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Processo de individuação e o

processo reencarnatório.
Adams Auni

ESE - Capítulo 10, Bem-aventurados os que são misericordiosos -


Esquecimento do Passado-item 11: “... É sem razão que se aponta o fato de o Espírito
não se lembrar das suas vidas anteriores como um obstáculo para que ele possa tirar
proveito das experiências que nelas viveu...
...De fato, essa lembrança provocaria inconvenientes muito graves; poderia, em
alguns casos, nos humilhar muito, ou ainda excitar nosso orgulho e por isso mesmo,
dificultar nosso livre-arbítrio.
Em outros casos ocasionaria inevitável perturbação às relações sociais. Muitas vezes,
o Espírito renasce no mesmo meio em que já viveu e se encontra relacionado com as
mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes tenha feito.
Se reconhecesse nelas as que odiou, talvez seu ódio se revelasse outra vez, e sempre
se sentiria humilhado diante daqueles que tivesse ofendido...”
LE 168 - O número de existências corporais é limitado ou o Espírito
reencarna perpetuamente? A cada nova existência, o Espírito dá um passo no caminho
do progresso. Quando se libertar de todas as suas impurezas, não tem mais necessidade das
provações da vida corporal.
LE 170 - Em que se torna o Espírito após sua última encarnação? Espírito bem-
aventurado; é um Espírito puro.
Esse processo de esquecimento contido na Doutrina Espírita sugere que as paixões
que nos atormentam seguem para o inconsciente e se ordenam em nosso psiquismo
conforme a necessidade de relação para sua “transformação” no processo reencarnatório,
do inconsciente gradativamente para o consciente.
O psiquiatra Carl Gustav Jung, traduz esse primeiro nível de inconsciente como
“inconsciente pessoal”, realizações da encarnação que são remetidos ao “esquecimento” a
serem “elaborados” (termo de Jung) posteriormente em sucessivas oportunidades, segundo
nossa linha de pensamento: Sucessivas oportunidades reencarnatórias.
O outro nível mais profundo é denominado “inconsciente coletivo” e nele presentes os
“arquétipos”, por Jung são estruturas do acervo humano, que segundo Joanna de Angelis é o
acervo de todas as reencarnações do Espírito. (O Ser Consciente, cap.14, Comportamentos
Exóticos, Joanna de Ângelis)
Jung expressa a estrutura da psique como uma pequena parcela de consciente, tal qual
uma ilha no oceano, em um mar infinito de inconsciente.
O conceito Junguiano de Individuação é o processo arquetípico que representa a
jornada do ego em busca do Self, enquanto a consciência aumenta com a análise das
próprias defesas e o exercício na manipulação de conteúdos, o processo de individuação é
uma forma de unificar a personalidade, fazendo com que desapareça gradativamente a
diversidade de conteúdos inconscientes.
As paixões em suas constituições vibracionais, energeticamente expressadas,
apresentam-se mais material, haja visto, que aqueles que ainda se ressentem estão em nível
vibracional condizente, logo, mais ligados a materialidade das paixões que espiritualizados.
LE 911 - Não existem paixões tão vivas e irresistíveis que a vontade não
tenha o poder de superá-las? ... Aquele que procura reprimi-las compreende sua
natureza espiritual; vencê-las é, para ele, uma vitória do Espírito sobre a matéria.
LE 166 a - Como a alma realiza essa nova existência? É pela sua
transformação como Espírito? A alma, ao se depurar, sofre sem dúvida uma
transformação... Mas para isso é preciso que passe pela prova da vida corporal.
LE 167 - Qual é o objetivo da reencarnação? Expiação, melhoramento
progressivo...
“Elaboração”, termo que explica que essas paixões são transmutadas gradativamente,
energeticamente. Elas não desaparecem, transmutam-se energeticamente do inconsciente
para o consciente, a medida que são trabalhadas, a exemplo daquilo que poderíamos ver
como prova, passa a expiação e bem “elaborada” torna-se uma missão.
Paixão: Sentimentos ou emoções intensas sobrepondo a lucidez e razão, amor
ardente, inclinação sensual intensa, afeto dominador, obsessão, mágoa e cólera.
Paixões = Complexos: Podemos inferir que as “paixões”, como os “complexos”,
possuem alta carga energética emocional. Os “complexos” são como “nódulos”,
adensamentos emocionais, de alto teor energético, que em muitos casos, ao migrarem do
inconsciente para o consciente assumem o comando tal qual o Ego.
Jung por Joanna de Ângelis ao entendimento do processo de individuação do
“espírito”, já o considerando um ser perfeito em si mesmo, a partir de seu despertamento
para o conhecimento de si mesmo, na busca de sua totalidade psíquica, requer a elaboração
de seus conteúdos “energéticos” psíquicos.
Aqueles que já não se relacionam com essas vibrações em seus corações não
dependem de compensações como o perdão, pois não se ressentem de qualquer “ofensa” e
tão pouco promovem sentimentos de magoa, rancor, ódio ou inveja.
Esse nível de equilíbrio psíquico é encontrado nos mentores, espíritos superiores que
já “elaboraram” seus complexos (paixões) ao longo de suas experiências entre provas e
expiações.
“Complexo”, agrupamento de conteúdo psíquico carregado de afetividade, composto
de um núcleo possuidor de intensa carga afetiva, estabelece associação com outros
elementos afins, cuja coesão em torno do núcleo é mantida pelo afeto comum a seus
elementos.
Forma assim verdadeiras unidades vivas, capazes de existência autônoma. Segundo a
força de sua carga energética, o complexo torna-se, um imã para todo fenômeno psíquico
que ocorra ao alcance de seu campo de atração.

Estrutura da Psique.

Arquétip
os

Complexo
s

Considera-se que esses limites não sejam tão claros e observáveis assim, pois se
tratam de limites “energéticos” que se interpenetram, expressando-se graficamente tal qual
o átomo:

Modelo atômico Rutherford Modelo atômico de Bohr Modelo átomo


quântico.
Uma possível visão da psique? Onde estão os limites?

“... Toda a atividade consciente ou não do ser humano deve dirigir-se para a perfeita
identificação do Si - mesmo, integrando os conteúdos psíquicos remanescentes das
memórias pretéritas – extratos das reencarnações ínsitos nos inconsciente pessoal...”
(Triunfo Pessoal – pág. 155/158 – Cap. 9 – O significado existencial e o encontro com o Self,
Joanna de Ângelis)
“... Jung considera a individuação como sendo todo um processo intrapsiquico
duradouro e autônomo, através do qual a psique consciente assimila os conteúdos que
permaneciam inconscientes na imensa área do inconsciente pessoal e coletivo. É formado da
conquista da consciência, do discernimento claro, da conscientização do Si - mesmo...”
(Triunfo Pessoal – pág. 178 – Cap. 11 – A individuação – O ser humano e o Self, Joanna de
Ângelis)
”... A etiologia das moléstias perduráveis ... Guardam no corpo espiritual as suas causas
profundas. A recordação dessa ou daquela falta grave... Cria na mente um estado
anômalo... Em torno da qual a onda viva e contínua do pensamento passa a enovelar-se em
circuito fechado sobre si mesma, com reflexo permanente na parte do veículo
fisiopsicossomático ligada à lembrança das pessoas e circunstâncias ...
Estabelecida a idéia fixa sobre esse “nódulo de forças desequilibradas”, é
indispensável que acontecimentos reparadores se nos contraponham ao modo enfermiço de
ser, para que nos sintamos exonerados desse ou daquele fardo íntimo...
Essas enquistações de energias profundas... Por se filiarem a causas infelizes... São
perfeitamente transferíveis de uma existência para outra... É lógico venhamos a resgatar as
nossas obrigações em qualquer tempo... É assim que... Provoca distonias diversas em
nossas forças recônditas, desarticulando as sinergias do corpo espiritual... Detemos conosco
os resíduos mentais... Que um dia, virão à tona de nossa existência, para a necessária
expunção, à medida que se nos acentue o devotamento à higiene moral.” (Andre Luiz, Evolução
em Dois Mundos, Cap.39,Predisposições Mórbidas)
“O homem pode ser considerado a própria mente. Aquilo que cultiva no campo íntimo,
ou que o propele com insistência a realizações, constitui a sua essência e legitimidade, que
devem ser estudadas pacientemente, a fim de poder enfrentar os paradoxos existenciais
que o comandam, estabelecendo os paradigmas, corretos para a jornada, liberado, dos
choques interiores em relação ao comportamento externo.” (O Ser Consciente – pág. 9,
Joanna de Ângelis)

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