

Este músculo contorna toda a circunferência da órbita. Divide-se em três porções:


palpebral, orbital e lacrimal.

Origem:
- Porção orbital : parte nasal do osso frontal, processo frontal da maxila, lacrimal, saco la-
crimal, ligamento palpebral medial;
- Porção lacrimal - crista lacrimal posterior do osso lacrimal;
-Porção palpebral - ligamento palpebral medial, saco lacrimal.

Inserção:
- Porção orbital: ligamento palpebral lateral;
- Porção palpebral: ligamento palpebral lateral;
- Parte lacrimal: canalículo lacrimal, margem palpebral, glândula lacrimal.

Ação: Fecha as pálpebras e direciona drenagem do fluido lacrimal.

- 25 -
Orbicular do Olho

Protocolo:
Para tratamento de rugas dinâmicas dessa região, são necessários 3 a 5 locais de
punção de cada lado, e a quantidade de toxina de 1 a 2 U por ponto, variando de acordo
com o grau de hiperatividade muscular e extensão da região a ser tratata.
Profundidade da agulha: 8mm

Cuidados:
Para aplicação no músculo orbicular dos olhos, recomenda-se uma margem de se-
gurança de 1 cm do globo ocular para evitar efeitos oftalmológicos indesejáveis. Cuidado
também com os limites inferiores, pois abaixo do orbicular dos olhos se encontram vários
músculos mastigatórios, uma difusão indesejável pode causar assimetrias no sorriso.

- 26 -
9. Levantador do
Lábio Superior e
da Asa do Nariz
O músculo levantador do lábio supe-
rior e da asa do nariz é um músculo
da face. Se origina na maxila e divide-
se em dois fascículos fixados à carti-
lagem alar maior do nariz e ao lábio
superior, elevando as duas estruturas
na contração.

- 27 -
Levantador do Lábio Superior e
da Asa do Nariz

Origem: Processo frontal da maxila


Inserção: Cartilagem alar maior, pele da asa do nariz e lábio superior
Ação: Dilata a narina e levanta o lábio superior

- 28 -
Levantador do Lábio Superior e
da Asa do Nariz

Protocolo:
A marcação pode ser feita em qualquer local do músculo que se extende vertical-
mente do processo frontal da maxila até o lábio superior. Nesse guia sugerimos a aplicação
na altura da asa do nariz, como demonstra na figura abaixo. A quantidade de toxina injetada
vai depender da quantidade de exposição gengival a ser corrigida. Em media, aplica-se 1 U
de toxina\ lado para abaixar 1 mm do lado superior.
Profundidde da agulha: entrando com a seringa de baixo para cima, a agulha de 8 mm
entra inteira.

Cuidados:
Pela proximidade de outros músculos faciais, como os zigomáticos maior e menor,
há sempre o risco de injeção imprópria e efeitos indesejáveis.

- 29 -
10.
Depressor do
Septo Nasal
O músculo depressor do septo nasal
possui a função de contrair as narinas
e se encontra na fossa incisiva da ma-
xila. Septo nasal é uma parede no in-
terior do nariz que divide em dois a
cavidade nasal e as narinas. Pode ser
chamado de abaixador do septo na-
sal.

- 30 -
Depressor do Septo Nasal

Origem: Fossa incisiva da maxila


Inserção: Septo e parte dorsal da asa do nariz
Ação: Traciona para baixo a asa do nariz, estreitando as narinas

- 31 -
Depressor do Septo Nasal

Protocolo:
Um ponto na base da columela, 3 a 5 U d toxina botulínica.
Profundidade da agulha: 6 mm

Cuidados:
Essa aplicação está indicada para pacientes com leve queda da ponta do nariz,
grandes ptoses precisam associar outros tratamentos.
Cuidados com excesso de toxina botulínica nessa região , podem resultar em queda
do lábio superior.

- 32 -
11.
Orbicular
da Boca
O músculo orbicular da boca origina-
se e insere-se nos processos alveola-
res das maxilas. É responsável pelo fe-
chamento da boca.

- 33 -
11. Orbicular da Boca

Origem: Ângulo da boca, circundando a boca como um esfíncter.Não apresenta origem


óssea direta.
Inserção: Labios e músculos no ângulo da boca.
Ação: Responsável por todos os movimentos dos lábios.

- 34 -
Orbicular da Boca

Protocolo:
Maximo 2 pontos cada lado, 1 U cada ponto.
Profundidade da agulha: 3 mm
Segue mesmo protocolo na porção abaixo inferior.

Cuidados:
O tratamento de rugas dinâmicas nessa região com Toxina botulínica pode apresen-
tar sucesso modesto ou até mesmo resultados indesejáveis. A redução na função de franzir
os lábios para não aparecer essas rugas de expressão, compromete todas as funções que
esse músculo apresenta, entre elas: assobiar, beijar, soprar. O paciente pode relatar ainda
dificuldades fonéticas e sialorréia.

- 35 -
12.
Risório

O músculo risório é plano e delgado,


está situado na bochecha e suas fibras
se confundem com as fibras do mús-
culo platisma. Ele retrai o ângulo da
boca lateralmente (riso forçado).

- 36 -
Risório

Músculo frequentemente ausente.

Origem: fáscia parotídeomassetérica


Inserção: pele do ângulo da boca
Ação: Retrai lateralmente o ângulo da boca

- 37 -
Risório

Protocolo:
Para reduzir a largura do sorriso, marcar um ponto ao lado de cada comissura, com
1 cm de distancia. Injetar 1 a 2 U de toxina cada lado.
Profundidade da agulha: 3 mm

Cuidados:
Em razão da proximidade com o músculo levantador do ângulo da boca, a aplicação
desse músculo pode resultar em queda do ângulo da boca, excesso de saliva e problemas
fonéticos.

- 38 -
13.
Abaixador do
Ângulo da Boca
É um músculo plano e delgado loca-
lizado sobre o músculo abaixador do
lábio inferior. Ele deprime o ângulo
da boca (expressão de tristeza)

- 39 -
Abaixador do Ângulo da Boca

Origem: Borda inferior da mandíbula


Inserção: Ângulo da boca, metade lateral lábios superior e inferior
Ação: Puxa o ângulo da boca para baixo.

- 40 -
Abaixador do Ângulo da Boca

Protocolo:
Um ponto de cada lado, 2 U toxina por ponto.
Profundidade da agulha: 4mm

Cuidados:
Assim como citado anteriormente, deve-se tomar cuidado com difusão a músculos
vizinhos para não comprometer a expressão facial.

- 41 -
14.
Mentual

O músculo mentual é um músculo da


boca. Se origina na mandíbula e se
fixa na pele do queixo. Tem a função
de elevar o lábio inferior da boca (ex-
pressão de dúvida).

- 42 -
Mentual

Origem: Fossas incisivas laterais da mandíbula.


Inserção: Pele do queixo
Ação: Eleva a pele do mento e everte o lábio inferior

- 43 -
Mentual

Protocolo:
Um a dois locais de punção cada lado, 2 U toxina em cada local.
Profundidade da agulha: 8 mm

Cuidados:
A aplicação de toxina botulínica no músculo mentual pode atenuar rugas do tipo
“bola de golfe” . Esse músculo também está envolvido em distonia e hespasmos hemifacial.
É necessário cuidados referente a difusão para o abaixador do ângulo da boca ou para o
orbicular da boca.

- 44 -
15.
Platisma

O músculo platisma ou músculo sub-


cutâneo do pescoço é um músculo do
pescoço. Representa um músculo su-
perficial, ocupando grande parte an-
terior do pescoço. Sua área total pode
variar para cada pessoa, saindo pró-
ximo ao músculo bucinador e esten-
dendo-se, para cima e em direção à
linha medial, da clavícula até à porção
inferior da mandíbula.

- 45 -
Platisma

Origem: Escápula e clavícula.


Inserção: Margem inferior da mandíbula, pele e músculos em torno da boca.
Ação: Contração de lábios e pele do pescoço.

Protocolo:
O músculo platisma é extenso, fino e muito forte. Existem varias maneiras de aplicar
toxina botulínica nele, alguns autores gostam inclusive de associar a aplicação em outros
músculos como masseter ou depressor do ângulo da boca quando o objetivo é melhorar a
definição da linha mandibular, técnica que ficou conhecida como Nefertite, nome de uma
antiga rainha egípcia que apresentava pescoço alongado e linha mandibular esculpida.

- 46 -
Platisma

O protocolo para essa finalidade estética consiste em aplicar 4 pontos na borda su-
perior da mandíbula e quatro pontos na borda inferior, paralelos entre si, 1 a 2 U de toxina
botulínica em cada ponto.
Complementa-se a técnica com aplicação na banda platismal mais forte, anterior ou
posterior, mesma quantidade de toxina por ponto.
Profundidade da agulha: subcutâneo.

Cuidados:
A dificuldade está na seleção correta do paciente para a realização dessa técnica.
Sugere-se uma avaliação quanto a extensão da puxada platismal da face inferior para ver
se é um bom candidato para a definição do contorno mandibular com toxina botulínica.

- 47 -
Conclusão

Os benefícios da Toxina Botulinica tipo A na prevenção e tratamento do


envelhecimento facial são indiscutíveis. É um recurso eficaz, seguro e com
grande impacto na beleza e harmonia facial.

O protocolo deve ser ajustado individualmente, utilizando marca e dosa-
gem que melhor atendam as necessidades de cada paciente, sempre tentan-
do obter o maximo de resultado com o mínimo de dose e respeitar um intervalo
de 4 meses entre cada aplicação para que se complete o ciclo de regeneração
neuronal.

O cirurgião dentista pelo seu amplo conhecimento anatômico, funcional


e estético da face possui elevada capacidade técnica e cientifica para trabalhar
com toxina botulínica, devolvendo a estética e a autoestima a seus pacientes.

- 48 -
Conclusão

OCCIPTOFRONTAL

CORRUGADOR DO
SUPERCÍLIO

PRÓCERO

ORBICULAR DO OLHO

LEVANTADOR DO
LÁBIO SUPERIOE E
ASA DO NARIZ

ORBICULAR DA BOCA

RISÓRIO

DEPRESSOR DO
ÂNGULO DA BOCA

MENTUAL

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16. Referências Bibliográficas

1. Anvisa Agência Nacional de Vigilância Sanitaria, 2011. Registro de produtos biológicos\ Bases legais e

guias- Coletânea. Disponivel em: HTTP://portal.anvisa.gov.br\wps\wcm\conect\935aed0048bd2755a7cda-

f9a6e94f0d0\Registro_Produtos_Biologicos_Hemoterapicos_10102011_WEB.pdf.MOD=AJPERES

2. Aoki, KR. Botulinum toxin: a successful therapeutic protein. Curr Med Chem 2004; 11(23): 3085-3092.

3. Bula BOTOX, BOTULIFT, DYSPORT, PRIGNE e XEOMIN.

4. Costa, C.; Costa, A.C.B.; Savedra, C.M.S. Fundamentos de Anatomia para o Estudante de Odontologia.

Atheneu, 2000.

5. Dall’Magro, A.; Salvoni, A.; Brizuela, A. Et Al. Toxina Botulínica e Preenchedores na Odontologia. RGO,

2015.

6. Figún, G. Anatomia odontológica funcional e aplicada. Panamericana, 1994.

FEHRENBACH, M. J.; Herring, S. W. Anatomia ilustrada da cabeça e do pescoço. Manole, 2005.

7. Jost, W. Atlas ilustrado de injeção de toxina botulínica. AC farmacêutica, 2012.

Kontis, T. C. , Lacomve, V. G. Técnicas de injeção em cosmiatria. Di livros editora LTDA 2015.

8. Madeira, M. C. Anatomia da Face. Sarvier 2013.

9. MMM, Sposito. Toxina botulinica tipo A: propriedades farmacológicas e uso clinico. Acta Fisiatr, 2004.

10. Radlanski, R.J.; Wesker. K.H. A Face - atlas de anatomia clinica. Quintessence, 2016.

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