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Estudo de Pavimentos de Lajes com Vigotas Pré-Moldadas: Influência

de Nervuras Transversais na Distribuição do


Carregamento nas Vigas de Contorno
Composed slabs with precast ribs: the influence of the transversal ribbings in the reactions
of the slab in the peripherical beams

Medrano, M. L. O. (1); Figueiredo Filho, J.R. (2)

(1) Engenheiro Civil, UFSCar. e-mail: mlomedrano@yahoo.com.br


(2) Professor Depto de Engenharia Civil, UFSCar. e-mail: jassonf@power.ufscar.br
Universidade Federal de São Carlos / Departamento de Engenharia Civil
Via Washington Luis, km 235, CEP 13565-905, São Carlos – SP. (16) 3351 8262 r237

Resumo
Lajes compostas por vigotas pré-moldadas tem sido uma solução bastante utilizada como
alternativa para a industrialização da construção civil apresentando as seguintes
vantagens: redução dos custos com formas, uso de equipamentos simples para
transporte, fácil montagem e necessidade de poucos escoramentos. Por serem de fácil
execução, o uso de vigotas em uma única direção para pequenos e médios vãos tem sido
a alternativa mais utilizada, mas apresenta um comportamento essencialmente de viga
perdendo importantes vantagens oferecidas pelas placas. Uma alternativa seria o uso de
algumas nervuras transversais.
Avalia-se a influência das nervuras transversais na distribuição das reações da laje nas
vigas do contorno em pavimentos de lajes pré-moldadas, considerando diversas
geometrias de pavimento e a fissuração e deslocabilidade dessas vigas. Essa alternativa
proporciona um comportamento próximo de placa, e preserva as vantagens oferecidas
pelos sistemas industrializados.
Palavras-Chave: vigotas pré-moldadas; nervuras transversais; reações nas vigas.

Abstract
Composed slabs with precast ribs have been used as alternative solution for the
industrialization of civil construction with the following advantages: reduction of the costs
with forms, simple equipment used for transport, easy assembly and necessity of few
support elements. Since they simplify the execution of slabs, the use of ribs in only one
direction, for small and medium spans, has been the most used alternative, but it
essentially has a beam behavior, losing important advantages offered by the plates. An
alternative would be the use of some transversal ribbings.
It is intended to evaluate the influence of the number of transversal ribbings in the
reactions of the slab in the peripherical beams of slabs with precast ribs, considering
diverse spans of floors and the cracking and displacements of this peripherical beams.
This almost provides a plate behavior and preserves the advantages offered by the
industrialized systems.
Keywords: precast ribs; transverse ribs; reactions.

ANAIS DO 48º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO - CBC2006 - 48CBC0314 1


1 Introdução
Entre os sistemas estruturais mais comuns utilizados em lajes as com vigotas pré-
moldadas tem se apresentado como uma boa solução, pois dispensam o uso de fôrmas,
são de fácil manuseio e montagem e têm bom desempenho. Um dos aspectos que tem
sido pouco analisado é o que se refere ao efeito proporcionado por nervuras transversais
(perpendiculares aos elementos pré-moldados) no funcionamento dessas lajes.
Apesar de tornar a execução mais complexa, a utilização de nervuras transversais
confere às lajes importantes vantagens que o comportamento de placa proporciona. As
nervuras transversais influenciam em vários aspectos, como na distribuição do
carregamento nas vigas de contorno, nos deslocamentos transversais da laje e no valor
dos momentos fletores nas duas direções.
As lajes bidirecionais distribuem as cargas nas duas direções de apoio. Em lajes
quadradas e com nervuras em igual número nas duas direções o comportamento é
bidirecional, e começa a diminuir à medida que a relação entre os vãos caminha em
direção a dois ou o número de nervuras em uma das direções começa a diminuir. Para
relação maior que dois, o comportamento é essencialmente na direção do menor vão.
Os painéis de lajes com nervuras em duas direções têm uma rigidez maior que aqueles
com nervuras em uma direção. Essas lajes são adequadas para vãos maiores que os que
podem ser vencidos pelas lajes com vigotas em uma única direção. Na sua execução são
utilizadas vigotas pré-moldadas em uma das direções e nervuras com armaduras
montadas no local na outra direção.
Neste trabalho se analisa a influência das nervuras transversais, em função dos vãos dos
painéis, altura das nervuras, deslocabilidade e fissuração das vigas do contorno e número
de nervuras, na distribuição do carregamento entre todas as vigas do contorno de lajes
uniformemente carregadas (ação das lajes nas vigas de apoio).
Serão enfocadas lajes isoladas, uniformemente carregadas e apoiadas em todo o
contorno em vigas, simulando situação de parede (indeslocáveis, como se admite para o
cálculo de lajes pela teoria clássica), e considerando que sejam deslocáveis, o que é
possível com a utilização da analogia de grelhas para o cálculo do pavimento.

2 Principais características dos pavimentos analisados


Os pavimentos foram definidos variando a relação entre os vãos dos painéis das lajes e a
quantidade de nervuras transversais, considerando a deslocabilidade e fissuração das
vigas de contorno. As principais características dos pavimentos estão a seguir.

2.1 Características gerais


• Cargas atuantes em todos os pavimentos: g1 = 1,6 kN/m2 (peso próprio, obtido de
tabelas de lajes treliçadas); g2 = 1,0 kN/m2 (carga permanente secundária);
q = 2,0 kN/m2 (carga acidental). Carga total: p = g1+ g2 +q = 4,6 kN/m2.
• Características mecânicas adotadas para o concreto: resistência característica do
concreto à compressão fck = 20 MPa; módulo de deformação longitudinal
E = 3,22×107 kN/m2; módulo de deformação transversal G = 1,18 × 107 kN/m2,
respeitando a relação G ≅ 0,4 ⋅ E prescrito pela NBR 6118:2003.
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As dimensões dos pavimentos, condições de apoio e tipo de lajes utilizadas são
apresentados na tabela 1. Em todos os casos, os vãos menores (direção das nervuras
principais) nunca são superiores a 6,0m, admitindo que vãos maiores não sejam os mais
adequados para este tipo de laje. Os mesmos pavimentos foram também analisados
considerando a fissuração das vigas do contorno quando pertinente.
As alturas das vigas de contorno são apresentadas na tabela 2, definidas tomando como
parâmetro 40 cm para as de vãos de 4,0 m, considerando o critério de deformação limite
(definido pela NBR 6118:2003) e as demais alturas foram extrapoladas a partir dessa.
Para as vigas consideradas indeslocáveis admitiu-se inicialmente uma altura de 200 cm
para a viga de vão 12,0 m, resultando índice de rigidez aproximadamente quarenta vezes
maior em relação à situação anterior, mas houve a necessidade de alterar essa altura
para 250 cm para satisfazer o critério de dmin para o carregamento submetido; as demais
foram determinadas mantendo aproximadamente o mesmo índice.

Tabela 1: Características gerais dos pavimentos.


Dimensões Dimensões
Nome Apoio Tipo Nome Apoio Tipo
(m x m) (m x m)
Laje01 AP1; Laje04 AP1;
4,0×4,0 T1 6,0×9,0 T2
Lt12 (8+4) AP2;AP3 Lt16 (12+4) AP2;AP3
Laje02 AP1; Laje05 AP1;
6,0×6,0 T2 4,0m×8,0 T1
Lt16 (12+4) AP2; AP3 Lt12 (8+4) AP2; AP3
Laje03 AP1; Laje06 AP1;
4,0×6,0 T1 6,0m×12,0 T2
Lt12 (8+4) AP2; AP3 Lt16 (12+4) AP2;AP3

Tabela 2: Altura das vigas do contorno para as condições de apoio AP1 e AP2.
Vão (m) Apoio b (cm) h (m) rAP1=I/ℓ (m3) Apoio b (cm) h (m) rAP2 =I/ℓ (m3) rAP2/rAP1
4,0 20 40 2,67 x 10-4 0,20 1,40 114,33 x 10-4 42,82
-4
6,0 20 45 2,53 x 10 0,20 1,60 113,78 x 10-4 44,97
-4
8,0 AP1 20 50 2,60 x 10 AP2 0,20 1,75 111,65 x 10-4 42,94
-4
9,0 20 55 3,08 x 10 0,20 1,80 108,00 x 10-4 35,06
-4
12,0 20 60 5,86 x 10 0,20 2,50* 217,00 x 10-4 37,03

A condição de apoio AP1 considera a deslocabilidade das vigas do contorno, a condição


AP2 admite vigas com um índice de rigidez 40 vezes maior que em AP1, e a condição
AP3 refere-se aos apoios indeslocáveis, simulando o efeito de parede.

2.2 Características dos pavimentos com lajes nervuradas


A quantidade de nervuras transversais depende do tamanho do maior vão na direção
perpendicular às mesmas (o menor em lajes com vãos diferentes), de modo a dividi-los
em faixas iguais e admitindo espaçamento múltiplo de 50 cm entre nervuras:
• vãos de 4,0 m: 1 (central), 3 (espaçadas de 1,0 m), 5 (cada 0,67 m) e 7(cada 0,5m);
• vãos de 6,0 m: 2 (espaçadas de 2,0 m), 3 (espaçadas de 1,5 m), 5 (cada 1,0 m), 7
(cada 0,67 m), 9 (cada 0,60 m) e 11 (espaçadas 0,5 m).
As lajes possuem características geométricas conforme a tabela 3. Em todos os
pavimentos considerou-se intereixo entre as nervuras principais constante (distância entre
eixos de nervuras adjacentes) igual a 50 cm.
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Tabela 3: Características geométricas das lajes (em cm).
Altura Altura da Largura da Largura da nervura
Tipo Capa (e)
total (h) alma (h – e) alma (b) de travamento
T1 4 12 8 9,5 9,5
T2 4 16 12 9,5 9,5

2.3 Pavimentos de lajes maciças


Para efeito de comparação com as lajes com nervuras transversais, na tabela 4 estão
indicados os pavimentos de lajes maciças, com suas respectivas alturas. As lajes foram
calculadas pelo método elástico, através das tabelas de Bares, adaptadas para um
coeficiente de Poisson igual a 0,2.

Tabela 4: Pavimentos de lajes maciças analisados.


Dimensões Tipo altura Dimensões Tipo altura
Nome Apoio Nome Apoio
(m x m) (cm) (m x m) (cm)
LajeM01 4,0×4,0 AP3 T1 (9,0) LajeM04 6,0×9,0 AP3 T2 (12,0)
LajeM02 6,0×6,0 AP3 T2 (12,0) LajeM05 4,0m×8,0 AP3 T1 (10,0)
LajeM03 4,0×6,0 AP3 T1 (9,0) LajeM06 6,0m×12,0 AP3 T2 (13,0)

3 O sistema construtivo de lajes com nervuras pré-moldadas


A laje nervurada é uma evolução da laje maciça, resultante da eliminação da maior parte
do concreto abaixo da linha neutra. Deve restar uma parte de concreto (nervura) onde se
aloja a armadura de tração, ligando-a com a zona de concreto comprimida. Para
aumentar a produtividade passou-se a utilizar vigotas pré-moldadas.
O primeiro trabalho de que se tem conhecimento sobre lajes nervuradas foi feito na
França por François Coignet (1812 – 1895) na segunda metade do século XIX, armadas
com barras de aço. Com base nesses estudos os alemães desenvolveram um sistema
similar ao que se tem atualmente, mas sua utilização foi mais intensa a partir da Segunda
Guerra Mundial (BUIATE, 2004 e DROPPA JR., 1999). No Brasil o uso é mais recente,
com aproximadamente 25 anos.
Essa tipologia emprega vigotas pré-fabricadas do tipo “trilho” ou “treliça”, com elementos
de enchimento entre as vigotas podendo ser de blocos cerâmicos (lajotas), bloco de EPS,
etc., solidarizados por uma capa de concreto com armadura de distribuição.
Normalmente as nervuras principais são dispostas na direção do menor vão, sendo que
podem ser consideradas simplesmente apoiadas ou contínuas dependendo das
condições de apoio. A laje unidirecional apresenta essencialmente um comportamento de
viga com seção “T”, o que faz com que perca algumas vantagens do comportamento que
a placa oferece e apresentam um melhor desempenho para momentos fletores positivos
do que para os negativos.
A execução de lajes nervuradas não requer fôrmas e são necessários escoramentos para
suportar uma pequena carga acidental que se deve à concretagem. As nervuras podem
ser dispostas longitudinalmente em uma única direção, geralmente a de menor vão,
constituindo as lajes unidirecionais e em duas direções (longitudinais e transversais), com
o mesmo intereixo, constituindo as bidirecionais (figura 1a). Uma situação intermediária é
obtida com algumas nervuras transversais ou de travamento (figura 1b).
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Espaçamentos de nervuras maiores que 65 cm, segundo a NBR 6118:2003, exigem que o
cálculo ao cisalhamento seja como em vigas, e nesse caso será necessária a colocação
de armadura transversal. Vãos maiores que 110 cm exigem que as lajes sejam calculadas
como grelhas. A modulação pode ser diferente em cada direção, principalmente quando
os vãos do painel são diferentes. A espessura das nervuras é adotada usualmente com
9 cm na direção principal, e pode ser de 9,5 cm a 10 cm na outra (moldada no local).

a) nervuras iguais nas duas direções b) nervuras diferentes nas duas direções
Figura 1: Laje Bidirecional.

A NBR 6118:2003 prescreve que as lajes unidirecionais devem ser calculadas segundo a
direção das nervuras desprezando qualquer contribuição da rigidez transversal e da
torção (vigas com seção “T” isolada). Já as lajes bidirecionais podem ser calculadas para
efeito de esforços solicitantes como lajes maciças. No cálculo e dimensionamento deve-
se adotar modelos que considerem a não linearidade física do concreto, de modo a
representar fielmente o efeito das ações de serviço na estrutura.
A fissuração foi considerada conforme BRANSON (1968) que criou um modelo em que
admite para a seção do concreto uma inércia média ou equivalente. Esse procedimento é
o recomendado pela NBR 6118:2003.
A determinação dos esforços e deslocamentos é feita a partir da resolução da equação
fundamental das placas, ou utilizando outros modelos, pois a equação possui poucas
soluções. Neste trabalho foi utilizada a analogia de grelhas e séries (para as lajes
maciças). O processo de analogia de grelhas será, resumidamente, apresentado.

4 Processo de analogia de grelha


A utilização da analogia de grelha (a laje é representada por uma grelha equivalente de
vigas) para a determinação dos esforços solicitantes e deslocamentos em lajes maciças,
nervuradas ou sem vigas ganhou impulso com a utilização de computadores.

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A rigidez longitudinal da laje é concentrada nas vigas longitudinais da grelha equivalente,
enquanto que a rigidez transversal é concentrada nas vigas transversais. Idealmente a
rigidez a flexão e a torção devem ser semelhantes entre a laje e a grelha equivalente,
para que quando submetidas a carregamentos idênticos, obtenha-se os mesmos esforços
solicitantes e deslocamentos nas duas estruturas.
É possível analisar um pavimento completo, considerando a influência da flexibilidade dos
apoios, a rigidez à torção das vigas de contorno e da própria laje e incluir na análise a não
linearidade física do concreto (CARVALHO, 1994).
Neste trabalho foi utilizado o programa denominado GPLAN, parte do projeto ANSER
desenvolvido por CORRÊA & RAMALHO (1987), versão educativa, na Escola de
Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo.

5 Resultados e análises
A seguir são apresentados os resultados obtidos para diversas geometrias de
pavimentos, com disposição das vigotas pré-moldadas principais (longitudinais) sempre
na direção do menor vão (4,0m e 6,0m) e para as demais variáveis: condições de apoio,
quantidade de nervuras transversais e fissuração das vigas do contorno.
As nervuras pré-moldadas (ou principais) estão sempre segundo a direção y, enquanto
que as transversais estão na direção x. As vigas do contorno em que as nervuras pré-
moldadas se apóiam serão chamadas de principais e as na outra direção de secundárias.
A letra grega λ representa a relação entre os lados maior e menor das lajes.
Na modelagem das lajes em grelhas equivalentes as barras principais (direção y) são
coincidentes com as nervuras pré-moldadas, e foram modeladas juntamente com a capa
superior, enquanto que as barras transversais (direção x) representam apenas as
nervuras transversais, sem a capa de concreto, já contemplada na outra direção.
Nos gráficos os valores obtidos para as reações nas vigas principais e secundárias para
cada número de nervuras considerado estão ligados por retas (relação linear),
principalmente para melhor visualização, embora isso não seja real, visto que não há
como estimar resultados para situações intermediárias de número de nervuras
transversais não analisadas.

5.1 LAJES 01 (Λ = 1,0, 4,0 M X 4,0 M)


As lajes 01 têm altura total de 12 cm e capa de 4 cm (T1), e analisadas para as condições
de apoio AP1, AP2 e AP3.
Nos gráficos da figura 2 estão os valores das reações (em porcentagem da carga total na
laje) nas vigas principais e secundárias (fissuradas e não fissuradas) para cada
quantidade de nervuras transversais da laje 01, considerando a condição de apoio AP1.
Verifica-se a pequena influência nas reações o fato de admitir as vigas fissuradas ou não,
e que com o aumento da quantidade de nervuras a carga migra para as vigas
secundárias, até atingir situação idêntica à de laje maciça (50% da carga para as vigas
em cada direção). No caso sem nervuras transversais 69,23% do carregamento foi para
as vigas principais, e com 1 nervura esse valor caiu para 65,94%; ao se passar de 1 para
3 nervuras a queda foi de 11,30%. Entre o caso sem nervura e 3 nervuras a variação foi
de 15,51%; com 5 nervuras foi de 20,80%, e com 7 foi de 27,82%, situação de placa.
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Percebe-se que para uma situação prática a utilização de 3 nervuras já fornece uma boa
melhora na distribuição, sem comprometer demais o processo construtivo.
Para as condições AP2 e AP3 (cujos gráficos não estão apresentados e para as quais
não tem sentido considerar a fissuração), observou-se uma semelhança muito grande
com a condição AP1, indicando que o enrijecimento das vigas de apoio praticamente não
interfere nos resultados; a carga migra para as vigas secundárias com o aumento das
nervuras, até à situação de laje maciça com 7 nervuras.

70
LAJE 01 (4x4) - AP1

65
% do carregamento total na laje

60

55

50

45

40 Vigas principais (s/f)


Vigas secundárias (s/f)
35
Vigas principais (c/f)
Vigas secundárias (c/f)
30

0 2 4 6 8 M 10
Quantidade de nervuras
Figura 2. Distribuição do carregamento nas vigas da laje 01: apoio AP1.

5.2 LAJES 02 (Λ = 1,0, 6,0 M X 6,0 M)


As lajes 02 têm altura total de 16 cm e capa de 4 cm (T1), e foram analisadas para as
condições de apoio AP1, AP2 e AP3. Como na figura 2, são apresentados na figura 3 os
valores das reações (em porcentagem) nas vigas principais e secundárias (fissuradas e
não) para cada quantidade de nervuras transversais da laje 02, com apoio AP1.
Verifica-se também a pequena influência nas reações o fato de admitir as vigas fissuradas
ou não (apenas na situação de 2 nervuras a diferença é visível, mas mesmo assim a
parcela a mais de carga nas vigas principais é somente de 4,55%) e que com o aumento
da quantidade de nervuras a carga vai para as vigas secundárias, até atingir situação
idêntica à de placa (50% da carga para as vigas em cada direção). No caso sem nervuras
transversais 70,99% do carregamento foi para as vigas principais, e com 2 nervuras esse
valor caiu para 67,20%, indicando pequeno efeito de 2 nervuras; ao se passar de
nenhuma para 3 nervuras a queda foi de 7,28%.
Entre o caso sem nervura e 5 nervuras a variação foi de 12,62%; para 7 nervuras a
variação foi de 19,58%; para 9 nervuras foi de 25,65% e para 11 nervuras foi de 29,57%.
Esses números indicam que só com 7 nervuras o efeito de placa começa a existir.
Para as outras duas condições de apoio (não são mostrados os gráficos) há uma boa
semelhança com a situação AP1, indicando também que a condição de apoio

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praticamente não interfere nos resultados, com a carga migrando para as vigas
secundárias com o aumento das nervuras, com os mesmos valores anteriores, até à
situação de laje maciça (placa) com 11 nervuras. A maior variação ocorreu dentro de um
mesmo tipo de apoio (AP2) quando se passou de nenhuma para 2 nervuras.
75
LAJE 02 (6X6) - AP1
70

65
% do carregamento total na laje

60

55

50

45

40 Vigas principais (s/f)


Vigas secundárias (s/f)
35
Vigas principais (c/f)
30 Vigas secundárias (c/f)

25
-2 0 2 4 6 8 10 M
12 M 14
Quantidade de nervuras
Figura 3. Distribuição do carregamento nas vigas da laje 02: apoio AP1.

5.3 LAJES 03 (Λ = 1,5, 4,0 M X 6,0 M)


As lajes 03 têm altura total de 12 cm e capa de 4 cm (T1), e analisadas para as condições
de apoio AP1, AP2 e AP3. Os gráficos da figura 4, como nos anteriores, contêm os
valores das reações (em porcentagem) nas vigas principais e secundárias (fissuradas e
não) para cada quantidade de nervuras transversais, com apoio AP1. Em razão das
maiores dimensões, a carga total na laje é maior; as nervuras transversais foram
posicionadas na direção do maior vão, distribuídas ao longo do vão menor (4,0 m).
Verifica-se também aqui a pequena influência nas reações o fato de admitir as vigas
fissuradas ou não (apenas na situação de laje maciça a diferença é visível – 4,58%) e que
com o aumento da quantidade de nervuras a carga vai para as vigas secundárias, até
atingir situação próxima à de placa (61,14% para as vigas principais e 38,86% para as
secundárias com 7 nervuras, e 66,67% e 33,33% respectivamente para a laje maciça). No
caso sem nervuras transversais 78,42% do carregamento foi para as vigas principais,
mostrando que em lajes retangulares a tendência é que as vigas principais recebam ainda
mais carga, à medida que a relação entre os vãos aumenta, até a situação de lajes em
uma direção. Com 1 nervura esse valor caiu para 74,60% (queda de 4,87% em relação à
situação sem nervuras); ao se passar de nenhuma para 3 nervuras a queda foi de
11,60%, mostrando já um efeito benéfico com 3 nervuras. Com 5 nervuras o
carregamento nas vigas principais caiu 16,86%, e com 7 nervuras para a situação
próxima de placa (22,04%), como já observado. A variação com o aumento da quantidade
de nervuras foi menor que no caso da laje 01, quadrada; isso é esperado, visto que nas
retangulares as vigas principais sempre recebem mais carga.

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80
LAJE 03 (4x6) - AP1
75

70
% do carregamento total na laje

65

60

55 Vigas principais (s/f)


Vigas secundárias (s/f)
50
Vigas principais (c/f)
45 Vigas secundárias (c/f)
40

35

30

25

20
0 2 4 6 8 M 10
Quantidade de nervuras
Figura 4. Distribuição do carregamento nas vigas da laje 03: apoio AP1.

Mais uma vez vê-se que as condições de apoio AP2 e AP3 pouco interferem nos
resultados, com a carga migrando para as vigas secundárias com valores próximos aos
anteriores, até à situação de laje maciça (placa) com 7 nervuras. Cabe destacar que aqui
a situação de placa não significa metade da carga para as vigas principais e secundárias.

5.4 LAJES 04 (Λ = 1,5, 6,0 M X 9,0 M)


As lajes 04 têm altura total de 16 cm e capa de 4 cm (T2), com as condições de apoio
AP1, AP2 e AP3. Os gráficos da figura 5 contêm os valores das reações (em
porcentagem) nas vigas principais e secundárias (fissuradas e não) para a condição de
apoio AP1. A laje é maior e, portanto, a carga total é maior; as nervuras transversais
foram posicionadas na direção do maior vão, distribuídas ao longo do menor (6,0 m).
Verifica-se novamente a pequena influência nas reações o fato de admitir as vigas
fissuradas ou não, aqui um pouco mais perceptível que nas situações anteriores (em
média, a carga nas vigas principais das situações com fissuração é 3,27% maior que nas
sem fissuras). Com o aumento da quantidade de nervuras a carga vai para as vigas
secundárias, até atingir situação próxima à de placa (64,23% da carga para as vigas
principais e 35,77% para as secundárias com 11 nervuras, e 66,67% e 33,33%
respectivamente para a laje maciça). No caso sem nervuras transversais 78,46% do
carregamento foi para as vigas principais, mostrando novamente que em lajes
retangulares a tendência é que as vigas principais recebam ainda mais carga, à medida
que a relação entre os vão aumenta, até a situação de lajes trabalhando em uma direção.
Com 2 e 3 nervuras esse valor se manteve praticamente constante (78,60% e 77,10%
respectivamente), indicando, neste caso, quase nenhum efeito das nervuras; ao se passar
de nenhuma para 5 nervuras a queda foi de 6,63%, mostrando ainda um pequeno efeito.
Com 7 nervuras o carregamento nas vigas principais caiu 11,34%; com 9 nervuras caiu
15,07% e com 11 caiu para 18,14%, situação próxima de placa (64,23% e 66,67% do
carregamento total respectivamente). Como na laje 03, embora percentualmente a carga
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nas vigas principais neste caso seja maior, a variação com o aumento da quantidade de
nervuras foi menor que no caso da laje 02, quadrada; isso é esperado, pois nas
retangulares as vigas principais sempre recebem mais carga. Verifica-se que o efeito
benéfico das nervuras é significativo para um valor entre 7 e 9, como para a laje 02.

LAJE 04 (6X9) - AP1


80
75
70
% do carregamento total na laje

65
60
Vigas principais (s/f)
55 Vigas secundárias (s/f)
50 Vigas principais (c/f)
45 Vigas secundárias (c/f)
40
35
30
25
20

-2 0 2 4 6 8 10 M
12 M 14
Quantidade de nervuras
Figura 5. Distribuição do carregamento nas vigas da laje 04: apoio AP1.

As condições AP2 e AP3 apresentaram uma grande semelhança com AP1, como nas
demais, mostrando novamente que a condição de apoio tem pouca interferência nos
resultados, com a carga migrando para as vigas secundárias com o aumento das
nervuras, até a situação próxima à de placa com 11 nervuras.

5.5. LAJES 05 (Λ = 2,0, 4,0 M X 8,0 M)


As lajes 05 têm altura total de 12 cm e capa de 4 cm (T1), com as condições de apoio
AP1, AP2 e AP3. Ns gráficos da figura 6 estão os valores das reações (em porcentagem)
nas vigas principais e secundárias (fissuradas e não) para cada quantidade de nervuras
transversais, para AP1. As nervuras transversais estão na direção do maior vão,
distribuídas ao longo do menor (4,0 m).
Como na laje 04, a influência da fissuração das vigas é um pouco mais perceptível que
nas situações anteriores, mas ainda pequena (em média, a carga nas vigas principais das
situações com fissuração é 2,10% maior). Com o aumento da quantidade de nervuras a
carga vai se transferindo para as vigas secundárias, até atingir situação próxima à de
placa já com 3 nervuras (75,85% para as vigas principais e 24,15 para as secundárias
enquanto que nas lajes maciças esses valores são 75,007% e 25,00% respectivamente).
Nas lajes 03 e 04, com λ=1,5, nas situações sem nervuras transversais em torno de 78%
do carregamento ficava nas vigas principais. Neste caso em que um vão é o dobro do
outro (λ=2,0) 83,11% do carregamento foi para essas vigas (os 16,89% para as vigas
secundárias devem-se à contribuição da capa), mostrando ainda mais claramente que em

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lajes retangulares a tendência é que as vigas principais recebam maior parcela da carga à
medida que a relação entre os vão aumenta.
Com o aumento do número de nervuras esse valor foi caindo de maneira
aproximadamente constante (com uma nervura a queda foi de 3,56%, de 1 para 3
nervuras a queda foi de 5,36%, de 3 para 5 de 5,10% e de 5 para 7 de 4,43%); ao se
passar de nenhuma para 3 nervuras a queda foi de 8,73%, e de uma para 5 foi de
13,37%. Com 7 nervuras o carregamento nas vigas principais caiu 17,21%. A partir de 3
nervuras a laje já se comporta de maneira próxima ao de laje maciça.
85
LAJE 05 (4x8) - AP1
80
75
% do carregamento total na laje

70
65
60
55 Vigas principais (s/f)
50 Vigas secundárias (s/f)
45 Vigas principais (c/f)
Vigas secundárias (c/f)
40
35
30
25
20
15
0 2 4 6 8 M 10
Quantidade de nervuras
Figura 6. Distribuição do carregamento nas vigas da laje 05: apoio AP1.

Para AP2 e AP3 os resultados mostram novamente que a condição de apoio tem
pouca interferência nos resultados, com a carga migrando para as vigas secundárias em
função do aumento das nervuras, com valores próximos aos anteriores.

5.6 LAJES 06 (Λ = 2,0, 6,0 M X 12,0 M)


As lajes 06 têm altura total de 16 cm e capa de 4 cm (T2), com as condições de apoio
AP1, AP2 e AP3. Nos gráficos da figura 7 estão os valores das reações (em
porcentagem) nas vigas principais e secundárias (fissuradas e não), considerando a
condição de apoio AP1. As nervuras estão na direção do maior vão, distribuídas ao longo
do menor (6,0 m).
Como nas lajes 04 e 05, a influência da fissuração das vigas é um pouco mais perceptível
que nas situações anteriores, mas ainda pequena (em média, a carga nas vigas principais
das situações com fissuração é 3,0% maior). Neste caso, com o aumento da quantidade
de nervuras a carga vai lentamente se transferindo para as vigas secundárias, até atingir
situação próxima à de placa apenas com 09 nervuras (76,16% da carga para as vigas
principais e 23,84% para as secundárias, quase situação de laje maciça com 75,0% e
25,00% respectivamente). Fica caracterizado que tanto a maior relação entre os vãos
quanto também forem maiores suas dimensões o comportamento da laje é
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essencialmente em uma direção, pouco influindo o número de nervuras.
Nas lajes 03 e 04, com λ=1,5, nas situações sem nervuras transversais em torno de 78%
do carregamento ficava nas vigas principais. Neste caso em que um vão é o dobro do
outro (λ=2,0), da mesma forma que na laje 05, 83% do carregamento foi para essas vigas
(os 17% para as vigas secundárias deve-se à contribuição da capa), mostrando de
maneira inequívoca que em lajes retangulares a tendência é que as vigas principais
recebam maior parcela da carga à medida que a relação entre os vão aumenta, com
influência da quantidade de nervuras menos intensa, ou seja, mesmo com o aumento da
quantidade de nervuras mantém-se o comportamento de laje armada em uma direção.

85
80
75
% do carregamento total na laje

70
65 LAJE 06 (6X12) - AP1
60
55
50 Vigas principais (s/f)
45 Vigas secundárias (s/f)
40 Vigas principais (c/f)
35
Vigas secundárias (c/f)
30
25
20
15

-2 0 2 4 6 8 10 M
12 M 14
Quantidade de nervuras
Figura 7. Distribuição do carregamento nas vigas da laje 06: apoio AP1.

Com o aumento do número de nervuras o valor da carga nas vigas principais vai caindo
lentamente, pois mesmo na situação limite de placa, a carga nas vigas secundárias é
pequena (só com 5 nervuras a queda foi mais acentuada, mas ainda apenas 5,02% em
relação à situação sem nervuras). Com 7 nervuras as vigas principais receberam 78,69%
da carga, e com 9 nervuras 76,16, quase como se fosse laje maciça, indicando que uma
colaboração mais significativa das nervuras está em torno desses valores.
Novamente os resultados para as condições AP2 e AP3 mostram que o enrijecimento das
vigas de apoio tem pouca interferência nos resultados, com a carga migrando para as
vigas secundárias fundamentalmente em função do aumento das nervuras. A observar
apenas que na condição de apoio AP2 (viga de grande inércia), a situação de
comportamento igual à de placa foi praticamente atingida com 7 nervuras.

5.7 Análise da variação das dimensões das lajes


5.7.1 Lajes com lado menor igual a 4,0 m
As lajes em que se manteve um lado fixo (4,0 m) e os outros variando da situação
quadrada até um lado o dobro do outro (λ=1,0, λ=1,5 e λ=2,0) têm as nervuras
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distribuídas ao longo do lado menor, com as quantidades variando de zero até 7 nervuras.
Os gráficos correspondem à situação de apoio AP2 pois é para essa situação que se
dispõe de resultado para a situação sem nervuras (não se analisou apoios indeslocáveis).
Observa-se na figura 8 que a carga nas vigas principais sofre maior redução, com o
aumento do número de nervuras, nas lajes quadradas, e à medida que o vão maior
aumenta, o efeito das nervuras é menor, pois com λ=2,0 a laje mantém comportamento
trabalhando praticamente em uma direção, mesmo com o acréscimo da quantidade de
nervuras. Considerando as situações limites sem e 7 nervuras, na laje 01 a queda da
carga nas vigas principais é de 29,40%, na laje 03 de 25,15% e na laje 05 de 21,30%.

CARREGAMENTO NAS VIGAS PRINCIPAIS

85
% do carregamento total nas lajes

80 Laje 01 (4X4)
Laje 03 (4X6)
75 Laje 05 (4X8)

70

65

60

55

50

-1 0 1 2 3 4 5 6 7 8
Quantidade de nervuras
Figura 8. Carregamento nas vigas principais nas lajes 01, 03 e 05.

5.7.2 Lajes com lado menor igual a 6,0 m


Nessas lajes o lado fixo tem 6,0 m e os outros variam da situação quadrada até um lado o
dobro do outro (λ=1,0, λ=1,5 e λ=2,0) com as nervuras distribuídas ao longo desse lado
menor, com as quantidades variando de zero até 11 nervuras. Também aqui os gráficos
correspondem à situação de apoio AP2.
Observa-se na figura 9 o mesmo comportamento visto na figura 8, mais acentuado, que a
carga nas vigas principais sofre maior redução, com o aumento do número de nervuras,
nas lajes quadradas, e á medida que o vão maior aumenta, o efeito das nervuras é
menor. Considerando as situações limites sem e 11 nervuras, na laje 02 a queda da carga
nas vigas principais é de 32,18%, na laje 04 de 22,485% e na laje 06 de 15,52%.
Com 9 e 11 nervuras, a carga na viga principal da laje 02 (quadrada) é praticamente a
metade do carregamento total. Nas lajes com λ=2,0 e lados com dimensões maiores, o
comportamento em uma única direção é mais pronunciado, quase se aproximando do
comportamento de viga.

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CARREGAMENTO NAS VIGAS PRINCIPAIS
85
% do carregamento total nas lajes
80

75

70

65

60

Laje 02 (6X6)
55
Laje 04 (6X9)
Laje 06 (6X12)
50

0 2 4 6 8 10 12
Quantidade de nervuras
Figura 9. Carregamento nas vigas principais nas lajes 02, 04 e 06.

5.8 Análise das lajes maciças


Apenas para comparação com os pavimentos com lajes de nervuras pré-moldadas, foram
calculadas as lajes maciças da tabela 4. Observou-se, como esperado, que elas
distribuem de maneira muito mais uniforme o carregamento nas vigas do pavimento, e
que essa distribuição é função praticamente da relação entre os vãos nas duas direções.
Assim, as lajes de vãos iguais distribuem 50% da carga total para as vigas em cada
direção. Nas lajes em que o vão em uma direção é o dobro daquele na outra direção
(armadas em uma direção, lajes 05 e 06), a parcela da carga que é absorvida pelas vigas
principais é sempre maior que o dobro da recebida pelas vigas secundárias.
Verifica-se novamente que, também nas maciças, as condições de apoio não têm
influência significativa nos valores das cargas nas vigas, da mesma maneira que ao se
admitir a fissuração das vigas (condição de apoio AP1) os resultados pouco se alteraram.

6. Conclusões
O estudo demonstra o potencial oferecido pelo uso de nervuras transversais, que
proporcionam ao pavimento um comportamento próximo de placa, mesmo com um
número pequeno (sem a necessidade do mesmo intereixo nas duas direções – laje
bidirecional), facilitando assim a execução e tornando-as atrativas economicamente. A
seguir, as principais conclusões:
• Na análise conjunta dos resultados para as duas lajes quadradas percebe-se que
para uma situação prática a utilização de 3 nervuras, na laje 01, já fornece uma boa
melhora na distribuição, sem comprometer demais a execução. No caso da laje 02 os
resultados indicam que a partir de 7 nervuras o efeito de placa começa a ser sentido.
• Para as duas lajes quadradas os resultados mostram que uma distância adequada
entre as nervuras transversais, para uma distribuição razoável do carregamento, pode
estar entre 80 cm e 100 cm.

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• Nas duas situações, observa-se que o enrijecimento e fissuração das vigas de apoio
praticamente não interferem nos resultados, com a carga migrando para as vigas
secundárias com o aumento das nervuras, até à situação de laje maciça, com 7
nervuras na laje 01 e 11 na laje 02.
• Em lajes retangulares a tendência é que as vigas principais recebam ainda mais
carga, à medida que a relação entre os vão aumenta, até a situação de lajes
trabalhando em uma direção e também é pequena a influência da fissuração.
• Na laje 03 (λ=1,5 e lado menor 4 m), o efeito das nervuras já é significativo com 3
delas, e na laje 04, que tem lado menor igual a 6m, essa quantidade fica em torno de
7, como nas lajes quadradas. Embora percentualmente a carga nas vigas principais
nestes casos seja maior, a variação com o aumento da quantidade de nervuras foi
menor que nos casos de lajes quadradas, visto que nas retangulares as vigas
principais sempre recebem mais carga.
• Nas lajes com λ=2,0 a influência da fissuração das vigas é um pouco mais
perceptível, mas ainda muito pequena (em média, a carga nas vigas principais das
situações com fissuração é 2,10% maior na laje 05 e 3,0% na laje 06).
• Nas lajes com λ=2,0 o aumento na quantidade de nervuras transversais tem influência
pequena na transferência da carga para as vigas secundárias, ou seja, as lajes
sempre se comportarão essencialmente como armadas em uma direção.
• Nas lajes com lado menor igual a 4,0 m a carga nas vigas principais sofre maior
redução com o aumento do número de nervuras, nas lajes quadradas, e á medida que
o vão maior aumenta, o efeito das nervuras é menor, pois com λ=2,0 a laje mantém
comportamento praticamente em uma direção, mesmo com o acréscimo de nervuras.
• Nas lajes com lado menor igual a 6,0 m observou-se o mesmo comportamento
anterior só que ainda mais acentuado, ou seja, que a carga nas vigas principais sofre
maior redução, com o aumento do número de nervuras, nas lajes quadradas, e á
medida que o vão maior aumenta, o efeito das nervuras é menor.
• As lajes maciças distribuem de maneira muito mais uniforme o carregamento em
todas as vigas do pavimento, e essa distribuição é função praticamente da relação
entre os vãos do pavimento nas duas direções.
• Verificou-se também nas maciças que as condições de apoio não têm influência
significativa nos valores das cargas nas vigas.
• As condições de apoio praticamente não provocam variações nos resultados. O
carregamento se transfere para as vigas secundárias quase que exclusivamente com
o aumento das nervuras, até atingir a situação de placa (laje maciça).
• A diferença entre as parcelas do carregamento total que é absorvido pelas vigas
secundárias (paralelas às vigotas) e principais (perpendiculares às vigotas), é menor
(distribuição mais uniforme) quando o vão de apoio das nervuras principais tem a
dimensão igual ou maior que o outro vão do pavimento.
• Na maioria das situações verifica-se que com o uso de poucas nervuras já foi obtido
um comportamento próximo de placa, e isso viabilizaria projetos que só seriam
possíveis com o uso de laje maciça, tornando-os economicamente atraentes.
• O estudo demonstra o potencial oferecido pelo uso de nervuras transversais,
proporcionando ao pavimento um comportamento próximo de placa utilizando poucas

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nervuras transversais (sem a necessidade de manter o mesmo intereixo nas duas
direções), facilitando assim a execução e tornando-as viáveis economicamente.
• Embora outras situações ainda mereçam um estudo mais detalhado pode-se afirmar
com certeza que a simplificação decorrente da consideração da laje pré-moldada
como um conjunto de vigas isoladas pode levar a resultados contra a segurança no
que se refere à distribuição do carregamento na laje para as vigas do pavimento.
Essa consideração é possível desde que se considere que as vigas paralelas às
nervuras também recebem uma parcela da carga do pavimento, e que essa parcela
aumenta com a utilização de nervuras transversais.

Agradecimento

Os autores agradecem à FAPESP pela concessão de auxílio financeiro e bolsas de


iniciação científica.

Referências bibliográficas

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Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Uberlândia.

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da analogia de grelha. Tese de Doutorado. EESC-USP. São Carlos, janeiro de 1994.

CORRÊA, M. R. S.; RAMALHO, R. A. Sistema laser de análise estrutural. V Simpósio


Nacional de Tecnologia de Construção: Software para o projeto de edifícios. EPUSP. São
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moldados tipo vigota com armação treliçada; São Carlos. Dissertação (Mestrado) –
Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo.

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