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Parasitologia

Entamoeba histolytica / Entamoeba dispar


A entamoeba histolytica é apontada como sendo a
causadora das infecções sintomáticas na população.
A E. dispar é a causa dos indivíduos assintomáticos.
Os trofozoítos da E. histolytica normalmente vivem
na luz do intestino grosso podendo, ocasionalmente,
penetrar na mucosa e produzir ulcerações intestinais
ou em outras regiões do organismo, como fígado,
pulmão, rim e mais raramente, no cérebro.
Os trofozoítos da E. dispar Podem causar ulcerações mucosa intestinal, sem
invasão.

Morfologia
Trofozoíto
Mede de 20 até 40ym, mas pode chegar a 60pm nas formas obtidas de lesões
tissulares (forma invasiva).
Examinando a fresco, apresenta-se pleomórfico, ativo, alongado, com
emissão contínua e rápida de pseudópodes, grossos e hialinos.

Pré-cisto
É uma fase intermediária entre o trofozoíto e o cisto. É oval ou
ligeiramente arredondado, menor que o trofozoíto.

Metacisto
É uma forma multinucleada que emerge do cisto no intestino delgado, onde
sofre divisões, dando origem aos trofozoítos.

Cisto
São esféricos ou ovais, medindo 8 a 20pm de diâmetro.
Os núcleos são pouco visíveis.

Transmissão
O mecanismo de transmissão ocorre através de ingestão de cistos maduros,
com alimentos (sólidos ou líquidos). O uso de água sem tratamento,
contaminada por dejetos humanos, é um modo frequente de contaminação;
ingestão de alimentos contaminados (verduras cruas - alface, agrião; frutas -
morango) é importante veículo de cistos. Alimentos também podem ser
contaminados por cistos veiculados nas patas de baratas e moscas (essas
também são capazes de regurgitar cistos anteriormente ingeridos). Além disso,
falta de higiene domiciliar pode facilitar a disseminação de cistos dentro da
família. Os "portadores assintomáticos" que manipulam alimentos são os
principais disseminadores dessa protozoose.
Ciclo Biológico
Ingestão do cisto
- Ciclo monoxênico
- Passam pelo estômago, Desencistamento
Intestino delgado
resistindo à ação do suco
gástrico, chegam ao final do
intestino delgado ou início
do intestino grosso, onde
ocorre o desencistamento,
Intestino
com a saída do metacisto, grosso

através de uma pequena Na luz

fenda na parede cística. Em intestinal

seguida, o metacisto sofre


sucessivas divisões nucleares
e citoplasmáticas, dando
origem a quatro e depois
oito trofozoítos, chamados
trofozoítos metacísticos.
Estes trofozoítos migram
para o intestino grosso
onde se colonizam. Em geral,
Ficam aderidos à mucosa do intestino, vivendo como um comensal, alimentando-
-se de detritos e de bactérias.
Em situações que não estão bem conhecidas, o equilíbrio parasito-hospedeiro
pode ser rompido e os trofozoítos invadem a submucosa intestinal,
multiplicando-se ativamente no interior das úlceras e podem, através da
circulação porta, atingir outros órgãos, como o fígado e, posteriormente,
pulmão, rim, cérebro ou pele, causando a embíase extra-intestinal.

Patogenia
1 Produzem cisteína proteases que clivam a principal proteína do muco (MUC2).

destruição da camada mucosa do epitélio o que leva à formação de uma úlcera.

2 Possuem moléculas de adesão

adesina inibidora de N-acetil-D-galactosamina

se liga a glicoproteínas dos enterócitos, permitindo a invasão da mucosa.


Manifestações clínicas
- Amebíase intestinal
Formas assintomáticas: maioria dos casos (80 a 90%).
obs.: estes casos são atribuídos à E. dispar.

Formas sintomáticas
Colites não disentéricas - 2 a 4 evacuações diarreicas ou não por dia,
desconforto abdominal e cólicas.
Forma disentérica - colites amebianas: 8 a 10 evacuações diarreicas por
dia acompanhadas de cólicas intestinais e evacuações
mucosanguinolentas, febre moderada e dor abdominal difusa, lesões
inflamatórias e ulcerativas na mucosa intestinal.

- Amebíase extra-intestinal
Amebíase hepática: abscesso amebiano hepático (focos de necrose).
Sintomas: dor no hipocôndrio direito, febre, náuseas.
Amebíase cutânea: amebas podem invadir a pele na região perianal.
Amebíase em outros órgãos: formação de abscessos pulmonares e cerebrais.

Epidemiologia
Apesar de a prevalência ser maior nas regiões tropicais e subtropicais, talvez
isto não se deva mais às precárias condições de higiene, educação sanitária e
alimentação dos povos subdesenvolvidos dessas regiões do que propriamente ao
clima (uma vez que nos países de clima frio, com baixas condições higiênicas, a
prevalência também é alta).

- Brasil
predominam casos assintomáticos e as formas de colite não disentéricas;
excessão na região amazônica - onde são frequentes as formas
disentéricas e abcessos hepáticos;
Sul e Sudeste - prevalência de 2,5 a 11%;
Região amazônica- atinge até 19%;
Os portadores assintomáticos não tratados são os principais
disseminadores do protozoário.

Apesar de a prevalência ser maior nas regiões tropicais e subtropicais, talvez


isto não se deva mais às precárias condições de higiene, educação sanitária e
alimentação dos povos subdesenvolvidos dessas regiões do que propriamente ao
clima (uma vez que nos países de clima frio, com baixas condições higiênicas, a
prevalência também é alta).
Tratamento
- Nitazoxanida (Annita®): comprimido 500mg (2 x ao dia, por 3 dias) ou suspensão
(0,375 ml (7,5 mg) por kg, 2 vezes por dia, por 3 dias)

- Metronidazol:
amebíase intestinal: 500mg, 4 vezes ao dia, durante 5 a 7 dias.
amebíase hepática: 500mg, 4 vezes ao dia, durante 7 a 10 dias.

- Secnidazol:
amebíase intestinal - 2 comprimidos de 1000 mg (2000 mg), em dose única.
amebíase hepática - 1,5 g/dia a 2,0 g/dia durante 5 a 7 dias.

Profilaxia
- Ferver a água
- Higiene pessoal
- Educação sanitária e saneamento básico
- Proteção dos alimentos
- Lavar frutas e verduras a serem ingeridas cruas
- Exame de fezes periódico de manipuladores de alimentos e Tratamento dos
casos positivos.

OBS: mergulhar verduras por 15 minutos em solução de permanganato de


potássio (0,3 g em 10 litros de água) ou iodo (3 gotas em 1 litro de água) =
destrói os cistos.

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