Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal - UNIDERP Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – REDE LFG Curso

de Pós-Graduação Lato Sensu TeleVirtual em DIREITO E PROCESSO DO TRABALHO Disciplina Direitos Fundamentais e Tutela do Empregado Aula 7 Índice Leitura Obrigatória 1...pág.1 Leitura Obrigatória 2...pág.6 Leitura Obrigatória 3...pág.10 LEITURA OBRIGATÓRIA 1 MÁRCIA NOVAIS GUEDES Juíza do Trabalho na Bahia, premiada no III concurso de Monografias,promovido pela Anamatra em outubro de 2000 com o tema: “O juiz, a Nova Justiça – Papel e Desafios, e em 2001, no I concurso de Monografias promovido pela ANATRA de SP com o título: Direito do Trabalho – Proteção do Estado, Exclusão social. Membro do Instituto Baiano de Direito do Trabalho MOBBING: NOÇÃO E CONCEITO Como citar este artigo: GUEDES, Márcia Novais. Terror Psicológico, LTR, São Paulo: 2003, pág 32 a 38. Material da 7ª aula da Disciplina Direitos Fundamentais e Tutela do Empregado, ministrada no Curso de PósGraduação Lato Sensu TeleVirtual em Direito e Processo do Trabalho – UNIDERP/REDE LFG. MOBBING: NOÇÃO E CONCEITO Mobbing ou assédio moral, embora implique uma violação da intimidade do trabalhador, é algo muito mais grave. Enquanto a violação da intimidade decorre do uso abusivo do poder diretivo do empregador, muitas vezes exagerando no uso de certas práticas voltadas para à proteção do patrimônio da empresa, o assédio moral, na realidade, decorre da atitude deliberada de um perverso cujo objetivo é destruir a vítima e afastá-la do mundo do trabalho. Para a vítimóloga Marie-France Hirigoyen, entende-se por assédio moral no local de trabalho: “Toda e qualquer conduta abusiva manifestando-se, sobretudo por comportamentos, palavras, atos, gestos, escritos que possam trazer dano à personalidade, à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa, por em perigo seu emprego ou degradar o ambiente de trabalho”. Como já salientamos no inicio do capítulo, nos países escandinavos e de língua germânica preferiu-se o termo mobbing; na Inglaterra utiliza-se a expressão bullying; a ltália, certamente pela influência de Harald Ege - médico alemão -, adotou a termo mobbing. Vocábulo derivado do verbo to mob, que significa, dentre outras

coisas, cercar, assediar,agredir, atacar; indica-se par mobbing, literalmente, o tipo de agressão praticada por algum animal, que, circundando ameaçadoramente um membro do grupo, provoca a fuga deste pelo pavor de ser atacado e morto. O termo foi empregado pela primeira vez par Konrad Lorenz,famoso etiologista. Transportado para o mundo do trabalho, mobbing significa todos aqueles atos e comportamentos provindos do patrão, gerente ou superior hierárquico ou dos colegas,que traduzem uma atitude de continua e ostensiva perseguição que possa acarretar danos relevantes às condições físicas, psíquicas e morais da vítima. Com efeito, estamos tratando daquelas atitudes humilhantes, repetidas, que vão desde o isolamento, passam pela desqualificação profissional e terminam na fase do terror, em que se verifica a destruição psicológica da vítima. As razões de natureza pessoal podem ser a inveja que um colega desperta em outro ou podem revelar uma forma de o chefe esconder sua limitação intelectual ou profissional, mas existe ainda aquela espécie de assédio moral desencadeada pela própria empresa que acredita nesse tipo de perversão, seja para aumentar a produção, seja para se livrar daqueles empregados incômodos. Daí porque a Associação contra a Estresse Psicossocial é contra o mobbing, fundada na Alemanha em 1993,define-o como sendo uma “comunicação conflitual no local de trabalho entre colegas ou entre superior e subordinado, na qual a pessoa atacada e colocada numa posição de debilidade á agredida direta ou indiretamente por uma ou mais pessoas de modo sistemático, frequentemente por largo tempo, com o objetivo e/ou conseqüência da sua demissão do mundo do trabalho. Este processo é encarado pela vítima como uma discriminação.” A gravidade dos danos provocados na vítima nos instiga a questionar as razões pelas quais esse fenômeno permaneceu por tantos anos longe do exame dos médicos e dos juristas. Com segurança se pode afirmar que durante o período em que prevaleceu o modelo de produção fordista, a estado assistencial e a política de pleno emprego, as vitimas preferiam mudar de emprego a denunciar a assédio sofrido; é que o medo e a vergonha paralisam a pessoa, que acaba buscando na fuga uma solução para o problema. A emergência do modelo da flexibilização produtiva guarda uma profunda contradição quanto a esse fenômeno. Se, por um lado, crescem as denúncias, simplesmente porque não há ofertas de emprego e as pessoas tentam agarrar-se a qualquer custo ao emprego existente, é inegável o crescimento na sociedade de uma maior consciência da subjetividade, mais exigente com a saúde do corpo e da mente, saúde ambiental e estética, menos tolerante para com o sofrimento. Por outro lado, os novos modos de produzir centrados na competitividade e em outros elementos que não cogitam um lugar para a pessoa humana enquanto centro e medida de valores, tampouco para a que se denomina de justiça social, vem exasperando velhas formas de assédio moral no interior das empresas e fazendo emergir novas. Para Leymann, a base do assédio moral no local de trabalho é uma situação conflitiva mal resolvida. Não é, todavia, qualquer espécie de conflito de trabalho que pode ser classificado como assédio moral. É fundamental, segundo os especialistas, para que

ambíguas. há no conflito uma igualdade teórica entre os protagonistas. o culto de relações pouco transparentes. é necessário que os ataques se verifiquem pelo menos uma vez na semana e a perseguição dure pelo menos 6 meses. Segundo os suecos. Se. pioneiros no tratamento do fenômeno. mas positivo. o conflito é afugentado. No mobbing. O assédio moral na empresa agrega dois elementos essenciais à sua manifestação: o abuso de poder e a manipulação perversa. o requisito da duração no tempo. afirma que o conflito no interior de uma empresa não é um fator negativo. Inicialmente a vítima descuida. Uma importante questão a considerar quanto à duração e freqüência dos ataques no processo de caracterização do assédio moral. quando os diretores da empresa têm o estranho costume de empregar métodos abusivos e humilhantes durante a realização dos testes para admissão de empregados e estagiários. esse é o lado positivo do conflito. Temido. Encerrado a conflito. inclusive com ilustrações de casos reais. o abuso de poder pode ser facilmente desmascarado. tem lugar quando as vítimas são várias e o tempo da violência dura apenas o curto período da entrevista para seleção de pessoal. a fábrica (e ainda hoje. no Capítulo VII. pode favorecer o desenvolvimento do assédio moral.quando bem administrado. a manipulação insidiosa causa maior devastação. sem esclarecer as fontes de estudos psicológicos e científicos comprovadores dos resultados. Para a vitimóloga Marie-France Hirigoyen não há necessidade dessa regularidade para que a fenômeno seja reconhecido. um ataca e outro contra-ataca. Em principio. e assentado igualmente em estudos de casos e pesquisas de campo. Essa questão será detidamente examinada. aceitando-se o conflito. O conflito. ela afirma que a assédio moral é fruto precisamente da ausência do conflito. encarando o fato como uma simples brincadeira. Moldada pela disciplina militar que herdou do exército. muito menos chegar a um contra-ataque. o conflito impulsiona. é na repetição dos vexames. favorece a criatividade e a mudança em sentido positivo. que. Nessa espécie de violência ocorre precisamente a negação do outro. O fenômeno se instala de modo quase imperceptível. pode ocorrer que o perdedor não aceite a nova situação e passe a assediar moralmente aquele que ele julga responsável por sua derrota. abrindo espaço para a hipocrisia. todavia. por um lado. ou quando se utilizam de métodos moralmente abusivos na avaliação de empregados.se possa falar de assédio moral. tudo é feito para eliminá-lo do mercado de trabalho. o sujeito perverso persegue sem dar chance de a vítima sequer se defender. Do latim conflictum. a moderna organização produtiva) prima por evitar o conflito. Ao contrário. A violência psicológica deve ser regular. das humilhações. o vocábulo conflito quer dizer embate dos que lutam. sistemática e durar no tempo. apoiado em Half Darendorf. dissimuladas.escancara as adversidades. O conflito foi sempre visto pelos seus aspectos negativos. dando oportunidade para todos se posicionarem. que a violência vai . Estamos de acordo com Domenico De Masi. O conflito pressupõe dois lados opostos que combatem. reconhece-se a existência do outro como interlocutor e admite-se que ambos pertencem ao mesmo sistema de referências e valores.

em 1955. Os fatores responsáveis por esse tipo de perversão moral são a competição. tormento. consequentemente. Trata-se de uma estratégia da empresa para reduzir o número de pessoal ou. Relevante destacar. e significa uma ação executada pela direção de pessoal da empresa para com aqueles empregados considerados incômodos. O termo bossing foi introduzido na Psicologia par Brinkmann. as hostilidades transformam-se em violência declarada. Em todas as razões alinhadas. creditando à vítima a responsabilidade pelos maustratos. a vítima pode ser golpeada de modo tanto individual como coletivo. Nessa espécie. buscando conter custos. É o uso arbitrário e ilegal do poder por parte de um superior. existe o de tipo horizontal. no caso brasileiro. diferença de idade. seja pelo conforto da indiferença. substituir o quadro por pessoas mais jovens e. O caso típico de bullying encontra-se no abuso de poder. seja porque a empresa tira proveito dessa situação estressante e acredita nesse tipo de procedimento como método eficaz para obrigar os assalariados a produzirem mais. o chefe sente-se ameaçado de perder a seu poder e o status privilegiado de que goza dentro da empresa. Na empresa a evolução do conflito se verifica em face da completa inoperância dos seus dirigentes. dando início à fase de aniquilamento moral. nas regiões do Norte e Nordeste. obriga a . Nos Estados Unidos é muito utilizada a palavra harassment (vexação. São variadas as formas e motivações de manifestação do abuso de poder. Na terminologia anglo saxônia. mas pode este contar com a cumplicidade dos colegas de trabalho da vítima e através destes a violência pode ser desencadeada. o assédio moral de tipo vertical é denominado de bossing ou bullying. pagar salários mais baixos. a xenofobia e motivos políticos. o racismo. Neste caso. E a que os italianos denominam de mobbing estratégico. evolui numa escalada destrutiva. Além do assédio moral de tipo vertical. se ninguém de fora intervier energicamente. a preferência pessoal do chefe porventura gozada pela vítima. De um modo geral. seja por falta de habilidade de seus administradores para lidar com o que se denomina de “recursos humanos”. a inveja. Neste caso. A empresa organiza sua estratégia de modo tal a levar a empregado a demitir-se. Bullying tem um significado mais restrito e indica um comportamento vexatório praticado por um chefe. antipatia pessoal. a ação discriminatória é desencadeada pelos próprios colegas de idêntico grau na escala hierárquica. Entre as motivações destacam-se razões políticas.se mostrando demolidora e. que a ausência de políticas públicas capazes de gerar um desenvolvimento calcado em justiça social. o grupo tende a se alinhar com o perverso. Quando a vítima reage e tenta libertar-se. inveja ou proteção superior de que goza o subordinado. a ação necessariamente não precisa ser deflagrada e realizada pelo superior. O tipo mais freqüente de terrorismo psicológico é aquele denominado de vertical. ameaça à imagem social. denominada de psicoterror. diante da ameaça real ou potencial que o subordinado representa. abuso) em vez de bullying. Verifica-se a assédio moral de tipo vertical quando a violência psicológica é perpetrada por um superior hierárquico.

acreditando que as mudanças pretendidas eram fruto da cabeça da nova contratada. que não aceitavam as alterações propostas e resistiram duramente. e as hostilidades foram evoluindo para atitudes de franco desrespeito e deboche por parte de alguns funcionários.população a emigrar para o Sul e o Sudeste do país. Seus insistentes pedidos de auxílio ao diretor da prisão foram interpretados como insubordinação. foi obrigada a se afastar por 2 anos para tratamento de saúde. foi martirizada moralmente pela criada Juliana até a morte. bem como o apoio irrestrito do juiz foram decisivos para que preservasse seu cargo e sua autoridade.foi moralmente molestada pelas cozinheiras. foi nomeada para ocupar o cargo de Diretora de Secretaria numa Vara do interior. em que a supervisora da cozinha da cantina de uma prisão . o que torna freqüentes os casos de humilhações e assédio moral por conta do racismo e da xenofobia. .contratada não só para ocupar o lugar do supervisor que se havia aposentado. No romance “O Primo Basílio”. sua capacidade e autocontrole. ainda que tenha nascido em Pernambuco. Paulatinamente foi percebendo que suas determinações para o serviço não eram observadas. mas igualmente empreender mudanças radicais no modo de preparar e servir os alimentos . a crueldade da violência praticada não é menor do que nas demais casas. Claro que tudo isso é extremamente agravado quando a comunicação interna inexiste entre superiores e subordinados. funcionária de um Tribunal. sem apoio e duramente criticada pela direção do presídio. A coitada da Luizinha. cuja média de idade girava em torno dos 40 anos. Certos instrumentos de trabalho são igualmente conhecidos com a alcunha de “baiano”. Reflexos disso colhemos no fato de que. Ao chegar ao Fórum. em busca de emprego. em São Paulo. quase todo nordestino é designado de “baiano”. No primeiro artigo publicado por Leymanr no qual descreve precisamente um caso de mobbing coletivo. perdeu o emprego e não conseguiu se reinserir no mercado de trabalho. Eça de Queiroz nos trava um quadro inusitado dessa espécie de assédio moral. A violência moral que vem de baixo é uma espécie bem mais rara. Da nossa experiência conhecemos um caso dessa natureza: uma jovem bacharela em direito. mas que também ocorre no mundo do trabalho. entre os assalariados. A violência de baixo para cima geralmente ocorre quando um colega é promovido sem a consulta dos demais. Não obstante a insignificância estatística do mobbing ascendente. esposa do conselheiro Jorge. ou quando a promoção implica um cargo de chefia cujas funções os subordinados supõem que o promovido não possui méritos para desempenhar. a determinação da jovem diretora. e qualquer lapso ou gafe no ambiente de trabalho e designada como “baianada”. Apesar do estresse e da insônia que passou a sofrer. foi recebida com hostilidade pelo corpo de funcionários. por fim. de baixo para cima.

todos da Constituição Federal. emboscar. ou função. a expressão consagrada é aquela usada na Alemanha e na Itália. por meios espúrios. Não obstante. 1. PUC. Assédio sexual e moral: conceito e alcance Por assédio temos qualquer insistência impertinente junto de alguém com perguntas e pretensões. Material da 7ª aula da Disciplina Direitos Fundamentais e Tutela do Empregado. Também está presente a idéia de cercar alguém a fim de alcançar objetivos mesquinhos. por força da Lei n. Membro da Associação Luso-Brasileira de Juristas do trabalho ASSÉDIO SEXUAL E MORAL: CONCEITO E ALCANCE Como citar este artigo: NETO. derivação do verbo to mob que traduz justamente a idéia de cercar. Para o operador do Direito do Trabalho interessa tanto o estudo do assédio sexual quanto o do moral manifestado no ambiente de trabalho. São Paulo: 2008. 1º.assediar. atacar. Membro diretor da Associação Brasileira dos Advogados trabalhistas. O assédio sexual está tipificado como crime. . é clara a possibilidade de reparar os danos materiais e morais decorrentes dessa ardilosa prática com fundamento no art. Professor dos cursos de Pós-graduação da Unicultura. art. sobretudo. LTR. agredir. X. ministrada no Curso de Pós-Graduação Lato Sensu TeleVirtual em Direito e Processo do Trabalho – UNIDERP/REDE LFG. cargo. Membro-Pesquisador do Instituto de Direito Social Cesarino Júnior. Contudo. Pena: detenção de 1 a 2 anos.Membro da Academia Nacional de Direito do Trabalho. José Affonso Dallegrave.224/01 que acrescentou ao Código Penal o art. IV e. b) ação dolosa e reiterada que visa à vantagem sexual. apesar da existência de vários projetos de lei nessa direção.LEITURA OBRIGATÓRIA 2 JOSÉ AFFONSO DALLEGRAVE NETO Mestre e Doutor em Direito pela Universidade Federal do Paraná. art. Responsabilidade Civil no Direito do Trabalho. pág 220 a 222. importa registrar a falta de regulamentação legal como conduta criminal típica. 10. Advogado Membro do Instituto dos Advogados Brasileiros. Na língua inglesa se utiliza o termo bullying para a prática de assédio moral. 3º. Dessa definição legal se extraem dois requisitos de configuração: a) constrangimento provocado por agente que age favorecido pela ascendência exercida sobre a vítima. prevalecendo-se o agente da condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego. III. o agente é sempre o empregador ou um colega de trabalho que atua como superior hierárquico da vítima. Quanto ao assédio moral.” Como se vê do conceito legal antes transcrito. APEJ e EMATRA IX. 216-A: “Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual. mobbing. 5º.

recaindo na regra da responsabilidade civil subjetiva. hígido e livre de qualquer abuso ou infortúnio. indubitável que ele será o responsável direto pela reparação dos danos infligidos a vítima. psíquica e emocional para o seu retorno ao mercado de trabalho. Assédio moral organizacional e a síndrome de Burnout Enquanto o mobbing tem como objetivo a exclusão da vítima do mundo do trabalho. da CLT. deve estar em perfeito estado de saúde física. Destarte.psíquicas e morais da vitima. alíneas “d” e “e”. ato ilícito e nexo causal. III. mas empregado superior hierárquico da vítima. Vale dizer: O trabalhador. vez que presentes os elementos dano. afeta a honra e a boa-fama do empregado. 482. Efeitos contratuais decorrentes da prática do assédio O assédio praticado pelo empregador. com base no art. organizacional ou sexual) a sua principal causa. a conduta ilícita do agente ensejara a rescisão de seu contrato de trabalho por justa causa. O que ambas as figuras tem em comum é a ofensa aos direitos fundamentais do cidadão e a caracterização de dano moral decorrente de insistentes métodos espúrios do empregador.quando. b e j. discriminando e estigmatizando-a perante o grupo. Nesse caso o empregador será responsabilizado pelo ato praticado por seu preposto (assediante). Responsabilidade direta e indireta da empresa 5. do novo .483. sendo a prática de assédio (moral. Sendo o assediante não a pessoa física do empregador. constrange-a de forma reiterada para se satisfazer sexualmente ou discriminá-la. além de caracterizar descumprimento de obrigação contratual. 3. impõe-se ao empregador a obrigação de assegurar ao empregado um ambiente de trabalho sadio. 932.consoante dispõe o art. 2.Segundo a doutrina. devendo ser indenizado quando tal não ocorrer. e se despedido. no assédio moral organizacional o que se visa é a sujeição de um grupo de trabalhadores às agressivas políticas mercantilistas da empresa. sinalizando para a sensação de explosão ou exaustão da pessoa acometida pelo estresse no ambiente de trabalho. o qual fica autorizado a deixar o emprego para postular em juízo a rescisão indireta do contrato. da CLT. Quando o assediante for a própria pessoa física do empregador. Muitas vezes o assediante é um empregado investido de cargo hierarquicamente superior ao da vítima que. que traduzem uma atitude de continua e ostensiva perseguição capaz de acarretar danos relevantes às condições físicas. É. Uma das moléstias que afetam o trabalhador como resultado desse quadro abusivo é a “Síndrome de Burnout”. pois. um esgotamento profissional provocado por constante tensão emocional no ambiente do trabalho. com esteio no art. o mobbing ou assédio moral são todos aqueles atos provindos do patrão ou superior hierárquico. causando-lhe inevitável dano moral. A expressão “burn-out” vem do inglês que significa “combustão completa”. 4. ou mesmo dos colegas. nessas circunstâncias.

poderá optar pelo uso da denunciação à lide. abrangendo. 5. posto que. 151 a 154). 216-A. O primeiro é todo aquele suscetível de valoração econômica. o assediante incorrer nas seguintes figuras delituosas previstas no Código Penal: crimes contra a honra (arts. Se desejar. para fazer justiça à vitima que. o assediante. crimes contra a liberdade individual (arts. acoimando o assediante em valor que o desestimule à reincidência do ato ilícito. 130 a 136). o meio eficaz. Dano material e moral Quando se fala em dano. “age as portas fechadas”. perigo de vida e da saúde (arts. 146 a 149). crimes contra a proteção à inviolabilidade da correspondência e de outros meios de comunicação (arts.Código Civil.129 e 122). 6. máxime pela argúcia do assediador que geralmente tema agir sem deixar indícios. disponível à vítima. devendo o julgador admiti-la sem maiores receios. tanto o dano emergente quanto o lucro cessante (art. há que se balizar o dano material e moral. O julgador deve ser sensível no momento de coligir a prova do assédio. 402 do CC). qual seja a sujeição do assediante a pena de 1 a 2 anos de detenção. na maioria das vezes. . conforme o caso e a gravidade da situação. Mediante essa situação. 122). mas. é possível. induzimento ao suicídio (art. a despeito de ainda não haver tipificação penal específica. do Código Penal. A indenização do dano decorrente da prática de assédio moral e sexual porque diretamente imbricado à dignidade do homem há que ter função não apenas compensatória em relação à presumida dor moral da vítima. além da superveniência de efeitos trabalhistas e civis. lesão corporal e homicídio (arts. Já o dano extrapatrimonial é aquele que resulta da violação do direito geral de personalidade. incidirá conseqüência criminal prevista no próprio art. Prova judicial do assédio A prova judicial da pratica do assédio sexual e moral é de extrema dificuldade para a vítima. Aqui se incluem as despesas que a vítima teve com tratamento psicológico ou mesmo o prejuízo salarial demonstrado pela perseguição do assediante. em manifesta conduta pusilânime. ocasião em que o mesmo processo de execução da sentença condenatória servirá para a vítima executar o empregador e este excutir o assediante que foi denunciado no processo. No caso específico de ocorrência de assédio sexual. Ao empregador condenado caberá propor ação trabalhista de regresso em face do assediante. além de sofrer grave dano moral. mas também um papel pedagógico. se vê prejudicada na produção de tão difícil prova. 138 a 140). sendo presumida a dor daí decorrente (presunção hominis). geralmente é a gravação das conversas abusivas. sobretudo. este também chamado extrapatrimonial. Em relação ao assédio moral. seja para não cometer injustiça diante de uma suposta acusação leviana e infundada.

braçal ou intelectual. O termo bossing é tido pelos italianos como mobbing stratégico. que hoje está aflorando nas legislações. O Dano Moral. aceitação e configuração do assédio moral nas relações do trabalho. ao final provoque pedidos de demissão.Psicoterror. ou seja. inferiorizada. São Paulo: 2008. Reginald Delmar Hintz. Necessário se faz que o julgador aja com a devida atenção e cuidado. Muitas vezes a vítima escolhida é isolada do grupo. bom senso. a partir de 1984. que é o assédio moral. Sob as denominações de Mobbing. O fato do assédio moral no trabalho é antiqüíssimo. de certa forma é compreensível a atitude de alguns Juízes e Tribunais em relutar na compreensão. psicólogos e legisladores de diversos países vêm denominando um fenômeno que está se tornando cada vez mais freqüente. e . Heinemann o utilizou ao descrever o comportamento de um grupo de crianças investindo contra uma criança isolada. mas sua inserção no mundo jurídico é recente. ou destes sobre aqueles(assédio vertical. Passou-se a utilizar a palavra mobbing para definir a violência no âmbito laboral. significando o procedimento empresarial que visa à diminuição de custos. ridicularizada. ministrada no Curso de Pós-Graduação Lato Sensu TeleVirtual em Direito e Processo do Trabalho – UNIDERP/REDE LFG. descendente e ascendente) ou de colegas (assédio horizontal). ljime ou Murahachibu os juristas. jurisprudência e doutrina de inúmeros Países do Mundo Civilizado (ou pelo menos que se tem como tal). passando a ser discriminada. em busca da melhor Justiça. Harcelement Moral. em 1961. Bossing. tornando extremamente penoso ao trabalhador. sob os diversos aspectos como se apresenta. muitas vezes de porte maior. Harassment. Tratando-se de matéria relativamente nova no âmbito da Justiça brasileira e diante da natural reação contra tudo o que é novo. depois. o terrorismo psicológico. pág 171 a 189. o Assédio Moral e o Assédio Sexual nas Relações de Trabalho. Material da 7ª aula da Disciplina Direitos Fundamentais e Tutela do Empregado. LTR. em 1972. Após os trabalhos do alemão. Quem primeiro teria utilizado o termo mobbing terá sido o etólogo Lorenz. radicado na Suécia. a continuidade da relação laboral. através de condutas abusivas de superiores hierárquicos sobre subordinados. os psicólogos. Heinz Ley-nann. Bullying. estudando o comportamento de grupos de animais aterrorizando um animal. para decidir com sensibilidade. os médicos do trabalho e os juristas passaram a se ocupar do fenômeno. através de medidas que.LEITURA OBRIGATÓRIA 3 REGINALD DELMAR HINTZ FELKER Advogado ASSÉDIO MORAL NAS RELAÇÕES DO TRABALHO Como citar este artigo: FELKER. prudência e acuidade.hostilizada. uma degradação do ambiente de trabalho. com o que a empregadora diminui seu quadro de pessoal ou os substitui por outros com salários menores.

humilhando-a. através da Declaração de Princípios e Direitos Fundamentais.desacreditada diante dos colegas. O comportamento perverso e abusivo. e) o risco do desemprego. No processo de assédio a vítima é submetida a pequenos ataques repetidos. hoje. a pequenos ataques repetidos com insistência. é ferida em seu amor próprio.” O Assedio Moral. Aqui se trata de conduta deliberada. como uma das espécies do gênero “Dano Moral” está intimamente ligado aos Direitos Humanos. A pessoa tomada como alvo percebe a má intenção de que é objeto. diante do quadro imposto pela nova (des)Ordem Econômica. como tem observado a OIT em diversas manifestações. onde estabeleceu a necessidade de “respeito à dignidade do trabalhador. um dos advogados que mais se tem destacado no estudo sobre a matéria: . na condução desse processo desgastante o trabalhador.b)A demora nas soluções judiciais. à imagem e à integridade física e mental. é uma atitude de incivilidade. por agressões continuadas. humilhada.c) muitas vezes a solidariedade que o empregador conta entre colegas da vítima.não raros no convívio humano. Assediar é submeter alguém. antevendo alguma vantagem futura na sua carreira profissional. com o objetivo de atacar a vítima na sua auto-estima. Os efeitos do assédio têm estilo específico que devem ser diferenciados do estresse. à honra. Este assédio é uma conduta perversa. da pressão. que leva o trabalhador a evitar o seu acesso ao Judiciário. uma vez se desligando da empresa. em geral. para terminar se refletindo em sua saúde física. entre outras a oriunda da Conferência de 1998. atos e procedimentos que criam situações de constrangimento e humilhações.desestabilizando-o. que se vem desenvolvendo de forma alarmante nos dias presentes. que assusta os trabalhadores. vir a ser integrado nas famosas “listas negras” que circulam entre empregadores. Manifesta-se este assédio pelos atentados à dignidade e equilíbrio psíquico do trabalhador. O empregador. É uma questão de intencionalidade. desentendimentos ou conflitos individuais pontuais. dos conflitos velados e dos desentendimentos. d) o receio de. rejeitada. desprezada. Não se trata. A forma de agir do perverso é desestabilizando e explorando psicologicamente a vítima.interessados em agradar o patrão ou superior hierárquico. que atingem em cheio a auto-estima da pessoa. e como bem observa Luiz Salvador. cujos atos têm significado e deixam na vítima o sentimento de ter sido maltratada. joga com algumas realidades. com sentimento de rejeição. que vai minando sua estrutura psíquica. É um traumatismo que pode gerar uma depressão por esgotamento e doenças psicossomáticas. vítima dos mesmos. deixando o trabalhador. É um processo sistemático de estigmação e inaceitável opressão. assim. que explora psicologicamente o ofendido. sente-se atingida em sua dignidade e sente a perda súbita da autoconfiança. desgastando-a. que tem bem presente:a)A timidez e incapacidade de reação que dominam muitos indivíduos. intencional. de mero estresse. sem trégua. Quando o assédio ocorre e sempre precedido da dominação psicológica do agressor e da submissão forçada da vítima.

pois tem necessidade de demonstrar poder e para ter uma boa auto-estima. fala uma ‘fala vazia’ e não escuta. Estudos realizados na União Européia explicitam que 8% (oito por cento) dos trabalhadores. No Brasil.” Mauro Azevedo de Moura. o que corresponde a 12 milhões de pessoas. sofre de assédio moral no trabalho. Sobre o assediador assim o define: “Alguém que não pode existir senão pelo rebaixamento de outros. desmotivador.. manifestado por uma ou outra forma. Se caracteriza pela repetição de comportamentos hostis.” Vale relembrar a observação do Juiz Claudio Armando Couce de Menezes. verbal ou física. Essas pesquisas européias apontam que na Inglaterra um entre cada oito trabalhadores sofre assédio moral no trabalho. Por outro lado. denotando o dano ao meio ambiente laboral. perversas e difíceis de caracterizar.” Estudo realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra que as perspectivas para os próximos vinte anos são muito pessimistas no que tange ao impacto psicológico nos trabalhadores das novas políticas de gestão na organização do trabalho vinculadas às políticas neoliberais. A OIT ainda detectou a grave situação em que se encontram os milhares de trabalhadores que sofrem esse ataque perverso do assédio moral. geralmente entre um superior e um subalterno.. econômicos e culturais e viceversa. predominarão nas relações de trabalho as depressões. Ou seja: quando um deles é violado. não reconhece suas falhas e não valoriza os demais. É arrogante. plagia ou se apropria do trabalho de outros. angústias. Em resumo.). através de uma ou outra forma de violência. quanto mais se sobe na hierarquia e na escala social. mais as agressões são sofisticadas. Ainda Mauro Azevedo de Moura apresenta quadros estatísticos muito . Não assume responsabilidades. ou seja: a condição de pessoa é o requisito único para a dignidade e titularidade de direitos. as demais também o são. impulsivo. Nos setores de produção. num substancioso e preciso estudo sobre “Assédio Moral” observa que o assédio moral no trabalho é definido como o estabelecimento de comunicações não éticas. através de pesquisas. técnicas de desestabilização e maquinações contra um trabalhador. o stress. Universalidade porque clama pela extensão universal dos direitos humanos. que cerca de 36% da população economicamente ativa. Indivisibilidade porque a garantia dos direitos quer civis ou políticos é condição para a observância dos direitos sociais. a violência é mais direta. amoral. quando afirma: “O estilo específico de agressão varia de acordo com os meios socioculturais e profissionais. é cego para o aprendizado.“A concepção contemporânea de direitos humanos é caracterizada pela universalidade e indivisibilidade destes direitos. estudos informam. trata-se de alguém que é covarde. em trabalho sobre “Assédio Moral e seus Efeitos Jurídicos”. Segundo tal pesquisa. Dissimula sua incompetência (. convivem com o tratamento tirânico de seus chefes. desajustes familiares e outros danos psíquicos.

cipeiros. valorizam equidade e justiça. colegas sentem-se compelidos a esmagar. Tragando um quadro psicológico das vítimas de assedio moral o autor cataloga os seguintes tipos que são preferentemente assediados: “. pelo alcoolismo e pelo suicídio. então. a anular o trabalhador. muito visados são os empregados titulares de alguma forma de estabilidade ou garantia no emprego. palavras. nas empresas privadas. reagem ao autoritarismo. não pode conviver com o sucesso do assediado e esse tem que ser “eliminado’”. por ser invejoso.não tem problemas de integridade: são saudáveis. são dedicados ao trabalho. consumado ou pelo menos tentado. direções. a desenfreada competitividade. muitas vezes por motivos políticos. Como não consegue. seja intelectual.” As pessoas com essas qualidades geralmente são as vítimas escolhidas “pelo que elas têm a mais do que os outros trabalhadores e os psicoterroristas. psicológica e social duradoura. Componentes estes exasperados pelo regime socioeconômico que domina o mundo atual. Nos Estados Unidos. manifestando-se sobretudo por comportamentos. um das pioneiras no tratamento da matéria assim se referiu ao assédio moral no trabalho: “É qualquer conduta abusiva. O assédio moral ocorre. de um comportamento hostil de superior ou colega(s) contra um individuo que apresenta como reação. E dessa opressão resulta conseqüências que a ciência vem detectando: de distúrbios somáticos traduzidos especialmente pela depressão. chefes.” Marie-France Hirigoyen. 13% em hotéis/restaurantes e 12% em serviços. tanto no setor laborativo privado quanto no setor público. O perverso narcisista. a resistência ao novo ou ao tradicional. Em conseqüência. atos. recusam-se a ser subjugados. à . Os principais alvos do assédio moral são os funcionários estáveis. tem um bem desenvolvido senso de culpa. a inveja.reveladores da gravidade do problema. seja braçal. Cerca de 14% das vítimas de assédio moral estão na administração pública. escritos que possam trazer dano à personalidade. a insegurança. um quadro de miséria física. que se caracterizam pela repetição. quando desagradam seus superiores hierárquicos. vítimas de acidente de trabalho. São qualidades que o perverso não tem e quer ‘vampirizar’. gestos. Na equação do assédio moral entram inúmeros componentes além do inato espírito de maldade e perversidade que anima muitos seres humanos. na Administração Pública. um em cada seis trabalhadores sofre assédio moral. são criativos. Heinz Leymann conceituou o assédio moral como: “Deliberada degradação das condições de trabalho através do estabelecimento de comunicações não éticas (abusivas). como dirigentes sindicais. o terror em ver seu trabalho confrontado com colega de melhor preparo ou experiência. prefere destruir a vítima. o medo de perder o emprego. podendo ser enumerados a intolerância. com evidentes sintomas de desenfreada barbárie. a arrogância. criando-lhes um ambiente de trabalho insuportável. a soberba. grávidas. são mais competentes que os perversos. a função ou o posto. dos quais se pretende ver livre. são escrupulosamente honestos: têm um razoável senso de fair play. por longo tempo.

Triste para o autor. B. lutar contra o assédio moral no trabalho e contribuir com o exercício concreto e pessoal de todas as liberdades fundamentais. por em perigo seu emprego ou degradar a ambiente de trabalho. à conclusão de que se encontra caracterizado o fenômeno denominado assédio moral. Apelo desprovido. onde predominam condutas negativas. Configuração. censura ou advertência(s) efetuada(s) diante de uma inobservância aos deveres impostos ao trabalho. Portanto. sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias. Os elementos contidos nos autos conduzem. neste particular. tendo em vista os danos psíquicos por que passou. assim como as relações entre os trabalhadores. O que é assédio moral no Trabalho? É a exposição dos trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras. Decisão . que espécie de enriquecimento poderia resultar ao trabalhador. repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. Relator: Juiz Jose Carlos Rizk. condicionam em grande parte a qualidade de vida.Assédio Moral. capazes de enriquecer o relacionamento entre as pessoas. menosprezá-lo. existindo grande repercussão em sua saúde. ou espíritos anormalmente melindrosos que se ofendem ante a mais inocente gracejo ou à observação mais irrelevante. em que foi Relator a Eminente Juiz Jose Carlos Rizk. diminuí-lo. M. E. por longo período. inexoravelmente. Ementa. Recorrido: J. Uma das mais lúcidas e profundas análises do assedio moral do trabalho veio exposta em decisão do Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região. . relações desumanas e antiéticas de longa duração. de uma relação que tratou de humilhá-lo. desestabilizando a relação da vitima com o ambiente de trabalho e a organização. Uma forte estratégia do agressor na pratica do assédio moral e escolher a vitima e isolá-Ia do grupo. O que acontece dentro das empresas é fundamental para a democracia e os direitos humanos. sendo confinado em uma sala.” Juízes há que vêem no legítimo assédio moral meros conflitos pontuais.Configuração. que merece transcrição integral: “Recorrente: E. durante semanas. de T. Revisora: Juíza Maria de Lourdes Vanderlei e Souza. Cuidam os autos de história deveras triste. concretizadas de forma reservada e respeitosa. foi exatamente o que ocorreu com o autor. Neste caso concreto.. Mas é de se indagar. de um ou mais chefes dirigidas a um subordinado. Origem: 6ª Vara do Trabalho de Vitória RT 1142/2001. 15 A organização e condições de trabalho. sem ser-Ihe-á atribuída qualquer tarefa. espezinhá-lo de todas as formas possíveis. “Assedio Moral. meses ou mesmo durante anos? É verdade que se há de abstrair do assédio moral no trabalho não raras manifestações paranóicas de indivíduos que se sentem perseguidos por todos e por qualquer coisa.dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa. Também não se configurara como assédio a(s).

o setor de telefonia. resolveu a empresa confinar o autor numa sala junto com outros empregados indesejáveis. durante três anos. há. Todas as informações trazidas na peça de ingresso encontram-se respaldadas por farta documentação juntada aos autos. além de o depoimento pessoal do preposto é de uma testemunha ter ratificado as alegações autorais. por exemplo. inicialmente. O MM juízo de piso ainda registrou que e patente o nexo causal entre o fato de o autor ter proposto a reclamação trabalhista pleiteando o adicional de periculosidade.para a ré. em razão disso. permanecendo o obreiro. para toda a sociedade. a empresa o colocou no quadro de reservas de empregados. como. na peça de ingresso. não suportando a pressão e com o objetivo de reverter o remanejamento ilegal. ao contrario do que ocorria antes do ajuizamento da ação pleiteando adicional de periculosidade. o obreiro sofreu efetiva pressão psicológica.3. o juízo de origem entendeu caracterizada a resistência da reclamada em cumprir a determinação judicial de 16 reintegração do autor no mesmo setor de trabalho. Ainda de acordo com a inicial. com a finalidade de ser convencido a desistir da ação de periculosidade. 23 (vinte e três) anos. gozando de auxílio doença no período de 31. transferindo-o da área de telefonia. salários e benefícios. que a ré. durante oito horas por dia. Toda essa trajetória levou o autor a ter conseqüências negativas em sua saúde. Sob essa fundamentação. para o julgador e.2001 a 27. confirmando decisão da primeira instância. sem executar qualquer tarefa. liminar concedida pelo juízo de piso.10. Noticiou o autor. iniciou uma seqüência de atos arbitrários e discriminatórios. além da remoção de setor promovida pela empresa. em larga escala. Inúmeras outras informações foram trazidas na exordial. apresentando um quadro clínico de depressão e estresse. exclusão do obreiro do plano de cargos. com a finalidade de transferir ou o demitir. sendo que este Tribunal. suas atividades funcionais. para a área de serviços e dados. tudo isso sem receber qualquer treinamento. O autor ajuizou uma ação trabalhista. manter o autor inativo em uma sala. na qual foi vencedor. onde desempenhava. Tendo em vista a resistência do obreiro relativamente à renúncia ao seu direito de pleitear o adicional de periculosidade. ou seja. determinou o retorno do empregado ao seu setor de origem. juntamente com outros empregados que também tinham sido reintegrados no emprego. Com a reintegração judicial do obreiro mediante. bem como avaliação contendo desempenho subestimado. em razão de sua recusa em fazer acordo ou desistir da mencionada reclamação. sendo freqüentemente abordado por seu superior hierárquico. o juízo de origem .2001. em decorrência de uma ação trabalhista por ele ajuizada em que pleiteava adicional de periculosidade. sendo que as atividades do setor para onde fora transferido são completamente diferentes daquelas que o mesmo vinha desenvolvendo em todo o longo período do pacto laboral. e a prática de vários atos de retaliação e discriminação por parte da ré. utilizando-se de subterfúgio de que tal decisão era provisória para. Assim.

revoltado. em incansável pesquisa acerca do tema. Este relator. freqüentemente. houve nestes autos o denominado assédio moral. tendo essa obra sido citada pelo autor em sua exordial e também pelo juízo de piso. por medo do desemprego e a vergonha de serem também humilhados. menosprezado. gravidade e amplitude do fenômeno e na abordagem que tenta estabelecer o nexo causal com o trabalho. Não merece qualquer censura a decisão hostilizada. chegou a alguns conceitos importantes para bem definir esse fenômeno no ambiente de trabalho. Estes. tendo ganhado força com a repercussão da publicação na França do livro de Marie-France Hirigoyen “Harcelement Moral: La Violence Perverse au Quotidien” e sua posterior tradução e publicação. multiplicado pelo número de anos de serviços prestados à mesma. submetido. em 2000. repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. desestabilizando a relação da vitima com o ambiente de trabalho e a organização. enquanto a vítima vai gradativamente se desestabilizando e se fragilizando. As razões de recorrer da empresaré não são capazes de refutar a evidência dos danos sofridos pelo autor. passando a ser hostilizada. onde predominam condutas negativas. 17 . Poderia se dizer que ele é tão antigo quanto o trabalho. traído. instaurando o pacto da tolerância e do silêncio. indignado e com raiva. mortificado. associado ao estimulo constante à competitividade. no conceito de assédio moral na relação de trabalho. vexado. em dobro. A reflexão e o debate sobre o tema é recente no Brasil.concluiu que o autor sofreu dano moral. constituindo uma experiência subjetiva que acarreta prejuízos práticos emocionais para o trabalhador e a organização. relações desumanas e anti-éticas de longa duração. A novidade reside na intensificação. O que é humilhação? É um sentimento de ser ofendido. sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias. ridicularizada. E sentir-se um ninguém. sendo que todas as provas colacionadas aos autos direcionam. perturbado. a humilhação causa dor. sendo que a situação dos autos enquadra-se. de forma efetiva. pela Editora Bertrand. rebaixado. na sentença ora hostilizada. inferiorizada. envergonhado. Assedio moral no trabalho não é um fenômeno novo. inferiorizado. culpabilizada e desacreditada diante dos pares. de um ou mais chefes dirigidas a um subordinado. no Brasil. magoado. reproduzem e ritualizam ações e atos do agressor no ambiente de trabalho. deferindo ao autor indenização correspondente ao maior salário percebido pelo reclamante na empresa reclamada. perfeitamente. A vítima escolhida é isolada do grupo sem explicações. Caracteriza-se pela degradação deliberada das condições de trabalho onde prevalecem atitudes e condutas negativas dos chefes em relação à seus subordinados. sob o titulo “Assédio Moral: A Violência Perversa no Cotidiano”. inexoravelmente. rompem as laços afetivos com a vítima e. inútil. constrangido e ultrajado pelo outro. tristeza e sofrimento. E o que é assedio moral no trabalho? E a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras. à conclusão de que. sem valor.

segundo a OIT e Organização Mundial da Saúde. Em nossa cultura competitiva. A psicóloga francesa Marie-France Hirigoyen acredita que a punição ao assedio moral ajudaria a combater o problema. pouco se fala sobre as formas de relação no trabalho. envolvendo diversos países desenvolvidos. pode levar a debilidade da saúde de milhares de trabalhadores. Polônia e Estados Unidos. faz-se necessário tirarmos essa discussão dos consultórios de psicólogos e tratá-lo no universo do trabalho. porém concreto. Segundo ela o assédio moral está sempre presente em relações hierárquicas de poder em que há autoritarismo. mas. sensivelmente. Sabe-se que a mundo do trabalho vem mudando constantemente nos últimos anos. para combatermos de frente o problema do assédio moral nas relações de trabalho. Alemanha. As perspectivas são sombrias para as duas próximas décadas. na maioria das vezes individualizando o problema em . prejudicando. E. a qualidade de vida das pessoas e a economia de um país. relacionados com as novas políticas de gestão na organização de trabalho. aos poucos. angústias e outros danos psíquicos. que podem evoluir para a incapacidade laborativa. Normalmente é caracterizado por atos de intimidação e práticas de humilhar. de rebaixar. constituindo um risco invisível. estas serão as décadas do mal estar na globalização. farmacêuticos e cosméticos que sofreram assedio moral. O assédio moral no trabalho constitui-se em um fenômeno internacional segundo levantamento recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Reina Unido. Margarida Barreto. se não enfrentado de frente. Novas formas de administração são realidades que. ocasionando graves danos à saúde física e mental. de intimidar o outro. A pesquisa aponta para distúrbios da saúde mental relacionados com as condições de trabalho em países como Finlândia. nas relações e em condições de trabalho. comprometendo sua identidade. onde todos procuram vencer a qualquer custo. é bem verdade. como é chamado nos Estados Unidos. No entanto. Pesquisa pioneira da Organização Internacional do Trabalho constatou que pelo menos 12 milhões de europeus sofrem desse drama. da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. dignidade e relações afetivas e sociais. atinge milhares de trabalhadores no mundo inteiro. desemprego ou mesmo a morte. pois “imporia um limite ao indivíduo perverso”. acabou por encontrar estatísticas assustadoras. Problema quase clandestino e de difícil diagnóstico. sob pena de perpetuarmos essa “guerra invisível” nas relações de trabalho. plásticos. pois. se concretizam no local de trabalho.A humilhação repetitiva e de longa duração interfere na vida do assediado de modo direto.072 trabalhadores das indústrias químicas. São práticas que se realizam. tornaram-se freqüentes em nosso meio. A Dra. ao debruçar-se em pesquisas acerca do assédio moral. onde predominarão depressões. Este relator. defendeu tese de mestrado pesquisando 2. urge adotarmos limites legais que preservem a integridade física e mental dos indivíduos. O denominado assédio moral ou tirania nas relações do trabalho.

sendo certo que essa realidade encontra-se ratificada pelo depoimento da testemunha de fl. Uma forte estratégia do agressor na prática do assedio moral é escolher a vítima e isolá-la do grupo. denúncia ao Ministério Publico do Trabalho.uma só pessoa. que chegam a atingir 100% dos entrevistados. Segundo ela. demonstram que o autor sempre foi excelente funcionário. sendo confinado em uma sala. adicionando-se a fundamentação ora exposta. A organização e condições de trabalho. Portanto. Neste caso concreto. sendo que há sintomas. observadas através de sua experiência como clínica médica há trinta anos. As avaliações de desempenho colacionadas as fls. assim como as relações entre os trabalhadores condicionam em grande parte a qualidade de vida. O que acontece dentro das empresas é fundamental para a democracia e os direitos humanos. Os documentos de fls. 13) ilustram o ambiente em que permanecia o autor durante o período do confinamento. tendo uma queda drástica em sua nota na avaliação feita posteriormente ao ajuizamento da ação trabalhista pleiteando adicional de periculosidade (fls. bem como o nexo de causalidade com as situações vivenciadas em seu ambiente de trabalho. dar qualidade em pouco tempo. As fotos colacionadas aos autos (fls. foi exatamente o que ocorreu com o autor. porém. sem serIhe atribuída qualquer tarefa. receituários e demais documentos médicos trazidos à colação (fls. por longo período. há mesmo de ser mantida a respeitável sentença de origem. Por todos os motivos expostos. Alguns chegam a tentar o suicídio. produzir. Os atestados. Nega-se provimento. lutar contra o assédio moral no trabalho é contribuir com o exercício concreto e pessoal de todas as liberdades fundamentais. Hoje. esse aumento tem sido marcante no aparecimento de doenças. inclusive. principalmente a pressão para trabalhar. envolvendo uma série de outros fatores. 321. Margarida Barreto alerta para o aumento do número de casos de assédio moral. como a idéia de suicídio. revelam o estado convalescente do autor. A Dra. demonstram as inúmeras tentativas do autor e do sindicato de sua categoria no sentido de reverterem as atitudes nada recomendáveis da reclamada. é freqüente empresas fazerem cortes de funcionários para conter despesas e aumentar suas exigências em termos de produtividade para os que ficam. por seus próprios e jurídicos fundamentos. 17/74. tendo havido. no mundo do trabalho. quando na verdade isso é resultante de condições outras de trabalho. . Entrevistas realizadas com 870 homens e mulheres vítimas de opressão no ambiente profissional revelam como cada sexo reage a essa situação. de manifestações depressivas. As 18 metas são estabelecidas pelos chefes. tratando o indivíduo como incapaz. 178/212). Muitos acabam adoecendo as exigências irreais. 166/177. estes não escolhem estratégias para que os trabalhadores atinjam as metas estabelecidas. 164).

F. seu poder destrutivo cresce e traz conseqüências muito mais perversas. sem prejuízo da satisfação salarial. e vem revestido de uma conotação sexual enquanto o assédio moral pode se verificar em plano horizontal. para ser caracterizado como delito. como decorrência de doença profissional prendida a esforços repetitivos. manteve-se de 9. Não há controvérsia em que a Reclamante.. embora com percepção de salário. exatamente nessas 19 circunstancias: Direito ao trabalho e dano moral. L . deixando-o sem atividade. via antecipação de tutela. Recuperada da enfermidade. pois pode caminhar em todas as direções e se refere a outras hipóteses. 13 e 14). enfrentou-se um caso prático. S/A e recorrido E. interposto de sentença proferida pelo MM.8. consubstancia incumprimento contratual hábil a ensejar ordem judicial em contrario. após. preferindo mantê-Ia em casa.02 (fl. de cima para baixo nas hierarquias. por dano moral. 20) até 3. inclusive via antecipação dos efeitos da tutela. É o relatório.. em que transcrevemos do acórdão às partes referentes ao dano moral. desde que mantido o pagamento do salário.03 (fl. No julgamento seguinte. suspenso. Quando vêm de níveis hierárquicos superiores. a partir de 5/99.6. percebendo salário. Vistos e relatados estes autos de recurso ordinário. Isto Posto: Direito ao trabalho e dano moral. de B. razoavelmente arbitrada. Hipótese em que a omissão empresária em providenciar trabalho à reclamante. de resto voltando-se contra a ordem judicial. 171.O assédio moral difere do assédio sexual por chantagem. Juízo da 23ª Vara do Trabalho de Porto Alegre. Recurso desprovido. B.. pois este somente acontece verticalmente. verso) à disposição do reclamado. sendo recorrente U. Uma das formas utilizadas para tentar forçar o empregado a demitir-se do serviço e negarIhe a atribuição de tarefas. enquanto assistente administrativa teve o vínculo interrompido e. bem como contra o reconhecimento e a quantificação do anunciado dano moral. que não de natureza sexual. I. consoante alta médica reconhecida pelo INSS. mas sem ter a oportunidade de prestar trabalho: ao argumento de que seu setor . sem prejuízo da reparação. inclusive com apelo à DRT (fls. de providenciar trabalho a quem mantinha em casa. 12). e nada obstante a intenção declarada de voltar ao serviço (fl. A tese do empregador é de que não haveria irregularidade em manter-se o trabalhador afastado das atividades da empresa. com o que se pretende minar a sua auto-estima e sua imagem frente aos Colegas.

resumidamente. exigia pronta e razoável solução. o empregador preferiu conservá-Ia em casa. Tal distinção não é que deflui do contexto da exordial. tanto que tal antecipação. que respalda a providencia estatal. Iiminarmente. ou mediante justificação previa. diante do decurso. ao fixar a agencia mais próxima da residência da recorrida como seu novo posto de trabalho. § 3º. reputa-se estéril a distinção proposta em recurso. do CPC. na hipótese em que presentes os respectivos requisitos. de cujo bojo sobrevém a noção de que o pleito alusivo ao estabelecimento de local de trabalho exprime intento diverso do de retorno imediato à labuta. já em antecipação aos efeitos da tutela. a reclamante pediu fosse estabelecido local de trabalho para si. mostrando-se ultra petita. ademais. a sentença violou os limites da postulação. do prazo legal à estabilidade acidentaria (art. bem como do fundamento relevante da demanda. tem assento nas ponderações seguintes: ao determinar o imediato retorno à labuta. porém. nenhuma ingerência judicial na organização da empresa. tem expressa previsão legal na espécie. 461. A decisão objetada acolheu. em nada implica violação ao devido processo legal. ao contrário do sugerido. o empregador não desgarrou senão do exercício regular de direito seu. A sentença. transferira-se para São Paulo. o devido processo legal. daí não sobrevindo dano. no ínterim por que afastada da empresa. qual seja a de imediato retorno à labuta. verbis: “Na ação que tenha o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer. e ao dispensar a prestação laboral. A irresignação vertida no apelo. do CPC. 8. 461.funcional. Inicialmente. viola. o juiz concedera a tutela especifica da obrigação ou. bem como à reparação do prejuízo extrapatrimonial reconhecido. ainda. cumpre afastar qualquer vício prendido à decisão a quo. Acerca disso. caput. se procedente o pedido. qual seja o assédio moral denunciado. sendo que tal determinação via antecipação dos efeitos da tutela. inclusive porque a prolongada inércia patronal. diverso da ordem repugnada. o que não se mostra. via antecipação dos efeitos da tutela. a ser indenizado. A propósito. a pretensão consubstanciada no imediato retorno à labuta. Em derradeiro. determinara providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento. desde que satisfeito o salário. verbis: “Sendo relevante o fundamento da demanda e havendo justificado receio de ineficácia do provimento final. qual seja a auditoria. nem viola o devido processo legal. vale 20 transcrever a norma do art. é Iícito ao juiz conceder a tutela. Não se vislumbra. tais requisitos tem claro preenchimento. de resto carente de prova.” O acolhimento da pretensão obreira. no particular. assim atraindo o disposto no art. é incensurável. 1180 da Lei n. o recorrente considera excessivos os valores arbitrados à multa pela demora no cumprimento da ordem judicial.213/91). citado o . sem prejuízo do alcance de uma indenização fundada em dano moral. dia a dia. Com efeito. a qual nem e ultra petita.

. desde que satisfeito o salário. da força de trabalho da reclamante. com redução à constrangedora situação de receber.. de indignidade. tal compreensão se houve. com arranjo e exigências atentas à dinâmica de seu próprio desenlace no tempo. destinados a expor a vítima a situações incômodas e humilhantes (. IV e 6º. 12. no tópico. sendo conhecido o corte que. II e IV. da Carta Política. transferência de funções e de local de trabalho. Nesta senda e que a recorrida.” ( . Não se alonga. consoante previsão dos arts. citado nas fls.” . 5º. 1º. os arts. congelamento funcional. Em verdade. o último dos quais. consoante bem retratado em contra-razões. do CPC. na capital. no aproveitamento. o que teria tradução. buscam o 21 descarte desse problemático trabalhador.. do principio da boa-fé objetiva (art. (Cláudio Armando C. no sentido de que o mesmo veicula verdadeiro processo. sem detenção. nalguma das numerosas agências do reclamado. tem-se que tal desmerece guarida. e reclamar perdas e danos. especialmente quando de longa duração. havendo antes inadimplemento na postura do empregador em dispensar-Ihe atuação.” “Aplicável. dentre outros procedimentos. sendo correto. sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. não raro. há muito superada. procedimentos.) (exemplo disso) e o retorno de empregado após período de Iicença médica ou de outra natureza. tem o direito de trabalhar. enquanto ilícito contratual habilita-se à reparação por dano moral reconhecido na sentença. independente de prova. Referido inadimplemento. no particular. verbis: pode-se exigir que cesse a ameaça. em cujo âmbito se alocam diversas obrigações. e a do assédio moral. ). encará-Io como prerrogativa inerente à livre expressão da personalidade. na relação jurídica de emprego. Incólumes. O empresário e seus gerentes e chefes.. a elevá-Io à fundamento da Republica. para dizer. espelha exercício regular de direito empresário. ou conforme o pactuado. 166/167). o qual tem presunção razoável. em casa. o art. Vê-se que o direito ao trabalho tem espeque constitucional. ou a lesão. verbis: “O assédio é um processo. acarreta evidente sentimento de desprestígio e. acerca do negócio jurídico. da Carta Política. e 128 e 460. destarte. conjunto de atos. que vincula cada sujeito do Iiame a mais plena realização do interesse da contraparte. A figura doutrinaria ligada ao tema. pois não se cogita. inclusive. através da inação forçada. salário ao qual não correspondeu trabalho. em termos que vale a pena transcrever. após quase 15 anos de serviço. do novo Código Civil. de conduta benévola. inclusive. mesmo. propôs CIóvis do Couto e Silva. de duas únicas obrigações contrapostas: prestar trabalho e pagar salário. a direito da personalidade. 422. porque o desprezo injustificado da força laboral disponibilizada. desde a alta médica. de resto.réu. de Menezes. No que pertine à alegação de que a dispensa da prestação laboral. do novo Código Civil). aqui. como resultado da celebração da avença empregatícia.

em particular no modo da remuneração. negar provimento ao recurso. impondo.00. em face do sobredito.03. montante que não supera. a intimidade e a dignidade do empregado. dirigir. Nenhum trabalhador pode ser sancionado. Esta discricionariedade é relativa. Impossível seria fixar numero de atos. da reclassificação. da qualificação e classificação de promoção profissional. tem-se que bem se amoldam ao caso em apuro: a multa. X. dada as variáveis circunstâncias que revestem cada caso. da L1CC. na medida em que a conduta diretiva não poderá violar os direitos da personalidade do empregado ou funcionário. por ter sofrido ou rejeitado de sofrer os comportamentos definidos no parágrafo precedente ou por haver testemunhado sobre referidos comportamentos. os arts. e fiscalizar a atividade laboral.” Não caracterizarão o assédio moral fatos isolados. vencido o Exmo. para a caracterização do assédio moral. no que toca aos valores arbitrados à multa pelo atraso no atendimento da ordem judicial prendida ao retorno ao trabalho. Via de regra o assédio moral se consubstancia através de atos reiterados. da formação. A lei francesa (2000-73) sobre a modernização do trabalho. suscetíveis de lesar os direitos e a dignidade do trabalhador. Respeitados. bem como à reparação do dano moral identificado. O poder de direção confere a possibilidade de organizar. que freqüentemente ocorrem nas relações inter-pessoais em qualquer coletividade. a reparação. no importe de R$ 1. aprovada em 17 de janeiro de 2001.Finalmente. Juiz revisor. diretas ou indiretas. compensa. desde que não atinja a honra.6. Ante o exposto. a lesão extrapatrimonial. consubstanciada no dobro dos salários devidos entre 9. inclusive. e 126.8.000. Também não o caracterizarão disposições individuais ou coletivas oriundas do poder de comando do Empregador privado ou do Administrador público. licenciado ou ser objeto de medidas discriminatórias. considerado o poderio econômico do recorrente. Nega-se provimento. . ao contrário do advertido. da Carta Política. por dia. acordam os juízes da 3ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região: por maioria. o pleito da exordial.02 e 3. decorrentes de alguma indisposição pontual ou de um mal-entendido. do CPC. 4º e 5º. de modificação ou renovação do contrato. define o assédio moral nos seguintes termos: “Nenhum trabalhador deve sofrer atos repetidos de assédio moral que tenham por objeto ou por efeito a degradação das condições de trabalho. ou a reiteração num espaço de tempo determinado. persuade à prestação de fazer. sanções disciplinares pelo descumprimento. de alterar sua saúde física ou mental e comprometa o seu desempenho profissional. 5º. proporcionalmente.

. “A perversão narcísica consiste na implantação de um funcionamento perverso em uma personalidade narcísica” (.assediomoral. visando humilhar. pelas quais se pode formar o seu perfil com características bem definidas de perverso.A empresa não precisa de incompetentes iguais a você! . desde logo.é absorvido por fantasias de sucesso ilimitado. .. está indo muito ao médico . .O sujeito tem um senso grandioso da própria importância. caracterizariam.Não consegue aprender as coisas mais simples! . ofender. narcisista e megalômano. cinco das seguintes manifestações: . No site www. a conduta premeditada e dirigida do ofensor. através de um só ato. No caso.É melhor pedir demissão.Aqui você só atrapalha! . conforme transcrito em um dos acórdãos adiante referidos: "Burros! animais!" O agressor.. Diz ela. ...org são arroladas diversas expressões.É mal casada. brigou com o marido! . frouxo..tem excessiva necessidade de ser admirado.. Maria Aparecida Alkimid sugere como exemplo de assédio moral..) “A personalidade narcísica é descrita como se segue (ou apresenta. e 22 barra sua entrada no estabelecimento ou impede-a de entrar para retirar seus pertences. . a empresa precisa de quem da produção! E você só atrapalha.. não está produzindo nada . atentando contra sua dignidade.Não posso ficar com você.Até uma criança faz isso! . usualmente utilizadas pelos agressores. Marie-France Hirigoyen traça o perfil do agressor através de algumas considerações muito interessantes. .Você é mesmo difícil .Se você não quer trabalhar. como o tratamento usualmente dispensado por um empregador a seus empregados. e muito encrenqueira! É histérica! .A empresa não é lugar para doente..Vá para casa lavar roupa! . com intenção manifesta e inequívoca de humilhar o trabalhador. a figura do agressor tem merecido uma analise psicológica especial por parte dos estudiosos. então porque não fica em casa? . .Excepcionalmente poderíamos ter caracterizado a assédio moral.. . pelo menos. porque não da o lugar para outro? A esta relação poderíamos acrescentar outras tantas expressões. a hipótese de o empregador que despede a empregado sem justa causa..Ela faz confusão com tudo. o assédio moral. diminuir a vitima: “..Você é mole. de poder.. concretizado independente de reiteração. se você não tem capacidade para trabalhar..acredita ser “especial” e singular.

bem sucedido procura eternizar o conflito. Muitas vezes se Ihes atribui um ar moralizador.mantém um senso da grandiosidade de sua pessoa.. o outro sente-se apanhado em falta. .O aterrorizado .. . certamente seremos capazes de identificar a figura do perverso. da verdade.não tem a menor empatia.uma inveja crônica e profunda invade sua existência.inveja muitas vezes os outros. alimentando seu poder de destruição. vira ovelha frente aos superiores. Eis algumas: .. .leal frente aos subordinados.O megalômano . (. . exterioriza seus problemas com agressões constantes.) “A força dos perversos é sua insensibilidade.a inveja e o ciúme dos outros infernizam sua existência. .O casual.O tirano . passando a agredir. Não admite que outrem possa desfrutar de situação ..O sádico . Não experimentam qualquer escrúpulo de ordem moral. que se colocam como referenciais. Torna-se extremamente agressivo frente a qualquer desconfiança de perigo. .O frustrado . .O critico . Sua ambição faz com que agrida quem considere capaz de obstar sua ascensão. como medida padrão do bem e do mal. Sua falta de confiança em si mesmo gera uma crueldade no trato com os demais. . Não sofrem.da provas de atitudes e comportamentos arrogantes. nos círculos de pessoas com quem convivemos. E se alguém as apresenta.O colérico .O puxa-saco .critica muito.coloca sua criatividade em busca de formas de aterrorizar a vitima.O invejoso .intolerante e mal-humorado. 23 .vive em estado de pânico considerando que possa perder o cargo ou ser substituído na função.manifesta-se a partir de evento ocasional. mas quando eles não dizem nada.sente prazer em manter um clima de pressão constante a seu redor.. eles já foram escolhidos por não atingirem nunca a virtuosidade capaz de protegê-Ios. Atacam com completa impunidade.) “Os perversos narcisistas são indivíduos megalômanos.” (. que considera de um valor imensurável. . Eles exibem seus irrepreensíveis valores morais. Denunciam a maldade humana.O instigador .pensa que tudo Ihe é devido. rejeita-as. superior. Diversos autores e mesmo entidades tem procurado uma classificação dos agressores na figura do assédio moral.” Com esse magistral retrato delineado. . permanentemente a vítima. .assedia a vítima pelo gosto de humilhá-Ia. que enganam e dão uma boa imagem deles próprios. . . mas não apresenta soluções. porque mesmo quando em revide os parceiros utilizam defesas perversas.explora o outro nas relações interpessoais. distante.

onde desponta toda a vilania. quando o imperativo e a sobrevivência. seja por comunicação escrita. do brincalhão. há sério conflito entre promoção de idéias novas e conformismo subserviente.não age às claras. como por exemplo. Age sorrateiramente. a lealdade relativiza-se e os escrúpulos em “fazer a caveira” alheia ficam bastante reduzidos. divulgação de doenças e problemas pessoais. de acordo com os tragos predominantes de sua personalidade. assim. determinar a execução de tarefas que estão em desacordo com a função exercida. Entre as primeiras. do sensível. tais como comentários sarcásticos.” Entre outras formas de assedio moral podem ser apontadas: Ignorar a existência do ofendido. do bode expiat6rio. do presunçoso. . .também as vítimas do assedio moral vem merecendo uma classificação. Outra classificação contempla os agressores como: mala. do hipocondríaco. em arena de disputas. do seguro de si. críticas em público. O agredido .não manifesta o menor escrúpulo em barrar o caminho dos outros para subir na carreira. pois tem medo de arcar com as conseqüências de sua conduta. O assédio moral se manifesta por inúmeras formas. . a mesquinhez e a infâmia de que e capaz a alma humana. Mais freqüentes as segundas. verbal. que abrangem uma vasta relação de hipóteses. do medroso. afixa na sede da empresa relação com nome dos empregados de menor produtividade. babão. em qualquer terreno. Vale lembrarmos o que escreveu Fernando Antonio Lucas Camargd: “Em tempos de redução dos postos de trabalho formal. do ambicioso. do severo. a miúdo. do sofredor. FORMAS: O ambiente de trabalho que deveria ser marcado pela cordialidade e solidariedade transforma-se. do verdadeiro colega. Não só trata de subir 24 como de fazer com os outros desçam. também na luta pelo poder dentro da organização. apresentada com notável sinceridade por Shepherd Mead em como vencer na vida sem fazer força. os mexericos e bisbilhotices que visam atingir determinado indivíduo. teríamos as figuras do distraído. envia bilhetes com ofensas e injúrias. do paranóico. do passivo dependente. .troglodita e tase (ta se achando). do introvertido.O carreirista .melhor do que a sua. servir . Assim.O pusilânime . ou não verbal. ameaças verbais. em cenário de verdadeiras tragédias. pitbull.garganta. do camarada. profeta. determinação de realizar auto-crítica em publico. do servil. grande irmão.

apresenta um decálogo de circunstâncias exemplificativas do assédio moral no trabalho: 1. E certamente esse tipo de despedida é das mais injustas e arbitrarias. Para que o grupo seja homogêneo.cafezinho ou limpar o banheiro. 25 A respeito. e capaz de criar um sem numero de estratagemas para compelir a vitima a demitir-se do serviço. Em alguns casos o assédio moral se aproxima muito do assédio sexual e das condutas discriminatórias. no trabalho antes referido. por bem ou por mal. assim se manifesta Marie-France Hirigoyen: “As atitudes de assédio visam antes de tudo a ‘queimar’ ou se livrar de indivíduos que não estão em sintonia com o sistema. robôs interculturais e intercambiáveis. que se sente perseguido.. O assédio moral é um dos meios de impor a lógica do grupo. clones. superiores às forças do empregado.” Couce de Menezes. vexado. quando o empregador deseja excluir determinado empregado. inatividade forçada sendo-se-Ihe negada atribuição de qualquer tarefa. Na hora da globalização. desqualificar a função exercida. procura-se fabricar o idêntico. desestruturando suas defesas psíquicas e somáticas. dar instruções confusas.. atribuir tarefas acima de sua capacidade. atribuição de serviços vexatórios. Eles devem se submeter para melhorar os desempenhos e a rentabilidade. pois as empresas. rigor excessivo por parte dos superiores. via de regra. seja de caráter. O assédio se concretiza. Eles tem de aceitar. boicote no fornecimento de material necessário para o trabalho. que constituem espécies distintas do gênero do abuso de direito e da violação dos direitos da personalidade no âmbito do trabalho. dos quais o empregador se quer livrar. enfim condutas que visam atingir a auto-estima do trabalhador ou funcionário. comportamento. esmaga-se aquele que não está no ponto. como todo o grupo social. aniquila-se qualquer especificidade. as regras do jogo. Promover uma conduta indevida contra empregados que gozam de estabilidade ou de garantia no emprego. estabelecer horário injustificável ou que sabe não poder ser cumprido pelo trabalhador. humilhado e impotente para enfrentar em igualdade de condições seu contendor. Essa formatação e freqüentemente retransmitida pelos colegas. sexo. pois fere o íntimo do ser humano. Especialmente no mobbing estratégico. exposição ao ridículo. por rigor excessivo no trato diário. raça formatar os indivíduos e uma maneira de controlá-Ios. alheios a . inação forçada. que considera indesejável ou incômodo para a empresa. geram em seu seio forças de autocontrole encarregadas de recolocar na linha os “alienígenas”.

7. ou de função do trabalhador que retorna ao emprego. delações. . isolando-o dos demais. Tecer comentários maldosos e injuriosos sobre condições sociais. Há inclusive. Ocorre ainda observar que muitos administradores. 10. via de regra. 4. 2. Colocar em dúvida. É a manipulação consciente do psicoterror. subordinados ou colegas a provocar zombarias sobre defeitos físicos. preterição em promoções.suas funções. redução da zona de trabalho. Utiliza-se.Ameaçar com violências físicas. sem se afastar do serviço. cultivam o assédio moral. coletiva ou individual. 8. usando de comentários desairosos. obediência e disciplina no trabalho seria a ameaça do chicote. fazer circular ou afixar documentos com repreensão pública. então. onde órgãos colegiados vedam o ingresso de colega. raça. entre colegas. 3.Estimular superiores. chefes de . cor. acreditando-se incapaz para o trabalho. espaço exíguo ou mal instalado. 9. o trabalho ou a capacidade do trabalhador. após ferias ou licença. por inveja ou medo de confronto com pessoa melhor preparada culturalmente. Transferir o local de trabalho. 5. Diante desta situação muitas vezes a vitima e levada a culpar-se.Agir de modo a impedir a promoção. ou perigosos. Cometer ao empregado tarefas irrealizáveis. que é desejada. 26 . Praticar atos humilhantes antecedendo a despedida. 6. esvaziar as gavetas da mesa. tanto na área pública ou privada. falsas alegações e. Da mesma forma servidor público que pretende afastar detentor de cargo de confiança ou detentor de função gratificada. Castigar o trabalhador alvo a exercer suas atividades em salas mal iluminadas. procurando levar com mão de ferro seus subordinados. atos diversos que visam desprestigiar o visado. entendendo que a única forma de conseguir maior produtividade. entre outras o rebaixamento de função. A estas hipóteses pode-se acrescentar algumas situações onde se verifica o assédio horizontal. na função pública. como “técnica” administrativa. Trancar a sala onde trabalha o empregado. Inúmeros expedientes são utilizados para infernizar a vida do empregado. Perseguir o empregado que moveu ação trabalhista contra o empregador. ou mesmo deixando de atribuir qualquer tarefa ao empregado. Ameaçar constantemente de despedida. reiteradamente. com rudeza e de forma agressiva. Tratar os subordinados. costumeiramente. preferência sexual do trabalhador. Poder-se-ia aditar: . um sem número de expedientes para desacreditar o colega perante a comunidade científica.

. idéias de suicídio ao alcoolismo. que são mais severos e desrespeitosos no tratamento com os colegas do que os próprios donos do estabelecimento. de segundo ou terceiro escalão. As conseqüências desse assédio moral são de diversos matizes. Em muitas dessas hipóteses é cogitável a acumulação do dano moral com o dano patrimonial que se verificar.departamento ou de seções. referida. Vão de crises de choro a depressão. Margarida Barreto. Índice que se eleva. no estabelecimento. desrespeito e total desconsideração. em outro trabalho realizado. a 68% dos trabalhadores que declararam sofrer humilhações no trabalho. constatou que 36% da população economicamente ativa no Brasil. variando de um individuo para outro. Este fenômeno já se constatava com os feitores de escravos. sofre de violência no trabalho. Estes novos feitores pretendem mostrar serviço e não hesitam em pisar sobre seus subordinados. geralmente mais cruéis e desumanos do que os próprios senhores-de-engenho. Pesquisa promovida pela Dra. diminuição da libido aos distúrbios digestivos. como por exemplo. o pagamento ou ressarcimento de despesas médicas. tratandoos com arrogância.

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