Você está na página 1de 5

Instituto de Fı́sica

Mecânica Geral
Prof. Marcelo Chiapparini
Lista 3 - Momento linear e momento angular

Conservacão do momento linear

1. Considere um canhão de massa M (quando descarregado) que atira uma granada de


massa m com velocidade v na boca da arma. (Ou seja, a velocidade da granada relativa
ao canhão é v.) Supondo que o canhão é completamente livre para recuar (no há forças
externas sobre canhão ou a granada), use a conservação do momento para mostrar que
a velocidade da granada relativa ao chão é v/(1 + m/M ).

2. Uma granada viajando com velocidade v0 explode em três pedaços de massas iguais.
Justo depois da explosão, um pedaço tem velocidade v1 = v0 e os outros dois têm
velocidades v2 e v3 que são iguais em magnitude (v2 = v3 ) e perpendiculares entre si.
Encontre v2 e v3 e desenhe a três velocidades.

3. Várias aplicações da conservação do momento linear envolvem também a conservação


da energia, que é o tema do próximo capı́tulo. No entanto, você sabe o suficiente sobre
energia do seu curso introdutório de Fı́sica como para lidar com problemas deste tipo.
Aqui temos um exemplo elegante: Definimos uma colisão elástica entre dois corpos como
uma colisão na qual a energia cinêtica total dos dois corpos depois da colisão é a mesma
que antes da colisão. (Um exemplo familiar é a colisão entre duas bolas de bilhar, as
quais geralmente perdem muito pouco da sua energia cinética total.) Considere uma
colisão elástica entre dois corpos de massas iguais, um dos quais está inicialmente em
repouso. Sejam suas velocidades v1 e v2 = 0 antes da colisão, e v10 e v20 depois dela.
Escreva a equação vetorial representando a conservação do momento linear e a equação
escalar da colisão elástica. Use elas para provar que o ângulo entre v10 e v20 é de 90◦ . Este
é um importante resultado na história da Fı́sica Atômica e Nuclear: Que dois corpos
emergam de uma colisão viajando em caminhos perpendiculares sugeria fortemente que
eles tinham massas iguais e realizavam uma colisão elástica.

Foguetes

4. O primeiro par de minutos do lançamento do ônibus espacial pode ser descrito muito
esquematicamente como segue: A massa inicial é de 2×106 kg, a massa final (depois de 2
minutos) é de aproximadamente 1×106 kg, a velocidade média de exaustão dos gases vex
é de aproximadamente 3000 m/s, e a velocidade inicial é, claro, zero. Se todo o processo
tivesse lugar no espaço exterior, com gravidade desprezı́vel, qual seria a velocidade do
ônibus espacial no final desta etapa? Qual é o empuxo durante o mesmo perı́odo e como
se compara com o peso inicial do foguete (sobre a Terra)?
5. Dos dados do Problema 4 você pode encontrar a massa inicial do ônibus e a taxa de
emissão de massa −ṁ (a qual você pode supor constante). Qual é a velocidade de
exaustão vex mı́nima para a qual o ônibus começa a se elevar assim que começa a queima?
[Ajuda: o empuxo deve no mı́nimo compensar o peso do ônibus.]

6. Considere um foguete (de massa inicial m0 ) acelerando do repouso no espaço livre. No


começo, quando a velocidade aumenta, seu momento linear p aumenta, mas como sua
massa m decresce p eventualmente começa a decrescer. Para qué valor de m é p máximo?

7. (a) Considere um foguete viajando numa linha reta sujeito a uma força externa F ext
que atua ao longo da mesma linha. Mostre que a equação de movimento é

mv̇ = −ṁvex + F ext . (1)

(b) Especialize no caso de um foguete decolando verticalmente (do repouso) no campo


gravitacional g, de forma tal que a equação fica

mv̇ = −ṁvex − mg. (2)

Suponha que o foguete ejeta massa a uma taxa constante, ṁ = −k (onde k é uma
constante positiva), de forma tal que m = m0 − kt. Resolva a Equação (2) para
v como função de t, usando separação de variáveis (isto é, rescrevendo a equação
de forma que todos os termos envolvendo v estejam à esquerda e todos os termos
envolvendo t na direita).
(c) Usando os dados do Problema 4, encontre a velocidade do ônibus depois de dois
minutos de vôo, supondo (o que é aproximadamente verdade) que ele viaja vertical-
mente para cima durante esse prı́odo e que g não muda apreciavelmente. Compare
com o resultado correspondente se não houvesse gravidade.
(d) Descreva o que aconteceria com um foguete projetado de forma que o primeiro
termo na direita da Equação (2) fosse menor que o valor inicial do segundo.

8. Considere um foguete sujeito a uma força linear resistiva, f = −bv, e nenhuma outra
força externa. Use a Equação (1) do Problema 7 para mostrar que se o foguete parte do
repouso e ejeta massa a uma taxa constante k = −ṁ, então sua velocidade está dada
por "  b/k #
k m
v = vex 1 − .
b m0
Usando os dados fornecidos no Problema 4, estime a velocidade do ônibus espacial ao
cabo de dois minutos.

Centro de massa

9. Encontre a posição do centro de massa de três partı́culas situadas no plano xy em


r1 = (1, 1, 0), r2 = (1, −1, 0) e r3 = (0, 0, 0), se m1 = m2 e m3 = 10m1 . Ilustre sua
resposta com um desenho e comente.
10. As massas da Terra e do Sol são MT ≈ 6, 0 × 1024 e MS ≈ 2, 0 × 1030 (ambas em kg) e
sua distância entre centros é de 1, 5 × 108 km. Encontre a posição do seu CM e comente.
(O raio do Sol é RS ≈ 7, 0 × 105 km.)

11. As massas da Terra e da Lua são MT ≈ 6, 0 × 1024 e ML ≈ 7, 4 × 1022 (ambas em kg) e


sua distância entre centros é de 3, 8 × 105 km. Encontre a posição do seu CM e comente.
(O raio da Terra é RT ≈ 6, 4 × 103 km.)

12. (a) Sabemos que a trajetória de um projétil lançado desde o chão é uma parábola (se
ignorarmos a resistência do ar). Qual seria a trajetória subsequente do CM das
peças se um projétil explode no meio do ar?
(b) Uma granada é disparada do nı́vel do chão para atingir um alvo localizado a 100
m de distância. Infelizmente a granada explode prematuramente e quebra em duas
peças iguais. As duas peças pousam ao mesmo tempo, e uma delas pousa a 100 m
depois do alvo. Ónde pousa a outra peça?
(c) O resultado é o mesmo se pousam em momentos diferentes (com uma das peças
ainda pousando a 100 m depois do alvo)?

13. Considere um sistema composto de dois corpos extensos, com massas M1 e M2 e centros
de massa em R1 e R2 . Prove que o CM do sistema todo está em
M1 R1 + M2 R2
R= .
M1 + M2
Este belo resultado significa que para encontrar o CM de um sistema complicado, você
pode tratar as partes que o compõem como se fossem massas pontuais localizadas nos
seus centros de massa separados – mesmo quando as partes constituintes são elas mesmas
corpos extendidos.

14. Uma lâmina fina e uniforme de metal é cortada formando um simicı́rculo de raio R e está
situada no plano xy com seu centro na origem e diâmetro ao longo do eixo x. Encontre
a posição do CM usando coordenadas polares. [Neste caso a soma
R que define a posição
do CM se transforma numa integral bi-dimensional da forma r σ dA, onde σ denota
a densidade superficial de massa (massa/área) da lâmina e dA é o elemento de área
dA = r dr dφ.]

Momento angular de uma partı́cula

15. Uma partı́cula de massa m está se movendo sobre uma mesa horizontal sem atrito e
está unida a uma corda sem massa, cujo outro extremo passa por um buraco na mesa,
donde você a segura. Inicialmente a partı́cula está se movendo num cı́rculo de raio r0
com velocidade angular ω0 , mas então você puxa a corda para baixo através do buraco
até que a distância entre o buraco e a partı́cula vale r. Qual é a velocidade angular da
partı́cula?
16. Considere um planeta orbitando o Sol (considerado fixo). Tomemos o plano xy como
sendo o plano da órbita, com o Sol na origem, e denote a posição do planeta pelas
coordenadas polares (r, φ).
(a) Mostre que o momento angular do planeta tem magnitude l = mr2 ω, onde ω = φ̇
é a velocidade angular do planeta alrededor do Sol.
(b) Mostre que a taxa na qual o planeta “barre áreas”(como na segunda lei de Kepler)
é dA/dt = 21 r2 ω, e então que dA/dt = l/2m. Deduça a segunda lei de Kepler.

Momento angular de várias partı́culas

17. Um asteróide esférico uniforme de raio R0 está girando com velocidade angular ω0 . A
medida que os éons vão passado, ele captura mais massa do meio circundante até que seu
raio é R. Supondo que a densidade se mantém a mesma e que a matéria adicional estava
originalmente em repouso relativa ao asteróide (pelo menos em valor médio), encontre a
nova velocidade angular do asteróide. (O momento de inércia da esfera respeito do seu
eixo de simetrı́a é 25 M R2 .) Qual é a velocidade angular se o raio duplica?

18. Considere um corpo rı́gido girando com velocidade angular ω em torno de um eixo fixo.
(Pode pensar numa porta girando em torno do eixo definido pelas suas dobradiças .)
Tome o eixo de rotação como sendo o eixo z e use coordenadas cilı́ndricas polares ρα ,
φα , zα para especificar a posição das partı́culas α = 1, . . . , N que constituem o corpo.
(a) Mostre que a velocidade da partı́cula α é ρα ω na direção de φ.
(b) Mostre então que a componente z do momento angular lα da partı́cula α é mα ρ2α ω.
(c) Mostre que a componente z do momento angular total, Lz , pode ser escrita como
Lz = Iω, onde I é o momento de inércia (para o eixo em questão),
N
X
I= mα ρ2α . (3)
α

19. Encontre o momento de inércia de um disco uniforme de massa M e raio R girando em


torno do seu eixo, substituindo a soma (3) pela integral apropriada e entegrando em
coordenadas polares.

20. Começando pela soma (3) e substituindo pela integral apropriada, encontre o momento
de inércia de um quadrado fino e uniforme de lado 2b, girando em torno de um eixo
perpendicular ao quadrado e que passa pelo seu centro.

21. Considere um disco sólido e uniforme de massa M e raio R, rolando sem deslizar para
baixo de um plano inclinado de ângulo γ com a horizontal. O ponto de contato ins-
tantâneo entre o disco e o plano inclinado é P .
(a) Desenhe o diagrama de corpo livre, mostrando todas as forças sobre o disco.
(b) Encontre a aceleração linear v̇ do disco aplicando o resultado L̇ = Γext para rotações
em torno de P . (Lembre que L = Iω e que o momento de inércia para rotações
em torno de um ponto da circunferência é 23 M R2 . A condição de que o disco não
desliza é v = Rω e assim v̇ = Rω̇.)
(c) Obtenha o mesmo resultado aplicando L̇ = Γext para rotações em torno do CM.
(Neste caso você encontrará uma incógnita a mais, a força de atrito. Você pode
eliminar essa força aplicando a segunda lei de Newton ao movimento do CM. O
momento de inércia para rotações em torno do CM é 21 M R2 .)

Você também pode gostar