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O telescópio é um

instrumento fascinante.

Não existe no mundo alguém


que já não quis olhar os
anéis de Saturno ou a
imagem de uma galáxia.

No afã de experimentar essa


sensação, é comum o leigo
comprar uma luneta numa
loja de departamentos e se
Algumas fotos do telescópio construído com o
decepcionar com o que
projeto disponibilizado nessa página
consegue ver.

Infelizmente, NÃO EXISTE TELESCÓPIO COM AUMENTO DE 500 VEZES,


700 VEZES por alguns poucos reais.

Se você viu um anúncio de telescópio com aumentos dessa ordem, saiba que o
anúncio É MENTIROSO, a não ser que se referisse à um telescópio mais largo
que um botijão de gás e que custasse alguns milhares de dólares.

Esses vendedores, inescrupulosos ou ignorantes das leis da física, se


esquecem de avisar que ao tentar um aumento desses tudo que o comprador
vai ver é breu, escuridão total. Eles se baseiam da regra de cálculo de
aumento, que é a divisão da distância focal do espelho ou da objetiva pela
distância focal da ocular, mas omitem que quanto mais aumento, maior a
necessidade de captação de luz do telescópio, sem contar a maior
necessidade de qualidade óptica.

Assim, os fabricantes mal intencionados vão reduzindo a distância focal das


oculares para atingir valores aritméticos absurdos de aumento, mas que não
geram imagens. Tudo que se vê é escuridão porque o telescópio não tem
abertura (e muito menos qualidade óptica) para lidar com aumentos dessa
ordem.

Por outro lado, não é importante ter tanto aumento.


Normalmente, um leigo se surpreende quando fica sabendo que a maior parte
das observações são feitas com aumentos bem abaixo de 200 vezes.
Para ver os anéis de Saturno, só são necessários aumentos de 30x ou 40x.
As faixas de Jupiter se tornam bem perceptíveis com aumento de 40x a 50x; A
grande mancha vermelha em Júpiter começa a se destacar com aumentos a
partir de 80 vezes.

Quanto melhor a qualidade óptica do equipamento, melhor a definição dessas


imagens
Em astronomia, infelizmente, paga-se por qualidade; Um bom telescópio é caro
porque demanda horas de trabalhos de profissionais qualificados e controles
rígidos de qualidade que descartam peças e aumentam o custo.

A única forma de ter um bom equipamento sem gastar muito é construir o


próprio telescópio. A idéia é investir num espelho de alta qualidade (telescópio
comerciais costumam não ter uma óptica primorosa) e construir o restante, que
não demanda equipamentos caros nem conhecimentos profundos.

Pode-se construir o espelho também, porém a dedicação e a pesquisa terão


que ser maiores.

Não incluo nesse site instruções de como construir o espelho porque não
construí o meu. Eu o comprei de um fabricante de espelhos, o Sebastião
Santiago, mas coloco na sessão de links endereços de sites que ensinam o
processo de polimento, caso queira se aventurar.

As oculares também precisam ser compradas porque o processo de fabricar


oculares é complicado e caro por necessitar de conhecimento e equipamentos
específicos, embora na sessão de links exista referência à sites que ensinam o
processo.

Tirando o polimento do espelho e construção das oculares, encontrará


instruções detalhadas para todas as outras partes.

Procurei dar o maior detalhamento possível e manter a construção simples.


A ferramenta “mais sofisticada” que usei foi uma furadeira elétrica. A pintura foi
feita usando pistola de pintura, mas pode ser feita com excelentes resultados
usando latinhas de tinta spray.
Ao final de cada sessão, coloquei um link para uma página em que teço
comentários sobre os erros que cometí e que que devem ser comuns numa
primeira construção.

Caso resolva mudar QUALQUER CARACTERÍSTICA busque outras fontes de


informação, porque quase tudo tem um bom motivo para ser do jeito que é.

Para citar alguns exemplos:

É comum o leigo querer criar um “disco de reforço” e colar no espelho.


Fazendo isso, o espelho muito provavelmente vai “empenar”, desenvolver
astigmatismo, ou mesmo se quebrar depois de algum tempo, por causa de
diferentes índices de dilatação entre o vidro e o "disco de reforço".

Pode ser que alguém resolva fixar as rodas de movimento vertical direto no
cano do telescópio... muito provavelmente vai descobrir mais tarde que o
telescópio não pára na posição que é deixado e não terá como resolver isso, a
não ser amarrando contra-pesos no tubo.

Não dá para citar todos os “Porquês” sem escrever um compêndio de centenas


de páginas; Assim, tenha em mente que se resolver fazer alguma modificação,
é importante pesquisar o assunto e se assegurar de aquela mudança não vai
provocar problemas.

Um bom local para esclarecimento de dúvidas é site do Cosmobrain, onde


pode-se pesquisar e fazer perguntas ao membros. O Google também é um
grande aliado dos ATM's (Amateur Telescope Maker - Construtor Amador de
Telescópios); Aliás, sabendo perguntar, o google responde tudo :-).

Instruções Preliminares

Nessa sessão :
 Introdução
 Use as ferramentas apropriadas
 Evite acidentes
 Tomada de medidas
 Cortando no lugar certo
 Cortando círculos em madeira
 Cortando segmentos de tubos
 Dividindo uma circunferência em 3 partes iguais
 Dividindo a circunferência em 4 partes iguais
 Fazendo furos perpendiculares à madeira
 Cola de Silicone
 Dicas de Acabamento e pintura

Introdução

Se você já se meteu a fazer trabalhos numa área que não é a sua área, já teve
ter tido algumas das dificuldades citadas nesse texto; Já deve ter tido a
desagradável surpresa de cortar um pedaço de madeira certinho, medido
direitinho e na hora de usá-lo, ele não encaixa, fica folgado ou entorta o
conjunto.
Alguns cuidados podem ser tomados para reduzir em muito esses problemas.
Lembre-se que se você construir um telescópio tosco, sem firmeza, que na
hora do uso precisa segurar aqui, puxar alí, escorar lá... vai acabar
desanimando de usar o equipamento.
Apanhei muito para construir meu primeiro telescópio principalmente por falta
de informações completas.
A maioria dos sites que encontrei na Internet sobre construção de telescópios,
traz fotos ou “modelos fechados”. ...foto é bom, mas um texto explicativo
sempre ajuda. Sem saber o “porquê” de certas soluções encontradas, eu ficava
sem saber se eu podia ou não mudar aquela característica.
Lí uma tonelada de artigos na Internet e mesmo assim tive que várias vezes
recorrer a ajuda do Sebastião Santiago, que teve muita paciência comigo :-).
Algumas vezes, visitei alguns sites e lí por cima as instruções lá e perdi partes
importantes do texto, que teriam me feito economizar o tempo de reinventar a
roda. Foi assim com a maneira simples para dividir a circunferência em três
partes e a maneira de cortar tubos. Por isso, no meu texto, sempre que me
refiro a uma tarefa que exige algum "macete" coloco links para o tópico
referente aqui nessa sessão; Algumas vezes esse link poderá parecer apenas
algumas linhas abaixo de um lugar onde já apareceu. O motivo dessa
redundância de links é garantir que o leitor da página não perca essa
informação.
Em cada sessão coloquei também um link para uma página adicional, onde
conto os erros que cometí na primeira construção; Alguns desses erros talvez
sejam comuns e com aquela narrativa, se você tiver que cometer erros, pelo
menos que sejam diferentes. :-) Meu objetivo aqui é passar a experiência que
obtive nesse trabalho pra quem está se aventurando nessa seara.
Os textos foram sendo escritos a medida em que eu construia o telescópio,
quase que um diário (na verdade, um "semanário" porque eu só tinha como
pesquisar o assunto e trabalhar da construção nos finais de semana). Seguindo
algumas premissas básicas, o trabalho de construção será tão prazeroso
quanto o uso do equipamento. E espero que com essa página eu possa
contribuir um pouco com a comunidade de astrônomos amadores.

Use as ferramentas apropriadas

Ter ferramentas indicadas para o trabalho pode significar muito no resultado


final e no tempo dispendido.
Apertar parafusos com ponta de faca ou alicate pode até quebrar um galho
numa emergência mas é um “des-serviço” num projeto não emergencial.
Em todas as sessões eu enumero as ferramentas que usei; Algumas vezes
certo trabalho poderia ser melhor executado tendo determinada ferramenta que
eu não tinha e procurei mostrar isso no decorrer do texto.

Alguns anos atrás eu encontrei numa banca de camelôs uma maleta de


ferramentas por um preço muito bom...em números de hoje, uns 40 ou 50 reais
(cerca de 15 dólares na época que redigi esse texto). Nessa maleta tinha
alicate de pressão, alicate rebitador e alguns rebites, alicate de bico, alicate
convencional, alicate para corte de fios, algumas chaves de fenda, algumas
chaves Philips, um jogo de chave Allen, ferro de solda, arame de solda, chave
de boca com catraca, uma pequena morsa (que dei de presente para um
amigo) e várias outras ferramentas. Recentemente, ví a mesma maleta em
vários camelôs no centro da cidade, na Rua Florêncio de Abreu e Rua Santa
Efigênia, mas não cheguei a perguntar o preço.
Não são ferramentas de qualidade super-hiper-excelente...Se for para usá-las
numa oficina mecânica, com uso diário e peças pesadas provavelmente elas
vão abrir o bico em menos de um ano. Mas para uso leve e esporádico (eu
conserto computadores e faço serviços domésticos de vez em quando) é um
investimento que com certeza vale a pena. Já as tenho a mais de 5 anos e
estão todas em muito bom estado.
Caso não tenha algumas das ferramentas citadas no texto, sugiro procurar
essa maleta que tem uma excelente razão custo/benefício. Elas serão úteis
nesse e em muitos outros projetos.

Evite acidentes

Mantenha o local de trabalho organizado.


Ferramentas deixadas no chão podem ser pisadas, chutadas e provocar
acidentes. Além disso, perde-se tempo tentando encontrá-las.
Estabeleça o padrão de sempre deixar as ferramentas num mesmo lugar
durante o uso.
Ferramentas elétricas devem ser retiradas da tomada se não serão usadas
imediatamente.
Mantenha seu rosto distante do local que estiver sendo furado / cortado. Uma
broca ou serra que quebre espalha estilhaços que podem provocar acidentes
sérios. Por essa razão, mantenha distância de quem estiver usando
ferramentas, e exija que as pessoas mantenham distância de você quando
você estiver usando.

Ainda com relação aos acidentes, muito cuidado ao furar peças pequenas,
como o suporte do espelho secundário. Use um alicate de pressão ou um
“grampo de marceneiro” para prender esse tipo de peça (pequena) a uma
bancada. Nunca use uma mão para segurar a peça e outra para segurar a
furadeira.

Use brocas apropriadas.


Brocas para madeira quando usadas no aço tendem a perder o corte e, pior, se
estilhaçar durante o uso.
Brocas de aço quando usadas em madeira tendem a superaquecer e
destemperar, perdendo o corte.

Tomada de medidas

Muitas vezes uma peça é cortada errada por ter sido medida errada.
Ao tirar medidas, cuidado com o efeito de paralaxe – que é muito útil para os
astrônomos calcularem posição de astros, mas é o maior inimigo do construtor
inexperiente de telescópios.
Para entender o efeito paralaxe, estenda o braço, levante o polegar, feche um
dos olhos e mire um objeto qualquer. Feche um olho e abra o outro. Veja como
o objeto parece mudar de posição.
Quando for tomar medidas, fique acima da régua, trena ou metro e olhe as
marcações de milímetros de cima para baixo.
Veja o desenho abaixo :
Note o que na posição A, o ponto a marcar é visto em Z;
Na posição B é o ponto é visto em Y, que é o lugar correto e;
Na posição C o ponto é visto em X.
Pode parecer pouco, mas essas pequenas diferenças vão se somando (ou
multiplicando) e no final o projeto está todo torto, com rebarbas e precisando de
alguma gambiarra para funcionar.

Ainda com relação à medição, quando for riscar para cortar, furar ou pregar,
faça um traço firme mas que não seja largo. Se você fizer um risco largo, na
hora de cortar / furar / pregar vai ficar na dúvida se o lugar certo é bem no meio
da marca, à direita ou a esquerda dela.
Pra piorar, dependendo de onde você olhar, o “meio” do traço vai estar mais
pra direita ou pra esquerda devido ao efeito paralaxe citado acima.
Quando riscar errado, não faça um segundo risco sem apagar o primeiro. Pela
necessidade de apagar é aconselhável usar lápis em vez de caneta.
E tenha um apontador por perto para manter a ponta do lápis mais ou menos
afinada.

Cortando no lugar certo

Não adianta tomar cuidado na tomada de medida e “soltar a mão” na hora de


cortar.
Antes de cortar, confira uma, duas três vezes se não está esquecendo de
algum detalhe.
Para fazer cortes retos, use o serrote mais deitado. Usar o serrote em pé torna
o serviço mais leve e mais rápido, mas quase sempre resulta em cortes
chanfrados ou que não seguem a linha traçada, principalmente se você não
tem experiência no uso dessa ferramenta. Assopre de vez em quando para tirar
o pó que acumula sobre o traçado.
E cuidado com efeito paralaxe. Procure olhar dos dois lados do serrote para
não achar que está cortando em cima do traçado quando está fugindo dele.

Cortando círculos em madeira

Para recortar círculos em madeira, as ferramentas apropriadas são serra tico-


tico ou uma serra manual de rodear. Pode se improvisar com uma serra de
arco.
Se não tiver as ferramentas mais indicadas, considere fazer um orçamento com
um marceneiro, pois é um pouco complicado de conseguir circulos perfeitos.
Especial atenção deve ser dada ao circulo de 100mm usado para o movimento
de altitude, pois se esse círculo ficar irregular, o movimento propiciado por ele
também será irregular. Recomendo deixar para fazê-lo por último, onde já terá
alguma experiência nos cortes e conseguirá um resultado melhor.
Para serrar os círculos manualmente, veja imagem abaixo:
Usando um compasso, desenhe o circulo num pedaço de madeira.
Recorte primeiro um quadrado um pouco maior que circulo (linhas azuis).
Depois recorte os cantos desse quadrado (linhas vermelhas)
Finalmente recorte o círculo.

Cortando segmentos de tubos

Cortar um tubo de PVC é fácil mas não é simples.


Alguns cuidados precisam ser tomados para evitar cortes irregulares ou em
ângulo (chanfrados). Se você tem uma serra de bancada é moleza pois é só
colocar o tubo da esteira e empurrar. Mas como eu não tenho uma serra
dessas apanhei muito e estraguei alguns pedaços de tubo antes de achar uma
forma eficiente. Felizmente, os pedaços que estraguei foram do tubo de 32mm
que é mais barato e fácil de conseguir.
O método que desenvolvi (e mais tarde descobri que tinha reinventado a roda,
porque outros ATMs já descreviam o mesmo método) foi usar uma guia para
fazer o traçado e girar o cano enquanto serrava.
Posteriormente, aperfeiçoei criando um gabarito para riscar. Na sessão “tampa
para o tubo principal” eu descrevo a construção de uma tampa feita com sobras
do PVC de 200 mm.
Use as instruções abaixo para serrar a tampa com as medidas descritas lá,
mas em vez de montar o conjunto, guarde aquele pedaço para usar como
régua para tracar os riscos no tubo principal.
Em passos :
1) Marque um ponto no lugar que deseja cortar.
2) Use uma fita para rodear o cano, fazendo-a se encontrar perfeitamente
alinhada com o outro lado. Você pode usar uma fita de costureira, ou qualquer
outra fita que seja flexível e tenha bordas retas e regulares. Pode ser usado
também um cinto de couro, que você deve ter no seu guarda roupa. Depois
que passar a fita no cano, certifique-se de que ela está alinhada, que não tem
um lado mais caído, etc. Você vai notar que é complicado manter qualquer
desse objetos na posição certa e é por isso que eu recomendei mais acima que
você só tenha esse trabalho um vez, para fazer a tal tampa do tubo principal e
passe a usá-la como gabarito (régua de traçado)
3) Risque usando a fita como régua. Faça um traço firme mais não muito
grosso (veja as dicas de corte mais acima) e tome cuidado para não forçar a
cinta para baixo ao riscar. Depois de riscar, confira a retidão do traço girando o
cano.
4) Para cortar, vá girando o cano e “afundando” com a serra a marca que feita
com o lápis. Se ao chegar do outro lado a marca se encontrar, prossiga dando
mais uma volta afundando um pouco mais. Se a marca não se encontrar você
tem como refazer o traçado porque não o fez muito profundo. Na terceira ou
quarta volta o cano já estará cerrado.
5) Use uma lixa 50 ou 80 para retirar as rebarbas.

Veja abaixo uma foto do gabarito, construído dessa forma, sendo usado como
régua para marcar lugares a cortar no tubo de 200 mm:

Dividindo uma circunferência em 3 partes iguais

Em diversas partes do texto existe menção à dividir uma circunferência em três


partes iguais; Por exemplo, para por os pés de borracha na base, os parafusos
de ajuste do suporte primário, na construção da aranha (suporte do espelho
secundário) etc, etc...
Aqui, eu penei um pouco, fazendo quadrados, triângulos, etc até lembrar dos
métodos de geometria lá da quinta série e perceber que usando um compasso
posso dividir uma circunferência em quantas partes iguais quiser. Depois
percebi que eu podia ter economizado um bocado de tempo se tivesse lido com
mais atenção algumas páginas que visitei, porque algumas delas tinham essa
instrução.
O processo, em passos, é:

1) Use o compasso para traçar uma circunferência.


2) Coloque a ponta seca do compasso sobre a linha da circunferência e com a
mesma abertura usada para traçar a circunferência, trace um arco indo de um
lado ao outro do círculo (arco em azul no desenho).
3) Coloque a ponta seca sobre o ponto que o arco cruzou a circunferência e
repita o processo traçando mais um arco (em cinza, no desenho).
4) Vá para o próximo ponto de intersecção do arco com a circunferência e
repita o processo até voltar ao ponto inicial.
Quando terminar, terá como resultado o desenho abaixo, com a circunferência
dividida em seis partes iguais;
Conte as pétalas intercaladas para ter 3 posiçôes equidistantes:
Dividindo a circunferência em 4 partes iguais

Caso precise fazer isso num tubo, como por exemplo, para fazer as ranhuras
para alinhamento descritas na sessão “tubo principal”, execute o processo
abaixo numa cartolina ou papelão, recorte o circulo e coloque sobre o tubo.
Passo a Passo:
1) Trace uma reta que passe pelo centro da circunferência (tracejado horizontal
preto na figura).
2) Com uma abertura do compasso maior que a metade do raio da
circunferência, coloque a ponta seca na intersecção dessa reta com a
circunferência e trace dois arcos (arcos em azul na figura):
3) Trace uma reta passando pelos dois pontos de intersecção dos arcos
(tracejado vertical preto na figura).

Fazendo furos perpendiculares à madeira

Algumas vezes será necessário fazer furos bem perfeitos na madeira. Por
"perfeito" entenda-se que esse furo precisará ser perpendicular em relação à
madeira (ter um ângulo reto, de 90º, em relação à madeira) e /ou furos
paralelos entre-sí.
Isso é fácil se tiver uma furadeira de bancada, mas não é fácil usando somente
as mãos para orientar a broca.
O macete para conseguir isso é dado abaixo:

 Use uma broca fina para fazer cuidadosamente os furos guias.


 Passe um parafuso ou um prego pelo furo e veja para que lado ele inclina.
Esse parafuso ou prego deve ter um diâmetro para entrar mais ou menos
apertado no furo e ser longo o suficiente para que a sobra do lado de fora
permita perceber a inclinação dele.
 Se o parafuso ficar inclinado, use uma broca mais larga, forçando um pouco
para o lado oposto da inclinação.
 Repita o processo até chegar ao diâmetro desejado.

Cola de Silicone

Eu usei cola da marca Brascoved, recomendada pelo Sebastião Santiago.


Essa cola é disponível nas cores transparente ou preta.
Eu comprei da transparente. Para a colagem do espelho primário a cor não faz
a menor diferença pois a cola fica atrás do espelho.
Na colagem do espelho secundário, no entanto, acho que cola preta seria mais
vantajosa, porque depois de colado será necessário dar umas pinceladas de
tinta preta nas rebarbas de cola se ela for branca ou transparente.
Minha dica, então, é que você compre a cola preta, já que o preço é o mesmo.

Dicas de Acabamento e pintura

Para lixar partes de PVC use lixa d´água.


Para lixar partes de madeira use lixa seca.
Sempre comece o trabalho usando lixas mais grossas e vá usando lixas mais
finas para dar o polimento, quando necessário.
Na madeira, antes de pintar aplique seladora de madeira, senão a madeira
chupa um litro de tinta e continua aparentando não ter sido pintada. Além da
aparência, o uso da seladora ajuda na conservação da madeira, servindo como
um impermeabilizador.
A seladora de madeira é uma tinta parecida com verniz, mas é translúcida e
bem grossa. Por isso, antes de aplicada deve ser dissolvida em thinner. A
porcentagem varia de acordo com o acabamento desejado, mas na própria
embalagem você vai encontrar instruções de uso.
Para aplicar a seladora, o jeito mais fácil e econômico é fazer uma bucha de
estopa, chamada de “boneca” pelos marceneiros.
É mais fácil aplicar seladora, lixar e polir antes de pregar, porque depois da
montagem alguns cantos ficam pouco acessíveis para a bucha / lixa. Além do
mais, aplicando a seladora antes de montar uma área maior é protegida por
ela, pois após a montagem não tem como aplicar a seladora sobre as áreas
cobertas por outras madeiras.
Ao pintar, nunca faça movimentos circulares com o pincel ou boneca ou spray.
Faça os movimentos num mesmo sentindo. Se você ora faz movimentos
verticais, ora movimentos horizontais ficam aparecendo riscos no acabamento
final.
Se usar pinceis, não o encharque demais evitando que a tinta escorra.
Tanto a seladora, quanto a tinta ou o verniz são produtos químicos inflamáveis
que exalam forte cheiro durante o uso. Assim, procure aplicá-los em um local
arejado e longe de fonte de calor ou de fogo.
O tubo principal fica com o exterior mais bonito de for usado spray ou uma
pistola de pintura; Por dentro, onde deve ser usada tinta preto-fosco, é mais
eficiente usar um pincel porque os riscados e irregularidades do pincel são
úteis para evitar reflexos no interior do cano.

Para dar aquele brilho de porta guarda roupa, siga o procedimento abaixo:

Lixe a madeira com com lixas sucessivamente cadas vez mais finas, até que a
madeira fique bem lisa.
Aplique a seladora sem diluir em thiner, mas espalhando e alisando bem.
Depois de secar, use uma lixa fina, grão 320 ou mais, para lixar.
Repita o processo acima, mas agora dilua a seladora com 50% de thiner.
Verifique a suavidade da madeira.
Pode ser necessário aplicar outras demãos de seladora diluída com cada vez
mais thiner. A idéia aqui é cobrir todas as imperfeições da madeira com a
seladora e formar uma fina camada com ela sobre a madeira.
Pode ser necessário umas 8 ou 9 demãos para conseguir aquele brilho
profissional.
Quando a suavidade da madeira estiver satisfatória, passe a usar somente
thiner, umidecendo a bucha com ele e alisando a superfície da madeira,
deixando secar bem a cada passagem.
Pare o processo quando achar que o brilho já está satisfatório.
Pela necessidade se diversas secagens, o processo vai ser mais eficiente num
dia ensolarado e quente.

Essa é a descrição teórica, mas na prática é necessário alguma experiência,


por isso, sugiro tentar ganhar experiência praticando com um pedaço pequeno
de madeira.
O problema mais comum é enrugar (excesso de thiner ou falta do mesmo) ou
ficar esbranquiçado (quando o temperatura ambiente está úmida ou fria) e
nesse caso é preciso começar tudo de novo.
Confesso humildemente não consegui dar tanto brilho nas minhas peças; Em
certo momento, chegava a ver meu reflexo começando a surgir na madeira
enquanto trabalhava, mas fui inventar de aplicar mais uma demão e
esbranquiçou tudo. :-/
Eu reiniciei o processo mas não fiz questão de tanto brilho...parei antes de dar
zebra de novo :-) Construção de um telescópio refletor de 180 mm

Suporte do espelho primário


Nessa sessão :
 Introdução
 Materiais
 Ferramentas empregadas
 Procedimento

Introdução

O Suporte do espelho primário é um conjunto formato por dois discos de


madeira, separados por molas e parafusos de modo que girar as porcas dos
parafusos faça o espelho se inclinar, permitindo ajustar o alinhamento.
No caso de espelhos até 200 mm ou 230 mm de diâmetro, o apoio para colar o
espelho é feito em três pontos eqüidistantes, as cabeças dos parafusos.
No caso de espelhos maiores, a quantidade de pontos de apoio deve ser
aumentada, tornando-se bem mais complexa, sob pena de surgir astigmatismo
do espelho.
Se estiver montando um telescópio maior, pesquise muito antes de construir
esse suporte

O meu suporte é baseado no sugerido no site do Sebastião Santiago. A única


modificação que fiz foi providenciar três furos no disco maior para facilitar a
colocação e retirada do conjunto. Não menospreze essa mudança...você vai
perceber a falta que faz esses três furos na hora de montar /desmontar o
conjunto no tubo principal. :-)
Os três furos também ajudam a circular ar e reduzir a turbulência dentro do
tubo em noites instáveis.

Outra mudança que fiz, foi criar um terceiro disco, no mesmo diâmetro do disco
maior para proteger a porcas do ajuste de alinhamento. Em princípio, esse
terceiro disco era para evitar que meus dois filhos pequenos acessassem
esses parafusos desalinhando o espelho ou mesmo soltando a porca por
completo, o que faria o disco de diâmetro menor se soltar junto com espelho.
Depois, essa tampa se mostrou útil também para evitar a entrada de poeira no
tubo.
Um efeito colateral dessa tampa é que ela obriga ter mais 5cm no tubo
principal.Também pode ser necessário removê-la durante o uso do telescópio,
para que o ar entre por baixo do cano e reduza a turbulência no interior dele.

Existem duas dificuldades nessa tarefa:


 Cortar o disco no tamanho correto e no formato circular. Como eu não tinha
as ferramentas apropriadas, pedi a um marceneiro para cortar pra mim.
 Fazer os furos para os parafusos perpendiculares em relação a madeira e
paralelos entre sí. Na sessão "Preliminares" explico o macete para conseguir
isso caso você não tenha um furadeira de bancada.

Antes de comprar as parafusos e as molas, atente-se também para os detalhes


abaixo.
Pode acontecer de a mola ser muita estreita ou o parafuso ser muito largo,
fazendo que a mola se prenda as ranhuras do parafuso quando se solta a
porca borboleta. A solução para isso é óbvia :-) ... Usar parafusos mais finos ou
uma mola mais larga.

Materiais

 Cerca de 50cm quadrados de compensado com 15mm de espessura (20


cm quadrados para cada um dos discos).
Se for fazer a tampa do tubo, considere mais 20cm quadrados de compesado
 3 parafusos com cerca de 75mm de comprimento. A cabeça desses
parafusos deve ser em meia lua (veja nas fotos mais abaixo). Não testei mas
imagino que cabeças sextavadas, sendo angulosas, possam com tempo “ferir”
a parte de baixo do espelho.
 3 molas. Eu usei molas de tesoura de poda Tramontina. São resistentes,
inoxidáveis e exercem uma boa pressão.
 3 arruelas para cada parafusos (9 arruelas no total). Essa arruelas devem
ter um furo tal que permita aos parafusos passar com folga por elas.
 3 porcas borboleta para os parafusos(veja nas fotos mais abaixo).
 1 tubo de cola de silicone
 3 parafusos como mais ou menos 30mm de comprimento. Esses parafusos
serão usados para fixar o suporte no tubo.
 Se for fazer a tampa do tubo, compre mais três parafusos para prendê-la.

Ferramentas

 Serra tico-tico ou serra de rodear. eu não tinha nenhuma das duas, então
pedi a um marceneiro para cortar os discos para mim.
 Furadeira e brocas
 1 lixa 80 e uma lixa 150
 cerca de 100ml de seladora. Não usei thiner.
 Uma bucha de estopa para aplicar a seladora
 Compasso
 Régua ou metro
 Nível (opcional)

Instruções

Corte um disco de compensado no diâmetro do espelho (180 mm).


Corte um disco de compensado do diâmetro interno do tubo (196 mm).

Dica : Para fazer isso, veja dicas de recortar círculos em na ..


sessão “preliminares”.

Usando o compasso, faça um circulo de 130 mm de diâmetro nos disco de


180mm.
Marque três pontos a 120º graus de distância cada um (três partes iguais).

Dica : Para fazer isso, veja o procedimento descrito na ..


sessão “preliminares”.

Nesses pontos serão feitos os furos para os parafusos.


Repita o mesmo procedimento, com a mesma abertura do compasso, no
segundo disco de madeira. Use a mesma abertura porquê os furos de um disco
têm que coincidir com os furos do outro, lembra?
Confira se está tudo Ok e faça com a broca os furos nos locais marcados. No
disco de 180mm os furos devem ser num diâmetro que permita ao parafuso
passar apertado, rosqueando.
No disco maior os furos devem permitir que os parafusos passem folgados. No
futuro, quando for alinhar o espelho, os parafusos deslizarão por esses furos no
disco maior, empurrados pelas molas.
É muito importante que esses furos sejam perpendiculares à superfície da
madeira e paralelos entre si. Na sessão "Preliminares" descrevo o macete para
conseguir isso se você não tem uma furadeira de bancada.

Coloque os parafusos no disco menor. Do lado oposto, coloque uma arruela, a


mola e outra arruela. Essa arruela visa somente evitar que mola desgaste a
madeira com o passar do tempo, pois notei que o compensado é bem macio.
Coloque o disco maior, outra arruela e prenda com as porcas borboletas.

Teste o conjunto.
Verifique que quando você aperta a borboleta, o disco menor vai se inclinando
aos poucos para o lado apertado. Ao soltar a borboleta, o disco menor deve ir
se afastando aos poucos do disco maior, sem dar trancos.
Se tudo estiver bem, desmonte o conjunto e vamos fazer agora os furos
laterais no disco maior, onde serão colocados os parafusos que o prenderão ao
tubo principal do telescópio.
Use o procedimento com o compasso para marcar três pontos a 120º de forma
que esses pontos fiquem mais ou menos no meio da distância entre dois dos
furos onde colocou os parafusos de ajuste.
Trace uma reta partindo do centro da circunferência, passando pelos pontos
que você marcou e prolongue-o até a borda do disco.
Coloque o disco numa posição perfeitamente horizontal, usando o nível (se
tiver um) para assegurar isso.
Monte um pêndulo, um barbante com um peso na ponta. Coloque o barbante
começando do centro e passando exatamente sobre o traço que você vez e
trace com um lápis uma linha paralela a esse barbante na lateral da madeira e
marque o local exato do furo no meio madeira.

Esse furo é chato de ser executado. Vale a mesma dica da sessão


"Preliminares" para conseguir furos certinhos.

Nessa altura do trabalho o suporte deverá estar assim :

Agora só falta fazer os furos para facilitar segurar o conjunto e ajudar na


aclimatação do telescópio, evitando turbulência no interior do tubo.
A turbulência é provocada por variações entre a temperatura do ar dentro do
tubo e no ambiente. Com a turbulência, as imagens ficam tremendo, como
quando olhamos o asfalto à distância num dia muito quente. Veja a foto de
como são esses furos.
Esse furo é feito com uma serra copo pequena ou com uma broca grossa.... o
diametro deles é de mais ou menos uns 3 ou 4 cm . Faça os à cerca de 4cm do
centro da circunferência.

Caso você vá fazer a tampa, o procedimento é o mesmo usado no disco maior,


exceto que ela só precisa dos furos laterais de fixação. Na sessão que
descrevo a construção do tubo, explico em detalhes como fixar a tampa e
suporte.

O aspecto final da tampa pode ser visto na fotografia abaixo

Desmonte o conjunto, lixe com a lixa 80 e lixa 150 e aplique a seladora,


deixando secar por cerca de 15 minutos. Se achar necessário, lixe novamente
com a lixa 150 ou uma mais fina, e aplique mais algumas demãos.

Dica : Aplique várias demãos de seladora para


impermeabilizar o disco de madeira.
Assim quando precisar lavar o espelho (a cada 1 ou 2 anos)
não precisará retirá-lo dos discos de madeira, já que eles
estarão impermeabilizados. .
.
Para colar o espelho, antes proteja a superfície espelhada dele.
Usando fita adesiva, cole um papel toalha sem contato com o a superfície
espelhada, fixo somente nas bordas não polidas do mesmo. Isso evita que
poeira, dedos sujos ou qualquer outra sujeira caia sobre ele.

Importante : Apesar do procedimento de colagem do espelho


estar descrito aqui, não cole o espelho ainda pois mais a
frente, na construção do tubo, você precisará tomar algumas
medidas e se o espelho já estiver fixado, corre o risco de
danificá-lo.
Tomadas as precauções, monte o conjunto com as molas e parafusos.
Faça três “montinhos” com a cola de silicone sobre as cabeças dos parafusos e
coloque cuidadosamente o espelho sobre esses montinhos, tomando o cuidado
de centralizá-lo com o disco de 180mm.
Na foto abaixo, veja o aspecto da cola sobre a cabeça do parafuso, entre o
disco de madeira e o espelho:

Leve o conjunto para um local protegido e plano (para evitar que o espelho
escorregue antes da secagem) e deixe de um dia pro outro para a cola secar
completamente.

Na verdade, a cola de silicone demora algumas horas para secar, mas resista a
tentação de ficar manipulando o espelho. Se o espelho descentralizar, você
terá que removê-lo usando uma faca para cortar o silicone. Como não tive esse
problema, desconheço se tem algum risco no procedimento.

Construção de um telescópio refletor de 180 mm

Suporte do espelho Secundario (Aranha)


Nessa sessão :
 Introdução
 Materiais
 Ferramentas empregadas
 Procedimento

Introdução

O suporte do secundário, também chamado de aranha, deve permitir pequenos


ajustes de rotação, altitude e de inclinação.

Nesse projeto, a parte onde o espelho secundário será colado pode ser girada
em até 360º e rebaixada ou levantada em vários centímetros, compensando
qualquer erro de posicionamento em relação ao furo do focalizador e auxiliando
na hora da colimação (alinhamento dos espelhos);
Ela também pode ser inclinada para cima ou para baixo em cerca de 15º ou
mais.

Antes de passar a descrição da construção, veja na figura abaixo uma visão


explodida dessa peça:
A mecânica dessa aranha é:

A mola, apoiada numa arruela que fica na cabeça do parafuso de suporte e na


arruela convexa colocada dentro do PVC com corte em 45º graus está sempre
empurrando esse conjunto para cima, mas os três parafusos de ajsute de
inclinação impedem que o conjunto suba.

Girando um dos parafusos permitimos que um dos três lados desse suporte
suba ou desça, conforme a necessidade, dando o movimento de inclinação.

O parafuso maior (chamado de “parafuso de suporte”) pode ser apertado ou


afrouxado, permitindo assim descer ou levantar o a parte onde está colado o
espelho.

Finalmente, podemos girar com as mãos a parte onde está colado o espelho
para qualquer lado que for necessário.

No dia a dia, a pressão da mola é tal que o conjunto não gira sozinho de forma
alguma.

Materiais

 1 pedaço de 45 mm de tubo PVC marrom de 32 mm para construção da


parte onde será colado o espelho.
 1 pedaço 30mm de tubo PVC marrom de 32 mm para construção da parte
onde serão presos os suportes.
 30 cm de vareta roscada. Essas varetas são "parafusos sem cabeça" com
comprimento de que varia de 50 cm à um 1 metro e são encontradas nas
sessões de telhados ou de ferragens nos depósitos de materiais de construção.
Compre da mais fina que puder encontrar.
 3 canudinhos de refrigerante que encaixe sem sobra na vareta roscada.
Servem para cobrir as ranhuras da rosca e evitar difração da luz.
 1 parafuso com 75mm de comprimento (para pendurar a parte onde o
espelho fica colado na parte onde ficam as varetas roscadas).
 3 parafusos de aperto manual com cerca de 50 mm de comprimento. Eu
não conseguí achar parafusos de aperto manual na época, então usei
parafusos do tipo allen, que tem a cabeça grande o suficiente para serem
apertados com as mãos. De forma alguma use um parafuso que precise de
ferramenta para ser apertado. Se a ferramenta escapar das suas mãos vai cair
direto em cima do espelho primário.
 1 arruela comum para o parafuso acima. Será usada para garantir a
pressão da mola.
 1 arruela de 29mm de diâmetro (será encaixada por dentro do tubo de PVC
de 32 mm). Essa arruela é ligeiramente côncava-convexa e é usada em pregos
para telha de amianto, para cobrir uma arruela de borracha.
 1 arruela de 32 mm de diâmetro. Será colocada por cima do tubo de PVC
de 32mm, portanto, deve ter o mesmo diâmetro que o tubo ou ser um pouco
maior. Se for mais larga que o tubo poderá gerar obstrução desnecessária de
luz. Servirá para receber a pressão dos parafusos de ajuste, evitando que a
pressão deles caia sobre a arruela colada por dentro do tubo.
 1 mola de tesoura de poda Tramontina. Só será usada metade da mola.
Guarde a outra metade para usar no suporte da buscadora.
 Cola de silicone
 Cerca de 100 ml de tinta preto fosco

Ferramentas

 Serra em arco, para cortar o PVC e as varetas roscadas


 Furadeira e broca para fazer os furos no PVC
 Régua ou metro, para as medições
 Lapis, para riscar os locais a furar e cortar
 Compasso para fazer as divisões em três partes iguais
 Transferidor (opcional) para conferir o corte em 45 graus

Procedimento

Serre um pedaço de 45mm de um cano PVC de 32mm. Na verdade, depois


vamos reduzir um pouco esse tamanho, mas como o corte em 45 graus
costuma dar trabalho, essa dimensão dá uma margem de manobra em caso de
erro.

Uma das pontas desse cano precisará ser serrada em 45 graus.

No desenho abaixo, o triângulo em vermelho é a parte que será removida.


Note que o ângulo A é um ângulo reto (com 90º). O ângulo B tem 45º por
definição (é isso que queremos fazer, lembra? Um corte em 45º.), logo, o
ângulo C também tem 45º, já que a soma dos ângulos internos do triângulo
sempre dá 180º.
Isso significa que os lados CA e BA são iguais.
Sabemos que CA tem 32 mm (é o diâmetro do cano); Então para obter o corte
em 45º basta medir 32mm da borda do cano (lado BA), marcar e traçar a
diagonal ligando o ponto B a C, que é a hipotenusa do nosso triangulo
imaginário.

Infelizmente, na prática dá um certo trabalho traçar essa diagonal no cano


redondo; E ainda mais de trabalho para serrá-la usando apenas uma serrinha
em arco.

É possível montar uma ferramenta para fazer esse corte, mas não compensa
construir ou comprar uma ferramenta para isso, pois será usada apenas uma
vez. Tem umas serras usadas para cortar azulejo que tem uma guia na qual se
seleciona o ângulo a cortar. Se você tem um amigo azulejista ...

Depois que cortar, lixe a borda, e confira se o corte foi bem feito.
Uma pequena variação seria tolerável, já que nossa aranha permite ajustar a
inclinação, mas não se atenha a isso. Tente obter o melhor corte que puder,
pois ao colar o espelho poderá gerar mais alguma variação. Sempre será
possível corrigir erros dessa fase ajustando os três parafusos de inclinação,
mas dependendo do tamanho da variação, você poderá obstruir alguns
milímetro que deveria ser usados para passagem da luz.

Recorte agora um anel do PVC marrom medindo cerca de 0,5 cm de largura e


rache-o, eliminado uma fatia de mais ou menos 1 cm. Esse anel precisa ser
encaixado e colado dentro cano com o corte em 45º, mas rente ao lado reto do
cano. Cole o anel e espere cerca de 15 minutos para secar.
Encaixe a arruela de 29mm de diâmetro por dentro do cano até se apoiar no
anel e pingue algumas gotas de cola para evitar que ela saia do lugar.

Abaixo um desenho da operação que acabei de descrever:


Corte a mola em duas partes iguais e guarde a outra metade para usar no
suporte da buscadora.

Encaixe a arruela comum e a metade da mola no parafuso de suporte e passe


o parafuso pelo conjunto.
Teste a pressão da mola e certifique-se de que a cabeça do parafuso não vai
ficar forçando as costas do espelho secundário...Foi para evitar isso que a mola
foi cortada em dois pedaços.

Guarde essa parte e vamos passar a construção do suporte onde serão fixadas
as varetas de sustentação.

Corte três segmentos de aproximadamente 10 cm da vareta roscada.

Comentário: Fiquei reticente em usar as varetas roscadas porque temia que


pudesse provocar franjas nas imagens, mas isso não aconteceu; Por garantia
revesti as varetas com canudinhos de refrigerante, pintados de preto, que
cobrem as franjas da rosca.

Em muitos sites da Internet são usadas chapas metálicas para fazer pequenas
vigas para prender as aranhas. Se usar esse material, tenha em mente que
elas precisam ficar perfeitamente paralelas com o tubo principal (e conferir isso
dá bastante trabalho), pois se ficarem meio de lado, vão aumentar a obstrução
de luz. Usar essas chapas só se justifica, na minha opinião, no caso de
espelhos primários muito grandes, onde uma vareta circular teria de ser muito
grossa para não ceder ao peso do conjunto.

Li em no site do observatório Phoenix uma sugestão bem interessante de usar


raios de roda de bicicleta para a sustentação, mas quando li isso eu já tinha
terminado o telescópio e não quis mexer na aranha...Eu ia precisar fazer outro
suporte, visto que os raios de roda de bicicleta são bem mais finos que as
varetas que empreguei. Acho que eu ia precisar também de uma tarracha para
fazer roscas nas extremidades externas dos raios e não tenho essa ferramenta.
Ainda vou estudar melhor o assunto, mas acredito que usar raios de bicicleta
seria muito vantajoso por reduzir a obstrução e aumentar a captação de luz do
telescópio.

Recorte um segmento de 30 mm de cano PVC.

Nesse segmento serão parafusadas as varetas de fixação.

Minha idéia inicial era encaixar por dentro desse segmento um toco de cabo de
vassoura ou uma “rolha de madeira”, feita com a serra copo; Mas quando fiz
essa peça eu não tinha nenhum cabo de vassoura disponível e era
madrugada ... eu não podia me dar ao luxo de usar a furadeira naquela hora e
despertar a fúria de vizinhos sonolentos... eles poderiam não ter muita
compressão com os nobres objetivos astronômicos de um barulho de 100
decibéis às 3 horas da manhã. :-)

Então, em vez de encher o PVC com madeira, eu o enchi com sucessivas


rodelas PVC e precisei aquecer as mais internas em água fervente para
conseguir encaixá-las.
Além de não acordar os vizinhos, o conjunto ficou mais leve e foi mais fácil de
fazer os furos com a perfeição que peça exige.

O resultado, antes do acabamento, você pode ver abaixo :

Independente do enchimento, agora será necessário:

 Fazer três furos a 120º graus de distância nas laterais dele para fixar as
varetas de sustentação. Veja a dica de como fazer isso na sessão preliminares.
 Fazer um furo central, para passar o parafuso onde será pendurado o
suporte com o espelho colado; Na verdade, como preenchi com rodelas de
PVC, simplesmente parei o enchimento quando o furo central se tornou da
largura do parafuso de suporte.
 Fazer três furos a 120º graus de distância um do outro, ao lado do furo
central e não coincidentes com os furos das laterais. Nesses três furos serão
colocados os três parafusos de ajuste de inclinação.

Para o ajuste de inclinação, eu usei três parafusos tipo Allen porque não
consegui parafusos de aperto manual e a cabeça deles é grande o suficiente
para serem rosqueados com as mãos, sem usar ferramentas.

A estética ficaria melhor usando parafusos mais finos, mas DE FORMA


ALGUMA use parafusos que precisem de ferramentas para serem apertados.
Pense que na hora do ajuste, se uma ferramenta escapar das suas mãos vai
cair direto em cima do espelho primário. Isso vai te entristecer muito, eu
garanto.

Todos esses furos são difíceis de fazer pela precisão que exigem.
O furo central e os três furos dos parafuso de ajuste precisam ser paralelos
entre si.
Os furos na lateral precisam ser paralelos em relação à “superfície” do suporte
para que não fique torto na hora da montagem.

O macete, conforme foi explicado na sessão “preliminares”, é fazer furos com


brocas finas e ir alargando e corrigindo erros de inclinação a cada alargamento.

Feitos os furos, teste rosquear as varetas de sustentação. Elas criarão a rosca


no PVC, mas não aperte demais, sob pena de espanar o buraco e perder
sustentação.

Para montar o conjunto, veja o desenho do projeto no começo dessa página.

Antes de colar o espelho, você precisará pintar todas as peças de preto fosco.

Com relação às varetas, vista-as com os canudinhos pintados de preto.

Importante: Descrevo o procedimento de colagem do espelho abaixo, mas não


cole o espelho ainda pois mais à frente, na construção do tubo principal, você
precisará tomar algumas medidas e se o espelho já estiver fixado, corre o risco
de danificá-lo.

Para colar o espelho, primeiro proteja a superfície espelhada dele, colando um


papel toalha com adesivos na borda não polida, sem que o papel encoste na
superfície espelhada, e prepare um local onde o conjunto possa ser deixado
por 24 horas, bem apoiado, para não sair da posição.

Antes de colar o espelho você precisará passar o parafuso de 75mm pela mola
e pela arruela de 32 mm, colada dentro do cano.
Abaixo uma foto da aranha instalada no tubo principal. O aspecto
esbranquiçado é poeira de materiais que eu estava lixando por perto.

Construção de um telescópio refletor de 180 mm

Focalizador

Nessa sessão :
 Introdução
 Materiais
 Ferramentas empregadas
 Procedimento
 Base do Focalizador
 Tampa para o Focalizador
 Ajustes Finais

Introdução
Ao construir o focalizador deve se ter em mente os seguintes objetivos :

 O suporte deve ficar em ângulo reto com o tubo principal ou vai surgir
dificuldade para focar, principalmente quando usar lentes de barlow ou outras
extensões que alongam o focalizador (exagerando, o foco poderá ocorrer “na
parede” interna do focalizador).

 Deve ser fácil deslizar o tubo para obter diferentes distâncias para o foco.
Se o tubo deslizante se prende ao ser movido, os pequenos solavancos
desviam o telescópio do objeto observado.

 Deve se evitar que haja jogo entre as partes móveis, mas é preferível um
pouco de jogo, desde que mínimo, à dificuldade para deslizar o tubo.

 Deve se prever uma forma de prender o tubo interno do focalizador e de


prender a ocular esse tubo. Lembre-se que o telescópio será movimentado em
diversas direções e que oculares são caras. Seria de$agradável a ocular cair
quando o telescópio estiver sendo inclinado.

Materiais

 1 Luva de 32 mm
 1 bucha de redução curta de 32mm para 25mm (opcional)
 1 bucha de redução curta de 60mm para 50mm
 1 bucha de redução curta de 50mm para 40mm
 8 cm de tubo de PVC 32mm
 6 cm de tubo de PVC 40 mm (marrom)
 4 cm de tubo de PVC 40 mm branco. O PVC branco citado aqui tem as
paredes mais finas que o PVC marrom. Se for comprar, avise para o balconista
que é PVC branco para esgoto, usado em tanques de lavar roupa e em pias de
cozinha.
 2 parafusos de 40mm X 3mm para prender o suporte ao tubo principal
 2 parafusos de aperto manual de 3mm X 1mm. Servirão para segurar as
oculares. Como eu não achei parafusos de aperto manual, usei um parafuso
hexagonal, que serve de suporte na saída serial de computadores. Também
podem ser usados parafusos de suporte de placa mãe ou qualquer outro
parafuso seja fino o suficiente para não danificar a rosca no tubo, pequeno o
suficiente para não permitir arrochos excessivos.
 Cola de encanador (não use a cola de silicone!!)
 Cerca de 100 ml de seladora para plástico (opcional)
 Cerca de 100 ml de tinta preto fosco.
 Cerca de 5cm de papel camurça, preferencialmente preto.

Ferramentas

 Serra para cortar os tubos


 Furadeira para fazer os furos.
 Alicate
 1 Lixa grão 50, 1 lixa grão 150 e uma lixa grão 260
 1 pedaço de 10cm de arame ou fio elétrico (só para amarrar peças
enquanto a cola seca)
 Desejável ter uma grosa para desgastar certas partes (veja nas instruções)

Procedimento

Corte um pedaço de 6 cm do PVC de 32 mm. Recorte uma cinta de 1 cm do


PVC branco e abra-a fazendo um corte transversal.

Cole com cola de encanador essa cinta de PVC branco numa das
extremidades do PVC de 32mm, do lado externo, tendo o cuidado de lixar a
região de contato antes de colar.
Para manter no lugar até secar, amarre com o arame usando um alicate para
apertar. Deixe secar por cerca de meia hora.

Corte um pedaço de 5 cm do PVC marrom de 40mm. Corte uma cinta de 1 cm


de PVC branco e cole numa das extremidades internas do PVC marrom.
Sempre, antes de colar, lixe a região a ser colada.

Depois que secar, coloque o PVC de 32mm por dentro do PVC de 40mm. As
cintas de PVC deverão impedir que o PVC de 32 mm saia pelo lado oposto.
Teste o movimento das duas parte.
Deve ser suave, sem solavancos e sem jogo.
Caso seja necessário, use a lixa 260 para alisar as duas cintas de PVC branco
e o interior do tubo de 40mm. Quando mais liso ficarem as regiões por onde
corre o tubo, mais suave e preciso o movimento. No entanto, se você lixar em
excesso poderá surgir jogo entre as partes.

Lembre-se, porém ,que essas partes serão pintadas de preto fosco e isso vai
afetar a movimentação do conjunto.

Recorte um dos lados da bucha de PVC de 32mm como mostrado no desenho


abaixo (sem escala) :

Essa bucha deverá ser encaixada numa das extremidades do PVC de 32 mm e


para isso será necessário lixar um pouco.
É importante encaixá-la corretamente, pois se ela ficar torta em relação ao tubo
você terá dificuldades em usar lentes de barlow ou oculares longas
(exagerando, o foco vai acabar “batendo numa das paredes internas”). No
entanto, evite lixar demais, para que ela não fique se soltando, pois assim não
será necessário usar cola, o que facilita montar /desmontar o conjunto no
futuro.

Faça um furo próximo à extremidade não serrada da bucha. Nesse furo você
vai colocar o parafuso que será apertado ou desapertado manualmente, para
segurar a ocular no lugar. Esse parafuso precisa ser fino para evitar espanar a
rosca no PVC e não pode ser muito grande, pois usuários inexperientes
poderão apertar demais.

O Parafuso que eu usei pode ser visto aqui, embora essa foto seja de um
parafuso "bronze" e eu tenha usado um de coloração inoxidável
É um parafuso que é usado para prender portas conectoras seriais ou paralelas
a computadores. Se você der uma olhada atrás do seu computador e
desconectar o cabo da impressora, vai ver dois deles lá. Podem ser facilmente
conseguidos em lojas de reparos de computador e vão custar uma merreca.

Comentário: Eu tentei achar parafusos de aperto manual mas não tive sorte.
Quando encontrá-los provavelmente vou substituir esses que usei somente por
questão estética, pois esses que usei, depois de amaciada a rosca do PVC,
são fáceis de apertar / desapertar.

A bucha de redução de 32 para 25 é opcional e servirá para usar oculares


padrão .965. Não é recomendado comprar uma ocular dessas pois costumam
ter um campo de visão pequeno e costumam ser de baixa qualidade. Essa
redução será útil se você tiver um refrator daqueles comerciais e pretender
reaproveitar algumas das oculares deles (também não recomendo...costumam
ser muito ruins).

Nessa bucha, a única coisa que precisa ser feita é um furo próximo à
extremidade dela e colocar um parafuso de aperto manual, que será usado
para prender a ocular.
É preciso também lixá-la para encaixar facilmente na bucha presa ao cano de
32 mm, evitando balançar o telescópio quando precisar trocar a ocular.

Base do focalizador

Para unir o conjunto já montado ao tubo do telescópio é necessário fazer uma


base de suporte. Isso será feito com a bucha de redução 60x50mm e a bucha
de redução 50x40mm, mostradas na foto abaixo:
Comentário: Eu tentei sem sucesso fazer esse suporte de madeira.
Veja na seção aprenda com meus erros as tentativas mal sucedidas.
Foi um mal que veio para o bem, porque o suporte feito com as buchas de
redução é bem mais robusto, confiável e estético.

Lixe a parte externa da bucha de redução de 50 x 40 e a parte interna da bucha


de redução 60 x 50. O Objetivo é encaixá-las com uma relativa facilidade.

Na bucha de 50mm x 40 mm é necessário também remover um anel de


retenção que ela possui na parte inferior. Isso é para que o tubo de 40 mm
possa passar por ela e entrar um pouco no tubo principal, aumentando a
possibilidade de foco e ajudando a manter o conjunto em ângulo reto com o
tubo principal.

Para remover essa retenção, use uma serrinha sem o arco ou uma grosa para
raspar tudo que for possível e depois use a lixa 60 para tirar o resto.
Por último, use a lixa 150 ou 260 para alisar.

Se você não tem uma furadeira de bancada, vai notar que é bem difícil fazer
furos perfeitamente paralelos. Então pode ser uma boa, antes de colar uma
bucha dentro da outra, fazer um risco com mais ou menos 4 mm de
profundidade no lado externo na bucha menor e do lado interno da bucha
maior.
Use a serrinha sem o arco para fazer esse caminho para a furadeira,
garantindo que o furo seja perfeitamente paralelo e bem na divisão entre as
buchas.
Note que tanto a bucha de 60X50 como a de 50x40 possuem um marca da
injeção do plástico, perfeitamente paralelos que podem ser usados para
orientar esse risco.

Depois de lixar as buchas e conseguir um encaixe perfeito use a cola de


encanador para colar uma na outra.
Uma vez coladas, você não vai mais conseguir separá-las, então faça toda
checagem que for necessária antes de colar.
Depois que a cola secar (demora uns 15 minutos), use a furadeira para fazer
os furos dos parafusos (ou alargar a marca que você fez, caso tenha seguido a
dica um pouco acima) que vão prender a bucha ao tubo principal.

Cuidado: Use um grampo de marceneiro ou um alicate de pressão para


prender peças pequenas para usar a furadeira.
NUNCA use uma mão para segurar a peça e a outra mão para segurar a
furadeira.
Veja na sessão “Preliminares” algumas dicas para prevenir acidentes.

O próximo passo é lixar a base do focalizador para ele assumir a curvatura do


tubo principal do telescópio.
Coloque os parafusos nos furos que você acabou de fazer, rosqueando-os até
mais o menos a metade do furos, para usá-los como orientação enquanto lixar.
Apoie a lixa grão 50 sobre o tubo principal do telescópio e comece a lixar a
base nessa lixa; Lixe-a até que ela tenha a mesma curvatura do tubo.
Você deve lixar deixando os parafusos perfeitamente alinhados, na parte que
ficará mais alta na bucha. Por isso, confira de vez em quando se a bucha está
gastando da forma esperada, corrigindo eventuais desvios.
Também é importante que um dos lados gastos não fique mais fundo que o
outro. Se isso acontecer, quando o suporte for fixado ao tubo principal ele não
vai ficar perfeitamente reto. Um jeito bem fácil de conseguir o desgaste correto
isso é ir contado as esfregadas. A cada 30 ou 40 esfregadas, vire a bucha e
comece a contar de novo.
Quando ela já tiver a curvatura apropriada, substitua a lixa grão 50 pela lixa
grão 150. Isso é só para alisar a parte lixada.

Para aferir se o trabalho ficou bem feito, coloque o tubo principal numa posição
nivelada, coloque o suporte sobre o tubo e confira se o nível continua existindo.

Na foto abaixo, o nivelamento do tubo foi conferido :

E nessa outra foto confirmamos que o nivel persiste colocando o nivel sobre a
base, apoiada no tubo nivelado:

Outra maneira de conferir se foi lixado corretamente é colocar o tubo numa


posição nivelada, colocar a base próxima a borda dele e usar um pêndulo para
aferir.

A foto abaixo mostra o lado lixado da bucha:


Nessa outra foto, vemos o tubo de 40 mm encaixado na base e o tubo de 32
mm que será encaixado dentro do tubo de 40mm. A fita cinza colada sobre o
anel de PVC branco, no tubo de 32 mm é papel camurça que serve para evitar
jogo e fazer deslizar melhor.

Chegando nesse estágio só falta pintar de preto fosco e fixar a base ao tubo
principal. Lembre-se que só poderá furar o tubo principal depois de receber os
espelhos e tiver a distância focal e a distância ideal entre o espelho primário e
secundário.

IMPORTANTE: NUNCA USE FERRAMENTAS DENTRO DO TUBO


PRINCIPAL SE O ESPELHO PRIMÁRIO ESTIVER MONTADO. SE A
FERRAMENTA OU O PARAFUSO SE SOLTAR DA SUA MÃO VAI ARRUINAR
O ESPELHO.

Abaixo, uma foto do focalizador finalizado. A base foi pintada por imersão com
tinta que sobrou do tubo principal. O resto do conjunto foi pintado com tinta
preto fosco. O porta-ocular está parcialmente desencaixado para mostrar que
não se deve pintar a parte em que ele encaixa. Se quiser pintar, tudo bem, mas
provavelmente vai ter que lixar a tinta na hora de encaixar :-)
Tampa para o focalizador

É fundamental fazer uma tampa para o focalizador para evitar que poeira entre
por ele e se acumule sobre os espelho.
Cada vez que se é obrigado a lavar o espelho, perde-se um pouco da
aluminização e devemos tomar todo cuidado possível para evitar que ele se
suje.
Eu usei como tampa um daqueles potinhos pretos de filme fotográfico de 35
mm.
Ele encaixa perfeitamente no suporte da ocular.

Se não tiver um potinho desses à mão, recorte um pedaço de cano de 32 mm e


cole um tampão, mostrado abaixo:

Por razões estéticas, pode ser legal pintar também esse conjunto de preto
fosco.

Ajustes Finais

Depois que você receber a óptica, fizer os furos no tubo principal, instalar o
focalizador, instalar e alinhar a aranha e espelho primário, teste o focalizador
com todas as oculares que tiver, começando pela a ocular de maior distância
focal (menor aumento).

Faça isso durante o dia, usando um objeto a uma distância de 300, 400 metros
ou mais.
Tente ajustar o foco deslizando o tubo para dentro e para fora.
Com algumas oculares, pode ser que quando você esteja quase chegando ao
foco não dê mais para mover o focalizador.

Exemplo 1 - Você vai puxando o tubo e a imagem vai clareando, mas antes de
focalizar claramente não dá mais pra puxar o tubo deslizante.

Solte a ocular e vá afastando-a do focalizador;


Se a imagem melhorou, o espelho primário está muito perto do espelho
secundário e o foco está ocorrendo além do interior do focalizador.

Para solucionar, aumente a distância entre os espelhos, apertando um pouco


os três parafusos do espelho primário. Refaça o alinhamento e teste
novamente. Repita isso até conseguir o posicionamento ideal.

Exemplo 2 - Você vai recolhendo o tubo e a imagem vai clareando, mas antes
de focalizar claramente não dá mais pra recolher o tubo.

Remova o focalizador e aproxime a ocular do furo no tubo principal (lembra que


eu falei lá em cima para colar as partes, né?).

Se a imagem melhorar dessa forma, o espelho primário pode estar muito longe
do espelho secundário e o foco está ocorrendo antes de chegar ao interior do
focalizador, ou dentro do focalizador, mas antes de chegar a ocular.

Para solucionar, reduza a distância entre os espelhos primários e secundário


soltando um pouco os três parafusos do espelho primário. Refaça o
alinhamento e teste novamente. Repita isso até conseguir o posicionamento
ideal.

Lembre-se que grandes aumentos só são possíveis em noites excelentes.


Se você está fazendo esse teste à noite, mirando algum objeto no céu, o teste
não é conclusivo. Você pode não estar conseguindo foco apenas porque a
noite não está boa o suficiente para o aumento fornecido pela ocular. Por isso
foi dito no começo que esse teste deve ser feito à luz do dia, num dia claro e
sem chuva.

Se mesmo depois de você ajustar as distâncias entre os espelhos não estiver


conseguindo foco, pode ser necessário reduzir o tamanho do focalizador ou
usar um extensor.

Embora seja razoável usar um extensor para casos de exceção, não é prático
ficar o tempo todo com um extensor. Assim, se todas as suas oculares estão
exigindo o uso de extensor, considere fazer novos tubos para o focalizador,
com o tamanho apropriado, mas reveja o processo de construção do
focalizador, da fixação do espelho primário e da aranha, porque você pode ter
errado em alguma das medidas.

Construção de um telescópio refletor de 180 mm


Suporte da Buscadora

Nessa sessão :
 Introdução
 Materiais
 Ferramentas empregadas
 Procedimento

Introdução

O suporte da buscadora que montei foi bastante original em relação às opções


que achei na Internet; Como não achei nenhum equivalente na Internet, eu o
batizei de “buscadora Julia", em homenagem a minha prestativa assistente de
construção (que queria que eu pintasse o telescópio de “cor-de-rosa”).

Particularmente, acho pouco eficiente o sistema mais difundindo por aí, que
usa três parafusos em um anel para regular a buscadora. O mecanismo que
construí é, na minha opinião, muito mais fácil de manipular e muito mais firme e
robusto; Já aconteceu de eu esbarrar com força no suporte da buscadora e o
alinhamento da buscadora não ser afetado; Quando eu usava o outro sistema,
qualquer esbarrão na buscadora me obrigava a realinhar a mira.

O suporte que montei é uma pequena montagem alt-azimutal, com um eixo de


movimento horizontal e outro eixo de movimento de altitude.

Um parafuso de aperto manual libera o movimento horizontal, travando


firmemente quando encontrada a posição certa; Dois parafusos regulam o
movimento de altitude e também travam firmemente na posição desejada.

A distância (altura) que a buscadora fica do cano principal é importante fator de


conforto na hora de olhar por ela, assim eu deixei uma boa distância, cerca de
7 cm; Se achar exagerada essa distância, a qualquer momento no futuro
poderá reduzí-la, bastando cortar parte do excesso de tubo.
Numa rápida passada de olhos, pode-se achar que essa é base é complicada
de construir, mas não é. Na verdade é uma das partes mais simples de
construir em todo o projeto. Essa impressão de complexidade é causada pela
grande quantidade de detalhes que descrevo; A idéia é não deixar margem de
dúvida quanto ao funcionamento.

Materiais

 Um pedaço de madeira de 12cm X 5cm x 2cm ( para a base de fixação ao


tubo principal)
 9cm de PVC marrom de 32mm
 9cm de PVC marrom de 40mm
 8cm de PVC branco de 40mm
 13 cm de tubo de aço, com dimensão de 3 cm X 3 cm, daqueles usados
para cantos de portões (veja nas fotos mais abaixo). Pode ser encontrado em
serralharias (refugo).
 13 cm de tubo de aço, com dimensão de 2,5 cm X 2,5 cm. Esse pedaço
deve se encaixar dentro do outro, sem folgas, mas também sem aperto.
 2 parafusos para madeira com uns 0,5 cm de comprimento (para fixar o
tubo de 40 mm à base de madeira).
 4 parafusos com 2,5 cm de comprimento. Serão usados para prender a
base de madeira do tubo principal.
 2 parafusos de 4 cm de comprimento com arruela e porca borboleta. Serão
usados para controlar o movimento vertical.
 Um parafuso com 3 cm de comprimento com porca e arruela. Será usado
para prender as canaleta mais larga ao tubo de PVC de 32mm.
 1 mola de tesoura de poda ( da mesma usada no suporte do espelho
primário e na aranha).
 2 parafusos de aperto manual, que serão usados para travar o movimento
horizontal. Como não consegui encontrar esse tipo de parafuso, usei um de
porta serial de computador (do mesmo usado no focalizador)
 2 fitas de 10 cm de velcro (para prender a luneta buscadora ao conjunto)
 Uma arruela de 28 mm de diâmetro (Será colocada por dentro do tubo de
PVC de 32 mm)

Ferramentas

 Serrote (para cortar a madeira)


 Arco de serra (para cortar as canaletas e os tubos de PVC)
 Martelo (para usinar as partes de aço)
 Lixa grão 50 e lixa grão 150
 Furadeira com serra copo de 38 mm, uma broca para aço e uma broca para
madeira.
 Desejável Grosa (para o desbaste da madeira)
 Desejável grampos de marceneiro ou morsa (para prender as peças
pequenas na hora de furar, cortar ou lixar)

Instruções
A primeira parte a ser construída é a base à ser fixada no tubo principal.
Observe no desenho abaixo uma visão explodida da peça:

Serre o pedaço de madeira nas dimensões 12cm X 5cm x 2cm.

Usando a serra copo, faça um furo bem no centro dessa madeira. Certifique-se
de que o tubo de 40mm se encaixa apertado no furo.

Faça dois furos por dentro do furo feito com a serra copo. Nesses furos serão
usados os parafusos de madeira que prenderão o tubo de 40mm à madeira. Na
verdade, esses furos poderão ser feitos direto com o parafuso, mas nesse caso
tome cuidado para não romper a cabeça do parafuso durante o processo.

Marque quatro pontos eqüidistantes, à 1 cm da borda da madeira e 2 cm do


ponta da madeira e fure usando a broca apropriada para o parafuso que
pretende usar para fixar o conjunto do tubo principal.

Um dos lados da madeira precisa ser desgastado para assumir a curvatura do


tubo principal telescópio. Para isso, coloque a lixa 50 sobre o tubo principal e
vá gastando a madeira até atingir a curva necessária. Não é demorado (cerca
de 20 minutos), mas se você tiver uma grosa, o serviço vai ser mais rápido e
leve.

Coloque a lixa sobre o tubo principal do telescópio, pegue o tubo de 40 mm


gaste um dos lados dele, para tomar a curvatura do tubo principal. Depois faça
um furo lateral, um pouco acima do meio do cano para colocar o parafuso de
aperto manual. Amacie girando o parafuso de um lado para o outro, mas evite
exagerar para não espanar o PVC. Faça outro furo para o outro parafuso de
aperto manual, distante uns 120º graus desse primeiro furo. Usando dois
parafusos de aperto evita-se que tenha que apertar demais um deles, o que
poderia criar marcas no tubo interno ou espanar a rosca no PVC.

Nessa altura, a base de madeira vai estar como desenhado abaixo. Os pontos
em vermelho são os furos para prendê-la ao tubo principal e o ponto vermelho
menor, dentro do furo feito com a serra copo, é um dos dois furos onde será
parafusado o tubo de 40 mm.

Encaixe o tubo de 40 mm na base de madeira e use os dois parafusos


pequenos para prendê-lo no lugar.

Pegue o PVC de 40 mm branco, e rache o de lado a lado (veja o desenho na


visão explodida da peça, no início dessa sessão) e encaixe por dentro no PVC
de 40 mm marrom.

Esse PVC branco fica solto dentro do PVC marrom de 40 mm; Ele não deve
ser parafusado a base de madeira, mas pode ser perfurado pelos parafusos de
aperto manual, se desejar. A finalidade dele é preencher o espaço que fica ao
encaixar o tubo de 32 mm dentro do tubo de 40 mm e evitar jogo no conjunto.

Vamos descrever agora a segunda parte do suporte. Trata-se de um “T” feito


com canaletas de aço e PVC, sendo que o PVC de 32 mm daqui vai ser
encaixado dentro do PVC de 40 mm da outra parte que acabamos de
descrever.

Abaixo uma visão explodida dessa peça :


Pegue o pedaço de 9 cm de tubo PVC de 32 mm e crie duas saliências numa
das pontas, retirando cerca de 1 cm do cano. Veja no desenho abaixo:

Corte um anel do PVC 32 mm marrom com 1cm de comprimento e retire um


pedaço abrindo-o. Esse anel será colado por dentro do tubo de PVC de 32 mm
e servirá como sustentação para a arruela de 28mm, que será encaixada
dentro dele e vai segurar o parafuso que prende as canaletas. O processo aqui
é o mesmo usado na construção da aranha.

Nas canaleta, remova um dos lados da canaleta mais grossa, fazendo um “U”.
Certifique-se de que a canaleta menor se encaixa perfeitamente dentro dela.

Faça um furo no centro da canaleta mais grossa. Por esse furo será passado o
parafuso que prenderá essa canaleta ao tubo de 32 mm.

Faça mais dois pequenos cortes (ou furos) na canaleta mais grossa, um de
cada lado do furo central, à 15mm dele. Nesses furos serão encaixadas duas
saliências deixadas no PVC de 32 mm. Esse encaixe garante que a canaleta
só rodará em conjunto com o PVC de 32 mm e não “individualmente”.

Por último, faça dois furos, uma em cada extremidade, a cerca de 2 cm da


extremidade e largo o suficiente para que os parafusos de ajuste de altitude
passe com folga.

Vamos agora a canaleta menor

Faça dois furos nas extremidades, coincidentes com os furos na extremidade


da canaleta maior, citados acima, mas aqui eles devem ser apertados o
suficiente para que o parafuso só entre rosqueando.

O procedimento abaixo é para prepará-la para prender a luneta buscadora, por


meio de duas cintas de velcro; Veja mais abaixo que alternativamente, usar
uma braçadeira de PVC pode ser bem mais fácil... eu só não usei a braçadeira
de PVC porque não a conhecia na época da construção.

Para usar a cinta de velcro:

Na canaleta menor, no lado que ficará para cima, faça quatro pequenos cortes
da largura da fita velcro que pretende usar. Esses pequenos cortes devem ficar
a cerca de 0,5 cm das extremidades e 0,5 da “parede” da canaleta.
É preciso também fazer um corte que divida o lado de cima ao meio e dobrar
para baixo as abas que resultam desse corte. Veja o desenho para entender
melhor:

Comentário : Um procedimento alternativo para prender a luneta é usar uma


braçadeira como essa da foto abaixo, no diâmetro da luneta. Nesse caso,
bastaria parafusar duas braçadadeiras como a da foto na parte de cima da
canaleta menor. A desvantagem é que se usar uma luneta buscadora de
diâmetro diferente terá que trocar a braçadeira, mas confesso que só não fiz
dessa forma porque ainda não tinha construído a luneta de busca e,
principalmente, porque não conhecia essa braçadeira na época; As braçadeiras
que eu conhecia eram muito frágeis, feitas de lata.
Monte o conjunto do PVC de 32 mm e encaixe-o dento do outro conjunto, o
conjunto do PVC de 40 mm. Teste o movimento horizontal e a força do
travamento exercida pelos parafusos de aperto manual. Teste o movimento
vertical conferindo se está ocorrendo de forma suave e sem solavancos.

Veja abaixo algumas fotos do suporte já finalizado, mas ainda com uma luneta
de busca muito pequena e improvisada.

A imagem abaixo é de um teste, antes da pintura.

A imagem abaixo é do mesmo teste. Note que a dobra da canaleta menor não
está perfeita ainda. Note também que olhar pela própria canaleta serve para
localizar objetos a olho nu e em seguida centralizar na luneta de busca. Isso é
muito útil quando o orvalho embaça a objetiva da luneta
Abaixo as duas partes que compõe o suporte da buscadora. A pintura foi feita
por imersão, usando tinta “Cinza Urano Metálico”, que sobrou do tubo principal.
Acho que poderia ter ficado melhor. Desconfio que não aguardei tempo
suficiente entre as duas demãos:

Abaixo, um foto do aspecto final, mostrando um dos parafusos de trava de


movimento horizontal e os dois parafusos de trava de movimento vertical.

O uso é muito intuitivo...


Para ajustar horizontalmente, afrouxe os parafusos de aperto manual, gire a
buscadora o quanto for necessário e trave na posição desejada.

Para ajustar verticalmente, solte ou aperte um das porcas borboleta. A mola vai
se encarregar de levantar um dos lados da luneta quando a porca borboleta for
solta; Quando a borboleta é apertada, a mola se contrai e aquele lado da luneta
buscadora se abaixa.

Construção de um telescópio refletor de 180 mm

Base Dobsoniana
Nessa sessão :
 Introdução
 Materiais
 Ferramentas empregadas
 Construindo a Braçadeira
 Os discos de sustentação
 Preparando a presilha
 Montagem da braçadeira
 Montagem Dobsoniana
 Laterais do suporte Dobsoniano

Introdução

Existem vários tipos de montagens de telescópio e a base dobsoniana é mais


simples de construir, sendo também uma das mais estáveis.

A base deve permitir movimentos suaves e ao mesmo tempo ser firme para
que o tubo pare em qualquer posição, sem trepidação. O desenho da base é
baseado nas sugestões do site do Sebastião Santiago, mas fiz algumas
modificações.

Uma das modificações que fiz foi, em vez de fixar as rodas de movimento
vertical direto no tubo, fixei-as numa braçadeira, feita com sobras do tubo
principal. Isso permite deslocar o eixo gravitacional em caso de necessidade,
por exemplo, ao se acoplar uma máquina fotográfica ou uma buscadora nova.
Nessa situação, se não fosse possível deslocar o apoio dados pelas rodas para
o ponto de equilíbrio gravitacional, o telescópio tenderia a “cair” para o
horizonte ou subir para o zênite. Usando as braçadeiras, simplesmente
soltamos as duas presilhas de pressão e escorregamos o tubo para baixo ou
para cima, conforme o caso, e travamos novamente as duas presilhas. Muito
prático :-)

Outra vantagem é que a braçadeira reforça a estrutura do PVC, ajudando a


evitar trepidações quando movido; Além disso, lí num (único) site de ATM, do
qual não tenho aqui a URL, que tubos de PVC podem se tornar curvos com o
tempo, mas não achei comentário similar em nenhum outro lugar da Internet,
logo pode ser uma informação incorreta. Se tal informação for correta, essa
braçadeira também ajuda a evitar o problema, já que o peso do telescópio será
suportado por ela e não diretamente no tubo.

Além dessas vantagens, o tubo principal fica intacto e pode ser movido para
outras montagens diferentes da dobsoniana.

Outra mudança que fiz foi um disco de madeira com diâmetro de 198 mm para
servir de tampa na parte inferior; A descrição da construção desse disco foi
dada na sessão “Suporte do espelho Primário”.

Materiais

 1 tábua de compensado de 15mm. Com essa tábua serão feitas as


seguintes peças :
2 discos de 450 mm de diâmetro, ou seja, serão necessário duas peças com
46 cm2 cada
2 discos de 130 mm de diâmetro, ou seja, serão necessário duas peças com
14 cm2 cada
2 discos de 100 mm de diâmetro, ou seja, serão necessário duas peças com
11 cm2 cada
2 laterais para as quais serão necessários duas peças de 23 cm x 65 cm
2 peças quadradas (fundo e frente) com tamanho de 23 cm x 23 cm
Importante : Essas medidas se baseiam nas instruções mais abaixo. Se você
modificar alguma das característica, poderá ser necessário mudar algumas
dessas medidas.
 2 pedaços de fórmica com 50 cm quadrados (opcional). Pode ser
conseguindo em marcenarias e pode ser refugo, pois não ficará visível após a
montagem.
 1 frasco de 200 ml de cola de madeira (Opcional. Só é necessário se optar
por usar a fórmica)
 2 pedaços de madeira com 135 mm X 5cm x 2cm. Não pode ser
compensado porque ele será cortado e lixado de uma maneira que desfolharia
o compensado. Se esse pedaço de madeira tiver mais que 2 cm de espessura
poderá ser necessário desgastá-lo ou aumentar a largura da montagem
dobsoniana.
 20 cm de tubo de PVC de diâmetro de 200 mm.
 2 dobradiças pequenas
 20 cm quadrados de chapa de lata de com cerca de 1 mm de espessura. A
chapa não pode ser muito maleável porque você vai usá-la para moldar uma
presilha de pressão. Não pode ser muito grossa porque será difícil trabalhar
com elas. Eu usei parte de um chassi de computadores, daqueles antigos.
 Cerca 50 cm de arame grosso. Uma alça (fina) de balde pode ser usada.
 Cerca de 400 ml de seladora de madeira
 15 pregos de 25mm de comprimento (considere o uso de parafusos, caso
queira uma base desmontável, mais prática para transporte, mas menos
instável, já que depois de repetidas montagens / desmontagens a rosca na
madeira tende a espanar, se não forem usadas buchas próprias para madeira)
 1 disco de vinil (LP). Pode ser conseguido em lojas que vendem livros
usados, que em são Paulo são conhecidas por “sebos”.
 1 Parafuso de 55mm de comprimento com porca e três arruelas sendo uma
dessas, uma arruela de pressão.
 Lixas :
- para usar na madeira :Duas grão 50 ou 80, duas grão 150 e duas grão 320.
- para usar no PVC : Uma grão 150, uma grão 320 e uma grão 1200 ou maior
 Três pezinhos de borracha, cujos parafusos de sustentação não devem
ultrapassar metade da dimensão da madeira.

Ferramentas

 Furadeira elétrica ou manual


 Lima ou esmerial (para arredondar cantos das presilhas)
 Martelo
 Compasso
 Arco de Serra
 Serra para corte circular (serra tico-tico ou serra manual, chamada serra de
rodear)
 Lima ou esmeril ou escova de aço ou lixa de ferro.
 Tesourão.
 Rebitador. Você encontra alicates rebitadores em camelôs e lojas de
ferragens por menos de 10 reais (na época que escrevi isso, cerca de 3
dólares).
 Grosa (opcional). Ajudaria no desgaste de madeira
 Morsa (opcional). Facilitaria dobrar as presilhas.
 Esquadro (opcional). Para conferir ângulos retos na madeira antes de riscar
e cortar

Construindo a Braçadeira

Veja abaixo uma foto da braçadeira, sem acabamento, que ajuda a entender as
explicações que se seguem:
Serre um pedaço de 20cm do tubo de PVC, aproveitando o resto do tubo
principal.

Dica: Conseguir serrar o cano de 200 mm corretamente dá um certo trabalho.


Veja na sessão Preliminares a dica de como cortar o tubo e também de como
construir um gabarito (régua) para riscar os locais dos cortes

Divida esse segmento de 20cm em duas partes iguais, obtendo duas bandas
com 20 cm de comprimento cada uma.
Lixe as bordas para ter um bom acabamento.

Fixe as duas bandas uma na outra, usando as dobradiças e os rebites. As


dobradiças devem ficar á aproximadamente 2 cm do borda do cano, como
mostrado na foto acima.

Dica:Se não tiver um alicate rebitador, minha primeira sugestão é que adquira
um. Custa cerca de dez reais nas lojas de ferragens. Veja na sessão
Preliminares algumas dicas quanto à compra de ferramentas. Se não quiser
adquirir um, pode ser que seja possível “costurar” a dobradiça ao PVC usando
um arame, mas não sei o quão firme isso ficará ao final. Pode também usar um
parafuso colocado de dentro para fora (a porca do lado de fora) mas pode ser
necessário reapertar a porca de vez em quando. Pode ser também que você
consiga improvisar usando um alicate convencional para puxar o rebite, mas,
decididamente, acho que investir 10 reais num alicate rebitador vale a pena :-).

Os discos de sustentação

Faça dois discos de madeira de 100mm de diâmetro e dois discos de madeira


de 130mm de diâmetro.
Os discos de 100 mm vão girar encaixados nos semi-círculos das laterais,
descritos mais abaixo e devem ser os círculos mais perfeitos que você puder
fazer; É importante que não sejam ovalados, que não tenha rebarbas ou
saliências.
Dica: Deixe para fazer os discos de diâmetro de 100 mm e o semi-círculo nas
laterais por último, depois de já ter feito todos os outros círculos (de 450mm
para a base, para o suporte do espelho primário e os discos de 130mm).
A experiência adquirida nos cortes anteriores vai ajudar a fazer esse círculo
mais perfeito que os outros.

Junte um círculo de 100mm centralizado à um círculo de 130mm e pregue com


três pregos posicionados a aproximadamente 120º um do outro (não é
necessário muita precisão na separação dos três pregos). Use um prego que
não atravesse o conjunto. Por exemplo, se estiver usando compensado de
15mm, os dois discos juntos terão 30mm, logo, use prego de 25mm de
comprimento. Repita o processo no outro disco de 100mm e 130 mm.

Notei recentemente uma pequena imperfeição em um dos círculos de 100 mm.


Essa pequena imprecisão provoca um leve movimento para um dos lados
quando paro o conjunto numa determinada posição. Para contornar o problema
vou revestir os discos com uma rodela de PVC, conforme sugestão do Zeca, do
site Cosmobrain .

Serre o sarrafo de madeira em dois pedaços de 131 mm cada. Eles devem ser
ligeiramente maiores que o disco em que serão fixados, por que depois vamos
arredondar suas bordas para coincidirem com a borda do círculo.

Serre cada um dos pedaços diagonalmente, como mostrado na figura abaixo:

Com isso você obtém quatro pedaços de madeira de 135 mm de comprimento


em formato triangular.

Esses pedaços serão usados para fazer o acabamento do contato entre o


círculo de 130 mm e o tubo de PVC que formará a cinta usada para prender o
tubo principal ao suporte.

O lado serrado deles deve ser arredondado para tomar a mesma curvatura do
tubo principal.

Para isso, sente-se confortavelmente com o tubo principal do colo, coloque a


lixa grão 50 sobre o tubo e comece a raspar essa cunha de madeira sobre a
lixa. Demorei cerca de 2 horas para concluir o trabalho para as quatro cunhas,
sendo que a maior parte do tempo eu gastei na primeira. À medida que se
ganha experiência, o trabalho rende mais e acredito que se eu fosse fazer isso
de novo não demoraria mais do que 1 hora para concluir tudo.

Uma dica importante é virar a cunha de vez em quando, pois tendemos a por
mais força do lado em que se apóia o punho. Virando a peça, ela tende a ser
gasta por igual. Acho também que o serviço pode ser acelerado caso tenha
uma grosa (lima própria para madeira), que na época eu não tinha, para dar a
curvatura mais ou menos apropriada e usar as lixas sobre o tubo para dar a
curvatura final.
Quando a curvatura já estiver formada, use uma lixa 150 apoiada sobre o cano
para alisar.

Depois que já tiver feito a curvatura, coloque as cunhas no disco de 130 mm,
coloque o conjunto do tubo para certificar de que está com um bom contato.
Não é preciso ter um contato perfeito... apenas o suficiente para que o tubo se
apoie nelas sem aparecer “buracos”.

Risque nas cunhas a forma do círculo de 130 mm de diametro, serrando o


excedente com uma serra de rodear, serra tico-tico ou uma serra de arco.

Veja a aparência dos discos nessa fase do trabalho:


Preparando a presilha

Precisamos agora de uma presilha similar àquelas usadas para prender


extintor de incêndio em baixo do banco do carro; Ou, se preferir um exemplo
culinário, similar àquelas que existem em formas para fazer torta :-).

Procurei essa presilha em lojas de ferragens e de materiais de construção e


não tive sorte, por isso resolví fazer com uma chapa de lata grossa que eu
tinha à mão. A chapa que eu tinha era uma chapa de chassi de computador,
daqueles antigos, com cerca de 1 mm de espessura. Pode-se usar alumínio ou
qualquer outra chapa que não seja muito maleável. Se se consegue dobrá-la
sem usar ferramentas, não serve. Não use lata dessas de molho de tomate ou
similar porque são muito finas e vão entortar em vez de prender firmemente; E
evite usar uma chapa muito grossa porque vai dar muito trabalho pra você
“usiná-la” no formato, além de ficar pesada.

Olhando a foto abaixo fica mais fácil entender o objetivo dessas presilhas e o
trabalho que se espera que façam.
Os arames que aparecem na foto, como laçadeiras, são de cor e dimensão
diferente porque eu não tinha arame suficiente na mesma cor e dimensão para
fazer as duas laçadeiras.

Para construir as presilhas, Serre dois pedaços da chapa de aço, conforme a


medida e o desenho abaixo:

Faça quatro furos e arredonde os cantos, como mostra o desenho abaixo.

O risco vermelho indica o local onde a chapa deverá dobrada.


Veja abaixo como ela ficará depois de dobrada (sem escala);
Note que os cantos foram arrendodados e que o furo onde vai passar o eixo
fica mais abaixo do furo onde será preso a laçadeira; Isso é importante para
dar o efeito de pressão ao se travar as presilhas:
Para dobrar a chapa, se tiver uma morsa disponível vai ser mais fácil.
Se não tiver (eu não tinha :-/ ), use um batente de madeira ou de ferro para
apoiar a chapa e use o martelo para entortar. Outra opção que facilita o serviço
é usar um alicate de pressão e fazer um sanduíche com duas outras placas
delineando o local da dobradura e usar um segundo alicate para dobrar a
placa, acertando o vinco depois com o martelo.

Você precisa agora fazer o suporte da presilha. Esse suporte será rebitado ao
PVC e a presilha será presa a ele por um eixo de arame grosso (alça de balde
ou um pino que tenha sobrado do arrebite, por exemplo).
O processo é o mesmo da presilha e as medidas estão abaixo:

A linha vermelha indica o local onde a chapa deve ser dobrada. A presilha vai
ficar por fora desse suporte, presa a ele por um eixo de arame grosso.

Esmague uma das extremidades do arame, coloque a presilha e o suporte em


posição, passe o arame pelos furos e esmague a outra ponta.
O que dá um pouco mais de trabalho aqui é o alinhamento das duas peças.
Para fazer as lingüetas, onde a laçadeira ficará presa na outra extremidade,
serre dois retângulos da chapa e enrole a extremidade deles conforme
ilustração abaixo:

Para enrolar a ponta da lingüeta, bata dois pregos grandes lado a lado num
batente de madeira.
A distância entre os pregos deve ser mais ou menos a espessura da chapa que
estiver usando. Introduza a ponta que deseja enrolar entre eles e, usando um
alicate, enrole a lingüeta num dos pregos até o ponto pontilhado em vermelho
na figura.
Fique tranks que isso é bem fácil de fazer :-)

Em preparação para o acabamento, aproveite para escovar as peças usando


uma escova de aço ou uma lixa.
É importante não deixar rebarbas afiadas para evitar acidentes durante o uso
do telescópio.
Pinte-as antes de instalá-las no PVC

Montagem da braçadeira

Rebite as duas lingüetas numa das bandas com uma distância de 15 cm entre
elas, bem próximas à extremidade do tubo.

Fixe as duas presilhas na outra banda de PVC, alinhadas com as lingüetas.

Coloque a braçadeira no tubo do telescópio e feche-a. Você vai notar que fica
uma gap de cerca de 4 cm entre uma banda e outra.

Considere cerca de 1cm de arame que deverá ser recurvado dentro da presilha
e meça a distância até a lingüeta do outro lado, mantendo a braçadeira bem
apertada. Use a estrutura com os dois pregos no batente (que você usou para
enrolar as lingüetas) para dobrar o arame na posição apropriada.

Repita o processo, dobrando o arame na largura da lingüeta e novamente no


ponto em que ele entra na presilha.

Lembre-se que dependendo do cumprimento que você usar no arame, a


braçadeira pode ficar muito frouxa ou muito apertada, portanto, verifique bem
se ela está travando (fazendo um “clique”) ao ser fechada.
Lembre-se também que depois da pintura serão colocadas fitas de feltro por
dentro e poderá ficar muito apertado.

Comentário: Embora o texto descrevendo o processo seja extenso, na prática é


bem fácil construir essas peças. Calculo que todas as partes podem ser
construídas em menos de uma hora. Quando eu construí, demorei um pouco
mais porque estava planejando (e modificando) as peças enquanto construía.

Para finalizar a braçadeira, agora só falta montar as rodinhas que servirão de


apoio ao tubo do telescópio.
Essas rodas devem ser fixadas na braçadeira, na posição onde fica o centro do
tubo principal.
Se essas rodinhas forem fixadas fora do meio ou desalinhadas, vão ocorrer
solavancos ao levantar / abaixar o tubo nas noites de observação ou forçar os
lados da caixa de madeira para fora, fazendo com eles se desprendam pouco a
pouco.

Importante: O meio das duas bandas de PVC não é o meio do tubo principal!!

Para achar o centro da braçadeira, coloque-a no tubo, trave-a, coloque um


barbante dando a volta na braçadeira e corte o em quatro pedaços iguais.
Coloque a ponta desse barbante bem no centro do espaço entre as duas
bandas de PVC, próximo às dobradiças. A outra ponta indicará o ponto central
para colocação das rodas. Marque dois desses pontos, um em cada
extremidade da braçadeira e trace um risco unindo-os. Certifique-se da posição
e faça um furo para colocar os dois parafusos. Coloque os parafusos de dentro
para fora.

Depois da pintura, cole um pedaço feltro para cobrir as cabeças dos parafusos.
Isso evitará que fiquem arranhando o tubo.

Coloque feltro também delineando toda a extensão da borda interna


braçadeira. Além de cobrir os arrebites, isso cria um pequeno vácuo quando a
braçadeira é travada, ajudando no trabalho das presilhas.
Comentário: não confunda feltro com velcro.

Feltro é uma fita que é adesiva de um lado e parecida com carpete do outro e é
usada em portas para abafar barulho ou em móveis colocados sobre outro
móvel, para evitar arranhões.

Velcro é uma fita usada como fecho em roupas e calçados.


Normalmente usada aos pares, sendo que uma das peças tem filamentos de
fios de nilon e outra tem um tipo de pelúcia. Quando encostadas, uma se
prende à outra. Existe também o velcro de de dupla-face, vendido em lojas de
suprimentos de informática (É usado para organização de fios em racks e
embaixo de mesas)

Montagem Dobsoniana

Vamos agora a montagem dobsoniana.

Serre o fundo e frente do conjunto do conjunto conforme desenho e as


dimensões abaixo, mas atenção:
Se você tiver modificado alguma coisa na braçadeira poderá precisar ajustar
alguma medida da frente ou do fundo.
Certifique de o tubo principal com a braçadeira se encaixa dentro das medidas
abaixo.
Serre dois discos de madeira com diâmetro de 450 mm (raio de 225mm).

Dica : Veja na sessão Preliminares informações de como recortar círculo de


madeira

No disco que será usado em contato com o chão, faça os furos onde serão
fixados os pezinhos de borracha. Esses furos não devem furar completamente
a madeira, mas ir apenas até menos que metade da espessura dela.
Os pezinhos devem ficar a 120º graus de distância um do outro; Na hora de
comprar os pezinhos, avalie o suporte de borracha deles, pois alguns são feitos
de plásticos e acabam derrapando na hora de girar a base.

Dica : Para dividir a circunferência em 3 partes iguais (120º) , dê uma olhada


na sessão Preliminares

Faça um furo central nos dois discos. Nesse furo será passado o parafuso de
55mm de comprimento. O furo deve ser largo o suficiente para o parafuso
passar e girar sem muito esforço, mais não pode ser largo demais, para não
provocar jogo do conjunto.

Antes de seguir adiante, deixe-me contar uma história.

Depois de algum tempo usando o telescópio notei que se formaram algumas


ranhuras na parte interna dos discos de madeira, no local onde ficava a borda
do disco de vinil e diagnostiquei que isso era devido ao compensado ser muito
poroso e macio.
Para resolver o problema, pedi dois pedaços de fórmica para um marceneiro;
Como os pedaços não iam ficar visíveis, puderam ser refugo; Adotei o
procedimento descrito abaixo. Melhorou bastante a suavidade do movimento
horizontal. Mesmo assim, considere a parte abaixo apenas como uma
sugestão.

Cole os quadrados de fórmica, um em cada disco, nos lados internos, que vão
ficar em contato. A função da fórmica é reduzir o atrito, já que o compensado é
uma madeira porosa e macia e tende a criar sulcos com o movimento
freqüente.

Antes de colar, limpe as superfícies com uma estopa de thiner.


Depois de colar, coloque peso de uns 20 quilos ou mais sobre os dois e deixe
de um dia para o outro para que a cola seque completamente. Um botijão de
gás cheio ou um balde cheio de água pode ser usado para fazer esse peso.

Não tente serrar a fórmica formando o círculo, pois ela lasca com facilidade.
Depois que a cola secar, use um tesourão para recortar as bordas deixando
apenas o círculo e use a lima ou a lixa para eliminar rebarbas.
Para furar o centro da fórmica (onde já existe o furo no compensado) não use a
furadeira (a fórmica se quebra com facilidade).
Use um objeto pontiagudo para furar sem bater, apenas girando de um lado
para o outro e depois alargue o furo com um objeto mais grosso.

Laterais do suporte Dobsoniano

Serre as duas laterais do suporte, conforme mostrado no desenho abaixo:

Atenção especial deve ser dado ao semi-círculo de 100 mm pois nele irá
encaixar o círculo responsável pelo movimento vertical. Se esse semicírculo
ficar ovalado ou irregular, haverá solavancos na hora de movimentar ou
dificuldades para parar o tubo em algumas posições, mesmo com o eixo de
gravidade bem acertado.

Pretendo colar um semi-círculo de PVC no meu para cobrir qualquer


irregularidade, mas ainda não fiz por não ter disponível um tubo de PVC
apropriado.

Atualização: Serrei dos aros de PVC de 100 mm de diâmetro e coloquei nos


discos do 100 mm. Também colei uma fita de feltro em cada semi-círculo da
laterais. Com essa modificação, os discos de 100 mm não mais encaixam
totalmente dentro do semi-circulo, mas isso não é ruim. Eles ficam apoiados
em dois pontos e estão girando de forma bem mais suave.

A montagem do conjunto é mostrada abaixo.


Pretendo no futuro substituir os pregos por parafusos de aperto manual (para
não depender de ferramentas), mas antes preciso encontrar buchas para
madeira, pois se os parafusos forem usados diretamente na madeira tendem a
corroer a rosca e ficarem frouxos com sucessivas montagens e desmontagens.

Construção de um telescópio refletor de 180 mm

Tubo Principal
Nessa sessão :
 Introdução
 Materiais
 Ferramentas empregadas
 Instruções
 Furos de suporte do primário
 Furo para o focalizador
 Pintura
 A montagem do tubo principal

Introdução

A preparação do Tubo principal não tem grandes segredos, no entanto, é


preciso tomar cuidado com as medidas.

Os furos para o focalizador e fixação do espelho secundário só podem ser


feitos depois que você tiver a distância focal do espelho e a distância ideal
entre o espelho primário e secundário.

Outros cuidados referem-se à pintura, que deve ser preto fosco na parte interna
para evitar reflexo das luzes.

Um recurso adicional que implementei no meu tubo foi a criação de quatro


marcas na parte inferior do tubo para ajudar na colimação. Mais adiante explico
melhor, mas por hora adianto que nessas ranhuras fixo um barbante em cruz
para alinhar o espelho secundário. Mostrou-se muito eficiente para colimar e
posicionar o espelho secundário.

Materiais

 Cerca de 1,40 m de tubo PVC de 200 mm (o tamanho do tubo muda


conforme a distância focal do espelho primário)
 Cerca de 200 ml de tinta preto fosco a pintura interna
 Cerca de 200 ml de tinta na sua cor preferida para a pintura externa. Dê
preferência à cores escuras.
 Fita adesiva (para colar jornais nos furos na hora da pintura)
 A aranha já construída
 O suporte do Primário, já construído.
 O suporte do secundário, já construído.

Ferramentas

 Serra em arco (para serrar o PVC)


 Furadeira e uma serra copo de 38 mm
 Objeto para furar o cano (Consegue-se mais precisão usando um objeto
pontiagudo do que a furadeira, que às vezes patina e sai do lugar).
 Compasso
 Trena ou metro
 Barbante (para tomada de algumas medidas)
 Lixa 100, 320 e 3200 para lixar o cano.

Instruções

Conseguir o cano não é fácil. Em todas as lojas que eu ia, só vendiam a barra
inteira que tem 6 metros de comprimento.

Eu já estava até visitando alguns daqueles locais que revendem material de


demolição, quando resolvi parar num depósito próximo a minha casa e
finalmente consegui o que queria: Dois metros de um cano de PVC de 200mm
de diâmetro.

Para o telescópio eu ia precisar de mais ou menos 1,40m, mas eles só


vendiam de metro em metro. Ou comprava um metro ou comprava dois metros.

Isso até que foi bom porque posteriormente o excedente foi usado para
construir a braçadeira para suporte do tubo principal e uma tampa para fechar
o telescópio quando não está em uso.

Importante: Recentemente, um amigo do Cosmobrain, reportou que depois de


comprar o tubo e começar a trabalhar nele notou que o ele era oval e não
circular. Isso pode resultar em problema de vinhetagem, já que dependendo de
quão oval seja o tubo, ele poderá ser estreito demais para o espelho de 180
mm. Uma dica então é conferir o tubo na hora da compra e recusar caso ele
esteja ovalado. Pra evitar problemas com o balconista é bom fazer isso antes
dele cortar o tubo.

A quantidade de tubo que eu precisava, citada mais acima, é baseada na


distância focal do espelho.

No meu caso, a distância entre o espelho primário e o secundário era de


1040mm. Essa é a medida do centro do espelho principal até o centro do
espelho primário.

À essa distância eu tinha somar a “altura” do suporte do espelho primário


contando também a altura do espelho (18mm mais 1mm de altura da cola de
silicone), a altura da aranha (a distância entre o espelho secundário e as
varetas de fixação da aranha), e mais 10 cm de tubo que deve sobrar para
cima do suporte da aranha para evitar interferência de fontes de luz próximo ao
telescópio.

Somando tudo isso, eu cheguei a 1,28 m de cano, porém, como eu tenho duas
crianças pequenas em casa, decidi fazer uma tampa para cobrir a extremidade
inferior do tubo (explicada na sessão do suporte do espelho primário) e evitar
que eles desalinhassem o telescópio ou soltasse totalmente o parafuso. Por
causa disso aumentei mais cerca de 6 cm ao cano.

Definido o tamanho do cano, o primeiro passo será serrá-lo.


Pra isso é só riscar o tubo e mandar ver na serra, certo? Errado!

Conseguir o corte reto, sem “chanfrar” o tubo é mais complicado do que


parece. Veja na sessão “preliminares” e “Tampa para o tubo principal” como
obter um corte correto, sem dentes e sem chanfros.

A regra de ouro é “Meça e marque duas, três ou quatro vezes. Corte uma vez”.
Depois de cortado não tem como remediar.

Feito o risco, certifique-se de que ele está realmente onde se espera.

Quanto aos furos, enumero abaixo todos os furos a serem feitos no tubo
principal:

3 furos distribuídos à 120º graus um do outro para fixar a tampa inferior


(Opcional)
3 furos distribuídos à 120º graus um do outro para fixar o suporte do primário
1 furo com serra copo de 38 mm para fixar o focalizador
2 furos ao lado do furo do focalizador para fixar os parafusos de sustentação do
focalizador
4 furos para fixação do suporte da buscadora
3 furos a 120º graus de distância um do outro para fixar a aranha.

Antes de furar, meça cuidadosamente, para não estragar o pedaço de cano e


precisar comprar outro. Comece a furar de baixo para cima, pelos furos para
parafusar o suporte do espelho primário, ou se for fazer uma tampa inferior
como a minha, comece pelos furos dela.

Furos de suporte do primário

No meu caso, como eu ia colocar uma tampa de madeira para cobrir o acesso
às porcas de ajuste do espelho eu fiz os furos para essa tampa e depois, cerca
de 4cm distante desses fiz os furos para o suporte do primário em paralelo a
eles. Se for colocar essa tampa, que ajuda também a evitar que poeira entre
por baixo do telescópio quando guardado lembre-se de deixar entre ela e o
suporte do primário espaço suficiente para apertar ao máximo as porcas-
borboletas dos parafusos de colimação do espelho (quando se aperta essas
porcas, os parafusos avançam em direção ao fundo do cano).
Sempre que for usar o telescópio, se notar turbulência na atmosfera,
desparafuse essa tampa e retire-a para melhorar a condição de visibilidade.

Para fazer os furos para os parafusos do suporte do primário, coloque o tubo


em pé numa superfície plana. Certifique-se de que ele e faz um ângulo reto
com o chão usando um nível ou um pêndulo (prumo).
Coloque os parafusos no suporte e apoie-o centralizado sobre a boca inferior
do cano. Certifique-se de deixá-lo perfeitamente centralizado com o tubo.

Use um barbante com um peso na ponta como pêndulo. Pendure esse pêndulo
num dos parafusos e meça com a régua a distância entre a borda do cano e o
lugar que você vai furar. No meu caso deixei cerca de 1,5 cm de cano. Se essa
distância for muito curta, sempre existe a possibilidade de alguma batida no
futuro arrancar uma lasca do cano e você precisar fazer uma gambiarra para
consertar o problema.

Repita o processo para os outros dois parafusos e você terá a os locais para
fazer os furos marcados. Lembre-se de não fazer uma marca muito grande ou
você vai se perder na hora de furar. Confira o alinhamento dos furos usando
aquele gabarito de PVC feito para a tampa superior, descrito na sessão
“preliminares”.

Dica: Faça um dos furos próximo à marcação do fabricante do tubo. Por


exemplo, o meu tubo de PVC é da marca Majestic e tem em todo o corpo a
inscrições “MAJESTIC PVC RIGIDO 200mm”. Essa inscrição pode ser usada
para orientar o barbante para que ele não fique em diagonal com o tubo,
complementando a aferição do prumo.

Você pode furar usando uma furadeira elétrica, mas nesse caso, cuidado para
não patinar e sair da posição marcada.
É muito fácil furar o PVC simplesmente rodando uma chave pequena ou
qualquer outro objeto pontiagudo. Basta apoiar firmemente e fazer movimentos
de giro para um lado e para o outro que em pouco tempo o cano é
atravessado. O furo pode ser alargado usando uma chave Philips ou de fenda
na largura do parafuso. Esse método tem a vantagem de não ocorrer o
patinamento da broca e furar fora do local desejado

Abaixo uma foto dos furos para o espelho primário e da tampa inferior

Furo para o focalizador


Para fazer o furo para o focalizador, primeiro regule o suporte do espelho
primário à “meio parafuso”; Para isso, aperte ou solte as porcas-borboletas de
forma que você tenha mais ou menos metade do parafuso para subir ou baixar.
Isso cria uma boa margem de manobra no caso de algum erro.

Meça a altura do suporte do primário, isso é, a distância do furo feito para os


parafusos que o fixarão no tubo até o alto do disco de madeira de 180mm mais
a cabeça do parafuso onde será colado o espelho primário e anote essa
medida.

Acrescente a essa medida mais 19mm (18mm da altura do espelho mais cerca
de 1 mm, já que a cola de silicone deverá levantar o espelho mais ou menos 1
mm).

Acrescente a essa medida a distância ideal entre o espelho primário e o


secundário e terá o local exato para o centro do furo do focalizador.

Importante: A DISTÂNCIA IDEAL entre o espelho primário e o espelho


secundário NÃO É A DISTÂNCIA FOCAL DO ESPELHO!!

Corte um pedaço de barbante com essa medida e cole uma de suas pontas
com uma fita adesiva no furo para prender o suporte do primário.

Com o tubo em pé num local perfeitamente plano (use um nível para conferir),
pendure o um prumo na lateral do cano.

Estique o barbante usado para medir em paralelo com o barbante do prumo e


marque o ponto onde ele termina. Nesse ponto será o centro do furo para o
focalizador.

Confira várias vezes se fez tudo e certo!!.

Use um objeto pontiagudo e fino para fazer um furo nesse local. Esse furo
servirá de guia para a serra copo.

A serra copo deverá ter o diâmetro EXTERNO de 40mm, pois essa é a largura
do focalizado, por isso citei na lista de ferramentas necessárias uma serra copo
de diâmetro de 38 mm, pois com essa medida, ela costuma ter o diâmetro
EXTERNO de 40mm.

Antes de usar a serra copo no tubo convêm fazer um furo com ela em alguma
outra coisa, um pedaço de madeira ou um refugo do PVC, e testar se o cano
de 40 mm encaixa-se no furo sem folgas.

Nota: NÃO USE A SERRA COPO AINDA! Esse furo de guia também será
usado como referência para marcar os locais dos furos para o suporte da
aranha.

Se você não tiver uma serra copo nesse diametro, use uma menor e depois
alargue o furo com o auxilio de lixas ou lima. Embora o PVC seja fácil de
desbastar, sem a serra copo é mais difícil conseguir um furo bem redondo e no
diâmetro exato desejado. Recomendo comprar um jogo de serras copos, afinal,
serras copos são usadas várias vezes nesse projeto.

Definido que NÃO É PARA USAR A SERRA COPO AINDA, vamos passar para
os furos do suporte da aranha.

Use o mesmo método usado para marcar o local dos furos do suporte do
primário.

Coloque o tubo em pé, em ângulo reto com o chão. Use um pêndulo ou um


prumo para se certificar disso.

Se você construiu uma aranha conforme eu especifiquei, ela permitirá que gire
um parafuso para levantar ou abaixar o espelho e outros três parafusos que
permitem acertar a inclinação do espelho e ainda girar o espelho em até 360º
graus.

Se esse é o caso, solte os três parafusos de inclinação ao máximo, deixando


apenas cerca de 1cm para fora (Ou seja, faça subir o espelho secundário).

Aperte o parafuso central da aranha para subir o espelho até sentir que a
pressão da mola é satisfatória. Só não aperte demais porque se você contrair a
totalmente mola e depois precisar de algum ajuste levantando o espelho
secundário, vai ter dificuldade.

Meça a distância entre as varetas de sustentação e o lugar onde ficará centro


do espelho secundário. Recorte um barbante nesse tamanho.

Importante: Espero que você não tenha colado o espelho secundário ainda,
pois nessa fase rústica do projeto sempre existe a possibilidade de arranhá-lo.
Deixe para colar o espelho depois da que já tiver feito tudo, inclusive a pintura.

Coloque uma ponta desse barbante no furo, ainda não alargado, do focalizador
e marque o local da outra ponta dele. Para assegurar que o barbante está
retíssimo em relação o tubo, baseie-se, mais uma vez na inscrição do
fabricante do tubo e usando um pêndulo preso à parte de cima no tubo.

Outra alternativa é usar o compasso tendo como abertura o tamanho do


barbante e com a ponta seca no furo (nesse caso, é bom que o furo seja o
mais fino possível... por exemplo, que tenha sido feito usando uma agulha ou a
própria ponta seca do compasso). Feita essa marcação trace uma
circunferência em volta do tubo (usando o gabarito descrito na sessão
preliminares).

De novo meça e confira várias vezes a perfeição desse círculo.

Sobre ele você terá que fazer três furos distantes 120º um do outro que serão
usados para fixar a aranha.
Para determinar a posição dos furos, coloque a aranha sobre o tubo e
centralize-a.

Tome o cuidado de marcar um dos furos exatamente acima do centro do


focalizador. Isso vai facilitar a aproximação do espelho secundário (Como já foi
dito, o espelho secundário não fica exatamente no centro do tubo, mas
deslocado para o lado do focalizador. Esse ajuste será feito depois; Por
enquanto a aranha deve ficar centralizada).

Use o pêndulo preso às varetas de fixação da aranha para garantir que todos
os pontos de apoio estão em paralelos com o tubo.

Trace um risco com lápis ou caneta em paralelo com o barbante do pêndulo


sobre o círculo que você marcou anteriormente.

Confira se está tudo certo e se estiver Ok faça os furos para suportar a aranha.

Agora você já pode alargar o furo do suporte da ocular com a serra copo.

Veja abaixo uma foto do tubo já furado para receber o focalizador, mas ainda
sem os furos do parafuso:

Coloque o focalizador montado no furo, com o tubo de 40mm passando para


dentro do cano de 200mm e marque o local para os furos dos parafusos de
suporte. Use um objeto fino, introduzido pelos buracos do parafuso para essa
marcação.

Confira e muito cuidado para não fazer um furo largo demais para o parafuso
que pretende usar. Se isso acontecer você seria obrigado a usar porcas nos
parafusos e sempre existe o risco delas se soltarem com o tempo, caindo sobre
o espelho primário.

Escolha agora uma área a cerca de 30 graus do focalizador para fazer os furos
para a buscadora. Pode ser à direta ou à esquerda. O critério é o seu conforto.
O ideal é que ocular da buscadora fique mais ou menos à mesma altura do
focalizador, ou um pouco acima dela, para que durante o uso possa-se alternar
confortavelmente entre o focalizador e buscadora.

Para fazer os 4 furos da buscadora, posicione o pêndulo feito com o barbante


na posição que você escolheu e trace um risco; Paralelo a esse risco, trace
outro a 5 cm de distância (a largura da base da buscadora). Confira se os
traços estão aprumados corretamente.

Coloque a base de madeira no lugar e use um objeto pontiagudo para marcar o


lugar dos furos.

Confira se está tudo Ok e faça os furos.

Agora já pode retirar o excesso de cano, se houver, acima do suporte da


aranha.

Se tudo estiver certo, deixe uns 10 cm de cano acima dos parafusos de suporte
da aranha e corte o excedente. Muito cuidado nesse corte, pois depois de tanto
trabalho, seria uma pena fazer um corte torto e enfeiar o cano.
Na verdade, bastaria deixar uns 10 cm acima do limite superior do do espelho,
mas eu sou mais conservador e prefiro deixar 10 cm acima do suporte.

Detalhe: 10 centímetros não é um número cabalístico. É a metade do diâmetro


do cano e com essa medida acima das varetas da aranha, a influência de luzes
parasitas na hora da observação diminui bastante.
“Luzes Parasitas” são luzes de casas, postes, enfeites de natal, etc, que
entram de lado no cano e provocam reflexos no interior do tubo. Talvez você se
pergunte porque então alguns telescópios comerciais têm a vareta de
sustentação da aranha rente ao final do tubo...Eu não sei... Provavelmente
para que o cano seja mais curto e caiba no banco de trás de um carro ou talvez
para economizar tubo.

Por último, só falta fazer as marcas para ajudar no alinhamento dos espelhos.
Sempre que for alinhar o espelho secundário, será necessário ter uma
referência do centro do tubo.
Para isso, seria necessário prender com fita adesiva um barbante fazendo uma
cruz no fundo do telescópio e usá-los com referência. Só que é meio difícil
colocar a “cruz” bem no meio do cano, e pode ser que não tenha fita adesiva à
mão na hora de alinhar, então, tenha esse trabalho uma vez só.

Vire o cano de boca pra baixo e marque quatro pontos eqüidistantes. Veja na
sessão Preliminares a dica de como fazer um disco de cartolina e dividir em
partes iguais

Marcados os pontos e conferindo, como sempre, se está correto, use uma


serra em arco para fazer um corte nessas marcas com cerca meio centímetro
de profundidade. É só isso.
Sempre que você precisar alinhar o secundário, é só afundar uma ponta do
barbante num dos cortes, esticá-lo até o outro corte e afundá-lo. Faça a mesma
coisa nos outros dois cortes e você terá um uma cruz bem no meio do cano
servindo como alvo para o alinhamento.

Se você não quiser ter esse trabalho agora, vai perder alguns minutos e
precisar de fita adesiva para prender o barbante ou usar um disco de cartolina
com o centro marcado toda vez que precisar alinhar o telescópio.

Pintura

Lixe o cano por dentro e por fora com lixa 150 para retirar um verniz que vem
de fábrica e que atrapalha a aderência da tinta.

Para lixar, tenha um balde de água por perto, molhe o cano e vá lixando e
molhando a lixa de tempos em tempo.

Depois que terminar esse processo, use uma lixa mais fina, por exemplo lixa
320, também molhada para alisar o cano. Da sua perícia nesse processo vai
depender muito da aparência final do telescópio.

Felizmente eu tenho um amigo pintor de autos, o Jorge Raimundo, que fez


essa parte para mim. A pintura do meu telescópio foi feita com pistola de
pintura e compressor, mas tenho visto que a maioria dos construtores
amadores usam tinta spray por não serem tão felizardos em ter um camarada
pintor :-)

Abaixo, uma foto do Jorge trabalhando:


No meu tubo o interior também foi pintado com a pistola, mas descobrí mais
tarde que é mais vantajoso pintar o interior com pincel ou com um rolo de
pintura, pois isso aumenta a imperfeição da pintura, criando relevos, e reduz a
reflexão de luz interna, assim aconselho a pintar dessa forma.
Dá um certo trabalho porque dependendo do tamanho do tubo o braço não
alcança o meio do dele para pintar.

Depois de pintado o interior e ter tido tempo para secagem, cubra os furos e a
boca do cano com fita crepe e jornal e aplique a seladora de plástico.

A seladora é uma tinta acinzentada e muito fina que ajuda a esconder


imperfeições no cano, como riscos da lixa ou ondulações da fabricação.

Depois da secagem da seladora, use lixa 1200 ou maior, também com água,
para lixar novamente. Pode ser necessário mais uma ou duas demãos de
seladora, seguida pelo lixamento.

Finalmente, aplique a tinta que escolheu para dar o acabamento.

Embora a parte exterior possa ser de qualquer cor, é aconselhável usar uma
cor escura, para evitar reflexos que vão “fechar” a suas pupilas na hora de
observar. No meu caso usei uma tinta cinza ligeiramente metalizada com
referência “cinza urano” que deu um aspecto muito bom.

Depois da pintura, que pode requerer mais de uma demão e umas 24 horas
para secar, foi aplicado um verniz protetor, necessário no caso de pintura
metálica, para assegurar brilho e proteção da pintura.

Cuidado! Não deixe o tubo exposto diretamente ao sol por longos períodos,
pois o PVC é sensível ao calor e pode amolecer e empenar.

Contenha sua ansiedade e não monte os espelhos imediatamente após a


secagem da tinta. Deixe o tubo num local arejado (à sombra!!) e espere alguns
dias até passar o forte cheiro de tinta. Desconfio que esse cheiro químico
possa reagir com a aluminização e provocar algum efeito indesejável no
espelho.
Mas é só desconfiômetro porque não apostei pra ver :-)

A montagem do tubo principal

Finalmente chega a hora de colocar tudo junto e testar o telescópio.

Comece a montagem pelo focalizador, parafusando a base, encaixando o tubo


deslizante de dentro para fora do tubo e colocando o porta ocular na ponta do
tubo deslizante.
Muito cuidado se precisar remover o focalizador com os espelhos instalados.
Sempre existe o risco do tubo deslizante escapar da sua mão e bater num dos
espelhos.

Verifique se o parafuso do focalizador sobra muito para dentro do tubo.


O ideal é que ele fique no máximo uns 2 milímetros para dentro. Se tiver mais
que isso, remova o focalizador e serre o excedente de parafuso. É saudável
também pintar a ponta desses parafusos de preto fosco.

Instale agora o suporte da buscadora. Verifique se sobra parafuso para dentro


do tubo; Se tiver mais que 2 mm, serre o excedente. De novo, é saudável pintar
a ponta deles de preto fosco.

Instale a aranha.

Certifique-se de primeiramente centralizá-la e depois deslocar o espelho


secundário para perto do focalizador, puxando umas varetas e soltando outras.

Para saber quanto deve “descentrar” o espelho secundário em direção ao


focalizador, dê uma olhada na calculadora que tem na página de astronomia do
Zeca:

http://paginas.terra.com.br/lazer/zeca/pratica/colimacao_laser.htm#offset

Depois faça o alinhamento do espelho secundário:

http://telescopios.sites.uol.com.br/colimacao.html

Instale agora o espelho primário e siga o procedimento de alinhamento descrito


no mesmo link dado acima, http://telescopios.sites.uol.com.br/colimacao.html

Lembre-se de NUNCA usar ferramentas dentro do tubo se os espelhos


estiverem instalados.
Depois de alinhado, teste o focalizador, conforme instruções no final da sessão
“focalizador”.

Encontre agora o centro de gravidade do telescópio. Coloque um cabo de


vassoura deitado no chão e coloque o tubo atravessado sobre ele. Experimente
mover o tubo sobre o cabo de vasoura até achar a posição em que ele fique
em equlibrio. Faça uma marca nesse ponto e trace um círculo de lado a lado.
Cole uma fita de feltro nessa posição, dando a volta no tubo para servir de
orientação na hora de colocar a braçadeira.

Coloque a braçadeira no tubo e coloque o conjunto na base

Finalmente, leve o telescópio para fora para alinhar a mira.

Cuidado: Nunca olhe para o sol com o telescópio. Você pode ficar cego
instantaneamente.
Não deixe o telescópio sendo usado por crianças sem estar por perto porque
elas podem não levar a sério a recomendação acima.
Muito cuidado ao usá-lo durante o dia, porque antes de ganhar prática no
manuseio dele, você pode, sem querer, apontá-lo para o sol.
De preferência, escolha um alvo para alinhar a mira que esteja do lado oposto
ao lado que está o sol.

Para alinhar a mira, escolha um objeto fácil de distinguir que esteja a uns 400
ou 500 metros de distância, como uma antena ou a janela de uma casa.

Centralize o telescópio nesse objeto em seguida, ajuste a luneta buscadora no


mesmo objeto.

Com isso, sempre que um objeto for visto no centro da buscadora, ele estará
também no centro do telescópio.

Chegando aqui, você é o feliz proprietário de telescópio caseiro.

Boas observações e seja bem vindo ao grupo 

Construção de um telescópio refletor de 180 mm

Tampa para o Tubo Principal

Nessa sessão :

 Introdução
 Materiais
 Ferramentas empregadas
 Instruções
 Acabamento

Introdução

É muito importante ter uma tampa para cobrir o tubo principal quando não
estiver em uso, porque sem ela o espelho fica rapidamente coberto de pó e
sujeira.

Lembre-se que devemos evitar lavar o espelho, porque a cada lavagem perde-
se parte do aluminizado;Devemos primar por mantê-lo limpo e lavá-lo somente
a cada um ou dois anos.

Fiz minha tampa com restos do cano principal e um disco de madeira, mas
existem outras alternativas, como lona, plástico ou couro que ficarão mais
leves. Acho que tecido não é recomendado porque o pó acaba passando pelos
“poros” dele e se assentando sobre o espelho.

Se você leu as instruções preliminares, deve se lembrar que sugeri fazer um


anel com o PVC de 200 mm e usá-lo como régua para traçar riscos no tubo
principal. Agora você pode aproveitá-lo para fazer essa tampa, ou cortar outro,
se está fazendo a tampa antes de concluir o telescópio e ainda for precisar do
gabarito.

Materiais

 Cerca de 211 cm quadrados de compensado de 15 mm de diametro


 Cerca de 16 cm Tubo PVC de 200 mm
 10 rebites (para rebitar a cinta de pressão e as emendas de cano)
 3 parafusos de madeira com cerca de 1 cm de comprimento
 3 parafusos de aperto manul (eu usei parafusos de porta serial, da mesma
forma que no focalizador )
 Cerca de 50 cm de feltro
 Seladora de madeira
 Tinta

Ferramentas

 Serra em arco (para cortar o cano)


 Serra de rodear ou serra tico-tico. Se não tiver pode improvisar com a serra
em arco
 Furadeira. Desejável ter tbm um esmeril adaptável á furadeira
 Alicate Rebitador
 Alicate (para segurar peças durante desbaste)
 Lixa 50, 150 e 320
 Grosa (Opcional. Seria para desgastar o PVC)
 Compasso
 Trena ou régua

Instruções

Corte um disco de madeira com diâmetro de 210 mm. Ele precisa ser um
pouco mais largo que o tubo principal. Use o procedimento com o compasso
para dividir esse circulo em 6 partes iguais.

Corte um segmento de aproximadamente 7 cm do tubo de PVC.

Essa medida pode ser um pouco diferente dependendo de como está fixada
sua aranha ao tubo principal.

Para saber o comprimento desse segmento, meça a distância da haste da


aranha até a boca do tubo; Esse é o comprimento máximo do segmento de
tubo, pois não queremos que a tampa fique apoiada nos suporte da aranha.

Corte esse segmento, formando um anel aberto e vista-o no disco de madeira.

Note que vai ficar um gap de cerca de 4 cm. Você precisa complementar essa
falta com um outro pedaço do tubo de 200 mm. Ao recortar esse pedaço
considere mais 1 cm de cada lado para sobreposição das partes.

Lixe as partes que sobrepõe até mais menos metade da largura da parede do
tubo, para que não fique muito alta ao ser emendada e rebite-as no lugar.

Agora será necessário fazer 9 furos nesse cano :

3 na parte superior, onde serão colocados os parafusos que o prenderão na


madeira.

6 na parte inferior, sendo que 3 serão usados para rebitar a cinta mais fina,
descrita mais abaixo, e 3 serão usados para colocar parafusos de aperto
manual usados para travar a tampa no tubo principal.

Parafuse o conjunto no disco de madeira com 3 parafusos posicionados a 120º


de distância um do outro.

Corte agora uma cinta do PVC com 2 cm de largura e rache-o, formando um


anel e coloque por dentro do tubo da tampa. Note que ele também vai precisar
de uma emenda, da mesma forma que o outro segmento de tubo. Para não
engrossar o diâmetro dele, que poderia impedir o conjunto de encaixar no tubo
principal, lixe as partes da emenda e depois faça três furos e “costure” com um
arame bem fino.

Coloque esse anel por dentro do tubo e rebite-o no lugar, com os rebites
coincidindo com os parafusos usados para prender o disco de madeira.
Prenda os parafusos de aperto manual nos furos intercalados com os rebites e
amacie o aperto. Note que os parafusos não perfuram a cinta do interior.
Aquela cinta serve justamente para transferir a pressão dos parafusos por igual
ao tubo principal e impedir que ele, o tubo principal, seja arranhado pelos
parafusos.

Acabamento

Aplique seladora no disco de madeira e pinte somente a parte externa do


conjunto.

Depois da pintura, cole a fita de feltro na cinta interna do tubo.

Abaixo uma foto da tampa com o acabamento, faltando apenas a colagem da


fita de feltro.

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