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Justiça e Retidão

Justiça e Retidão
HENRIQUE NUNES -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Presenciamos, atualmente, uma grande busca por justiça em nosso país. Contudo, somente a restauração
dos bons valores e princípios pode restituir a ordem de uma nação. Mas, quando olhamos para as Escrituras, a
justiça se manifesta de outra forma. Ela é o agente responsável por estabelecer e realizar a vontade de Deus na
Terra. Sendo assim, a jurisdição divina intervém no mundo natural para solucionar conflitos mediante um novo
estilo de conduta, exercendo o poder do Senhor.

Diante disso, encontramos um novo conceito de alinhamento: a retidão. Ela se distingue da justiça por tratar
especificamente de um coração completamente voltado para a Trindade. Para entendermos melhor a diferença
entre elas, observaremos a existência de alguns pontos.

JESUS É A EXPRESSÃO DA JUSTIÇA DE DEUS


A fim de decretar o domínio do Seu Reino, Jesus foi a expressão de um novo padrão de governo. Seus atos,
neste mundo, manifestaram o caráter do Pai, impactando tanto os religiosos quanto os gentios da época:

Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei
e pelos profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos
[e sobre todos] os que creem; porque não há distinção, pois todos pecaram
e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua
graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus. (Romanos 3.21-24)

Compreendemos, pela leitura desse trecho, que a justiça – aplicada pela lei e pelos profetas do Velho Testamento
– servia a todos. Uma vez que a Humanidade pecou e foi destituída da glória de Deus, nós também fomos destinados
para a condenação. Porém, pela graça – através de Cristo –, alcançamos gratuitamente a redenção por toda
culpa. Com isso, o direito de herança e o amor do Pai que estava sobre o Filho também foram derramados sobre
nós, fazendo com que sejamos um com Ele. Esse é o cumprimento de uma promessa que demonstra a razão de
nossa existência, isto é, fomos criados para desfrutar de um íntimo relacionamento com o Criador.

Ainda sobre redenção, notamos a profundidade do seu significado mediante as palavras ditas pelo nosso
Mestre na cruz:

Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado!


E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito. (João 19-30)

Percebemos que a expressão “está consumado”, vinda do grego tetélestai, contém o entendimento daquilo
que é cumprido ou finalizado. Entretanto, no hebraico, “está consumado” assume a palavra nishlem, que
transmite a ideia de algo completo, sadio e pleno. Além disso, comporta a derivação de outros termos, como:

• Shalom: Paz, prosperidade, bem, inteireza, segurança e saúde;


• Shelem: Oferta pacífica;
• Shalam: Estabelecer uma aliança de paz;
• Shillem: Recompensa.

2 JUSTIÇA E RETIDÃO
Todos esses significados da obra consumada na Cruz apontam para o direito de redenção que nos foi concedido
pela graça. Por meio dela, nos tornamos completos, sadios, plenos, prósperos, cheios de paz, bondade, dentre
tantos outros benefícios, fazendo com que Jesus seja, para nós, a expressão máxima da justiça divina sobre
todos os Homens. Compreender essas verdades abre nosso entendimento para a dimensão do amor de Deus
revelado em Seu plano.

Da mesma forma, a Bíblia diz que, enquanto buscamos a justiça, recebemos provisão:

Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e


todas estas coisas vos serão acrescentadas. (Mateus 6.33)

Visto que a justiça se manifestou em Cristo, Ele deve ser nossa maior busca. No tempo em que nos
empenhamos para estabelecer o Reino, todas as nossas necessidades são supridas. Logo, já não precisamos
estar preocupados com o que, quando ou como será feita a vontade de Deus em nossas vidas, porque, pela
redenção, nossas limitações vão de encontro com o Seu poder. Agora, nós assumimos uma nova posição de filhos
inculpáveis, como dizem as Escrituras:

Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para
que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus. (2 Coríntios 5.21)

Foi justamente por causa da santidade de Jesus, quando se fez culpado por nós, que obtivemos a justificação.
Assim, nossa natureza, que era mantida separada da presença do Pai, foi reconciliada com Ele. Com isso, pela
fé, estamos firmados, através da graça de Deus, na esperança de uma vida eterna:

Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio
de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos
igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e
gloriamo-nos na esperança da glória de Deus. (Romanos 5.1-2)

JESUS DESTRÓI O SENSO DE JUSTIÇA HUMANA


Diante da compreensão de que Jesus é a justiça de Deus, podemos construir uma nova visão de legalidade
no mundo. Assim como lemos em Romanos 3.22, não existe distinção entre os que creem. Deste modo, não
importa o que fizemos ou o tamanho da culpa que carregávamos no passado, pois a redenção foi suficiente para
nos tornar perfeitamente iguais diante do Pai. Este é o entendimento necessário para levarmos libertação às
pessoas, ao invés de juízo:

Um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer;


tu, porém, quem és, que julgas o próximo? (Tiago 4.12)

3 JUSTIÇA E RETIDÃO
Desta forma, ao sabermos o motivo pelo qual Cristo veio ao mundo, deixamos de apontar os erros e passamos
a levar as boas notícias do Reino e de reconciliação. Se todos pecaram e foram destituídos da glória de Deus, então
estamos na mesma posição de redimidos que nossos irmãos. Ao contrário do que muitos fazem, precisamos
abandonar nossos julgamentos humanos, anunciando, àqueles que ainda não creem, que existe perdão para os
pecados e uma vida abundante disponível em Jesus.

Além disso, o senso de justiça própria nos impede de experimentarmos a justiça que vem de Deus:

Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus. (Tiago 1.20)

Frequentemente, deixamos de receber o favor do Senhor por resolvermos conflitos com a nossa própria
força. Essa é uma visão humana do que acontece ao nosso redor. Porém, quando olhamos para a Palavra,
lembramos que Jesus é a nossa justiça. Assim, podemos descansar, já que temos a certeza de que nosso direito
está guardado no sacrifício da Cruz. Como consequência, deixamos que a ira do Velho Homem dê espaço para
manifestarmos o amor de Deus aos nossos agressores.

RETIDÃO
Como já vimos nesta aula, justiça é estabelecer um governo por meio da jurisdição e da perspectiva do Pai. No
entanto, retidão significa termos um coração alinhado com o d’Ele. Essa é uma qualidade que não mais se manifesta
por aquilo que acontece exteriormente, mas sim em nosso interior. Logo, compreendemos que um coração reto
sempre estabelecerá a justiça divina. Como resultado, um novo modelo de ordem celestial é instituído.

Diante disso, encontramos, na Palavra, a maneira de desenvolver um coração reto:

Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um


espírito reto. (Salmos 51.10 – Almeida Corrigida Fiel)

Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração


compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus. (Salmos 51.17)

Nesse texto, Davi se posiciona distantemente da vaidade, do orgulho e da justificação própria, sabendo que
apenas com um espírito reto poderá alcançar a vontade perfeita de Deus. Assim como está dito no Sermão do
Monte, um coração alinhado abre nossos olhos para conhecermos mais sobre Ele:

Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus. (Mateus 5.8)

4 JUSTIÇA E RETIDÃO
Enquanto o Mestre pregava as bem-aventuranças que estão em Mateus 5, ao mesmo tempo em que os
aperfeiçoava em retidão, Ele transformava a mentalidade dos discípulos para enxergarem uma nova forma de
reagir às injustiças:

Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não
resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também
a outra; e, ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a
capa. Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas. (Mateus 5.38-41)

Sendo assim, Jesus ensinava que a obediência tinha mudado a forma como a justiça deveria ser praticada. No
Velho Testamento, aqueles que eram prejudicados deveriam ser restituídos na mesma medida. Se alguém ferisse
o olho de seu próximo, teria que pagar com a própria visão. O agressor deveria ser agredido e o homicida morto.
Porém, pela Nova Aliança, recebemos uma instrução que está perfeitamente alinhada ao caráter do Senhor:

Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai


pelos que vos perseguem. (Mateus 5.44)

Apesar de ser contrário ao que muitos dizem, o amor e o perdão representam uma justiça perfeita, que vem
de Deus, uma vez que, dessa forma, fomos salvos da condenação. Para que esse novo modelo de governo flua
de nós, precisamos conhecer profundamente o caráter de Cristo. Enquanto nos enchemos d’Ele, refletimos Seus
ensinamentos por meio das nossas ações.

Voltando à vida do rei Davi, observamos como ele julgou uma situação com base em um coração reto:

Porém Davi disse: Não fareis assim, irmãos meus, com o que nos deu o Senhor, que
nos guardou e entregou às nossas mãos o bando que contra nós vinha. Quem vos
daria ouvidos nisso? Porque qual é a parte dos que desceram à peleja, tal será a
parte dos que ficaram com a bagagem; receberão partes iguais. (1 Samuel 30.23-24)

No contexto desse relato, os amalequitas tinham atacado a cidade de Ziclague e levado as esposas de Davi
em cativeiro. Então, pela direção do Senhor, Davi e seus aliados foram de encontro com o exército inimigo
para resgatar as mulheres e crianças. No entanto, alguns dos soldados estavam cansados e ficaram juntos da
bagagem. Depois que Davi voltou da batalha, já com todos os despojos, visto que havia vencido a luta, alguns
dos que batalharam não quiseram repartir os bens com aqueles que ficaram descansando. Nesse momento, o
rei manifestou um coração reto e alinhado com a vontade de Deus, porque considerou, pela justiça divina, que
todos deveriam receber partes iguais daquilo que haviam conquistado.

Da mesma forma, se quisermos estar sob a jurisdição de Deus, precisamos ter um coração puro e reto.
Quando estamos alinhados com a Sua vontade, abandonamos a autojustificação e somos abraçados pela graça
redentora de Jesus. Logo, uma caminhada em retidão é essencial para moldarmos as situações ao nosso redor
de acordo com os padrões do Reino.

Tendo como base a aula de justiça e retidão, responda às perguntas:

5 JUSTIÇA E RETIDÃO
1. Qual é a diferença entre justiça e retidão?

2. Por que a justiça de Deus não é a mesma que a justiça deste mundo?

3. Qual padrão de justiça você tem expressado ao mundo pelos seus atos? Por quê?

4. O que você pode fazer nesta semana para se alinhar ainda mais ao coração de Deus?

6 JUSTIÇA E RETIDÃO
5. Em quais situações do seu cotidiano você pode aplicar a justiça de Deus? E a retidão?

6. Com qual texto sobre justiça você mais se identifica nas Escrituras?

7. Como você pode influenciar pessoas ao seu redor para


que elas adotem o modelo de justiça divina?

DESAFIO PESSOAL: Muitas pessoas próximas de nós vivem debaixo de culpa por carregarem um senso de justiça
própria. Durante esta semana, peça direção ao Espírito Santo para que você conte a alguém o que aprendeu sobre a
justiça de Deus e ajude-o(a) a aplicar nas situações em que precisa alterar sua perspectiva para a dos Céus.

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