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EDUCAÇÃO COMO PRÁTICA DA LIBERDADE

PAULO FREIRE
Miriam Guth de Paula
Prof.ª. Ana Noredi Schuster
Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI
Artes Visuais – HID0448
19/04/2015

RESUMO

Paulo Reglus Neves Freire educador, pedagogista e filósofo brasileiro (1921-1997), em seu livro
Educação como Prática da Liberdade, apresenta uma visão de como a educação deve realizar-se
como prática da liberdade, onde os caminhos da libertação só estabelecem sujeitos livres e a
prática da liberdade só pode se concretizar numa pedagogia em que o oprimido tenha condições
de descobrir-se e conquistar-se como sujeito de sua própria destinação histórica. O modelo
pedagógico de Paulo Freire que aproxima a educação como ação cultural, de conscientização e
suas técnicas para alfabetização têm sido adotadas e adaptadas  para ajustar milhares de projetos
onde a situação de aprendizagem é parte da situação de conflito social. Este modelo apresenta
uma educação construída sobre a ideia de um diálogo entre educador e educando, onde ocorra
sempre partes de cada um no outro, que não poderia começar com o educador trazendo pronto do
seu mundo, do seu saber, o seu modelo de ensino e o material para as suas aulas baseados na sua
cultura e valores. Dentro desta percepção é que um dos pressupostos do modelo se fundamenta na
ideia de que ninguém educa ninguém e ninguém se educa sozinho.

PALAVRAS CHAVE: Educação. Pedagogia. Liberdade.

1 INTRODUÇÃO
Com a presente resenha crítica pretendo fazer um estudo analítico e expor o método de
alfabetização de adultos de maneira minuciosa, contextualizando historicamente a proposta e
expondo seus pressupostos filosóficos e políticos, a partir da leitura e estudo do livro Educação
como Prática da Liberdade apresentar as impressões obtidas.

Dando início ao estudo do método de alfabetização de adultos o cientista político brasileiro


Francisco Weffort, destaca na introdução do livro as experiências do método na cidade de Angicos,
no Rio Grande do Norte, em 1962, onde 300 trabalhadores rurais foram alfabetizados em 45 dias.

Entre junho de 1963 e março de 1964, desenvolveram-se cursos de capacitação de


coordenadores em várias capitais dos Estados. No início de 1964, estava prevista a instalação de
20.000 círculos de cultura para dois milhões de analfabetos. O Golpe militar interrompeu os
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trabalhos e reprimiu toda a mobilização popular já conquistada. Paulo Freire ficou detido por 70
dias e depois foi exilado.

Weffort analisa que o Golpe de Estado teve entre seus resultados a desestruturação do que
foi o maior esforço de democratização da cultura já realizado no Brasil. Apesar disso ficou a
semente que transcendeu os marcos do período e as próprias fronteiras do país.

Durante o período em que ficou exilado, Paulo Freire participou de diversos projetos
desenvolvendo os métodos de alfabetização de adultos e escreveu algumas obras, entre elas está
“Educação como Prática da Liberdade”. Este livro está organizado em quatro capítulos. No
primeiro capítulo “A Sociedade Brasileira em Transição”, Freire apresenta sua interpretação sobre
as forças políticas que disputavam o poder no início da década de 1960, esclarecendo inicialmente
seus pressupostos filosóficos. No segundo capítulo “Sociedade Fechada e Inexperiência
Democrática”, Paulo Freire resgata a história e as características do Brasil no período colonial e na
fase do Império, esclarecendo a inexistência da participação popular, inclusive durante a passagem
para a República. No terceiro capítulo “Educação Versus Massificação” faz uma crítica à educação
tradicional que, na época, eram as práticas pedagógicas aplicadas nas escolas. E no último capítulo
“Educação e Conscientização” Freire explica minuciosamente o Método de alfabetização de
adultos.

2 A SOCIEDADE BRASILEIRA EM TRANSIÇÃO

Neste primeiro capítulo, Paulo Freire apresenta sua interpretação sobre as forças políticas
que disputavam o poder no início da década de 1960, esclarecendo inicialmente seus pressupostos
filosóficos. Ele define sua filosofia de caráter existencial, para ele existir ultrapassa viver, porque é
mais do que estar no mundo. É estar nele e com ele. O existir é individual. Transcender, discernir,
dialogar são exclusividades do existir. Herdando a experiência adquirida e integrando-se às
condições de seu contexto, lança-se o homem em um domínio que lhe é exclusivo – o da História e
o da Cultura.

Segundo Paulo Freire a integração não é acomodação, ela resulta da capacidade de ajustar-se
à realidade acrescida da possibilidade de transformá-la. O homem integrado é um homem Sujeito. A
adaptação é um conceito passivo. Criando, recriando e decidindo é que o homem vai participando
das épocas históricas.

Mas, infelizmente, na avaliação de Paulo Freire, o que se sente, dia a dia, é o homem
simples esmagado, diminuído e acomodado, dirigido pelo poder dos mitos que forças sociais
poderosas criam para ele. É o homem assustado, temendo a convivência e até duvidando da sua
possibilidade, ao lado do medo da solidão, que se alonga como “medo da liberdade”.

Segundo o autor, o Brasil vivia um tempo de trânsito, ou seja, a passagem de uma época
para outra, ele afirma que o ponto de partida para esse trânsito foi a sociedade fechada, comandada
por um mercado externo, assim seu povo possuía elevados índices de analfabetismo. Para o autor
esta perspectiva rachou-se. As forças que estavam em disputa eram contraditórias, provocando
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assim no homem brasileiro o surgimento de atitudes optativas com tendência de radicalização na


opção.

Freire afirma que a educação na fase de trânsito se fazia uma tarefa altamente importante,
pois através de uma educação de diálogo e ativa, voltada para a responsabilidade social e política,
chegariam à transitividade crítica que se qualifica pela profundidade na interpretação dos
problemas. Entra aí a matriz verdadeira da democracia.

Paulo Freire queria que todos acreditassem no homem, cuja destinação não era coisificar-se,
mas sim humanizar-se.

3 SOCIEDADE FECHADA E INEXPERIÊNCIA DEMOCRÁTICA

Neste capítulo, Paulo Freire resgata a história e as características do Brasil no período


colonial e na fase do Império, esclarecendo a inexistência da participação popular, inclusive durante
a passagem para a República.

O autor afirma não ser possível compreender nem a transição com seus avanços e recuos,
nem entender o seu sentido enunciador, sem uma visão de ontem.

O Brasil nasceu e cresceu sem experiência de diálogo. Paulo Freire ressalta que a dialogação
implica a responsabilidade social e política do homem.

Esse período se caracterizou, desde o início pelo poder exacerbado, a que foi se associando
sempre a submissão. Submissão de que decorria ajustamento, acomodação e não integração. O
homem ai, acomodou – se a determinações que lhe eram impostas.

Freire relata que a democracia antes de ser uma forma política, é uma forma de vida,
caracterizada pela transitividade de consciência no comportamento do homem. O povo, com raras
exceções, sempre ficava à margem dos acontecimentos.

Mas foi exatamente neste século que o Brasil começou seu grande impulso, iniciou-se aí um
desenvolvimento crescente da urbanização. O país começava a encontrar-se consigo mesmo e seu
povo emerso iniciava as suas experiências de participação. Tudo isso estava envolvido nos embates
entre os velhos e os novos temas; a superação da inexperiência democrática por uma nova
experiência: a da participação.

4 EDUCAÇÃO “VERSUS” MASSIFICAÇÃO

Aqui neste capítulo três, Paulo Freire faz crítica à educação tradicional que, na época, eram
as práticas pedagógicas aplicadas nas escolas. Ele indica para a superação desta situação,
demonstrando a crença na pessoa humana e na sua capacidade de educar-se como sujeito histórico.

Preocupado em encontrar uma resposta no campo da Pedagogia às condições da transição


brasileira, Paulo Freire percebeu que a contribuição a ser trazida pelo educador brasileiro à sua
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sociedade haveria de ser uma educação crítica, uma educação que tentasse a passagem da
transitividade ingênua à transitividade critica. Para ele seria necessária uma educação para a
decisão, para a responsabilidade social e política. Educação que o colocasse em diálogo constante
com o outro, pois a democracia implica mudança.

Paulo Freire faz uma ressalva em relação às práticas pedagógicas que resistem à teoria. A
educação escolar vigente não é teórica porque lhe falta o gosto da comprovação, da invenção e da
pesquisa; ela não comunica.

O autor enfatiza que nada ou quase nada existe na educação formal que desenvolva no
estudante o gosto da pesquisa e da contestação. O que implicaria o desenvolvimento da consciência
transitivo-crítica.

Quanto menos criticidade entre os educadores, tanto mais ingenuamente tratam os


problemas e discutem superficialmente os assuntos. Esta parecia ser uma das grandes características
da educação escolar brasileira na sociedade fechada.

Segundo Freire, somente de algum tempo para cá, vem-se sentindo a preocupação em
identificar –se com a realidade do país, em caráter sistemático. É o clima da transição. A
oportunidade de uma intervenção pedagógica criticadora estava posta, tendo como perspectiva a
superação de posições reveladoras de descrença no educando, no seu poder de fazer, de trabalhar,
de discutir. A democracia e a educação democrática se fundam ambas na crença no homem, na
crença em que ele não só pode mas deve discutir os seus problemas, os do seu país, os do mundo, os
do seu trabalho e o da própria democracia.

5 EDUCAÇÃO E CONSCIENTIZAÇÃO

Neste último capítulo, Paulo Freire explica detalhadamente o método de alfabetização de


adultos. Cita diversos exemplos dessa experiência no Brasil, sendo que o Plano elaborado no
governo Goulart, em 1964, indicava a implementação de 20 mil Círculos de Cultura em todo o país.
O golpe militar impediu a continuidade do método no território brasileiro, porém, no exílio, Paulo
Freire estabelece trabalhos da mesma natureza em diversos países.

Paulo Freire revela que na década de 1960, no Brasil, o número de crianças em idade
escolar, sem escola, aproximava-se de 4.000.000, e o de analfabetos, a partir da faixa etária de 14
anos, 16.000.000.

O autor discorre que há mais de 15 anos a equipe em que participava vinha acumulando
experiência no campo da educação de adultos. Os professores deste Círculo de cultura criado eram
chamados de coordenadores e instituíam debates de grupos, através de entrevistas que mantinham
com eles e de que resultava a enumeração de problemas que os alfabetizandos gostariam de debater.
Segundo Freire, os resultados eram surpreendentes. Numa das experiências, um dos
participantes escreveu com segurança: “Eu já estou espantado comigo mesmo”. Vê-se que ninguém
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ignora tudo e ninguém tudo sabe. Esses coordenadores tiveram a colaboração valiosa da equipe do
Serviço de Extensão Cultural da Universidade de Recife.

Estavam assim, tentando uma educação que lhes parecia a de que precisavam, identificada
com as condições da realidade. Pensavam em criticar o homem através do debate de situações
desafiadoras, que colocadas diante dos grupos, e estas situações teriam que ser existenciais para
eles.

A prática pedagógica de Paulo Freire, conforme afirma Weffort, o respeito à liberdade dos
educandos, que nunca são chamados de analfabetos, mas sim de alfabetizandos. Ao educador cabe
apenas registrar fielmente o vocabulário dos alfabetizandos e selecionar algumas palavras básicas
em termos de frequência, relevância como significação vivida e tipo de complexidade fonêmica que
apresentam, estas são as palavras geradoras.

A primeira palavra geradora pesquisada e aplicada no Estado do Rio de Janeiro foi


FAVELA e que através de uma fotografia se debatiam os problemas de habitação, alimentação,
vestuário, saúde e educação. Logo em seguida o grupo de alfabetizandos começa a criar palavras
com as combinações á sua disposição; percebe-se aí que a alfabetização e a conscientização jamais
se separam, conforme enfatiza Weffort na introdução do livro.

O autor acrescenta que isso foi verificado em todas as experiências que passaram a ser feitas
no país e que iam se estender e aprofundar através do Programa Nacional de Alfabetização do
Ministério da Educação e Cultura que coordenava, extinto depois do Golpe Militar.

Em seu período de exílio, Paulo Freire esteve no Chile e teve tempo suficiente para auxiliar
uma equipe interdisciplinar que através de experiências com resultados animadores com o Método
como instrumento de investigação psicossociológica.

6 CONSIDERAÇÕS FINAIS

A partir dos estudos realizados observa-se que a proposta pedagógica de Paulo Freire para a
educação de jovens e adultos é aplicável até hoje em nossa educação atual.

Quanto ao problema de analfabetismo, nota-se que o perfil descompromissado da educação


escolar com as classes trabalhadoras, questionado por Paulo Freire, na década de 1960 é vista até
hoje em nossa sociedade.

Talvez, se não fosse o Golpe Militar, o programa elaborado no Governo Goulart deveria ter,
em 1964, feito funcionar mais de 20 mil Círculos de Cultura em todo o país.

Os militares impediram a concretização do que ficou conhecido como Método de


Alfabetização de Adultos e imprimiram uma pedagogia tecnicista que respondia às necessidades do
processo de internacionalização da economia brasileira na década de 1960. No entanto, as lutas pela
redemocratização do país no final da década de 1970 trouxeram as propostas pedagógicas de Paulo
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Freire, propostas estas adaptadas de acordo com experiências no âmbito de movimentos sociais e
administrações estaduais e municipais de caráter democrático durante os anos de 1980. Com todo
esse esforço para se implantar uma pedagogia libertadora verificou-se nos anos 90 a implementação
de um projeto pedagógico inovador, mas sabemos que apenas uma proposta pedagógica não pode
dar conta de superar os desafios atuais.

Nesse sentido faz-se necessário dar continuidade às elaborações das propostas que estão em
processo de construção, resgatando a contribuição do Método de alfabetização de adultos
apresentado por Paulo Freire neste livro servirá e muito para mudarmos nossos métodos e entender
que educar é construir sempre e deixar a ideia de que nós educadores podemos e devemos fazer a
diferença, como o exemplo que Paulo Freire nos deu neste livro de luta e dedicação e que devemos
construir sempre e jamais desistir de nossos ideais.

REFERÊNCIAS

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 23ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999.