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Aula 2

TEORIA DE ERROS
Algarismos Significativos, Arredondamentos e
Incertezas, Tratamento Estatístico de Medidas
2.1 Objetivos

Familiarizar o aluno com os algarismos significativos, com as regras de arredondamento e


as incertezas inerentes às medidas.

2.2 Algarismos Corretos e Avaliados

Imagine que se esteja realizando uma medida qualquer, como por exemplo, a medida do
comprimento de uma barra de madeira com uma régua milimetrada (veja Figura 2.1). Observe que
a menor divisão da régua utilizada para fazer a medição é de 1 mm (um milímetro). Ao se tentar
expressar o resultado dessa medida, percebe-se que ela está compreendida entre 152 e 153 mm.
A fração de milímetros que deverá ser acrescentada a 152 mm terá de ser avaliada, pois a régua
não apresenta divisões inferiores a 1 mm. Para se fazer esta avaliação, deve-se imaginar um
intervalo entre 152 e 153 mm subdividido em 10 partes iguais, e acrescentar a fração de milímetro
que for avaliada.
Na Figura 2.1, pode-se avaliar esta fração como sendo de 3 décimos de milímetros e o
resultado da medida poderá ser expresso como 152,3 mm. Observe que existe segurança em
relação aos algarismos 1, 5 e 2, pois eles foram lidos através de divisões inteiras da régua, ou seja,
eles são algarismos corretos. Entretanto o algarismo 3 foi avaliado, isto é, não se tem certeza sobre
o seu valor e outra pessoa poderia avaliá-lo como sendo 2 ou 2. Por isso, este algarismo avaliado
é denominado algarismo duvidoso ou algarismo incerto.

130 140 150 160 170

mm

Figura 2.1 - Régua milimetrada usada para medir o comprimento de uma barra de madeira.

O resultado de uma medida deve conter somente o(s) algarismo(s) correto(s) e o primeiro
algarismo avaliado. Essa maneira de proceder é adotada convencionalmente por todas as pessoas
que realizam medidas (físicos, químicos, engenheiros etc.). Esses algarismos (os corretos mais o
primeiro avaliado) são denominados algarismos significativos.
Assim, quando uma pessoa informar que mediu a temperatura de um objeto e encontrou
0
27,84 C, deve-se entender que a medida foi feita de tal modo que os algarismos 2, 7 e 8 são
corretos e o último algarismo, neste caso o 4, é duvidoso (ou avaliado).
2.3 Arredondamentos de Números

Frequentemente ocorre que números devem ser arredondados. Por exemplo, na


soma ou subtração de duas quantidades, as mesmas devem ser escritas com apenas um
algarismo duvidoso. O arredondamento deve ser empregado na eliminação dos algarismos
não significativos de um número. Suponha, por exemplo, que uma determinada medida de
temperatura foi apresentada na forma

28,6348 oC; 28,3500 ºC; 28,6500 ºC; 28,276 ºC; 28,85007 ºC

e queremos apresentá-la somente com três algarismos significativos. Para os propósitos


das práticas de laboratório desenvolvidas neste curso, serão adotadas as seguintes regras:

a) Se o primeiro algarismo excedente for menor do que cinco, o algarismo anterior


permanece inalterado (arredondamento para baixo);
b) Se o primeiro algarismo excedente for maior ou igual a cinco o algarismo anterior é
aumentado de uma unidade (arredondamento para cima).

Portanto, as medidas anteriores podem ser expressas como:

28,6 ºC; 28,4 ºC; 28,6 ºC; 28,3 ºC; 28,9 ºC

2.4 Operações com Algarismos Significativos

A) ADIÇÃO E SUBTRAÇÃO

Suponha que queiramos fazer a seguinte adição:

4,806 + 0,0793 + 73,646 + 325,34

Para encontrar o resultado, efetue a soma sem abandonar nenhum algarismo e escreva o resultado
com um número de casas decimais igual ao da parcela que possui o menor número dessas casas.
Assim, para o exemplo acima, a soma resultaria em 403,8712. Reduzindo esse resultado ao menor
número de casas decimais das parcelas, o resultado final é

403,87

B) MULTIPLICAÇÃO E DIVISÃO

Considere a multiplicação dos números 3,67 por 2,2. Fazendo a multiplicação normalmente,
encontra-se:
3,67´2,3 = 8,441

Note que realizando o cálculo dessa forma aparecem no produto algarismos que são
incoerentes com a precisão das medidas. Para evitar isso, deve-se observar a seguinte
regra: “verifique qual fator possui o menor número de algarismos significativos e, no
resultado da multiplicação, mantenha apenas o número de algarismos igual ao deste fator”.
Assim, como o fator que possui o menor número de algarismos significativos é o 2,3, o
resultado deve ser escrito da seguinte maneira:
3,67´2,3 = 8,4

COMENTÁRIOS:

a) As regras discutidas acima para os algarismos significativos não devem ser


consideradas com extremo rigor, pois se destinam apenas a facilitar os cálculos e evitar o
trabalho com números sem qualquer significado para a medida. Na multiplicação anterior
seria razoável, sem extremo rigor, manter um algarismo a mais no resultado:

3,67´2,3 = 8,4 ou 3,67´2,3 = 8,44

b) Ao se realizar uma mudança de unidades, deve-se tomar cuidado para não serem
escritos zeros que não sejam significativos. Suponha, por exemplo, que queiramos
expressar, em metros, uma medida de 8,4 km. Observe que esta medida possui dois
algarismos significativos, sendo duvidoso o algarismo 4. Escrevendo: 8,4 km = 8400 m, o
número 4 estaria sendo considerado como um algarismo correto e o último zero
acrescentado seria o algarismo duvidoso, o que não estaria certo. Para não cometer esse
engano de interpretação, utiliza-se da notação de potência de 10 e escreve-se: 8,4´103
metros. Assim, realizou-se a mudança de unidades e o algarismo 4 continua sendo o
algarismo duvidoso.

c) Para números encontrados em fórmulas e que não são resultados de medidas, não
faz sentido falar em número de algarismos significativos. Ou seja, na fórmula que fornece
a área A de um triângulo de base b e altura h: A = bxh/2. O número 2 não foi obtido através
de medida e, assim, não deverá ser levado em consideração para a contagem do número
de algarismos significativos do resultado.

d) Para alguns resultados deve ser utilizado a notação de potencia de 10. Veja o exemplo
abaixo:
5438´2,5 = 1,4´104

2.5 Incerteza na Medida de um Instrumento


A incerteza de uma medida é uma fração avaliada da menor divisão da escala utilizada, ou
seja, é no algarismo duvidoso que reside a incerteza da medida. A incerteza de uma medida é o
intervalo de incerteza fixado pelo operador com o sinal mais ou menos ( ± ). Ela depende da perícia
do observador, de sua segurança, de sua facilidade de leitura da escala, além do próprio aparelho
ou instrumento utilizado na medição.
Uma forma de apresentar a incerteza de uma medida é utilizar a metade da menor escala.
Por exemplo, na Figura 2.1, a menor divisão da régua é 1 mm e a incerteza poderá ser, então, 0,5
mm. Assim, o resultado desta medida deverá ser escrito como: 152,3 mm ± 0,5 mm ou (152,3 ± 0,5)
mm. Alguns autores adotam como norma uma incerteza correspondente a 10% da menor divisão
da escala. No caso do exemplo da Figura 2.1, o resultado poderia ser escrito como: 152,3 mm ± 0,1
mm ou (152,3 ± 0,1) mm.

2.6 Erros Sistemáticos e Estatísticos


Nos laboratórios de física, as grandezas determinadas experimentalmente têm uma
incerteza intrínseca que vem das diferentes fontes de erro. As fontes de erro fazem com que toda
medida realizada, por mais cuidadosa que seja, seja afetada por um erro experimental. Esses erros
podem ser classificados em dois grupos: os erros sistemáticos e os erros estatísticos.
Os “erros sistemáticos”1 são aqueles causados por diferentes fatores e são classificados em:

a) Instrumentais: Erros que resultam da calibração do instrumento de medida;


b) Ambientais: Provenientes de fatores ambientais como temperatura, pressão, umidade,
aceleração da gravidade, campo magnético terrestre, luz e ruídos;
c) Observacionais: Aqueles devidos a pequenas falhas de procedimento ou às limitações do
próprio observador. Um exemplo de erro deste tipo é o de “paralaxe”, que ocorre devido a uma
posição inadequada na leitura das escalas de instrumentos;
d) Acidentais: Que ocorrem inevitavelmente. Por exemplo, erros de julgamento na estimativa
da fração da menor divisão de uma escala;
e) Grosseiros: Devidos à falta de atenção ou de prática do operador. Por exemplo, enganos na
leitura de instrumentos, ao escrever 7248 ou 7428 quando o número é 7482.
f) Teóricos: São erros que resultam do uso de fórmulas teóricas aproximadas para a obtenção
dos resultados.

Os “erros estatísticos”, por sua vez, são aqueles causados por flutuações (variações) nas medidas
das grandezas.

1
Observação – Uma das principais tarefas do experimentador é identificar e eliminar o maior número possível de erros sistemáticos.
2.7 Tratamento Estatístico de Medidas

2.7.1 Valor Médio de uma Grandeza

O valor médio de uma grandeza x é representado por x ou < x > e é calculado dividindo a soma
de todos os valores medidos de uma grandeza pelo número de medidas que deu origem à soma,
isto é, a média aritmética de uma série de medidas:
N
1
x=
N
åx
i =1
i
, (2.1)

sendo: xi : o valor de cada medida;


N: o número total de medidas;
x : o valor médio das N medidas.

2.7.2 Desvio Padrão 𝜎

A estatística indica que uma estimativa do desvio das medidas em relação ao valor médio é
dada pelo cálculo do desvio padrão (ou desvio padrão amostral) 𝜎, cuja expressão é a seguinte:

!
𝜎 = $"#! ∑"
$&!(𝑥$ − 𝑥̅ ) .
% (2.2)

É importante observar que uma grandeza medida é caracterizada pelo seu valor médio, e
que esse valor médio deve sempre ser escrito com o seu respectivo desvio padrão, que representa
um intervalo onde o valor verdadeiro pode se situar. Por exemplo, várias medidas da aceleração da
gravidade g resultarão em um valor médio g e seu respectivo desvio padrão s . O verdadeiro valor
da aceleração da gravidade provavelmente estará contido no intervalo [ g - s , g + s ] ou,
resumidamente, g ± s .
Note ainda que todo instrumento de medida possui uma incerteza, que chamaremos de s m
. Por exemplo, numa régua milimetrada o menor valor de leitura é 1 milímetro (mm), e uma grandeza
cujo comprimento estiver compreendido entre uma e outra marca na escala dessa régua
necessariamente terá uma incerteza s m associada a ela. Essa incerteza geralmente é tomada
como sendo a metade da menor escala do instrumento, ou seja, s m = 0,5 mm no exemplo da régua.
Assim, associada à média, há a incerteza inerente ao instrumento de medida ( s m ) e a
incerteza estatística (𝜎), dada pela Eq. (2.2). Em qualquer caso, a incerteza a considerar é sempre
a maior delas, ou seja:

a) Se o desvio padrão for maior que a incerteza instrumental, o valor x mais provável da medida
estará compreendido no intervalo x = x ± s e ;
b) Se o desvio padrão for menor que a incerteza instrumental, o valor x mais provável da medida
estará compreendido no intervalo x = x ± s m .

Exemplo
Num laboratório um estudante realiza quatro medidas do diâmetro de um furo circular obtendo os
seguintes resultados:
x1 = 2,0 cm;
x2 = 2,1 cm;
x3 = 2,0 cm;
x4 = 2,2 cm.
a) Qual o valor médio do diâmetro? b) Qual o desvio padrão das medidas? c) Qual o valor da medida
com sua incerteza se a incerteza do instrumento de medida é de 0,1 cm? d) Qual o valor da medida
com sua incerteza se a incerteza do instrumento de medida é de 0,05 cm?

Solução:
a) Como foram realizadas quatro medidas temos N = 4. Usando a Eq. (2.1)
N
1 1 8,3
x=
N
åx
i =1
i = [2, 0 + 2,1 + 2, 0 + 2, 2] =
4 4
= 2, 075 cm

b) Usando a Eq. (2.2)

1 N 1
se = å
4 - 1 i =1
( xi - x ) 2 =
3
[(2, 0 - 2, 075) 2 + (2,1 - 2, 075) 2 + (2, 0 - 2, 075) 2 + (2, 2 - 2, 075) 2 ]
1
se = [(-0, 075) 2 + (0, 025) 2 + (-0, 075) 2 + (0,125) 2 ]
3

1 1
se = [0, 005625 + 0, 000625 + 0, 005625 + 0, 015625] = 0, 0275 ! 0, 009167 ! 0, 0957
3 3
s e ! 0, 0957 cm

c) Neste caso: x = x ± s m = (2,075 ± 0,1) cm

d) Neste caso: x = x ± s e = (2,075 ± 0,0957) cm

2.8 Erro Relativo Percentual


Uma outra forma de avaliar o resultado da medida de uma grandeza é feita pela comparação
deste resultado com um valor preestabelecido da mesma. Como valor de referência pode-se
escolher o valor tabelado ou a média de um conjunto de medidas da grandeza. Esta comparação
permite determinar o erro relativo percentual, que é dado por

x-x
E (%) = .100
x
onde x é o valor medido e x é o valor de referência.
2.9 Análise

Determinação da Resistência à Compressão Mínima

(Parâmetros: Resistência à Compressão: para Valores Médios ³ 2,5 MPa; para Valores Individuais
³ 2,0 MPa)

A verificação dessa característica é fundamental para determinar a segurança estrutural da


edificação, pois verifica a capacidade de carga que os blocos de concreto para vedação suportam
quando submetidos a forças exercidas perpendicularmente sobre suas faces e determina se as
amostras oferecem resistência mecânica adequada, simulando a pressão exercida pelo peso da
construção.

Tabela II

Marcas Valores de Resistência à Compressão (RC)


Não Individuais (RC ³ 2,0 MPa)
Conformes 1º Médios (RC ³ 2,5 MPa)
2º 3º 4º 5º 6º
F 2,8 3,1 2,5 1,7 1,5 1,6
G 1,0 1,3 1,6 2,0 1,3 1,9
M 1,4 2,1 1,7 1,7 1,6 2,3
N 2,5 1,2 2,1 2,5 2,0 2,1
P 2,7 2,3 1,9 2,3 2,1 2,7
Verificação das Dimensões Nominais (Largura, Altura, Comprimento e Espessura das
Paredes)

Foram verificadas as três dimensões principais do produto, largura (L), altura (H) e
comprimento (C), além da espessura das paredes, e sua conformidade aos parâmetros
definidos pela norma técnica. Vide figura a seguir.

A tabela III descreve os valores individuais medidos para cada dimensão para as marcas.

Tabela III (140x190x390 mm)

Marcas Não Dimensões Medidas ( em mm)


Conformes Largura (L) Altura (H) Comprimento (C)
C 140 142 141 140 140 142 187 187 188 188 188 187 392 391 392 392 392 391
D 142 141 141 141 142 141 189 187 190 186 189 188 392 391 392 391 392 391
F 142 143 143 142 142 142 191 183 184 193 190 192 386 381 382 382 382 383
J 141 140 140 141 140 140 194 194 194 194 194 193 391 391 389 390 389 391
N 152 152 152 152 153 153 180 181 182 181 184 180 395 393 394 393 393 394
P 142 142 142 142 142 142 187 187 187 188 186 184 391 391 393 391 391 391
Média de L: Média de H: Média de C:
Medição do diâmetro externo do fio

Uma série de 7 medições foi realizada com o micrômetro sob 11 cm do fio com isolamento.
Os pontos de medição são equidistantes das extremidades do fio e as medidas são obtidas em
duas direções perpendiculares, conforme a tabela 4.4.1.

Diâmetro externo do fio isolado


posição da medida Medida (mm)
1 3,27
2 3,33
3 3,33
4 3,49
5 3,3
6 3,32
7 3,45
Valor Médio
desvio padrão

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