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Índice 02

Editorial 03
O Ritual de Aprendiz no REAA, Gênese e Desenvolvimento 04
José Bonifácio e Gonçalves Ledo – Maçons Antagonistas 12
A Caridade e a Maçonaria 20
A Bolsa de Proposições e Informações 24
Bate-Papo com os Aprendizes 25
A Cadeia de União 28
Leitura recomendada 31
Calendário de Atividades 1° Semestre de 2018 EV 32
Administração do Biênio 2017-2019 33
Junte-se a Nós! 34
Créditos 35

REVISTA UM QUARTO DE HORA – ANO III – NÚMERO 27 – JANEIRO DE 2018 2


Amados Irmãos e Amigos,

Janus, o deus romano dos inícios, “senhor dos portais”, e


esotericamente o “deus das Iniciações”, inspirou o nome do primeiro
mês do ano: janeiro, que inicia o ano de 2018 EV, nos trazendo o
exemplar número 27 de nossa revista digital UM QUARTO DE HORA.
Tendo como base todo o simbolismo Iniciático de Janus, auguramos
que a experiência adquirida durante o último ciclo que vivemos nos sirva de
farol para dirigir nossos futuros passos. Que nossos erros e acertos do passado se
transformem na Sabedoria necessária para que possamos escrever as 365 páginas em
branco do novo ciclo que se inicia com a Harmonia, Paz e União tão perseguidas por nós
Maçons. Que a Fé, a Esperança e a Caridade possam sempre acompanhar nossos atos.
FELIZ ANO NOVO!
Cumprindo nosso dever de ofício, ressaltamos novamente, que os textos aqui publicados
não refletem a posição oficial do Grande Oriente do Brasil, do Excelso Conselho da
Maçonaria Adonhiramita, ou do Supremo Conselho Adonhiramita do Brasil, sobre os temas abordados,
tratando-se única e exclusivamente das opiniões individuais de seus autores.
Desejamos a todos uma boa leitura!
SERGIO EMILIÃO
Editor

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O RITUAL DE APRENDIZ NO REAA
Gênese e Desenvolvimento

Neste novo artigo, apresento um texto do da criação de órgãos responsáveis pela


Irmão Joaquim G. Santos, membro da Loja de S. sua jurisdição Iniciática e
João Fiat Lux nº 537, Oriente de Lisboa, filiada administrativa, tendo resultado destes
ao Grande Oriente Lusitano. Fiz algumas esforços o nascimento dos Grandes
modificações no texto para o Português do Brasil Ritos, tais como o Rito Francês, o
com algumas correções de linguagem e inserções Sistema Retificado e, finalmente, o
de imagens e links referentes ao tema. REAA. Todos estes sistemas, embora
A génese dos grandes Sistemas Maçônicos partindo do mesmo substrato
desenvolveu-se, essencialmente, no decurso do maçônico, organizam os seus Graus de
século XVIII, podendo-se considerar que a acordo com ideias distintas
mesma se processou em três etapas distintas. O Rito Escocês Antigo e Aceito resultou
Assim: do último destes processos, decorrendo o mesmo
1. Entre o princípio do século e, os anos numa primeira fase em Santo Domingo, entre
40, estabilizaram-se as grandes linhas 1763 e 1767, por iniciativa de Etienne Morin e, de
da maçonaria simbólica, estruturando- Henry Andrew Francken, que compilaram e
se a mesma em três graus; ordenaram um conjunto de 25 Altos Graus,
2. De 1740 a 1760, sensivelmente, praticados à época em França, dando origem a um
assistiu-se, sobretudo em França, ao sistema denominado de Ordem do Real Segredo.
desenvolvimento do Escocismo, A este Rito, em 25 Graus, foram
consistindo o mesmo no advento de acrescentados, em Charleston, nos Estados
uma profusão de Graus Unidos da América, mais 8 Graus, por Maçons
complementares ao de Mestre; Americanos e Franceses, de modo a que o sistema
3. Entre 1760 e o fim do século surgiram resultante perfizesse o número simbólico de 33
várias tentativas de ordenação lógica Graus.
e, de estruturação desses Altos Graus Assim, em 1801, foi constituído o
em sistemas coerentes, bem como de primeiro Supremo Conselho do Mundo, sendo no
regulamentação da sua prática através ano seguinte difundida a “Circular aos Dois
Hemisférios”, por iniciativa de John Mitchell e de

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Frederik Dalcho, respectivamente Soberano retomou os seus trabalhos, com muita dificuldade,
Grande Comendador e, Lugar Tenente desta em 1796, sob o impulso decisivo de Röttiers de
Câmara. Montaleau. Este conseguiu, no decurso deste
Este documento apresentou o novo Rito processo de revivificação da Maçonaria, unificá-
como sendo constituído apenas por Altos Graus, la numa só Obediência, através da celebração, em
deixando às Grandes Lojas a jurisdição sobre os 1799, de uma concordata de união com o
Graus Simbólicos, situação esta que ainda hoje remanescente da Grande Loja de França.
persiste, no universo Anglo-Saxônico. Esta fusão, contudo, foi despertar uma
No entanto, este mesmo Supremo reação das Lojas ditas “Escocesas”, nas quais se
Conselho, em fevereiro de 1802, tinha já praticava uma Maçonaria Simbólica que apenas
empossado o Irmão de Grasse-Tilly com uma diferia do Rito Francês em pequenos pormenores
patente que o reconhecia como Grande Inspetor- da decoração do Templo, tais como a sua cor
Geral (decorado com o 33º Grau) e, lhe conferia vermelha e, a disposição dos grandes candelabros,
poderes de constituir, estabelecer e, inspecionar bem como na aclamação utilizada (Huzzé em vez
todas as Lojas, Capítulos, Conselhos e, da tradicional aclamação francesa Vivat).
Consistórios da “Ordem Real e Militar da Antiga O principal pomo da discórdia residia,
e Moderna Franco-Maçonaria sobre os dois contudo, na recusa de aceitação da prática dos
Hemisférios, em conformidade com as Grandes Altos Graus em conformidade com a estruturação
Constituições”. do Grande Oriente, que os agrupava num conjunto
Depois de uma série de vicissitudes, que de quatro Ordens Superiores, pretendendo estas
envolveram uma partida para Santo Domingo, a Oficinas continuar a pratica-los livremente, de
captura pelos ingleses, o aprisionamento na acordo com os seus sistemas próprios e, a gerir o
Jamaica e, a libertação seguida de uma breve seu comercio de vendas de paramentos e, de
segunda passagem por Charleston, o Irmão de cobranças dos metais devidos às elevações.
Grasse-Tilly regressou a Paris, donde era É pois, neste paradigma, que se dá o
originalmente proveniente, em 1804. regresso, em 1804, dos emigrantes das Américas
Neste mesmo ano verificou-se, atrás referidos.
igualmente, o regresso à capital francesa de outros Os acontecimentos vão-se precipitar, tal
emigrados, tais como Germain Haquet, que como é referido pelo Irmão de Grasse-Tilly, no
traziam na bagagem o sistema em 25 Graus da seu Livro de Ouro: “Em 1804, quando da nossa
Ordem do Real Segredo. chegada a França, as Lojas Escocesas
A situação da Maçonaria francesa era, à encontravam-se feridas de anátema pelo Grande
época, ainda muito complexa, persistindo por Oriente. Nós comunicamos, em Paris, os Altos
sarar várias feridas decorrentes da sucessão de Graus do Escocismo a vários Maçons tanto
acontecimentos verificada nas últimas duas zelosos como recomendáveis; nós estabelecemos
décadas do século XVIII. um Supremo Conselho do 33º Grau para a
Nos anos pré-revolucionários tinha-se França. Este Conselho, reunido àquele do 33º
assistido a uma tentativa de centralização da Grau para a América, fez, em 5 de Dezembro
jurisdição da atividade maçônica, por parte do 1804 com o Grande Oriente uma concordata que
Grande Oriente de França, que não tinha sido pareceu tão vantajosa à Maçonaria, que este
completamente bem-sucedida, persistindo ainda último fez cunhar medalhas para perpetuar a
Oficinas a trabalhar sob os auspícios da antiga recordação da sua existência.”
Grande Loja de França. Esta referência sintetiza bem o sucedido.
Adormecido durante o período Assim:
revolucionário, o Grande Oriente de França só

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1. Foi criada a Grande Loja Geral Resulta, pois, evidente desta sequência
Escocesa, que congregava não só os cronológica de acontecimentos que, durante o
emigrantes das Américas, bem como Primeiro Império e, nos primeiros anos da
todos os descontentes e, resistentes ao Restauração, todas as Lojas simbólicas que
Grande Oriente, rapidamente praticaram o REAA o fizeram sob os auspícios do
aglutinados pelo Irmão de Grasse- Grande Oriente de França, cujo anuário de 1811
Tilly sob a mesma bandeira, tendo os cita 14 Oficinas em Paris e, 5 em outros Orientes,
principais protagonistas deste como pertencentes a este Rito.
movimento sido decorados com o 33º Existem alguns manuscritos dos primeiros
Grau e, integrados no Supremo rituais do REAA relativos aos três primeiros
Conselho emergente. Graus, nomeadamente um datado de 1804 e,
2. Por iniciativa do Imperador, motivada denominado “do Rito Antigo”, que pertenceu à
pelo desejo de não se perderem os RL La Triple Unité Ecossaise, de Mons. Este
mecanismos de controlo da documento encontra-se depositado na Biblioteca
Maçonaria, já instituídos e do Supremo Conselho da Bélgica.
centralizados no Grande Oriente, foi O primeiro Ritual impresso, denominado
celebrada uma concordata de de Guide des Maçons Ecossais, muito embora se
integração dos novos corpos encontre datado de 1804, pensa-se que na
maçônicos nesta Obediência, que realidade tenha sido publicado em 1820, tendo em
passou a reconhecer e, oficialmente, conta ser esta a altura em que se verificou o
também a praticar o novo rito, enquadramento político que justifica os órgãos de
configurando assim este tratado a soberania brindados no Ritual de Ágape. Verifica-
introdução do REAA em França. se, contudo, no que concerne ao Ritual de
Este idílio não durou muito tempo. Em Aprendiz, a concordância do Guide com as
1805 o Supremo Conselho abandonou o Grande versões manuscritas existentes, o que permite
Oriente de França, constituindo-se como Potência datar de 1804 a origem dos primeiros Rituais dos
autônoma e, praticando o REAA do 19º Grau ao Graus Simbólicos do REAA, desconhecendo-se a
33º Grau, continuando a recrutar os seus membros sua autoria.
nos Capítulos do Grande Oriente, que assegurava Analisando o teor deste Ritual, constata-se
o funcionamento do Rito do 1º ao 18º Graus. que:
Em 1816, na sequência de uma cisão do 1. Ele apresenta uma disposição de Loja
Supremo Conselho, alguns Irmãos decorados com na tradição da Grande Loja dos
o 33º Grau regressaram ao Grande Oriente, Antigos, de Inglaterra, o que confere
passando o REAA a ser praticado neste último em ao REAA características de “Rito
todo o sistema, uma vez que o Grand Collége des Antigo”. Recorde-se que este conceito
Rites, que assegurava a sua jurisdição Iniciática, de funcionamento de Loja era, até esta
passou a revestir-se de poderes para conferir os altura, desconhecido da Maçonaria
seus Graus terminais. Francesa, toda ela estruturada com
O REAA passou, igualmente, a ser base na tradição da Grande Loja dos
praticado nos seus 33 Graus sob os auspícios do Modernos.
Supremo Conselho, só começando, contudo, a ser 2. Trata-se de um documento
significativo o número das suas Lojas Simbólicas extremamente sincrético, com
já no princípio da segunda metade do séc. XIX, importações claras da divulgação
em pleno Segundo Império. inglesa Three Distinct Knocks, de

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1760, a qual expôs o Ritual dos 10. Existe esse material traduzido para o
Antigos. Português do Brasil pela Oficina de
3. Da tradição britânica foram Restauração do REAA, o material está
importadas a posição dos Vigilantes, a disponível através do endereço:
disposição das Colunas, os segredos www.oficina-reaa.org.br
do Grau, as Três Grandes Luzes da De alguns Telhadores do princípio do
Maçonaria, a existência de Diáconos e, século XIX, dos quais se destaca o de Vuillaume,
a circulação da Palavra entre o de 1820, bem como do livro Necessaire
Venerável e os Vigilantes, muito Maçonnique, de Chappron (1812), conclui-se que
embora a maior parte das frases do o Altar do Orador se encontrava, em Loja, no lado
Ritual sejam claramente de estilo do Setentrião e, o do Secretário no lado do Meio-
francês. Dia, inversamente à prática seguida no Rito
4. É estipulada a presença da Bíblia no Francês.
Altar do Venerável, aberta na segunda No período compreendido entre o
epistola de S. João, o que não sucedia princípio do século XIX e, cerca de 1870,
nas Lojas do Rito Francês, nas quais constata-se que os Rituais maçônicos, em França,
figuravam os Estatutos Gerais da foram marcadamente influenciados pelo
Ordem. romantismo, acentuando-se uma tendência deísta,
5. Os Trabalhos são abertos em nome de a introdução de discursos moralizantes e, uma
Deus e, de S. João da Escócia. clara tentativa de descristianização através da
6. A cerimônia de Iniciação integra introdução de interpretações de base Hermética
elementos clássicos da Maçonaria ou, naturalista.
Francesa, sendo as provas Em 1829, o Supremo Conselho publicou
purificadoras realizadas em Templo novos Rituais, os quais para o primeiro Grau
resumidas à do Fogo. O Ritual integra, pouco diferem do Guide des Maçons Ecossais,
no entanto, também elementos de acrescentando, contudo, a prova da Água na
origem britânica, tais como a recepção Segunda Viagem da cerimônia de Iniciação e,
do recipiendário na ponta da espada e, substituindo a Bíblia pelos Estatutos da Ordem.
a inclusão de orações. A Instrução foi reescrita, atenuando-se a
7. O Juramento realiza-se sobre a Bíblia, influência antiga e, adequando-se as perguntas e
que é beijada três vezes pelo neófito. respostas à cerimônia efetivamente realizada.
8. A instrução surpreende, pois sendo Esse Ritual foi publicado recentemente
integralmente copiada do Three por Jacques Simon podendo ser encontrado em
Distinct Knocks, refere-se a uma livrarias Francesas como a Amazon.fr com o
cerimônia de recepção distinta da que nome Rituel des trois premiers degrés selon les
o neófito viveu. anciens cahiers 5829 – ISBN-13: 979-
9. Salienta-se, por último, a 1091697101
reminiscência de algumas disposições Nos últimos trinta anos do século XIX a
dos Ritos Escoceses anteriores, História do Supremo Conselho foi extremamente
centradas na disposição das “estrelas” atribulada, pela persistente oposição das Lojas
que circundam o Painel de Loja (em Simbólicas em acatarem a tutela de um organismo
esquadro com a base a Ocidente), na naturalmente com visão mais conservadora,
cor vermelha e, na aclamação Huzzé, derivada da posição social e, da idade dos seus
que conferem a este Rito as membros.
características de “Rito Escocês”.

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Esta oposição manifestou-se por várias 1927 e, que beneficiou muito a abertura e o
cisões, das quais resultaram sucessivas efêmeras encerramento dos Trabalhos, ressaltando o
Obediências e, que culminou com a fundação da simbolismo da criação do Mundo, tão próximo da
Grande Loja de França, em 1896. divisa do Rito Ordo ab Chaos.
Toda esta movimentação, associada a um Já menos consensuais são algumas
contexto sociopolítico fortemente marcado pelo alterações introduzidas nas sucessivas revisões de
pensamento positivista, influenciou Rituais, realizadas na Grande Loja de França
decisivamente os rituais da época, constatando-se desde os anos 50, as quais tendo em vista o desejo
num de 1896 o desaparecimento dos Diáconos, a desta Obediência em se ver reconhecida pela
substituição da Espada Flamejante por uma Grande Loja Unida de Inglaterra, levaram a uma
Espada direita, a presença das Constituições de linha de britanização do Rito, com vista a
Anderson no Altar do Venerável, a Abertura dos aproximá-lo mais dos Workings ingleses e, como
Trabalhos à Glória do Grande Arquiteto do tal torná-lo mais atrativo para os Irmãos do outro
Universo, a introdução do ternário republicano lado do Canal da Mancha.
(Liberdade – Igualdade – Fraternidade) a seguir à São exemplos disto a reintrodução da
aclamação Escocesa, sendo a estrutura deste ritual Bíblia, com presença obrigatória sobre o Altar dos
já o “esqueleto” dos atualmente praticados. Juramentos, a deslocação deste último para junto
Nesta versão, a cerimônia de Iniciação do arranque dos degraus do Oriente, a introdução
contempla também a prova do Ar, integrada na da formatura do esquadro pelos Irmãos Experto e
Primeira Viagem, mencionando, todavia, o Ritual Mestre de Cerimônias a acompanhar as evocações
que estas provas são apenas uma tradição do princípio criador ou, mais recentemente (em
simbólica, por configurarem uma concessão da 2013), a reintrodução da circulação da Palavra
constituição da matéria que a ciência negou, Sagrada entre o Venerável Mestre e os Vigilantes,
destinando-se somente a colocar o neófito em luta que tinha sido abandonada ainda no século XIX.
com as forças da Natureza. Consistem também em inovações do
Recorde-se que, em 1875, o Convênio dos século XX a deambulação dextrogira, segundo
Supremos Conselhos tinha fixado, para o REAA, troços de reta com marcação dos cantos, também
os segredos de cada Grau e, os respectivos de origem britânica, ou a prova do espelho,
paramentos, encontrando-se esta normalização importada do RER.
introduzida neste Ritual. Muito embora a matriz dos Rituais da
O século XX veio trazer um Grande Loja de França se encontre presente, em
enriquecimento do corpo ritual dos Graus maior ou menor grau, nos seguidos pelas quase
Simbólicos do REAA, com contribuições de vinte Obediências que praticam o Rito neste País,
simbolistas notáveis tais como Oswald Wirth ou outros sentidos de prática Maçônica levaram a
Jules Boucher, que aumentaram a base simbólica desenvolvimentos com diferenças marcadas,
do Rito com sincretismos da Alquimia, sendo o caso do Grande Oriente o mais
Astrologia, ou da Cabala. Muitas vezes, contudo, dissonante.
a evolução das práticas ritualísticas tem vindo a Nesta Obediência o REAA foi sempre
desenvolver-se à custa de importações de muito minoritário, nos Graus Simbólicos,
procedimentos de outros Ritos, frequentemente situação esta que persiste na atualidade, na qual
descontextualizadas na tradição Escocesa e, cuja representa apenas 11% das Lojas Azuis.
integração nem sempre resulta com um sentido Após o Guide des Maçons Ecossais, o
lógico. Grande Oriente da França só voltou a ter Rituais
Tal não é o caso do protocolo para acender de Referência específicos para o REAA nos anos
e extinguir ritualmente as velas, introduzido em 90 do século XX, datando a versão atual de 2000,

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a qual configura uma arquitetura idêntica aos dos francesa nos primeiros anos de prática do Rito no
da Grande Loja da França, mas com um caráter Brasil, esta iniciou-se com recurso a um Ritual já
marcadamente mais operativo, com liberdade de substituído em 1829 no país de origem e, que veio
opção pelo Livro da Lei adotado e, com as a ser revisto, ao gosto brasileiro e, à custa de
evocações realizadas à Gloria do Grande numerosas importações provenientes do Ritual de
Arquiteto do Universo, seguida da referência Ad Emulação e, mais recentemente, do Rito de York
Libitum. Americano.
Durante o século XIX e, primeira metade Este percurso histórico divergente faz com
do século XX, todas as revisões de Rituais que os Graus Simbólicos do REAA assumam,
realizadas, nesta Obediência, para o Rito Francês neste país, características muito diferentes, sendo
(Murat, 1856 – Amiable, 1877 – Blatin, 1907 – comum, em primeiro grau, aparecerem
Gérard, 1922) foram polivalentes para o REAA, idiossincrasias tais como a ausência de pilares, a
diferindo nestes documentos estes dois Ritos, em deslocação do altar dos juramentos para o centro
Grau de Aprendiz, apenas na decoração do do Templo, a prática de deambulações circulares
Templo, nos paramentos, na posição dos e, a permanecia de colégios de Oficiais
Vigilantes, nos segredos do Grau, na bateria e, na praticamente idênticos aos de 1804, nos quais
aclamação. Os textos dos Rituais são comuns aos continuam a existir Diáconos.
dois Ritos e, desde 1877, quase idênticos aos Esta diversidade estende-se aos
seguidos atualmente no Rito Francês Groussier. paramentos, que variam de Obediência para
Muito embora o Guide des Maçons Obediência, geralmente nem sequer respeitando a
Ecossais tenha deixado de ser utilizado, em Convenção de Lausanne.
França, em 1829, foi a partir deste documento que Registre-se ainda, como demonstração do
os Graus Simbólicos do Rito foram exportados impacto do Guide des Maçons Ecossais, que a
para outros países, muito posteriormente, obra de Albert Pike The Porch and the Middle
nomeadamente para o Brasil e, daí para Portugal. Chamber, publicada em 1872, na qual são
Data de 1834 a publicação do primeiro apresentados os Rituais de Loja Azul deste autor,
Ritual dos Graus Simbólicos do REAA impresso também não é mais do que uma tradução deste
no Brasil, denominado de “Guia dos Maçons documento fundador, com alguns poucos
Escossezes ou Reguladores dos Três Graos acréscimos relativos à decoração da Câmara de
Symbolicos do Rito Antigo e Aceito”, na Reflexão.
tipografia de Segnot-Plancher & Cia, do Rio de Em Portugal nunca se escreveram Rituais
Janeiro. Este documento, que não é mais do que dos Graus Simbólicos do REAA, tendo, contudo,
uma boa tradução do Guide, foi republicado em as suas primeiras Lojas disposto de Rituais, em
1857 e, manteve o seu texto em sucessivas português, para a sua prática. De acordo com
edições posteriores, durante mais 34 anos. Oliveira Marques, foi precisamente a tradução
A partir de 1891 o Ritual foi revisto pelo brasileira do Guide, de 1834, que serviu de base
Supremo Conselho, tendo sido publicadas novas aos trabalhos das primeiras Lojas escocesas, em
versões em 1892, 1896 e, 1898. Com a 1840-41, tanto as pertencentes ao Supremo
proliferação das Obediências Maçônicas Conselho de Silva Carvalho, como as que vieram
Estaduais, a partir do início do século XX, a depender de Costa Cabral. No volume III da sua
multiplicaram-se os Rituais de origem brasileira. “História da Maçonaria em Portugal” encontra-se
Muito embora a tradução do Guide, incluída uma transcrição deste Ritual.
reforçada com a publicação, em 1833, de uma Já no que concerne às Lojas pertencentes
versão em português do Telhador de Vuillaume, à Grande Loja de Dublin, constituídas na senda da
tenham configurado uma visível influência RL Regeneração, a quem se deve a introdução do

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REAA em Portugal, ignora-se quais os Rituais conjunto o acervo do nosso patrimônio maçônico,
utilizados, sendo, todavia, certo que na Irlanda o qual deve, necessariamente, ser preservado, não
nunca se praticaram os Graus Simbólicos do Rito. se podendo fazer tábua rasa do mesmo.
Entre 1875 e 1923 foram publicados O REAA é naturalmente sincrético,
vários Rituais de origem portuguesa, consistindo contendo “per natura” fatores congênitos,
a quase totalidade dos mesmos em adaptações derivados do seu percurso histórico e, múltiplas
realizadas com base em fontes brasileiras. influências, que dificultam a coerência do
Não é o caso dos Rituais incluídos na “A sistema.
Liturgia Maçónica”, da autoria do Irmão António Este é, todavia, o principal fator que lhe
Matos Ferreira, publicada com várias edições, tem conferido uma riqueza simbólica e, uma
entre 1909 e 1920. enorme plasticidade, que lhe têm permitido
Matos Ferreira, ao referir na introdução do congregar um vasto universo de pensamento e,
Ritual de Companheiro (1914) ter sido elaborada adaptar-se a todos os sentidos de prática
esta coletânea “segundo os mais modernos rituais maçônica.
das maçonarias latinas”, não faltou à verdade. Muito embora tenha sido a matriz dos
Constata-se que os seus Rituais, polivalentes para Rituais da Grande Loja de França que, a nível
o REAA e, para o Rito Francês, são uma tradução europeu, tenha pontificado, esta Obediência não
dos que se encontravam, à época, em vigor na tem qualquer direito dogmático sobre o Rito, o
Obediência Francesa com a qual o GOLU que é aliás expresso no fato dos quase vinte
mantinha melhores relações, ou seja, o Grande corpos maçônicos que praticam, neste país, os
Oriente de França. seus Graus Simbólicos, não haverem dois que
A fonte foi, especificamente, o Ritual utilizem os mesmos Rituais de referência.
Blatin, de 1907, do qual foram inclusivamente O Maçom Inicia-se a si mesmo, com as
extraídas gravuras, o que permite também ferramentas simbólicas que a Loja põe à sua
confirmar a proveniência dos Rituais. Estes ainda disposição, sendo mais importantes o interesse, a
hoje se encontram consonantes com a versão em dedicação e, o rigor com que realiza o seu
prática, no Grande Oriente da França, do Rito trabalho, do que propriamente a base de reflexão
Francês Groussier, do qual continuam a constituir que utiliza. É certo que ferramentas mais racionais
a espinha dorsal, mas já na altura eram e, coerentes, tais como Rituais bem elaborados,
completamente divergentes da matriz dos Rituais possibilitarão sempre ao Obreiro menos
produzidos pelo Supremo Conselho e, pela transpiração no desbaste da Pedra Bruta, mas o
Grande Loja de França, no século XIX, na qual se estado de acabamento desta dependerá sempre
fundam os atuais Rituais de Loja de S. João do mais do Maçom do que das ferramentas, porque
REAA, usados pelas diversas Obediências os Rituais não têm caráter sacramental.
europeias, que o praticam. Por isso, independentemente dos Rituais
Mesmo assim, os Rituais Matos Ferreira serem de origem francesa atual ou, mais
foram a grande referência que suportou a retoma ancorados na tradição portuguesa, o mais
da atividade maçônica, em 1974, após o longo importante será sempre a consciência e, o rigor
período de clandestinidade. com que são praticados.
Face a este contexto, verifica-se que No que concerne à coerência do sistema,
herdámos uma Cadeia Iniciática composta por cada Supremo Conselho, dentro dos limites
elos muito dissonantes entre si, mas que não impostos pelas Grandes Constituições e, pelos
deixam por isso de se encontrar solidamente acordos estabelecidos nos Convênios
ligados, pela Sabedoria, Força e, Beleza de muitos internacionais, é soberano para gerir
Irmãos que nos precederam, representando o seu Iniciáticamente o Rito na sua Jurisdição, do 1º ao

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33º Graus, do modo que entender mais adequado Escocês Antigo e Aceito, Campo da
para assegurar a Transmissão. Comunicação, Lisboa, 2013;
E também, em matéria ritualística, como Mainguy Iréne, La Symbolique maçonnique du
aliás em tudo, se deverá ter a necessária troisième millénaire, Éditions Dervy, Paris, 2006;
racionalidade e, sentido de tolerância para que, Marcos Ludvic, Histoire Illustrée du Rite
sabendo de onde se vem e, onde se está, se possa Français, Éditions Dervy, Paris, 2012;
decidir, conscientemente, para onde se quer ir, Marques António Oliveira, História da
evitando-se que o que se pretende que seja o Maçonaria em Portugal, Editorial Presença,
Centro de União venha a ser dividido, por Lisboa, 1997;
discórdias, pela forma como se pratica a liturgia. Marques António Oliveira, Dicionário de
Maçonaria Portuguesa, Editorial Delta, Lisboa,
Fonte 1986;
Joaquim G. dos Santos (versão para o português Mollier Pierre, Naissance et essor du Rite
brasileiro de Rodrigo de Oliveira Menezes, Écossais Ancien Accepté en France 1804-1826,
publicado em 2004;
http://ritoserituais.com.br/2017/08/21/o-ritual- Mondet Jean-Claude, La Premiére Lettre:
de-aprendiz-no-reaa-genese-e-desenvolvimentos/ L’Apprenti au Rite Ecossais Ancien et Accepté,
Editions du Rocher, Paris, 2005;
Bibliografia Nöel Pierre, Les Grades Bleus du Rite Écossais
Berneheim Alan, Le Rite en 33 grades, De Ancien et Accepté, Éditions Télètes, Paris, 2003;
Frederik Dalcho à Charles Riandey, Dervy, Paris, Ritual Régulateur du Maçon, 1801;
2013; Ritual Guide des Maçons Ecossais, 1804;
Berneheim Alan, Etienne Morin et l’Ordre du Ritual do Grau de Aprendiz Maçon, Grande
Royal Secret; Oriente Lusitano, Reedição do Conselho da
Chappron E J, Nécessaire Maçonnique, J G Ordem de 1996/1997 de Ritual de 1910;
Rohloff, Paris, 1812; Rituais de Referência Rito Escocês Antigo e
Claude Antoine Vuillaume, Manuel Maçonnique Aceito - Grande Loja da França,
ou Tuilleur de tous les rites de Maçonnerie 1927,1952,1962,1979,1984,1989,1998,2000,200
pratiqués en France, Hubert, Paris, 1820; 3,2006,2013;
Coletivo Encyclopédie de la franc-maçonnerie, Ritual de Referência Rito Francês Groussier,
Le Livre de Poche, Paris, 2002; Grande Oriente da França, 2009;
Guérillot Claude, Les trois premiers degrés du Simon Jacques, REAA – Ritual des trois premiers
Rite Écossais Ancien et Accepté, Guy Trédaniel degrés selon les anciens cahiers 5829, Éditions de
Éditeur, Paris, 2003; la Hutte, Bonneuil-en-Valois, 2012;
Jaunaux Laurent, Le Ritual des anciens ou édition Trébuchet Louis, Les résistences au Grand Orient
6004 du guide des Maçons Ecossais, Dervy, Paris, et le destin de la Franc-Maçonnerie Française,
2004; 2013;
Lopes António, Da Rosa, da fénix e do pelicano – Ventura António, Uma História da Maçonaria em
compreender o ritual do 1º ao 18º grau do Rito Portugal 1727-1986, Circulo dos Leitores,
Lisboa, 2013.

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JOSÉ BONIFÁCIO E GONÇALVES LEDO
“Maçons Antagonistas”

Introdução independente, a exemplo de Joaquim Gonçalves


Ao deparar com a tarefa de analisar a Ledo, e os seus concorrentes, entre os quais se
rivalidade ideológica e maçônica entre José destacavam José Bonifácio e Hipólito José da
Bonifácio de Andrada e Silva e Joaquim Costa, que visavam a manutenção do regime
Gonçalves Ledo, não imaginava o quanto de monárquico.
profundo deveria ir na História da América José Bonifácio e Gonçalves Ledo – Maçons
Latina, Europa e finalmente do Brasil, e o quanto Antagonistas
foram complexas e intrincadas as formas de A força de um ideal é tamanha que poderá
pensar dos diversos grupos que formavam a elite mudar o mundo. As revoluções acontecem pela
política e intelectual luso-brasileira. crença em ideais e terem à frente, homens capazes
Entender o cerne das disputas destes dois de liderarem grupos que levem adiante o
personagens, determinou uma breve revisão propósito de mudança. O Brasil teve inúmeros
bibliográfica dos fatores pré-independência do luminares, porém o destaque deste trabalho ficará
Brasil, seus articuladores e os grupos que com dois personagens que no embate de suas
integravam. Portanto, é fundamental uma breve ideias, mudaram o Brasil e por consequência,
exposição de como era visto e sentido o Brasil do mudaram o mundo.
início do século XIX e por consequência a José Bonifácio de Andrada e Silva nasceu
Maçonaria. em Santos, São Paulo, no dia 13 de junho de 1763.
Ao longo do estudo ficou nítido que a Frequentou a Faculdade de Direito de Coimbra,
Maçonaria brasileira não possuía uma complementou seus estudos em Filosofia,
homogeneidade e concordância no pensamento História, Química e Matemática. Fruto de seu
político dos grupos que atuaram no “Movimento brilhantismo acadêmico, tornou-se secretário da
de 1822”, explicitado nos diversos conflitos Academia de Ciências de Lisboa, membro das
internos entre os partidários que defendiam a mais importantes sociedades de pesquisa da
forma republicana de governo para o Brasil Europa, catedrático de mineralogia em Coimbra;
deputado, vice-presidente da Província de São

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Paulo, ministro do Império; exilado político, tutor decreto que convocava a Constituinte.
do imperador Pedro II e articulador da Maçônicamente propôs a imediata independência
independência brasileira. Faleceu em 6 de abril de do Brasil.
1838, em Niterói-RJ (1). Rompeu com José Bonifácio logo depois
Não há data e local de sua Iniciação da Proclamação, e teve que fugir para Buenos
maçônica exata, pois quando em seu discurso de Aires, pois corria perigo de morte. Voltando mais
posse ao cargo de Grão-Mestre do Grande Oriente tarde, foi homenageado por D.
do Brasil, declarou que tornou-se maçom quando Pedro I com a Ordem do Cruzeiro e com a
de sua viagem científica por diversos reinos da Comenda de Cristo.
Europa, financiado pelo Estado Português, que Despotismo Ilustrado
teve início em 1790. Ao retornar a Portugal em Na América Latina, a necessidade de criar
1800, não frequentou as Lojas maçônicas em repúblicas ou países independentes, no contexto
funcionamento. Disse ainda: “Como legítimo de uma sociedade muito mais atrasada do que a
Maçom, fui sempre homem honrado e fiel aos europeia, fez com que ganhasse corpo a ideia do
meus juramentos, amei a minha Pátria e ao meu despotismo ilustrado como ideologia de
Rei, respeitei sempre a religião de meus Pais, construção nacional. Para Wanderley Guilherme
procurei ser caridoso para com o meu próximo, e dos Santos (1978), cientista político, é um
mormente para com meus Irmãos. Mas não vendo discurso de modernização de países periféricos
(talvez me enganasse e fosse injusto), na que se acreditam atrasados.
organização de novas Lojas Portuguesas Uma revolução pelo alto. Este movimento
realizados os fins sublimes da Verdadeira e Legal iniciou-se no século XVIII, onde alguns países
Maçonaria, julguei então dever executar para europeus perceberam o grande distanciamento
com elas o conselho do Evangelho – Sacudi o pó entre os demais, apresentando exércitos maiores,
das sandálias, e mudei de terra.” (2) desenvolvimento econômico, e ao analisarem o
Joaquim Gonçalves Ledo foi jornalista, cenário dos países mais desenvolvidos
orador e político brasileiro, nasceu no Rio de perceberam que estes estavam enfrentando os
Janeiro, em 11 de dezembro de 1781, e faleceu no senhores feudais e a Igreja.
município de Cachoeiras de Macacu, no Rio de Citamos a França e Inglaterra como países
Janeiro, em 19 de maio de 1847. Participou que iniciaram este enfrentamento, e Portugal,
ativamente dos movimentos de 1821 pela Espanha e Prússia foram os países que resolveram
independência brasileira, surgiu nas Lojas reduzir este atraso. Voltaire, o grande arauto
maçônicas como uma de suas principais figuras. iluminista do despotismo ilustrado, dizia: “um
Fundou o Revérbero Constitucional Fluminense, bom rei é a melhor coisa que um céu pode dar ao
órgão de propaganda política, tornando-se pais. O rei ilustrado, claro, orientado pelo bem
posteriormente o arauto da campanha de comum, eliminará o poder da Igreja e da grande
libertação. propriedade rural para modernizar o pais”.
Pertencente à Loja Maçônica “Comércio e A independência da América Ibérica
Artes”, Ledo atendia pelo nome simbólico* de trouxe à baila um grande debate: seria ela uma
Irmão Diderot, uma alusão a Denis Diderot monarquia ou uma república? Ocorreu então um
(1713/1783), filósofo e escritor francês. fenômeno curioso. A liberdade foi o discurso
Juntamente com Januário Barbosa, principal que os países utilizaram em suas
escreveu o famoso discurso que em 13 de maio de independências, porém liberdade, por sua vez,
1822, em nome dos patriotas, ofereceu a D. Pedro estava associada à descentralização. Os patriotas
o título de Defensor Perpétuo do Brasil. Com sua eram todos pertencentes às camadas dirigentes, às
atuação política, conseguiu a assinatura do elites sociais. Ao cortarem laços com a Espanha,

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e as oligarquias se libertando dos espanhóis, Maçonaria Regular, ou ortodoxa, e a outra, a
surgiu a seguinte questão: quem mandará a partir Maçonaria Irregular, heterodoxa.” (3)
de agora? A aparente união fraternal propugnada
Todas as oligarquias reivindicaram o posto, este pelos ideais maçônicos, não foi impeditivo para
foi o estopim para o início da guerra civil. Afinal, uma oposição ideológica entre republicanos e
não havia mais a autoridade legítima que monarquistas, fomentando as divergências no
mantinha o centro e a unidade. O movimento de seio dos maçons brasileiros. Isabel Lustosa (2011)
independência, feito em nome da liberdade, afirma que Gonçalves
obrigou esses países a construir Estados em nome Ledo foi um dos maiores idealistas do Brasil,
da ordem, e passaram a restringir essa mesma porém não menos José Bonifácio e Hipólito
liberdade, tornando-se necessária a imposição da José da Costa, opositores ferrenhos, construindo
ordem pública pela autoridade que devia desta forma o pensamento e o papel dos
legitimar-se no poder. integrantes da Maçonaria no momento da
Surgindo um paradoxo, uma “ditadura” independência brasileira.
em nome da liberdade. É possível que o atual Diante deste cenário de oposição entre
alinhamento ideológico dos países da América simpatizantes republicanos e monarquistas,
Latina seja reflexo destes movimentos iniciais de podemos inferir que o processo da Independência
ruptura com a Metrópole Espanhola e o gosto pelo do Brasil não teve nada de “romântico”, leve ou
poder exercitado pelas elites oligárquicas. até mesmo consensual. O embate ideológico foi
Maçonaria brasileira e sua atuação ferrenho e o terreno utilizado foi a Maçonaria. No
Os maçons estiveram presentes nos processo de independência brasileiro, quase todos
movimentos de independência dos países da os estados se dividiam entre as correntes liberais,
América Latina e a criação de repúblicas que desejavam o modelo americano, de república
oligárquicas, que impregnados pelo pensamento federativa, e os conservadores, que preferiam
iluminista espalharam seus ideais por todo o centralização e unidade.
continente. No Brasil não foi diferente, a Na ebulição ideológica da época,
Maçonaria brasileira, que para a historiadora destacaram-se dois grupos políticos os
Eliane Lúcia Colussi (2003): “(...) recebeu forte “Saquaremas” e os “Luzias”, que irão situar as
influência especialmente da [Maçonaria] posições antagonistas de José Bonifácio e
francesa que, no transcorrer daquele século, foi Gonçalves Ledo.
assumindo gradativamente posicionamentos “Saquarema” foi a denominação dada aos
políticos liberais, anticlericais, laicizistas e conservadores do Império. “Luzia” era o apelido
racionalistas. Exemplo disso foi o Grande dedicado aos liberais da época. Saquarema era o
Oriente da França, que (...) excluiu de seus nome do município do Rio de
estatutos a obrigação (...) da crença em Deus, na Janeiro onde um dos líderes conservadores, o
imortalidade da alma e do juramento sobre a Visconde de Itaboraí, tinha uma fazenda, local
Bíblia (...). As Maçonarias da Inglaterra e dos onde o grupo se reunia com frequência. Luzia era
Estados Unidos reagiram a isso de forma radical uma referência a uma pequena cidade de Minas
e, juntamente com outros países, romperam Gerais, Santa Luzia, onde ocorreu a maior derrota
relações com a da França e demais países sob a dos liberais na revolta de 1842.
sua influência. Assim, consolidaram-se duas Os saquaremas, conservadores, defendiam
principais vertentes maçônicas que já há muitas a centralização do poder; os luzias, liberais,
décadas atuavam com perspectivas diferentes: a pregavam a monarquia federativa, opondo-se ao
considerada por alguns historiadores como Poder Moderador e ao Senado vitalício, dominado
pelos conservadores. Nesta divisão ideológica

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podemos indicar que os pensamentos de José liberal e tinha como objetivos reduzir os poderes
Bonifácio enquadravam-se como “Saquarema” e de D. João VI, e buscar o resgate da tradição
de Gonçalves Ledo de “Luzia”. colonial de Portugal. Deram-se início os trabalhos
A fragmentação da América Espanhola das Cortes Gerais, Extraordinárias e Constituintes
em pequenos estados faz com que o Brasil torne- de Portugal, entretanto, neste primeiro momento
se um caso único, mantém praticamente todo o sem a participação de deputados brasileiros.
seu espaço físico intacto e com o retorno de D. Porém José Bonifácio de Andrade e Silva
João à Portugal, deixa aqui um protótipo de exerceria sua influência na Corte Portuguesa,
burocracia estatal, caso inédito nos países apresentando seu projeto de nova concepção de
hispano-americanos. Colocando em postos Reino Unido, sendo representado por seu irmão
estratégicos da administração do Brasil, Antônio Carlos de Andrada e Silva, deputado
praticamente todos os brasileiros que haviam constituinte por São Paulo.
estudado em Coimbra e achavam importante Bonifácio era defensor da manutenção do
manter os vínculos com Portugal, pois um Reino Reino Unido, mas com a prevalência do princípio
Unido a Portugal significava manter os vínculos federativo, não ficando nenhuma das partes
também com a Europa e, portanto, com a subordinada a outra, porém a sua estratégia de
civilização. conseguir nas cortes portuguesas manter a união
Na época, não havia nenhum segmento entre Brasil e Portugal não funcionou, já que os
social, fora da burocracia, que conseguisse ver o deputados portugueses ficaram irredutíveis, e
país como uma unidade. Sua cidade era sua pátria, alguns deputados brasileiros, em virtude de seus
depois vinha sua província e, em seguida, a interesses locais, ficaram simpáticos a tese dos
condição de português-americano. Ninguém tinha portugueses.
a identidade de brasileiro. Brasil era Parte do fracasso da tese de Bonifácio se
simplesmente um nome genérico que designava o deve a atuação de Joaquim Gonçalves Ledo que
conjunto de possessões de Portugal na América. articula a convocação de uma Assembleia
A Inconfidência Mineira, por exemplo, não Constituinte no Brasil convocada por D. Pedro,
desejava emancipar o Brasil, e sim Minas Gerais. mesmo contra a vontade de seu Ministro José
O pensamento burocrático e seus Bonifácio. Surpreso com o ardil de Ledo, que
apoiadores, no entanto, viam o Império português após do Dia do Fico, utilizando-se da imprensa,
como uma coisa só, unido em torno da dinastia de apresenta uma representação pedindo a
Bragança. Angola, Moçambique, Brasil, Portugal, convocação da constituinte brasileira, derrubando
Algarvia, tudo isso representava a mesma de vez José Bonifácio, que renuncia ao Cargo de
unidade. Havia uma hierarquia, claro, mas de Ministro. Porém, mesmo tendo falhado em sua
alguma maneira esses burocratas luso-brasileiros estratégia inicial, afasta-se do cenário político, e
– todos mais ou menos discípulos de Rodrigo de ao retornar virá mais forte, e posicionando-se pela
Souza Coutinho, Conde de Linhares, sobrinho do independência do Brasil, acarretando graves
Marquês de Pombal e ministro de D. João – viam consequências para Ledo e para a Maçonaria.
o Brasil e o Império como uma unidade. Neste contexto podemos resumir
O Brasil atual ainda reflete o pensamento claramente que no primeiro momento José
dos burocratas luso-brasileiros, mantendo-se Bonifácio não pensava em independência do
altamente burocrático, privilégios e concessões Brasil e sim num Reino Unido e com maior
aos produtos do exterior, sejam bens de consumo probabilidade de crescimento, já Gonçalves Ledo
ou culturais. alimentava o rompimento com a Metrópole. A
A eclosão da Revolta do Porto (1820) primeira derrota de Bonifácio foi o estopim para
precipitou uma crise em Portugal de caráter se antagonizar com Gonçalves Ledo.

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O primeiro tiro foi dado, agora faltava sessão demonstra o choque de interesses dos
definir o campo de batalha, que logo apresentou- principais malhetes da Maçonaria brasileira. Aliás
se nos jornais. Ledo publicará o Revérbero nesta reunião, ainda não se sabia o que tinha
Constitucional Fluminense (4), que como o ocorrido no dia 7 de setembro às margens do
próprio nome demonstra encabeçou a campanha Ipiranga.
pela convocação da Assembleia Constituinte Com relação aos jornais, nesta mesma
Brasileira. Este jornal era verdadeiramente sessão do Grande Oriente, Ledo fez aprovar
independente, já que não possuía nenhum vínculo moção para que o editor do Regulador Brasílico
com o governo. comparecesse a uma Assembleia Geral e desse
Em contraposição ao Revérbero, explicações acerca de suas ideias, que para a
Bonifácio orientaria principalmente dois jornais Maçonaria (Ledo), feria os interesses do Brasil.
“O Espelho” (5), editado por Ferreira de Araújo, Em caso de não comparecimento do editor, o
ex-editor do Correio do Rio de Janeiro, e o maçom frei Sampaio, sofreria as penas maçônicas
“Regulador Brasílico-Luso” (6) (depois e os maçons deveriam cancelar assinatura do
Regulador Brasílico) editado pelo maçom frei periódico e devolver as edições anteriores.
Francisco de Santa Tereza de Jesus Sampaio, e O acirramento entre Bonifácio e Ledo já
que pelo seu primeiro nome já demonstrava vinha aumentando desde quando Bonifácio
claramente o ideal de José Bonifácio de manter o propôs e foi aprovada a iniciação de D. Pedro na
Reino, dentro de uma monarquia constitucional. Maçonaria em 13 de julho de 1822, tendo este
A efervescência dos debates continuou e a adotado o nome simbólico* de Guatimozim. O
Maçonaria também foi integrada a esta disputa Grão-Mestre dispensou os trâmites e em poucos
política e ideológica. Na época estava em dias eleva D. Pedro ao Grau de Mestre Maçom,
funcionamento o Grande Oriente Brasílico, mostrando claramente que queria trazê-lo para a
mostrando-se que a influência de Gonçalves Ledo Maçonaria, aumentando assim a influência sobre
prevaleceria sobre José Bonifácio, apesar de o o futuro imperador.
primeiro ter um cargo hierarquicamente menor, já Joaquim Gonçalves Ledo não ficará inerte
que Bonifácio era o Grão-Mestre e Ledo o seu frente esta ofensiva de Bonifácio, e tentará
Primeiro Vigilante. Contudo é notório que nas influenciar o neófito utilizando-se da Maçonaria
reuniões mais importantes daquele ano de 1822, para tal fim. No mês de setembro de 1822, numa
Gonçalves Ledo presidirá as sessões, função que sessão do Grande Oriente, novamente presidia por
caberia a Bonifácio, que havia perdido seu espaço Gonçalves Ledo, como havia ocorrido na sessão
na Maçonaria. do dia 09 daquele mês, o Primeiro Vigilante
Com a ausência de José Bonifácio, comunica ao povo maçônico que D. Pedro, para a
Joaquim Gonçalves Ledo, Primeiro Vigilante, Maçonaria o irmão Pedro Guatimozim, havia sido
presidiu uma das reuniões mais importantes da escolhido para ser o Grão-Mestre do Grande
Maçonaria brasileira. Tendo nesta reunião, no dia Oriente Brasílico.
9 de setembro de 1822, sido proposta a Ledo tentou não só se aproximar mais do
Independência do Brasil e a proclamação do futuro imperador, mas, principalmente, anular o
Príncipe Regente com Imperador Constitucional poder de Bonifácio junto a ordem maçônica. A
do Brasil. O termo constitucional demonstra a substituição do Grão-Mestre foi um verdadeiro
preocupação de dar a nova nação um cunho golpe dentro da Maçonaria, retirando Bonifácio
liberal, já que Ledo acreditava numa do mais alto cargo da ordem, colocando este em
independência mais próxima da República, e para uma cilada, se reivindicasse seu cargo ofenderia
isto o controle constitucional seria indispensável. D. Pedro, se deixasse a influência da Maçonaria
A ausência do Grão-Mestre em tão importante crescer sobre o Príncipe perderia influência sobre

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este. Sem dúvida a chegada de D. Pedro ao cargo Ao finalizar este trabalho, podemos inferir que o
de Grão-Mestre, do Grande Oriente Brasílico, foi papel dos dois líderes maçons – Bonifácio e Ledo
o capítulo definitivo da luta entre Bonifácio e – Antagonistas, foi defender suas ideias, e que
Ledo, e trará consequências drásticas a ordem Bonifácio com o passar do tempo mudou sua
maçônica e a seus dois líderes. opinião sobre a independência, terminando por
O clima de hostilidade entre o grupo de apoiá-la e defender seu modelo de governo
Bonifácio e o de Ledo chega ao máximo, e a centralizador. Gonçalves Ledo, no entanto,
Maçonaria se torna um barril de pólvora pronto muitas vezes conseguiu submeter Bonifácio a sua
para explodir. Ainda dentro das manifestações vontade, tendo sido muito importante para isto a
pós-independência, o jornalista João Soares sua luta pelo poder dentro da Maçonaria, onde
Lisboa, maçom ligado a Joaquim Gonçalves conseguiu neutralizar José Bonifácio.
Ledo, publica artigo informando que D. Pedro I Prevaleceu o modelo de Bonifácio,
apoiaria a República se o povo assim quisesse. O embora não fosse um revolucionário e houvesse
imperador achou tal atitude subversiva e deu oito observado, na sua longa permanência na Europa,
dias para que Soares Lisboa deixasse o Rio de os perigos e inconvenientes de uma revolução,
Janeiro. desde logo se impôs, pela cultura, pelo equilíbrio
A tendência republicana do grupo de e moderação, como o principal estadista da
maçons, liderada por Ledo, fez com que o Independência, cabendo-lhe, sem qualquer
Imperador, e Grão-Mestre do Grande Oriente dúvida, com a maior legitimidade, o título que a
Brasílico, sob a influência direta de José história lhe consagra, de seu “Patriarca”.
Bonifácio mandasse suspender os trabalhos do Porém, a posição de Gonçalves Ledo na
Grande Oriente para averiguações, D. Pedro I defesa de uma Assembleia Constituinte acelerou
tentava investigar quais maçons estariam de seu o processo de independência, além do ingresso do
lado e quais poderiam ser perigoso na nova ordem então Príncipe Regente na ordem para influenciá-
que se estabelecia. lo. Isso percebe-se com clareza ao reproduzirmos
O fechamento da Maçonaria fora parte do seu discurso ao hesitante Príncipe D.
planejado por Bonifácio sobre a acusação de que Pedro: “a independência, Senhor, no sentido dos
havia uma conspiração de caráter republicano, mais abalizados políticos, é inata nas colônias,
liderada por Ledo. como a separação das famílias o é na
Inicia-se um período de perseguições Humanidade. A natureza não formou satélites
conhecida por “Bonifácia”, que terá como maiores que os seus planetas. A América deve
principal alvo Ledo e seus seguidores, o que pertencer à América, e Europa à Europa, porque
significa os maçons. Vários maçons foram presos, não debalde o Grande Arquiteto do Universo
e outros, como Ledo, tiveram que fugir temendo meteu entre elas o espaço imenso que as separa.
represálias de José Bonifácio. O momento para estabelecer-se um perdurável
Diante destes fatos, apesar de não haver sistema, e ligar todas as partes do nosso grande
uma decisão formal do Grão-Mestre Pedro, todo, é este [...]”. (7)
Guatimozim, que havia permitido a reabertura dos Sobre as consequências para a Maçonaria,
trabalhos do Grande Oriente Brasílico; a luta entre apesar das Colunas do Grande Oriente
Bonifácio e Ledo tornou inviável a reunião dos Brasílico terem ficado adormecidas de 1822 até
maçons, tendo a Maçonaria com suas colunas praticamente o fim do Primeiro Reinado, restou
adormecidas praticamente durante todo o reinado uma atuação importante na História do Brasil. O
de D. Pedro I. propósito do Grande Oriente Brasílico era a
Conclusão independência do Brasil, este objetivo foi
atingido, e se não continuou a funcionar foi

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porque representava claramente um perigo para CORDEIRO, Vitor Lopes. A Influência Política
D. Pedro I, já que as sementes do pensamento da Maçonaria no Período da Pré- Independência
republicano haviam sido plantadas e já do Brasil. Monografia apresentada ao Programa
germinavam. O próprio temor sobre seu de Pós-Graduação do Centro de Formação,
funcionamento demonstra quão forte era seu Treinamento e Aperfeiçoamento da Câmara dos
poder de organização. Deputados – CEFOR, como parte das exigências
A República já estava em gestação, porém do curso de Especialização em Instituições e
seu nascimento ocorreu somente a 15 de Processos Políticos do Legislativo.
novembro de 1889. HOLANDA, Sérgio Buarque de. Do Império à
República. In: HOLANDA, Sérgio Buarque de
Trabalho apresentado no Concurso de org. História Geral da Civilização Brasileira. São
Monografias Maçônicas “O Saber Muda Paulo: DIFEL,1972.
Culturas”, realizado pelo Grande Oriente do LUSTOSA, Isabel. A influência das sociedades
Brasil – Rio Grande do Sul. secretas na política. In: BIBLIOTECA
FAZENDO HISTÓRIA, 2011, Rio de Janeiro:
NA: Auditório Machado de Assis da Fundação
(1) Fonte:https://educacao.uol.com.br/biogra Biblioteca Nacional. Palestra Sociedades
fias/jose-bonifacio-andrada-e- ilva.htm, Secretas: mais mentiras do que mistérios. Rio de
acesso em 15.08,2017 Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 2011.
(2) Discurso citado no inventário realizado O Nascimento da Imprensa Brasileira. Rio de
por Alberto Rangel do “Arquivo da Casa Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2003.
Imperial do Brasil no Castelo D’Eu na LYNCH, Christian Edward Cyril. Saquaremas &
França. Publicado nos Anais da Biblioteca Luzias: Sociologia do desgosto com o
Nacional do Rio de Janeiro, volume LV, Brasil. Artigo publicado na Revista Insight
1939. Inteligência, ano XIV, nº 55, out/nov/dez 2011.
(3) COLUSSI, op. cit., 2003, p. 39. SANTOS, Wanderley Guilherme dos. Ordem
(4) Periódico publicado no Rio de Janeiro, Burguesa e Liberalismo Político. 1. ed. São
então capital brasileira, e que circulou Paulo: Duas Cidades, 1978.
após o retorno da Família Real Portuguesa SOUSA, Ailton Elisiário. Memorial Maçônico de
ao reino (com o fim da censura), às Campina Grande – 8 décadas e mais de
vésperas da Independência. Regeneração Campinense. Campina Grande:
(5) Publicado no Rio de Janeiro em 1821. Gráfica da UEPB. 2006.
(6) Começou a circular em 29 de julho de OLIVEIRA, Cecilia Helena de Salles. O
1822. Espetáculo do Ipiranga: Reflexões Preliminares
(7) Boletim do GOB (julho/agosto, de 1963). sobre o Imaginário da Independência. Artigo
publicado Anais do Museu Paulista. São
Paulo. N. Ser. v.3 p.195-208 jan./dez. 1995.
REFERÊNCIAS VARELA, Francisco. Joaquim Gonçalves Ledo e
CASTELLANI, José. A Maçonaria Brasileira na a Emancipação Política do Brasil
Década da Abolição e da República. Rio de (1808 -1822). João Pessoa: Ideia Editora Ltda.
Janeiro: CopyMarket.com. 2000. 2010.
COLUSSI, Eliane Lucia. A Maçonaria Gaúcha no http://www.glojars.org.br, acesso em 15.08.2017.
Século XIX. Passo Fundo: Editora da https://educacao.uol.com.br/biografias/goncalves
UFP, 2003. -ledo.htm, acessado em 15.08.2017.

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http://www.museumaconicoparanaense.com/MM SOBRE O AUTOR
PRaiz/AcademiaPML/Patro-23.htm acesso em Rogério Vaz de Oliveira é MM, membro da
20.08.17. ARLS Estrela do Sul, N° 84, Oriente de Bagé, RS;
relações públicas; especialista em Comunicação
NE: * A ARLS Commercio & Artes praticava, à Pública e História da Maçonaria, e Sócio-
época dos fatos, o Rito Adonhiramita, que
Correspondente das Academias Maçônicas de
mantem a tradição até nossos dias de batizar o
Letras do Rio Grande do Sul e do Leste de Minas.
Iniciado com um Nome Histórico.

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A CARIDADE E A MAÇONARIA

Introdução façamos aos outros o que queríamos nos fizessem


Quando falamos em caridade, eles.” Em seguida este líder espiritual nos diz que
normalmente nos vem à mente aquela compaixão se observássemos esses simples preceitos, todos
piegas que humilha ao invés de ajudar. A própria seríamos felizes. Não haveria mais guerras, nem
definição de caridade nos leva a isto: “Caridade: ódios, nem ressentimos, nem pobreza.
benevolência; esmola; compaixão.” (in Bueno, Creio que todos que se detiveram na
Silveira – Minidicionário da Língua Portuguesa, análise do tema manifestaram a mesma opinião.
Editora FTD S/A, 1996), como se a pessoa Assim sendo, não há nenhum obstáculo a que
caridosa estivesse colocada em um patamar mais acatemos esses dois preceitos como Lei e
elevado que o seu Irmão objeto da caridade. Este, passemos a tratá-los como tal.
na realidade, está sendo vítima de compaixão. E Dentro desse prisma, passaremos a
compaixão significa tão-somente “piedade; dó”. analisar a caridade como consequência do amor
Nada mais abjeto para quem manifesta que deveríamos sempre ter pelo nosso
esses sentimentos para com outro ser humano e semelhante, tratando-o com se fossemos nós
nada mais humilhante para o ser humano que foi mesmos. Quando esses sentimentos se instalam
alvo desses sentimentos. em nosso íntimo, quando fazemos desses
Tirando essa conotação pouco fraterna preceitos norma de conduta para a nossa vida,
neste trabalho, vamos procurar olhar a caridade sentimos toda a profundidade e toda a verdade ali
por outro ângulo. Pelo ângulo daqueles que se contida.
dedicam aos seus semelhantes por abnegação, por Não se faz caridade apenas ajudando
amor ao próximo. Olharemos, então, pelo ângulo materialmente o Irmão necessitado. Não existem
do altruísmo, que vem a ser o contrário do apenas necessidades materiais. As carências do
egoísmo. ser humano são ilimitadas. Precisamos de amor,
Procuraremos mostrar como a Caridade. A de reconhecimento, de amigos... precisamos
verdadeira Caridade, é mais que uma simples conversar, desabafar, rir ou chorar junto com
prática de ajuda humanitária, porque se tornou outras pessoas... um sorriso, uma palavra amiga,
uma necessidade dos tempos atuais. E como e por um apoio moral na hora apropriada, um saber que
quê devemos praticá-la? pode contar com o Irmão, um pensamento
1 – Algumas Definições positivo, tudo isso faz parte da conduta daquele
Segundo Allan Kardec, a caridade deriva que se interessa realmente pelos outros.
de dois dos maiores preceitos de toda religião e de Aliás, muito se fala atualmente do alto
toda moral: “Amemo-nos uns aos outros e número de pessoas que quer se beneficiar de

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algum tipo de ajuda, mas que na realidade apenas pessoas se comprometem a dar. A situação
querem tirar proveito de uma situação específica poderia ser muito pior.
ou de alguém. Para esse tipo de pessoa devemos 2 – A Caridade como Estratégia Empresarial
usar toda nossa Tolerância que, também, é uma Stephen Kanitz, analista e consultor de
forma de Caridade. empresas, chama à caridade criteriosa praticada
Hoje, em um mundo cada vez menor, pelas empresas de “filantropia estratégica”. Ao
como resultado de facilidades tecnológicas, invés de doações ao acaso, cestas básicas que não
paradoxalmente sentimos o distanciamento e a alcançam objetivo social nenhum ou ação
agressividade das pessoas que estão mais descoordenada, a filantropia estratégica procura
próximas. Seja no trabalho, no trânsito, nos acrescentar soluções para os problemas sociais.
condomínios residenciais e até nas instituições Se procurarmos a definição de filantropia
ditas fraternais. encontramos: “caridade; altruísmo”. E altruísmo
A globalização, fortemente sentida é: “amor ao próximo; abnegação; filantropia”.
quando se trata de relações comerciais e Pronto. As empresas, entidades frias e impessoais
financeiras, não tem se traduzido na melhoria dos que, no pensamento da maioria das pessoas, só
relacionamentos pessoais. Nem entre países nem pensam em lucros explorando seus empregados,
entre pessoas de um mesmo país. descobriram um daqueles preceitos que deveriam
E existe um aspecto ainda mais grave: a ser Lei.
exclusão social. A cada dia agrava-se o problema Em um artigo – “Filantropia Estratégica
de pessoas que não conseguem ter acesso a um ou Doações ao Acaso?” – Stephen Kanitz
mínimo de recursos que garanta sua escreveu: “O segredo de uma boa estratégia
sobrevivência. A constatação de que o mercado de filantrópica é achar a causa ideal para sua
trabalho está cada vez mais competitivo e que empresa. Neste caso, as respostas não são nada
requer qualificações difíceis de serem alcançadas fáceis. O primeiro passo é conhecer o enorme
pela maioria das pessoas por seus próprios meios, leque de necessidades sociais, ao qual carência e
exige que as pessoas saiam de seus casulos para socorro foram simplesmente relegados. Depois é
olhar o problema de frente. necessário definir quais os tipos de competências,
Atualmente, como forma de minimizar o interesses e desejos dos funcionários da empresa
problema, pessoas físicas e jurídicas em melhores que podem ser canalizados e usados
condições econômico-financeira estão eficientemente. Certamente uma empresa de
direcionando esforços no sentido de ajudar as construção civil terá muitas dificuldades em obter
comunidades carentes. sinergia corporativa para o tratamento de
Não há nenhum mérito nisso. É uma doentes com o mal de Alzheimer, por exemplo.
necessidade dos tempos atuais. O caráter Com um pouco de análise encontra-se alguma
humanitário traz-lhes inúmeros benefícios: sintonia entre as entidades, suas causas,
melhoria de imagem junto à comunidade, competências e motivação de uma empresa.
benesses governamentais, mão de obra mais Como a C&A, por exemplo, que abraçou a
qualificada, ampliação do mercado para seus educação infantil, já que a maior parte dos
produtos, aumento da oferta de cérebros para funcionários tem filhos e gostaria de entender de
indústria de alta tecnologia, diminuição da educação em geral.”
violência, diminuição do custo com segurança e Os resultados positivos obtidos por quem
saúde, etc. realmente quer ajudar ao próximo são inegáveis.
Mas, com governos lidando com Entretanto, as carências serão sempre maiores.
realidades cada vez mais complexas e caras, fica Por isso há necessidade do envolvimento de todas
difícil imaginar o mundo sem o apoio que essas

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as pessoas que possam doar, nem que seja um Desemprego, doença, catástrofes naturais
pouco do seu precioso tempo. ou não, são situações que colocam o ser humano
É o próprio Stephen Kanitz quem diz no numa posição em que poucos conseguem superar
artigo citado: “A globalização, o culto da sozinhos. São casos excepcionais a que todo ser
competência, da eficiência e da sobrevivência do humano está sujeito. Nestes casos, a família é
mais forte ou do competente indicam que os importantíssima, os amigos são muito
problemas sociais em alguns segmentos da importantes e as redes de solidariedades formadas
sociedade se agravarão. O socorro à pobreza e à pela comunidade e pelas verdadeiras
miséria irá melhorar sensivelmente, mas para o Fraternidades são, também, muito importantes.
pobre e paraplégico a situação vai piorar muito.” Somos sabedores, entretanto, que o
3 – A Caridade e a Maçonaria assistencialismo, mesmo nessa hora, não
E nós, maçons, como nos posicionamos a acrescenta muita coisa em termos de valores
respeito da Caridade, daquela Caridade que é éticos, morais ou intelectuais. Acho até que não
fruto do amor ao próximo, que é fruto de querer o acrescenta nada. Não acrescenta para quem
bem para todos os nossos semelhantes? forneceu assistência no momento adequado
Nossos princípios fundamentais, contidos porque esta era sua obrigação, nem para quem
no Ritual de Aprendiz, são “a Fraternidade entre recebeu porque este estava em situação que não
os homens, a Liberdade de consciência e a tinha escolha. Por mais bem-vinda que seja,
Igualdade como força do progresso”. mesmo sendo, muitas vezes, a única e salvadora
Não há nada que se compare a uma alternativa, não dignifica nenhum dos dois lados.
verdadeira Fraternidade, onde todos os Irmãos são Mas o maçom não pode fazer da Caridade
verdadeiramente fraternos e têm os semelhantes uma simples obrigação, somos lapidados para
como Irmãos e a Igualdade como um dos seus sermos natural e verdadeiramente fraternos,
princípios. Nada mais altruísta – caridoso, manifestando nosso amor fraterno com
portanto – do que praticar a Tolerância para com sinceridade. Segundo Armand Bédarride, ao falar
aquilo que consideramos imperfeições – ou com da Benevolência Ativa que deve todo maçons
as verdadeiras imperfeições - de nossos Irmãos e professar, “os textos de 1723 falam da caridade
semelhantes. Esses princípios, essas normas de fraternal como a pedra angular, a chave, o
conduta esculpidas ao longo do aprendizado cimento e a glória da velha confraria; eles
maçônico são a essência da Lei: “Amemo-nos uns aconselham a afastar-se de toda querela,
aos outros e façamos aos outros o que queríamos discórdia, propósito calunioso, maledicência;
nos fizessem eles.” recomendam, mesmo em caso de processo,
Como não somos empresas, nossos reprimir toda animosidade, toda cólera, todo
princípios nos direcionam para que façamos nossa rancor, abstendo-se de tudo quanto possa
“filantropia estratégica” sem alarde, sem prejudicar a reciprocidade dos bons
propaganda, “dando com a mão direita para que a relacionamentos; o texto diz o seguinte: ‘tudo que
esquerda não veja”. Fugimos, sempre que possa ferir a caridade fraternal’.”
podemos, do assistencialismo que nada Quando deixamos de agir
acrescenta ao beneficiado nem, muito menos, ao burocraticamente, apenas por obrigação, quando
beneficiário seja moral ou materialmente. ajudamos àqueles que realmente necessitam, com
Quando vemos que um Irmão ou qualquer amor, estaremos colocando em prática a Lei
outro semelhante está passando por um período “Amemo-nos uns aos outros e façamos aos outros
em que a situação fugia ao seu controle é nossa o que queríamos nos fizessem eles.” e, assim,
obrigação ajudá-lo. estaremos contribuindo para a construção de um
edifício social melhor.

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KARDEC, ALLAN – O Evangelho Segundo o
Bibliografia Espiritismo, Federação Espírita Brasileira –
BÉDARRIDE, ARMAND – Desbastando a Pedra Departamento Editorial, 1997
Bruta, Instituto Maria – Departamento Editorial,
1988
BUENO, SILVEIRA – Minidicionário da Língua SOBRE O AUTOR
Portuguesa, Editora FTD S/A, 1996 Fernando Gurgel Filho é MI, praticante do
GRANDE ORIENTE DO BRASIL – Rito Rito Escocês Antigo e Aceito, e membro da
Escocês Antigo e Aceito, 1º Grau – Aprendiz, ARLS Luz e Fraternidade, n°1.636,
1998 Oriente de Gama, DF. Iniciado em 25 de outubro
GRANDE ORIENTE DO BRASIL – Rito de 1997 EV, é detentor da Medalha “Brasil
Escocês Antigo e Aceito, 2º Grau – Companheiro, 500 Anos” outorgada pelo Grande Oriente do
1997 Brasil; de “Moção de Louvor” da Câmara
KANITZ, STEPHEN CHARLES – Filantropia Legislativa do Distrito Federal; e da “Medalha
Estratégica ou Doação ao Acaso?, Artigo extraído Jubileu de Ouro” da ARLS Luz e
do “site” www.kanitz.com.br, 2000 Fraternidade, N°1.636.

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A BOLSA DE PROPOSIÇÕES E INFORMAÇÕES

O Mestre de Cerimônias, "girando" pela O Venerável Mestre, quando não


Loja, oferece uma bolsa aos presentes, habilitado a responder a qualquer proposição ou
obedecendo à hierarquia funcional, recolhendo informação, providenciará para obtê-las, seja
propostas, sugestões, bilhetes, bem como nomeando comissões, seja buscando "luzes" com
prestando informações, evidentemente, por o Grão-Mestrado.
escrito. Todos os presentes, contudo, têm o dever
É o modo prático de comunicação entre o de colocar a sua mão dentro da bolsa, mesmo sem
Venerável Mestre e os Membros do quadro. apresentar qualquer escrito; é uma demonstração
Essa comunicação não exige resposta de igualdade, outra expressão democrática,
imediata, uma vez que, após o giro, a bolsa é devemos "aderir" a essa prática; será nossa útil
aberta e a sua coleta devidamente ordenada para colaboração para a Loja.
apreciação oportuna.
Essa prática caracteriza um ato de Fonte
democracia, quando todos têm o direito de Breviário Maçônico, Rizzardo da Camino, 6ª Ed.,
manifestação, seja por via oral ou escrita. São Paulo, Editora Madras, 2014, pag. 24.
O maçom pode, oportunamente, comentar
sobre as suas informações, resguardando, se o NE: No Rito Adonhiramita a bolsa que recolhe a
desejar, a reserva. manifestação dos Obreiros é denominada Saco de
Propostas e Informações.

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BATE-PAPO COM OS APRENDIZES

Dizem comumente que os Maçons estão Ouvimos com frequência nas Sessões
prontos e dispersos na sociedade, aguardando Magnas de Iniciação que “não devemos entrar na
apenas que o “olhar clínico” de um Iniciado na Maçonaria, mas deixar que a Maçonaria entre em
Arte Real os descubram, em sua forma rústica, cada um de nós”. Pode parecer uma frase feita, e
como verdadeiras Pedras Brutas que aguardam a maioria dos Irmãos que a ouvem repetidamente
apenas o momento certo de serem lapidadas. torcem o nariz por julgá-la um lugar comum; mas
Foi assim que cheguei às portas do esta afirmação traduz a mais cristalina verdade.
Templo, rogando pela Luz. Para que compreendamos todo o simbolismo, e
Normalmente não temos informações assimilemos todos os ensinamentos milenares que
precisas sobre o que seja a Maçonaria antes de serão colocados à nossa disposição, é necessária
ingressarmos em seus “Mistérios”, e quando as uma identidade com a Ordem. Sem esta simbiose
possuímos, dentro de pouco tempo chegamos à estaremos excluídos de seu contexto, e
conclusão que estávamos completamente consequentemente de seus benefícios.
enganados. Por isso é natural, nas Sessões
Por isso é normal que não tenhamos de imediatamente seguintes à nossa Iniciação, que
início a consciência da importância de termos nos sintamos desconfortáveis, e até com o
transcendido o “Umbral entre a Luz e as Trevas”. sentimento de que estamos no lugar errado, ou
Aliás, e infelizmente, alguns de nossos Irmãos que a Maçonaria não era aquilo que esperávamos.
continuam desprovidos desta consciência mesmo Todos nós, invariavelmente, trazemos para dentro
em Graus mais adiantados. Mas da Maçonaria nossos conceitos de “escola”, sendo
independentemente de nossa “ignorância”, e nossa expectativa que sejamos orientados e
felizmente, as portas da evolução moral e “premiados” com “ensinamentos secretos”
espiritual nos são abertas, progressiva e ministrados por Mestres mais experientes e
paulatinamente a cada Grau alcançado, sábios.
dependendo apenas de nosso esforço individual. Com efeito, isto há de ocorrer, mas a
A Maçonaria é uma Ordem Fraternal, exemplo de todas as Ordens Iniciáticas do
Filosófica, Hermética e Iniciática, pois seus presente e do passado, a paciência, a
Mistérios somente são revelados àqueles que, perseverança, e a dedicação, são elementos
ultrapassando o “umbral” se mostram dignos de fundamentais para a formação de seus neófitos e
recebê-los. sua posterior transformação em Mestres,
configurando-se também em provas que o

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recipiendário deverá vencer para demonstrar-se Tradição Judaico-Cristã, que conta que Adão
digno e preparado. comeu o fruto da “Árvore do Conhecimento do
Na verdade, os Mistérios da Maçonaria Bem e do Mal” (do Conhecimento, ou Saber), mas
nos serão revelados na mesma proporção em que foi expulso do Jardim do Éden (o Paraíso), antes
estivermos preparados para recebê-los. Não é que tivesse oportunidade de comer do fruto da
possível ensinar a solução de uma equação “Árvore da Vida”. Ou seja, o homem nunca viverá
integral a uma criança da primeira série, mas é em sua existência material tempo suficiente para
possível incutir em sua mente os princípios acumular todo o conhecimento do Universo.
matemáticos que serão necessários para resolvê- O verdadeiro Maçom é, portanto, um
la quando tiver chegado a hora certa. eterno Aprendiz. Não devemos ter pressa em
Como a Maçonaria representa alcançar os Graus Superiores, e devemos ter
efetivamente uma universalidade de sempre em mente que o Grau que alcançamos
conhecimentos, e os trata de forma holística, é exteriormente é invariavelmente superior àquele
fundamental para nosso sucesso na Senda que atingimos em nosso íntimo. Seremos
Maçônica que tenhamos a mente aberta, ou seja, Aprendizes enquanto nos colocarmos em posição
devemos nos esforçar para livrarmo-nos de todas receptiva, de mente aberta, e instados pelo desejo
as crenças, dogmas e ideias pré-concebidas que de “fazer novos progressos”.
possam se tornar um empecilho à nossa evolução Estas qualidades, na verdade, existem em
e progresso Iniciático. todos e cada um de nós, desde a época em que
Nossos regulamentos afirmam que a éramos profanos. Provavelmente foram estas
Maçonaria não é uma religião, mas é religiosa. características que chamaram a atenção de nossos
Este é um critério técnico. A Maçonaria como Padrinhos, levando-os a efetuar o convite no
fruto do Iluminismo e Racionalismo não possui momento em que entenderam ser mais
dogmas, não impõe “verdades” a seus membros, apropriado, pois, afinal, este é o método
e tampouco oferece obstáculos a seu progresso. tradicional de ingresso na Ordem.
Cremos num Princípio Único Criador, que Na Maçonaria, assim como em todas as
denominamos Grande Arquiteto do Universo, ao demais Escolas Iniciáticas, nosso progresso está
qual não aplicamos forma ou nome, deixando diretamente relacionado ao nosso esforço
cada um de nossos membros livre para o exercício individual, e por mais que sejamos orientados por
de sua fé religiosa, reconhecendo, desta maneira, Mestres experientes e sábios, eles não serão
Deus em todas as suas manifestações e, capazes de nos transformar sem que nós o
principalmente, respeitando a compreensão que permitamos e o queiramos.
cada um de nós possui acerca da Divindade. No Gibran Khalil Gibran, em seu livro “O
entanto, temos entre nossos objetivos, o de Profeta” nos ensina com toda propriedade que: “O
aproximar os homens de seu aspecto espiritual, músico poderá cantar para vós o ritmo que existe
em comunhão com esse Princípio Criador. Por em todo o universo, mas não vos poderá dar o
esta razão somos religiosos. ouvido que capta a melodia, nem a voz que a
Diante de todo este universo é natural que repete”.
adentremos na Ordem como Aprendizes, Por isso nós, os Maçons, temos sido
condição aliás, que o verdadeiro Maçom deve formados por diferentes Mestres, que ao longo
procurar cultivar até o fim de sua existência, dos séculos deixaram sua contribuição, seja ela
porque, afinal, sempre haverá algo mais a pequena ou grande, numa missão que se
aprendermos. manifestará como nossa herança, mais cedo ou
Sob este aspecto julgo bastante mais tarde, para que possamos, dentro de nossas
significativa a alegoria do Livro do Gênesis da

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limitações, deixar também nossas contribuições necessários, fundamentais e essenciais para a
como legado. preservação e continuidade da Doutrina
Assim, particularmente, e em desacordo Maçônica.
com outros Mestres, cuja opinião evidentemente Os Aprendizes ainda não são capazes de
respeito, entendo que o Aprendiz Maçom não pensar por si próprios, mas estão a caminho disto,
deva aceitar passivamente todos os ensinamentos e com certeza são capazes de “intuir”. Todos os
que lhe são ministrados, e simplesmente decorá- Mestres Maçons, sem exceção, têm alguma
los, mas antes refletir e meditar sobre eles, e como contribuição ou exemplo a nos ser transferido,
verdadeiros místicos compreender os porém, se servem como exemplo não devem
simbolismos e Mistérios, na medida em que seu servir como “modelo”, pois a humanidade é
“Mestre Interior” se vá se tornando receptivo. formada pela soma de diversas individualidades.
É claro que não estou defendendo a O Mestre só se torna perfeito quando seu
subversão de nossos princípios, nem tampouco a discípulo torna-se capaz de suplantá-lo.
transgressão de nossos Rituais e Regulamentos, Devemos entender, como Iniciados na
apenas postulo que os Aprendizes não devam ser Arte Real, que nos foi concedido o privilégio e a
autômatos, pois afinal todo místico deve ser um oportunidade de preservar e transmitir para
“ponto de interrogação ambulante”. Na verdade, futuras gerações os Mistérios e Princípios
somos livres pensadores. Esotéricos da Maçonaria, conservados através dos
Da mesma forma não pretendo fazer uma séculos por gerações e gerações de Obreiros.
ode ao ceticismo, mas entendo que os Mistérios e Neste caso, nossa missão parece-nos muito mais
Princípios Esotéricos da Maçonaria só são fácil que a de nossos antepassados, pois afinal,
assimilados quando ocorre a comunhão não sofremos as mesmas perseguições políticas e
intelectual e espiritual, ou seja, quando nosso ser religiosas, e, principalmente, temos a felicidade
encontra-se perfeitamente harmonizado, objetiva de viver na transição para a “Era de Aquarius”,
e subjetivamente ou, como diriam os alquimistas, que ainda que imperceptivelmente, torna os
quando ocorre o “Casamento Alquímico”. Se homens mais suscetíveis à espiritualidade.
você ainda não atingiu este nível não se desespere, No entanto, é de extrema importância que
talvez nem seja esta sua vocação. Todos nós não nos deixemos vencer pelas paixões do mundo
seremos reconhecidos como Maçons, mas nem profano, principalmente pela vaidade, maior
todos os Maçons tem vocação para ser místico. inimiga do homem, e como não poderia deixar de
Isto também é natural, pois a ser, dos Maçons.
“engrenagem” do Universo só se movimenta Coloquemo-nos, portanto, como simples
devido às suas irregularidades de superfície, neste Aprendizes, estudando e pesquisando o quanto
caso, simbolicamente representadas pelas nossas formos capazes sobre as origens, os princípios
individualidades. Há aqueles que se interessam filosóficos, o simbolismo, e principalmente sobre
pela História de nossa Ordem, outros pela sua os propósitos de nossa Sublime Ordem.
legislação, outros pelo simbolismo e esoterismo, Que assim o Grande Arquiteto do
outros pela ritualística, etc. Todos são Universo nos ajude!

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A CADEIA DE UNIÃO

A “Cadeia de União” é uma tradição que A Cadeia de União é algo mais do que um
se encontra ao mesmo tempo nas Associações de simples gesto sem importância.
Operários e na Maçonaria. Ela consiste em formar “Os ritos, entre outras funções essenciais,
uma cadeia, dando-se mutuamente as mãos, unem o visível ao invisível. Eles constituem o elo
depois de cruzados os braços. fluídico que une o corpo maçônico, constituído
O novo Iniciado é convidado, desde sua pelo espírito maçônico que se desprende das lojas
admissão, a formar um elo dessa Cadeia. materiais. Não deve, portanto, constituir causa de
A Cadeia de União é formada no final dos admiração ver esse espírito retirar-se pouco a
trabalhos e “Dizer que essa Cadeia simboliza, a pouco das Lojas onde ninguém o possui mais. E a
universalidade da Ordem e que lembra a cada um mais surpreendente das descobertas é encontrar
que todos os Maçons, seja qual for a sua Pátria, ainda, no caos de pretensos Rituais hoje em uso,
formam uma única família de Irmãos espalhados uma fagulha de fé.”
pela superfície de terra é, muito pouco, pois a As mãos continuam entrelaçadas, mas o
Cadeia de União também aproxima efetivamente espírito não se comove mais com o valor e as
todos os corações, ao mesmo tempo em que repercussões do ato realizado, No entanto, de
reanima nas consciências o sentimento da todos os Ritos, a Cadeia de União é, talvez, o mais
solidariedade que nos une e a interdependência importante, tanto do ponto de vista oculto quanto
que nos liga. Podemos fazer essa experiência, e do ponto de vista simbólico. E todo Venerável que
não há dúvida de que quem participa se preocupa com a prosperidade material e moral
conscientemente, e sem reticências, da Cadeia de sua Loja não deveria deixar de repetir essa
ritual, sente na falta de uma transmissão correta verdadeira invocação a cada assembléia.
do vizinho os efeitos sugestivos e reconfortantes. O principio da Cadeia de União deve ser
Foi, portanto, intencionalmente que essa provavelmente procurado na “teoria do ponto ou
cerimônia foi introduzida no Ritual. Ela parece sinal de apoio”. Toda vontade que quer se mani-
preparar de um modo feliz o ambiente propício festar no mundo material tem necessidade de um
para fazer do encerramento dos trabalhos algo intermediário, que seja ao mesmo tempo uma
mais do que uma simples formalidade”.* sólida base de partida.
Algumas Oficinas, desprezando o valor O segredo da Cadeia Mágica, resume-se num
ritual e mágico da Cadeia de União, só a formam aforismo cujos termos são os seguintes: criar um
duas vezes por ano, para a comunicação das ponto fixo onde se possa tomar apoio; estabelecer
palavras semestrais. aí sua bateria psicodinâmica; e, desse ponto,
escolhido como centro, fazer brilhar através do

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mundo a luz astral, fortalecida por uma vontade Todavia, nunca insistiríamos bastante
nitidamente definida e formulada. com os Veneráveis para que restabeleçam, onde
Ao mesmo tempo criadora e receptiva, a puderem, o rito tradicional da Cadeia de União
Cadeia de União representa junto ao Maçom o no fim de cada assembleia. Quando, com as mãos
duplo papel de escudo protetor e de aparelho juntas, o Venerável, antes de encerrar os
receptor de influências benéficas. trabalhos, evoca a união de todos os Maçons,
Toda coletividade, toda associação tem o quando ele invoca sobre todos os Irmãos a
seu correspondente nos mundos invisíveis, O descida do verdadeiro espírito maçônico, parece
espírito de um grupo é um ser vivo mais poderoso, que um sopro mais puro perpassa pela atmosfera
salvo raras exceções, que cada uma das pessoas da Loja.
que o compõem. Nenhuma de nossas aspirações para o
Algumas questões de ordem ritual podem Bem fica perdida. As vontades individuais são
ser colocadas quanto à formação da Cadeia de fracas, desfalecentes. Quem sabe, contudo, se,
União. Por que cruzar os braços sobre o peito, e ampliadas, acumuladas, um dia elas não
não dar-se as mãos, simplesmente, como crianças sacudirão o mundo, de acordo com os mais caros
brincando de roda? Nosso modo de proceder, desejos dos verdadeiros Maçons.”
aproximando os corpos e comprimindo o peito, Ora, é evidente que a Cadeia de União cria
parece facilitar a concentração de vontade um “campo magnético” turbilhonante, devido ao
necessária à elaboração de uma Cadeia eficaz. cruzamento dos braços, e a tensão desse campo
Para atingir o máximo, é preciso agrupar será tanto mais forte quanto mais ativa for cada
certo número de elementos negativos — malha. Trata-se, aqui, não apenas de um símbolo,
inteligências mais intuitivas e reflexivas do que mas de uma eficiência real.
expansivas e espontâneas — sob a predominância É preciso, ainda, que o Venerável saiba
de um elemento absolutamente positivo, isto é, orientar a Cadeia para um determinado fim...
sob o influxo de um homem rico de qualidades de A ruptura da Cadeia de União efetua-se
organização, acrescidas de uma vontade mediante uma ordem, depois de uma tríplice
enérgica e dominadora. E então que, pressão das mãos e de um tríplice balanço dos
perfeitamente disposta, a bateria psicofluidica braços. É nesse instante que ocorre a “projeção”,
fornece seu máximo de rendimento. Pois os depois de uma “concentração” mais ou menos
pensamentos, mesmo os mais rudimentares, as longa.
reminiscências, fossem elas as mais vagas, que Seria, portanto, necessário, para que a
povoavam nebulosamente os cérebros negativos, Cadeia de União seja realmente eficaz, que uma
se desenvolvem e se tornam claros — que é o que finalidade determinada lhe seja atribuída; desse
se quer — sob a reação do espírito positivo. modo, ela deixaria de ser uma mera cerimônia.
É aqui que se manifesta em toda a sua Se cada Maçom tivesse consciência de seu
força, o papel unificador do Venerável, daquele papel, não apenas toda a Maçonaria seria
que dirige a Oficina, da qual é a emanação e a transformada, mas o próprio mundo receberia a
síntese. Entre ele e os Irmãos, estabelece-se uma influência benéfica que emanaria das Lojas. Para
dupla corrente, e suas forças são decuplicadas ser eficiente, a ação não tem nenhuma
para, depois, serem usadas da melhor forma, necessidade de publicidade exagerada; ao
segundo os interesses espirituais da Ordem em contrário, é no silêncio e na meditação ativa, e não
geral e dos membros da Loja em particular. passiva, que os pensamentos se transformam em
Contudo, parece possível afirmar que idéias-força, e é pela Cadeia de União que essas
nenhuma Loja, hoje, pode formar uma Cadeia de idéias podem ser projetadas no mundo profano.
União eficiente.

REVISTA UM QUARTO DE HORA – ANO III – NÚMERO 27 – JANEIRO DE 2018 29


Esse é o motivo pelo qual seria de desejar
e seria necessário que cada Oficina terminasse Fonte
seus trabalhos por uma Cadeia de União, O Mestre Maçom, Josephi Santarém, traduzido
concentrando-se “sobre uma única idéia” para o português em 1979.
relacionada com o Ideal Maçônico.
NE:*Texto do Rito Escocês Antigo e Aceito.
Texto de autoria não informada

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A literatura dedicada ao Rito Adonhiramita é
escassa, o que devemos considerar uma consequência
natural em virtude da desproporção existente entre o número
de praticantes de nosso Rito, se comparado ao Rito Escocês
Antigo e Aceito, recordista de publicações no Brasil, por exemplo.
No entanto, existem peculiaridades – se não houvesse não
haveria Ritos – e esta lacuna acaba por dificultar o entendimento dos
fundamentos, principalmente relacionados à nossa liturgia e ritualística,
tanto para Aprendizes quanto para os Mestres mais experientes.
Por outro lado, com a profusão do fenômeno de comunicação denominado
internet, a oferta de informações obtida através do mais simples mecanismo de busca
é espantosa, e aí surge a indagação: o que é confiável?
Por essa razão, a Revista UM QUARTO DE HORA se propõe a divulgar
publicações de autores confiáveis, cuja leitura de suas obras em nosso entendimento irá
auxiliar os Maçons praticantes de nosso Rito na formação de juízo acerca de nossa sublime
Doutrina.
Nossa Revista não possui qualquer fim lucrativo, e, portanto, as matérias publicadas aqui não
têm o objetivo de promover autores ou editoras em especial, pretendemos apenas sugerir a leitura de obras
que possam proporcionar algo de bom, de útil e de glorioso.

A AÇÃO SECRETA DA MAÇONARIA NA POLÍTICA MUNDIAL

Este é um daqueles livros destinados ao É uma obra que se propõe a


Maçom que admira o envolvimento da comentar essa influência, ou
Maçonaria com assuntos políticos através interferência, e que, além dos
dos tempos e pelo mundo afora. aspectos históricos envolvidos, nos
Na verdade, além de filósofos, convida à reflexão sobre o real
rosacruzes, cientistas e pensadores, a papel de nossa sublime instituição.
Maçonaria sempre acolheu em seu seio A AÇÃO SECRETA DA
políticos, militares, nobres e até mesmo MAÇONARIA NA POLÍTICA
reis. MUNDIAL, de José Castellani,
Não é de se admirar, portanto, que publicado pela Editora Landmark,
em algum, ou em vários momentos da é a leitura recomendada da revista
História, esse viés político sobressaísse e UM QUARTO DE HORA deste
gerasse fatos de impacto na sociedade. mês.

REVISTA UM QUARTO DE HORA – ANO III – NÚMERO 27 – JANEIRO DE 2018 31


MÊS DIA GRAU CLASSIFICAÇÃO

JANEIRO 26 1 Sessão de Finanças


FEVEREIRO Suspensão dos Trabalhos
2 1 Sessão Ordinária
9 Suspensão dos Trabalhos
MARÇO 10 3 Oficina Eleitoral Grão-Mestrado
16 1 Sessão Ordinária
23 1 Sessão Ordinária
6 1 Sessão Ordinária
13 1 Sessão Ordinária
ABRIL
20 1 Sessão Ordinária
27 1 Sessão de Finanças
4 1 Sessão Ordinária
11 1 Sessão Ordinária
MAIO
18 1 Sessão Ordinária
26 1 Sessão Ordinária
1 1 Sessão Ordinária
8 3 Sessão Ordinária
JUNHO 15 1 Sessão Ordinária
22 1 Sessão Ordinária
29 1 Sessão Ordinária

Observações:
a) O Calendário poderá sofrer alterações em conformidade com a necessidade dos Trabalhos
16 Grau de Aprendiz Maçom
0 Grau de Companheiro Maçom
2 Grau de Mestre Maçom
5 Trabalhos Suspensos

Aug e Resp Loj Simb SCRIPTA ET VERITAS, N° 1.641


Grande Benfeitora da Ordem – Fundada em 10.09.1965
Federada ao Grande Oriente do Brasil – GOB

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Jurisdicionada ao Grande Oriente do Brasil no Rio de Janeiro – GOB-RJ
RITO ADONHIRAMITA
Palácio Maçônico da Rua do Lavradio, n°97, Templo n°6, Centro, Oriente do Rio de Janeiro
Sessões todas as sextas-feiras, às 19:30h

COMPOSIÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO
BIÊNIO 2017 – 2019 EV

SWAMI CAETANO DASILVA


Venerável Mestre
FERNANDO SANTOS PEDROZA DE ANDRADE SIDNEY COELHO DE CARVALHO
1° Vigilante 2° Vigilante
SERGIO ANTONIO MACHADO EMILIÃO ARLINDO JORGE DE CAMPOS
Orador Secretário
REYNALDO PASSOS CALAZA ISAAC DOMINGOS DA SILVA
Tesoureiro Chanceler

COMPOSIÇÃO DOS DEMAIS CARGOS

HENRIQUE DA SILVA PEREIRA


Cobridor Interno
CARLOS ALBERTO BORGES DA SILVA PAULO EDUARDO MIRANDA CUNHA
Mestre de Cerimônias Hospitaleiro
THIAGO DE ASSIS SOUZA FLAMARION GOMES TAVARES
Arquiteto 2° Experto
ALBERTO JOSÉ PINHEIRO GRAÇA LEONARDO HERMÍNIO EPEL
Mestre de Harmonia Porta Estandarte
LUÍS CLÁUDIO PEREIRA DERBLY
Porta Bandeira
LEONARDO HERMÍNIO EPEL
Garante de Amizade – Manitoba – Canadá
WINSTON DE MATTOS
Deputado Estadual

REVISTA UM QUARTO DE HORA – ANO III – NÚMERO 27 – JANEIRO DE 2018 33


Você Amado Irmão, praticante de qualquer Rito
Maçônico, e não apenas o Adonhiramita, membro regular de
outras Lojas, e que tem prestigiado esta publicação, não se sente
também impelido a participar de nossa empreitada?
Nossa revista, como o Amado Irmão bem sabe, não possui
qualquer finalidade lucrativa ou comercial, e não tem outro objetivo que
não seja o de fomentar o debate e a pesquisa sobre a Doutrina de nossa
sublime Ordem, exercendo desta forma, e ao mesmo tempo, a máxima do
Livre Pensamento, permitindo aos Amados Irmãos tornarem públicas suas ideias
sobre a simbologia e a História de nossa Ordem, além de estimular a prática do nobre
ideal de todos os Maçons de “aprender para saber, e saber para ensinar”.
Se este também é seu sentimento, e o Amado Irmão possui alguma Peça de
Arquitetura que gostaria de compartilhar com outros Maçons, junte-se a nós!
Neste sentido, a ARLS SCRIPTA ET VERITAS, n° 1.641, Grande Benfeitora
da Ordem, não apenas abre as portas de nosso sagrado Templo para honradamente receber o Amado
Irmão em nossas Sessões nos auxiliando em nossos Trabalhos, mas também franqueia as
páginas da revista digital UM QUARTO DE HORA, para publicação de sua opinião sobre
qualquer tema de interesse Maçônico relacionado ao Grau de Aprendiz Maçom.
Para que seu texto seja publicado em nossa revista basta enviá-lo em meio digital para o
endereço eletrônico “quartodehora@scriptaetveritas.com.br”, acompanhado de uma fotografia sua nos
formatos JPEG ou PNG, e um pequeno currículo maçônico nos moldes do exemplo abaixo:

NOME CIVIL (PROFANO)


Nome Histórico (se for o caso)
Grau Maçônico
Loja a que Pertence e Oriente
Rito que pratica
Data da Iniciação
Comendas e condecorações

Não hesite! Sozinhos nada podemos, mas juntos de tudo somos capazes! Esperamos por você
em nosso próximo número!

Fraternalmente,

SERGIO EMILIÃO
Editor

REVISTA UM QUARTO DE HORA – ANO III – NÚMERO 27 – JANEIRO DE 2018 34


A presente publicação foi produzida com o software
Microsoft Office Professional Plus 2013©, utilizando as fontes
Calibri e Times New Roman, corpos 12, 16, e 24 em espaçamento
simples.
As imagens utilizadas foram retiradas da internet, sendo portanto
de domínio público; e dos CD ROMs da série “Clipart Maçônica”
comercializados pela empresa Arte da Leitura, e editadas com a utilização do
software gráfico vetorial CorelDRAW X8©.
As fotografias dos AAm IIrm foram colhidas no acervo fotográfico da
Loja, ou disponibilizadas pelos próprios Amados Irmãos.
O conteúdo da publicação é Iniciático e não pode ser divulgado no meio profano.
Comentários, críticas, sugestões e colaborações de textos podem ser encaminhados
Para o e-mail: quartodehora@scriptaet.com.br.

UM QUARTO DE HORA é uma publicação periódica e sem fins lucrativos, editada pela
Augusta e Respeitável Loja Simbólica SCRIPTA ET VERITAS, N° 1641, Grande Benfeitora da
Ordem, praticante do Rito Adonhiramita, fundada em 10 de setembro de 1965, federada ao
Grande Oriente do Brasil – GOB, e jurisdicionada ao Grande Oriente do Brasil no Rio de Janeiro
– GOB-RJ. A Loja funciona todas as sextas-feiras, às 19:30 horas, no Templo n° 6 do Palácio
Maçônico da Rua do Lavradio, n° 97, Centro, Rio de Janeiro, RJ.

Edições anteriores podem ser solicitadas pelo Amado Irmão através do nosso e-mail
quartodehora@scriptaetveritas.com.br, ou ainda baixadas diretamente do nosso site
www.scriptaetveritas.com.br.

Capa: JANUS – Sergio Emilião – arte sobre imagem colhida na internet


Arte, compilação, revisão e diagramação – Sergio Emilião

Rio de Janeiro, janeiro de 2018 EV

Visite nossa página na internet em www.scriptaetveritas.com.br

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
NÃO PODE SER VENDIDO

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