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Amor ao próximo

Amor ao próximo
HENRIQUE NUNES -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

O amor em si sempre foi muito discutido ao redor do mundo, em sociedades diferentes. Muitos o definem como
um sentimento, repleto de emoções abstratas, que nos leva a praticar boas ações àqueles de quem gostamos
e que, em geral, nos fazem bem. Contudo, de acordo com o que Deus diz, o amor é muito mais do que isso. Ele
não é algo fácil de lidar, como dizem por aí, mas está totalmente ao nosso alcance e cabe a nós compartilhá-lo.

Para tanto, é necessário lembrarmos do principal motivo pelo qual somos chamados de filhos de Deus. Fomos
feitos para andarmos no Espírito e demonstrarmos Seu amor ao mundo, de acordo com o que Ele tem nos
ensinado. O segredo está em saber que o amor mencionado nas Escrituras muitas vezes contraria os sentimentos
humanos. Tudo o que vem dele exigirá de nós sacrifício e precisaremos abrir mão de algo, como do nosso conforto,
por exemplo.

A maior expressão de amor, relatada na Bíblia, foi quando Jesus morreu em nosso lugar para que tivéssemos
vida eterna e pudéssemos nos conectar novamente com Deus, passando a enxergá-lO como Pai. Essa filiação
foi transmitida a nós a fim de que, ao continuarmos a missão de Cristo, outras pessoas viessem a crer e serem
salvas por meio de nossas vidas.

Para levá-las a crerem em um Deus que é amor, em sua essência, é fundamental que nós experimentemos
isso, ou seja, que nós passemos adiante esse amor àqueles que nos rodeiam, sem fazer distinção entre eles (1
João 4.7-8). Basicamente, isso significa que o Senhor nos criou em amor e para amar, portanto, se fomos feitos
à Sua imagem e semelhança (Gênesis 1.26), devemos espelhar Sua natureza em todos os aspectos.

1. O amor é derramado pelo Espírito Santo

É por meio do Espírito Santo que o amor é derramado em nossas vidas e nós podemos transbordá-lo para as
pessoas com quem convivemos. Basta termos um relacionamento de intimidade com Ele para que isso aconteça.
Mesmo em meio às lutas diárias, à medida que nos aproximamos e ouvimos Sua voz, temos maior entendimento
do amor de Deus.

Essa intimidade é o que nos impulsiona a persistir, e essa perseverança gera uma confiança para que, durante
as dificuldades, a nossa fé e esperança sejam fortalecidas (Romanos 5.3-5). Quando cremos em um Deus que
nos salvou por amor, seguimos Seus passos, pois somos cada vez mais perseverantes em amar aos outros e nos
tornamos mais pacientes para lidar com eles. Isso porque desenvolvemos uma consciência de que Aquele que nos
amou primeiro não desistiu de nós, mesmo nos piores momentos.

É nessa perseverança que o verdadeiro amor, semeado pelo Espírito Santo, torna-se mais forte e acessível
pela fé que nos conduz. Quanto a isso, em Efésios diz que:

E, assim habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados
e alicerçados em amor, a fim de poderdes compreender, com todos os
santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura e a profundidade
e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para
que sejais tomados de toda a plenitude de Deus. (Efésios 3.17-19)

2 AMOR AO PRÓXIMO
Como o verso acima relata, “o amor de Cristo excede todo o entendimento”, ou seja, nunca poderemos
compreendê-lo completamente pela nossa razão. Entretanto, a partir do momento em que Cristo habita em nós,
Seu amor é derramado pelo Espírito Santo, de forma que passamos a compreender aos poucos suas dimensões. A
princípio, pode parecer complicado, mas, quando vivemos pela fé, o amor se torna mais simples e compartilhá-lo
passa a ser algo natural, que faz parte de nós. Assim, seremos, então, uma prova viva do que Ele fez por nós ao
amarmos nosso próximo.

2. O amor é sacrificial

Além de ser um ato de fé, o verdadeiro amor é definido pelo sacrifício genuíno por aqueles a quem amamos.
Quando nos dispomos a obedecer a Deus como Pai, nosso maior propósito passa a ser amar ao próximo
incondicionalmente como Ele nos amou. Vale lembrar que é extremamente fácil amar quem nos agrada. Agora,
nosso desafio é com aqueles que, por algum motivo, não retribuem nossas ações, e isso nos exige uma entrega
total. Do mesmo modo como João nos revela a respeito da morte de Jesus:

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para
que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3.16)

A conhecida passagem de João 3.16 diz que o próprio Deus mandou o Seu único Filho para morrer em
nosso lugar para que tivéssemos vida em abundância. Uma atitude de ousadia dessas deve ser, não só nosso
modelo, mas também o que nos impulsiona a um novo nível de amor, ultrapassando todas as esferas da nossa
compreensão. Ainda que seja difícil, é preciso sair da nossa zona de conforto e adotar uma postura de entrega a
fim de cumprir o mandamento supremo, que é amarmos a Deus acima de tudo e ao próximo como a nós mesmos
(Marcos 12.28-31).

No entanto, frequentemente, nos deparamos com pessoas que não gostam de nós e que até nos desprezam.
Nessas horas, nossa reação espontânea é nos mantermos calados e virarmos as costas. Entretanto, quando decidimos
viver sob a ação do Espírito Santo, enxergamos as circunstâncias com outro olhar, sob a ótica de Deus. Ele nos ensina
a mudar nossa perspectiva em relação a quem nos cerca e nos dá um coração misericordioso como o d’Ele.

Consequentemente, adquirimos a capacidade de bloquear atitudes que não condizem com a nossa fé e de
perseverar no amor do Senhor. Só assim será possível que Ele trabalhe em nós a fim de criar corações dispostos a
cumprir Seu propósito: revelar o perfeito amor de Cristo. Ao resistir ao que é contrário à Sua vontade, é possível,
enfim, sermos aperfeiçoados por esse amor, como está escrito em 1 João:

(...) Se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e


o seu amor é, em nós, aperfeiçoado. (1 João 4.12)

Como humanos, nós falhamos e as sensações às quais damos o nome de “amor” são limitadas. No entanto,
quando permitimos que Deus revele mais do Seu amor por nós, somos levados a um patamar novo e mais
alto. Para isso, necessitamos persistir em amar às pessoas, principalmente as mais difíceis para nós. Isso é
um processo, pois quanto mais aprendemos e praticamos, mais a perseverança nos fortalece e nosso amor é
aperfeiçoado. Basta apenas estarmos atentos e abertos aos ensinamentos do Espírito Santo.

3 AMOR AO PRÓXIMO
3. O amor é conduzido pela compaixão

Quando somos sensíveis ao que o Espírito Santo tem a nos dizer, Ele nos revela Seus pensamentos,
sentimentos e desejos específicos a respeito das pessoas que precisamos amar. Com isso, aprendemos a nos
mover em compaixão. É bem comum, por exemplo, nos comovermos por alguém que está triste ou desesperado.
Porém, quando vivemos sob a graça de Deus, a compaixão entra em cena e entendemos que, mais do que nos
sensibilizarmos pelos outros, precisamos sentir a dor dos que sofrem. Consequentemente, agiremos com fé,
declarando palavras de restauração e cura sobre as circunstâncias que lhes causaram aflição ou desânimo.
Assim, seguimos o exemplo de Cristo e adotamos Sua postura de amor.

Em um episódio anterior, na morte de Lázaro, um amigo Seu, Jesus Se encontrava em uma posição na qual
todos à sua volta estavam tristes. Ao ver Maria, irmã do falecido chorar, o Mestre, em compaixão a ela, teve a
seguinte reação:

Jesus, vendo-a chorar, e bem os judeus que a acompanhavam,


agitou-se no espírito e comoveu-se. (João 11.33)

Compaixão é sentir a dor do outro, como Jesus fez na passagem relatada acima. Quando Seu amigo Lázaro
morreu, Ele sabia que tinha todo o poder e autoridade para fazê-lo retornar à vida, e poderia apenas ter Se
mantido indiferente, realizado o milagre e ido embora. Porém, como Filho de Deus, Ele não somente Se revelava
em amor, mas era o próprio amor.

Portanto, o Mestre não poderia permanecer imperturbável ao ver as pessoas sofrerem. Na sequência, ainda
no capítulo 11 de João, o texto nos mostra que Jesus chorou logo antes de chamar Lázaro para fora da tumba.
Seu sofrimento não resultava da morte, mas era fruto da dor dos que estavam ali presentes.

Assim como Jesus, nós também devemos fazer o mesmo. Como cristãos que creem em um Deus que é amor,
ficarmos parados diante do sofrimento alheio não é uma opção. Amar ao próximo é consequência de uma vida de
amor a Deus. Quando demonstramos compaixão a quem está ao nosso redor, independentemente de ser nosso
amigo, familiar ou alguém com que temos compatibilidade, estamos amando o Senhor e, como resultado, somos
compelidos a agirmos por meio de uma oração, uma palavra de esperança ou até um abraço.

Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não
ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. (1 João 4.20)

4. O amor nunca falha

Em nosso coração e mente, compreendemos que amar é um mandamento de Deus e, por isso, é uma escolha
tão somente nossa obedecê-lO. Ao longo da nossa caminhada, já dissemos, nos deparamos com pessoas que não
retribuem as nossas atitudes ou até mesmo nos desprezam. Nessas situações, muitas vezes, temos a sensação
de que, não importa o que façamos, nunca teremos a recompensa devida. Por fim, temos vontade de desistir e
começamos a questionar o Senhor, se realmente vale a pena todo o esforço. E se não estivermos bem firmados
na Palavra e na fé, sentiremos medo de nos envolver com as pessoas. Assim, voltaremos à estaca zero, para o
nosso círculo de amizade, onde todos nos amam e aceitam.

4 AMOR AO PRÓXIMO
Contudo, o perfeito amor lança fora todo o medo (1 João 4.18). É por causa desse amor que não precisamos
mais temer a morte, porque fomos redimidos dos nossos pecados e falhas. A partir de então, Deus Se revela
como Pai, estabelecendo um relacionamento genuíno e profundo conosco. Todos os dias o Senhor encontra
maneiras únicas de demonstrar Seu amor por nós, nos mínimos detalhes. Isso inclui nos corrigir quando erramos,
mas também manter os braços estendidos quando nos arrependemos.

Como Deus de amor, Ele nos criou para vivermos unidos, ou seja, para que amemos uns aos outros assim
como nos ama. Fazendo uma comparação com a nossa realidade: pais que amam seus filhos sem fazer diferença
entre eles esperam que eles sejam amigos generosos um com o outro. Quando há qualquer conflito, no geral, a
primeira reação deles é procurar resolver de forma justa e amorosa, a fim de que a situação se normalize e as
crianças façam as pazes.

A diferença marcante entre essa analogia e o nosso relacionamento com Deus é que, ao contrário dos pais,
Seus planos não falham, nós é que devemos colocá-los em prática por meio da obediência à Sua Palavra. De
acordo com ela, sendo Deus amor, Ele é, em Si, tanto o motivo como o meio e o fim para o qual fomos criados, o
que nos leva para o próximo ponto.

5. O amor é a marca do cristão

Perdão, amor e compaixão são traços naturais e arraigados à vida cristã, brotando como consequência do
amor derramado pelo Espírito Santo. Durante o dia, temos inúmeras oportunidades de testemunhar desse amor
uns para com os outros por meio de nossas ações. É crucial, então, que essas práticas não sejam simplesmente
automáticas, mas tornem-se prioridades máximas, estando acima de tudo o que consideramos urgente e
importante.

Ao entendermos que é o amor que desencadeia os demais dons e ministérios, e não o contrário, estes últimos
são impulsionados naturalmente na direção planejada por Deus desde o início. Assim, se priorizamos o amor,
tudo o que fazemos em seguida é simplificado, pois deixa de ser visto como obrigação e transforma-se em uma
obediência espontânea. Usando como referências os capítulos 13 de 1 Coríntios e o 5 de Gálatas, podemos ter
uma ideia mais clara e lógica de como nos posicionar.

Agora, para aprimorar sua compreensão, aqui estão três tópicos importantes relacionados ao amor de Deus:

• O amor está acima de dons: Reconhecemos a importância dos múltiplos dons dados pelo Espírito e
devemos usufruir deles para que o Senhor seja glorificado. Contudo, sem o amor, o maior dos dons, o foco
desvia-se de Deus e passa a ser nós mesmos, trazendo à tona todas as nossas falhas. Em 1 Coríntios 13.8
diz: “O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo
ciência, passará”. Assim, nossas imperfeições (vaidade, orgulho, avareza, entre outros) deturpam os dons
que temos e enfraquecem nossa capacidade de amar. O amor permanece em nós, mas, quando não
estamos alicerçados n’Ele, nos tornamos suscetíveis àquilo que fazemos, nos esquecendo do propósito
inicial do Pai: revelar Seu amor através de nós;

• O amor está acima das obras: Viver sob a direção e o cuidado de Deus é nos atentarmos àquilo que fazemos,
com consciência de que nossas obras devem apontar para Ele. Porém, nos enganamos ao pensarmos
que realizar boas ações, participar ativamente de projetos, campanhas e organizações de caridade,
nos desdobrando em diversas atividades ministeriais na igreja, será o bastante. Todas essas coisas são
importantes quando feitas em amor, mas longe dele servem apenas para alimentar nosso ego, perdendo
sua validade, como 1 Coríntios nos revela: “E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e
ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.”;

5 AMOR AO PRÓXIMO
• O amor está acima de doutrinas: Assim que somos inseridos em uma igreja específica, começamos a seguir
uma série de recomendações dadas pelos pastores e líderes dessa instituição. A partir disso, tomamos como
verdade o que absorvemos em pregações e ministrações dos cultos e eventos aos quais atendemos. Porém
não podemos perder de vista que cada um desses direcionamentos deve ter como base o amor de Deus,
que gera diversas sementes de um mesmo fruto. Cada uma delas nos indica um fator diferente desse amor,
o qual não se submete a leis criadas por homens, antes as direciona. Na carta à igreja de Gálatas, Paulo
especifica bem isso: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade,
fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei” (Gálatas 5.22-23).

Os aspectos citados por Paulo fazem parte de um mesmo fruto gerado pelo Espírito Santo, que tem como
centro a vontade de Deus. Qualquer lei que passe por cima deles não vem do Senhor, pois ignora a Sua essência
(o amor). Todos os demais mandamentos provêm deste: amar a Deus acima de tudo com todo o nosso ser e ao
próximo como a nós mesmos.

Se estivermos verdadeiramente conectados a Deus, sensíveis ao agir do Espírito Santo, o restante será
apenas consequência natural do nosso testemunho de fé e compaixão. Dessa maneira, abriremos mão de nossas
doutrinas, nossas obras serão guiadas por Ele e, por meio dos dons que nos deu, mais vidas serão alcançadas e
salvas, testificando a missão que nos foi originalmente conferida.

Para finalizarmos, depois de compreender um pouco melhor sobre o tema desta aula, reveja suas anotações
e medite nelas. Em seguida, responda o que se pede:

1. Quais passagens bíblicas mais falam ao seu coração a respeito do amor? Por quê?

2. Para você, o que é mais difícil no mandamento “ame ao seu próximo


como a si mesmo”? E o que é mais simples? Por quê?

6 AMOR AO PRÓXIMO
3. Como você pode superar seus medos e inseguranças a fim
de aproximar-se daqueles a quem precisa amar?

4. Pensando nas suas experiências pessoais com Deus, liste de quatro a cinco
acontecimentos (pequenos ou grandes) que provaram o amor d’Ele por você.

5. Agora, anote de quatro a cinco momentos em que você sentiu ter


sido usado por Ele para transmitir esse amor a alguém.

DESAFIO PESSOAL: Ao longo desta semana, peça a Deus que revele a você o que Ele pensa sobre ao menos 5 pessoas
que estão ao seu redor, sendo elas cristãs ou não. Anote tudo o que o Senhor lhe contar e, em seguida, procure
demonstrar o que está agora em seu coração em ações. Use sua criatividade e demonstre o amor do Pai por elas.

7 AMOR AO PRÓXIMO