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Dons de Revelação

e de Poder
Dons de Revelação
e de Poder
IGOR SIRACUSA -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Como Igreja, entendemos que somos um só Corpo, guiado por Cristo, e que cada membro tem funções
específicas (1 Coríntios 12.27-28). Dessa forma, mesmo cada um sendo diferente, todos atendem a um chamado:
levar o amor de Jesus a todas as pessoas por meio do Espírito Santo, quem nos guia e fortalece. Logo, a partir
do momento em que o Senhor habita em nós, Ele concede a cada um dons distintos, como 1 Coríntios nos revela:

Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade


nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o
mesmo Deus quem opera tudo em todos. A manifestação do Espírito é concedida
a cada um visando a um fim proveitoso. Porque a um é dada, mediante o Espírito,
a palavra da sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do
conhecimento; a outro, no mesmo Espírito, a fé; e a outro, no mesmo Espírito,
os dons de curar; a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro,
discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade
para interpretá-las. Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas,
distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente. (1 Coríntios 12.4-11)

Conforme essa passagem, os dons que recebemos são presentes individuais e dados por Deus. Não há um
que seja melhor ou mais importante, pois todos estão sob a ação do mesmo Espírito e são derramados para um
propósito e missão. Algumas pessoas, por exemplo, nascem ou adquirem uma facilidade e graça para ensinar,
outros têm dons proféticos através de sonhos e visões, e há ainda aqueles que têm facilidade em declarar a cura
aos doentes. Assim, entendemos que, por intermédio de cada um, o Senhor manifesta Seu poder de uma forma
diferente. Devemos ter em mente, entretanto, que, mesmo com as nossas singularidades, andamos no mesmo
caminho, em uma só fé, com o objetivo de compartilhar o Seu amor e estabelecer o Seu Reino nesta Terra.

Pela fé, cremos que Deus nos livrou da morte para sermos Seus filhos e termos um relacionamento de
intimidade com Ele, participando ativamente de Seu Reino. Para tanto, o Senhor quer revelar-Se a nós de maneira
particular. Ele nos criou de maneira maravilhosa (Salmos 139.14) e Seus planos são igualmente perfeitos.
Por outro lado, cabe a nós tirá-los do papel para vivê-los inteiramente. O primeiro passo, nesse sentido, seria
reconhecer nossa identidade como Seus filhos. Como consequência, por meio de um relacionamento próximo,
identificamos e desenvolvemos os dons que recebemos d’Ele. Quando fazemos isso, nosso chamado torna-se
mais evidente e, consequentemente, nossa fé é fortalecida.

Lógico que não é possível colocar os dons em uma caixa, até porque somos indivíduos com personalidades e
habilidades variadas. No entanto, existem determinadas orientações que nos ajudam a encontrar nosso papel
dentro dessa ampla missão. Para isso, é fundamental ouvirmos a voz de Deus e estarmos abertos ao que Ele tem
a revelar a nosso respeito por meio do Espírito Santo.

A seguir, aprenderemos mais sobre como cada um desses dons se manifesta por meio de nós. Inicialmente,
eles podem ser divididos em duas categorias: dons de revelação e de poder.

2 DONS DE REVELAÇÃO E DE PODER


A. DONS DE REVELAÇÃO
A revelação é o conhecimento dado por Deus ao qual nós não temos acesso de maneira natural. Existem
vários motivos para que Ele nos dê revelações: nos avisar de algum perigo, abrir nossos olhos para algo que ainda
não sabíamos ou até mostrar que Ele está presente mesmo quando não O reconhecemos e que nos conhece e Se
importa conosco. Seja como for, a finalidade é sempre uma: manifestar o Seu amor.

Quando Deus nos mostra algo a respeito de alguém, é porque, naquele exato momento, essa é a estratégia
mais adequada para que sejamos um canal do Seu amor para aquela pessoa. As palavras que recebemos em
relação a ela têm sempre um direcionamento específico a fim de que Deus, muitas vezes, toque em algum ponto
sensível que será a chave para que ela abra o coração ao Seu agir. Existem diversos tipos de revelação, mas
podemos destacar três: palavra de sabedoria, palavra de conhecimento e discernimento de espíritos.

1. Palavra de sabedoria

Como seres humanos, muitas vezes, nos encontramos em situações que parecem não ter saída; nos deparamos
com decisões complicadas ou problemas que aparentemente não têm solução. Porém somos filhos de um Deus
que nos ama e nunca nos deixa sozinhos nas dificuldades. Ele usa pessoas para nos dirigir a palavra exata
na hora certa a fim de que saibamos que, quando não conseguimos resolver por nós mesmos aquilo que nos
preocupa e aflige, temos a quem recorrer.

O contrário também pode acontecer. Nós podemos nos ver em momentos nos quais somos intimados a
orientar e aconselhar alguém que precisa de luz em determinado assunto. Aqui, é crucial lembrar que a palavra
de sabedoria não vem da nossa mente humana, mas ela é dada exclusivamente por Deus, pois apenas Ele conhece
cada um de nós por inteiro. Nós somos apenas instrumentos para que o Espírito Santo ilumine o caminho de
quem precisa de direção.

No livro de 1 Reis, há um exemplo perfeito em que o rei Salomão precisou de muita sabedoria para julgar o
caso de duas mulheres que brigavam por um bebê. A história conta que elas moravam na mesma casa e tiveram
filhos na mesma época, porém uma das crianças morreu à noite enquanto as mães dormiam. No dia seguinte,
ao descobrirem a tragédia, uma acusou a outra de roubar o seu filho. Por fim, levaram a questão ao rei para que
ele desse uma solução.

Salomão, que ainda era jovem e havia acabado de assumir o trono de Israel, foi pego de surpresa. Como nada
é por acaso, o rei lembrou-se do pedido que havia feito a Deus, pouco tempo atrás, por sabedoria a fim de guiar
o povo de acordo com a vontade do Senhor:

Teu servo está no meio do teu povo que elegeste, povo grande, tão numeroso
que não se pode contar. Dá, pois, ao teu servo coração compreensivo
para julgar ao teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e
o mal; pois quem poderia julgar a este grande povo? (1 Reis 3.8-9)

O Senhor atendeu com prazer ao pedido de Salomão e, então, quando estava em meio àquele dilema entre
as duas mulheres, o poder divino foi revelado. Dessa forma, a situação foi conduzida e solucionada de maneira
simples e direta. E o mesmo Deus que estava com o rei Salomão Se faz presente hoje em nós, por meio do Espírito
Santo. Quando cultivamos uma vida de intimidade com Ele, no tempo certo, Ele pode nos revelar palavras de
sabedoria de acordo com o Seu desejo e plano.

3 DONS DE REVELAÇÃO E DE PODER


2. Palavra de conhecimento

Quando o Senhor nos mostra o estado passado ou atual de alguém de forma sobrenatural, Ele dá oportunidades
de declarar palavras de conhecimento, orando ou falando com a pessoa. Isso acontece, por exemplo, quando
Deus pretende alcançar alguém que se mostra resistente a Ele. Para entender melhor, basta analisar o encontro
de Jesus com a mulher samaritana (João 4.1-18).

Jesus estava com Seus discípulos indo para a Galileia e precisou sair da rota original, que seria mais curta
e rápida. Contudo, Ele já tinha o direcionamento exato de por onde deveria ir, e Seu plano era bem definido.
Ele sabia que, logo ali, perto de um poço, chegaria uma mulher que precisava conhecê-lO e abrir seu coração
para Deus. Assim que a vê, não perde tempo e já engata uma conversa. Vale ressaltar que essa conversa era
intencional. Jesus tinha plena consciência daquilo que falaria e de qual era Seu alvo, pois em tudo Ele era movido
pelo Espírito Santo. Do mesmo modo, quando entendemos o amor do Pai e os Seus planos, nos permitimos ser
guiados pelo Espírito Santo, que nos capacita para entregarmos a palavra certa no momento adequado.

Jesus conhecia o coração daquela mulher e Ele tinha o timing perfeito para abordar o assunto com ousadia. É
disso que necessitamos. Somos ousados quando declaramos com firmeza as verdades do Altíssimo para as pessoas
a quem Ele nos conduz, entendendo que muito mais importante que usar palavras bonitas e agradáveis, é que elas
compreendam, pelo menos um pouco, de quem Deus é e, enfim, se abram para o Seu agir. A intenção de Jesus ao
falar com a Samaritana não era atraí-la para passar a mão em sua cabeça, mas instigá-la a olhar e questionar sua
própria vida, para, finalmente, se dar conta de que tudo do que precisava estava bem ali diante dela.

Este é nosso papel quando recebemos palavras de conhecimento: permitir que as pessoas enxerguem o amor
de Deus, acessível por meio de Cristo e do Espírito Santo, e sejam transformadas por ele.

3. Discernimento de espíritos

Além da palavra de sabedoria e de conhecimento, existe outro dom de revelação conhecido como discernimento
de espíritos, o qual nos traz clareza sobre os ambientes espirituais onde estamos. Quando somos sensíveis ao
Espírito Santo, Ele nos dá uma nova visão a respeito do que nos cerca, podendo indicar tanto uma forte presença
do Espírito Santo quanto um ambiente opressivo. No momento em que temos essa percepção, o Senhor nos
conduz a orar pela situação em que nos encontramos, adotando uma postura de autoridade e fé.

Uma passagem que exemplifica claramente isso é a de Atos 16, a partir do verso 16, em que Paulo narra:

Aconteceu que, indo nós para o lugar de oração, nos saiu ao encontro uma jovem
possessa de espírito adivinhador, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos
seus senhores. Seguindo a Paulo e a nós, clamava: Estes homens são servos do
Deus Altíssimo e vos anunciam o caminho da salvação. Isto se repetia por muitos
dias. Então, Paulo, já indignado, voltando-se, disse ao espírito: Em nome de Jesus
Cristo, eu te mando: retira-te dela. E ele, na mesma hora, saiu. (Atos 16.16-18)

Paulo estava saindo de um ‘lugar de oração’, ou seja, ele transbordava do Espírito Santo e, por essa razão, sua
mente estava alinhada aos pensamentos de Deus. Logo, quando ele encontrou a mulher adivinha, não apenas
entendeu a situação que se passava, como sabia exatamente o que fazer. Sua primeira atitude foi assumir um
posicionamento de ousadia, comandando o demônio que atormentava aquela mulher a sair.

É isso que devemos fazer nessas horas, em que discernimos algo estranho. Em primeiro lugar, é necessário
estar em atitude de oração a todo momento. Em segundo, ao identificar algo diferente onde estamos, devemos
nos posicionar com a autoridade dada por Cristo de acordo com a situação. Por fim, através do poder dado a nós
pelo Espírito Santo, declaramos e profetizamos de acordo com o que Deus nos orientar.

4 DONS DE REVELAÇÃO E DE PODER


B. DONS DE PODER
Jesus recebeu toda a autoridade do Pai e, ao voltar para os Céus, ela foi automaticamente transmitida
aos discípulos, que permaneceram na Terra (Mateus 28.18-19). Esse poder se estende hoje também a nós que
cremos em Cristo e somos chamados filhos de Deus. Consequentemente, a partir da conexão direta que temos
com o Senhor, nos tornamos cada vez mais parecidos com Ele, e Seu poder é refletido em nós pelos dons que
recebemos. Sendo assim, os “dons de poder” concretizam a autoridade do Pai por meio da fé, da cura e dos sinais
e maravilhas da seguinte maneira:

1. Dom de fé

Pela fé, acreditamos em um Deus invisível que opera milagres a toda hora. Ela é uma das bases mais
importantes do nosso relacionamento com o Pai. Afinal, uma vida de intimidade com o Senhor exige confiança
total em Seus planos e nos leva a enxergar muito mais do que pensamos ou imaginamos. Somos salvos pela
Graça através da fé (Efésios 2.8) e, assim, vivemos por meio dela (2 Coríntios 5.7).

Então, se “andamos pela fé” e cremos em um Pai que é sobrenatural, devemos refletir Sua essência. Por essa
razão, adotando a perspectiva de Deus, somos capazes de renunciar ao nosso controle para que Ele tome as
rédeas e nos guie. Quando temos fé, nos abrimos genuinamente ao agir do Espírito Santo e vemos além do que
está ao nosso alcance, independentemente da situação em que nos encontramos.

Em meio às dificuldades, por exemplo, ao invés de entrarmos em desespero, descansamos, pois servimos ao
Deus que move montanhas, que ressuscitou dos mortos e que, ainda hoje, continua manifestando Seus sinais.
Assim, ainda que nada faça sentido pela lógica humana, é o Senhor que faz o impossível acontecer. Ele é capaz
de reverter toda e qualquer situação.

2. Cura

Jesus deu poder para realizarmos curas (Lucas 9.1) para que todos experimentem Seu amor e poder. O Espírito
Santo nos capacita e, através da Sua palavra, a cura de Deus é derramada sobre aqueles que precisam. Mesmo
assim, é fundamental entender que nem sempre isso acontece, e os motivos não cabe a nós explicar. Se for da
vontade do Senhor, Ele mesmo fará isso. Nesse sentido, nosso papel é simples: declarar cura na vida das pessoas
como os discípulos de Jesus eram intimados a fazer.

A oração em fé abre espaço para a cura, mas ela não vem de nós, e sim de Deus. Ele realiza as obras para que
o Seu nome seja glorificado pela fé, e não pela nossa capacidade.

3. Sinais e maravilhas

As maravilhas de Deus seguem o mesmo caminho. Como o Senhor pode nos usar para demonstrar Seu poder
através de acontecimentos impossíveis, tudo o que precisamos fazer é crer e entregar o controle em Suas mãos.
Só que, assim como as curas, não podemos achar que o que Ele faz acaba por aí. É essencial termos consciência
de que nenhum dos Seus sinais representam, em si, o nosso propósito final, por mais impactantes que sejam.
Eles são apenas um indicativo dos planos extraordinários que o Pai tem para Seus filhos.

É como se os milagres fossem as placas que mostram aonde estamos indo; eles nos apontam que estamos no
caminho certo e servem como incentivo para que prossigamos firmes. Nós não vivemos para eles, e sim por meio deles.

Dessa maneira, entendemos que todos os dons que Deus dá são apenas algumas de Suas estratégias para Se
revelar a nós.

5 DONS DE REVELAÇÃO E DE PODER


E, por fim, para fixarmos os conteúdos aqui estudados, responda o que se pede:

1. Qual é a importância dos dons derramados pelo Espírito Santo?

2. Quais são as diferenças entre os dons de revelação e dos dons de poder?

3. Anote abaixo pelo menos cinco situações em que você pode notar o
Espírito Santo agindo através dos dons derramados sobre a sua vida.

4. O que você pode fazer para que o Espírito Santo continue


usando os dons que Deus deu a você? Dê exemplos.

6 DONS DE REVELAÇÃO E DE PODER


5. Como os seus dons possibilitam o agir de Deus na vida das pessoas que o(a) cercam?

DESAFIO PESSOAL: Tire pelo menos vinte minutos todos os dias por uma semana para orar especificamente sobre os
dons do Espírito. Peça para que o poder de Deus seja cada vez mais visível na sua vida e para que, por meio do Espírito
Santo, os dons sejam aperfeiçoados em você.

7 DONS DE REVELAÇÃO E DE PODER