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CASTELFRANCHI, Y.; FERNANDES, V.

Teoria crítica da tecnologia e cidadania


tecnocientífica: resistência, “insistência” e hacking. Rev. Filos., Aurora, Curitiba,
v. 27, n. 40, p. 167-196, jan./abr. 2015.

Os autores do trabalho em questão objetivam discutir alternativas para a


promoção do que denominam como ‘prática crítica da tecnologia’,
fundamentando-se nas mudanças da tecnologia oriundas da condição humana
sob uma abordagem dinâmica. De início, o texto tece comentários sobre a Teoria
Crítica da Tecnologia e seu caráter problematizador acerca de assuntos da
sociologia clássica, dando, assim, suporte para uma análise crítica sobre o
capitalismo baseada em contribuições das epistemologias construtivista e
feminista. Desta maneira, traça-se relações entre a sociologia da tecnologia e
Teoria Crítica da Tecnologia, buscando-se analisar as práticas da cidadania
tecnocientífica, debate este promovido por Andrew Feenberg. A seguir, os
autores apresentam a cidadania tecnocientífica como um complexo grupo de
práticas e conexões híbridas constituídas de uma porção de práticas que podem
ser diretas e planejadas ou indiretas e não planejadas, ações essas que, de
forma indireta, se refletem na economia e política. O trabalho define mais adiante
os conceitos de ‘cidadania’ e ‘tecnociência’. O primeiro, segundo os autores, se
configura como uma interação dialética entre pessoas, enquanto que o segundo
está ligado às práticas da política e do mercado. De acordo com o texto, a
tecnologia pode ser transformada politicamente apenas mediante um
conhecimento especializado, requisito que não é poder de todos. Desta forma,
se faz importante a migração deste tipo de debate para o ambiente da
tecnociência, espaço no qual pessoas não especialistas têm a possibilidade de
contribuir com suas experiências, uma vez que tais indivíduos, por sofrerem
diretamente os impactos da tecnologia, possuem uma perspectiva diversa dos
cientistas. Por fim, os autores ressaltam que, para a efetivação de tal
transformação, é essencial uma forte resistência política e sugerem um
movimento que busque desconstruir o olhar sobre a tecnologia, levando em
conta todos os aspectos vivenciados pela sociedade. Nesse contexto, Stengers
(2017) apresenta em seu trabalho colaborações acerca da aprendizagem
científica na sociedade em geral. A fim de que os cidadãos se tornem mais
críticos e autônomos, Stengers defende um ensino que contribua para que a
população compreenda a base do conhecimento científico, de maneira a
propagar uma ‘cultura de suspeita’ da Ciência.

Formação e ação de professores na escola com base na Teoria Crítica da


Sociedade

Augusto Cesar Araujo Lima


Mestrando do Programa de Pós-graduação em Educação para a Ciência