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Exercício 01:

Introdução, cronologia histórica de SGQ e apresentação da ISO 9000 e seu sistema,


benefícios de implantação e apresentação da eficiência energética, do sistema de
gestão de energia. Criação da ISO 50001, objetivos e semelhanças com o sistema ISO
9000. Publicação pela ABNT e seu sistema, diferenças entre outros SGQ. Empresas que
já utilizam e benefícios a essas empresas. Apresentação de 3 imagens (ciclo PDCA,
redução de emissão de gases com aplicação do conceito de eficiência energética e
família ISO 50000).
Verificar a publicação da ABNT NBR ISO 50000 no site da ABNT.
Faltam referências bibliográficas (serão colocadas semelhante a um TCC ou somente
no final do trabalho?)

Atualmente, percebe-se que organizações cada vez mais se esforçam


no intuito de obter a máxima qualidade em seus processos e resultados de
forma geral. Isso não pode ser considerado uma estratégia de diferenciação no
mercado, mas sim uma condição de existência empresarial, visando o real
compromisso empresarial no atendimento ao cliente. (OLIVEIRA, 2004;
SEBRAE, 2008). A implantação do sistema de gestão de qualidade traz um
ambiente melhor para colaboradores, pois de acordo com a Associação
Brasileira de Normas Técnicas - ABNT/CB-25 (2000), as Normas ISO 9000 não
se restringem apenas ao cliente, mas abrangem toda a organização, no
envolvimento das pessoas, na abordagem dos processos que conduz a
resultados mais concisos e melhor utilização dos recursos, na parceria com os
fornecedores e na melhoria contínua da empresa, colaboradores, processos,
produtos e clientes.

O sistema de garantia de qualidade surgiu como ferramenta eficaz para


as empresas e organizações na década de 80 e vem sendo desde então de
grande relevância. Historicamente, a busca pelo aperfeiçoamento, melhoria e
realização constante de processos, o sistema de qualidade já era conhecido
desde o século XVIII, época em que a qualidade do produto era resultado da
confiança nos artífices que inspecionavam as peças manualmente, quando o
faziam (CAMPOS, 2004; GARVIN, 2002). A inspeção formal de processos e
produtos se tornou necessária somente a partir da Revolução Industrial, pois
com o aumento da produção as peças necessárias em cada processo de
manufatura não poderiam mais ser fabricadas e analisadas de forma manual.
Até o início da Segunda Guerra Mundial não houve mudança
significativa, Nesse momento, a necessidade da produção de grandes
quantidades de armamentos com um mínimo de qualidade aceitável levou à
disseminação de estudos sobre controle estatístico da qualidade, amostragem
e inspeção.
Com a crescente contribuição de estudos, a qualidade passou a ser
gerida de forma estratégica e surgiram, na década de 80, as Normas ISO,
desenvolvidas pela Organização Internacional para a Normalização (ISO) –
órgão europeu para a qualidade e padrões – a fim de estabelecer normas para
o desenvolvimento dos sistemas de qualidade dentro das organizações.

Oficializadas em 1987, a ISO 9000 é um conjunto de normas e diretrizes


internacionais para Sistemas de Gestão da Qualidade (SGQ). Após sua
publicação, a série passou a ter grande peso nas organizações europeias, pois
explicitava varias soluções em termos de problemas tecnológicos e
econômicos decorrentes de sua associação e passou a ser a base dos
sistemas de gestão europeus. Em 1994, ano da primeira revisão, 73 países de
maior PIB mundial já́ tinham adotado a ISO 9000 como norma nacional
(MARANHÃO, 2005). Mello (2002) explica que a versão 1994 compreende um
sistema de cinco normas que dizem respeito apenas ao SGQ e podem ser
divididas em Normas Diretrizes (ISO 9000 e ISO 9004) e Normas Contratuais
(ISO 9001, ISO 9002 e ISO 9003).
Conceitualmente, pode-se estabelecer o sistema dessa forma:
 A ISO 9000 é denominada Norma de Gestão da Qualidade e Garantia
da Qualidade – Diretrizes para Seleção e Uso, e tem por objetivo
elucidar as diferenças e a relação existente entre os principais conceitos
da qualidade e fornece diretrizes para escolha e aplicação das outras
normas da série.
 A ISO 9001 estabelece um modelo de garantia da qualidade desde o
projeto do produto até a assistência técnica.
 A ISO 9002 tem como premissa a qualidade em produção e instalação
empresarial.
 A ISO 9003 apresenta os requisitos para a garantia da qualidade em
inspeção e ensaios finais.
 A ISO 9004 traz as diretrizes para a implantação da gestão da qualidade
e elementos do sistema de gestão.
Em 2000 foi publicada a nova série de normas ISO 9000, com a intenção
de estimular os usuários a agregar valor as suas atividades com melhoramento
contínuo, agregar o monitoramento da satisfação dos clientes e desburocratizar
os documentos, após as críticas de usuários em relação a versão de 1994.
Nesta nova versão deixaram de existir as normas certificadoras 9002 e 9003,
sendo que os SGQ’s devem ser enquadrados na norma 9001. A composição
da versão ficou apenas com a ISO 9000 descrevendo os fundamentos e
vocabulário para o sistema; a ISO 9001 especificando os requisitos para um
sistema de gestão da qualidade, objetivando a satisfação dos clientes e a ISO
9004 com diretrizes para a melhoria de desempenho da organização. As
normas ISO 9000:2000 e ISO 9004:2000 apresentam oito princípios de gestão
da qualidade que são entendidos, segundo a ABNT/CB-25 (2000), como regra
fundamental e abrangente para operar e guiar uma organização, com vistas à
melhoria contínua, foco nos clientes e atendimento das necessidades de todos
os agentes envolvidos com a organização.

A norma ISO 9001 está baseada no ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act),


que também estrutura as normas ISO 14001 e OHSAS 18001. A ideia é manter
um ciclo de melhoria contínua dos padrões de gestão sempre elevando o
desempenho a um grau superior, partindo do Plan (planejar) para estabelecer
os objetivos e processos necessários para produzir resultados de acordo com
os requisitos dos clientes e políticas da organização; Do (fazer) para
implementar os processos; Check (checar) afim de monitorar e medir
processos e produtos em relação as políticas, aos objetivos e aos requisitos e
relatar os resultados; e Act (agir), sendo a execução de ações para promover
continuamente a melhoria do desempenho do processo.
Figura 1 - Ciclo PDCA. Fonte SEBRAE (2018).

Quando a implantação do sistema ISO 9000 é bem-sucedida, observa-


se diretamente aumento no processo de previsibilidade do produto,
aumentando a eficiência, a redução de desperdícios, a qualidade e a
lucratividade. Também se verifica redução na variabilidade, no custo de
retrabalho, na emissão de resíduos, no tempo de ciclo e no tempo de
inatividade dos equipamentos (ZU, 2009; PSOMAS; FOTOPOULOS;
KAFETZOPOULOS, 2011).

Dentro do contexto da busca pela eficiência, a energia é um insumo


critico na operação organizacional em qualquer setor ou atividade econômica à
qual elas pertençam. Dessa forma, as organizações devem buscar o seu uso
sustentável em toda a cadeia de manufatura e fornecimento, desde a obtenção
de matérias-primas até a reciclagem de materiais e produtos descartados.
Além dos aspectos econômicos associados ao uso da energia, tais como
custos de produção ou produtividade, a temática energética também remete a
relevantes impactos socioambientais vinculados ao esgotamento de recursos
naturais e mudanças climáticas. Neste sentido, a melhoria do desempenho
energético de uma organização pode representar benefícios importantes por
meio da racionalização do uso dos recursos energéticos e outras providências
vinculadas à redução do consumo e aumento da eficiência. De fato, ações
relacionadas à promoção da eficiência energética equivalem a
aproximadamente 50% do potencial de redução de emissões de gases de
efeito estufa no mundo em determinados cenários estudados, conforme
ilustrado na Figura 2.

Figura 2 - Potencial de redução na emissão de gases de efeito estufa a partir de diferentes


tipos de medidas. Fonte (IEA, 2015).

O conceito de gestão de energia nasce a partir da constatação de que


iniciativas isoladas de eficiência energética, mesmo se adotadas
adequadamente na organização, não se perpetuam ao longo do tempo. Em
geral, mudanças de tecnologia pontuais, sem o devido acompanhamento
sistemático das organizações, não geram valor ou consistência ao longo do
tempo. Assim, benefícios decorrentes desse tipo de iniciativa, como a redução
da emissão de gases de efeito estufa, se mostravam demasiadamente pontuais
e muitas vezes efêmeros. Em função disso, passou a ser demandado um
mecanismo mais sofisticado de promoção do uso racional da energia, que
garantisse que os benefícios decorrentes da eficiência energética fossem
percebidos de forma permanente e continuada.

Dessa forma, em 2011, foi criada a ISO 50001 – Sistema de Gestão de


Energia (SGEn), com o intuito principal de estabelecer requisitos mínimos e
específicos que garantam a melhoria contínua do desempenho energético da
organização que a adotar. O atendimento destes requisitos leva as empresas a
buscar continuamente a redução de seu consumo de energia, o aumento da
eficiência energética de seus processos e o melhor e mais adequado uso da
energia necessária para viabilizar as suas atividades. Os resultados diretos da
aplicação da norma incluem a redução dos custos de produção e o aumento da
segurança energética. Indiretamente, são reduzidas as emissões de gases do
efeito estufa e, assim, atenuadas as mudanças climáticas.

A ISO 50001 baseia-se em modelos de sistemas de gestão já́


compreendidos e utilizados por organizações em todo o mundo, como o de
qualidade utilizado largamente na ISO 9001 e o ambiental, visto na ISO 14001.
Este fato representa um diferencial para a norma, uma vez que diminui de
forma significativa a implementação de SGEn em organizações que possuem
outros sistemas de gestão em operação. A norma adota a estrutura do ciclo
PDCA, tornando os passos, também apresentados na ISO 9001.

A norma ISO 50001 tem por objetivos:

 Dar suporte as organizações para que estabeleçam usos e consumos


mais adequados de energia;

 Criar uma comunicação fácil e transparente a respeito da gestão sobre


recursos energéticos;

 Promover as melhores praticas de gestão energética e reforçar os


ganhos com a aplicação da gestão da energia;

 Suportar a avaliação e priorização de implantação de novas tecnologias


mais eficientes no uso da energia;

 Estabelecer um cenário para promoção da eficiência energética através


da cadeia de suprimento;

 Favorecer a melhoria da gestão da energia em conjunto a projetos de


redução de gases de efeito estufa;
 Permitir a integração com outros sistemas de gestão organizacionais tais
como ambiental e de saúde e segurança.

Os conceitos de gestão de energia podem ser aplicados em qualquer


tipo de organização, independentemente do seu segmento de negócio,
tamanho ou perfil de uso e consumo de energia. Não se exclui também a sua
ampla aplicação nos setores residencial e público, embora os setores industrial
e comercial sejam aqueles com o mais significativo potencial de economia de
energia.

A ISO 50001 foi desenvolvida pelo ISO Technical Committee (TC) 242 -
Energy Management. No Brasil, o Comitê Brasileiro de Gestão e Economia de
Energia (CB 116), pertencente à estrutura organizacional da Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), denominada ABNT NBR ISO 50001.
Diante da importância do tema abordado, foi consenso na comunidade
internacional que textos normativos adicionais focados em aspectos
específicos de um SGEn deveriam ser desenvolvidos para facilitar o
entendimento e dar suporte à aplicação da ABNT NBR ISO 50001 nos diversos
segmentos de mercado. Desta maneira, encontram-se publicadas 5 normas
técnicas complementares à ABNT NBR ISO 50001, conforme detalhado a
seguir. Este conjunto de normas apresenta detalhamentos acerca dos
principais componentes presentes na ABNT NBR ISO 50001, bem como
aprofunda a análise de aspectos de avaliação da conformidade de sistemas
com pretensão de certificação. Com exceção da ABNT NBR ISO 50015, ainda
em fase de desenvolvimento, todos estes textos já es encontram publicados no
Brasil.
 ABNT NBR ISO 50002 – Diagnósticos energéticos – Requisitos com
orientação para uso;
 ABNT NBR ISO 50003 – Sistemas de gestão de energia – Requisitos
para organismos de auditoria e certificação de sistemas de gestão de
energia;
 ABNT NBR ISO 50004 – Sistemas de gestão de energia – Guia para
implementação, manutenção e melhoria de um sistema de gestão de
energia;
 ABNT NBR ISO 50006 – Sistema de gestão de energia – Medição do
desempenho energético utilizando linhas de base energética (LBE) e
indicadores de desempenho energético (IDE) – Princípios gerais e
orientações;
 ABNT NBR ISO 50015 – Sistemas de gestão de energia – Medição e
verificação do desempenho energético das organizações – Princípios
gerais e orientações.

Figura 1 - Família ISO 50000.

As principais diferenças em relação às demais normas de sistemas de


gestão são:

 Mesmo não estabelecendo requisitos absolutos para o desempenho


energético, há uma ênfase maior na demonstração efetiva da melhoria
contínua deste desempenho;

 Realização de um trabalho técnico inicial, consistindo de uma revisão


energética, definição de uma linha de base (referências quantitativas
fornecendo uma base para comparação do desempenho energético) e
de indicadores de desempenho energético para subsidiar o processo de
melhoria contínua do desempenho;
 Auditoria interna do SGE incluindo aspectos técnicos da gestão de
energia e demonstração efetiva da melhoria contínua do desempenho;

 Maior ênfase nas responsabilidades e competências do representante


da direção (coordenado pelo SGE na organização).

A norma pode ser usada para certificação, registro ou auto declaração.


No entanto, os sistemas de certificação estão sendo estruturados nos vários
países, sendo que a Holanda foi o primeiro a ter um esquema oficial. No Brasil,
o órgão governamental encarregado da estruturação de critérios de certificação
de sistemas de gestão, o Inmetro, está estudando a definição nacional em
médio prazo. Mesmo assim, dezenas de empresas solicitaram auditorias de
acordo com a norma ISO 50001, no setor elétrico/energia como Schneider
Electric, na França, BSES Kerala Power e Dahanu Power Station, na Índia; no
setor eletrônico como a Delta Electronics, na China, AU Optronics, em Taiwan
e a Samsung, na Coréia; no setor automotivo como a Subaru, nos Estados
Unidos e a Porsche na Alemanha; no setor farmacêutico como a Pfizer na
Irlanda; no setor químico como a Bangkok Synthetics, na Tailândia.

As empresas certificadas relataram benefícios como a Delta, na China,


obtendo 37% de redução de consumo de energia em relação a 2009; a
Schneider Electric, na França, apontou, além da maior eficiência, também o
reforço da posição de liderança em produtos e soluções em gestão de energia;
na Índia, a Dahanu Power Station está projetando economia média anual de
energia de R$ 3,5 milhões.