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― Preciso fazer uma confissão.

Essas quatro palavras tão inocentes pronunciadas por uma mulher em seu colo,
acendeu um tipo de alarme que Derek Bennett mais temia.

― Não pode esperar até que eu a tenha feito gritar?

Os grandes olhos azuis de Melanie lhe negaram até isso.

― Sabe, você dormiu com muitas mulheres, Derek.

― Hum, sim, claro. E você dormiu com muitos homens. Estamos de acordo nisso,
certo?

Ela mordeu o lábio inferior com seus deliciosos dentes e ficou olhando sua boca.
Seus dedos elegantes se aproximaram e tocaram o que estava olhando.

― Mas não o fiz.

Os olhos de Derek se estreitaram.

― Não fez o que?

― Não estive com mais ninguém além de você, há muito tempo.

Seus ombros ficaram tensos sob a camiseta suada. Tudo o que ele queria ao ir ali era
ter um pouco de alivio depois de um duro dia de trabalho. Mas em que porra entrou?

― Não é que não tive oportunidades. ― Continuou ela, depressa. ― Eu tive. Mas
meu coração não estava nisso.
Ele leu a mensagem em seus olhos e rapidamente colocou a mão sobre sua boca
antes que pudesse expressá-la. Estavam em sua cama, em seu pequeno apartamento e ele
virou-se, colocando-a sob o seu corpo.

― Não vou me queixar, Mel. Porra, sinto-me lisonjeado. Sempre estarei aqui para
você, mas nós dois sabemos que isto não pode ir além de certo ponto.

A ira a fez apertar a boca sob a mão áspera e soltou antes que pudesse impedi-la
novamente.

― Eu te amo, Derek.

Sua cabeça se abaixou. Mas Melanie era implacável.

― Lide com isso. E se for muito para você, então sabe onde está a porta.

― O que? ― Sua cabeça se levantou e falou em tom irritante. ― Está falando sério?

Ela o empurrou e sentou-se. O preservativo que acabou de tirar de sua carteira e foi
arremessado sobre a mesa de cabeceira estava ali, esperando para ser usado.

― Pensei muito a respeito. ― Disse com tristeza, abraçando a si mesma. ― Quero


mais de você. Não estou disposta a compartilhá-lo mais. E se esta condição faz com que as
coisas se rompam por completo, então isso é o que farei, porque a ideia de que faça amor
com outra mulher é mais difícil para mim do que ficar sozinha.

Derek se apoiou sobre um cotovelo e passou os nós dos dedos por seu braço. ―
Vamos, Mel.

― Bem, se não puder pagar meu preço, não me toque.

Ele deixou cair à mão na colcha e olhou ao redor do quarto. ― Bem, se me quer
apenas para você bebê, estou bem com isso. Não fico particularmente feliz com a ideia de
compartilhá-la também.

― Mas você me ama?


Merda. Isso não era o suficiente? Ele olhou para seu membro, a ereção que ela
propositadamente criou. Xingou em voz baixa.

― Porra, Mel. Sua crueldade não tem limites!

― Crueldade. Certo! ― Ficou de costas. A queda de seus ombros indicava que a


discussão terminou.

Terminaram.

― Apenas saia. ― Disse com desânimo. ― Que alguém mais cuide disso para você.

E então bateu a porta em seu rosto.

*****

Os olhos castanhos claros, protegidos pelos óculos de sol observavam a rua,


enquanto dirigia seu Dodge Challenger 1970 pela cidade. Faria precisamente isso, levaria
suas necessidades não satisfeitas até o rio, passaria um momento com o grupo de
alpinistas que sabia que estavam ali escalando penhascos, contariam histórias e trocariam
fluidos corporais ao redor da fogueira. Tudo o que precisava fazer era uma parada rápida
na farmácia, Melanie nunca lhe deu a oportunidade de pegar seus preservativos antes de
mandá-lo embora.

Com certeza arrumaria alguém para cuidar dele esta noite. Sim, seus companheiros
ávidos de emoções eram demais e por isso que era absolutamente contra qualquer um
dos homens que se aproximasse de sua irmã.

Pegou o volante com a outra mão quando o celular tocou no assento do passageiro.
A tela dizia que era Danny.

Falando do diabo.

― E se quiser perguntar se pode se unir ao grupo esta noite, a resposta é não.

Não estava disposto a deixá-la interferir em sua noite de jogos sexuais. Era muito
complicado.
― E se quisesse, já estaria lá.

Não gostava do tom, não gostava de não poder mandar nela.

― Então, o que quer?

― Janice acaba de ligar. Está preocupada com Mel.

― E por que estaria? ― Melanie estava em sua casa. Deixou-a lá há meia hora.

― Porque está agindo estranho. Nas palavras de Janice mais brincalhona que o
habitual. Pensei que poderia ao menos parar no Jake's e se assegurar de que está bem.

― Jake's! Que porra?

― Olhe. ― Ronronou Danny em seu ouvido. ― Caso você não vá, eu vou.

― O inferno que irá! ― Sua irmã poderia ser ferida em um lugar como o Jake´s.
Esqueça. ― Tudo bem, darei a volta.

Girei o volante com força. Os pneus chiaram enquanto mudava de marcha, dei uma
volta ilegal fazendo o motor Hemi1 425 rugir. A parte traseira tombou um pouco antes de
voltar ao asfalto.

Era hora de colocar a prova os limites de velocidade.

*****

Derek passou voando pela porta, olhou ao redor até que seus olhos se acostumaram
à escuridão cheia de fumaça do interior. Os roqueiros com suas roupas rasgadas estavam
por todo o lugar e alguns clientes lotavam o balcão do bar, havia poucos nas mesas. Um
familiar chiado feriu seus ouvidos. Xingou para si mesmo quando a cabeça loira de
Melanie apareceu por cima das demais.

Estava sorrindo para algum idiota quando sentou-se sobre o balcão do bar. Usava
uma saia vincada obscenamente curta, suas coxas aveludadas estavam nuas pedindo para
ser acariciadas. Quando o viu caminhando para o bar, seu rosto ficou tenso.
Realmente estava tentando acabar com seu dia?

― Desça. ― Seu tom exigia obediência.

O lenhador girou o corpo e enfrentou Derek com olhar divertido. ― Ouça, corte a
merda e vá embora.

Os olhos de Derek nunca deixaram Melanie. Estendeu-lhe a mão. Ela não aceitou.

― Não deixarei que faça isto. ― Disse afinal, consciente do olhar sobressaltado de
Janice enquanto secava copos atrás do bar. As mulheres estavam concentradas nele.
Aquela que estava diante dele, nem tanto.

― Ouça, idiota. ― Uma mão agarrou seu braço estendido. ― Afaste-se do meu
encontro.

Bateu o cotovelo contra a mandíbula do cara. O homem caiu como um saco de


batatas. Jogada suja, pensou Derek, mas não estava com humor para ouvir a história.

― Obrigado, Janice. ― Disse e segurou as mãos de Melanie. Ela continuava com a


boca aberta enquanto a descia do bar, o traseiro nu chiando contra a polida superfície do
bar.

― O que você fez? ― Sussurrou Melanie saltando ao chão.

Mas Derek não respondeu enquanto a arrastava para fora em direção ao


estacionamento. Não, estava muito puto para interagir com ela no momento. Malditos
saltos altos e uma saia dessas, era um milagre que não fosse fodida nos primeiros cinco
minutos.

Sem incomodar-se em colocá-la no lado do passageiro, Derek abriu a porta e a


colocou em frente ao volante, ela obedientemente se moveu para dar espaço. Parecia
pensativa, os braços cruzados sob seus grandes seios quando o motor rugiu à vida.

― Isso não foi muito amável. ― Disse bruscamente. ― O mínimo que podia fazer
era lhe advertir que é mais forte do que parece.
Derek apertou os dentes. Alcançando os óculos de sol do painel do carro saiu do
estacionamento, diretamente para o sol poente. Por que estava tão irritado, não sabia.
Melanie era dona de si mesma, sempre foi. Por que não a deixava viver sua própria vida e
correr atrás de um pau?

O Challenger preto foi em direção ao seu bairro, entrou em uma rua estreita que
unia um bairro ao outro.

― Não vou para casa. ― Quando ele não respondeu, continuou. ― Meu carro ainda
está no Jake´s.

― Deveria ter pensado nisso antes de sair de seu apartamento.

― Derek Bennett, vá à merda!

Para sua completa surpresa, ela abriu a porta.

Apertou os freios e o carro parou bruscamente. No momento em que puxou o freio


de mão, ela ofegava em seu retorno à cidade. A pé.

― Melanie!

Ela não se incomodou em virar.

― E se ficará todo metido pelas minhas costas com esses óculos de sol e calça jeans
justa, pode retornar ao seu carro e ir à merda!

Ele a alcançou com facilidade, levantou-a por trás e a levou sob o braço. O vento
ondulava sua saia mostrando sua calcinha para qualquer um que passasse.

― Derek coloque-me no chão!

― Não se importou em mostrar seu traseiro para todo mundo há um minuto.

Abriu a porta do passageiro e xingou quando seus saltos arranharam a pintura.

― Está arranhando meu carro, Mel! ― Gritou com indignação.


Não disposto a correr o risco com aqueles sapatos novamente, colocou-a sobre o
capô quente e segurou suas mãos atrás das costas. Ela se inclinou em uma posição mais
excitante, sua metade inferior coberta com pouco mais que um fio e um pedaço de tecido.
Seu cabelo longo e sedoso abriu-se em um leque e ela gritou de frustração. Chutou. Derek
se encaixou entre suas pernas para evitar que suas joias recebessem um bom golpe.

Inclinou-se sobre ela. ― Vamos nos acalmar?

― Eu te odeio!

― Pensei que me amasse.

― Nunca ouvirá isso novamente!

― E nunca me ouvirá dizê-lo de forma alguma. ― Grunhiu ele.

― Então, me deixe em paz!

Mas esse era o problema. Não podia. O pensamento o irritava mais do que seu ato
rebelde no Jake´s, mas estaria condenado se ficaria frustrado sozinho. Ela cairia com ele e
pelo olhar faminto que tinha, não achava que fosse um problema.

Um momento depois inclinou o corpo com os antebraços apoiados no capô a cada


lado de sua cabeça. Seu hálito quente roçando sua bochecha.

― Isto foi... tão injusto. ― Ofegou ela com um sorriso sensual nos lábios.

Derek estreitou os olhos para limpar a névoa do cérebro. Que o condenassem se


alguma vez pudesse ter clareza novamente.

― Sim, foi. E da próxima vez que queira me irritar, lembre-se antes de me jogar a
chutes na calçada.

― Não sabia que ficaria tão irritado. ― Suspirou ela. ― Acho que preciso ensinar a
você outra lição.
Dois anos mais tarde...
Os desenhos animados estavam passando na televisão que estava sobre um
suporte no canto. Melanie terminou de recolher os brinquedos de seu filho do piso da sala
e fechou a tampa da caixa de plástico ao lado do sofá.

― Não esqueça a sua carteira. ― Seu companheiro de apartamento lembrou-a da


poltrona enquanto abaixava a garrafa e acomodava o bebê em seu colo para um bom
arroto.

― Obrigada. Ele vomitou em sua camisa novamente. ― Brincou com uma piscada.

O bigode de Mac se arqueou enquanto continuava acariciando ao bebê sobre o


ombro.

― Esse é da Sasha.

Melanie viu a manta com desenhos cor de rosa de Sasha no chão, recolheu-a e
entregou a caminho dá cozinha.

― Trabalhará até tarde esta noite?

― Sua mamãe trabalhará até tarde. Deve chegar dentro de uma hora ou assim parq
pegá-la.

Devido ao apartamento compartilhado ser tão pequeno, Melanie podia sustentar


facilmente a conversa da cozinha enquanto levava os pratos do jantar.

― Tem certeza que não precisa de mim para ficar?


O grande homem quase pareceu ofendido por sua falta de fé enquanto seu filho de
quinze meses, DJ, brincava no chão a seu lado.

― Hey, lidei com coisas muito piores que ervilhas e cenouras vomitadas. Tem um
longo caminho a seguir. Será melhor que vá antes que seja muito tarde.

Seus olhos foram ao relógio do micro-ondas.

― Bull Shoals não está tão longe.

― O suficiente longe para esse automóvel. Eu ajudarei. ― Logo que Mac colocou
Sasha no pequeno cercado, foi pegar a bagagem de Melanie enquanto ela levava seu filho.

Enquanto segurava a porta aberta, seus dedos apertaram no ponto de cócegas de


DJ.

― Adeus, amigo. Divirta-se neste fim de semana com seus avós.

DJ deu uma risadinha. Melanie passou uma mão sobre os suaves cachos loiros.

― Herb prometeu nos levar para pescar.

― Ah, darão de comer aos vermes. Eu queria estar lá para vê-lo.

― Ah! Falando de despedidas, quase nos esquecemos! ― Ela o aproximou da foto


emoldurada em cima da mesa do telefone. ― Diga adeus ao papai.

Ambos agitaram as mãos juntos.

― Adi papi. ― Disse DJ, sua sedosa voz comendo as sílabas. Era um momento, fora
do tempo, que nunca deixava de obstruir sua garganta pela emoção. Enquanto olhava a
foto de Derek, sua mente voltou para o dia em que ela foi tirada. Quatro de julho, quase
um ano antes que o matassem. Os dois estavam sentados em cadeiras de jardim com as
cabeças juntas, com bebidas geladas e sorrisos festivos.

Porra. Seu sorriso era tão viciante como a vida e ela se encontrou respondendo,
embora triste. Mac colocou as mãos sobre seus ombros por trás.
― Entendo o ritual, Mel. ― Disse em voz baixa. ― Mas já se passaram dois anos.
Precisa seguir em frente.

Ela franziu o cenho quando percebeu o tempo que ficou ali, em pé.

― Eu sei. Eu o farei. ― Então se deu uma sacudida mental. ― Não é que não possa,
é porque, sabe, estamos tão ocupados com a creche e tudo.

― Certo. ― As mãos de Mac a levaram para a porta. ― Está usando esta desculpa
desde que abrimos o lugar.

― Não é como se você fizesse melhor. ― Queixou-se sobre o ombro. ― Não


estamos falando da minha vida amorosa.

― Acho que deveria sair com a mãe da Sasha. ― Brincou, levantando o estado de
ânimo com eficácia.

― Muito dissimulada para mim.

Mentira. E ela sabia. Mac era modesto como sempre.

― Sabe que ela gosta de você.

― São os bebês. São ímãs de paus. ― Beliscou o nariz de DJ. ― Especialmente este
pequeno amigo.

― Há! Sim, claro. ― A suspeita tingiu suas palavras. ― Acredito que você gosta
também.

Ele descartou a ideia com um grunhido e lhe deu a bolsa.

― É praticamente uma menina.

― É da minha idade!

Finalmente chegaram ao térreo com a bagagem nas costas.

― Tenho doze anos mais que você.


― Bom, se o colocar dessa maneira ― Ela segurou o bracinho de DJ e o sacudiu
fazendo um gesto. ― Diga adeus ao vovô Mac.

Seu celular tocou no balcão. Ao que parece, não o guardou na bolsa. Melanie passou
DJ para os braços de Mac e entrou novamente. O rosto de sua melhor amiga iluminou a
tela do telefone e ela atendeu.

― É um anjo, Danny Cahill.

Houve uma leve pausa no outro extremo. ― Bom...

― E é a tia favorita de DJ.

― Sou sua única tia. Por que tanto amor?

― Salvou-me de esquecer meu telefone. Estávamos quase saindo para nosso grande
fim de semana familiar com seus pais.

― É por isso que estou ligando. Poderia ser uma boa ideia todos irmos. Pode parar
primeiro na minha casa? Pegaremos a caminhonete.

Pelo tom de voz de Danny, Melanie podia dizer que algo estava acontecendo.

― Claro, soa muito bem. O que a fez mudar de ideia?

― Acabamos de receber uma ligação de nosso amigável vizinho, o xerife.

Oh-oh. Melanie se voltou para Mac e lhe indicou que voltasse para dentro enquanto
transferia a ligação para o viva-voz.

― Adivinha quem acaba de fugir da prisão?

****

Melanie Parker. Ela foi a última mulher com quem fez amor. A última mulher que o
abraçou com ternura. A última mulher que o tocou sem lhe causar dor. Sua última boa
lembrança antes de cair de cabeça em uma dura existência questionável. E de alguma
forma, este primeiro olhar secreto o colocou em um lugar no qual nunca pensou estar
novamente.

E isso era ruim. Como a última missão, não havia espaço para sentimentos. Isso
poderia apenas levá-lo ao fracasso.

O cabelo loiro caía em uma cascata de gloriosas ondas de seda por suas esbeltas
costas.

Seus dedos se enredavam com paixão nos pelos de seu sexo.

Um homem estava em pé com ela diante do edifício de apartamentos, com um bebê


em seus musculosos braços. Estavam tão perto que se o bebê deixasse cair a manta, esta
cairia sobre o ombro de Melanie.

O menino gritou quando o suave vulto rosado foi devolvido a suas mãos e
imediatamente lhe colocou algo entre as gengivas desdentadas.

A mulher riu e pressionou os lábios cheios em sua pequena testa.

Esculpidos para beijar, ternos, brilhantes... o sabor era de baunilha sob a língua.

Aqueles mesmos lábios deram outro beijo de despedida no homem ao que agora
reconhecia como de outra vida.

Mac? Que porra?

Ele moveu um pouco o galho para lhe oferecer uma visão melhor. O vento sufocava
suas palavras, mas conversavam em voz baixa, carinhosamente. O trio estava em pé no
estacionamento.

Então, agora estava com ele. Uma puta família feliz.

Emoções não desejadas corroíam como um abrasivo apesar de sua tentativa de


domesticar. E de verdade acreditou que ela o esperaria? Na realidade não, esteve ausente
muito tempo, mas um filho? Calça de ioga? Inclusive cortou uma franja como se estivesse
gritando: estou em um relacionamento estável.
E de repente, seus lábios se silenciaram, permanecendo abertos.

Quando ela olhou diretamente em sua direção, moveu-se ainda mais nas sombras.
Seu coração deixou de pulsar por um momento e logo voltou a um ritmo ensurdecedor
quando seu cauteloso olhar se afastou.

Porra. Ela o sentiu.

Deixando o bebê para trás, Melanie se voltou para o mesmo carro velho que tinha
quando estavam juntos e sentou no volante. Recordava-se bem, a partida demoraria mais
de três vezes antes de... sim. Tal como recordava. Tudo estava tal como recordava, apenas
que agora havia dois novos jogadores em sua vida: um marido e um bebê.

Uma leve pressão se lançou sobre a ponta dos dedos do pé. ― Logo, Chewie. ―
Sussurrou, voltando lentamente o grosso galho com folhas para sua posição natural. O
pastor junto a ele estava ansioso e se moveu em suas quatro patas. Acariciou os pelos
suaves na altura dos seus joelhos. ― Logo.

E logo o que? Um calor elétrico o percorreu, causando impacto contra sua virilha.
Por alguma razão, seu pênis não estava na mesma página em que sua cabeça, mas não
deveria perder a concentração. Suas vidas pendiam por um fio. Tudo dependia de sua
capacidade de consertar este cabo solto em particular.

Com a decisão reforçada, tocou sua perna dando a seu companheiro de crime o
sinal de prosseguir.

****

O pé de Melanie pisou no pedal do acelerador. O motor acelerou, mas as rodas de


seu Honda 1993 continuaram rodando para trás.

― Porra. ― Pressionou o freio e se esforçou com a alavanca de marcha até que algo
sob ela sacudiu. ― Obrigada, querida. ― Murmurou enquanto o carro começava a
avançar. Tinha grandes esperanças de que sua pobre desculpa de transporte durasse uma
semana mais antes de dar seu último fôlego. Esse novo Audi de quatro portas estava a
somente um cheque de pagamento, depois de tantas horas de marketing, dias de servir
almoços no parque e escrever registros, finalmente via os frutos, não era que não
gostasse de seu trabalho.

Está bem. Amava seu trabalho tanto quanto Mac. Mas para falar a verdade, ele era
a razão do êxito de sua creche. Dava às mães solteiras e a umas poucas casadas, uma
desculpa para vê-lo cada dia da semana quando deixavam seus filhos. Havia algo
irresistível em um homem tão grande e corpulento lidando com um espirro úmido tão
fácil como uma poderosa ferramenta. Ficou ainda pior quando começou a raspar a
cabeça. Mac era humilde o suficientemente para negar, mas adorava zombar dele pela
atração que exercia sobre as mulheres.

Ao chegar à curva para dirigir-se ao norte de Springfield, sua mente se aventurou à


ligação telefônica que recebeu de Danny. Ao que parecia, a mulher que tentou matá-los
há quase dois anos fugiu do Pavilhão psiquiátrico da Prisão Estadual de Vale. Acreditavam
que teve ajuda externa.

A notícia não era boa. Rena Hellberg virou toda sua vida de ponta cabeça. Danny
perdeu o favorito de seus oito irmãos, Melanie o único homem que amou e DJ seu pai
antes de descobrir-se grávida. Era possível que Rena voltasse a espreitar, a espionar?
Mataria novamente? E se fosse assim, a polícia acreditava que se manteria escondida
durante uns dias para evitar sua captura.

Faróis se aproximaram refletindo além das árvores. Melanie entrou no acostamento


da curva. Com um suspiro, pisou no freio até que o pequeno carro parou com uma
derrapada. Quando a poeira se dissipou, a imagem de um cão piscou no para-brisa. Seus
pelos longos e negros se moviam com a brisa, estava deitado desafiante em com uma
manta de figuras rosadas entre os dentes.

― Não pode ser.

O temperamental motor balbuciou sob o capô. Momentos preciosos passaram


enquanto processava as coisas.

Ousaria deixar o carro com sua preciosa carga no assento traseiro? Os incríveis olhos
azuis foram ao espelho retrovisor para ver se Mac a seguiu, mas o caminho atrás dela
estava vazio. Óbvio. Ele não deixaria Sasha.
Melanie tentou pegar sua bolsa, mas sua mão encontrou o assento vazio. Uma foto
instantânea mental da grande bolsa sobre o balcão justificou essa sensação de ter
esquecido algo.

Por Deus, esqueceu sua bolsa! Seu telefone, sua licença de motorista, ao menos não
chegou muito longe, mas o mínimo que podia fazer era tentar recuperar a manta de
Sasha. Talvez a criatura de quatro patas respondesse se o chamasse.

Quando abaixou a janela, a porta do passageiro se abriu. Uma luz iluminou o interior
marrom do carro enquanto uma pessoa em silêncio sentava ao lado dela. À medida que a
porta se fechava de repente deixando o interior escuro, ela abriu a boca para soltar um
grito que foi engolido por quentes lábios exigentes. Algo neles agitou lembranças
profundas em sua alma, mas o medo reiniciou quando uma mão enluvada apertou a base
de seu pescoço. Uma leve espetada penetrou sua pele justo debaixo da linha do cabelo.

Tentou usar as unhas. O intruso as segurou antes que pudessem lhe tirar sangue,
mas em vez de castigá-la inclinou a cabeça aprofundando o beijo enquanto a puxava para
mais perto. Quando sua língua tocou a dela, o pensamento de cortá-la com os dentes
desapareceu imediatamente. Uma mistura de emoções confusas percorreu seu corpo
enquanto a cabeça começava a nadar.

Não, não posso desmaiar... não com DJ no... de volta...

****

Assim que a mulher em seus braços caiu, ele afastou a língua de sua boca relaxada.
Teve sorte de ter ainda língua, dado o arranhão em seu queixo. Mas a tentação de prová-
la outra vez era muito grande para ignorá-la. Não mudou nada. Inclusive inconsciente,
Melanie Parker era a visão da beleza perfeita. Um breve olhar para a pele de porcelana
quase não foi suficiente para satisfazê-lo, mas logo se deleitaria com sua visão tanto
quanto quisesse.

Abriu a porta e saiu do carro. Chewie saltou e tomou seu lugar no assento do
passageiro. O medicamento faria efeito durante pelo menos uma hora, assim não poderia
despertar enquanto se dirigia a seu esconderijo. Não havia nenhuma razão para que
protestasse quando a acomodasse no porta malas.
Quanto mais tempo ficassem no caminho, maior seria o risco de ser pego. Sabia
como trabalhar rapidamente em situações impossíveis. Tirou-lhe o cinto de segurança e a
pegou em seus braços em um rápido movimento. Mas algo não estava bem.

Chewie se moveu ao assento de atrás. O som de um murmúrio suave chegou a seus


ouvidos.

Não. Ela deixou o bebê com Mac...

O sangue drenou rapidamente de seu rosto. Com o peso de Melanie adicionando-se


à sensação em seu estômago, inclinou-se sob a porta e confirmou visualmente seu pior
medo.

Pequenos punhos seguravam Chewie. O cão aceitava o abuso sem queixar-se, em


vez disso se inclinou e lambeu o rosto do querubim a seu lado. Um emocionado grito
ecoou através do espaço fechado e maravilhosos olhos azuis se estreitaram com a risada.

Santa merda!

Respirou fundo enquanto se maravilhava com a versão menor da mulher que


segurava.

― Chewie, estamos muito fodidos.


Quando ocorre um desastre, o primeiro instinto é fugir dos perigos imprevistos que
logo o seguirão. A autopreservação nos faz humanos. Deixar de lado os menos capazes é o
que nos faz valentes.

― Que menino amável...

Um som familiar seguiu as suaves palavras. Seu filho soltou um suspiro. Mas não
reconheceu a outra voz. Pouco a pouco Melanie abriu os olhos a uma cena desconhecida.
Assim que clareou sua visão pode distinguir a pequena forma do menino cambaleando
para a borda do colchão onde se encontrava.

Aconteceu em câmara lenta sob a luz artificial de uma lanterna que se encontrava
perto. O menino se inclinava mais à frente do ponto de equilíbrio, Melanie rodou,
alcançando a parte traseira do macacão de seu filho. O suave tecido roçou seus dedos
antes que escapasse de sua vista. Seu ofego foi sufocado quando ele reapareceu,
sustentado entre duas mãos femininas, em um voo estacionário surgiu à risada.

Com menos força que o normal, Melanie se arrastou para borda da cama para
confirmar visualmente a proprietária das mãos. Cabelo escuro esparso sobre o assoalho
como asas emoldurando um rosto inquietantemente pálido. A mulher que tinha o
pequeno DJ pela cintura poderia ser um fantasma, mas seus lábios carnudos curvados em
um sorriso de adoração brilhavam rosa com vida. Sua pele translúcida era um chocante
contraste com os grandes olhos safira que se ampliaram quando a descobriram olhando.

― Bem. Olá, mamãe.

O primeiro instinto do Melanie foi gritar. O segundo foi agarrar a arma mais próxima
e golpear a fugitiva lunática. Mas essa lunática tinha seu precioso filho e agora o abraçava
com força em seu peito amplo.
― Eu sei quem você é. ― Balbuciou Melanie enquanto se movia lentamente para
ficar de joelhos. DJ se moveu sob o firme agarre e não pode dissimular o medo em sua
voz. ― Por favor, não o machuque.

Rena Hellberg, a assassina certificada, revirou os olhos.

― Acha que vou fervê-lo para uma sopa? Seja realista.

Quando a mulher se levantou do chão, Melanie tropeçou para sair da cama e


manter a proximidade.

― Apenas quero que me devolva ele.

― Ma. ― Disse o menino através das bochechas esmagadas entre suas mãos e
peito.

― Ele está muito bem. ― Assegurou-lhe Rena com olhos cautelosos sob os grossos
cílios pretos. ― Assim que puder se levantar. Tomarei conta dele até que esteja bem
novamente.

A ira se mesclou com o pânico.

― Até que esteja bem? Isso é um luxo vindo de você!

― Melanie tomou ar sob o ardente olhar de Rena. ― Ele quer vir comigo. Por
favor...

Rena inclinou a cabeça. ― Venha e pegue-o. ― Disse muito devagar.

Soou como um desafio. Arrepios ziguezagueavam por sua coluna. Melanie deu um
passo e o lugar começou imediatamente a balançar-se sob seus pés. A lunática riu.

― Rena, já é suficiente.

A grave ordem veio por trás e a tentativa de Melanie de virar-se finalmente a fez
cair.
Caiu na cama evitando o impacto com o chão. Seus olhos procuraram a voz, era à
sombra de um homem na porta da grande sala sem janelas que ocupavam.

― Deite-se. ― Sussurrou. ― E ela o devolverá.

Suas palavras eram para ela. Quando entendeu, Melanie se deixou cair com força no
colchão lutando para não desmaiar de medo.

― Quem é você? Por que nos sequestrou? ― Ao invés de responder, o homem


desapareceu. ― Espere! Volte!

― Não estou segura de que queira saber, querida. ― Respondeu Rena. A mulher se
aproximou da cama. ― Vamos, deite-se e o entregarei, como ele disse.

Era difícil confiar em uma palavra que dissesse, mas Melanie obedeceu e Rena
transferiu o sorridente menino pequeno para seus braços estendidos.

O reencontro foi tumultuado. Melanie nunca antes experimentou este tipo de medo
por seu filho, sequer quando o pegou bebendo uma garrafa de óleo de banho perfumado
seis meses antes.

― Ah, querido, está com a mamãe.

Ele estava quente e suave, são e salvo e se aconchegou profundamente dentro de


seu feroz abraço.

O desgastado colchão se afundou quando Rena se sentou ao lado deles. ― É tão


lindo. ― Disse. ― Um gordinho com esse rostinho. Faz-me querer um.

Pegou uma conhecida manta rosada do chão e a colocou em sua gordinha mão.

― Mas recomendo algo azul se não quiser confundir o menino com o passar do
tempo. ― A mulher quase soava normal. Longe da cadela louca que disparou balas nela e
em Danny há dois anos.

A fadiga se apoderou de Melanie agora que seu filho estava de novo em seus
braços.
― Por favor, Rena. Não sei o que planejou para nós, mas precisa nos deixar ir. DJ
precisa estar em casa, não neste... ― Olhou ao redor do quarto que estava entre as
sombras com a luz branca de lanterna. ─ Este velho lugar com mofo, o que seja. Uma sala-
de-aula?

Rena se inclinou junto a eles, sorriu para o bebê que lhe devolveu o sorriso.

― O quadro negro delatou, não é? Não se preocupe, limpei-o uma vez que ouvi que
trariam este pequeno precioso. Falando a respeito de surpresas! Esteve ocupada depois
de nosso último encontro!

― Esse último encontro quase me matou e está aqui conversando como se


fôssemos amigas! ― Quando a cabeça da mulher se inclinou para trás, Melanie vigiou seu
tom. ― Sinto muito, sinto muito. ― Uma respiração profunda e um beijo urgente no
cabelo loiro sedoso de DJ lhe devolveram a calma. ― Apenas estou tentando dar sentido
às coisas. Obviamente está por trás disto e não posso evitar pensar...

― O que? Que posso usá-la como isca para atrair o feliz casal Cahill para minha
armadilha má?

Melanie engoliu. ― Algo assim.

― Certo! ― Rena, vestida como uma ladra com luvas brancas e toda de negro, saiu
da cama e pegou a bolsa de fraldas de DJ. ― Para ser honesta, não posso entender o que
Austin viu nela. Nunca pensei que se apegaria a essa cadela pouco feminina. O que seja. ―
Encolheu os ombros enquanto abria um pacote de Cheerios. DJ aceitou o O em miniatura
e imediatamente o colocou na boca, estendendo a mão por outro. ― Isso é história. Além
disso, quero esquecer essa parte de minha vida, as partes que posso recordar, de todos os
modos.

― Não se incomode tentando me convencer que está reformada, Rena. Não


estaríamos aqui se estivesse.

Deixando o cereal a seu alcance, a mulher ficou em pé e virou as costas. Com os


ombros rígidos foi até o retângulo negro no outro extremo do lugar e escolheu um
pequeno giz branco. O lento sussurro do giz deslizando sobre o quadro deu uma estranha
nova vida à pintura descascada e as partes de gesso que os rodeavam. Quando Rena
terminou, deixou o giz e caminhou para porta. Fechou, trancando-a, deixando a mãe e o
menino sozinhos na sala de aula abandonada.

No silêncio que seguiu, Melanie olhou as palavras escritas tentando entender.


Quando conseguiu, um arrepio a percorreu.

Não é tudo a meu respeito.

****

― Não acredito que vá cooperar. ― Disse Rena enquanto desciam a escada. Suas
palavras ecoaram na cúpula da cavernosa capela em ruínas que ocupavam. ― E se
irritarmos a mamãe urso, não veremos nada mais que dentes daqui para frente.

― Ainda não posso acreditar. ― Murmurou ele, passando uma ansiosa mão pela
nuca. ― Melanie Parker. Selvagem-infantil... uma mãe, pelo amor de Cristo.

Os escombros rangeram sob os tênis de Rena quando se aproximou por trás.


Estavam rodeados de janelas embaçadas e de vidraças quebradas que exigiam que
permanecessem na escuridão. Olhou por cima de seu ombro.

― Bem... as comparações não farão isso ir mais rápido.

A mulher tinha razão. E se quisessem vencer o relógio, não havia tempo para ficar
estupefato. No entanto, não soltou as poucas coisas que encontrou em seu porta-luvas,
apesar de saber que não revelavam nada importante sobre a vida que levava a mulher em
que se converteu. Tampouco, a pequena bolsa de roupa que tinha com ela. Exceto o seu
carro que ainda estava registrado com seu nome de solteira, o que lhe dizia que ela e Mac
não estavam casados ainda.

Um detalhe muito pertinente que não deveria existir. A frustração de não saber o
afligiu. Por alguma razão, sabia que sua falta de bolsa e telefone apenas significava que os
deixou em alguma parte. Essa parte dela, ao menos, permanecia sem mudanças. Quantas
vezes voltou para recuperá-los? Pelo menos algumas antes que tomasse para si a função
de carregar sua bolsa. Nunca em sua vida acreditou que sentiria falta disso.

― Não deveria ter falado com ela. ― Disse ele. ― Suspeita de algo?
― Não acredito.

― Bom. ― Afastou-se da janela e colocou os papéis que levava na cintura. ―


Quanto menos souber melhor. Lembrou-se de fechar a porta, não?

― Completamente trancada.

― Voltarei logo com mantimentos. ― Levantou o grande capuz, deixou-o cair sobre
sua face e rapidamente diminuiu a distância entre eles. Sua proximidade fez alusão a uma
ameaça abatendo-se sobre ela. ― Irá se comportar?

Seu cenho mostrou que se sentia ferida. ― Ainda não confia em mim?

Dedos calosos levantaram seu queixo. ― Nenhum pouco. ― Seus lábios roçaram a
ponta de seu nariz. ― Deixarei Chewie com você. Nem um movimento sobre esse menino
ou sua mãe.

Dirigiu-se em silencio para saída.

― Ei. ― Rena abraçou a si mesma para manter longe os calafrios, ele parou para
olhá-la por cima do ombro. ― Estamos juntos nisto. Não estragarei tudo, prometo.

― Acreditarei, quando me disser o que quero saber.


Era inútil. Simplesmente, não havia maneira de sair desta sala de aula mal iluminada
que servia de cela.

― Porra! ― Melanie fervia, golpeando o punho contra a porta sólida que se negava
a mover. ― Rena! Senhor! Alguém! Preciso usar o banheiro!

DJ imitava suas ações acariciando a porta com a palma aberta e soltando um


estridente chiado que com certeza aliviava. Até agora tudo era um jogo para o pequeno,
mas Melanie se perguntava quando se cansaria de seu deprimente casulo e começaria sua
demanda habitual por ar livre. Era impossível saber quanto tempo ficou inconsciente, a
hora que era ou há quanto tempo estavam ali. Contendo as lágrimas, pegou o menino em
seus braços e o levou a cama. Ele lutou, cansado de ser segurado.

― Pelo amor de Deus, se parece mais e mais como seu pai a cada dia. ― Disse
amorosamente, soltando-o limpando a umidade nas bochechas. ― Correndo riscos,
amante do ar livre, ímã extraordinário para garotas.

Os pensamentos do irmão morto de Danny sempre se elevavam e Melanie sempre


lhes dava boas-vindas. Derek Bennett deixou uma marca em todos que o conheceu, seu
espírito não tinha nenhuma possibilidade de sair desta terra como fez o seu corpo. Falava
dele todos os dias para que DJ pudesse crescer com seu pai de algum jeito. Sua tia Danny
fazia o mesmo, sempre contava histórias de Derek, indiferente se DJ podia entender ou
não.

Os irmãos Bennett eram próximos. Danny ainda estava se recuperando da culpa e a


ansiedade da separação que causou sua morte. Graças a Deus por Austin ou seria um caso
perdido.
Enquanto esses pensamentos se embaralhavam em sua cabeça, o rosto de Melanie
se esquentou pela ira. A mesma pessoa que tirou a vida de Derek estava do outro lado
daquela porta. Embora Rena tivesse atacado Danny por roubar o coração de Austin, sua
armadilha mortal pegou o Bennett errado. Uma vez descoberta, Rena vociferou seu sonho
de formar uma grande família gritando aos fantasmas e pedindo retribuição, deixando
uma esteira de corações quebrados a seu passo. Inclusive Austin, que brigou com Derek
durante anos, chorou por seu velho amigo ser o inimigo. Os dois homens tiveram apenas
umas poucas horas preciosas para reconciliar suas diferenças antes que Derek sofresse
uma severa hemorragia cerebral e morresse devido às suas lesões. Cada vez que Melanie
ia por esse caminho, seus pensamentos saltavam pela emoção, quisesse ou não.

Um som a fez levantar os olhos. O som do metal como se alguém tivesse inserido
uma chave, Melanie olhou rapidamente ao redor e viu a única coisa que poderia ser usada
como uma arma. Rezou para que seu filho mantivesse distância e se fixou à pintura
descascada detrás da porta.

As dobradiças velhas gemeram quando a porta se abriu lentamente. DJ, vendo


quem era, levantou as mãos enquanto se equilibrava sobre seus instáveis pés. Quando
parou diante da porta aberta, tropeçou e seu pequeno corpo gordinho caiu com força.
Abriu a boca e seu silencioso grito ficou forte de repente.

― Oh, não! ― Rena o acalmou, toda sua atenção no menino angustiado em frente a
ela.

Felizmente para Melanie, a mulher percebeu o leve movimento de luz a suas costas
quando já era muito tarde. Um ano completo de Pilates respaldou o balanço, com mais
força da que poderia esperar. A lanterna LED acertou a base do crânio de Rena, deixando-
a inconsciente. Infelizmente, o impacto também rompeu a lanterna e a sala ficou escura.

Melanie seguiu o som dos gritos de DJ, encontrando-o no chão. Colocou-o sobre um
ombro. Com a mente concentrada em escapar, atravessou a porta e se arrastou por um
corredor sujo o mais rápido que pode sem bater em nada. O cheiro de mofo era mais forte
ali e era possível que os gritos de DJ se intensificassem por essa razão. Enquanto seguisse
pela parede, talvez pudessem sair deste espantoso lugar antes que Rena os alcançasse.
Uma escada apareceu diante dela. Era visível apenas pela penumbra acima, mas o
suficiente para mostrar o caminho. O frágil corrimão lhe ofereceu o apoio necessário para
manter o equilíbrio em meio ao pó, gesso de teto e restos de pintura.

As teias de aranha se enroscaram em seu cabelo, mas pela primeira vez em sua vida,
Melanie tinha medos piores que o das criaturas de oito patas, seja lá o que fossem que
poderiam acompanhá-las. Quando alcançou o último degrau parou e olhou ao seu redor
procurando uma saída. A luz da lua era mais brilhante ali, passando através de uma série
de enormes janelas que flanqueavam os lados da grande estrutura na qual estavam. A
cúpula da arquitetura de uma igreja lhe deu a entender que uma vez foi majestosa. A sua
esquerda, um altar em ruínas o confirmou. Havia dois corredores divididos por uma série
de colunas de madeira esculpidas à mão flanqueando o santuário. Estavam em um deles.
Eram as únicas partes nas quais o chão cheio de lixo não se afundava. Enquanto ficasse
perto das paredes, suas possibilidades de chegar às portas no outro extremo, sem cair,
eram muito maiores.

DJ estava chorando apesar de Melanie aumentar suas tentativas de fazê-lo calar-se.


Bem, se pudessem escapar antes que o outro sequestrador aparecesse, teria uma boa
oportunidade de chamar a atenção de alguém de fora e ser resgatada.

As portas estavam fechadas, mas não trancadas.

Destravou, abriu-as de repente e entrou na noite. Ar puro encheu seus pulmões


enquanto fugia pela escada de concreto, tropeçando pela grama muito alta antes de
perceber que não havia ninguém ao redor para resgatá-los.

― Estamos na maldita floresta. ― Murmurou consternada, perguntando-se por que


porra alguém construiria uma igreja tão luxuosa no meio do nada.

A civilização estava apenas uns metros de distância, mas com certeza não tão perto
como gostaria. O bebê chorou e se aferrou a sua camiseta enquanto ela tropeçava através
da paisagem.

Os espinhos grudavam em sua imunda calça. Olhou sobre o ombro. O alívio chegou
quando não viu ninguém se aproximando por trás. Graças a Deus! Uma pausa!
Mas quando voltou os olhos para frente, encontrou-se com outro par cravado nela.
Parou. Sua necessidade de respirar aumentou dez vezes. A silhueta negra escondida a uns
metros deles era muito familiar.

― Outra vez você! ― Balbuciou, irritada com o cão que uma vez mais estava
bloqueando seu caminho. ― Shuu! Saia!

Deu um passo à esquerda. O cão se moveu, seguindo o desafio.

― Fora daqui! ― Deu um passo à direita. Os gritos de DJ se transformaram em


risada e o cão respondeu do mesmo modo. ― Oh, você...

Apesar da diversão de seu filho, isto era qualquer coisa menos brincadeira. Melanie
decidiu colocar a prova os limites e rezar pelo melhor. Fingindo ir para esquerda, foi pela
direita e correu, apenas para bater contra um peito duro como rocha. Um par de fortes
braços a envolveram. O choque a deixou temporariamente muda, permitindo que o
homem com o que chocou tivesse tempo para envolver uma mecha de cabelo em seu
punho e lhe dar um puxão suave. Levantou o queixo e seus olhos se arregalaram. Tudo o
que podia ver no meio do matizado dossel de árvores era o sinistro contorno de um capuz.

― Saindo sem dizer adeus? ― Falou em um sussurro rouco.

DJ se contorcia entre eles fazendo movimentos de subir e descer no peito de sua


mãe.

― Ma. ― Disse a ponto de chorar novamente. O fôlego do Melanie saiu em um grito


derrotado.

― Pegou-a? ― Perguntou uma voz a seu lado. Rena estava atrás, esfregando o
pescoço e irritada.

O homem simplesmente os segurou um momento mais sem afrouxar seu agarre.


Havia algo nele que advertiu Melanie que não pressionasse, assim ficou quieta em seus
braços.

Músculos duros se apertavam contra ela por todos os lados. Uma vez mais a
sensação de familiaridade chegou a sua mente, mas o medo impediu que aprofundasse.
Finalmente, ele começou a caminhar empurrando-a pelas costas. Com os braços
cheios, Melanie não teve opção a não ser se mover com ele, completamente a sua
vontade.

― Não pode me manter aqui! ― Gemeu sem poder fazer nada. Caminhavam juntos
como uma unidade. ― Sabe quem é ela? O que fez? ― Continuou falando.

― Sim.

― Então, deve saber que está louca! Usa homens como você para que façam seu
trabalho sujo. Matou meu namorado e irá atrás de mais pessoas se permitir que mova as
suas cordas de fantoches!

Melanie perdeu o equilíbrio. Apertou seu filho e o homem a pegou em seus braços.
Sem esforço carregou todo o pacote pelos amplos degraus de concreto e atravessou a
porta aberta, retornando ao interior da antiga igreja. E se DJ estivesse em casa seguro em
seu berço, como deveria estar, não se sentiria tão frustrada.

― Ele fede. ― Sussurrou a figura encapuzada enquanto a descia pela parte superior
da escada que conduzia para as salas de aula do porão.

Rena estava perto.

― Precisa trocar a fralda. Eu trocarei.

― O que? Não! ― DJ foi retirado das mãos de Melanie antes que pudesse evitar.
Ver a lunática tocando seu filho despertou a tigresa em seu interior. ― Não o toque! Dê-
me meu...

Uma mão grande cobriu sua boca, enquanto a outra a segurava pela cintura. Uma
vez mais estava contra seu corpo inflexível.

― Coopere. ― Disse ele com voz áspera.

A palavra, dita tão sinistramente, aumentou o temor contínuo que se arrastava por
sua coluna, mas lutaria, contudo. Seu filho precisava dela. Lutou nos braços do homem e
para sua surpresa, a soltou. Quando desafiante se dirigiu à escada, ele a impediu com
duas palavras.
― Não o faça, Mel.

Os pelos de seu corpo se levantaram. Pouco a pouco, com o coração acelerado,


voltou-se para a forma escura de seu raptor.

― Como me chamou?

Não houve resposta. Em troca, retrocedeu e assinalou com a cabeça para um


pequeno balde caído sob a janela.

― Sente-se.

Seus olhos se estreitaram. ― Você me conhece, certo?

― Não.

― Mentira. Apenas meus amigos me chamam de Mel e cada vez que fala é como se
estivesse tentando disfarçar sua voz.

― Sente-se. Agora.

― Ou o que?

― Diz a mãe sem seu filho.

Disse tão suavemente que passou um momento antes que o significado penetrasse.
O desespero obscureceu seus olhos e finalmente entendeu. Estava errada. Ninguém que
conhecia poderia ser tão cruel.

*****

Uma vez mais, ele deixou de caminhar a olhou à mulher agachada no chão. Um fio
de culpa atravessou o peito, mas o sufocou com convicção. Este era o lugar mais seguro
para ela e para seu filho. Sua outra filha, no entanto, continuava sendo um possível
objetivo. Era difícil fazer essa ligação, seja para levar a menina com eles ou não.

Talvez estivesse mais segura com seu pai.


Por Deus, Melanie e Mac estiveram ocupados. Aqueles dois filhos não podiam ter
muito mais que um ano de diferença.

Curiosamente, ela nunca mencionou sua outra filha, a proprietária da manta cor
rosa que Chewie roubou com tanta habilidade. Provavelmente temia que a levasse
também. Não que tivesse planejado a participação de um menino. Agora os riscos eram
muito maiores.

Seu celular se iluminou. Olhou a tela.

Já terminei. Devo levá-lo de volta?

Acariciou mentalmente a incipiente barba. Logo escreveu:

Ainda não.

A cooperação de Melanie era muito importante. Seu filho representava um


problema com o qual não contou. Algo precisava mudar, já não era um plano simples.

Sentindo seu olhar fixo nele, voltou-se, olhando-a duvidoso. Faria? Supunha que
não. Mas não deveria fazê-la passar por esse tipo de confusão, não era justo. Mas a vida
lhe deu uma tonelada de merdas injustas.

Devido a ter enviado o cão para baixo para manter um olho em Rena, estavam
sozinhos. Com uma respiração funda, moveu-se descalço sobre os escombros sabendo
que se ela fechasse os olhos nunca descobriria que ele se aproximou.

Melanie se endireitou, seus ombros magros rígidos com expectativa. Sentou-se de


frente a ela, joelho com joelho. Estavam pertos. Ela não se moveu. As perguntas deviam
ser acumular em sua linda cabeça desde que lhe ordenou sentar-se, porque sussurrou...

― Você me beijou.

Ela recordava.

― Sim. ― Respondeu com sinceridade.

Depois de um momento de hesitação, ela assentiu. ― Senti-o familiar.


Ah, porra.

― Apenas familiar?

Podia ouvir seus batimentos cardíacos frenéticos. Soava sob a leve camiseta de
algodão enquanto levantava as mãos hesitantes. E se a deixasse fazer isso não haveria
volta atrás. Sua escura existência, limitada, deixaria uma mancha na vida cômoda que ela
encontrou sem ele. Mas muito a seu pesar, tomou a decisão no momento em que a
sequestrou.

Inclinou a cabeça e esperou.


Quase com medo do que poderia encontrar, Melanie empurrou o escuro capuz
até que caiu para trás repousando entre os ombros. Havia luz da lua suficiente para
iluminar os suaves cabelos achatados.

Seu cenho se franziu. Passou os dedos ágeis através da massa, levando de volta a
seu estado de inclinação natural. Então seu toque se moveu para suas orelhas.

Seus olhos se fecharam. Sim... as orelhas esmagadas sob suas mãos enquanto
deixavam um rastro de beijos por seu ventre nu.

Mas não era ele. Não podia ser. Para confirmar, sentiu sua testa, sabendo que a
evidência estaria ali se houvesse. Seus polegares encontraram imperfeições leves um
centímetro acima de cada sobrancelha.

Sua respiração congelou em seus pulmões. Ela abriu os olhos e abaixou a cabeça.
Deixando a ponta de seu dedo passar sob seu queixo coberto pela barba e lentamente
levantou o rosto para a escassa luz.

— Não. ― Suspirou, com os olhos arregalados em estado de choque. — Não pode


ser...

Levantou-se sobre seus joelhos e agarrou a cabeça com mãos firmes, puxando-o
novamente para uma inspeção mais completa. Em algum lugar entre a realidade e a
fantasia, explorou as feições de um homem que já não existia. Todo este pesadelo estava
se transformando lentamente em um sonho. Ela e DJ não estavam realmente em perigo.
Rena não estava realmente livre. Isto era apenas um sonho!

As maçãs do rosto eram altas e firmes sob seu toque, cobertas por uma leve barba
que recordava tão vividamente. As sobrancelhas eram as mesmas, o torcido nariz que
atraiu muitas mulheres quando estava vivo. E tinha certeza que seu ágil e corpo
atlético era o mesmo sob as roupas negras e assustadora.

Seus olhos permaneciam fechados, como se tivesse medo de sua reação. Era a
última verificação que necessitava.

— Abra-os. — Gemeu, lágrimas quentes deslizavam por suas bochechas.

Mãos poderosas foram ao seu lado, segurando seus ombros. Quando por fim fez o
que ele lhe pediu, a desmoronada estrutura ao seu redor desapareceu, deixando apenas o
etéreo par de olhos que estava contemplando. Seu rosto estava enrugado e ela enterrou
seus soluços contra o calor de seu pescoço.

— Shhh. — Tranquilizou-a, segurando-a com força. — Sinto muito, bebê.

— Sinto muito! — Ela riu entre lágrimas. — Eu sentirei quando despertar.

— Não é um sonho.

Seu aroma envolveu suas fossas nasais. Ela se levantou, enterrando o nariz em seu
cabelo e respirou profundamente.

— Posso sentir seu cheiro desta vez. Uau é o mesmo! Como a natureza, terra e
homem.

— Mel...

Seus lábios cobriram os dele, desesperada pela necessidade. Ele estava de volta.
Embora apenas fosse por um curto tempo, Derek Bennett estava de volta e em seus
braços.

— Deus, senti tanto sua falta. Muito.

As palavras foram ditas através de beijos, mas seus lábios permaneceram imóveis
sob os dela.

— Mel, pare. Espere... — Com uma explosão de velocidade, a empurrou, levantou-


se de um salto e colocou distância entre eles. — Isto não é bom. — Passou os dedos por
seu cabelo enquanto caminhava de um lado para o outro.
— O que acontece? — Perguntou se aproximando novamente.

Ele retrocedeu. — Precisa compreender algo.

Agora que já não se escondia dela, sua voz era clara e dolorosamente familiar. Seu
coração se derreteu ainda mais.

Deu um passo mais perto. Ele deu um passo atrás.

— Sabe quantos orgasmos tive em meu sonho assim? — Sua coluna se endireitou.

— Sério?

— Tão intensos, que quase doía quando despertava. — E não podia esperar para
acordar com outro.

Ele gemeu e virou as costas. Ela apoiou as mãos contra os músculos tensos que se
estendiam sobre seus ombros. Eram maiores neste sonho que nos outros, maiores de que
o que recordava.

— Porra, Mel, deixe-me!

Antes de perceber, ele a pegou pelos ombros, deu a volta e a empurrou contra a
parede. Golpeou-a duro, o suficiente para sacudir sua cabeça.

— Ai!

Com um suspiro de frustração, a própria cabeça de Derek se abaixou enquanto a


segurava ali.

— Sinto muito. Uma vez mais.

— Isso me machucou.

Seu olhar aproximou-se, preso no dela. — E deve doer já que não está sonhando!
Pense nisso!

Segundos se passaram enquanto ela fazia precisamente isso.


— Agora que percebi, nunca foi falador.

Ele fez um som de incredulidade. — Mas, tudo bem. Olha. Não me importa o que
façamos. — A suavidade estava de volta em seu tom. Sua palma se aproximou, roçando
seu rosto. — Inclusive quando estou acordada, sempre o sinto comigo.

Era ternura ou pena que se refletiam nos olhos que permaneciam nas sombras sem
cor.

— Esqueci-me de quão doce era. — Murmurou ele. Ela sorriu. — Mas precisa
entender... estou aqui em um sentido muito físico, lutando contra esta ereção do inferno,
tudo porque está me olhando com seus belos olhos. Então, me diga o que posso fazer
para convencê-la de que sou real.

Sua atenção se concentrou no vulto sob sua calça. A frustração o percorreu.

— Quer que mostre meu pênis?

— Precisa de luz?

A voz feminina atrás dele interrompeu com resultados impactantes. Rena se uniu a
eles em algum momento e agora avançava lentamente. A risada cheia de fumaça da
mulher encheu o ar.

— Não me importaria de vê-lo eu mesma.

As mãos de Derek se separaram dos ombros de Melanie e retrocedeu. Ela fechou os


olhos. Ele iria agora. O sonho terminou.

Mas quando os abriu novamente, não havia sol da manhã. Estava enfrentando a
mesma triste cena de antes. Desta vez, Derek e Rena estavam juntos. Lado. A. Lado.
Assassino e vítima.

O pesadelo retornou.

Rena estalou os dedos. — Yoo-hoo.


Foi então que Melanie soube com absoluta certeza que ainda estava acordada. Que
esteve todo este tempo. Que porra estava acontecendo?

— Antes de tentar entender isso. — Disse ela com renovada cautela. — Onde está
meu bebê?

— Dormido. Esgotado. — O olhar de Rena se abrandou ante a menção do menino.


— Não se preocupe, Chewie se assegurará que não saia da cama.

Os lábios de Melanie começaram a tremer enquanto sua mente processava a


verdade. O homem que estava vendo, que estava olhando-a com extrema cautela, que
estava morto há dois anos, era real. A menos que tudo fosse um truque de algum tipo.

Rena lhe deu uma cotovelada.

— Está se perguntando como fiz isso. Que em algum lugar de meu maldito livro de
feitiços puderam convertê-la em uma rã ou algo assim.

O que parecia muito perto da verdade. Melanie abriu a boca. Hesitou.

— Derek? É realmente você?

Com as mãos nos quadris, ele assentiu. — Sou eu.

— Pensei que íamos olhar seu pênis.

— Cale a boca, Rena.

Um pouco ofendida, a mulher suspirou, caminhou até o balde e virou-o e sentou.

Ignorando-a, Melanie colocou um pé diante do outro. — Realmente está vivo.

Ele assentiu outra vez.

— Como?

— É uma longa e complicada história.


— Estava com sua irmã quando vi os enfermeiros correrem com você para sala de
emergências. Estava lá quando o médico nos disse que morreu na cirurgia. Fui ao seu
funeral!

— Viu o seu corpo? — Perguntou Rena sem problemas.

Sua atenção foi para a mulher sentada no balde. — Foi um funeral com caixão
fechado.

— Que conveniente.

— Estavam honrando seus desejos! Foi sua vontade!

— Ao menos foi isso que lhe disseram.

O cérebro de Melanie ferveu com fúria.

— Que porra sabe Rena? Estava muito ocupada espreitando por trás dos arbustos
planejando a morte de Danny!

Rena cruzou os braços e lhe devolveu o olhar, a imagem do autocontrole. — Eu,


obviamente, sei mais do que você, querida.

Derek interrompeu. — Mel, nunca fiz um testamento. E Rena, precisa ir.

Sua suave ordem foi obedecida sem perguntas. Para surpresa de Melanie, Rena
Hellberg operava sob sua autoridade, não ao contrário.

— Espera um minuto! — Seus instintos maternais chutaram em plena marcha. —


Ainda não a quero perto do meu filho!

Derek a agarrou pelos braços enquanto tentava passar junto a ele uma vez mais.

— Você e eu precisamos conversar sozinhos.

— Sim, sem dúvida conversaremos, mas preciso ver DJ.

Deu-lhe uma sacudida. — Não ache que está a salvo apenas porque sou eu.
Sua boca se abriu com incredulidade. Sim parecia real. Parecia real. Inclusive
cheirava real, mas este sem dúvida não era o Derek que conhecia.

— É possível que tenha perdido contato com a realidade. — Ela sussurrou-lhe. —


Mas sou uma mãe agora. Rena Hellberg é uma assassina sentenciada. Como pode esperar
que apenas aceite que não lhe fará mal? — Saiu de seu agarre. — Melhor ainda... como é
possível que esteja com ela? Ela o matou!

Suas sobrancelhas se levantaram e olhou a si mesmo sarcasticamente.

— Sabe o que quero dizer! — Ela se enfureceu e tentou passar através dele uma vez
mais.

Desta vez, Derek a impediu com uma ameaça que não pode ignorar.

— E se der outro passo para a escada não verá esse menino outra vez.

E com essas palavras, chegou à completa e dura realidade caindo sobre ela de uma
vez. Abraçou seu corpo e se moveu para os vidros quebrados pelo muito necessário ar
fresco. Escolheu um buraco irregular, colocando o nariz através dele e respirando o ar
limpo.

— Filho de puta. — Quando ele não respondeu, falou novamente. — Estivemos de


luto por anos e estava vivo, escondido de nós todos este tempo. E se transformando
nisto... no que seja que se tornou.

Ele ainda não respondeu. Nem mesmo uma única defesa. Novas lágrimas
começaram a surgir, mas não eram lágrimas de alegria. Eram lágrimas de traição.

— Apenas fale, assim poderei voltar para meu filho.

— Não foi minha intenção causar dano. — Disse com firmeza.

— Sério? — Soltou uma gargalhada aquosa. — Agora que eu posso colocá-lo no


rosto sob o capuz negro, tenho que processar o que fez novamente. Ajudou a tirar Rena
da sala de psiquiatria. Drogaram-me. Sequestraram-nos e nos trouxeram para este inferno
de ruína. — Sua mão se moveu no marco da janela e se voltou para ele com desgosto. — E
se não o conhecesse melhor, pensaria que nunca esteve paralisado.

— Estive.

— Sim! Estava quebrado da cabeça aos pés! Pensei que nunca voltaria a caminhar!
Agora, está à espreita com Rena!

Seu olhar era inquieto.

— Apenas voltei há poucas horas. Não tive tempo de espreitar!

— Como supõe que isso melhora as coisas? Então... — Ela disse firmemente. — Não
apenas decidiu espreitar, mas também sequer se incomodou em verificar sua família?
Danny? Apenas para se assegurar de que estão todos bem? — Sentiu-o abrandar ao ouvir
o nome de sua irmã mais nova, mas não perguntou por ela. Por quê? — Está bem, por
certo. Casada com seu inimigo, já sabe, com o homem que jurou matar se alguma vez
colocasse uma mão nela.

— Casou-se com Cahill?

Seu sorriso era sarcástico. — Não apenas tem seu nome, como estou bastante
segura que Austin coloca suas mãos sobre ela regularmente.

— Basta, Mel. — Grunhiu Derek. — Resolvemos nossas diferenças lado a lado no


hospital. Estou bem com isso.

— Não parece muito bem com isso.

Então explodiu. — Não foi por mim, de acordo?

Ela soltou um som de incredulidade.

— Mas isso é o que não entendo! Obviamente, está em completo controle!

Ele estendeu as mãos para lhe indicar que abaixasse sua voz.
— Não de tudo, mas estou fazendo meu melhor esforço.

— Oh, não, não. — Apertou os punhos enquanto começava a passear pelo corredor.
— Não tente me acalmar, Derek. Depois do que me fez passar, da dor que suportei desde
que morreu, mereço respostas!

— Sério? — Agora ele estava soltando algo da fúria que possuía. — Esteve muito
devastada, não?

— Estive destruída!

— Tão destruída que caiu diretamente na cama de Mac.

Ela parou, olhando-o boquiaberta.

— Como?

— Vamos, seu filho deve ter o que... quase quinze meses?

Como saberia? Então, de repente, ela entendeu.

— Então, fez contas.

— Algo no qual sempre fui muito bom. — Disse ele.

Apenas deixou a si mesmo fora da equação. Melanie piscou na escuridão enquanto


ele continuava.

— Vi os dois junto em seu carro ontem à noite, não sou um idiota. Tem papai escrito
nele.

Era quase ridículo, mas ela mordeu o lábio inferior e tentou decidir aonde ir a partir
daí. — Então, esteve à espreita.

Derek levantou as mãos. — Bem, uma vez.

— Somente tempo suficiente para me drogar. Sequestrar. Aterrorizar. Encarcerar. E


ameaçar a mim e DJ. — Foi contando seus crimes com os dedos. — Correndo risco com
nossa saúde ao nos colocar em um velho mofado porão, infestado de insetos com
nada mais que um sujo colchão e uma lanterna de LED para nos manter confortáveis. —
Ele abriu a boca, mas ela não terminou. — E para completar o cúmulo, solta essa pérola
de sua ressurreição sobre mim enquanto Rena Hellbitch* brinca de ser Mary Poppins com
meu filho. Assim, desculpe-me se não me martirizar com culpa sob sua infantil acusação
de que de algum jeito o enganei depois que fez o número de sua própria morte!

1. Jogo de palavras. Utiliza o sobrenome da Rena que é Hellberg e o troca por "Hellbitch", que em espanhol significa "cadela

do inferno".

Então, por que se sentia como se começaria a chorar novamente?

Ele ficou em silencio durante um bom momento enquanto se olhavam. Finalmente,


moveu-se para frente até que ficou perto o suficiente para tocá-la.

— Nunca quis arrastá-la para isto, Mel. — Disse com a voz áspera. — E se fosse por
mim, todo mundo continuaria pensando que estou morto. Mas minhas opções se
esgotaram e estamos sem tempo até que possa nos comprar mais. Não gosto disso mais
que você, sobre tudo com um menino na história, mas posso garantir que as coisas ficarão
um inferno de muito mais tranquilas se confiar em mim.

Confiar nele. Como confiar em alguém que ordena obediência mediante ameaça e
declarações sem coração? Agora, isso a teria feito bastante tola, não? E Melanie Parker já
não era tola. Pensava que o conhecia. Confiava nele. O homem que uma vez foi tudo de
bom em sua vida agora a fazia prisioneira e estava de pé diante dela como uma figura
inquietantemente sombria, com uma mente criminosa e olhos castanhos vazios.

Era quase um sussurro: — Nunca confiarei em você outra vez.

A boca de Derek formou em uma linha dura. — Então, faça o que é melhor e
retroceda.

Com toda a força que pode reunir, ela levantou a palma e bateu com força em seu
rosto.

****
Ele o viu chegar. Sabia que merecia. A primitiva dor em seus olhos lhe esmagou, mas
se negou a acalmá-la porque precisava sentir medo. Melanie era uma mulher mais forte
do que antes, mas isto requereria mais que sua força. Requeria sua cooperação. Custou-
lhe semanas de pena, de dor e de tortura aceitar a vida que se viu obrigado a ter, mas
Melanie não teria tanta sorte.

E se os capturassem, nunca lhe daria uma opção, apenas uma maneira lenta e
dolorosa de morrer.

— O que está pensando? — Suspirou ela, a ira em cada palavra.

Ele esfregou uma mecha de seu cabelo loiro brilhante entre seus dedos calosos. E de
alguma maneira precisava conquistar sua confiança. No momento que colocou os olhos
nela no apartamento, começou a sentir a seu velho eu novamente. Era algo que não podia
permitir. A resposta chegou em um sussurro rouco.

— No final.

Sua respiração parou. — O final do que?

— Bem, do homem que conheceu.


Derek ouviu Rena chegar antes que Chewie o alertasse do fato.

Ela era boa, mas havia espaço para melhorar. Arrancou uma parte de seu sanduiche,
jogou-o para o cão e logo comeu.

— Bem, se estiver se masturbando agora, quero ver.

Grandioso. Era comediante agora.

— Basta com as brincadeiras de pênis, Rena. — Disse ele com a boca cheia de
comida.

A mulher se manteve em pé enquanto seu esbelto corpo se relaxava contra a coluna


do alpendre em frente a ele.

— Estou curiosa para saber se ainda tem um.

Ele engoliu entre uma mordida e outra. — Mel não foi tão ruim. Lidou com isso
muito bem, considerando tudo.

— Isso não foi o que quis dizer.

Apesar do tema sombrio, o canto da sua boca se curvou enquanto oferecia seu
último pedaço ao cão esperando paciente a seus pés.

— Tudo está funcionando normalmente, desde que esteja estável.

A respiração lenta de Rena se converteu em uma gargalhada.

— O que não será por muito tempo uma vez que começar a abstinência.
Era algo que começava a temer. Foi tratado com um gosto brutal disso quando
testou seus limites uma vez.

— Acho que descobriremos em breve se as coisas não saírem conforme o planejado.

Um incômodo silêncio se estendeu entre eles.

Ao perceber que o festival de comida terminou, Chewie deitou de barriga com


lambidas satisfeitas. O zumbido contínuo dos insetos noturnos inundou o ar da abafada
noite.

— Contará a ela sobre isso? — Perguntou Rena suavemente.

Ele negou. — Não há razão para fazê-lo.

Rena voltou seu rosto para a brisa rápida que mantinha a metade de seu longo
cabelo negro brilhante em movimento e estremeceu um pouco. Sua mão encontrou a
base de seu crânio.

— É um bom rapaz, Bennett. Espero que ela o valorize.

Melanie não era exatamente um assunto que queria discutir com a mulher que lhe
advertiu que não deveria sequestrá-la em primeiro lugar. Mas não podia sentar-se e
deixar que a machucasse. Ela o amou uma vez.

— O que acontece com você? — Disse ele. — Vale a pena?

Rena soltou uma risada triste. — Esperemos que assim seja.

— Isso não me dá uma grande quantidade de confiança.

— Enquanto seja eu. — Disse ela, colocando uma mão em seu peito para dar ênfase.
— Passaremos por isso juntos.

A grossa cauda de Chewie golpeou quando Derek se abaixou nos degraus ao lado
dele. Uniram-se por um momento, o homem e o cão, enquanto a mulher olhava de cima.
— Mesmo que isso funcione, não há garantias. — Disse Derek enquanto coçava as
orelhas do cão. — Mas se não conseguir, nós dois estaremos categoricamente fodidos.

— Você não.

O aborrecimento apareceu em sua voz. — Minhas chances são maiores se estiver


armado com a informação correta.

Por um breve momento, Rena pareceu considerar suas opções.

— Tem certeza de que nunca ouviu falar de uma mulher chamada Elsa? Sequer de
tê-la visto, talvez? — Levou a mão à altura de seu nariz. — Alta com o cabelo castanho e
olhos azuis claros?

Isso novamente? — Já lhe disse, não sei de quem está falando.

Ela assentiu pensativa.

— Então, acho que preciso usar minha melhor carta.

Derek não estava surpreso. Quem poderia culpá-la? Rena foi desapontada muitas
vezes.

— Está bem, então. Esteja preparada para se mover logo que chegar meu contato.
Quando tivermos o carro, faremos rápido e limpo. Sem erros. Uma vez que esses
bastardos descobrirem o que estou fazendo, a merda baterá no ventilador e a carta mais
alta será a nossa única proteção.

Rena assentiu.

— Entendi. E já que estamos fazendo tudo isto, sua namorada e aquele inocente
bebê ficarão aqui no hotel do inferno até que isto acabe.

— Estão seguros aqui.

— Mas e se não voltarmos?

Ele pensou por um momento, olhando seu relógio. Eram quase três horas.
— Direi a meu contato para que a vigie. Rena?

— Sim? — Disse suavemente.

— Falando assim pode conseguir que a deixe, também.

Um som de desgosto acompanhou seu olhar de desprezo.

— Não se preocupe, não o abandonarei. Devo-lhe muito.

Derek fez um leve aceno de cabeça.

— Não a abandonarei tampouco, Rena. Isto funcionará melhor se confiar em mim.

Seus olhos de safira o olharam pensativamente.

— Confio em você. — Então se levantou da coluna do alpendre, se virou e foi pelos


escuros limites da igreja. — São os outros fantasmas que me preocupam.

****

Melanie descansava no colchão, com olhos abertos e reflexivos. Estendeu a manta


cor de rosa sob seu filho dormindo que estava aconchegado dentro de seu abraço
protetor. Rena substituiu a lanterna quebrada por uma que oferecia ainda menos luz, mas
era suficiente para enxergar o rostinho angelical de DJ.

Seus grossos e curvados cílios descansavam contra sua pele de porcelana. Entre
gordinhas bochechas estava uma pequena boca macia, aberta durante o sono. Seus olhos
azuis esverdeados eram dela. Assim como os loiros cachos suaves e as delicadas
sobrancelhas. Mas Derek Júnior, sem dúvida, herdou as orelhas, a boca e o queixo de seu
pai. Os Bennett sempre o elogiavam tanto, sobre tudo Mary. A mãe de Derek sempre
chorava com as fotos de bebê de seu filho morto e lamentava as semelhanças com uma
caixa de lenços por perto.

Vê, o nariz é o mesmo, também... bem, antes que Austin o quebrasse...

Melanie sempre valorizou esses momentos com a família Bennett, especialmente no


aniversário de Derek quando todo o clã podia unir-se e celebrar a vida de um filho, pai,
irmão, tio e amigo perdido. Agora, a ideia disso a deixava doente. Depois de anos
de sustentar a condição de herói, era difícil não deitar ali e odiá-lo. A falta de respeito
cruel que mostrou aos que o amaram e apreciaram a assombrava. Era tão diferente dele.
Nada tinha sentido e as perguntas continuavam chegando.

Por que foi embora?

Como fez para recuperar-se de lesões tão devastadoras?

Onde esteve?

Por que não ligou?

Por que estavam ali?

Que outros crimes cometeu, além do sequestro, ajudar a escapar da prisão um


perigoso fugitivo e bom, ser um completo imbecil desalmado?

Por que não conto que DJ é dele?

Embora tivesse respondido essa pergunta em inumeráveis vezes, continuava


surgindo. Certamente não de culpa... Derek tinha tudo, mas ameaçava DJ. Via-o como um
inconveniente. Não tinha direito nem o desejo de ser pai. Além disso, parecia muito
ansioso uni-la a Mac.

Que pense isso. DJ nasceu com duas semanas de atraso já que seu corpo se negava
a renunciar a ele por sua conta, por isso era plausível que pensasse ter sido concebido pós
Derek. E gostava de Mac. Uma vez que começaram a conhecer um ao outro, tornaram-se
amigos próximos, depois companheiros de apartamento, depois em sócios de negócios.
Viam filmes juntos, comiam juntos, ela inclusive o levou a aulas de parto quando Danny
não pode fazê-lo. Também era a melhor babá em toda a cidade de Springfield.

Além disso, ele e Austin forneciam suficientes influencia masculina para dar a
qualquer menino impressionável, uma ideia do que era ser um homem. O que poderia
oferecer Derek a seu filho além de um curso intensivo de partir seu coração?

— Ele trouxe comida de bebê.


Melanie assustou-se. Quanto tempo fazia que Rena estava de pé ali? Não a ouviu
entrar e muito menos abrir a porta.

— O que?

A mulher deixou muitos recipientes de comida para bebê na bolsa de fraldas aberta
no chão.

— Derek. Conseguiu comida para o bebê. Isto deveria ser suficiente para sustentar o
pequeno enquanto estiver aqui.

DJ suspirou, moveu-se instável e dormiu novamente. Melanie se levantou


suavemente da cama e olhou a porta aberta.

— Eu não o faria. — Rena ficou de pé e as duas mulheres se enfrentaram uma à


outra por um momento de silêncio cauteloso.

Como se fosse um sinal, o guarda da prisão de quatro patas de Derek entrou na sala,
indo direto à cama e movendo seu nariz justo sobre o colchão. Satisfeito com os
resultados, girou em círculos e deitou ao lado da bolsa de fraldas. O primeiro pensamento
de Melanie foi que o cão era muito afeiçoado a seu filho. O segundo... que simplesmente
precisava tentar fugir se quisesse escapar daquela ruína isolada.

— Derek a sequestrou por uma razão. — Disse Rena, prendendo sua atenção. —
Pode confiar nele.

—É difícil quando não sei a razão.

— Está a protegendo. Das pessoas que o sequestraram.

— Então, eles o levaram? Do hospital? — Melanie tomou o silêncio de Rena como


uma afirmação. — Finalmente! Uma resposta que fazia sentido! Quem?

Rena hesitou, escolhendo cuidadosamente suas palavras.

— Alguém que é muito poderoso, com muito a perder.


Ótimo. Como se não tivesse ouvido está frase em cada filme de ação que Mac a
obrigou assistir ao longo dos últimos dois anos.

— Está bem... o que querem de Derek? Ou de mim?

— Não posso dizer. Tudo o que direi é que ele se tornou um pária apesar de suas
ameaças. Estão irritados e Derek apenas quer evitar que se transforme em um dano
colateral.

— Colateral. — Melanie se inclinou, abaixou a voz com o fim de não despertar ao


bebê. — Olha. Eu gosto de Schwarzenegger tanto como a garota ao lado, mas sempre e
quando meu filho estiver envolvido, preferiria que não soasse tão parecido com um trailer
de filme. Quero os detalhes agora.

— A única razão por que falo é que não estou de acordo com sua decisão de mantê-
la fora do circuito completo. Penso que precisa estar a par por amor a DJ, mas há algumas
coisas que é melhor que não saiba. Apenas terá que confiar em mim nisso.

Ouviu bem?

— Aí está à palavra com C novamente. — Disse Melanie com os dentes apertados e


as costas retas. Olhou seu filho dormindo e manteve a voz baixa. — Foi difícil ouvir de
Derek, mas é francamente risível ouvir de você! A última vez que a vi...

— Sim, sim, eu sei. — Com os braços cruzados, Rena tinha uma postura defensiva.
— Sou a cadela louca que atirou em você e tentou matar seus amigos. O mundo não é
perfeito para nenhum de nós, mas na hora da verdade, os sobreviventes são os que
analisam, processam, adaptam-se e avançam.

Com falsa valentia, Melanie cruzou os braços igualmente. — Não me diga. Angelina
Jolie?

As sobrancelhas levantadas se assentaram sobre os olhos que eram impossíveis de


ler.

— Não sou uma fã que perde o fôlego.


— Então nos faça um favor e não o seja.

— Normalmente não me incomodaria, mas DJ precisa que seja inteligente quando


chegar o momento da verdade.

— E está dizendo que seria inteligente permanecer em minha cela sem janelas,
trancada como uma boa refém?

— Quando os fantasmas vierem para você, não vai querer estar em nenhuma outra
parte.

Suas palavras se juntaram com os olhos fantasmagóricos e lhe causou arrepios. A


valentia de Melanie acabou.

— Outra vez os fantasmas. Sabe, é boa. Brinca de ser lúcida surpreendentemente


bem, mas continua sendo a mesma lunática que lembro.

A boca de Rena se franziu com um sorriso ardiloso. — Sou agora?

Um pequeno ruído pela porta aberta chamou a atenção de Melanie por um breve
segundo e. Quando olhou para trás, percebeu que estava de pé sozinha. Uma leitura
rápida confirmou que a mulher com quem acabou de discutir simplesmente desapareceu.

— Aonde porra ela foi? — Sua única resposta foi um olhar direto do cão deitado
confortavelmente no chão.

Melanie endireitou as costas. — Sim, estou perguntando a você!

— Boo. — Foi sussurrado suavemente em seu ouvido.

Melanie virou-se com uma mão sobre seu coração e enfrentou uma Rena séria.

— Por Deus! — A mulher soltou uma de suas risadas fumegantes. — Como fez isso?

— Um pequeno conselho. — Sussurrou Rena com cumplicidade — Não perca tempo


com muitas perguntas. É o mantra de sobrevivência de Derek. Quando enfrentarmos o
desconhecido, o melhor é aceitar.
Seu olhar tornou-se sedutor enquanto segurava a mão de Melanie e suavemente a
puxava. Relutantemente, Melanie olhou de volta para seu filho dormindo, viu seu novo
protetor de quatro patas perto, logo deixou que a mulher a levasse através da porta
aberta e entrar na sala.

Rena lhe deu outro olhar sensual. — Processe.

Viraram à esquerda, longe da escada que usaram anteriormente. Sinais internos de


alarme atacaram os nervos de Melanie, mas passaram pelas salas de aula mais escuras,
havia uma luz âmbar que se projetava a frente. Rena caminhou para trás agora, mantendo
o contato com seus olhos.

— Adapte-se.

A dificuldade para respirar se somou ao já preocupante ambiente. Ficava mais forte


quanto mais subiam para luz. Rena chegou primeiro, voltou-se para ela e sorriu. Logo
Melanie se uniu a ela e viu o que tanto fascinava a mulher.

Seus lábios se abriram de surpresa enquanto Rena sussurrava a palavra:

— Avance. — A meros centímetros de seu ouvido.

Santa Merda.

— Magnífico... não?

Derek estava sem camisa, brilhando de suor, com a calça esportiva preta abraçando
um traseiro definido enquanto fazia flexões em um aparelho.

Lembrava-se dele usando a máquina de treinamento antes quando se pendurava


nas vigas do porão em sua casa. Os alpinistas ganhavam força em suas mãos com isso,
praticando uma série de repetições com a ponta de seus dedos. Sempre parecia doloroso
para ela, mas Derek fazia parecer fácil. Também indicava que ele preparou este lugar para
uma longa estadia.

A porta que pendia em meras dobradiças levava a uma sala de aula adjacente, da
qual chegava mais luz. Velas queimavam por toda parte, a maioria provavelmente por que
sacrificou seu próprio abajur para substituir para ela o quebrou. Mas o efeito era
impressionante.

E isso era exatamente o que era. Atordoante. Não apenas porque ele não
apresentava nenhuma marca de lesão debilitante, mas sim porque era maior. Melhor do
que antes. E de um amplo corpo superior a uma magra cintura estreita, o homem era uma
mescla de sexo em movimento, de poder e encanto. Os músculos, que se definiam mais
pela sombra, bombeavam tudo. Uma fina rede de veias bombeava com cada repetição,
melhorava cada centímetro endurecido e todo conjunto desencadeou uma violenta
reação carnal em seu ventre.

— Disse que a deixasse em paz.

A brusca declaração chegou ao instante em tocou o chão. Ao ficar de pé, de costas


para elas, Melanie vislumbrou cicatrizes que nunca viu antes. Para seu desgosto, apenas
acrescentavam a sua robusta aparência.

Rena continuou sua leitura aberta também.

— Já que se nega a me ouvir, pensei em fazer uso de elementos visuais. E querido, é


uma grande visão.

A ira irradiava de seu corpo quando se voltou para enfrentá-las.

— Leva-a para o quarto.

— Derek. — Emocionada, Melanie gaguejou na porta. — C-como fez isso? — Como


pode passar de um saco de boxe a isto?

Rena riu novamente, mas o som parou abruptamente quando a mulher o olhou nos
olhos.

— Ela precisa... — Disse com dolorosa lentidão. — Sair.

Em vez de obedecer, Rena se moveu para ele, segurou seu pulso com o polegar e
três dedos, hesitou por um momento.

— Oh, infernos.
Melanie se aproximou mais. — O que está acontecendo?

Derek tirou o braço do aperto de Rena.

— Disse que a tirasse daqui. Agora. — E fechou os olhos quando começou a


caminhar. Deveria esperar cooperação imediata porque reagiu violentamente quando não
foi assim. — Rena!

— Não vou deixá-lo! — Gritou ela, vasculhando dentro de uma bolsa de lona preta
no chão.

— Porra! — Ele trovejou e foi para Melanie.

Deveria temer por sua vida? Não, não acreditava, mas o olhar em seus olhos lhe
disse que ele não estava muito...

— Sente-se. — Rena tirou uma seringa carregada e uma faixa de borracha. Os olhos
do Melanie se abriram quando o homem a encontrou quase nariz com nariz, mas logo se
afastou de repente. Era uma confusão frenética.

— Tira essa merda longe de mim. — Grunhiu quando a mulher puxou seu braço
novamente.

— Melanie, me ajude.

Estava lá, nos olhos de Rena. Uma severa advertência que lhe dizia que todo o
inferno se desataria se não o fizesse. Agora seria o tempo para cortar e correr. Levar DJ
bem longe dali e deixar estes dois enquanto pudesse.

Mas não podia. Seu instinto lhe dizia que Derek estava em sérios problemas e que
Rena estava realmente preocupada.

Sem pensar mais, Melanie segurou seu outro braço e as duas mulheres lutaram para
baixo para segurá-lo juntas.

— Precisamos conseguir acalmar seu ritmo cardíaco. — As palavras eram abafadas


porque Rena segurava a seringa entre seus dentes enquanto trabalhava com a faixa
elástica ao redor de seu bíceps. Foi então quando Derek realmente começou a brigar.
Rena falhou com o torniquete e amaldiçoou em voz alta. — Melanie me ajude!

Mas ele era muito forte. O homem não queria ficar quieto e não estava disposto a
deixar que acontecesse. Assim, colocar sua musculatura em submissão não era uma
opção, Melanie se moveu ao plano B e o beijou. Forte.

Sua boca era como uma rocha. Estava tão tenso, que Melanie temeu que sua
tentativa de distração não funcionasse, mas quando inclinou à cabeça, seus lábios se
abriram para permitir um melhor ajuste. À medida que o beijo se suavizava, ela sentiu o
queixo com barba contra seu queixo, provando o sal de seu suor e fundindo-se nela.

— Melanie, você me mata! — Gemeu ele, esperando até que seu corpo soltasse a
última gota antes de paralisar exausto sobre ela. Os dois estavam ofegando como cães
sem água, o sol caindo sobre seus corpos nus.

As costas de Derek estavam tomando a maior parte do calor, mas não se importava.
Nunca se importava.

— Você é um mistério. — Disse ele junto a seu ouvido. — Estive trabalhando todo o
dia... estou sujo, suado, cheirando mal... mas aqui estamos novamente. Rolando no local
de trabalho.

— Você gosta dessa maneira. — Disse ela sorrindo, respirando fundo enquanto o
mantinha em seu interior em meio a uma pilha de caixas esmagadas. — Cheira como um
homem. E não tenho que compartilhar com ninguém antes de tomar um banho.

Sua breve gargalhada foi incrédula. Quando ele se levantou, Melanie olhou em seus
olhos e ofegou, ainda descendo do prazer que encontrou com ele.

— Além disso, queria fazê-lo aqui fora. — Disse ela, passando a língua sobre os
lábios inchados. Sua barba começava a crescer, mas gostava disso também. — Mesmo
agora, alguém poderia caminhar por aqui e nos ver. — Suas mãos roçaram suas costas em
um movimento circular. — Fazer amor entre escombros, em couros é... — Rebolou com
força. — Muito gostoso.

— Ah. — Respondeu ele através de um sorriso.


— Está bem, vocês dois, separem-se.

Com o som da voz de Rena, Melanie voltou ao presente. O beijo se converteu em


algo selvagem.

Enquanto Derek explorava sua boca com a língua, sua mão livre se aproximou e
fechou com força em seu cabelo, lhe negando a opção de afastar-se imediatamente se
tentasse. Seu suor impregnava sua roupa. Seus seios estavam esmagados contra ele,
quentes e excitados, desejando suas carícias.

Quando gentilmente se afastou dele, ele afrouxou seu aperto.

Ela terminou o beijo e olhou seus olhos castanhos escurecidos pelo desejo. E se não
o conhecesse, teria suspeitado que compartilhou a lembrança com ela.

Mas ele não era mais aquele Derek.


Enquanto sua neblina luxuriosa desvanecia, Melanie se sentou um pouco mais.

— Que porra aconteceu?

— Não tenho certeza. — Disse Derek com voz rouca. — Mas acredito que chamam
de beijo.

Estava brincando? Em um momento como este? Ela olhou a Rena por uma resposta
real.

— Ele está passando pela abstinência. — Disse a mulher enquanto desenrolava o


torniquete e o colocava de novo na bolsa.

— Não esperávamos que acontecesse tão cedo, mas felizmente para ele tive a
oportunidade de roubar alguns medicamentos antes de sair do hospício.

Derek grunhiu enquanto se movia para sentar. — Que merda acabou de me dar.

— Abstinência do que? — Perguntou Melanie com horror.

Rena encolheu os ombros, verificou as pálpebras de Derek para uma inspeção


próxima. — Não sabemos. Esse é o problema.

— É um viciado em drogas? — A ideia disso balançou Melanie sobre seus


calcanhares. O homem que conhecia mastigaria um copo antes de usar drogas.

— Não por escolha. — Respondeu Rena com seriedade. Então, satisfeita com os
resultados, deu a Derek uma inclinação de cabeça. — Além da respiração forte, o olhar de
fera enjaulada se foi. Como se sente?
Derek olhou para Melanie um pouco receoso. — Como se tivessem me batido forte.

— Tem sono?

Ele negou um pouco.

— Não, mas se vocês damas quiserem se deitar em cima de mim...

Oh! Não era como se não pudesse resistir a seus encantos ou algo. Com uma
bufada, Melanie ficou em pé com suas mãos nos quadris.

— Um agradecimento pelo sacrifício seria bom.

Ele se levantou e acomodou o curativo novamente, verificando o lugar da injeção


em seu braço.

— Bem, obrigado. Por me tirarem daquele lugar.

— Ei. — Disse Rena enquanto continuava organizando o conteúdo da bolsa. — É um


medicamento contra ansiedade comum. É uma solução rápida e sim, pode ser viciante,
mas pelo menos sabemos o que fará. — Deu a volta e o assinalou. — E a próxima vez que
acontecer, tome algo. Não pode tirar do seu sistema suando, lembra?

— E se quiser tentar...

— Essa é a ansiedade falando.

— Estou arriscando um inferno muito maior que minha vida, senhorita. — Ele
assinalou a Melanie. — Estou arriscando a dela, a de seus filhos, a sua, apenas por uma
injeção para me afastar deste tipo de merda!

— Não será de ajuda para ela ou seus filhos, nem para si mesmo se não puder
funcionar direito.

Melanie se uniu com um comentário: — Sim, o que tem que esse mantra que Rena
me falou? Toda essa coisa de adaptar, processar e avançar?
— O que? — Derek estava irritado enquanto Rena rodava a cabeça atrás e adiante
novamente. — Esteve fodendo com ela?

A mulher encolheu os ombros e tentou sair da conversa.

— Vi em um filme uma vez, soava bem.

— Espera um minuto. — Melanie começou a sentir-se como uma idiota de classe A.


— Quer dizer que toda essa canção e dança pelo corredor foi um monte de merda?

— Você é a que pensa que estou louca, me diga você.

— Vá para o inferno!

— No entanto, estávamos nos aproximando.

— Basta! — Gritou Derek.

Não foi tanto o volume como o tom o que silenciou ambas as mulheres. Cada uma
fechou a boca e tomou a postura de criança sendo chamada a atenção enquanto ele as
olhava. Melanie não podia recordar nunca o ter ouvido assim antes.

— Não tem um bebê em alguma parte? — Perguntou-lhe com sua calma restaurada.

Seu rosto ficou vermelho. Quando se moveu para sair, Rena interveio: — Chewie
está com ele, mas vou comprovar enquanto você resume o problema de drogas. Ela terá
que saber com o que está lutando em caso de ter outro episódio.

****

Por mais que odiasse admitir, Rena tinha razão. Ele sequestrou Melanie, sua grande
revelação, toda a merda que a fez passar para mantê-la a salvo seria por nada se
terminasse machucando a si mesmo. Porra isto não aconteceu tão rápido antes. A droga
em seu sistema realmente o deixava instável? Apenas passou uma hora depois que
deveria haver administrado a dose seguinte.

Melanie ficou olhando a porta, praticamente torcendo as mãos. Estava claro que se
debatia entre a triste curiosidade e o dever maternal.
— Não lhe fará mal. — Disse com voz rouca, odiando tudo relacionado com a
situação em que se encontravam. — Odeio dizer, mas pode confiar mais nela que em mim
neste momento.

Seu olhar era duvidoso.

— É demais. — Disse com seus lindos olhos azuis ficando desconfiados e frágeis. —
Por favor, Derek. Fale comigo. Sinto-me um pouco louca neste momento.

Sua simpatia se intensificou em pequenos graus. Algo que Rena deu ainda estava
surtindo efeito e apreciava seu estado preocupado a nível pessoal. Passou uma mão pelo
suado cabelo e indicou o saco de dormir ao lado deles. Quando ela se sentou, ele se uniu a
ela ali, de costas contra parede.

— Sinto-me como uma idiota. — Murmurou. — Poderia jurar que seu espírito
estava comigo. Pensei que inclusive me salvou em um momento.

— Salvar?

Luz dourada brilhou sobre sua pele.

— Quando a casa da árvore caiu. Mas não vamos falar disso neste momento porque
agora é sobre você.

Falando de redirecionamento.

— Por onde quer começar? — Perguntou-lhe, passando-as mãos pelo rosto.

— Pelo princípio, suponho. — Respondeu, vendo-se perdida no grupo de velas


acesas diante dela. — Rena disse que foi levado por alguém, mas que não me disse por
quem ou por que.

Derek apoiou os braços sobre seus joelhos e começou a ordenar o que deveria ou
não dizer.

— Uma empresa de segurança chamada IGP. Ignacia Global Protection. Rena


trabalha com eles.
Seu fôlego saiu em um suspiro alto. — Sabia. Ela planejou isto de algum jeito.

— Não. Não a princípio. Eu fui pego, digamos que no meio.

— Quando você se lesionou no acidente que ela causou?

Ele negou. Melanie estava unindo as peças de informação que já conhecia, mas...

— Isso vem de anos antes disso. Rena pegou algo valioso deles. E de certo modo eu
o adquiri.

— Como terminou com algo dela?

Quando ele ficou em silêncio, ela virou a cabeça para ele em espera e o pegou
observando seu perfil.

— Pelo Austin. — Respondeu. — Quando erámos amigos.

Ela ficou sem fala por um momento. — Wow. Isso faz anos, não é?

— Ainda estou esperando a história, mas voltemos para o momento em que a IGP
se inteirou disso. Ela e Austin estavam comprometidos. Exerceram pressão sobre ela para
tê-lo de volta e suponho que foi quando começou a ficar louca por ele. Na manhã que me
tiraram do hospital, ela foi me ver na UTI para me fazer perguntas. — Fechou os olhos,
perdidos nas lembranças. — Estava tão alterado pelo medicamento que não podia dizer
duas palavras. Ela armou minha extração para poder me interrogar em seu próprio
terreno. Para fazer uma história longa, curta, deu-me algo que me atordoou. Eles me
levaram para cirurgia. Entregaram-me de uma equipe médica a outra e... fui...

Melanie estreitou os olhos.

— Isso soa muito fácil. — Quando ele simplesmente encolheu os ombros, ela exalou
com força. — Bom, está bem, mas não vejo Rena preocupar-se o suficiente para ter tanto
trabalho em fingir sua morte. Seu funeral, no caso.

— Não foi ela. — Derek apertou a ponte de seu nariz. Não havia muito que contar e
tanto para manter em segredo. — É como sua especialidade. Rena simplesmente disse a
IGP que eu tinha a informação que necessitavam e que teriam que me manter vivo até
que estivesse em uma melhor posição para responder as perguntas. Eu não tinha ideia da
informação que ela pensava que tinha. Tampouco eles, já que ela manteve os detalhes
para si mesma como uma espécie de seguro político. Um movimento inteligente de sua
parte. Não podiam me interrogar sozinhos.

— Posso ver por que confia tanto nela. — Melanie disse as palavras com sarcasmo.

Derek se aproximou, passando o polegar sobre seus nódulos.

— Ela é tão vítima da IGP como eu. Entendemos-nos, essa é a única razão pela qual
pudemos sobreviver.

Os dedos de Melanie encontraram os seus e finalmente os entrelaçou. — Estou


ouvindo.

Ele soltou o fôlego devagar, imensamente grato por seu toque.

— Bem, acordei em uma sala de aço com cinco caras em jalecos de laboratório. Não
podia fazer nada e sentia muita dor. E ninguém se importou, estavam tirando as drogas do
meu sistema para quando Rena retornasse. Foi bastante brutal.

Melanie estremeceu ao seu lado. — Eles o isolaram completamente?

— Sim. — Sussurrou ele. — Senti tudo. Da cabeça aos pés. Por dias.

Uma lágrima rolou pela bochecha dela e colocou a testa contra seu ombro.

— Eles me queriam com dor para que fosse mais flexível. — Ele continuou. — Mas
meu corpo não podia esperar por Rena e sofri uma parada cardíaca. Reviveram-me. Então,
a polícia a capturou e foi quando seus planos para mim mudaram. Como não podiam
seguir sem algum dos dois e devido ao que me converteram de repente, em um residente
permanente, decidiram me colocar para trabalhar. O plano era que me curasse, que
aperfeiçoasse meu conjunto de habilidades em particular, que por sorte, foi de grande
utilidade para eles e me utilizaram para tirá-la.

— Aperfeiçoaram seu conjunto de habilidades?

Viu limpar o rosto com o dorso da mão.


— Escalada urbana. Com um pouco de treinamento extra, fui seu homem no
exterior, trabalhando com seu homem dentro. A tarefa era muito mais difícil, já que ela
era mantida clandestinamente em uma sala de psiquiatria de máxima segurança. Eles
necessitavam um foco diferente. O problema era que seria muito trabalho. Uma grande
quantidade de planejamento. Uma grande quantidade de tempo. Quando estávamos
prontos, fizeram com que seu homem infiltrado lhe desse algo que a deixasse em um
estado catatônico. Então, foi transferida ao sexto andar da ala hospitalar.

— O que lhes fez pensar que poderia curar o suficiente para poder levar a cabo uma
subida de seis andares como essa? — Perguntou Melanie. — Os médicos disseram que
nunca se recuperaria totalmente.

— Não teria conseguido. Não sem o uso de alguns medicamentos muito retorcidos.
Merda ilegal que a FDA2 nunca deixaria passar e que os médicos éticos nunca usariam. A
IGP não funciona dentro desses limites, por isso me carregaram com o que foi necessário.
Não se preocuparam com os efeitos em longo prazo, sempre e quando pudesse cumprir
meu propósito.

Melanie assentiu contra seu ombro, seus olhos estavam fechados. — Conhecendo
sua aversão às drogas, deve ter sido um inferno para você.

Ele soltou uma pequena gargalhada.

2. FDA: (Food and Drug Administration) Agência de Mantimentos e Medicamentos é a agência do governo dos Estados

Unidos responsável pela regulação de mantimentos (tanto para pessoas como para animais), medicamentos (humanos e veterinários),

cosméticos, aparelhos médicos (humanos e animais), produtos biológicos e derivados sanguíneos

— Mais ou menos. Disse-lhes que se ficasse impotente, cortaria minha própria


garganta e levaria minha informação ao inferno comigo. Que se fodessem.

Sua boca se torceu, mas foi sem humor. — Agora, esse é o Derek do qual me
lembro.

— Fiz algumas outras cirurgias corretivas. —Continuou esticando as pernas para


frente. — Puseram-me em um breve regime de esteroides, mas a verdadeira cura veio de
um medicamento que se usa fora do radar da FDA. Algo que pensei que ser muito
bom para ser verdade, já que me sentia incrivelmente forte. E tinha razão. Houve alguns
efeitos secundários desagradáveis com essa droga com que não contavam, algumas
propriedades aditivas que me manteria leal a IGP. E como se isso não fosse suficiente,
utilizaram outros incentivos para manter minha cooperação.

— Como?

Esta era a parte que doía mais. Levantou sua mão, apertando-a contra sua testa. Seu
toque, a sensação de sua pele era mais distração do que necessitava para manter-se
continuando.

— Meu raptor tem um apetite sádico pelas loiras de olhos brilhantes. Tinha sua
foto. Mostrava-me quando precisava.

Sua boca formou um oh quando entendeu. — Como conseguiu minha foto?

Ele abaixou a mão, apoiando-a em seu colo.

— Danny deu-me no hospital quando me neguei a vê-la. Era a de meu quadro de


avisos, na qual usava uma camiseta azul celeste com seu cabelo por toda parte e esse
sorriso de vem-e-me-faz-sua.

O que não lhe disse foi como esse particular raptor maltratava sua foto de forma
regular. Sempre quando estava perto. Derek jurou que o homem nunca teria a
oportunidade de levar a cabo suas ameaças se rompesse com a IGP.

— E esta pessoa ameaçou fazer precisamente isso. — Melanie adivinhou com o


cenho franzido. — Ir me buscar.

— Era um enfrentamento constante entre nós. — Murmurou ele. — Quase o


sufoquei uma vez, quando me empurrou muito longe. Depois disso, prenderam-me em
uma caixa por uns poucos dias e me deixaram experimentar a retirada da super droga. Ali
estava eu, completamente curado, me sentindo como o Capitão América. Era maior, mais
ágil, mais potente que nunca e me tornei muito arrogante com isso. Quando finalmente
me deixaram sair dessa caixa... — Derek sentiu um arrepio involuntário. — Tenho sorte
que Rafferty não me dissesse que ficasse de quatro porque o teria feito se isso significava
colocar fim à tortura.
Melanie deixou de respirar a seu lado por um momento. — Oh, Derek.

— Não tiveram mais problemas comigo. — Continuou tocando a suave pele de seu
braço com as famintas pontas de seus dedos, voltando a familiarizar-se com suas curvas
pouco a pouco. — Treinei, me preparando para o grande dia de Rena. Mantiveram-me sob
uma vigilância rigorosa, nunca me deixaram sair de sua vista, nunca deixaram que fosse.
Ao mesmo tempo, meu vício estava piorando. O remédio provavelmente acabaria comigo
da próxima vez.

— No entanto, ainda fugiu. — Disse Melanie com o cenho franzido. — Suponho que
subestimaram a profundidade de seus problemas de compromisso.

Ela estava tão séria, até mesmo chorando, mas não pode evitar lhe conceder um
sorriso fugaz. Seu comentário o fez recordar uma vez, quando estava em uma cama de
hospital perto da morte, classificando suas dispersas prioridades. Algo no que pensou
umas mil vezes enquanto olhava as paredes de gesso de sua cela de detenção na IGP, em
que em repetidas ocasiões ficou por causa de seu orgulho.

Uma mecha de cabelo caía sobre os ombros e suavemente roçou um seio. Seus
olhos ficaram ali, alimentando sua necessidade de tocá-la. Desde que retornou de sua
ansiedade encontrando sua língua em sua boca e uma agulha em seu braço, esteve
lutando contra outra ereção. Sua persistência no tema que os ocupava o tirou de seu
estupor.

— Deve haver uma maneira de averiguar o que é. — Disse ela com determinação. —
Para que possamos encontrar uma maneira de ajudar a desfazer-se dela.

— Rena. — Ele respondeu distraidamente, olhando fixamente sua boca.

Melanie piscou. — O que acontece com ela?

— Ela é meu ingresso para colocar fim a este pesadelo.

— Mas pensei que não soubesse o que é.


— Ela tem bastante sujeira da IGP para fazer uma troca. Fiz um grande favor ao não
a entregar a eles. Enquanto ela devolve o favor, tenho uma oportunidade de lutar. Mas se
esta droga me levar primeiro...

Seus lindos olhos estavam novamente nele. Procurando.

— Não podemos perdê-lo outra vez.

Derek se perdeu na intensidade de seu olhar.

Melanie Parker, a doce pequena cadela e melhor amiga de sua irmã, cresceu. Já não
era uma ingênua, a amante da moda, mas sim uma mulher inteligente que floresceu sob o
peso de suas responsabilidades. Era uma transformação que completamente lhe convinha
e a sua vez, causava estragos em sua libido.

— Então, qual é o plano de jogo? — Perguntou. — Seja o que for, estou dentro.

Por alguma razão, ele precisou lutar com outro sorriso. — Confia em mim agora?

Algo nos olhos de Melanie mudou. Um toque de calor misturado com precaução. —
O Derek que conheço não se importaria.

Esse calor foi tudo o que Derek necessitou. Mac ou não, estava a ponto de tomar
algo que já não pertencia a ele, mas que seu corpo já não podia prescindir.

— A Mel que conheço adoraria isso de mim. — Respondeu suavemente.

Ela piscou, abriu os lábios para respirar um pouco e ele se moveu. Sua boca faminta
absorveu seu gemido, tomando com profundidade sua própria paixão enquanto suas
línguas se uniam. Sim. Ela sentiu falta dele. E de repente era incapaz de usar a lógica por
trás da necessidade de afastar-se.

Ele deveria saber isto desde o começo. Sempre houve um elemento carnal entre
eles que não podia negar.

— Nunca precisei de alguém mais que você neste momento. — Disse ele com voz
áspera contra sua garganta. — Por favor, Mel. Deixe-me...
Ela permitiu que a empurrasse até sua cama. A sensação de seu corpo sob o dele
era, finalmente, mais que um sonho. Não lhe respondeu com palavras, o que deveria tê-lo
abrandado, mas seu desejo por ela foi descuidado por muito tempo. A dor era muito
forte. Ela se derreteu contra ele e ele tomou como um assentimento, indo com ela. Com
ferocidade desenfreada, Derek moveu a camiseta e expôs seu ventre.

Desacelere. Mas não podia. Sentia-se muito bem e o olhar que desejou durante
anos estava novamente em seus olhos. Santo Deus.

Precisou se esforçar para não a machucar enquanto empurrava suas mãos sob seu
sutiã e para cima. Seus cremosos seios saíram de suas restrições, estavam expostos para
ele agora, vulneráveis, comestíveis, irresistíveis. E os devorou.

Suas costas se arquearam com um ofego. Isso quase o desfez, mas se conteve um
pouco mais de tempo. Tomou um mamilo entre seus dentes e chupou, logo o devorou
mais forte. Com certeza doeu. Suas unhas cravaram em seus ombros, mas quando a
soltou, ela gemeu de desejo. Ele se moveu ao outro mamilo, deu-lhe igual trato, enquanto
amassava a ambos os montículos com mãos ásperas. Seu prazer doloroso lhe recordou o
amor violento que se tornou no passado. Quando a necessidade o exigia. Ele se perguntou
por que ela parecia quase tão privada quanto ele. Mac teria satisfeito esses desejos em
seu interior?

Assim, quando fechou os dedos ao redor de sua cintura e se dispôs a tirar a calça,
um ruído suspeito chegou aos seus ouvidos. Seus movimentos se acalmaram. Apesar de
seu pênis estar a ponto explodir, a oportunidade de sufocar as chamas passou.

E a tensão voltou.
O que ele ouviu estava além dela. Depois do que acabou de fazer com seus seios, a
compreensão de qualquer tipo era impossível. Mas quando Derek levantou-se
lentamente, puxando-a com ele, puxou sua camiseta para baixo e colocou os lábios em
sua orelha.

— Volte para seu quarto. — Sussurrou suavemente, seu fôlego quente roçando seu
cabelo.

Os olhos de Melanie se fecharam enquanto seu corpo se estremecia em uma


confusa combinação de medo e intenso desejo. Quando os abriu, estava completamente
sozinha.

Outra vez? Olhou ao seu redor apenas para encontrar a sala vazia. Que porra? Mas
não demorou muito para que suas palavras ecoassem em seu cérebro. E de repente, seu
radar de mãe soou, endireitando a roupa, saiu para verificar seu filho.

Mas quando chegou, DJ se foi. O cão se foi. A bolsa de fraldas estava aberta no chão
como a deixou. Inclusive a manta de cor rosa estava ali, enrugada com o pequeno rastro
de seu filho ainda quente na superfície. Mais óbvio era o fato de que Rena não estava à
vista.

Melanie sabia que Derek esperava que se fechasse dentro das paredes inacessíveis.
Não queria ser levada pelo monstro sádico com uma atração pelas loiras. Mas seu bebê
não estava ali e com o coração batendo forte, suspeitava que Rena tivesse algo a ver com
isso.

Sem aviso, Melanie saiu do porão e caminhou até o santuário. Estava amanhecendo,
o que lhe permitiu uma melhor visão do interior da igreja em decadência. O que antes era
adornado, brilhante e bem cuidado, agora parecia um cinzeiro sujo. Uma névoa fina se
abatia sobre o piso afundado, gasta pelo esfriamento rápido da precipitação da
manhã. Madeira podre, úmida e coberta de musgo dificultava a respiração.

O carpete a surpreendeu, descolorido e cheio de buracos estratégicos onde os


bancos estavam acostumados a estar. Debaixo do pó, os sutis desenhos intrincados de
cima a baixo insinuavam sofisticação e riqueza. Também faziam alusão a um abandono
resistente que a fez esfregar o frio de seus braços.

Um movimento chamou sua atenção e Melanie foi para uma das janelas altas ao
lado da igreja. Abaixo dela, a parede se rebaixava um pouco onde um radiador velho,
retirado agora, deixou seu rastro fantasmagórico. Mas sua atenção estava no batente
onde, em meio de umas folhas secas, havia uma velha oração em uma guia que não
recordava ter visto ali antes. Uma pequena parte do vidro quebrado tinha as bordas
franzidas, deixando uma peça solta novamente. As palavras escritas em sangre fresco de
cor vermelha sobre o branco e negro antigo.

Já estão aqui!

A cor desapareceu de seu rosto. Algo caiu no vestíbulo. Assustou-se e observou a


área através das portas duplas, tinha certeza de que nada se movia.

Deixe de ser uma covarde e encontre seu filho.

Melanie disse a si mesma uma e outra vez que não tinha medo, mas, por que se
sentia tão dolorosamente sozinha?

Porque seu filho desapareceu.

Algo aconteceu fora da janela no distorcido vidro. Melanie mergulhou por um


buraco irregular e olhou para fora apenas para ser recebida com uma espessa névoa. Um
forte surto de raiva e pânico trouxe sua coragem

— DJ? — Gritou, voltando a correr. O chão rangeu perigosamente sob seus pés, mas
não se importou.

Parou de repente e puxou freneticamente as portas duplas. Fechadas.

— Merda!
Perdeu um tempo precioso enquanto procurava a saída. Finalmente, conseguiu
encontrá-la. Uma vez fora, Melanie ignorou o ar frio enquanto descia os degraus de pedra
de dois em dois.

Não demorou muito para encontrar a espessa vegetação rasteira que a retardou
antes. Parou para ouvir outros movimentos. Rena estava ali, fazendo Deus sabe o que
para manter DJ tranquilo. Tinha certeza disso.

Uma massa cinzenta se moveu através do nevoeiro, então desapareceu. Seguiu-a,


sentindo-se terrivelmente exposta pelo caminho que estava tomando.

— Rena? — Disse em voz alta com um leve tremor em sua voz. Seus movimentos
estavam lentos enquanto um grupo de árvores se materializava em seu caminho. — Rena!

Nada. Nem sequer o canto matinal de um pássaro. Quando ficou claro que estava na
verdade sozinha, Melanie voltou atrás e bateu contra o peito de um corpo sólido. Seu
grito foi amortecido com um pano grosso. Olhou para cima e viu um suéter com capuz
negro, sua forma de cogumelo sobre um rosto oculto. Houve um breve alívio quando
pensou que estava novamente nos braços de Derek, até que algo lhe disse que não tudo
estava bem.

Já estão aqui...

Seu rosto imediatamente ficou rígido. A figura encapuzada se aproximou mais e ela
retrocedeu. Mãos foram por trás dela, cobrindo sua boca, prendendo seus braços. Santo
Deus havia outro atrás dela, também. Enquanto o pânico a dominava, o homem da frente
agarrou seus pés, mas enquanto os erguiam, seus olhos se abriram para uma forma atrás
dele.

Um brilho de cor canela se arqueou de cima para baixo. Depois de um violento


impacto, o controle sobre seus tornozelos se foi e foi depositada bruscamente em um
matagal de arbustos. Quando ela se desenredou, Derek estava no processo de quebrar o
pescoço do homem que tentava derrubá-lo. Seus olhos se abriram em estado de choque.
Havia duas figuras encapuzadas caídas. Mas não estavam apenas nocauteados, estavam
mortos.

Ele mata pessoas agora.


Derek soltou as pernas de sua vítima e rodou até levantar-se.

— Derek! — Disse uma voz feminina muito perto.

Ele olhou para trás tempo suficiente para ver a peça de roupa preta jogada em sua
direção e depois deu a mão a Melanie.

— Vamos. — Grunhiu, seu peito nu brilhante de suor enquanto a puxava. — Virão


outros.

O choque provocou um breve momento de reticência. Queria ir com ele? Com


alguém que acabou de ver assassinar duas pessoas? Por outra parte, era certo que
aqueles homens não estavam ali para tomar com eles algumas bebidas. Melanie deu dois
passos e logo afundou seus calcanhares.

— Não posso ir! Não sem... — Seu argumento foi interrompido quando percebeu
Rena os seguia de perto. Nos braços da mulher havia um bebê esperneando com cara de
sono.

O alívio resplandeceu desde seu interior, levando a marca de temor que vinha com a
perda de um filho. A própria tentativa de sequestro de Melanie era quase uma ideia de
último momento, quando tentou se soltar de Derek para pegar seu filho.

— Ela o tem. — Respondeu ele, segurando sua mão. — Apenas fique de pé!

À medida que cortavam através da névoa e da bruma, a terra caiu em um declive


pronunciado e ela precisou lutar para manter-se de pé.

— Quem eram eles? — Ofegou, inclinando seu corpo abaixo da colina.

— A IGP os chama de fantasmas. — Respondeu Derek, tomando-a pelos braços para


evitar uma queda.

Fantasmas... com uma sensação de mal-estar, Melanie deu uma breve olhada para
trás ao chegar a terra plana.

Rena sorriu sobre a cabeça balançando de DJ. — Você ouviu o homem.


Com os olhos para frente, ela conseguiu manter o ritmo. — Mas não são como
fantasmas reais são?

— Mais parecido com a versão dos Homens de Preto. — Esclareceu Derek. — Alguns
são executores, alguns apenas caminhantes com olhos, mas todos são altamente
imprevisíveis e extremamente perigosos.

— Está bem, então os fantasmas são tipos maus e horripilantes que temos que
evitar a todo custo, que podem materializar-se de alguma forma do nada.

Divertida, Rena moveu o queixo em direção a Derek. — O que acha que é ele?

O que? O olhar surpreso de Melanie voou a Derek enquanto colocava o suéter com
capuz negro que Rena jogou antes.

— Lembra o treinamento extra que mencionei? — Disse quando puxou o capuz


sobre sua cabeça.

Ela assentiu.

— Trabalhei com estes filhos de puta estranhos que sabiam um pouco de merda
realmente estranha.

Uma explicação ao estilo Derek. E de algum jeito, parecia mais claramente dessa
maneira.

— Mas se é um deles, quer dizer que é altamente imprevisível e extremamente


perigoso.

Sua boca se transformou em uma linha sombria. — Exatamente e a IGP não toma
fácil quando um de seus fantasmas desaparece.

Chegaram ao Honda 1993 roubado de Melanie esperando pacientemente em uma


clareira à frente. Enquanto Derek abria a porta com as chaves que tirou do pneu, Melanie
não perdeu tempo em pegar seu filho dos braços de Rena.

A mulher escolheu esse momento para dizer em uma voz de boneca Barbie: —
Suponho que não estou tão louca depois de tudo.
O comentário foi para lhe amargurar a vida. Melanie virou-se e sorrindo, empurrou
o rosto do menino no nariz assustado de Derek, sem lhe dar outra opção a não ser segurar
seu filho pela primeira vez. Dado que não podia encontrar uma razão para não fazer,
Melanie deu a volta e esmagou seu punho diretamente no sorriso de Rena.

— Suponho que isso apenas a faz uma cadela! — Grunhiu, ignorando a dor de sua
mão.

Rena a olhou boquiaberta do chão e limpou suavemente o sangue da boca. — Não


acredito que fez isso!

Melanie, que estava indo resgatar um angustiado Derek de seu próprio filho, olhou
por cima de seu ombro: — Aceite! E não volte a colocar uma mão em DJ outra vez!

— Estou cansada de que me golpeie, Derek. — Melanie ouviu de dentro do carro


enquanto prendia DJ em sua cadeira com o cinto de segurança.

Então ouviu Derek dizer: — Acho que não deveria ter se metido com a mamãe ursa.
— Disse com desdém.

Uma onda de satisfação levou um sorriso a seus lábios. DJ recostou-se. Seu sorriso
exagerado mostrou quatro dentes pequenos e duas covinhas e uma audível risada dela.

Rena foi para o lado do passageiro. Depois com uma cara de mau humor,
perguntou-lhe: — Onde está Chewie?

Derek colocou fim a uma breve ligação em seu celular e sentou atrás do volante.

— Posso ouvi-lo caminhando pela colina. — Ele introduziu a chave. Depois de três
voltas lentas, o motor a contragosto, veio à vida e lhe deu apenas a quantidade correta de
gasolina para convencer a obedecer.

Ainda sabia como dirigir seu carro. Era comovente e Melanie, repentinamente, ficou
em choque por tê-lo de volta. A velha familiaridade de sua presença ao volante com seu
passeio temperamental fazia com que se perguntasse se estaria sonhando depois de tudo.

— Pa!
Abrindo muito os olhos, Melanie olhou para baixo. DJ assinalou com um dedo
gordinho o homem que acabava de ver de perto pela primeira vez, tal como assinalava as
numerosas fotos e vídeos de Derek que viu ao longo de sua curta vida.

— Papai! — Repetiu DJ como se lhe estivesse ensinando a respeito.

Bem, porra.

— Foi por isso que voltou? — Disse Rena, zombando. — Seu cão precisa resolver
suas prioridades.

Derek abriu a porta e uma bola de pelo preto passou por cima de seu colo. Chewie
saltou sobre o centro do console com uma manta de cor rosa, com um monograma
coberto entre os dentes. O carro chacoalhou enquanto o vira-lata deixava cair a manta,
agora suja literalmente com pólen e galhos, sobre o tecido de brim cobrindo as pernas de
DJ.

— Chewie, acredito que está começando a me agradar. — Melanie maravilhou-se,


eliminando imediatamente a suja manta.

— Ao diabo com o cão! — Disse Rena, segurando o painel. — Quero saber qual é o
plano B já que os fantasmas nos encontraram antes que seu contato o fizesse.

Derek deu volta em um caminho de terra e foi como se nada estivesse errado, mas
sua voz deixou entrever problemas.

— Ty teve um pequeno contratempo.

— O que? — Rena falou em pânico.

— Ele tem o carro agora, mas disse que ficasse afastado até que não nos estejam
seguindo.

Rena resmungou, balançando a cabeça enquanto a paisagem passava pelas janelas.

— Como souberam de nós tão rápido? Acha que ainda está sendo rastreado?

A mandíbula de Derek flexionou. — Nos ocupamos disso, lembra?


— O que aconteceu com os celulares que seu contato lhe deu?

— Ty está limpo. Confio nele.

— Bom, talvez eu não!

Enquanto os dois discutiam, Melanie ouviu com atenção enquanto procurava no


assento traseiro brinquedos escondidos, algo para distrair seu menino da angústia do
momento.

— E se tivesse que adivinhar, diria que você está sendo seguida. — Sugeriu Derek
obscuramente, sua pesada palma estava flexionada.

Rena congelou. — Não poderia estar ainda ativo. Não teria sido detectado na cadeia
e retirado então?

— É orgânico. Indetectável, mas apenas há uma maneira de assegurar-se de que já


não esteja ativo.

— Mas...

— Apenas faça, Rena!

Sorte! Os dedos de Melanie tiraram um colorido livro com fotos de cartão que
perdeu há várias semanas.

— Quer que pare? — Perguntou Derek.

Um som de dor contida. — Não, estou conseguindo!

Incapaz de se conter, Melanie tirou sua atenção de A Aventura do Alfabeto de


Mortimer Moose para encontrar Rena com sua calça abaixada, perfurando o interior de
sua coxa com a ponta de uma navalha.

— Oh, por Deus. — Melanie gemeu — O que está fazendo?

DJ gritou por ter C é para o Cartwheel empurrado em sua direção, muito perto, para
que pudesse ver adequadamente.
— Santo! — Sentiu reflexos de náuseas. — Realmente está louca. — À direita de DJ,
Chewie elevou o nariz pelo aroma de sangue, logo se acomodou de novo com um gemido.

Melanie captou o resistente brilho de um pequeno objeto com sangue, em forma de


arroz antes que saísse pela janela.

As náuseas assaltaram seus sentidos, mas fechou os olhos e engoliu.

Pálida e suada, Rena cobriu sua pequena ferida com uma meia descartada, subiu a
calça e desabou contra a porta. Apesar de não ter feito nenhum ruído, as marcas de seus
dentes ficaram de cor vermelha quando soltou o lábio inferior.

— E se os fantasmas ainda nos encontrarem. — Ofegou. — Ty cairá.

Como pode alguém fazer isso a si mesma? A conversa sugeria que a mulher retirou
algum tipo de dispositivo de localização de seu corpo, mas o medo apenas foi um paliativo
que poderia incitar um ato tão horrível de automutilação. Pior ainda era que um pequeno
livro de papelão foi o que impediu DJ de ver tudo!

A realidade deu outro golpe e lutou para não perder a cabeça quando voltou à
página. T é para Trampolim.

— Está falando de Ty com quem costumava escalar nas rochas? — Perguntou em


voz baixa.

Os olhos de Derek se encontraram com os seus novamente pelo retrovisor.

— Quantos mais sabem que está vivo? — Perguntou ela.

Seu olhar voltou para estrada.

— Somente Ty. Consegui entrar em contato com ele quando comprei tempo extra
fora da IGP fingindo falhar em minha missão oh... Seis vezes mais ou menos. Tornou-se
minha única fonte externa.

— Apenas lembro-me de quatro vezes. — Rena ofegou, procurando a saída do ar


condicionado.
— Isso é porque estava uma merda catatônica, querida. Pelo menos até que as
injeções surtiram efeito.

— Injeções? — Melanie se adiantou e moveu o ar, requerendo uma boa dose de ar


para si mesma. O sangue restante na mão da Rena se destacou em sua visão periférica e
sufocou outro impulso de vomitar.

— Deveria me entregar a IGP em estado catatônico. — Informou Rena, ajustando o


ar. — Suas possibilidades de tirar mais de meus segredos eram melhores se controlassem
minha recuperação, mas Derek descobriu suas intenções e planejou que funcionassem a
seu favor.

Derek levantou uma sobrancelha e seus olhos se encontraram com os dela.

— A nosso favor.

— Suas tentativas de ficar em contato comigo na sala de psiquiatria tiveram êxito


cada vez. Era somente por que era mais valiosa lúcida, assim me deu uma série de
injeções que inverteram minha condição. Quando comecei a ver novamente com clareza,
percebi que não apenas o fantasma de meus sonhos era real, mas estava tentando me
ajudar.

Derek continuou.

— Enquanto isso, Ty encontrou a igreja, equipou-a para nós e nos conseguiu os


celulares, etc. Não seria possível em ele. — Lançou um olhar mordaz a Rena.

H é para...

— Como soube que Rena estava salvável? — Perguntou Melanie, destacando o


helicóptero azul da página seguinte. — O que usar nela?

— Vigiei-a. Muito.

Rena voltou os olhos para Melanie. — Olá. Fantasma.

— A oportunidade não se apresentou com frequência. — Disse Derek. — Mas a


aproveitei quando o fez. Tudo o que queria saber era com o que estavam me dopando.
Em troca, descobri com o que seu homem dentro estava dopando Rena e que seus
segredos poderiam me proporcionar um meio possível para um final.

Rena sorriu fracamente. — Por sorte para mim.

Derek retornou o olhar apreciativo da mulher com um olhar seco. — Não foi
exatamente um ato desinteressado.

Melanie apertou os dentes. Que merda estava passando entre esses dois? Por Deus,
era insuportável ver os sinais passando entre eles.

—Então Rena, agora eu deveria acreditar que você nunca foi louca?

Sem se alterar, Rena inclinou a cabeça.

— Posso ficar um pouco desequilibrada quando meus remédios são alterados. —


Enquanto pensava nisso, sua testa relaxou e suas palavras seguintes foram ditas com
verdadeira simpatia. — Infelizmente, Derek se encontra agora no mesmo barco.
Apenas a ideia fez com que o sangue de Melanie começasse a ferver. ― Obrigada.
― Gritou ela, esquecendo a calma.

As terras de cultivo se estendiam por quilômetros agora que estavam ao norte de


Springfield. Aproximaram-se de uma estação de serviço ao longo da estreita estrada que
parecia ter sido abandonada há tempo.

― Realmente sinto por isso. ― Rena colocou uma mão sobre a coxa de Derek. Ele a
olhou quando deu volta à esquerda no irregular estacionamento de asfalto.

Ugh! Melanie se inclinou para diante e retirou com força a mão de Rena.

― Olhe. ― Disse entre dentes, ignorando o brilho divertido nos olhos da outra
mulher. ― Não me importa se foi você ou não que causou o acidente de Derek. Mas sim,
sei que é responsável pela destruição de vidas. No que me diz respeito, Derek deveria
deixá-la apodrecer em uma camisa de força e arrastar seu traseiro ao hospital mais
próximo.

Derek estacionou e desligou o motor. Agora estavam entre uma vasta colheita de
soja e a parte traseira da estação de serviço cheia de graffiti.

― Uma análise toxicológica apenas mostraria que não há tratamento conhecido


para meu tipo de enfermidade. E se a IGP não tivesse me pegado então, teria morrido
dentro de poucos dias de todo modo. A única maneira de ganhar tempo era colocar em
minhas mãos mais drogas.

― Bem. ― Rena se moveu em seu assento. ― Não deveria tomar muito uma vez
que tenhamos em nossas mãos essa bala.

― Aí está Ty. Bem a tempo.


― Qual bala? ― Os olhos do Melanie começaram a decair com fadiga, mas um
grunhido familiar a despertou novamente. Soava da rua, acelerou uma vez, logo se
acomodou com um grunhido enquanto o Challenger R/T negro 1970 ao redor da estrutura
do edifício. ― O que está acontecendo? Derek, por que tem seu carro?

Enquanto os dois passageiros dianteiros saíam do Honda com o cão ao lado,


Melanie procurou soltar o cinto de DJ. No momento que saiu com o menino nos braços,
Derek estava comprometido em uma conversa com o loiro Deus com que Danny uma vez
comprometeu-se a casar. Chewie fazia cambalhotas animadas ao redor de seus pés.

Quando se separaram, Ty Ferguson se inclinou e lhe ofereceu uma saudação


apropriada ao cão mais entusiasta.

― Ei, menino, foi bom com estes dois?

― Terei que mantê-lo um pouco mais. ― Disse Derek, agachado dando-lhe um olhar
de afeto. ― Teríamos sido presos se não fosse por este velho. Meus olhos e ouvidos
estavam distraídos com outras coisas...

Seu olhar lateral levou calor de novo à Melanie.

― Então. ― Balbuciou ela. ― Este é o cão de Ty.

― Culpado. ― Ty se levantou e fez a Chewie um sinal com a mão. Ele


imediatamente cortou o jogo e se sentou em posição de firme. Impressionante. Melanie
não pode evitar sorrir.

― Isso significa que lhe ensinou a roubar.

― Nah, esse é seu talento natural. Começou com as calcinhas das mulheres.

― Ei, lembro-me disso. ― Disse Derek sobre o ombro enquanto se dirigia ao


Challenger. ― Costumávamos chamá-lo Matador de Calcinhas.

Rena revirou os olhos. ― Que classe.

Derek tomou um momento, passou uma mão sobre sua boca enquanto alcançava o
perfil de seu amado carro. O homem e o carro, por fim juntos. O coração de Melanie se
contraiu uma vez mais enquanto o via se conectar a uma peça muito importante de seu
passado. Pouco sabia ele, que seu filho foi concebido justo ali. No capô.

― Diz que o encontrou com Cahill? ― Perguntou ele, com um cenho franzido,
abrindo a porta do lado do motorista.

Rena olhou de sua posição ao lado do Honda.

― Na garagem. ― Respondeu Ty, captando seu olhar e mantendo-o enquanto


girava ao redor do Challenger. ― Suponho que sua irmã o manteve. Não foi fácil sair
furtivamente do lugar.

― Viram você?

― Não acredito. ― O porta malas soou e Ty tirou duas bolsas de lona carregadas. ―
Não estou certo de que me reconheceria caso me visse.

― Não conte com isso. ― Melanie sorriu, inclinando o quadril para lhe oferecer um
melhor assento a sua carga. ― Gostava de você, se não se lembra.

E não era difícil ver por que. Ty, com sua alta e sólida construção e aura dourada,
era o homem que cada garota via à primeira vista. Ele deixou uma bolsa no chão junto à
porta do lado do motorista aberta e reconheceu Melanie com o aceno educado de um
estranho. Quando colocou uma mão na bolsa, DJ voluntariamente se moveu, mostrando
seus poucos dentes enquanto sua mão balançava diligentemente.

― Está certa que não foi pela forma como gritou durante o resgate no
liquidificador? ― Ty grunhiu quando saia. ― E você deve ser a infame Rena Hellberg. ―
Seu olhar foi para ela enquanto deixava a segunda bolsa aos pés da mulher. ― A que devo
o prazer desse olhar assassino?

Os olhos safira brilharam contra uma pele pálida e fantasmagórica.

― O que foi? ― Rena levantou uma sobrancelha. ― Temeroso de ser o próximo?

― Oooh. ― Ronronou Ty, inclinando-se para ver melhor. ― Que medo. Suponho
que tenho sorte de que esteja a ponto de cair.
― Rena. ― Gritou Derek desde algum lugar no veículo negro atrás deles. ― Um
pouco de ajuda, aqui!

Ty se ajoelhou, tirando os suprimentos da abertura da bolsa de lona e agarrou o


pulso de Rena para evitar que se fosse.

― Sinto muito, irmão, não pode fazê-lo. ― Respondeu. ― Ao menos não antes que
a costure.

Seus olhos se encontraram e seu lábio se curvou. ― Por que acha que preciso ser
costurada?

― O cinza não é a cor que mais favorece você, querida. Sente-se antes que caia.

― Ela tem uma ferida de faca no interior de sua coxa. ― Melanie ofereceu
enquanto se movia para o Challenger. ― Meu conselho seria que desconsiderasse esse
dever cívico a menos que tenha o desejo de ser esfaqueado novamente.

Quando Rena começou a cortar as unhas com a navalha em questão, Ty ficou tenso,
estendeu-lhe uma mão. ― Eu ficarei com isso. Ao menos, até que termine.

Ela suspirou com força. ― O inferno que irá.

― Apenas lhe dê a faca, Rena. ― Pediu-lhe Derek do interior do carro.

E como de costume, ela obedeceu, embora com grande relutância.

― O que você é, uma espécie de policial? ― Grunhiu enquanto a entregava.

― É um bombeiro. ― Melanie deu a Chewie uma carícia atrás das orelhas quando o
cão pulou nos pés do DJ. ― E se quiser uma prova, ainda pode colocar suas mãos no
calendário de 2009.

― Está brincando. ― Zombou Rena.

Melanie reconheceu o olhar de advertência de Ty enquanto colocava as luvas azuis


de látex. ― Você foi o Sr. Fevereiro, não? ― Perguntou descaradamente. ― Com uma
serra circular? Uma tatuagem em seu ombro esquerdo? Coisas realmente quentes.
Os olhos de Rena se estreitaram em seu cabelo curto, estilo militar. ― Soa
como um oportunista para mim.

― Foi para caridade. ― Disse Ty, suas palavras defensivas.

Derek saiu com a bolsa de fraldas de emergência de DJ na mão.

― Que porra é isto?

Oh, merda. Melanie observou enquanto ele tirava um punhado de fraldas dobradas
e franziu o cenho obscuramente.

― Não me diga que Danny tem um filho, também! ― Disse completamente


horrorizado.

― Uh, na realidade...

― Jesus Cristo, sou o único que não se reproduz, aqui?

Melanie lhe arrebatou a bolsa e seu cenho franzido retornou.

― Tenho certeza que presume muito. ― Disse ela, enquanto colocava as fraldas
novamente na bolsa que mantinha aberta. ― Isto é de DJ, que realmente poderia usá-las
já que deixamos a outra na igreja.

― Por que tem isso em meu carro?

Porque todo fim de semana levo seu filho para uma caminhada para que possa
ter uma ideia do que herdaria aos dezesseis anos.

― Porque Danny e eu o levamos a um piquenique no outro dia. ― Disse. ― Ele


gosta do ruído.

DJ assinalou ao carro clássico. ― Raaarrr, raaaarrr!

Derek piscou, completamente em choque. ― E como se sente Mac a respeito?

― Sobre o que?
― Que seu filho vá a passeios no assento traseiro que você e eu frequentemente
poluímos.

Os dentes de Melanie se fecharam de repente. O que dizer a isso, oh, sim.

― Derek Bennett, vá se...

― Não deveria estar procurando algo, mais do que lamentar-se pelos bons velhos
dias? ― Chegou um sarcástico comentário ao Honda. Rena estava olhando com dentes
apertados, sua calça uma vez mais ao redor de seus tornozelos enquanto Ty lhe aplicava
primeiros socorros na parte interna da coxa. ― Graças a este menino, já estamos
atrasados.

Justo quando Melanie estava a ponto de saltar para fazer uma revelação ao
ignorante papai, recordou por que não deveria fazê-lo. Nada sairia enquanto a diabólica
louca estivesse perto. Com um bufo, agachou, entrou no assento traseiro do Challenger e
começou a trabalhar enquanto Derek voltava a sua busca na parte dianteira.

― Estamos procurando um...

Rip.

Fez-se o silêncio.

Rip.

A cabeça de Derek apareceu sobre o assento.

― O que está fazendo?

― Ele precisa que o troque. ― Murmurou Melanie, puxando uma toalhinha de um


recipiente cilíndrico.

DJ mordeu um dedo e voltou os olhos muito abertos para sua cativa audiência,
enquanto sua parte inferior era completamente limpa.
― Pa! ― Gritou, assinalando com o dedo molhado.

Concentrado na iminente catástrofe a ponto de acontecer em seu interior, Derek


gemeu e agarrou uma fralda dobrada.

― Não pode fazer isso em seu próprio carro?

― Este tem mais espaço. ― Melanie lhe arrebatou a fralda com um som de
desgosto e começou a cobrir adequadamente as partes privadas de DJ. ― Os fantasmas
maus da IGP empalideceriam com uma fralda suja. Austin troca o tempo todo.

― Esse é problema de Austin, não meu.

― É realmente tão ruim, Derek? ― Perguntou enquanto fechava a perna de DJ. ―


Além do evidente perigo que estamos passando, é realmente tão doloroso ter um bebê ao
redor?

― Bem. ― Gritou procurando no porta-luvas. ― Na última vez que soube, você se


sentia da mesma maneira. É por isso que duplicamos o controle de natalidade, recorda?

O homem tinha um ponto. Não era surpreendente que estivesse tão longe de seu
reino da possibilidade de poder ter gerado seu filho. Mesmo assim, o aviso foi dito de
maneira acusadora.

― Nem sempre fomos tão cuidadosos. Lembra?

Ao invés de captar a indireta, Derek se levantou do chão e soltou uma gargalhada.

― Fui cuidadoso o suficiente, querida. E considerando que provavelmente sou


estéril pelo uso de drogas essa altura, trata-se de um problema com o qual nunca terei
que lutar.

Lágrimas quentes encheram seus olhos. Uau. Ele realmente não queria filhos,
mesmo quando suas possibilidades de voltar para uma vida normal estivessem a seu
alcance.

― Por que não me diz o que está procurando, Derek. ― Disse com os dentes
apertados, lavando suas mãos com álcool em gel.
― Uma bala de nove milímetros. ― Respondeu ele, completamente alheio ao que
queria dizer. ― É grande com uma gravura pequena de marca na parte inferior. Guardei-a
em meu porta-luvas como um amuleto de boa sorte.

― Mantém uma bala como um amuleto de boa sorte?

― Não é apenas qualquer bala. Rena a deu a Austin quando eram crianças. Ela a
chamava de sua varinha mágica e não quis ter muito a ver com ela nesse momento, Austin
me deu porque pensava que era genial. Anos mais tarde, quando encontramos este carro
para mim, coloquei no porta-luvas para ter boa sorte e logo quando nossa amizade
terminou bem, pensei que deveria devolvê-la em uma Smith & Wesson algum dia.

Deixando DJ para rondar no assento de atrás, Melanie limpou os olhos e se uniu à


busca diligente de Derek.

― Vai atirar com ela?

― Provavelmente não, mas o pensamento me ocorreu.

Ela se sentou e sufocou um bocejo. O trauma emocional e a falta de sono estavam


finalmente alcançando-a.

― Está bem, então o que torna essa bala tão mágica?

― Não estou muito seguro, mas é o suficiente para que a IGP ameace Rena com
uma crise.

A porta de passageiros se abriu.

― Começou como puro pânico. ― Disse Rena do exterior. ― A supressão se


produziu depois de que pensei que falhei com a IGP pela primeira vez. Portanto, se
podemos nos mover antes que aconteça novamente?

― O que quis dizer a primeira vez? ― Perguntou Melanie com o cenho franzido,
procurando sob os assentos.

― Quando procurei Derek junto ao rio, tudo era sobre a bala. Não sexo como disse
essa cadela, uh, sua irmã.
― Você a fez pensar isso. ― Acusou Melanie em defesa de sua amiga.

― Não podia dizer exatamente a verdade. ― Argumentou Rena.

― Ela nos deu uma grande cobertura. Mas não me importaria em fazer sexo com ele
agora.

Derek lhe enviou um olhar.

―O que? ― Os lábios de Rena se curvaram em um sorriso de adoração e sua beleza


clássica, manifestou-se. ― O sexo é uma grande maneira de tratar a ansiedade.

Melanie ficou boquiaberta. ― Fala sério?

Rena transferiu seu olhar a Melanie.

― O que importa se Derek e eu nos divertirmos? Você está comprometida com o


pai de seus filhos. A menos que... ― Seus olhos revoaram a DJ que continuava esvaziando
a bolsa de fraldas no assento junto a ele de uma vez.

Melanie congelou quando seu raciocínio juntou as peças. Poderia a mulher


provavelmente saber?

― Quem joga com quem? ― Perguntou Ty, apoiando-se ao lado de Rena que
instantaneamente se esticou.

Ao sair de seu estupor, Melanie sorriu suavemente e lançou uma tática de distração
por sua conta.

― Rena está brincalhona. Precisa que cumpra com seu dever cívico e atenda a sua
ansiedade.

― Cala a boca! ― Disse Rena enquanto Derek rompia em gargalhadas. ― Não


deixarei que me toque, embora esteja ardendo.

― Sabe. ― Disse Ty com calma impassível. ― Acabo de ficar entre suas pernas e não
tenho planos de voltar a examiná-la em curto prazo.
Seu surpreso ofego foi seguido por um grunhido.

― Não acredito que goste muito de mim. ― Observou Ty enquanto a via afastar-se.

― Ela pensa que está na cama com a IGP desde que nos seguiram tão rápido. ―
Derek abandonou a busca e se acomodou atrás do volante com o cenho franzido. ― Isto
não vai exatamente bem.

A cabeça de Ty se voltou para trás. ― Por que se expor? Quero esses imbecis pegos
tanto como qualquer um.

― Fiz com que tirasse o seu velho dispositivo de rastreamento de sua perna. Isso
não lhe caiu bem.

Ty estremeceu e lançou outro olhar para a mulher no para-choque dianteiro do


Honda de Melanie. Um dobrado pedaço de lata ofereceu um parque temporário para um
bando de pardais na vaga em frente a ela.

― Áspero, homem!

― Quando me disse que estávamos procurando essa bala estava certo de que ainda
a encontraríamos no porta-luvas. ― Derek limpou uma mancha com sua manga. ― Umas
poucas pessoas, incluindo Danny, sabiam que a mantinha ali como amuleto da sorte.
Como não vendeu o carro, pensei que ainda estaria aqui.

Ty se sentou no assento do passageiro e mostrou um pouco de amor ao cão a seus


pés.

― Sabe, para a maioria dos rapazes seria uma cruz de São Cristóvão ou um amuleto.
Mas uma bala? Posso ver como algo assim poderia perder-se na confusão.

Derek deu a Melanie toda sua atenção. ― Acha que Danny fez algo com ela?

Perdida, Melanie encolheu os ombros enquanto entretinha a seu filho.

― Honestamente, não sei.

― Ela não limpou meu carro? Disse algo sobre ele ou o mostrou a todo mundo?
― Tudo o que posso sugerir é que lhe pergunte você mesmo.

Ele suspirou e balançou a cabeça. ― Não, não posso arrastá-la a isso. Já sabe o que
acontece.

― E se souber onde está essa bala, não vejo como pode deixá-la fora disto. Dada à
escolha, ela iria querer seu irmão de volta custe o que custar.

― Não a quero perto de mim ou da IGP até que eu saiba o resultado.

― Olhe, porra! ― Melanie se inclinou para frente, abaixou sua voz. ― Danny ainda
fica acordada chorando de noite porque se culpa por sua morte. Austin teve que vigiá-la
por isso muitas vezes e francamente, me assusta como o inferno. Por favor, Derek!
Vamos. Deixe-a. Entrar.

O silêncio foi ensurdecedor. Ty falou sobre seu ombro.

― Sabe, homem, ela saberá disto por alguém. Não quer que este alguém seja Rena.

Depois de uns segundos mais angustiantes, a testa de Derek golpeou o volante.


Melanie inclinou a cabeça para olhar além do largo capuz de tecido entre suas omoplatas.

― Disse que já não é o homem que conhecíamos. Mas ainda o vejo aí, Derek.

Ela observou sua respiração enquanto tomava fôlego. ― Acho que é hora que se
levante dos mortos.
Rena era um problema. Melanie insistiu em colocá-la no porta-malas, porém
ninguém mais parecia aceitar essa ideia. Por sorte, sob a instrução de Derek, a mulher
concordou em permanecer fora de vista até que Danny fosse informada dos detalhes.

Mas primeiro tinha que chegar até ali. ― Está certa que não trará mais ninguém?

Melanie acariciou a longa e suave franja de DJ enquanto o menino dormia no


assento dianteiro junto a ela.

A hora se aproximava das 8:00 da manhã e estava começando a esquentar. O calor


era demais para acabar com a fadiga da tarde com que Melanie esteve brigando por um
tempo. Cobriu um bocejo e olhou por cima do ombro ao homem que esperava com
ansiedade no assento traseiro do Challenger.

― Disse que viesse sozinha. Isso não significa que o fará. Desliguei antes que
pudesse fazer muitas perguntas.

E agora que Danny logo descobriria que seu irmão estava vivo, Derek saberia que
era pai. Era um fato inevitável. Assim, por que não podia decidir dar a notícia primeiro?

― Está cansada. ― Derek observou, mastigando algo. ― Por que não dorme até que
Danny esteja aqui?

O canto da boca se levantou.

― Porque tenho medo de que você desapareça quando eu acordar.


Lentamente, ele se sentou e cruzou os braços sobre o canto de seu assento. Seus
rostos estavam a poucos centímetros de distância. Ele olhou para a forma como ela
cuidava de seu filho e seus olhos pararam por um momento. Então levantou uma mão e
com a maior ternura, a moveu para afastar a franja de lado enquanto observava seu rosto.
Parecia querer dizer algo, mas não podia formar bem às palavras. O coração apertou
quando seu olhar se intensificou e começou a se inclinar. Com pálpebras pesadas, ela
abriu os lábios à espera.

― Tem o mesmo Jipe. ― Murmurou a meros centímetros de sua boca.

― O que? ― Melanie soprou em seu estado de transe.

― Pensei que Cahill pudesse desembolsar os recursos para lhe conseguir um novo
carro.

― Como... ― Virou-se para trás, notando que sua atenção se movia. ― Pode ouvi-la
chegando?

Ignorando a pergunta, Derek fechou os olhos.

― Ouvir pistas é essencial quando se trabalha na escuridão. No treinamento,


sentávamos às cegas por horas em cada novo entorno, aprendendo a orientação ao nosso
redor. ― Sua mandíbula se moveu ― Logo aprendemos a não passar por cima das sutis
mudanças que a maioria das pessoas ignora.

Ele estava tão quieto. Melanie se sentou paralisada imaginando os horrores do que
ocorreu quando as mudanças sutis passaram. Depois do que pareceu uma eternidade, por
fim captou o zumbido dos pneus rodando na profundidade. Abriu os olhos.

― Acredito que teremos que aparecer lentamente.

Esperaram em uma pequena janela da loja, a única janela na tripla garagem sem
estar coberta com um desbotado tecido negro. A diferença do último edifício abandonado
que usou como cobertura, este estava em menos ruínas, com apenas danos menores
provocados pelos ocupantes ilegais. Quando o Jipe vermelho parou violentamente atrás
do Challenger, Ty caminhou com as mãos nos quadris. Danny saiu.
― Que porra, Ty!

― Whoa agora Danny, espera, eu não...

Ela estava empurrando-o, apenas se impedindo de engatar o soco que estava


morrendo de vontade de dar.

― Você é corajoso, como pode fazer essa merda e me tirar do carro assim! Sabe o
que estava passando pela minha cabeça?

― Que estava vendo um fantasma?

― Foda-se, Ty! Foda-se!

Melanie mordeu o lábio inferior e olhou ao bebê que tinha em seus braços. Era
orgulho o que via no rosto de Derek?

― Ela está muito irritada. ― Sussurrou.

Ele tinha os olhos mais vivos que nunca.

― Sim. ― Respondeu, tirando distraidamente a mão do nariz do DJ pela enésima


vez. Então finalmente cedeu ao garoto um grunhido brincalhão e ele sacudiu seu pequeno
punho. ― É uma dor, menino.

DJ, tão sério em sua exploração com um homem que apenas viu em forma
bidimensional, deu um sorriso tímido, mas Derek estava muito preocupado com a cena
para notar.

Danny Cahill deu um empurrão mais potente, que de algum jeito obteve
superioridade com seu metro e meio de figura contra o metro oitenta e dois de Ty e
começou com determinação a ir ao carro em busca de danos enquanto Ty tentava se
explicar. O nome de Melanie surgiu no corpo a corpo e estava claro que ela e DJ se
perderam.

― Mac esteve muito preocupado já que ela não chegou em casa ontem de noite.
Deixou seu telefone, sua bolsa... vocês dois estão se vendo ou algo assim? Esteve com
você todo este tempo?
Havia apenas umas poucas conclusões por vir e Melanie as viu no rosto de Derek.

Ele levantou uma sobrancelha. ― Problemas em casa?

Sentindo-se valente, Melanie decidiu que era melhor se ele ouvisse a verdade dela.

― Mac e eu não somos um casal. Ele sempre foi apenas um amigo.

Seu olhar era duvidoso. ― Mas moram juntos.

― Somos apenas colegas de apartamento. Precisava de ajuda com o aluguel.

Agora a luz se aproximava. ― Então, aquele bebê que ele segurava é de...?

― Carla, do apartamento 2-A. Nós cuidamos de algumas crianças no tempo livre e


gerenciamos uma creche na cidade. Ele é o cuidador principal, enquanto eu administro o
lugar.

― Mac é uma babá?

Foi alívio o que viu em seu rosto? Sim, uma vez que a diversão morreu, o alívio foi
evidente.

Bom, aqui vai. Melanie fechou os olhos enquanto respirava forte.

― E DJ significa Derek Júnior.

Quando os abriu novamente, Derek não estava em nenhuma parte para a vista.
Porra! Aonde demônio foi agora? Inclusive ouviu sua última confissão? Melanie girou em
círculos, procurando sua forma nas sombras, mas o homem simplesmente desapareceu.
Devia se recordar de não fechar os olhos perto dele, porque pelo que parecia os
fantasmas usavam isso como uma oportunidade para desaparecer.

Ou que seu pior cenário se fez realidade? A ideia da paternidade o assustou antes
que sua existência fosse do conhecimento público?

A porta dos fundos se abriu e um raio de sol atravessou a ampla garagem para três
carros. Danny passou uma noite ruim se preocupando com eles, como sugeria seu
enrugado top atlético e calça jeans. Seu longo cabelo castanho até os ombros era um
desastre. Danny tirou seus óculos de sol quando viu Melanie pela janela.

― Ugh. ― Disse com alívio ― Tem alguma ideia do que passamos Mel?

Melanie a encontrou na metade. A porta, na desequilibrada dobradiça rangeu,


estava aberta e foi lançada fora da parede detrás dela.

― Eu sei. Sinto muito, Danny, queria ter ligado, mas... ― Aceitou o feroz abraço de
sua amiga e entregou DJ a uma tia mais que ansiosa. — Não foi precisamente uma noite
convencional.

― Mac disse que deixou seu telefone e sua bolsa e quando não chegou em nossa
casa pensei que estivesse sem dinheiro, que lhe assaltaram, ou que Rena chegou até você.
Estivemos dando voltas por toda noite. ― Deu ferozes beijos por todo o rosto de DJ. ―
Austin enviou um grupo de busca porque a polícia não ajudou e...

― Chamou a polícia?

― Como porra acabou aqui?

― Eles não virão aqui, certo?

― Não, mas estava apresentando uma queixa pelo carro de Derek quando ligou. ―
Danny foi à porta aberta esperando que Melanie a seguisse.

Mas ela não se moveu. ― Veio sozinha, como lhe pedi?

Danny parou na porta com seu sobrinho preso firmemente sobre seu quadril.

― Sim. ― Disse hesitante.

Sim, minha bunda. Melanie estreitou os olhos.

― Sim, mas... Austin está a caminho. ― Mostrou uma leve careta de dor. ― Disse
que esperasse por ele, mas bom, já me conhece.

― Oh! ― Isto era demais. Melanie começou a rir. ― E cada vez fica melhor.
― O que?

Ela moveu a franja e lhe estendeu uma mão.

― Venha aqui, querida, precisamos conversar. Rápido.

Danny voltou a entrar na loja, seus grandes olhos castanhos estavam cautelosos.

― O que está acontecendo com você, Mel? Não a vi agir desta maneira desde que
me disse que estava grávida.

― Eu sei, precisa me entregar DJ para que não caia quando der a notícia.

― Oh, oh. ― DJ foi transferido de um par de braços a outro ― Que notícias há? Está
grávida outra vez?

Foi então que Melanie o viu. De lado, em sua visão periférica, uma forma escura no
canto da entrada da loja. Sempre esteve ali?

― A menos que seja pela Imaculada Concepção, não. Não estou grávida. Mas a
notícia é quase tão pouco provável, poderíamos dizer.

― Bom improvável ou mal improvável?

Melanie reforçou seu trêmulo queixo e o brilhante sorriso apareceu. ― Oh, quase
tão boa como pode ser.

Enquanto Danny revirava os olhos, sua voz se rompeu o silêncio.

― Olá, pequeno pardal.

A reação de Danny foi instantânea. Seus tênis chiaram no concreto enquanto seu
corpo se girava para voz. Ainda ficou quieta por tanto tempo, processando o que acabou
de ouvir, esperando que algo lhe dissesse que ouviu mal.

Melanie também esperou, seu próprio coração pulsava tão forte em seus ouvidos.
DJ agarrou um punhado de sua camiseta como se ele também entendesse o significado
desse momento. Logo, em voz tão alta como pode, o menino abriu a boca e assinalou a
forma movendo-se nas sombras.

― Papai!

Derek se moveu sem som até que se encontrou a centímetros do eixo de luz.
Partículas de pó iluminadas formavam redemoinhos entre irmão e irmã. Quando Danny
ainda não se moveu, Derek deu esse passo final.

― Respire, Danny. ― Disse, estendendo a mão bem a tempo para recuperar o corpo
inerte enquanto se afundava para o chão.

Melanie ficou boquiaberta.

― Oh, meu deus, acabou... ― E se uniu a Derek enquanto embalava sua irmã em
seus braços. Sim. Danny estava inconsciente ― Bom, essa é a primeira, ― Murmurou,
colocando o dorso de sua mão contra a frente de Danny. ― Embora, eu não desmaiei.

― Não, apenas divagou sobre orgasmos induzidos pelo sonho. Respondeu Derek
distraidamente, movendo as ondas de seu cabelo sendo beijada pelo sol do rosto pálido
de Danny. ― Ela está completamente desmaiada. Há um pouco de água nas bolsas de
lona.

Ainda se recuperando da inesperada reação de Danny, Melanie correu para fora. Ty


estava esperando por eles.

― Será melhor que assegure que Rena fique fora de vista, sempre e quando for
possível. ― Disse por cima do ombro enquanto o homem saía da parede.

― Danny está bem?

― Nada que um pouco de água fria não resolva. ― Pegou uma garrafa da bolsa que
tinha mais perto, multitarefa com um pesado menino em seus braços.

― Vem, deixa que o leve por você.

Uma vez mais, DJ foi transferido de um par de braços a outro. O menino não
pareceu se importar enquanto Chewie, sempre ao lado de Ty, fosse o entretenimento.
Melanie sorriu em agradecimento, disse com uma piscada: ― Disse que Danny se
lembraria de você.

Pneus de caminhonete gemeram contra o pavimento. Melanie parou com a garrafa


de água na mão. A parte de trás da estação de serviço abandonada se fez ainda mais
concorrida enquanto Austin girava ao redor e estacionava o Lincoln Mark LT ao lado do
Jipe vermelho de sua esposa.

Oh-oh.

Um par de Fourteens golpeou o asfalto quase antes que a caminhonete parasse


completamente. Melanie abriu a boca para falar.

― Que porra está acontecendo Mel? ― Perguntou Austin erguendo as sobrancelhas


negras perigosamente. ― Onde está Danny?

― Ah. ― Merda. O homem com sua incrível altura e maior musculatura, era tão
imponente quando estava fora de si. Melanie continuava com dificuldades para conseguir
ir além. Seus olhos a traíram quando olhou nervosa o edifício a sua esquerda. ― Vcê
precisa se acalmar antes de ir até lá!

Mas Austin, em modo completo de Conan o Destruidor, estava já pisando forte


através da porta aberta, preparado para a batalha com a mulher que fracassava
continuamente em não deixa-lo preocupado.

****

Derek o ouviu chegar a um quilômetro de distância. E esperou. Agora que Danny


estava voltando em si, acariciou as bochechas de sua irmã e a fez abrir os olhos. Mas não
aconteceria antes que a porta se abrisse.

Parecia ruim. Um estranho encapuzado curvado sobre a esposa fria do homem,o


que poderia interpretar-se de uma maneira ameaçadora. Mas Derek tirou o capuz como
uma instintiva medida de segurança. E abraçou seu fantasma interior em busca de
conforto.
Preso entre a preocupação por sua irmã e o fogo de uma velha inimizade, Derek se
levantou lentamente sobre a mulher gemendo no chão.

― Danny! ― Os olhos escuros de Austin foram da esposa ao atacante. Os ombros


largos se preparassem para batalha.

E tudo começou.
O impacto foi grande. Derek poderia tê-lo evitado facilmente, mas precisava senti-lo
até os ossos. Havia algo inexplicavelmente agradável sobre trocar golpes com o homem
que odiou por anos sem considerar o fato de que fizeram as pazes antes que desaparecer.
Afinal, Austin manteve tudo contra sua vontade, exceto sua irmã, a fim de obrigar Derek a
uma irrecusável confissão. Isso não passava imediatamente apenas com uma desculpa.

Austin Cahill. E se Danny o reformou ou não, com esse novo homem, sério, não o
faria.

Tudo passou para segundo plano. Quando Derek recuperou o equilíbrio do


poderoso golpe que não conseguiu derrubá-lo, o olhar assassino de Austin colocou mais
lenha na fogueira.

― Austin?

O gemido de Danny deve ter distraído o homem, mas ele permaneceu focado em
seu objetivo. Derek estava impressionado. Este golpe seria atípico, pois requeria muita
habilidade física tanto como ilusão psicológica. Esquivando do seguinte golpe, Derek
colocou seu ombro no intestino de Austin e o levantou de seus pés ao mesmo tempo. Mas
preparado como de costume, Austin não caiu sozinho. Os dois homens caíram no chão.
Derek soltou o férreo domínio e rodou para as sombras.

Melanie correu para o lado de Danny enquanto a mulher se apoiava em um


cotovelo.

Austin se estabilizou sobre seus pés e se lançou em perseguição, mas Derek sabia
que os olhos do homem ainda precisavam adaptar-se à escuridão. Como um morto
correndo, utilizou o impulso para subir à parede nua na frente dele, virar-se e segurar a
garganta de seu perseguidor no caminho de volta ao chão. Foi uma manobra de uma
fração de segundo que colocou os dois homens de barriga para cima em uma
nuvem giratória de poeira.

Mas enquanto Austin tossia puxando ar novamente a seus pulmões, Derek se virou
sobre ele e aproveitou que o homem baixou a guarda. Ficou no eixo da luz. Retrocedendo,
Derek ficou completamente exposto.

― Olá, irmão. ― Disse, com um sorriso curvando a metade de seu rosto. Os olhos
de Austin se arregalaram. Derek deslizou a navalha de sua cobertura no tornozelo e a
abriu com um clique.

― Qual foi à primeira coisa que disse que faria quando estivesse completamente
recuperado?

A luz se refletiu em ziguezague na ponta da lâmina.

― Derek, digamos, por merdas e sorrisos, que recupere todas as funções do seu
corpo. O gesso sairá... ― Austin puxou uma mão para indicar o dispositivo de puxar e a
âncora de gesso em plásticos. ― Tudo desaparecerá e você poderá sair para um novo
começo. Qual é a primeira coisa que você faria?

Os olhos de Derek bloquearam os seus. Ele conseguiu encontrar força para falar.

― Cortar suas... bolas.

― Santa merd...

Austin estava completamente atordoado, não tentou nem sequer proteger as partes
de seu corpo que agora estavam em perigo eminente.

Derek virou lentamente a lâminas para um efeito dramático.

― O que aconteceu, Cahill? Está um pouco amarelo.

― Já deu, Derek. ― Melanie interrompeu com autêntico medo em sua voz. ― Diria
que ganhou esta rodada, de acordo?
Reconhecendo o tom, ele levantou os olhos e percebeu o evidente estado de
angústia de Danny enquanto Melanie lhe oferecia apoio. Ele imediatamente se moveu e
levantou seu oponente com calma comedida.

Danny cambaleou sobre seus pés. Austin se sentou parcialmente em posição vertical
e continuou observando-o com a boca aberta. Apesar de ser divertido, Derek percebeu
que a hora da cura começou.

― Não está vendo coisas. ― Disse, esperando que ela chegasse a ele. ― Sou real,
Danny.

― Não pode ser. ― Suspirou, diminuindo lentamente à distância.

Ele falou para o lado. ― Olá, Cahill.

― Uh-hein?

― Isso doeu tanto como acho?

Austin assentiu.

― Viu? — Disse Derek com um sorriso de desculpa. ― É tão real como deve ser.

Danny finalmente o alcançou e ficou de frente a ele. Seu irmão se aproximou, tocou
levemente a barba em sua mandíbula enquanto seus olhos percorriam seu rosto. E se
fosse golpeá-lo, como fez Mel, agora seria o momento de fazê-lo, porque nesse ponto
estava igualmente embargado de emoção.

Em vez disso, seus olhos se encheram de lágrimas.

― Como?

Ele engoliu uma inesperada onda de tristeza. ― É uma longa e dolorosa história. ―
Mas Danny finalmente o levou a casa da única maneira que pode.

Seus braços voaram ao seu redor. Agarrou-o com força enquanto derramava os
últimos dois anos de sua ausência em lágrimas violentas. Lutando também com sua
emoção, ele agarrou um punhado de seu cabelo e colocou os lábios contra sua testa.
Quando ele abriu os olhos novamente, através do brilho viu Melanie vendo-os de
onde estava com a mão sobre sua boca.

E se repente, ele estava mais agradecido com ela por forçar sua mão no que se
referia a Danny. E quando tudo terminasse e morresse, teria esta lembrança para
confortá-lo.

― Pare de soltar catarro em minha roupa, se o fizer irei chutar o seu traseiro.

Os soluços de Danny se transformaram em uma risada sufocada e se afastou,


apoiando as mãos espalmadas contra seu peito para sentir os batimentos do coração, de
seu coração real e vivo.

― Bem, se havia alguma dúvida antes, desapareceu por completo.

Um sorriso reprimido veio com uma inclinação de cabeça e ele limpou os olhos.

― Você está bem? Apesar da mudança de nome.

Austin estava em pé. Deu a volta para colocar-se atrás de Danny e suas mãos sobre
seus ombros enquanto finalizava sua própria ronda de comoção e pavor.

― Acredito que é hora de você se explicar, Derek. ― Disse ele, com tom cauteloso.
― Sei que é você. Não havia ninguém mais ao redor quando tivemos nossa noite de
perdões. Mas onde no inferno esteve todo este tempo?

Derek o olhou enquanto se afastava de sua irmã.

― Na parte mais quente do inferno.

― Ele não morreu na mesa de operações. ― Explicou Melanie de sua solitária


posição junto à porta. ― Nunca chegou à mesa, tudo foi uma estratégia para sequestra-lo,
bem debaixo de nossos próprios narizes.

― Sequestrá-lo? ― Danny lutou com a notícia ― Quem?

― Foi Rena. Ela organizou o seu sequestro.

Austin ficou tenso, passando a mão pela nuca.


― E se tivesse que fazer uma suposição, diria que há uma conexão entre a fuga dela
e sua repentina volta dele.

― Há algo mais que uma conexão. ― Anunciou Rena da porta.

E ali estava ela. Bem a tempo. ― Derek foi quem me tirou.

Derek xingou em voz baixa e a fez sair rapidamente. ― Disse que me esperaria. ―
Grunhiu ― Que porra aconteceu?

― Oh, pensei que você gostaria de saber que estamos a ponto de ter companhia
não desejada se não sairmos daqui para outro lugar. ― O olhar de Rena se concentrou no
grupo saindo da loja atrás dele e deu um doce sorriso a seu ex-noivo ― Olá, querido.

Derek se virou e viu Austin envolver seus braços ao redor dos ombros de Danny por
trás. Era um gesto protetor que transmitia a quão próximo era de sua esposa. Derek
decidiu que teria que resolver sua mistura de sentimentos sobre isso mais tarde.

― É evidente que há muito para explicar. ― Disse-lhes. ― Mas tem minha palavra
de que ela não a machucará.

Algo perigoso se formou nos olhos de Danny. Austin apertou instintivamente seu
agarre.

― Isso não quer dizer eu que não a machucarei. ― Respondeu.

Ty saiu do Honda rapidamente, segurando DJ com o rosto vermelho como se fora


uma bomba de plutônio.

― Alguém fez caca e não fui eu.

Merda. E agora o que? O caos estava desencadeado por todas as direções e Derek
respirou fundo, fechou os olhos e tentou acalmar-se. Uma mão tocou seu braço.

― Em que está pensando? ― Melanie perguntou, com olhos vigilantes.

As sobrancelhas de Derek se estreitaram quando ele observou o rosto bonito diante


dele.
― Que você e eu precisamos ter uma conversa séria.

Suas feições delicadas relaxaram e ele viu uma sabedoria nela que não reconheceu
no passado. Melanie Parker sempre foi algo mais que um entalhe fácil em sua cabeceira.
Sua habilidade de descarrilar-se continuamente lhe dava uma sensação de perigo legítimo
que tinha pouco que ver com a potência sexual. Custou-lhe uma queda de cinco andares
para perceber isso. Mas a bomba que deixou cair era uma chamada de atenção de um
calibre completamente diferente.

― Então, ouviu-me? ― Perguntou em voz baixa.

― Aquilo foi muito difícil de ignorar. ― Disse ele, com um pouco de pânico.

Sua voz foi mais suave. ― Não queria que ouvisse de...

― Terá que esperar. Rena tem razão. Não podemos ficar aqui ou em um mesmo
lugar por muito tempo.

Ela entendeu, mas com um brilho de tristeza nos olhos. Ele sabia o que ela queria,
mas não aconteceria agora. Já era bastante difícil manter uma mente clara a fim de
terminar a complexa missão diante dele. Sua segurança vinha primeiro. O restante viria
mais tarde.

Mas por onde começar? Pensar estava ficando difícil através do ruído de sua
ansiedade crescendo, com tantas coisas passando. A ideia de transferir todo o grupo para
uma diferente localização era cansativa e apenas atrasaria seu progresso.

Melanie, que o esteve observando muito perto para sua comodidade, segurou-o
pela mão.

― Tenho uma ideia.

****

Assim que Melanie voltou a entrar na loja, sentiu que seus olhos a seguiam a cada
movimento.
― Está bem. ― Disse Derek, olhando-a com incerteza enquanto se inclinava sobre o
balcão de serviço com a cabeça nas mãos.

― Então, já provou que pode pensar sobre seus pés.

Ela ainda parecia exausta para ele.

― O jogo de pernas é uma exigência diária em meu trabalho. ― Disse ela arrastando
as palavras com elegância enquanto colocava no bolso as chaves e se unia ao grupo com o
bebê em seus braços ― Os veículos estão fora de vista, nosso plano de fuga está em
andamento, Rena está na garagem colorindo e Chewie está fora em alerta máxima. Ah, e a
fralda de DJ foi trocada.

Ty deu um exagerado polegar para cima.

― Todos aqui? ― Quando todo mundo assentiu, Melanie apontou o queixo para
Derek ― Então, o que acontecerá depois?

Danny sentou-se e virou-se para que suas pernas se pendurassem no balcão.

― Teve mais tempo para processá-lo, Mel. É provável que eu necessite de um


minuto mais.

Quando Melanie colocou DJ sobre o balcão, Derek se moveu um pouco para trás. A
reação não passou despercebida para ela. Doeu-lhe, mas ele ainda estava na etapa de
absorção, algo que poderia entender.

O bebê lutou para descer ao chão sujo e foi Austin quem distraidamente segurou
seu sobrinho solidamente entre seus braços. Como de costume, o colar de couro que
levava imediatamente distraiu DJ.

― Ainda não posso acreditar que isto foi criado quando tínhamos o que, doze? ―
Disse ele com incredulidade ― Rena era uma menina também.

Derek olhou com curiosidade enquanto Austin segurava DJ com experiência.


― Ainda não sei o que a uniu com a IGP, mas está disposta a preencher alguns
espaços em branco se todos concordarem em manter a paz. ― Seu olhar mordaz foi para
Danny.

Ela encolheu os ombros. ― Não fui eu quem deu o primeiro tiro, mas está bem. O
que for melhor.

― Ela não estava sozinha nisso, Danny. Rena é igual a você e eu, sempre e quando
seus remédios não sejam manipulados.

Danny revirou os olhos. ― Sinto muito, mas isso apenas a faz uma cadela em seu
próprio julgamento.

― Ela apenas está jogando porque está sendo muito hostil!

― E você a conhece bem?

― Danny, acho que ele tem razão. ― Disse Melanie em um fio quando as vozes
aumentaram de intensidade. ― Tive minha parte justa de insultos, mas Rena realmente
esteve lá quando mais importou. Pode ter começado isto, mas não poderemos terminá-lo
sem ela. Tem tanto medo dessa gente como nós.

― E quando estávamos juntos. ― Acrescentou Austin enquanto o menino saltava


sobre seus ombros. ― Não apresentou nenhum sinal de enfermidade absolutamente. Foi
difícil para digerir o fato de que estava tão doente quando foi detida.

― Sério? ― Danny questionou com atitude. ― A ressurreição surpresa e os disparos


não lhe obrigaram a fazer uma pausa?

― A eliminação da sociedade parece ser a especialidade da IGP. ― Derek provocou.


― Todos os fantasmas com que treinei já acreditavam que estavam mortos.

Danny estremeceu e se abraçou. ― Está dizendo que Rena é um fantasma,


também?

― Não em tudo, apesar de ter algum tipo de treinamento. Suficiente para mantê-la
oculta quando surgir a necessidade.
― Eu diria que teve mais que algum tipo de treinamento, Derek. ― Respondeu
Melanie com um olhar duvidoso. ― Pôde roubar drogas de um pavilhão médico da prisão,
depois de tudo.

― Uma tarefa mais fácil quando está se passando por catatônica.

― E tem essa coisa de perseguidora silenciosa dentro dela.

― Estive lhe dando alguns conselhos para melhorar sua habilidade, mas não pode
sustentar sua posição contra alguém como eu.

― Há outros fantasmas que desertaram como você? ― Perguntou Danny em voz


baixa.

Derek negou, afastando-se do balcão. ― A maior parte deles é leal até o exagero.

― Deixe-me adivinhar. ― Disse Austin. ― Não eram exatamente pilares da


sociedade.

― Bingo. Mas teve a vantagem de que a IGP os resgatou de seus problemas, deu-
lhes uma vantagem sobre o homem comum. A droga que tem... — Derek respirou fundo.
― A droga em nosso corpo é viciante. É algo que não apenas melhora a força física, mas
também a força cognitiva. Os outros fantasmas a adoram. Alimentam-se de sua pressa e
apenas ficam piores, já que a droga entra mais em seus sistemas.

Danny perguntou novamente. ― Força cognitiva?

― Percepção, audição, visão noturna, todas melhoradas. Treinamos para o sigilo.


Nossa vantagem é o elemento surpresa, como utilizá-lo e como evitá-lo. É o que nos faz
tão eficaz.

― E pode fazer tudo isso agora?

Melanie empurrou ar através de seus lábios: ― Uma palavra de aviso, Danny. Não
feche os olhos. Não posso dizer quando... viu! Porra, Derek!

― Aonde foi? ― Foi mais uma exclamação de pânico do que uma pergunta. O
homem simplesmente sumiu. Melanie elevou suas mãos.
― E nem sequer fechei os olhos nesse momento. ― A frustração demonstrou que
deixou para trás a fase de choque.

― A distração é a chave. ― Sua voz chegou atrás dela ― Aproveitamos a mínima


oportunidade, mas nunca funcionaria sem sigilo. É uma ciência, desde a maneira com que
nos movemos até sobre o tecido de nossa roupa.

Danny colocou uma mão sobre seu coração quando ele reapareceu das sombras
mais profundas.

― Estou começando a duvidar que seja real outra vez.

Derek puxou seu capuz para trás, lhe dando um sorriso triste.

― Olá, Cahill.

Segurando uma mãozinha gordinha em cada mão, Austin moveu os ombros,


fazendo estalar algumas vértebras.

― Sim. Minhas costas dizem que é real. ― DJ riu e esperneou pedindo mais do
mesmo ao seu tio.

― Mas isto é muito fantástico. ― Danny se aproximou de seu irmão e o abraçou


novamente, ― Tenho que admitir que, posso ver por que Rena estava tão assustada.

Derek diminuiu a distância e a envolveu em outro forte abraço.

― Sinto muito, Danny. Não queria assustá-la. É apenas algo que preciso saber e
tentar explicar pode ser algo ineficaz.

― Então tenho uma pergunta. ― Ela apoiou sua orelha em seu peito. ― E se
encontrarmos com estes outros homens com temerosos capuzes, como nos manteremos
longe deles?

Um profundo suspiro soou.

― Se for inteligente, não o fará. Mas Chewie, sim.


― É verdade. ― Disse Ty do seu lugar junto ao balcão. ― Não pensei nisso.

A porta que conectava a loja se abriu e Rena apareceu através dela, em silêncio,
fazendo gestos a Melanie.

― Voltarei. ― Murmurou Melanie, sentindo todos os olhos nela enquanto se unia


aos marginalizados na loja.

A área de serviço de três compartimentos apertados estava cheia de automóveis.


Seu pobre Honda foi o eleito de má sorte para ser jogado no bosque através da estrada.
Melanie pegou a folha de papel amassada que Rena lhe passou e se dirigiu a um tecido
cobrindo a janela.

― Esse foi um toque legal. ― Disse Melanie, segurando o papel em um dos buracos
esfarrapados na lona. -― A maldita mensagem que deixou nessa guia de oração na igreja.
Deu-me um medo do inferno.

― Que mensagem? ― Rena parecia genuinamente confusa.

― Oh, vamos. Nem sequer tente me convencer que não foi você. Observei como
tirou o dispositivo de rastreamento da perna, sem nenhum problema em tirar seu próprio
sangue.

― Apenas me diga o que dizia a mensagem, Melanie.

A mulher ficou séria. Isso a assustou mais que a mensagem em si.

― Dizia: Já estão aqui.

Depois de um momento pensativo, Rena se abraçou.

― Eu não a deixei.

Os olhos de Melanie se estreitaram com desconfiança. ― Então, quem o fez?

A mulher negou rapidamente, ignorando o assunto por completo.


― Sabe. ― Afastou a vontade de abraçar-se. ― Estou começando a me perguntar se
os fantasmas da IGP não são os únicos que lhe estão caçando, depois de tudo.

― Não deveríamos nos concentrar em Derek? ― Perguntou Rena, assinalando com


o queixo para o papel.

Sim. Claro. Dando uma sacudida mental, Melanie observou a lista, percebendo
imediatamente de que a letra não era nada parecida com a que viu nessa guia de oração.

― Isto é tudo? ― Perguntou, mordendo seu lábio inferior.

Rena puxou o tecido para fora para dar uma olhada.

― Tudo o que estou disposta a arriscar. É o medicamento que deixei na igreja e o


restante é apenas para uso de emergência. Apenas em caso de não podermos conseguir
que a IGP coopere antes que Derek faça uma imersão completa.

― Quão logo necessitaremos disso?

― Ele poderia estar em outra crise neste momento, pelo o que sei. Quanto antes,
melhor. ― Melanie suspirou forte e analisou suas opções. ― Aqui, dê-me o telefone.

― O que está acontecendo aqui? ― Perguntou Derek a poucos metros de distância.

Enquanto Rena xingava em voz baixa, Melanie gritou, o som ecoando nas paredes.

― Não faça isso. — Ela retrucou, dando a volta no para-choque do Challenger e


empurrando-o com força. ― Apenas porque pode, não quer dizer que deva fazê-lo,
especialmente comigo!

― O que aconteceu querido? ― Rena acrescentou, dando um olhar mordaz e


cruzando os braços. ― Teme que vá machucar a mamãe de seu bebê?

A garagem ficou em um silêncio morto. Melanie se virou lentamente com a boca


totalmente aberta. O olhar de Derek ficou escuro e sofrido.

A mulher fingiu ignorância.


― Oh, não sabia? Sinto muito, mas o pequeno o chamou de papai em mais de uma
ocasião.

― Está tentando com que eu me sinta mais tolo? ― Grunhiu Derek, claramente
irritado.

O interior de Melanie ficou estático. Merda, era assim que se sentia?

― O que acho. ― Disse Rena em voz baixa. ― É que já sabia, como eu.

― Não tente me analisar, Rena. ― Sua voz ficou gelada. ― Estou fora dos limites.
Lembre-se disso e manteremos esta relação confortável.

Olharam um ao outro por um momento antes que Rena finalmente desistisse.

― Apenas estou dizendo, que a negação não é a direção em que quer ir. Precisa
começar a pensar como sobreviverá a isto.

A mulher deu a volta ao redor deles e para sua absoluta surpresa, foi diretamente
para porta. Entraria na guarida do leão com a cabeça bem alta e sem pensar se sua
presença seria bem recebida ou não.

Parou com a mão na maçaneta. ― Vocês dois vão adiante e conversem. Averiguarei
sobre essa bala. Quando terminarem, não hesitem em se unirem a mim.
Quando a porta se fechou, Melanie olhou o homem ao seu lado e tentou ler suas
emoções. Era frustrante e impossível. Além de um olhar em branco, Derek estava mais
selado que Fort Knox1.

― Quer ter essa conversa agora? ― Perguntou-lhe timidamente, movendo seu peso
de um pé a outro.

Um momento de silêncio passou, então por fim, ele a encarou. ― Não estou certo
de que eu esteja preparado para isso.

Em outras palavras, não estava certo de poder aceitar a ideia de ter um filho. Seu
coração pulsava a ritmo selvagem e ela engoliu.

― Entendo.

O Challenger estava estacionado logo atrás dela. Voltou-se para ele e inclinou os
joelhos pesarosamente contra o painel dianteiro, enquanto olhava para cima com tristeza.

― Foi naquele dia. ― Hesitou e suspirou. ― Disse que o amava. Apenas uns dias
antes de morrer.

Melanie esticou uma mão, passando os dedos sobre o capo quente.

― Você estava tão irritado comigo. Bem, tinha uma boa razão. Estava agindo como
uma criança mimada, tomando represálias já que não me correspondia. ― Suspirou
fundo. ― Eu sei que nunca me disse isso, apenas... acho que estava sendo manipuladora
ainda quando fingi ter transado com muitos, tentando deixá-lo com ciúmes. Mas juro,
Derek. Juro que não fiquei grávida de propósito. Nunca tentei prendê-lo dessa maneira.

1
Fort Knox é uma cidade americana e base do Exército dos Estados Unidos, localizada no estado de Kentucky, ao longo do rio Ohio. Ela abriga
importantes unidades de treinamento e comando de recrutamento do exército, o Museu George S. Patton.
― Estava no controle de natalidade.

Ela assentiu. ― Sim.

― E se me lembro bem, esta foi a única vez que não usamos proteção.

― Sim.

― Então, o que? Deixou de tomar pílula sem me dizer.

Soava tão acusatório. As lágrimas começaram a acumular-se em seus olhos e o carro


negro começou a ficar impreciso diante ela.

― Não foi assim. Depois de ver Danny receber uma surra por alguém que lhe
apresentei, simplesmente me esqueci. Minha menstruação terminou e estava em tão mal
estado durante essa terrível experiência que me esqueci de começar a tomar novamente.

― Então, jogaremos a culpa em um trauma emocional.

Suas mãos caíram e seus apertou os dentes. Ela olhou ao redor, limpando as
lágrimas com o dorso da mão antes que pudessem cair.

― Não vou jogar a culpa em nada. Nem sequer o fato que você mesmo não utilizou
proteção. O que aconteceu, aconteceu. Não esperava isso, mas agradeci a Deus,
principalmente depois que você se foi.

― Realmente, Mel? Tem certeza que não sentiu um pouco de medo sabendo que
criaria essa pequena surpresa sozinha?

Essa conversa estava piorando a cada respiração.

― Nunca estive sozinha. Danny, Austin, Mac, meu avô. Eles estiveram lá para nós no
melhor dos casos. Não seria fácil sem eles, mas sempre agradecerei e foi o melhor que me
aconteceu. Inclusive, melhor do que você.

E então o viu. Apesar de estar completamente vestido e rígido como aço, Derek
estava tremendo. Estava realmente tão furioso com ela? Melanie fez um som de
incredulidade e ignorou sua raiva, cruzando os braços.
― Sinto não ter sido honesta com você antes. ― Disse com firmeza. ― Temia que
reagisse assim. Mas está tudo bem. Entendi sua posição e não espero nada de você.
Nunca esperarei.

Depois de um longo silêncio...

― Talvez tenha que ser assim mesmo. ― Respondeu ele inexpressivamente. ― No


que me diz respeito, o menino não precisa saber quem sou.

― Já sabe! ― Gritou ela uma vez mais. ― Foi completamente bombardeado com
suas fotos, com os malditos vídeos de escalada, com histórias a cada maldita noite antes
de dormir! E de verdade, acha que sua irmã ou eu permitiríamos que ele crescesse sem
saber sobre você?

― Não é como se eu estivesse lá para controlar isso, não é mesmo? ― Derek


começou a andar de um lado para o outro enquanto gritava cada palavra. ― Estava em
uma maldita cela enquanto a IGP controlava minhas decisões. Saí desse lugar, esperando
uma oportunidade para fazer o mesmo! Mas aqui estou na mesma maldita posição e
começo a me perguntar se alguma vez terei o controle outra vez!

Não precisava ser um gênio para ver que o homem estava aterrorizado. Mas o ouvir
descontar a vida de seu filho dessa maneira arrancou algo frágil em seu interior.

Apenas respire. O ar se moveu através do inflado nariz, enquanto se olhavam. Seus


olhos não estavam tão nítidos agora.

E de fato, enquanto o observava, notou mudanças ainda mais sutis em seu rosto
cuidadosamente controlado. Sua testa estava revestida de uma fina camada de suor.
Respiração irregular, instável.

Ele desviou o olhar.

― Preciso sair daqui. ― Murmurou. ― Não posso fazer isto.

Melanie empalideceu quando se voltou para ele. ― Não pode o que?


Em vez de responder, ele apoiou as mãos na porta de trás, se apoiou com força
contra ela como se estivesse lutando com uma monumental batalha interna.

― Derek. ― Melanie limpou garganta. ― Podemos falar disto em outro momento.


Há muitas coisas acontecendo e...

Sua mão se fechou ao redor da maçaneta e seus nódulos ficaram brancos.

― Não posso fazer isso. ― Repetiu quase para si mesmo. ― Não posso fazer isso...

Ficava mais claro com cada frase que estava lutando com algo mais que sua
paternidade recém-descoberta. Deveria se atrever a esperar que suas dúvidas fossem
produto da abstinência? Olhou o rastro da mão úmida na porta, aproximou-se dele e
colocou a mão em seu ombro.

― Por que não?

Ele se afastou de seu toque e ficou ainda mais tenso. ― Não o faça!

Sua mão caiu ao lado. Ela deu um passo atrás. ― Está bem?

― Não. Nada está bem. Tudo está fora do lugar. Não é familiar.

― Você deve respirar e se acalmar.

― Preciso sair daqui.

Ela o agarrou pelo braço antes que pudesse girar a maçaneta.

― E aonde vai? Voltará para a IGP? ― Silêncio. ― Seus sintomas estão piorando.
Até que possamos ter nossas mãos em outra injeção, apenas precisa relaxar.

Algo dentro dele explodiu. Ele se virou contra ela e pulou furiosamente.

― A próxima pessoa que vier até mim com uma agulha irá enfiá-la no rabo.

Foi então que percebeu a gravidade de sua condição, a ansiedade chegou tão
rápido, que o tirou do equilíbrio, deixando-no com o olhar de animal enjaulado que ela
presenciou antes.
― Deixe-me chamar a Rena. ― Murmurou.

Seus dedos se envolveram em seu braço enquanto ela se voltava para fazer
precisamente isso.

― Não preciso de Rena. ― Disse com os dentes apertados, a forçando contra a


porta do carro, a enjaulando com seu corpo. ― Não preciso de você, não preciso dela e
não deixarei que me controle, entendeu?

O contato com todo seu corpo, com sua crescente ereção, enviou uma corrente
elétrica através dela, despertando cada célula.

Ele estava furioso, mas também excitado com ferocidade.

― Talvez seja hora de entender o que é ter suas opções tomadas. ― Sua mão livre
empurrou para cima no interior de sua camisa e com dedos hábeis, desabotoou o sutiã,
afastando-o asperamente de seus seios nus. Sentia o seu toque incrivelmente bem em
contraste com a maldita razão disso.

― Não estou tentando controlá-lo. ― Suspirou ela. ― Mas não pode permitir que
isso fique pior!

Com um grunhido, ele passou os dedos pelo cabelo, fechando os olhos com força.
Logo, com sua mão a empurrou para o Challenger. Seu couro cabeludo se eriçou e seus
seios se sensibilizaram pelo susto, mas algo perigoso começou a crescer dentro dela. Uma
antiga necessidade carnal que exigia mais que um toque suave. Uma necessidade que
apenas Derek poderia satisfazer, mas que poderia comprometer seu estilo de vida
estruturado e cuidadoso.

Colocou-a sobre o capô. Sua ereção cresceu ainda mais com força contra seu
traseiro.

― Não é aqui onde toda a magia ocorreu antes?

― Não é o lugar, Derek. ― Disse ela ofegando, lambendo os lábios ressecados. ―


Alguém poderia vir e nos ver.
― Não se importou quando seu traseiro foi exposto ao lado de uma estrada. ―
Ignorando as fracas tentativas de se livrar dele, ele puxou sua calça. ― Você adorou cada
segundo disso.

― Não sou essa pessoa! ― Exclamou ela, desesperadamente agarrando-se à figura


de mãe responsável em que se converteu.

― Não?

Ele colocou a mão entre suas pernas, separando seus inchados lábios com um dedo
e até a fenda. O contato a interrompeu. Seu dedo, generosamente recoberto com seus
sucos, apareceu diante seus olhos.

― Quem está mentindo?

Melanie sabia que não era ele mesmo. Derek já não operava com restrição. Seja
porque sua abstinência o tivesse enjaulado em algo escuro e violento que provavelmente
pudesse danificá-la, embora não fosse seu principal temor. Era o fato de que ele sentia
medo também.

A perspectiva era emocionante e aterrorizante ao mesmo tempo. Ali estava ela com
um homem que conhecia, confiava e que amava além de qualquer medida, mas que não
era inteiramente ele.

E porra, seu corpo estava a ponto de explodir.

Com uma explosão de força, ela o empurrou para trás e ganhou liberdade suficiente
para se virar. A ferocidade obscurecendo seus olhos era tão intensa, que sua resistência se
incinerou sob o calor. Desde que desapareceu de sua vida, ela não se sentiu assim, como
viva. E sentia falta. Sentia muita falta dele. Muito.

Desta vez, quando ele se aproximou, Melanie foi ao seu encontro com igual fervor.
Mas quando tentou beijá-lo, ele a segurou novamente pelo cabelo. Enquanto a olhava a
centímetros do seu rosto, puxou sua calça até os joelhos e liberou a si mesmo dos limites
de sua roupa. Inclinaram-se no capô do Challenger como uma unidade. Suas mãos se
afundaram sob o capuz, sentindo a umidade quente de sua pele firme.
Derek segurou suas mãos, as colocou para cima e passou sua camisa e o sutiã por
cima, os jogando fora de seu alcance.

― Espere!

Para evitar uma maior nudez, ela tentou agarrar sua calça e roupa interior, mas ele a
jogou para baixo e rapidamente os afastou. Seus sapatos se foram voando. Estava
completamente nua sob ele sem possibilidade de se cobrir num momento de pressa. Seus
olhos foram para a porta.

― Assim. ― Disse ele, levantando sua ereção entre seus lábios doloridos. ― Ampla,
aberta e à minha mercê. ― Então afundou profundamente em seu interior.

Suas descuidadas paredes interiores se estiraram com força ao redor de sua


longitude. Ele soltou um grunhido feroz, a tomando por seus ombros e se posicionando
para uma penetração mais profunda. Ele se bateu contra ela uma vez mais.

Seus olhos se fecharam e ofegou com absoluta plenitude, o doloroso movimento de


sua incrível longitude se chocou com o fundo de seu útero. E de repente, ele parou,
fechou seus olhos e pareceu desfrutar da sensação de estar totalmente dentro dela. Sua
pélvis pressionava firmemente contra a dela, ressuscitando a conexão completa que
ansiaram um do outro no passado.

Quando saiu, sentiu-se vazia. Conteve a respiração, esperando o seguinte impulso.


Veio com tanta ferocidade que o fôlego foi tirado de seus pulmões. Seus dedos se
afundaram em suas carnes e ele bateu nela novamente. E de novo. Cada vez era mais
agressivo que a anterior. Os olhos de Melanie se arregalaram enquanto a paixão e a dor a
levavam ao limite de um colapso orgásmico completo.

Enquanto a tomava, Derek a olhou, sua mensagem claramente escrita em seus olhos
castanhos ferozes.

Você. Me. Pertence.

Santo Deus. Ele a possuiu desde o começo, mas agora estava a castigando,
dobrando sua vontade a fim de ficar com o último fio de controle que ainda possuía. Ela
levantou mais os joelhos e o deixou. Entregando-se completamente enquanto ele usava
seu corpo para saciar suas necessidades.

A fricção foi ainda mais incrível, mais no comando do que recordava. Seu prazer a
montou como a dor de sua morte, o aperto em seus ombros chegou a um nível
insuportável, seus músculos internos se moveram em todas as direções para apertar sem
piedade seu membro. Sua boca se abriu e ela arqueou para viajar no orgasmo forte em
um silêncio abafado.

― Assim, bebê. ― Grunhiu ele com os dentes apertados. ― Quem tem o controle
agora?

As palavras falharam enquanto seu corpo se mantinha cativo pelo persistente


clímax.

― Diga! ― Ordenou. Suas mãos deixaram seus ombros, encontraram seus mamilos
e os rodou entre seus dedos.

― Ah! ― O grito sufocado saiu dela antes que pudesse impedi-lo. ― Oh, Derek! ―
Seus dedos rodaram e puxaram. ― Por favor, não posso suportar mais!

― Você irá. Até que termine, tomará tudo.

Levantou a parte inferior para cima, colocando um joelho na parte superior do capô
e entrou nela de um ângulo diferente. Pelo amor de Deus, a onda de prazer estava
crescendo novamente. O tortuoso ritmo a obrigou a gritar em uma súplica de piedade,
mas sua boca cobriu a dela bem a tempo e a devorou. O beijo o enviou ao limite porque
se endireitou, fez uma careta com o impacto de seu próprio clímax quando ela começou a
descer do segundo.

As veias de seu corpo apareceram enquanto ele se esforçava, o poder fluía através
dele como rios de fogo. Soltou-se dentro dela, alagando-a com seu calor. Ela o olhou com
assombro. Em busca de controle, ele falhou em considerar seu principal temor. Engravidá-
la.

Era testemunha do quanto ele se perdeu.


Derek entrou em colapso sobre ela. Seus seios se esmagaram sob seu suéter
molhado de suor, mas ele se manteve entre suas pernas enquanto ofegava
completamente esgotado. Ainda estava quase completamente vestido enquanto ela
continuava sob ele nua e dolorida. Era outro jogo de poder que transmitia seu domínio
sobre ela. Há cinco minutos, tal exposição era impensável. Agora, não tinha mais escolha a
não ser ficar dessa maneira até que ele estivesse bem e preparado para deixá-la levantar-
se.

A porta atrás deles se fechou suavemente. Os olhos de Melanie se ampliaram.


Alguém realmente estava caminhando para eles, se não os via por completo. Santa.
Merda.

Derek ouviu também. Sem energia, pouco a pouco se levantou e captou sua breve
expressão de terror.

― Oh, merda. ― Murmurou ele, suas sobrancelhas se levantaram.

― Deixe-me levantar. ― Ofegou ela, empurrando seu peito. Mas em lugar de fazer
isso, ele continuou franzindo o cenho para ela enquanto seus olhos observavam seu
corpo. ― Porra, ao menos deixe eu me vestir!

Com um movimento de cabeça, levantou-a completamente, pouco a pouco saindo.


Mesmo esgotado, ele era tão grosso, que a sensação deslizando para fora de seu corpo
enviou um estremecimento de sua virilha ao peito.

― Deus. ― Sussurrou ele enquanto se movia para longe, observando ela colocar sua
roupa com pressa.

Quando sua cabeça passou pela camiseta, ele se foi e a porta exterior se abriu. Por
um breve instante, sentiu pânico, correndo para porta com medo de ele ter desaparecido
novamente. Mas então o viu romper o mato alto que separava o asfalto dos vastos
hectares de campo de soja. O acompanhou aliviada quando se sentou sobre seus
calcanhares e passou os dedos pelo cabelo. Ficou ali na grama alta por um tempo, se
recuperando.
Melanie o rodeou e o empurrou para sentar-se sobre o próprio traseiro. Balançou,
tomado pela surpresa e usou esse momento para sentar-se escarranchada sobre ele.
Apertou-o com força contra ela, o segurando.

Sem palavras, seus braços foram lentamente para cima e se envolveram ao redor
dela. Afundou o rosto em seu cabelo.

― Sinto muito. ― Sussurrou. ― Eu a machuquei.

― Estou bem. ― Sussurrou. ― Não quero que se preocupe com isso.

Ele suspirou forte contra a sua pele. ― É um inferno de mulher, Melanie. Não
merece o que acabo de fazer.

Segurou seu rosto entre suas mãos. Seus olhares se encontraram.

― Como se sente?

― Como um merda.

― Fisicamente.

Ele fez uma pausa. ― Na realidade, bastante bem.

― Então, se isso é o que precisa para evitar explodir, serei sua escrava sexual
pessoal até que tudo termine.

Seu olhar era firme agora. ― Isso sem dúvida ajuda, mas meus outros sintomas
apenas piorarão. E se não puder me controlar, não quero ficar perto de você.

Seu coração se derreteu pela melancolia em sua expressão.

― Eu te amo, Derek. ― Respondeu em voz baixa. ― Ainda estou em choque por ter
que voltar e não quero perdê-lo novamente, não com a IGP. Não importa o que
acontecer... para mim valerá a pena.

Mas se para ele valia a pena, ainda estava em questão.


Estavam bem escondidos atrás da grama alta e ele levantou a camiseta dela para
uma inspeção minuciosa.

― Eu a marquei muito. ― Disse, passando uma mão pelas manchas vermelhas sobre
o sutiã.

Ela o deixou tocar, explorar. ― Não é a primeira vez que brincamos duros um com o
outro.

― Mas você não é mais essa pessoa. ― Recordou com um olhar de dor. ― Sei que
não é, senti isso desde que a vi ontem à noite.

Quer saber a verdade... ― Hesitou, perguntando se ele quereria ouvi-lo. ― Não


estive com ninguém mais.

Seus lábios se separaram, mas ele ficou em silêncio enquanto absorvia a confissão.

― Então é de se esperar muito que você esteja no controle de natalidade agora? ―


Seu sorriso era triste.

― Não havia necessidade. Meu desejo estava enterrado tão profundo como o seu
caixão.

Derek colocou a testa em seu tórax e ela o segurou à medida que falava. ― Não
percebi o quanto perdi até que você se foi. E depois disso tive DJ. Ele me mantinha no
chão. Responsável. O exemplo que gostaria de ter tido durante o meu crescimento. E se
você não o quiser em sua vida, iremos nos separar quando isso acabar.

Ele ficou tenso em seus braços, mas ela continuou segurando-o.

― Não posso deixar que nos decepcione, Derek. Prefiro terminar com isso antes que
comece. Será suficiente para mim saber que ainda caminha nesta terra.

Em vez de responder, ele respirou fundo, a segurou por um momento. Quando a


soltou, levantou a cabeça e passou suas mãos por seu cabelo.

― Então pode ser irrelevante. Isto apenas piorará até que possa colocar as minhas
mãos sobre esse medicamento.
― E de verdade acredita que o matará?

― Com o tempo. ― Disse sem pausa. ― Quando fiquei sem ele antes, não houve
alívio. Fiquei muito mal, Mel. ― Respirou longamente. ― E se tivessem me deixado com
algo. Roupa, comida, água, mobilidade, teria encontrado uma maneira de me matar com
isso.

O pensamento dele sozinho, amarrado, nu, sofrendo por dias sem nada que comer
ou beber enquanto sua mente desaparecia lentamente partia seu coração.

― Talvez, se tiver uma espécie de alívio fique melhor desta vez.

― Não tenho como saber. Não vou arriscar seu bem-estar no processo de descobrir.
E se ficar ruim, voltarei para a IGP com ou sem essa bala.

E nada o impediria. Era fácil de ver.

― Realmente estava com medo. ― Disse ela com um olhar de preocupação.

― Mas estava duro.

― Isso é uma parte da melhora sobre a qual falava?

Foi uma resposta de dor lenta. ― Sim.

― Então, enquanto ainda pode tirar de seu sistema, não o deixarei longe. Porque
ficará comigo, não com Rena. ― Pela última vez. ― Ou com Ty.

Derek hesitou, esboçando um sorriso.

― Ty ao menos desejará que tome banho primeiro. ― Sua risada de resposta foi
curta, triste. Moveu uma mecha solta de cabelo de seu rosto. ― Viu quem abriu a porta?

Ela negou. ― Não. Mas terei dez cores de vermelho estampadas em mim quando
voltarmos lá.

― Sinto muito, querida. Fui deplorável.


E de alguma forma, ela sentia que havia uma razão mais profunda para seu
comportamento dominante. Algo que não estava dizendo.

― Está melhor agora. Aí é onde meu foco estará.

Suas costas se endireitaram e seus olhos se desviaram um pouco antes de se fechar.


― Espera um minuto,

― O que?

― É Chewie, está grunhindo. ― Quando abriu os olhos novamente, era como aço,
cheio de determinação. ― Temos companhia novamente.

Derek o ouviu antes que ela e soube sem dúvida que estavam sendo caçados.

― Abaixe-se! ― Disse, lhe fazendo girar sobre suas costas.

Por que isso tinha que acontecer cada vez que experimentava um de seus episódios?
Ainda não estava completamente bem, esse sentimento sempre presente de eminente
fatalidade justo atrás das linhas. Agora que por fim estava satisfeito como desejou
durante anos, sem dúvida ajudava. Concentrou-se nela, respirou fundo e pensou na onda
de limpeza e paz lhe percorrendo quando se soltou dentro do calor celestial de Melanie.
Sua mente imediatamente se limpou.

Passos. Suaves. Silenciados pela falta de calçado tradicional. Ainda pensavam que
podiam aproximar-se sigilosamente dele, mas não apenas podia ouvi-los respirar, sabia
exatamente quais eram.
Simons. Caucasiano. Um metro sessenta e cinco centímetros, olhos preguiçosos,
grosso rabo-de-cavalo. Testículo esquerdo eliminado devido à noiva irritada chutando suas
joias. Noiva irritada já morta.

Tam. Vietnamita. Um metro sessenta e sete centímetros, alimentado de ódio pelos


budistas. Queimou um monastério, provavelmente com um fósforo com aquele olhar frio e
vazio.

― É uma patrulha pequena. ― Sussurrou Derek. Quando o olhar cauteloso de


Melanie foi nele, roçou seus lábios contra os dela, bem rápido.

Seus olhos se fecharam.

E ele partiu. A grama tinha cobertura contra estes fantasmas particulares. Eram
especialistas do dia, treinados para usar sua visão periférica melhorada e velocidade,
assim como o seu sigilo. O negro não oferecia nenhum tipo de amparo, o suéter ficava
molhado de suor e agradeceu por isso.

― Derek.

Merda. Ela estava sussurrando para ele. Pouco sabia que estava apenas a três
metros de distância, agachado enquanto vigiava o edifício. Os fantasmas estavam ali,
flanqueando os lados norte e sul, com a esperança de pegá-los de surpresa. A porta de
trás ainda estava aberta e suas oxidadas dobradiças eram um convite para que passassem.

Faça isso. Vamos, faça isso. Sua mão agarrou a faca em seu tornozelo, mas eles se
negaram a mostrar-se. Talvez fosse muito óbvio. Derek apenas podia esperar que Rena
estivesse fazendo sua parte para manter a equipe no interior e calada. Sem inesperadas
surpresas para tirá-lo de cima para que pudesse permanecer concentrado na ameaça
eminente do exterior. Mas Melanie estava ali com ele.

Porra.

Um gemido gutural soou horrível da frente do edifício enquanto Chewie deixava


escapar um bocejo firme. Derek ouviu ambos os homens nessa direção.

Obrigado, amigo!
Retirou o capuz e correu para a grafitada estação de serviço. Com um grande
impulso, escalou a parede e saltou para trás para agarrar o balanço. Seus braços fizeram o
resto, içando em silêncio até o teto. Agora mantinha a vantagem em um terreno mais alto.
Uma comprovação rápida lhe confirmou que Melanie estava onde a deixou, observando
da brecha de grama com amplos, aterrados olhos. Ele levou um dedo aos lábios.

O sol da manhã caía sobre suas costas nuas. O calor despertou um ardente desejo
de se livrar destes homens. Não lhe importava a morte. A maioria dos fantasmas eram
assassinos. Mas a IGP enviou os mais mortais para capturá-lo e a Rena.

Tam, seu ex companheiro de treinamento, era a maior ameaça de todas, pois o


homem conhecia suas habilidades melhor do que ninguém.

Era procedimento da IGP combinar um especialista de dia e de noite durante o


processo de formação. Podiam aprender um com o outro, treinar entre si e provavelmente
trabalhar juntos quando fossem soltos a público. Derek podia entender isto, mas o
pequeno indivíduo de olhar frio era demais. Uma cara de pôquer projetada para sacudir a
jaula de seu oponente.

Como ele apenas usava calça esportiva branca, o contraste entre eles era claro como
o dia. O homem era tão magro que um espirro forte poderia lhe derrubar e a Derek era
difícil ocultar sua diversão, enquanto iam à estufa que servia como seu lugar de
treinamento.

Regra número um: não incomodar a flora. Regra número dois: não romper o vidro.
Regra número três: sem armas.

Mantendo sua própria cara de pôquer, Derek esperava o sinal enquanto seu
treinador observava as linhas laterais. O vesgo vietnamita contra o Capitão América.
Difícil, mas que seja. O pequeno deveria ganhar essa merda arrogante como um castigo de
algum tipo.

― Procedam, senhores.

Decidindo tomar com calma, Derek se moveu com um chute frontal pela metade do
peito. O homem cambaleou para trás, sustentando seu olhar ao chegar atrás de sua
cintura e tirando algo de seu pulso.
Um líquido quente gotejou do ombro do Derek, pelo lado de seu peitoral e abaixo de
sua caixa torácica. Piscado ao punho da faca se sobressaindo de sua carne.

― O que aconteceu com a regra número três? ― Perguntou com calma.

Tam sacudiu o rastro de seu peito.

― Muitas para assumir.

Abaixo dele estava à entrada da garagem aberta. Devido a que os homens estavam
de novo em posição por ter perdido o interesse no cão negro, alguém eventualmente
tentaria mover-se para dentro. Apressando-se, encontrou-se com uma pequena pedra e a
colocou em sua boca. Ficando na borda do terraço, sobre suas mãos em silêncio e
liberando o seixo de entre seus dentes. Caiu ao chão, ricocheteou e golpeou a porta.

Simons foi o primeiro a responder. Sua roupa de cor negra ocultava sua identidade,
mas ninguém poderia confundir seu passo torto. Quando o homem chegou ao lugar
diretamente abaixo dele, Derek tomou impulso, derrubou e capturou a garganta de
Simons entre as pernas enquanto se pendurava do teto. Ouviu um ofego audível do
interior da garagem e amaldiçoou em silencio para si mesmo. Danny estava assistindo o
espetáculo atrás dele, mas não teve tempo de reconhecê-la. Enquanto acabava com vida
dele, Tam apareceu a sua esquerda.

Ele soltou o corpo e abaixou-se bem a tempo.

Depois de um golpe, a faca de Tam vibrou no marco da porta por cima dele. Ele a
alcançou. Quando Simons torceu e afundou seus dentes na coxa de Derek, engoliu seu
rugido de dor e enterrou a lamina de dez centímetros profundamente na virilha de
Simons.

O homem gritou. Derek rodou, defendendo-se do próximo projétil com o corpo de


Simons. Outra lâmina incrustou na garganta do homem, lhe deixando em silêncio e
estrangulando com seu próprio sangue sob o capuz. Derek tirou a faca e o sangue fluiu
livremente no asfalto. Sabia que Tam tinha apenas duas facas. Até ali Simons, o pobre
diabo, era o desafortunado e primeiro a cair.
Ficou em pé, ignorando a ferida em sua coxa enquanto enfrentava seu encapuzado
oponente restante.

― Sabe que não me pode derrotar em uma luta justa. ― Disse Derek com cautela,
mantendo sua postura rígida, enquanto faziam um círculo entre si. Dado que Danny
poderia estar ainda na garagem, tomou cuidado de manter a atenção de Tam longe dela.

― Sabe que ela o quer vivo. ― Tam respondeu em um inglês ruim. ― Por que não
retornou?

Derek colocou a lâmina ensanguentada entre seu polegar e seus dedos.

― A comida realmente é uma merda, homem.

Tam parou de dar voltas, sem ocultar sua cabeça e o reconheceu, através de seus
estreitos olhos vazios.

― Onde está a mulher?

― Está fora do caminho.

Antes que a última palavra saísse de sua boca, Tam deslizou através da porta aberta.
O pequeno filho de puta sempre podia mover-se mais rápido que qualquer um deles e a
faca cuidadosamente dirigida de Derek foi lançada. Recuperou sua arma emprestada
quando entraram nos escuros, cansativos limites do edifício. O grito de Danny de surpresa
ecoou ao longo das paredes. Ficou no mesmo lugar onde esteve com Melanie alguns
minutos atrás, mas a porta do lado do motorista do Challenger estava aberta por alguma
razão.

Tam apertou o pescoço de Danny entre seus antebraços, preparado para atuar se
Derek se movesse um centímetro.

― Esta não é ela. ― Disse piscando com calma.

Isso foi suficiente para enviar um calafrio pelo ar. O peito de sua irmã subiu e
desceu.
― Mas é a que tem todas as respostas. ― Respondeu sem problemas, sem dar
nenhuma pista da agitação furiosa dentro de seu intestino.

― Não todas. ― Interrompeu Rena. Ouviram passos e logo a viram sair da sombra
escura do canto da garagem. ― Ainda tenho umas poucas.

Tam assentiu uma vez.

― Srta. Howberg.

Rena riu e balançou a cabeça para o chão enquanto passava pelos veículos.

― É Hell-berg. ― Toda diversão desapareceu quando chegou ao lado de Derek e


cruzou os braços. ― Você sabe.

― Howberg.

Rena estalou a língua, revirando os olhos.

Derek notou uma sombra em sua visão periférica. Tam também o notou e se voltou
levemente para ela. Derek soltou a faca. Deslizou pelo ar e a incrustou no bíceps do
homem.

Austin veio à vista e se equilibrou sobre Danny enquanto o vietnamita afrouxava o


agarre. Corpos retorcidos. Os que foram a terra procuraram sua cobertura enquanto Tam
se lançava sobre o teto do Challenger. Derek não ficou debaixo dele por muito tempo e
tomou posição sobre o capô do Jipe. Esperou equipado com sua própria faca desta vez
enquanto Tam tirava lentamente a lâmina de seu braço, desenterrando a manga do suéter
com capuz de sua carne.

― Realmente quer fazer isto, Tam? Não pode me matar.

O homem dobrou o braço ensanguentado, provando antes de mover a faca na outra


mão.

― Ela apenas disse vivo. Não em quantos pedaços.


Enquanto Tam girava na ponta dos pés, Derek desviou a faca lançada e suas costas
giraram sobre o capô da caminhonete de Austin. Assim, Tam já havia recuperado a sua
arma e estava dando voltas ao redor procurando por outra oportunidade. Com a faca
firmemente entre os dentes, Derek saltou para trás do Jipe, surgindo na barra de proteção
e se lançou pela porta da garagem para cima. Seus pés se arquearam para cima e sentiu o
ar ao redor enquanto Tam passava por debaixo dele.

Perdeu.

Ele se virou de um lugar a outro, deixando-se cair na base da caminhonete e


saltando sobre a traseira. Enquanto abria espaço à cotoveladas debaixo dos veículos
apertados, podia ver que Danny e Rena já não estavam no chão. Mas Austin e Ty estavam
em pé junto ao Challenger, provavelmente à espera de uma oportunidade para entrar e
esperar conseguir que lhes matem.

― Não se aproxime! ― Gritou. A advertência incitou a risada de cima.

― Encolhe-se como uma mulher. ― Zombou Tam. ― O que aconteceu com o


Capitão América?

Em vez cair na armadilha, Derek silenciosamente rodou para o para-choque


dianteiro.

― Quer saber como é um pênis vietnamita, não é?

Bode de merda. Pelo menos estava falando com o lado equivocado da caminhonete.
Já que o tempo era essencial, Derek reapareceu com sua vingança de uma inesperada
direção. Tam se moveu com a velocidade de um raio enquanto Derek voava com os
calcanhares sobre sua cabeça outra vez. A faca de Tam bateu no alvo, abrindo uma ferida
de sete centímetros do lado de Derek, que imediatamente sangrou, mas quando seus pés
tocaram o chão da traseira da caminhonete, o pequeno fantasma lutou para manter-se
em posição vertical enquanto o sangue brotava da laceração profunda em sua garganta.

― O que foi isso? ― Perguntou Derek, com sua faca coberta de sangue. ― Algo
sobre um pênis? ― O ruído lastimoso que seguiu foi exatamente a resposta que esperava
que seu ex-companheiro de treinamento desse diante da parte traseira da janela da
caminhonete.
Austin piscou. ― Isso aconteceu?

Chewie latiu violentamente e todos ouviram um grito ao longe.

― Isso não é bom! ― Gritou Ty, fazendo uma pausa na entrada.

O coração de Derek quase foi para o estômago. Não. Por favor, não! Deixou o
cadáver sangrando, saltando os carros e caindo sobre o corpo de Simons apenas para
ouvir uma caminhonete afastando do estacionamento. Não teve que comprovar a grama
para saber que Melanie se foi.

E a deixou ali. Sozinha. O alvo mais vulnerável. Por que não sentiu outro fantasma
próximo?

Porque estava muito preocupado com os outros dois. Distração. Era a estratégia
mais simples e falhou tão facilmente como suas próprias vítimas.

― Ele a matará. ― Murmurou Derek, sentindo o acumulo de sua ansiedade, uma


vez mais.

Seus gritos ecoaram no pátio. Derek despertou com um sobressalto, piscou para o
estreito teto acima dele. Ao não ter sentido o tempo, sacudiu o sonho de seu cérebro e se
sentou. A boxer ajustada que lhe deram oferecia pouco amparo contra a coberta de lã da
ampla cama de armar de cinco centímetros onde dormia. Vermelhas manchas cobriam seu
torso e imediatamente começaram a picar como de costume quando despertou de uma
noite agitada de sonho.

Mas ainda não era de amanhã.

Outro grito rasgou o silêncio antes que fosse substituído com gargalhadas sufocados
e um ajuste frenético de tosse.

― Sim, isso. ― Ouviu enquanto a tosse continuava. ― Deus, isso é bom.

Derek conhecia essa voz. Seus olhos foram para a janela ao final de sua cela. Houve
um tempo em que considerou sua vista um luxo, mas o tempo passou. Ficou em pé e
lentamente se aproximou. O piso com pintura epóxi estava frio sob seus pés. Por sorte,
apenas ocupava este armário vazio sete horas ao dia durante as luzes apagadas.
Cada outro momento de vigília transcorria sob o atento olhar do sádico imbecil debaixo de
sua janela.

Rafferty.

Embora o policarbonato estivesse um pouco embaçado, Derek facilmente pode


distinguir a elaborada compilação de querubins e anjos que estavam nos jardins. O anel de
água azul a seu redor estava brilhantemente iluminado e entrecortado, delineando o
inquietante cenário em sua borda.

Uma saia vermelha jazia entre o monte de roupas desprezada no banco junto à base
da fonte. Ele a viu usando-a pela manhã quando levou sua própria roupa. A magra loira
tinha o cabelo muito parecido com o de Melanie e a surpreendeu olhando através da
janela gradeada na porta de sua cela. Seus olhos se iluminaram com resistente avaliação
até que Rafferty percebeu e lhe ordenou voltar a trabalhar.

Era evidentemente nova, seu rosto jovem e fresco estava cheio de expectativa
esperançosa em seu primeiro dia no trabalho. Agora estava nua, inclinada sobre a borda
de concreto enquanto Rafferty a sodomizava por trás. Com a calça ao redor de seus
carnudos tornozelos, sujeitava-a pelo cabelo enquanto ela gemia, contendo o fôlego. Logo
colocou sua cabeça debaixo da superfície outra vez, esperando enquanto ela lutava e
arranhava os musculosos braços. Quando chegou o momento, permitiu-lhe apenas o
suficiente para que ela aspirasse uma mescla de ar e água.

― Vamos, tussa para mim, querida.

À medida que a mulher se sufocava e tossia violentamente, Rafferty se voltou em


direção à janela de Derek, com os olhos fixos nele e lhe deu um sorriso sensual torcido. ―
Deus, sim! ― Ele entrou nela sem piedade.

― Derek!

Mas ele estava além de ouvir, além do pensamento racional enquanto corria
novamente para a garagem. A porta do motorista ainda estava aberta e as chaves estavam
no contato, graças a Deus, prontas para uma evacuação rápida caso surgisse a
necessidade. Desafortunadamente, a porta da garagem ainda estava fechada, mas parecia
ser uma pobre barreira contra o Challenger uma vez que Derek acelerou o motor,
soltando a embreagem. Os pneus chiaram e uma nuvem de borracha queimou
anunciando a explosão de resíduos de madeira enquanto quando ele a atravessou.

À medida que a luz do dia se infiltrava pelas janelas, Derek captou imediatamente a
vista da caminhonete desaparecer e começou a persegui-la, atingindo a autoestrada.
Dirigiam-se ao norte, chegando ao final da estrada estadual de asfalto. O condutor guiou a
caminhonete para uma série de becos sem saída. Apenas uma estrada oferecia uma saída.
Saberia o suficiente sobre o terreno para escolhê-la?

O Hemi rugiu sob o capô enquanto Derek dirigia os 425 cavalos de força pela
primeira vez no ano. Corria tão forte como recordava e era tão bom que Danny o
manteve. Suas mãos agarraram o volante e a caça começou.

Uma trilha de pó serpenteava na estrada. A caminhonete se ocuparia do terreno


áspero melhor que seu carro, por isso se Derek tinha alguma esperança de diminuir a
distância deste ponto para frente, precisaria cortar caminho. Pisou na embreagem,
moveu-se e se apoiou na curva, o que lhe permitiu abrir caminho através das exuberantes
filas azul e verde de sementes de soja que flanqueavam o lado da estrada. Em sua maior
parte, a terra era plana e previsível, mas apenas quando estava muito perto de verdade
notou a reluzente água adiante.

― Merda!

Precisava frear, iria se afogar ou cairia contra a parede e esperava o melhor. Derek
tomou a opção número dois. O tacógrafo pulsou profundamente na zona vermelha. O
ruído do motor dominou o som sufocado da fúria violenta de água pulverizando de cada
lado enquanto voava por cima do pântano alagado. E do mesmo modo em que o carro
começou a diminuir, os pneus encontraram agarre na borda oposta e estava de volta, uma
vez mais. Apenas então percebeu que segurava o fôlego. Soltou alto o ar de seus pulmões
enquanto o carro ricocheteava sobre uma áspera luz.

Seu cérebro logo registrou um ruído estranho atrás dele, mas estava operando em
piloto automático, concentrado na grande perseguição. Poucos metros adiante estava o
caminho de terra e a caminhonete que ameaçava levar Melanie para sempre.
Virou em um ângulo e os pneus deixaram brevemente o chão, enquanto voava de
volta à estrada. Cascalho bateu contra a lataria quando se desviou, encontrando um lugar
justo atrás da caminhonete por excesso de velocidade. Ambos os veículos dançaram de
um lado a outro em sua tentativa de bloquear um ao outro. Derek encontrou um vazio e
pisou fundo no acelerador, movendo-se junto a um ângulo de saída. E se pelo menos
pudesse dar um pequeno empurrão na direção correta, seria suficiente para tirá-lo da
estrada sem derrubar.

― Papai!

Derek saltou de sua pele e bateu fortemente no painel traseiro da caminhonete. O


Challenger saiu de controle e sua parte traseira fez um círculo ao redor até que impactou
de lado com o outro veículo desviando-se. Enquanto a caminhonete se afastava na
direção correta, Derek voou e parou.

― Merda!

Um giro na chave e o motor rugiu de novo à vida, mas quando pisou no acelerador,
as rodas traseiras giraram mais profundo no barro. Golpeou a ré e tentou novamente,
então para frente, girando o volante, uma e outra vez.

Mas foi inútil. O Challenger estava atolado. A nuvem de pó da caminhonete se


moveu mais longe, uma colina, logo outra e desapareceu.

Com o coração acelerado, Derek abriu a porta e saiu para estrada, com as mãos nos
quadris. Duas respirações. Três. Então se virou e se inclinou contra a porta.

Havia um assento para crianças em seu carro. Que. Porra. Como perdeu isso? O que
no nome de Deus havia errado com ele? Porra.

As coisas estavam caindo aos pedaços e quando mais precisava delas, suas
chamadas super habilidades falhavam.

Na parte de trás, o pequeno DJ manteve seu próprio olhar de que-diabos-aconteceu


por uns segundos mais antes que sua face enrugasse completamente. O grito lamentoso
que seguiu perfurou a ira de Derek. O que acontecia, o menino estava machucado?
Certamente não foi uma viagem suave.
Enquanto respirava para se tranquilizar, Derek se inclinou para frente e se apoiou. O
cinto de cinco pontos era uma provocação e quando conseguiu abrir, DJ chorava a plenos
pulmões.

O corpo em miniatura em suas mãos era quente e frágil enquanto lhe tirava do
carro. Braços e pernas. Dez dedos das mãos, dez dedos dos pés. Perfeitas orelhas
vermelhas de fúria. Com a boca aberta. Com o cabelo fininho e olhos azuis, era um reflexo
de sua mãe, apenas mais redondo. Derek o colocou sobre o teto e enterrou sua cabeça na
barriga do bebê. Braços gordinhos se envolveram ao redor dele enquanto DJ procurava
consolo no único adulto a seu alcance. Uma pequena coisa tão indulgente.

E de repente, Derek estava em um lugar totalmente diferente. Este não era apenas
filho de Melanie. Este era o seu filho.

Levantou a cabeça e realmente olhou o bebê, notando uma característica ou duas


que, sem dúvida, eram dos Bennett. Poderia esta soluçante bola de amor incondicional
alguma vez ver sua mãe novamente? Derek poderia chegar a seu filho? Devido à incerteza
que superava suas possibilidades, sentiu vontade de chorar também.

― Oh, merda. ― Murmurou quando seus olhos começaram a arder.

O fôlego de DJ o pegou quando tocou a testa do menino e se maravilhou de quão


bem cheirava. Derek o puxou para mais perto, aceitando a comodidade que lhe oferecia.

Pneus de caminhonete pararam atrás dele. Quatro portas se abriram e sentiu que se
aproximava dele.

Danny empurrou para o lado e se estendeu pelo bebê em seus braços.

― O que aconteceu? Está bem? Merda, Derek, tentei avisá-lo, mas somente saiu!

― Ele está bem, eu acho.

― Escaparam? ― Perguntou Austin preocupado, imitando Rena e Ty enquanto


todos olhavam ao seu redor em busca de sinais.
Derek passou uma mão pelo cabelo, fechou o punho e se ajoelhou na miséria
absoluta.

― Não sabia que ele estava ali. Jesus Cristo eu os tinha e então... porra!

― Sinto muito. ― Danny respirava forte enquanto abraçava o menino chorando


fortemente contra ela. ― Estava dormido e não pude pensar em um melhor lugar para
deixá-lo de maneira segura.

― Em meu carro?

― Era o mais perto da loja!

― Ei. ― Rena estava ali com um pequeno maço de molhadas toalhas de papel.
Apertou-as contra sua ferida sangrando e colocou a garrafa de água sem tampa em seus
lábios. ― Beba. Vamos, precisa se recuperar.

― Vai matá-la.

― Quem vai matar?

― Meu treinador. Rafferty.

Rena ficou em silêncio por um momento, logo deu a garrafa a ele novamente.

― Não, se chegarmos lá primeiro.

A neblina vermelha deslizou lentamente para trás. Podia senti-la enquanto seus
nervos começavam a iluminar-se pouco a pouco. Moveu a garrafa e tomou um bom gole,
limpou a boca com o antebraço.

― Vou queimar aquele lugar, Rena. Cada maldito centímetro quadrado dele.

― Não vão matar enquanto precisarem dela como isca.

― Quer que o costure? ― Perguntou Ty a suas costas com a bolsa de lona na mão.

Rena se voltou para ele com fúria e assinalou.


― Afaste-se! ― Gritou. ― Sabia que os traria para nós! Tentei dizer-lhe, mas se
negou a ouvir!

― Sobre o que está falando?

Ela o empurrou com força e ele cambaleou para trás.

― Está trabalhando com eles! É a única explicação! Como sabiam onde estávamos?

Chewie veio e atrás da caminhonete fez cambalhotas ao redor deles, gemendo


enquanto a tensão era alta.

― Não é Ty. ― Disse Derek, endireitando. Os olhos de Rena se estreitaram sobre ele
com incredulidade.

― Por que porra tem tanta certeza?

― Porque o conheço há muito tempo. Não é desse tipo, por isso está aqui.

― Está bem, está bem. Experimentamos com ele e o penduramos nessa árvore ali.
Vamos ver se a IGP vem em seu resgate.

Ty deixou cair a bolsa e a agarrou pela mão enquanto ela tentava pegar a faca de
seu bolso.

― É uma cadela doente, sabe isso?

― Vamos. ― Ronronou ela desagradavelmente, em seu rosto. ― Aceite pela


equipe.

Era uma provocação que confundiu a todos. Seus estados de ânimo pareciam ficar
dentro e fora, tranquila e cooperativa em minutos, mordaz e irracional no seguinte. Derek
olhou Danny e lhe pegou olhando a cena com cautela. Uma olhada rápida a Austin
mostrou o mesmo.

Talvez fosse o momento de se separarem. ― Rena.

Seu olhar não hesitou enquanto se mantinha fixo em Ty.


― Rena! ― Agora Derek tinha sua atenção. ― Precisamos voltar. Agora, com ou
sem essa bala.

Danny deu um golpe em seu ombro. Quando olhou para trás, seus olhos se abriram
com incredulidade.

― Quer dizer esta bala?


DJ soluçou e se inclinou para agarrar o objeto brilhante de latão na palma de Danny.
Quando o afastou, ele se deixou cair com evidente decepção.

Ela podia muito bem ter lhe apresentado a Arca da Aliança.

Os olhos de Rena estavam vidrados enquanto Derek pegava a pequena bala 9 mm.

― Onde estava? ― Perguntou com espanto, inspecionando as marcas na parte


inferior.

― Em meu porta luvas. ― Respondeu Danny com total naturalidade. ― Porque era
seu amuleto de boa sorte.

― Dêem isso! ― Disse Rena, estendendo a mão.

Era evidente que a mulher considerava que a bala era sua propriedade, mas Derek
fechou com força seu punho.

― Em primeiro lugar, terá que me dizer por que é importante esta coisa.

― Direi mais tarde. ― Rena moveu os dedos.

Franziu o cenho. ― Tínhamos um trato.

Como todo mundo estava reunido ao seu redor, a mulher abaixou a mão estendida
e o olhou com incerteza. Era desconfiança o que via em seus olhos azuis?

― Somos você e eu, Rena. ― Disse com os dentes apertados ― Coloquei muito na
linha para dar-lhe vantagem e não a abandonarei agora. Precisa confiar nisso.
Uma brisa passou pelos muitos hectares de soja, dando um toque pacífico e fresco
ao ar. Ela engoliu, balançando a cabeça em direção a Ty.

― Não com ele aqui.

― Ty está arriscando tudo por nós. Seu meio de vida, sua liberdade, tudo para ser
cúmplice de um fugitivo, não tem outros interesses. Preciso de sua retaguarda como você
precisa da minha.

Ela fechou os olhos e os abriu novamente, riu um pouco. ― Está bem, mas se estiver
errado, não diga que não avisei.

― Apenas fale Rena. ― Exigiu Danny em voz baixa, passando uma mão carinhosa
sobre os suaves cachos de seu sobrinho. ― Você começou mais cedo quando me segurou
na garagem.

Derek xingou baixo. ― Foi você?

Rena sacudiu com força seu queixo para Danny. ― Melhor eu que ela.

― Por que, o que aconteceu? ― Perguntou Danny.

― Seu irmão estava tratando sua ansiedade. ― Respondeu Rena sem piscar.

Enquanto Danny e Austin trocavam olhares confusos, as sobrancelhas de Ty se


ergueram.

Derek apertou os dentes.

― O que nos leva de volta a nossa situação atual. ― Segurou a bala entre seus
dedos. ― Comece a explicar.

― Bem, para começar, essa não é uma bala de verdade. ― Quando ninguém falou,
ela continuou. ― É uma cápsula feita para parecer-se com uma.

Tinha sentido. Derek olhou a coisa, inspecionando a de perto.

― O que há nela?
― Outra cápsula hermeticamente selada que contém um componente chave para a
cura do que o aflige. O único medicamento para ansiedade que o levará além da parte
mortal de sua abstinência.

E de repente, depois de anos de descuidado tratamento, Derek se sentiu obrigado a


segurar a bala com luvas de seda.

― Está brincando.

― Erradica transtornos como a depressão, a paranoia, a bipolaridade, a psicose. Foi


roubada de uma companhia farmacêutica há dezesseis anos.

Austin se apoiou no para-choque dianteiro do Challenger e cruzou os braços. ―


Quando me deu isso.

Quando ela assentiu, perguntou. ― Como conseguiu tê-la em suas mãos?

― Meu pai era o segurança atribuído pela IGP para a saída do contrabando. O
homem infiltrado não divulgou como, até que a entrega foi feita, assim nada poderia
vazar. Pharm Corp era muito protetora com o componente, especialmente porque estava
em sua fase final de pesquisa. Todo mundo e tudo o que acontecia dentro de suas portas
era revisado. Os que ficavam sob suspeita tinham que despir-se e abrir as pernas.

Ty estava de joelhos cuidando da ferida de Derek com agulha e fio.

― Não tinham os medicamentos para tratar essas coisas?

― Para tratá-los, sim. Mas esse componente é uma cura. Vai diretamente à fonte e
naturalmente, ajuda os neurônios ITC no cérebro.

Austin negou. ― Fale em português.

Rena começou novamente.

― Os neurônios ITC controlam uma espécie de interruptor do medo que diz a uma
pessoa quando algo é ou não perigoso, como saltar de uma ponte. Quando estão
descapacitados, o cérebro se confunde. Não pode dizer o que é normal, seguro em sua
própria sala de estar e o que não é perigoso, portanto causa ansiedade e tudo o que
isso abrange. As provas de laboratório demonstraram que esse medicamento pode
permitir que os neurônios se regenerassem em um paciente com uma extensa história de
psicose sem importar quando começou o transtorno. Curando por completo sem
necessidade de um regime de manutenção.

― E se isso for verdade, pode ajudar a nós dois. ― Disse Derek, a agulha perfurando
dentro e fora de sua pele sem o menor estremecimento.

― Sim. ― Respondeu ela. ― Ajudará se combinado com alguns outros ingredientes.


A IGP pode fazer isso por nós dois.

― Como? ― Perguntou Austin. ― É uma empresa de segurança, não uma


companhia farmacêutica.

― Mas são controlados por uma. Os Laboratórios Lesico.

― Nunca ouvi falar deles. ― Disse Ty.

― Isso é porque ainda não têm sua droga pronta. ― Rena assentiu para a bala na
mão de Derek. ― Isso foi tudo o que restou. O homem que ajudou a Lesico a roubá-la
erradicou todos os outros rastros dela fazendo explodir o laboratório, destruindo todos os
registros em papel e em computador, inclusive enviou um vírus para instalá-lo na cópia de
segurança do armazém. Ele e o cientista chefe do projeto foram encontrados mortos com
poucos dias de diferença. Pharm Corp não pôde recuperar-se das perdas e finalmente,
fechou.

Ty franziu a testa. ― Acho que me lembro de algo assim nas notícias. Faz muito
tempo. Era uma fábrica pequena, inclusive mal aparecia no radar da indústria.

― Certo. Lesico nunca foi vinculada à explosão. Tiveram êxito em todos os aspectos,
exceto em um.

― Nunca tiveram sua amostra roubada. ― Concluiu Derek, curvando os dedos


protetoramente sobre a bala.

― Fazendo a IGP responsável. ― Rena deu um sorriso sombrio ― Até que possam
produzi-la, Lesico praticamente é sua proprietária. Inclusive criaram seus próprios
laboratórios dentro dos muros da IGP com o fim de manter os experimentos mais
inquietantes longe de sua principal instalação.

Danny, que estava ouvindo atentamente interrompeu: ― Então, Lesico quis receber
o crédito por uma droga que nunca produziu?

― Bem... ― Rena fez uma pausa, procurando as palavras adequadas. ― Sim e não.
Tinham a esperança de incorporar o que está nessa cápsula a seu próprio medicamento
para rebater os efeitos secundários que fazem com que seja mortal. E se funcionar, terá
seu antídoto, aprovado pela FDA, um avanço alternativo contra os esteroides.

Danny lhe olhou com expectativa. ― Estamos falando a respeito da droga de Derek.

Rena confirmou com um movimento de cabeça. ― Derek e dos outros fantasmas.


Não quero soar dura, mas todos são experimentos de laboratório. Lesico precisava de
cobaias e a IGP se beneficiou ao prestar um serviço de segurança único que se
especializava na prevenção em lugar de proteção.

Enquanto Danny olhava os cuidados realizados no peito nu de seu irmão, manteve


uma mão sobre sua boca, falando através de seus dedos.

― Experimentos de laboratório.

Derek absorveu o horror de Danny e mudou a conversa. ― Seu pai deliberadamente


manteve a amostra roubada deles? ― Perguntou a Rena.

― Não. No dia do roubo, chegou em casa e esvaziou seu revólver sobre a mesa da
cozinha e ficou olhando a bala por um longo tempo. Perguntei-lhe por que, me disse que
era uma bala mágica, capaz de resolver todos nossos problemas. Nesse tempo, Austin era
meu maior problema. ― Encolheu os ombros, olhando as mãos. ― Nem tenho que dizer
que as coisas estavam um pouco perturbadas para mim.

― Estava doente. ― Austin disse. ― Nada do que fazia tinha sentido, estou
pensando que seu pai tinha mais que um interesse pessoal nesta droga.

Rena assentiu timidamente e sorriu para seu antigo amor.


― Ele tinha. E a IGP lhe fez promessas que não pode ignorar. Mas quando a bala se
perdeu, soube que estava em problemas. Assim, nos pegou e nos escondemos.

― É por isso que sua família saiu da cidade. ― Deduziu Austin com um olhar de
assombro.

― Não tinha nem ideia. ― Disse Rena, movendo um ombro. ― Não fiz a conexão.
Pensei que já que tinha toda a mercadoria desses tontos no caixa forte da arma, não
sentiria falta. Sequer me passou pela mente que isso apenas destruiu nossa família.

― E as suas chances de cura. ― Danny terminou, a simpatia surgiu seus olhos.

Rena suspirou, movendo-se para longe. ― Não acredito nem por um instante que a
IGP ou a Lesico estiveram dispostos a me curar. Suas promessas eram puramente
manipuladoras.

― Então, vamos recapitular. ― Disse Ty, cortando o fio com um par de tesouras em
miniatura. ― A IGP ficou presa em meio de um grande roubo de drogas. Seu ladrão falhou
graças às tendências cleptomaníacas de sua jovem filha. O ladrão desaparece deixando a
IGP na estaca zero e estiveram em sua busca. Anos mais tarde se encontram com sua filha
cleptomaníaca e em troca, informam da mudança, chegam a um acordo e é isso. De volta
ao negócio.

Danny apontou: ― Até que a tal clepto se percebe que seu presente para Austin foi
algo que ele deu a outra pessoa.

― Depois de tentar recuperá-la. ― Interrompeu Rena, desconcertada pelas


brincadeiras feitas as suas custas. ― O que nos leva a essa fatídica noite junto ao rio. Ela
está assustada. Os fantasmas estão por toda parte, esperando em cada esquina para lhe
recordar de maneira criativa que não se está movendo o rápido o suficiente.

Os olhos de Danny voltam-se a seu irmão. ― Que tipo de forma criativa?

Rena levou um momento, recuperando-se. ― Como aparecer ao lado de seu


namorado dormindo na metade da noite com um machado e um sorriso.
A coluna de Austin se endireitou e suas sobrancelhas se franziram. ― Ou aparecer
no espelho retrovisor enquanto vai a setenta na autoestrada.

E em pé agora, Ty lhe pergunta. ― Em um carro especialmente marcado ou algo


assim?

Derek negou. ― No assento de trás.

Ty empalideceu. ― Merda.

― Ou adicionar um par extra de inesperadas mãos enquanto lava o cabelo na


ducha. ― Rena continuou com um calafrio involuntário. ― Não faz falta dizer que não
houve mais tomar banho para mim.

Danny engoliu, assentindo com compreensão enquanto Austin lutava com a notícia
em silêncio.

Então Rena ficou sombria, encontrando um lugar no Challenger e apoiando-se nele.

― Quando finalmente me inteirei de quem estava perseguindo meu pai e por que,
usei minha formação técnica para me aproximar da IGP. Atraí-los para mim. Fui em busca
de respostas. Em busca de suas fraquezas. Algo que rompesse seu domínio sobre nós. Foi
um grande erro, já que descobriram quem eu era, mas não antes que fizesse alguns
descobrimentos próprios. Acreditei que poderíamos trabalhar juntos porque
compartilhávamos um objetivo comum, conseguir a bala. Não sabia que era o princípio do
fim para mim. Sem mais horas de sono. Sem mais privacidade. Sem mais paz. Não houve
piedade. Aprendi a esperar por seus fantasmas, simplesmente não sabia como
apareceriam. Estava tentando aguardar meu tempo, com a esperança de que Austin e
Derek fizessem as pazes após discutirem. Então poderíamos perguntar a respeito da bala.
Mas a IGP não esperou. Enviaram seus fantasmas para me capturar, também espionar e
descobrir o que sabia. Eu simplesmente não podia falar a respeito. Estavam por todas as
partes, pouco a pouco estava ficando louca. Mas fiquei infiltrada apenas porque não
pensei que realmente me fariam mal. Até que... ― Engasgou, engoliu e ficou olhando o
chão.

Derek conhecia esse olhar. Fechou os olhos e sua cabeça caiu para trás entre seus
ombros.
― Um deles o fez.

Ela colocou o cabelo atrás da orelha com os olhos fixos e abatidos. ― Fui até você
nessa noite com uma pistola elétrica.

Danny apertou os lábios na têmpora de DJ, pensado. ― Apenas me encontrei com


você em seu lugar.

Rena deu a Derek um olhar plano. ― As coisas nunca funcionam quando você está
desesperado. Lembre-se disso quando voltarmos.

― Não tinha ideia. ― Murmurou Austin. O pulso em seu pescoço ficou selvagem.
Além disso, parecia calmo. ― Poderia ter me falado.

A mulher respirou fundo e o olhou de lado. ― Tem razão. Você e eu poderíamos


estar casados se tivesse feito.

Danny fez um som de desgosto. ― Minha simpatia por você acaba de virar fumaça.

Rena lhe deu uma piscada travessa.

― Sua resistência à dor me assusta amigo. ― Disse Ty com a bolsa de lona na mão.
― Mas parece como uma merda. Precisa comer algo. Dormir. Não fará nenhum bem a
Melanie estar morto a seus pés.

― Ele está muito melhor que o morto na parte traseira de minha caminhonete. ―
Austin disse amargamente enquanto ia nessa direção. Derek arrastou Mel a isto e agora
vai tirá-la.

― Você não está ajudando, homem. ― Murmurou Ty, enquanto lançava a bolsa no
assento traseiro do Challenger.

Quando Austin abaixou a porta traseira da caminhonete, parou um momento.

― Você deve conhecê-lo como eu. ― Então saltou e observou o cadáver


ensanguentado. ― Acredite ou não, posso simpatizar com este idiota.
― Linguagem, Cahill. ― Danny virou o bebê para longe quando o corpo foi jogado
sem cerimônia para o lado.

Momentos depois, o Challenger estava de volta no caminho. Enquanto Austin


colocava as correntes na traseira da caminhonete, Derek saiu de trás do volante e tentou
pegar a cadeirinha para bebês de DJ.

Danny tocou suavemente seu ombro. ― Não o faça. ― Quando Derek se endireitou,
o olhou e engoliu um nó de apreensão. ― Guarde. Como lembrete de que precisa voltar
para casa. Tem outra na caminhonete.

DJ mordeu um dedo e apoiou a cabeça em Danny. Sua expressão chorosa dizia


muito. Derek a puxou para um abraço apertado e terminou com um braço ao redor do
bebê também.

Ela se agarrou com força e desmoronou. ― Apenas não quero que esta seja a última
vez novamente.

― Eu sei. ― Tranquilizou-a, beijando seu cabelo. E de algum jeito sua mão trêmula
encontrou o cabelo de DJ e ficou maravilhado em quão suave era. ― Prometo que irei
para casa. Preciso levar este pequeno cabeça de abóbora para sua mãe.

Danny se levantou, seu rosto era uma confusão, marcada pelas lágrimas. ― E o pai
dele.

Derek piscou como se fosse golpeado com uma frigideira de ferro.

Pai. Por Deus, soava tão real vindo assim dela. Engoliu, passando o polegar por suas
bochechas.

― Não lembro que você fosse tão chorona antes.

― Falo sério, Derek. Não está bem. Seus olhos estão ficando selvagens novamente.
Acabo de vê-lo matar dois homens, algo que explodiu por completo minha mente. Mas se
isso é o que precisa para seguir com vida, quero que mate cada um desses bastardos.

Sua cabeça caiu para trás. ― Linguagem, Cahill.


Danny franziu os lábios enquanto se olhavam e estalou a língua. ― Mamãe cortará
sua comida por uma semana. Você sabe certo?
Quando Melanie voltou a si, fez com a mesma lentidão e confusão que
experimentara antes, quando Derek a drogou. Mas desta vez acordou em um lugar
totalmente diferente, em um quarto escuro e sem mofo. Seus olhos se abriram quase ao
nível de uma grossa camada branca de finas bolhas. Enquanto seu nariz começava a
submergir, se levantou e parou o gotejamento do líquido que invadia suas fossas nasais. A
água caía sobre os lados da longa banheira.

Melanie sentou-se, olhou ao seu redor e apertou os últimos restos de seu nariz.
Estava em um ponto morto em meio de uma sala bem iluminada de azulejos, inundada
em um banheiro celestial, completamente nua.

Mais uma vez

Uma vela queimava na penteadeira, dando ao pequeno ambiente aconchego. A


porta da direita estava entreaberta. Desceu o olhar, percebendo que seios estavam à vista
e se escondeu sob as bolhas com pânico. Onde porra estava agora?

Oh, sim. A lembrança de uma figura escura, envolta descendendo sobre ela do nada
lhe fez estremecer novamente. Mas não foi drogada até que a arrastou com eficiência a
um veículo em espera.

Chewie. O cão latiu uma advertência, mas não o ouviu até que foi muito tarde.
Portas se fecharam sobre ela e estavam em movimento. O último que recordava era o
familiar rugido distante do carro de Derek. Será que a alcançou e resgatou? Estaria em
terra amigável? Certamente, não tinha vontade de estar em território inimigo.

Um homem apareceu na porta, ajustando com indiferença uma braçada de garrafas


ao lado da vela acesa. Melanie imediatamente cobriu os seios sob a água apesar das
bolhas.
Ele tinha as mangas dobradas até os cotovelos, revelando a pele e antebraços
musculosos. Sua calça de cor clara estava salpicada de água. Quando se voltou para ela,
pegou seus olhos abertos com surpresa, seu rosto atraente relaxou em um sorriso
enigmático. Era um pouco mais velho talvez quase cinquenta anos, talvez em seus últimos
anos da casa dos quarenta, com cabelos grisalhos. Linhas emolduravam os olhos da cor de
conhaque.

Quando abriu a boca, suas palavras saíram em uma atraente voz.

― Bom. Está acordada.

Ela se escondeu mais profundamente nas bolhas, com o coração trovejando em seus
ouvidos.

O homem riu e puxou o pequeno tamborete de madeira perto.

― Não precisa ter medo de mim. ― E sentou-se, inclinando os cotovelos em seus


joelhos enquanto a olhava. ― Apenas vou ajudá-la a lavar o cabelo.

Sua pele estremeceu da forma que faria depois de uma boa esfregada. ― Acredito
que já fez suficiente. ― Santo inferno, essa era sua voz?

A diversão aprofundou as linhas ao redor de seus generosos lábios curvados.

― E foi um prazer. ― Moveu-se novamente, recuperando uma taça no chão perto


de seus pés. ― É uma mulher muito bonita, Melanie. Seu corpo quase não mostra sinais
de sua gravidez anterior. Usou manteiga de cacau?

Ficou muito claro que o homem sabia muito dela. Enquanto processava isso, a taça
cruzou junto a sua cabeça. Ela retrocedeu, mas não havia nenhum lugar aonde ir. Água
perfumada quente fluiu sobre seu couro cabeludo.

Seu olhar voou para cima.

― Tenho curiosidade. Vitamina E?

― Por favor, não faça isso. ― Balbuciou com ira, disposta a liberar suas mãos para
limpar a água de seus olhos.
A taça cheia flutuou por um momento escasso depois se esvaziou lentamente, com
cuidado sobre seu cabelo uma vez mais.

― Estava asquerosa. Pensei que apreciaria um banho quente.

Sua fúria ficou evidente. ― Um cavalheiro esperaria que pudesse fazê-lo eu mesma.

― Ah. ― Riu. ― Não deixe que os sapatos lhe enganem. Definitivamente não sou
um cavalheiro.

Apertando seus seios firmemente sob seu braço, finalmente levantou uma mão e se
limpou os olhos. ― Não me confundi.

Suas mordazes palavras não tiveram nenhum efeito sobre ele enquanto enchia a
palma de sua mão com gel de lavanda.

― Vamos. Levante-se.

― Não!

― Srta. Parker já vi tudo o que tem. Não pense nem por um segundo que não a
provarei se sair da linha.

Oh, Meu Deus. E de repente, soube.

― Você é o monstro sádico. ― Suspirou em parte para si mesma. E logo o peso de


suas palavras finalmente foram entendidas. Sua boca se fechou e se levantou lentamente,
com os braços firmemente cruzados sobre o peito.

― É assim que me chamam? ― O homem era totalmente informal, enquanto suas


mãos massageavam o gel em seu cabelo.

― Não com essas palavras. ― Respondeu, fechando os olhos com raiva. ― Ele o
chamou de seu treinador.

― Pode me chamar Rafferty. Sim, sou seu treinador. E quando retornar será
tratado.
― E se não o fizer?

Um pequeno sorriso. ― Soube que a valoriza muito para não o fazer.

― Não tanto como pensa. Nunca fomos exclusivos. Não se comprometia com
qualquer uma.

Seu nariz roçou sua orelha. Só então ela percebe que a estava cheirando.

― Não deve tentar me convencer de que não vale a pena mantê-la viva.

Um tremor a percorreu e colocou os lábios na base de seu pescoço.

― Diga-me, Melanie.

Foi apenas um sussurro que acalmou seu coração.

― Vale a pena?

Sua mão bateu-lhe na testa e a empurrou para trás. E de repente, estava


completamente submersa sob a água do banho, lutando para elevar-se para cima.
Ocorreu tão rápido que não teve a oportunidade de tomar uma pausa. Enquanto se
agitava, golpeava e movia sua mão a sua restrição, seus pulmões começaram a queimar.
Não! Estava se afogando. Ele a mataria. Agora mesmo.

Como Derek temia.

Quando seu corpo o exigiu, seus pulmões se expandiram e inalou um pouco de água
no mesmo momento em que ele a soltou. Levantou-se tossindo e cuspindo, lutando por
oxigênio. Seus olhos ardiam pelo sabonete e os limpou com suas palmas enquanto tossia
por ar novamente em seus doloridos pulmões.

― Tenho que dizer que tem seios notáveis. Sempre me perguntei que aspecto teria
debaixo de seu top e... ― Uma risada lasciva. ― Não me decepcionou.

Melanie abraçou os joelhos mais apertados contra seu peito enquanto ofegava e
tossiu um pouco mais.
― Disse que não precisava ter medo de você.

O homem levantou-se e puxou uma toalha. ― Isso é porque não sou eu que vai
matá-la.

Sua cabeça se inclinou para que ela pudesse olhar através de seus olhos
avermelhados. ― Seu namorado terá a honra. ― E estendeu a toalha, esperando-a. ―
Como castigo por trair a Srta. Hellberg.

O olhar desapareceu e foi substituído por um inequívoco choque.

― O que disse?

Rafferty estremeceu ligeiramente.

―Oops. Demais, eu temo. Não acho que gostaria que revelasse seus segredos.
Bennett não conhece seus planos para ele ainda.

Oh, Meu Deus! Rena estava jogando o tempo todo. E de algum jeito, de alguma
forma, ganhou a confiança de Derek. Ela o manipulou para que a tirasse da cadeia. Era um
deles. E muito mais que uma figura importante se o respeito que este homem acabava de
lhe dar era alguma indicação.

Todos estavam condenados desde o começo. O temor e a miséria devem ter


estendido fortemente pela queda de seus ombros porque o homem assentiu com
simpatia.

― Deve querer sair. ― Disse sem se alterar. ― Posso ser muito persuasivo quando
preciso.

Desde que ele não se aproximou com a toalha, Melanie assumiu que teria que ir a
ele e não tinha o desejo de provar a água novamente.

― O que fará conosco? ― Perguntou em uma pequena voz, cobrindo-se o melhor


que pode enquanto se levantava para um suporte e saía da banheira.

O olhar de Rafferty se moveu da parte superior de seu recém-lavado cabelo até a


ponta dos dedos de seus pés.
― Para começar, você e eu nos conheceremos melhor.

Com base na descrição de Derek do homem, já assumiu isso.

― E Derek?

Seu fôlego era quente em seu pescoço enquanto dobrava a toalha ao redor dela por
trás.

― O nosso problemático fantasma recordará por que não tem um lugar normal na
sociedade. Isso quando as correntes caem, não apenas é um perigo para si mesmo, mas
também para as pessoas que considera mais queridas.

E ele a levou do banheiro a um tipo estranho de ambiente esterilizado.

― Fará que fique viciado novamente. ― Deduziu ela com um calafrio.

― A julgar pelos hematomas em seu corpo, já está começando. E de fato,


surpreende-me um pouco que se manteve por tanto tempo.

Havia uma mesa de metal e duas cadeiras no centro de outra sala descoberta. Uma
das paredes era de vidro claro e podia ver além de uma sala de exame com macas
médicas, iluminação de cirurgia e uma mesa de exame completo com ataduras. Tudo
estava bem iluminado, sem cor, à vista de uma sala de observação para a direita, que
também era visível para ela através do vidro.

Melanie engoliu. Todo isso era para ela?

Rafferty leu sua mente.

― Seu assento de primeira fila. E o único. ― Indicou as duas bandejas de


instrumentos na mesa. ― Mas primeiro, comerá.

Por cima de seu cadáver.

Algo soou. Outra toalha cobriu sua cabeça, ficando ali enquanto Rafferty verificava
seu telefone. Melanie inexpressivamente secou o cabelo, diminuindo a distância até a
mesa.
O que estava nas bandejas cheirava celestial, mas estaria condenada se confiasse.
Seu estômago grunhiu alto e lhe recordou que não comeu nada desde o jantar. Negou-se
a isso pela desconfiança que experimentava agora.

― Ah! Isso foi rápido!

Fechou os olhos e sentou na poltrona.

― Ele está aqui?

― E muito irritado. Estou... decepcionado.

Levantou a tampa, mostrando a comida. Sanduíche Reuben. Blech. Desde quando


cheiravam tão bem?

― Suponho que não nos conheceremos. ― Murmurou, abaixando a tampa.

― Oh, não sei. Isto me obriga a fazer uma oferta.

Duas pessoas entraram na sala de exame mais à frente do vidro.

― Aqui, coloque isso. ― Lançou lhe um robe ridiculamente curto. Cetim fino, do
mesmo tom azul que a parte superior do top que usava. ― Sempre gostei dessa cor em
você.

A toalha lhe cobria mais. Mais luzes se acenderam e outro homem entrou na sala de
exame com uma prancheta na mão. Quando Rafferty pegou a toalha de seu cabelo, soube
que a seguinte era a que estava ao redor de seu corpo e a agarrou. Virou um cabo de
guerra e algo perigoso apareceu em seus olhos.

― Podemos nos divertir, você e eu.

Era tudo um jogo para ele. E quando perdeu, freneticamente lutou com o robe de
cetim para encontrar as mangas e cobrir sua nudez. As mãos de Rafferty estavam sobre
ela novamente, acariciando seus ombros enquanto amarrava o cinto ao redor de sua
cintura. Houve gritos. Algo explodiu em um lugar longínquo.
― Não mordo, Srta. Parker. ― Disse. ― Não como seu querido Derek fará quando
chegar ao seu pico.

A agitação era cada vez mais forte e os técnicos na outra sala se moveram mais
rápido, preparando a iluminação, rompendo e abrindo os pacotes de esterilização para os
instrumentos alinhados em bandejas metálicas. Seu pulso se encolheu com velocidade.

― Imagino que seu nível de ansiedade está perto de reivindica-lo, se ainda não o
fez. Na verdade. ― O homem olhou a hora no relógio pendurado atrás deles. ―
Provavelmente experimentará um pouco de dor de alto nível agora.

Os olhos de Melanie voaram para o relógio. Quase duas da tarde.

― Dor?

― Por todas as articulações e músculos. Dor nas costas. Dores de cabeça. Algo que
gosto de chamar Bola Dura.

― Bola Dura.

― É outro efeito secundário que mantém o Nexifen fora das prateleiras.


Hipertensão severa do epidídimo com mínima estimulação. Quando se retém a
ejaculação, os líquidos se acumulam nos testículos e a próstata causando mal-estar
insuportável. ― Quando lhe devolveu o olhar, captou a inflamação de inquietação antes
que se foi. ― Bolas azuis com dez vezes o nível alto de ansiedade. Essa por si só poderia
ser uma combinação mortal, sobre tudo se fomentada sob as mãos adequadas.

Supõe-se que era uma brincadeira?

― Então, me pendurará diante dele como Fay Wray3?

― Está é uma analogia muito inteligente, Srta. Parker. Mas inclusive King Kong tinha
suas limitações.

― Ele não me machucará. ― Repetiu suavemente, afastando-se dele. ― Não é


como você.
3 Fay Wray: atriz canadense que fez o clássico filme Gorila de 1933

A porta da sala de exame explodiu com atividade. Tomou cinco pesos pesados para
lhe levar para dentro, depositar na mesa e prender. Quando os corpos se separaram,
Derek finalmente ficou à vista, com o peito nu, palpitante, lutando contra suas ataduras
com sons reprimidos de agonia. Melanie correu para o vidro e apoiou as mãos contra
enquanto o via sofrer. Estava deitado de costas, completamente molhado de suor, incapaz
de vê-la.

― Eu lhe darei uma escolha, Melanie. ― Disse Rafferty atrás dela. ― Pode se deitar
comigo ou morrer com ele.

― Não me matará. ― Disse, as lágrimas fluíam por suas bochechas.

― Algo que não compreende é que no momento em for liberado dessa mesa,
deixará de ser ele mesmo.

― Prefiro me arriscar a deixar que me toque.

― Pelo menos farei com que goze antes de morrer.

― Cale-se!

― E o salvará da culpa de matá-la ele mesmo.

Derek levantou a cabeça e olhou em seus olhos.

Veias de ira cobriam todo seu corpo enquanto ele lutava com sua dor. Melanie
percebeu que podia ouvir cada palavra que estavam dizendo. Rafferty estava provocando-
o, não a ela.

Uma mulher aproximou-se de Derek com um disco úmido de algodão e atendeu à


hemorragia da ferida justo debaixo de seu peitoral esquerdo. Parecia ter sido costurada
recentemente.
― Eu te amo, Derek. ― Disse, secando os olhos com o dorso da mão. ― Não
importa o que acontecer.

Suas sobrancelhas abaixaram acentuadamente.

― Eu também te amo. ― Ele respondeu com a voz feroz que possuía.

Tudo parou enquanto Melanie absorvia as palavras.

Ouviu bem? Derek Bennett, o Derek Bennett acabou de dizer a palavra com A?

Algo dentro dela explodiu de alegria por dois segundos. Então caiu na realidade. Ele
realmente deveria pensar que esta era sua última oportunidade de dizê-lo. A ideia a
assustava mais do que Rafferty.

Enquanto se olhavam, Melanie reconheceu o olhar em seus olhos, medo verdadeiro.

Uma mulher entrou na sala de observação e falou com um homem atrás da janela.
Ao ouvir sua voz, a atenção de Derek se desviou seus olhos a encarando selvagens. Ele a
reconheceu, a conhecia.

Quando ela passou a divisória e entrou na sala de exame, seguiu cada um de seus
movimentos. Melanie fez o mesmo. Era atraente, uma morena despretensiosa de altura
mediana com a ajuda de seus saltos. O jaleco branco era simples e o crachá mostrava uma
foto de identificação e código de barras. O coque poderia ter esticado um pouco sua testa,
mas não podia ocultar as linhas de idade ao redor de sua boca e mandíbula. Cinquenta e
poucos?

Com a ajuda de óculos de leitura, seus profundos olhos azuis procuraram nas
páginas de um bloco de notas.
― Foi um menino mau, Sr. Bennett. ― Disse distraidamente ― Imagino que não
está bem.

― Estou aqui agora. ― Sua voz retumbou fora dele enquanto sua respiração ficava
mais irregular. ―Deixe-a ir.

Foi então quando a mulher pareceu ver Melanie pela primeira vez. Abaixou a
prancheta e a olhou por cima dos óculos.

― Uau! ― Disse com um olhar. ― Esta é ela?

Rafferty se aproximou do vidro.

― Sim.

Os saltos da mulher clicaram sobre o piso polido enquanto se movia para estar
diretamente em frente a ela.

― Ela já tem hematomas.

― Principalmente na parte superior do torso.

― Deixe-me ver.

O que? Melanie se afastou, mas Rafferty a segurou, apertando os braços atrás de


suas costas enquanto sua mão livre abria o robe. Ali estava outra vez, lutando contra ele
enquanto seus seios estavam à mostra para todos. Derek rugiu de ira.

― Jesus! ― Disse ela.

― Estão loucos!

― Não! ― A mulher cantarolou enquanto rabiscava no papel. ― Tentamos ajudar os


que estão. ― Depois de mais algumas notas, baixou a prancheta e sorriu. ― E temos
muito sucesso nisso.

Rafferty soltou um pouco Melanie que rapidamente cobriu sua nudez.

― É por isso que não pode conseguir nada aprovado pela FDA?
O sorriso desapareceu. Pouco a pouco, a mulher deu a volta e foi de novo para a
mesa de exame.

― Que mais lhe disse?

― Que é uma puta mentirosa. ― Derek bufava de raiva. Mas não o fez. Na verdade,
não mencionou nada a respeito de uma mulher, mas obviamente compartilhavam uma
história.

Ao invés de reagir ao insulto, a mulher piscou lentamente, inclinando um sorriso.


Ergueu sua mão e apontou para um dos assistentes.

― Sempre teve uma especial habilidade com as palavras, querido.

Querido?

― Não! ― Disse ele entre dentes, com os olhos muito abertos enquanto o homem
colocava um torniquete ao redor de seu bíceps ― Não! Tire essa maldita coisa de mim!

― Derek! ― Gritou Melanie, golpeando o vidro enquanto um líquido claro era


injetado em sua corrente sanguínea. O som que fez enquanto se sacudia e se esforçava
contra a agulha reverberaria através de sua alma por todos seus anos restantes. ―
Deixem-no em paz! Parem!

― Shhhh. ― Rafferty lhe deu uma cotovelada e se inclinou para ela para sussurrar.
― Não me faça fazê-la vomitar.

Quando tudo terminou, Derek estava em uma confusão instável. Foi quando Rena
entrou na sala de exame. Dois homens com capuzes estavam ao seu lado e ela não estava
gostando da escolta. A visão de Melanie ficou turva de ódio.

― Mentirosa! Manipuladora! Cadela! ― Gritou, golpeando seu punho contra o vidro


com cada palavra. ― Ele confiou em você! Ajudou-a!

Rena olhou nervosa em sua direção antes que seus olhos fossem para Derek. Sua
língua umedeceu seus lábios secos.
― Não vejo o porquê de tudo isso. ― Disse à mulher de jaleco. ― Tudo saiu
conforme o plano.

― O plano de quem? ― Respondeu a cadela morena. ― O seu? Ou o meu?

― Que diferença faz? Todos têm o que queríamos.

― Quer dizer... aqui?

Enquanto se olhavam, Rena assentiu lentamente e estendeu a mão.

Depois de hesitar por um momento, a mulher pegou a bala da palma de sua mão e a
guardou no bolso como se não tivesse nenhuma importância.

Por sua vez, Rena apontou para Derek. ― Posso ver como está?

Quando Melanie voltou sua atenção entre elas, tentou desesperadamente decifrar a
intenção de Rena. Ainda parecia se preocupar com o homem que a tirou do cárcere, mas
seria suficiente?

Finalmente, assentiu e Rena foi para o lado de Derek. As restrições tornavam difícil,
mas encontrou seu pulso.

― Ele não pode manter este ritmo cardíaco durante muito tempo.

― Não se preocupe. ― Disse a mulher mais velha com afeto como se fossem os
únicos na sala. ― Percorri um caminho muito longo para deixá-lo morrer agora.

― Por favor! ― Disse Derek em sua voz de demônio. ― Ajude-me Rena!

Sua mão encontrou seu cabelo molhado e ela olhou tristemente os olhos selvagens.

― Sinto muito, Derek. Temo que tenha que aguentar isto. Apenas faça o que
disserem e terá seu medicamento. Certo, mamãe?

Dois pares de olhos azuis se encontraram com o homem na mesa. Melanie perdeu o
fôlego enquanto as palavras de Rena finalmente eram compreendidas. Mamãe?
― Assim que corrigir seus erros. ― Disse a Velha Cadela, olhando Melanie. ― Terá
sua próxima dose. Falou com alguém mais?

Rena a olhou por um escasso segundo e Melanie segurou a respiração. Os nomes


começariam a cair? Mas ela negou.

― Não. Apenas com ela. Tomarei um banho.

Assim que Rena disse a palavra banho, Melanie percebeu uma mudança no homem
atrás dela. Quando ele a olhou, sua atenção estava voltada para o aumento da
protuberância sob o zíper da calça de Rafferty. Ele piscou. Quando ela se virou, Rena
desapareceu e sua mãe ficou a poucos centímetros de distância. Os óculos estavam para
baixo. Assustou-se por um momento pela descoberta até que se lembrou da partição
entre eles.

Melanie estreitou os olhos. ― Não me diga. Você é a Srta. Hellberg?

― Derek me chama de Sophie. ― Ronronou ela em resposta. ― A menos que tenha


seu pênis em minha boca. Então me chama de bebê.
Antes que Melanie tivesse tempo de reagir, Rafferty a agarrou pelas costas e
apertou firmemente contra a parede de vidro. A velha bruxa começou a rir e observou
enquanto Derek sentia outra onda de dor com um grito torturado. Com os olhos fechados
e apertados, estava claro que estava cada vez mais alheio ao seu redor.

― Shhh. ― Sophie o tranquilizou, colocando uma mão no interior de sua coxa. ―


Apenas uma coisa mais antes que vá querida.

Então o tocou através do tecido de sua calça esportiva preta, acariciando a parte
dele que acabou de dizer que conhecia muito intimamente. Derek já estava duro, mas
quando sua palma deslizou pela longitude de seu eixo, todo seu corpo sacudiu e estendeu.

Melanie fechou os olhos por um momento, tentando recuperar sua compostura


enquanto Sophie Hellbitch avivava a ira da besta. E de repente, tudo fez sentido. Quem
melhor para cuidar de sua saúde viril que uma mulher com um poder selvagem? Os olhos
de cor azul escuro a olharam sob suas pálpebras abaixadas. Zombando dela. Dedos bem
cuidados se dobraram debaixo de seu testículo e pararam.

― Isto pode doer. Apenas um pouco. ― E ela apertou.

Seu rugido de dor sacudiu as bandejas de aço junto a ele. Melanie gritou, sentindo
cada parte de seu sofrimento enquanto ele gritava quebrando-se. Neste momento apenas
queria que o soltassem. Ao diabo com as consequências.

Mas a mulher apenas o apertou novamente. E outra vez. E ele gritou, uivou,
sacudindo-se contra suas ataduras.

Oh, Deus, ela o estava matando e Melanie estava impotente para impedir. Enquanto
chorava por ele, Rafferty pressionou seu próprio órgão na parte baixa de suas costas.
― Agora é o momento de perguntar. ― Murmurou contra seu cabelo. ― Quão
forte é sua fé? Pois ele não parece bem para mim.

― Assim é, Derek. ― Disse Sophie com seriedade. ― Será pior que antes e
continuará piorando até que em alguns dias não sobreviverá a isto. Entende? Não pode
sobreviver lá fora. Está preso a nós. Completa. Totalmente. Isso é algo que precisa aceitar.

Melanie engoliu seus soluços, abriu a boca para suplicar à mulher que parou, mas
algo lhe chamou a atenção. Algo que não estava ali antes. Algo brilhante que sobressaía
do centro do punho de Derek fechado com força. Fosse o que fosse, suspeitava que Rena
o deixou ali quando sentiu seu pulso.

No entanto, na agonia do momento, Derek escapou e se era distração que estava


esperando, necessitava-a agora.

― Escolho você. ― Gemeu através da emoção.

O aperto de Rafferty se intensificou. ― O que disse?

― Por favor. Não posso suportar mais isto.

― Apenas para que fique claro, decide ter sexo comigo.

― Sim. ― Quando ele afastou seu peso, virou-se para ele e o atraiu para ela. ― Sim.
Qualquer coisa, simplesmente faça com que pare. ― E diminuiu a distância entre suas
bocas, tirando efetivamente sua atenção da mesa de exame. Foi uma conexão repugnante
e seca de lábios que se rompeu em questão de segundos.

Ele a segurou antes que pudesse tentar fazer novamente. ― Está disposta a
negociar sua boceta por seu consolo?

O sangue desapareceu de seu rosto. ― Sim.

Sua boca se abriu em um amplo sorriso. ― Você é linda. ― Quando ela


empalideceu, ele disse. ― E de toda forma iria fodê-la. Apenas queria que seu namorado a
ouvisse pedir por isso.
Sua mão se encaixou sob seu queixo e ela foi jogada para trás da mesa. Bandejas de
instrumentos se espalharam por todo chão cortando o ar. Sua cabeça bateu forte e ficou
imóvel por um momento. O robe se abriu quando ele puxou o cinto. Quando a névoa
passou, ela reviveu, lutando, arranhando a mão ao redor de sua garganta.

― Parece como uma garota que foi tomada de muitas formas, Srta. Parker. ― Disse
ele com um sorriso doente enquanto desabotoava a calça e soltava sua ereção. ― Diga-
me. Qual a sua favorita?

― Não... posso...

― O que? Você gosta pela bunda?

Um enjoo a assaltou e seu cérebro começou a desligar. Ele apalpou entre suas
pernas e subiu um de seus joelhos até seu peito com sua mão livre.

― Isso foi o que pensei que diria.

E de repente parou. A pressão em seu pescoço diminuiu e o ar começou a fluir


através dela uma vez mais. Tomou uma respiração ofegante de uma vez enquanto
abaixava as pernas. Por cima dela, a pele de Rafferty era quente de fúria contida. Sua
ereção já não lhe roçava a coxa.

O foco de Melanie começou a voltar. Quando seu agressor se endireitou viu Derek
em pé atrás dele. Tranquilo. Controlado.

Armado.

― Vamos, Rafferty! ― Zombou. ― Tosse para mim.

Rafferty soltou uma gargalhada, olhando o teto.

― Teria sido minha cadela há muito tempo se Sophie não tivesse ficado tão próxima
a você.

― E teria morrido tentando me fazer sua cadela.


Rafferty se afastou de Melanie, movendo-se para o perigo. ― Então, o que o impede
agora?

Derek manteve a distância adequada.

― Sophie. Ela também está apegada a você.

― Isso é correto. Tenho algo de que ela precisa.

Quando a curiosidade pode mais que ele, Rafferty se voltou e observou o massacre
na sala de exame.

O entorno esterilizado estava coberto de sangue. Dois assistentes estavam mortos


no chão, enquanto o que estava na sala de observação agora cobria o corredor com sua
mortal ferida no pescoço. Sophie conseguiu escapar.

― O que poderia precisar de você? ― Sussurrou Melanie, apertando o robe com


força ao redor dela.

Olhos cor de conhaque exploraram seu decote apesar da faca cortando sua pele.

― A senhora sentia que deveria ter algum tipo de seguro para evitar que certo
fantasma cortasse longitudinalmente minha garganta quando não estivesse olhando.

― Isso é o que acontece quando se rompe o protocolo. ― Disse Derek de maneira


uniforme, mantendo o afiado bisturi contra a artéria carótida de Rafferty. ― Deveria ter
recrutado assassinos que realmente queriam uma nova vida. Eles pelo menos apreciariam
a mudança.

― Mas ela o fez um assassino, certo? Entre outras coisas.

Melanie olhou os dois homens. ― Que mais fez ela?

― Sua cadela, por exemplo.

A parte de matar navegou além dela. ― Então é verdade? Você e ela...


A gravidade do momento foi atenuada quando os ombros de Derek caíram. Era
verdade?

****

― Não tem por que ser assim, Derek. ― Ele ouviu o casual comentário.

Ele abriu os olhos e seu rosto entrou em foco.

― Então faça com que pare. ― Disse com voz áspera através de suas cordas vocais
em ruínas. Tinham o tirado de sua caixa acolchoada e o limparam com a mangueira
apenas para amarrá-lo a uma laje fria. O que viria depois não poderia ser pior que o que
acabou de suportar. Ao menos, o sentimento e a dor enjaulada paralisando seu corpo não
podiam seguir em frente. Agora tudo era sobre a dor brutal em suas bolas e na parte baixa
de seu abdômen.

― Isso já não está em meu poder. Rafferty controlará seus medicamentos de hoje
em diante. ― Ela encolheu os ombros enquanto ele fechava os olhos. ― Sinto muito, mas
não posso deixar que o mate. Esta é a única maneira que nós dois estaremos seguros.

― Ele vai... se divertir com isso... certo?

― Enquanto cooperar, não haverá problema.

Sempre haveria um problema entre eles. Sempre, enquanto esse rato filho de puta
continuasse encontrando maneiras cruas de poluir a foto de Melanie, as luvas se
manteriam fora.

― Posso ver que ainda tem luta em você. ― Hellberg estalou a língua enquanto
continuava estudando-o através de seus óculos. ― É bom que conheça sua força, mas não
deve utilizá-la em um dos nossos. Não se sentirá aliviado até que estejamos seguros de
que entende isso.

― Vá para o inferno!

Seus ombros caíram. Com outra triste sacudida de cabeça, ela se afastou do
tamborete e apontou para alguém atrás da parede de espelhos.
― Dê-me vinte minutos.

Quando a sala de observação se esvaziou, ela se levantou, tirou o cordão com o


crachá sobre sua cabeça. Depois, os óculos saíram. Estava de costas para ele enquanto se
inclinava contra o balcão. Era uma coisa pequena, magra e com curvas, mas o jaleco
escondia bem. Seu cabelo castanho estava sempre penteado para trás. Agora o soltou e
jogou o prendedor no balcão ao lado dos outros artigos desprezados. Era mais curto do
que pensava.

― Sempre fui uma mulher profissional. ― Disse em voz baixa. ― Sempre coloquei a
carreira antes de tudo. Minha vida familiar, social... o sexo. Você é um homem
extraordinário. ― Virou-se e o encarou enquanto ele a olhava com receio. ― Agora, está
aqui diante de mim. Nu. Impotente. Irritado e com dor. E preciso perguntar... onde se
cruzam as linhas entre os negócios e prazer neste momento?

Não pode ser... Derek sabia que seu próximo comentário teria consequências graves,
mas...

― Poderia ser minha mãe.

― Aaah. ― E ela rompeu em um meio sorriso. ― Isso apenas facilita muito para
mim.

Enquanto a dor em sua virilha continuava governando-o, ela subiu à mesa e


simplesmente ficou olhando seu sexo.

Para seu horror, ele começou a ficar duro por sua intensa verificação.

― São de cor púrpura. ― Disse ela. Quando seus dedos acariciaram seu testículo,
toda sua metade inferior subiu em chamas. Negando-se a ceder, ele reprimiu seu grito de
agonia. ― Muito sensíveis. Posso ajudá-lo com essa parte, mas apenas se me pedir direito
por isso.

― Vá à merda!
Seu pênis continuou a crescer contra seu ventre e sua mão passeou por sua
longitude incitando ainda mais a profunda dor ao vermelho vivo. Ele lutou contra as
correntes que amarravam seus pulsos e tornozelos.

― É um de meus melhores trabalhos, Derek. ― Murmurou enquanto observava seus


músculos saltarem e estenderem-se. ― É uma pena que não possa vender isto nos livros
de medicina. Diga-me, qual é seu nível de dor em uma escala de um a dez?

E ela segurou suas bolas, as espremendo.

Meu Deus, agonia rasgou-o em seguida. Ele usou sua voz, mas de alguma forma
conseguiu soltar outro rugido.

― Tem certeza que não quer minha ajuda? ― Tomou seu membro palpitante na
mão, inclinou-se e lambeu a ponta. ― Tudo o que precisa é ejacular várias vezes.

Ele tossiu ofegante, uma negação suave, mencionando algo sobre ele mesmo. Não
pela primeira vez, começou a orar pelo bom dia quando esteve paralisado do pescoço para
baixo.

― Muito bem, agora. Peça-me muito bem.

O absurdo de tudo isto lhe fez romper em uma risada maníaca.

― Porra, apenas me chupe agora!

Foi sua última cartada de valente. As coisas ficaram tênues para ele depois disso,
mas a mulher finalmente obteve o que queria.

Assim, para responder à pergunta de Melanie...

― Apenas quando foi necessário. ― Disse Derek secamente.

Rafferty aproveitou a distração e se agachou sob a lâmina, tentou de repente


colocar a mão em seu pescoço. Mas Derek foi mais rápido e voou além de seu alcance.
Quando outra tentativa ocorreu, Derek mostrou os dentes e colocou o bisturi no olho
esquerdo de Rafferty. O homem soltou um grito que rivalizou com os que Derek antes e
caiu no chão.
Enquanto ele se contorcia de dor, Derek segurou a mão de Melanie.

― Preciso dele vivo por agora, mas ao menos não nos seguirá. Temos que sair deste
edifício agora.

― Como se recuperou tão rapidamente? ― Perguntou com fascinação enquanto ele


a puxava através da porta de vidro aberta. Foram para esquerda e logo pararam
abruptamente. Ela não podia ouvi-los, mas havia ao menos três fantasmas aproximando-
se pelo corredor, assim ele a puxou para direita e seguiu pelo corredor oposto.

Rafferty continuava uivando, toda sua atenção na dor e perda de sangue.

― Você sabe para onde está indo?

Derek colocou um dedo em seus lábios. Mesmo o mínimo sussurro poderia delatá-
los. Por sorte, ela tinha os pés descalços, o que a convertia em um fantasma. Isso lhe deu
uma ideia, que cultivou em seu caminho pela escada. Infelizmente mais perseguidores se
aproximavam da parte superior e pisos inferiores. Por sorte, estavam no quarto andar,
com o qual estava muito familiarizado. Mas precisariam mover-se rápido.

Enquanto se dirigiram à escada, a levou a um escuro armário e o fechou por dentro.


Apenas fez isso porque sabia que não havia outra saída, caso ficassem cercados.

Ele atacou as prateleiras de roupas.

― Aqui, vista estas.

Ela piscou para as roupas que ele empurrou em suas mãos.

― Quer que vista esta coisa horripilante?

― É o melhor que temos, a menos que queira voltar.

Ele estava irritado. Quanto mais ela estivesse com nada exceto o robe, mais queria
voltar e tirar o outro olho de Rafferty.

― No que estava pensando indo para ele? Ele a teria matado!


O robe caiu a seus pés e ela colocou uma perna através da calça preta.

― Estava tentando ajudar. Uma vez que vi o bisturi em sua mão, sabia que tinha um
plano, apenas esperava que não morresse de agonia antes de poder terminá-lo.

Ele também vestiu roupas limpas. ― Não me doeu tanto quanto aparentei.

― Eu sei isso agora, mas em mim doeu como o inferno! ― Queixou-se, brigando
contra o casaco com capuz. ― E ao contrário do que poderia pensar, não me anulo mais. A
maternidade me ensinou isso.

Que Deus o ajudasse.

― Eu sei.

― Onde está DJ? Ainda está com os outros? Está seguro?

― Está com Danny e Austin. Está bem. ― Além da perseguição de carros de alta
velocidade. Mas não iria contar sobre isso.

O rosto de Melanie ficou mais sério e se endireitou. ― O que aconteceu?

Merda, como as mulheres faziam isso?

― Nada. ― Disse Derek, convincente o suficiente. ― E não precisa me olhar assim.


Minha mãe tem direitos de exclusividade para isso.

Ela reconheceu que seu tom suavizou enquanto prendia seu cabelo emaranhado
úmido em um nó solto.

― Falando de maternidade, Rafferty ficou muito encantado com minha falta de


estrias. Foi estranho. Fez-me pensar que sabia a respeito de DJ.

Quando Derek a olhou com os lábios apertados enquanto se vestia, ela o olhou com
preocupação.

― Como se sente?

Sua cabeça saiu pelo capuz em forma de cogumelo.


― Como o Capitão a América.

Ele agarrou um uniforme extra e o colocou sob sua camiseta, enquanto passavam
pelo armário revestido de prateleiras na parte de trás.

― Como?

― Essa seringa me carregou com minha dose. Uma amiga dentro fez isso.

― Que amiga?

― Lana. Outra das vítimas de Rafferty. Ela tem o cabelo como o seu.

― E se Lana sabe onde está seu medicamento...

― Foi preparado com antecedência para quando retornasse. Normalmente é em


forma de pílulas, mas as injeções funcionam mais rápidas e Sophie não foderia se
acreditasse que pudesse bater.

― Derek?

Ele abriu outra porta e entraram em uma sala de conferências escura. As janelas
eram abundantes ali, embora escurecidas.

― Qual é exatamente sua relação com Sophie?

Um puxão expôs um cabo.

― Mel, este não é o momento,

― Diga-me. Por favor.

O tom significava que não iria mudar de assunto. Ele deixou tudo, segurou seu rosto
entre as mãos e pensou nas palavras adequadas.

― Cada vez que me encontrava em sua mira, sabia que seria uma experiência
dolorosa.
Derek olhou além dela, concentrando-se no quadro que ainda continha os planos
detalhados da prisão de onde tiraram Rena.

― Esta é a terceira vez que fracassa. ― Disse Sophie em silêncio enquanto se


sentava junto a ele de costas.

― É uma sala de psiquiatria de segurança máxima. Reduziu-a um vegetal. Pode


levar várias tentativas.

A mulher observou os desenhos grosseiros dados a ela por seu informante.

― Ele disse que eram exatos. – Tirou os óculos e ela franziu o cenho. ― Talvez
perdeu a concentração.

― Minha concentração está muito bem. ― Ele puxou as cordas que prendiam seus
pulsos a cabeceira da cama. ― A sua está um pouco fodida, no entanto.

Os olhos preocupados de Melanie se arregalaram. ― Ela o machucou enquanto...

O olhar de Derek ficou sombrio. ― Sobre tudo por causa de minha boca.

Ela entendeu tudo e se acalmou com uma mistura de orgulho e tristeza. ― Eu adoro
sua boca.

O tempo estava acabando. Ali certamente não era o lugar, mas quando o olhava
dessa forma... puxou-a e a beijou profundamente.

― Eu adoro a sua também. ― Sussurrou ele.

― Sério? ― Suspirou ela, esperando que o fizesse novamente.

― Pensei que já tivesse deixado isso claro.

― Pensei que estivesse assustado.

― Aterrorizado. ― E ele a beijou novamente.

Mas já não estavam sozinhos. Derek os ouvia se aproximar do outro lado da porta
da sala de conferências.
Tinham apenas uns segundos antes que sua localização fosse descoberta. Enquanto
seguiam com o olhar um no outro, ele abriu a janela.

― Confia em mim?

A testa de Melanie franziu entre a fé e o medo. ― Completamente.

Ele assentiu. ― Então não olhe para baixo.

― Onde estamos agora?

Derek digitou números em um teclado, que foi seguido de um clique mudo. Melanie
ainda estava tremendo por sua rápida descida de quatro andares. Saltar do edifício da
sede da IGP sem equipamento de segurança e uma mulher nas costas certamente era
perigoso, mas ela se agarrou a ele com a força de um polvo.

A maçaneta girou facilmente em sua mão.

― Em nosso próximo ponto de encontro.

― Parecem depósitos para mim. ― Disse ela, enquanto entravam em um longo


corredor, com temperatura controlada e cheio de numerosas portas de rolamento de cor
azul em cada lado. ― Por que aqui?

― Está ao lado da IGP. Esperaremos Rena para que me traga as drogas e se não
aparecer, saberei que precisa de mim.

― Não me diga que voltara lá.


Ele encontrou a unidade que Ty mencionou e abordou o cadeado numerado.

― Não vou abandoná-la.

― Sabia que era filha de Sophie?

A porta deslizou para cima e ele se encontrou com a luz.

― Sim. Foi o que me levou a ajudá-la. Qualquer pessoa com uma mãe assim não
precisa de inimigos.

― Por que não me contou?

Ele fechou a porta atrás deles, o que significava que estavam escondidos
oficialmente dentro de uma caixa ondulada de metal. A unidade estava essencialmente
nua com exceção de uma cama de armar de tamanho completo com roupa de cama, mesa
e cadeiras, celular, artigos de primeiros socorros, comida e umas poucas outras coisas. Ele
colocou o uniforme adicional sobre uma cadeira.

― Porque não precisava saber.

― Bem, ou estava com medo que sua relação com Sophie fosse conhecida.

Agora que estavam fora da vista, ele tirou o capuz novamente, virou e olhou para
ela.

― Você gostaria que soubesse que se viu obrigado a ser a puta de alguém?

Seu rosto estava oculto sob o capuz enquanto contemplava o que ele disse.

― Wow. Agora tenho este forte desejo usar uma serra.

Uma imagem de Melanie com óculos escuros e com uma perna em saltos altos na
sua mão veio à mente.

― Deixe a morte para mim. ― Disse com diversão e encontrou o queixo sob o capuz
negro ― Pequeno fantasma.

O capuz se movia com ela enquanto o olhava hesitante.


― É assustador, mas posso ver por que você gosta de usá-lo. Sinto-me, escondida.
Algo como um avestruz. Não tinha um pequeno?

Seu coração acelerou. A visão dela muito abrigada e curiosa apenas o fez querer tê-
la nua outra vez. Não ajudava que suas bolas ainda doessem pelo brutal aviso de que já
não lhe pertencia.

― Esse é um pequeno. ― Respondeu ele, movendo o capuz para trás para expor seu
emaranhado de cabelos loiros. Seu apressado coque se afrouxou pela atividade e seu
olhar travesso o percorreu.

Ela esfregou a manga entre dois dedos, completamente concentrada na roupa.

― E é surpreendentemente fresca. Nem sequer estou suando.

― Estou começando a fazê-lo.

― Seria totalmente uma de vocês, sobre tudo se não me mover.

Nunca. Ela era muito pequena e desajeitada.

Diversão iluminou seus olhos e passou os nódulos dos dedos por sua mandíbula.

― Mas ainda posso vê-la tremer.

Sua coluna se endireitou com valentia. ― Sua irmã me fez ficar com medo de altura,
mas algumas respirações profundas se encarregarão disso.

E ela inalou em grande medida, exalando suavemente. Deus era ainda mais bonita
quando estava determinada.

― Então, será melhor que mantenha a respiração, já que terá que ser valente por
mim uma última vez.

O olhar de Melanie ficou cauteloso enquanto ele a empurrava para cama de armar.

― Por que, o que fará comigo?


― Tenho uma grande variedade de coisas em mente. ― Uma que não gostará, mas
faria o melhor para suavizar a experiência tanto como possível. Ele pegou uma faixa negra
que Ty colocou com os fornecimentos médicos e lhe disse que fechasse os olhos. Quando
ela hesitou, ele deu uma volta com seu dedo no ar, o que indicava que deveria se virar. ―
Você disse que confiava em mim.

Com um suspiro, ela obedeceu.

― Deixei que me empurrasse para fora de uma janela do quarto andar, não?

Ele sorriu e segurou a borda do casaco. ― Levante os braços. ― Quando ela o fez, o
casaco com capuz foi para cima e sobre sua cabeça.

― Ainda tem os sintomas? ― Perguntou ela quando sua mão se aproximou e


acariciou um seio.

Roçando seus lábios contra seu pescoço, ele respondeu: ― Nenhum. Sinto-me como
eu mesmo outra vez e o único que quero fazer é tirar vantagem desta cama de armar
diante de nós. ― E logo sua língua seguiu seu exemplo. ― Fazer o amor suavemente com
você antes que a fera volte.

― Fera? ― A palavra saiu sem fôlego.

― Aquele que a humilhou na garagem antes.

Ela se esticou para trás e segurou seu pescoço, movendo-o em um ângulo para lhe
facilitar o acesso.

― Essa fera me fez gozar duas vezes, segundo me lembro.

Foi então quando ele pegou a faixa e com cuidado e colocou sobre seus olhos,
envolveu-a ao redor de sua cabeça e a assegurou firmemente.

― Vai deixar que vende os olhos sem perguntar por que?

― Disse que confio em você!


― Hmm. Meu pequeno fantasma valente. ― E sua grande calça negra caiu. Ela deu
um passo fora dela, completamente nua agora. ― Não, assim está melhor. Deite-se na
cama e não tire essa faixa.

A levou na direção correta e a girou. Ela estendeu a mão, colocou-a cuidadosamente


nos cobertores. Ele simplesmente ficou olhando seu corpo nu, maravilhado com suas
esbeltas curvas e de como corajosamente ela o aceitou na última vez.

Sua mão tocou suavemente o lado de um seio. Os hematomas eram dolorosamente


visíveis e engoliu o nó paralisante de arrependimento.

― Eu me torturava a noite. Olhando para o teto imaginando-a desta forma, exceto


sem os hematomas. Imaginava que um dia teria a oportunidade de fazer o amor com você
da maneira que queria.

Melanie respondeu de forma completamente diferente. ― Pensei que precisaria de


um pouco de tempo de recuperação depois de encontrar a mão de Sophie.

Seus ombros se abaixaram. ― Precisamos abordar o tema agora?

Seu lábio inferior tremeu. ― Ela realmente machucou você.

― Sim, doeu. ― Ele agarrou o lençol e colocou ao seu lado no momento. ― Mas ter
você ajudou mais do que pode saber. E quero fazê-lo novamente.

Suas mãos roçaram seu ventre. Separou as coxas e sua respiração começou a
acelerar.

― Vou prender suas mãos no canto da cama de armar. Tudo bem?

Os lábios dela se esticaram em um sorriso. ― Há quando tempo está na escravidão?

Não estava. A ideia de ter seus pulsos presos era algo aterrador.

― Não quero que se machuque. ― Foi sua única explicação. Antes que pudesse
perguntar por isso, ele se esticou sobre ela e afastou o pensamento com um beijo quente.
Enquanto seus lábios estavam sob os seus, envolveu o tecido ao redor de seus pulsos em
forma de oito e a prendeu efetivamente ― Como se sente? ― Perguntou quando sua
boca começou a tocar seu peito nu.

― Vulnerável. ― Respondeu em um sussurro trêmulo. ― A sua mercê. ― Ficou sem


folego enquanto seus dedos separavam seus lábios maiores.

― Realmente, realmente muito bom.

O canto de sua boca se curvou enquanto ele movia sua língua sobre seus clitóris. Ela
se ergueu um pouco e ele abaixou.

― Fique quieta.

Ela soltou um suspiro reprimido. ― Isso é pedir muito.

Antes de ir mais longe, ele tirou sua roupa.

Quando se levantou nu junto à cama, se perguntou se ela poderia ver algo enquanto
pegava algumas coisas sobre a mesa.

― Não posso ver nada e está me deixando louca.

Sua resposta, falada tão lastimosamente, o fez rir. Uma vez que tinha tudo o que
precisava, agarrou suas pernas e fez um ângulo de seu corpo em diagonal na cama.

Agora seu pé esquerdo tocava o chão enquanto empurrava a perna direita para o
exterior através das mantas, estendendo-a amplamente.

― Preciso que relaxe, ok?

― Por quê? O que fará?

― Isto. ― E sua língua passou entre seus lábios novamente, procurando sua carne
macia, rosa entre eles. Seu ofego de prazer ecoou contra as paredes metálicas. Deus, senti
tanta falta de seu sabor. Sua língua entrou, em busca de tanto quanto podia. Era como
comer seu prato favorito, saboroso, do qual foi privado durante uma década.
Ela se abriu mais para ele, gemendo seu nome. Quentes sucos fluíam como um rio e
ele se deleitou com o quão faminto estava.

― Deus, cheira tão bem. ― Enterrou seu nariz e inalou profundamente.

Mas quando lhe pediu mais, ele roçou os dentes ao longo de sua parte interna da
coxa e lhe deu uma pequena mordida.

― Oh!

Um olhar rápido lhe mostrou que ainda estava em um bom lugar, então
permaneceu no curso. Seus dentes uma vez mais beliscaram suavemente sua delicada
pele. Para suavizar a picada, ele esfregou enquanto procurava algo no chão. Ela respirava
forte agora, por isso a mordeu suavemente uma vez mais.

― Deus, Derek!

Um golpe mais com seus dedos e encontrou o que estava procurando. Derek pegou
o pequeno bisturi esterilizado em sua mão direita e tocou seus clitóris com a esquerda.
Enquanto a acariciava, abriu-a ainda mais.

Ele pressionou os lábios no lugar que encontrou pouco antes de substituir seu
contato com a ponta afiada.

A violenta reação que esperava não chegou. Ela apenas se contorceu contra as
amarras. O sangue escorreu por sua coxa e lentamente gotejou no chão de concreto.

― Eu te amo Mel. ― Sussurrou ele e apertou a carne entre seus dedos. Enquanto
ela absorvia suas palavras, de algum jeito conseguiu extrair o pequeno dispositivo de
rastreamento sem muito esforço. Quanto tempo demorou, apenas podia adivinhar. Mas
era a única forma de deixar para trás seus fantasmas perseguidores.

Seu corpo começou a mostrar sinais de umidade. Levou um tempo, mas finalmente
conseguiu dizer. ― Eu também te amo, Derek.
A realidade do que acabou de fazer a golpeou logo que o antisséptico frio a tocou.
Ele observou seu rosto em choque. Ela não disse nada enquanto cobria a pequena ferida
com um curativo adesivo.

― É uma mulher incrível, Melanie Parker. ― Murmurou enquanto se esticava para


cima e afrouxava a amarra ao redor de suas mãos.

Uma vez que suas mãos estavam livres, ele levantou a venda de seus olhos e piscou
com apreensão.

― Não. ― Ordenou-lhe, jogando a coisa de lado. ― Sinto muito, mas era necessário,
a única que quero agora é tirá-la daqui. ― E a beijou com ternura até que se suavizou. ―
Nunca a tocarei dessa maneira outra vez.

― Não posso acreditar que eu... ― Ela limpou as lágrimas de seus olhos. ― Sou a
razão pela qual nos seguiram.

― Não sabia.

― Como saberia? Alguém implantou essa coisa entre minhas pernas!

― Poderia pensar que era uma picada de inseto. Facilmente esquecível. Mas já se
foi.

Seu cenho se franziu pela preocupação enquanto o olhava fixamente. ― Eles podem
ter nos seguido até aqui.

― Não. Rafferty estava muito preocupado com seus próprios problemas e o sinal se
perdeu logo que entramos nesta caixa de metal. Ficaremos bem. ― Ele sorriu para aliviar
seu ânimo. ― E agora sou o único entre suas pernas com o qual precisa se preocupar.

Seu calor combinado com o toque de sua pele fez muito para reavivar seu estado de
ânimo. Ele afastou o cabelo de seu rosto e a olhou enquanto sua expressão de
preocupação desaparecia.

― Quero fazer o amor com você.

Sua boca se curvou. ― O que o impede isso?


― Esse toque persistente de medo em seus olhos.

Ela limpou todo rastro. ― Derek. ― Suas mãos se aproximaram e acariciaram suas
costas. ― Isto apenas significa que demos outro passo para eliminar a IGP de nossas vidas.
É o que quero mais do tudo.

Suas palavras reavivaram o desejo feroz dentro dele. ― E se sobreviver a isto. ―


Murmurou. ― Quero ficar para sempre com você. Quero cuidá-la e do DJ também. Torná-
la minha esposa.

Sua expressão se transformou em choque total. ― O que você disse?

― Você foi tudo o que me manteve são nestes últimos dois anos e tudo no que
pensei hoje é o quanto quero conhecer meu filho. Quero ser um pai para ele. Criá-lo.
Fazer amor com sua mãe todas as noites. Sair para varanda pela manhã com meu café e
ver as andorinhas ali.

Grossas lágrimas escorreram por suas bochechas e ela segurou seu rosto.

― Nunca será um homem normal, Bennett. Nunca foi. ― E o puxou para baixo,
devorando sua boca enquanto seu desejo por ele causava estragos entre suas coxas. Mas
Derek não queria correr desta vez e foi lento antes de perder o controle. Banhado pela luz
amarela da lâmpada, sua cabeça fazia sombra sobre seu rosto enquanto a olhava
fixamente. Apenas queria olhá-la fixamente durante um minuto no caso de ser e está sua
última oportunidade. Ela parecia saber o que necessitava e não fez nada mais que
acariciar seus braços com os dedos enquanto lhe devolvia o olhar. Logo ele levou seus
lábios aos dela e a beijou lentamente.

Sugestivamente. Quando se separaram, sua língua tocou a mandíbula barbada. ―


Não está tão suado como deveria. ― Sussurrou ela.

Referia-se a situação anterior.

― Lavei-me com a mangueira para que ficasse convincente.

― Diante de Rena?
Ele sorriu contra sua pele. ― Ela não estava olhando.

Seu sorriso o chamou mentiroso. ― Garanto que estava olhando.

Sua boca deixou um rastro de umidade desde seu pescoço até um dos seios.
Enquanto segurava ambos em suas mãos, formou redemoinhos sua língua ao redor de um
mamilo duro e o chupou forte.

Quando ele parou para inspecionar os resultados, comparou as duas


protuberâncias, franzidas e rosadas.

― Antes podia dizer qual seu estado de ânimo pela cor de seus mamilos. ―
Sussurrou, passando ao outro para que ficasse igual.

― Ainda são tão suaves como antes. ― Suspirou ela, mordendo o lábio inferior. ―
Eu gosto.

Porra! Estava muito lento. Ele gemeu e se moveu para baixo para continuar onde
parou antes. Seu corpo se arqueou com desejo enquanto ele lambia seu ventre, provando
a leve insinuação da evidência de que estava alguma vez inchada com seu menino.

― Então, continua gostando do ar livre, hein?

― Quando me toca, é demais. ― Ficou sem fôlego quando sua boca se moveu para
baixo, fechando-se sobre esse lugar sensível e trabalhando sua magia. ― Enérgico.

Enquanto a provava pela segunda vez, sua língua acariciou do fundo de sua abertura
à parte superior, depois aprofundou em seu interior. Melanie se contorceu sob ele,
gemendo seu nome. Estava muito escorregadia. Tão molhada. Inseriu seu dedo indicador
profundamente em sua boceta, encontrando o lugar em seu interior que nunca deixava de
agradar. Sua metade inferior saiu do colchão e seus gritos de êxtase ecoaram contra as
paredes de metal. A vista dali era espetacular. A parte inferior de seus seios brilhava.

Ele esticou a mão livre e beliscou um mamilo, sabendo o que aconteceria.

― Não! ― Ela ofegou. ― Ainda não! Por favor!


― Apenas sinta Mel. ― Disse ele enquanto seus dedos trabalhavam dentro dela. ―
E logo farei com que goze novamente antes de mim.

Seu corpo começou a convulsionar, o que significava que teria um orgasmo de


tremer a terra. Era tudo o que podia fazer para não gritar, ele sabia, já que ela sempre foi
muito vocal antes. Isso era bom. Ninguém conhecia seu corpo da maneira como ele
conhecia.

E ela gritou com a força de seu orgasmo.

Quando os tremores se acalmaram, Melanie ficou inerte de esgotamento. Mas não


por muito tempo. Ele a virou e a levantou sobre seus joelhos. Seus seios caíram nas
palmas de suas mãos. Seus olhos estavam fechados, mas sua respiração estava ficando
cada vez mais instável.

Seu pênis ficou entre seus lábios, acariciando-a enquanto ele mesmo se recobria
com seus sucos. Era a coisa mais difícil que precisava fazer, mas se negava a entrar nela no
momento.

Havia uma promessa que tinha que cumprir. Seus lábios se arrastaram com beijos
por suas costas até que chegou a seu cóccix.

Inclinando-se, ele abriu suas nádegas com as palmas e enterrou sua língua entre
elas.

O contato a excitou com um grito afogado e seus seios se levantaram do colchão.


Seus dedos acariciaram, rastrearam e invadiram enquanto a lambia. Seu traseiro começou
a mover-se com ele até que viajou em uma nova onda de êxtase.

― Oh, Derek! ― Gritou ela no travesseiro. ― Oh, Deus!

Era muito fácil que atingisse o orgasmo. ― Algo me diz que precisou disso por um
longo tempo. ― Disse ele, girando-a novamente.

― Não tinha nem ideia. ― Ela ofegou forte enquanto se recuperava.

― Estive tão consumido com outras coisas. Eu... eu...


― E se os teve em seus sonhos, é uma boa indicação.

Ela abriu os olhos um pouco, observando seu rosto enquanto ele pairava sobre ela.
Sua mão se aproximou e acariciou seu cabelo.

― Sonhava com você. ― Sussurrou-lhe. ― E agora é real. Ao menos... acho que é.

Ele ajustou a posição entre suas pernas e lentamente deslizou dentro dela. Suas
paredes se fecharam ao redor dele, embainhando-o bem em seu escorregadio calor. Seus
corpos se arquearam juntos e foi então que percebeu que estava realmente em casa.

Graças a Deus. Ele saiu e se moveu suavemente dentro dela. Seus olhos se fecharam
sob ele e sua boca se apertou. Ele compartilhou seu sentimento, enquanto ambos se
deleitavam no imenso prazer de sua combinada união física e emocional. Ele manteve as
coisas com calma, saboreando o momento, o tempo que pode e moveu sua boca sobre a
dela em um apaixonado beijo.

O beijo apenas deixou mais difícil conter a crescente necessidade de explorar, mas
não podia parar. Seu ritmo acelerou. Suas mãos se fecharam sobre suas nádegas e ela
inclinou seus quadris ao ritmo dele para o ajuste mais profundo possível. Ela tentou se
virar e quando ele a deixou segurou sua mão e o guiou para seu interior. Agora ela estava
no controle, arqueando as costas, com suas pernas levantadas e descendo sobre seu
sensível eixo.

Seus joelhos se afundaram no colchão enquanto ela o montava. Ele segurou seus
seios, deleitando-se com a sensação cada vez que a cabeça de seu pênis ficava na abertura
e logo se afundava novamente em seu interior.

Ele se sentou e a envolveu em seus braços. Seus quadris rodaram junto com o sabor
de sua pele sedosa sobre sua clavícula. Era o mais próximo ao céu que esteve.

Melanie começou a gemer baixinho e ele sabia que estava no limite novamente. Sua
união era tão forte, tão perfeita. A fricção sobre seu membro inchado era incrível. Seus
movimentos eram fluidos. O momento era surreal. E quando ela se apertou ao redor dele,
completando o ato perfeito de conexão, ele inchou, contraindo-se e bombeando
enquanto gozava com ela. Com força. Maravilhoso. Completamente.
Ele apertou seu abraço e amorteceu seu prazer contra seu peito, decidido a não
fazer tremer as vigas. E ela continuou acariciando-o, ordenhando até a última gota
enquanto se aferrava aos últimos restos de seu próprio clímax.

Quando a seriedade se apoderou uma vez mais, voltaram para terra nos braços um
do outro. À medida que recuperavam o fôlego, ele levou sua mão para cima afastando seu
cabelo, deixando a descoberto seu rosto enquanto ela ofegava sobre ele.

― Aconteça o que acontecer daqui em diante. ― Disse ele em voz baixa. ― Quero
que saiba que vivi todos os dias com a esperança de ter a oportunidade de voltar a vê-la.
Fazer amor outra vez. E dizer o que sinto, sem meu orgulho no caminho.

Seus olhos se abriram e ela o olhou com assombro.

Deus, ela era linda. Sua pele impecável, desprovida de maquiagem, era tão suave
quanto parecia. A cor de seu cabelo se mesclava com o azul de seus olhos de uma maneira
que sempre lhe recordava o verão.

― Eu te amo Melanie. ― Sussurrou. ― Desde o primeiro dia em que piscou esses


cílios para mim.

Ela piscou lentamente, balançando a cabeça. ― Até hoje, pensei que nunca voltaria
a ouvir estas palavras de você.

Seus arrependimentos eram muitos. Ele franziu o cenho. ― Apenas porque fui
um idiota.

― Shhh. ― Acalmou-o meio dormindo. Sua respiração relaxou e suas palavras


saíram mal articuladas. Com os olhos fechados disse: ― Poderá me compensar não
morrendo nunca mais.
Golpe. Golpe. Golpe.

Derek estava dormindo tão profundamente, que Melanie não teve coragem de
despertá-lo. Estavam ambos nus deitados nas mantas, esperando Rena aparecer. Mas
enquanto ela colocou sua orelha no peito dele ouvindo o batimento de seu coração, sua
fascinação por ele vivamente superou todo julgamento.

Dedos estendidos tocaram os pelos finos que cobriam seu peito. Por alguma razão,
seu calor se sentia mais convincente sob a veracidade de seus dedos, mas não se atrevia a
despertá-lo. Algo lhe dizia que não dormia assim há muito tempo.

Seu estômago grunhiu ruidosamente. Ele acordou sobressaltado, piscou um


momento e olhou em seus olhos muito abertos olhando-o.

— Que porra foi isso?

Wow.

— Realmente tem sono leve agora. — Respondeu ela com um sorriso perturbado. —
Foi meu estômago.

Sua mão se aproximou enquanto ele fechava os olhos, penteando seu cabelo.

— Deve comer algo. Manter sua força, caso Rena não venha.

Era tudo o que pensava. Não era que pudesse culpá-lo, mas desejava o dia em que
já não tivessem a IGP respirando em seu pescoço. Seus dedos roçaram as várias cicatrizes
que levava em mais de um músculo. Algumas delas eram evidentes cicatrizes cirúrgicas,
mas as irregulares... sabia que eram de algo muito mais desagradável, como o conjunto
escuro de marcas de dentes que recebeu daquele fantasma na garagem.
— E se não aparecer?

Derek inalou forte e se apoiou sobre ela no processo. Olhou-a sonolento e com uma
mão em sua cintura.

— Terei que descobrir por que. Você estará fora daqui de qualquer maneira.

— Não irei a nenhuma parte sem você.

Ele parecia esperar por essa resposta. — Irá encontrar com os outros e esperará
com nosso filho até que isto termine.

— Não o use para me manipular, Derek. Você é igualmente importante.

Ele ainda não se alterou. Em vez de discutir, franziu o cenho. — Quanto tempo eu
dormi?

Ela franziu o cenho. — Não o suficiente.

Ele fez um som de desgosto, saindo da cama.

— Dormirei quando for livre. — Pegou o lençol da cama e se cobriu. Antes que ela
pudesse perguntar por que, estava levantando a porta de metal de enrolar do chão.

Com o traseiro ao ar, fez gestos a Ty no corredor antes que o homem pudesse
inclusive chamar.

Os olhos azuis foram entre eles. — Não há tempo como o presente. — Disse Ty sob
seu fôlego quando se agachou para entrar.

Melanie gemeu. — Uma advertência seria bom.

A porta golpeou o concreto e Derek foi colocar sua calça.

— Não podia deixá-lo de fora com os fantasmas por aí.

— Seu sentido de audição me obriga a recordar que agora estou presa aqui com um.
— E agora poderá ser um também. — Disse Derek com sarcasmo, indicando o
uniforme. — No caso de algo...

Enquanto os dois brincavam, Melanie se lembrou dessa mentalidade dos vestiários


masculinos.

— Meu sentido de modéstia me obriga a pedir que se vire.

— Oh, sinto muito, Mel. — Ty virou de costas e ela vestiu sua roupa.

Derek colocou o capuz de seu casaco. — Veio sozinho?

— Sim.

— Assegure-se de que coma algo.

Melanie tinha problemas com seu suéter e abaixou o capuz para expor seu cenho
franzido.

— Ele não está aqui para tomar conta de mim, não é?

Derek pegou uma garrafa de água e tirou a tampa. — Não a deixarei aqui sozinha. —
Disse antes de tomar um saudável gole.

Ty, já em modo de babá, pegou pão e um pequeno frasco de manteiga de


amendoim.

— Acha que Rena está com problemas?

— Voltarei para ver como está.

— O que acontece se o pegarem? — Perguntou Melanie irritada, em pé vestindo


rapidamente sua calça.

— Não o farão. Estou funcionando a todo vapor agora. — Derek se inclinou sobre
seu rosto voltado para cima enquanto apertava a cintura da calça. Seus olhos se fixaram
nos dela por um momento antes que lhe desse um beijo significativo nos lábios. — Ei, eu
te amo.
Enquanto procurava em seu valente rosto sinais de reserva, Melanie se defendeu do
sentimento de abandono.

— Eu também te amo. — Seu braço a rodeou, mas ela o manteve longe. — Volte
para nós. — Ordenou-lhe ferozmente. — Falo sério, Derek, o fracasso não é uma opção
aqui.

Ainda sem reservas. O que a fez se sentir um pouco melhor, mas quando ele
envolveu seu cabelo ao redor de seu punho e puxou sua cabeça para trás, sentiu sua
força. Ele a beijou com veemência e seu poder a deixou sem fôlego. Era quase como se a
estivesse beijando pela última vez.

Porra.

Seu silêncio enquanto ele a deixava não ajudava. Quando a porta se fechou atrás
dele, Melanie se obrigou a não chorar. Em troca, concentrou sua energia na pessoa que
ficou como seu cuidador. Seu cuidador. O Sr. Fevereiro. O homem sanduiche.

Ty olhou para cima. A faca de plástico estava em sua mão.

Seus olhos ficaram instantaneamente cuidadosos enquanto levantavam a fatia de


pão já cheia de pasta de amendoim.

— Com quem veio? — Perguntou ela com desconfiança.

Ele arrancou uma toalha de papel. — Com Derek e Rena.

— E não há ninguém mais aqui?

Ele entregou o sanduiche. — Não que eu saiba.

— Mm-hmm. — Melanie aceitou o pão com uma sobrancelha elevada. — É um


mentiroso terrível e fácil de manipular.

Ty manteve contato visual constante. — Sua mente Jedi joga truques que não
funcionam comigo.
— Provavelmente. — Ela deu uma mordida, mastigando, engolindo. — Mas sei que
Danny e meu dinheiro estão nisso. Ela conseguiu que descobrisse está localização de
algum jeito. — Outra mordida. — E isso significa que Austin está aqui também. —
Finalizou através uma mordida.

Seus movimentos eram casuais enquanto alcançava entre suas pernas, puxando a
cadeira de metal e sentando-se.

— Sinto muito, não posso ajudar.

Melanie encolheu de ombros, comeu e deixou que um pouco de tempo passasse


antes de perguntar desinteressadamente. — Então, quem ficou com DJ?

— Um cara chamado Mac.

Seu rosto estava sem expressão. — Mas Derek disse que estava com Austin e Danny.

Os ombros de Ty se esticaram e se inclinou para trás ao entender que acabou de ser


enganado.

— Jurei que seria um segredo. — Disse sem rodeios.

Melanie mordeu e mastigou. Logo sorriu.

****

— Rafferty. Acorde, acorde.

Um olho cor de conhaque se moveu sob uma capa de pomada endurecida. Já foi
costurado e vendado, como um curativo branco e imaculado podia sugerir. Agora, o
homem estava dormindo na recuperação. Sozinho. Desprotegido.

Derek olhou os dois corpos junto à porta. Bom, ao menos agora estava
desprotegido.

— Olá, Rafferty. — Tentou novamente. — Perderá a melhor parte.

Pouco a pouco, a pálpebra gordurosa se abriu. Não mais que um pouco. A anestesia
fazia as coisas difíceis para o homem, mas o bisturi apontando para sua única retina
existente era uma coisa fácil de entender. Um gemido áspero, gutural se moveu dentro de
seu peito, logo tossiu.

— Está ficando bom nisto, garoto. — Não foi mais que um monte confuso de
palavras.

Mas Derek entendeu e levantou o soro IV que acabou de tirar da pele do homem.

— Não tem nem ideia, idiota.

Apenas a ideia de não ter mais medicamentos para a dor começou a trabalhar na
psique de Rafferty, como Derek sabia que faria. Ele sabia de primeira mão. A sala de
recuperação era uma coisa pequena, quadrada sem janelas, com má ventilação e uma feia
cortina raiada que Derek aprendeu a odiar ao longo dos anos.

— Irão capturá-lo antes que me afete.

— Depende de como olha. Bem, se puder.

Mais áspero. Rafferty tentou mover-se e percebeu que seus pulsos estavam presos a
cama.

— O que fará Bennett? Deixar-me cego?

— E os tímpanos são os seguintes, se não responder às minhas perguntas.

— Não faria isso.

— Acabar com seus sentidos, um por um? É obvio que sim. Ao menos cinco loiras
que conheço apreciariam o serviço público.

— Mas... — Rafferty tossiu. — Não conseguirá suas respostas.

— É melhor que viver minha vida miserável como um boneco.

O olhar do homem se fechou contra a ameaça. — Mas a vida do pequeno DJ poderia


depender de você.
Ele esperava isso. Era a razão pela qual Derek fazia esta primeira visita. Seus
medicamentos para prolongar a vida eram secundários ao que temia, o que Rafferty
planejou caso o sequestro de Melanie saísse mal.

— É algo bom o conheça tão bem, Rafferty. — Disse de maneira uniforme. — Sabia
sobre o filho de Melanie, não é mesmo?

O peito de Rafferty se moveu com uma risada sem humor. — Sempre me perguntei
se esse menino era seu filho bastardo.

— Surpreende-me que não divulgou essa informação antes. Que não a usasse
contra mim de algum jeito.

— Sophie pensou que seria contraproducente.

— Apenas posso supor que já não pensa assim. — Sua única resposta foi uma
forçada, má desculpa de sorriso. — Quem contou?

— River.

— Apenas River?

O homem estalou a língua, com cuidado estirou o pescoço. — Sei que ele não joga
bem com outros.

— Não haverá uma bolsa de ar debaixo de você nesta ocasião, senhor. — Disse
Derek enquanto olhava o edifício de tijolo de doze andares. — Ser livre é a parte fácil.
Agora teremos que ir pelo mesmo caminho.

Ele e seus três alunos se aproximaram da borda, preparados para a grande prova.
River demonstrou ser o mais digno, tendo uma ampla experiência em correr no campo
aberto, no disciplinado esporte de cambalhotas, saltos e subindo no entorno vigente
mediante o impulso. Mas seu sorriso de imitação de menino não encantaria o tijolo, nem
mostraria misericórdia em seu caminho para baixo. Derek olhou o menino que se negava a
levar o cabelo ondulado mais curto de dois centímetros. Um candidato a menino mau,
apenas que seu inocente exterior era tão falso como suas autoproclamadas boas
intenções.
— Recorda o que ensinei? — Perguntou-lhe enquanto o vento soprava o frio de
março até sua calça mais curta.

River sacudiu seus enxutos membros, preparando a si mesmo para sua primeira
sessão de prática sem ajuda.

— Pernas com peso, braços para manter o equilíbrio. — Derek se concentrou no


seguinte da fila.

— Owen?

— Use apenas a força de agarre suficiente para manter-se equilibrado.

E depois.

— Por que isso, Damian?

— Para limitar a fadiga, senhor.

— Vê essa mancha de sêmen na erva aí abaixo?

— Refere-se a Rafferty?

— Atribuiu-me a tarefa de ensinar aos fantasmas como construir, sem fertilizar a


paisagem. E se foder isso, falará mal de mim.

— E se fodermos uma vez, é provável que morramos.

— O que falará mal de mim. Agora, isto é de tijolo. Merda básica, nada de luxo ou
muito atroz, mas há doze histórias dele. Abrace-o. Limite o estresse em seu agarre.
Mantenha-se em movimento e no rumo. River. E se cair, o que fará?

— Cair e rodar.

Owen, que superava o rapaz aproximadamente em treze quilos fez um som de


desgosto.
— O que significa empurrar à medida que possa, imbecil.

A briga de olhar que seguiu era típica de dois irmãos. Eles foram "resgatados" pela
IGP depois de uma brincadeira de quatro de julho com explosivos caseiros dando lugar a
uma bola de fogo de Hollywood que matou toda sua família.

— Façam isso quando estivermos de volta na terra, moças. — Advertiu ele, depois de
separá-los. — Mas ambos têm direito devido a estarmos mantendo a pontuação.

Três andares mais abaixo, Owen caiu violentamente na grama mais adiante, graças
a um golpe certeiro em seu rosto.

Uma vez que todos chegaram a terra, Derek se uniu a Rafferty e a uns poucos mais,
enquanto se reuniam ao redor do corpo do último parente vivo de River.

— Caia e role idiota. — Murmurou River enquanto era escoltado para detenção.

— Então, qual é o plano, Rafferty? — Derek zombou. — Trazer DJ aqui para usá-lo
como uma vantagem contra mim?

O homem piscou, estava a ponto de deprimir-se novamente. — Sim... tentei isso


com sua puta.

O que levou Derek à única outra plausível conclusão. A raiva fria lhe obrigou a
mover o bisturi no lugar justo debaixo da orelha direita onde começaria lentamente.

— Você ordenou a River que matasse uma criança inocente apenas para me
castigar? Percebe o quão doente é isso?

— River sequer se alterou.

A ponta rompeu sua pele. — A que distância está?

Rafferty soltou um suspiro reprimido. — Muito longe.

Uma faixa de sangue seguiu a faca, enquanto se movia à esquerda. — Vamos fazer
isto, centímetro a centímetro, homem. Já perdeu muito.
Alguém entrou no escritório mais à frente e viram os dois corpos no chão. Saíram
rápido, pedindo reforços. Derek colocou o capuz sobre seu rosto e soltou o freio da cama.
Logo se acomodou em uma posição mais útil enquanto esperava por eles, bisturi na mão.
— Estou aqui! — Gritou Rafferty com voz rouca. — Rápido!

Um homem e uma mulher pararam do lado de fora, sem saber se deveriam entrar.
Todo mundo estava no limite, muito consciente de que havia um fantasma que se tornou
pária e não o distinguiriam quando se aproximassem. Derek estava atrás de Rafferty com
uma mão sob o queixo quadrado do homem, com a outra serena como se fosse cortar
uma maçã. Eles o olharam com medo. Incapazes de ver seu rosto, ninguém sabia o que
faria a seguir. O silêncio era ensurdecedor.

Ele o rompeu. — Digam a Sophie que me entregarei. Mas Rafferty ficará comigo.

Dois fantasmas mais entraram em cena enquanto a enfermeira pegava o telefone e


fazia a ligação. Eles circundaram a grande porta e não falaram. Ao menos ele conhecia um,
o baixinho com um sinal claro. Enquanto os três se afastavam e saiam em silêncio, a
enfermeira trabalhou para tirar os corpos do piso. Enquanto o último era removido, o
capuz retrocedeu revelando as sobrancelhas negras e grossas, o nariz romano de um
homem que ele reconheceu. Causou uma reação no fantasma da esquerda.

— Angelo? — Perguntou Derek. — É você?

— Sabe que sou eu.

E seu amante morto acabava de sair.

Merda. Derek estremeceu sob o capuz enquanto a enfermeira gritava de fora.

— A Srta. Hellberg está a caminho. Pediu que não fizesse nada precipitado.
Muito bem. Agora apenas precisava esperar com um irritado cubano que era
conhecido por suas mortais habilidades de rua. Parecia irreal que todos houvessem
compartilhado uma refeição e um pouco de risadas juntos faz algumas noites.

— Olhe, sinto muito. Estamos todos tentando sobreviver aqui.

— Daria uma merda antes de desertar e começar sua própria matança.

— A IGP tirou minha vida. Estava tentando encontrar meu caminho de volta.

— Uma vez fantasma, sempre fantasma. Você fez o juramento, como o restante de
nós.

O juramento. Derek bufou.

— Rafferty está atrás de meu filho de quinze meses. Isso é uma mudança de jogo
para mim, algo que deveria entender.

O ex-lutador de rua que conseguiu sua vingança no cartel de droga cubano antes de
morrer, depois de que sua filha se converteu em uma vítima da guerra.

Mas isso foi em outra vida.

— Você não tem família. — Respondeu Ângelo acaloradamente. — Assim é como


funciona isto. Essa é a forma que existimos. Nenhum de nós deixará que faça cair a todos.

Depois de um breve silêncio, o fantasma feminino perguntou:

— A quem enviará?

Mas Derek se concentrou na dura realidade de que Ângelo tinha toda razão. Sempre
que um de seus irmãos saía, inclusive os poucos aos que chamava amigos, nunca
realmente eram livres.

— River.

Ângelo zombou. — Esse pequeno assassino? Sinto sua perda, homem.

Rafferty soltou uma risada fria que terminou com um gemido de dor.
— É possível que tenha se unido a nós sob diferentes circunstâncias, Bennett, mas
ainda nos deve sua lealdade. Sua vida como a que conhecia terminou. Nós fizemos o
possível para que pudesse funcionar novamente com normalidade.

— Mas o preço foi muito alto para mim, Rafferty.

— Está dizendo que preferiria viver seus anos em uma cadeira de rodas?

— E qual é a expectativa de vida de um fantasma?

A cabeça de Rafferty pendia para o lado enquanto recuperava o fôlego.

— Uma vez que se retiram do serviço, há uma grande variedade de postos de


trabalho entre os quais podem escolher.

A testa de Derek se franziu e se dirigiu ao outro fantasma negro. — Alguma vez


conheceu um fantasma aposentado?

— Nenhum.

— Eu tampouco.

— Graças a Sophie. — Disse Rafferty. — Nosso alcance se ampliou mais que o


possível. Apenas nós podemos lhes oferecer nossa própria marca especial de segurança.
Nossos clientes valorizam nosso serviço. Pagam muito dinheiro. Nossos fantasmas
aposentados têm opções, não apenas aqui, mas em todo mundo.

— E graças a nossa fusão secreta. — Acrescentou Sophie da porta. — Cobrimos


nossas costas. Mantemos uma ao outro à tona. E Lesico tem uma saída para seus
pacientes em drogas experimentais.

— Refere-se a seus ratos de laboratório. — Derek a corrigiu.

Sophie se dirigiu ao fantasma a seu lado, lhe esfregando as costas de um modo


maternal. — Você está reclamando, Angelo?

Ângelo não hesitou. — Não, senhora.


A mulher sorriu e os dispensou.

— Fecharei a porta. Ficaremos bem. — Logo que a porta se fechou, falou antes que
soltasse o punho. — Vejo que atraiu mais sangue.

— Isso convém a Red. — Respondeu Derek, sua lâmina constante na marca.

— Derek. Entendo por que se vingou. Entendo-o. Contando que entenda por que
nunca poderá sair desta construção novamente.

— Você e Rena chegaram a um acordo?

— Sim. E acredito que podemos resolver algo, você e eu. Quer dizer, se a amostra
for viável.

— A única coisa que quero é que cancelem o golpe contra meu filho. Ele e Melanie
deverão ser deixados em paz.

Seus olhos se cravaram em Rafferty. — Podemos negociar depois que verificarmos a


amostra. Mas apenas uma advertência, se espera que Melanie sobreviva, precisará de
uma razão para renunciar a você para sempre.

— Fará. — Disse ele sem hesitação. — Enquanto DJ estiver seguro.

Sophie levou um momento para pensar nisso. — Vamos dar um passeio.

— Rafferty virá comigo.

— Não. Deixe-o para ser cuidado. Você e eu devemos conseguir resolver isto se
pudermos agir civilizadamente.

Com grande relutância, Derek soltou o pescoço sangrando de Rafferty.

— E deixe o bisturi. — Acrescentou Sophie enquanto ia para a porta. — Fica horrível


de vermelho.

Com o capuz para abaixo, Derek olhou o homem na cama enquanto girava ao redor
dela e logo jogava a ferramenta cirúrgica em sua direção.
— Oops. — Pronunciou desagradavelmente quando Rafferty mal moveu sua virilha
fora do alcance a tempo.

Quando as portas do elevador se fecharam diante de Sophie, prendendo-os dentro,


ela juntou as mãos atrás de suas costas e começaram a descer.

— Lembra-se quando veio a minha cama de bom grato, Derek?

Ele tirou o capuz e a olhou com incredulidade. As pessoas pensariam que teria
esfriado com ele depois de ter matado dois de seus ajudantes bem na frente dela.

— Depende do que chama de bom grado. — Respondeu ele calorosamente.

Rafferty passou junto ao banco de pesos enquanto Derek estava terminando sua
última série de exercícios de peito.

— Sophie quer vê-lo.

Derek manteve seu olhar no teto enquanto abaixava os pesos aos lados, subiu-os e
as juntou novamente.

— Estou ocupado.

— Ela tem sua dose deste momento.

Sentindo uma armadilha, Derek deixou cair os pesos, levantou-se e agarrou uma
toalha. Enquanto limpava o suor que gotejava de seu rosto, deu um valente olhar à janela
de sua suíte privada, que tinha uma vista prática do movimentado ginásio. Ali estava ela,
observando. Podia sentir seus olhos nele quando saía detrás dos outros fantasmas,
movendo-se até os degraus para a segunda suíte. Quando chamou, lhe deu entrada.

— Feche a porta. — Disse inocentemente, abaixando as persianas. Ele o fez a conta


gosto. Ela girou seus calcanhares sobre seus saltos. — Há quanto tempo desde que
ejaculou?

— Cinco minutos.
Ela inclinou a cabeça secamente de um lado ao outro. — Posso descobrir por mim
mesma com apenas um toque.

— Estou bem, obrigado.

— Está tentando me evitar?

— Desesperadamente.

Os óculos saíram e foi jogado sobre seu aparador, ela o olhou com atenção. — A
ideia de fazer amor comigo é tão repugnante para você?

— Senhora, se alguma vez tirou uma gota fora de mim é porque não tinha outra
opção.

Suas costas se endireitaram. — Tudo o que quero é apenas uma vez, Derek. Apenas
uma vez. Faça amor comigo como se significasse algo, sem que tenha que forçá-lo... e lhe
darei o que mais deseja.

— Um traje de materiais perigosos?

As linhas ao redor de seus lábios se aprofundaram um pouco. — O controle sobre


sua medicação.

Merda. Isso era enorme e ela sabia disso. Sentindo-se como um menino a ponto de
aceitar um doce de um estranho, Derek estreitou seu olhar.

— Sem Rafferty?

Ela desabotoou o jaleco de laboratório, deixou-o cair no chão e ficou nua diante
dele.

— Sem Rafferty.

O intenso arrependimento que seguiu a sua rendição foi um dos grandes


contribuintes em sua decisão de desertar.
Foi tudo o que tirou dessa dolorosa experiência, enquanto Sophie recebia todo o
prazer.

— Quero isso novamente. Tanto. — Murmurou ela em voz baixa, olhando seu
reflexo nas portas de aço inoxidável.

Ele apertou os punhos dos lados. — Conhece o meu preço.

Ela deu a volta lentamente, seu rosto cheio de esperança. — Então, sua completa
submissão pode ser uma parte de nosso acordo?

Quando o inferno congelasse. — Sim. Sempre e quando não descumpra o acordo


como antes.

Ela apertou o botão de emergência e o elevador parou com uma sacudida.

— É possível que necessite uma razão para acreditar.

Merda.

— O tempo não é meu amigo, Sophie.

— Então é melhor você se apressar.

Era um jogo que estava decidido a ganhar desta vez. — Não vou fodê-la no
elevador.

Seu olhar dizia outra coisa. — Quero que seja rápido e o quero quente.

E que porra deveria fazer agora? Não foderia novamente outra mulher além da que
amava. Mas conhecia esse olhar. Quando Sophie era determinada, se transformava em
um bulldog nervoso.

Ele deu uma olhada à câmara no canto superior direito, depois para o botão
vermelho.

— E se pressionar o botão. — Advertiu ela. — Poderá dizer adeus a seu filho.

Mas estava cansado de ser dominado por esta cadela.


Com um grunhido de impaciência, deu a volta e a cravou nas portas do elevador.
Enquanto ela lutava para enfrentá-lo novamente, seu antebraço pressionou firmemente
na parte posterior de seu pescoço, impedindo-a. Ele puxou sua saia e a manteve ali com
sua virilha. Ela sufocou um grito de alegria, não mais lutando.

Ele usou dois dedos e os colocou sob sua calcinha, encontrando o canal úmido entre
suas pernas.

— Eu disse que não a foderia no elevador.

— Ah... — Gritou quando ele trabalhou no nó sobre sua abertura. — Ah, querido,
seus dedos são tão ásperos. — Suas palavras saíram sufocadas quando ele aplicou mais
pressão em suas vias respiratórias.

— Cale-se Sophie. Eu a odeio por me obrigar a fazer isto.

— Mais. — Disse ela com voz rouca. — Quero você dentro de mim.

— E se conseguir fazer com que pare, seria um maldito ato de Deus.

— Ah! — E ela ofegou enquanto gozava violentamente. — É tão cruel!

— Deve funcionar para você. — Quando terminou, Derek tirou os dedos e deu a
volta ao redor dela, pressionando-a contra as portas. Seus olhos estavam desfocados,
turvos do prazer que lhe deu. — Abra a boca.

— O que? — Ela suspirou.

— Abra.

Ela o fez. Enterrou seus dedos cobertos entre seus lábios e lhe ordenou chupá-los
até que ficassem limpos.

— Não quero rastros de você em mim quando essa porta se abrir. Fui claro?

Ela assentiu enquanto sua língua retirava cada pedacinho de seu desejo de entre
seus dedos. Ele esperava que o tivesse desfrutado, porque era o último prazer que tiraria
dele.
No momento que as portas do elevador se abriram, Sophie estava perfeitamente
em controle uma vez mais.

Rena estava ali com uma sobrancelha levantada. Tomou banho, e estava uma beleza
inquietante e muito profissional com traje de calça cinza com estilo.

Derek assentiu quando saíram, completamente sem alterar-se pela possibilidade de


que os ouviu.

— Rena.

Tiveram que passar ao redor dela. Quando Derek franziu o cenho por cima de seu
ombro, lhe dando o sinal para seguir, Rena não estava feliz. E se fato seus olhos safira
tivessem sido raios laser, sua mãe seria uma pilha fumegante de cinzas.

Justo antes que seguissem Sophie ao laboratório, Rena lhe tocou o braço. — Está
bem?

— Estarei graças a você. — Sussurrou, lhe dando um olhar de ânimo — Vamos fazer
isso.

Rena o seguiu a uma grande sala iluminada apenas por luz artificial. Volumosas
equipes de laboratório e vitrines iluminadas se delineavam nas paredes de cor cinza clara,
sem deixar espaço para janelas.

O piso estava limpo à exceção do único espaço de trabalho organizado, que era uma
mesa branca simples e com cadeiras onde um guarda da segurança estava sentado,
esperando.

Não era este o velho laboratório que Sophie utilizou antes que o novo fosse
construído? Imaginou que algo de tal importância justificaria o uso da atualização da nova
instalação.

— Vamos começar, de acordo? — Sophie estava muito jovial. — O primeiro que


temos que fazer é verificar se esta é uma cápsula. — Fez um gesto ao guarda que deixou
vazio seu assento quando entraram no laboratório.
Enquanto Derek e Rena olhavam, o homem deu a Sophie uma pistola nove
milímetros. Ele colocou a mão em seu bolso e tirou a bala que Rena lhe deu antes,
pedindo ao guarda que a destravasse.

Embora Derek soubesse que era a cápsula de seu porta-luvas pela gravura no fundo,
havia algo incômodo a respeito de ver a mulher carregar uma arma. O guarda soltou
brandamente o ferrolho que fez clique em seu lugar.

Sophie lhe perguntou se estava preparado para sair e lhe deu o ok. Derek olhou ao
seu redor procurando algum lugar seguro uma vez que o laboratório possuía tantas
substâncias voláteis.

Perplexo, olhou para ela e se encontrou olhando a boca do canhão.

Ela puxou o gatilho. O som foi ensurdecedor e Derek sentiu um impacto vermelho
quente que o fez retroceder vários passos. Rena gritou. Olhou para baixo e viu como o
sangue cobria a superfície de seu uniforme negro, estendendo-se enquanto o resto
gotejava por seu peito.

Ele deu um passo. Rena o pegou quando ele cambaleou. — Derek! — Gritou ela e
caíram juntos.
Melanie andou pela sala de escritórios deserta diretamente em frente ao hall do
laboratório em que Derek e Rena acabaram de entrar. E se Derek tivesse esperado no
depósito uns minutos mais, estaria ali quando Rena finalmente aparecesse. Apesar de
chegar com as mãos vazias, assegurou-lhes que era apenas uma questão de tempo antes
que adquirisse suficiente da droga para manter Derek até que a cura estivesse pronta. Ela
tinha, no entanto, conseguido entrar na base de dados da IGP e ter acesso a ID de sua mãe
e sua senha. O plano de segurança se Sophie decidisse não cooperar.

Mas Derek voltou para a IGP para procurá-la e Rena agora enfrentaria a difícil tarefa
de encontrá-lo.

Melanie estava frustrada e ainda tinha alguns problemas de confiança no que se


referia à mulher. Simplesmente porque se via toda competente em sua roupa de negócios
emprestada não significava que fosse. Algo não estava bem. Rena de repente não tinha
pressa de sair da IGP. Não era que fosse divulgar a razão, mas Melanie sentiu algo a
respeito dela. Uma tristeza com um toque levemente nervoso.

O que aconteceu desde que retornou? O que quer que fosse Ty parecia desconfiado.
Mas não estava disposto a falar sobre isso. Provavelmente jurou guardar segredo, o que
apenas queria dizer que Melanie seria quem o tiraria mais tarde. O homem era um terrível
mentiroso. Por agora, ela e Ty estavam trancados novamente, jogando algum outro jogo
de espera até que Derek e Rena reaparecessem do laboratório. Obviamente Derek não
ficaria muito contente com ela por insistir em seguir novamente Rena a IGP. E Ty não se
opôs exatamente. Apenas vestiu seu uniforme de fantasma e se encontrou com Melanie
enquanto ainda tinha Rena em sua mira.

O som de um forte disparo ecoou nas paredes. Ambos saltaram, olhando-se entre si.
— Fique aqui. — Ordenou-lhe Ty, mas Melanie deixou vazia a sala atrás dele. Ouviu
Rena gritar o nome de Derek. O coração acelerou ao chegar à porta do laboratório, mas
não conseguia abrir, quando Ty a empurrou. Não havia maçaneta, ele a empurrou de novo
sem êxito. Olhou através da fresta de uma janela.

— Oh, Meu Deus.

— O que! Abra Ty!

— Não posso não se move. — Golpeou. — Rena! Não o faça! — O horror encheu
seus olhos. Seus punhos se desdobraram e suas mãos planas contra a superfície enquanto
continuavam jogando todo seu peso contra ela. — Renaaaaa!

Seus gritos eram tão alarmantes que Melanie lhe arranhou as costas. — O que está
fazendo? Ty mova-se!

Mas ele não a deixou ver. Finalmente, ordenou dar um passo atrás. Depois de dois
poderosos chutes, a porta ainda não se moveu.

Com um rugido frustrado, ele empurrou novamente e desta vez se abriu com
facilidade.

— O que...

Mas ele não parou no mistério da oscilação da porta por muito tempo. Correu pela
sala e Melanie o seguiu para dentro, vendo a cena sangrenta com horror enchendo seus
olhos. Um só guarda de segurança estendido no canto com uma faca no rosto. Sophie
estendida sobre uma desordenada bancada, sangrando entre uma fina capa de vidro
espalhado. Rena, com o rosto e o traje salpicados de vermelho, estava na parte posterior
do laboratório. A faca em sua mão deslizou de seus recobertos dedos escorregadios e caiu
ao chão. Ela o olhou depois a suas mãos ensanguentadas.

Ty se aproximou dela com a máxima cautela e ela se apoiou no balcão.

— Foi você. — Gemeu ela, seus olhos selvagens se moveram acima e abaixo da
longitude de seu emprestado uniforme. — Trocou as balas porque está com elas! Sempre
esteve com ela! Adverti-lhe que não confiasse em você! E agora está morto!
O tranquilo laboratório ecoou das últimas palavras de seu maníaco arrebatamento.
Foi então quando Melanie viu Derek deitado sem vida no chão. Um atoleiro de sangue
crescia debaixo dele, como se tivesse vida própria.

— Não! ― Deixou sair um soluço afogado ao cair a seu lado. — Oh, querido, por
favor, não!

Passos apressados ecoaram pelo corredor até que a porta do laboratório


lentamente se fechou. Logo se fez silêncio.

Os olhos do Derek se abriram e o alívio a inundou. — Shhh, fique quieto. —


Ordenou-lhe ela entre lágrimas enquanto ele começava a respirar pela dor de sua enorme
ferida no peito. — Ty, preciso de você!

Mas Ty podia ouvi-la?

— DJ. — Disse Derek com a voz rouca, apertando a mão que segurava a sua. —
Enviou River para matá-lo. Advirta aos outros.

— O que há sobre o rio?

— River, é um fantasma. Ele matará nosso filho e quem estiver com ele.

A angústia a atravessou enquanto soltava sua mão tempo suficiente para tirar o
celular de bolso. Ty reapareceu depois de ter renunciado a sua busca por Rena quando
Melanie gritava. Seu polegar se moveu sobre os pequenos botões e o colocou na orelha.

— Mac. — Melanie olhou a seu redor. — DJ está em perigo. Esteja onde estiver você
precisa sair. Vá passear ou qualquer coisa assim!

Mac xingou.

— Danny me disse algo. Diga-me o que estou enfrentando.

— Alguém matará os dois se pegá-los!

Uma breve pausa. — Tenho DJ seguro. Ninguém o tocará, não se preocupe.


Com essas palavras, Melanie soube que DJ estava nas melhores mãos possíveis. O
fato de Mac não fazer mais perguntas demonstrava que conhecia a intensidade da
situação.

— Perfurou um pulmão. — Disse Ty enquanto comprimia a ferida. Um estojo de


primeiros socorros com partes de gesso da parede ainda anexas jazia aberto no chão. —
Segure-o forte. — Ela o fez e ele levantou cuidadosamente o ombro de Derek para
procurar a saída da ferida. — Merda. Temos que tirá-lo daqui rápido.

— Chamarei uma ambulância agora.

— Não estou seguro de quão bem fará neste lugar. — Ty murmurou com
preocupação.

Derek agarrou sua manga. — Ouça.

Estava tão tranquilo, tão quebrado, que Melanie quase não o ouviu. Ela secou as
lágrimas e correu seus dedos sobre sua testa. ― O que, querido?

— Lembra-se do que eu disse?

Estava frio ao toque. — Quando?

— Depois que fizemos amor.

Aconteça o que acontecer daqui em diante. Quero que saiba que vivi todos os dias
com a esperança de ter a oportunidade de voltar a vê-la. Fazer amor outra vez. E dizer o
que sinto sem meu orgulho no caminho.

— Não fará isso comigo agora, Derek! — Disse-lhe com ferocidade. — Não
novamente, você prometeu!

Ty abriu o casaco com capuz de Derek para expor o buraco irregular à esquerda de
seu coração. Colocou uma luva e inseriu um dedo diretamente na ferida que jorrava.
Derek falhou em não demonstrar sua dor.
— Espero que você seja imune, irmão. — Disse colocando mais gaze ao redor de seu
improvisado curativo. — Porque deveria estar se contorcendo um pouco neste momento.

Mas os olhos de Derek ficaram vazios. Olhando sem ver as telhas do teto acima,
respirando com dificuldade.

Mais vidro foi quebrado. Melanie viu Sophie enquanto a mulher caía no chão e
levava vasilhas de vidro abaixo com ela. Seus olhos se encontraram. Ainda estava viva.

— Você cuida disso? — Perguntou Melanie. Quando Ty disse que sim, ela se
arrastou à mulher cujo jaleco de laboratório agora mostrava os resultados sangrentos de
múltiplas feridas de faca. A onda de choque se tranquilizou sobre o queixo trêmulo. —
Diga-me como conseguir os medicamentos de Derek.

A mandíbula inferior da mulher se moveu para frente e para trás. Seu cabelo se
soltou e agora seu rosto emoldurado pelo envelhecimento estava em selvagem desordem.

— Rena, apunhalou-me.

— Porque disparou em Derek! — Grunhiu Melanie.

Os pálidos lábios de Sophie se franziram. Sua mão se moveu para o interior do bolso
de seu jaleco de laboratório. Quando reapareceu, estendeu-a para Melanie e desdobrou
seus dedos.

Ali, em sua sangrenta palma, estava uma bala de bronze.

— Apenas queria lhe dar uma lição.

Algo dizia a Melanie que estava olhando a bala. A única que viu mudar de mãos na
sala de exame.

— Você a enganou com o pensamento de que disparou uma bala de verdade.

— Pensei que ela aprenderia.

— Aprender o que?
O sangue começou a sair do canto da boca de Sophie.

— A não perder a concentração novamente.

E agora Rena pensava que Ty era o culpado, pensou Melanie com alarme.

— Frost. — Sophie respirou. — Ela sabe. Ela pode ajudá-los. Por favor. Mas há algo
mais importante que deve ser atendido primeiro.

Melanie tomou à mulher pelo pescoço e a sacudiu. — Onde posso encontrar o


medicamento de Derek?

Ela sorriu levemente. — Ele não o necessitará agora.

— Onde está?

A mulher soltou seu último suspiro. Com um soluço, Melanie a deixou no chão e se
arrastou de volta ao lado de Derek, implorando que abrisse os olhos.

— É essa a cápsula? — Perguntou Ty.

— Sim, é. Viu querido? Sophie tinha a bala real em seu bolso.

— Não importa. — Sussurrou Derek, suas palavras mal eram compreendidas. —


Sophie está morta.

Melanie se negou a ceder às lágrimas novamente. Ele precisava ver esperança e


porra, isso era o que lhe daria.

— Sim. Sophie está morta, mas não era sua única opção. Um cara chamado Frost
pode ajudar. Esse é quem precisamos encontrar. Sophie disse que Rena o conhece.

Mas ele não pode lhe responder desta vez.

— Ouça! — Suas mãos seguraram seu rosto. — Lembra o que eu disse a você? Que a
única maneira que poderia me compensar era nunca morrer outra vez! E não o fará! Não
desta vez!

— Mel.
Mas ela ignorou Ty e passou por Derek, recusando-se a recuar.

Ty a olhou.

— Eu o tenho. — Disse, assinalando com o queixo à saída. — Vá encontrar com os


outros. Faça o que precise fazer com DJ logo e se reúna conosco no hospital.

— Não quero deixá-lo, Ty. — Ela disse hesitante.

— Eu cuidarei dele. Estará bem. Mas você tem outras responsabilidades.

— Disseram que estaria bem a última vez.

— E esteve. Não?

Ty tinha razão. Derek sobreviveu a sua última dança com a morte, apenas que eles
não sabiam. E agora tinha que manter a fé que sobreviveria a esta, também.

Seus dedos se dobraram nas pontas do cabelo de Derek e apertou os punhos. Ele
tinha os olhos fechados. Estava imóvel. Ela se inclinou e o beijou profundamente.

— Mantenha-se firme por mim querido. — Disse-lhe ferozmente — Eu amo você!

****

No momento que o homem na cama se agitou atrás dela, Melanie já encontrou o


que necessitava. O cartão de identificação e a senha que Rena conseguiu eram altamente
eficazes no acesso à base de dados do pavilhão médico. Mac estava na estrada com DJ à
espera de mais instruções. Seu plano era deixar esse edifício armada com as ferramentas
necessárias para salvar tanto seu filho como seu pai.

E não voltar jamais.

— O que está fazendo? — Disse Rafferty asperamente. O pôr do sol laranja passava
através da metade da cortina aberta do quarto privado para o qual ele foi transferido.

— Obtendo acesso à medicação de Derek. — Respondeu distraidamente enquanto


pairava sobre o notebook, de costas a ele.
— Não pode acessar a seu histórico médico. — Gabou-se — É impossível.

— Não o fiz. Acessei ao seu com o ID de Sophie e sua senha.

Enquanto o homem jazia sem palavras, ela continuou. — Nexifen. Essa é a droga.
Sabia que a recordaria se a visse.

— O que a faz pensar que estaria em meu arquivo? — Lançou um olhar sensual que
a assustou e fez sentir ódio ao mesmo tempo.

— Uma coisa que aprendi com minhas experiências é como ler os homens. — Sua
atenção retornou à tela do computador e ela enviou suas ordens falsas para remover todo
o estoque da farmácia. — Quando descreveu Bolas Duras em detalhes suspeitei que
Sophie o tivesse pelos testículos em algum momento.

— Está caminhando em terreno perigoso, querida. — Disse Rafferty, jogando os


lençóis para o lado. — Posso estar meio cego, mas ainda posso matá-la. — Cambaleou
quando seus pés tocaram o chão.

Melanie se levantou da cadeira, com ódio gotejando de todos seus poros. — Já não
é um fantasma, verdade?

— Eu fui o primeiro. — Disse ele com voz áspera enquanto encontrava seu
equilíbrio. — Fui o melhor. E você é apenas uma loira tola em uma fotografia na qual gozei
algumas vezes. É obvio que não é digna desse uniforme que está vestindo.

Dois passos e o soro IV começou a segui-lo. Ele olhou a mão e arrancou o tubo de
saída. Seu queixo quadrado se sobressaía com ira enquanto se concentrava nela uma vez
mais.

— Vá embora.

— Como o inferno que o farei.

— Bem, eu o farei por você.


Melanie atacou primeiro, a raiva lhe deu a única arma que necessitava. Com a graça
de uma jogadora de futebol, enviou seu joelho tão profundamente na virilha de Rafferty e
o homem perdeu a voz. O ar assobiou entre seus dentes em seu caminho até o chão e sua
tez bronzeada adquiriu uma tonalidade púrpura.

— Pode ser que tenha que cortar as bolas. — Ronronou agachada junto a ele. — E a
menos que possa conseguir mais Nexifen agora que limpei o fornecimento existente. — O
temor estava em seus olhos quando a olhou. Ela forçou um sorriso — Isto é o que se
chama de fodido.

— Você, cadela.

— Assim, ligará para este fantasma, River e dirá para desistir de ir atrás de meu
filho.

Entregou-lhe o celular que tirou de sua mesa. — Não posso. Ele está no escuro.

— Que porra significa isso?

— Não haverá comunicação até que o trabalho acabe.

— Então é melhor que encontre uma forma. Tem no máximo seis horas e sua
próxima dose deve terminar em trinta minutos. Pensa que pode passar por um período de
seca, Rafferty?

— Não pode... pegar tudo.

— Derek está precisando. Apenas terá que sofrer. Talvez inclusive mate a si mesmo.

— Seu namorado está morto. Eles simplesmente o tirarão desse laboratório em um


saco para cadáveres.

Seu comentário produziu o efeito desejado. Melanie sentiu que o sangue


abandonava seu rosto, embora soubesse que ele estava presumindo.

Rafferty secou o suor da testa e a fulminou desafiadoramente. — Acha de verdade


que o deixaríamos viver?
Seu coração partiu uma vez mais. — Você não sabe nada.

— Infelizmente. — Contradisse-a Rafferty. — Ele conseguiu levar Sophie com ele.


Mas é finalmente onde sempre quis estar. Presa a sua mascote para sempre. Adverti-lhe
que a mataria algum dia.

A tensão se acumulou em seu peito. Melanie ficou de pé, olhando-o com incerteza.
— Derek não a matou. Rena o fez.

Algo em seu rosto mudou. Com muito cuidado, ele se sentou.

— Ela não se atreveria. Sophie era a única que...

— Sophie brincou com a sanidade de Rena e perdeu, o que significa que agora você
está em tempo emprestado. Quanto depende de você. Porque se meu filho for
machucado de algum modo, verá o outro lado de uma maneira muito dolorosa.

— Tenho mais Nexifen. Não pode controlar tudo.

— Mas posso controlá-lo.

— Como conseguirá isso, garota?

— Bem, da mesma forma que controlou Derek. Trancarei você em uma cela,
enquanto pouco a pouco fica louco.

Seus dentes perfeitos brilharam por um instante. — Você e qual exército?

Uma voz profunda respondeu por trás. — Sem nenhum exército. Apenas eu.

Melanie se levantou e se dirigiu ao homem que Rafferty não percebeu até agora. A
razão pela qual nunca esteve em perigo desde que a trancou em seu quarto de hospital.

A razão pela qual ela encontrou forças para retaliar sozinha. — Rafferty, eu gostaria
que conhecesse Austin. O tio do meu filho.
Austin deu três fodidos passos até que finalmente estava na visão periférica de
Rafferty. O olhar do homem ferido começou na ponta de suas grandes botas e lentamente
viajou para cima, em todo seu um metro noventa e cinco.

— Acredito que há uma viagem pela estrada em seu futuro próximo. — Retumbou
Austin, descruzando seus enormes braços, estalando os nódulos.
— Não pode fazer isso comigo! — A inútil reclamação de Rafferty terminou em um
whoof enquanto aterrissava no assento da parte traseira da caminhonete, incapaz de se
agarrar com as mãos fortemente unidas atrás das costas. Quando se recuperou, disse. —
Preciso ficar naquela sala médica!

Melanie estava em modo de combate enquanto sentava atrás do volante.

— Você gosta de brincar com as vidas, Rafferty. Pense no meu filho como sua linha
de vida.

— Não poderei fazer muito sem minha dose.

Austin bloqueou o homem e tomou o restante do assento traseiro. Levantou um


copo de plástico que pegou do carrinho de medicação.

— Então se apresse, porque há todo tipo de pastilhas aqui que necessita.


Conseguirá uma por uma se cooperar.

Danny entrou no assento do passageiro com um sorriso em seu rosto. Levantou uma
grande garrafa branca.

— Pelo menos vale dois meses. Isso deve ganhar muito tempo a Derek.

Porque ainda está vivo, repetiu Melanie a si mesma com a mandíbula flexionada.

Rafferty assobiou. —Quem é esta pequena visão mal informada?

Austin franziu o cenho. — É minha esposa, seu idiota estupido.


Danny olhou os dois homens. — O que quer dizer com isso? Mal informada sobre o
que?

— Uau. — Murmurou Rafferty, observando as feições de Danny com grande


interesse. — É muito parecida com ele. Sua irmã, talvez?

— Cale-se, Rafferty.

A respiração de Danny parou quando viu o olhar cauteloso Austin. — Diga-me.

Rafferty respondeu por ela. — Seu irmão está morto. Ferido de bala no peito.

Melanie se negou a jogar seu jogo. — Está mentindo. Derek viverá.

Então o olhar aterrorizado de Danny foi para ela por confirmação. — Ele realmente
foi baleado?

— Sim, mas viverá.

Rafferty soltou uma gargalhada que não era de acordo. — Já confirmaram sua
morte. Tudo esteve na conexão sem fio.

Austin agarrou-o pelo frágil vestido hospitalar. — Cale-se!

Rafferty relaxou sob o abraço de morte.

— Você o ouviu também. — Quando não obteve nenhuma resposta, ele encolheu os
ombros, olhando pela janela — Eu o adverti que não duraria. Sequer o fez por vinte e
quatro horas.

Ambas as mulheres olharam atentamente a reação de Austin. O altivo rosto do


homem se quebrou quando finalmente olhou para Melanie.

— DJ está em perigo, lembra-se?

— Não. — A pele bronzeada da Danny ficou branca. — Não pode estar.

Austin se inclinou para ela. — Danny.


— Não!

Mas Melanie não acreditou. Derek ainda estava vivo. Inseriu a chave na ignição e o
motor foi à vida.

— Austin está certo. — Disse ela com firmeza. — Precisamos nos concentrar em DJ.

Enquanto saia do estacionamento da instalação, pressionou alguns números no


celular que Ty lhe deu.

— Sim. — Respondeu Ty, sua voz cansada.

— Qual é sua situação? — Perguntou Melanie.

— Não se preocupe com ele. Concentre-se em DJ.

— Estou concentrada em DJ, Ty. Apenas diga.

O silêncio foi pelos mais duros segundos de toda a vida de Melanie. Todos os olhos
estavam nela enquanto esperava uma resposta.

Finalmente...

— Sinto muito, Mel.

Sua mão se esticou sobre o volante enquanto todo o resto nela se aferrava para não
desmaiar. O semáforo ficou verde. Colocou o telefone a seu lado e mudou a marcha.
Ainda está vivo.

Danny soltou um soluço e começou a saltar por cima do assento com Rafferty em
sua mira, mas Austin lhe impediu de chegar à parte posterior com seu antebraço.

— Danny, não comece. — Suplicou em voz baixa. — Precisamos dele.

— Nós o tínhamos de volta, Austin! — Gritou. — Era real e este homem nos tirou
outra vez!
Melanie apenas dirigia, levando a caminhonete pela interestadual, dirigindo ao sul
ao sol poente a sua direita. Quando seus olhos se encheram de lágrimas, as limpou e se
manteve dirigindo. Está vivo.

— Pode ver? — Perguntou Austin do assento traseiro.

— Sim, estou bem. — A mentira saiu pesada de sua língua.

Estava longe de estar bem. Mas não era porque Derek estivesse morto, mas sim
porque Danny estava sofrendo acreditando que estava.

Austin não se deixou enganar.

— Porque todos nós precisamos dar um passo e terminar o que a IGP começou. Não
podemos deixar que o golpeiem e não o farão sempre que retomemos onde ele o deixou.

— Um grande discurso motivacional. — Murmurou Rafferty. — Aplaudiria se


pudesse.

Melanie decidiu que, assim que DJ estivesse seguro e Derek estivesse de novo em
casa, o homem sofreria múltiplas viagens ao inferno e de retorno por todos os momentos
miseráveis que Derek passou em cativeiro. Colocou seus olhos nele pelo espelho
retrovisor e agarrou a mão de Danny. A mulher estava fazendo todo o possível para
dominar suas emoções.

— Já tirou as bolas de seu peito, Rafferty? — Melanie perguntou saindo


rapidamente da estrada.

— Desceram muito bem, obrigado, Srta. Parker.

— Bom. Porque Danny precisa de algo para se acalmar agora.

Danny apertou sua mão enquanto procurava seu rosto, mas Melanie continuou
observando a estrada.

O telefone de Austin tocou com uma mensagem de texto.

— Mac está a caminho com DJ. Estaremos com eles em breve.


— Pode ser a última vez que verá o menino vivo. — Disse Rafferty.

— Por quê?

— Direi isso se me der à dose.

— Terá quando River não tiver êxito. — Respondeu Austin com sua imponente voz.

— Os meus sintomas apenas começam daqui a uma hora. Pelo que sei, River me
levará de volta à sede do IGP até lá.

Austin se aproximou do homem, ameaçando puxar a maçaneta da porta ele.

— E se ansiedade o impedir de ser motivado, eu lhe darei tudo o que você precisar.

— Você não vai me jogar. — Desafiou-o Rafferty. — Precisa de mim.

— Mas posso manter fora a parte superior.

Ele soltou um profundo suspiro e apoiou a cabeça para trás contra o assento.

— Esse é um velho truque fantasma. River irá discretamente controlar seus


movimentos. Quando se encontrarem, matará dois pássaros com uma pedra só. Em seu
caso, cinco pássaros. Sem testemunhas.

Melanie falou por cima do ombro.

— Envie uma mensagem a Mac. Diga-lhe que mudaremos nosso ponto de encontro
ao lugar favorito do meu avô. Ele saberá onde está.

— Falar em código não funcionará. — Disse Rafferty sempre com um sorriso. —


River ainda poderá segui-los.

— Como? — Perguntou Austin.

Rafferty indicou o copo em sua mão. — Pelo menos me dê algo para dor.

Austin revisou os medicamentos. — Aqui há algo com codeína. Quer?


Rafferty fez um gesto com o queixo para a motorista. — É ela.

— O que há com ela?

— Ela tem um dispositivo de rastreamento na coxa.

Melanie simplesmente continuou dirigindo.

— Inserimos há algumas semanas no caso de Bennett tentar desertar durante sua


missão. — Rafferty a observou pelo espelho retrovisor. Seu sorriso era mau. — Fui eu.
Estive em seu quarto. Implantei e então lambi sua boceta e você gostou disso.

Austin lhe deu um tapa no rosto. Rafferty caiu junto à janela durante uns segundos e
logo começou a ofegar antes de dizer: — Não me diga que nunca tentou fazer isso.

Outro golpe encheu a cabine com um uivo de dor.

— Está fazendo jogos mentais conosco. — Disse Melanie. — Quer que nos
descuidemos.

— Eu sei. — Respondeu Austin com raiva mal contida. — Acabei de lhe dar algo para
a dor.

Ele abaixou o vidro, jogando o comprimido.

— Espera! — Havia pânico na voz de Rafferty, misturado com ironia. — Ouça, estava
brincando, vamos.

Danny limpou o rosto o melhor que pode, suspirando alto.

— Não deveríamos parar?

Melanie continuou. — Parar para que?

— E se estiver dizendo a verdade? Não podemos levar este fantasma para DJ.

—Não o faremos.
Rafferty disse de trás. — Ela acredita que estou mentindo. O que poderia ser certo,
mas quer realmente tomar essa oportunidade?

Deveria divulgar que o dispositivo já foi eliminado? A suspeita surgiu do simples


feito de que ele foi tão serviçal, assim Melanie decidiu ficar em silêncio por agora. Queria
ver o que viria, além de sua evidente tentativa de diminuir sua velocidade.

— E se não quiser parar, sei como neutralizá-lo sem romper a pele. — Disse
Rafferty, de maneira efetiva.

— Como? — Austin perguntou, agitando a mão diante do rosto do homem para


romper sua concentração em Danny.

Mas Rafferty continuou olhando seu perfil. — Chupando-o com força. O hematoma
confundirá as coisas por alguns dias.

Os olhos de Melanie se estreitaram com suspeita.

— Será melhor fazê-lo antes que seja muito tarde. — Insistiu. Danny finalmente
trocando olhares com o homem, seu ódio cheio de dor, o dele sedutor. Desafiante. Ele se
inclinou. — Abra suas pernas. Coloque os lábios. Em sua coxa. E chupe.

— Está mentindo. — Provocou Melanie enquanto assinalava para tomar a próxima


saída.

Rafferty relaxou contra o encosto. — Estou. Apenas queria ver se o faria.

Houve uma rajada repentina de atividade atrás deles e antes que as mulheres
pudessem reagir, Rafferty estava inconsciente.

— Acaba de cair justo em suas mãos, Austin. — Disse Melanie inexpressivamente


enquanto girava à esquerda em uma pequena estrada de duas pistas.

Austin trabalhou a dor de seu punho.

— Não podemos confiar nenhuma palavra que saia de sua boca, de qualquer
maneira, mas está segura que está mentindo?
— Não sobre o dispositivo de rastreamento, não.

— Então, talvez deveríamos parar em algum lugar. Tentar nos desfazer dele de
algum jeito antes de ir mais longe.

As lembranças assaltaram seu cérebro e a escuridão dentro dela aumentou.


Levantou a cabeça, endireitando as costas.

Ainda está vivo.

— Derek já o fez por mim.

— Este é o lugar favorito de seu avô?

— Cale-se, Rafferty.

À medida que o grupo de quatro pessoas se empilhava na calçada, Melanie ignorou


o homem. Deixaram-no com Austin para que ela se abstivesse de empurrar algo longo e
pontudo através do canal de seu ouvido. Olhou à direita. Dois idosos ocupavam um banco
sob o toldo da agência de correios, desfrutando do ar fresco do entardecer. Um deles lhe
fez gestos. Olhou à esquerda. Três carros estavam na frente do café bem iluminado, uma
multidão para o pequeno povoado moribundo no qual seu avô vivia.

Melanie normalmente adorava visitar esse lugar. O pôster verde de bem-vindo


reivindicava uma população de cento e seis pessoas.

O morteiro sobre o banco da esquina tinha a data de 1872. A maioria das janelas ao
longo das fileiras de edifícios frontais falsos foi abandonada e a escola de seis salas de aula
no final da rua principal foi fechada há muitos anos.
Sua atenção retornou à barbearia de tijolos diante dela. Uma das mais antigas e a
última da cidade anunciando sua capacidade de recuperação em forma de um sinal
vermelho, branca e azul do cabeleireiro na frente. A porta estava fechada, as janelas
estavam emolduradas em cal degradada e os decalques se desvaneciam no vidro
gabando-se dos cortes de cabelo de cinco dólares.

Algo que não mudou desde que se lembrava.

Enquanto seus amigos montavam guarda, ela tentou a maçaneta. Fechado. Com o
nariz ao vidro, ela bateu com uma junta e esperou. Segundos depois, a porta para a sala
de trás da loja abriu uma fenda. Então abriu mais. Melanie precisou lutar contra o nó de
emoções na garganta.

Um homem de pele escura passando dos oitenta anos se aproximou da porta e


rapidamente virou a fechadura, a deixando entrar. Uns pendentes de sinos ecoaram
contra a madeira.

— Depressa, jovenzinha, entra aqui!

A saudação habitual de Melanie nunca chegou a sua língua enquanto entrava na


loja.

— Obrigada, Elijah, vovô está aqui? Mac chegou com DJ?

O homem deixou a todos a salvo dentro e fechou as persianas.

— Estão na parte de atrás. Vamos dar uma olhada.

— Olá, Elijah. — Disse Danny sem entusiasmo.

Dentro da loja era grande o suficiente para uma cadeira de barbearia e uma curta
fila de assentos. Os jornais, que foram lidos e descartados pelos assíduos, eram a única
indicação de que os sinos de seu avô soaram naquele dia. Mas sempre o faziam, apesar de
que poucas vezes tinham que cortá-los com as tesouras.

— Ugh. Bolas de naftalina.


Rafferty estava claramente impressionado com seu entorno, mas seu crescente
nível de dor estava começando a afetar a todos. Austin ficou atrás com ele atuando como
guarda.

A sala dos fundos era quatro vezes maior que a loja em si mesma e uma vez abrigou
vários vagões utilizados para o desfile do festival anual de carvão da cidade. Melanie
seguiu a luz e parou. Ali, no chão estava seu menino, jogando bola com Mac e com um
familiar cão negro.

As lágrimas encheram seus olhos imediatamente.

— Mamãe! — DJ gritou quando a viu. O menino se levantou em uma posição


instável.

Melanie voou ao seu filho, caiu de joelhos e o tomou em um forte abraço que ele
devolveu com vigor. Logo, no entanto, estava lutando por sua liberdade, mas ela não
podia deixá-lo ir. Com os olhos fechados, inundou-se em seu calor, tocando seu cabelo
sob sua palma, o suave aroma de sabonete...

E se perdeu. Seu agarre se apertou como se seu temor de que Derek na realidade
pudesse ter desaparecido se mesclou com o amor e seu peito se afundou pela emoção.
Grandes braços foram ao redor dos dois.

Mac era um homem grande, podiam caber facilmente os dois em seus braços. Hoje,
seu refúgio de braços lhe ofereceu uma pausa muito necessária dos perigos, mas fez
pouco para aliviar sua dor.

— Shhh. Mel está assustando DJ.

Quando se separaram, ela assentiu com compreensão e fez o que pode para se
acalmar. Apenas então percebeu que Chewie estava brincando de correr ao redor deles
unindo-se a seu amor. Mac lhe entregou um lenço limpo de seu bolso traseiro, seu amplo
bigode com uma careta quando examinou sua roupa.

— Não é sua aparência habitual.


Melanie apertou DJ em seu colo e o menino precisou defender-se de uma chuva de
beijos caninos.

— Como Chewie conseguiu chegar até aqui? — Perguntou ela, agradecida, pelo
menos, do amparo do cão.

— Não conseguimos mantê-los separados. — Disse Danny, unindo-se a seu círculo


no tapete. Ela e Mac compartilharam um olhar. — Ty o deixou ir com DJ já que é onde
queria estar. Talvez haja algo que dizer a respeito desse sexto sentido.

Melanie olhou a manta rosada com monograma da bolsa de fraldas.

— Oh, não. — Foi para dar sua melhor aparência de sorriso. —Sasha alguma vez terá
sua manta de volta?

— O cão não renunciou a ela. — Disse Mac, passando uma mão pela curta penugem
da brilhante cabeça. — Parece pensar que é de DJ.

A tristeza desceu sobre o grupo. Mac olhou entre as duas mulheres com
preocupação.

— Precisam me contar tudo, porque me sinto com um problema maior que estes
assim chamados fantasmas dos quais estamos fugindo.

As palavras mal chegaram. — Dispararam em Derek.

A testa de Mac franziu.

— E?

Danny balançou a cabeça, incapaz de falar.

— Não conseguiu?

— Ty estava com ele. — Os olhos de Melanie se fecharam enquanto apertava os


lábios no cabelo de DJ. Ainda está vivo. Ty está errado.

Talvez esteja mentindo.


A porta dos fundos se abriu, fazendo saltar todos. A curta forma arredondada de
Emery Parker entrou rapidamente e fechou a porta atrás de si, com uma grande bolsa de
papel na mão. Quando tirou a boina de tecido, Melanie transferiu de forma segura DJ aos
braços de Mac e levantou-se.

— O que estava fazendo fora, vovô, isto não é um jogo.

As espessas sobrancelhas brancas se ergueram sobre os olhos cinza cansados pela


idade. Eram os olhos mais amáveis que Melanie conheceu. O homem limpou a garganta
em seu ouvido quando ela o apertou com força. Apesar da barba e das manchas brancas
pela idade, Emery se negava a renunciar a seu espírito jovem.

— Realmente acha que algum jovem punk olhará duas vezes a um velho como eu?

Separaram-se. Melanie secou os olhos. — Bem, não andará por aí até que isto
termine. Entendido?

Ele levantou a bolsa enquanto recuperava o fôlego. — Ainda bem que trouxe o
jantar, porque deixei minha lata de raviólis em casa.

— Lamento fazê-lo passar por isso. — Disse ela com tristeza. Enquanto Emery
distribuía as embalagens na mesa, a única superfície na sala, Melanie voltou sua atenção a
Mac e Danny.

— Parece que se moveu contra o vento e a maré para lutar por você. — Disse Mac
enquanto descansava sua bochecha contra a parte superior da cabeça de Danny.

— As probabilidades foram injustas, Mac. Ele não teve muita oportunidade.

— Bem. E se fosse possível absolutamente, seu irmão teria encontrado uma


maneira. As poucas vezes que encontrei com ele, sua determinação era intimidante como
o inferno.

Melanie ficou ali, sem saber o que fazer. Danny era sua rocha. O exemplo mais alto
de força. Como poderia ser tão positiva se Derek se foi?

Danny soluçou no ombro de Mac.


— Suponho que deveria agradecer porque consegui vê-lo novamente, mas agora
mesmo tenho uma triste necessidade de lidar com mortes e destruição.

Mac fez uma careta junto a sua cabeça e Melanie captou seu olhar. — Posso dar
uma olhada em Rafferty antes de transformá-lo em carne moída?

Ela indicou a porta da barbearia.

— Está na frente com Austin. Vá. Mas Mac? — Ele a olhou quando ficou de pé. — A
única coisa que evitou que matasse a todos é o fato de que já está ferido. Recorde isso.
Nunca o subestime e nunca baixe a guarda.

Seu celular tocou no bolso. Melanie virou de costas, olhando a tela. Era Ty. Bem, a
pessoa a quem estava a ponto de ligar.

Colocou o telefone em sua orelha, abriu a boca, mas as palavras não puderam sair.

— Mel?

Ela engoliu. — O que?

— Encontrou DJ?

— Sim, estamos com ele agora. — Foi um pouco mais que um sussurro. — Como
está Derek?

O silêncio que se seguiu aprofundou seu sentido de pavor, mas o reprimiu.

— Mel... sinto muito, mas Derek não...

Sua curta risada enlouquecida o interrompeu. — Não se preocupe. Rafferty não


pode me ouvir. Apenas me diga a verdade.

Um suspiro doloroso profundo.

— Tentei. Realmente tentei salvá-lo. — Ty parou. Quando voltou a falar, sua voz
estava trêmula. — Mas a ferida era mortal. Não havia nada que pudesse fazer.

Está mentindo.
— Disse que cuidaria dele. — Seu punho se apertou a seu lado — Assegurou-me que
ficaria bem.

— Sim, eu queria que fosse o caso, mas...

Melanie desligou e ficou olhando o telefone com ódio. Como podia Ty mentir assim?
Inclusive depois que lhe assegurou que ninguém podia ouvi-la? Supunha que estivesse ao
seu lado. Ela poderia? Danny? Poderia Derek estar tão equivocado?
No momento em que ela apagou as velas, Derek soube qual seria seu próximo
movimento. A melhor amiga de sua irmã estava flertando com ele durante os últimos três
anos, torturando-o com seus gestos sensuais e petulantes. Agora que tinha dezoito anos,
finalmente teria a liberdade de provar o que lhe oferecia.

Mas Melanie Parker o assustava como o inferno. A petulante loira era sem dúvida
nenhuma o maior perigo que poderia enfrentar, mesmo diante de sua promessa de sempre
manter-se afastado. Ela não era mais que uma menina recém descobrindo os poderes que
possuía. Certamente não era virgem, não com a destreza que demonstrava cada vez que
estava próximo a ela, mas algo lhe dizia que ela não estaria em um ambiente confortável
se a levasse para cama.

Seus amigos aplaudiram. Enquanto seu avô sorria com orgulho, o sorriso dela
embebeu todo o restaurante em sua penumbra exalando sexo. Desta vez, quando o olhar
do Derek passou por ela desde suas sandálias até o vestido de noite branco sem mangas,
ele deixou que sua imaginação o levasse aos lugares mais agradáveis e escuros. Então,
percebeu o mordaz olhar que Emery lhe dirigia, tendo todos os pensamentos agradáveis
indo embora e em seu lugar, a vergonha fez com que suas feições ruborizassem.

Que o velho fosse para o inferno. Que sua irmã fosse para o inferno. Derek
simplesmente não podia remover a imagem de Melanie debaixo dele enquanto tirava sua
roupa. Seu jeans ficou incômodo. Em pouco tempo, perderia a oportunidade de se levantar
e ir ao banheiro. Então, enquanto Melanie cortava seu bolo de aniversário, desculpou-se.

Velas estavam acesas em todas as mesas. Seu casaco estava pendurado de modo
descuidado sobre um de seus braços para esconder sua ereção. Uma bela mulher de uma
cabine de canto lhe enviou um sorriso, mas se seus instintos estivessem certos, teria um
bocado de suas mãos em poucos minutos.
Seguiu os sinais indicando o banheiro num corredor que ficava nos fundos. Depois de
mover seu olhar no banheiro masculino por um breve momento, olhou para a outra porta.
O feminino. Sem sua habitual cautela, bateu na porta, evidenciando a abertura.
Desocupado.

No que estava pensando? Não tinha nenhum plano. Claramente estava ficando
louco. Mas algo lhe dizia que não esperaria por muito tempo.

Suas sandálias golpeavam contra os ladrilhos, o que evidenciou que seu jogo de gato
e rato estava a ponto de chegar a um alucinante final.

Quando ela virou o corredor, ele estendeu a mão e a pegou pelo braço. Seu ofego de
surpresa foi interrompido quando ele a puxou para o banheiro feminino e rapidamente a
empurrou dentro. Enquanto fechava a porta, seus olhos foram para seu rosto confuso. Ela
sabia que ele estava a ponto de tomar tudo o que lhe ofereceu no passado... mas que se
negou com veemência.

Nenhuma palavra foi necessária. Não havia tempo. Ele se inclinou e reclamou sua
ansiosa boca, ambos sem fôlego e famintos pelo tipo de atenção que seus corpos exigiam.
Ele cercou seu corpo e pressionou suas costas contra a parede junto ao dispensador de
toalhas, empurrando sua ereção dura como uma rocha contra seu ventre. Suas mãos
estavam em todas as partes, aprofundando-se sob sua roupa para tocar a pele nua. O
casaco que ela usava quase caiu no chão, mas ele estava sobre ela, desviando-a para o
lavabo. Cobriu a superfície com ele e a levantou.

A saia branca solta se espalhou ao redor de suas coxas e suas mãos ficaram entre
elas. Moveu-se para cima, encontrado a suave seda de sua calcinha.

Os lábios dela romperam o contato com os seus e ficou sem fôlego. Seus dedos
calejados e ásperos entraram na delicada malha, continuou acariciando a fenda quente
entre suas pernas. Melanie jogou a cabeça para trás, mostrando a esbelta coluna de seu
pescoço e ele saboreou sua delicada pele. Não conseguia se lembrar de sentir tanto tesão
por uma mulher, tal como sentia por ela. Com uma necessidade que beirava ao desespero,
desabotoou a calça e liberou seu pau. Empurrou a saia ainda mais no alto de suas coxas e
a puxou com firmeza contra ele enquanto colocava sua cabeça contra a delicada entrada
de sua boceta. Ela gemeu, apoiando a testa contra a sua e movendo-se em harmonia
com ele. Sua química não se parecia com nada do que alguma vez experimentou.
Ela sabia como se mover, como olhar, como fazer sons, tudo o que fazia o atraía.

— O que está esperando? — Perguntou ela, sem fôlego pela necessidade. Sua
resposta saiu áspera.

— Retomar meus sentidos.

Ela se esticou ao redor, encontrando sua carteira na parte de trás de seu bolso e a
tirou. Com uma torpe pressa, ela pegou o preservativo e logo deixou que a carteira caísse
no chão.

Abriu o pacote. Ela se estendeu entre suas pernas e colocou seu pau na mão,
fazendo-o rodar sobre seu pênis enquanto observava seu rosto. Sim, ela certamente fez
isto antes.

Agora não havia desculpas. A última de suas barreiras se rompeu e sua calcinha
rasgada se uniu com a carteira jogada ao chão. Ela se inclinou para trás em seus braços
enquanto ele se movia sob seus joelhos. Quando entrou em seu calor, ambos gemeram
com êxtase, perdendo-se no momento.

A princípio, ele tomou seu tempo. Os dois estavam ainda totalmente vestidos
enquanto ele deslizava dentro e fora de seu úmido calor. A lembrança o levou ao seu
quarto quando ela "acidentalmente" confundiu sua porta com a de Danny. Usando nada
mais que uma toalha, Melanie fingiu choque, virou e lhe deu uma piscadela sobre o ombro
enquanto fechava a porta. Ela tirou todo seu equilíbrio com isso, completamente, e com
certeza foi bem-sucedida em seu acidental erro de quarto. Depois desse dia, a necessidade
de saber o que havia debaixo da toalha, se tornou dolorosa.

Agora, ele puxou as alças de contas de seu vestido até os cotovelos, prendendo a
parte superior do mesmo, sob os mais belos seios que já viu. Saltavam com cada golpe e
ele se encontrou empurrando mais forte apenas para vê-los balançar, sentindo-os deslizar-
se sob suas palmas.

Os sons que ela soltava ficaram mais fortes. Seu prazer logo chegaria a ponto de
ebulição e sabia que gozaria rápido se não se controlasse.
Ele parou de repente, recuperando-se enquanto abaixava sua boca e chupava o
rosado mamilo de seu seio.

— Porra garota, você tem gosto de morango.

— É o creme hidratante que uso em meu corpo. — Suspirou ela, contorcendo-se sob
sua boca. — Eu sei o quanto você gosta de morangos.

Ele gemeu e começou a se mover dentro dela novamente.

Incapaz de suportar o desejo agarrou-a pelos ombros, com um pé apoiado no lavabo


ao lado de seu quadril e começou a bater realmente forte. No momento em que suspeitou
que a posição e a força combinada era demais, ela gemeu suplicando por mais.

— Isso está é... tão bom.

Incrivelmente bom. Muito bom. Suas escorregadias paredes tremeram ao redor de


sua ereção enquanto ela gozava e sua cabeça caiu para trás com tanta força que golpeou
o espelho do lavabo.

O vidro quebrou, fazendo um som gutural que nunca ouviu antes. Era como se a
violência intensificasse seu clímax.

Quando esse revelador momento de completa plenitude tomou conta dele, conteve
a respiração à espera. A primeira bomba de liberação saiu com resultados surpreendentes.
A segunda quase o deixou de joelhos.

A terceira lhe disse que não estava perto de terminar. Uma e outra vez gozou até
que pensou que iria chorar. Santa Maria Mãe de Deus.

Derek continuou movendo-se dentro dela até que seu pênis finalmente entregou-se.
Desabou exausto em seus seios nus e ficou entre eles até que pode recuperar o fôlego. Era
um lugar celestial para ficar.

— Derek?

Ele levantou um dedo, pedindo mais tempo.


— Um... acho que estou sangrando.

As vozes em sua cabeça ecoaram as palavras até que mudaram de tom. Até que já
não era a voz de Melanie que ouvia.

— Está sangrando novamente.

— Afirmamos que não é um golpe no pulmão. Observe e utilize a pinça hemostática.

Algo o puxou. Ele sentiu uma sensação de ardor que despertou uma dor ainda mais
profunda dentro de seu peito.

— Limpe-o.

Não! Seu instinto se rebelou contra qualquer forma de escravidão que se fizesse
presente e Derek começou a brigar por essa liberdade sempre elusiva que desejava.

— Porra, pensei que estava desacordado!

— Não sou anestesista Ty, estava apenas dando alguns sedativos.

— Então, lhe dê mais!

Com essas palavras, seus pesadelos retornaram.

****

Melanie apoiou o ombro contra o batente da porta e observou a cena. A sua


esquerda, Rafferty sentado lutando na cadeira de barbeiro com fita adesiva na boca e uma
corda amarrando seus pulsos até tornozelos por trás. A sua direita, Elijah estava na sala de
espera em seu habitual lugar, fechando o jornal nas mãos e voltando-o para abrir outra
página. O velho amigo e companheiro do exército de seu avô estava completamente
imperturbável ao drama que acontecia ao seu redor. Era obvio, duas guerras e seis filhos
poderiam fazer com que se tornasse alheio às coisas.

— Nada ainda?

Elijah a olhou sob seu nariz largo e reto.


— Somente gritos. Nunca vi um homem tão gritão como esse.

— Gritará muito mais em breve. — Murmurou ela, em direção ao seu refém


amarrado. — O que diz Rafferty? — Perguntou com as mãos nos quadris enquanto o
olhava. O homem bem vestido e bem penteado, que a lavou antes desse dia era um
espetáculo tão patético, que quase sentiu lástima por ele. O emplastro que cobria a
metade de seu rosto estava começando a ficar feio pelas infiltrações. Sua camisola de
hospital estava pendurava entre suas pernas peludas, que estavam abertas.

— Precisa fazer xixi? — Perguntou ela.

Grunhidos e gemidos.

— Seu grande amigo cuidou disso antes. — Ofereceu Elijah do lugar em que estava
sentado. — Não queria que sujasse nossa cadeira.

— Algo para beber, então?

Os gemidos viraram lamentações.

— Ah. Está sentindo dor.

Soluços. O nariz do homem começou a gotejar. Nunca antes foi tão insensível em
relação a outro ser humano em sofrimento.

— Elijah, por que não nos deixa sozinhos um momento? Há algo que Rafferty e eu
precisamos conversar.

— Melanie. — Austin ocupava toda porta que acabava de abandonar. — Não a


quero perto dele. Apenas no caso...

Mas ela estava desfrutando muito da vista. Suas narinas se abriram.

— Tudo bem. — E saiu enquanto Rafferty gritava por sua atenção sob a mordaça. —
Acho que deixarei que você tenha toda a diversão.

Austin a puxou pelo braço enquanto passava. Seus olhos ônix a olharam
cuidadosamente sob um conjunto de sobrancelhas negras.
— Está bem?

Longe disso. — Estarei bem quando a IGP cair.

Sentiu os olhos de Elijah sobre ela e olhou momentaneamente na direção do velho


antes de ir ao banheiro. Então, fechou a porta e caiu contra ela.

Por quê? Por que Ty fazia isto? Sabia que Derek estava vivo. Sentia no fundo de seu
coração, assim, por que acreditava que cairia em suas mentiras tão facilmente como fez
Danny?

Ele tentou muito soar convincente. O homem merecia um Oscar.

A fúria que corria por suas veias era tão evidente que seu corpo tremia fisicamente.
Foi ao pequeno banheiro e salpicou água fria em seu rosto.

Pingando, estudou seu reflexo no espelho.

— Com quem veio? — Perguntou com suspeita. Ty arrancou uma toalha de papel.

— Com Derek e Rena.

— Não tem mais ninguém aqui?

Ele lhe entregou o sanduiche. — Não que eu saiba.

— Mm-hmm. — Melanie aceitou o pão com uma sobrancelha levantada. — É um


mentiroso terrível e fácil de manipular.

Suas próprias palavras para um homem tão facilmente pego voltaram para
atormentá-la. Era um mentiroso terrível. Enquanto olhava fixamente a si mesma, uma
rachadura surgiu nas paredes de sua defesa que tão cuidadosamente ela construiu.

— É um bom mentiroso, Ty. — Sussurrou ela, repassando os fatos com poucas


palavras. O melhor mentiroso. Seu rosto começou a enrugar-se. Não! Não faria isto!

E o primeiro soluço a deixou de joelhos. Sua parede se rompeu e o dilúvio de dor


que seguiu sufocou as vozes que lhe diziam que tudo ficaria bem.
Mas nada estava bem. Seu mundo caía aos pedaços novamente. Como se suas
feridas de dois anos não fossem ruins o suficiente, o destino interviu novamente torcendo
a faca.

Alguém bateu na porta. Melanie se afundou no canto, enrolada e colocou uma mão
sobre sua boca.

— Mel. — Era Mac. — Posso entrar?

Ela conteve seus soluços, respirou fundo e disse informalmente: — Sairei em poucos
minutos.

O homem não discutiu, mas foi somente por respeito.

Quando teve certeza que ele efetivamente se foi, Melanie ficou em pé, pegou um
lenço descartável e limpou o rosto vermelho e retorcido.

Agora, observava seu reflexo através de um olhar diferente. Quem era? Em que se
converteu? Vinte e quatro horas antes era uma mãe que trabalhava com horário fixo. Os
planos para o fim de semana incluíam pescar e xícaras de chá frio na cadeira de balanço
da varanda. Sua maior preocupação era se ela se lembraria de comprar água no caminho
de seu trabalho no dia seguinte. E de quem eram os principais defeitos de seu
esquecimento e a incapacidade em seu livro de lembranças.

É obvio que não era alguém que pudesse causar dor, nem ver um homem sofrer e
não sentir nada mais que...

Indiferença.

Uma emoção tão solitária. Sem alegria. Sem compaixão. Sem esperança. Mas isso
era exatamente o que sentia. Era mais aterrador que a ideia de morrer. Que tipo de mãe
seria agora?

Agora que Derek estava...

Porra. Porra! Melanie apertou os olhos, apoiou-se no lavabo e inclinou sua cabeça.
Uma nova voz... uma voz pequena se levantou dos escombros de seu coração e lhe
sussurrou ao ouvido. Seria melhor seguir adiante sem saber que ele estava vivo? E se a
tivesse deixado e a DJ sozinhos e nunca desertasse da IGP?

E se a resposta fosse sim, para quem teria sido melhor? Derek não seria mais que
um fantasma de si mesmo, vivendo uma vida dolorosa, torturado em cativeiro até que
não restasse mais nada. Como alguém poderia esperar isso dele? E como poderia roubar
de si mesma sua declaração mais cobiçada de amor?

Isso é certo. Ele a amou. E amou DJ também. Ele morreu protegendo os seus. O
pensamento a fez endireitar sua coluna. Encheu seus pulmões com um profundo e
reparador fôlego.

Que tipo de mãe seria agora? Uma que mataria qualquer ser humano que
representasse uma ameaça para seu filho.

Colocou suas mãos sob a torneira aberta e salpicou água mais uma vez em seu
rosto. À medida que recebia o golpe de água fria, percebeu que estava escuro lá fora. O
perfeito ambiente para que um fantasma vagasse sem ser detectado. Rafferty jurou que
River poderia rastreá-los. Mas se já não eram rastreáveis, realmente poderia fazê-lo?

Sim.

O coração de Melanie retumbou enquanto algo surgia em seu pensamento. Uma


lembrança que não devia ter importância nenhuma. Estendeu a mão, fechou a torneira e
secou o rosto com a manga. Abriu a porta e se dirigiu para o lugar onde dormia DJ nos
braços de Danny.

— Mel?

Mac estava atrás dela, mas sua atenção se fixou no bebê. Seus dedos desabotoaram
a perna de DJ na cama e passou uma mão pelas dobrinhas gordinhas e suaves de suas
pernas. Parou, afastou-se, parando quando sentiu um pequeno buraco...

Um buraco que era uma picada de inseto recente.

— Não. — Melanie respirou, abrindo os olhos com medo.


DJ começou a se agitar. Danny estava prestes a entrar em um pesadelo, seus olhos
se moveram rapidamente sob suas pálpebras.

Chewie, que estava observando com leve interesse, moveu o focinho para porta
traseira e começou a grunhir.
— Que porra está fazendo?

— É uma surpresa. Não abra os olhos ainda.

Derek podia dizer, pelo cheiro horrível, que havia granjas de peru perto, mas tudo o
que ele via através da janela aberta era a estrada de terra e a colina íngreme.

— Vamos, Austin. Pelo menos me dê uma pista. Essa merda fede.

— Mantenha sua calça, já estamos quase lá.

Uns segundos mais tarde, o clássico Mustang vermelho de Austin parou. Ainda
irritava Derek que seu melhor amigo conseguiu primeiro sua carteira de motorista e logo
depois um doce passeio. As vantagens de ser rico agora superavam as de ter uma família
numerosa. O que poderia fazer por ele muitos irmãos e uma irmãzinha irritante além de
transformá-lo no menino de recados? Sabotar suas tentativas de ir com as garotas para a
varanda dos fundos?

A porta do lado do motorista se abriu. As dobradiças chiaram anunciando sua


chegada, se o barulho do motor não tivesse feito já.

— Fora. Mostrarei a direção correta.

A venda sob seus olhos era irritante, mas logo sentiu as mãos de Austin sobre seus
ombros, guiando-o através do cascalho. Ele caminhou direto a um par de latões de lixo de
metal provocando um inferno de barulho.

Austin começou a rir. — Oops. Sinto muito.

Derek começou a rir também. — Não seja idiota, cara.


— Dirá meu nome em um segundo.

Cigarras cantavam seu som enquanto caminhavam profundamente no bosque.


Percebeu que era o bosque pelo aroma e pelo terreno mais suave.

— É melhor que seja bom se me picar o traseiro todo o dia.

— Não sei, diga você.

E pararam. Derek levantou as mãos.

— Agora?

— Vamos, estou envelhecendo.

Colocou os polegares sob lenço vermelho e o tirou. Tomou um momento a sua visão
se limpar, mas quando o fez, seu queixo caiu.

— Merda, Austin. É... é perfeito!

Era um carro velho. Sobre tijolos, não viu a estrada fazia bastante tempo e a pintura
púrpura era horrível, mas havia pouca ferrugem e o para-choque estava completamente
intacto.

— Uau. Assento dianteiro. — Cantarolou, com o nariz grudado no vidro. Não havia
muitos dos modelos Hemi.

— Para as mulheres... — Terminou Austin com as sobrancelhas levantadas. — Vejo


estradas em seu futuro.

Derek concordou enquanto completava a inspeção da parte posterior, passando


uma mão ao longo das luzes traseiras do largo e completo automóvel, 1970 foi o único ano
em que as tiveram.

Depois da inspeção, ajoelhou-se diante da grade e tocou o emblema cromado e


embutido.

Challenger R/T.
— É exatamente o que estive procurando. — Disse, esfregando com amor.

Austin sorriu. — Eu sei. E consegui um bom preço se o quiser.

No momento que abriu a boca para gritar sua alegria às copas das árvores, um
disparo soou através do ar. Dor esfaqueou seu peito e cambaleou para trás pelo impacto.
O que começou com palavras terminou com uma busca aterrorizada de ar.

— Derek!

Austin... ajude-me! Mas as palavras nunca chegaram.

— Derek!

Mas estava caindo na terra em exaustiva câmara lenta.

— Derek!

O som de água correndo atravessou sua cabeça, fazendo-se ensurdecedor e logo,


pouco a pouco, acalmando-se.

— Vamos, irmão, abra os olhos.

Com grande esforço, levantou suas pálpebras até abri-las em frestas.

— Assim! — A voz o animou. — É hora de despertar.

Quando tentou usar sua própria voz, nada aconteceu. A inclinação natural de
sentar-se produziu outra fisgada de dor e finalmente soltou um som de angústia.

— Com calma, tome as coisas com calma.

Seu cérebro se iluminou. A pessoa que o guiava pelo éter era Ty. Seus olhos se
abriram um pouco mais. Agora que sabia que podia, passou a língua por seus lábios
ressecados e tentou fazer funcionar suas cordas vocais novamente.

— Onde, onde estamos?


A cabeça de Ty entrou em seu campo de visão. A princípio era apenas um loiro de
corte militar e dois círculos escuros por olhos, mas logo notou o sorriso de esperança. O
homem levantou suas mãos.

— Está na minha unidade médica improvisada, homem. Bem-vindo de volta!

Uma avaliação rápida e verificou que não usava nada da cintura para acima, apenas
um curativo no peito e sim, um na parte de trás, também.

— O que aconteceu?

— Atiraram em você. Sophie. — Ty olhou a bolsa de fluidos que estava pendurada


da cama. — Por sorte, a bala não entrou no pulmão, mas apenas por um triz. Bateu em
uma costela e parou antes de cortar a pele do outro lado. Tive que cortá-la, mas por sorte
pude senti-la ali.

Agora lembrava. Ao descer do elevador, limpando os dedos molhados em sua calça


do uniforme enquanto caminhava junto à Rena. Mas a partir daí tudo era um espaço em
branco.

— Melanie...

Ty derramou um pouco de água em um copo de plástico.

— Está bem. DJ, também. Estão com sua irmã e seu marido.

— Eu quero...

Ele colocou o copo nos lábios de Derek.

— Terá que deixar seu traseiro nessa cama e ficar quieto mais um pouco. Não se
preocupe com eles, estão seguros.

****

As luzes se apagaram. As patas de Chewie clicaram contra o piso de madeira


enquanto ficava de pé.
Melanie colocou seu bebê sob seu braço, o puxando perto. Acendeu um fósforo.
Uma luz tênue ficou mais brilhante quando a chama tocou um pavio e cresceu.

À exceção dos batimentos de seu coração, havia um completo silêncio. Danny


acordou lentamente, despertando de seu pesadelo apenas para enfrentar um de verdade.

— O que está acontecendo? — Sussurrou.

— Não sabemos ainda. — Respondeu Melanie, mas a espera a estava matando.

A porta da loja se abriu um pouco mais. Os gemidos de Rafferty eram mais fortes no
fundo agora. A escassa luz do poste da rua iluminava as sombras, emoldurando a altura
inconfundível de Austin por trás.

— Emery? — Disse.

O avô de Melanie apontou com a lanterna o chão.

— Não está aqui dentro escondido. Não há janelas que possam abrir. Deve estar
fora.

Melanie percebeu algo que a fez dar uma segunda olhada.

— Vovô, desligue a lanterna por um segundo.

Ele o fez. Ali estava outra vez, um movimento da luz atrás de Austin. Seus olhos se
abriram em estado de choque.

— Austin, lá fora! Atrás de você!

O vidro se estraçalhou. Chewie se recostou sobre suas patas traseiras e latiu


agressivamente.

— Agora! — Gritou Elijah. Tanto ele como Austin voaram para o quarto de trás,
fechando com chave a porta. Todo mundo se agachou, cobrindo os ouvidos. Melanie
cobriu os ouvidos de DJ como ensaiaram.
Uma explosão incrível de luz e som passou através das frestas da porta. Os tímpanos
de Melanie se revoltaram apesar de que estavam em uma sala diferente.

Sem tempo para recuperar-se, Austin se lançou para porta de novo e a atravessou.
Foi sem dúvida brusco, mas o homem estava em uma missão. Ver se pegaram algo com
sua isca amarrada.

— Essa foi uma granada de percussão? — Melanie sabia que era, mas mal podia
ouvir-se si mesma. DJ chorava em seu colo e Chewie era um monte trêmulo de nervos.
Pobre cão, ninguém cobriu suas orelhas e provavelmente estava com tanta dor como o
homem da cadeira de barbeiro.

— Disse que este fantasma tem a visão noturna melhorada e a audição? —


Perguntou Emery.

Melanie assentiu. — Não mais.

Elijah e ele compartilharam um olhar. Os dois veteranos sorriram e começaram a rir


com infantil alegria.

Mac gritou da porta. — Pegamos algo?

Austin gritou. — Rafferty se foi!

Subiram à barbearia. As janelas e o espelho pareciam pedaços, pulverizados pelo


chão. Líquido azul cobria o balcão onde os diversos pentes e tesouras estavam guardados
em um frasco de vidro. Rafferty não estava à vista, mas suas cordas foram cortadas pelo
fantasma desconhecido, negro encapuzado gemendo no chão.

Austin começou a correr com a esperança de encontrar Rafferty. Mac se encarregou


e ergueu sua captura friamente na cadeira de barbeiro.

— Vocês dois querem trabalhar sua magia? — Perguntou e Emery e Elijah pegaram
um cilindro de corda.

Todos se reuniram ao redor do assassino para ver quem era o problema. Mac
moveu o capuz para trás.
— É uma criança. — Murmurou Elijah com atitude.

— Acredito que o vi em um comercial de pudim uma vez.

O fantasma chamado River parecia ser exatamente isso. Um menino. Seu rosto em
forma de V tinha alguns sinais de acne e seu cabelo marrom estava caindo suavemente
sobre sua testa e orelhas.

Melanie não se abalou pela inocência infantil. Sabia que era tão perigoso quanto os
outros.

— Acredito que esteve aqui por um tempo porque acabo de encontrar um


dispositivo de localização na perna de DJ. — Informou ao grupo, virando DJ em seu
quadril. Seu ouvido estava voltando para um timbre normal e o zumbido era mais tênue
agora. — Esteve esperando na escuridão. A pergunta é o que esteve fazendo enquanto
esperava seu momento?

Mac pensou nisso enquanto River começava a lutar contra as cordas.

— Parece que planejava liberar primeiro Rafferty. Pequena merda rápida.

— Pode fazê-lo antes que a granada explodisse.

— E então o que, mataria a todos um por um?

Os olhos do rapaz estavam abertos e vigilantes, mas cada vez que movia seus
pulsos, seus tornozelos sofriam por isso.

— Você precisa me deixar ir. — Disse finalmente, revelando um leve espaço entre
seus dois dentes dianteiros.

Emery cheirou o ar, voltando-se para o quarto de trás. Alguém mais cheira a
enxofre?

Quando fez sentido, todo mundo ficou mortalmente quieto.

— Ou... — Disse Elijah com voz rouca. — Tinha a intenção de matar a todos de uma
vez.
****

Derek despertou de outro sonho, abriu os olhos.

— Ty.

Sua voz era muito fraca e Ty não estava em nenhuma parte ao redor. Quanto tempo
esteve inconsciente desta vez? Moveu sua cabeça para esquerda, estudando seus
arredores. O depósito estava vazio. Deu duas respirações curtas e balançou suas pernas
sobre um lado da cama. A dor em seu peito era insuportável, mas não algo que não
pudesse suportar. Às vezes ajudava sua resistência saber que sobreviveu a muito mais, a
uma dor mais profunda que esta.

Uma vez de pé, Derek testou cuidadosamente seus músculos, tocando a bandagem
no peito. Sabia que não deveria olhar, mas a tentação era muito grande. Moveu a faixa
longe, deixando-a em um canto. Uff. Escuras manchas alaranjadas rodeavam a confusão
sangrenta e coagulada. Ty usou o iodo para limpar a ferida. Por alguma razão, o buraco
em suas costas doía muito mais. Mas não havia nada que o mantivesse fora de serviço por
muito tempo.

Derek levantou-se lentamente. Seu capuz negro era uma confusão no chão e não
havia nenhuma outra roupa ao redor. Sua cintura estava rígida e desconfortável. Quando
a tocou, sangue seco caiu como flocos em seus dedos. A coisa estava em toda parte.

Deu um passo. A sala girou, mas se conteve contra a mesa e evitou uma queda feia.
Sua cabeça se afundou entre seus ombros, estirando seus endurecidos músculos
traumatizados. A dor estava em todas as partes, não apenas em sua ferida de bala.

A porta de enrolar subiu. Ty se agachou debaixo dela e parou quando viu Derek de
pé.

— Que merda, cara?

— Preciso sair daqui. — Disse Derek, sacudindo a vertigem de seu cérebro. — Mel
precisa de mim.

Ty deixou cair à porta no chão e o pegou justo quando estava a ponto de cair.
— Não pode. Perdeu muito sangue. E se começar a caminhar agora poderia
desmaiar ou inclusive cair em estado de coma.

— Então, me consiga um telefone. Preciso descobrir o que está acontecendo.

Ty o abaixou de novo à cama de armar.

— Estava no telefone com eles. É por isso que estava fora. Até agora, todo mundo
ainda está são e salvo.

— River encontrou uma maneira de...

— Chewie está com eles. River não chegará a vinte metros sem que eles saibam.

— Mas...

— Relaxe, amigo. Tudo ficará bem. — Deu a seu rosto uma palmada e sorriu. —
Confie em mim.
Todos ficaram na calçada do outro lado da rua e observaram enquanto River lutava
contra suas amarras através da janela quebrada.

Melanie afastou o telefone de sua orelha e o segurou no alto.

— Sinto muito River, não puderam chegar a sua bomba a tempo! Espero que esteja
em paz com Deus!

— Não! — Os ombros do rapaz se retorceram em seus esforços por sair da cadeira


de barbeiro. — Rafferty, me ajude seu filho de puta!

— Todo mundo, agache!

As pessoas que passavam pela rua se agacharam procurando refúgio, todo mundo,
exceto Danny e ela. DJ estava a salvo nos braços de Mac, longe da zona da explosão.
Parecia que River seria a única vítima de sua própria armadilha mortal.

Os segundos se passaram. O rapaz começou a chorar em silêncio. Melanie falou pelo


canto de sua boca.

— Você não está tão assustado agora, está?

Danny se apoiou contra o poste de luz e cruzou as pernas.

— Dois a um são as probabilidades de que ele mije na calça.

Melanie decidiu colocar a prova essa teoria.


— Três! Dois! Um! — Gritou com as mãos colocadas ao redor de sua boca. River se
preparou, agachou a cabeça e deixou escapar um torturado último grito. Os grilos soaram
na noite.

Emery e Elijah apareceram pelo canto de frente a loja, olhando à pequena multidão,
Melanie e Danny. Melanie levou um dedo aos seus lábios.

— A qualquer momento!

Mas o garoto estava começando a ficar popular. Seus explosivos deveriam ter
detonado há muito tempo.

Emery chegou à janela e se inclinou no batente, esperando que River a abrisse os


olhos e se fixasse nele.

— Luzes de rojão, rapaz? Você tinha um plástico muito poderoso, um explosivo


militar dentro do meu funil de carvão e usou sinalizadores para acendê-los? — Ele disse-
lhe quando finalmente abriu os olhos.

River piscou para ver através de suas lágrimas.

— Precisava de tempo para tirar Rafferty. — Foi sua desculpa.

— Bem, você comprou mais do que esperava. Eles queimaram antes que a chama
alcançasse o detonador.

— Funcionou antes!

— Trancou a porta de trás. — Elijah disse. — E provavelmente bloquearia outra logo


que Rafferty estivesse livre.

— E não teria nenhum problema em explodir um edifício cheio de pessoas? —


Perguntou Melanie, diminuindo a distância. — Há um bebê inocente?

— Eram vocês ou eu. Rafferty não recompensa o fracasso.

— Parece que não recompensa a lealdade, tampouco. — Disse Danny atrás dela.
Melanie olhou para trás e viu que ninguém mais se uniu a eles. Austin não retornou
com Rafferty e Mac continuava mantendo distância com DJ. Ao menos sabia que Mac
recebeu uma ligação de seu avô informando que estava tudo bem. Talvez estivesse sendo
cauteloso.

— Então, por que jogaram comigo?

Quando Melanie e Danny voltaram sua atenção a River, o jovem fantasma lhes deu
um sorriso aquoso com covinhas. — Malvado. Soa como algo que eu gostaria de fazer.

Ambas as garotas estalaram a língua com desgosto.

— Nem tente estabelecer paralelos entre nós, você é um burro com um chapéu. —
Disse Melanie.

Quando o rapaz parecia sugestivo em suas roupas, ele levantou um dedo antes que
pudesse dizê-lo.

Danny olhou seu telefone.

— Ouviu algo de Austin ou de Mac? — Perguntou frustrada pela falta de


comunicação.

— Perguntava-me sobre eles eu mesma. Vovô? Acha que pode controlar Elijah e
Rambo?

Emery bufou. — Parece um pouco como se ele quisesse cortar o cabelo. O que acha
Eli?

Elijah lançou uma gargalhada e se meteu em meio da janela atrás de Emery.

— Pelo menos ficará apresentável para quando chegar o xerife.

E agarrou uma vassoura, começando a varrer o vidro enquanto River começava a


protestar em voz alta.

As garotas se dirigiram à rua enquanto o povo conseguia acumular coragem


suficiente para aproximar-se.
— Vamos procurar primeiro Mac. — Disse Danny com preocupação e franzindo o
cenho. — Não é de desaparecer dessa maneira.

Melanie não podia estar mais de acordo. Quanto mais tempo permanecesse o
homem escondido com seu filho, mais apreensiva se sentia ela. Chegaram até a agência
de correios e notaram algumas pessoas ajoelhadas nas praças de estacionamento ao lado
do edifício. Um dos dois se moveu e a cabeça grande de Mac apareceu.

— Está sangrando! — Danny correu o resto do caminho com Melanie em seus


calcanhares.

Quando o alcançaram, estava apoiado contra a parede de tijolos com uma faca
ensanguentada na mão. Chewie mancou para elas sobre três patas desde outra direção.

O bebê não estava à vista.

— Mac! O que aconteceu? Onde está DJ?

Quando Danny inspecionou seu ombro ensanguentado, o homem balançou a


cabeça como se saísse de um estado de estupor. Sangue escorria por seu rosto de um
corte profundo em sua orelha esquerda, o que indicava que esteve na horizontal durante
um tempo.

— Onde está DJ? — Melanie voltou a gritar, histérica.

— Eu não... — Murmurou Mac, respirando fundo mais uma vez.

Um dos que estavam ali, uma mulher que Melanie reconheceu do restaurante,
indicando a faca.

— Isso estava em seu ombro quando o vimos no chão. Ele tirou logo que percebeu
que estava ali.

— Agora está sangrando muito. — Disse a outra mulher. — Chamamos o xerife,


disse que está a caminho, mas vem de Mondale. O departamento de bombeiros
voluntários não aparecerá por um tempo, tampouco.
— Você viu um bebê? — Perguntou Melanie enquanto Danny cuidava dos
ferimentos de Mac. — Quinze meses, cabelo loiro, leva um mameluco verde escuro.

As mulheres negaram. — Apenas este homem aqui. Sinto muito.

Mac se moveu no chão. — Mel, foi Rafferty. Ele o levou!

Chewie gemeu e se enrolou a seus pés. Danny olhou com medo seus olhos.

— Chewie não o ouviu vir desta vez. — Disse ele.

Antes que deixasse cair à última palavra, Melanie estava indo pelo corredor até a
barbearia. Mas quando chegou ali, encontrou Austin com um joelho nas costas de Rafferty
na calçada. River estava gritando para Emery, que estava no processo de tosquiar seus
últimos cachos.

A tesoura ficou em silêncio enquanto Elijah soltava uma gargalhada. Mas a risada se
apagou quando os homens notaram sua cara de pânico.

— Onde está? — Perguntou a Rafferty, sem fôlego e irritada. — Onde está meu
filho?

Austin olhou com olhos negros ferozes para ela. — O que significa isso? Mac não o
tem?

— Rafferty o atacou e levou DJ!

O homem no cimento estava tremendo, suas costas mal oculta pela camisola que
ainda usava. Austin agarrou um punhado de seu grisalho cabelo e puxou para cima.

— É isso mesmo?

Baba caía da boca aberta de Rafferty para calçada. Era a única resposta que parecia
capaz de dar.

Austin grunhiu em voz alta e lhe soltou. — Merda. Posso ter acertado forte demais.

— Não tinha DJ quando o encontrou?


— Não! Estava lutando de pé atrás daquela escola! Pensei que se esgotou e tomava
um descanso!

— O que significa que pode tê-lo escondido em algum lugar! — Era demais. Melanie
sentiu o pânico dominá-la e precisou de toda sua força para dominá-lo. Com puro
desespero, se ajoelhou na frente de Rafferty, olhando seus olhos estreitos. — Por favor. —
Implorou calmamente. — Diga-me o que fez com meu filho.

Não houve resposta. O homem estava nocauteado. A mente de Melanie se fechou


por um momento, mas quando despertou, recordou algo de vital importância.

— O dispositivo de rastreamento. — Murmurou.

— O que?

Olhou para Austin com um raio de esperança. — Senti-o em sua coxa antes que as
luzes se apagassem. — Sua atenção se concentrou no menino da cadeira de barbeiro. — E
você soube onde encontrá-lo no caminho antes de chegar aqui.

A boca de River se abriu um pouco. — Eu... eu não...

— Não olhe para Rafferty, ele não o ajudará! Já sabe isso! Deixou-o aqui, lembra-se?

Depois de um momento de séria reflexão, os olhos de River ficaram escuros, com o


peso de sua decisão.

— Minha mochila está no bosque na parte posterior. Nela encontrará o tablet que
utilizo para rastrear os sinais.

— Espera! — Austin gritou atrás dela. — Não vá sozinha!

As sirenes começaram a soar a distância. Melanie voou pela calçada e ao redor da


frente dos edifícios. Enquanto procurava a linha estreita do bosque que separava o bairro
da loja, usou a luz de seu celular. Não era muita, mas tampouco estavam no bosque. O
pacote apareceu na escuridão como um tesouro fundo. Quando se lançou para ele, a
porta traseira da loja de seu avô se abriu. Austin acenou para ela e correu para ele, com a
mochila na mão. Rafferty estava amarrado e bem apertado no piso de madeira com River
justo a seu lado.

— Seu avô está lidando com o xerife. — Explicou Austin esvaziando o conteúdo. —
Até que voltemos a IGP, Rafferty não ficará bem para nós neste momento.

— Apunhalou Mac no ombro. — Disse Melanie. — Machucou Chewie, também.


Danny está com eles.

Foi então quando a porta de trás voltou a abrir, Mac e Danny entraram com Chewie
saltando detrás.

A boca de Melanie se abriu.

— Que porra estão fazendo?

Danny elevou as mãos. — Não quis me ouvir!

Mac franziu o cenho sombriamente enquanto cambaleava para eles. — Não vou me
arrastar para longe em alguma ambulância quando DJ está desaparecido.

É obvio que não o faria. DJ era como um sobrinho para ele.

— Aqui está. — Austin entregou a Melanie o pequeno tablete e olhou Mac de cima
abaixo — Está seguro disto?

Mac assentiu, agarrando uma toalha contra seu ombro. — Foi uma pequena faca.

— Estou mais preocupado com sua cabeça.

— Sabe que é muito dura.

— Essa é a maldita verdade. — Murmurou Danny, e logo saltou quando a porta


traseira se abriu atrás dela. Elijah entrou.
— O doce Emery está conversando com o xerife para que vá embora. — Anunciou o
homem negro enquanto trancava a porta. O xerife me deve um favor. Acredita que pode
fazer com que as fofocas se acalmem o suficiente, também. Teve sorte em localizar DJ?

— Estou trabalhando nisso. — O tablet ligou, mas Melanie não entendia nada do
que estava vendo.

Danny se pendurou sobre seu ombro. — O que é isso?

— O monitor de rastreamento. — E o colocou sob o nariz de River. — Diga-me o que


devo fazer.

— É o ícone negro com o mundo interior. — Quando tocou o ícone, a tela ficou em
modo de satélite. — Seu filho é o ponto azul que pisca.

Seus olhos se estreitaram no ponto pulsando. — Está em movimento!

River arqueou as costas para conseguir um melhor ângulo.

— Parece como se estivesse em um veículo.

Austin deu a River um chute com sua bota. — Havia mais alguém com você? Outro
fantasma?

— Não. Trabalho sozinho.

Rafferty retumbou, abrindo os olhos. O emplastro estava soltando pela ação. O


homem o olhou como se estivesse chamando as portas da morte.

— Não diga nada mais, River.

— Olhe, homem, vá a merda! Você me deixou para morrer!

— Está sendo forçado pelas leis...

— Ao diabo suas leis, eu renuncio.

Rafferty lutava fracamente contra as cordas.


— Os fantasmas não renunciam pedaço ignorante de merda. Morrem. Como
Bennett.

Melanie reconheceu o olhar da fera enjaulada pelo que era. Rafferty estava
recuando e seu nível de ansiedade estava aumentando. Compartilhou um olhar com
Danny que refletia sua própria raiva ante a menção da morte de Derek.

— A IGP está caindo, Rafferty. — Recordou-lhe Melanie com uma pequena


satisfação. — É possível que também nós o façamos se disser a quem entregou DJ. Para
onde estão indo?

— Não estou tão seguro de que lhe diga isso. — Disse Austin com uma careta. —
Tem uma contusão na parte posterior da cabeça que eu não coloquei ali.

Elijah estalou os dedos como se uma luz se acendesse. — E aqueles rojões de luzes
pareciam ter sido pisoteados.

— Assim... — Danny subiu em um estrado, olhando entre Elijah e seu marido. —


Acha que DJ foi afastado de Rafferty por alguém que pudesse estar do nosso lado?

— Não sei. — Austin esfregou as mãos acima e abaixo ao longo de seus braços —
Mas não há dúvida de que há outro jogador envolto. Rena, talvez?

Melanie negou.

— Ela se foi... quando dispararam em Derek. Ty tentou empurrá-la através da porta


e deixá-la, mas é como se alguém a possuísse enquanto apunhalava a duas pessoas até a
morte.

— Sabemos onde está? — Perguntou Danny ocultando seu horror sem êxito.

Mas Melanie estava revivendo a lembrança de Derek em uma poça crescente de


sangue. Fechando os olhos, recuperou-se, combatendo a emoção que lhe paralisava.

— Ty tentou segui-la, mas o chamei para que retornasse para ajudar Derek.

— Não foi Rena. — Rafferty sorriu o melhor que pode. — Seu filho foi levado por um
fantasma. É provável que esteja morto agora.
— Está mentindo. — Grunhiu Danny. — Isso é o que faz.

Mas River estava olhando o monitor frente a ele. — Pode ser que não. Parece que
se dirige de volta a IGP.

Melanie quase ficou inerte pelo pavor. A sala começou a dar voltas até que as mãos
estabilizadoras de Danny seguraram seu rosto.

— Não posso fazer isto por muito mais tempo, Danny. —Sussurrou com temor. —
Estou a ponto de me perder.

Olhou o tapete em espiral onde a bolsa de fraldas de DJ e brinquedos jazia no


abandono. Chewie tinha a miserável manta rosa em um lugar afastado pela porta de trás e
agora estava sobre ela. Quando sentiu que lhe observava, levantou a cabeça, deu um
suave gemido e a abaixou novamente para enterrar seu nariz no tecido.

Pelo que parecia a pequena Sasha nunca, nunca teria sua manta de volta.

— Precisamos voltar para a IGP e encontrá-lo. — Disse Melanie com valentia. —


Como Derek fez por mim.

Todos se reuniram ao seu redor, tirando forças um do outro, enquanto formavam


uma espécie de pacto de silêncio. Mac franziu os lábios, passando uma mão pelo cabelo.

— E logo os esmagaremos para sempre. Com certeza.

O branco dos olhos de Elijah apareceu contra sua escura pele enquanto chupava os
dentes.

E um jovem ignorante que recebeu um corte de cabelo para nos dar alguns quilos de
C4. Eu chamaria de um bom começo.
Derek não se permitiria perder a consciência outra vez, de maneira alguma. Com um
gemido, sentou-se para se manter consciente. Doía. Sentia como se estivesse sendo
empalado com um atiçador quente, mas a dor ajudava a despertar seus sentidos em lugar
de ofuscá-los.

Enquanto olhava o homem estendido na mesa, Derek se perguntou se Ty dormia.

Mas uma sobrancelha loira se levantou apesar de seus olhos fechados.

— Não acontecerá amigo.

Merda. Ninguém dormia mais, além dele?

— Continuo me perguntando. — Disse Derek, empurrando-se de novo para apoiar-


se contra a parede. Verificou o curativo que agora substituía a IV temporária de Ty. — Por
que continua se expondo por mim? Apenas deveria encontrar um esconderijo, me
abasteceria, roubaria meu carro. Mas foi muito além disso.

O punho de Ty saiu de sua mandíbula e esfregou as palmas em seus olhos.

— Continuo pensando em quanto tempo ficou fora. — Então, ele piscou para Derek
sob a luz da lâmpada amarela. — Nas coisas que perdeu.

— Pfft. O que não perdi? — Com grande esforço, Derek apertou seus joelhos e
esticou a rigidez de um conjunto diferente de músculos. — Daria minhas bolas para
caminhar livre outra vez. — Perdeu-se nas lembranças. — Viajar um dia ao Lago Lincoln.
Realmente sinto falta disso. Está no topo da minha lista.

Ty abriu uma garrafa de água, levantou-se e a levou a ele.


— Tenho certeza. Você tinha o carro, habilidade em escalada, a atitude de toma ou
deixa que lhe conseguia todas as bocetas que queria.

Derek tomou a garrafa e lhe lançou um olhar. — Como lembro você era o que não
ficava atrás nesse departamento.

A cama de armar rangeu enquanto Ty se sentou a seu lado e tomava a mesma


posição.

— Teria perdido a vida no Lago Lincoln, se não fosse por você.

Ahh outra vez isso. Derek tomou um gole e exalou alto, dava-lhe a mesma resposta
de sempre. — Mentira.

Ty riu e negou.

— E de algum jeito soube que não haveria problemas nessa última rota. E tinha
razão. Era íngreme para alguém de um metro e oitenta e cinco, mas sempre pensei que
estivesse qualificado nas rotas um pouco mais altas. Um pouco escarpado, algumas boas
linhas tradicionais, boas presas todo o caminho até, nada do que não deveria ter sido
capaz de manejar sem equipamento.

Derek o lembrou: — Não quis engrenagens, nem almofadinhas, nem descansos. O


que mais me preocupava era que Danny queria seguir seu exemplo.

— E se bem me lembro... — Ty virou a cabeça para ele. — Ela estava seguindo você.
Simplesmente fez isso sem todas essas coisas. Você até nos deu alguns dinamômetros
muito bons dos quais nos envergonhamos. Todo mundo pensava que tinha ventosas nas
mãos e pés.

Derek encolheu os ombros.

— Por ter subido primeiro, vi as novas gretas. E você estava meio acabado antes de
começar.

— Sim. Fazia frio, sentia os dedos ásperos. Estava desorientado quando cheguei ao
topo, mas nunca teria admitido. Por orgulho, suponho. Quando o arenito quebrou sob
meu agarre, estava muito agradecido que tivesse insistido em deixar uma corda ou
teria caído. — Ty ficou em silêncio por um momento, logo o olhou. — Quer saber por que
estou fazendo tudo isto por você? Por isso. Não importa quão irritado estivesse, não
desistiu até que fez com que tomasse todas as precauções. Estava pensando em mim
quando eu precisava de você e realmente salvou minha pele naquele dia. Nunca esqueci
isso.

Mas Derek nunca veria dessa maneira.

— Como disse, foi por Danny. Ela queria fazer sozinha essa rota em sua primeira
tentativa. Mostrou-me isso. Finalmente concordou em utilizar a terceira corda. — Derek
rompeu em um meio sorriso. — mas ela ainda pegou os atalhos.

Ty lhe devolveu o sorriso. — Algo que eu não fiz. Estava orgulhoso dela, não que
admitisse.

— Apenas o fez para impressioná-lo. Quase bati meu cotovelo na sua cara quando o
vi olhando o seu traseiro.

— Estava cuidando dela, cara, caso caísse!

— Sim. Tinha dezesseis anos. Dizia o suficiente.

A risada de Ty ecoou contra as paredes metálicas.

— Isso é tudo. Essa atitude que me lembro muito bem quando alguém pensava em
procurar seu caminho. Ninguém podia aproximar-se dela por sua culpa.

E foi algo bom. Derek não estava seguro de que poderia derrubar todos.

— Não queria que engravidasse de algum idiota.

— Refere-se a alguém como você?

— Precisamente.

Sentaram-se em um silêncio amigável até que Ty abriu a boca novamente.


— Ela sempre teve um bom traseiro, no entanto. — Quando Derek o olhou,
acrescentou. — Posso dizer agora porque não pode me chutar.

— Não conte com isso. — Mas tudo era uma conversa leve, os dois sabiam. Derek
percebeu o muito que sentiu falta desse tipo de coisas. As brincadeiras entre amigos,
trocando histórias antigas e risadas. — Tivemos um pouco de diversão.

— Sim. Tivemos. — Ty se levantou e olhou o relógio.

— Quando começou o estágio para se converter em EMT, esse tipo de contato se


perdeu.

Ele pegou o telefone e olhou a tela. — Consumia tempo.

Derek o observou atentamente.

— Era um cara ambicioso com uma arma. Mas sempre foi honesto comigo. Eu
gostava disso em você. — Enquanto a expressão do homem endurecia pela tensão, Derek
percebeu que a sensação em seu estômago era correta. — Então, por que mente agora?

Ty ergueu a cabeça e o questionou com olhos culpados. —Mentir para você?

Derek endireitou suas pernas com cautela e se moveu para a borda da cama.

— Não esteve em contato com os outros, certo? — Não houve resposta. — Não
posso nos esconder aqui sem saber se estão bem. Preciso ao menos falar com Mel.

— Não há sinal neste edifício, já sabe isso. — Ty o empurrou em direção à porta


corrediça. — E não caminhará lá fora, assim terá que confiar em mim.

— Veja. — Derek o impediu de sair, lhe dando um olhar de lado. — Nunca me pediu
que confiasse em você antes. Não precisava fazê-lo, mas agora está ficando desesperado.
Há algo, algo que não está me dizendo. E se não começar a falar, teremos um grande
problema em nossas mãos.

Tic tac. Ty já estava de costas para ele, sua apreensão crescia. Um golpe baixo saiu e
Derek se preparou para ele.
Chegou com certo remorso.

— Você deveria realmente se machucar.

Derek fechou os olhos. A ferida em suas costas resultava mais dolorosa ao saber que
Ty lhe apunhalou em mais de um sentido.

— Merda.

— Sinto muito, homem.

Isso era tudo? Sinto muito? Ele se sentia como um idiota. Todas aquelas vezes que
Rena o advertiu, o que teria visto em Ty que Derek perdeu?

— Realmente pensei que estivesse comigo.

As largas costas de Ty se esticaram sob o capuz negro do uniforme que levava.

— Não entende. A IGP tem um longo alcance. Sabe melhor que ninguém. Achou
mesmo que apenas poderia se afastar?

Entre dentes apertados lançou. — Precisava tentar.

Agora Ty se virou o suficiente para marcá-lo com um olhar de recriminação.

— Queria continuar com sua vida. Sinto muito, mas simplesmente não pode ser
assim. Os fantasmas não deixam a IGP. — Levantou a porta o suficiente para sair no
corredor e fechá-la atrás dele.

Derek ouviu o cadeado fechar-se e cair ruidosamente contra o metal.

— Sempre há uma primeira vez. — Disse ao silêncio.

****

— Desapareceu. — À medida que a caminhonete pela estrada interestadual,


Melanie agarrou o monitor de rastreamento de River com seus dedos brancos. — O ponto
azul. Sumiu!
Mac se inclinou sobre o assento vazio para crianças entre eles.

— Deixe-me ver.

Danny a olhou enquanto Austin dirigia. — Talvez seja apenas um mau


funcionamento ou talvez o sinal não pode ser lido.

Mas enquanto as desculpas rodavam através da cabine, Melanie naturalmente,


chegou a pior conclusão.

— Não posso perder meu filho, Danny! Ele também não!

Danny disse com convicção. — Não vamos perdê-lo, Mel. Estamos todos nisso
juntos. Vamos encontrá-lo.

Mac ligou a tela novamente no satélite e assinalou um telhado em forma de L.


Procurou na Internet uma foto da sede da IGP para conseguir uma pista do que estavam a
ponto de abordar. O edifício de tijolos marrons era principalmente de seis andares com
uma seção central que tinha doze andares de altura. A vista aérea mostrou que havia
jardins visíveis e um pátio no terraço da ala oeste.

— Está aí, nessa seção. Aí é onde estava o ponto quando desapareceu.

— Temos Chewie conosco desta vez. — Lembrou Danny a todos enquanto acariciava
o cão. Dado que compartilhavam o assento do passageiro, com a cauda esmurrando
contra o console central. — Seu nariz funciona bem. Ele ajudará a encontrar DJ.

Ali estava. Essa infame determinação Bennett. Melanie tirou forças disso, recordou
que Derek queria fazê-la sua esposa. Ela era uma Bennett em espírito e porra, estaria à
altura de seu nome. Faria com que ele se sentisse orgulhoso.

Fortificada, Melanie apertou a enorme mão de Mac quando chegou a dela.

— Como está seu ombro? — Perguntou-lhe.

— Preparado para a batalha. — Respondeu ele. Os faróis do carro atrás deles


expuseram seu bigode coberto de areia. — Seu avô e seu amigo são bastante
surpreendentes.
Melanie engoliu seu medo e assentiu.

— Suponho que ainda estejam à vontade em uma zona de guerra, com seu campo
de obstáculos e tudo. — Então viu as luzes de uma instalação do depósito. Estavam perto
da IGP, mas algo a atraiu de volta a esse edifício em que ela e Derek se refugiaram esta
tarde. — Vire à esquerda aqui. Quero verificar algo.

Austin freou e fez um sinal.

— Ninguém está aqui, Mel.

— Apenas quero verificar algo. E se Rena levou DJ, pode ter vindo aqui pensando
que alguém a encontraria.

— Lembra o código?

— Acredito que sim. — Os dedos de Melanie empurraram os botões e a porta se


abriu na primeira tentativa. Finalmente, algo saía bem. Mac e ela entraram no corredor,
acendendo a luz. Uma cadeia de luzes fluorescentes se acendeu em filas das portas azuis e
ela teve a precaução de travar a porta de entrada a suas costas. Era quarta da direita. Viu
o cadeado, o que significava que alguém poderia estar dentro. Sem chamar, Mac se
inclinou e levantou a alça.

Assim que Melanie viu o interior, o coração quase parou. Que porra? Estava
completamente vazia. A cama de armar, a mesa e cadeiras, qualquer sinal de que alguém
esteve ali foram eliminados completamente. Inclusive o chão de cimento foi varrido.

— Tem certeza que esta é a correta? — Perguntou Mac, com suas mãos ainda na
porta por cima dele.

— Sim. — Caminhou para o lugar onde a cama de armar estava, ficou olhando a
mancha de sangue no chão. — Isso é meu. Quando Derek tirou o dispositivo de
rastreamento da minha perna.

Nunca antes pensou que a mistura de dor e prazer fosse tão criativo quanto com
Derek. Sabia como conduzir seu corpo, sabia como aliviar seus temores como ninguém
mais. O terno cuidado que mostrou era algo que ficaria com ela para sempre. Algo que
manteria e tocaria quando enfrentassem a situações impossíveis no futuro.

As mãos de Mac posaram sobre seus ombros por trás. — Temos que ir. Os outros
estão esperando.

— Não posso acreditar que ele me deixou. — Sussurrou — Mais uma vez.

Os grandes braços de Mac chegaram ao seu redor e firmou seu queixo em seu
cabelo.

— Preferiria não ter novas lembranças?

Seu carinho fazia muito por ela, fazendo-a ignorar o perigoso limite do qual se
aproximava.

Melanie encheu seus pulmões de ar e o soltou lentamente.

— Faria tudo novamente se pudesse. A incerteza, o medo, o perigo, tudo para sentir
seu amor.

— Eu gostaria de poder trazê-lo de volta para você. — Disse Mac. — Para todos
vocês.

Engolindo, Melanie fechou os olhos.

— Eu também.

Não choraria enquanto estava na sala abandonada. Não havia lugar para lágrimas
quando a vida de DJ estava em jogo. Podia fazer isto. Faria isto. DJ seria encontrado e iria
para casa com ela antes do nascer do sol.

Uma vez fora, seu celular vibrou no bolso. Pegou, olhando a tela.

— É Ty. Acho que ele tentou ligar.

Mac manteve a porta aberta da caminhonete para ela. Ela colocou o telefone em
seu ouvido.
— Ty?

— Mel! Até que enfim! Estão todos bem?

Não, não todo mundo estava bem. — DJ desapareceu.

Uma maldição explosiva e logo ficou em silêncio por um tempo.

— Onde está?

— No depósito. Sabia que o limparam?

— Sim. No caso de que fosse encontrado. Suponho que pensa que DJ está na sede
da IGP.

Austin dirigia a caminhonete fora da zona de estacionamento, enquanto Melanie


dava a Ty os detalhes.

— Sei que está lá. Vamos atrás dele.

— Não pode entrar sozinha.

— Não estou sozinha. — A caminhonete se recuperou enquanto entrava em um


caminho coberto de terra. — Rafferty está fora do cenário, Sophie está morta e Chewie
está conosco. As probabilidades estão a nosso favor desta vez.

A voz de Ty tornou-se angustiada pelo telefone.

— O lugar está infestado de fantasmas. Precisa da maior quantidade de olhos e


ouvidos possível. Diga-me onde encontrá-la.

— Vamos pela entrada do porão sul. Está escondida e Austin desativou o alarme
hoje.

— Está bem, mas não entre sem mim.

Austin cortou as luzes quando deslizou para parar ao longo do lado da estrada
arborizada. Eles estavam ali e Melanie não queria esperar.
— Quanto tempo demorará?

— Pouco. Posso chegar aí.

Bom. Todos saltaram. Melanie olhou enquanto Danny baixava suavemente Chewie
ao cascalho à luz da lua.

Seu pequeno grupo de resgate estava crescendo. Alguns estavam feridos, mas todos
estavam decididos e juntos seriam uma força a considerar.

— Ty? — Falou em voz baixa no telefone, enquanto lentamente se aproximavam da


linha de árvores do outro lado da estrada.

— Sim?

— Sinto ter gritado antes. Obrigada por nos ajudar. É um bom amigo.

Houve uma pausa longa e embaraçosa. — Pode me agradecer depois que


trouxermos DJ de volta.
Enquanto Derek cambaleava pelo bosque, percebeu que podia se ouvir. Um bêbado
seria muito mais silencioso, mas não podia manter o equilibro de uma constante
caminhada para salvar sua vida. Ty tinha razão. Perdeu muito sangue para se manter de
pé, mas a força de vontade o levava agora. Levava a utilizar até o último de sua resistência
física para derrubar Ty em seu reingresso ao depósito. Enquanto o bastardo traidor estava
estendido no chão, Derek fugiu da instalação sem cair. Tudo o que precisava fazer era
aguentar um pouco mais.

Foi somente uns cem metros mais adiante, que teve a ideia de último momento de
levar o celular de Ty, não era que lhe teria feito nenhum bem. O homem o protegeu com
senha, mas ao menos Ty estava impedido de fazer ligações.

Tarde demais. A falta de sangue o deixou descuidado.

O ar estava frio sobre a pele nua de Derek. Começou a tremer. Ondas de vertigem o
obrigaram a parar em algum momento, até cair no chão gramado uma vez, mas seu
objetivo estava a poucos metros de distância. Nada que não pudesse lidar. A menos que o
tivessem movido desde que o deixaram antes desse dia.

O ruído que fazia doía. Era antinatural agora, a necessidade de sigilo estava
enraizada em suas fibras, como um mecanismo de sobrevivência quase tão útil como a
faca que geralmente tinha. Agora se sentia exposto. Vulnerável. Lento. Como um alvo
móvel.

Mas o que faria? Ficar à vontade e esperar que o equilíbrio se restaurasse? Esse
sempre foi o problema com a IGP. As coisas se inclinavam grosseiramente a favor de quem
controlava a garrafa da prescrição e continuaria sendo até que alguém fizesse algo a
respeito.
Foda-se a garrafa de prescrição. Foda-se Ty. Foda-se o frio. Foda-se essas sementes
irritantes que se agarravam a sua roupa cada vez que entrava no bosque. E porra,
enquanto se encontrava nisso, foda-se a merda do purê de batatas. E se nunca visse uma
colherada dessa merda novamente, estaria a meio caminho do paraíso.

Seu pé descalço ficou preso em uma raiz e caiu. Sua ferida de bala gritou em agonia,
mas apenas se contorceu em silêncio até que a vontade de deixá-lo sair cedeu. Com
dentes apertados, colocou uma mão no rangente chão e rodou para o lado que não lhe
doía tanto. Merda, não havia como chegar. Não havia como poder chamar os meios para
chegar onde precisava estar. Enquanto olhava para as árvores, sua visão ficou turva.
Milhões de folhas brilhavam na luz da lua, o que o obrigou a fechar os olhos.

Com um sobressalto, deu-se uma bofetada mental e os abriu de novo. Ainda


impreciso. Olhou para um lado, procurado uma marca que pudesse reconhecer. Um
pequeno cenho se enrugou em sua frente. Levantou a cabeça e sua visão se restaurou o
suficiente para perceber que estava olhando umas rodas. Suas rodas. Doce Jesus.

Conseguiu uma explosão de fortaleza que lhe ofereceu a força para levantar do
chão. Inclinou-se rapidamente, caindo no oculto painel traseiro do Challenger com um
movimento. O frio do metal se pegou a sua pele enquanto saia pela porta lateral do
motorista. Puxou a alavanca, lutado com a porta. Quando por fim cedeu e sentou-se no
volante, já se sentia melhor.

Com um gemido dolorido, procurou debaixo do assento e encontrou as chaves onde


as deixou. Demorou algumas tentativas sob a tênue luz da cabine, mas finalmente foi
capaz de encaixar a chave no contato.

Uma vez que a porta fechou, encarou o painel iluminado. Embreagem. Freio. O
motor cobrou vida com seus sons habituais discordantes em seus resultados. Deus amava
esse som. Agachou-se mais, fechou os dedos ao redor do punho da alavanca e encontrou
a ré. Enquanto soltava a embreagem, seu pé direito lhe deu um pouco de gás.

E sua testa bateu no volante.


Uma sacudida o fez golpear contra o encosto de cabeça. Tudo ficou em silêncio. Em
seu estado semiconsciente, passou o tempo com entorpecida tortura enquanto deixava
que o mundo girasse sem ele.

A porta se abriu. Seu peito subia e descia com cada respiração. Mãos frias
seguraram seu rosto, virando-o.

Desta vez, quando abriu os olhos, pode ver um rosto pequeno, em forma de
coração. Era tudo o que estava iluminado pela luz do teto, porque o resto estava
escurecido sob um capuz em forma de cogumelo negro.

****

Os fantasmas. Lembrem-se, todos são altamente imprevisíveis e extremamente


perigosos.

Melanie olhou ao seu redor procurando sinais de Ty enquanto ela e seu ínfimo
grupo de resgate se agachavam contra a parede de tijolo exterior da sede da IGP.

Cada um deles representa um risco e sempre terminará sendo eles ou nós. Devem
ser eles, o que significa que precisará estar pronta e disposta a matar quando vir um, como
fez Derek. Acredita que pode fazer isso?

Ela assentiu em resposta, exalando com força.

Somos fortes, somos visíveis e somos vulneráveis. Estas são nossas debilidades. Por
outro lado, estamos irritados. Estamos decididos. E temos Chewie.

Agachou-se, dando ao inquieto cão uma carícia entre as orelhas.

Com um pouco de esperança poderá seguir o aroma de DJ quando o encontrar. Ty


disse que é um bom rastreador e que tem suficiente amor por DJ para segui-lo.

Então, o que diz? Estamos preparados para isto?

Danny olhou piscando para a escuridão.


— Ouviu. — Sussurrou com preocupação. — Parece com Patton, pelo amor de
Cristo.

Apenas então Melanie percebeu que estava falando em voz alta. Pensou que seria
uma conversa pessoal, como sempre pensava que faziam seus companheiros mais fortes
que ela.

— Sinto muito. — Sussurrou, mas logo fechou os olhos, pensado nisso, enquanto
eles a observavam. — Na verdade... não, não sinto. Perdemos Derek novamente. Fui
drogada, sequestrada, quase estuprada por esse monstro de um olho só que deixamos
com vovô e Elijah. Todos foram atacados, perseguidos, golpeados, quase destruídos e
agora meu filho foi sequestrado. Tudo nas últimas vinte e quatro horas. Estou cansada.
Estou irritada. Estou pronta para que isto termine.

Danny inclinou a cabeça. — Assim apenas começaremos a matar?

Melanie encolheu os ombros sem nenhuma preocupação.

— Já estão mortos. Escolheram esse caminho quando assinaram com a IGP.

— Tem razão. — Disse Austin, ajustando a mochila negra por cima do ombro. —
Estão capacitados para eliminar a ameaça. Agora mesmo, nós somos a ameaça.

Melanie sentiu um peculiar bater as asas no fundo de seu peito. Como o Capitão
América.

— Pode apostar seu traseiro a que somos uma ameaça. — Disse com os dentes
apertados.

Mac levantou o martelo que tirou da caixa de ferramentas de Austin.

— Eu gosto. Estou preparado.

A cauda de Chewie começou a mover-se com força contra a grama. Passos se


aproximava. Todos sabiam que a enegrecida silhueta que apareceu para eles era amistosa
devido à reação do cão. Ty se ajoelhou durante uns segundos para reunir-se com sua
mascote. O amor trocado entre o homem e o cão era tão forte como qualquer outro.
— O que aconteceu com você, amigo? — Perguntou-lhe, segurando a dobrada de
Chewie em sua mão e lhe dando uma suave inspeção.

— Rafferty o machucou quando levou DJ. — Explicou-lhe Melanie.

Ty ficou em pé e caminhou para ela até que se elevou sobre seu pequeno corpo.
Suas próximas palavras demonstraram que ouviu o final de sua conversa.

— Enquanto nos orientamos para matar os fantasmas, posso acrescentar que você e
eu estamos em uma leve desvantagem? — Olhou seu uniforme que era igual ao seu.

Ela abriu a boca, hesitou. Ele estava certo.

— Está bem, todo mundo. — Disse ela sobre seu ombro. — Não matem Ty. É um
dos bons. Melhor?

Não viu a graça. — Não mesmo.

Seus olhos se estreitaram a um hematoma escuro e suspeito em sua têmpora. Ela


levantou a mão, tocando-o ali.

— O que aconteceu com seu rosto?

Ty se estremeceu levemente. — Encontrei com um fantasma de verdade antes. Não


é nada.

Mas ele pareceu evitá-la. Danny sentiu isso também, porque perguntou. — Tem
certeza que está bem? Parece com raiva.

Seu olhar foi para ela. — Hoje eu vi um bom amigo morrer. Estou com raiva.

Melanie pegou sua mão. — Deveria vir comigo e Mac em busca de DJ.

— Tenho a intenção de ir. — Respondeu, dando a seus dedos um aperto. — Não a


deixarei fora da minha vista até que isto termine. Derek queria que cuidasse de você.

Agora que estavam todos juntos, Austin puxou a maçaneta da porta do porão.

— Isto é como um déjà vu. — Murmurou entre dentes.


Danny parecia compartilhar seu sentimento enquanto o seguia para dentro. Foi
então que Melanie lembrou-se que Derek pediu a Austin que cuidasse de sua irmã antes
que pensasse em morrer da última vez.

— Aonde vão? — Perguntou Ty, o que permitiu a Mac precedê-los através da porta.

Melanie entrou no edifício e todos seguiram Chewie enquanto seu nariz descia ao
chão.

— Ao porão.

****

Um peculiar puxão em seus pulsos o fez rodar. Antes que Derek abrisse os olhos,
sabia que estava de volta na cama, com as mãos e os pés presos, uma vez mais. Mas em
que cama estava desta vez?

O cheiro do incenso e do grosso colchão debaixo de suas costas lhe dizia que não
estava no depósito. A reverberação das paredes de metal também se foi. Este novo
ambiente era mais sólido, abafado. Engoliu contra a dolorida secura em sua garganta e
abriu os olhos.

Uma forma pequena e familiar se abateu sobre ele, com as mãos nos quadris. O
cabelo escuro marrom aparado e encapuzado no negro uniforme era inconfundível.

— Crystal?

O único fantasma feminino da IGP inclinou a cabeça, girando os dedos contra seus
magros quadris. — É um idiota, Bennett.

Ele passou a língua pelos lábios ressecados. — Obrigado.

— Todos pensam que está morto. Não muitos poderiam sair, mas se o que quer é
morrer, está no caminho correto.

Enquanto observava seu movimento pela habitação, apenas pode piscar


lentamente. — Não sabia que você se importava.
Crystal encaminhou a um conjunto de prateleiras e começou a procurar entre as
pilhas de papéis e na desordem. Seus traços pequenos lhe davam uma característica de
duende que enganava a todos com o pensamento de que estava em meio de sua
adolescência. Mas tudo que Derek realmente sabia desta mulher era que estava no final
dos vinte e brilhava com um conjunto letal de olhos gelados, cheio de rugas pela
maquiagem negra.

— Não deveria. — Ela encontrou uma bolsa de incenso, tirou uma vara e se virou
para ele com ela entre seus dedos. — Desertou seu rato bastardo. Agora todos estarão
arruinados a menos que possamos encontrar a alguém para tomar o lugar de Rafferty e
restaurar a ordem no grupo.

— Você não era realmente uma parte do grupo.

Um isqueiro se acendeu debaixo de seu polegar. — Por que, por que sou mulher?

Derek fechou os olhos em uma tentativa de apagar sua visão. — Porque não lhe
mantiveram como ao resto de nós. Nunca soube onde estava a metade do tempo.

O isqueiro foi jogado de lado e uma faixa fina de fumaça se curvou no teto baixo.
Crystal inalou profundamente depois que manteve ambas as palmas para cima com um
petulante e coquete sorriso.

— Bem-vindo a minha humilde morada.

Era um quarto sem janelas, com quatro paredes brancas, mas havia objetos pessoais
espalhados por todas as superfícies. Uma zona de computadores parecia ser onde passava
a maior parte de seu tempo.

— Tratamento especial? — Perguntou.

Quando ela se virou para enfrentá-lo, tinha um rastro de morango entre seus
dentes.

— O que o faz dizer isso? — Tirou um pedaço de caramelo e o mastigou


ruidosamente. — Justo ao lado do quarto elétrico. Além de me dar câncer algum dia, o
transformador chocalha queixando constantemente. Deixa-me louca.
Ele se defendeu com um sorriso. — Deveria ter visto meu lugar para dormir.

Ela agitou os dedos com as pontas curtas de suas unhas sem esmalte. — Sei tudo
sobre ele. Rafferty o considerou necessário devido à natureza de seu recrutamento.

— Chamada ruim. — Respondeu ele e deixou seu olhar no teto enquanto uma
combinação aromática de fumaça de especiarias e madeira inundava seu nariz.

Crystal se moveu a seu lado, olhando-o.

— Então. Está dizendo que se ele e Sophie lhe tivessem tratado melhor, ainda
seríamos uma grande família feliz? — Quando ele não respondeu, ela negou sabendo-o.
— Não acredito.

A cama rangeu com seu leve peso, sentando-se junto a ele. Ela mordeu outro
pedaço de caramelo e se apoiou nele, riscando o curativo com um dedo.

— Quando não retornou, perguntei-me por que. Inclusive o odiei por isso. Que
parte de sua nova vida você não gostava? Eles o curaram completamente de uma maneira
que ninguém mais podia ter feito. Quer dizer, sejamos sinceros. Inclusive lhe dispararam e
estava meio morto. — Sugou o ar através de seus dentes. — Você tem o abdominal sexy.

Lindo.

— Sou um viciado em drogas.

Seus ombros se afundaram. — Oh, boohoo. Todos somos. Ao menos você teve sexo
de forma periódica.

Grandioso.

— Sophie teve. — Puxou suas ataduras para provar seu ponto — Tenho
queimaduras de cordas.

Crystal removeu o incenso e esfregou os dedos em sua calça.

— Não era uma mulher que parecia ruim. Os rapazes tinham inveja de você, apesar
de que seus pulsos sangrarem cada vez que saía do quarto dela.
— Ninguém se perguntou o por quê?

Uma sobrancelha se arqueou.

— Assumiram que vocês dois estavam em algo. Suponho que era a única que sabia
que havia algo diferente, não sabia por que. — Sua mão se desviou ao sul e agora ao vulto
sob sua calça. — Todos os homens gostam de ter o pau chupado.

Quando ele não respondeu a suas carícias, seu lábio inferior se moveu.

— Pela mulher certa. — Explicou. — Não por uma científica louca com uma veia
cruel.

Decepção apagou um pouco sua faísca. Derek se maravilhou do quão forte ele se
converteu desde que teve Melanie de volta em sua vida. Apenas a ideia lhe dava as
ferramentas necessárias para mostrar a esta pequena cadela que não tinha controle sobre
ele.

— Está tudo bem. — Disse Crystal. — Entendo. O sexo forçado não é seu tipo. Mas
não há contas a pagar aqui. Não há impostos ou merda burocrática. Temos comida,
moradia, roupa, treinamento, propósito...

— Soa como se quisesse uma boa babá.

Agora ela endireitou as costas e se afastou da cama enquanto indicava a marca de


agulha fresca no interior de seu braço.

— Acabo de dar duas doses de sangue. Poderia ser um pouco mais agradável.

Merda perdeu completamente isso.

— Por quê? Apenas me entregará. Não é por isso que me trouxe de volta aqui?
Amarrando-me nesta cama?

— Shhh.

Crystal ficou completamente imóvel e ficou de pé ao seu lado. Ele também o ouviu.
Alguém estava perto, aproximando-se da porta de seu quarto no porão.
Com uma explosão de velocidade, Crystal apagou o abajur da cama e jogou um
manto escuro sobre ele. Derek levantou a cabeça, viu-a tirar sua roupa íntima. O contorno
de seus seios se sobressaía densamente contra o contraste de suas esqueléticas costelas.

Quando alguém chamou a sua porta, ela gritou: — Espera! — E colocou uma toalha
ao redor de sua cintura. Então abriu a porta um pouco. — O que quer?

Derek reconheceu a voz de Angelo.

— Floyd ordena que todos os fantasmas e os aprendizes se reportem ao pátio as


dez.

— Estava a ponto de tomar uma ducha.

— Tome banho mais tarde.

Ela mordeu o lábio inferior. — Sabe sobre o que é?

— Rafferty foi comprometido. Ele e River não se reportaram. Pode haver uma
brecha na segurança por isso estamos nos reagrupando. Apenas no caso de...

Sua primeira tentativa de fechar a porta falhou quando Angelo apoiou o ombro nela.
Houve uns poucos segundos de silêncio. Derek não podia ver além da porta, mas sabia
que Angelo estava suspeitando de algo. Conteve o fôlego, sem atrever-se a mover.

Finalmente, Angelo disse: — Dez minutos.

A mão de Crystal deslizou pelo pescoço. — Bem, não sairei assim.

— Apenas apresse-se.
Quando Derek viu a porta fechar-se, deixou escapar um profundo suspiro. Crystal
deixou cair à toalha junto com suas provas de modéstia e alcançou seu sutiã esportivo. A
mulher era tão pequena e magra, que não podia evitar se concentrar-se nos completos
glóbulos brancos de seus seios. Finalmente, cobriu-os enquanto colocava a roupa de volta.

Derek piscou para sua surpresa. — Está me escondendo? Por quê?

Ela o pegou olhando-a, sem sequer ruborizar-se enquanto apertava a cintura da


calça.

— Acredito que pode dizer que vivi algumas epifanias inquietantes por minha conta
hoje.

Isso poderia ser bom. — Bom, agora que me sinto um pouco melhor, importaria em
me soltar?

— Sim, eu me importo.

Sua referência à ducha significava que a porta escura atrás dela era provavelmente
um banheiro. Esta mulher realmente tinha um trato especial devido a seu sexo.

— O que acontece se eu tiver que ir urinar?

— Esperará até que eu volte. — Disse distraidamente enquanto desligava seu


laptop.

Derek sabia que, se a deixasse ir, voltaria em um morto estado de ânimo. Queria
mais tempo para apelar a seu lado humano enquanto ainda respirava.

— Posso pelo menos fazer uma ligação telefônica?

Sua risada de resposta foi quase de má educação. Sim, isso é o que pensava.

— O que fará Crystal? Esconder-me aqui enquanto decide meu futuro?

Ela respondeu com atitude. — Acha que deixarei que tire o teto sobre todos nós,
enquanto tento cuidar do meu?
A advertência foi inteligente de sua parte, mas não pressagiava nada bom para ele.
— Qual é a decisão? Salta agora ou afunde com o navio.

Crystal entrou em sua visão armada com uma faca e levantou uma perna. — E se eu
deixar você ir não me matará na primeira oportunidade que tiver?

Viu-a segurar a corda na sua perna da calça enquanto sua arma brilhava na cama
junto a ele. — Não.

Sua testa se franziu. — Quantos de nós você matou hoje?

— Apenas os que me deram uma razão para fazê-lo.

— Não sou estúpida, Bennett. A única maneira que poderá sobreviver depois disto é
se nos exterminar um... — Apertou a faca em sua mão, apontando a seu nariz. — Por um.

Sem alterar-se, ele segurou seu olhar sedutor.

— Então, me dê uma razão para não o fazer. E se quiser cortar seus laços com a IGP,
é algo que me posso conseguir. Podemos ajudar um ao outro. Tudo o que tem que fazer é
tomar uma decisão e seguir com essa decisão.

Mas sua decisão já estava tomada. Ela virou a faca e o embainhou em um


movimento fluido.

— Subirei ao pátio. Minha decisão será tomada quando voltar.

Lançou um beijo ao sair. A porta se fechou de repente e ele ficou com o incenso e
muito em sua mente.

Merda. Era como se estivesse morto. Nada era mais estimulante que uma
manifestação fantasma. Provou as cordas de seus pulsos e tornozelos, sabendo que
quando Crystal retornasse o mataria. Precisava sair e agora seria sua única oportunidade.
Justo quando pensava nisso, Crystal reapareceu instantaneamente com seu capuz para
baixo.

Enquanto se movia contra a porta fechada, Derek percebeu a subida e descida


instável de seu peito.
— O que aconteceu?

A resposta chegou imediatamente e não sem medo. — Angelo está morto.

O que significava que alguém o matou pouco depois que deixou sua porta. Mas
quem? Derek a olhou em silencio de seu escuro canto. Sentiu que ela também o via sob o
capuz.

— Sua cabeça está golpeada. — Disse ela finalmente. — Ouvi um cão.

Chewie, talvez? Dada à natureza de seu último encontro com Ty, Derek não sabia se
a presença do cão era algo bom.

— O grande caçador de fantasmas. — Disse ele com voz áspera, pensando que uma
boa psique não poderia machucar. — Será melhor que se renda agora enquanto pode.

Crystal moveu para trás seu capuz e se afastou da porta. — Tudo o que tenho que
fazer é criar uma distração.

— Vai atirar um bife cru? — Voltou-se para trás enquanto ela desaparecia no
banheiro.

Quando voltou, veio com um pacote contra seu peito. A toalha de cor creme em
seus braços caiu para trás, revelando uma cara pequena, gordinha, com os olhos fechados
de sono.

— Vou dar o que está procurando.

DJ! A vontade de romper as cordas nunca foi forte enquanto Derek via o fantasma
segurar seu filho. Que caralho?

— Ty, mentiroso filho de puta!

Crystal hesitou em seu caminho de volta a seu lado, piscou e sorriu.

— É tão gostoso quando está amarrado e irritado. Agora entendo por que Sophie
jogava com sua comida antes de comê-la.
Mas ele não estava de humor para brincadeiras. — O que fez com ele? Está vivo?

— Apenas foi sedado. Tirei seu dispositivo de rastreamento, ficará bem.

Seu dispositivo de rastreamento?

— Prove. Traga-me ele.

Crystal se aproximou da cama e se sentou. Inclinou-se, apoiou o pacote junto à


cabeça de Derek. Ele olhou de perto o rosto de seu filho, sentindo o ar quente que saía de
seu nariz. O menino esteve dentro destas paredes o todo o tempo e não fez o menor
ruído. Estava vivo. Mas em que condições estaria quando acordasse?

Medo e um amor paternal feroz o atravessaram, uma combinação volátil que


sacudiu sua própria essência. Movendo-se mais perto, inalou o aroma de DJ, tocou sua
testa e fechou os olhos. O contato pele a pele ofereceu segurança.

— Por favor, não o machuque. — Foi o mais próximo de implorar que já chegou.

A pele cremosa de Crystal ficou vermelha de ira.

— Eu o salvei. Rafferty estava a ponto de lhe quebrar o pescoço. Algo nele tocou
uma fibra sensível em mim.

Graças a Deus! Mas se Rafferty pode ter controle sobre DJ, o que significava isso
para o restante deles? Ty fez mais que delatá-lo, ele estava mentindo o tempo todo.

Agora, sua única esperança parecia recair no fantasma que ainda cambaleava sobre
o precipício do correto e do incorreto.

— Parece que sua decisão já foi tomada. Salvou meu filho, Crystal. Deixe-me levá-lo
daqui e prometo que não terá nenhum problema da minha parte.

Não a convenceu muito. Seu dedo passou levemente pela bochecha gordinha de DJ.

— Mal pode caminhar. Morrerá se tentar.


— E se for Chewie que está ali, isso significa que meus amigos estão próximos e que
matarão os fantasmas que cruzarem seu caminho até encontrá-lo.

— Então não ficarei em seu caminho. — Ela se aproximou, pegou um rolo de fita
isolante e arrancou um pedaço. — Mas o manterei um pouco mais. Como um seguro.

****

Foi quase como se estivesse movendo-se através das catacumbas de Roma. Em


lugar de subir a escada, Chewie os levou profundamente ao porão. A princípio ela pensou
que poderia estar seguindo Austin e Danny, mas se convenceu do contrário quando não
puderam alcançá-los.

Alguns corredores estavam iluminados, alguns não, mas as sombras pareciam


estender-se dezenas de metros de uma vez. E as sombras eram as que mais temia
Melanie. Apesar da valentia de seus companheiros masculinos. Apesar do superdotado
nariz de Chewie. Apesar da precisão de Mac com um martelo arrojado.

Era difícil não ver seu companheiro de quarto e sócio de negócios com uma luz
totalmente diferente. No dia anterior, os meninos se alternavam para escalá-lo enquanto
ele obedientemente brincava de montanha de mentira.

Agora ele estava lançando martelos, sem sequer um rastro de culpa. Assim que
Chewie alertou em silêncio dos perigos adiante, todos se prepararam para o fantasma que
se materializou na escuridão. Quando a forma negra caiu inconsciente no chão, Mac tirou
seu martelo recoberto e o bateu no desafortunado homem com uniforme negro. Ele a
acertou, enquanto se retirava e sua boca se curvou para baixo com determinação.

— Deu um inferno de discurso ali, Mel. — Explicou-lhe, fazendo com um rubor se


subisse por seu pescoço.

O breve flashback de Melanie terminou justo quando Chewie parou em um ponto


entre duas entradas abertas.

— Está por todo o lugar aqui. — Sussurrou ela. — Está confuso ou perdeu o aroma.

Mac passou uma mão pelo bigode. — Pode estar captando o chefe e a Danny.
Ty, com as mãos nos quadris, viu seu cão com preocupação.

— Poderia ser. Mac, por que não vai ao quarto da esquerda e nós vamos ao da
direita.

Os olhos de Mac se estreitaram para o homem antes de cair nela. — Está bem com
isso?

Melanie assentiu. — Sim. Apenas tome cuidado.

Mas Mac não parecia muito feliz com isso. Assinalou com um dedo.

— Não a foda, Ferguson. Ainda não o conheço bem para não arruinar sua cara
bonita se deixar que algo acontecer com ela.

Ty fez uma breve inclinação de cabeça e olhou para ela. Logo que estavam fora do
alcance do ouvido, Ty perguntou: — Ainda tem a amostra que Sophie deu?

Chewie farejou ao redor de algum equipamento da velha cafeteria. — Sim. —


Respondeu ela, com sua lanterna fora do aço inoxidável.

— Há muitas pessoas neste edifício que a quer. — Estendeu-lhe uma mão. — Talvez
devesse deixar isso comigo no caso de...

— Ninguém sabe que a tenho. Apenas estávamos você, eu e Derek nesse


laboratório quando Sophie me entregou.

— Ela lhe deu isso com a esperança que ajudasse Rena.

Melanie fez um som de desgosto. — Rena pode ir ao inferno.

Ty segurou suavemente seu braço e inclinou sua cabeça com incredulidade. — Fala
sério?

Ela empurrou o braço que ele segurava. — Nada disto teria acontecido se não fosse
por ela! E agora que Derek se foi, não me importa que sofra no inferno!

— Alguma vez pensou que talvez Rena tivesse uma boa razão para fazer o que fez?
— Não. Não sei e não me importa.

— Então não se importará se eu pegar a amostra.

Melanie deu um passo para trás. — E o que fará com ela?

Ty a olhou. — Atender aos desejos de Sophie. Encontrarei Rena e conseguirei a


ajuda que precisa.

Desde quando lhe importava uma mulher que claramente odiava?

— Ela deve estar de volta na unidade psiquiátrica. — Respondeu Melanie


calorosamente.

— E se não voltou? — Perguntou.

Chewie começou a gemer a seus pés.

— Não importa! — Melanie assobiou. — A metade do país está em busca dela, se


ajudar sua fuga de qualquer maneira, estará na cadeia também. Perderá tudo! Alguma vez
pensou nisso?

Mas nada disso parecia perturbá-lo e se moveu para ela ameaçadoramente. — Dê-
me a amostra.

Ela manteve a distância. — Não!

— Bem, bem. — Uma voz diferente se acrescentou ao argumento. — Parece que


encontrei uma situação interessante.

Melanie saltou e ambos finalmente perceberam que Chewie estava de pé e


grunhindo.

— Quem está aí?

— É Elsa. — Respondeu Ty e deu a seu cão o sinal que se retirasse.


Uma forma escura surgiu das sombras. Um pequeno fantasma cujo tamanho de
uniforme era muito melhor que o de Melanie. Em seus braços havia um vulto de tecido
com uma pequena perna gordinha pendurando livremente da parte inferior.

— DJ! — Melanie tentou lançar-se para frente, mas Ty a abraçou de volta.

— Não é Elsa. Nunca mais. — Disse a voz feminina sob o capuz — É Crystal. E eu
gostaria de ouvir mais sobre esta amostra que Sophie lhe deu.

— Entrega meu filho primeiro.

Ty manteve seu braço segurando-a. — Não o dê ainda.

A boca de Melanie se abriu enquanto o olhava com horror. — O que disse?

Ele não hesitou em repeti-lo. — Entregue-me a amostra e terá DJ de volta.

Tudo em seu cérebro se rebelou. Que porra estava fazendo?

— É um deles, Ty? Rena tinha razão sobre você?

— Estou fazendo isso por Rena. Estou fazendo por você, também.

Melanie olhou a fantasma com seu bebê. O capuz se moveu com uma inclinação de
cabeça.

— Já ouviu. — Disse a mulher. — O bebê pela amostra. E depressa, enquanto os


outros fantasmas ainda estão fora do alcance do ouvido.

Embora detestasse lhe dar algo, não podia discutir o que era mais importante para
Melanie. Afundou sua mão procurando a bala em seu bolso e a jogou para Ty com todas
suas forças. Ele a pegou contra seu peito e manteve o olhar de acusação com uma mistura
de dor e raiva.

— E de verdade fez tudo o que pode? — Perguntou ela, sua voz tremia de ira. — Ou
simplesmente o deixou ir?

A dor se dissolveu rapidamente de seu rosto, deixando apenas a ira.


— Como pode me acusar de algo assim?

— Como pode usar DJ contra mim?

— Entre nós dois, eu sou o único que tenta salvar vidas! — Ty segurava a bala entre
o polegar e o indicador. — Isto não é apenas algo que se lança por aí Melanie, é uma
possível cura para um problema muito grave, para uma enfermidade muito importante
que afeta a milhões de pessoas! E não deixarei que a use contra Rena porque isso faria
que não fosse melhor que Sophie!

A última reprimenda foi entregue como uma bofetada em sua cara. Chewie deu
cambalhotas e se queixou aos pés de seu dono enquanto Melanie ficava sem fala. Ty usou
esse momento para recuperar DJ dos braços do Crystal e entregar-lhe novamente a sua
mãe com o maior cuidado.

— Agora, tire-o daqui antes que...

Houve um tremendo impacto enquanto Mac saía do nada e se jogava contra Crystal
com uma tacada.

A mulher caiu de cabeça contra um cabo de aço e permaneceu inconsciente no


chão.
Mac ficou de joelhos e puxou o capuz. Quando o retirou, um tufo de cabelo
castanho curto se espalhou para fora em caprichosa desordem. Olhos fortemente
sombreados estavam fechados e longos, cílios grossos descansavam contra suaves
bochechas pálidas.

Mac piscou em estado de choque. — Que porra? Uma mulher?

Ty o empurrou para longe. — Não o faça! Ela não é como os demais!

Melanie ficou fora da briga, seu foco em DJ enquanto tirava a toalha de seu rosto,
olhando sua respiração, sua temperatura.

— O que lhe fizeram? — Perguntou em pânico.

— O que quer dizer? — Mac franziu a testa enquanto se levantava. — Está bem?

— Não acorda!

— Duvido que tenha feito qualquer coisa para lhe prejudicar. — Disse Ty, sentindo o
pulso de Crystal.

Mac inclinou-se, segurou Ty pela frente de sua camiseta e o jogou contra a parede.
Assinalou com a mão para o fantasma no chão.

— Está com ela, Ferguson? É um deles? Porque se algo acontecer com esse
menino...

Ty levantou as mãos em sinal de boa fé, embora a faísca irritada estivesse


novamente em seus olhos.
— Eu não sou o inimigo, se isso for o que quer dizer.

— O que está acontecendo? — Danny estava agora na cena sem seu marido. —
Estão fazendo ruído suficiente para trazer aqui cada fantasma do edifício. — Sua boca se
abriu ao ver seu sobrinho. — Oh, meu Deus! O encontraram! Está bem?

— Não sei! — Melanie massageou suavemente seus pés para obter uma reação
dele. — Está vivo, está respirando, mas não posso despertá-lo!

— Ty! — Danny gritou sobre o ombro.

— Bem, se tirar seu macaco de cima. — Grunhiu Ty. — Posso olhá-lo.

Mac prendeu seu olhar por um momento, de maneira efetiva mostrando sua
desconfiança antes de soltá-lo. Ty lhe deu um violento empurrão ao passar.

Melanie o segurou enquanto Ty levantava as pálpebras do menino, sentindo seu


diminuto pulso, olhou sua testa. Depois, desabotoou os botões do macacão de DJ e
procurou feridas, encontrando uma pequena sobre sua coxa.

Melanie ficou sem fôlego.

— Devem ter tirado o dispositivo de localização!

— Seus sinais parecem normais, suas pupilas estão bem. — Ty concluiu sua inspeção
e colocou as extremidades de DJ novamente em sua roupa. — Deve ter lhe dado um leve
sedativo. — Deduziu enquanto abotoava o macacão novamente.

— Ela drogou o meu bebê?

A raiva estava aumentando. Mac apontou algo que o resto deles perdeu.

— Não parece surpreso de que DJ estivesse sendo rastreado.

Ty teve a decência de parecer um pouco culpado. — Não estou. Crystal me disse


justo antes de falar com Mel esta noite. Mas então vocês já estavam aqui.
— E não pode nos dizer? — Mac ficou em postura de não-engulo-nada-disso. —
Será melhor que comece a me dar uma boa razão para não o foder, Ferguson.

— Isso é certo, Ty? — Perguntou Danny, franzindo os olhos perigosamente. — Sabia


o que Crystal fez com ele?

Ele passou os dedos pelo cabelo, evitando seu olhar. — Encontrei-me com ela
quando chegamos aqui esta tarde. É meia irmã de Rena.

Depois de uma embaraçosa pausa, Mac soltou uma gargalhada. — Não pode estar
falando sério.

— Não sabia que Rena tinha uma irmã. — Resmungou Danny com incredulidade.

A reação de Melanie foi manter seu filho mais perto de seu coração. — Outra
Hellberg. Justo o que o mundo precisa.

— Foi sequestrada por Sophie quando Rena foi presa na escavação da história da
IGP. — Explicou Ty. — Sophie queria assegurar-se que Rena trouxesse a amostra em lugar
de dar a outra pessoa. Rena realmente não tinha nada sólido contra a IGP, mas tinha
medo que Derek não lhe ajudasse se soubesse disso.

Mac preenchia os espaços em branco. — Então, a motivação da Rena era chegar a


sua irmã.

— Sim, mas quando chegou aqui, Elsa não era a mesma inocente que era há anos.
Sophie a levou para o lado escuro.

— E não pensou que DJ estaria em perigo? — Perguntou Melanie com horror.

— Honestamente, não.

— Esse não era seu negócio!

— Eu sei! Mas estou nadando com tanta merda aqui quanto você e ela me
assegurou que estaria a salvo! Estou dizendo isso, ela não é como os outros!

— Como pode estar tão seguro?


Um olhar de inquietação cruzou seus olhos. — Porque Rena acreditava que poderia
ser salva.

Melanie bufou. — Dê-me uma razão suficiente para não colocar um martelo através
de sua cabeça.

— Realmente, Ty? — Disse Danny com incredulidade — Desde quando é fã de


Rena?

Quando todos os olhos foram para ele, Ty explicou: — Não sou. Mas me solidarizo
com ela. Ela ama sua irmã. Partiu seu coração quando Crystal mudou, mas estava decidida
a ficar e cuidar dela sem se importar com nada.

— No entanto, ela assassina duas pessoas e se vai.

— E pela última vez que ouvi. — Melanie o lembrou. — Colocou a culpa pela morte
de Derek em você.

— Você a viu, Melanie. — Salientou Ty. — Algo não estava bem com ela e não estou
falando sobre o assassinato. Estava aterrorizada pelo que fez. Acredito que se foi porque
temia ser um perigo para sua irmã e agora não tem ninguém em quem confiar ou
recorrer. Deve recordar que ela e Elsa eram meninas quando foram arrastadas pela
primeira vez nisto. Não pediram isso ou merecem. Assim como Derek. E agora que temos
a oportunidade de acabar com isso, por que não tentaria ajudá-las?

Embora estivesse resistente em admiti-lo, Melanie sabia que tinha razão. É obvio,
teve mais tempo para pesar sobre isso.

— Está certo de que sabe o que está fazendo? — Perguntou-lhe.

Ty balançou a cabeça.

— Não tenho nem ideia de onde sequer começar. Neste momento, apenas espero a
que não me bata quando baixar a guarda.

— Isso é algo com o que podemos simpatizar. — Murmurou Danny.

Mas Ty aproveitou o silêncio de Melanie, dando um passo mais perto.


— Rena conseguiu a ID e a senha de Sophie de algum jeito. Uma coisa que sei sobre
Crystal é que ela é uma perita em informática. E se vocês forem fazer algum movimento
contra a IGP, poderia ser um recurso valioso.

— Tem certeza que não apenas deseja cuidar dela enquanto vai em busca de seu
projeto favorito? — Mac rompeu com sarcasmo.

Ty o cortou com um olhar. — Faça o que quiser com ela, Mac. Apenas lembre-se, ela
não tinha por que resgatar DJ de Rafferty.

— Ela não tinha que trazê-lo de volta aqui, tampouco.

— Está dizendo que não quer todas as vantagens que possa conseguir?

— Olhe. — Interrompeu Melanie. — Entendo por que tem que ir atrás de Rena, Ty,
mas Crystal ainda é um fantasma. E de verdade quer que acreditemos que não tentará nos
matar quando puder?

Ty manteve contato visual com Mac. — Não a deixe. — Quando ninguém mais teve
algo que acrescentar, ele começou a retroceder para longe. — Estarei em contato.

Com um último olhar hesitante em direção a Crystal, apertou os dentes e


desapareceu pela porta. Chewie começou a seguir seu dono, mas quando ninguém mais o
fez, parou, olhando para trás. Suas orelhas suaves abaixaram e abaixou a cabeça.

Os olhos de Melanie começaram a se encher de lágrimas. — Vamos. — Ordenou em


voz baixa. — Você também!

O cão olhou para seu dono e ao grupo uma vez mais. Finalmente, trotou até
Melanie, levantando-se sobre suas patas traseiras apenas tempo suficiente para acariciar
a perna pendurada de DJ. Gemeu novamente, ficando nas quatro patas. Um assobio soou
da escuridão.

E Chewie fugiu.
— Não posso acreditar que apenas o deixamos ir assim. — Disse Mac enquanto
olhava o escuro portal. — Foi mentiroso a respeito de DJ. E sobre muitas coisas, não
confio nele.

— Eu sei. — Danny suspirou forte, sua atenção também no lugar onde Ty acabava
de desaparecer. — Senti isso também. Há algo que não está nos dizendo, mas conheço
esse olhar. Está decidido.

Um zumbido surdo soou. Danny pegou o telefone de seu quadril e olhou a tela.

— Austin quer saber o que está acontecendo. Enviou-me aqui porque pudemos
ouvi-los discutir.

— Onde? — Perguntou Mac.

Danny estava enviando uma mensagem. — Na sala principal no corredor. Agora que
temos DJ, avisarei que está bem.

Melanie moveu o menino. — Bem. Vamos dar o fora daqui.

Mac observou a mulher no chão com interesse.

— Está bem?

— Utilizaremos o C4 que Emery recuperou de sua abertura de carvão para destruir o


sistema elétrico da IGP e o gerador de reposição. — Disse Danny, guardando seu telefone.
— O edifício estará fechado e inabitável durante meses enquanto fazem os reparos.

Melanie continuou suas tentativas de convencer o bebê a despertar.

— Por que não explode tudo? Isso é o que faria.

— Não temos suficiente C4 para isso. E se Austin utilizar da Demolição Cahill isso os
guiará a eles. Desta maneira será eficaz também. A IGP ficará sem lar e com um pouco de
sorte, a polícia ou os bombeiros encontrarão algo incriminador quando inspecionarem a
construção.

— E os fantasmas se dispersarão. — Deduziu Mac com desgosto.


Danny encolheu os ombros com ar sombrio. — Farão de qualquer modo.

— Eu cuido dela. — Tirou um rolo de fita e prendeu os pulsos e os tornozelos de


Crystal. Logo colocou uma em sua boca. Os olhos da mulher se abriram e se conectaram
com os seus. Ele hesitou um momento.

— Apresse-se. — Danny insistiu da porta. — Temos que sair daqui! Essa explosão
começará justo por esse corredor e então as luzes se apagarão para sempre!

Os gelados olhos de Crystal se abriram contra a pesada maquiagem e começou a


lutar. Seus chiados frenéticos e gemidos foram ignorados.

— Deixe de lutar ou a golpearei novamente. — Respondeu Mac, lançando-a sobre o


ombro.

****

Algo estava acontecendo. Derek ouviu as vozes, sabia que Melanie e outros estavam
muito perto. Não importava o quanto se esforçasse, não podia afrouxar suas amarras ou a
fita adesiva sobre sua boca.

Merda!

Sua ferida de bala ardia como o fogo do inferno e o corte em suas costas se irritava
contra a áspera lã da manta de Crystal. A pesar da dor em seu peito, moveu as pernas em
uma vã tentativa de afrouxar seus tornozelos. Mas Crystal sabia como fazer nós e ele
estava muito fraco.

Eles se foram. Três pares de pegadas, uma mais pesada que as outras, ficavam mais
longe a cada segundo. Ele gritou sob a mordaça. Ninguém o ouviu.

Outro som silenciou seus esforços. Um leve movimento proveniente da sala ao lado.
Percebeu que não era um fantasma pelos movimentos. Gritou uma e outra vez ignorando
a dor aguda em seu peito enquanto se movia contra o marco de alumínio da cama. Nesse
momento, não estava seguro de quem era a atenção que estava tentando conseguir, mas
algo era melhor que nada. Algo seria melhor do que o que Crystal lhe faria quando
retornasse.
Tudo ficou em silencio por um longo tempo. Quem estava lá deve ter saído. Porra. A
derrota que o atravessou lhe doeu mais que as frescas cicatrizes que tinha. Esteve tão
perto. Melanie, Danny e uma voz de homem, pensou. Tinha-os ouvido.

Mas eles não o ouviram. Foram embora. E ele estava tão bem quanto um morto.

A porta abriu uma fresta. Derek levantou a cabeça, vendo, já que não podia se
mover mais. Que porra deveria fazer? Não havia ruído, nenhum movimento, nada que lhe
dissesse o que esperar.

Então se abriu um pouco mais. Quem estava do outro lado dessa porta estava
entrando. Ele se preparou.

Uma cabeça de cabelos negros saiu à vista e logo uma bota de trabalho familiar
grande. A alegria entrou por ele e se estendeu para cima para refletir-se em seus olhos.
Diante dele estava o filho de puta gigante.

Olhe para esquerda.

E assim o fez. Os olhos escuros de Austin se arregalaram um pouco enquanto tinha


problemas para identificar o que estava vendo. Derek soube quando o compreendeu, o
viu na forma em que o rosto de seu velho amigo se suavizou com incredulidade. Uma
risada rouca baixa sacudiu seu peito e sua cabeça caiu para trás sobre o travesseiro.

Como um tiro, Austin estava ao seu lado, o olhando como se acabasse de descobrir
a Atlântida.

— Que porra estou vendo! — Exclamou em um sussurro enquanto afrouxava a fita


da boca de Derek. — Está a ponto de ser o mais bonito maldito par de olhos que já vi!

Austin segurou seu rosto em um abraço de morte que falava muito. O sorriso de
Derek era grande, agora que podia dar um.

— Sim, irmão. — Disse com voz rouca. — Estou feliz em vê-lo, também.

— Todos pensavam que estava morto!


Era algo que temia desde que descobriu o engano de Ty. E se o homem podia mentir
sobre o bem-estar de outros, podia mentir a respeito dele, também. No entanto, sua
existência estava em um perigo real neste momento.

— Nós dois estaremos mortos se não sair logo daqui.

Austin já estava cortando a corda com sua navalha.

— Acredite, não tem ideia do que quase acaba de acontecer. Acendi a chama para o
pavio e algo me disse que não o acendesse. Não sei o que foi...

Quando as mãos de Derek estavam livres, se moveu aos pés da cama e trabalhou
nas cordas de seus tornozelos. — Algo, uma voz em minha cabeça me dizia que precisava
ver o que era esse estranho ruído. Quase me cago pensando que um fantasma estava
preso.

Derek tentou se sentar, mas seus músculos estavam apertados, por isso foi quase
impossível.

— Qual pavio?

— Tenho meio quilo de C4 para tombar a central de distribuição e outro tanto de


respaldo nos geradores de emergência.

Porra!

— Um pouco excessivo, não acha?

— A quem importa?

Derek estava livre. Seus pulsos e tornozelos estavam em carne viva, mas finalmente
pode colocar os pés no chão.

— Teria me mandado ao inferno junto com a metade do porão. — Observou com


assombro, sovando a dor no peito.

— Mas não aconteceu! — Exclamou Austin, dobrando a faca e devolvendo-a a seu


bolso traseiro. — Essa é a parte estranha, homem, digo que algo me disse que não
acendesse esse pavio! É o bastardo mais afortunado do mundo! — E levou suas
mãos ao redor do rosto de Derek, uma vez mais, lhe dando uma sacudida com excesso de
zelo, — Jesus, homem! Está vivo!

— Ai. — Derek se sacudiu da névoa em seu cérebro. — Acaba de me atacar, amigo.

Austin sorriu com emoção. — Oh, sinto muito, Mary a machuquei?

Derek voltou a cair sobre o colchão e gemeu. — Raios. Sim, doeu. Dói-me tudo.

Austin se virou até que colocou o braço sob Derek.

— Pelo menos não está morto. — Levantou-o e lhe deu o apoio que precisava para
caminhar.

— Isso é algum tipo de conversa amável?

Moveram-se um passo de uma vez. — E se não funcionar. — Disse Austin. — Talvez


isto ajude.

Viraram na porta e entraram na sala elétrica principal. Ofegando pelo esforço, Derek
inspecionou o explosivo plástico que Austin encaixou em lugares estratégicos.

— Sim. Isso o fará.

A boca de Austin se ampliou. — O que me diz irmão? Acende um enquanto eu


acendo o outro?

Um pensamento deu a Derek uma pausa.

— Há um laptop no quarto onde ficamos. Poderia ser útil.

Enquanto Austin desaparecia para recuperá-lo, Derek se apoiou contra a porta,


olhou os antigos tijolos cinza de massa. Uau. Isto realmente aconteceria.

Quando Austin reapareceu com o laptop sob o braço, pegou a caixa de fósforos que
deixou para trás.

— Agora, quando os pavios acenderem, não teremos muito tempo para fugir já que
não tinha intenção de ser atrasado por um aleijado.
— Aleijado o cacete. — Derek pegou o fósforo oferecido, o olhou e logo o longo
pavio do detonador mais próximo a ele. Seu sorriso apareceu. — Sinto-me como se fosse
meu maldito aniversário.

Riram junto, algo que não fizeram desde os dezesseis anos.

— Vamos fazer logo isso, aniversariante. — Disse Austin, lhe entregando a caixa de
fósforos.

Derek aceitou o presente.

— Tente se manter em pé enquanto me mostra o caminho de saída, Cahill.

E os acenderam juntos. As chamas assobiaram e cresceram. Austin assentiu em cima


do resplendor. — Mostre-me o caminho, Bennett.
— Onde porra você está? — Danny caminhava de um lado a outro, verificando seu
relógio. Isso deveria ter sido feito até agora.

Mas as luzes da sede da IGP ainda estavam acesas em algumas janelas aleatórias.
Era um prédio grande. As pessoas estavam dentro, mas apenas alguns realmente seriam
feridos pela explosão. Não era suficiente para Melanie. Eles esperavam na parte de trás do
bosque. Os insetos cantavam alto ao redor deles e a frustrava não poder ouvir melhor se
alguém estivesse se aproximando silenciosamente deles. Quanto mais tempo ficassem,
maiores eram as possibilidades de serem apanhados.

Vamos! Já!

DJ dormia em seus braços e estava preocupada com o fato que ainda não
despertou, apesar de Ty garantir que acordaria. Seus olhos foram para a fantasma no
grande e corpulento abraço de Mac. Crystal deixou de lutar quando finalmente aceitou
seu destino.

Um estrondo vibrou no chão sob seus pés. Vidros quebrados caíram dos primeiros
andares do edifício e tudo ficou completamente às escuras.

— Espere. — Danny protegeu seus olhos da luz da lua em cima de sua cabeça. —
Alguém viu Austin sair?

— Não vi nada ainda. — Respondeu Mac cautelosamente.

— Não, não, não, não, não. — O pânico cresceu na voz de Danny enquanto andava.
Com as mãos nos quadris, mordeu o lábio inferior.

— Nem sequer pense Bonita. — Advertiu Mac, utilizando o nome de mascote que
ganhou no Cahill Salvage. — Ele virá a qualquer momento.
Ainda nada. Uma nuvem de fumaça e poeira começou a elevar-se da entrada que
deixaram um pouco aberta apenas no caso de Austin precisar de uma direção na
escuridão. Danny colocou as mãos em seus joelhos, ofegando como louca enquanto
continuava atenta aos sinais.

Finalmente, endireitou-se. — Vou entrar.

— Danny, não faça isto! — Mac assobiou. — O chefe terá meu traseiro!

— Apenas se sair. — Disse Melanie com seriedade. Pode sentir o olhar de Mac tão
logo as palavras saíram de sua boca.

— Você não também. — Retumbou. — Deveria conhecê-lo melhor que isso agora.
Ambas deveriam.

— Ninguém é invencível, Mac. — A pessimista nela se irritou om toda sua força. —


Depois de tudo o que aconteceu não a culpo por querer ver.

Mac franziu o cenho enquanto Crystal começava a gemer sob a mordaça


novamente.

— Eu não gosto deste seu lado, Mel.

— Não é um dia de campo deste lado, tampouco. — Murmurou ela, enterrando seu
nariz no cabelo de DJ e tomando uma longa inspiração de seu familiar e reconfortante
aroma.

E de repente, os olhos do Mac aumentaram. — Espera, acho que o vi.

— Onde? — Disseram Danny e Melanie ao uníssono.

Melanie seguiu seu olhar, mas ainda não viu o que estava na claridade de lua.

— Aí mesmo. Sim, está saindo!

Agora viram uma figura emergir da nuvem de poeira. A sensação de alívio que
Melanie sentiu foi apagando-se no momento em que percebeu.
— Há algo errado. Está mancando.

Mac ficou imóvel junto a ela. — Parece que está com alguém.

Mas parecia que a pessoa que o seguia era...

— Oh, meu Deus. — Danny respirou. — É um fantasma. E saiu.

— Danny! — Mac quase soltou Crystal. — Volte aqui!

Melanie viu a cabeça de sua amiga ir para o perigo sem nenhuma preocupação com
sua própria segurança. As lembranças de uma situação parecida, quando Brett Lockton a
usou para atrair Danny a sua vingativa armadilha, invadiram seu cérebro. Naquele
momento, Melanie se acovardou enquanto Danny sofreu.

Mas não desta vez.

Empurrou DJ na direção de Mac, mesmo que seus braços já estivessem cheios.

— Sente-se sobre Crystal, Mac.

A forma amarrada de Crystal foi a terra, enquanto Mac aceitava sua nova carga com
espanto.

— Que porra...

Antes que pudesse impedi-la, ela tirou o martelo do chão e perseguiu sua amiga
para oferecer o apoio tão necessário.

Enquanto corria, Melanie ajustou a pesada ferramenta em seu aperto. Sabia que
estava agindo por pura emoção, assim como Danny. No espaço de um só dia, aprendeu a
desprezar algo sob um capuz de cor negra. Era o sinal da morte. Manipulação. Tudo de
Rafferty. Era o sinal da morte de Derek. O que usou quando foi assassinado a tiros. Um
uniforme que desprezava ainda mais desde que dependeu dele.

E estaria condenada se deixasse que tomasse algo mais dela. Não havia lugar para o
medo neste jogo. Apenas a fé e um forte desejo de proteger.
Havia uma confusão de corpos enquanto Austin pegava Danny ao redor da cintura.
O fantasma tropeçou, caindo sobre um joelho. Melanie levantou o martelo, pronta para o
ataque, mas a figura encapuzada se afastou bem a tempo para evitar o impacto.

— Melanie, não! — Assobiou Austin.

Mas ela se virou e tentou novamente. Desta vez, o fantasma estava novamente de
pé e segurou seus pulsos com ambas as mãos. O impacto tirou o martelo de seu agarre
onde foi inutilmente à grama.

Com apenas uma coisa por fazer, Melanie levantou o joelho e o colocou entre suas
pernas.

— Oh, merda! — Gemeu Austin, suas mãos cheias enquanto Danny tentava
levantar-se.

O fantasma cambaleou para trás e caiu em uma bola enquanto Melanie felicitava a
si mesma. Porra foi quase muito fácil. É obvio, ele estava afetado para começar. Deveriam
correr agora enquanto ele se contorcia de dor ou deveriam tentar acabar com ele de uma
vez?

— Não é... a bonita... recepção que esperava.

As palavras, pronunciadas em um ofego de dor, a deixaram gelada. O sangue rugiu


em seus ouvidos. Não. Não era possível.

Mas uma coisa que aprendeu nas últimas vinte e quatro horas era que nada era
impossível. Contudo, seus incrédulos olhos moveram-se para ele, empurrando o capuz e
descobrindo o rosto. Suas mãos o tocaram enquanto as verificava uma a uma. Cabelo
espetado, maçãs do rosto altas, nariz torto, barba esfarrapada, belos olhos castanhos.
Sim, isso era tudo!

— O que? — Suspirou ela, sua boca se curvou com uma alegria inexplicável. — Estou
sonhando?

Derek se recuperou sob ela. — A dor em minhas bolas diz que não.
Mas ela não pegou a indireta. Sua mente estava muito preocupada com o milagre
que uma vez mais estava sob seu próprio nariz. Era demais. A emoção brotou do mais
profundo dentro de sua alma e se derramou dela em forma de uma estranha risada. Assim
simplesmente a escuridão se levantou e sua presença a banhou de esperança. Devorou-o
com um beijo desesperado e seus sons de dor se transformaram em risada indecisa sob a
pressão de sua boca.

— Isso eu gosto mais, mas está me matando, Mel.

— Oh! — Levantou-se e colocou as mãos sobre seu peito como se as vibrações


curativas pudessem desfazer o que acabou de fazer. — Sinto muito, bebê! Oh, meu Deus!
— E riu novamente. — Oh, graças a Deus!

Mas não havia tempo para o choque e medo. Derek estendeu uma mão. — Ajude-
me a levantar. Precisamos sair daqui.

— Danny? — Austin tentou uma vez mais trazer sua esposa de volta. Tanto Melanie
como Derek pararam ao perceber que ela ainda precisava recuperar-se por completo.

— Danny, não se atreva, não agora. — Austin lhe advertiu enquanto ela tentava
igualar sua respiração.

— Não vou desmaiar agora. — Prometeu fechando os olhos — Deveria saber. Meu
deus, por que não soube?

— Porque confiamos em Ty. — Melanie pensou em voz alta, ajudando Derek a pisar
na grama. — E mentiu para nós.

— Falaremos disso mais tarde. — Austin respondeu enquanto pegava Danny e lhe
ajudava. — Agora que a luz está desligada, estes terrenos estarão cheios de evacuados em
questão de minutos.

Quando Danny se levantou, se inclinou para recolher um pequeno laptop.

— A maioria dos fantasmas se encontra no pátio da parte superior do sexto andar.


— Disse Derek, apontando o teto da ala mais longe deles.
— É por isso que eram poucos esta noite.

— Apenas encontramos um deles na saída. — Austin explicou enquanto o homem


mancava com a ajuda de sua mulher. — Atirou uma faca na minha perna, mas Derek
conseguiu devolver-lhe com exatidão muito mais mortal.

Os olhos de Danny aumentaram com a realização que seu marido estava sangrando.
— Esfaquearam você?

A boca de Austin torceu com desgosto. — Não me feriu muito como quando saiu.

Derek o olhou com um sorriso. — Sinto muito, Mary, mas foi a arma mais prática
que pude encontrar a tempo.

— Não estou me queixando. Você é o que leva o uniforme com sangue.

— Estava muito exposto.

Embora Melanie ainda estivesse levantando-se, fez uma careta. — Pegou o maldito
suéter de um fantasma morto?

Derek sorriu, compartilhando seu eufórico estado de ânimo. — Os mendigos não


podem escolher.

Ela se inclinou, beijou-o na boca pelo simples feito de que podia. — Vamos queimá-
lo assim que chegarmos em casa.

Enquanto se aproximavam da linha de árvores, o rosto de Derek adquiriu um olhar


suspeito.

— Esse é DJ?

Embora Melanie não pudesse ver o que ele via sob as pesadas sombras, sabia o que
lhe incomodava.

— Sim. E um fantasma chamado Crystal. — Ele sempre teria visão noturna?


Desapareceria quando as drogas saíssem de seu sistema?
— Que porra estão fazendo com ela? — Apenas a dez metros de distância e
aproximando-se de seu objetivo, Derek procurou em sua cintura. Quando tirou uma faca
ensanguentada em seu aperto, estava claro que se estava movendo para matar.

Mac deu um passo em seu caminho com DJ comodamente em seus braços. — Eh-
eh.

Os dois homens se olharam. O olhar de Derek era quente enquanto o de Mac


esfriava lentamente com reconhecimento.

— Espera um minuto...

Mesmo ferido e debilitado, Derek tinha uma ameaçadora presença.

— É o homem tentando interpor-se entre eu e minhas metas?

Melanie fez as honras com um estúpido sorriso enquanto pegava seu filho de volta a
seus braços.

— Mac, lembra-se de Derek.

O homem começou a sorrir sob o bigode. — Bem, lembro. E de volta dos mortos.

Derek não estava de bom humor. — Fora do meu caminho.

Mac negou enquanto bloqueava uma nova tentativa. — Não posso fazer isso.

Melanie percebeu que os olhos de DJ lutavam para abrir e o bebê começou a


retorcer-se. Graças a Deus! O alívio quase eclipsou ter encontrado seu pai com vida.

— Ty pensa que ela pode ser salva. — Disse Danny. — Mac concordou cuidar dela
até que ele retorne com Rena.

Mas Derek zombou quando todos começaram sua viagem pelo bosque. — Ty é um
filho da puta podre que não deve ser de confiança.

— E ao que parece um bom mentiroso. — Melanie concluiu com o cenho franzido.


— Não me importa se salvou minha vida. — Continuou Derek. — Fez tudo nos
enganando, como se estivesse trabalhando com um objetivo diferente do nosso muito
antes que disparassem em mim.

Agora que tudo estava junto na mente Melanie, expressou suas conclusões em voz
alta, enquanto foram pelo bosque.

— Passou algum tempo a sós com Rena e sua irmã enquanto você e eu nos
escondíamos no depósito. Qualquer coisa é possível.

A expressão de Derek foi uma de choque total. — A irmã de Rena?

Ela apontou o queixo para o fantasma nos braços de Mac. — Crystal. Também
conhecida como Elsa.

A angústia voltou. — Santa merda! — Murmurou Derek.

— O que?

— Rena me perguntou se eu sabia sobre ela. Procurava uma atualização, mas não
sabia de quem porra estava falando.

Moviam-se lentamente, feridos como estavam. Mas quando Crystal se ergueu e ele
viu seu ódio, Derek respondeu com um sorriso sarcástico. — Acabo de me inteirar da
razão para não a matar.

Seu olhar lhe disse que se fosse ao inferno.


Derek estava na porta da lavanderia cheirando e ouvindo os sons familiares da casa.
À luz de cor âmbar por cima da estufa, que sua mãe sempre deixava na noite, a cozinha
era tão quente e acolhedora, apenas os eletrodomésticos eram novos. Aço inoxidável,
algo que Mary Bennett sempre jurou nunca desejar. Imagine.

O que mais mudou em sua ausência? Além de Danny ter se mudado, por certo? No
caminho, foi rapidamente atualizado sobre o que perdeu. O sequestro de Rafferty, a
captura de River, a falida explosão que poderia ter matado a todos, o pânico de não saber
o destino de seu filho. Derek desejava poder ter estado ali para ajudar. Para prevenir. Para
acalmar seus medos. Mas foi baleado e Ty mentiu a respeito de sua condição, além de
aumentar seu sofrimento.

Melanie chegou ao térreo para colocar DJ na cama. Ao que parecia, os dois ficavam
no antigo quarto que Danny usava de vez em quando, por isso foi equipado com um
berço. Era estranho, não que sua família tivesse acrescentado um novo bebê a seu lar,
mas que o bebê fosse seu.

— Eu não deveria estar aqui. — Disse Derek com inquietação enquanto deixava que
ela o guiasse além da longa mesa de jantar a sala de estar. Estava escuro, mas as drogas
em seu sistema lhe permitiam ver as muitas novas fotos que cobriam a parede, as mesas
no final e cada centímetro de parede disponível no espaço. Fotos dele. — Não deveria ter
irritado meu velho tanto como pensava. — Murmurou com assombro.

As outras fotos que recordava ainda estavam ali, apenas compactadas para fazer
espaço. Fotos de seus oito irmãos, de seus filhos, tias, tios, primos. Impressões
emolduradas de gerações passadas.
Tudo o que queria fazer era acender as luzes, olhar de perto a todos e cada um para
voltar a conectar-se com todos eles. Olhar como seus sobrinhos estavam agora. Averiguar
o que aconteceu desde sua morte. Quando parou em meio a tudo, Melanie, sua muleta
humana, levou-o em direção à escada.

— Está tudo bem. — Disse ela. — Seus pais estarão no Bull Shoals até terça-feira. E
você quis vir aqui, lembra?

Ele deu um passo adiante, hesitando antes de corajosamente ar o seguinte.

— Melhor que o apartamento que compartilha com Mac.

Ela sorriu. — Esta é sua casa, Derek. Merece o momento de se reencontrar com ela.

— Eu não gosto de seus hábitos de vida. — Respondeu ele obstinadamente,


decidido a esclarecer coisas.

Melanie mordeu seu lábio inferior, enquanto cuidadosamente subiam um passo


doloroso de uma vez.

— Estive pensando nisso. — Disse em voz baixa. — Em como levaremos as coisas.


Mac e eu temos uma creche para abrir na segunda-feira.

Chegaram ao último degrau e Derek tropeçou o restante do caminho até seu antigo
quarto. A porta estava fechada, com ainda mais fotografias. Era horrível e triste que seus
pais tivessem sofrido tanto por uma perda que nunca aconteceu.

Melanie girou a fechadura e o acompanhou, observando-o cuidadosamente. A luz


da lua se vertia através da janela, assim abriu a cortina grossa para deixar entrar tanta luz
como fosse possível sem necessidade de acender um abajur.

Depois que o ajudou a tirar o maldito suéter do fantasma, observou a organizada


desordem de seu redor. Era como se fosse sugado por um túnel do tempo. E de volta ao
seu quarto, com sua equipe de escalada, com os troféus que ganhou durante as
competições, com a coleção de CD's empilhados na pequena estante junto à cama. Coisas
normais. Suas coisas, quase como se os últimos dois anos nunca tivessem acontecido.
Sentou-se na colcha de retalhos que sua mãe fez para ele quando nasceu. O
vermelho, o branco e o azul, as cores, a suavidade, o aroma, tudo evocava sentimentos
que quase trouxeram lágrimas a seus olhos.

— Nada mudou. — Disse em um sussurro enquanto ficava ali, absorvendo tudo. —


Ainda está aqui. Quase como se pudesse continuar onde deixei. — Uma lágrima escapou e
a limpou. — Mas sei que não posso. — Melanie sentou ao seu lado e suavemente colocou
uma mão sobre seu peito. Ele girou a cabeça e a olhou aos olhos muito abertos, e azuis. —
E tampouco você.

Ela assentiu. — Eu sei.

— Sinto muito, Mel. Temos que assumir que você e DJ ainda estão em perigo. É
minha culpa. Arrastei-os comigo quando desertei.

— Não. — Sua mão se moveu para cima, passando sobre sua barba. — Isto é tudo
sobre Sophie e Rafferty. Fez o correto. Conseguiu o impossível. Tudo o que passamos e até
mesmo o perigo que poderíamos enfrentar, valeu a pena. Temos você de volta.

Sua mão cobriu a dela. — Ainda sou um fantasma.

— Não para sempre. — Respondeu ela com voz rouca. — Não está sozinho nisto.
Ajudaremos a conseguir sua vida novamente e Ty encontrará Rena. Eles receberão a
amostra desse Frost, quem quer que seja.

Quanto mais Derek pensava nas ações de Ty, mais claras ficavam suas motivações
enquanto Derek se via obrigado a caminhar através de suas lembranças emocionais dos
dias bons, as palavras que Ty disse quando se recuperou de um descuidado percalço que
poderia ter colocado fim a sua vida.

Quer saber por que estou fazendo tudo isto por você? Por isso. Não importa quão
irritado ficasse você não desistia até que tomasse as precauções adequadas. Pensou em
mim quando precisava e realmente salvou minha pele nesse dia. Nunca me esqueci disso.

— Fez por mim. — Murmurou ele, olhando o teto.

A testa de Melanie enrugou. — O que?


— Esse tempo que passou a sós com Rena. Ela o arrastou para um plano para fingir
minha morte. Mas pensou que sua mãe me matou antes que tivessem a oportunidade.
Agora a IGP acredita que estou morto. — Seus olhos se encontraram com os dela outra
vez — É uma vantagem que não tive antes. Ty estava pensando em mim quando precisei
ou eles teriam vindo depois que terminou o trabalho. — Fez uma pausa, um pequeno
sorriso curvou sua boca. — Pensei que tivesse me traído, mas ele sabia que os fantasmas
não se afastam da IGP. Eles morrem.

Melanie assentiu compreendendo.

— Deu a volta no jogo deles. Um pouco irônico quando se pensa nisso. Ainda quero
matá-lo por mentir, no entanto.

Derek observou enquanto seus olhos ficavam pesados.

— Tentou me reunir com você, mas também era para sua proteção. E se soubesse
que estava morto, havia uma razão para que me deixasse ir e vocês retrocedessem.

— Aí foi onde errou. — Respondeu ela. — Nós não iriamos retroceder. Nunca. Não
até que a IGP fosse destruída. Acredito que pensou que aconteceria isso finalmente.

Derek franziu os lábios. — Esperemos que encontre Rena logo. Não temos muito
tempo antes que a oferta que pode colocar em suas mãos acabe.

— Sessenta dias valem a pena. É o bastante.

Ele sorriu para seu otimismo. Melanie Parker. Ela era sua heroína, seu objetivo
principal, enquanto tudo desaparecia. O que lhe diria ao assinalar esse fato?

— Pode ser que tenha que compartilhá-lo com Crystal.

Ela revirou os olhos e rejeitou a ideia com um movimento. — Não. Crystal pode
sofrer.

Sorriram um ao outro com preguiça, apesar de que ambos saberem que a mulher
precisava de cuidados até que Rena retornasse.
— Mac terá muito em suas mãos. — Disse ele, suas palavras começando a ser um
murmúrio.

— Ele cuida de quatorze crianças em idade pré-escolar. — Respondeu Melanie com


um bocejo. — Pode cuidar de um zumbi do apocalipse.

Grandioso. Outro Capitão América em sua vida.

— Sua babá matou um homem. Como resolverá isso?

Melanie suspirou profundamente e balançou a cabeça. — Não sei. Não pareceu lhe
importar nesse momento.

— Alguma vez o fez antes?

Era uma pergunta que ela se fez durante um momento antes de responder.

— Nós dois passamos por uma extensa comprovação de antecedentes pessoais para
conseguir nossa licença da creche. Inteirei-me então que esteve no exército. Completa
surpresa. Para ambas, Danny e eu. Ele não fala muito de seu passado, mas me pergunto
por que seus registros foram selados. — Seu pequeno cenho franzido lhe indicou que não
se preocupou sobre isso até agora. — Ty disse que a bala o acertou no pulmão.

Uau, mudança de tema completa. Mas a mente de Derek estava muito aturdida
para questioná-la.

— Apenas saiu.

A umidade se acumulou nos cantos de seus sonolentos olhos.

— Pensei que o tivesse perdido novamente. — Suas pálpebras se fecharam e uma


lágrima manchou o travesseiro. — Não poderia suportar uma segunda vez, Derek. As
coisas ficaram um pouco medrosas em minha cabeça.

Ele limpou a seguinte antes que descesse. — Veio para mim como Sheena a Rainha
da Selva.
Ela sorriu um pouco, mas seus olhos permaneceram fechados. — Como disse. Foi
assustador.

Agora ele estava de repente de olhos fechados. — Estou ansioso para fazer amor
com você neste momento.

Um sussurro saiu. — O que está esperando?

****

Ao final da manhã a luz do sol realçou os profundos tons azuis do quarto de Derek.
Melanie desfrutou da familiaridade dele enquanto dormia profundamente a seu lado. DJ
estava na cama entre eles, brincando com seus dedos dos pés e balbuciando
ruidosamente nesta cálida amanhã de domingo. Melanie continuou olhando o homem
que passou as últimas horas de recuperação de sono livre de sexo. É obvio, o corpo de
Derek estava curado. Não haveria nenhum esforço físico para ele durante ao menos uma
semana ou duas.

Seus dedos suavemente tocaram o curativo em seu peito. Seus olhos se abriram.
Estavam frágeis, injetados de sangue e era o mais lindo par de olhos que já viu.

— Uau. — Sussurrou ela. — Estou começando a acreditar que tudo isto é real.

A cama rangeu quando ele rodou, gemendo de dor, levando seus braços para cima e
esticando-os cuidadosamente. Ele parecia um menino, se virou para olhá-lo com grandes
olhos de assombro.

— Quanto tempo está aqui? — Perguntou Derek atordoado, dando a seu filho um
pequeno sorriso.

— Alguns minutos. Dormiu como um... — Melanie sentiu o rubor em suas


bochechas. E então sorriu. — Dormiu como se fosse livre.

— Sim. — Ele manteve sua atenção em seu filho. DJ se arrastou para ele até que
ficaram nariz com nariz, lhe dando uma inspeção minuciosa. Derek segurou a mãozinha
que sentiu em seu rosto e colocou um beijo nela. — Nunca durmo tão profundamente.
— Ele esteve falando desde que despertou. — Explicou ela.

DJ agarrou o dedo de seu pai e imediatamente o levou a boca. Para Derek não
pareceu lhe importar a baba, mas fez uma careta de dor quando os dentes do menino se
afundaram em sua pele.

— Ai, você, pequena boca.

Melanie riu. — Aprenderá a não deixar que as coisas cheguem tão longe agora. —
Disse alegremente, levantando para sentar-se com as pernas cruzadas caso DJ
cambaleasse.

Derek limpou a mão na colcha, inspecionando a nova ferida. Era de longe menos
ameaçadora que a do dia anterior, mas a cuidou como se tratasse de uma amputação.

— Eu sei. — Disse. — Estive nesta situação algumas vezes com meus sobrinhos e
sobrinhas, mas é como se tivesse esquecido tudo.

O pensamento expressado chegou com um olhar de frustração. Mas quando olhou


seu filho, não havia dúvida do amor ali. Era inconfundível. DJ o sentia, resistindo as
tentativas de Melanie de impedi-lo e continuou olhando seu pai com desenfreada
curiosidade. Assinalou com um gordinho dedo as feridas de Derek.

— Boo-boo?

Era uma palavra universal, que aprendeu desde cedo. No entanto, outra conexão se
fez enquanto DJ mostrava o pequeno volume ao lado de sua fralda.

— Boo-boo. Ouch.

Melanie franziu o cenho enquanto Derek lutava para não sorrir. Ainda lhe doía que o
corpo de seu filho foi agredido dessa maneira.

Derek reconheceu seu olhar e ficou sério.

— Não deveria rir. — Disse em sua defesa. — Mas suas palavras são tão... babadas.

Então, Melanie riu.


— Está na dentição. A saliva sai assim.

Enquanto DJ continuava familiarizando-se com o novo homem em sua vida, Derek a


olhou sobre a cabeça do menino.

— Suponho que fazer amor está fora de questão.

Ela encolheu os ombros impotente. — Bem-vindo à paternidade.

Derek levantou o queixo de DJ com um dedo. — Vamos ter que conversarmos


sozinhos, Júnior.

O bufo de resposta de Melanie sacudiu a cama. Quando o humor se acalmou, ele


inclinou para trás dela.

— Ei. Vê essa caixa de madeira no aparador?

Embora ela olhasse sobre seu ombro, sabia da caixa que estava falando. Sabia tudo
a respeito deste quarto.

— Mmmm.

— Poderia me trazer, por favor?

— Hmmm, muito educado. — Inclinou-se e lhe deu um leve beijo na boca antes de
levantar-se.

Quando retornou com a caixa, ele estava apoiado e esperando com uma mão. Ele a
abaixou, levantando a tampa e empurrado a seleção de moedas e joias enquanto DJ o
ajudava.

— Sim. Ainda aqui.

Melanie olhou por cima da tampa. — O que?

Entre seus dedos estava um singular anel de diamantes, estilo vitoriano com três
pedras em uma delicada faixa de ouro branco. Seu coração foi até a garganta.
— Este foi de minha avó Bennett. — Explicou, segurando-o enquanto DJ tentava
agarrá-lo. — Morreu quando eu era o único solteiro. — Sorriu maliciosamente. — E dos
nove, ela me favoreceu.

Quando ela começou a rir meio chorando, ele continuou.

— Queria que o desse a minha futura esposa. Sabe o que lhe disse sobre isso?

Melanie negou. — Mas posso adivinhar.

— E provavelmente teria razão. Na realidade pensava em dá-lo a um de meus


sobrinhos. — Derek segurou seu olhar. — Mas acho que terão que conseguir o seu
próprio. Isso se aceitá-lo. Seja minha esposa.

A joia refletia a luz contra as paredes azuis do quarto. Ela levou as mãos trêmulas a
sua boca e assentiu. Quando pode, disse: — Não há nada que queira mais. Eu te amo,
Derek.

Seus lábios se uniram em um beijo emocional. Mas DJ não aceitou nada disso e fez
uma tentativa fracassada de separá-los.

— Terá que aprender a compartilhar. — Murmurou Derek contra sua boca. Ela
assentiu enquanto ele deslizava o anel em seu dedo. Beijaram-se novamente, mas desta
vez deram as boas-vindas a seu filho em seu círculo de afeto. Era um momento que
Melanie não esqueceria, um que pensou nunca chegaria.

Uma vez que pode ter suas emoções sob controle, levantou-se, olhando seus
homens com amor.

— Com fome?

A menção de comida o conduziu a um estado de ânimo de uma maneira totalmente


diferente. Derek fechou os olhos com aparente alívio.

— Morrendo de fome.

****
Assim que DJ estava com segurança em sua cadeira, Derek cautelosamente se
sentou junto a ele na pequena mesa da cozinha.

— Quero lhe dar comida. — Disse com valentia.

Melanie levantou uma sobrancelha por cima de seu ombro enquanto contemplava o
conteúdo da geladeira aberta.

— Adiante, peregrino. Café da manhã ou almoço?

— Que horas são?

— Passado do almoço, mas sou boa com ovos a esta hora do dia.

E de fato, o relógio mostrava que passava de uma hora. Dormiram toda a manhã.

DJ abordou seu prato de ovos mexidos com vigor. Derek tentou usar o garfo de
plástico da forma que se esperava. Cada vez que tentava, os ovos saíam voando e uma vez
o pegou tentando aplicar a regra dos cinco segundos. Seu olhar se arregalou e o ovo sujo
foi habilmente jogado em um guardanapo como se fosse destinado a ir ali.

Melanie desfrutou do espetáculo, esquecendo todos seus problemas enquanto


caminhava ao redor da cozinha dos Bennett com familiaridade. A música tocava na rádio
no suporte da janela. O bacon fritava. A torradeira soou. O suco foi colocado em copos
altos. Derek finalmente tomou banho e se vestiu com suas roupas antigas normais.
Enquanto seus novos curativos estavam escondidos sob uma camiseta de Lenny Kravitz,
quase podia acreditar que eram uma família normal, levando uma vida normal. Apenas os
três.

Quer dizer, até que o olhar foi para seu semblante. O que começou sutilmente com
apenas um leve brilho de umidade em sua sobrancelha enquanto se familiarizava com as
centenas de fotografias na sala de estar. Logo começou a inquietar-se um pouco, não o
suficiente para tocar o alarme, mas suficiente como para que Melanie percebesse. Ela
olhou o relógio. Ele se aproximava das vinte quatro horas e trinta minutos desde sua
última dose. Quanto tempo passaria antes que cedesse desta vez?
Sem dizer uma palavra, Melanie procurou na bolsa de lona negra na lavanderia uma
garrafa. Sacudiu uma pastilha em sua palma, abrindo a tampa. Quando retornou à
cozinha, ele estava ali, bloqueando seu caminho.

—Santa merda. — Com um punho em seu coração, Melanie franziu o cenho. —


Pode, por favor, não fazer isso?

Seu olhar foi de desculpa. — Simplesmente não quero tomá-la em frente do meu
filho.

Seu coração derreteu imediatamente. Fechou a boca e lhe estendeu a mão. Ele
tomou o comprimido, olhando além dela o proeminente frasco da bolsa de lona e ela
soube exatamente o que acontecia sua mente.

Sim, finalmente tem o controle.

Com o comprimido sob a língua, Derek encheu um copo de água e bebeu o


conteúdo. Ficou de pé na pia, olhando pela janela durante tanto tempo, que Melanie se
uniu a ele com DJ em seus braços.

— Algum dia Mel. — Disse deixando o copo vazio cuidadosamente no balcão. —


Teremos a nossa própria casa.

Ela franziu o cenho e seguiu seu determinado olhar. Ali, no pátio traseiro estava
uma casa de passarinhos branca em um poste alto. Andorinhas revoavam dentro e fora
das casinhas separadas, conversando ruidosamente, brincando, participando de brigas em
pleno voo que apenas terminavam quando o mais fraco se rendia.

DJ apontou pela janela. — Budees! — Disse alto.

Melanie apoiou a bochecha contra o ombro de Derek e encontrou uma nova


apreciação de algo que sempre deu por certo.

— E pela manhã, poderá caminhar para a varanda com seu café. — Recordou-lhe.

Seu braço rodeou seus ombros.

— Tenho mais que suficiente economizado para construir uma casa.


Ela assentiu.

— Ainda não. Está em um fundo fiduciário para DJ, mas poderá recuperar o controle
dele a qualquer momento.

Ele abriu a boca para responder, logo a fechou de repente. Endireitou-se e fechou os
olhos.

— Alguém está se aproximando. — Murmurou.

E com essas palavras, a tensão foi restaurada.

Derek cautelosamente se sentou em um tamborete na loja. Enquanto seu corpo se


curava, o processo era mais rápido devido à droga em seu sistema, a dor era muito pior do
que há dias antes.

Mas estava feliz por estar vivo, aceitando tudo com uma atitude positiva, o que
quase se converteu em algo estranho para ele.

Austin entrou na garagem e fez uma careta.

— Estou tentando descobrir se esse gesto é pelo buraco em seu peito ou pelo carro.

Derek riu. — Por ambos. — Admitiu. — Ainda não posso acreditar que o encontrou.

O Challenger era uma carcaça, recém-tirada do leito do rio e sem perceber estava
acabado. A parte traseira estava esmagada por múltiplos impactos, como a parte dianteira
do lado do passageiro. Todos os vidros estavam quebrados ou não estavam mais lá. Os
faróis quebraram, a pintura arranhou, não ficou nem um painel inteiro e a luz traseira
já não existia.

Derek se aproximou, tocando um galho de soja do emblema. Ao menos isso ainda


permanecia.

Por sorte, Austin e Danny conseguiram tirá-lo disfarçadamente da IGP antes que
alguém o descobrisse. Colocaram em um reboque de plataforma e o levaram de volta à
fazenda Bennett. Ainda não estava seguro de que era o melhor lugar para ele, já que ainda
não estava convencido que deveria dizer a seus pais que estava vivo.

Austin completou uma volta ao redor do carro, tirou seu próprio tamborete e se
instalou a seu lado com um forte olhar de dúvida.

— Acredito que podemos consertar isso.

Nós. A perspectiva soava bem para Derek. Olhou as mãos.

— Salvou-me a vida, Cahill. — Murmurou. Era algo a respeito do que pensou muito
depois da explosão que aconteceu no porão da IGP.

— Você salvou a minha em circunstâncias menos agradáveis. — Recordou Austin


com um encolhimento de ombros.

E dois anos atrás, quando Derek ouviu que a vida de Austin estava em jogo, não
houve nenhum pensamento se teria ou não que ajudar nos esforços de resgate. Foi um
fato. Eles eram melhores amigos há muitos anos e passaram duas vezes essa quantidade
de anos como inimigos, por quê? Pela inimizade entre suas famílias? Por uma garota?
Pelos hormônios? As razões foram se apagando.

Derek se moveu em seu banquinho. — O que estávamos fazendo, homem?

Depois de um breve silêncio. — Continuando o modelo da briga, suponho.

DJ esmurrou a porta do lado do motorista do Challenger até que Melanie a abriu


para ele. Derek observou enquanto ela deslizava atrás do volante e equilibrava o menino
em seu colo.

Danny se uniu a eles no assento do passageiro.


— Pensei muito nos últimos dois anos. — Derek se lamentou ao ver seu filho no
volante. — A respeito de como empalidecem meus antigos problemas em comparação
com os novos. Tive tempo para ordenar minhas prioridades. — Esticou a mão e estreitou a
de Austin. — Algo que quis fazer no hospital há muito tempo, mas que não pude. Grande
prioridade.

Os olhos de Austin se enrugaram com humor. — Lembro que sempre me expulsava.

Por Deus, quase esqueceu isso.

— A você e a enfermeira Mãos de Homem.

Quando o aperto de mãos terminou, Austin estendeu suas largas pernas.

— Oh sim, a enfermeira Mãos de Homem.

Derek soltou uma gargalhada. — Apenas porque sentia falta da oportunidade de


colocar o termômetro em meu traseiro.

A boca de Austin se contraiu.

— Foi por isso. — Então se acalmou um pouco enquanto olhava sua esposa através
do para-brisa. — É curioso, não? Durante gerações, os Bennett e os Cahill viveram como
inimigos. Agora, com este novo bebê chegando, serão primos. Família.

— Sobre o que está falando? — Perguntou Derek, com o cenho franzido quando um
estalo de emoção explodiu no interior do carro.

— Sabia que não era molenga! — Gritou Melanie, lançando seus braços ao redor de
Danny.

Quando Derek somou dois e dois, endireitou-se com um olhar de estupefação.

— Não pode ser. — Mas a prova estava no rosto de Austin. — Acertou minha irmã,
Cahill?

O sorriso de Austin foi grande.


— Sim. O pequeno bastão branco mostrou seu sinal esta manhã: sua irmã está
grávida.

****

E logo foi a vez dos rapazes. Melanie e Danny olharam do assento dianteiro do
Challenger seus homens rirem juntos. Derek deu um golpe no peito de Austin, ao que
parece doeu.

— Demorará um tempo antes que perceba que tem que fazer tudo com calma. —
Comentou Danny.

— Realmente. — Melanie disse descaramento. — E você será a imagem da


moderação. — Riram, sabendo muito bem o quão impossível era para qualquer Bennett
colocar seus pés para o alto por muito tempo. — Dará cãibras em seu marido a
perseguindo.

Acenaram em um silêncio quente enquanto Melanie processava o fato de que


estava a ponto de ser tia.

Danny olhou Austin, com o rosto radiante por seu intenso amor.

— Ajudou Derek a encontrar este carro. — Disse, com os olhos cheios de lágrimas.
— Mas perdeu sua restauração. Eram inimigos nessa época. Foi algo que sempre
lamentarei.

Melanie segurou o traseiro com fralda de DJ para mantê-lo em equilíbrio sobre seu
colo.

— Parece que terá uma segunda oportunidade. — Logo olhou seu novo anel de
compromisso. — Imagino que todos teremos.

Danny percebeu o anel pela primeira vez. Com um suspiro, agarrou-se ao painel do
carro.

— Não me diga! Ele lhe pediu com isso?


— Acredito que o inferno congelara finalmente. — Respondeu Melanie com um
sorriso louco.

Em vez de participar de uma nova ronda de emoção, o rosto de Danny suavizou.


Levantou a mão, moveu a franja de Melanie com ar de adoração.

— A IGP foi seu inferno. Você o salvou, Melanie.

Enquanto ela processava o pensamento, Melanie se reclinou contra o encosto de


cabeça. — Não sei nada disso.

— É a razão por que desertou. Sua motivação, por lembranças ou as ameaças de


Rafferty.

E as ameaças foram muito reais. Melanie mordeu o lábio inferior.

— Tem medo que venham atrás de nós.

— Eu também. — Danny concordou sem hesitar. — Temos que pegar o que sobrou
antes que a IGP se reagrupe.

— E ainda temos que averiguar sobre a Lesico.

Um suspiro pesado.

— O laptop de Crystal quebrou. Austin o deixou cair quando o fantasma fez a


emboscada em seu caminho para fora do porão ontem à noite, mas acredito que ainda
poderemos tirar informação dele. Apenas levará um pouco de tempo.

— E se Ty tiver razão sobre Crystal. — Melanie especulou. — Talvez nos diga o que
há nele.

Danny franziu o cenho, esticou o braço sobre o assento.

— Mac diz que está com abstinência. Não gosta de onde vai isso.

Quando Melanie revirou os olhos, Danny encolheu de ombros com simpatia. — Já o


conhece. É muito preocupado. Não pode ver uma mulher sofrer mesmo se for o inimigo.
Deveria saber. Eu fui Crystal em um momento e ele foi o motivo pelo qual sobrevivi
nos primeiros dias em Cahill Salvage.

Melanie sabia tudo a respeito. Conhecia o lado preocupado de Mac melhor que
ninguém.

— Precisamos que Crystal sofra. — Disse. — Mac sabe. Derek acredita que ajudará a
torná-la mais maleável.

Mas a ideia de atormentar sua cativa provocava uma possibilidade totalmente nova.
Seu rosto se iluminou em um franzido.

— Nossos três presos estão em seu porão. Temos a maior parte da oferta da IGP do
Nexifen. Podemos esperar que todos os fantasmas tenham abstinência e morram?

Depois de pensar um pouco, Danny disse: — Apenas se sua fonte de fornecimentos


de drogas for interrompida. Rapidamente. Antes que a cura seja desenvolvida.

****

— Quero ir.

Melanie levantou seu short e o fechou sob a minissaia que usava antes de descartá-
la com pressa. Agora que conseguiu a informação que necessitava de seus dois
prisioneiros machos, a pequena doce confecção de seus dias de festa estava destinada a ir
ao lixo.

— Não pode. Eles atiraram em você ontem.

Derek franziu o cenho. — Sei quem é ela. Posso identificá-la.

Mas todos o ignoraram enquanto se sentavam na sala comum de Cahill Salvage e


discutiam seus planos para infiltrar-se na planta principal da Lesico. Derek sabia que aí era
onde a IGP poderia recolocar-se até que reparassem seu edifício, mas graças a River e sua
briga com o Bolas Duras, estavam armados com um pouco mais de informação útil.

Danny mordeu a maçã e lhe deu uma piscada de seu lugar na mesa.

— Disse que a saia funcionaria.


O sorriso de Melanie era afetado, movendo seus membros com calafrios.

— Apenas ficar perto dele e de Rafferty me faz querer tomar banho novamente,
mas mostra um pouco de perna e canta como um canário. O rapaz não tem nenhuma
resistência.

— Estou segura de que a decisão ajudou. — Acrescentou Danny com um


encolhimento de ombros.

Austin deu uma cotovelada em sua mulher e a fez calar efetivamente.

Seu grupo de seis, incluindo DJ, ocupava uma pequena seção de mesas que
normalmente levavam o peso de muitos dos empregados de Austin durante as reuniões
de trabalho da manhã. Era um grande salão-bar-cafeteria, mas a presença irritada de
Derek fazia que fosse muito menor.

— Oh, vamos, Derek. — Danny riu. — Mac estará com ela todo o tempo, não estará
em perigo.

Por alguma razão, isso não pareceu ajudar. Melanie viu que o cenho do Derek se
aprofundava e se voltava para seu companheiro de quarto, que tinha o pequeno DJ em
seu joelho nesse mesmo momento.

Ela se sentou no banco junto a ele. — Tem que admitir que funcionou.

Derek limpou o rosto com as mãos. — Isso não significa que eu goste mais.

— Sabemos que o traficante de drogas que entrega o Nexifen a IGP tem algo por
Lana. Não foi ela a que ajudou com essa injeção ontem? — Ante o assentimento de Derek,
disse: — Então nos ajudará a identificá-lo para que possamos chegar a ele e a esse
químico de porão que o faz.

— Você não irá a nenhuma parte perto da Lesico. Fim do assunto.

Mac verbalizou um pensamento. — Sempre podemos enviar Crystal.

A mão de Melanie golpeou a mesa. — Oh, claro, ela é confiável.


— Eu irei com ela. — Adicionou ele, ao mesmo tempo em que capturava o pequeno
carro de brinquedo de DJ antes que saísse da mesa. — E se Bennett puder convencê-la a
jogar, me assegurarei de que fique na linha.

Austin concedeu a seu ex-empregado um reflexivo olhar.

— Eles não sabem que foi tomada por nós. Ela podia entrar ali e ninguém saberia.

Derek considerou a ideia.

— Seu dispositivo de rastreamento foi eliminado. Isso levantaria algumas questões.

— A IGP está decapitada e hesitante. — Disse Danny depois de outra mordida na


maçã. — Nem sequer a notarão até que possam reorganizar-se.

Mas Melanie se uniu a Derek como a advogada do diabo.

— Está bem, assim lhe damos uma dose para que saia e a enviamos para dentro.
Qual é sua motivação para voltar para nós?

Derek respondeu tão facilmente.

— Rena. Ela é nossa melhor chance para a cura. Apenas precisamos convencer a
Crystal de que é seu melhor interesse mudar para nossa equipe. Sua única oportunidade
de vencer o relógio.

Poderia funcionar, mas apenas se Crystal fosse verdadeiramente digna de confiança.


Melanie rebuscou seus pensamentos e procurou uma razão para acreditar. A mulher
havia, depois de tudo, salvo DJ de Rafferty. Mas com que fim? O que poderia dizer que
não o teria matado se isso significava salvar a si mesma? Apenas havia uma maneira de
averiguá-lo.

— Falarei com ela.

Derek lhe lançou um olhar.

— Não, eu falarei com ela. — Quando ela abriu a boca para discutir, explicou-lhe. —
Somos o mesmo. Compartilhamos a mesma motivação, os mesmos riscos, as mesmas
habilidades. Até que esta droga esteja completamente fora de nosso sistema,
continuamos como fantasmas.

****

Era perto das quatro quando Derek tomou seu turno no porão da velha casa onde
sua irmãzinha e Cahill viviam. Mantida surpreendentemente em boas condições para uma
casa colonial de meados do século XIX, o porão estava alinhado com tijolos e pedras, livre
de teia de aranhas e completamente limpo, para preservar a histórica importância do
lugar. Perfeito para uma prisão improvisada, que se comentava era para uns poucos
desafortunados Bennett, de todos os modos.

E uma vez que a casa estava separada do pátio e dos escritórios, não ouviriam seu
prisioneiro gritar quando o trabalho reiniciasse na manhã da segunda-feira.

As coisas se moviam rápido. Era sua esperança que Crystal oferecesse pouca
resistência. Ela era uma pessoa confusa para investigar desde o começo. A princípio,
apenas viu algumas vezes nos campos de treinamento da IGP até que de repente esteve
por todo lugar. Agora sabia por que, esteve trancada em sua própria pequena prisão até
que Sophie a convenceu a abraçar seu fantasma interior. Compartilhavam mais que o
fármaco e as habilidades possíveis por ela, compartilhavam o mesmo princípio relutante.
Provavelmente podiam compartilhar o mesmo fim.

Mac lhe precedeu pela escada a fim de garantir que seus presos permanecessem
ignorantes da existência de Derek. Estiveram separados de Crystal, mas eram mantidos
perto o suficiente para que ela ouvisse os sons de seu sofrimento.

— Ela está na sala do canto. — Disse Mac, apontando o caminho.

A tensão entre eles crepitava agora mais que nunca. Embora Derek soubesse que
Mac apenas foi um amigo para Mel, havia algo a respeito de outro homem perto de sua
família que ia contra a corrente.

— Ela está suficientemente bem para falar? — Perguntou-lhe.

— Sim. — Respondeu Mac, com uma expressão indecifrável.


— E Rafferty e River não poderão nos ouvir?

Mac o confirmou com um movimento de cabeça.

— Ainda estão vendados desde sua viagem aqui e os temos ouvindo rock através
dos fones de ouvido. Rafferty está a ponto de explodir.

Bem, isso era algo. Até que pudessem considerar que já não serviam, os homens se
manteriam com vida. Apenas com muita dificuldade.

Mas assim que Derek viu Crystal, sua simpatia disparou. A mulher de cabelo loiro
estava amarrada pelos pulsos e tornozelos, na cadeira de aço no canto das mais profundas
entranhas escuras da casa, estava claramente sofrendo a pior classe de ansiedade. As
amarras eram para seu próprio bem, tanto quanto as deles.

— Derek. — Ofegou ela, sua cabeça entre seus ombros. — Precisa me tirar daqui.
Isto irá me matar.

Derek passou uma mão pelo rosto enquanto se sentava no chão com as costas
contra a parede de pedra. Pelo amor de Deus, podia sentir sua dor.

— Sentirá dessa maneira por muito tempo antes que realmente comece.

A maquiagem fortemente aplicada de Crystal se converteu em uma confusão


inquietante que agora sulcava suas bochechas de maneira estridente.

— Você teve uma dose desde que saímos da IGP.

Ele assentiu. — Sim, tive.

— Preciso dela. Por favor. Farei o que quiser.

Ouvi-la implorar era difícil. Era algo que Derek teria cortado sua própria língua por
evitar.

— Chama-se Nexifen.

Seus olhos gelados eram estranhamente brilhantes através de sua máscara preta.
— Sabe o que é?

Derek se alimentou do desespero em sua voz. Era o que necessitava dela.

— Matará a todos nós eventualmente. Nossos organismos precisarão de mais até


que a abstinência seja eminente.

Ela observou o chão durante muito tempo. — Está mentindo.

— Crystal, olhe para mim. — Quando ela o fez, repetiu-lhe o que lhe disse no dia
anterior. Antes, quando teve a garganta de Rafferty sob a lâmina de um bisturi. —
Conhece algum fantasma aposentado?

Ela zombou, rejeitando a ideia. — Outra vez com isso.

— Pense nisso. O tempo de Rafferty quase terminou. Sua dose está baixando a cada
seis horas. Ele tem talvez uns poucos meses mais na droga e sabe. Não há aposentadoria,
Crystal.

— Por que deveria acreditar?

A verdade era que às vezes a pílula era difícil de engolir, mas ele a enfiaria pela
garganta sem piedade.

— Sophie lhe deu isso para ganhar a cooperação de Rena. Ambas sabiam que com o
tempo a mataria se ela não produzisse a amostra e deixasse que Sophie completasse a
cura. Essa mulher tirou sua família e a utilizou como moeda de troca. Jogou com sua vida.
Rena lhe amava. Moveu inferno e terra por você. E você escolheu Sophie.

— Rena me abandonou! — Gritou ela em sua voz demoníaca, movendo-se contra


suas amarras. — Deixou-se prender porque estava apaixonada por um homem! Ele sequer
era parte disto!

Ele se manteve calmo a seu lado no lugar com pouca luz.

— Ela se quebrou. Sophie superestimou sua estabilidade. Pressionou-a muito.


— Isso não é desculpa! E se realmente se preocupasse comigo, não teria arriscado
sua liberdade dessa maneira! — Expressou o que ele suspeitou durante muito tempo.

— Algo me diz que Sophie tinha uma mão na condição de Rena. Sei que é um fato
que controlava seu estado psicológico, enquanto estava na cadeia a fim de mudá-la a de
uma seção a outra.

— Merda! Sophie não tinha autoridade dentro dessa prisão!

— Ela tinha um homem dentro. Trabalhei com ele para deixá-la sair.

A notícia pareceu impressioná-la em um momento de calma. — Eu sei que Sophie


não estava esperando que ela estivesse lúcida, mas...

— Em minha busca de informação sobre o Nexifen, encontrei o receituário de


medicação reservados para trazer a Rena de volta. — Derek segurou seu esgotado olhar.
— Roubei-o. Aprendi como administrá-lo. Pensei que se estivesse bem com ela, seria uma
aliada.

Crystal rompeu o contato visual, passou a língua nervosa sobre seu lábio inferior.

Derek tentou parar sem fazer um espetáculo de sua dor, mas foi em vão. Terminou
de pé, curvado de novo com uma mão no peito. Enquanto se recuperava, inclinou-se
contra seus joelhos, recuperando o fôlego.

— Quer saber a primeira coisa lúcida que me disse quando esse medicamento teve
efeito em sua cela da prisão? — O silêncio foi seu assentimento. — Foi seu nome. É obvio,
não tinha nem ideia de quem era Elsa. Não soube até ontem à noite.

A lâmpada pendurada lançou sua sombra sobre o piso enquanto ele começava a
andar diante dela.

— Já começou a se voltar contra a IGP, Crystal. Salvou DJ de Rafferty e foi sua voz a
que ouvi naquele depósito. Você ajudou Ty a salvar minha vida e divulgar na IGP que
estava morto. Rena é nossa única oportunidade de cortar o cordão. Ela pode nos ajudar,
mas apenas se você tirar sua cabeça do traseiro. — Caminhou para ela, lhe estendendo a
dose. — Deve querer sua vida de volta. Não deixe que Sophie ou a IGP lhe tirem isso.
Trabalhe conosco.

Lágrimas negras frescas escorreram por suas bochechas enquanto olhava a grande
pastilha branca em sua palma. Ao princípio, a confusão impediu seu discurso. Logo, fechou
os olhos e os reabriu. Saiu como um sussurro.

— O que quer que eu faça?


Dois dias mais tarde:

Melanie levantou DJ de seu cercadinho enquanto a porta de trás se abria. Olhou o


relógio. Sete e meia da manhã. Herb e Mary levaram um tempo para chegar em casa e a
espera foi insuportável para todos.

— Olá! Quem está aqui?

Ela segurou o fôlego fortificando-se, soltando-o lentamente, logo se reuniu com o


casal na cozinha.

— Sou eu. — Disse com um sorriso nervoso.

Mary, com seu cabelo cinza até os ombros com extrema necessidade de um pente,
desenganchou a bolsa de seu braço e a colocou no balcão.

— Oh, Melanie! — Uma mão passou sobre seu coração justo antes que pegasse a
mãe e ao menino em um robusto abraço. — Preocupamo-nos quando recebemos a
mensagem de Danny de que nem todos chegaram à casa de campo.

O vovô Herb a olhou acusadoramente com seus grossos óculos e soltou a alça de
sua mala com rodas.

— Não é como se você não cumprisse com planos como esses. — Queixou-se,
tirando o chapéu de aba larga para revelar um espesso arbusto de cabelo ondulado, —
Pensei que estivesse esperando vir ansiosamente.

Acostumada a seu estado de ânimo mal-humorado, Melanie se apoiou e beijou o


velho na bochecha.
— Estava. Algo ocorreu e não pudemos chegar.

— Foi seu carro? — Perguntou-lhe, mostrando seus dentes enquanto DJ tentava


agarrar seus óculos. — Percebi que não está no caminho de acesso.

— Bem... não exatamente.

Mary pegou o menino de Melanie.

— Como está meu pequeno homenzinho? — Cantarolou, deixando beijos fortes nas
áreas do pescoço expostas do bebê. — Senti tanto a sua falta!

DJ riu e escondeu o queixo desafiando-a.

Enquanto a avó se sentava com ele na pequena mesa da cozinha, Melanie ajudou
Herb a levar o resto da bagagem para dentro.

— Ia ensinar meu neto a pescar. — Herb tirou uma pequena vara de pescar com um
verme de plástico no extremo.

Melanie se voltou para trás antes de vê-lo.

— Oh... é...

Ele recolheu e ajustou de forma segura quando a porta traseira se abriu novamente.

— Danny! Está vindo de onde?

Por fim! Melanie lançou um suspiro de alívio agora que tinha reforços. Danny lhe
piscou um olho enquanto dirigia a seus pais com experiência.

— Venho da garagem. — Beijos foram trocados — Tiveram um bom tempo no lago?

Herb limpou a garganta, indicando o bebê no colo de Mary.

— Ficamos sem ter o que fazer sem o pequeno aqui.

— Melanie tem uma boa desculpa. — Explicou Danny, pegando as caixas de iscas.
Mary soprou a franja de sua frente e a enviou a sua única filha de nove filhos um
sorriso exausto.

— É obvio que sim querida. Como estão as coisas na Cahill Salvage?

— Ocupadas.

Herb murmurou em sinal de desaprovação. — Apenas porque meus médicos me


obrigaram a me aposentar.

A casa foi despertada da maneira única que a presença de Mary e Herb podiam
conseguir. A tranquila e abandonada sensação desapareceu e a animação foi restaurada.
Mais luzes se acenderam, as chaves do carro foram tiradas e o casal se acomodou na vida
da casa. Melanie notou o breve olhar de apreensão de Danny enquanto conduzia seu pai
para a cadeira vazia junto à Mary.

— Como está seu coração ultimamente, papai?

Herb se negou a sentar-se, saiu e foi para esquerda diretamente ao pequeno rádio
no suporte da janela.

— Melhor agora que estou em casa.

Mary estalou a língua.

— Oh, pare. Essa cabana no lago é o melhor investimento que fizemos depois do by-
pass. — Logo se inclinou para as garotas e cobriu os lábios da vista de Herb. — E de fato,
surpreendi-o sorrindo enquanto alimentava aos patos no lago.

Herb esquadrinhou o dial numérico. — Tinha gases.

Mary lançou a seu marido um olhar de desagrado.

— Isso apenas funciona com os recém-nascidos, você, velho enganoso.

DJ apontou para sala de estar.

— Papa!
— Sim, abobora, é seu papai. — Cantou Mary.

Mas a metade deles sabia que o menino não estava apontando as fotos desta vez.
Danny lançou um clandestino olhar por cima de seu ombro enquanto abria a geladeira.

Melanie estava ocupada tirando dois copos do gabinete.

— Um... falando sobre Derek... — Começou, mas Danny a interrompeu.

— Papai, talvez deva se sentar.

Mary olhou com gratidão quando sua filha trouxe as bebidas à mesa.

— Fez chá?

A música de rock encheu o ar.

— Alguém esteve mexendo no meu rádio. — Queixou-se Herb. A música foi


substituída por um ruído estático enquanto procurava o canal correto.

— Espere um minuto! — Mary apontou para a mão esquerda de Melanie. — O que


é isso em seu dedo? Herb parece com o anel de sua mãe.

Melanie sentiu as bochechas ruborizadas.

— Sim, é ele.

O olhar de Mary suavizou para amortecer suas palavras.

— Ela o deu a Derek.

— Eu sei. — Apenas estes poucos segundos de dúvida, fizeram-na inquietar-se pela


tensão. — Há algo que precisamos contar, mas...

Herb de repente estava atrás dela.

— Não me diga que se comprometeu com alguém quando desapareceu.


Foi então que Melanie percebeu o rádio ficou silencioso. O relógio da cozinha soava
fortemente.

— Bem, na realidade, sim.

— Então, seja quem for esse miserável, precisa comprar seu próprio anel. Esse
pertenceu a nosso filho e algum dia pertencerá a DJ.

Danny foi a seu resgate.

— Pop, por favor. — Disse enquanto o segurava pelos ombros e com êxito o
sentava à cadeira. — O que precisamos dizer tem tudo que ver com o Derek e em como
Melanie conseguiu esse anel. Mas preciso que respire fundo e canalize sua calma interior.

Mary lhe deu apinhas no joelho.

— Sim, querido, sabe que Melanie tem uma boa explicação de por que ela está
usando esse anel. Nunca faltaria com respeito à memória de Derek assim. — Seus olhos
castanhos se voltaram com confiança para Melanie. — Certo?

— É obvio que não. — Gaguejou Melanie, decidindo que agora era o momento da
grande revelação. — Mas ele não é mais uma lembrança. Está vivo. Está aqui. É real. —
Levantou sua mão. — E foi ele que colocou o anel em meu dedo.

Pronto, disse. Graças a Deus. Que alívio. Agarrou a mão de Danny quando foi
oferecida.

O relógio soou mais forte que antes. Danny inclinou a cabeça.

— Pop?

— Oh! — A expressão de Mary fez que as garotas saltassem. — Acho que sei o que
está acontecendo! — A mulher se inclinou e sussurrou no ouvido de Herb.

Herb olhou por cima de seus grandes óculos.

— Teve outra experiência? — Disse movendo os dedos.


Melanie piscou. — O que?

— Outra mensagem misteriosa ou visita em seus sonhos? Porque cada vez que o
vento sopra, pensa que é nosso filho tentando se comunicar.

Ela sentiu que seu rosto esquentava. Por Deus, deveria saber aonde levaria isto. Mas
lhe fez trazer uma pergunta interessante. E se Derek esteve vivo todo o tempo, como
explicava essas experiências do passado que acreditou serem sobrenaturais?

— Talvez queira morar conosco. — Adivinhou Mary, completamente encantada com


a possibilidade. — Nós adoraríamos isso, já sabe.

O que?

— É... não, isso não é o que...

— Ela e DJ podem ficar com o quarto de Danny. — Disse Mary alegremente, dando a
Herb outro tapinha no joelho. — Sabe desde que seu casamento parece manter-se
estável.

Os ombros de Danny caíram. — Mamãe.

Mary se voltou para sua filha com olhos culpados.

— O mantivemos desocupado para você. Casou-se com um Cahill. Pode entender,


não é?

— Pensei que gostasse de Austin!

Herb se apoiou na mesa, movendo-se desconfortavelmente.

— Claro, ele resultou bem, mas já sabe o que dizem. Casa-se com o homem, casa-se
com a família.

Danny levantou um olhar firme sobre Melanie.

— Você pode fazer tudo isso?


Melanie escondeu sua risada e logo ficou séria imediatamente enquanto Danny se
movia com outra tentativa de comoção e pavor.

— Está bem. — Danny levantou as palmas para fora e segurou seus ombros. —
Vocês dois precisam ouvir a verdade de nós, porque isto é muito importante.

— É claro, querida. — Disse Mary através de um sorriso amável.

Herb franziu o cenho. — Parece séria. Está grávida?

Melanie abriu a boca. Danny levou um cotovelo a seu braço.

— Isto não tem nada que ver comigo. É sobre Derek.

O casal piscou uma vez mais.

— Tudo bem, estamos ouvindo.

Soltando o fôlego. Danny hesitou tempo suficiente para tirar o DJ do colo de Mary.
Melanie assentiu com aprovação.

Segurança acima de tudo. — Ele está vivo.

Os olhos de Mary foram à esquerda, logo à direita.

— Sim, sabemos. Seu espírito está muito vivo.

Danny voltou a tentar. — Ele está aqui fisicamente. Nesta casa.

— Sim, está em todas as partes desta casa.

— Ugh! — Danny se surpreendeu com o quão ruim estava indo tudo.

Melanie agarrou DJ e utilizou seu filho como uma espécie de escudo humano.

— Melanie, querida, entendemos por que quer viver aqui. — Disse Mary
amavelmente. — Não apenas tem a oportunidade de ficar rodeada de suas fotos, seu
espírito está por toda parte. O lago onde adorava nadar, a garagem onde reconstruiu
aquele carro...
— O porão, onde treinou para suas excursões de escalada. — Adicionou Herb com
um pensativo movimento de cabeça.

— As que não gostavam? — Derek entrou sem problemas.

Tanto Herb como Mary se endireitaram, estiraram o pescoço para sala de onde veio
à voz. Finalmente notaram o par de visíveis pernas que ocupavam a cadeira de encosto
alto junto à lareira. Com as portas de vidro fechadas refletia-se a imagem do corpo inteiro
de Derek, um desvanecido reflexo de um homem que esteve com eles apenas em espírito
por dois longos anos.

DJ apontou com o dedo. — Papai!

O casal se levantou lentamente, com os rostos mortalmente pálidos. Derek se


levantou e virou para eles. Embora sua expressão fosse tranquila, a emoção formava
redemoinhos em seus olhos.

Com uma mão no coração, Mary deu um passo para ele e parou. Herb olhou com a
boca aberta suas costas, incapaz de mover-se absolutamente.

Melanie e Danny observaram a comovedora reunião, prontas para agir se fossem ao


chão.

Derek diminuiu lentamente a distância entre ele e sua mãe.

— Mamãe. — Sussurrou, esticando-se.

A mulher estremeceu, ofegou quando sentiu suas mãos muito reais próximas a seus
braços.

— Derek? — Perguntou em uma voz trêmula. — Meu filho? — Então levantou a


mão para tocar seu rosto, mas seus olhos se nublaram e ela os fechou.

— Desmaiou. — Disse Danny e correu a ajudá-la enquanto Mary caia contra ele.
Derek a pegou e lentamente se afundou no chão sob seu peso. Melanie sabia que suas
feridas estavam doendo, mas ele se manteve firme com Mary em seus braços enquanto se
encontrava com o olhar surpreso de seu pai.
— Pop. — Disse emocionado.

Herb se agarrou a mesa em apoio.

— Estou em casa.

Sequestrada por homens com capuzes negros, a nerd da universidade, Elsa Hellberg,
foi obrigada a uma vida de vício e subterfúgio. Hoje, é uma assassina treinada conhecida
como Crystal, e leva um capuz negro próprio; entretanto, uma vez mais se encontra
cativa, forçada a voltar-se contra a organização que a fez. Dividida entre sua necessidade
de poder e o desejo de recuperar a vida que uma vez teve, a resolução definitiva do
Crystal se revolve ao redor da atração enigmática por um só homem.

Mac não toma a segurança de seus seres queridos à toa. Considera uma ameaça a
Crystal, e se compromete a mantê-la a raia enquanto ela completa a tarefa que lhe foi
atribuída. Exposto a seu mundo de sangue, luxúria e drogas letais, MAC logo se encontra
lutando contra o vício... à própria Crystal. Quando as coisas se voltam mortais, poderá
tirar a tempo para explorar à verdadeira beleza sob o capuz? Ou será que o destino tem
um mapa diferente para a mulher que sacrificaria tudo para salvá-lo?