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Guia para a Oração

"Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos"


Por Caio Scattini - 21/09/2020

Guia para Oração Sempre que alguém tem uma necessidade, seja física (saúde, dinheiro, filhos, etc.)
ou espiritual (felicidade, superação da tentação, etc.), deve-se sempre rezar para por estas coisas. Orar para qualquer outro ser – ou não
orar de maneira alguma – mostra que uma pessoa confia em algo diferente de D’us para suas necessidades; isso seria, na verdade, a
adoração de ídolos. Não há garantia de que D’us dará exatamente o que ele quer, mas D’us vai dar o que ele realmente precisa; como
seres limitados, muitas vezes não sabemos realmente o que é melhor para nós. Além disso, D’us sempre ouve e responde às nossas
orações; nós não sabemos necessariamente como ou quando. Além do dito acima, deve-se orar pelo menos uma vez por dia. A oração é
para a alma como o alimento é para o corpo: Ela mantém a alma viva e bem, e a fortalece para o dia seguinte. Assim como geralmente
não deixamos de comer, também não devemos deixar de orar todo dia. Isso se aplica mesmo que alguém não se sinta “inspirado” a orar –
na verdade, aplica-se especialmente quando não se deseja rezar!. A oração é a causa, não o resultado, de sentir nossa essência
espiritual. Se esperarmos pelo “sentimento” certo, passamos fome de energia espiritual tão necessária. Quando a oração parece
trabalhosa, dificultosa sabemos que ela está dando certo. O melhor momento para rezar é nas primeiras horas da manhã, depois de
acordar e se vestir, mas antes de ir trabalhar ou conduzir qualquer negócio. D’us é o nosso verdadeiro Empregador, e deve ser
reconhecido antes de irmos trabalhar para nossos “empregadores” humanos, que são meramente vasos de D’us através dos quais Ele
provê nosso sustento. Além disso, a oração é como um “chamado ao dever” pela manhã, que nos energiza e dá um foco espiritual para
que o dia comece bem. Antes de começar a oração, deve-se dar pelo menos uma moeda (talvez uma moeda de dez centavos ou vinte e
cinco) para tzedaka (“caridade”, vagamente traduzida do hebraico). A moeda deve ser separada, por exemplo, colocada em uma lata ou
caixa com uma fenda no topo, reservada especificamente para ser dada aos pobres ou aos programas de estudo da Torá. Em caso de
dúvida, pode-se sempre dar o dinheiro a um rabino ortodoxo em uma sinagoga ou yeshiva; ele vai colocar o dinheiro para uso adequado.
Ao dar tzedaká, mostramos misericórdia imerecida para com os outros; em troca, D’us mostra misericórdia imerecida para conosco. Não
importa quantas boas ações realizemos, nunca devemos supor que temos mérito suficiente para merecer as bênçãos de D’us. Devemos
sempre pedir a misericórdia de D’us, acima e além de qualquer coisa que possamos merecer, e Ele responderá. A oração deve ser feita em
uma atmosfera de temor de D’us, em condições de modéstia. Deve-se estar completamente vestido (os homens devem, de preferência,
usar uma cobertura de cabeça, mesmo que seja apenas um boné). A oração nunca deve ser feita em um banheiro ou outro lugar
desrespeitoso, e as portas para qualquer banheiro próximo devem ser fechadas. Os homens não devem ver as mulheres durante a
oração, pois eles não devem se distrair de prestar atenção exclusiva somente a D’us; nas sinagogas, homens e mulheres judeus são
separados por um divisor em duas seções (as mulheres também não devem liderar orações em grupo que incluam homens, pois suas
vozes podem ter o mesmo efeito de distração). A menos que de outra forma impossível, a oração deve ser feita dentro de casa, de frente
para uma parede sem espelhos, imagens ou outras imagens potencialmente idólatras; Desnecessário será dizer que nunca se deve orar
em direção a uma estátua de qualquer tipo (algumas estátuas aparentemente inocentes e estatuetas são consideradas idólatras pela Torá,
e é preciso aprender as regras para evitar a posse acidental de ídolos ou seus equivalentes). Cruzes cristãs, é claro, estão absolutamente
fora de questão. A oração é realizada através da fala, que é uma ação e, portanto, uma boa ação, ao invés de um simples pensamento.
Pensamentos espirituais são sempre bons, mas a menos que se tornem físicos, eles não cumprem a vontade de D’us. De fato, é melhor
orar as palavras com os próprios lábios, enquanto a mente está distraída em outro lugar, do que pensar nas orações sem dizê-las. Mesmo
uma oração sem a devida atenção mental tem um efeito positivo, embora a oração ganhe um tremendo poder quando os pensamentos
participam também. A oração deve ser sempre dita (ou seja, sussurrada ou em voz baixa) em voz alta o suficiente para a pessoa ouvir a
própria voz, mas nem sempre alto o suficiente para distrair os outros que estão orando por perto. Em outras palavras, o ato mais
importante é que os lábios se movam, independentemente de quão alto ou quieto seja o discurso. A oração deve ser dirigida, em nosso
discurso e pensamentos, somente para D’us diretamente. A oração nunca deve ser dirigida a qualquer “intermediário”, nem deve terminar
em nome de alguém (messias, etc) … “Quando oramos através de qualquer intermediário, D’us para de escutar nossas orações; orando
diretamente a D’us, nós removemos o principal obstáculo entre nós e o Criador que nos sustenta e nos dá vida em todos os momentos,
sempre está disponível e pronto para ouvir, desde que estejamos prontos para falar com Ele – e somente com Ele. Como D’us declara em
Sua Bíblia, “Antes de mim nenhum deus foi formado, nem haverá depois de mim. Eu, somente eu sou Hashem, e além de mim não há
salvador “(Isaías 43: 10-11). Pelo menos nos pensamentos, as orações da pessoa devem ser direcionadas para a localização do templo
sagrado em Jerusalém (mas não há obrigatoriedade de rezar exatamente na sua direção). Embora D’us esteja “em toda parte” (na
verdade, Ele está acima dos próprios conceitos de espaço e tempo), Sua santidade – até hoje, quando não há Templo no local – é mais
revelada no local do Templo. Algumas pessoas preferem realmente direcionar-se ao Templo, como é a maneira dos judeus (no Brasil, isso
significa virar-se para o leste ou nordeste, dependendo da região que está); em qualquer caso, deve-se pensar em suas orações sendo
ouvidas no local do Templo. O rei Salomão, que construiu o primeiro Templo, pediu em sua dedicação a oração: “E tu podes ouvir a oração
do teu servo e do teu povo Israel que ora por este lugar” (1 Reis 8:30), e quanto aos gentios chassídicos ele perguntou D’us, “E também,
com relação ao estrangeiro que não é do teu povo Israel, e que vem de uma terra distante por causa do teu nome … e ele vem orar em
direção a esta casa: “Ouve nos céus, Tua morada, e responde a tudo o que o estrangeiro te pede, para que todos os povos da terra
conheçam o teu nome e te temam, como o teu povo Israel” (I Reis 8: 41-43). O conteúdo da oração é particularmente importante.
Quando alguém se dirige ao infinitamente grandioso e majestoso Rei, não se deve ser desrespeitoso ou apenas fazer exigências. A oração
não é apenas para as nossas necessidades; é uma maneira importante de servir D’us, pois Ele criou a Criação para que ela finalmente O
revelasse e O louvasse. Olhando em toda a Bíblia, encontramos certos elementos comuns nas orações de tais líderes justos como Moisés,
Chana (a mãe de Samuel, o profeta), o rei Davi, o rei Salomão, Daniel, o profeta, e assim por diante. Com base nesses exemplos, as
orações judaicas contêm três elementos, nesta ordem: (1) Louvor (reconhecendo a grandeza de D’us como, por exemplo, revelada
através da Criação, e agradecendo a D’us por Suas bênçãos passadas), (2) pedidos por nossas necessidades espirituais e físicas, tudo
para nos ajudar a servi-Lo) e (3) confissão (admitindo nossos pecados e erros, e pedindo perdão a D’us). Também é útil perguntar, não
apenas para as necessidades individuais, mas também para as necessidades da família, comunidade, nação, e até o mundo inteiro. Todos
esses elementos tornam a oração muito mais eficaz. Como não somos gigantes espirituais como os tsadikim (líderes justos) dos tempos
bíblicos, não sabemos como pronunciar nossas próprias orações adequadamente. Portanto, é importante ler nossas orações a partir de
textos escritos, palavra por palavra. Nossos pensamentos trazem os significados apropriados para essas palavras, fazendo com que
qualquer oração se aplique às nossas circunstâncias e necessidades únicas. Os Salmos – todos os 150 deles – são orações sagradas
formuladas para todas as necessidades possíveis; as palavras são divinamente inspiradas. De fato, as orações judaicas são em grande
parte compostas de Salmos, enquanto as partes mais sagradas das orações são indiretamente baseadas nos Salmos. Rav Yacov
Gerenstadt, orientador do movimento Bnei Noach Brasil organizou um Sidur com rezas apropriadas para Bnei Noach, extraído do Sidur
Judaico Tehilat Hashem, omitindo rezas específicas para povo judeu. Adquira-o em nosso site: https://bneinoach.org.br/loja/livros/bnei-
noach/sidur-bnei-noach/. Além das orações regulares, muitos judeus têm o costume de recitar Salmos adicionais todos os dias. Rav Yacov
recomenda que os Bnei Noach recitem os Salmos nesta mesma programação, em sincronia com o povo judeu, no qual os 150 Salmos são
divididos ao longo dos 29 ou 30 dias de cada mês no calendário hebraico. No primeiro dia de cada novo mês hebraico, dizemos Salmos 1-
9; no segundo dia, Salmos 10-17; e assim por diante. A programação está listada abaixo. Data Hebraica Salmo 1 1-9 2 10-17 3 18-22 4
23-28 5 29-34 6 35-38 7 39-43 8 44-48 9 49-54 10 55-59 11 60-65 12 66-68 13 69-71 14 72-76 15 77-78 16 79-82 17 83-87 18 88-89
19 90-96 20 97-103 21 104-105 22 106-107 23 108-112 24 113-118 25 119:1-96 26 119:97-176 27 120-134 28 135-139 29 140-144
30 145-150 Quando o mês tem apenas 29 dias, recitam-se os salmos 140-150 no dia 29. Se alguém conhece hebraico, certamente é bom
ler os salmos (ou qualquer oração) no idioma sagrado. Mas todas as orações, incluindo os Salmos, podem ser ditas em qualquer idioma (é
melhor usar uma boa tradução judaica; os tradutores cristãos alteraram ou distorceram deliberadamente certas interpretações para se
ajustarem às doutrinas do Novo Testamento). Simplesmente recite os Salmos como eles são, sem acrescentar nada antes ou depois.
Também é um bom costume recitar diariamente o Salmo que corresponde à nossa idade. Isso é de acordo com o ano da vida de uma
pessoa; um jovem de 25 anos está em seu 26º ano, então ele diria Salmo 26 – até seu 26º aniversário, quando ele começa a dizer
Salmos 27 (ou seja, o Salmo deve ser sempre um a mais do que a idade da pessoa). Para ocasiões especiais, outros Salmos podem ser
adicionados às orações diárias. Alguns Salmos são adicionados em feriados judaicos particulares; outros são adicionados para pedir a
recuperação completa de uma pessoa doente. Cada ocasião é conectada com Salmos específicos, e deve-se verificar fontes judaicas
apropriadas para identificá-los. Temos a orientação de recitar os salmos até o por-do-sol, segundo o costume Chabad, pois entre o por-
do-sol e o início da madrugada é um período de severidade onde os efeitos de nossa recitação são minimizados. Obviamente casos de
urgência podem ser uma exceção. Consulte seu rabino orientador para maiores informações. ©bneinoach.org.br | texto Boruch Ellyson |
tradução e adaptação Caio Scattini para Comunidade Bnei Noach Brasil 5779 | Viva o Rebe Rei Mashiach para Sempre!

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Caio Scattini

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