Você está na página 1de 5

Prezado Sr.

Presidente do IPREV do Município de Teotônio Vilela,


12 de março de 2021

Eu, Juliana Barbosa da Costa, Matrícula 23963, CPF 042205305-84, Professora de Língua
Inglesa, lotada na Escola Municipal José Pacheco Filho, venho por meio deste informar que
devido ao agravamento do quadro do COVID-19 em nosso país, não comparecerei
presencialmente à perícia/consulta marcada para o dia 12/03/2021, pelos motivos e razões
a seguir expostas. Inicialmente cabe fazer um breve relato sobre minha situação atual,
sobre a Pandemia da COVID-19, bem como sobre as recomendações do Órgãos de Saúde
e Trabalho, no que se refere as lactantes.
1. Como todos os demais professores da Rede Pública de Ensino do Município de
Teotônio Vilela (e diversos municípios e estados), estou trabalhando atualmente de
maneira remota, uma vez que as aulas estão acontecendo de maneira remota por
conta da Pandemia Mundial do Coronavírus. Atualmente estou com 10 turmas de
Ensino Fundamental II, cumprindo minha carga horária de maneira remota,
ministrando aulas online por meio do aplicativo Google Meet, incluindo as atividades
e planejamento das aulas, participando das reuniões definidas pela Coordenação da
Escola, corrigindo as atividades aplicadas, atendendo alunos via WhatsApp (fora dos
horários das aulas, o que excede minha carga de 25 horas, já que tenho que
responder aos alunos a qualquer hora do dia ou noite), entre outras atribuições,
conforme determinação da Coordenação, dessa forma cumprindo todas as
obrigações necessárias para o cargo o qual exerço.
2. Conforme recente afastamento pelo motivo de licença maternidade e relatórios
médicos enviados, é sabido a minha situação de lactante por este Instituto de
Previdência, bem como já assinalado pela médica Especialista em Pediatria e
Neonatologia nos relatórios a necessidade que meu filho tem de cuidados maternos
em tempo integral, sendo imprescindível minha presença junto a este para sua
alimentação e cuidado.
3. "Atualmente, o Brasil é considerado o epicentro da pandemia no mundo e apresenta
os piores números diários provocados pela Covid-19, além de enfrentar um caos no
sistema público de saúde, como índices de ocupação de leitos em terapia intensiva
superiores a 80%" e pelo 2º dia consecutivo o Brasil superou 2 mil mortes e
totaliza 272.889 mortes (https://istoe.com.br/brasil-supera-2-mil-mortes-diarias-por-
covid-pela-2a-vez/). Em Alagoas as UTIs já estão com 82% de ocupação na data
de 11/03/2021, aumentando a cada dia, conforme site oficial do estado
(http://www.alagoascontraocoronavirus.al.gov.br/), e de acordo com uma notícia
veiculada dia 09/03/2021 em apenas em uma maternidade do estado há 15 bebês
internados com COVID-19 em estado grave, sendo de extrema irresponsabilidade,
exigir nas condições atuais meu comparecimento presencial ao IPREV
(https://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2021/03/09/maternidade-em-maceio-tem-15-
bebes-com-covid-19-internados-em-estado-grave.ghtml). Como é de conhecimento
geral trata-se de fenômeno mundial e está longe de acabar, pois o COVID-19 vem
sofrendo várias mutações e atualmente está mais agressivo, levando mais pessoas
a óbitos, sendo recomendado pela Organização Mundial de Saúde e demais Órgãos
vinculados à saúde o isolamento social, o distanciamento social e demais medidas
que restringem o contato entre pessoas, sendo inclusive decretado em alguns
estados o LOCKDOWN. O Decreto Legislativo nº 6 de 2020, reconheceu o estado
de calamidade pública, calamidade está que ainda perdura.
4. A recomendação dos principais Órgãos de Saúde são o afastamento das lactantes
do trabalho presencial, alocando-as no trabalho remoto quando possível ou
afastando-as totalmente de suas atividades, esta também é a determinação do
Ministério Público do Trabalho, as quais são transcritas abaixo:

a. RECOMENDAÇÃO Nº 039, DE 12 DE MAIO DE 2020.


Recomenda aos Governadores Estaduais e Prefeitos Municipais o estabelecimento de
medidas emergenciais de proteção social e garantia dos direitos das mulheres. [...]
Que criem, através de decretos, medidas emergenciais de proteção à mulher trabalhadora,
incluindo mulheres com deficiência, especialmente do setor saúde, que garantam o acesso
a condições adequadas de trabalho (fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual,
locais adequados para descanso intrajornada, manutenção dos intervalos interjornada e
intrajornada, alimentação adequada, etc.); exames periódicos e emergenciais, bem como
testagem para COVID-19; afastamento das trabalhadoras sintomáticas para Síndrome
Gripal ou pertencentes a grupos vulneráveis (doenças crônicas, pessoas acima de 60
anos), gestantes, lactantes com garantia de pagamento integral de remuneração;
flexibilização de jornada de trabalho para mães de escolares; pagamento do adicional
de insalubridade em grau máximo (40%) sobre o salário base da trabalhadora que estiver
envolvida no enfrentamento da pandemia de Coronavírus;
(http://conselho.saude.gov.br/recomendacoes-cns/1169-recomendacao-n-039-de-12-de-
maio-de-2020)

b. RECOMENDAÇÃO Nº 018, DE 26 DE MARÇO DE 2020


Recomenda a observância do Parecer Técnico nº 106/2020 [...] Considerando as restrições
impostas pelos Estados e municípios diante do quadro de Pandemia, anunciado pela
Organização Mundial de Saúde (OMS), em 11 de março de 2020, dentre elas as
orientações de isolamento social e/ou quarentena em especial para as pessoas que se
enquadram nos grupos de risco (maiores de 60 anos, pessoas imunodeficientes e/ou
portadoras de doenças crônicas ou graves, gestantes e lactantes);
(http://conselho.saude.gov.br/recomendacoes-cns/recomendacoes-2020/1086-
recomendacao-n-018-de-26-de-marco-de-2020)

c. CARTA DOS SECRETÁRIOS ESTADUAIS DE SAÚDE À NAÇÃO


BRASILEIRA Publicado em |1 mar 2021
O Brasil vivencia, perplexo, o pior momento da crise sanitária provocada pela COVID-
19. Os índices de novos casos da doença alcançam patamares muito elevados em todas as
regiões, estados e municípios. [...]
O atual cenário da crise sanitária vivida pelo país agrava o estado de emergência nacional e
exige medidas adequadas para sua superação. Assim, o Conselho Nacional de
Secretários de Saúde (CONASS) manifesta-se pela adoção imediata de medidas para
evitar o iminente colapso nacional das redes pública e privada de saúde, a saber: [...]
A suspensão das atividades presenciais de todos os níveis da educação do país;
A adoção de trabalho remoto sempre que possível, tanto no setor público quanto no
privado; (https://www.conass.org.br/carta-dos-secretarios-estaduais-de-saude-a-nacao-
brasileira/)
d. PORTARIA CONJUNTA Nº 20, DE 18 DE JUNHO DE 2020
Estabelece as medidas a serem observadas visando à prevenção, controle e mitigação dos
riscos de transmissão da COVID-19 nos ambientes de trabalho (orientações gerais).
(Processo nº 19966.100581/2020-51).
O SECRETÁRIO ESPECIAL DE PREVIDÊNCIA E TRABALHO DO MINISTÉRIO DA
ECONOMIA e o MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE INTERINO, no uso das atribuições
que lhes conferem o art. 71 do Decreto nº 9.745, de 8 de abril de 2020, e os incisos I e II do
parágrafo único do art. 87 da Constituição, respectivamente, e tendo em vista o disposto na
da Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, que dispõe sobre as medidas para
enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do
coronavírus (COVID-19) responsável pelo surto de 2019, resolvem:
Art. 1° Aprovar, na forma prevista no Anexo I desta Portaria, as medidas necessárias a
serem observadas pelas organizações visando à prevenção, controle e mitigação dos riscos
de transmissão da COVID-19 em ambientes de trabalho, de forma a preservar a segurança
e a saúde dos trabalhadores, os empregos e a atividade econômica. [...] 4.7 A organização
deve promover teletrabalho ou trabalho remoto, quando possível. [...]
(https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-conjunta-n-20-de-18-de-junho-de-2020-
262408085)

e. MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO PROCURADORIA GERAL DO


TRABALHO
NOTA TÉCNICA 01/2021 DO GT NACIONAL COVID-19 Nota Técnica sobre a proteção à
saúde e igualdade de oportunidades no trabalho para trabalhadoras gestantes em face da
segunda onda da pandemia do COVID 19 [...] CONSIDERANDO que o Supremo Tribunal
Federal (STF) julgou procedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 5938 para
declarar inconstitucionais os trechos de dispositivos da Consolidação das Leis do
Trabalho inseridos pela Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017) que admitiam a
possibilidade de trabalhadoras grávidas e lactantes desempenharem atividades em
ambientes insalubres, e tendo em conta que a exposição ao risco de contaminação
pela Covid-19 se equipara ao risco produzido pelos agentes insalutíferos, mormente
se considerarmos a nova cepa da Covid-19, já identificada no Brasil, e em relação à
qual não se tem nenhum estudo acerca de possíveis efeitos sobre o feto e a gestante,
demandando, portanto, que se observe o princípio da precaução;
(https://mpt.mp.br/pgt/noticias/nt-gestante-assinada.pdf)

f. MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO - PROCURADORIA GERAL DO


TRABALHO - NOTA TÉCNICA 16/2020 DO GT NACIONAL COVID-19
Nota Técnica sobre a proteção à saúde e igualdade de oportunidades no trabalho para
trabalhadoras e trabalhadores do grupo de risco ao COVID-19 ou que convivam com
familiares do grupo de risco em face das medidas governamentais de contenção da
pandemia O GRUPO DE TRABALHO GT COVID-19, instituído pela Portaria n. 470/2020,
com fundamento na Constituição da República, com fundamento na Constituição da
República, artigos 1º, III, 5º, I e X, 7º, caput, IV, VI, VII, IX, XXII, XXIII, XXV, XXX, XXXI,
XXXII, parágrafo único, 127, 129, II, III, V e IX, 170, caput, 196 e 231, na Lei Complementar
n. 75/93, artigos 5º, III, alínea “e”, 6º, VII e XX, 10, 83, V, e 84, caput, Convenção nº 111 da
OIT, promulgada por meio do Decreto nº 62.150/1968, e pela Lei nº 9.029/1995, na
Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência (Decreto 6949/2009), na Lei
10.741/2003 (Estatuto do Idoso), na Lei n. 8080/90 (Lei Orgânica da Saúde), no Decreto-lei
n. 5.452/43 (Consolidação das Leis do Trabalho), Lei nº 8.080/1990, no Decreto n.
9.571/2018, em razão da declaração de pandemia do novo coronavírus (SARS-COV-2) pela
Organização Mundial da Saúde, ocorrida em 11 de março de 2020, bem como das medidas
de contenção da doença anunciadas até o momento pelos órgãos governamentais,
expedem a presente Nota Técnica, com o objetivo de indicar as diretrizes a serem
observadas por empresas, pessoas físicas empregadoras, sindicatos e órgãos da
Administração Pública, nas relações de trabalho, a fim de garantir a proteção de
trabalhadores e trabalhadoras integrantes de grupo de risco, mais vulneráveis ao
contágio e efeitos da contaminação pela COVID-19. [...]
o GRUPO DE TRABALHO – GT COVID-19 insta as empresas, sindicatos e órgãos da
administração pública, observadas, a adotar as seguintes medidas e diretrizes, para garantir
a proteção de trabalhadoras e trabalhadores em grupo de risco ou que convivam com
familiares do grupo de risco: 01. RETIRAR da organização das escalas de trabalho
presencial as pessoas trabalhadoras que se encontrem inseridas nos grupos de risco
identificados pelos órgãos de saúde, tais como: maiores de 60 (sessenta) anos de idade,
gestantes, lactantes, doentes cardíacos, diabéticos, doentes renais crônicos, doentes
respiratórios crônicos, transplantados, portadores de doenças tratados com medicamentos
imunodepressores e quimioterápicos, do desempenho das funções de motorista, cobrador e
fiscal, com vistas ao cumprimento do art. 4º da Portaria GM n. 454, de 20/03/2020; 02.
GARANTIR, sempre que possível, às trabalhadoras e trabalhadores do grupo de risco,
bem como àqueles responsáveis pelo cuidado de pessoas do grupo de risco, o
direito a realizar as suas atividades laborais de modo remoto (home office), por
equipamentos e sistemas informatizados, quando compatível com a função;
(https://mpt.mp.br/pgt/noticias/nota-tecnica-16-trabalhadores-e-trabalhadoras-grupo-de-
risco-pgt-mpt.pdf)

g. MPAL e MPF externam preocupação com o aumento de casos de Covid-


19 e cobram medidas do Estado de Alagoas e do município de Maceió -
1 de março de 2021
Os Ministérios Públicos do Estado de Alagoas (MPAL) e Federal (MPF) expediram, de
forma conjunta, ofícios aos chefes dos Poderes Executivos de Alagoas e de Maceió, nesse
sábado (27), manifestando preocupação com o crescimento do contágio e mortes pelo novo
coronavírus, assim como com o aumento da taxa de ocupação hospitalar identificada na
última semana. E, com base nesses dados mais recentes, as duas instituições cobraram do
Estado e da Prefeitura de Maceió, que terão 72 horas para responder, medidas que
intensifiquem o combate ao avanço da pandemia da Covid-19, além de questionarem se
haverá recrudescimento do nível de flexibilização do Plano Estadual de Distanciamento
Social.
Em seus argumentos, MPAL e MPF explicaram que o boletim n° 7 do Observatório
Alagoano de Políticas Públicas para o Enfrentamento da Covid-19, da Universidade Federal
de Alagoas (UFAL), aponta para um agravamento do cenário epidemiológico no
Estado, uma vez que ficou constatado o aumento de 33% e 14%, respectivamente, de
incidência de casos e de óbitos, assim como da ocupação de leitos hospitalares,
notadamente, os leitos de UTI. (https://www.mpal.mp.br/mpal-e-mpf-externam-
preocupacao-com-o-aumento-de-casos-de-covid-19-e-cobram-medidas-do-estado-de-
alagoas-e-do-municipio-de-maceio/)
Cabe lembrar ainda que o Ministério da Educação (MEC) autorizou as aulas remotas no
país enquanto durar a pandemia. (https://educacao.uol.com.br/noticias/agencia-
estado/2020/12/10/mec-autoriza-ensino-remoto-enquanto-durar-pandemia.htm)
Assim, diante do apresentado, informo que enquanto estivermos em situação de
calamidade pública pela Pandemia do Coronavírus ou durar minha condição de lactante,
não comparecerei presencialmente ao IPREV por entender que isto vai de encontro à
recomendação médica especializada de cuidado integral e distanciamento, dentre as outras
citadas acima, bem como apresenta risco à minha saúde e à saúde do meu filho.
(https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/noticia/2020/12/30/stf-prorroga-
estado-de-calamidade-publica-em-meio-a-pandemia-de-covid-19.ghtml)
Apesar de todo o constrangimento que venho passando por parte do Município (ligações
constantes, ameaça de corte salarial e exoneração), me disponibilizo para realizar o
comparecimento remoto à perícia, já que não se trata de uma doença que deve ser
constatada pelo médico ou um afastamento do trabalho, já que cumpro remotamente
minhas atividades e venho excedendo minha carga horária devido ao atendimento contínuo
aos alunos e pais via WhatsApp; mas sim uma condição de lactante, a qual posso
demonstrar no atendimento remoto amamentando meu filho, sendo desnecessário meu
deslocamento ao IPREV e submissão a este risco de contaminação.
Amparada pela legislação e levando em conta meus direitos trabalhistas durante a
pandemia enquanto mulher, servidora pública e lactante, comunico ainda que não irei me
expor ao risco de permanecer na escola em dois dias semanais distintos, levando em conta
que as atividades presenciais envolvem atendimento aos pais e alunos, realizar formação
pedagógica presencial, além de ter contato com profissionais da escola, pelos mesmos
motivos já citados supra. Uma vez que enquanto as aulas estão acontecendo de maneira
remota, estou cumprindo minha carga horária de maneira remota, realizando atividades
semanais, ministrando aulas online por meio do aplicativo Google Meet, atendendo alunos e
pais via WhatsApp, entre outras atribuições.
Ciente de ser atendida, antecipo meus agradecimentos. Ficarei no aguardo do
agendamento da consulta virtual.
Favor acusar recebimento. Este email também será enviado via Correios com Aviso de
Recebimento.

Respeitosamente,

Juliana Barbosa da Costa