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Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar

agora e fazer um novo fim!" Frente à capitulação do PT às novas políticas neoliberais é


necessário construir um novo partido.

1. Teoria geral do Direito Constitucional. Objeto e conteudo do Direito Constitucional.


2.Constituição: conceito e concepcoes de Constituicao; classificação das constituicoes.
3. Poder constituinte originario e derivado. Revisao constitucional.
Do Direito Constitucional e da Constituicao
DO DIREITO CONSTITUCIONAL
1. Natureza e conceito
O Direito e fenomeno historico-cultural, realidade ordenada, ou ordenacao normativa da conduta
segundo uma conexao de sentido. Consiste num sistema normativo. Como tal, pode ser estudado
por unidades estruturais que o compoem, sem perder de vista a totalidade de suas manifestacoes.
Essas unidades estruturais ou dogmaticas do sistema juridico constituem as divisoes do Direito,
que a doutrina denomina ramos da ciencia juridica, comportando subdivisoes.
O Direito Constitucional pertence ao setor do Direito Publico. Distingue-se dos demais ramos
do Direito Publico pela natureza especifica de seu objeto e pelos principios peculiares que o
informam. Configura-se como Direito Publico fundamental por referir-se diretamente aa
organizacao e funcionamento do Estado, aa articulacao dos elementos primarios do mesmo e ao
estabelecimento das bases da estrutura politica.
Podemos defini-lo como o ramo do Direito Publico que expoe, interpreta e sistematiza os
principios e normas fundamentais do Estado.

CONSTITUICAO
Conceito:
Documento jurídico de uma sociedade que decide se auto-constituir.
A constituição estabelece as competências de cada um dos poderes. Realiza a arquitetura do
Estado.
Estabelece também quais são os direitos do cidadão em relação ao Estado que ele criou.
O Estado regulamenta, por exemplo, o sistema de previdência social. A previdência será
centralizada e gerenciada por quem? Esta é uma prestação positiva do Estado.
O Estado Social previlegia o princípio da igualdade.
O CADE, por exemplo, regula a atividade econômica de diversas empresas.
O artigo 173, caput, da Constituição Federal, reza o seguinte:
"Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade
econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança
nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei.
A Constituição pode ser conceituada como:
1) Conjunto de Normas associadas a Estrutura do Estado;
2) Direitos e Deveres do Cidadão.
Classificação:
Constituição em Sentido Formal
Documento em que se arrolam as decisões tomadas pela sociedade.
O direito dos ingleses, o common low, não parte do geral para o particular.É um sistema
indutivo. Nasce de uma indução.
Nosso sistema, civil low, parte do geral para o particular.
O STF faz a análise da constitucionalidade das leis brasileiras.
Constituição em sentido material:
não tem que estar necessariamente arrolada num documento escrito.
Em regra, a Constituição material está contida na Constituição Formal.
É possível, de acordo com certa posição doutrinária haver normas não constitucionais dentro da
Constituição.
Os homens devem ser iguais.
Nesse sentido, Kant faz um esforço para mostrar o nascimento do direito natural pela razão.
O homem, quando passa a viver em sociedade civil, abre mão dos direitos naturais e entrega a
condução da sua vida a um soberano. (Thomas Hobbes, 1616).
Os direitos naturais têm que ser respeitados como soberanos.(Locke).
1) O soberano pode tudo, menos atacar os direitos naturais dos cidadãos.
2) A corrente do pensamento capitaneada por Montesquieu versa sobre a tripartição dos poderes
em executivo, legislativo e judiciário com a conseqüente diminuição do poder do soberano, do
absolutismo.
Os poderes são dependentes e harmônicos entre si.
O poder de veto do presidente é, sem dúvida, um controle feito pelo poder executivo ao poder
legislativo.
O nosso sistema está recheado desses "freios e contrapesos", desses "checks and balances".
Rousseau dizia que um soberano deveria auscultar a vontade do povo e respeitar esta vontade".
A democracia era, na sua origem, uma forma de diminuir o poder do monarca.
Nação e soberania nacional
Constitucionalismo: O Estado, ao ser criado, deve ter suas normas escritas em um documento
que deve ter força de lei.
O Estado se submete ao próprio direito que foi criado por ele.
Obs: Israel não tem uma Constituição escrita.
Classificação:
Escritas : as constituições, em regra, são escritas.
Dogmáticas: assumem dogmas e os dogmas estão no documento formal. Ex: Direito à liberdade.
Não pode existir no Direito brasileiro uma lei que se contraponha à liberdade.
Sistemática: Obra de um legislador racional.
Histórica: Fruto da evolução histórica.
Material
Formal
Populares ou promulgadas: avisa ao povo que aquela norma está em vigor ou estará em vigor a
partir de determinada data;
Outorgadas: nas constituições outorgadas, o soberano outorga ao povo um conjunto de normas;
Rígida: Constituição que estabelece um mecanismo mais difícil, mais complexo, para a sua
alteração. Mesas do Congresso Nacional é que promulgam Emendas Constitucionais. Um
projeto de lei ordinária pode ser votado por maioria simples, igual a metade mais um dos
presentes.
Flexível: Não estabelece sistema diferenciado entre emenda constitucional ou lei ordinária.
Semi-rígida: Constituição imperial de 1824. Somente as leis de estrutura do Estado seriam
rígidas, as demais flexíveis.
Acepções de Constituição
1ª acepção: Sociológica. Foi capitaneada por Ferdinand Lassalli, anarquista de esquerda que
viveu na Áustria em 1819.
O Estado é a síntese de um confronto entre todos os fatores reais de poder,como sindicatos,
banqueiros, etc.
A Constituição nasce no mundo do ser como a luta das forças econômicas que resulta na
estrutura do Estado.
A Constituição escrita é uma mera folha de papel, se o que estiver lá escrito não estiver de
acordo com as forças do Poder.
2º. Composição sociológico-jurídica. Konrad Hesse. "A força normativa da Constituição".
A Constituição como norma tem o poder de conformar o mundo do ser.
Tem que haver uma propensão das pessoas em achar que a Constituição deve nortear a vida na
sociedade.
3º. Faceta política: Carl Smith - jurista alemão, grande líder intelectual do nazismo. Escreveu o
livro "O conceito do político". Político pode ser qualquer assunto que ganhe uma intensidade tal
em que as pessoas estejam dispostas a dar a sua própria vida.
A Constituição, para Carl Smith, era uma decisão política da sociedade.
4º. Acepção jurídica: Corrente positivista/normativista cujo principal expoente é Hans Kelsen.
O Estado era igual ao Direito.
Estado é uma associação de pessoas, num dado território, que resolve se submeter a um governo
soberano.
Hans Kelsen estabeleceu que o Direito é um conjunto de normas.
O fenômeno jurídico só nasce se houver uma predisposição das pessoas.
A Constituição busca seu fundamento numa norma que não é jurídica, precede o direito.
Kelsen pegou o conceito de Estado e transformou em imagem jurídica.
População, para ele, é o local onde a norma, baixada pelo Estado, incide. Ex. Um navio
brasileiro em Londres, é âmbito de validade para as normas brasileiras.
População = âmbito de validade das normas.
Soberania é uma qualidade de um dado ordenamento jurídico que não busca sua validade em
nenhuma norma posta e sim pressuposta.
Normas nascem, vivem e morrem.
Normas processuais estabelecem o processo legislativo.

Para Hans Kelsen, a União é um centro de competência. Visão absolutamente normativa. Kelsen
foi matemático e influenciou decisivamente no direito contemporâneo. Fatos do mundo do ser
não são abordados por Kelsen, apenas do dever ser.
PODER CONSTITUINTE
ORIGINÁRIO - original, incondicionado, ilimitado; não se submete a nenhuma limitação;
DERIVADO - Não é originário, é condicionado, limitado.
- DECORRENTE: Só existe nos Estados Federados;
- REFORMADOR : É o poder delegado pelo Poder Constituinte Originário a alguns órgãos para
poder reformar a Constituição.
Autonomia - poder de auto-governo e auto-organização. Poder de eleger seus próprios
governantes.
Poder Constituinte: Poder concedido pelo Constituinte Originário para que os Estados Federados
promulguem sua constituição de acordo com a Constituição Nacional.
LIMITES
REFORMADOR
circunstancial - deriva de circunstâncias específicas;
temporais - algumas constituições estabelecem um prazo em que a partir de sua publicação a
Constituição será emendada.
de mais da metade das Assembléias Legislativas da Unidades da Federação, manifestando-se,
cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.
§ 1º. A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de
defesa ou de estado de sítio.
§ 2º. A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos,
considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos
membros.
§ 3º. A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do
Senado Federal, com o respectivo número de ordem.
§ 4º. Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
I - a forma federativa de Estado;
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
III - a separação dos Poderes;
IV - os direitos e garantias individuais.
- Processuais - tem que seguir as normas
- Materiais expressos - Parágrafo 4º do Art. 60 da Constituição, consideradas cláusulas pétreas;
- Materiais implícitos - Decorrem da razão

CONCEITO DE CONSTITUIÇÃO

Constituição: é a organização jurídica fundamental de um Estado

Estrutura escalonada ou hierarquizada: a pirâmide representa a hierarquia das


normas dentro do ordenamento jurídico - esta estrutura exige que o ato inferior
guarde hierarquia com o ato hierarquicamente superior e, todos eles, com a
Constituição, sob pena de ser ilegal e inconstitucional - chamada de relação de
compatibilidade vertical.
CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES

1) Quanto ao conteúdo:

a) Constituição formal: regras formalmente constitucionais, é o texto votado pela


Assembléia Constituinte, são todas as regras formalmente constitucionais = estão
inseridas no texto constitucional.

b) Constituição material: regras materialmente constitucionais, é o conjunto de regras


de matéria de natureza constitucional, isto é, as relacionadas ao poder, quer esteja no
texto constitucional ou fora dele. O conceito de Constituição material transcende o
conceito de Constituição formal, ela é ao mesmo tempo, menor que a formal e mais
que esta = nem todas as normas do texto são constituição material e há normas fora
do texto que são materialmente constitucionais.

Regras de matéria constitucional são as regras que dizem respeito ao poder,


portanto, são as que cuidam da organização do Estado e dos poderes constituídos,
modo de aquisição e exercício do poder, as garantias e direitos fundamentais,
elementos sócio-ideológicos, etc.

Nem todas as regras que estão na Constituição são regras materialmente


constitucionais. Pelo simples fato de estarem na Constituição elas são formalmente
constitucional. As regras formalmente constitucionais são chamadas por alguns
autores de lei constitucional, é como se fosse uma lei na constituição.

2) Quanto à forma:

a) Escrita: pode ser: sintética (Constituição dos Estados Unidos) e analítica


(expansiva, a Constituição do Brasil). A ciência política recomenda que as
constituições sejam sintéticas e não expansivas como é a brasileira.

b) Não escrita: é a constituição cuja as normas não constam de um documento único


e solene, mas se baseie principalmente nos costumes, na jurisprudência e em
convenções e em textos constitucionais esparsos.
3) Quanto ao modo de elaboração:

a) Dogmática: é Constituição sistematizada em um texto único, elaborado


reflexivamente por um órgão constituinte = é escrita. É a que consagra certos
dogmas da ciência política e do Direito dominantes no momento. É um texto único,
consolidado. Esta consolidação pode ser elaborada por uma pessoa (será outorgada,
ex. na monarquia) ou por uma Assembléia Constituinte (será promulgada, ex. nos
sistemas representativos, Presidencialismo e Parlamentarismo). As constituições
dogmáticas podem ser: ortodoxa (quando segue uma só linha de raciocínio, tem um
único pensamento) e eclética (não há um fio condutor, temos dispositivos
completamente antagônicos em razão da divergência que existiam entre os
parlamentares, já que cada um visava os seus próprios interesses. - é uma dogmática
que mistura tudo).

b) Histórica: é sempre não escrita e resultante de lenta formação histórica, do lento


evoluir das tradições, dos fatos sócio-políticos, que se cristalizam como normas
fundamentais da organização de determinado Estado. Como exemplo de
Constituição não escrita e histórica temos a Constituição do Estado chamado Reino
Unido da Grã Bretanha e da Irlanda do Norte, sendo que a Grã Bretanha é formada
pela Inglaterra, Irlanda e Escócia. A Inglaterra tem uma constituição não escrita,
apesar de ter normas materialmente constitucionais que são escritas. Portanto, a
Constituição não escrita é, em parte escrita, tendo como característica diferenciadora
que os seus textos escritos não estão reunidos, não é codificado, são textos esparsos
e se eternizam no tempo, denominados Atos do Parlamento (ex. Magna Carta -
datada de 1215)

A escrita é sempre dogmática.

A não escrita é sempre histórica.

4) Quanto a sua origem ou processo de positivação:

a) Promulgada: aquela em que o processo de positivação decorre de convenção, são


votadas, originam de um órgão constituinte composto de representantes do povo,
eleitos para o fim de elaborá-las. Ex.: Constituição de 1891, 1934, 1946, 1988.
Também chamada de populares, “democráticas”. A expressão democrática não deve
ser utilizada como sinônimo de Constituição promulgada, não é denominação correta.
O simples fato de ser promulgada não significa que seja democrática. (Democracia =
vontade da maioria, consenso). A constituição outorgada também pode ser
democrática, se a maioria concordar com ela.

b) Outorgada: aquela em que o processo de positivação decorre de ato de força, são


impostas, decorrem do sistema autoritário. São as elaboradas sem a participação do
povo. Ex.: Constituição de 1824, 1937, 1967, 1969.
Próxima a esta modalidade de constituição encontramos também uma
referência histórica, a chamada Constituição Cesarista ou mistificada = não é
propriamente outorgada, mas tampouco promulgada, ainda que criada com a
participação popular. Formada por plebiscito popular sobre um projeto elaborado por
um Imperador, ex. plebiscitos napoleônicos ou por um ditador, ex. plebiscito de
Pinochet, no Chile. A participação popular, nesses casos, não é democrática, pois
visa somente ratificar a vontade do detentor do poder, sendo assim pode ser
considerado um tipo de outorga (são impostas e ratificada pelo povo por meio de
plebiscito para dar aparência de legítima).

c) Pactuadas: são aquelas em que os poderosos pactuavam um texto constitucional, o


que aconteceu com a Magna Carta de 1215.

OBS: A expressão Carta Constitucional é usada hoje pelo STF para caracterizar
as constituições outorgadas. Portanto, não é mais sinônimo de constituição.

5) Quanto à estabilidade ou mutabilidade:

a) Imutável: constituições onde se veda qualquer alteração, constituindo-se relíquias


históricas – imutabilidade absoluta.

b) Rígida: permite que a constituição seja mudada mas, depende de um procedimento


solene que é o de Emenda Constitucional que exige 3/5 dos membros do Congresso
Nacional para que seja aprovada. A rigidez é caracterizada por um processo de
aprovação mais formal e solene do que o processo de aprovação de lei ordinária, que
exige a maioria simples.

c) Flexível: o procedimento de modificação não tem qualquer diferença do


procedimento comum de lei ordinária Alguns autores a denominam de Constituição
Plástica, o que é arriscado porque pode ter diversos significados. Ex.: as
constituições não escritas, na sua parte escrita elas são flexíveis

d) Semi-rígida: aquela em que o processo de modificação só é rígido na parte


materialmente constitucional e flexível na parte formalmente constitucional.
A estabilidade das constituições não deve ser absoluta, não pode significar
imutabilidade. Deve-se assegurar certa estabilidade constitucional, certa permanência
e durabilidade das instituições, mas sem prejuízo da constante, tanto quanto possível,
perfeita adaptação das constituições às exigências do progresso, da evolução e do
bem-estar social.

6) Quanto à sua função (função que a Constituição desenvolve no Estado):

As três categorias não são excludentes, uma Constituição pode ser enquadrada em
mais de uma delas, salvo a balanço e a dirigente que se excluem.

a) Garantia: tem a concepção clássica de Constituição, reestrutura o Estado e


estabelece as garantias dos indivíduos, isto é, estabelece limitações ao poder

b) Balanço: foi bem definida por F. Lassale na antiga URSS. A constituição


é um reflexo da realidade, devendo representar o “Balanço” da evolução do
Estado, o reflexo das forças sociais que estruturam o Poder (é o chamado
conceito sociológico dado por Lassale). “CF DO SER”. Seu conteúdo se
contrapõe à dirigente. Nesta base foi criada a constituição soviética o que
se projetou para os Estados que seguiam a sua concepção. Para eles a
constituição tinha que mostrar a realidade social, como se fosse uma
fotografia = mostrar como é, portanto, a constituição do SER.

EX.: A UNRSS teve três constituições, descrevendo três fases diferentes do Estado.
A primeira em 1924 que a constituição do proletariado, a segunda em 1936 chamada
dos operários e a última em 1971 que foi a constituição do povo. A cada
constituição era feito um novo balanço da evolução do Estado = tirada uma nova
fotografia da situação atual. Estas considerações têm somente efeito histórico,
porque a própria URSS não existe mais.

c) Dirigente: A constituição não apenas organiza o poder como também preordena a


atuação governamental por meio de programas vinculantes. “CF DO DEVER SER”
Esta constituição diz como deve ser as coisas e não como realmente é. Numa
constituição dirigente há duas diretrizes políticas para que seja possível organizar o
Estado e preordenar a atuação governamental, que são: permanente (são as que
constam da própria constituição) e contingente (são os Estatutos partidários)

Nos Estados desenvolvidos segue-se o Estatuto partidário como regras de


atuação do poder, sempre obedecendo as normas da constituição que diretrizes
permanentes. Os estatutos de qualquer dos partidos, cada um a seu modo devem
obedecer sempre a constituição. Nos países em que temos dois grandes partidos a
escolha das metas de governo é feita pelo eleitorado e efetivamente tem grande
importância, já que os partidos tem planos de governo preestabelecidos - eles tem
um estatuto partidário a ser seguido. Para nós os partidos não passam de legendas,
os nossos estatutos não são aplicados não tendo a sua real importância - aqui é uma
bagunça só, cada um faz o que quer.

7) Quanto à relação entre as normas constitucionais e a realidade política


(positividade – real aplicação ):

a) normativa: a dinâmica do poder se submete efetivamente à regulamentação


normativa. Nesta modalidade a constituição é obedecida na íntegra, como ocorre
com a constituição americana;

b) nominalista: esta modalidade fica entre a constituição normativa que é seguida na


íntegra e a semântica que não passa de mero disfarce de um estado autoritário.
Esta constituição aparece quando um Estado passa de um Estado autoritário
para um Estado de direito, é o caso da nossa constituição de 1988. A Constituição
de 1988 nasceu normativa, havia uma expectativa de que passássemos da
constituição nominalista para uma constituição normativa. Na realidade isto não está
ocorrendo, pelo contrário, a classe política, em especial, vem descumprindo
absurdamente a constituição.

c) semântica: mero disfarce de um Estado autoritário.

* CF brasileira é: escrita, analítica, dogmática, eclética, promulgada, rígida, garantia,


dirigente e nominalista.

Eficacia e Vigencia das Normas Constitucionais

A eficácia de uma norma jurídica não se confunde com a sua vigência. Uma norma
pode ser eficaz e estar em vigência, e pode também estar em vigência e não ser
eficaz.

Todas as normas constitucionais têm, ainda que seja mínima, certa eficácia. Varia,
porém, a forma de tal eficácia, distinguindo-se as normas constitucionais em normas
de eficácia plena, eficácia contida e eficácia limitada (divisão tricotômica).

1)Norma constitucional de eficácia plena

É a norma constitucional de efeito imediato e ilimitado, independentemente de


qualquer norma infraconstitucional regulamentadora posterior ou de qualquer outro
ato do poder público. Trata-se de uma norma constitucional auto-aplicável. São
exemplos o art. 1º e parágrafo único; art. 4º, incisos; art. 5º, inciso I.

2)Norma constitucional de eficácia contida, restringível ou redutível


É auto-aplicável imediata e diretamente da forma como está no texto constitucional,
pois contém todos os elementos necessários a sua formação. Permite, entretanto,
restrição por lei infraconstitucional, emenda constitucional ou outro ato do poder
público. É exemplo o art. 5º, incisos VIII, XI, XII, XIII, XIV, XVI, XXIV, LX, LXI, LXVII.

3)Norma constitucional de eficácia limitada

É aquela não regulada de modo completo na Constituição, por isso depende de


norma regulamentadora elaborada pelo Poder Legislativo, Poder Executivo ou Poder
Judiciário, ou de qualquer outro ato do poder público. Não é correto dizer que tais
normas não têm eficácia, apenas a eficácia é mínima, já que seu alcance total
depende de ato legislativo ou administrativo posterior. São eficazes, pelo menos, em
criar para o legislador o dever de legislar ou ao administrador o dever de agir. São
exemplos os arts. 4º, parágrafo único; 5º, inciso VI (última parte), XXXII; 7º, incisos
IV e V.

Cabe lembrar que deverá ser assegurado, desde logo, o mínimo existencial (o
mínimo necessário para que se tenha uma vida digna).

Teoria da recepção

Baseia-se no princípio da continuidade do direito.

A Constituição é à base de validade jurídica das normas infraconstitucionais. Com o


advento de uma nova Constituição as normas infraconstitucionais anteriores
vigentes sob o império da antiga Constituição, se forem materialmente (o seu
conteúdo) incompatíveis com esta nova Constituição, serão revogadas. Por outro
lado, aquelas normas infraconstitucionais anteriores materialmente compatíveis
com a nova Constituição irão aderir ao novo ordenamento jurídico (isto é, serão
recepcionadas) como se novas fossem porque terão como base de validade a atual
Constituição (trata-se de uma ficção jurídica). Essa teoria é tradicionalmente
admitida no direito brasileiro, independentemente de qualquer determinação
expressa.

Teoria da repristinação

Consiste em revigorar uma lei revogada, revogando a lei revogadora. Quanto à


repristinação por superveniência de Constituição, não há direito anterior a ser
restaurado, isto porque o direito constitucional brasileiro não admite repristinação
que não seja expressamente permitida por lei constitucional.

Nada impede, entretanto, que uma lei infraconstitucional repristine uma outra lei
infraconstitucional já revogada desde que o faça expressamente, conforme a Lei de
Introdução ao Código Civil (LICC), art. 2º, § 3º.

Teoria da desconstitucionalização

Consiste em aproveitar como lei infraconstitucional preceitos da Constituição


revogada não repetidos na Constituição superveniente, mas com ela materialmente
compatíveis (compatibilidade do conteúdo da norma constitucional anterior com o
conteúdo da Constituição superveniente). Porém, tradicionalmente no direito
brasileiro, a superveniência da Constituição revoga imediatamente a anterior e as
normas não contempladas na nova Constituição perdem sua força normativa, salvo
na hipótese de a própria Constituição superveniente prever a
desconstitucionalização expressamente.
Constituição - sentido sociológico, político e jurídico

Podemos concluir, então, que a classificação do direito constitucional é


muito simples, já que é o ramo que estuda a constituição, sendo que, quando
estuda uma determinada carta, é chamado de direito constitucional positivo;
quando estuda mais de uma, comparando-as, é chamado de direito constitucional
comparado; e, por fim, quando estuda nenhuma especificamente, mas todas em
tese, é chamado de direito constitucional geral, que pode adotar a perspectiva
prescritiva ou a perspectiva descritiva, conforme estudado

No estudo de qualquer ramo do Direito, a primeira pergunta repousa sempre em qual


será o objeto de estudo daquela parte. Não há dúvidas de que o Direito Constitucional
possui no seu objetivo de estudo a CONSTITUIÇÃO, tendo a história se debatido sobre
qual a correta visão desta.

De todas as teorias já desenvolvidas, o mundo moderno ainda reconhece a possibilidade


de um triplo sentido no estudo da Constituição:

Triplo sentido:

- Sociológico (1)

- Político (2)

- Jurídico (lógico-jurídico e jurídico-positivo) (3)

Para melhor compreensão, vejamos o sentido de cada um destes:

(1) Visão apresentada por FERDINAND LASSALLE (O que é Constituição), na qual


aquela deve representar os “fatores reais do poder”, ou seja, as forças políticas
presentes num determinado grupo social que se organiza.

(2) Visão apresentada por CARL SCHMITT (Teoria da Constituição). É uma decisão
política fundamental e deve abordar os temas fundamentais da organização política da
sociedade (forma de Estado e de governo; o sistema e regime de governo e estrutura
do Estado; direitos fundamentais e alguns poucos outros). As demais regras, ainda que
presentes na Constituição e que não trate destes assuntos podem ser consideradas
como leis constitucionais, mas não fazem parte da Constituição em si.

(3) Visão apresentada por HANS KELSEN (Teoria Pura do Direito), afirma a Constituição
como uma norma superior de cumprimento obrigatório, com todas as normas e regras
que ali contiver, um dever-ser. Num a visão formal, coloca a Constituição numa posição
de hierarquia superior às demais normas, consagrando a supremacia constitucional.

O Direito Brasileiro sempre procurou conjugar estas três visões, mas prevalece na
estrutura jurídica a visão última, sobretudo pela existência de outras normas a serem
produzidas a partir da Constituição. Neste sentido, a CONSTITUIÇÃO seria "o conjunto
de regras concernentes à forma do Estado, à forma de governo, ao modo de aquisição e
exercício do poder, ao estabelecimento de seus órgãos, aos limites de sua ação"
(Kelsen), ou seja, as normas fundamentais da estrutura do Estado.