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A DIMENSAO DO CEU

PALAVRAS DE ELOGIO
“Para os que andam perdidos por um mar de confusão após terem
ouvido falar de experiências estranhas ou milagrosas, ou terem se
envolvido pessoalmente com essas experiências, o livro de Julia Loren e
James Goll, A Dimensão do Céu, será como um farol de luz que traz
descanso ao coração e à mente de um mundo tenebroso e confuso. Aquilo
que é misterioso jamais se entregará à total compreensão. Os caminhos
de Deus são mais altos que os nossos e, em geral, são inescrutáveis.
Porém a pesquisa de Julia e James, incluindo a listagem de tipos e
significados, assim como as instruções para testes e aplicações que
apresentam, pode trazer sensibilidade, equilíbrio e a consoladora
mensagem de que eles não estão sozinhos e não são loucos, apesar de
tudo. E, caso sejam, estão em boa companhia! Sugiro que você leia e
encontre descanso nesta mensagem, pois existem propósitos bons e
santos por trás das nossas experiências, que vão além da nossa
capacidade de entendê-los.”

John Loren Sandford

Cofundador do Elijah House Ministries


“No mundo de hoje, em que tudo é válido, precisamos ter um grande
discernimento a fim de sermos capazes de distinguir o que é verdadeiro
da imitação, e o que é real do falso. Este livro o conduzirá através do
labirinto de tantas diversidades de experiências espirituais em direção
ao genuíno Espírito Santo, no qual o verdadeiro poder e o fruto
duradouro são abundantes. Recomendo a leitura deste manual
inspirador.”

Elizabeth Alves

Presidente do Ministério Increase International

Autora de Mighty Prayer Warrior


“Com um entusiasmo pela aventura associado a entendimentos bíblicos
sólidos, A Dimensão do Céu irá guiá-lo e dar a você um fundamento para
ter uma vida sobrenatural com Deus. À medida que ler as páginas deste
livro estimulante, a sua fé se elevará.”

Barbara J. Yoder

Pastora Sênior da Shekinah Christian Church

Ann Arbor, Michigan


“Deus está equipando uma geração para andar no Seu poder e
demonstrar a Sua glória. Em todo o mundo, os santos de Deus estão
ouvindo este soar da trombeta e estão famintos por entender a dimensão
do espírito a fim de poder expandir com maior eficácia o Seu Reino aqui
na Terra. James Goll e Julia Loren fizeram um trabalho surpreendente em
nos ajudar a compreender como andar na dimensão celestial sem se
tornar presa dos falsos espíritos e das filosofias da Nova Era. Este livro é
profundo! Não se trata de um livro leve com algumas histórias
sobrenaturais. Ao contrário, A Dimensão do Céu irá estimulá-lo a pensar,
a buscar experiências espirituais mais intensas e fazê-lo mover-se para
fora da sua zona de conforto. Se você está pronto para uma mudança
importante na sua caminhada espiritual com Jesus, este livro é para
você.”

Kris Vallotton

Fundador da Bethel School of Supernatural Ministry

Autor dos livros The Supernatural Ways of Royalty

Basic Training for Prophetic Ministry e

Developing a Supernatural Lifestyle



A DIMENSAO DO CEU
UM GUIA PARA SUAS EXPERIÊNCIAS
SOBRENATURAIS

James Goll e Julia Loren

1ª edição

2012

A DIMENSÃO DO CÉU
A DIMENSÃO DO CÉU
© 2012 Editora Sete Montes

Coordenação editorial:
Ap. Fernando Guillen

Tradução:
Maria Lucia Godde Cortez

Copidesque e revisão:
Ana Lacerda, João Guimarães, Edna Guimarães e Mércia Padovanni

Diagramação Ebook:
Jandir Peixoto de Paula jandirp@gmail.com

Originalmente publicado nos Estados Unidos sob o título Shifting


Shadows of Supernatural Experience, por Destiny Image Publishers, Inc.
Copyright © 2009 por James Goll e Julia Loren, todos os direitos
reservados.

Publicado no Brasil por Editora Sete Montes.


1ª edição: julho de 2012. Todos os direitos reservados.

Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, distribuída ou


transmitida sob qualquer forma ou meio, ou armazenada em base de
dados ou sistema de recuperação, sem a autorização prévia por escrito
da Editora Sete Montes.
Exceto em caso de indicação em contrário, todas as citações bíblicas
foram extraídas da Bíblia Sagrada edição de Almeida Revista e
Atualizada, Sociedade Bíblica do Brasil, © Copyright 1993.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


DEDICATÓRIA
Dedicamos este livro aos precursores e pioneiros espirituais (tanto
conhecidos quanto desconhecidos) que preparam o caminho para essa
próxima geração escolhida emergir. Na verdade, o nível máximo que eles
atingiram está realmente se tornando o fundamento dessa próxima
geração. Agradecemos ao Senhor pelo sacrifício, a dedicação e a fé
daqueles que vieram antes de nós. Dedicamos este livro a vocês.

Bênçãos lhes sejam dadas!

Julia Loren e Dr. James (Jim) W. Goll



CONTEUDO
Palavras de Elogio
Dedicatória
Prefácio
Introdução
Capítulo 1
Experimentando o Reino de Deus como uma criança
A Visão Espiritual das Crianças
Experiências Sobrenaturais Entre Grupos Inteiros de Crianças
As Ilhas Britânicas
China
Indonésia
América do Norte
Crianças Tocando Outros
Venha Como uma Criança
Notas Finais
Capítulo 2
Ei, Doutor, Estou Ficando Louca?
Esquizofrênicos, Loucos e Místicos
Pesquisa Cerebral
A Mente Criativa de Cristo
A Sua Presença — A Esfera Além da Razão
O Que Você Faz com o Que Deus lhe Mostra?
Desembrulhe o Dom para Outros
Notas
Capítulo 3
As Experiências Mais Comuns e o Seu Propósito
Vamos Lá, Pegue-me se Puder!
Dez Propósitos das Graças Proféticas Reveladoras
Os Níveis Básicos das Visões Sobrenaturais
Existe Mais, Senhor?
Capítulo 4
Os Aspectos Encantadores dos Sonhos
Sonhos: Uma Linguagem Viva de Amor
Os Sonhos de Acordo com a Sua Esfera de Influência
Medida de Governo
Categorias de Sonhos
Os Sonhos Vindos do Espírito Santo, do Eu Natural, e da Dimensão
Demoníaca
Os Sonhos Vindos do Espírito Santo
Sonhos Relativos ao Destino
Sonhos do Eu Natural
Sonhos da Dimensão Demoníaca
Simplificando os conceitos
Sonhe um Pequeno Sonho Comigo!
Notas
Capítulo 5
Missões Angelicais
Introduzindo a Presença de Deus
Direção Angelical
Os Anjos Entregam as Mensagens de Deus
Os Anjos Liberam Sonhos, Revelações e Entendimento
Os Anjos Dão a Orientação de Deus
Os Anjos Transmitem Força
Proteção Angelical
Os Anjos Dão Proteção
Os Anjos Escoltam os Santos Até o Céu
Os Anjos Trazem Libertação
Os Anjos Liberam Cura
Anjos Adorando, Vigiando, Trabalhando
Notas
Capítulo 6
Estou Morto ou Não?
Características de Uma Experiência de Quase Morte
Os Segundos Mais Importantes da Sua Vida
Vivendo O Tempo Extra Que Ganhamos
Os Túneis e os Portões do Céu
Encontrando Seres de Luz
O Propósito da Vida
Notas
Capítulo 7
Uma Jornada pelo Lado Mais Espantoso das Visões Sobrenaturais
Êxtases ou Transes
Um Olhar Mais Detalhado
Experiências Fora do Corpo
Transladação
Visitação Celestial
A Importância Dessas Experiências
Eles Não Estão Loucos, Como Você Supõe!
Notas
Capítulo 8
Quero ser Teletransportada!
A Revelação da Porta dos Fundos e a Revelação da Sala do Trono
Encontros na Sala do Trono
Anna Roundtree
Larry Randolph
John Sandford
Você Também Pode Vir
Notas
Capítulo 9
Êxtases, Vislumbres, Murmúrios e Profecias
O Perigo dos Transes Autoinduzidos
Médiuns e Praticantes de Curas Psíquicas
Discernindo as Origens da Revelação
Testando os Espíritos
Permanecendo na Luz de Cristo
Notas
Capítulo 10
No Corpo ou Fora do Corpo?
Explicações da Pesquisa Científica
Explicação Espiritual
Venha, e eu lhe Mostrarei!
Experiência Coletiva das Visões Fora do Corpo
Transladações e Bilocalização
Falsificações Demoníacas
Para Onde Você Vai Voar Daqui?
Notas
Capítulo 11
Milagres
Transcendendo a Natureza
Deem-lhes Vocês Algo para Comer
Ressuscitando os Mortos
Milagres de Cura
Além da Nossa Realidade — ou Não?
Notas
Capítulo 12
Vislumbres do Que Está por Vir
Experiências Sobrenaturais Liberadas Através do Poder da Palavra de
Deus
Experiências Sobrenaturais Liberadas Através de uma Revelação da
Glória de Deus
Tornando-se uma Experiência Espiritual Que Libera o Brilho da Sua
presença
Advertências Sobre as Manifestações Variáveis da Glória
Vislumbres do Que Está por Vir
Notas
Capítulo 13
Discernindo as Origens das Experiências Sobrenaturais
Fontes de Revelação
O Teste do Eu
O Teste da Fonte
Nove Testes Bíblicos
Quinze Aspectos da Sabedoria
Fazendo a Curva
Notas
Capítulo 14
Vendo Somente Jesus!
Das Ruínas de Zion
Carta de John G. Lake a Elder Brooks e Sua Resposta
São Duas Coisas!
Bibliografia
Para Maiores Informações
PREFÁCIO
Jesus prometeu que o vento e a chuva da adversidade cairiam sobre
todas as casas. A questão não é se eles cairão, mas quando! A maneira
como você constrói a sua casa determinará se ela vai cair ou permanecer
em pé. Jesus foi Aquele que disse que devemos tomar cuidado com a
maneira como construímos.

Nestes dias em que as experiências espirituais acontecem em grande


número e aumentam cada vez mais, é imperativo que sejamos crentes
fundamentados na Palavra de Deus e na história da Igreja, e que
estejamos ligados de uma maneira prática aos outros membros do Corpo
de Cristo. Mas não tenha medo! Você pode confiar na terceira Pessoa da
Trindade! Na verdade, o próprio Espírito Santo será o seu mestre, o seu
guia, o seu consolador, o doador dos seus dons — Ele o conduzirá à
verdadeira fonte da vida!

À medida que ler as páginas de A Dimensão do Céu, Julia Loren e eu


queremos que você seja estimulado e desafiado, que receba um
fundamento em sua vida e seja guiado. Para alguns de vocês, este livro
não irá fazer outra coisa senão estimular o seu apetite e deixá-los com
fome por muito mais. Tentamos trazer-lhe as verdades de diversas
escolas de pensamento e reuni-las aqui, mas o nosso objetivo final é
apontar-lhe o próprio Cristo Jesus e Ele, por Sua vez, irá lhe apontar o
nosso Deus e Pai.

Minha confiança e esperança é que, ao associar os esforços desta


jornalista ganhadora de prêmios, Julia Loren, aos meus anos de
experiência em meio ao rio profético, você encontre um estudo com base
bíblica repleto de experiências realmente cheias de vida que o façam se
apaixonar por Cristo Jesus ainda mais. Deixe que a Sua luz se derrame
sobre a sua vida e que a única sombra a ser vista seja a do Amigo e
Amado das nossas almas — Jesus Cristo, o Senhor.

Completamente cheio com o Seu amor,

Dr. James W. Goll

Cofundador do Ministério Encounters Network

Autor dos livros The Seer, Dream Language e The Lost Art of Intercession
INTRODUÇÃO

Como uma criança, estendemos a mão e encontramos os dedos de Deus


se fechando suavemente em volta dos nossos dedos. Nesse simples
toque, nossos corações recebem uma forte corrente do Seu amor. Ele se
revela a nós através de uma visão, de um sonho ou de um despertar
silencioso, e essa experiência se transforma para nós no dom de
conhecer Jesus Cristo, as profundezas do Seu amor pessoal e as
realidades do reino espiritual onde Ele habita — no Céu e na Terra.

Quando recebe um toque da Sua agradável presença, você descobre qual


é a sensação do amor puro. Quando se vê inexplicavelmente debaixo da
cachoeira da Sua presença, aniquilado pelo amor, você não pode fazer
nada senão sair diferente. Você fica cativado por esse amor misterioso.
Algo dentro de você desperta um anseio por conhecê-lo mais.

Como acontece com qualquer relacionamento, você tira gradualmente os


olhos das suas necessidades e começa a ver o que Ele vê e a sentir o que
Ele sente. O dom de conhecê-lo se torna, por sua vez, um presente que
você oferece a outros — uma demonstração da Sua presença em nosso
meio. Você passa a se preocupar com as coisas que estão no coração dele,
enquanto Ele lhe dá pequenas intuições sobre as pessoas, enquanto Ele
lhe mostra visões do que está por vir com relação a si mesmo, aos outros,
ou talvez até ao mundo. Ele o convida a compartilhar da Sua obra por
meio da intercessão — orando sobre as coisas que lhe mostra. Ele o
chama a estar com Ele, e quanto mais tempo você passar na Sua
presença, tanto mais experimentará as dimensões onde Ele habita. Pois
Deus anseia elevá-lo até os lugares celestiais onde Ele habita, a fim de lhe
proporcionar uma perspectiva diferente.

Você é Seu filho, por isso Deus tem prazer em lhe mostrar o Reino da sua
herança. O Seu reino sobrenatural de anjos e de entidades espirituais,
como querubins e serafins, é apenas um pequeno aspecto do céu, do qual
Ele lhe dá um vislumbre para lhe mostrar que existem muito mais coisas
além da dimensão dos seus sentidos, para lhe revelar que o céu é real e
que Ele é Senhor de tudo. O Seu poder transcende a nossa compreensão.

Muitas das experiências espirituais que encontramos nesta vida são


dadas a nós para que possamos conhecer a Jesus Cristo, experimentando
as profundidades da Sua compaixão e amor que anseia por salvar o
perdido e curar o enfermo, pois Ele sabe o quanto somos frágeis e nos
trata com delicadeza. Essa experiência se dá na forma de um encontro
com Deus que corrige as nossas imagens distorcidas e deturpadas de
Jesus e o revela em toda a Sua glória. Ela cura nossas feridas e desperta o
nosso destino. O encontro com Deus libera o dom de conhecer Jesus e
aprofunda o nosso relacionamento com Ele.

Estou convencido de que todas as experiências espirituais autênticas são


dadas a nós apenas por duas razões — para aumentar a revelação de
quem Jesus Cristo realmente é para nós, individualmente, e para nos
transferir fé. A combinação dessas duas maravilhas libera uma
demonstração da Sua presença e poder a nós e através de nós. Aqueles
que têm visões de Cristo, falam com os anjos, ficam extasiados pela
aparência estranha das criaturas celestiais, têm vislumbres do céu,
ouvem música que não vem de lugar algum ou são transportados pelo
Espírito Santo de um lugar para outro, descobrem o quanto é fácil ser
cativado pela experiência em vez de ser cativado pela Pessoa e
descobrem também o propósito inerente à experiência vivida.
Quando as examinamos à luz do amor de Deus e dos exemplos bíblicos,
concluímos que muitas experiências espirituais são dadas a alguém para
transmitir a essa pessoa a fé e o entendimento de que Deus quer que ela
libere uma demonstração do Seu poder. Uma visão ou um sonho, uma
visitação ou teletransportação, é apenas o invólucro que envolve os dons
do Espírito Santo relacionados em 1 Coríntios 12 — a palavra de
sabedoria; a palavra de conhecimento; a fé; os dons de cura; a operação
de milagres; a profecia; o discernimento de espíritos; as línguas; a
interpretação de línguas. Eles são dons que Deus quer dar a alguém, não
para si mesmo, mas a fim de que essa pessoa os entregue a uma pessoa
específica ou a um grupo de pessoas para que elas, também, possam ter
um vislumbre de Jesus e serem salvas. Infelizmente, o significado
inerente às experiências espirituais frequentemente perde-se pelo
caminho, permanecendo “à beira da estrada”, à medida que as pessoas
enfatizam o brilho da embalagem na qual elas vêm embrulhadas. É
preciso maturidade espiritual para saber o que fazer com as coisas que
Deus nos mostra. Também é necessário maturidade para discernir
quando uma experiência pode não ser de Deus.

Neste livro, vamos focar na resposta às três perguntas mais comuns


feitas pelos cristãos que encontram Deus por meio de experiências
sobrenaturais.

1. Quais são os tipos de experiências sobrenaturais comuns à


humanidade?

2. Como podemos saber se uma experiência vem do Espírito


Santo ou de outra fonte? Em outras palavras, o que é invenção
da nossa imaginação? O que vem da nossa mente e do nosso
estado psicológico ou emocional? Ou o que, talvez, pode ter
origem na dimensão demoníaca?

3. O que faço com essa experiência?

Assim, convido você a nos acompanhar em nossas jornadas, sabendo de


uma coisa: o Pai tem prazer em lhe dar o Reino. É possível que você
descubra que algumas das nossas experiências também foram vividas
por você.
CAPÍTULO 1
EXPERIMENTANDO O REINO DE DEUS COMO UMA CRIANÇA

por JULIA LOREN

Jamais me esquecerei da ocasião em que conheci Mahesh Chavda, um


evangelista de cura internacionalmente conhecido. Eu estava
participando de uma conferência que era realizada na sua igreja local, na
Carolina do Sul, como parte da pesquisa para um artigo que eu estava
escrevendo sobre o seu ministério. Em pé na beira da plataforma e
secando a testa depois de orar por dezenas de pessoas, ele inclinou a
cabeça e olhou para mim: “Venha cá e dê-me um abraço”, disse ele. Eu
realmente não estava interessada em abraçar um homem grande, suado,
de cabelos prateados vestido com terno preto de pregador tradicional
que tinha o talento profético de saber exatamente o que se passava na
vida de alguém. Aquele nem sequer parecia um momento
“especialmente” propício para um abraço, então achei o pedido estranho.
Mas obedeci.

Quando me inclinei na sua direção, de repente tropecei e caí dentro de


“Nárnia”, sentindo-me como minha sobrinha de 3 anos de idade deve se
sentir quando abraça inocentemente seu pai, reclinando a cabeça no seu
ombro, sem se importar nem um pouco com o mundo, absolutamente
segura na sua presença. Tudo que eu queria era erguer minha pequena
mão e tocar as centelhas que via no rosto de Mahesh — pequenos flocos
de pó de ouro que brilhavam em sua pele sob a luz. Senti como se eu
estivesse suavemente sendo empurrada e percebi que também estava
me sentindo um tanto... “chapada”, por falta de palavra melhor. A
presença de Deus que foi liberada por intermédio dele exerceu um
grande impacto em mim. Fiquei diante de Mahesh absolutamente
estupefata; eu estava em um estado alterado de consciência e não seria
capaz de ter uma conversa normal com ele.

Dias depois, percebi que aquele abraço foi uma das experiências
sobrenaturais mais profundas que já experimentei. Ele havia curado algo
no fundo do meu coração que tinha a ver com confiança, inocência e
assombro. A capacidade infantil de abraçar a fé que eu perdera em algum
momento ao longo do caminho para a vida adulta foi restaurada. O
abraço também me deu um vislumbre do coração de Mahesh Chavda. Foi
uma rápida visão que nenhuma entrevista prolongada poderia ter me
proporcionado. Aquele homem aprendera a amar ministrando durante
anos a crianças gravemente deficientes mental e fisicamente, segurando-
as em seus braços e pedindo a Deus para liberar o Seu amor por meio do
seu toque. E ele sabia que só o amor poderia fazer um milagre de cura
acontecer em qualquer de nossas vidas espiritualmente deficientes.
Apenas um breve encontro com Deus pode mudar tudo.

E se Jesus se aproximasse de você e dissesse: Dê-me um abraço. Você o


faria? Você pode sequer imaginar isto? Ou perdeu completamente o seu
senso de confiança, de inocência e de assombro ao longo do caminho
pedregoso até a vida adulta racional e, nesse processo, tornou-se um
adulto espiritualmente deficiente?

A série As Crônicas de Nárnia, de C.S. Lewis, levou mais adultos do que


crianças a receberem uma maior revelação da personalidade e da
natureza de Deus. A série de livros de Lewis ajudou os leitores a
entrarem “cada vez mais fundo” no Reino, experimentando dimensões do
espírito através dos olhos de quatro crianças que tropeçaram dentro de
um armário no mundo comum e caíram diretamente no mundo
maravilhoso de Nárnia.

Por meio desses livros, as profundas verdades e milagres do Reino não


foram revelados aos sábios e aos instruídos, mas às crianças (ver Mateus
11:25). Mais precisamente, à criança que existe dentro de todos nós —
por baixo das rugas e das dores, das responsabilidades financeiras e das
causas de estresse relacional — a criança que anseia pelo dia de sua
liberação em outro Reino.

Ainda assim, aqueles de nós que leem Lewis refletem sobre maneiras de
sair das suas vidas diárias e entrar na dimensão extraordinária do Reino
dos Céus. Mas como chegar lá? De acordo com Mateus 18:2-4, aquele que
se aproxima de Jesus como uma criança é o que entrará nas coisas
profundas de Deus; como uma criança cujos olhos estão abertos para ver
as dimensões do céu, cujo espírito está pronto para receber as verdades
profundas de quem Jesus é e de que realmente se trata esta vida,
deleitando-se alegremente nas visões e crescendo na fé, enquanto vê
milagres em operação no dia a dia.

E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles. E disse: Em


verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como
crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que
se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus. Mateus
18:2-4

As crianças recebem instrução sem discutir os resultados, seguram a sua


mão quando atravessam a rua, pulam no seu colo apenas para lhe fazer
carinho e falam tão livremente sobre o que veem e ouvem que
conseguem vencer as defesas dos adultos. Elas entram facilmente no
Reino de Deus porque seus corações jovens estão totalmente abertos
para novas experiências. Todo dia é cheio de novas aventuras. Cada
aventura desperta um anseio por ver, ouvir e tocar mais, e perguntar
“Por quê?” mil vezes, à medida que tentam processar seu assombro e
maravilha diante dos mistérios da vida que estão se desenrolando diante
delas.

As crianças não procuram entender apenas o mundo natural; elas estão


espiritualmente vivas, também. Uma olha para o céu e se pergunta quem
fez as estrelas. Da boca das criancinhas salta uma sabedoria inesperada
que paralisa os adultos com alguma verdade que elas não poderiam
saber de modo algum. Elas são os “profetas da porta dos fundos” que
entram pela porta dos fundos, por trás das defesas dos adultos, e os
surpreendem com palavras reveladoras e proféticas.

Algumas conversam com anjos; elas pulam em suas camas enquanto


conversam com Jesus; elas recebem a “palavra de conhecimento” exata
que destranca o coração de um adulto, abrindo-o para receber a Cristo;
elas se aventuram como grupo e entram nas dimensões do céu; e após
terem sido tão poderosamente tocadas pela presença de Deus, o seu
toque transmite o poder de Deus para outros. Deus sempre deu início a
essas experiências e Ele sempre teve um propósito em mente antes de
liberar experiências espirituais para as crianças.

As ler suas histórias, deixe que a inocência delas sensibilize o seu coração
e desperte um anseio por experimentar o Reino de Deus tão facilmente
quanto elas — simplesmente recebendo e desfrutando dos encontros
com Jesus, com os anjos, com os sonhos e visões. Deixe que a pureza das
experiências das crianças e o conhecimento experimental delas das
profundas verdades do evangelho o conduzam à maravilha do Reino de
Deus e dos caminhos de Deus.
A VISÃO ESPIRITUAL DAS CRIANÇAS

Ao refletir sobre seus anos de infância, muitas pessoas se lembram de


algum tipo de despertar espiritual, um encontro que acendeu uma chama
em seu coração de amor por Deus, seja por meio do abraço de um
professor de escola dominical ou de uma visão que elas há muito
deixaram de lado por considerarem o produto da imaginação
desenfreada de uma criança. Entretanto, porém, algumas crianças estão
tendo encontros e visitações que são tão reais que ninguém pode negar
que a mão invisível de Deus está em operação em suas vidas.

As Escrituras estabelecem um precedente para o encontro das crianças


com Deus. Samuel, um garotinho judeu que foi criado entre os
sacerdotes, mas ainda não conhecia o Senhor pessoalmente, ouviu uma
voz chamando o seu nome no meio da noite (ver 1 Samuel 3). A voz
entregou uma mensagem que Samuel devia transmitir ao sumo
sacerdote. Ela também estabeleceu o dom de profecia na vida do menino.
Jesus, em algum momento antes dos 12 anos, teve um encontro profundo
que o fez entender que Ele precisava cuidar dos negócios de Seu Pai —
não como carpinteiro, mas como o Filho de Deus (ver Lucas 2:41-50).
Embora não saibamos como Jesus recebeu esta revelação — através de
um sonho, de uma visão ou talvez de um mensageiro angelical —
sabemos que algo notável aconteceu dentro dele nos anos entre o Seu
nascimento e a Sua visita a Jerusalém, aos 12 anos.

Desde então, muitas crianças ao longo da História, algumas cuja história


indica um passado cristão e outras de famílias agnósticas que não lhes
deram nenhum treinamento religioso, receberam visões de Jesus ou
encontraram Deus de alguma maneira e receberam dons e chamados
extraordinários. Suas experiências fizeram com que elas entendessem
que nasceram com um propósito, que Deus sabe os seus nomes e que Ele
pode se manifestar em meio a experiências de vida dolorosas para se
revelar como Aquele que cura, Aquele que provê, e como o maior amor
que alguém pode conhecer.

Joana d’Arc, uma menina camponesa francesa que viveu nos idos de
1440, teve a sua primeira visão aos 14 anos!1 Ela relatou que o arcanjo
Miguel lhe apareceu com duas mulheres que eram conhecidas na fé
católica como santas. As mensagens daqueles seres alimentaram o desejo
de Joana de ajudar a salvar o Reino da França durante um momento de
dificuldade da História e liberaram uma fé que motivou o exército à
vitória. Ela foi amplamente reconhecida e aclamada como uma heroína
nacional que salvou uma nação ao tornar-se uma estrategista militar a
serviço do rei Charles VII. Mas aqueles que ascenderam ao poder por
intermédio da sua intervenção divinamente inspirada, queimaram-na em
uma estaca quando ela estava com apenas 19 anos de idade, a fim de
consolidarem sua posição.

Mais recentemente, Akiane Kramarik, jovem prodígio de Sandpoint,


Idaho, recebeu o seu chamado como artista de obras de arte ao receber
sua primeira visão de Jesus aos 4 anos de idade!2 Agora, perto dos anos
da adolescência, ela tem recebido fama e crítica mundial por seu talento.
Certa manhã, Akiane foi encontrada olhando pela janela em direção ao
céu, com o rosto brilhando e os olhos reluzentes. Quando lhe
perguntaram o que estava fazendo, ela respondeu simplesmente: “Eu
estava com Deus novamente, e Ele me disse para orar continuamente.
Deus me mostrou onde Ele mora. Eu estava subindo por escadas
transparentes; por baixo, vi cachoeiras que jorravam e, à medida que eu
me aproximava dele, vi que o Seu corpo era feito de pura e intensa luz. O
que me impressionou mais foram as Suas mãos — elas eram gigantescas!
Não vi ossos ou veias, nem pele ou sangue, mas mapas e eventos. Então
Ele me disse para memorizar milhares e milhares de palavras de
sabedoria em um pergaminho que não parecia de papel, mas se
assemelhava mais a uma intensa luz. E em alguns segundos eu fui cheia,
de alguma maneira. De agora em diante, vou me levantar cedo para
pintar. Espero que um dia eu possa pintar o que me foi mostrado.” Hoje
ela se levanta às cinco horas da manhã durante cinco ou seis dias por
semana para se preparar para pintar em seu estúdio e escrever,
trabalhando durante cerca de três horas por dia.

Crianças desconhecidas também estão experimentando ou


experimentaram visões progressivas de Jesus e das dimensões do céu —
algumas durante tempos difíceis de suas vidas ou das vidas de suas
famílias. Uma mãe em Louisiana confidenciou a uma colega de trabalho
cristã (uma amiga minha que mais tarde me contou a história) que seu
filho de 8 anos de idade parecia estar tendo experiências espirituais,
afirmando ver anjos e até Jesus. Ela entrou no quarto dele um dia e o viu
saltando sobre sua cama e falando animadamente com algum convidado
invisível. Rindo, ele disse à sua mãe: “Estou falando com Jesus.” Sua mãe,
atônita então, o ouviu dizer que ela iria ter outro filho em breve. Algumas
semanas depois, ela descobriu que realmente estava grávida. O fato de o
filho ter essa experiência e ter lhe contado sobre o bebê, ajudou a mãe a
lidar com alguns elementos estressantes em sua vida. Nenhum dos pais é
cristão, no entanto, eles estão aceitando os encontros inusitados e
progressivos de seu filho com a dimensão de Deus e o seu novo dom de
prever o futuro.
Por meio de relatos compartilhados nas “rodovias” de informações da
internet e por intermédio de muitas conferências carismáticas, as
pessoas estão falando sobre um número crescente de encontros de
crianças com Deus — crianças que são levadas ao céu, que brincam e
conversam com anjos ou que veem anjos no seu quarto à noite. Lucas
Sherraden, pastor de uma igreja no Texas, reconta essas histórias a
respeito de crianças em sua igreja que parecem abertas para ver o
mundo sobrenatural que nos cerca. As histórias relatadas sobre o que as
crianças estão vendo e experimentando nas comunidades por todo o
mundo compartilham um tema comum. Observe sua ocorrência nos
relatos a seguir:

Em um culto de sexta-feira à noite em nossa igreja, esta criança estava com


sua mãe na classe da pré-escola quando começou a dizer: “Mamãe, vamos
olhar os anjos!” Ele arrastou sua mãe para o auditório e começou a
apontar: “Ali está um! Ali está um!”
Sua mãe respondeu com sabedoria: “A mamãe não pode vê-los, mas isso não
significa que eles não estão ali. Mostre-me todos os anjos.” O menino
começou a apontar para todos os anjos “verde-azulados” por todo o
auditório. Então ele puxou sua mãe pela mão e começou a apontar para eles
no estacionamento também.
Ouvi dizer que verde-azulado ou turquesa é a cor da intercessão, e o fato é
que no culto que estava acontecendo naquela noite havia uma forte unção de
intercessão.
Outra criança na nossa congregação me procurou no dia seguinte e me disse
que quando eu estava na plataforma, ela viu faíscas me cercando por toda
parte. Essa criança tinha 8 anos de idade, creio que Deus estava abrindo os
olhos dela para ver a dimensão sobrenatural.3
EXPERIÊNCIAS SOBRENATURAIS ENTRE GRUPOS INTEIROS DE
CRIANÇAS

Deus visitou não apenas indivíduos, mas grupos inteiros de crianças ao


longo da História. Durante esses avivamentos históricos, as crianças
sempre tiveram uma maior percepção da presença de Deus, entendendo
os Seus caminhos e o Seu amor. Às vezes, as crianças até mesmo levaram
adultos ao avivamento ou a se tornaram líderes ao se levantarem para
conduzir a uma reforma em vários segmentos da sociedade em
consequência de um encontro com Deus.

AS ILHAS BRITÂNICAS

John Wesley e Jonathan Edwards, dois grandes reformistas e pregadores


dos anos de 1700, escreveram regularmente sobre coisas notáveis que
observaram nas crianças em suas reuniões; crianças caindo em transe,
tendo visões do céu e do inferno e entrando em uma intercessão mais
profunda pelos perdidos com choro e dores de parto. Algumas eram
muito jovens, entre 3 e 4 anos de idade, mas choravam diante do Senhor
ou se alegravam diante dele durante horas e dias, literalmente. Ambos os
líderes observaram que as crianças tinham experiências muito mais
profundas e uma comunhão mais constante com Deus do que a maioria
dos adultos que encontravam.

David Walters escreve sobre os avivamentos históricos dos anos de


1700, uma época em que a infância terminava cedo, pelo fato de que as
crianças muitas vezes morriam ainda na infância ou eram enviadas para
trabalhar como adultos desde muito novos. Ele revela a fé das crianças
menores nesta citação dos diários de John Wesley:
27 de janeiro de 1771
Enterrei os restos mortais de Joan Turner, que passou todas as suas últimas
horas de vida se regozijando e louvando a Deus, e morreu cheia de fé e do
Espírito Santo, aos três anos e meio.4

As crianças e os adolescentes sentiram igualmente o impacto dos


ensinamentos de John Wesley:

6 de agosto de 1759 — Everton


Alice Miller, de 15 anos de idade, havia entrado em um transe. Fui
imediatamente para onde ela estava e encontrei-a sentada em um banco,
encostada em uma parede com os olhos abertos e fixos para o alto... Seu
rosto indicava um misto inconfundível de reverência e amor, enquanto
lágrimas silenciosas corriam por sua face... Perguntei: “Onde você esteve?”
“Estive com o meu Salvador. No céu ou na terra, não sei dizer; mas eu
estava na glória!”

“Por que, então, você chorou?”


“Não chorei por mim mesma, mas pelo mundo; pois eu vi que eles estavam
no limiar do inferno.”5

De acordo com Wesley, as experiências das crianças que encontraram


Deus durante a sua pregação tiveram reflexos nos adultos das regiões e
acenderam avivamentos.
8 de junho de 1784 — Stockton-on-Tees
Não é esta uma coisa nova na Terra? Deus começa a Sua obra nas crianças.
O mesmo aconteceu em Cornwall, Manchester, e Epworth. Assim a chama se
espalha para os mais maduros; até que após um longo tempo todos eles o
conhecem e o louvam, do menor ao maior.6

CHINA

Nos anos de 1920, 1940 crianças órfãs sob os cuidados de um casal


cristão missionário na China experimentaram um grande derramamento
do Espírito Santo. O livro de H.A. Baker, Visions Beyond the Veil (Visões
Além do Véu) relata a história desses órfãos chineses na sua missão, a
missão Adullam Rescue Mission para meninos dos 6 aos 18 anos de
idade. Alguns dos meninos tiveram uma vida dura como meninos de rua,
fazendo qualquer coisa que pudessem para sobreviver. À medida que
essas crianças caíam ao chão sob o poder de Deus, elas entravam em uma
consciência das profundidades do seu pecado e clamavam para serem
salvas. Enquanto estavam no Espírito, elas encontravam Jesus e sentiam
o Seu amor tomando-as por completo. Elas viam tão claramente as
dimensões do céu que ele era tão real para elas quanto a nossa realidade.
Elas viam anjos e falavam com eles; elas brincavam nas praças do
paraíso; colhiam frutos das árvores do céu e tentavam trazê-los de volta
para a Terra para o Sr. Baker e sua esposa. Para a surpresa delas, quando
saíam de sua experiência visionária e procuravam os frutos em seus
bolsos, eles não estavam ali. Algumas coisas no céu aparentemente não
podem se materializar na Terra antes do tempo.

As crianças entravam em estados incomuns como transes. Em princípio,


elas ficavam completamente alheias ao que as cercava e eram cativadas
pelo que estavam vendo no espírito. Mais tarde, os meninos, às vezes,
tinham visões do céu, enquanto andavam e falavam na Terra,
descrevendo uns para os outros o que viam e ouviam. Ao longo deste
período de visitações do Espírito Santo, revelações impressionantes das
verdades de Cristo, da Sua salvação e do futuro na Terra e no céu eram
oferecidas a crianças que tinham pouco conhecimento da Bíblia.

As visões em geral eram dadas a várias pessoas ao mesmo tempo e


praticamente todas elas eram vistas por um grande número de pessoas.
Até alguns dos meninos muito novos, com 6 anos de idade, as recebiam.
Eles tinham essas visões enquanto estavam sob o poder do Espírito
Santo, mas não parecia um sonho, era muito real. Em muitos casos,
depois, as crianças vinham perguntar se a Bíblia tinha algo a dizer sobre
certos aspectos do que elas haviam visto nas visões.7

Elas tinham visões da crucificação de Cristo e da Sua ressurreição, das


ocasiões que Ele apareceu antes da ascensão e relatos detalhados do céu
e do inferno entre outras verdades bíblicas. Era simplesmente tão
comum para elas ver demônios e expulsá-los no poder do Espírito Santo
como era falar com os anjos. O resultado final foi uma evangelização dos
perdidos na sua cidade de grandes proporções, pois os meninos se
sentiam compelidos pelo amor a alcançarem as outras pessoas.

Por que Deus levaria crianças a terem visões do céu e do inferno?


Principalmente do inferno, onde elas podiam ver demônios? O fato é que
as crianças de outras culturas, principalmente os órfãos de rua, não
desconhecem o mal. Elas não apenas podiam compreender as visões e o
conceito de justiça, como necessitavam de algumas experiências
visionárias fortes para ajudá-las a sobreviver aos anos que viriam e a
cumprirem seus chamados durante um momento crucial da história do
cristianismo na China.

O neto de H. A. Baker, missionário Roland Baker, conheceu alguns desses


órfãos sobreviventes, hoje homens idosos, e acredita que o
derramamento da Presença de Deus e as revelações de Jesus prepararam
os meninos para se tornarem os primeiros líderes e mártires da igreja
subterrânea que se desenvolveu sob o regime maoísta. Eles mantiveram
o cristianismo vivo na China, mesmo tendo de enfrentar uma intensa
perseguição e, por vezes, até a morte.

INDONÉSIA

O livro de Mel Tari, Like a Mighty Wind (Como um Vento Tempestuoso)


retrata o avivamento que ocorreu na Indonésia durante os anos de 1960
com relatos notáveis de crianças com idade entre 6 a 10 anos que se
reuniam diariamente para reuniões de oração, às vezes chorando pelo
mundo inteiro. Elas costumavam impor as mãos sobre as pessoas e orar
por elas, e viram muitas curas acontecerem. Elas recebiam palavras de
conhecimento sobre os segredos das vidas dos adultos. O céu foi rasgado
naquele pequeno pedaço da Terra e muitos se viram andando e falando
com anjos enquanto estavam a caminho de outros vilarejos, a fim de
ministrar ali.

Por volta das 14 horas de um sábado, uma equipe de crianças começou a


andar em direção ao vilarejo próximo. Próximo podia significar qualquer
coisa entre 8 e 24 quilômetros através da selva. Isto acontecia
semanalmente. E nenhum adulto ia com elas. Certa vez, perguntei se elas
não tinham medo.
“Por que deveríamos ter medo, irmão Mel?” elas perguntaram. “Há
sempre um anjo que vai à nossa frente e um do nosso lado direito, mais
um do nosso lado esquerdo e um atrás. Apenas seguimos pelas trilhas, e
eles nos mantêm em segurança.”8

Enquanto os adultos observavam o derramamento do Espírito de Deus


sobre as crianças, algumas vezes eles mesmos eram levados a ter
encontros mais profundos no Reino de Deus — quando ousavam se
humilhar como crianças e nele entrar. Outros adultos zombavam e
perseguiam as crianças.

Depois de um dia especialmente difícil para as crianças, o Senhor disse a


elas enquanto estavam orando: “Vou fazer uma surpresa para vocês
hoje.”

“Qual é?”, elas perguntaram.

“Se vocês cantarem lindamente, vou tocar as suas vozes para vocês
ouvirem exatamente o som delas.”

Ora, é claro que as crianças não tinham um gravador... Então elas


começaram a cantar. E elas cantaram lindamente, como se cantassem
para o Senhor. Quando elas terminaram, o Senhor disse: “Agora, se vocês
ficarem quietas, vou tocar para vocês as suas vozes.” Então todas elas
ficaram em silêncio e, de repente, a música encheu o ar.

“Ei, aquela é a minha voz”, disse uma. Depois, outra exclamou, e mais
outra, enquanto elas identificavam suas vozes.9

AMÉRICA DO NORTE
Nos últimos anos, o Espírito Santo inflamou o coração das crianças e dos
adolescentes em pequenos grupos por todos os Estados Unidos e o
Canadá. A paixão deles, por sua vez, acendeu uma fé como a de uma
criança para mover montanhas e liberar a influência de Deus nas suas
esferas de influência.

Entre os anos de 1988 e 1989, um mover de Deus prolongado veio sobre


a turma da sexta série na Escola Cristã Dominion, em Grandview,
Missouri, e se espalhou para muitos dos outros alunos. Assim como a
visitação dos anos de 1920 sobre os órfãos chineses, as crianças
experimentaram a atividade dos anjos, o encontro de uns com os outros
nos céus, visões, experiências extracorpóreas e percepções novas do
amor de Jesus e das dimensões do céu.

A escola por acaso era afiliada de uma grande igreja chamada Kansas
City Fellowship, uma igreja que não apenas acreditava que tais coisas
podiam acontecer, como também era bastante receptiva às experiências
sobrenaturais. Durante aquele período, fui até Kansas City como parte da
equipe ministerial que estava acompanhando John Wimber, antigo
pastor da Anaheim Vineyard Christian Fellowship. Tivemos um tempo de
ministração especial na escola para as crianças e vimos quando o poder
de Deus envolveu muitas das crianças, estirando-as no chão e liberando
visões de Jesus e do céu para elas.

Mais tarde, naquela noite, algumas crianças foram à casa onde eu estava
hospedado, e perguntei a elas o que elas haviam visto e sentido. Uma
menina de 3 anos de idade disse:

— Eu vi anjos como nos filmes. E depois adormeci.

— Como eram eles? — perguntei.


— Assim — respondeu ela. Segurando seus pequeninos dedos diante
dela, ela os sacudiu e abriu bem os braços, erguendo-os para cima como
se asas de anjos tremeluzentes estivessem levantando voo diante de
mim.

Ajoelhei-me, descendo até o nível dos seus olhos, e perguntei:

— E como você se sentiu?

Ela inclinou a cabeça como se estivesse contrariada com perguntas que


não tinha vocabulário para responder, pensou por um instante, e depois
estendeu a mão até tocar a minha testa.

— Assim — disse ela, e a presença de Deus mais maravilhosamente doce


e delicadamente amorosa fluiu, percorrendo da minha cabeça até todo o
meu corpo, fazendo que eu me sentisse leve como uma pluma que podia
flutuar até o chão sem sentir nada com o impacto. Era o tipo de
sentimento que eu imaginava Jesus dando a crianças pequenas para
trazer a elas a revelação do quanto amoroso e gentil Ele realmente é para
com todos. E, por falar nisso, o toque daquela criança transmitiu-me o
mesmo sentimento que tive anos depois quando abracei Mahesh Chavda
e tropecei caindo em “Nárnia”, enquanto meu coração se abria para
experimentar o Reino de Deus como uma criança.

CRIANÇAS TOCANDO OUTROS

À medida que as crianças experimentavam um toque de Deus, visões que


curavam seus corações ou encontros com anjos e com o céu, elas também
receberam um aumento do tipo de fé como a de criança para alcançar
outros, expressando o amor e o poder de Jesus Cristo para curar os
perdidos e os que sofrem.

Os pastores de jovens de igrejas locais e os ministros itinerantes como


Jennifer Toledo, do Global Children’s Movement, dão testemunhos
impressionantes sobre ocasiões em que viram as crianças perdidas,
vítimas de abuso, quebrantadas e famintas de outros países serem
libertadas para realizarem transformações dentro das suas próprias
comunidades e países. Leia este relato de acordo com o site deles:10

A Escritura nos ensina que você precisa nascer de novo e que precisa se
tornar como uma criança pequena se quiser entrar no reino. As crianças são
humildes o bastante para receberem o reino e, portanto, são poderosas o
suficiente para transformar suas sociedades. Equipes das nossas crianças
estão sendo treinadas para pregar, adorar, interceder, ministrar aos
enfermos e oprimidos, e profetizar. Elas andam em tamanha pureza e
simplicidade que muitas vezes o que pode levar horas para um adulto fazer,
as crianças fazem em apenas alguns minutos.
Richard é um garotinho de 9 anos de idade da tribo Turkana, no norte do
Quênia, que encontrou o seu caminho e deixou as ruas para viver em um lar
de missionários. À medida que Richard e as outras crianças foram se
tornando mais confiantes em quem eles eram em Cristo, decidimos levá-los
até o hospital para deixar que eles colocassem em prática o que haviam
aprendido. Na primeira vez que levamos as crianças ao hospital, Richard era
uma entre doze crianças que foram escolhidas para ir. Como líder do grupo,
decidi que eu não iria liderá-las na ministração, mas deixaria que as
crianças ouvissem a voz de Deus e assumissem a liderança. Logo que
entramos no primeiro setor, as crianças ficaram um pouco impactadas com o
que viram. Havia cerca de 100 pessoas espremidas em uma pequena sala
com instalações precárias. A maioria dos pacientes estava gravemente
doente e morrendo. Todos na sala se voltaram e olharam para as crianças
quando elas entraram. As crianças olharam para mim nervosamente,
inseguras com relação ao que deviam fazer. Ajoelhei-me, disse a elas que
não tivessem medo e que perguntassem a Jesus o que deviam fazer.
Depois de alguns minutos, o pequeno Richard sacudiu meu braço e
sussurrou ao meu ouvido: “Acho que devo cantar uma canção.” Sorri para
ele, e coloquei-o na frente das outras crianças. Ele olhou em volta da sala, e
todos estavam em silêncio olhando para ele. Ele fechou os olhos, voltou o
coração para Jesus e começou a cantar o hino: “Tudo Entregarei.”
Enquanto adorava, ele levantou as mãos para o céu e lágrimas começaram a
descer pelo seu rosto. Era a adoração mais pura, mais linda que eu já havia
ouvido. Quando ele começou a adorar, a presença de Deus veio e encheu a
sala da maneira mais impressionante. Por toda a sala, as pessoas
começaram a chorar sob a convicção do Espírito Santo. Quando ele
terminou de cantar, a presença de Deus era tão forte na sala que não foi
necessário fazer outra ministração. Cada pessoa na sala estava clamando
por salvação e queria conhecer este Jesus que Richard estava cantando. Por
causa da sua obediência simples e da sua adoração pura, vidas estão sendo
transformadas. Richard passou a ser uma parte importante da transformação
da comunidade.

VENHA COMO UMA CRIANÇA

As crianças são seres curiosos. Se não fossem, eu me preocuparia com


elas, quando se sentam sozinhas em um canto e não entram na
companhia de outros e experimentam coisas novas diariamente. Se um
adulto perde a sua curiosidade espiritual, sai para o seu próprio canto,
retira-se e se isola de qualquer coisa nova, e deixa de experimentar a
novidade de cada dia, eu diria que ele estacionou espiritualmente e que
talvez até tenha morrido.

O coração de uma criança está aberto à revelação fresca, a uma nova


compreensão e a experiências ampliadas; ela está aberta para abraçar
tudo que a vida tem a oferecer a cada dia.
Quando você perde esse coração de humildade e empolgação de uma
criança e se torna um especialista nas coisas de Deus e da vida, você
estaciona no seu desenvolvimento e para de crescer. Quanto mais
maduro você for, tanto mais deve ser como uma criança para receber as
coisas do Reino de Deus. Quando você passa da dependência progressiva
nele para uma atitude que diz que daquele ponto em diante você pode
lidar com as coisas, sabe tudo que é preciso saber e pode fazer as coisas
sozinho, pois agora já “está crescido”, você perde a maravilhosa
inocência e dependência de estar com Ele.

Quem está pronto para a próxima revelação de Deus? A criança. A


criança que permanece faminta e empolgada por descobrir coisas novas;
a criança que sabe que tudo de bom vem do Pai.

Receber o Reino de Deus como uma criança implica em confiar — confiar


que o Pai não lhe dará uma imitação do Espírito Santo, uma pedra em vez
de um pedaço de pão ou uma visão falsa que se destina a trazer confusão,
uma experiência que faça você se sentir corrompido em vez de se sentir
empolgado por estar na presença dele, confiante de que o seu Pai
amoroso está realmente falando a partir do vasto universo em direção ao
seu pequenino ser. Veremos a seguir algumas diretrizes para ajudar você
a discernir o que é de Deus e o que não é, e o que fazer com aquilo que o
Pai lhe mostrar.

Até que ponto você está disposto a deixar que sua própria curiosidade o
leve? Posicione-se para receber mais de Deus, aprenda mais sobre a
presença e o poder do Seu reino. Venha como uma criança. E saiba disto
— o Pai tem prazer em lhe dar o Reino (ver Lucas 12:32). Explore-o
tanto quanto o seu coração desejar. E depois passe adiante.
NOTAS FINAIS

1. http://en.wikipedia.org/wiki/Joan_of_Arc#Childhood.

2. A vida da jovem artista foi bem documentada em artigos


jornalísticos e na televisão.

3. Com base em uma entrevista com Lucas Sherraden, pastor da


Abiding Life Christian Fellowship em Stafford, TX; Website:
www.alcf.cc.

4. David Walters, Children Aflame (Macon, GA: Good News


Fellowship Ministries, 1995), 24. Website:
www.goodnews.netministries.org.

5. Walters, Children Aflame, 15-16.

6. Walters, Children Aflame, 31.

7. H.A. Baker, Visions Beyond the Veil (Kent, England: Sovereign


World, 2000), 29.

8. Mel Tari, Like a Mighty Wind (Green Forest, AK: New Leaf Press,
1978), 52; Permissions: newleafpress.net.

9. Tari, Mel. Like a Mighty Wind, 54.

10. http://globalchildrensmovement.com/.
CAPÍTULO 2
EI, DOUTOR, ESTOU FICANDO LOUCA?

por JULIA LOREN

Em meados dos anos de 1980, Deus se mudou para o meu pequeno


apartamento de praia, colocou os pés na mesa do café, e se estabeleceu
ali por vários meses como um hóspede deliciosamente inesperado. Senti
a Sua presença habitando comigo, embora eu não o visse. Sua presença
manifesta proporcionava um encontro de tamanha intimidade que eu
não consegui falar a respeito disso durante anos. Era algo pessoal
demais. Precioso demais. Começou de repente, com uma cachoeira do
amor de Deus despedaçando o meu coração; isso aconteceu em um dia
em que eu menos merecia Sua aproximação, um dia em que eu não podia
me importar menos com Deus. Na verdade, eu havia passado a
considerá-lo um tanto monótono! Mas Ele decidiu mostrar que se
importava muito comigo. Então, Ele apareceu com poder, impactou-me
com o Seu amor e se mudou para a minha casa a fim de falar comigo,
curar-me, ensinar-me e liberar revelações precisas sobre outras pessoas
por meio de sonhos e visões que me dava.
Depois de algum tempo, comecei a pensar que aquela sensação de Deus
estar habitando comigo não era normal. As pessoas simplesmente não
andam por aí se sentindo ligeiramente eufóricas, a não ser que sejam
loucas. Ou andam? Não ouvem vozes nem veem seres espirituais a não
ser que sejam esquizofrênicas. As pessoas simplesmente não vivem com
a sensação de que Deus está bem presente dentro delas e ao seu redor,
com uma sensação avassaladora do Seu amor, da Sua paz e da Sua
segurança, a não ser que estejam iludidas. Afinal, a vida é difícil e
preocupante. Precisamos estar sintonizados com a realidade para lidar
com os desafios da vida, e não nos refugiarmos em fantasias espirituais.
Mesmo não sendo ainda uma conselheira profissional naquela época, até
eu sabia que as pessoas loucas tendem a ter uma fixação por sexo ou por
religião. A religião, especificamente estar com Jesus, parecia o foco
primordial da minha mente.
Mas eu era capaz de me concentrar no meu trabalho também, e até
ganhei mais dinheiro em poucos meses do que ganhara com meu negócio
em todo o ano anterior. Eu podia me levantar da presença de Deus, sair e
ter uma conversa normal com o caixa da mercearia. Os únicos
comentários que ouvia das pessoas que pareciam discernir que eu não
estava no meu estado mental normal não eram tão maus. Uma pessoa me
disse que eu parecia brilhar. Outra afirmou que eu parecia estar tão em
paz, e logo perguntou que tipo de guru eu seguia. Durante algum tempo,
pessoas totalmente estranhas me procuravam com ousadia na igreja e
me perguntavam se eu tinha uma palavra profética para elas, apesar do
fato de que a única vez que falei em voz alta na igreja foi durante uma
reunião de oração semanal. Aparentemente, as pessoas notavam algo
diferente em mim.
Depois de algum tempo, comecei a me perguntar o quanto aquele
período duraria e comecei a sentir-me um pouco estranha com a atenção
que passara a atrair. Eu estava louca, ou aquilo tudo era Deus?
Enquanto me perguntava se estava louca ou não, descobri os escritos de
certos místicos católicos que falavam sobre visitações de Jesus, visões e
sonhos. Eles salvaram a minha vida, pois à medida que os lia passei a
entender que outros encontraram Deus de maneiras semelhantes no
passado. Também durante aquele período, um pastor chamado Mike
Bickle, de uma igreja que na época se chamava Kansas City Fellowship,
trouxe alguns ensinamentos e discernimentos adicionais à minha igreja
local (que na ocasião era a Anaheim Vineyard Christian Fellowship, na
Califórnia) sobre pessoas comuns que estavam tendo sonhos, visões e
visitações do Espírito Santo, assim como de anjos, e percebi que eu, na
verdade, era normal.
Apesar do fato de as experiências espirituais terem sido comuns para
mim logo depois que recebi o Senhor e o batismo no Espírito Santo, eu
sempre me perguntava se as dimensões sobrenaturais de Deus deviam
ser lugares naturais para serem experimentados por todos os cristãos. O
Reino sobrenatural de Deus devia ser uma residência sobrenatural para
todos os crentes? Dei um enorme suspiro de alívio quando entendi, por
meio dos testemunhos de outros e pelos antecedentes bíblicos, que a
minha experiência tinha sido, na verdade, iniciada pelo próprio Deus,
que eu não estava só, e que a dimensão sobrenatural deveria ser sempre
tão natural para nós quanto esta residência temporária a que chamamos
Terra, a terra da razão.
Contudo, à medida que analisava as minhas experiências, a presença de
Deus foi gradualmente sendo retirada. Aquele período se aproximava do
fim. Nesse meio-tempo, eu havia sido tocada para sempre por Deus e
despertada para a dimensão das experiências sobrenaturais, enquanto o
Céu tocava o meu pequeno pedacinho de Terra; e entendi que eu podia
habitar com Ele pela fé na terra que está além da razão.
Aquele período revelador criou uma enorme crise em minha vida. Eu não
podia evitar continuar a ser curiosa sobre as minhas experiências.
Também não podia evitar me perguntar por que o poder de Deus parecia
tão fraco na Igreja. Minha igreja e meu pastor, John Wimber, eram
famosos pelos sinais, maravilhas e demonstrações do poder e da
presença de Deus. Eu vira muitos milagres e curas. Havia orado por
muitas pessoas com resultados impressionantes. Entretanto, eu tinha
visto pouca mudança duradoura nas pessoas, que possuíam cicatrizes
espirituais profundas e estavam espiritualmente aleijadas. Eu também
estava perplexa com as experiências sobrenaturais constantes e com
uma série de encontros reveladores que eu tivera em um período tão
curto. Então, decidi que um pouco de estudo formal em uma instituição
seria uma boa ideia. Assim, matriculei-me em um programa de Mestrado
em psicologia do aconselhamento em uma universidade cristã, apenas
para resolver algumas questões que atormentavam minha mente.
Depois de milhares de dólares e de vários anos de estudo intenso,
cheguei à conclusão de que não, não somos loucos se estamos tendo
experiências com Deus em sonhos, visões e encontros sobrenaturais
reveladores. Todos têm a mesma capacidade de receber a cura, os
milagres e as revelações de Deus. Se estivermos em contato com Deus ou
se Deus nos tocar de alguma maneira sobrenatural, ainda somos
normais. Na verdade, aquelas que estão mais em contato com Jesus
devem ser as pessoas mais saudáveis do planeta, tanto mental quanto
espiritualmente. Porém, ainda nos perguntamos sobre algumas dessas
pessoas...

ESQUIZOFRÊNICOS, LOUCOS E MÍSTICOS

Nos anos de 1990, igrejas em todo o mundo começaram a encontrar a


presença de Deus e a experimentar uma série de manifestações,
enquanto a presença de um grandioso Deus se encontrava com os seus
pequeninos corpos. As pessoas tremiam como bonecas de pano, caíam ao
chão em transe, tinham visões de Cristo que liberavam uma grande cura
emocional e espiritual para elas, dançavam, giravam e ficavam
prostradas sobre seus rostos. O resultado foi que muitos crentes
começaram a sair às ruas de suas comunidades com uma revelação e
unção crescentes para curar. Depois de algum tempo, a vida comum
começou a intervir nesse processo e as controvérsias se tornaram
abundantes, fazendo definhar a paixão de muitos daqueles que foram
tocados pela presença de Deus durante aquele período.
Tudo aquilo era Deus? Ou as manifestações físicas da presença de Deus
que faziam as pessoas agir de maneiras extravagantes eram meramente
reflexos da alma delas, do estado de seu coração e de sua mente, ou a
evidência de uma doença mental em erupção? Na verdade, eram todas
estas coisas: Deus ministrando profundamente às pessoas, o estado de
seus corações e mentes se manifestando de maneiras bizarras enquanto
a alma se chocava com o espírito e, em alguns, a manifestação da doença
mental sobrepondo-se a tudo isso — em primeiro lugar.
Nessa época, eu estava envolvida com a implantação de uma igreja no
interior da cidade de Seattle. A renovação acendeu o fogo em um grupo
de pessoas e eu vi seus corações arderem. Duas psicólogas amigas
minhas abraçaram e entraram de cabeça nessa fase. Era o primeiro
mover de Deus que elas experimentavam, e foi maravilhosamente
libertador para elas colocar a psicologia de lado e adentrar na presença
de Deus. Eu havia acabado de me formar na universidade e era mais
reservada, mais inclinada a observar e a ministrar a outros do que a
participar pessoalmente. Por ter tido experiências com outros moveres
de Deus, esperei para ver o quanto aquele era diferente e só de vez em
quando molhava um dedo no rio do Espírito Santo, que inundava o nosso
meio. Por fim elas lideraram um grupo de jovens adultos durante aquele
período.
Certo dia, uma de minhas colegas me procurou contando a história de
uma jovem que ficou tão envolvida com as visões de Deus que falava
incessantemente de Jesus a todos que encontrava. Ela passava a noite
inteira em oração, tendo visões e palavras de conhecimento. Deus lhe
dizia para ir a determinado lugar a determinada hora e testemunhar para
determinada pessoa. Quando ela seguia as instruções literalmente,
encontros surpreendentes aconteciam. As visões provavam ser precisas.
As palavras de conhecimento tinham um efeito impressionante sobre as
pessoas a quem elas se destinavam. Algumas pessoas encontraram o
Senhor por meio do testemunho dela. Parecia algo totalmente de Deus.
Ouvi por algum tempo e fiquei preocupada o suficiente para fazer
algumas perguntas. Quanto tempo ela havia ficado sem dormir? Ela ia
sozinha a lugares perigosos e saía por conta própria sem dizer a ninguém
onde estava indo? Ela conseguia ter uma conversa normal e prolongada
que envolvia ouvir outros falarem sem interrompê-los? E, finalmente, fiz
a pergunta-chave. Eu sabia que a doença mental geralmente revela sua
terrível face pela primeira vez quando os jovens se lançam por conta
própria e o estresse da vida os oprime, alterando sua química cerebral e
detonando alguma predisposição genética, então, perguntei se ela
alguma vez tivera um episódio de loucura ou se aquela era a primeira
vez.
O resultado dessa conversa foi que as psicólogas a aproximaram do
grupo e mantiveram seus olhos atentos sobre ela. Dentro de alguns dias,
a jovem realmente foi hospitalizada, e seus episódios de insanidade se
tornaram cada vez mais esquisitos e destrutivos; ela passou algum
tempo se recuperando.
A renovação é estressante para o corpo e para os frágeis elementos
químicos do cérebro que nos mantêm funcionando normal e
produtivamente. Se uma pessoa é vulnerável a uma doença mental por
causa do seu histórico familiar, o estresse geralmente fará que ela revele
sua terrível face. Enquanto aquela jovem recebia revelações precisas de
Deus durante aquela fase do seu episódio de loucura, a química do seu
cérebro foi levada além do limite pelo estresse da presença real de Deus
se movendo em sua vida e no seu ambiente. Na última vez que a vi, ela
frequentara o Seminário e parecia mais saudável, participava de uma
conversa mais normalmente, parecia muito estável, e estava servindo a
Deus.
Apesar do fato de que existem pessoas mentalmente doentes e
endemoninhadas em nossa sociedade, isso não significa que elas não
podem ter experiências com Deus de uma maneira maravilhosa. Na
verdade, elas podem até ser mais capazes de experimentar a presença
amorosa e o poder de Deus porque em geral elas são mais abertas
espiritualmente.
Durante o período de renovação dos anos de 1990, nossa cidade
realizava reuniões entre igrejas de louvor, adoração e ministração
profética. Eu costumava participar e tive o privilégio de ministrar
profeticamente durante muitas dessas reuniões. Quando as reuniões
aconteciam na Igreja Episcopal de St. Luke em Seattle, eu costumava me
deparar com um jovem que era claramente enfermo na mente. Ele havia
sido diagnosticado com esquizofrenia. Em vez de ver seus sintomas
piorarem durante as reuniões, ele descobriu que as vozes em sua cabeça
paravam de falar quando ele estava na igreja. Quando conversei com ele
fora do prédio da igreja, porém, suas agitações voltaram. As vozes
esperavam por ele do lado de fora. Não sei se ele recebeu a cura total,
apesar de ter recebido muitas orações.
Em qualquer momento que uma pessoa tenha um episódio de
insanidade, uma crise de esquizofrenia ou um distúrbio ilusório,
eventualmente se descobrirá que não é Deus quem está aumentando sua
capacidade de receber experiências espirituais. Em vez disso, é a química
de seu cérebro ou talvez algo demoníaco que a está levando além do
limite. Existe uma linha tênue entre o que é aflição demoníaca e o que é
químico e um tanto controlável pelas reações da pessoa afligida. Corpo,
alma e espírito são difíceis de serem separados um do outro e curar
apenas um aspecto pode não afetar os outros. Uma coisa está clara —
somos seres frágeis.
Ilusões e alucinações são tão imensamente diferentes das experiências
espirituais válidas que podem ser discernidas facilmente. Como a
esquizofrenia e os episódios de insanidade, as ilusões e alucinações
tendem a ser episódios prolongados, contínuos, que duram dias e até
semanas. As pessoas que têm visões, sonhos e estados de transe que as
levam à presença de Deus, e outras experiências espirituais válidas,
tendem a recebê-las como encontros individuais, de tempo limitado —
que duram segundos, minutos, ou horas, mas que não duram semanas de
uma única vez. Elas também se concentram em adorar e glorificar Jesus,
em vez de a si mesmas, e não focam no fato de terem ilusões grandiosas
sobre o quanto elas são tremendas e de enfatizarem a importância da
revelação que estão recebendo, de citarem o nome de pessoas famosas
que confirmarão a sua importância, ou de reagirem à rejeição que
sofreram em suas vidas declarando “profecias” sobre o juízo de Deus em
vez de focarem na graça e na misericórdia de Deus. A paranoia, a mania
de grandeza, e a negatividade não têm lugar em uma experiência
espiritual válida. Os estados visionários são ocasionais, e não constantes;
o último caso se encaixa na categoria das alucinações.
Como você pode saber a diferença entre uma pessoa que está tendo uma
experiência espiritual válida e uma pessoa mentalmente doente? Uma
pessoa que está no meio de uma experiência espiritual válida mais tarde
falará sobre ela claramente. Uma pessoa que está tendo um episódio
psicótico mal consegue descrever o que viu ou o que experimentou. Ela
tentará se retirar ou falará de uma maneira estranha, e agirá de uma
forma tão desorganizada que ficará imediatamente evidente que aquilo
não procede de Deus. Uma pessoa que teve uma experiência espiritual
válida depois poderá agir normalmente e, em geral, poderá ir tratar das
coisas normais do dia a dia. Ela não poderá evitar ficar envolvida com o
encontro que teve e pode até ser tomada por uma crise espiritual,
dependendo do que viu ou experimentou. Mas ela poderá agir
normalmente.
Muitos de nós, que tivemos revelações dramáticas de Jesus ou visões de
desastres iminentes, ficamos tão arrasados com os efeitos emocionais
resultantes disso que é difícil trabalhar por dias, talvez até por uma
semana ou duas, enquanto tiramos um tempo de folga para a oração de
intercessão. Mas este é o efeito posterior, e não uma experiência
prolongada. Uma experiência prolongada que assume o controle da vida
de uma pessoa em geral não procede de Deus. Em vez disso, ela pode ser
o primeiro aparecimento de uma doença mental, como a esquizofrenia,
um episódio maníaco, um período de ilusão, ou de alucinações.
Porém, sempre existem exceções. Aqueles que se entregam totalmente à
busca de Deus, como os monges, as freiras, os místicos e os profetas,
tendem a experimentar encontros mais prolongados com a presença e a
revelação de Deus que a dona de casa, o estudante, ou o trabalhador
comum. Em Ezequiel 3:15, o profeta sentou-se em um transe durante
sete dias. E outros têm feito o mesmo desde então.
O livro de John Crowder, The New Mystics (Os Novos Místicos), detalha as
vidas de místicos estranhos e maravilhosos e operadores de milagres
cujas excentricidades de personalidade faziam que eles fossem evitados
ou reverenciados pela sociedade religiosa. Entre os mais estranhos
encontram-se os pais do deserto, que preferiam a intimidade e a oração
ao relacionamento com a sociedade oriental de onde vieram. A sabedoria
profética e os milagres deles se tornaram conhecidos por todo o Oriente
Médio, fazendo que os líderes políticos e da igreja fizessem longas
caminhadas pelo deserto em busca de sua sabedoria.
Crowder relata a história de São Simeão Stylites, que viveu no topo de
uma coluna de pedra por 36 anos e só fazia uma refeição por semana.
Outro, Abbot Sisios, era propenso a êxtases e tinha medo de que, se não
abaixasse as mãos durante a oração, fosse levado ao céu, para nunca
mais voltar. Outro pai do deserto de repente foi trasladado de um lado de
um rio para o outro. Outro esticou os dedos enquanto falava com um
eremita seu companheiro. Imediatamente, seus dedos brilharam como
chamas de fogo. Crowder também fala sobre os místicos dos nossos dias
que são dados à oração e ao jejum e que veem milagres de curas e outros
sinais e maravilhas que acompanham seus ministérios.

PESQUISA CEREBRAL

Os céticos quanto às experiências sobrenaturais e quanto à realidade de


Deus estão buscando sempre alguma explicação biológica ou racional.
Existe um lugar no nosso cérebro onde fabricamos Deus ou as
experiências sobrenaturais? Não que saibamos; entretanto, a pesquisa
cerebral continua a revelar fatos interessantes sobre a nossa atividade
cerebral. Embora os pesquisadores estejam tentando provar que nossos
cérebros fabricam Deus, aqueles de nós que vêm de uma visão de mundo
distintamente cristã acreditam que Deus fabricou o nosso cérebro; que o
desejo por Deus foi codificado geneticamente desde o princípio da
criação; e o mesmo aconteceu com a nossa capacidade de ter
experiências espirituais. Um artigo do Washington Post resume a atual
pesquisa cerebral e suas conclusões:

Usando uma tecnologia poderosa de imagens cerebrais, os pesquisadores


estão explorando o que os místicos chamam de nirvana, e o que os cristãos
descrevem como o estado de graça. Os cientistas estão perguntando se a
espiritualidade pode ser explicada em termos de redes neurais,
neurotransmissores, e química cerebral.
O que cria o sentimento transcendental de ser um só com o universo?
Poderia ser a diminuição da atividade no lobo parietal do cérebro, que ajuda
a regular a sensação do ser e a orientação física, sugere a pesquisa. Como a
religião impulsiona sentimentos divinos de amor e compaixão?
Possivelmente por causa das mudanças no lobo frontal, causadas pelo
aumento da concentração durante a meditação. Por que muitas pessoas têm
um profundo sentimento de que a religião mudou suas vidas? Talvez seja
porque as práticas espirituais ativam o lobo temporal, que pesa as
experiências com uma importância especial. “O cérebro é formado de tal
maneira a ter experiências espirituais e experiências religiosas”, disse
Andrew Newberg, um cientista da Filadélfia que escreveu o livro Why God
Won’t Go Away (Por que Deus Não Vai Embora). “A não ser que exista uma
mudança fundamental no cérebro, a religião e a espiritualidade estarão aqui
por muito tempo. O cérebro é predisposto a ter essas experiências e é por
isso que tantas pessoas acreditam em Deus.”1

Deus criou os nossos cérebros, e Ele sabe exatamente onde tocar quando
quer revelar alguma coisa sobre si mesmo e a respeito do Seu Reino e
conectar as nossas emoções com as dele. Mas os nossos cérebros são
muito mais do que uma massa de matéria cinzenta predisposta a
experiências espirituais. Creio que assim como podemos ser
geneticamente predispostos a algumas doenças — tanto mentais quanto
físicas — não seremos necessariamente afligidos por elas. É também
necessário fatores ambientais para gerar experiências positivas e saúde.
O nosso livre-arbítrio também nos torna abertos a experimentarmos
mais do que jamais pudemos imaginar.
Todas as nossas experiências religiosas não podem ser explicadas pela
neurociência ou pela química cerebral. Só porque áreas do nosso cérebro
se iluminam com a atividade, isso não significa que a experiência ou
atividade específica foi pré-programada dentro de nós, codificada antes
do nascimento.
Outro artigo revela as atuais fraquezas de tais estudos de pesquisa — a
saber, que as experiências espirituais, inclusive a sensação de profunda
intimidade ou “união” com Deus, não podem ser delineadas até um local
específico do cérebro. Somente as emoções ligadas à experiência podem
ser lembradas e refletidas em scanners cerebrais. A pesquisa de pessoas
saudáveis que não experimentaram epilepsia do lobo temporal, ou lesões
cerebrais de qualquer espécie também elimina a hipótese de que aqueles
que têm sonhos e visões místicos e o senso da presença de Deus são
meramente pessoas cujos cérebros sofreram danos.
O Dr. Beauregard e seu aluno de doutorado, Vincent Paquette, estão
monitorando a atividade elétrica no cérebro de sete freiras Carmelitas
através de eletrodos presos aos seus couros cabeludos. O objetivo deles é
identificar o processo cerebral subjacente à Union Mystica — a noção
cristã de união mística com Deus. As freiras (os pesquisadores esperam
recrutar 15 ao todo) também terão seus cérebros escaneados utilizando
tomografia de emissão de pósitron e imagens de ressonância magnética
funcional, as ferramentas mais poderosas de imagens cerebrais
disponíveis.
O Dr. Beauregard não acredita, na verdade, que existe um “centro
neurológico de Deus”. Em vez disso, os seus dados preliminares implicam
uma rede de regiões cerebrais na Union Mystica, inclusive aquelas
associadas com o processamento das emoções e a representação espacial
do ser. Mas isso leva a outra crítica, que ele pode achar mais difícil de
refutar. É o fato de que ele não está realmente medindo uma experiência
mística — mas meramente uma experiência emocional intensa.2
Embora não possamos separar corpo, alma e espírito totalmente, o
espírito de um ser humano não parece estar localizado no cérebro. Dado
o ambiente correto e por meio da ampliação da nossa fé, nossos espíritos
florescem. Nossos cérebros destinam-se a conter a mente de Cristo —
tudo que Ele vê, sente e experimenta no Céu e na Terra. Mas nossos
cérebros não estão fabricando Deus.

A MENTE CRIATIVA DE CRISTO

Acredito que as experiências espirituais surgem da mente criativa de


Cristo, e não da nossa mente. Elas têm origem nos pensamentos de Deus
para nós e sobre nós. E os Seus pensamentos a nosso respeito são mais
numerosos que a areia do mar.
Gênesis capítulo 1 nos diz que no princípio — do nada — Deus criou o
mundo. A terra era uma massa caótica e, enquanto Ele “chocava” essa
massa, Ele separou a luz das trevas. Separar a luz das trevas foi a
primeira coisa que Ele fez! Nós, também, somos uma massa caótica, e à
medida que permitimos que Ele paire sobre nós, ao entrarmos na Sua
presença, as trevas se separam da luz.
Deus prosseguiu criando a terra e o céu, o mar e as criaturas terrenas,
“cantando e trazendo o mundo à existência”, como C. S. Lewis escreve
nas Crônicas de Nárnia. Então Ele dá a Adão, o primeiro homem, a tarefa
de nomear essas plantas e animais que Deus criou. Ele deu à humanidade
o privilégio de co-criar com Ele à medida que o mundo vinha à existência.
E ainda somos convidados a usar nossa imaginação e dar significado ao
que vemos e nas experiências que Ele nos dá.
Deus é muito imaginativo. Você já observou os peixes tropicais coloridos
e fascinantes com suas manchas e faixas em néon, bocas gigantes ou
bicos que cortam o coral? Você já observou uma pequena flor perto de
um lago alpino? Por que elas são tão pequenas que você mal pode vê-las?
Talvez a flor exista apenas para Deus. Deus a aprecia. Na verdade, Ele
está muito satisfeito com a Sua criação e os mínimos detalhes ainda lhe
dão prazer.
Deus não é apenas criativo, como Ele transcende o tempo, o espaço e a
esfera material, de acordo com Provérbios 30:4. Quem mais além de
Deus anda de um lado para outro no céu? Quem mais segura o vento em
Seus pulsos, e envolve os oceanos em Seu manto? E quanto a Jesus?
Quem mais além de Jesus transcende as leis da física e anda sobre as
águas?
Deus nos deu uma imaginação quando Ele nos criou a partir da Sua
imaginação. Só podemos criar de alguma coisa que já existe. Deus,
porém, criou forma e substância a partir apenas da Sua imaginação, ex
nihilo, do nada. Ele não é obra da nossa imaginação. Nós somos obra da
imaginação dele. Ele estende as mãos para nós de uma maneira que Ele
sabe que entenderemos, individual e pessoalmente. As imagens de
arquétipos de anjos com vestes brancas, com luz brilhante, cercando o
trono de Deus, e joias no céu não apenas parecem alinhar-se com as
Escrituras, como são confirmadas pelas experiências de outros.
Ele vem até nós através da nossa imaginação e revela mistérios do céu
em invólucros que não nos assustarão — pelo menos em princípio. À
medida que a nossa fé e a nossa imaginação abraçam os encontros com
Deus, experiências reveladoras resultantes aumentarão a nossa
capacidade de encarar a peculiar realidade do universo em que Deus vive
que abrange todo o céu e a terra. A realidade do céu, em toda a sua glória
sensorial e em toda a sua ordem característica de criaturas celestiais, é
tão inimaginável que se víssemos tudo de uma vez jamais nos
recuperaríamos.
E, no entanto, Deus valoriza o pequeno você e o pequeno eu o suficiente
para preparar um lugar para nós.
Deus ainda está criando. A primeira Terra está acabada. Agora Ele está
envolvido em fazer uma cidade, a Nova Jerusalém, que é mencionada em
Apocalipse 21, onde os portões da cidade são feitos de imensas pérolas. A
cidade contém pedras brilhantes como as suas muralhas e ruas de ouro.
Você já se perguntou onde ficam as minas do céu? Quem está
trabalhando nessas minas? Que tipo de oceano produz as ostras que
criam essas pérolas gigantes?
Creio que os ensinamentos da igreja moderna estão tão focados em fazer
alguma coisa que nos esquecemos do que significa meditar em Jesus —
não para ser como Ele nas Suas ações — mas para ver como Ele no ser.
Não para pedir algo a Ele, mas para vê-lo criar tudo e chamar tudo o que
Ele criou de belo — até mesmo você. A cor, o cheiro, o som e a visão da
sua pessoa são únicos, até as suas impressões digitais. Se Ele criou você,
Ele não pode recriá-lo, sacudir a poeira do mundo, e iluminá-lo? Ele o
convida a desfrutar da criação e a participar da arte de criar, a entrar nos
Seus pensamentos, a entrar na Sua mente, e ver o que Ele vê.
A Bíblia afirma em 1 Coríntios 2:16 afirma: “Pois quem conheceu a mente
do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo.” É
preciso fé para alcançar a mente de Cristo dentro de nós. É necessário
submeter a nossa mente à mente de Cristo. É preciso entrar em acordo
com Ele quanto ao fato de que estamos “assentados nos lugares
celestiais” e somos convidados a experimentar todo o Seu Reino no céu e
na terra.
Bill Johnson, um pastor e mestre conhecido internacionalmente, tem isto
a dizer sobre como podemos conhecer a mente de Cristo. É através da fé:

A fé nasce do Espírito no coração da humanidade. A fé não é intelectual nem


anti-intelectual. Ela é superior ao intelecto. A Bíblia não diz: Com a mente o
homem crê! Através da fé, o homem é capaz de entrar em acordo com a
mente de Deus... Quando submetemos a mente do homem às coisas de Deus,
acabamos tendo fé e uma mente renovada.3

A fim de participar do Seu Reino, precisamos conhecer a mente criativa


de Cristo. Mediante a fé, acreditamos que os encontros espirituais com o
Cristo ressuscitado e as esferas do céu não são apenas possíveis, como
muitos vieram antes de nós e podemos segui-los. A única maneira de
conhecer a mente de Cristo é permanecendo na Sua presença.

A SUA PRESENÇA — A ESFERA ALÉM DA RAZÃO


Os sinais tangíveis da mente de Deus irrompendo na nossa mente —
através de sonhos, visões, aparições angelicais, e vários sinais e
maravilhas — são maravilhosos de se experimentar. No entanto, o nosso
DNA espiritual criou um anseio pelo maior sinal e maravilha de todos —
a presença manifesta de Jesus Cristo, nos envolvendo com o Seu amor, a
Sua paz e a Sua alegria. É uma manifestação que vem como um beijo
asfixiante, fazendo que o amado desmaie e caia ou ria e dance de alegria.
É este sinal e maravilha que inflama a paixão por Cristo e pela vinda do
Seu Reino, mais do que qualquer experiência espiritual.
Quando a igreja experimenta a presença manifesta de Cristo, o poder é
inegável. As sombras da dúvida e da incredulidade são sopradas para
longe pelo beijo de Deus. Cura e libertação vêm como resultados naturais
durante as reuniões, como as descritas em meu livro, Shifting Shadows of
Supernatural Power (As sombras variantes de poder sobrenatural). A
presença libera uma atmosfera reveladora do céu que, em geral,
transmite aos indivíduos um senso de chamado e de destino pessoal,
visões das coisas que estão por vir, visitações angelicais e experiências
das esferas reveladoras do céu. Quando damos as boas-vindas à Sua
presença, damos as boas-vindas à Sua mente criativa liberando
experiências espirituais para que possamos encontrá-lo e conhecer os
Seus caminhos, as Suas verdades, e a Sua vida.
Ninguém que experimentou tal intimidade de encontro com a
consciência tangível, sensorial da presença de Deus pode negar que Ele
existe e que Ele é o Deus que é amor. Todos os outros deuses
empalidecem em comparação com Ele. Todas as outras sombras se vão.
Quando a Sua presença se manifestar mais completamente, ninguém se
perderá nas trevas nem ficará olhando para os sinais sobrenaturais. Em
vez disso, eles ficarão prostrados sobre seus rostos em adoração e
ardendo de amor, ao verem o maior sinal e maravilha envolvendo a
todos eles — Jesus. E ali, em adoração, eles entram na Sua
imprevisibilidade. Ou, como diz Bill Johnson, eles entram na esfera que
está além da razão:

Nos termos do Novo Testamento, ser um povo focado na Sua presença


significa que estamos dispostos a viver além da razão. Não impulsivamente
ou de maneira tola, porque essas são imitações fracas da verdadeira fé. A
esfera além da razão é o mundo de obediência a Deus. A obediência é a
expressão da fé, e a fé é o nosso bilhete para a dimensão de Deus.
Estranhamente, este foco na Sua presença faz que nos tornemos como o
vento, que também é a natureza do Espírito Santo (João 3:8). A Sua natureza
é poderosa e justa, mas os Seus caminhos não podem ser controlados. Ele é
imprevisível.4

Nós nos tornamos pessoas que conhecem e expressam a mente criativa


de Cristo quando passamos a nos dispor a colocar nosso foco na Sua
presença e a viver ali, na terra além da razão.

O QUE VOCÊ FAZ COM O QUE DEUS LHE MOSTRA?

Estou convencida de que todas as experiências espirituais autênticas são


dadas apenas por dois motivos — para aumentar a revelação de quem
Jesus Cristo realmente é para você, pessoalmente, e para transmitir fé
que libera uma demonstração da Sua presença e poder por intermédio
de você para outros. Ele quer liberar o que está na Sua mente e coração
para você, para que possa primeiro receber, e depois dar a outros.
Durante o período de visitação que experimentei há muitos anos, a maior
parte das revelações que recebi através de sonhos, visões e longas horas
de oração, enquanto eu estava envolvida com a presença manifesta de
Cristo na minha minúscula sala de visitas, tinha tudo a ver comigo. Ele
me mostrou bolsões de dor em meu coração e me explicou os problemas
mais profundos para que eu pudesse liberar o passado e abraçar o
futuro. Ele arrancou as ervas daninhas do pecado e me perguntou
gentilmente: Você não precisa mais disto, não é? E, quando reconheci
aquelas ervas daninhas como reações pecaminosas que haviam se
tornado pensamentos ou comportamentos habituais, pude deixá-las ir.
Aquele foi um tempo de purificação e cura que durou vários meses e eu
estava quase que inteiramente focada em mim, enquanto coloca meu
foco totalmente nele por meio da adoração e da permanência na
presença de Deus.
Também recebi muitos sonhos e visões que pertenciam a outros.
Enquanto eu orava sobre o que deveria fazer com cada revelação, às
vezes, Deus me impulsionava a interceder. Outras vezes, sentia-me
impelida a ligar para alguém e contar-lhe a respeito do sonho ou visão.
Uma vez sonhei que a filha pequena de uma amiga saía precipitadamente
entre carros estacionados no grande estacionamento da igreja e era
atingida por um carro em alta velocidade. Como minha amiga acreditava
que Deus realmente fala conosco se estivermos ouvindo, senti a
liberdade de ligar para ela e contar-lhe sobre o sonho. Ela passou a ficar
atenta à sua filha de uma maneira especial naquela semana. Sem dúvida,
enquanto estava no estacionamento da igreja mais tarde naquela
semana, sua filha viu uma colega e soltou a mão de sua mãe para correr e
cumprimentar sua amiga. A mãe rapidamente esticou a mão e agarrou a
menina bem na hora em que um carro passou velozmente. Um segundo
de hesitação por parte da mãe e a criança teria sido atingida!
Uma vez por semana, eu frequentava uma reunião de oração
intercessória coletiva na igreja. Por haver passado tanto tempo em
oração antes das reuniões, orando a respeito dos sonhos e visões que eu
recebia, uma unção especial veio sobre as minhas orações. Elas se
tornaram orações proféticas que eram revestidas de poder por um
“espírito de oração”.5 E aqueles que me ouviam orar em voz alta durante
as reuniões falavam comigo mais tarde sobre o quanto as minhas orações
os impactavam. A presença de Deus simplesmente transbordou de mim e
regou os corações secos e os espíritos abatidos ao meu redor, corrigindo
alguns e encorajando outros. Durante esse período revelador, a graça do
espírito de oração que estava sobre mim tornou-se um presente para
outros.

DESEMBRULHE O DOM PARA OUTROS

A revelação de quem Ele é e a demonstração dos Seus planos e


propósitos para a experiência espiritual frequentemente ficam de lado
quando as pessoas focam no brilho do pacote em que elas vêm
embrulhadas. Algumas pessoas têm uma necessidade tão grande de
significância e de pertencerem a algo ou a alguém que correm por toda
parte falando sobre a imagem brilhante do pacote que acabaram de
receber. É como se o sonho, a visão ou o encontro espiritual as
entusiasmasse tanto que elas saem correndo dizendo a qualquer um que
queira ouvir: “Veja o que eu tenho! Ouça o que acabo de receber! Talvez
eu não o entenda, mas, não é legal?”
É imperativo que você entenda as experiências sobrenaturais que Deus
lhe dá. Você precisa valorizar a importância da revelação e entender o
que fazer com ela. Guarde a revelação no coração, reflita sobre o
embrulho do presente, e depois vá mais fundo e dê uma olhada no
interior.
Examinadas à luz do amor de Deus e dos exemplos bíblicos, muitas
experiências reveladoras são dadas para transmitir fé e o entendimento
de que Ele quer que você libere uma demonstração do Seu poder. Em
outras palavras, uma visão ou um sonho, uma visitação ou um
teletransporte, é apenas o embrulho que envolve os dons do Espírito
Santo que estão relacionados em 1 Coríntios 12 — a palavra de
sabedoria, a palavra de conhecimento, a fé, os dons de cura, a operação
de milagres, a profecia, o discernimento de espíritos, as línguas, a
interpretação de línguas. Estes são dons que Ele quer lhe dar, primeiro
para si mesmo, e depois, para dar a uma pessoa específica ou a grupos de
pessoas para que eles, também, possam ter um vislumbre de Jesus e
serem salvas.
Creio que é bíblico dizer que Deus não dá experiências espirituais, mas
sim, que Ele nos concede dons espirituais por intermédio de experiências
reveladoras. Ele revela uma palavra de sabedoria por meio de um sonho
ou visão e lhe dá a estratégia para liberar essa palavra através de uma
ação ou demonstração do Seu poder que amplia o território do Reino de
Deus na vida de outra pessoa. Essa é a mente criativa de Cristo em
operação, convidando você a colaborar com Ele.
Portanto, entre na mente criativa de Cristo e comece a explorar o Seu
mundo de revelações, a terra além da razão. Deixe que os capítulos e as
histórias seguintes sobre variedades de experiências espirituais o
encorajem a buscar um encontro com Deus e a entender que você não
está louco. Na verdade, você também pode descobrir que se tornou um
profeta oculto na sua busca pela presença íntima do Rei dos reis e Senhor
dos senhores.
NOTAS

1. “Tracing the Synapses of Our Spirituality: Researchers Examine


Relationship Between Brain and Religion”, Shankar Vedantam,
Washington Post, 17 de junho de 2001.
2. “A Mystical Union”, 4 de março de 2004, The Economist edição
impressa online; http://www.economist.com/displayStory.cfm?
story_ID=2478148.
3. Bill Johnson, When Heaven Invades Earth (Shippensburg, PA:
Destiny Image Publishers, 2003), 46-47.
4. Bill Johnson, When Heaven Invades Earth, 82.
5. Romanos 8:26.

CAPÍTULO 3
AS EXPERIÊNCIAS MAIS COMUNS E O SEU PROPÓSITO

por JAMES GOLL

O incomum está se tornando mais comum. Se este for o caso, então quais
são as experiências espirituais mais comuns da História ou aquelas que
estão acontecendo hoje, por falar nisso? Bem, deixe-me abrir a porta
para este vasto aposento um passo de cada vez. Neste capítulo, vamos
dar uma olhada rápida em uma série de expressões tanto das visões
quanto dos sonhos em especial, e analisaremos coisas que chamo de
percepção espiritual, visão pictórica, visões panorâmicas, sonhos simples
e experiências contendo mensagens audíveis. Mas, para iniciar o assunto,
vamos falar dos propósitos desses dons proféticos. Isso deve despertar
seu interesse e fome por vivenciá-los!
E isso é apenas o começo! Espere até irmos mais fundo e entrarmos no
assunto completo nos nossos capítulos seguintes sobre coisas como
transes espirituais e outras manifestações. Para aqueles de vocês que me
conhecem, vou fundamentar este material na Palavra de Deus,
ocasionalmente trazendo citações da história da Igreja para sustentá-lo
e, depois, vou acrescentar experiências contemporâneas. Afinal, lembre-
se: o que Deus fez antes, Ele está fazendo outra vez! Você está pronto?
Aqui vamos nós!

VAMOS LÁ, PEGUE-ME SE PUDER!

Certa vez, tive um sonho intenso que pareceu durar a noite inteira. Nele
aparecia um homem que estava vestido com uma roupa branca e que em
princípio assemelhava-se a um anjo, mas que mais tarde entendi que era
o Senhor. Quando o vi, Ele estava em pé, de longe, e olhando para mim.
Então Ele se virou, correu certa distância, e parou, olhando para trás,
para mim, de uma maneira que me atraiu, como se dissesse: “Vamos lá,
pegue-me, se puder.” Corri atrás dele, mas quando estava quase por
alcançá-lo, Ele disparou outra vez. Depois de se distanciar um pouco de
mim, Ele parou novamente, olhou para mim, e fez sinal com o braço para
que eu tentasse pegá-lo. Mais uma vez, saí atrás dele e, novamente, Ele
correu bem na hora que eu ia alcançá-lo. Esta cena se repetiu por
diversas vezes, sem cessar. Todo o sonho provavelmente não durou mais
do que cinco minutos, mas quando acordei, sentia-me como se ele tivesse
durado horas.
O sonho não tinha palavras — só um ciclo contínuo de uma busca que
envolvia parar e correr. O que significa essa experiência reveladora? Por
que o Senhor continuava correndo, apenas para parar e me encorajar a
segui-lo? Este sonho foi uma lição sobre como o Senhor quer que o
estejamos buscando de uma maneira apaixonada e calorosa. Ele está
dizendo a todos nós: Venham após mim; venham alcançar-me, venham
estar onde eu estou. Então, quando Ele estimula o nosso apetite, Ele se
move para mais longe, como se para alimentar o nosso desejo de buscá-
lo. Ele parece estar dizendo: Vocês precisam entender, eu tenho mais para
vocês — muito mais. Estou indo na frente de vocês para preparar essas
coisas. Venham atrás de mim.
Para mim, esta experiência particular reveladora teve um propósito
duplo: primeiro, criar em mim um maior apetite e uma fome mais forte
pelo próprio Senhor; e segundo, para revelar a simples verdade de
Mateus 5:6: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois
eles serão fartos.” Esse sonho foi uma ferramenta de ensino para
demonstrar como o Senhor cria dentro do Seu povo uma ânsia profunda
e um anseio por mais dele. Uma vez estimulado, esse apetite nunca se
satisfaz: quanto mais recebemos, tanto mais queremos. Na verdade,
estimular um apetite voraz pela presença de Deus é o propósito
definitivo de todas as verdadeiras experiências proféticas reveladoras.

DEZ PROPÓSITOS DAS GRAÇAS PROFÉTICAS REVELADORAS

Tendo dito isso, quero analisar dez propósitos complementares para as


graças reveladoras de Deus — com alguns exemplos bíblicos — que
servem ao propósito final de nos atrair para mais perto dele.

1. Os sonhos e visões são usados para revelar as promessas de


Deus.
Em Gênesis 28:10-15, encontramos o relato da “escada de Jacó”. Fugindo
de casa com medo da ira de seu irmão Esaú, Jacó para em um local
específico no deserto para passar a noite. Usando uma pedra como
travesseiro, ele adormece e sonha com uma escada que liga o céu e a
terra, e onde os anjos de Deus sobem e descem sobre seus degraus. No
topo da escada, Jacó viu o Senhor, que lhe entregou uma maravilhosa
promessa:

Eu sou o SENHOR, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque. A terra em


que agora estás deitado, eu ta darei, a ti e à tua descendência. A tua
descendência será como o pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente e para
o Oriente, para o Norte e para o Sul. Em ti e na tua descendência serão
abençoadas todas as famílias da terra. Eis que eu estou contigo, e te
guardarei por onde quer que fores, e te farei voltar a esta terra, porque te
não desampararei, até cumprir eu aquilo que te hei referido (Gênesis 28:13-
15).

A promessa de Deus a Jacó foi uma confirmação da promessa que Ele fez
tanto a Abraão quanto a Isaque, que eram avô e pai de Jacó,
respectivamente; os descendentes deles se tornariam uma grande nação,
e herdariam e ocupariam a terra de Canaã.
Esse sonho teve um impacto profundo e imediato sobre Jacó. Ao acordar,
Jacó estava cheio de assombro e temor, e disse: “Despertado Jacó do seu
sono, disse: Na verdade, o SENHOR está neste lugar, e eu não o sabia. E,
temendo, disse: Quão temível é este lugar! É a Casa de Deus, a porta dos
céus” (Gênesis 28:16-17). Pegando a pedra que havia usado como
travesseiro, Jacó ergueu um memorial ao seu encontro com Deus; então
ele a ungiu com óleo e adorou o Senhor. Jacó prometeu que se Deus o
protegesse e o suprisse, ele serviria ao Senhor. A transformação de Jacó
não se completou da noite para o dia, mas aquele sonho o colocou bem a
caminho de ser transformado de Jacó (cujo nome significa “enganador”)
em Israel (cujo nome significa “príncipe de Deus”).

2. Os encontros sobrenaturais em geral nos dão direção,


principalmente em momentos de importantes decisões.
Considere o dilema de José no capítulo 1 de Mateus. Noivo de Maria, José
fica sabendo que ela está grávida e, não querendo difamá-la
publicamente, planeja divorciar-se dela em silêncio. Isto é, até que um
anjo visita José em um sonho e lhe dá um conselho que o faz mudar de
ideia e de atitude: “Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe
apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não
temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do
Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus,
porque ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mateus 1:20-21). A
experiência reveladora de José lhe deu direção para ajudá-lo a tomar a
decisão correta.
Em Atos 16:9, o apóstolo Paulo recebe uma visão na qual um homem
apela para que ele vá à Macedônia. Essa experiência leva ao primeiro
movimento evangelístico na Europa. Antes da visão de Paulo, ele e seus
companheiros tentaram levar o evangelho à Ásia e à Bitínia, mas todas as
vezes o Espírito Santo os impedia de fazer isso. Somente a visão de Paulo
da Macedônia lhes deu direção aonde ir.

3. As experiências reveladoras nos advertem.


Em Mateus 2:12, um sonho adverte os sábios a não voltarem para o rei
Herodes, então eles retornam para casa por um caminho diferente. No
versículo seguinte, um anjo adverte José a tomar Maria e Jesus e fugir
para o Egito para escapar da ira assassina de Herodes. Algum tempo
depois da morte de Herodes, José tem outro sonho em que lhe é dito que
agora é seguro voltar para casa.
Em Atos 22:17-21, Paulo relata como — enquanto orava em Jerusalém —
ele caiu em transe e uma visão do Senhor o advertiu para fugir porque os
judeus não aceitariam o testemunho de Paulo sobre Jesus. No plano de
Deus para o Seu povo, há um tempo para ficar e um tempo para sair.
Neste caso, aquele era o momento de Paulo fugir. Como Paulo indica no
versículo 21, essa advertência do Senhor o impeliu pela primeira vez a
levar o evangelho aos gentios.
4. Os sonhos e visões nos dão instrução.
Jó 33:14-18 diz:

Pelo contrário, Deus fala de um modo, sim, de dois modos, mas o homem
não atenta para isso. Em sonho ou em visão de noite, quando cai sono
profundo sobre os homens, quando adormecem na cama, então, lhes
abre os ouvidos e lhes sela a sua instrução, para apartar o homem do seu
desígnio e livrá-lo da soberba; para guardar a sua alma da cova e a sua
vida de passar pela espada.

Deus fala uma vez, duas, e inúmeras vezes, e de uma série de maneiras
diferentes — inclusive sonhos e visões — de modo a abrir os ouvidos das
pessoas e selar a Sua instrução. O propósito gracioso e redentor do
Senhor é desviar os homens dos seus maus caminhos e impedir de eles
irem para o inferno levando-os ao conhecimento da justiça.
Durante anos, os cristãos de todo o mundo oraram para que Deus
visitasse o povo muçulmano. Como regra geral, os muçulmanos têm uma
forte crença no poder dos sonhos. Há não muito tempo, um líder
internacional dos Jovens com Uma Missão (Jocum) relatou que na Argélia
(uma nação principalmente muçulmana) cerca de dez mil muçulmanos
tiveram o mesmo sonho na mesma noite: Jesus apareceu nos sonhos de
todos eles. O resultado desse encontro sobrenatural foi que esses
muçulmanos vieram à fé em Cristo.
Às vezes, Deus dá sonhos e visões para desviar as pessoas das trevas e do
erro para a verdade e a luz. O Seu propósito é livrar as almas deles do
inferno porque, como Ezequiel 33:11 diz: “Tão certo como eu vivo, diz o
SENHOR Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o
perverso se converta do seu caminho e viva...”, e o Senhor “... deseja que
todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da
verdade” (1 Timóteo 2:4). Parte do grande propósito de Deus para os
últimos dias é liberar uma convicção no espírito humano através das
Suas graças reveladoras.

5. No espírito de revelação, Deus pode tratar com um homem de


diversas maneiras.
O profético tem uma maneira de cortar caminho por meio das nossas
tradições e da nossa “casca” externa dura para penetrar em nosso
espírito. Independentemente de qual seja a nossa tradição, teologia ou
histórico doutrinário, quando Deus quer chamar a nossa atenção, Ele
pode fazer isso por intermédio da expressão profética.
Deus tratou com o Rei Salomão de uma maneira particular por meio de
um sonho. Diz 1 Reis 3:5: “Em Gibeão, apareceu o SENHOR a Salomão, de
noite, em sonhos. Disse-lhe Deus: Pede-me o que queres que eu te dê.” Se
Deus lhe aparecesse com uma oferta tão ampla, o que você pediria? De
todas as possibilidades que Salomão poderia ter escolhido, ele pediu
sabedoria para governar bem o seu povo. Deus ficou tão satisfeito com o
pedido altruísta de Salomão que deu a ele não apenas sabedoria, mas
riquezas e poder que eram maiores do que os de qualquer outro que
tenha vindo antes ou depois dele.
Creio que é significativo o fato de Deus ter usado um sonho para se
comunicar com Salomão. Observe que o versículo diz que “apareceu o
SENHOR a Salomão”. Será que isto foi uma teofania, que é a aparição pré-
encarnada de Cristo, a segunda pessoa da Divindade? Ninguém sabe. No
mínimo, Salomão entendeu por meio do seu sonho que era Deus quem
estava falando com ele e não apenas um ser angelical.

6. A atividade profética prevê o futuro.


A Bíblia contém muitos exemplos do profético prevendo os
acontecimentos. Por exemplo, em Daniel capítulo 2, o rei da Babilônia
sonha com futuros reinos que se levantarão depois que o Império
Babilônico não existir mais. Nem o rei, nem qualquer de seus sábios,
puderam entender o sonho, mas Daniel dá uma interpretação, quando o
Espírito de Deus lhe concede o entendimento para isso. O reino da
Babilônia será seguido por impérios construídos pelos medos e persas,
pelos gregos e pelos romanos. Depois desses impérios de homens
caírem, virá um reino divino o qual durará para sempre.
O livro de Lucas fala de Zacarias, um sacerdote que teve uma visão de um
anjo enquanto ele ministra no templo. O anjo diz a Zacarias que ele e sua
mulher, Isabel, que é estéril, terão um filho que se chamará João. Nove
meses depois, Isabel realmente tem um filho, que vem a se chamar João
Batista, e que, de acordo com Jesus, é o maior profeta que já andou sobre
a terra.
Anos atrás, quando nosso filho mais velho, Justin, tinha apenas uma
semana de vida, o Senhor me despertou às 2 horas da manhã e disse, com
uma voz mansa e suave: Tenho uma surpresa que quero lhe mostrar.
Levantei-me, fui até a sala, e me sentei no sofá. Do outro lado da sala, na
minha frente, estava o nosso piano. Enquanto eu olhava para o
instrumento, meus olhos se abriram para a dimensão espiritual e tive
uma visão aberta de uma garotinha sentada no banco de um piano. Seus
longos cabelos negros iam até a cintura, e sua pele tinha um aspecto de
marfim. Mesmo naquele breve momento, eu pude sentir a sua
personalidade.
A voz do Espírito disse: Eu gostaria de lhe apresentar à sua filha. Seu
nome será Grace Ann Elizabeth, e ela será dócil e sensível, e você aprenderá
muito por intermédio dela. Até hoje, creio que essa visão destinou-se a
preparar minha esposa e eu para aquela que viria para as nossas vidas.
Quase três anos depois, Grace Ann nasceu. Com seus cabelos longos e
pretos, sua pele como marfim, e seu espírito sensível e dócil, ela é a
imagem perfeita da garotinha que vi na minha visão.
Hoje, ela é uma linda senhorita que frequenta a faculdade e que ama a
Deus e as nações. Lembro-me da visão aberta, mas aprecio ainda mais o
cumprimento dela. O sobrenatural tem a ver com isto — ver as visões se
cumprirem!

7. Os dons proféticos nos dão coragem.


Paulo estava ministrando em Corinto depois de ter sofrido dificuldades e
perseguições por amor ao evangelho em uma cidade após outra. O que
esperava por ele em Corinto? Paulo não era diferente de nós; nos seus
momentos de maior fraqueza, ele deve ter se perguntado algumas vezes
se todo o seu trabalho árduo e sacrifício realmente faziam alguma
diferença. Na hora de necessidade de Paulo, o Senhor lhe trouxe
encorajamento:

Teve Paulo durante a noite uma visão em que o Senhor lhe disse: Não temas;
pelo contrário, fala e não te cales; porquanto eu estou contigo, e ninguém
ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nesta cidade. E ali permaneceu
um ano e seis meses, ensinando entre eles a palavra de Deus (Atos 18:9-11).
Mês após mês e um lugar após outro, Paulo trabalhava duro e de maneira
fiel, muitas vezes sozinho e enfrentando oposição feroz e implacável
hostilidade. Como deve ter sido reconfortante ouvir que, em Corinto, o
Senhor tinha “muita gente”. Com esses crentes que pensavam como ele,
Paulo podia trabalhar, adorar e ter comunhão, Em vez de ser expulso da
cidade por pregar o evangelho, como acontecia com tanta frequência,
Paulo pôde se estabelecer por um ano e meio ensinando a Palavra de
Deus livre da perseguição. Esse período de descanso e trégua renovou as
forças de Paulo e lhe deu coragem para continuar a obra do Senhor.
Anos depois, Paulo estava navegando para Roma como um prisioneiro do
império no qual seria julgado diante do imperador. Uma tempestade
violenta que durou duas semanas levantou-se no mar contra Paulo, seus
companheiros de viagem, a tripulação do navio, e um contingente de
soldados romanos que estavam guardando todos os prisioneiros.
Exatamente quando todos quase perdiam a esperança, Paulo falou a toda
a companhia:

Mas, já agora, vos aconselho bom ânimo, porque nenhuma vida se perderá
de entre vós, mas somente o navio. Porque, esta mesma noite, um anjo de
Deus, de quem eu sou e a quem sirvo, esteve comigo, dizendo: Paulo, não
temas! É preciso que compareças perante César, e eis que Deus, por sua
graça, te deu todos quantos navegam contigo. Portanto, senhores, tende bom
ânimo! Pois eu confio em Deus que sucederá do modo por que me foi dito.
Porém é necessário que vamos dar a uma ilha (Atos 27:22-26).

Esse relato diz que as palavras de Paulo encorajaram todos a bordo e


restauraram a esperança deles. No final, os acontecimentos se deram
precisamente da maneira que foi indicada a Paulo pelo anjo. O navio
encalhou e se reduziu a pedaços pelas ondas, mas todos a bordo
chegaram em segurança à praia. Como quis o destino, eles chegaram à
ilha de Malta, onde passarem três meses de inverno.

8. Os sonhos e visões são uma maneira importante de Deus


comunicar-se com os Seus profetas.
Em Números 12:6, Deus diz: “Ouvi, agora, as minhas palavras; se entre
vós há profeta, eu, o SENHOR, em visão a ele, me faço conhecer ou falo
com ele em sonhos.” Não há muito mais a ser dito, pois para os profetas e
para outras pessoas proféticas, os sonhos e visões vêm com o território.
Isto é verdade especialmente com relação aos profetas videntes.
Lembro-me de quando, anos atrás, Michal Ann e eu fomos apresentados
a Bob Jones, um vidente enigmático que morava naquela época na área
central dos Estados Unidos e hoje mora na Carolina do Sul. Bob parece
viver nesta dimensão das revelações. Muitas vezes, como um padrão por
muitos anos, antes de alguém ir à casa de Bob para um encontro de
ministério, o Senhor mostra a Bob que as pessoas virão antes, em uma
visão ou sonho ou de alguma maneira visionária. Tem sido assombroso
ver ao longo dos anos a importância dos muitos sonhos e visões de Bob.

9. As graças da revelação nos atraem para a adoração.


Você se lembra da história de Gideão? Deus levantou Gideão como juiz
para libertar os israelitas dos ataques contínuos dos midianitas. Gideão
estendeu a sua lã para confirmar que Deus havia falado, e eles foram e
reuniram um exército de 32 mil soldados, que o Senhor reduziu a 300
homens. Então, com as suas trombetas, tochas e cântaros de argila,
Gideão e seus homens cercaram o acampamento midianita. Na noite
antes da batalha, Gideão precisava de um pouco mais de encorajamento,
então o Senhor o direcionou a se esgueirar pelo acampamento inimigo.
Enquanto estava ali, ele ouviu por alto os midianitas conversarem:

Chegando, pois, Gideão, eis que certo homem estava contando um sonho ao
seu companheiro e disse: Tive um sonho. Eis que um pão de cevada rodava
contra o arraial dos midianitas e deu de encontro à tenda do comandante, de
maneira que esta caiu, e se virou de cima para baixo, e ficou assim
estendida. Respondeu-lhe o companheiro e disse: Não é isto outra coisa,
senão a espada de Gideão, filho de Joás, homem israelita. Nas mãos dele
entregou Deus os midianitas e todo este arraial. Tendo ouvido Gideão contar
este sonho e o seu significado, adorou; e tornou ao arraial de Israel e disse:
Levantai-vos, porque o SENHOR entregou o arraial dos midianitas nas
vossas mãos (Juízes 7:13-15).

Ouvir o plano de Deus sair dos lábios de um midianita pagão era toda a
confirmação de que Gideão precisava. Ele voltou ao seu acampamento
absolutamente convencido da vitória. Observe o que Gideão fez antes de
voltar ao acampamento, porém: ele se prostrou em adoração. Em
humildade e devoção, Gideão reconheceu Deus como a Fonte da
revelação e da vitória que era certa.
A experiência reveladora de Gideão serviu a diversos propósitos.
Primeiramente, ela revelou uma promessa — que Deus entregara os
midianitas nas mãos de Gideão. Em segundo lugar, ela previa o futuro —
vitória para Gideão e seus homens. Terceiro, ela dava a Gideão coragem
para dar prosseguimento à ordem de Deus.
Em quarto lugar, ela inspirou Gideão a adorar ao Senhor. Este deveria ser
o efeito de todas as graças da revelação sobre nossas vidas — elas
deveriam nos atrair à adoração. Sempre que Deus fala, Ele faz isto de
uma maneira incrivelmente pessoal. Ele fala conosco com base em
símbolos do passado; Ele conhece os nossos pontos fortes, as nossas
fraquezas, e os nossos fracassos, e Ele conhece o nosso destino. Em meio
a tudo isto, Ele vem nos fortalecer com o Seu poder, nos iluminar com a
Sua revelação, e nos encorajar nos lembrando do nosso destino. A nossa
reação deveria ser de louvor, de humilde rendição, e de alegre adoração.

10. Os encontros proféticos lançam uma nova luz e concedem uma


nova perspectiva.
As graças proféticas reveladoras de Deus podem nos iluminar com
relação aos acontecimentos passados, ao nosso entendimento atual, e até
aos incidentes futuros. Você lembra quando Eliseu e seu servo foram
cercados pelos sírios? Quando Deus abriu os olhos do servo para ver as
carruagens de fogo e os seus ocupantes angelicais, toda a sua perspectiva
da situação mudou. A graça reveladora que Deus concedeu a ele — em
resultado da oração de Eliseu — lançou uma nova luz sobre as suas
circunstâncias.
Em um sonho de cura, o Senhor pode tirar algo negativo ou doloroso do
nosso passado e — lançando uma nova luz ou concedendo uma nova
perspectiva — nos dar uma reinterpretação redentora de modo que
aquilo já não seja mais uma fonte de dor. A nova luz expulsa as trevas.
Nunca há uma batalha quando uma nova luz aparece. A luz de Deus
sempre vence!

OS NÍVEIS BÁSICOS DAS VISÕES SOBRENATURAIS

Como as visões “acontecem”?


Para mim, elas começam como o que eu chamaria de imagens mentais.
Depois que fui cheio com o Espírito Santo em 1972, comecei a receber
“flashes” de luz — imagens mentais ou quadros que duravam um
segundo ou menos. Naquela época eu não sabia que eram “visões”
legítimas. Eu não sabia como chamá-las. Naqueles dias não havia
seminários ou conferências e tinha pouca coisa escrita ou ensinamentos
sobre o assunto das visões, e muito menos a respeito do tema deste livro
— A Dimensão do Céu! Por meio de um lento processo de crescimento,
aprendi gradualmente que esses “instantâneos” mentais eram
percepções visuais do Espírito Santo. Quanto mais eu crescia e
amadurecia na área visionária, mais prolongadas as imagens se
tornavam.
Um “instantâneo” mental é uma boa maneira de descrever como as
visões podem acontecer. Pense em como uma câmara de fotografias
instantânea funciona. O obturador se abre, permitindo que a luz entre
através da lente, imprimindo no filme a imagem que está diante da lente.
O filme é revelado “instantaneamente” para que a imagem possa ser vista
e analisada. Em uma visão, a “luz” do Senhor entra na “lente” dos nossos
olhos espirituais e imprime uma imagem no “filme” do nosso coração e
da nossa mente. Quando a imagem é “revelada”, ganhamos uma melhor
compreensão do que ela significa. A maioria das visões é interna por
natureza. Uma imagem é impregnada na nossa memória, e podemos tirá-
la para fora, olhar para ela, e estudá-la a qualquer momento que
desejarmos.
Outra maneira de entender como as visões acontecem é pensando em
cada crente em Cristo como uma casa ou um templo. Diz 1 Coríntios 6:19
que nossos corpos são templos do Espírito Santo. Como cristãos, temos
Jesus no poder do Espírito Santo habitando em nós; Ele vive dentro da
nossa “casa”. Casas geralmente têm janelas que deixam entrar a luz. Os
nossos olhos são as janelas da nossa alma. Às vezes, Jesus, que vive em
nossa casa, gosta de olhar para fora das Suas janelas e compartilhar
conosco o que Ele vê. É então que uma visão acontece — vemos o que
Jesus vê quando Ele olha para fora da janela da Sua casa.
Quer a vejamos interna ou externamente, como se em uma grande tela de
projeção, isso não é de grande importância. A nossa primeira prioridade
é ser sensível ao desejo do Espírito de nos deixar ver o que Ele vê.
Simplesmente olhe através dos olhos de Jesus — Ele quer compartilhar
com você o que Ele está vendo!
As visões sobrenaturais estão gravadas por toda a Bíblia. Dentro das
páginas das Escrituras podemos identificar pelo menos 12 tipos ou níveis
diferentes de experiências sobrenaturais visionárias. Nesta seção,
examinaremos cinco delas brevemente, indo progressivamente das mais
simples às mais profundas.

PERCEPÇÃO ESPIRITUAL

Eu falo das coisas que vi junto de meu Pai... (João 8:38).

No nível mais baixo da visão sobrenatural, a percepção espiritual pode


ou não envolver uma forma literal de “visão”. A percepção não está
limitada ao visual. A percepção espiritual está na esfera do saber, da
impressão. Nesse tipo de visão, uma pessoa pode “ver” alguma coisa em
seu espírito enquanto sua mente não vê imagem alguma. O Espírito
Santo, muitas vezes, nos revela coisas através de uma unção ou, para
usar uma palavra mais familiar, uma consagração. No entanto, talvez não
consigamos descrever essas coisas por meio de imagens. Em geral, um
pressentimento, um impulso ou um “sentimento íntimo” que temos se
deve a uma percepção no nosso ser interior, que acontece quando
recebemos os apelos do Espírito Santo.
Jesus andava por fé e sempre agradava a Seu Pai (ver João 8:29). Ele
discernia (via) os atos de Seu Pai e agia de acordo com eles: “Eu falo das
coisas que vi junto de meu Pai...” (João 8:38a). Ele também conhecia
(percebia o íntimo do coração de) todas as pessoas: “... mas o próprio
Jesus não se confiava a eles, porque os conhecia a todos. E não precisava
de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele
mesmo sabia o que era a natureza humana” (João 2:24-25).
Parece que na vida de Jesus, o Seu olho espiritual percebia coisas que a
Sua mente nem sempre visualizava. Essas percepções espirituais
poderiam ser a operação do dom da palavra de sabedoria, da palavra de
conhecimento, do discernimento de espíritos, do dom da fé, ou até do
dom de profecia. Muitas vezes, quanto mais elevado o nível de visão
espiritual, maior a dimensão de visão espiritual que ocorre. Eu, como
você, quero seguir o exemplo de Jesus e “fazer o que vejo o Pai fazer”.

VISÃO PICTÓRICA

... se entre vós há profeta, eu, o SENHOR, em visão a ele, me faço conhecer
ou falo com ele em sonhos (Números 12:6).

Em uma visão pictórica, uma mensagem é revelada e pode ser


identificada e descrita em termos de imagens. Essas são ajudas visuais do
Espírito Santo! Os símbolos podem ou não estar envolvidos. Muitas
vezes, os dons de revelação vêm até nós na forma de uma visão pictórica
que vemos com a nossa visão interior. Entretanto, uma visão pictórica
também pode vir em uma imagem sobreposta ao tema. Em outras
palavras, podemos ver duas coisas de uma vez: a cena principal no
natural, com o objeto da visão pictórica colocado sobre ou em torno a ela.
Por exemplo, costumo ver passagens bíblicas nas testas das pessoas.
Esta é uma ferramenta útil, uma vez que ela retrata algo em que elas
estão refletindo profundamente ou que serve como um remédio do
Senhor para ajudá-las na sua situação atual ou futura. Muitas vezes tenho
de procurar o versículo e lê-lo para elas. Este nível de visão começa a
entrar tanto na área interna quanto na externa.
Outro exemplo: quando ora pelos enfermos, uma pessoa pode “ver” uma
imagem de um órgão do corpo, de um osso, ou de outra parte do corpo
como um flash na sua mente. Isso indica por que ela deve orar ou leva a
um diálogo com a pessoa que está sendo ministrada. Uma visão pictórica
é o tipo que se manifesta quando um cristão está orando por uma pessoa
e o Espírito Santo começa a mostrar coisas em “instantâneos
fotográficos”. A pessoa pode dizer “O Senhor está me mostrando...” ou
“Estou vendo...” ou “Esta imagem significa algo para você?” Isso acontece
porque as visões pictóricas estão apresentando imagens distintas na sua
mente, e não apenas no espírito, como é o caso da percepção espiritual.
Anos atrás, quando eu estava pastoreando uma igreja no Centro-Oeste,
“vi” uma imagem de um estômago inflamado. Mencionei isso no púlpito,
mas ninguém foi à frente que estivesse sofrendo daquela enfermidade
específica. Mas eu não podia me esquivar da visão. Depois de um curto
espaço de tempo, uma mulher do grupo desceu as escadas que davam
para o berçário no porão para ajudar sua filha que estava lá cuidando das
crianças. Quando a jovem subiu as escadas e passou pela porta dos
fundos do santuário entrando na reunião, uma “certeza” ocorreu dentro
de mim. Eu sabia que ela era a pessoa. Realmente, a filha tinha uma
inflamação no estômago, um estado de pré-úlcera. Ela veio à frente e o
poder do Espírito Santo veio sobre ela e o Senhor curou-a
completamente naquela noite!
Tudo começou enquanto estávamos adorando e tive uma visão pictórica
momentânea em minha mente do órgão afetado. Muitas vezes é assim
que essas visões acontecem.

VISÃO PANORÂMICA

Falei aos profetas e multipliquei as visões; e, pelo ministério dos profetas,


propus símiles (Oséias 12:10).

Uma visão panorâmica é uma visão em que uma pessoa vê uma imagem
pictórica, não em forma de instantâneo, mas em movimento em sua
mente. Este “filme” pode durar alguns segundos e incluir palavras
ouvidas na esfera do espírito.
Um panorama é uma imagem que se desenvolve diante dos espectadores
de maneira a dar a impressão de uma visão contínua. Atos 9:10 a 16
registra duas visões panorâmicas. Primeiro, Ananias recebe uma visão de
que ele deve ir e impor as mãos sobre Saulo (que mais tarde se chamaria
Paulo) para que ele volte a enxergar. A segunda visão é a do próprio
Saulo, que, embora cego “... viu entrar um homem, chamado Ananias, e
impor-lhe as mãos, para que recuperasse a vista” (Atos 9:12). Em ambos
os casos, a palavra grega para “visão” é horama, uma das raízes da nossa
palavra “panorama”. É interessante notar que esse é o termo utilizado
muitas vezes para o cinema, pois o cinema é “panorâmico”. Tanto
Ananias quanto Saulo viram um “filme” do que iria acontecer.
Lembro-me de quando recebi meu chamado para as nações depois de
receber oração do evangelista de cura Mahesh Chavda. Enquanto eu
estava descansando no chão, pude ver uma lista de nações em um rolo
impresso diante dos meus olhos. Isso aconteceu três vezes (imagino que
eu precisava captar a imagem!). Durante certo número de anos, ministrei
em todas as nações que foram “fotografadas” pela minha mente. Levou
20 anos para visitar todas elas, mas Deus foi fiel à visão que Ele me deu
naquela gloriosa manhã.

SONHOS SIMPLES (VISÃO DURANTE O SONO)

No primeiro ano de Belsazar, rei da Babilônia, teve Daniel um sonho e


visões ante seus olhos, quando estava no seu leito; escreveu logo o sonho e
relatou a suma de todas as coisas (Daniel 7:1).

Vimos os sonhos e a linguagem dos sonhos anteriormente, mas vamos


revê-los brevemente para fins de comparação. Um sonho é uma
revelação visionária do Espírito Santo que uma pessoa recebe enquanto
dorme. Os sonhos sobrenaturais podem ocorrer em qualquer nível de
sono: o repouso leve, o sono regular, o sono profundo ou até em um
estado de transe. Qualquer um dos dons de revelação, ou qualquer
combinação deles, pode se manifestar em um sonho. Os símbolos podem
ou não estar presentes. Em uma situação específica, todo um cenário
pode ser revelado no sonho.
O livro de Jó nos diz:
Pelo contrário, Deus fala de um modo, sim, de dois modos, mas o homem
não atenta para isso. Em sonho ou em visão de noite, quando cai sono
profundo sobre os homens, quando adormecem na cama, então, lhes abre os
ouvidos e lhes sela a sua instrução... (Jó 33:14-16).

Deus quer falar conosco, mas muitas vezes durante o dia Ele mal
consegue nos dizer uma palavra rapidamente. Quando estamos
dormindo, porém, as nossas almas ficam mais descansadas e estão mais
inclinadas a receber dele. Então Ele pode abrir nossos ouvidos e nos dar
instrução em vários níveis.
Precisamos ser gratos a Deus pela Sua persistência! Afinal, Ele muitas
vezes procura falar conosco durante o dia, mas não o ouvimos. Em vez de
desistir, Deus espera até dormirmos, então Ele libera os seus “agentes
secretos de serviço” — os Seus dons de revelação — para virem sobre
nós no nosso sono. Deus entra silenciosamente à noite e diz Quero falar
com você. É assim que os sonhos sobrenaturais se realizam.
Existe uma maré alta e baixa na vida do sonhador, com certeza. Enquanto
lhe escrevo estas palavras, estou novamente em um daqueles
movimentos de crescimento intenso em que tenho mais de um sonho por
noite. Mas tive outros períodos também quando parecia que o rio havia
“secado”! Sabe o que eu quero dizer?
Mas os sonhos não acontecem por causa da pizza ou da azeitona ou de
alguma coisa que comemos. Eles acontecem por causa do amor de Deus.
Deus quer que vigiemos com Ele. Ele quer que vejamos e ouçamos mais
do que queremos ver e ouvir. Se Ele tiver dificuldade em entrar pela
porta da frente, Ele entrará pela porta dos fundos — através dos sonhos
(para saber mais sobre o tema dos sonhos, minha esposa, Michal Ann, e
eu escrevemos um livro inteiro intitulado A Linguagem dos Sonhos).
MENSAGENS AUDÍVEIS

E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me
comprazo (Mateus 3:17).

Muitas vezes, as visões incluem uma voz falando uma mensagem com
uma imagem visual. Às vezes, uma mensagem é declarada separada de
qualquer imagem visual. As mensagens audíveis na esfera espiritual
podem envolver pessoas falando palavras ou objetos fazendo sons.
Podemos perceber essas mensagens dentro de nós com os nossos
ouvidos internos, ou fora de nós com os nossos ouvidos físicos.
As vozes ou sons que ouvimos interiormente podem realmente ser
mensagens do Senhor. Aquilo que ouvimos fora de nós — uma
mensagem do alto e além da mente e dos ouvidos naturais — chama-se
mensagem sobrenatural audível. As mensagens audíveis do Senhor vêm
de muitas maneiras: por intermédio do Espírito Santo, de Jesus, do Pai,
dos anjos do Senhor de várias dimensões, e de inúmeros sons que Ele
usa.
As vozes audíveis que não nos são familiares podem gerar dúvida e
confusão, ou até medo. Os espíritos sedutores ou enganadores
geralmente são aqueles que se comportam misteriosamente, como se
tivesse alguma coisa a esconder. A palavra oculto significa “escondido”. O
inimigo tenta se esconder, mas podemos mandar satanás e suas coortes
embora através do sangue de Jesus. Simplesmente teste os espíritos para
determinar se eles procedem de Deus.
Deus não é o autor da dúvida, da confusão ou do medo. Quando Deus
libera a Sua mensagem a nós, até mesmo através dos Seus anjos,
deveríamos sentir a pureza e a santidade, uma reverência pelo Senhor e
uma abertura, porque eles não têm nada a esconder. O Espírito de Deus
não tem medo de ser testado. Nunca devemos temer ofender a Deus
testando os espíritos. Ao contrário, Deus fica honrado quando fazemos
isso, porque Ele nos disse na Sua Palavra para o fazermos (ver 1 João 4:1-
3).
Na terrível manhã do dia 11 de setembro de 2001, a voz do Espírito
Santo veio a mim de uma maneira externa audível. Ele disse: Os
caçadores acabam de ser soltos! Eu estava familiarizado com esse termo
por causa da minha história de oração e por carregar o fardo do coração
de Deus pelo povo judeu. Então senti uma urgência de ligar a televisão.
Como foi visto por milhões de pessoas, vi a transmissão das torres do
World Trade Center sendo destruídas por terroristas. O Espírito Santo
estava dando uma porção da interpretação de Deus para os
acontecimentos do nosso tempo ao me advertir Os caçadores acabam de
ser soltos! Na verdade, estamos vivendo em dias em que os espíritos de
terror, do anticristo e do antissemitismo estão aumentando.
A Bíblia está cheia de exemplos em que as pessoas ouviram Deus com
voz audível:
Deus fala do céu quando Jesus é batizado — Mateus 3:17.
Deus fala a Pedro, Tiago, e João no Monte da Transfiguração —
Lucas 9:28-36.
Um anjo fala com Filipe — Atos 8:26.
O Senhor fala com Saulo na estrada para Damasco — Atos 9:3-7.
O Espírito Santo fala aos profetas, mestres, e a outros crentes em
Antioquia — Atos 13:1-3.
Não devemos ter medo da possibilidade de ouvir uma voz audível da
parte do Senhor. Tenha segurança nisso! Jesus disse que as Suas ovelhas
conheceriam a Sua voz (ver João 10:14). Ele é um grande mestre — o
maior mestre de toda a história. Ele é o Mestre, e Ele quer que ouçamos a
Sua voz ainda mais do que nós queremos ouvi-la!

EXISTE MAIS, SENHOR?

Existe mais, Senhor? Em um livro como este? O Senhor está brincando!


Ora, esta foi apenas a introdução, lembra-se? Agora, vamos para o “prato
principal” desse assunto tão rico e completo. Afinal, estamos sentados à
mesa do banquete das Suas delícias. Os dons do Espírito são para hoje, e
Deus está bem vivo no planeta Terra!
Então, se você ousa ir onde provavelmente nunca foi antes, continue
virando as páginas comigo na sua jornada para explorar a diferença
entre o verdadeiro e o falso nas experiências espirituais. Lembre-se de
manter a simplicidade no que diz respeito a este assunto, fazendo
sempre esta pergunta: “Esta experiência me leva para mais perto de
Jesus?” Se a resposta for sim, “vamos em frente”, enquanto avançamos
para entender as categorias e a diversidade dos nossos sonhos.
CAPÍTULO 4
OS ASPECTOS ENCANTADORES DOS SONHOS

por JAMES GOLL

Uau! Você está pronto para outra rodada poderosa de ensino, revelação e
transferência de poder do Espírito Santo? Acho que “ouvi” um “Sim,
senhor!” ou um “Amém” vindo de algum lugar! Você deve realmente ser
uma alma faminta! Bem, vamos em frente sem demora, vamos direto à
tarefa que nos está proposta. Sigamos mais fundo nas águas dos sonhos.
Este é um assunto extremamente vasto, mas vamos mergulhar e ver o
que o Mestre tem reservado para nós!

SONHOS: UMA LINGUAGEM VIVA DE AMOR

Os sonhos são tão diversos quanto os idiomas que falamos, as roupas que
vestimos e a comida que comemos. Os sonhos são uma expressão
comunicativa do coração criativo de Deus. Assim como o Mestre pinta
artisticamente cada flor no campo, os sonhos são feitos na medida,
individualmente, para você e para mim.
De que são feitos os sonhos? Eles são presentes espirituais que nos são
dados para que possamos desembrulhá-los? Os sonhos reveladores
naturalmente se encaixam no dom espiritual da profecia. No entanto,
eles são vastos demais para ficarem confinados estrita e precisamente a
apenas um dom. Os sonhos também podem ser uma transferência do
dom de discernimento de espíritos. Como as cores de um arco-íris em
sombras que se sobrepõem, é difícil dizer onde uma começa e a outra
termina; do mesmo modo, os sonhos são definitivamente criações únicas
e expressivas dos dons espirituais. Não existem linhas de demarcação
claras entre os dons espirituais. A palavra de sabedoria se mistura com a
palavra de conhecimento. O dom da fé se sobrepõe à operação de
milagres. Sim, os sonhos são dons espirituais com muitos aspectos
diversos encantadores.
A linguagem dos sonhos não é uma língua morta, mas uma linguagem
dinâmica e viva de amor. A principal diferença entre os sonhos e outras
transferências reveladoras é que recebemos os sonhos primeiro no
nosso subconsciente e só depois passamos a ter consciência deles na
nossa mente consciente. Por causa da natureza divina da revelação,
precisamos depender do Espírito Santo para entendê-los. Jesus disse: “...
quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a
verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver
ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir” (João 16:13).
Como o Criador, Deus é incrivelmente variado. Ele ama a variedade.
Basta dar uma olhada no mundo natural em toda a sua abundante
variedade e isso basta para mostrar a diversidade da natureza criativa de
Deus. Essa diversidade é tão verdadeira na dimensão espiritual quanto
na dimensão natural. Paulo escreveu:

Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há


diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas
realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos. A manifestação
do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso (1 Coríntios
12:4-7).

Existem diversidades de dons espirituais, mas todos vêm do mesmo


Espírito Santo. Cada um de nós, como crentes, recebe a manifestação do
Espírito, mas ela vem em diferentes pacotes de graça e sob uma
variedade de formas. Somos muito distintos uns dos outros. Pensamos de
maneira diferente uns dos outros e percebemos as coisas de modos
diversos. O Espírito de Deus efetua as Suas transferências de unção sob
medida para se alinhar com o nosso chamado individual. Assim como há
diversidade de dons espirituais, também há diversidade de sonhos. Em
outras palavras, Ele nos dá sonhos de acordo com a nossa esfera ou
dimensão de influência. Essa característica é parte da Sua natureza
impressionante.

OS SONHOS DE ACORDO COM A SUA ESFERA DE INFLUÊNCIA

Quando o Espírito Santo lhe der sonhos e outros tipos de encontros


sobrenaturais, Ele fará isso de acordo com o chamado de Deus sobre a
sua vida. Recebemos de acordo com a parte que nos cabe ou com a nossa
esfera de influência. A palavra grega é metron. Sejam sonhos sobre a sua
casa, os seus filhos, o seu local de trabalho, a sua igreja local, a sua cidade
ou a sua nação, você receberá sonhos que se relacionem com a esfera de
influência a partir da qual você age em sua vida.
Pelo fato de que cada um de nós tem diferentes esferas de influência e
chamados, as nossas revelações diferirão umas das outras também —
não revelações conflitantes ou contraditórias, apenas diferentes por
causa das nossas esferas distintas. Deus nunca se contradiz e nem a Sua
revelação.
Por exemplo, se o seu chamado for para o evangelismo, os seus sonhos
provavelmente tenderão a ser evangelísticos por natureza. Se a sua
esfera for pastoral, você receberá sonhos com ovelhas e relacionados ao
rebanho. Se o seu dom inclui o ministério profético, os seus sonhos serão
altamente reveladores por natureza. Se você é chamado para o mercado
de trabalho, então o meio criativo de Ele se comunicar com você terá
relação com esta área. Se estiver envolvido profissionalmente na área da
saúde, os seus sonhos geralmente falarão de cuidados, cura e liberação
de amor. Se trabalhar no governo, os seus sonhos tratarão das esferas de
autoridade. Toda revelação demonstrará um nível diferente de impacto e
de unção. Tudo depende da sua esfera.

MEDIDA DE GOVERNO

Assim como todos nós temos uma esfera de revelação, cada um de nós
também tem uma medida de governo ou influência. Parte do mandato que
nos foi dado por Deus na criação é o de exercermos o domínio sobre a
ordem criada. Temos uma mordomia para governar na Terra. O Espírito
Santo determina a nossa medida de governo de acordo com a vontade do
nosso Pai celestial, e ela é diferente para cada um de nós.
A nossa medida de governo delegado é determinada por três elementos:
a nossa medida de dom, a nossa medida de autoridade e a nossa medida
de fé. Estes três elementos combinados ajudam a explicar por que
algumas pessoas parecem ter uma esfera de influência muito maior que
outras. Algumas pessoas têm uma esfera de influência que tem uma
escala global. A maioria de nós, porém, opera em um nível menor, como
na nossa comunidade ou na nossa congregação local.
Isto não significa que os ministérios de pessoas com medidas de governo
menores são menos importantes que os maiores. Não caia na armadilha
da comparação. Só porque a esfera de outra pessoa pode ser maior que a
sua, isso não significa que Deus ama você ou o favorece menos que a
outra pessoa. Lembre-se, Deus nunca desperdiça nada, e Ele jamais age
sem um propósito.
O Senhor determina a nossa medida de governo de acordo com a Sua
soberana vontade e Ele nos dá dons e nos equipa de acordo com ela. A
nossa medida de governo estabelece os limites para o que Deus espera
de nós a qualquer momento específico. No sistema de avaliação e
recompensa de Deus, a fidelidade é mais importante que o volume. Ele
prometeu que se formos fiéis no pouco, Ele nos dará muito. A chave é ser
fiel com o que Ele nos tem dado. Grande, pequena ou média, a nossa
medida de governo e como a exercemos são muito importantes para
Deus. Elas são peças cruciais do Seu propósito de redenção geral para a
humanidade.
Dentro da nossa medida de governo, cada um de nós tem uma medida de
dons, que se refere ao nível ou grau específico de graça que recebemos do
Espírito Santo. Essa medida será sempre suficiente para a esfera de
influência que Deus nos deu. Também temos cada um uma medida de
autoridade que define a nossa posição funcional e a nossa esfera de
influência. Dentro dessa área de autoridade seremos altamente eficazes;
fora dessa posição a nossa eficácia e o nosso impacto diminuirão. Paulo
reconhecia o alcance de sua esfera e tomava o cuidado de permanecer
dentro dela: “Nós, porém, não nos gloriaremos sem medida, mas
respeitamos o limite da esfera de ação que Deus nos demarcou e que se
estende até vós” (2 Coríntios 10:13).
Finalmente, a medida de fé descreve o grau de confiança com o qual nos
movemos no nosso dom com autoridade: “Porque, pela graça que me foi
dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que
convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus
repartiu a cada um” (Romanos 12:3). Estes três elementos — dom,
autoridade e fé — compõem a nossa medida de governo, que determina
como as pessoas reagirão a nós como servos de Deus.
Você receberá revelação de acordo com a sua medida de governo. Pense
na sua medida de governo como uma mordomia pela qual você é
responsável diante de Deus. Ele lhe dará revelação no seu campo de
mordomia. Se a sua medida de governo, por exemplo, se estende sobre
um pequeno grupo, busque sonhos (e interpretações) que se relacionem
com esse pequeno grupo. Poucos começam com sonhos ou revelações
que têm alcance global. Deus pode muito bem lhe dar esse sonho, mas se
Ele o fizer, isso é tipicamente uma prévia de um tempo futuro. Antes que
essa revelação tenha aplicação em sua vida, Deus terá de ampliar a sua
medida de governo para se alinhar com ela.
A sua medida de governo determinará como as pessoas reagirão a você
como servo de Deus. Se você for fiel dentro da sua esfera de influência,
Deus assegurará que o seu dom abra espaço para você: “O presente que o
homem faz alarga-lhe o caminho e leva-o perante os grandes”
(Provérbios 18:16). Deus nunca desperdiça os Seus dons. Se você for fiel
com o que Ele lhe deu, cuidado — o céu é o limite!

CATEGORIAS DE SONHOS

Um princípio fundamental para se entender e andar na linguagem dos


sonhos é aprender a distinguir entre as duas principais categorias de
sonhos: sonhos intrínsecos ou internos, e sonhos extrínsecos ou externos.
Os sonhos intrínsecos são sonhos de descoberta de nós mesmos. Essa
categoria abrange a vasta maioria dos nossos sonhos. Acredite se quiser,
a maioria dos seus sonhos é sobre você, assim como a maioria dos meus
é sobre mim. Nunca se esqueça, porém, que a linguagem dos sonhos tem
a ver com Deus. Contudo, Ele nos dá sonhos pessoais de autodescoberta
a fim de nos ajudar na jornada da vida.
Uma pequena porcentagem da maioria dos sonhos dos crentes está na
categoria dos sonhos extrínsecos, ou externos, a não ser que a sua esfera
de influência indique o contrário. Esses são sonhos com eventos
externos. Eles podem envolvê-lo pessoalmente, mas também terão um
aspecto mais amplo. Os sonhos externos se relacionam com o seu metron
ou esfera de influência. Às vezes, esses sonhos serão usados para chamá-
lo para alguma posição ou tarefa, mas não completamente para liberar
ou comissionar você para entrar nelas ainda. Neste caso, pense nos
sonhos como sendo parte de seu aprendizado, o seu treinamento no seu
vocabulário espiritual. Eles são “agentes” de Deus para chamar a sua
atenção, para ajudá-lo a chegar mais longe na estrada. Eles lhe mostram
um vislumbre do que está à frente a fim de estimular o seu apetite e
inspirá-lo a continuar em frente. O propósito mais comum dos sonhos
externos é nos atrair para a intercessão.
Existem algumas pessoas dotadas profeticamente que recebem
principalmente sonhos externos em vez de sonhos internos. Isso
geralmente ocorre depois que Deus lhes deu muitos sonhos internos de
autodescoberta para purificá-los dos muitos problemas comuns com o
inimigo. Ao mesmo tempo, porém, Deus muitas vezes dá um dom que é
maior que o nosso caráter. Por quê? Para estimular o nosso caráter a se
elevar, para nos motivar a um maior crescimento e maturidade, e para
nos inspirar a buscar o nosso mais pleno potencial em Cristo. Deus nos
reveste de poder com um dom que nos fará buscar a Sua presença para
termos o caráter necessário para carregar esse dom.
OS SONHOS VINDOS DO ESPÍRITO SANTO, DO EU NATURAL, E DA
DIMENSÃO DEMONÍACA

Outro princípio fundamental para operar na linguagem dos sonhos é


discernir as fontes dos nossos sonhos. Na essência, os sonhos vêm de
três lugares principais. São eles os sonhos vindos do Espírito Santo, do
nosso eu natural, e os sonhos vindos da dimensão demoníaca.
Analisaremos cada um deles de uma vez.

OS SONHOS VINDOS DO ESPÍRITO SANTO

Os sonhos vindos do Espírito Santo são difíceis de classificar porque eles


vêm em uma variedade infinita e são feitos na medida para cada pessoa.
Apesar disso, quero discutir brevemente 12 categorias básicas de sonhos
que recebemos do Espírito Santo.

SONHOS RELATIVOS AO DESTINO

Os sonhos relativos ao destino revelam parte do chamado progressivo de


Deus com relação à sua vida, direção e vocação. Geralmente, eles se
relacionam com a sua esfera de influência. Às vezes, eles serão sonhos
extrínsecos relacionados ao plano redentor de Deus para uma cidade,
uma região ou uma nação. Outras vezes, os sonhos relativos ao destino
são mais pessoais, revelando o desdobramento da sua vida no plano de
Deus. Eles podem se relacionar apenas ao presente, onde você está
agora, ou eles podem tratar com o passado, o presente e o futuro da sua
vida. A linguagem dos sonhos se move em todas as três áreas.
Um sonho panorâmico que parece abranger o passado, o presente e o
futuro, pode se cumprir em um curto período. Entretanto, muitos anos
podem se passar antes que o sonho relativo ao seu destino se cumpra
completamente. É por isso que é importante prestar muita atenção a
qualquer palavra que você ouvir no sonho, porque elas serão úteis na
interpretação dos símbolos contidos nele. Os sonhos relativos ao destino
são inspiradores e carregam a nossa fé para voar a novos níveis!

SONHOS DE EDIFICAÇÃO
Estes são os sonhos “agradáveis”. Quando acorda depois deles, você se
sente absolutamente maravilhoso, como se estivesse no topo do mundo e
pronto para qualquer coisa. Os sonhos edificantes têm um tom
inspirador. Eles são cheios de revelações e geram esperança. Se você
andou desanimado, pode receber um sonho de edificação que, ainda que
você não se lembre de todos os detalhes, lhe dará um senso de esperança
e confiança, dissipando assim o seu desânimo.
O sonho de Jacó no capítulo 28 de Gênesis é um bom exemplo. Fugindo
da ira de seu irmão Esaú e sozinho no deserto, Jacó estava assustado e
desanimado. Ele sonhou com uma escada que ia da Terra ao céu com
anjos que subiam e desciam por ela e Deus estava em pé no topo. Deus
prometeu ir com Jacó e prosperá-lo. Esse sonho não apenas encorajou
Jacó, como também mudou o rumo da sua vida.
Da mesma maneira, os sonhos de edificação podem ajudar a mudar o
rumo da sua vida.

SONHOS DE EXORTAÇÃO
Às vezes, chamados de “sonhos de coragem”, os sonhos de exortação em
geral contêm um forte senso de urgência. Eles nos desafiam a tomar uma
atitude. Enquanto os sonhos de edificação produzem esperança, os
sonhos exortativos geram fé. Eles transmitem inspiração e motivação
para nos levantarmos e fazermos alguma coisa por amor a Jesus. Mais do
que apenas dar um simples conselho, os sonhos de exortação também
revelam um retrato preciso e detalhado do que está acontecendo por trás
dos bastidores, principalmente na esfera demoníaca. Essa revelação tem
o propósito de nos desafiar a tomar uma atitude sobre o que vimos.
Tome coragem e aja!

SONHOS DE CONSOLO
Os sonhos de consolo servem para curar as nossas emoções e as nossas
lembranças. Podemos usá-los para reinterpretar as circunstâncias do
nosso passado com uma lente celestial, nos ajudando a ver as coisas de
modo diferente. Em outras palavras, os sonhos de consolo nos dão uma
perspectiva celestial sobre uma situação terrena para que possamos
receber cura emocional.
Alguns meses depois da morte de minha mãe, tive um sonho em que eu
estava de volta à velha casa de campo onde cresci. Eu estava sentado no
meu lugar na mesa da cozinha, enquanto minha mãe e meu pai estavam
em extremidades opostas da mesa. O cantor e compositor cristão Michael
W. Smith estava com eles, e os três cantavam a canção de Michael “Agnus
Dei”: “Aleluia! Aleluia! Poderoso é o Senhor nosso Deus.” Esse sonho me
confortou grandemente e me garantiu que minha mãe, assim como meu
pai, estava segura na presença do Senhor. Reflita comigo; apenas cante
essa doce canção de adoração como se ela estivesse sendo cantada no
céu!
Assim, os sonhos de consolo também podem liberar segurança. Se os
sonhos de edificação geram esperança e os sonhos exortativos liberam
fé, os sonhos de consolo liberam o amor. Eles o ajudarão a amar melhor a
si mesmo, a amar melhor a Deus, e a amar melhor os outros também.

SONHOS DE CORREÇÃO
Os sonhos de correção revelam as mudanças pessoais — problemas de
caráter, problemas do coração, problemas de arrependimento — com os
quais precisamos tratar a fim de poder seguir em frente. Estes não são
sonhos para nos condenar. O Espírito Santo nunca nos condena. Em vez
disso, Ele vem com um amor terno e libera uma mensagem carinhosa
para nos atrair a fim de nos fazer voltar para Ele e aceitarmos a Sua
correção. O Espírito Santo nos convence e nos traz convicção — mas Ele
nunca nos condena.
Diferente de um sonho de consolo, um sonho de correção pode nos
inquietar em princípio. Eles nos provocam e nos despertam; eles até nos
deixam zangados, às vezes, porque o nosso eu natural nem sempre quer
responder às coisas de Deus. Mas Deus, em Sua infinita paciência e
bondade, nos persegue irredutivelmente. Ele quer nos aperfeiçoar, então
Ele, às vezes, usa sonhos de correção.

SONHOS DE DIREÇÃO
Os sonhos de direção em geral contêm um nível mais alto de revelação e
obviamente são muito proféticos por natureza. Muito frequentemente
eles transmitem um senso distinto de urgência. O propósito deles é dar
uma direção específica, que pode até incluir advertências de algum tipo.
Um exemplo é o sonho dos sábios no capítulo 2 de Mateus, a quem Deus
advertiu para que não voltassem para Herodes. Isso os impulsionou a
buscarem um caminho alternativo para casa.
Às vezes, os sonhos de direção nos enchem com um desejo por alguma
qualidade ou dimensão espiritual que ainda não possuímos e nos inspira
a começar a buscá-la. Finalmente, os sonhos de direção servem para nos
ajudar a chegarmos mais adiante na estrada em direção ao nosso destino
e propósito, nos mostrando sinalizações e nos ajudando a evitar ciladas
ao longo do caminho.

SONHOS DE INSTRUÇÃO
Estes são principalmente sonhos de ensinamentos. Os sonhos de direção
nos dão direção; os sonhos instrutivos nos ensinam. Existe uma linha
tênue de distinção entre os dois. As Escrituras, muitas vezes, são
enfatizadas nesses sonhos, e frequentemente ouvirá uma voz falando
com você. Às vezes, os sonhos instrutivos serão até doutrinários por
natureza, mas eles sempre conterão percepção com revelação.
Em um sonho que chamo de “Uma Casa Que Foi Construída para Durar”,
eu estava em um local de construção, observando enquanto um
caminhão de cimento derramava camada após camada de concreto no
fundamento de uma casa. Dois anjos, simbolizando o zelo de Deus,
estavam em pé em dois cantos dianteiros da fundação, supervisionando a
construção. Por causa dos tremores e terremotos que ocorreram ao
longo dos anos, havia uma grande necessidade de uma fundação forte e
sólida.
À medida que cada camada de concreto era colocada, palavras apareciam
na fundação, semelhantes à escritura na parede que está relatada na
Bíblia no livro de Daniel. No canto dianteiro direito da primeira camada
apareceram as palavras “Jesus Cristo é o Messias dos Judeus e dos
Gentios”. No canto esquerdo lia-se: “Apóstolos e profetas, os pais e mães
das eras da igreja.” A Igreja é edificada sobre o fundamento dos apóstolos
e dos profetas, com Cristo como a pedra angular.
Quando a segunda camada de concreto foi derramada, a palavra
“Integridade” apareceu no canto direito e a palavra “Humildade” no
canto esquerdo. A atividade dos caminhões liberando o concreto para o
fundamento continuou. Ao longo da frente da terceira camada estavam
as palavras “Adoração íntima com um coração puro”. E, finalmente, a
quarta camada de concreto tinha as palavras “O coração de Deus pelos
pobres e desesperados”. Lançando-se destas palavras, estava a frase: “A
graça curadora de Deus.”
Creio que este foi um sonho instrutivo com uma natureza apostólica. O
sonho liberou percepções de ensinamento a respeito da maneira
adequada de se construir uma casa forte, seja uma casa para a família,
seja uma empresa ou uma igreja. Todas essas qualidades são necessárias
para o fundamento adequado.
Os sonhos edificantes geram esperança. Os sonhos exortativos instilam
fé. Os sonhos de consolo alimentam o amor. Os sonhos instrutivos
transmitem ensino com sabedoria.

SONHOS DE PURIFICAÇÃO
Algumas pessoas chamam-nos de sonhos de “descarga”, e com muita
razão. Uma das imagens mais comuns associadas ao sonho de purificação
é a imagem de se estar no banheiro, no vaso sanitário ou tomando um
banho de chuveiro. Esses sonhos tratam com problemas de limpeza. Para
usar a terminologia bíblica, poderíamos chamar esses sonhos de sonhos
de santificação. Eles estão relacionados com o nosso processo de
purificação.
Os sonhos de purificação são usados para nos lavar da poeira e sujeira
que se apegam a nós ao andarmos no mundo. Cristo está preparando
uma Noiva em quem não haverá ruga ou mancha, nem mesmo nas nossas
roupas. Às vezes, o nosso coração e a nossa mente ficam manchados pelo
nosso contato com o pecado e com o mal no mundo. A corrupção vil tenta
colocar a sua imundície em nós. Os sonhos de santificação podem ajudar
nesse processo. Na essência, esses sonhos têm a ver com aplicar o sangue
purificador de Jesus às nossas vidas.

SONHOS QUE REVELAM O CORAÇÃO


Estes também são conhecidos como sonhos de autodescoberta ou sonhos
sobre a condição do eu. A Escritura diz: “Enganoso é o coração, mais do
que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?”
(Jeremias 17:9). E Jesus disse: “Raça de víboras, como podeis falar coisas
boas, sendo maus? Porque a boca fala do que está cheio o coração”
(Mateus 12:34). Os sonhos de autodescoberta nos mostram a nossa
posição atual diante de Deus. Por exemplo, digamos que você sonhe que
está no seu carro e que ficou preso em um beco sem saída. O carro pode
representar a sua vida ou o seu ministério, e o beco sem saída revela que
você está andando em círculos ou quase chegou a um ponto morto. Deus
não quer que você fique em um beco sem saída; Ele quer que você volte
para a estrada da vida.
Quando Abimeleque tomou a mulher de Abraão, Sara, e levou-a para o
seu harém, pensando que ela era irmã de Abraão (que foi que Abraão lhe
disse), Deus apareceu a Abimeleque em um sonho e o advertiu para não
seguir em frente com aquilo porque Sara era mulher de Abraão. Deus
disse a Abimeleque para devolver Sara a Abraão ou ele morreria. O rei
fez como foi instruído no sonho (ver Gênesis 20:3).
Deus nos dá sonhos de autodescoberta para nos mostrar onde estamos,
para nos dizer o que precisamos fazer, e para revelar para onde Ele quer
que sigamos.

SONHOS DE GUERRA ESPIRITUAL


Os sonhos de guerra espiritual são chamados à oração. Eles são sonhos
do tipo intercessórios que revelam impedimentos que estão no caminho
e podem incluir chamados à adoração e ao jejum. O propósito deles é nos
inspirar a seguir em frente até à vitória na direção da cruz de Cristo,
destruindo fortalezas e superando todos os obstáculos ou barreiras que
se interponham no caminho.
Às vezes, os sonhos vêm em pares e têm o mesmo significado para nos
dar uma percepção adicional. Recentemente, quando fui diagnosticado
com o retorno de um câncer do tipo linfoma não-Hodgkin, o Senhor me
deu dois sonhos que me encorajaram a lutar até a vitória. No primeiro
sonho, o Espírito Santo me disse: Você precisa convocar uma audiência do
tribunal e colocar diante do juiz três espíritos familiares que atuam em
gerações: a enfermidade familiar, a feitiçaria familiar e o roubo familiar.
No segundo sonho, foi-me dado um revólver com um tambor para cinco
balas. Depois me foram dadas cinco balas de “graça eficaz” para municiar
o revólver. Cada bala tinha uma referência bíblica:

Jeremias 30:17: “Porque te restaurarei a saúde e curarei as tuas


chagas, diz o SENHOR...”
Provérbios 6:30-31: “Não é certo que se despreza o ladrão,
quando furta para saciar-se, tendo fome? Pois este, quando
encontrado, pagará sete vezes tanto; entregará todos os bens de
sua casa.”
Levítico 17:11: “Porque a vida da carne está no sangue...”
Isaías 54:17: “Toda arma forjada contra ti não prosperará...”
Mateus 8:16-17: “Chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos
endemoninhados; e ele meramente com a palavra expeliu os
espíritos e curou todos os que estavam doentes; para que se
cumprisse o que fora dito por intermédio do profeta Isaías: Ele
mesmo tomou as nossas enfermidades e carregou com as nossas
doenças.”

Creio que o Senhor me deu essas passagens bíblicas através de um sonho


de guerra espiritual a fim de me armar para ser eficaz na batalha. Enviei
este sonho para o nosso grupo de escudo de oração e pedi a eles que
proclamassem estas cinco passagens sobre minha vida.

SONHOS DE CRIATIVIDADE
Os sonhos criativos envolvem coisas como projetos, invenções e novas
maneiras de fazer as coisas. Eles podem colocar um peso sobre o nosso
eu espiritual e nos ajudar a nos tornarmos agentes de transformação,
mudando a cultura de nossas casas, cidades e as vidas dos outros e até as
fortalezas da nossa mente. Deus costuma usar sonhos criativos com
pessoas ligadas à arte para lhes dar canções para cantar, imagens para
pintar, ou palavras para escrever. Tive sonhos que revelaram o título de
um novo livro com uma capa altamente artística. Chamo esses episódios
de “Roteiros do Espírito Santo”, e posso usar todos os que Ele queira me
dar!
Há alguns anos eu estava me preparando para ir a Ohio por uma semana
para ministrar. Isso foi no ápice do movimento profético, e a quantidade
incomum de atividade profética que estava ocorrendo aumentara
enormemente as expectativas. Francamente, eu estava atuando em um
nível de revelação que era novo para mim naquela época, e tinha medo
que as pessoas esperassem que eu atuasse o tempo todo naquele nível.
Pressão. Desempenho. Medo. À medida que o dia da minha partida se
aproximava, debatia-me com a ansiedade. Clamei ao Senhor por ajuda, e
Ele me ouviu!
Na noite anterior à minha partida, recebi dois sonhos ou, melhor
dizendo, o mesmo sonho por duas vezes. Uma orquestra estava tocando,
e um coral cantava. Uma bandeira se desenrolava diante dos meus olhos.
Na bandeira, estava escrita a letra de uma canção. Percebi que a
orquestra tocava a melodia e o coral estava cantando aquela letra. Foi
quando acordei. Isto aconteceu duas vezes.
Voei para Cleveland, Ohio, e durante toda aquela semana, em cada
santuário de igreja onde ministrei, procurei aquela bandeira. Eu
realmente queria encontrar aquela bandeira. Eu simplesmente sabia que
ela estaria em algum lugar! Continuei procurando no natural por toda
parte que ia! O motivo: Esqueci as palavras que estavam impressas nela!
Continuei procurando por aquele sinal de Deus, mas, um lugar após o
outro, ele fugia de mim.
Na última noite das reuniões, tive uma visão de um par de sapatos que
me seriam dados para usar simbolicamente. Em diversas ocasiões, tive
visões dos sapatos de um líder apostólico ou profético como uma pista
para mim de em que unção específica eu iria atuar. Naquela noite, vi os
sapatos de meu querido amigo Mahesh Chavda. Tendo viajado com
Mahesh e testemunhado suas reuniões, eu sabia que na minha última
reunião o Espírito Santo se moveria em poder, e as pessoas seriam
impactadas pelo Espírito Santo em todo o auditório.
Quando chegou o dia da última reunião, porém, eu estava tão esgotado
fisicamente que me senti como se não tivesse mais nada para dar às
pessoas. Quando chegou a hora de falar, fui apresentado, mas ainda
parecia que eu não tinha nada em mim. Desesperadamente, orei: Ajude-
me, Jesus!
Deus é tão fiel! Quando me levantei para falar, tive uma visão aberta —
você adivinhou — da bandeira desenrolada do meu sonho. Ali estava ela,
bem diante dos meus olhos espirituais. Eu podia ver claramente as
palavras escritas nela e imediatamente comecei a cantá-las a cappella:
“Até onde irá o Meu amor? Até onde se estenderá o Meu braço? Irá o Meu
sangue purificar quando o homem pecar, mesmo sabendo? Até onde o
sangue do Meu Filho alcançará?”
Como se constatou em seguida, esta foi uma canção de grande consolo
para aquela igreja, uma vez que eles haviam removido recentemente um
líder veterano que caíra em pecado de imoralidade e estavam atualmente
sem um líder permanente. Eles estavam lidando com muita decepção, e a
canção do Senhor os encorajou grandemente. Deus sabia exatamente o
que eles precisavam e Ele me transmitiu através de um sonho e de uma
visão criativos. Naquela noite a unção estava tão forte que ninguém
conseguia chegar a menos de dois metros de mim sem “cair” no Espírito.
As pessoas caíam pelo poder de Deus por todo o santuário.
Este foi um sonho de consolo, um sonho de purificação, ou um sonho de
criatividade? Bem, você se lembra da ilustração que compartilhei sobre
as cores do arco-íris? Onde uma cor termina a outra começa? Bem, a
resposta é: foi tudo isso ao mesmo tempo. Foi o sonho criativo que
trouxe purificação e consolo curativo! Os sonhos podem fazer mais de
uma coisa ao mesmo tempo!
Deus é um Criador por natureza, e Ele ama dar sonhos criativos a Seus
filhos.

SONHOS COM TRANSFERÊNCIA


Os sonhos com transferência de unção são usados para ativar qualquer
uma das várias dimensões dos dons do Espírito. Muitas vezes será o dom
de cura, tanto cura emocional quanto cura física. Em alguns casos, um
anjo do Senhor pode realmente aparecer no seu quarto e tocá-lo,
liberando um dos muitos encontros de poder do céu.
Minha esposa, Michal Ann, teve um sonho como esse duas semanas antes
de ser convidada para ir a Moçambique. Certo número de pessoas
haviam lhe dito que ela não estava bem o bastante para fazer essa
viagem. No seu sonho, Aimee Semple McPherson, apóstola, evangelista e
fundadora da Igreja do Evangelho Quadrangular, que atuava
poderosamente em sinais e maravilhas, aproximou-se de Michal Ann
com um cartão de plástico em sua mão. Ela o enfiou nela e o puxou de
volta. Ao acordar, Michal Ann sentiu a presença fascinante da energia de
Deus em todo o seu ser. Foi um sonho de transferência. Houve uma
transferência de fé não apenas para a vida dela, mas para toda a missão
apostólica com a qual ela iria embarcar ao liderar uma equipe para ir a
Moçambique. Sim, Deus sabe exatamente o que você precisa e quando
você precisa!
SONHOS DO EU NATURAL

Alguns de nossos sonhos não são sobrenaturais por natureza, mas vêm
do nosso eu natural. Esses sonhos “naturais” geralmente se encaixam em
uma destas três categorias: sonhos corporais, sonhos químicos ou
sonhos almáticos.

SONHOS CORPORAIS
Os sonhos corporais geralmente resultam e refletem algum aspecto do
estado físico da pessoa que está sonhando. Por exemplo, não é raro a
pessoa sonhar que está grávida. Em geral, eles significam — você captou
— que a mulher está grávida! Mas se sabe que até homens sonham que
estão grávidos. No caso deles, assim como no caso das mulheres que têm
este sonho, pode haver realmente um significado especial por trás do
sonho. Um sonho de gravidez pode indicar que a pessoa está “grávida”
das coisas e propósitos de Deus. Algo novo está para nascer!
Muitas vezes, entretanto, os sonhos corporais refletem realidades físicas.
Uma pessoa que está enferma pode sonhar que está enferma. Uma
pessoa que se sente como se estivesse gripada, é possível que ela tenha
uma gripe! Uma pessoa que está passando por depressão ou dor pode ter
sonhos que reflitam o seu estado de espírito. Os sonhos depressivos ou
sombrios também podem vir do inimigo, de modo que é preciso ter
discernimento cauteloso para distinguir um do outro.
Só porque os sonhos corporais não são necessariamente espirituais, isso
não significa que eles são demoníacos. É importante prestar atenção aos
sonhos corporais porque eles podem nos dar dicas de mudanças que
podemos precisar fazer em nossa vida natural.

SONHOS QUÍMICOS
Estes sonhos, às vezes conhecidos como sonhos hormonais, geralmente
vêm em resultado de medicamentos que estamos tomando. Muitas vezes,
os sonhos químicos revelam a necessidade de nosso corpo passar por
algum tipo de limpeza. Tive ocasiões em que um sonho químico me
revelou que um medicamento que eu estava tomando, como algo para
aliviar a cavidade nasal, estava se acumulando demais em meu corpo. Ele
causava um efeito negativo sobre mim, e eu precisava de uma limpeza.
Os sonhos químicos também podem surgir por causa de uma mudança
ou de um hormônio anormal ou de níveis químicos no corpo. A síndrome
pré-menstrual, o diabetes, a hipoglicemia — estas condições e outras
similares envolvendo desequilíbrios químicos podem estimular esses
tipos de sonhos naturais.

SONHOS ALMÁTICOS
A palavra “almático” não significa necessariamente carnal. Como cristãos,
nossas almas devem ser renovadas em Cristo — mas sinceramente,
estamos todos em diferentes estágios dessa renovação. Os sonhos
almáticos podem simplesmente ser as nossas emoções expressando
nossas necessidades e desejos. Eles podem nos falar sobre a necessidade
de santificação em alguma área de nossas vidas. Um valor significativo
dos sonhos almáticos é que eles podem nos mostrar coisas a respeito de
nós mesmos que de outro modo deixaríamos de ver quando estamos
acordados.
SONHOS DA DIMENSÃO DEMONÍACA

Uma terceira fonte de sonhos que precisamos reconhecer é a dos sonhos


da dimensão demoníaca. Qualquer coisa que Deus tem e usa, o inimigo
procura falsificar, inclusive os sonhos. Os sonhos demoníacos tendem a
se encaixar em qualquer um destes três diferentes tipos: sonhos
tenebrosos, sonhos de medo e/ou pânico, e sonhos de engano.

SONHOS TENEBROSOS
Os sonhos tenebrosos tendem a ser obscuros de duas formas. Primeiro,
eles são escuros na sua atmosfera e no seu tom; eles são sombrios,
deprimentes, melancólicos, sonhos onde tudo está um pouco fora dos
eixos, onde algo indefinível parece errado ou levemente fora do centro.
Em segundo lugar, os sonhos tenebrosos são tipicamente escuros com
cores opacas ou obscurecidas. Sombras escuras, cinzas, e de um verde
doentio são abundantes. Esta falta de cores claras, vívidas e vivas é uma
das maneiras de se determinar que um sonho pode vir de uma fonte
obscura ou até demoníaca.
Os sonhos tenebrosos geralmente invocam emoções obscuras e, muitas
vezes, empregam símbolos de trevas, emblemas que provocam um senso
de desconforto ou incômodo. Este é o tipo de sonho ao qual me referi no
segundo capítulo. Lembre-se, eu tive um bom número de sonhos
tenebrosos antes de começar a ser liberado para ter sonhos de
purificação e mais tarde para o poder dos sonhos extrínsecos. É claro que
também há sonhos químicos tenebrosos que vêm a nós em resultado do
envolvimento com feitiçaria e uso de drogas ilegais. Arrependa-se, volte-
se para o Senhor, e busque ajuda se for o caso.
SONHOS DE MEDO E/OU PÂNICO
A maioria dos pesadelos, principalmente os pesadelos de infância, se
encaixa nesta categoria. Os sonhos de medo e pânico muitas vezes
resultam de traumas, de modo que simplesmente repreender o medo ou
o pânico pode não ser suficiente. Talvez seja necessário pedir ao Espírito
Santo para revelar a raiz dos sonhos assustadores para que o
arrependimento, a purificação ou a cura possam ocorrer. Os antigos
sonhos de minha esposa com ursos e tornados tinham esta natureza.
Aprenda a exercer a sua autoridade em Cristo e evite esses sonhos
assombrados em nome de Jesus!

SONHOS DE ENGANO
Os sonhos enganosos, em geral, são obra de espíritos de engano, que a
Bíblia diz que estarão particularmente ativos nos últimos dias: “Ora, o
Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns
apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos
de demônios” (1 Timóteo 4:1). Esses espíritos de engano procuram nos
afastar do lugar de segurança e nos levar para um lugar de insegurança.
O propósito dos sonhos de engano é criar imagens e impressões em
nossas mentes que nos desviem do verdadeiro caminho da luz de Deus
para as trevas do erro e da heresia. Sob a influência dos sonhos de
engano, podemos cometer erros em todas as áreas da vida: doutrina,
finanças, sexualidade, relacionamentos, escolhas de carreira, criação de
filhos, etc. Seja qual for a forma que eles tomem e as imagens que
transmitam, essas revelações perturbadoras vêm do lado escuro. Tenha
um discernimento cuidadoso. Andar na luz de relacionamentos
transparentes com outros crentes do Corpo de Cristo é a munição que
vence o espírito de engano.

SIMPLIFICANDO OS CONCEITOS

Caso você esteja começando a se preocupar com a sobrecarga de


informações relacionada a todas essas categorias de sonhos, deixe-me
encerrar este assunto traduzindo tudo o que foi dito até aqui em termos
mais simples. De acordo com os escritores Chuck Pierce e Rebecca
Sytsema, todas as três categorias que discutimos podem ser condensadas
em três tipos básicos de sonhos: o sonho com uma mensagem simples, o
sonho simbólico simples, e o sonho simbólico complexo. Em seu livro
When God Speaks (Quando Deus Fala), Chuck Pierce e Rebecca Sytsema
explicam esse conceito do seguinte modo:
Encontramos três tipos de sonhos na Bíblia:

1. Um sonho com uma mensagem simples. Nos capítulos 1 e 2


do livro de Mateus, José entendeu os sonhos com relação a
Maria e Herodes. Não houve uma necessidade real de
interpretação. Esses sonhos foram diretos, e
autointerpretativos.
2. Um sonho simbólico simples. Os sonhos podem ser cheios de
símbolos. Muitas vezes, o simbolismo é claro o suficiente a
ponto de aquele que sonha e os outros conseguirem entendê-
lo sem qualquer interpretação complicada. Por exemplo,
quando José teve um sonho em Gênesis 37, ele o entendeu
plenamente, assim como seus irmãos, a tal ponto de quererem
matá-lo, ainda que ele contivesse os símbolos do sol, da lua e
das estrelas.
3. O sonho simbólico complexo. Este tipo de sonho precisa da
habilidade interpretativa de alguém que tenha uma habilidade
incomum no dom de interpretação ou de alguém que saiba
como buscar a Deus para ter revelação. Encontramos esse tipo
de sonho na vida de José, quando ele interpreta o sonho de
Faraó. Em Daniel 2 e 4, encontramos bons exemplos deste tipo
de sonho. Em Daniel 8, observamos um sonho em que Daniel
realmente buscou a interpretação divina.1

Se você estiver apenas começando a andar na dimensão da linguagem


dos sonhos e acha toda esta conversa sobre os vários matizes dos sonhos
um tanto angustiante, seja paciente. Será preciso tempo e experiência
para se tornar apto a identificar diferentes tipos e categorias de sonhos e
a interpretar as mensagens que você recebe. Descanse na certeza de que
Deus não o moverá mais depressa do que você pode suportar. Ele o
guiará mansa e amorosamente ao longo do caminho na sua própria
diversidade de sonhos.

SONHE UM PEQUENO SONHO COMIGO!

Sim, sonhe um pequeno sonho comigo. Na verdade, vamos sonhar alguns


sonhos grandes e vê-los se desenvolverem bem diante dos nossos olhos!
Os caminhos de Deus são surpreendentes. Ele o levará não apenas à
revelação, mas Ele lhe ensinará a entender o que você acaba de receber!
Na verdade, você pode se apoiar nesta afirmação!
Você ainda está pronto para mais? Nesse caso, você irá amar os capítulos
seguintes sobre anjos, transes, aparições (sim, você ouviu direito!) e
outras experiências espirituais extraordinárias. Sim, elas estão todas na
B-Í-B-L-I-A e são exatamente adequadas para você e para mim!
NOTAS

1. Chuck Pierce e Rebecca Sytsema, When God Speaks (Nova York;


Regal Books, 2005).
CAPÍTULO 5
MISSÕES ANGELICAIS

por JAMES GOLL

Como mencionei no capítulo anterior, os anjos definitivamente parecem


ter áreas específicas de cuidado. Em outras palavras, eles têm missões. As
missões deles se encaixam no contexto de suas três funções principais.
Eis uma rápida revisão:
1. Os anjos servem a Deus — adorando a Deus eternamente (ver
Salmos 148:2).
2. Os anjos servem às pessoas, principalmente aos crentes (ver
Hebreus 1:7,14).
3. Os anjos executam a Palavra de Deus (ver Salmos 103:20-21).
A missão deles de adorar a Deus é a mais elevada e grandiosa de todas,
mas está longe de ser meramente a missão angelical “padrão” (e,
portanto, a mais comum). Os anjos definem a adoração. Eles adoraram na
criação. Eles certamente adoraram no nascimento de Jesus, o Messias,
aparecendo no céu sobre o campo dos pastores. Eles ainda adoram agora
que a igreja vive sob a Nova Aliança; eles o adorarão até a Segunda Vinda
de Jesus e além, por toda a eternidade.
Ninguém precisa orar para que os anjos continuem adorando. Isto está
acontecendo sem a cooperação humana. O nosso privilégio é participar
disto em algum grau, especialmente depois que formos estar com o
Senhor para sempre. Os 24 anciãos depositam as suas coroas diante dele,
e os anjos de Deus se unem ao Seu povo para declarar, eternamente, que
Ele é digno.
Mas enquanto ainda estamos aqui neste mundo, oramos sobre muitas
outras questões, e Deus designa anjos para executarem a Sua vontade.
Não fazemos apenas as orações gerais do tipo “Venha o teu Reino, seja
feita a tua vontade assim na Terra como no céu”. Também oramos “O pão
nosso de cada dia dá-nos hoje” e “Não nos deixes cair em tentação”.
Fazemos orações muito específicas, como “Senhor, por favor, cure isto”,
“Pai, ajuda-me a perdoar fulano de tal”, e “Espírito Santo, dê proteção à
minha família na nossa viagem”.
Nossas orações, em geral, são feitas em resposta direta a apelos divinos.
Não as inventamos por nós mesmos. Assim, quando oramos, estamos
liberando um convite ou um pedido de volta para Deus. Na essência, as
nossas melhores orações se originam nele. E em resposta aos nossos
pedidos, Ele costuma nos designar um anjo ou dois para suprir a nossa
necessidade. Esta é a maneira como as coisas têm funcionado desde o
princípio dos tempos. Os anjos sempre estiveram esperando e prontos
para agir de acordo com a ordem de Deus em resposta às orações
humanas. Eles estavam com os profetas do passado e visitavam os
sacerdotes na Velha Aliança. Eles ajudaram Daniel na cova dos leões. Eles
liberaram juízos espetaculares em nome do Senhor. Eles fortaleceram
Jesus no Jardim do Getsêmani.
Outras vezes, Ele planta uma palavra em nosso espírito e damos voz a ela
de uma maneira declaratória. Podemos chamar isto de palavra rhema ou
o dom da fé. Podemos na verdade dizer algo como: “Eu os invoco, anjos,
para que venham e façam isto!”, mas não é como se nós tivéssemos
originado o conceito — o próprio Deus o fez. Os anjos não estão ao nosso
dispor; eles estão ao dispor dele, e nós também. Assim, um homem ou
mulher que tem um relacionamento com Deus, às vezes, pode entrar na
batida do coração do céu e dar voz à divina vontade de Deus para aquele
momento no tempo.
Completando o círculo, não quero deixar a impressão de que todas as
missões angelicais requerem o envolvimento humano, porque isto não é
verdade. Há muito tempo, Deus designou os Seus anjos para realizarem
certas funções acima e além de adorá-lo. Presumimos que muitos deles
tenham ficado com as suas primeiras missões, sem nenhum
envolvimento humano de qualquer espécie. Por exemplo, Ele designou
“... querubins ao oriente do jardim do Éden e o refulgir de uma espada
que se revolvia...” para guardar os portões do Éden (ver Gênesis 3:24).
Os anjos realmente parecem se “especializar” em alguns deveres
específicos. Entretanto, não existe uma linha divisória rígida entre os
diferentes tipos de atribuições. Por exemplo, quando um anjo leva uma
mensagem para alguém, a palavra pode dar orientação, proteção ou
libertação — ou todos os três. Como você verá neste capítulo, podemos
dizer muito sobre o que Deus designa os anjos para fazerem, mas as
nossas explicações vêm da perspectiva limitada dessa pequena
manchinha que é o nosso planeta Terra, que é o nosso “convés de
observação”. Em grande parte, podemos apenas ficar assombrados. O
exército de anjos de Deus é magnífico, e o Senhor Deus é o mais
magnífico de todos!

INTRODUZINDO A PRESENÇA DE DEUS

Você já foi a uma reunião de adoração onde você podia sentir que a
“temperatura” espiritual subiu um ponto na escala? Algo parecia
extraespecial. Você pode ter identificado o que chamo de “a presença
manifesta de Deus”.
No natural, isso acontece o tempo todo — não a presença manifesta de
Deus, mas sim certa “presença” natural entrando em um aposento com
uma pessoa. Até quando o seu colega de trabalho volta de férias, ele pode
trazer uma sensação de relaxamento com ele. Ou pode acontecer o
contrário: sua esposa pode voltar para casa do trabalho, trazendo com
ela toda a tensão do seu dia difícil. Creio que os anjos, que passam tanto
do seu tempo diante do trono de Deus, não podem evitar senão trazer a
Sua presença para um lugar! Às vezes, essa presença é um aroma
perceptível ou um sentimento eletrizante ou uma luz visível. Outras
vezes, é um sentimento ou uma pressão de peso que inspira assombro. A
santidade de Deus sobrecarrega a atmosfera, e isso afeta os Seus anjos,
que não podem evitar senão trazer um assombro extra da Sua santidade
por onde quer que eles estejam.
Lembro-me de que estava em Kansas City, em 1975, na Conferência
Nacional de Pastores de Homens, que foi feita no Auditório Municipal.
Muitos dos “generais da fé” estavam ali, a maioria dos quais hoje já foi
estar com o Senhor. Lembro-me de Ern Baxter entregando uma das
maiores mensagens que já ouvi, intitulada “Thy Kingdom Come” (Venha
o Teu Reino). Ele tinha um grau de autoridade incomum sobre ele, e
estava declarando o governo de Deus.
Algo de santo aconteceu na adoração, palavras proféticas foram
liberadas, e ocorreu uma mudança. Não eram somente os generais da fé
que estavam presentes — alguns “generais” do céu também
compareceram. Em resposta à Santa presença de Deus, cada homem
tirou os sapatos em uma reação unificada de humildade. Simplesmente
nos lançamos sobre nossos rostos. Era o mínimo que podíamos fazer.
Nenhum de nós tinha coroas em nossas cabeças que pudéssemos
depositar diante de Deus, mas tínhamos sapatos em nossos pés. Foi um
verdadeiro momento kairós, onde o Céu e a Terra encontram-se, uma
encruzilhada santa.
Anjos estavam presentes, provavelmente aos milhares, e reconhecemos
que pisávamos em terra santa. O clima mudou enormemente, de um
clima de familiaridade com Deus para um clima de temor do Senhor.
Anjos foram ao Auditório Municipal, carregando a luz dourada do Céu
para a Terra.
Podemos supor que, sempre que sentimos a presença de Deus, os anjos
estão no local, independentemente de podermos vê-los ou não. A nossa
reação sempre será a adoração — santo, santo, santo é o Senhor dos
Exércitos!

DIREÇÃO ANGELICAL

Além de transportar a presença de Deus quando eles vêm, os anjos têm


funções específicas a exercer quando chegam.
Creio que as tarefas que Deus designou aos anjos se encaixam em duas
categorias principais: direção e proteção. Obviamente, essas categorias se
sobrepõem e se misturam, assim como no caso das nossas tarefas
humanas. Quando você leva seus filhos para algum lugar de carro, você
está dando direção a eles (dirigindo o carro até o seu destino) e proteção
(mantendo-os seguros do trânsito, do tempo, e de outros riscos em
potencial). Mas vamos em frente e dar uma olhada em cada categoria,
para podermos apreciar melhor o que os anjos fazem.
Em primeiro lugar, quais são algumas das maneiras que os anjos utilizam
para nos trazer a direção de Deus? Eis quatro delas. Os anjos:
Entregam as mensagens de Deus.
Liberam sonhos, revelações e entendimento.
Dão orientação.
Transmitem força.
De uma forma ou de outra, todas essas funções dão direção.

OS ANJOS ENTREGAM AS MENSAGENS DE DEUS

O que faríamos sem os serviços dos mensageiros angelicais de Deus? Se


você se sentar e começar a virar as páginas da sua Bíblia, você
encontrará história após história sobre anjos trazendo mensagens de
Deus. Eles anunciam os eventos que virão. Eles pronunciam os juízos de
Deus. Eles trazem encorajamento, Eles “dirigem o trânsito” dizendo às
pessoas o que fazer, como fazer, e quando fazer. Eis uma amostra rápida
dessas “mensagens angelicais instantâneas”, tanto do Antigo quanto do
Novo Testamento:
Josué 5:13-15. Josué encontrou um anjo comandante que lhe diz como
tomar Jericó: “Estando Josué ao pé de Jericó, levantou os olhos e olhou;
eis que se achava em pé diante dele um homem que trazia na mão uma
espada nua; chegou-se Josué a ele e disse-lhe: És tu dos nossos ou dos
nossos adversários? Respondeu ele: Não; sou príncipe do exército do
SENHOR e acabo de chegar. Então, Josué se prostrou com o rosto em
terra, e o adorou, e disse-lhe: Que diz meu senhor ao seu servo?
Respondeu o príncipe do exército do SENHOR a Josué: Descalça as
sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é santo. E fez Josué
assim.”
Juízes 13:4-5. O anjo do Senhor visitou Manoá e sua mulher estéril,
dizendo a eles que ela daria à luz um filho e instruindo-os
especificamente sobre o que fazer: “Agora, pois, guarda-te, não bebas
vinho ou bebida forte, nem comas coisa imunda; porque eis que tu
conceberás e darás à luz um filho sobre cuja cabeça não passará navalha;
porquanto o menino será nazireu consagrado a Deus desde o ventre de
sua mãe; e ele começará a livrar a Israel do poder dos filisteus.” O bebê
prometido era Sansão.
Lucas 1:19-20. Um arcanjo levou uma mensagem a Zacarias.
“Respondeu-lhe o anjo: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui
enviado para falar-te e trazer-te estas boas-novas.
Todavia, ficarás mudo e não poderás falar até ao dia em que estas coisas
venham a realizar-se; porquanto não acreditaste nas minhas palavras, as
quais, a seu tempo, se cumprirão”.
Lucas 1:26. Gabriel levou uma mensagem a Maria. “E, entrando o anjo
aonde ela estava, disse: ‘Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é
contigo’... Mas o anjo lhe disse: ‘Maria, não temas; porque achaste graça
diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem
chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do
Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará
para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim’... Descerá
sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua
sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado
Filho de Deus. E Isabel, tua parenta, igualmente concebeu um filho na sua
velhice, sendo este já o sexto mês para aquela que diziam ser estéril.
Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas”
(Lucas 1:28, 30-33, 35-37).
Lucas 2:10. Anjos encheram o céu e um anjo porta-voz anunciou o
nascimento de Jesus para os pastores: “O anjo, porém, lhes disse: Não
temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para
todo o povo.”
Mateus 1:20; Mateus 2:13,19. Mensageiros angelicais falaram a José em
sonhos para direcioná-lo a aceitar Maria como sua esposa, para levar
Maria e o bebê Jesus para o Egito por segurança antes de Herodes
mandar matar todas as crianças, e para levá-los de volta a Nazaré depois
da morte de Herodes.
Mateus 28:1-7. Um anjo proclamou a ressurreição de Jesus. “Ele não está
aqui; ressuscitou, como tinha dito. Vinde ver onde ele jazia. Ide, pois,
depressa e dizei aos seus discípulos que ele ressuscitou dos mortos e vai
adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis. É como vos digo!” (Mateus
28:6-7).

OS ANJOS LIBERAM SONHOS, REVELAÇÕES E ENTENDIMENTO

Um anjo em um sonho disse a José como cuidar de Maria e de Jesus.


Outras vezes, os anjos liberam entendimento de revelações sem falar nos
sonhos. Eis um exemplo contemporâneo, contado por um homem
chamado Terry Law, em que um pastor que se chamava Roland Buck
teve o entendimento detalhado do passado e do futuro da Lei, por meio
de uma revelação angelical:

Quando eu era um menino de 13 anos, fui a uma reunião em um


acampamento em Nanoose Bay, na Ilha de Vancouver, na Columbia
Britânica. Uma noite, um palestrante das Assembleias de Deus norte-
americana fez um chamado comovente para um compromisso e um desafio
para missões, e o Espírito Santo começou a se mover em mim...

Permaneci ali depois de todos terem saído naquela noite, e as luzes foram
apagadas. Meia-noite se passou, 1 hora da manhã se passou, e então, por
volta das 2 horas da manhã, o evangelista voltou.
Seu nome era Dwight McLaughlin, e ele havia deixado sua Bíblia no púlpito.
Eu estava sentado em um banco no escuro onde ele não podia me ver, mas eu
podia vê-lo sob a luz do luar. Fiquei sentado imóvel, mas ele sentiu que
alguém estava ali e chamou. Quando respondi, ele sentiu a direção e abriu
caminho até onde eu estava sentado em um canto dos fundos.
Ele disse: “Sabe, o Senhor deve ter me enviado até você”, e explicou que ele
havia acordado e sentira uma impressão de que deveria ir pegar sua Bíblia.
Então ele perguntou se podia orar por mim. Quando ele impôs sua mão
sobre mim, o calor irradiou-se através de mim. Comecei a tremer.
Ele disse: “Jovem, estou tendo uma visão. Deus o chamou, e Ele vai enviá-lo
por todo o mundo para pregar o evangelho. Vejo multidões de milhares e
centenas de milhares.”
... Anos depois, em 1977, eu estava viajando com o meu grupo de música
Living Sound e fui ministrar na igreja de Roland Buck em Boise, Idaho.
Roland e eu estávamos do lado de fora da igreja uma noite, sentados em seu
carro, quando ele me contou uma história.

Ele começou dizendo muito calmamente: “Terry, falei com Gabriel na


semana passada.”
Naquela época, eu não conhecia mais sobre anjos do que o cristão comum,
talvez menos que alguns, e disse: “Gabriel quem?”...
Dois anos depois, voltei à sua igreja e enquanto meu coevangelista Gordon
Calmeyer e eu estávamos sentados no café da manhã com Roland uma
manhã, Gordon me impactou com uma pergunta que fez a Roland sobre os
anjos.
“Bem, pastor”, disse ele, “se estes anjos estão falando com o senhor o tempo
todo, e a sua igreja apoia fortemente o nosso ministério, por que não
pergunta aos anjos sobre nós?” Roland continuou sentado ali com um leve
sorriso e não disse nada. Nós seguimos caminhos separados e eu esqueci
aquela conversa.
Três meses depois, pediram-me para ir em um programa de televisão cristão
para apresentar Roland... Antes de o programa entrar no ar, estávamos em
uma sala nos fundos do palco juntos, só nós dois.
Ele disse: “Terry, você lembra quando tinha 13 anos e participou de uma
reunião em um acampamento no Canadá?”

Eu nunca havia contado a outra pessoa o que aconteceu naquela noite.


Roland disse: “Você lembra que por volta das 2 da manhã, o evangelista do
campo” — e ele realmente se chamava Dwight McLaughlin — “entrou no
prédio? Você lembra que estava sentado ali orando e ele entrou e impôs as
mãos sobre você?”
Eu disse: “Roland, como você sabe sobre aquela noite?”
Ele olhou para mim e apenas sorriu. Exclamei. “Você está brincando? Os
anjos lhe contaram isto?”
Ele assentiu e disse que os anjos acordaram McLaughlin porque aquela era
a noite que Deus escolhera para a minha ordenação ao ministério. “Os anjos
me falaram muito sobre você”, disse ele. “Eles me falaram das vezes na sua
infância em que você passou por grandes dificuldades. Você teve de
aprender quando criança a lutar contra probabilidades e vencê-las. Deus
estava preparando você para o seu ministério. Ele estava edificando o seu
caráter para ser forte como o ferro...”1

Histórias como esta me fazem pensar: quanto do que chamamos de


revelação profética nos é realmente entregue por nossos companheiros
servos, os anjos? Todo o livro de Apocalipse — a Revelação de Jesus
Cristo — foi transmitido a João pelo Seu anjo. Daniel teve experiências
tão profundamente perturbadoras que só um anjo poderia interpretá-las
para ele (ver Daniel 8:15-26; 9:20-27). É muito provável que os anjos o
estejam ajudando a entender sobre anjos enquanto você lê este livro!
Em 4 de outubro de 2004, eu estava em Colorado Springs, e tive um
encontro em um sonho que era sobre receber interpretação. No sonho,
eu estava com John Paul Jackson. (Um profeta estava com outro profeta.)
E John Paul voltou-se para mim e disse:
— Como você faz isto?
Eu sorri, dizendo:
— Eu tenho ajuda!
Então me voltei e falei:
— Ele me entrega pergaminhos, e eu os leio.
Quando me virei, havia um anjo ao meu lado, entregando-me um
pergaminho para ler.
Durante um curto período depois daquele sonho, talvez três ou quatro
dias, senti uma espécie de zumbido santo em volta da minha cabeça, um
tipo de capacidade sobrenatural para entender e interpretar revelações.
Não contei a muitas pessoas sobre isto, mas eu podia dizer o que Deus
estava falando com as pessoas, e interpretar essas coisas
sobrenaturalmente. Tenho de crer que o anjo que levava os pergaminhos
saiu do meu sonho e entrou em minha vida real.

OS ANJOS DÃO A ORIENTAÇÃO DE DEUS

Além de liberar sonhos, revelações e entendimento, os anjos dão


orientação direta. Foi isso que aconteceu com Filipe antes de ele se
encontrar com o eunuco etíope: Um anjo do Senhor disse a Filipe: “Vá
para o sul, para a estrada deserta que desce de Jerusalém a Gaza” (Atos
8:26). Foi como se o anjo entregasse a ele um conjunto de orientações.
Também foi isto que aconteceu quando o servo de Abraão saiu à procura
da noiva certa para Isaque (ver Gênesis 24:7,40). Um anjo “foi à frente
dele” para que ele encontrasse o caminho para o lugar certo na hora
certa em que a garota certa estava bem ali.
Paulo, quando estava a bordo do navio agitado pela tempestade, recebeu
a visita de um anjo para lhe dar orientação para a tripulação e os outros
passageiros: “Porque, esta mesma noite, um anjo de Deus, de quem eu
sou e a quem sirvo, esteve comigo, dizendo: Paulo, não temas! É preciso
que compareças perante César, e eis que Deus, por sua graça, te deu
todos quantos navegam contigo. Portanto, senhores, tende bom ânimo!
Pois eu confio em Deus que sucederá do modo por que me foi dito.
Porém é necessário que vamos dar a uma ilha” (Atos 27:23-26).

Voltando ao Antigo Testamento, vemos um anjo confrontando Balaão,


literalmente dirigindo o trânsito ao redirecionar a sua mula — que abriu sua
boca e falou com o seu dono antes do anjo falar: “Então, o SENHOR abriu
os olhos a Balaão, ele viu o Anjo do SENHOR, que estava no caminho, com a
sua espada desembainhada na mão; pelo que inclinou a cabeça e prostrou-se
com o rosto em terra.
Então, o Anjo do SENHOR lhe disse: Por que já três vezes espancaste a
jumenta? Eis que eu saí como teu adversário, porque o teu caminho é
perverso diante de mim; a jumenta me viu e já três vezes se desviou de diante
de mim; na verdade, eu, agora, te haveria matado e a ela deixaria com vida.
Então, Balaão disse ao Anjo do SENHOR: Pequei, porque não soube que
estavas neste caminho para te opores a mim; agora, se parece mal aos teus
olhos, voltarei. Tornou o Anjo do SENHOR a Balaão: Vai-te com estes
homens; mas somente aquilo que eu te disser, isso falarás. Assim, Balaão se
foi com os príncipes de Balaque” (Números 22:31-35).

Isto é que é orientação angelical direta! Parece que ela pode ser um
pouco perigosa, às vezes.

OS ANJOS TRANSMITEM FORÇA

Às vezes, os anjos vêm para transmitir encorajamento e força mais do


que qualquer coisa.
Em Gênesis 16, lemos sobre a escrava egípcia de Sarai, Hagar, que foi
obrigada a ficar grávida e depois, em resultado, foi perseguida e
insultada por Sarai, a ponto de fugir para o deserto em agonia. Deus
enviou um anjo para consolá-la:

Tendo-a achado o Anjo do SENHOR junto a uma fonte de água no deserto,


junto à fonte no caminho de Sur, disse-lhe: Agar, serva de Sarai, donde vens
e para onde vais? Ela respondeu: Fujo da presença de Sarai, minha senhora.
Então, lhe disse o Anjo do SENHOR: Volta para a tua senhora e humilha-te
sob suas mãos. Disse-lhe mais o Anjo do SENHOR: Multiplicarei sobremodo
a tua descendência, de maneira que, por numerosa, não será contada. Disse-
lhe ainda o Anjo do SENHOR: Concebeste e darás à luz um filho, a quem
chamarás Ismael, porque o SENHOR te acudiu na tua aflição. Ele será, entre
os homens, como um jumento selvagem; a sua mão será contra todos, e a
mão de todos, contra ele; e habitará fronteiro a todos os seus irmãos. Então,
ela invocou o nome do SENHOR, que lhe falava: Tu és Deus que vê; pois
disse ela: Não olhei eu neste lugar para aquele que me vê? Por isso, aquele
poço se chama Beer-Laai-Roi; está entre Cades e Berede (Gênesis 16:7-14).

Anjos foram fortalecer Jesus depois dos seus 40 dias de jejum no deserto
(ver Mateus 4:11; Marcos 1:13). Mais uma vez, um anjo veio em Seu
socorro quando Ele estava em grande angústia no Getsêmani antes de
ser crucificado (ver Lucas 22:43).
Durante um período de sofrimento, os anjos foram usados para
transmitir a força de Deus a Daniel (ver Daniel 10:18). Como ele e muitos
outros descobriram, um toque de um anjo é suficiente para transmitir
uma explosão de poder ao nosso corpo mortal.
Depois que Elias derrotou os profetas de Baal, ele fugiu para o deserto,
com medo e exausto. Ali, um anjo não apenas o fortaleceu com palavras,
como também com alimento sobrenatural: “Deitou-se e dormiu debaixo
do zimbro; eis que um anjo o tocou e lhe disse: Levanta-te e come. Olhou
ele e viu, junto à cabeceira, um pão cozido sobre pedras em brasa e uma
botija de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir. Voltou segunda vez o
anjo do SENHOR, tocou-o e lhe disse: Levanta-te e come, porque o
caminho te será sobremodo longo. Levantou-se, pois, comeu e bebeu; e,
com a força daquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites
até Horebe, o monte de Deus (1 Reis 19:5-8).
Obrigado, Senhor, por enviar os Teus anjos para nos trazer força e
encorajamento divinos.

PROTEÇÃO ANGELICAL

Em seguida, vamos às atribuições angelicais que podem ser classificadas


de uma maneira imprecisa como proteção angelical. Quando os anjos
vêm proteger as pessoas para as quais Deus os envia, às vezes eles
trazem libertação nas suas asas. Outras vezes eles trazem algum tipo de
cura. E no final da vida de um santo na Terra, eles fazem uma escolta
protetora que o leva ao céu. Todos esses são aspectos da proteção.
Os anjos protegem indivíduos isolados e protegem grupos de pessoas,
famílias e igrejas do mal. Eles protegem os soldados nos campos de
batalha das lesões; eles protegem os pobres e os que estão privados de
seus direitos de maus-tratos e da fome; eles ficam de vigia noite e dia
sobre as casas onde as pessoas clamaram o sangue de Jesus. Sabemos a
respeito da proteção angelical tanto por meio das Escrituras quanto das
nossas experiências pessoais.

OS ANJOS DÃO PROTEÇÃO

No Capítulo 5, mencionei os “anjos da guarda”. Mateus 18:10 é o


versículo do qual obtemos o nosso entendimento acerca dos anjos da
guarda para as crianças. Não vejo motivos pelos quais os anjos não
estariam também designados para guardar e proteger os adultos
também. Afinal, os adultos também são Seus filhos.
O Salmo 91:11-12 diz: “Porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito,
para que te guardem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão nas
suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra.”
A maioria de nós ouviu muitos exemplos de proteção angelical. A
seguinte história sobre uma família trabalhando com os tradutores da
Bíblia Wycliffe, na Bolívia, nos dá uma ilustração especialmente clara.
Resumi um relato que foi escrito pela mãe missionária. Seus dois filhos,
Doug e Dennis, que tinham 7 e 9 anos de idade, estavam brincando, e
escavaram uma caverna rasa em uma colina de lama seca. De repente, ela
se moveu e desabou, soterrando os dois meninos. O amigo deles, Mark,
correu para pedir ajuda.
Dentro da caverna, Doug havia caído com o peito para baixo. Seu rosto
estava encostado na terra, mas um bolsão de ar o ajudou a respirar.
— Dennis, você pode me ouvir?
Sua voz parecia não fazer som algum, mas ele sentiu um leve movimento
debaixo dele.
— Dennis — Doug continuou. — Não consigo me mexer. Não consigo
respirar!
Ele sentiu outro movimento. Uma formiga subiu no seu rosto, depois
outra. Veio a primeira picada. Foi na sua pálpebra.
— Dennis, não consigo falar... o ar está indo embora.
As formigas estavam sobre todo o seu corpo agora, picando-o.
— Dennis, acho que talvez vamos morrer.
Ele começou a se debater. Sua boca encheu-se de terra.
Então Douglas parou de falar. Ele até parou de lutar para respirar.
Porque ali, ao seu lado, estava um anjo. Ele estava em pé, forte e
brilhante.
— Dennis! — Doug chamou suavemente, com a voz relaxada.
— Dennis, tem um anjo aqui. Posso vê-lo tão claro quanto qualquer coisa.
Ele brilha. Ele está tentando nos ajudar.
Doug sentiu um movimento muito, muito leve.
— Ele não está fazendo nada. Mas Dennis... se morrermos agora... não é
tão ruim...
Doug perdeu a consciência.
Mark chegou em casa, gritando por socorro. Homens com enxadas e
picaretas foram ao local. Mark mostrou a eles onde cavar.
Segundos depois, uma das pás tocou em algo macio. Mais alguns
segundos e as costas e as pernas de Doug estavam livres. Braços fortes
puxaram-nos da terra. A forma de Dennis apareceu debaixo dele.
Nenhum dos meninos respirava. A pele deles estava azul. Eles ficaram
deitados na terra vermelha, seus corpos tão terrivelmente pequenos...
Então Douglas se mexeu. Um instante depois, Dennis se moveu...
— Mamãe! — Douglas disse assim que abriu os olhos.
— Sabe o que eu vi? Um anjo!
— Shh, amorzinho. Não tente falar ainda.
No dia seguinte, o médico nos disse que mais dois minutos e a falta de
oxigênio teria danificado o cérebro dos meninos. Mas pelo fato de eles
não terem se desgastado se debatendo, o médico disse, eles tiverem
oxigênio suficiente para passar por aquela experiência sem danos. E o
motivo pelo qual eles não se debateram, todos nós sabemos, foi o anjo —
o anjo que os impediu de ter medo.2
Em seu livro Angels Around Us (Anjos ao Nosso Redor), Douglas Connelly
conta a história de uma mulher de sua igreja:
Uma mulher estava na unidade de tratamento intensivo com uma
infecção grave. Não se esperava que ela sobrevivesse. Eu era pastor dela
na época, e enquanto estava ao lado de sua cama e falava com ela, ela
respondia apenas com sussurros e com movimentos de cabeça.
Finalmente ela disse:
— Quem é o homem que está em pé no canto, vestido de branco? Ele
esteve em pé ali a noite inteira e durante todo o dia de hoje.
Quando olhei para o canto do quarto, não havia ninguém.
Eu disse:
— Como ele é?
— O senhor não consegue vê-lo? — ela respondeu. — Ele está todo de
branco, e é muito forte. É como se ele estivesse de guarda. Quase tenho
medo de falar na sua presença.
Perguntei à enfermeira quando saí do quarto se a paciente havia dito
alguma coisa sobre um homem em seu quarto. A enfermeira me garantiu
que a mulher estava apenas tendo alucinações.
— Ela viu mais alguma coisa que não estava ali? — perguntei.
— Ah, não, ela é muito perceptiva — exceto com relação ao homem de
branco!
Quando saí do hospital, convenci-me de que o que aquela querida filha de
Deus viu em seu quarto não era uma alucinação. Era um anjo de Deus
muito real.3
Aquele “homem de branco” realmente havia vindo para protegê-la — ou
talvez para esperar até que fosse a hora de levá-la para casa, para o Pai.
Vamos ver esta atribuição angelical em seguida.

OS ANJOS ESCOLTAM OS SANTOS ATÉ O CÉU

Muitas e muitas pessoas tiveram experiências que parecem confirmar


que os anjos chegam na hora da morte de um santo de Deus
especificamente para escoltar a alma daquela pessoa até a dimensão
celestial onde elas habitarão para sempre. Com certeza não podemos
chegar lá sozinhos, então isso deve ser verdade. Que fato consolador!
Há não muito tempo, uma de minhas tias foi para casa para estar com o
Senhor. Suas três filhas relataram que ela teve um encontro angelical. Um
anjo entrou no quarto e minha tia Wilma foi “arrebatada”. Elas pensaram
em princípio que talvez ela estivesse louca, porque ela começou a falar
sobre as coisas que estava vendo. Seu marido morrera apenas alguns
meses antes, e ela estava procurando por ele. Então ela viu alguém que
conhecia, alguém que já havia morrido. Então, com o anjo conduzindo-a
do outro lado da morte, ela viu Jesus. Ela começou a declarar: “É Jesus!
Eu estou vendo Jesus. Eu estou vendo Jesus.” Com isso, é claro, suas filhas
perceberam que ela estava à beira da morte, então concordaram em
abençoar sua mãe, e ela partiu um pouco depois. O anjo veio levá-la para
casa.
Costumamos citar alguns Salmos que se referem à hora da morte. O
Salmo 116:15 diz: “Preciosa é aos olhos do SENHOR a morte dos seus
santos.” O Salmo 23:4 nos é ainda mais familiar: “Ainda que eu ande pelo
vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás
comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam.” Mas a melhor
confirmação bíblica da ideia de anjos carregando pessoas para casa, para
Deus, vem da história sobre um mendigo chamado Lázaro. Lucas 16:22
diz: “Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de
Abraão...”, o que significa que ele foi levado ao paraíso ou ao Céu. Os
anjos o levaram para ali.
Não sabemos como acontece na morte de alguém que não pertence a
Deus. Quando o homem rico da história morre, nenhum anjo é
mencionado. Não sei quanto a você, mas sei que eu prefiro ter uma
escolta angelical designada para mim quando estiver para dar o meu
último suspiro!
Os anjos estão envolvidos no princípio e no fim de nossas vidas, com
tudo o que acontece no intervalo entre um e outro — e além!
OS ANJOS TRAZEM LIBERTAÇÃO

Em geral, os anjos nos livram do mal. O Salmo 34:7 diz: “O anjo do


SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem e os livra.” O anjo do
Senhor não apenas monta guarda (“acampa-se”) como ele estende a mão
para livrar aqueles que estão afundando.
Quando os anjos são designados para uma operação de resgate, a missão,
às vezes, inclui a destruição de inimigos. Uma vez, quando as
probabilidades eram impossivelmente difíceis para Ezequias e os
israelitas, Deus disse: “Porque eu defenderei esta cidade, para a livrar,
por amor de mim e por amor do meu servo Davi. Então, saiu o Anjo do
SENHOR e feriu no arraial dos assírios a cento e oitenta e cinco mil; e,
quando se levantaram os restantes pela manhã, eis que todos estes eram
cadáveres” (Isaías 37:35-36; ver também 2 Reis 19:24-25).
Os anjos também estão ajudando quando pessoas estão sendo libertadas
individualmente de espíritos malignos. Eis um exemplo dos dias atuais:

Em um culto onde estavam ocorrendo milagres, um jovem com


aparentemente 25 anos de idade entrou chorando. Ele tinha um olhar
selvagem e desesperado em seu rosto. Você podia ver que ele andara
bebendo e que estava drogado. Ele me disse [à evangelista que dirigia o
culto]:
— Por favor, por favor, me ajude. Alguém pode me ajudar? Quero
desesperadamente ser libertado. Estou cansado desta vida. Estou cansado
deste vício. Ajude-me! Ajude-me!
A compaixão do Senhor inundou a sala. Cheios dessa compaixão,
começamos a orar pelo jovem e a expulsar os espíritos malignos dele em
nome de Jesus. Nós o ungimos com óleo. Então nós o conduzimos a fazer a
oração do pecador, e imediatamente ele começou a sacudir a cabeça. Ele foi
totalmente libertado; quando ele se levantou, seus olhos estavam
completamente claros e limpos. Aquele jovem ergueu suas mãos ao ar. Logo,
ele começou a exaltar e a louvar a Deus. Deus o havia transformado
completamente em cerca de quinze minutos!
Então, um garotinho de 12 anos aproximou-se e lhe disse:
— Posso lhe dizer uma coisa? Você sabe o que vi quando as pessoas estavam
orando por você?

O homem respondeu:
— Não.
— Eu vi quando os demônios o deixaram, e eles estavam ao seu redor,
tentando voltar para dentro de você. Mas todas as pessoas estavam ao seu
lado, orando. Então vi um anjo com uma espada vir e expulsá-los. Eles não
puderam voltar!
O jovem louvou ao Senhor, e ficamos muito felizes porque Deus estendera a
mão e salvara e libertara aquele homem. Ele agora está com boas pessoas
cristãs e está indo à igreja.4

OS ANJOS LIBERAM CURA

E por último, mas não menos importante, os anjos são designados para
liberar cura. A ilustração bíblica óbvia dos anjos liberando cura é a
história do tanque de Betesda (ver João 5). Não é que um anjo aparece na
história, porque o próprio Jesus deu um passo à frente para liberar cura
para um homem que estava aleijado por 38 anos.
Mas você deve se lembrar de como a história começa:
Ora, existe ali, junto à Porta das Ovelhas, um tanque, chamado em hebraico
Betesda, o qual tem cinco pavilhões. Nestes, jazia uma multidão de enfermos,
cegos, coxos, paralíticos [esperando que se movesse a água. Porquanto um
anjo descia em certo tempo, agitando-a; e o primeiro que entrava no tanque,
uma vez agitada a água, sarava de qualquer doença que tivesse] (João 5:2-
4).

As pessoas enfermas tinham o que alguns poderiam chamar de uma


crença folclórica (mas provavelmente era verdade) de que quando
determinado anjo aparecia, podia-se saber, pois a água do tanque, que
normalmente era perfeitamente lisa, ficava agitada. Então, e somente
então, a primeira pessoa a entrar na água seria curada. Isso deve ter
acontecido com frequência suficiente para atrair todos os necessitados
para acamparem próximo ao tanque dia após dia na esperança de ser o
próximo candidato para a cura. Deve ter sido a missão particular de
algum anjo ir, a pedido de Deus, agitar as águas e liberar o Seu poder
curador.
Em nossos dias, um anjo estava envolvido em estabelecer o ministério de
cura extensivo de William M. Branham, cujo ministério detonou o
Movimento da Última Chuva de 1946 a 1956. O relato da visitação
angelical de Branham em 7 de maio de 1946, foi bem documentado:

O anjo disse a Branham: “Não temas. Fui enviado da presença do Deus


Todo-Poderoso para lhe dizer que a sua vida peculiar e o seu jeito
incompreendido indicaram que Deus o enviou para assumir um dom de cura
divina aos povos do mundo. Se você for sincero e conseguir que as pessoas
acreditem em você, nada resistirá à sua oração... nem mesmo o câncer!”
O anjo continuou dizendo a William Branham que ele assumiria o ministério
de cura em todo o mundo e finalmente oraria por reis, príncipes e monarcas.
O irmão Branham respondeu: “Como pode ser isto, visto que sou um homem
pobre e vivo entre pessoas pobres e não tenho instrução?” Então o anjo
continuou a comissão dizendo: “Assim como o profeta Moisés recebeu dois
sinais para provar que ele havia sido enviado por Deus, você também
receberá dois sinais.”
Durante aproximadamente 30 minutos, o anjo ficou diante do irmão
Branham, explicando a comissão e a maneira como o ministério atuaria na
esfera sobrenatural.5

O anjo relacionou o que estava acontecendo com o que ocorreu com


Moisés. A operação da experiência ligou Moisés e Branham ainda mais
claramente, no fato de que os ministérios comissionados por anjos eram
caracterizados por sinais e maravilhas (inclusive curas estrondosas) e
libertação.

ANJOS ADORANDO, VIGIANDO, TRABALHANDO

Depois de ler este capítulo, deveria ficar óbvio para você que nunca é
somente “eu e Jesus”. Os anjos são parte essencial do intercâmbio entre
Deus e o Seu povo. Não é bom saber que Deus nos deu os anjos para
cuidar de nós e para nos dar a sua direção e proteção?

Deus, o que tu fizeste antes, tu podes fazer novamente. Então damos as boas-
vindas aos teus anjos para liberarem a tua presença manifesta, para
entregarem a tua Palavra, para liberarem revelação e entendimento. Envia
ajuda angelical para realizar as tuas obras de cura e libertação. Que os
anjos possam se tornar a nossa muralha de proteção, enquanto te servimos
aqui na Terra, e que eles possam nos introduzir à tua presença quando o
nosso tempo na Terra estiver terminado. Amém, em nome do teu Filho Jesus.
NOTAS

1. Terry Law, The Truth About Angels (Lake Mary, FL: Creation
House, 1994), 192-95.
2. Gloria Farah, “I’ve Got a Real, Live Angel”, em Angels in our Midst
(Nova York, Galilee/Doubleday, 2004), 46-48.
3. Douglas Connelly, Angels Around Us (Downers Grove, IL:
InterVarsity, 1994), 105-106.
4. Mary K. Baxter, com Dr. L. L. Lowery, A Divine Revelation of Angels
(New Kensington, PA: Whitaker House, 2003), 186-87.
5. Conforme relatado por Paul Keith Davis na E-Newsletter do
WhiteDove Ministries de novembro de 2005,
http://www.whitedoveministries.org/content/NewsItem.phtml?
art=292&c=0&id=30&style=, acessado em 8 de dezembro de
2006.

CAPÍTULO 6
ESTOU MORTO OU NÃO?

por JULIA LOREN

Voar pela escuridão enquanto o nosso corpo permanece deitado na


cama, atravessar túneis em velocidade e encontrar anjos de luz, são parte
do belo fenômeno que por vezes é relatado pelos que estão morrendo.
Essas experiências são mencionadas como experiências de quase morte
(EQMs). Uma pesquisa do Instituto Gallup, feita em 1982, calculou que
oito milhões de pessoas nos Estados Unidos passaram por essa
experiência. Desde então, outros duplicaram a estatística, fazendo das
EQMs uma das “experiências espirituais” mais comumente relatadas na
sociedade da América do Norte. Independentemente de qual seja o
sistema de crenças ao qual uma pessoa possa aderir, a esmagadora
maioria das EQMs envolve o encontro com anjos de luz, Deus e Jesus.
Nem todos os indivíduos que batem à porta da morte são admitidos e,
assim, aqueles que são enviados de volta à Terra têm algumas histórias
impressionantes a contar.
De forma surpreendente, apenas alguns escolhidos experimentam uma
transformação que muda suas vidas em resultado da EQM. Ao longo dos
últimos 20 anos, os pesquisadores da área médica que estudaram o
fenômeno das visões ou experiências de quase morte descobriram por
quê. Parece que uma característica-chave de uma experiência de quase
morte precisa estar presente para que uma pessoa experimente uma
diferença drástica na sua maneira de viver. Essa experiência tem a ver
com a luz. As propriedades da luz e a energia liberada na luz servem para
transformar as personalidades e a resistência de pessoas comuns em
pessoas extraordinárias que, de alguma maneira, se veem curadas por
essa luz e terminam por irradiá-la até o fim de seus dias.
Mickey Robinson é uma dessas pessoas extraordinárias que
experimentou uma EQM depois de um acidente grave. Sua história serve
como um exemplo impressionante de alguém que experimentou uma
EQM ao máximo. Quando jovem, Mickey descobriu a liberação de
adrenalina do paraquedismo e dedicou sua vida à busca dessa explosão,
da rajada de vento atingindo o seu rosto quando ele saltava de um avião
a 12 mil pés de altitude, de experimentar a sensação de queda livre, do
golpe repentino do paraquedas se abrindo, e da rápida descida à Terra.
Os paraquedistas sabem que se a queda falhar neste esporte, que
inegavelmente é de alto risco, a morte e a completa destruição são os
resultados mais prováveis. O que eles esquecem é que o próprio avião
abriga uma série de cenários que podem atrapalhar os paraquedistas. O
avião de Mickey desceu tão rápido que ninguém conseguiu assumir o
controle da aeronave. O impacto deixou o corpo de Mickey queimado,
seus olhos cegos, e suas pernas paralisadas. Infelizmente, ele não morreu
com a queda e Mickey foi deixado sentindo a dor agonizante de
queimaduras terríveis, ossos quebrados e uma série de infecções, às
quais os médicos achavam que ninguém poderia sobreviver. Ele ficou
deitado em uma cama de hospital suportando turnos de médicos e
enfermeiras arrancando a pele de seu corpo queimado e certificando-se
de que a morfina fluísse incessantemente. Os dias se transformaram em
semanas e as semanas em meses. Mas o corpo jovem de Mickey se
agarrava à vida. Um dia, porém, o seu corpo finalmente começou a dar
sinais de paralisação. Mickey estava mais próximo da morte do que
nunca. O fim com certeza estava próximo.
Mickey conta a seguinte história em seu livro Falling to Heaven (Caindo
para o Céu):1

Entrando no meu quarto de hospital, o Dr. Jeric deu-me uma olhada e


pensou: Sem chances! Ele havia visto soldados no Vietnã morrerem de
queimaduras menos graves que as minhas. Ainda assim, ele sentou-se ao
lado de minha cama e encorajou-me a lutar pela vida. Quando ele estava
pronto para sair, coloquei-me em pé e acompanhei-o até o corredor.
— Obrigado por vir me ver — eu disse.

Mas ele não respondeu.


— Daqui a quanto tempo o senhor acha que poderei voltar para casa?
Mais uma vez, ele não respondeu. Aquilo era estranho. Será que ele não
havia me escutado?
Fiquei ali com ele enquanto as portas do CTI começaram a se abrir
automaticamente. Então aconteceu. Como se eu fosse um fantasma, a porta
voltou e passou bem através de mim.
Na segunda sala, meu espírito foi atraído de volta para o meu corpo como
um elástico que era solto. Enquanto eu ficava deitado ali tentando entender o
que acabara de acontecer, percebi que uma parte de mim estava pairando
entre este mundo e o próximo.

Mas por quê?

Dois dias depois Mickey teve a resposta. A sensação de estar fora do seu
corpo era mais do que uma alucinação criada pela vontade de andar e
falar normalmente outra vez e induzida pela dopagem contínua de
morfina. A experiência fora do corpo e a ausência de dor são duas das
características mais comuns da uma EQM. O que Mickey estava
experimentando era um prenúncio da morte. Dois dias depois,
aconteceria novamente e Mickey se viu experimentando uma experiência
de quase morte completa.

... como uma borboleta emergindo de um casulo, algo forte e vivo saiu do
meu corpo quebrado. Minhas pernas se afundaram no colchão enquanto meu
espírito se colocou em pé, passando pela carne tão suavemente como asas
varrem o ar.
Instantaneamente, deixei para trás uma dor tremenda e uma febre ardente
para entrar em outra dimensão — uma dimensão não governada pela lei
natural. A gravidade cessou e o tempo parou enquanto a eternidade se abria
diante de mim como o portão de um jardim.
As cores de repente pulsavam com brilho, como se enevoadas por uma chuva
fina matinal. Os objetos se agigantavam à minha vista com uma claridade
penetrante, como se eu as estivesse vendo pela primeira vez. Senti-me mais
puramente vivo do que no dia mais feliz da minha infância. E quando olhei
para baixo para ver a minha mão mutilada, ela estava perfeita.
Instantaneamente, eu soube que este era o mundo real. O mundo eterno...
Agora eu estava nadando para cima em ondas de luz e som, rompendo
através da superfície com uma consciência muito além da lógica ou do
raciocínio.
Com uma velocidade irredutível, mas suave, comecei a viajar em direção a
uma luz branca e pura, mais brilhante que mil sóis. Eu podia contemplar
para sempre e sempre no interior daquela maravilhosa luz.
Mas então... tomei consciência de algo se movendo atrás de mim...

Quando Mickey descobriu que a luz estava recuando e que as trevas o


estavam envolvendo, ele sentiu um vazio total, uma solidão interminável,
uma separação completa da luz. Foi como ter uma experiência de
caminhar até as margens do inferno.
Tremendo de terror, observei o último eclipse de luz desaparecer. Então,
como um homem que se afoga arfando em busca de ar, meu espírito gritou as
mesmas palavras que eu havia orado naquela noite no CTI: Deus, sinto
muito! Quero viver! Por favor, dê-me mais uma chance!
Estas palavras vieram direto do meu coração e assim que elas escaparam
dos meus lábios, eu me vi em pé no céu.
Instantaneamente, as trevas recuaram e uma glória viva e palpitante me
envolveu...

Mickey teve um vislumbre do céu, viu cenas do paraíso e dos sete anos
seguintes de sua vida antes de ser enviado de volta ao seu corpo
destruído deitado no quarto do hospital. As visões o sustentaram
durante os sete anos seguintes de recuperação. De maneira notável, a
experiência de ver a luz e ser envolvido em uma glória viva e palpitante
transmitiu um desejo de viver e disparou a sua personalidade otimista e
alegre para recuperar a resistência que ele precisaria para sobreviver
aos anos de reabilitação que se seguiriam.
Enquanto a experiência de quase morte efetuava mudanças internas que
transformavam sua vida, seu corpo se lançou em um processo de cura
acelerada. Dentro de pouco tempo, sua visão foi restaurada e ele
começou a andar. Os enxertos de pele deram certo e as queimaduras
sararam. Ele foi transformado pela luz e saiu da experiência de quase
morte mais feliz, sem qualquer medo da morte, e ciente da presença
amorosa de Deus em toda a sua vida.
Mas uma coisa mais, também, aconteceu com Mickey durante essa
experiência. Ele saiu dela com uma capacidade crescente de receber
experiências espirituais contínuas e de andar em intimidade com o
Senhor Jesus Cristo deste lado da eternidade.
CARACTERÍSTICAS DE UMA EXPERIÊNCIA DE QUASE MORTE

O Dr. Melvin Morse, um pediatra em Seattle, Washington, foi apresentado


às visões do fenômeno de quase morte por uma de suas jovens pacientes,
que sobreviveu a um incidente de afogamento. Depois de três dias em
coma, a menina sentou-se sem qualquer sinal de dano cerebral. Quando o
Dr. Morse perguntou-lhe o que havia acontecido junto à piscina que a fez
cair, ela impactou o pobre médico contando a história do que vira no céu.
Ela viu um homem cheio de luz e amor resplandecentes, encontrou-se
com um anjo da guarda, visitou o céu, e lhe foi oferecida a escolha de
ficar ou voltar para casa. Ela optou por voltar para os seus pais. O
encontro com sua paciente levou o Dr. Morse a realizar um projeto de
pesquisa usando um protocolo científico sólido que trouxe resultados
surpreendentes, impactando tanto a comunidade científica quanto a
religiosa com tais resultados.
Seu estudo envolveu 350 artigos que foram coletados nos principais
hospitais e constava de experiências de quase morte com crianças.2
Durante o estudo, ele descobriu nove características comumente
relatadas que caracterizavam e definiam uma experiência de quase
morte. Elas incluem:
a sensação de estar morto;
paz e ausência de dor;
uma experiência fora do corpo;
a sensação de passar por um túnel;
encontrar pessoas cheias de luz;
encontrar um indivíduo que é um ser de luz;
experimentar rever toda sua vida ou uma parte dela;
sentir relutância em voltar;
um despertar com uma personalidade transformada pela
experiência.

Muitas pessoas só experimentam uma ou duas destas características, de


acordo com o Dr. Morse. Entretanto, em casos raros, as pessoas
experimentaram todas as características e vivenciaram uma experiência
de quase morte completa.
Ele observou que todo o grupo de pessoas pesquisadas que
experimentara uma EQM havia conseguido pontuações mais altas em
diversas avaliações de várias áreas do que as pessoas do grupo de
comparação, ou seja, aquelas que não tiveram uma EQM.
Elas eram mais felizes, mais saudáveis, não tinham medo da morte, e
muitas relataram um aumento de experiências sobrenaturais,
especialmente na habilidade de conhecer o futuro, como se tivessem sido
sensibilizadas para viver tanto no mundo espiritual quanto no mundo
real ao mesmo tempo.
Enquanto o Dr. Morse separava aqueles que experimentaram várias
características, ele observou que aqueles que experimentaram apenas
uma das características de uma EQM, como ter uma sensação de sair do
corpo, de viajar através de um túnel ou experimentar a ausência de dor,
saíam da EQM com uma lembrança agradável, mas não achavam que ela
tivesse transformado suas vidas de maneira significativa. Aqueles que
relataram algum tipo de encontro com uma luz brilhante ou com um ser
cheio de luz foram transformados para sempre por essa experiência. A
sua mente científica levou-o a acreditar que de alguma maneira a luz
criava uma mudança no campo eletromagnético do corpo da pessoa. A
cura espontânea ocorria, assim como mudanças em suas personalidades
se elas encontrassem a luz.
Uma enorme quantidade de energia é liberada durante a experiência de
quase morte. Essa energia é gerada internamente e provavelmente
atinge o seu pico quando a pessoa é inundada pela luz. A maioria das
pessoas que passam por essa experiência é incapaz de descrever a luz,
mas o que elas estão vendo sem dúvida é uma explosão de energia que
enche as suas vidas de poder...
Essa energia é canalizada através do lobo temporal direito que é alterado
pela experiência. O lobo temporal, por sua vez, tem um efeito profundo
sobre as diversas estruturas do cérebro e o campo eletromagnético que
cerca o corpo.
A pessoa que tem uma experiência de quase morte pode ter a mesma
aparência, mas sua constituição eletroquímica é muito diferente do que
costumava ser.3
Ele também provou a ineficácia das descobertas neurológicas sobre a
estimulação do lobo temporal para criar experiências espirituais.
Embora o uso de drogas ou de experimentos artificiais com certas áreas
do cérebro possa estimular a sensação de sair do corpo ou outras
características de uma EQM, uma característica em particular, ele afirma,
continua sendo evasiva. Parece que a luz não pode ser artificialmente
induzida ou gerada dentro do cérebro e é ativada somente no momento
da morte ou durante visões singulares. Morse afirma que aqueles cujas
visões incluíram um encontro com uma luz amorosa receberam as
transformações de personalidade mais impactantes. “As transformações
mais poderosas e duradouras foram encontradas nas pessoas que viram
a luz.”4
Os cientistas e o pessoal da área médica tentam oferecer explicações
racionais para as características comuns que acompanham uma EQM.
Eles dizem que as características ocorrem devido à privação de oxigênio
e à dilatação das pupilas quando o cérebro começa a morrer. O Dr. Morse
costumava acreditar nisso também, até que ele estudou as experiências
utilizando o protocolo científico tradicional e o projeto de pesquisas.
Um médico holandês especializado em anestesiologia que diverge dessa
teoria médica acredita que uma pessoa cujas pupilas estão altamente
dilatadas não apenas vê a luz brilhante, mas somente vê claramente as
pessoas sobre quem os olhos estão focados, enquanto todas as outras
pessoas são vistas como formas brilhantes e embaçadas. De acordo com
ele, as pessoas que experimentam uma EQM, interpretam as imagens
brilhantes e embaçadas de pessoas fora de foco em outra parte do
aposento como “formas brilhantes”.
Depois de estudar os efeitos do envenenamento por oxigênio e da falta
de oxigênio, ele descobriu que tanto as experiências com o túnel quanto
com as trevas podiam ser causadas pela privação de oxigênio. A privação
de oxigênio não faz que todas as partes do cérebro falhem ao mesmo
tempo. O caule do cérebro, que gera a consciência, é a parte do cérebro
mais resistente à privação de oxigênio. Portanto, a privação de oxigênio
fará a visão falhar antes de causar a perda de consciência.
“As experiências com as trevas, com o túnel e com a luz são
impressionantes, e aparentemente são experiências paranormais. Apesar
disso, é evidente que elas podem ser explicadas pelas reações do corpo à
privação de oxigênio. A combinação das experiências com a luz e com o
túnel somente pode ser explicada pela privação de oxigênio, e nada mais.
Outras experiências associadas, como as experiências com as trevas e as
experiências fora do corpo, também podem ser geradas por outras
mudanças nas funções do corpo induzidas por uma ampla variedade de
condições diferentes. Essa explicação das experiências de túnel e luz não
constitui uma prova conclusiva de que esse seja o único mecanismo por
meio do qual estas experiências podem surgir. Afinal, essa explicação não
exclui as explicações paranormais ou imateriais. Mas é uma explicação
alternativa e física provável que é responsável por todos os aspectos
dessas experiências, assim como possibilita prever quando essas
experiências provavelmente ocorrerão.”5
Enquanto os cientistas investigam as explicações racionais e as razões
biológicas por trás das características da EQM, eles tendem a acreditar
que algumas formas dos nossos arquétipos culturais permanecem
conosco e estão envolvidas na EQM quando ela ocorre. O motivo pelo
qual algumas pessoas veem anjos, eles acreditam, têm origem nas suas
expectativas culturais de verem anjos quando morrerem. Mas e o que
dizer do que acontece depois que a EQM já terminou há muito tempo?
Como pode ser que 12% da população estudada pelo Dr. Morse ainda
relata ter contato regular com os seus anjos da guarda que encontraram
durante a EQM ou visões com eles? Por que mais de 10% relatam ter
visto fantasmas ou aparições? E um grande número deles sai com a
capacidade de prever os eventos futuros — alguns eventos mundanos
como saber que o telefone vai tocar e quem está do outro lado da linha, e
outros mais impressionantes, como poder advertir outras pessoas a se
desviarem de um perigo iminente.
Finalmente, por que cada uma das pessoas estudadas diz que não tem
medo da morte depois de uma EQM? Creio que seja porque elas sabem
que a dimensão sobrenatural do céu é atingida através da passagem pela
morte — uma passagem que elas não temem mais. A dimensão espiritual
da criação de Deus agora é quase tão familiar quanto a dimensão natural
da criação de Deus. A ciência permanece frustrada pelas explicações
imateriais que não pode provar nem refutar. Mas o coração dos homens
e mulheres continua fascinado pelos mistérios da dimensão espiritual.

OS SEGUNDOS MAIS IMPORTANTES DA SUA VIDA

Por que Deus permitiria que uma pessoa tivesse uma experiência de
quase morte? O que Ele está querendo dizer definitivamente sobre a vida
e a morte? Ele apressou a chegada de alguém à Sua presença porque Ele
quer que ele ou ela faça certo trabalho, ou leve um chamado ao
ministério muito a sério? Ou ocorreu algum acidente cósmico na
burocracia do céu, fazendo que Deus dissesse: “Opa, o anjo da morte
pegou a pessoa errada. O que você está fazendo aqui? Volte até que
chegue a sua hora”? Creio que o coração de Deus anseia que todos
conheçam e aceitem o Seu amor incondicional. E Ele nos dá todas as
oportunidades de aceitá-lo ou rejeitá-lo, mesmo até o momento da
morte.
Jill Austin, fundadora do Ministério Master Potter, havia acabado de
andar até o púlpito de uma igreja na Nova Zelândia quando recebeu a
notícia de que sua mãe tivera um aneurisma, entrara em coma, e agora
estava à beira da morte. Como palestrante programada para aquela
noite, Jill fez uma pausa, se perguntando se deveria seguir em frente e
falar ou cancelar a reunião para se concentrar na crise que tinha diante
de si.
Lembrando-se de que sua mãe, uma médica, lhe havia dito
resignadamente que se alguma coisa acontecesse com ela, Jill deveria dar
prosseguimento à obra do ministério, Jill seguiu em frente e simplificou a
reunião, controlando a sua dor da melhor maneira possível.
Imediatamente depois, ela pegou o telefone celular e começou a ligar
para algumas pessoas na Califórnia, onde morava, pedindo a elas que
fossem até o hospital para orar por sua mãe. Uma incrível pastora
hispânica do centro Leste de Los Angeles foi ao hospital. A mãe de Jill
praticara medicina nos bairros por mais de 25 anos trabalhando no Los
Angeles County Hospital. Jill esperou até saber que a pastora chegara, e
depois ligou para ela dando instruções específicas sobre como deveriam
orar.
“Eu disse que precisávamos repreender o espírito de morte, clamar pela
vida, e prossegui dando mais detalhes sobre como salvar sua vida”, Jill
explicou. “Enquanto ainda estava dizendo a ela como orar, comecei a ver
algo diferente. De repente, estava tendo uma visão aberta e vendo Jesus
vir buscá-la. E percebi que aquela era a hora dela. Jesus estava vindo
buscá-la. Era hora de ela ir para casa. Ora, isso é meio assustador porque
quando tem um ente querido você quer lutar pela vida. Então, no meio da
conversa, eu disse: ‘Lily, vejo Jesus vindo buscá-la. Então ouça, é isto que
você deve fazer. Não repreenda o espírito de morte. Quero que você se
incline junto ao ouvido dela e fale com ela sobre a necessidade de ela
aceitar o Senhor porque ela precisa saber que Jesus está vindo buscá-la e
ela precisa ir com Ele’”.
“Ela disse: ‘Entendi, Jill’”.
“Ela orou. E o que ouvi foi que minha mãe saiu do coma, sentou-se na
cama rindo e disse: ‘Agora sei o que Jill queria dizer’. E, rindo, ela abriu
caminho até o céu.”
Jill decidiu tomar o voo seguinte para casa e cancelou o restante das
reuniões na Nova Zelândia. Enquanto estava no avião, ela encontrou um
homem que falou com ela a respeito da vida e da morte, trazendo-lhe
consolo e discernimento sobre como seriam os dias e meses seguintes
para Jill enquanto ela enfrentava as consequências terríveis da perda de
sua mãe.
“Eu queria que ela vivesse”, disse Jill. “Estou aqui ministrando em mais
de 60 reuniões nas últimas quatro semanas e minha mãe morreu, a
pessoa mais importante de minha vida; e estou no avião voltando para
casa, olhando pela janela e chorando com a minha Bíblia aberta em meu
colo. De repente, aquele homem ao meu lado bateu na Bíblia e diz: ‘Eu
conheço o Autor deste livro’”.
Jill havia acabado de ler uma passagem em Eclesiastes e pensava sobre o
fato de que sua mãe queria ser cremada, e não queria enterro. De
repente, como se o homem estivesse lendo seus pensamentos, ele disse:
“Ah, mas você precisa fazer uma celebração para celebrar a vida dela
mesmo que ela não tenha um enterro.”
Eles entraram em uma conversa muito inusitada. “Enquanto ele me
entregava algumas passagens, e eu as analisava, de repente estava indo a
lugares diferentes no espírito. Ele estava me contando sobre a situação
de guerra para a qual eu estava voltando em casa e o que aconteceria;
preparando-me para exatamente o que estava por vir”, Jill disse, com
relação às batalhas legais e a rivalidade entre irmãos sobre as questões
do testamento que abalam algumas famílias depois que um dos pais
morre.
Àquela altura, Jill sabia que aquele não era um homem comum. Ele
parecia um homem de negócios muito conservador com um sotaque
neozelandês. Suas palavras tinham peso e traziam uma dimensão de
glória que arrebatava Jill no Espírito para ter pequenas visões do que
estava por vir enquanto ele narrava imagens que passavam pela tela da
sua mente. Finalmente, eles chegaram àquela pergunta desconcertante
que perturbava Jill. Ela perguntou a ele se sua mãe havia sido salva. Ela
aceitou Jesus antes de morrer?
O homem continuou com mais revelações. “Existem muitas pessoas que
estão começando e deixando de ser cristãs. Elas conhecem o Senhor e
depois o abandonam. O homem mede a vida pelo passar dos anos. Deus
mede a vida pelo passar dos segundos. Os três últimos segundos são os
mais importantes na vida de uma pessoa. Quando você vê uma pessoa
que está chegando mais perto do fim de sua vida, você observa se ela está
se aproximando mais de Deus ou se ela está se afastando mais dele? Ela
está se envolvendo com o livro, a Bíblia, trazendo de volta antigas
lembranças das Escrituras ou das coisas do Espírito?
De acordo com Jill, enquanto o homem falava, “O Senhor me fez lembrar
os livros que minha mãe começara a ler antes de morrer e das perguntas
que ela fazia, da Bíblia que ela havia começado a ler. E eu pude notar esta
volta em direção ao Senhor”.
O riso de sua mãe não foi sarcástico — foi um riso de alegria por saber
que o Jesus sobre quem ela lera era real... assim como ela esperava e
acreditava que Ele seria.
Quando o voo terminou, Jill percebeu que a sua suspeita sobre a
identidade daquele homem notavelmente sábio e profundamente
espiritual estava certa e era verdadeira. “Quando saímos do avião, o
homem estava segurando minha mão de uma maneira reconfortante.
Mas quando chegamos perto da área de retirada das bagagens, ele
desapareceu... em pleno ar.” Ele era um mensageiro angelical enviado por
Deus.
O homem mede a vida pela passagem dos anos. Deus mede a vida pela
passagem dos segundos. Os três últimos segundos são os mais importantes
na vida de uma pessoa. O que se revela durante os três últimos segundos
para alguns é um momento de decisão em que eles podem escolher ser
abraçados pela luz e pelo amor de Deus. Para outros, esses três segundos
se tornam uma experiência de quase morte, uma antecipação da morte
devido a algum propósito.

VIVENDO O TEMPO EXTRA QUE GANHAMOS

O Dr. Morse e outros pesquisadores mencionam em seus livros e artigos


que aqueles que foram enviados de volta à Terra por um ser de luz, em
geral, relataram que lhes foi dito que eles deviam simplesmente
trabalhar em sua ocupação escolhida, valorizar suas famílias e viver a
vida ao máximo. Não havia um chamado espetacular ao ministério ou
para se tornarem um profeta de olhos arregalados. Eles sentiam que
deviam simplesmente se tornar indivíduos mais focados e amorosos. E
quanto mais eles agiam amorosamente para com outros, mais eles
sentiam que suas vidas tinham êxito.
Quando Suzette Hattingh, uma agradável mulher sul-africana na faixa
dos seus quarenta e tantos anos, entra em uma sala, você a percebe
imediatamente. Algo em seus olhos e na maneira como ela se comporta
faz você perceber que ela está andando em uma autoridade que
ultrapassa em muito a do cristão comum. Ela leva a presença de Deus
com ela onde quer que ela vá e é essa presença que chama a sua atenção
e o faz perguntar: “Quem é esta mulher?”
Suzette Hattingh é uma evangelista internacional que fixou residência na
Alemanha. Durante muitos anos, ela trabalhou como intercessora e
evangelista, pregando em enormes cruzadas ao lado de Reinhard Bonnke
na África e em muitas outras nações. Deus finalmente a chamou para ir
com Reinhard Bonnke quando ele mudou a sede de seus escritórios para
a Alemanha em 1985. Ela iniciou seu próprio ministério, Voice in the City
(Voz na Cidade) em 1997. O Ministério Voice in the City está focado em
revelar Jesus por toda a Europa enquanto realiza campanhas nas quais
ela prega a milhões de pessoas na Ásia e em outros países. Suas palavras
são acompanhadas de poderosos sinais e maravilhas e curas milagrosas
por onde quer que ela ministre. Ela é inegavelmente alguém que foi
tocada por Deus e que toca o Seu coração em troca, enquanto trabalha
com Ele para promover uma colheita de salvação e cura.
Antes de ser chamada para o ministério, Suzette trabalhava como
enfermeira. Estranhamente, foram as experiências de quase morte de
seus pacientes que a levaram a observar a realidade da dimensão
espiritual. De acordo com suas experiências com pacientes moribundos,
nem todos que têm uma experiência de quase morte veem o céu. Alguns
chegam até mesmo a ter um vislumbre do inferno.
Bill Wise, um corretor de imóveis do sul da Califórnia, concorda que
muitos têm visões do inferno. Um dia ele adormeceu em sua sala de
visitas e, de repente, descobriu, para a sua surpresa, que estava no
inferno. Embora ele não estivesse à beira da morte e passando por uma
experiência de quase morte, a visão que teve o lançou em um período de
busca interior e de anseio por entendimento. Ele diz que esta pesquisa
pessoal trouxe à tona cerca de 1.400 histórias de pessoas que haviam
tido algum tipo de visão do inferno durante uma visão ou uma
experiência de quase morte.6 O Dr. Morse e os pesquisadores médicos
também relataram que um grande número de pessoas tem vislumbres
das trevas e do desespero do inferno em vez da luz e do amor do Céu.
Suzette contou sobre pacientes que ela conheceu que haviam tido
experiências tanto com o céu quanto com o inferno durante uma
entrevista para a revista Charisma.7 As histórias deles mudaram a sua
vida e muito provavelmente tornaram-se a experiência fundamental que
a lançou no ministério de evangelismo. Ela relatou:
“Os pacientes à beira da morte começaram a me contar as suas
experiências de quase morte. Havia um homem idoso, fraco demais para
se mover que, de repente, sentou-se em sua cama e clamou: ‘Vejo o Deus
vivo em Seu trono, e estou perdido!’ Eu nem sequer sabia o que
significava estar ‘perdido’. Eu era uma pessoa muito pé no chão, e aquilo
me aterrorizou.”
Ela também se lembra de um homem que era presbítero em uma igreja.
No instante de sua morte, ele clamou: “Por favor, ajude-me! Meus pés
estão afundando nesta cova!” Então ele morreu.
Houve um terceiro caso, de uma mulher com câncer terminal. “Ela estava
sofrendo dores e gritava para nós e foi muito difícil. Durante algum
tempo, ela foi removida para outro hospital para ser submetida a
tratamento, e ali ela se reconciliou com Deus. Ela retornou uma pessoa
transformada, muito gentil. Quando morreu, eu estava de plantão e
sentei-me ao lado de sua cama”, disse Suzette. “Eu pensei que ela já havia
partido, mas de repente ela voltou, e sorriu com os olhos abertos”.
‘“Irmã’, ela me disse, ‘está ouvindo esta música? Olhe, veja as flores! As
pessoas com vestes brancas!’ Então ela se virou e disse, ‘Eles estão vindo
me buscar!’ — e então ela se foi”.
Suzette Hattingh disse que essas experiências fizeram que ela começasse
a buscar Deus novamente. Em 14 de março de 1977, sendo ainda mais
impulsionada por pesadelos seguidos relacionados à condenação,
Suzette finalmente orou: “‘Deus’, eu disse, ‘se o Senhor é o que esses
malucos dizem que é, faça alguma coisa!’ Uma luz veio sobre mim, e eu
nasci de novo”.
Durante anos depois de entregar sua vida a Deus, sua vida e seu
ministério tomaram um rumo ardoroso e brilhante, mas, com o tempo, o
excesso de trabalho fez que essa luz começasse a enfraquecer. Apenas
três anos depois da morte de seus pais em acidentes de carro diferentes,
ela ficou de cama, muito enferma, devido à exaustão e a problemas
cardíacos. Esses efeitos tiveram um preço sobre o seu corpo e ela foi
passar um tempo com amigos na África do Sul esperando conseguir
recuperar a saúde para poder voltar a trabalhar no ministério.
Em vez disso, sua saúde deteriorou rapidamente e ela percebeu que
estava morrendo. Embora ela tivesse tido muitos encontros
sobrenaturais pessoais e conhecesse experiências de quase morte de
outros, ela estava prestes ter um encontro que transformaria sua vida e
ministério de uma maneira especial.
Durante uma entrevista telefônica com Suzette em Frankfurt, Alemanha,
ela disse que essa experiência ocorreu em agosto de 1983, não muito
depois da morte de seu pai.8

Fui passar um tempo com meus queridos amigos Jimmy e Jessie Scott, na
África do Sul, porque eu estava exausta. Sendo viciada em trabalho, eu havia
me escondido na obra de Deus para fugir da dor da morte de meus pais. Eu
não me sentia bem e estava muito doente. Eu sabia, por causa de uma dor em
meu peito, que eu ia morrer naquele dia. Jessie ia chamar uma ambulância.
Enquanto estava deitada em minha cama, eles oraram: Por favor, salve sua
vida para o bem do ministério. Então saíram para continuar a interceder
pela minha vida em outro quarto.
Naquele instante, em meu quarto, estava escuro e, no instante seguinte, a luz
me cercou. Não uma luz que conhecemos como luz. Sem sombras. A luz mais
brilhante que eu já vi, mas ela não me fazia mal. Eu via o quarto exatamente
como ele era, mas ele estava claro. Voltei-me para a porta e olhei para o
meu corpo na cama. Quando me virei, minha mãe e meu pai estavam em pé
ali. Exatamente com a mesma aparência que tinham na Terra, com a
diferença de que não havia nenhum fardo em seus rostos. Era como se um
brilho de suavidade emanasse deles. Minha mãe comunicou-se comigo —
mas não com palavras. Ela disse: “Você não pode vir ainda, minha criança.
Você precisa voltar. Você estará melhor amanhã.”

Acordei e estava de volta à minha cama. Jessie entrou no quarto de repente,


acendeu a luz e disse: “Você vai viver! Vou fazer uma sopa para você
agora.” Aquele foi o momento de decisão. Não fiquei curada
instantaneamente, milagrosamente. Mas foi algo diferente.
Aquilo marcou a minha vida de tal maneira que senti que não estamos aqui
para mostrar a nossa espiritualidade, estamos aqui para mostrar Jesus.
Desde então, percebi que estou vivendo o tempo extra que ganhei.

OS TÚNEIS E OS PORTÕES DO CÉU

A Bíblia oferece uma grande quantidade de informações que apoiam as


características comuns de uma visão típica de quase morte. Rita Bennet,
diretora executiva da Christian Renewal Association, acredita que
existem túneis de luz e dá a sua interpretação bíblica para essa
experiência. “É possível que você e eu um dia entremos no céu andando
ou flutuando através de um túnel de luz brilhante, de um azul
esverdeado da cor do jaspe”.
A pista está em Apocalipse 21:17-18, que oferece a espessura e as
dimensões dos muros que cercam a cidade. “Meus estudos indicaram que
a espessura das muralhas seria por volta de 65 metros, ou quase 1
quilômetro, próximo ao comprimento de um campo de futebol. A ideia de
que as muralhas do céu sejam tão grossas parece algo extremamente
improvável...”9 Ela acredita que é essa muralha que dá subsídios à ideia
dos “túneis” através dos quais as pessoas deslizam quando entram no
céu.
Em parte, ela está correta sobre a cor de jaspe. Assim como muitas
pedras preciosas, o jaspe pode assumir a aparência de uma variedade de
cores. O jaspe mais comum é uma pedra clara, extremamente
transparente. A natureza transparente da pedra preciosa significa
simbolicamente que a pessoa é vista claramente ou que a pessoa fica
extasiada com a luz da glória. Na literatura bíblica, o jaspe simboliza a
água e a plenitude da glória. A passagem de Apocalipse 21:11-19 à qual
Rita se refere ilustra a glória da Jerusalém celestial. Um túnel de jaspe
provavelmente brilha extremamente com a luz enquanto suas
propriedades claras refletem a luz brilhante e ofuscante da glória de
Deus. Entretanto, uma versão azul-esverdeada da pedra também pode
simbolizar a água e significa que a pessoa está submersa no rio do mar
de glória quando entra pelos portões do céu. Um túnel azul-esverdeado
pode ser muito mais escuro que o esperado, uma vez que a luz não se
reflete facilmente em um túnel.
Algumas pessoas relatam voar através de um túnel escuro, enquanto
outras relatam se mover por um túnel de luz. Ambas as experiências
poderiam ser sustentadas pelas Escrituras de acordo com as
propriedades do jaspe. O jaspe poderia ser um túnel de trevas colorido
pela natureza azul-esverdeada da pedra, ou pode ser uma pedra
extremamente transparente — mais capaz de refletir uma luz brilhante.
Aqueles que têm a experiência de sair dos seus corpos e de viajar através
de um túnel de luz ou de um túnel de trevas podem estar apenas
passando pelos portões da Nova Jerusalém diretamente para dentro do
céu, como Rita Bennet acredita.
Entretanto, nem a pesquisa do Dr. Morse nem as Escrituras sustentam a
ideia de que aqueles que lembram passar por um túnel escuro realmente
descobrem uma visão do inferno esperando por eles do outro lado ou
que aqueles que passam por um túnel de luz chegam ao Céu. Parece que
um túnel é simplesmente um túnel. As pessoas passam tanto pelas trevas
quanto pela luz para chegarem ao Céu ou ao inferno. O lugar por onde
você está passando e para onde ele conduz dependem inteiramente dos
propósitos de Deus, que tem pleno controle da experiência e até mesmo
a está dirigindo.

ENCONTRANDO SERES DE LUZ

O que são esses “seres de luz” que as pessoas veem durante as


experiências de quase morte? Algumas veem apenas uma pessoa, oculta
no brilho da luz que obscurece as suas feições faciais. Outras veem certo
número de pessoas andando como se a luz não apenas fluísse delas
interiormente, mas como se as envolvesse externamente. Muitas
passagens falam sobre seres espirituais de luz que se encaixam em uma
ou duas categorias — um tipo de anjo ou o próprio Deus. Uma, em
particular, fala de Deus: “O único que possui imortalidade, que habita em
luz inacessível...” (1 Timóteo 6:16).
Um discípulo de Jesus em especial falou sobre Jesus como um ser de luz,
como se ele tivesse tido uma revelação notável e pessoal dessa luz. Creio
que João, o discípulo a quem Jesus amava, viu e sentiu o impacto da luz
que emanava de Jesus, muito além da compreensão dos outros. A sua
revelação da natureza de Jesus como luz e amor ultrapassava em muito a
compreensão dos outros discípulos.
Em João 1:4-5, o apóstolo começou a sua descrição de Jesus como luz: “A
vida estava nele e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas
trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.” Ele sabia que Jesus era
diferente de todos os outros homens — que a luz dele era especial. Com
relação a João Batista, ele escreveu em João 1:8-9: “Ele não era a luz, mas
veio para que testificasse da luz, a saber, a verdadeira luz, que, vinda ao
mundo, ilumina a todo homem.”
Ele sabia disso porque Jesus lhe dissera. Em João 8:12, Jesus diz acerca
de si mesmo: “Eu sou a luz do mundo.” E, mais tarde, João escreveu em 1
João 1:5: “Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos
anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma.”
Porém, João, mais do que qualquer escritor dos evangelhos, também
recebeu uma revelação sobre a natureza da luz que só podia ser
transmitida através de visões sobrenaturais. Em Apocalipse 4:5, ele
escreveu: “Do trono saíam relâmpagos, vozes e trovões. Diante dele
estavam acesas sete lâmpadas de fogo, que são os sete espíritos de Deus”
(NVI). Os sete aspectos da natureza de Deus habitam em luz flamejante
diante do trono — as mesmas luzes flamejantes e os mesmos seres de luz
que muitos relatam ter visto enquanto passam por um túnel, voando
para o céu e chegam à presença de Deus.
João também sabia que o Salmo 104:2 falava de um Deus “coberto de luz
como de um manto...” E que essa luz era tão poderosa que ela iluminava
não apenas uma área localizada como uma lanterna; ela era mais
poderosa que o sol e a lua. Em Apocalipse 21:23, João escreveu: “A cidade
não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a
glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada.”
Jesus não é apenas a luz; os seres espirituais no Seu reino celestial
também estão vestidos de luz resplandecente. No Antigo Testamento,
lemos sobre um dos encontros de Daniel com um anjo: “O seu corpo era
como o berilo, o seu rosto, como um relâmpago, os seus olhos, como
tochas de fogo...” (Daniel 10:6). E em Mateus, lemos uma descrição do
anjo do Senhor que removeu a pedra do túmulo no jardim e sentou-se
sobre ela. A sua aparência reflete uma luz extraordinária. “O seu aspecto
era como um relâmpago, e a sua veste, alva como a neve. E os guardas
tremeram espavoridos e ficaram como se estivessem mortos” (Mateus
28:3-4).
Esses anjos deviam ter estado ao redor do trono. Contemplando a luz,
eles se tornaram como Aquele a quem contemplavam. Cheios da luz de
Deus, eles vieram como mensageiros à Terra, ainda brilhando com toda a
Sua glória. Porque o próprio trono é tão carregado
eletromagneticamente que ele libera... “relâmpagos, vozes e trovões”
(Apocalipse 4:5). Imagine relâmpagos brilhando contra todas as joias
multicoloridas da sala do trono; seria como um show de luzes gigantesco.
Todas essas imagens de Deus como luz, seres angelicais de luz, arco-íris
de luz brilhando, estão contidas nas histórias daqueles que tiveram uma
experiência de quase morte. O que é mais interessante sobre as histórias
deles é que muitos daqueles que as contam não são cristãos e têm pouco
ou nenhum histórico de fé judeu-cristã ou conhecimento das descrições
bíblicas da sala do trono no Céu.
Não é de admirar que quando as pessoas encontram a luz puríssima e
ficam face a face com a origem e o Criador da energia eletromagnética,
elas sejam transformadas para sempre, como revela a pesquisa do Dr.
Morse. Não é de admirar que Jesus pudesse realizar milagres. A natureza
do Seu ser, que consistia de poderosa luz, ou energia eletromagnética,
alterava todos com quem Ele entrava em contato — se Ele optasse por
liberar essa luz. Às vezes, Ele andava incógnito, curava apenas uma
pessoa em vez de toda a multidão, ou curava e libertava multidões
inteiras, andava sobre as águas, transformava água em vinho. Luz, amor,
poder e glória estavam combinados em Jesus, permitindo que Ele fizesse
coisas extraordinárias.
O Seu poder e a Sua luz foram liberados não apenas para aqueles que
tiveram uma experiência de quase morte, ou visões em que uma pessoa
encontra a luz, mas também para aqueles que sentem cada molécula de
seu corpo explodir quando Jesus se aproxima. Aqueles que são
transformados para sempre não são mudados por causa da visão, mas
porque se encontraram com Deus e com o poder contido na Sua luz
radiante.

O PROPÓSITO DA VIDA

Nem todos saem de uma experiência de quase morte tendo se


encontrado com Jesus e reconhecendo-o como Deus. Na verdade, a
maioria sai com mais perguntas sobre Deus do que antes. Alguns se
voltam para as práticas e teorias espiritualistas da Nova Era ao saírem
em busca de respostas. Outros saem contentes com a sua nova
descoberta de uma vida após a morte, porém mais focados em viver esta
vida do que no que está além, em “uma galáxia muito, muito distante”. E
este parece o ponto da experiência deles. A maioria daqueles que passam
por uma experiência de quase morte e têm uma visão do céu e
encontram o Deus que é a luz do mundo, saem com duas percepções-
chave:
1. A primeira é a mensagem de que você foi criado com um propósito.
Seja qual for o trabalho que você foi criado para executar, sejam quem
forem as pessoas que você foi chamado para amar, é melhor ir em frente
com isso! O nosso tempo aqui na Terra é curto. Como diz Suzette
Hattingh, estamos vivendo o tempo extra que ganhamos.
2. A segunda é que existe um Deus no Céu que se senta em um trono
cercado por anjos e que o céu está cheio de entes queridos que partiram
antes de nós. O que fazemos com este conhecimento? Jesus disse: “Eu sou
o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim”
(João 14:6). Ele também diz “Eu sou a porta” (João 10:7). Ele bate na
porta do seu coração, e se você abrir para Ele, Ele entrará e desenvolverá
uma amizade com você que durará por toda a eternidade. Mas você
precisa abrir a porta deste lado da eternidade, a fim de passar para o
outro lado. Por que esperar até os três últimos segundo de sua vida?
Você nunca sabe quando serão esses últimos instantes. E não há garantia
de que uma experiência de quase morte lhe consiga algum tempo para
uma tomada de decisão.
Você quer estar com Jesus, ou quer viver na ausência de luz, no vazio
escuro que Mickey Robinson sentiu por uma fração de segundos e soube
que não era mais que uma prova da alternativa que ele tinha? Abra a
porta do seu coração, tire um instante para orar agora com suas palavras
e convide Jesus para entrar, entregando sua vida a Ele. E à medida que
você morrer para si mesmo, verá a sua vida ser transformada pela Sua
luz, e verá a sua alegria ser aumentada, à medida que o amor dele inunda
o seu coração. Se você não tem palavras próprias, faça esta oração
simples: Senhor Jesus, luz do mundo, Deus que é todo amoroso, eu Te
convido para entrar em meu coração. Abra os olhos do meu entendimento.
Perdoa-me por todos os meus pecados e revela-te a mim, para que eu possa
conhecer-te hoje e por toda a eternidade. Tu és o Senhor dos senhores e o
Rei dos reis. Creio que Jesus Cristo é o Filho do Deus vivo. Não há outro
caminho para o Pai ou para a eternidade a não ser através de Ti. Eu
entrego a minha vida em Tuas mãos amorosas.
NOTAS

1. Mickey Robinson, Falling to Heaven (Cedar Rapids, IA: Arrow


Publications, 2003), 94-95.
2. Morse publicou sua pesquisa no livro Transformed by the Light e
em vários jornais pediátricos da área médica.
3. Melvin Morse, M.D. com Paul Perry, Transformed by the Light: The
Powerful Effect of Near Death Experiences on People’s Lives (Nova
York: Villard Books, 1992), 147-148.
4. Morse, Transformed by the Light, 197.
5. G. M. Woerlee, Darkness, Tunnels, and Light,
http://www.csicop.org/q/csicop/neardeath.
6. Bill Wise, 23 Minutes in Hell. Esta informação foi extraída de um
testemunho que Bill deu em Kansas City.
7. “She Dared to Claim a Continent”, Tomas Dixon, revista Charisma,
outubro de 2002.
8. Entrevista telefônica com Suzette Hattingh na Alemanha, junho de
2006.
9. Rita Bennet, autora de To Heaven and Back, esta citação foi
extraída de sua coluna em The Edmonds Beacon, 25 de agosto de
2005.
CAPÍTULO 7
UMA JORNADA PELO LADO MAIS ESPANTOSO DAS VISÕES
SOBRENATURAIS

por JAMES GOLL

Tendo passado pelos corredores das Experiências Comuns das Visões e


Sonhos, vamos agora mais à frente para encontrar outro caminho de
entrada para outro vasto aposento. O nome desta porta a princípio soa
um pouco impressionante. Ele diz: Uma Jornada pelo Lado Mais
Espantoso. Ao espreitar pela abertura, posso ver quatro portas separadas
com nomes escritos em cada passagem.
Na primeira porta encontramos estas palavras impressas: Ande pelo Lado
Mais Espantoso! Isso faz que eu me pergunte o que neste mundo está por
trás daquela porta! A porta que está bem diante dela diz: Ilumine-me —
Céus Abertos, Sons do Céu e Visitando o Céu. Oh, acho que agora
simplesmente extrapolamos a nossa compreensão, com certeza! A porta
número 3 me intriga, uma vez que ela salta bem diante dos meus olhos:
Êxtase, Vislumbres, Murmúrios e Profecias. Mas se você for corajoso o
bastante, tenha certeza de que você ainda não chegou ao seu máximo,
mas chegará quando entrar neste aposento que tem o nome: No Corpo,
ou Fora Dele?
Uau! Estamos nos preparando para uma viagem espantosa enquanto
continuamos na nossa jornada progressiva do Comum para O Lado Mais
Espantoso! Então aqui vamos nós — mas não é o caso de dizermos:
“Estando prontos ou não, aqui vamos nós”, mas “Sim, estamos prontos
para receber mais do nosso querido Senhor!”
ÊXTASES OU TRANSES

Quando voltei a Jerusalém, estando eu a orar no templo, caí em êxtase (Atos


22:17).

Devido ao fato de serem tão mal compreendidos hoje e por estarem


ligados na mente de muitas pessoas com a Nova Era e o ocultismo,
precisamos tomar muito cuidado ao lidar com o tema dos êxtases e
transes. Mas vamos em frente com um panorama geral breve dessas
experiências extáticas.
Um transe ou êxtase é mais ou menos um estado de deslumbramento em
que o corpo de uma pessoa é subjugado pelo Espírito de Deus e sua
mente pode ser tomada e sujeita a visões ou revelações que Deus deseja
transmitir. A palavra grega do Novo Testamento é ekstasis, de onde
deriva a nossa palavra “êxtase”. Basicamente, um êxtase é uma excitação
do corpo físico provocada sobrenaturalmente. Muitas vezes, uma pessoa
em transe ou êxtase fica estupefata — tomada, capturada e colocada em
um estado mental supernormal (acima do normal ou fora do normal). O
dicionário Vine’s Expository Dictionary of New Testament Words define
um êxtase como “um estado onde a consciência comum e a percepção
das circunstâncias naturais foram retidas, e a alma estava suscetível
apenas à visão transmitida por Deus”.1 Vine continua nos dando uma
segunda definição afirmando: “Um êxtase é um estado onde uma pessoa
é tão transportada para fora do seu estado natural que ela cai em um
transe, um estado sobrenatural onde ela pode ter visões no espírito.”2
O dicionário Webster descreve este estado da seguinte maneira: “Êxtase;
um ser deslocado de seu lugar; distração, principalmente em resultado
de grande fervor religioso; grande alegria, arrebatamento; um
sentimento de prazer que captura toda a mente.”3 Um deslocamento da
mente, um atordoamento, “êxtase”; daí ficar assombrado, assombro,
espanto.4
O Dr. David Blomgren, em seu equilibrado livro profético, Prophetic
Gatherings in the Church, nos dá a seguinte definição: “Um transe ou
êxtase é um estado visionário onde a revelação é recebida. Esse estado
de arrebatamento é um estado em que um profeta perceptivelmente não
estaria mais limitado à consciência e à vontade naturais. Ele está ‘no
Espírito’, onde a plena consciência pode ser transcendida
temporariamente.”5
Minha definição final de transe ou êxtase, a partir da reunião de todas as
contribuições anteriores, é um estado de arrebatamento pelo qual uma
pessoa é capturada para a dimensão espiritual de modo a receber apenas
as coisas que o Espírito Santo diz.

UM OLHAR MAIS DETALHADO

A seguir vemos oito exemplos bíblicos que poderíamos dizer que


descrevem várias formas de um estado semelhante ao êxtase ou transe:
Assombro — Marcos 16:8.
Espanto — Marcos 5:42.
Cair como morto — Apocalipse 1:17 (ekstasis não é usado aqui,
mas o estado de se cair como se estivesse morto descreve
adequadamente um estado como o de um êxtase).
Um grande estremecimento — Daniel 10:7.
Um tremor ou uma agitação — Jó 4:14.
Um poder repentino — Ezequiel 8:1.
A mão do Senhor — Ezequiel 1:3.
Um profundo sono da parte do Senhor — Jó 33:15 e Daniel 8:18.

Vamos analisar alguns destes outros exemplos bíblicos de uma maneira


mais completa. Primeiro, vamos dar uma olhada na experiência crucial
do êxtase de Pedro, conforme registrado em Atos 10:9-16 (NVI):

No dia seguinte, por volta do meio-dia enquanto eles viajavam e se


aproximavam da cidade, Pedro subiu ao terraço para orar. Tendo fome,
queria comer; enquanto a refeição estava sendo preparada, caiu em êxtase.
Viu o céu aberto e algo semelhante a um grande lençol que descia à terra,
preso pelas quatro pontas, contendo toda espécie de quadrúpedes, bem como
de répteis da terra e aves do céu. Então uma voz lhe disse: “Levante-se,
Pedro; mate e coma.” Mas Pedro respondeu: “De modo nenhum, Senhor!
Jamais comi algo impuro ou imundo!” A voz lhe falou segunda vez: “Não
chame impuro ao que Deus purificou.” Isso aconteceu três vezes, e em
seguida o lençol foi recolhido ao céu.

Será que realmente entendemos o que aconteceu aqui? Toda a história


da Igreja foi transformada pela experiência de um êxtase! Uma maneira
inteiramente diferente de interpretar as Escrituras foi dada! Os gentios
vieram à fé em Cristo Jesus e o Corpo do Messias já não era mais visto
como sendo exclusivamente uma entidade judaica! A salvação veio aos
gentios! Que mudança de paradigmas! “Não chame impuro ao que Deus
purificou!” Isto é absolutamente impressionante! Agora vamos agradecer
ao Senhor por todas essas experiências espirituais!
Vamos dar mais uma olhada específica na experiência de um êxtase na
vida de Balaão, um profeta transigente, conforme relatado em Números
24:4:

Palavra daquele que ouve as palavras de Deus, daquele que vê a visão que
vem do Todo-poderoso, daquele que cai em um transe e vê com os olhos
abertos (Tradução da King James Version).

Balaão é tomado pelo Espírito de Deus e não pôde sequer amaldiçoar,


mas apenas abençoar Israel. (Quem dera que isso acontecesse
novamente hoje em dia!) Essa proclamação, embora em um estado de
transe, foi feita enquanto seus olhos estavam bem abertos. Misericórdia!
Suponho que Deus quisesse provar alguma coisa e induziu uma
experiência espiritual completa de um estado de transe de modo que
Balaão pudesse dizer somente coisas que Deus pretendia que ele
dissesse.
Bem, Ele fez isso antes — vamos ver isto acontecer por vezes seguidas!
Aqui vamos nós, voando às alturas com as expressões do amor do nosso
querido Senhor! Oh, que Senhor maravilhoso, criativo, lindo e acessível!

EXPERIÊNCIAS FORA DO CORPO


Estendeu ela dali uma semelhança de mão e me tomou pelos cachos da
cabeça; o Espírito me levantou entre a terra e o céu e me levou a Jerusalém
em visões de Deus... (Ezequiel 8:3).

Uma experiência fora do corpo é, na verdade, a projeção do espírito de


uma pessoa para fora do seu corpo. Quando Deus inspira uma
experiência assim, Ele coloca uma fé, uma unção e/ou uma proteção
especial em torno do espírito da pessoa de modo que ela possa atuar na
área para a qual o Senhor a está conduzindo.
Em uma experiência fora do corpo, o espírito de uma pessoa literalmente
deixa o seu corpo físico e começa a viajar na dimensão espiritual pelo
Espírito do Senhor. Uma vez fora do corpo, o ambiente que a cerca
parece diferente do que é naturalmente, porque agora os olhos
espirituais, e não os olhos naturais, é que estão vendo. O Senhor dirige os
olhos para ver o que Ele quer que veja, exatamente da maneira que Ele
quer que ela veja.
Ezequiel é o principal exemplo bíblico de uma pessoa que teve
experiências fora do corpo:
“O Espírito me levantou...” (Ezequiel 3:14).
“Ele... me tomou pelos cachos da cabeça... O Espírito me levantou
entre a terra e o céu” (Ezequiel 8:1-3).
“O Espírito me levantou e me levou...” (Ezequiel 11:1-2).
“Veio sobre mim a mão do SENHOR; ele me levou pelo Espírito do
SENHOR e me deixou no meio de um vale que estava cheio de
ossos...” (Ezequiel 37:1-4).
“O Espírito me levantou e me levou ao átrio interior...” (Ezequiel
43:5-6).

Aparentemente Paulo também teve uma experiência fora do corpo. A


maioria dos estudiosos acredita que Paulo estava se referindo a si
mesmo quando escreveu:
Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos, foi arrebatado até ao
terceiro céu (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe) e sei que o
tal homem (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe) foi
arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao
homem referir (2 Coríntios 12:2-4).

Veja a maneira como Paulo fala sobre esta dimensão santa e maravilhosa.
Ele não faz um grande alarde disso. Se ele estava dentro ou fora do corpo
não é a questão. A questão é o que ele ouviu e aprendeu enquanto teve
essa experiência. Qual foi a mensagem e qual foi o seu fruto?
Como acontece no caso do transe ou êxtase, esta é uma experiência
visionária que devemos abordar com muito cuidado, por causa das suas
associações com o ocultismo na mente de muitas pessoas. Realmente
existem falsificações de todas as experiências com o Espírito Santo.
Exteriormente, pode parecer que há pouca diferença, mas interiormente,
a diferença é grande, tanto nos frutos quanto no propósito. Nunca
devemos procurar ter essas experiências! Esse tipo de experiência
somente deve ser induzido por Deus e iniciado por Ele!
Não se trata de autoprojeção ou algum tipo de projeção astral. Não é
“buscar” nos projetarmos para fora, pois essas coisas são próprias do
ocultismo e da feitiçaria. Deus, por Sua iniciativa e através do Espírito
Santo, pode, se Ele desejar, nos elevar para uma dimensão espiritual, mas
não devemos projetar a nós mesmos em nada.
Quando os espíritas, os feiticeiros e os iogues praticam isso sem o
Espírito Santo e parecem prosperar através disso, é porque eles não são
uma ameaça para satanás. Eles já estão no engano. Quer entendam isto
ou não, eles já estão aliançados com ele e não são seus inimigos.
Não permita que o inimigo roube o que Deus ordenou. Não tenha medo
dessas formas inusitadas do Espírito Santo, mas esteja sempre certo de
não entrar em algum tipo de atividade autoinduzida.

TRANSLADAÇÃO

Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe


repentinamente. O eunuco não o viu mais e, cheio de alegria, seguiu o seu
caminho (Atos 8:39, NVI).

A transladação (transporte sobrenatural ou transporte de um local para


outro) é mais apropriadamente definida como uma experiência física e
não apenas uma visão. Mas quando esta experiência inusitada realmente
ocorre, diversas coisas do tipo visionário sobrenatural poderiam ser
mostradas à pessoa enquanto ela está sendo transportada. De todos
estes níveis de atividades mencionados, ainda não experimentei este.
Tenho amigos que têm histórias incríveis de tais eventos. Quanto a mim,
estou pedindo ao Senhor que eu possa experimentar tudo que Ele tem
disponível para mim e deseja para a minha vida.
Eis alguns exemplos bíblicos:
Depois que Jesus foi tentado pelo diabo no deserto, Ele foi transportado
para outro lugar (ver Mateus 4:3-5). Filipe, o evangelista, foi transladado
após compartilhar o evangelho com o eunuco etíope (ver Atos 8:39).
Pedro foi transladado para fora da prisão, mas enquanto isso estava
acontecendo, ele não o percebeu. Que ele soubesse, ele estava tendo uma
visão, ou um sonho. Embora não haja como saber ao certo, isso poderia
ter sido uma espécie de transladação (ver Atos 12:8-9).
De todos esses tipos de experiências, vivenciei todas elas exceto a última.
Mas tenho amigos que também tiveram esta experiência. Um amigo meu
teve o seu carro levado para mais de duas horas à frente na estrada em
suas experiências missionárias. Anos atrás Bob Jones e sua esposa
experimentaram sua caminhonete sendo levantada e transladada horas à
frente da hora de chegada prevista. Outro profeta amigo meu estava
atrasado para pegar o voo programado, e antes que nos déssemos conta,
ele chegou adiantado ao aeroporto alguns minutos para fazer a sua
próxima viagem ministerial bem a tempo. Acredito que devia ser
importante para ele chegar lá!
Na verdade, quando leio a Palavra de Deus, peço que eu possa
experimentar tudo que está contido nela. Não a leio simplesmente como
se estivesse lendo um livro de história; eu a leio, às vezes, mais como um
cardápio. Digo: “Quero isto!” Eu o encorajo a fazer o mesmo!

VISITAÇÃO CELESTIAL
Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos, foi arrebatado até ao
terceiro céu (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe) (2
Coríntios 12:2).

A Bíblia se refere a três céus:


1. O céu mais inferior, o céu atmosférico, que circunda a Terra (ver
Mateus 16:1-3).
2. O segundo céu, o céu estelar que é chamado de espaço exterior,
onde o sol, a lua, as estrelas e os planetas habitam (ver Gênesis
1:16-17).
3. O terceiro céu, que é o mais superior, e o centro ao redor do qual
todas as dimensões giram, é o paraíso, a moradia de Deus e Seus
anjos e santos (ver Salmos 11:4).
Uma visitação celestial é como uma experiência fora do corpo, com a
diferença que o espírito da pessoa sai da dimensão da Terra, passa pelo
segundo céu, e vai até o terceiro céu. Isto pode ocorrer enquanto a
pessoa está orando, enquanto está em um transe ou em um profundo
sono do Senhor, ou na morte.
Alguns exemplos bíblicos incluem:
Moisés. Durante os seus 40 dias de jejum no monte Sinal, Moisés
“viu” o Tabernáculo no céu e recebeu o “modelo” para construir
uma versão terrena. Isto possivelmente foi uma visitação celestial;
não podemos dizer ao certo. No mínimo, foi uma experiência de
ver os céus abertos (ver Êxodo 24:18; 25:1, 8-9 e Hebreus 8:5).
Paulo. Mais uma vez, o apóstolo foi “arrebatado ao terceiro céu”,
onde ele ouviu palavras inefáveis e teve uma verdadeira
experiência do paraíso. Paulo parece ter sido arrebatado
imediatamente para esta dimensão (ver 2 Coríntios 12:2-4).
Enoque. De acordo com Gênesis, Enoque “andou com Deus” e Deus
o tomou. Ele foi arrebatado ao céu sem morrer e nunca retornou à
Terra (ver Hebreus 11:5).
Da mesma maneira que uma pessoa pode visitar o terceiro céu tendo
uma experiência fora do corpo, ela também pode visitar as diversas
regiões do inferno. Se tratar-se de um pecador, ele se aproxima do
inferno descendo — na morte ou na experiência de quase morte ou em
uma visão sobrenatural — e lhe é mostrado onde ele está destinado a
passar a eternidade a não ser que se arrependa e aceite Jesus Cristo
como seu Senhor e Salvador. Então ele é trazido de volta à Terra dentro
do seu corpo pela misericórdia de Deus.
Se uma pessoa é cristã, o Espírito do Senhor pode levá-la ao inferno em
tal experiência, também, com o propósito de revelar o sofrimento e os
tormentos dos condenados. Então ela pode ser enviada de volta para o
seu corpo a fim de testemunhar e advertir os não cristãos a se
arrependerem e a receberem Jesus como seu Senhor. Essas experiências
também são usadas como ferramentas de encorajamento ao Corpo de
Cristo para que eles saibam que o mundo invisível é real. Deus é
galardoador daqueles que o buscam diligentemente (ver Hebreus 11:6).
O céu e o inferno são reais! Cada pessoa é um ser eterno e o seu destino
final é o que importa!
Creio que as visitações celestiais ocorreram não apenas na Bíblia, mas ao
longo da História, e que essas experiências aumentarão à medida que o
verdadeiro ministério apostólico emergir nestes últimos dias. Una-se a
mim e expresse o seu desejo de poder participar de tudo que Deus, o
nosso Pai, preparou para você.

A IMPORTÂNCIA DESSAS EXPERIÊNCIAS

Minha mãe disse que eu era uma criança muito curiosa. Aparentemente,
eu fazia muitas perguntas constantemente, do tipo “por que e o que”. Por
isso, ainda tenho a tendência de fazer perguntas do tipo: “O que
significam todas essas experiências estranhas?” Encorajo-o a fazer o
mesmo no seu relacionamento com o Espírito Santo.
Tendo esse pensamento em mente, relacionei algumas respostas claras,
que vão direto ao ponto, a partir da minha perspectiva das perguntas “o
que e por que” que todos precisamos fazer com relação aos diferentes
tipos de experiências espirituais. Por que Deus concede essas
experiências assombrosas afinal?
1. É uma honra para Deus conceder esses tipos de “audiências”
perante a Sua grande presença.
2. Quanto mais subjetiva a experiência, maior a possibilidade de
uma revelação pura.
3. Os nossos pensamentos ficam de fora do processo, e a recepção na
dimensão do espírito permanece em um foco mais claro.
Portanto, vamos agradecer ao Senhor por nos conceder até mesmo a
oportunidade de que tal coisa aconteça!
Para encerrar este capítulo, vamos considerar a afirmação exortativa do
capítulo 2 de Atos, quando o Espírito Santo foi derramado sobre a Igreja
que estava nascendo. Os discípulos de Jesus estavam tão cheios com o
Espírito Santo, que foram acusados de estar “embriagados com vinho
novo!” Pedro levantou-se com os outros doze e declarou: “Estes homens
não estão bêbados, como vocês supõem” (Atos 2:15, NVI).
Imagine, os discípulos foram tão cheios de Deus que o mundo não
entendeu o que realmente estava acontecendo. Isso lhe parece incomum?
Não para mim! Foi assim naquele tempo, e é assim hoje também!

ELES NÃO ESTÃO LOUCOS, COMO VOCÊ SUPÕE!

Existem várias referências bíblicas que mencionam os profetas como


sendo loucos ou tolos. Entretanto, um estudo mais detalhado mostra que
estes títulos são afirmações dos críticos dos profetas que afirmam isso a
respeito deles por zombaria. Críticos se levantaram naqueles dias e ainda
se levantam nos nossos. Mas para encerrarmos este capítulo sobre o
“Lado Mais Espantoso” das coisas, vamos ver por um instante os “nomes”
que os espectadores deram àqueles que tinham experiências
sobrenaturais extraordinárias no passado. Saiba disto — se você também
já andou pelo lado mais espantoso das coisas — você está em boa
companhia!
A passagem de 2 Reis 9:11 afirma: “Saindo Jeú aos servos de seu senhor,
disseram-lhe: Vai tudo bem? Por que veio a ti este louco? Ele lhes
respondeu: Bem conheceis esse homem e o seu falar.”
Jeú recebe uma palavra profética poderosa que lhe foi entregue por um
jovem profeta (ver 2 Reis 9:1-10). A palavra profética afirma que Jeú será
rei e destruirá Jezabel. Alguns chamaram o homem de: “este louco.”
Jeremias 29:26 nos dá outro exemplo, em que ele indica que todos que
profetizam são chamados de loucos.
Oseias 9:7 nos dá outro relato. “Chegaram os dias do castigo, chegaram
os dias da retribuição; Israel o saberá; o seu profeta é um insensato, o
homem de espírito é um louco, por causa da abundância da tua
iniquidade, ó Israel, e o muito do teu ódio.”
Essa passagem mordaz descreve a visão da maioria com relação ao
profeta e ao homem de espírito. Eles são considerados insensatos e loucos.
Esses vasos não são loucos nem dementes. Eles são realmente
inspirados, homens e mulheres sobre os quais Deus soprou. Eles estão
entre aqueles que fazem parte dos Heróis da Fé em Hebreus, capítulo 11,
que diz que essas pessoas eram “homens dos quais o mundo não era
digno”. Eles não estão embriagados, nem são loucos, como alguns
supõem! Eles são homens e mulheres inspirados por Deus.
Que o Senhor possa nos conceder luz, revelação e entendimento em
relação a estas e outras maneiras maravilhosas e incomuns pelas quais
um Deus sobrenatural trabalha com homens e mulheres naturais.
Portanto, vamos continuar na nossa “jornada pelo lado mais espantoso” e
“retirar o telhado da casa” contemplando este assunto: Translada-me —
céus Abertos, Sons do céu e Visitando o céu.
NOTAS

1. Vine’s Expository Dictionary of New Testament Words.


2. Vine’s Expository Dictionary of New Testament Words.
3. Webster’s Dictionary.
4. James Goll, Revival Breakthrough Study Guide (Franklin, TN:
Ministry to the Nations, 2000).
5. David Blomgren, Prophetic Gatherings in the Church.

CAPÍTULO 8
QUERO SER TELETRANSPORTADA!

por JULIA LOREN

O céu. Esta simples palavra provoca ricas imagens de anjos e música,


joias que refletem luz, e centenas de milhares de indivíduos cercando o
trono e adorando a Deus. Mas o céu está limitado às descrições bíblicas?
Ou ele é muito maior? Nos últimos anos, muitas pessoas falaram sobre
momentos em que foram arrebatadas e levadas ao céu e tiveram visões
impressionantes, falaram com anjos e com Jesus, receberam palavras
proféticas para pessoas e igrejas ou até nações. Algumas delas agora
fazem conferências e laboratórios que encorajam as pessoas a buscarem
o Senhor para ter uma maior percepção das dimensões reveladoras do
céu.
Parece que certos segmentos da igreja carismática acreditam que Deus
realmente deseja a nossa companhia — não apenas aqui na Terra, mas
no céu! Eles também acreditam que, como cristãos, temos o direito de
explorar a nossa herança e, como na antiga série de filmes Jornada nas
Estrelas, o céu pode enviar o seu transportador de luz aqui para baixo e
nos teletransportar para subirmos ao céu.
Aqueles que têm essas visões de andarem nas dimensões celestiais estão
tendo acesso à promessa de Deus em João 1:51: “E acrescentou: Em
verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus
subindo e descendo sobre o Filho do Homem.” O que é o “céu” de que
Jesus está falando aqui? É o mesmo céu que João viu se abrir e elevá-lo
em visões sobre as quais, mais tarde, ele escreveu no Livro de
Apocalipse? De acordo com os testemunhos de outros que tiveram
experiências na “sala do trono” e com o “céu aberto”, as pessoas estão
tendo encontros impressionantes e transformadores com Deus no céu
assim como na Terra. Você só precisa estar no lugar certo, colocando o
seu coração e a sua mente na posição, para ser envolvido pelo
“teletransporte” e ser elevado. E você, também, pode ter visões
semelhantes às dos apóstolos João, Pedro, Paulo, e outros.
A habitação de Deus é o próprio céu — e ele é mencionado como o
terceiro céu em 2 Coríntios 12:1-4, quando Paulo relata a sua experiência
como sendo arrebatado ao terceiro céu. Se esta experiência ocorreu no
corpo (transladando-o para o céu) ou fora do corpo (como uma forma de
visão), ele não sabia, mas ele o descreveu como o paraíso. Deus, tendo
dado toda autoridade no céu e na Terra a Jesus Cristo, pode enviar
experiências reveladoras e anjos à vontade por todo o céu e Terra. Ele
também pode arrebatar os crentes ao terceiro céu e permitir que eles
vejam e experimentem a sala do trono de Deus e andem no Seu Reino no
céu. Aqueles que tiveram experiências autênticas com a “sala do trono”
saem inegavelmente com revelações muito maiores de quem Jesus
realmente é e do que Ele está dizendo à Igreja atualmente.
Participei de diversas reuniões que se destinavam a levar as pessoas a
uma consciência experimental do céu. Várias dúzias de cristãos ficavam
deitados no chão, enquanto a música de adoração os ninava levando-os a
um estado mental de relaxamento. À medida que eles focavam a atenção
em Jesus, adorando-o, afastando-se dos cuidados dos seus dias e
entrando na Sua presença, muitos se sentiram subindo para novas
alturas espirituais. Era como se a Terra estivesse muito longe e os
portões do céu se abrissem. Alguns encontraram anjos que os escoltaram
até à sala do trono de Deus. Outros se encontraram face a face com Jesus.
Depois de cerca de 30 minutos, a adoração terminava e eles se sentavam,
um por um, e vinham à frente para falar sobre o que viram, ouviram e
sentiram. Na maioria, os encontros deles envolviam ouvir a ternura de
Cristo falar com eles sobre as preocupações de seus corações:
preocupações com os membros de suas famílias, com os assuntos da
igreja, e com o seu desejo de servir a Deus de uma maneira significativa.
Alguns receberam dons espirituais.
Durante essa reunião, enquanto outros se aventuravam a entrar na sala
do trono, vi-me perambulando por uma das salas da biblioteca do céu. O
Pai estava sentado com Seus olhos voltados para baixo enquanto Ele
focava no livro aberto diante dele. A Sua ampla escrivaninha de madeira
estava coberta de papéis espalhados entre as pilhas de livros. Ele tinha
uma pena longa em Sua mão. Fechando o livro que lia, Ele abriu
deliberadamente a capa da frente, inclinou-se e assinou o livro, sorriu e
disse: “Gosto deste livro. Na verdade, gosto de todos os seus livros”, ele
acrescentou, estendendo a mão em direção a uma pilha de livros em Sua
escrivaninha, e depois acenando com a cabeça em direção a pilha de
livros empilhados no chão.
Então, Ele me entregou a pena como um presente para trazer de volta à
Terra. Quando tomei a caneta em minha mão, ainda em pé, sem fala
diante dele, um anjo muito alto apareceu do meu lado esquerdo. O
Senhor me disse que aquele anjo havia chegado para me dar lições de
luta com a espada, e então Ele desapareceu imediatamente da sala,
enquanto o anjo assumia o seu lugar. O anjo levantou o braço, que
parecia ter penas que se estendiam dele — um anjo estereotipado
vestido de branco, com um cinturão amarrado à cintura, e uma espada
levantada acima da sua cabeça. Ergui o braço, com a caneta na mão, e o
estendi ao lado do dele. Ele balançou o braço para a esquerda e o meu
braço erguido o seguiu. Então ele sacudiu o braço para a direita,
empurrando o meu suavemente. Entramos em sintonia e ele brandiu sua
espada, enquanto eu balançava minha pena suave e poderosamente. Ri
porque aquilo parecia uma brincadeira de criança muito agradável.
Entretanto, eu sabia que a visão era muito séria, tão séria, na verdade,
que muito dela está além da minha compreensão ainda hoje.
Entretanto, saí me sentindo um pouco perturbada com a visão, e pensei,
na época, que tivesse sido apenas uma invenção da minha imaginação.
Exercendo a minha imaginação santificada, eu simplesmente intuí o que
já sabia que seria o meu destino como escritora. Depois disso, entendi
que a experiência serviu para me lançar para fora de um estado de
frustração por estar trancada em uma série de empregos que sugavam o
meu tempo e a minha energia e deflagrar a intenção de perseguir a
escrita com maior seriedade. Mas não considerei essa experiência uma
viagem válida ao céu, um encontro no qual fui teletransportada para
estar com Jesus, em que as visões, os sons, os sabores e os aromas do céu
eram mais reais do que o chão onde eu estava deitada naquele momento.
Pensei apenas que Deus aproveitou aquele momento para falar comigo
pessoalmente; Ele estava honrando a minha decisão de passar tempo na
Sua presença e sendo atraída para mais perto dele, e encontrando-o ali.
Foi uma experiência válida, mas de alguma forma ela parecia inferior
para mim — quando eu a comparava às descrições de outros das suas
visões. Entretanto, acho que as nossas comparações deixam Deus
enjoado.
Muitas pessoas debatem de forma imatura sobre quem teve a
experiência maior — alguém que foi até o céu na sua imaginação ou
alguém que foi transladado de repente e de forma chocante em uma
visão aberta, uma visão tão real que a realidade se esvaiu, ou aqueles que
foram transladados na forma corpórea. Quando fazem isso, as pessoas
ficam se sentindo como se tivessem tido um encontro inferior. Alguns até
tentam exagerar o seu encontro e fazer que ele pareça mais do que foi na
tentativa de se elevarem como sendo mais “espirituais” ou “proféticos”.
No ano seguinte à minha viagem à biblioteca do céu, entendi que eu
estava errada acerca da minha análise da experiência. Eu sabia que ela
estava arraigada na minha imaginação como uma experiência de
revelação do céu, em vez de como uma experiência realmente fora do
corpo. Mas nenhuma delas é inferior ou superior à outra. A imaginação
santificada nos leva a um encontro autêntico. Precisamos tomar cuidado
para não entristecermos o Espírito Santo — a valorizar as percepções
que Deus nos dá com relação a nós mesmos e ao Seu Reino — e a não
separar as experiências espirituais em graus de superioridade. A
verdadeira imaginação intui as realidades do Reino de Deus e as traz
para o domínio das nossas vidas.

A REVELAÇÃO DA PORTA DOS FUNDOS E A REVELAÇÃO DA SALA DO


TRONO

A minha imaginação me libertou de perseguir o que Deus pretendia para


mim o tempo todo — e a experiência serviu para me alinhar com o plano
de Deus para a minha vida. As experiências e visões abertas que tive
posteriormente aumentaram a minha compreensão do que eu deveria
escrever. O que permanece oculto aos meus olhos quanto ao conteúdo
dos livros, registros e materiais escritos trancados nas cavernas ocultas
que vi nas visões subsequentes, estão sendo abertos para mim
lentamente. Imediatamente após essa experiência, a visão e o tempo de
Deus se uniram. Portas que anteriormente estiveram fechadas se
abriram, permitindo que eu escrevesse e publicasse.
Na verdade, esta série de livros e a minha outra série Vislumbres de Jesus
são resultado direto daquela visita à sala da biblioteca do céu. O fruto
daquela visão atesta o fato de que aquele foi um encontro ordenado por
Deus. Chamo-o de uma revelação profética da porta dos fundos — um
encontro que vem através da porta dos fundos das nossas defesas e nos
faz uma “surpresa” de revelação pessoal. Isso nos deixa mais conscientes
de nós mesmos, desbloqueia obstáculos internos e desata um desejo de
cumprir o nosso propósito assim como de entender a natureza de Deus
mais plenamente.
Outros tiveram experiências de visitas ao céu que parecem muito mais
profundas. Mas a questão de quem teve a maior experiência — alguém
que foi ao céu na sua imaginação, ou alguém que de repente foi
transladado e levado às câmaras do conselho ou às salas do trono de
Deus — nunca deve ser um problema. Ambas são experiências válidas.
Entretanto, o que as torna profundamente diferentes não é a intensidade
da visão do céu; é o chamado, a mensagem, a revelação recebida e o
entendimento do que alguém foi chamado para fazer com esse encontro.
É a diferença entre receber revelação profética pela porta dos fundos e
revelação profética na sala do trono. A responsabilidade de se receber
revelação e saber o que fazer com ela é um enorme peso para se
carregar.
A revelação profética pela porta dos fundos é a revelação que entra por
trás das nossas defesas. Deus nos dá encontros celestiais que falam sobre
os problemas do nosso coração. O meu encontro na biblioteca do céu e as
experiências de outros na sala do trono, durante encontros nos quais as
pessoas passavam tempo na presença de Deus, buscando-o para ter
revelação, são exemplos de Deus falando a cada um de nós sobre os
chamados, os dons e as preocupações do nosso coração, extraindo de nós
o que Ele sabe que precisamos. Esse tipo de revelação pode ser iniciado à
medida que passamos tempo na Sua presença durante a adoração e pode
parecer que nós o iniciamos e o recebemos em grande parte através da
nossa imaginação santificada.
A revelação profética da sala do trono fala mais sobre os problemas que
estão no coração de Deus. Deus inicia o encontro, os sentidos são
exacerbados além da imaginação, e você sabe que está realmente fora do
seu corpo e em outra dimensão — a dimensão do céu. As percepções
recebidas ali em geral têm a ver com o coração de Deus com relação a um
chamado individual, assim como ao futuro da Igreja e das nações. Aquele
que recebe esse nível de revelação tem uma tremenda responsabilidade
não apenas de compartilhar o fardo do coração de Deus, como de
discernir como expressar o Seu coração e a Sua mensagem à Igreja e até
às nações.
A minha visão de escrever livros se resumia a mim — foi uma revelação
profética da porta dos fundos à qual eu estava sendo convidada a
responder ou não. Entendi que Deus estava me mostrando uma pilha de
romances que eu ia escrever. Eu simplesmente sabia que tinha de
responder aos dons que Deus colocara em mim e que havia chegado a
hora. Fui deixada com o sentimento de que romances ou não ficção, fosse
o que fosse que eu decidisse escrever, a decisão era minha. Deus Pai
simplesmente ama o fato de que eu fui criada para escrever e falar e ia
me ajudar a realizar-me nesse chamado.
Se Deus tivesse me elevado ao céu de forma dramática e aberto alguns
dos livros da biblioteca, e eu descobrisse que devo colaborar com Ele
escrevendo uma mensagem específica que Ele me revelasse, eu teria
recebido um mandato direto da sala do trono. Eu teria recebido uma
revelação profética da sala do trono. O que senti após essa visão seria
exatamente o que ouvi no céu. Não teria mais a ver comigo e com os
desejos do meu coração. Teria a ver com Ele e com as preocupações e
desejos do Seu coração.
Tanto a revelação pessoal quanto a revelação coletiva são muito
importantes para Deus. Nenhuma delas é inferior à outra. Uma não é
menos importante que a outra. Entretanto, não são muitas as pessoas
que recebem revelações autênticas na sala do trono.
De acordo com a ministra profética Shawn Boltz, “Diferentemente das
experiências proféticas e revelações comuns, os encontros na sala do
trono têm uma qualidade eterna. Esse tipo de experiência não pode ser
esquecido, até mesmo nos mínimos detalhes. Elas são escritas nos nossos
corações; são vislumbres da nossa realidade eterna e não desaparecerão
porque elas são para sempre, ao passo que uma revelação ou visão pode
se apagar na nossa mente uma vez que ela tenha cumprido o seu
objetivo”.1
Quer a chamem de uma visita ao terceiro céu quer um encontro na sala
do trono, todos os que tiveram essa experiência tiveram acesso ao
encontro através de uma visão, uma visitação, uma experiência de quase
morte, uma experiência fora do corpo, ou foram transladados ao céu no
seu corpo.
Vamos ver algumas revelações da sala do trono que algumas pessoas
receberam.

ENCONTROS NA SALA DO TRONO

Algumas pessoas que estão no ministério profético hoje tiveram visões


do céu, e afirmam que foram transportadas de maneira dramática à sala
do trono, às câmaras de conselho e aos longos corredores do céu.
Embora eu adorasse poder incluir as histórias de todas elas, só disponho
de espaço para algumas. Mas acredite, o número de pessoas que tiveram
experiências com encontros na sala do trono está aumentando a cada dia.
Deus está dispensando revelações frescas diretamente do trono em vez
de descer até à consciência de uma pessoa através de um sonho, de uma
visão aberta na Terra ou durante um momento em que a pessoa está
passando tempo em oração ativamente visualizando o céu na sua
imaginação santificada. Deus está chamando indivíduos e dizendo: “Sobe
para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas”
(Apocalipse 4:1). E imediatamente, eles se encontram arrebatados “... em
espírito, e eis armado no céu um trono, e, no trono, alguém sentado”
(Apocalipse 4:2). O que se segue são algumas histórias daqueles que
foram “teletransportados” para a sala do trono de Deus.

ANNA ROUNDTREE

Anna Roundtree, esposa de um sacerdote episcopal aposentado,


considera-se uma candidata improvável para receber uma revelação da
sala do trono. Agora com setenta e poucos anos, Anna começou a ter
visões do céu quando estava na casa dos 60 anos. Ela desde então
escreveu dois livros contendo as revelações que teve — The Heavens
Opened (Os Céus se Abriram) e The Priestly Bride (A Noiva Sacerdotal).
Seu marido, Albert, fez uma pesquisa detalhada das Escrituras e
acrescenta referências bíblicas nos livros, dando maior credibilidade à
realidade do que ela viu, validando-as por meio de descrições que estão
contidas na Palavra de Deus. Durante uma entrevista telefônica com ela,
ele deu algumas dicas sobre como é receber uma revelação da sala do
trono e como ela poderia escrever exatamente o que viu:
Desde que me tornei cristã, qualquer pessoa que tinha um dom profético
dizia que eu iria ver o céu, e eu achava que essas pessoas eram lunáticas.
São muitas visões. Ambos os livros foram escritos passando pelas visões
e marco o que acredito que o Senhor gostaria de colocar no livro. Ele
indica quais Ele quer que estejam nos livros.
“As visões são mais como experiências”, ela explicou. “Não é que eu
esteja vendo algo fora de mim mesma; estou realmente nela, sou levada
para ali, e experimento aquilo. Estou realmente passando por elas.
Quando os céus se abriram pela primeira vez para mim, pude me
levantar daquela experiência e escrevê-la. Não demorou. Então pedi ao
Senhor que, se Ele fosse me dar outras como essa, eu queria poder
escrever exatamente o que Ele disse ou o que os anjos dissessem. Então
Ele me concedeu isto, e é como se eu estivesse nela e olhasse para baixo,
para uma página e escrevesse o que foi dito, mas, às vezes, são apenas
algumas palavras. Estou passando pela experiência, mas, também, estou
escrevendo-a simultaneamente”.
O mais notável acerca da visão de Anna foi que ela podia estar em dois
lugares ao mesmo tempo — no céu tendo a experiência da visão, e na
Terra escrevendo-a. Mas não foi sempre assim. À medida que ia tendo
cada vez mais revelações, ela aprendeu a operar em ambos os mundos ao
mesmo tempo. Aprender a viver na dimensão espiritual requer prática. É
como nadar em outra atmosfera. Quanto mais você permanece naquela
atmosfera, tanto mais familiar ela se torna, e você descobre novas
maneiras de se mover, de pensar, de transcender as limitações da
gravidade e de flutuar na presença de Deus. Anna falou sobre como
aprendeu a interagir dentro da visão quando começou a ter essas
experiências.
“Meu marido e eu estávamos orando e enquanto orávamos, meus olhos
estavam fechados. Vi este anjo em pé diante de mim na dimensão
espiritual, e ele disse: Venha à frente. Eu não sabia que eu podia me
levantar e sair do meu corpo. Levantei-me e segui aquele anjo e havia
dois outros abrindo uma cortina. Tive uma enorme discussão comigo
mesma. Pensei que aquela não podia ser uma visitação; isto não é
possível, porque uma visitação é quando Jesus vem. O anjo disse: Pare.
Venha à frente. Ele foi muito direto. Outro par de cortinas azuis se abriu e
atrás delas era tudo mais leve e, uma terceira, liberou uma luz flamejante
por trás. Uma voz disse: O que você deseja? Então entendi que eu estava
em pé diante do trono de Deus e eu não sabia o que mais devia fazer.
Então continuei a orar em voz alta com meu marido”.
“Eu orei e então o anjo disse: Está feito. Prossiga. Pensei: Aqui estou eu,
diante de Deus que está dizendo que isto será feito. Fiquei estupefata.
Cheguei ao fim do que meu marido e eu sempre orávamos e o anjo disse:
Dê um passo à frente. Saindo da luz, duas mãos de luz enormes desceram
sobre minha cabeça e o anjo começou a me erguer para trás”.
A visão liberou o início de uma série de visões. Como muitas pessoas que
recebem uma visão, ou uma experiência na sala do trono onde elas são
elevadas ao céu para encontrar-se com o Senhor, Anna pensou que
aquela era uma experiência única em toda a sua vida.
“Pensei: Terei apenas uma chance de viver aquilo e quero ter tudo que
puder. Mas o Senhor disse: O caminho está aberto diante de você agora e
se você se esqueceu de me pedir alguma coisa poderá pedir-me novamente.
Então percebi que eu poderia entrar a qualquer momento”.
A certa altura durante esse período de revelações, Anna entrou no céu,
falou com anjos, e encontrou-se com o Senhor. Durante um encontro,
quando um anjo a convidou para se encontrar com o Senhor, Anna conta
que o anjo “... sorriu para mim e falou suavemente: O Criador do Universo
deseja a sua companhia. Não o faça esperar”.2 Esta declaração simples
destravou em Anna uma habilidade de entrar com ousadia diante do
Senhor e encontrá-lo face a face. Este mesmo convite ecoa fortemente do
céu para as vidas de todos os que querem se aventurar a entrar nas
dimensões do céu. Muitos ministros proféticos acreditam que Deus está
esperando irmos até Ele. O caminho foi aberto. Os céus estão abertos.
Precisamos apenas nos aproximar dele e Ele se aproximará de nós (ver
Tiago 4:8).
Mas por que Anna? Por que ela foi escolhida para receber esta série de
revelações? Ela mesma se perguntava e perguntou ao Senhor sobre isso.
“Meu Pai continuou: Você falará sobre o que viu e ouviu. Você revelará o
meu coração e dará esperança ao revelar o ‘lar’ a outros. As suas palavras
serão como cartas de casa para os que estão no campo. Quando um
soldado está no campo de batalha, uma carta de casa, falando das pessoas
e lugares de casa, dá grande esperança ao soldado. Ele segue em frente
porque anseia por seu lar e entende que é muito amado. A esperança,
Anna, é um presente para a humanidade. Sem esperança, eles
enfraquecem”.
“Por que o Senhor me escolheu?”
“Porque você é simples, Anna, e sabe pouco. Antes da fundação do mundo,
chamei-a, não porque você é sábia e inteligente, mas porque tenho prazer
em você. Meu Filho tem prazer em você. O Espírito Santo tem prazer em
você. E trouxe-a até mim neste dia para pedir a sua ajuda”.3
A revelação da sala do trono vem àqueles em quem o Senhor tem prazer,
os humildes de coração, os contritos, aqueles que serão obedientes para
fazer o que o Senhor deseja de tal maneira que glorifique o Seu Nome, em
vez de chamar a atenção para eles mesmos. A revelação da sala do trono
não está restrita aos que têm ministérios proféticos internacionais. Ela
está disponível a você e a mim. E essas experiências não estão limitadas a
uma natureza e a uma perspectiva profética também.
Muitos que relataram histórias de uma experiência de quase morte
contam que eles, também, foram elevados de seus corpos terrenos e
elevados ao céu — vendo a luz e a glória de Deus, ouvindo a Sua voz, e
encontrando a dimensão sobrenatural de Deus. Esses encontros fazem
que entendamos que não precisamos esperar até a morte para saber que
sabemos que Deus existe. O Criador do universo deseja a nossa
companhia. Por quanto tempo você vai fazê-lo esperar? Você entra pelos
Seus átrios através do louvor e das ações de graças. Você entra na Sua
presença por intermédio da oração e da adoração. Para Anna, as visões
começaram enquanto ela praticava a sua disciplina diária. Quanto tempo
você vai permanecer ali naquele lugar de oração? Quanto você deseja a
companhia do Criador do universo?

LARRY RANDOLPH

Larry Randolph é outro ministro profético que fala com humor e


humildade sobre os encontros reveladores de sua vida. Enquanto as
pessoas têm dificuldade para falar a respeito de seus encontros, os
ouvintes são atraídos para a consciência do quanto é difícil uma pessoa
descrever com precisão como é estar na glória, ver a imensidão de Deus,
e o que se sente ao ter uma experiência tão pessoal com Ele. Aqui, Larry
descreve o choque e o assombro de ser lançado à presença de Deus. Ele
também indica que apenas um encontro com Deus na dimensão que está
além da razão, revelará o significado do destino de alguém e do seu
propósito na vida.
“Fui arremessado na visão através do tempo e do espaço, onde aterrissei
sobre minhas mãos e pés em um enorme pátio de mármore. Agora
completamente vencido pelo assombro do meu encontro, caí prostrado
na superfície daquele chão gigantesco, tremendo com um temor
reverente. Percebi que eu estava nos átrios do céu, deitado com o rosto
para baixo diante do trono do Deus Todo-Poderoso. O que era ainda mais
surpreendente é que não havia som, exceto o que só posso descrever
como o som do silêncio de ouro descrito em Apocalipse 8:1. A atmosfera
era tão densa pela glória de Deus que nada precisava ser dito, a não ser
reconhecer que o Deus onipotente está assentado em Seu trono,
governando os assuntos dos homens e dos anjos... Daquele dia em diante,
eu soube intuitivamente o valor do meu chamado e o significado do meu
destino.”4

JOHN SANDFORD

John Sandford, cofundador do ministério Elijah House com sua esposa,


Paula, têm estado no ministério profético e de cura há décadas, e eles
servem como mentores de muitas vozes proféticas famosas dos nossos
dias. Os profetas tendem a viver no espaço entre o céu e a Terra — uma
dimensão do espírito que parece estranha a muitos crentes. O resultado é
que viajar no espírito e visitar o céu tem sido experiências comuns para
ele. Sendo alguém que descreve a si mesmo como um “profeta prático”,
John pouco teria ganhado ao passar mais tempo no céu do que na Terra,
e ele procurou encontrar o equilíbrio em sua experiência — um
equilíbrio que traria mais do céu à Terra, do que levá-lo ao céu. Ele
oferece as suas pérolas de sabedoria aqui:
“Aprendi a viajar no espírito à vontade e também tive o poder de subir
aos céus em qualquer momento. Visitei-o muitas vezes. Embora seja algo
maravilhoso para fazer-se, sou uma pessoa muito prática e não vi virtude
alguma nisso para a santificação de outros ou para a intercessão, então
parei. Foi divertido. A grama no céu é como na primavera. Ela é viva e lhe
dá boas-vindas. Você pode entrar no rio e ele flui através de você; você
pode respirá-lo para dentro de você. Ele refrigera você e assim por
diante. Mas que virtude havia nisso para outra pessoa? Se você falar
nisso com outros, pode gerar um distanciamento. Se Deus nos chamar
para subir e ver algo, nós o faremos. Mas não faremos isso só porque
podemos fazê-lo.”5

VOCÊ TAMBÉM PODE VIR

Ian Clayton, um ministro profético da Nova Zelândia, acredita que, como


filhos e filhas do Rei, temos o direito de explorar a dimensão do céu e
entrar de novo nas dimensões da Terra levando a presença, a revelação e
o poder de Deus. As dimensões do céu onde Clayton entra incluem
vislumbres do Jardim do Éden, da sala do trono de Deus, e de áreas do
Seu Reino que poucos viram e ainda menos pessoas têm palavras para
descrever.
Muito do seu ministério hoje está focado em revelar a herança que os
cristãos têm como filhos e filhas do Rei. Ele também leva as pessoas ao
mistério do sobrenatural, mentoreando-as até que as pessoas tenham
acesso às dimensões do céu por si mesmas e as experiências visionárias
se tornem sobrenaturais. Clayton acredita que qualquer pessoa pode
aprender a ter acesso a uma maior intimidade com Cristo — literalmente
na Terra assim como no céu. Clayton desmistifica a experiência
explicando que ter acesso ao céu pode ser uma experiência que se
aprende.
“Entrar na dimensão do Reino é uma experiência que se aprende. O
homem espiritual pode ir com Jesus e andar com Deus porque o Espírito
Santo habita no seu corpo. Eu me rendo à glória de Deus e então ando
com Ele. Ele inicia isto. Eu sigo pelo meu desejo de estar com o Pai no Seu
Reino. Como filhos, temos o direito de estar com Deus Pai no céu. Como
filho, Ele me dá o direito de descobrir a dimensão do céu. O meu único
desejo é encontrá-lo e conhecê-lo como um amigo, conhecer tudo que Ele
faz e tudo que Ele é. Todas as vezes que entro nas dimensões do céu, isto
sempre leva a um amor mais profundo e a um encontro mais profundo
com Deus.”6
Então, como uma pessoa entra em experiências maiores do Reino de
Deus? Como ocorre essa mudança dos encontros imaginários em oração
para nos sentirmos como se fôssemos transladados ao céu com os nossos
olhos bem abertos, enquanto o assombro de Deus nos encontra?
De acordo com a ministra profética Shawn Boltz, que teve muitos
encontros na sala do trono, “Existe uma distinção principal que separa
um vaso para os Encontros na Sala do Trono; aqueles que têm fome pela
realidade dos encontros celestiais estão buscando isso para que possam
compartilhar do desejo ardente de Jesus pela Sua recompensa. Eles não
querem ter apenas uma manifestação de dons ou um encontro para
poder conhecer os acontecimentos futuros, mas eles têm um anseio de
conhecer Jesus assim como Ele anseia ser conhecido”.7 Boltz, como
muitos outros, acredita que o aumento das revelações está prestes a ser
liberado em massa, em vez de estar restrito a indivíduos espalhados aqui
e ali ao redor do mundo.
“Deus está prestes a visitar uma geração com uma manifestação da
presença da Sala do Trono. Cada vez mais do que nunca as pessoas estão
experimentando essa realidade. Isto é especialmente verdade porque
estamos nos aproximando de uma geração que realmente vive com uma
manifestação do céu na Terra. O objetivo é trazer um maior acordo e
comunhão que jamais foram vistos em qualquer geração entre os Seus
desejos no céu e a nossa caminhada na Terra. Você está pronto para ver o
céu?”
NOTAS

1. Shawn Bolz, Throne Room Encounters, junho de 2004.


2. Anna Roundtree, The Heavens Opened (Lake Mary, FL: Charisma
House Publishers, 1999), 7.
3. Anna Roundtree, The Heavens Opened, 92.
4. Larry Randolph, Spirit Talk: Hearing the Voice of God (Wilksboro,
NC: Morning Star Publications, 2005), 38.
5. Baseado em uma entrevista pessoal com John Sandford.
6. Baseado em uma entrevista pessoal com Ian Clayton.
7. Shawn Bolz, Throne Room Encounters, junho de 2004, 2004-07-22.
CAPÍTULO 9
ÊXTASES, VISLUMBRES, MURMÚRIOS E PROFECIAS

por JULIA LOREN

A presença de Deus encheu a sala enquanto milhares de pessoas estavam


em pé adorando, com os rostos voltados para o céu, algumas com as
mãos estendidas para o alto ou ao lado, como se dando boas-vindas a Ele.
As suas preocupações, cuidados e dores diárias foram deixadas de lado
enquanto elas tinham olhos apenas o Rei dos reis e Senhor dos senhores.
Os seus corações haviam sido cativados pelo Amado de suas almas.
Poucos ousavam se aproximar ainda mais, adorando mais
intencionalmente — colocando de lado todo pensamento ou distração
até que toda a sua adoração estivesse centrada em Deus, que parecia
estar vibrantemente vivo e presente, não apenas enchendo o aposento,
como envolvendo os seus corações tão completamente que algumas
caíam ao chão e ficavam deitadas imóveis, como se estivessem em transe.
Outras permaneciam em pé em êxtase espiritual, com lágrimas descendo
silenciosamente enquanto o amor liberava as feridas de suas almas, uma
cura além das palavras proferidas pelo Consolador, o Espírito Santo, as
lavava enquanto percorria suas almas. Esta é uma cena que se repete por
vezes incontáveis durante as conferências e nas igrejas cheias do Espírito
em todo o mundo.
Aproximem-se de Deus, e ele se aproximará de vocês! O Senhor promete a
todos nós (ver Tiago 4:8). Poucos de nós nos aventuramos a aproximar-
nos mais. Não basta ter um vislumbre da Sua presença, sentir uma
emoção momentânea de amor, paz ou alegria. O Criador do universo
deseja a sua companhia. O quanto você vai se aproximar?
Quando pessoas e grupos de pessoas entram na consciência de que a
presença de Deus está se manifestando de forma palpável, torna-se mais
fácil aproximar-se mais dele. Muitos entram em um estado de realidade
suspensa durante a adoração ou a oração, tendo uma sensação de
unidade com Deus e entrando em um estado como de um transe onde os
cuidados desta Terra silenciam estranhamente e o céu parece estar
apenas a uma batida do coração de distância. É aqui que Deus costuma se
encontrar com as pessoas de uma maneira extraordinária.
O que é esse estranho estado de suspensão mental que se chama transe?
Um transe é simplesmente um estado de realidade suspensa. Não é uma
visão, mas, muitas vezes, serve como o precursor de uma visão.
Entretanto, ele deve ser iniciado por Deus para ser uma experiência
espiritual válida. Um transe que é induzido praticando-se a dissociação
ou o desligamento intencional está carregado de perigo, uma vez que os
espíritos demoníacos desta era procuram qualquer abertura na vida de
uma pessoa na esperança de destruir personalidades e corromper vidas.
É espiritual e emocionalmente perigoso tentar induzir estados de transe.
Mas se Deus atrair você a um lugar de transcendência deste mundo, pode
ser o princípio de um encontro espiritual maravilhoso.
As pessoas descrevem os estados de transe como estados de suspensão
mental, ou um lugar sem pensamento, destituído de sentimentos, ou o
contrário — rico em imagens e que enche uma pessoa com uma sensação
de arrebatamento e êxtase. Outros dizem que é como ser elevado ao céu
— estando bem acordado no Espírito. No entanto, o contrário também é
verdade, uma vez que outros afirmam cair em um profundo sono ou se
sentirem sedados em seus corpos enquanto estão bem acordados na sua
compreensão espiritual.
A Bíblia contém inúmeros exemplos de pessoas que passaram por
experiências como transes ou êxtases, como Samuel. Depois que Samuel
foi despertado de um sono, ele entrou em um estado revelador onde
ouviu a voz de Deus falando com ele. Os estados semelhantes a transes
ou êxtases também parecem colocar as pessoas em um sono profundo.
Gênesis 15:12 descreve um “profundo sono” que caiu sobre Abrão como
o precursor de uma revelação. Daniel também teve revelações
visionárias enquanto estava em um profundo sono. Outros estados de
transe servem como precursores de experiências fora do corpo, como o
relato de Paulo de ser “arrebatado ao terceiro céu”. Em tal estado ele não
sabia se estava “no corpo” ou “fora do corpo” (ver 2 Coríntios 12:2).
Ocasionalmente há momentos em que acordo pela manhã apenas para
descobrir que sou imediatamente atingida por uma espécie de anestesia
espiritual que me acalenta a um estado semelhante a um transe. Deito-
me em algum lugar onde eu me sinta mentalmente alerta, mas estou
focada apenas nas coisas do Espírito que estão se desenrolando —
ouvindo ou vendo na dimensão espiritual dos anjos em sua missão em pé
ao lado da minha cama, falando comigo sobre alguém ou a respeito de
algum acontecimento que está para acontecer. Suponho que se eu
despertasse de um sono profundo e visse um anjo diante de mim, o
choque seria tão grande que eu soltaria um grito penetrante ou talvez
pensasse ter morrido enquanto dormia e que estava a caminho do céu; e
assim, Deus em Sua misericórdia me mantém sedada de certa forma.
Esse tipo de transe é simplesmente um estado de realidade suspensa em
que meus pensamentos, meus sentimentos e minhas emoções parecem
estar alerta, mas um pouco sedados para que meu espírito capte a
revelação que está diante de mim. Seja qual for o motivo, um estado de
transe pode parecer uma forma de anestesia espiritual que nos capacita
a ver no espírito sem “pirar” na carne.
Os transes, em geral, precedem uma visão ou um encontro espiritual,
mas, às vezes, um transe é simplesmente uma reação condicionada à
adoração ou à oração. Quando sinto a presença de Deus me saturando
durante a adoração, é como se eu estivesse entrando em uma atmosfera
da presença de Deus que parece densa com a unção reveladora. Fico em
pé no lugar como se tanto meus sentidos terrenos quanto os espirituais
estivessem suspensos. Não vendo nada em princípio, mas sabendo que
estou em um estado de transe, simplesmente peço a Deus que me dê
mais revelações.
As coisas que acontecem comigo no estado de transe variam. Em raras
ocasiões, meu espírito sobe vertiginosamente para o céu, deixando meu
corpo imóvel ou deitado no chão, sem movimento enquanto o estado de
transe se transforma imediatamente em uma visão. Mais
frequentemente, porém, não tenho consciência de nada a não ser de uma
profunda paz que me dá a sensação de que passei horas em oração
contemplativa. É como se meu cérebro finalmente parasse com aquele
falatório interminável e se calasse abruptamente. Imagens nebulosas
tomam forma em minha imaginação durante esses momentos.
Aprendi a testar essas imagens e o espírito que está por trás delas
durante o instante inicial de um estado de transe. Elas são uma espécie
de dissociação — um bloqueio de algum sentimento ou pensamento
desagradável, uma fuga da dor, ou talvez apenas um exame da realidade
que tenta me prender liberando essas imagens nebulosas que clamam
por atenção? Estou apenas tentando, de maneira humana, desligar-me de
tudo a não ser da presença de Deus, na intenção de abafar os sons do dia
que vivi, em vez de me concentrar em adorá-lo para cumprir a vontade
dele? Todos nós nos dispersamos de tempos em tempos, ficamos “longe”,
ou damos um tempo para a nossa mente. Quando esse tempo é praticado
com mais frequência para fugir da realidade, os estados de dispersão
podem se tornar perigosos.
A adoração não deve se tornar uma fuga agradável. Ela se destina a nos
aproximar mais de Deus que nos chama às profundezas da realidade —
uma realidade onde Ele opera a Sua graça de cura em nossos corações e
nos torna íntegros, ou nos eleva para a Sua perspectiva, ou nos capacita a
vislumbrá-lo em toda Sua majestade e glória. A adoração não é um tempo
para ficarmos em um estado de ausência extática. Adoramos em espírito
e em verdade — ativa e não passivamente. Quando percebo que estou
usando a adoração como uma fuga, apenas para me desligar do mundo,
entendo que a adoração está voltada somente para mim e nada para Ele.
Então, convido a presença do Senhor para me banhar no Seu amor e
sinto a Sua profunda paz e amor me encherem a ponto de poder liberá-
los de volta para Ele. Outras vezes, peço a Deus para me levar além de
quaisquer imagens sombrias que exijam a minha atenção e para a pureza
da Sua revelação. É aqui, neste lugar de adoração, que Ele fala mais
claramente uma palavra sobre algum motivo de preocupação para mim,
acerca de uma pessoa querida ao meu coração, a respeito de um
problema em minha vida que precisa ser tratado, ou libera palavras de
confiança, como meu amado... meu belo... Eu amei o que deste em segredo
no outro dia. Também é aqui, neste lugar de adoração, em que as visões
se desenvolvem e vejo ou intuo as realidades de como o Seu Reino invade
nossas vidas e vislumbramos os Seus planos e propósitos se
desenrolando.
O coração de Deus toca nossos corações no lugar de adoração.
Precisamos apenas nos voltar para dentro e ouvir. E ao nos voltarmos
para dentro, podemos entrar em um estado como de transe, totalmente
focados na amorosa presença de Deus, ouvindo a Sua voz, esperando
nele, e procurando por Ele.
É preciso prática para saber como responder a Deus quando a Sua
presença se aproxima. Não ver nem ouvir nada em um estado de transe
significa que você precisa insistir para receber uma revelação maior
como Samuel fez quando era menino e ouviu o seu nome ser chamado,
mas não sabia como responder. O profeta Samuel, quando era pequeno e
estava deitado em sua cama, ouviu uma voz chamando o seu nome. Ele se
levantou e foi até o sacerdote líder, pensando que o sacerdote o havia
chamado. Depois de ser despertado do seu sono por três vezes, o
sacerdote entendeu que o menino estava sendo chamado pelo Senhor e
disse a Samuel para ficar na cama da próxima vez que ouvisse o seu
nome ser chamado e pedisse ao Senhor para continuar falando com ele.
“Fala, Senhor, que o teu servo ouve”, é o clamor de alguém que sabe que
Deus está iniciando uma experiência e não quer deixá-la passar.

O PERIGO DOS TRANSES AUTOINDUZIDOS

George Otis, um homem que estudou e escreveu extensamente a respeito


da dimensão espiritual e sobre por que o mal reside em certos lugares,
reconhece que nem toda revelação vem de Deus quando ela é recebida
em um estado de transe específico que ele chama de “microssono”.
Ele escreve: “Os intercessores cristãos também estão vulneráveis a
breves lapsos de consciência conhecidos como microssonos. Esses
episódios, deflagrados por fadiga extrema, podem ocorrer em reuniões
de oração, no meio de conversas, e até enquanto dirigem. Embora o
microssono seja breve, não durando mais do que alguns segundos, ele é
rico em imagens letárgicas — formas fugazes e indefinidas que servem
como pedras de construção para alucinações. O perigo desses episódios,
como o professor da Universidade da Califórnia, Ronald Siegel indica, é
que ‘o cérebro cansado pode adornar essas formas ambíguas com
características específicas’. Sem o descanso adequado ou sem um sistema
de apoio detalhado (líderes sábios e amigos amorosos) aqueles que
intercedem por um longo período podem ser enganados por impressões
falsas e até inspirados por demônios.”1
Os microssonos e os estados de alienação são dois tipos de transes
autoinduzidos que podem levar a revelações inspiradas pela alma ou
demoníacas. Se você está apenas “viajando” ou se alienando porque não
quer encarar algum problema ou pessoa, você está entrando em um tipo
de transe que é chamado de “estado de alienação”. Está claro que as
pessoas alienadas, com personalidades fragmentadas, caem em uma
série de categorias de doenças mentais desde distúrbios esquizofrênicos
a distúrbios de identidade e a distúrbios ilusórios.
Aqueles que se dedicam à intercessão ou que passam horas tarde da
noite em oração, no desejo de ter uma reviravolta em alguma área de
suas vidas, podem cair nas garras do microssono. As imagens fugazes
que resultam durante esses momentos precisam ser questionadas. “Isto é
o Senhor, ou sou apenas eu?” Deus não é o autor de qualquer confusão.
Nele não existem sombras que variam. A pureza da revelação entra
suavemente durante os momentos mais misteriosos; ela raramente faz
isso por exigência nossa.
Existe uma diferença clara entre os místicos e os mentalmente enfermos.
Os relacionamentos responsáveis e o conhecimento crescente das
Escrituras são incrivelmente importantes para o nosso bem-estar
espiritual, quando entramos em encontros espirituais progressivos.
Precisamos encobrir as nossas experiências dos outros a fim de
crescermos em discernimento com relação ao que pode ser revelação
iniciada por Deus, por nós mesmos, ou inspirada por demônios. Até
aqueles que conhecem a Palavra de Deus podem ser presas da inspiração
demoníaca e cair na dimensão do maligno, quando entram em um estado
de alienação, ou em um estado de transe por vontade própria.
Também existem diferenças claras entre os místicos (relacionados a
mistérios) e os psíquicos. As pessoas envolvidas em religiões ocultistas
ou que participam da Nova Era, praticam deliberadamente técnicas de
alienação que se destinam a levá-las a um ponto em que possam
convidar passivamente espíritos para entrarem e as levar em excursões
fora do corpo, ouvir orientação do mundo espiritual, ou sintonizar com a
presença de um vazio extático. Este é um lugar perigoso que convida os
demônios a se infiltrarem. Os cristãos que têm uma inclinação para as
coisas misteriosas praticam deliberadamente a presença de Deus, e não a
presença do nada. Os cristãos também não convidam deliberadamente
entidades demoníacas para tomar posse do seu espírito, alma e corpo. As
visões e milagres devem ser iniciados por Deus e não pelo homem.

MÉDIUNS E PRATICANTES DE CURAS PSÍQUICAS

Os médiuns e os praticantes de curas psíquicas entram voluntariamente


em um estado de transe a fim de abrir espaço para que um espírito entre,
fale e aja por intermédio deles. Apelidado de “o profeta que dorme” pela
imprensa, Edgar Cayce nasceu em Hopkinsville, Kentucky, em 1877, uma
época em que as reuniões de avivamento religioso varriam aquela
região.2 Criado como cristão com um profundo interesse na leitura da
Bíblia, seu sonho quando criança era se tornar um missionário médico.
Aos 6 anos de idade, ele disse a seus pais que podia ter visões e
ocasionalmente falar com parentes mortos. Aos 13 anos, ele teve uma
visão que transformou sua vida. Na visão, uma bela mulher apareceu
diante dele e perguntou o que ele mais queria na vida. Ele respondeu que
mais do que qualquer coisa, ele queria ajudar outros — principalmente
as crianças enfermas.
Pouco depois disso, Cayce recebeu em visão o sonho de cada garoto de
escola que tinha problemas (fora a aparência de uma bela mulher); ele
podia dormir sobre seus livros de escola e obter a memória fotográfica
de todo o seu conteúdo. Finalmente, ele descobriu que podia dormir
sobre qualquer livro, papel ou documento e repetir cada palavra, mesmo
que seu conteúdo estivesse além do alcance da sua instrução limitada.
Este dom gradualmente se esvaiu quando Cayce deixou a escola para
ajudar seu tio na fazenda da família. Ele continuou a frequentar a igreja,
casou-se, e teve dois filhos; trabalhou arduamente como fotógrafo e,
finalmente, se tornou um professor de escola dominical popular que
tinha a habilidade de fazer a Bíblia se tornar viva aos seus ouvintes.
Mais tarde, Cayce assistiu a um espetáculo de hipnose e, depois de
tentativas seguidas de usar a hipnose para curar a sua longa luta contra a
laringite, ele descobriu que enquanto estava em estado hipnótico ele
recebia informações que o curariam. Depois de recuperar a fala, ele
reconheceu uma nova habilidade de entrar em estado hipnótico e dar
diagnósticos médicos — dando receitas de cura para pessoas com uma
série de doenças. Durante a maior parte da sua vida adulta, ele podia se
colocar em estado de sono e responder a praticamente qualquer
pergunta que lhe fosse feita no que ficou conhecido inicialmente como
“leituras psíquicas”. Inicialmente, as informações tratavam com
problemas e soluções de natureza médica. Eventualmente, ele
diversificou suas atividades em tópicos como meditação, interpretação
de sonhos e previsão de acontecimentos.
Ele se desviou da fé cristã, já que suas “leituras da vida” começaram a
refletir muitos dos temas e da terminologia inerentes à Teosofia: vidas
passadas, o potencial e o propósito da pessoa no presente, o continente
perdido de Atlântida e a sua influência em outras culturas, níveis mais
elevados de consciência e o poder latente da mente para alcançar a
dimensão espiritual “coletiva”.
Tanto o seu dom de cura quanto suas previsões assombraram e
maravilharam a nação. Ele afirmou prever o início e o fim da Primeira e
da Segunda Guerras Mundiais, o aumento da Depressão, em 1933, e o
holocausto vindouro na Europa. Além disso, suas outras previsões estão
refletidas nos eventos mundiais de hoje como possibilidades distintas —
tais como, que a China se tornaria um berço do Cristianismo, que a
Rússia seria um líder da liberdade, e que da Rússia viria “a esperança do
mundo” (um tipo do anticristo), e a possibilidade da Terceira Guerra
Mundial se levantar no Oriente Médio.
Em 1944, ele teve um colapso devido à exaustão e morreu logo depois.
Até hoje, muitos acreditam que a fonte do seu poder estava enraizada no
poder autêntico de Cristo. Uma olhada mais de perto nas suas
experiências de infância revela o contrário. As experiências dos
primeiros anos da sua infância, de visões, de conversas com parentes
mortos e com uma bela mulher-espírito, não apresentam uma revelação
de Jesus Cristo ou um chamado para glorificar Jesus. Em vez disso, as
experiências revelam uma tentativa demoníaca exitosa de seduzi-lo a
ingressar em uma dimensão espiritual que claramente pretendia afastá-
lo de sua criação bíblica e desviá-lo do avivamento religioso da sua
juventude.
Se alguém tivesse lhe ensinado na igreja que ele não devia consultar os
mortos, algo sobre a diferença entre anjos, demônios e espíritos
familiares, que os espíritos devem ser testados e que Jesus Cristo é a
única fonte legal de poder e visão autênticos, talvez Cayce pudesse ter
sido um dos mais autênticos profetas cristãos do último século. Os
demônios intervieram de maneira clara para garantir que Cayce não
entrasse na plenitude do seu chamado como um verdadeiro profeta e se
tornasse o pior inimigo deles.
Em vez de liberar dons de cura autênticos — não através de transes, mas
em plena consciência da presença e do poder do Espírito Santo, ele caiu
no engano e passou a ser controlado pelos poderes ocultos. Quanto mais
Cayce se entregava ao estado de transe alienado, tanto mais ele se via sob
o controle dos espíritos demoníacos que procuravam influenciar os
ouvintes com novas formas de pensamento enraizadas nas religiões
orientais e nos fundamentos teosóficos. Uma das marcas do poder
demoníaco é prender as pessoas em novas formas de pensamento, assim
privando-as da sua liberdade.
Em vez de ser lembrado como um verdadeiro profeta, Cayce pode
simplesmente aparecer na história como o maior falso profeta que os
Estados Unidos viram até hoje; um profeta que operava com base em
espíritos demoníacos cuja missão era trocar as sombras das trevas pela
luz do poder de Cristo e estabelecer revelações derivadas de fontes
ocultas no comportamento dominante da nação.
Michel Nostradamus, um médico francês do século XVI, também é um
dos mais famosos “profetas” que ainda consta das manchetes dos
tabloides de hoje.3 Durante uma praga que varreu a Europa, ele alcançou
reputação como um curandeiro de talento. Ironicamente, foi uma praga
que levou a vida de sua primeira esposa e de sua filha. Arrasado pela
perda, ele se concentrou mais na astrologia e começou a cair em transes
e a ter suas primeiras visões. A maioria de suas visões foi escrita em
forma poética e em versos de quatro linhas, em grupos de 100. Muitos
leitores acreditavam que a escrita era deliberadamente obscura
supostamente a fim de impedir a perseguição.
Aqueles que estudam os seus versos acreditam que Nostradamus previu
a ascensão de Hitler e a Segunda Guerra Mundial, a queda das torres
gêmeas de Nova York em 11 de setembro de 2001, e inúmeros eventos
mundiais anteriores e posteriores. Os jornais tabloides continuam a
reimprimir traduções adulteradas das suas profecias poéticas, atribuindo
as suas previsões dos eventos específicos geralmente após o fato. Muitos
acham as palavras de Nostradamus tão enigmáticas que elas poderiam
significar praticamente qualquer coisa. Em uma coisa todos os leitores
estão de acordo — a poesia dessas revelações tem sempre um teor
sombrio e de condenação.
As visões sobre as quais escrevemos e os relatos históricos da sua vida
pessoal (que não abordarei aqui) refletem não apenas o estado
deprimido do profeta, como uma psicose em desenvolvimento que
estava evidenciada nos seus relacionamentos quebrados e nos sussurros
e murmúrios de sua fala obscura.
Isaías, um profeta do Antigo Testamento, fala sobre esse processo de
desintegração psicológica nos profetas que se entregam voluntariamente
às trevas do poder oculto em vez de buscar o poder autêntico de Deus —
um poder que fala claramente a todos, com revelações baseadas na
Palavra de Deus, que transmite a luz da aurora.
Quando vos disserem: Consultai os necromantes e os adivinhos, que
chilreiam e murmuram, acaso, não consultará o povo ao seu Deus? A favor
dos vivos se consultarão os mortos? À lei e ao testemunho! Se eles não
falarem desta maneira, jamais verão a alva. Passarão pela terra duramente
oprimidos e famintos; e será que, quando tiverem fome, enfurecendo-se,
amaldiçoarão ao seu rei e ao seu Deus, olhando para cima. Olharão para a
terra, e eis aí angústia, escuridão e sombras de ansiedade, e serão lançados
para densas trevas (Isaías 8:19-22).

Os médiuns populares, como JZ Knight, que serve de canal para um


espírito demoníaco chamado Ramtha (entre outros), e as pessoas que
convidam espíritos-guias para falar a elas e por intermédio delas, são
comuns na nossa cultura. Os curandeiros psíquicos cujos corpos são
tomados por espíritos que fazem operações e prescrevem poções de cura
são comuns no exterior. Todos eles parecem entrar em estado de transe
como um precursor do surgimento da entidade espiritual.
João de Deus, um curandeiro psíquico brasileiro, é o que se chama de
“médium inconsciente”. Aos 16 anos, a “entidade” do Rei Salomão entrou
em seu corpo e realizou uma cura milagrosa, direcionando João a se
tornar um curandeiro itinerante perambulando pelo Brasil até fixar
residência em sua casa nos planaltos e se tornar conhecido como “João
de Deus”. Hoje, ele recebe mais de 30 entidades espíritas, médicos e
celebridades que podem entrar em seu corpo e tratar doenças como o
câncer, a AIDS, a cegueira, a asma, o vício em drogas, o abuso do álcool,
tumores, problemas físicos de qualquer espécie, problemas psicológicos
debilitantes ou desespero espiritual. Pessoas desesperadas em todo o
mundo fluem para a sua região em busca de milagres de cura.
A “incorporação” acontece em um instante, sem aviso. Quando João se
prepara para operar, seu corpo de repente sacode. Dizem que ele assume
a personalidade e até a cor dos olhos da entidade que habita nele.
Sobre as cirurgias, ele disse: “Eu não faço isto. Deus e os espíritos fazem
isto.” Ele diz que até olhar para os vídeos das cirurgias o deixa enjoado.
Ele diz que nem sequer se lembra da experiência. “Fico inconsciente”,
disse ele a John Quiñones do programa de tevê “Primetime Live”. Ele
comparou o seu estado ao de alguém adormecido.4
Até a Bíblia fala de médiuns e espíritas que abundavam tanto no Antigo
Testamento quanto no Novo, desafiando o poder de Deus e chamando a
atenção para longe, na intenção de seduzir as pessoas a seguirem o
demoníaco em vez de entrarem em um relacionamento com Deus.
Saul, arrasado no coração e no espírito, ansiava por uma palavra do
profeta Samuel que o havia ungido rei em primeiro lugar. O problema era
que Samuel estava morto. Parecia que Deus não estava falando com Saul
no seu momento de necessidade. Nenhum profeta dos arredores tinha
qualquer palavra de consolo para Saul. Ele se sentiu só, abandonado, e
com medo dos dias que estavam por vir. Na ausência de outros profetas
na região, ele procurou uma médium, esperando fazer contato com o
espírito de Samuel. Ela morava em uma caverna, ocultando sua profissão
porque Saul havia condenado os médiuns e os espíritas à morte. Então,
em princípio ela duvidou se deveria conceder uma audiência a Saul, mas
foi em frente e o fez porque não reconheceu que era Saul quem estava
diante dela.
Ela se recostou no assento, fechou os olhos, disse algumas palavras
incompreensíveis de encantamento, clamando pelo espírito de Samuel,
esperando que o seu espírito familiar aparecesse, um espírito que
pudesse, na melhor das hipóteses, imitar a voz de Samuel e conhecer os
detalhes íntimos de sua vida. De repente, ela sentiu a presença de alguém
mais na caverna. Uma figura emergiu das trevas. Ela ofegou e gritou em
choque. Não era o espírito familiar de Samuel. Era o próprio Samuel,
levantado dos mortos. Então ela percebeu que Saul era o seu cliente e
ficou com muito medo.
É real o poder dos médiuns, paranormais e curandeiros. A fonte, porém,
é demoníaca. Em vez de sentirem o amor, a luz e a paz que vêm aos
cristãos durante a adoração e de se deixar Deus iniciar as experiências
espirituais, eles sentem o oposto, tornando-se escravos do senhor das
trevas e de seus espíritos familiares.

DISCERNINDO AS ORIGENS DA REVELAÇÃO

Qual é a diferença entre as origens do poder psíquico, e como você pode


saber se alguém está acessando o poder de Deus, o poder da sua alma, ou
o poder demoníaco?
Muitos cristãos acreditam que Adão, o homem original, tinha habilidades
paranormais e cognitivas ilimitadas. Dado o seu acesso direto a Deus e a
sua capacidade de administrar um vasto jardim e de dar nome a todos os
animais, eles raciocinam que ele deve ter controlado uma memória
ilimitada, ser capaz de ver lugares remotos e eventos mentalmente, e se
teletransportar para outros lugares, entre outros poderes.
Depois da Queda, e após Adão ser expulso do Jardim, muitos acreditam
que esses poderes mentais foram removidos dos seres humanos ou que
eles tenham entrado em um estado de dormência. Os anjos caídos e as
criaturas como os demônios, porém, retiveram a habilidade de falsificar
milagres e poder.
O autor cristão Watchman Nee escreveu em O Poder Latente da Alma que
ele acreditava que muitas das capacidades originais de Adão
permanecem enterradas no profundo da nossa mente. À medida que as
gerações se passaram, o poder espiritual e cognitivo de Adão se tornou
uma força latente em nossas vidas. Porém ele não é um poder que
possamos extrair de nós. De acordo com Nee, “A obra do diabo hoje é
atiçar a alma do homem a fim de liberar o poder latente dentro dela
como um engano para ter poder espiritual”.5
Nee acredita que Deus nos convida para invocar o poder do Espírito
Santo em vez de tentar extrair o poder da nossa alma. O inimigo, satanás,
espera substituir realidades que exigem que o homem dependa do poder
da alma como alternativa enganosa ao poder do Espírito Santo.
A atração pelo poder, então, é uma atração em direção a uma de duas
fontes de poder — ou o poder de Deus ou o poder de satanás. A mente do
homem, portanto, fica neutra até ser influenciada a exercer e
desenvolver o poder de sua alma através da influência demoníaca ou
buscando o poder do Espírito Santo. O estado de transe é um estado
neutro de atividade mental suspensa, um momento de ausência que pode
ser cheio pela revelação pura de Deus ou pela inspiração demoníaca. Ele
não deve ser recepcionado ou autoinduzido. Os encontros reveladores
com Deus devem ser iniciados por Ele, e não por nós.
As demonstrações de poder vêm de ambos os reinos — um oferece
poder falso, uma falsificação do poder verdadeiro ou autêntico de Deus.
Para cada atividade paranormal da Nova Era neste mundo existe uma
atividade autêntica encontrada no Reino de Deus que faz o poder de
satanás parecer com truques de mágica. Até que o poder autêntico,
demonstrado por meio dos profetas de Deus, curadores e mediadores de
poder da nova criação, seja implantado na sociedade, as pessoas
continuarão a se voltar para a única fonte de poder que elas veem — o
poder ocultista e paranormal demonstrado pela televisão e nos círculos
da Nova Era.
À medida que os dias ficam cada vez mais obscuros, precisamos deixar as
sombras do engano e determinar a fonte do poder que está falando
conosco. Tão certo quanto há as leis naturais da física existem dimensões
e dinâmicas espirituais em operação. Invisíveis a olho nu, a maioria de
nós pode apenas observar os seus efeitos. A fonte de revelação que
alimenta os profetas autênticos, os médiuns em transe demoníaco e os
curandeiros inconscientes têm origem em dimensões espirituais de
revelação que, originalmente, foram estabelecidas por Deus.

TESTANDO OS ESPÍRITOS

Johanna Michaelson treinou para se tornar uma médium em transe total


quando jovem, sob o apelido de Pachita, uma curandeira paranormal, e
ela sabe em primeira mão o quanto os espíritos das trevas são
inconstantes — curando em um instante, destruindo vidas no outro. Mais
tarde, ela saiu dos círculos demoníacos e se tornou cristã. Seu livro The
Beautiful Side of Evil (O Lado Belo do Mal), é um clássico que expõe os
espíritos que estão por trás dos curandeiros e encoraja os cristãos a
realmente testarem os espíritos que estão por trás de um encontro
espiritual, de acordo com 1 Tessalonicenses 5:19-20, que nos diz para
não apagarmos o Espírito Santo, mas para examinarmos tudo
cuidadosamente. Deus nos deu a habilidade de examinar as Escrituras
diariamente (ver Atos 17:11) e fazer uma pesquisa cuidadosa com
relação ao que o Espírito Santo lhes diz (ver 1 Pedro 1:10-11). Não basta
dar as boas-vindas a um encontro com Deus — precisamos procurar
entender a fonte do encontro, discernir se houve precedência nas
Escrituras e, finalmente, descobrir o significado do encontro ou da
experiência espiritual para podermos entender plenamente o que Deus
quer que entendamos. De acordo com Johanna, isso agrada a Deus.
Ela escreve: “A única pessoa que fica insegura em testar os dons é alguém
que não conhece as Escrituras, pois elas nos dizem que essa prática
prova o que é genuíno, e agrada a Deus. A não ser que a Igreja reconheça
isso e se arrependa perante o Senhor, procurando trazer restauração e
pureza ao Corpo que hoje está poluído por falsificações e falsas
doutrinas, como sobreviveremos a estes dias?
“Da maneira como as coisas estão, os ocultistas sentem-se em casa nas
nossas reuniões, pois eles veem os gritos do Espírito, as mãos que
sacodem ‘incontrolavelmente’ em técnicas que têm uma aparência de
manipulação da aura, quedas em estados semelhantes ao transe e
‘palavras de conhecimento’ sendo proferidas, assim como os
clarividentes fazem em certos centros espíritas. Eles nos veem exigindo o
desempenho imediato de Deus como os adeptos da magia branca fazem,
os quais também usam o nome de Deus, de Jesus e do Espírito Santo em
seus rituais... Eles nos veem ricochetear no chão movidos por uma força
invisível, como eu vi acontecer frequentemente com Pachita quando ela
estava possuída. Eles ouvem uma confusão ensurdecedora de línguas
balbuciantes, cada um gritando mais alto que o outro, como se o Senhor
fosse surdo. Eles nos veem impondo as mãos indiscriminadamente para
curar, como eles também o fazem, sem nenhum chamado à confissão e ao
arrependimento do pecado” (Tiago 5:14-17).6
Concordo com Johanna em parte. Precisamos chamar as pessoas à
confissão e ao arrependimento. Mas também devemos encorajar as
pessoas a virem às reuniões onde a presença e o poder do Senhor Jesus
Cristo habita e a Sua bondade as acolhe no Seu abraço — pois é a Sua
bondade que as leva ao arrependimento. Devemos a elas um encontro
com Deus que as capacite a ver a diferença entre a presença
poderosamente amorosa de Deus e os falsos deuses e espíritos
demoníacos que eles adoram. Os ocultistas deviam vir às reuniões
carismáticas e pentecostais. É ali que eles encontrarão o Rei dos reis e
Senhor dos senhores, serão libertados de sua escravidão ao inimigo, e
encontrarão cura para suas almas.
Durante essas reuniões, nas quais a presença de Deus parece vir com
poder, é imperativo discernir o que Deus está fazendo individualmente e
reconhecer que todos nós necessitamos de cura, e que alguns precisam
de libertação. Algumas manifestações que ocorrem durante as reuniões
como a que Johanna descreveu, são simplesmente as dores da alma
emergindo em altos gritos e choro, à medida que a presença de Deus toca
as feridas mais profundas da vida de uma pessoa. Outras manifestações
aparecem como atos e intercessões simbólicos ou proféticos nas quais os
movimentos da pessoa têm significado em si. Algumas manifestam
demônios e precisam de libertação. Outras caem em transes em que têm
visões autênticas, iniciadas por Deus. Outras caem em um estado de
alienação que pensam serem transes iniciados por Deus.
Infelizmente, a maioria das igrejas que dão as boas-vindas à presença
manifesta de Deus, tem poucas pessoas que são treinadas para discernir
o que está acontecendo com os outros. Deus é maior que todos nós e os
Seus caminhos não são os nossos caminhos. A cura e a libertação do Seu
povo continuam sendo prioridade no Seu coração. As coisas podem
parecer confusas para nós, mas a Sua presença e o Seu poder finalmente
organizam a todos nós.
PERMANECENDO NA LUZ DE CRISTO

Por que deveríamos nos importar com os paranormais e médiuns que


gritam e murmuram ou com as marcas da revelação autêntica de Deus e
as marcas do que é demoníaco? À medida que avançamos em direção ao
encerramento desta era, a Bíblia revela que as diferentes manifestações
do poder sobrenatural se confrontarão cada vez mais. As trevas ficarão
mais tenebrosas. Mas será que a luz brilhará mais? Você é a luz do
mundo. A luz de Jesus Cristo deveria estar brilhando ainda mais dentro
de você.
A que proximidade você quer estar da fogueira do amor de Deus? Entrar
em adoração é o primeiro passo. É ali, naquele lugar onde o seu coração é
tocado pelo fogo do Seu amor, que você pode simplesmente se encontrar
ardendo em amor apaixonado, ou estar maravilhado diante da visão que
se desenrola diante de você.
Não precisamos temer as diferentes manifestações das experiências
sobrenaturais quando sabemos que Deus está iniciando o encontro,
porque Ele é a Luz, e nele não há sombra de trevas.
NOTAS

1. George Otis, The Twilight Labyrinth (Grand Rapids, MI: Chosen


Books, 1997), 252.
2. Embora muitos livros tenham sido escritos documentando a vida
de Cayce, esta informação originou-se da enciclopédia online
Wikipédia em http://en.wikipedia.org/wiki/Edgar_Cayce.
3. Embora muitos livros tenham sido escritos documentando a vida
de Nostradamus, esta informação originou-se do website da
Nostradamas Society of America:
http://www.nostradamususa.com/html/biography.html.
4. “Is ‘John of God’ a Healer or a Charlatan?: Searching for Hope and
Health in a Remote Brazilian Village”, 10 de fevereiro de 2005,
ABC News Internet Ventures, “PrimeTime”.
5. Watchman Nee, The Latent Power of the Soul (Nova York:
Christian Fellowship Publications, 1972), 44, 19-20.
6. Johanna Michaelson, The Beautiful Side of Evil (Eugene, OR:
Harvest House Publishers, 1982), 191.
CAPÍTULO 10
NO CORPO OU FORA DO CORPO?

por JULIA LOREN

A mão do Senhor ergueu-me da cama, e, enquanto eu deslizava


lentamente em direção ao teto, percebi que aquilo não era um sonho. Eu
estava acordada, imóvel, mas alerta. Com rapidez, meu espírito
atravessou o teto; uma força invisível me puxou através do céu da noite,
e o vento gerado pela minha propulsão rugia ao passar pelo meu rosto.
Em um simples segundo viajei o que normalmente seria um percurso de
40 minutos até à igreja. Passando pelo teto da igreja, fiquei pairando em
um canto no alto olhando para baixo, para um círculo de mulheres; as
costas delas estavam voltadas para mim, e elas obviamente estavam
envolvidas na oração. Algumas choravam. Outras levantavam as mãos
como se estivessem focando suas intercessões em uma mulher específica
presente na sala.
Finalmente percebi que aquelas eram as mulheres da equipe de
liderança da igreja que estavam orando por uma espécie de crise.
Permanecendo ali por um instante em meu ponto superior no teto,
enquanto as mulheres se moviam orando, eu podia ver seus rostos e
dizer os nomes delas, mas não ouvia nada do que elas diziam. De repente,
senti um puxão e me vi sentada na cama, atônita com a minha jornada à
meia-noite.
No domingo seguinte, fui à igreja e vi uma amiga, uma das mulheres
cujos rostos eu vira naquela reunião de oração. Como tentativa de
compreender o que havia acontecido, aproximei-me dela e perguntei se
ocorrera uma reunião de oração especial havia algumas noites. Ela disse
que sim; elas se reuniram para orar pela esposa de um dos pastores que
fora diagnosticada com câncer em fase terminal. Comecei a dizer vários
nomes e perguntei a ela se essas mulheres estavam presentes na sala.
Mais uma vez ela confirmou o que eu observara durante a minha jornada
no espírito.
Por que Deus me permitiu vislumbrar aquele evento específico? Durante
aquele período de minha vida eu testemunhei alguns eventos
sobrenaturais. Era como se Deus estivesse me dando uma prévia do que
estava por vir. Sonhos e visões proféticas, visitações angelicais, e
palavras de conhecimento precisas fluíam para dentro da minha vida e
por intermédio dela, como se a presença manifesta de Deus tivesse se
mudado para o meu pequeno apartamento e fixado residência ali. Andei
durante vários meses, mais consciente da atmosfera do céu do que das
restrições da Terra. Alegria, paz e luz irradiavam de mim.
Eu não disse nada a ninguém sobre o que acontecia comigo enquanto eu
estava no meio daquele período, porque não tinha palavras para explicar
aquilo e em parte porque ninguém entenderia se eu tentasse dizer isto a
alguém. Entretanto, todos que me conheciam sabiam que eu estava
diferente. Aqueles que não me conheciam eram atraídos para a luz, a paz
e a revelação que vinham de mim. Plenamente viva na presença de Deus,
eu não sentia necessidade de falar sobre o que estava vivenciando; eu
apenas desfrutava estar com Ele continuamente. Parecia muito natural
que eu pudesse andar com Ele, falar com Ele, e, por que não, voar com Ele
para ver o que Ele vê. Passei a entender a experiência que tive só porque
Jesus tinha prazer de estar comigo e de compartilhar a Sua dimensão
comigo, mostrando-me o Seu coração e o Seu ponto de vista. Era “parte
do pacote” de estar em um relacionamento íntimo com Ele.
O que achei mais assombroso não foi o fato de eu ter de algum modo
deixado o meu corpo e assistido a uma reunião de verdade, mas o fato de
que no momento da minha “chegada”, a reunião já havia terminado. Eu
tinha ido me deitar por volta da meia-noite e viajei no meu espírito
imediatamente antes de adormecer. A reunião já terminara a esta altura.
Eu voltei no tempo para testemunhar o evento!
Deus não faz acepção das ideias de tempo que foram criadas pelo
homem. A Bíblia revela experiências fora do corpo que levam as pessoas
ao futuro e trasladações que movem as pessoas rapidamente de um lugar
para outro no presente. Por que não mover uma pessoa para que ela
vislumbre algo no passado recente ou no futuro próximo? Os caminhos
de Deus não são os nossos caminhos.

EXPLICAÇÕES DA PESQUISA CIENTÍFICA

As experiências fora do corpo são tão antigas quanto a humanidade.


Diversos pesquisadores que realizaram estudos e análises tanto formais
quanto informais revelaram que de 5% a 10% da população em um
momento ou outro já teve a experiência de sentir o espírito saindo do seu
corpo. Alguns ficam pairando no aposento próximo aos seus corpos
físicos e, mais tarde, descobrem que as experiências foram geradas em
resultado de estarem anestesiados ou de terem uma experiência de
quase morte. Outros se movem além das limitações do tempo e do
espaço, como se seus espíritos viajassem para outro lugar, deixando seus
corpos muito para trás. As experiências fora do corpo são uma das
experiências espirituais mais comuns sentidas pelas pessoas,
independentemente do histórico de fé delas. Todos somos seres
espirituais.
Parece que as experiências fora do corpo podem ocorrer a qualquer
pessoa em quase qualquer circunstância — enquanto descansa,
enquanto dome ou enquanto sonha. As pesquisas revelam que a maioria
dessas experiências ocorre quando as pessoas estão na cama, doentes ou
descansando, ou sob algum tipo de anestesia ou medicação. Mas elas
podem ocorrer durante quase qualquer tipo de atividade. Tive a
experiência de virar uma esquina enquanto andava e descobrir que meu
espírito de repente deu um salto para cima, como num voo, e entrou em
uma visão. Motociclistas relataram que enquanto dirigiam em alta
velocidade, de repente se viram flutuando sobre suas máquinas, olhando
para baixo para os seus corpos, aparentemente fora de suas motos,
esforçando-se para entrar neles. Pessoas envolvidas em oração
intercessória relataram ter viajado no espírito para outro local e ter visto
as mesmas coisas simultaneamente.
As experiências fora do corpo são breves sensações que ocorrem quando
uma pessoa sente como se a sua mente se separasse do seu corpo.
Durante essas experiências, as pessoas sentem que estão flutuando
acima de seus corpos. Ninguém sabe o que causa essas experiências, mas
algumas pessoas acreditam que elas são eventos espirituais ou religiosos.
O que é interessante é que muitas pessoas que estiveram perto da morte
relatam que tiveram uma experiência fora do corpo.
Os pesquisadores científicos têm tentado desvendar o mistério que está
por trás deste fenômeno durante anos, dando lugar a uma série de
explicações neuroteológicas.
Os pesquisadores dos Hospitais Universitários de Genebra e Lausanne,
na Suíça, descobriram que as experiências fora do corpo podem ser
produzidas por estímulos elétricos diretos de uma parte específica do
cérebro. O Dr. Olaf Blanke e seus colegas trabalharam com uma paciente
de 43 anos de idade que sofria de epilepsia do lobo temporal direito. A
fim de identificar o local onde as convulsões ocorriam, os pesquisadores
implantaram eletrodos no cérebro da paciente. Enquanto a paciente
estava acordada, os pesquisadores podiam passar corrente elétrica pelos
eletrodos para identificar a função da área do cérebro sob cada eletrodo.
O estímulo elétrico de uma região conhecida como giro angular, do lado
direito do cérebro da paciente, produziu sensações inusitadas. O
estímulo fraco fez que a paciente sentisse que estava “afundando na
cama” ou “caindo de uma altura”. O estímulo elétrico mais forte fez a
paciente ter uma experiência fora do corpo. Por exemplo, a paciente
disse: “Vejo-me deitada na cama, de cima, mas só vejo minhas pernas e a
parte inferior do meu tronco.” O estímulo do giro angular em outros
momentos fez a mulher ter sensação de “leveza” e de “flutuar” dois
metros acima da cama.
O giro angular localiza-se próximo à área vestibular (equilíbrio) do
córtex cerebral. É provável que o estímulo elétrico do giro angular
interrompa a capacidade do cérebro de dar sentido às informações
relacionadas ao equilíbrio e ao toque. Essa interrupção pode alterar a
atividade do cérebro durante as “experiências de quase morte”. Isso
pode resultar nas experiências fora do corpo relatadas pelas pessoas que
sobreviveram a esses eventos.1
Embora muitos cientistas tentem nos fazer acreditar que somos apenas
seres biológicos, e denunciem a fé como simples pensamento primitivo,
outros cientistas e intelectuais divergem dessa opinião.
A crença e a fé, argumentam os crentes, são maiores que a soma das
partes de seus cérebros: “O cérebro é a ferramenta através da qual a
religião é experimentada”, disse Daniel Batson, um psicólogo da
Universidade do Kansas que estuda o efeito da religião sobre as pessoas.
“Dizer que o cérebro produz religião é como dizer que um piano produz
música.”2
Na escola de psicologia do Seminário Teológico Fuller, Warren Brown,
um neuropsicólogo cognitivo disse: “Sentado onde estou e lidando com
especialistas em teologia e em prática religiosa cristã, simplesmente olho
para o que essas pessoas sabem sobre religiosidade e penso que elas não
são tão especialistas assim. Elas são neurocientistas especializados, mas
não são estudadas na área daquilo que está envolvido nas diversas
formas de religiosidade.” No centro da crítica da nova pesquisa sobre o
cérebro está o que um teólogo da Universidade de St. Louis chamou de a
“nada-mesmice” de alguns cientistas — a noção de que todos os
fenômenos poderiam ser compreendidos se os reduzíssemos a unidades
básicas que pudessem ser medidas.
E finalmente, dizem os crentes, se Deus existe e criou o universo, não
faria sentido ele instalar um maquinário em nossos cérebros que
tornasse possível ter experiências sobrenaturais?3

EXPLICAÇÃO ESPIRITUAL

O que está acontecendo espiritualmente que gera esta sensação em uma


pessoa de que o seu espírito está deixando o seu corpo? O seu espírito, de
acordo com a Bíblia, é o fôlego de Deus em você (ver Gênesis 2:7). Ele é o
seu fôlego de vida. Muitos acreditam que se o seu espírito deixasse o seu
corpo, você morreria. Em vez disso, a sensação do seu espírito deixando
o seu corpo ou é um tipo de visão ou uma experiência sobrenatural de
ser espiritual e fisicamente transportado de tal maneira que transcende
as leis da física da maneira como as entendemos atualmente. A Bíblia não
oferece uma explicação clara. Na verdade, muitas das descrições de
encontros espirituais e visões parecem deliberadamente obscuras. Até o
normalmente direto apóstolo Paulo só nos oferece esta descrição de uma
experiência fora do corpo em 2 Coríntios 12:2: “Conheço um homem em
Cristo que, há catorze anos, foi arrebatado até ao terceiro céu (se no
corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe)”.
Esta passagem também faz alusão ao fato de que o nosso espírito pode
funcionar fora do corpo. Os teólogos se contorcem em um debate tríplice
para saber se os humanos podem ser divididos em três partes — o corpo
físico, a alma (que compreende a mente, a vontade e as emoções) e o
espírito — ou duas (somente corpo e espírito), ou talvez sejamos apenas
sacos de velhos ossos secos. A crença padrão ensinada em muitas igrejas
é que Deus fez a humanidade como seres tripartidos. Deus criou os
nossos corpos, nos deu uma alma, e soprou vida dentro de nós. Em
outras palavras, o fôlego de vida dele em você é o seu espírito.
De acordo com a ministra profética Patricia King, fundadora do
ministério Extreme Prophetic, assim como quando sonhamos acordados
os nossos pensamentos são levados para além dos limites do nosso
corpo, nosso espírito também pode funcionar além do corpo.
Em seu livro Spiritual Revolution (Revolução Espiritual), Patricia
descreve para sua amiga Linda uma experiência fora do corpo que ela
está tendo, enquanto elas conversam. Durante essa experiência fora do
corpo, ela viajou até Vancouver e orou para que uma amiga fosse curada.
E a amiga foi curada. Ela escreve: “Durante todo o encontro espiritual de
Efésios 1:3, e enquanto depositava simbolicamente uma bênção de cura,
eu estava consciente do ambiente natural que me cercava. Até continuei
a falar com Linda durante esse período... Meu espírito não foi retirado do
meu corpo, mas eu estava experimentando algo em meu espírito no qual
meu corpo não estava envolvido.”4
Muitas pessoas envolvidas com a espiritualidade falsificada relacionada à
Nova Era e às igrejas ocultistas acreditam que podem aprender a viajar
por vontade própria, a “projetar o seu corpo astral” ou seu espírito.
Praticar uma forma de alienação e entrar em um estado de relaxamento,
em geral, traz os resultados desejados — o espírito delas realmente
sente como se estivesse deixando o corpo e indo além dos limites do
espaço e do tempo. Movendo-se pelas dimensões celestiais em um estado
que elas chamam de “projeção astral”, elas ficam abertas às influências
demoníacas que ajudaram a iniciar a experiência fora do corpo e abertas
ao ataque delas também. Há pouca proteção contra o reino demoníaco
para aqueles que voluntariamente se alinham com as trevas ou procuram
poder para as suas almas como um substituto para Deus. Satanás copia
tudo nas suas tentativas de seduzir as pessoas a se desviarem do
conhecimento do Senhor dos senhores e da experiência da dimensão do
Rei dos reis.
John Sandford, cofundador do ministério Elijah House com sua esposa
Paula, estão no ministério profético e de cura há décadas, e ele e Paula
servem como mentores de muitas vozes proféticas conhecidas nos
nossos dias. John aprendeu muito enquanto refletia sobre a variedade
das experiências com as quais se deparou ao longo dos anos. Ele oferece
esta palavra de advertência a muitos que querem se aventurar nas
dimensões espirituais sem serem convidados:
“Quando os profetas estão no espírito, o Senhor pode levá-los a fazer
viagens. Filipe, dos livros apócrifos, é um exemplo disso. E existe um
relato de Habacuque, que é arrebatado e levado a dar a sua refeição a
Daniel na cova. No Antigo Testamento, Geazi, correndo atrás de Naamã,
foi visto por Eliseu, que disse: ‘Não foi o meu espírito contigo?’ Assim, um
profeta pode viajar quando o Senhor o chama. Ele também pode fazer
isso por sua livre vontade, mas não deve fazê-lo a não ser que o Senhor o
chame.
“Mais uma vez, satanás copia tudo. A cópia de satanás é a projeção astral.
Ele não pode projetar seu próprio espírito ou corpo. O que fizemos, a
convite do Espírito Santo, não foi projeção astral; é o Espírito Santo
dizendo: ‘Venha, quero lhe mostrar uma coisa’. Ele me chamou e eu me
sinto viajando e vejo a pessoa. E, mais tarde, pergunto a ela o que está
acontecendo. E digo: Sim, sei disso porque eu estava lá”.5
Patricia King e John Sandford estão entre os muitos ministros
carismáticos que acreditam que o nosso espírito não apenas pode
funcionar fora do nosso corpo, viajar para um lugar distante e liberar
cura, como também pode viajar para um lugar distante e ter um
vislumbre do que está por vir.

VENHA, E EU LHE MOSTRAREI!

As experiências fora do corpo são uma espécie de visão que nos libera
para termos um vislumbre do que está no coração de Deus. Arrebatados
para ver uma cidade que está por vir, Deus nos dá uma experiência para
nos permitir conhecer os Seus propósitos em uma situação. Em
Apocalipse 21:9-10, um anjo arrebatou João: “Um dos sete anjos que
tinham as sete taças cheias das últimas sete pragas aproximou-se e me
disse: ‘Venha, eu lhe mostrarei... Ele me levou no Espírito a um grande e
alto monte e mostrou-me...”
Voando entre cidades durante uma curta viagem missionária ao Brasil,
recostei-me no assento do avião, ouvindo meu MP3 me ninando em
adoração. Outros que estavam nessa viagem missionária enchiam os
assentos ao meu redor. Meu fone de ouvido mal conseguia abafar as
vozes, o riso e a empolgação deles sobre o que estavam experimentando
no Brasil. Ouvi-os comentar sobre os rostos inocentes de olhos gentis dos
brasileiros, sua pele incrivelmente bronzeada — resultado da artística
pigmentação de uma mistura de raças — e a abertura deles ao Espírito
Santo. Outros falavam dos milagres de cura e da variedade de assuntos
de ordem médica que estavam testemunhando. O entusiasmo estava em
alta. Tentei bloquear as vozes deles e usar aquela viagem de avião como
um tempo para adorar e orar em silêncio pelas reuniões que estavam por
vir.
Por um instante, senti uma pequena turbulência no avião e percebi que
minha poltrona estava tremendo. Minhas bochechas pareciam
misteriosamente molhadas como se estivesse chovendo dentro da
aeronave. A presença de Deus me inundou e percebi que eu estava
saindo do avião. Meu espírito lançou-se no céu em velocidade em direção
à cidade que era o nosso destino. Entrando em uma sala cheia de
pessoas, observei uma série de jovens em pé em adoração, enquanto o
poder de Deus ministrava sobre eles, movendo uma garota a chorar em
voz alta. Um jovem dançava e saltava como se seus pés estivessem
queimando, outro se lançava para a frente, orando alto em línguas.
Toda a sala irrompeu em altos gritos enquanto as pessoas passavam por
cura interior e libertação. Foi um momento de muito barulho e intenso
calor. Eu ouvia e sentia tudo, mas minha atenção foi atraída para a fileira
de jovens. Aquele era o momento deles; o momento que os lançaria em
direção aos seus destinos.
Então de repente, tornei-me consciente mais uma vez da turbulência do
avião fazendo a poltrona tremer. Minhas bochechas ficaram ainda mais
molhadas. Meu corpo estava quente. Abri os olhos e vi que a mulher
sentada ao meu lado me observava. Aparentemente, a turbulência não
estava sendo gerada pelo avião. Eu tremia na poltrona. A mulher
perguntou se eu estava bem. Ela percebeu que eu havia tido algum tipo
de encontro com Deus e sabiamente evitou fazer mais perguntas.
No dia seguinte, um grupo nosso embarcou em um ônibus que nos levou
a uma igreja em frente a uma loja em uma rua movimentada de uma
pequena e empoeirada cidade do interior do Brasil. Dentro dela, a
multidão em pé na sala aguardava com uma expectativa ansiosa. E Deus
não os decepcionou. Movendo-se em resposta à fé deles, Ele veio com
poder sobre aquela mesma multidão que eu já havia visitado. Fiquei em
pé ao lado de uma fileira de jovens que tinham exatamente os rostos que
eu vira enquanto estava “no avião” e que tinham as mesmas
manifestações que eu já testemunhara. Eu soube, naquele instante, como
deveria orar por eles e facilitar o seu encontro com Deus, e designei
alguns membros da equipe ministerial para me assistirem nessa
ministração.
Esses encontros estão designados para serem experiências normais para
os crentes. A Bíblia está cheia de histórias sobre experiências
sobrenaturais nas quais se está em lugares e se vê coisas. As experiências
sempre aceleram os propósitos de Deus nas vidas dos indivíduos e nas
vidas das nações. Se uma experiência ou um encontro com Deus serve
apenas para excitar aquele que os recebe, eu questionaria se eles foram
mesmo iniciados por Deus. O fruto da experiência e a maneira como a
pessoa utiliza essa experiência falam mais sobre as origens da
experiência.
Mas a alma e satanás podem criar experiências sobrenaturais e buscar a
glória e os aplausos que vêm em resultado delas. Uma experiência
espiritual válida iniciada por Deus, entretanto, sempre resulta em uma
aceleração dos propósitos de Deus nas vidas de outros — não na vida
daquele que teve a experiência. As experiências fora do corpo, visões,
sonhos, e visitações que são mencionados na Bíblia, estão relatadas não
para dar glória à espiritualidade de um homem, mas para dar glória a um
Deus sobrenatural que deseja trazer os céus à Terra e liberar uma
revelação do Seu amor e poder e dos Seus planos para toda a
humanidade.

EXPERIÊNCIA COLETIVA DAS VISÕES FORA DO CORPO

Às vezes, grupos de pessoas que oraram juntas por anos de repente


entram em uma unidade do Espírito Santo durante as intercessões. Em
vez de cada um orar sobre as preocupações específicas do seu coração
pelos membros da família, a igreja local, ou uma série de tópicos que
inundam a mente em um dia qualquer, eles entram em uma visão
coletiva do coração de Deus para aquele momento específico. Estas são
ocasiões especiais nas quais descobrem que estão experimentando
coletivamente o mesmo fardo de oração.
Algumas pessoas descrevem estas experiências como passar pelo mesmo
portão de intimidade que leva a um encontro celestial, onde elas têm a
mesma visão de Jesus ou do céu simultaneamente. Outros sentiram que
seus espíritos eram transportados a outro lugar na Terra.
Patricia King fala sobre um encontro com um grupo de intercessores que
havia se encontrado todas as semanas durante um ano. Durante uma
reunião específica, “Todos eles foram levados inesperadamente pelo
Espírito a uma prisão na China. Seus corpos naturais estavam nos
Estados Unidos, mas no Espírito eles estavam na China. Eles se viram em
uma cela de prisão com um homem cristão que fora preso por causa da
sua fé. Todos eles viram uns aos outros ali. Eles ministraram ao homem e
depois todos saíram da visão ao mesmo tempo”.6 O líder da reunião fez
que todos eles escrevessem o que viram antes de discutirem a
experiência. Quando eles leram seus relatórios em voz alta, a história de
todos era compatível.
John e Paula Sandford também falam sobre visões coletivas que tiveram
ao longo dos anos. John escreve: “Paula e eu fizemos muitas viagens no
espírito. Estamos conscientes do que está acontecendo com o nosso
corpo, mas sabemos que no nosso espírito estamos viajando. Um grupo
de quatro de nós estava em intercessão um dia e, viajando no Espírito até
o céu, vimos as mesmas coisas durante aquela visita e falamos sobre isso
depois.”7
Muitas visões em oração foram experimentadas por grupos nos últimos
anos, quando todos eles veem e ouvem a mesma coisa simultaneamente.
Acredito que uma unidade no espírito os ligou uns aos outros e os
arrebatou para a dimensão do céu, onde eles viram e ouviram o mesmo.
A intimidade nascida da unidade coletiva, em geral, leva a revelações
coletivas. Em uma atmosfera onde ninguém está lutando para ser ouvido
e ninguém está competindo por alguma recompensa ou para ser aquele
que teve a melhor revelação em oração, um espírito de unidade
prevalece. E essa unidade permite que eles atravessem o portão da
intimidade juntos e entrem no jardim de oração de Deus, onde Ele se
encontra com todos eles de uma vez ou os leva em uma jornada para ver
o que Ele vê e participar com Ele da obra que Ele está fazendo ao redor
do mundo.
TRANSLADAÇÕES E BILOCALIZAÇÃO

Os xamãs em todo o mundo desenvolveram os seus poderes e alianças


demoníacas de uma forma tão radical que dizem que eles não apenas têm
a experiência de se aventurarem em seus espíritos para outros locais,
mas com os seus corpos funcionando também. Enquanto estava nas Ilhas
Vanuatu em uma curta viagem missionária, ouvi missionários
australianos falando sobre os xamãs das Ilhas Salomão que de repente
apareceram em um lugar ao qual levariam horas para chegar a pé. Os
missionários também testemunharam formas de xamãs se
transformando em animais cujos olhos brilhantes os observavam de
noite. Seria apenas medo e superstição?
Os missionários têm histórias impressionantes para contar. Às vezes, as
experiências deles competem com as dos xamãs mais graduados, à
medida que o poder de Deus se levanta para enfrentar o desafio da
influência demoníaca sobre uma cultura. A maioria das experiências
missionárias não pode ser apoiada pela palavra de duas ou três
testemunhas, porque eles estão sozinhos nas selvas e desertos do
mundo, enfrentando uma espiritualidade demoníaca que desafia a nossa
visão ocidental. Eles também enfrentam circunstâncias extremas que
exigem medidas extremas. A fim de promover o Reino de Deus, eles
precisam do poder de Deus. E Deus vem em socorro deles.
As histórias dos missionários que foram trasladados de um local para
outro foram contadas por décadas. As circunstâncias extremas exigem
milagres de transporte através de rios inundados e selvas. John Crowder
escreve sobre alguns desses casos de missionários que foram
transportados sobrenaturalmente de um lugar para outro em seu livro,
The New Mystics (Os Novos Místicos).
“Os traslados apenas se tornaram uma ocorrência comum nas últimas
décadas. Muitas pessoas são arrebatadas de seu corpo espiritualmente
para ministrar em outros lugares, ou para ver eventos antes de eles
acontecerem. Mas até o corpo físico deles, às vezes, é arrebatado. O
missionário cristão H. B. Garlock estava andando em direção a um rio
inundado na África, sem meios de atravessá-lo. De repente. ele estava do
outro lado do rio, e o seu suor era a única coisa que molhava suas roupas.
Outro ministro, David J. DuPlessis também foi trasladado enquanto
ministrava na África. A presença dele se fazia necessária com urgência
para ministrar, enquanto ele estava andando em direção ao seu destino.
DuPlessis estava andando com alguns amigos, mas de repente foi lançado
ao lugar para onde estava indo. Isto foi cerca de 20 minutos antes de seus
amigos chegarem e se encontrarem com ele.”8
Não apenas houve casos recentes de missionários que são misteriosa e
rapidamente trasladados através de corpos de água, mas também houve
relatos de pessoas trasladadas por longas distâncias para realizar alguma
tarefa para o Senhor. Parece que os anjos não são os únicos mensageiros
que podem viajar além das leis da física e transcender as atmosferas, o
tempo, e a distância em um flash.
O ministro profético John Paul Jackson conta a seguinte história de um
homem que Deus trasladou até o lado de sua cama para orar por ele:

Deus também trasladou alguém para orar por mim. Em 1990, eu estava em
uma viagem missionária de 21 dias pela Europa, mas depois de falar em
Genebra, na Suíça, tive intensas dores devido ao que os médicos mais tarde
me disseram que era pancreatite. Deitado na cama em dor agonizante
naquela noite, eu disse a Deus que se Ele não me curasse, eu cancelaria o
restante da minha viagem e daria entrada em um hospital.

Por volta das 2h30min, da manhã, senti alguém em pé ao lado de minha


cama. À minha direita estava um homem idoso com a pele envelhecida e
grossa, e com dedos nodosos. Primeiro, pensei que eu estava tendo uma
alucinação; depois achei que era um anjo. Quando o velho homem estendeu
a mão em minha direção, ele disse: “Vim orar por você.” Colocando sua
mão sobre a minha, que estava no meu estômago, ele começou a orar. Senti
calor saindo de sua mão e entrar na minha. Isto parecia grosso como mel e
estava extremamente quente. O calor descia como um pergaminho pelas
minhas pernas e saía pelos meus pés e subia pelo meu abdome e saía pela
minha cabeça. Enquanto ele fluía através de mim com firmeza, a dor
agonizante deixou o meu corpo. Então, olhamos um para o outro e ele
desapareceu diante dos meus olhos.
Saltei da cama e comecei a dançar pelo quarto, agradecendo a Deus por me
curar e por enviar o Seu anjo. Foi quando Ele disse que não era um anjo.
Nem era o diabo. Uma visão apareceu-me de um homem com as mãos
estendidas e com lágrimas descendo por seu rosto, dizendo a Deus: “Apenas
quero ser usado por ti, mas sou um homem velho em uma pequena aldeia. As
pessoas acham que sou louco. Tu podes me usar?” E Deus me disse: “Eu o
trouxe de uma aldeia desconhecida no México, usei-o e o mandei de volta.”
Deus faz coisas sobrenaturais como esta. Isto não é nada demais para Deus.
Fazemos disso uma grande coisa porque viola as leis da física. Para nós
parece algo extraordinário, mas não para Deus. O que é anormal para nós é
normal para Deus.9

Uma das histórias mais estranhas nos círculos carismáticos nos últimos
anos é a história de Jeff Jansen, um homem de quem pode se dizer
definitivamente: “Se no corpo ou fora do corpo, eu não sei.” Alguns
acreditam que ele foi trasladado de sua casa no Tennessee para uma
conferência em Cincinnati onde foi visto por pelo menos 40 pessoas e
interagiu com várias. Outros acreditam que ele teve uma experiência
sobrenatural de bilocalização, a capacidade de estar em dois lugares ao
mesmo tempo. Os místicos mais práticos acreditam que a pessoa que foi
vista na conferência em Cincinnati foi o anjo de Jeff. Outro ministro
profético conhecido acredita que foi o Senhor que assumiu a forma de
Jeff Jansen e ministrou de uma maneira que os outros pudessem receber
na conferência.
De acordo com Jeff, ele era esperado na sessão de quinta-feira à noite da
conferência “Entrando nas Dimensões Reveladoras do céu” realizada no
Passion and Fire Worship Center em Cincinnati, mas não conseguiu
chegar devido a um compromisso anterior que envolvia um jantar com
um casal em Nashville. Jeff, que era um ministro profético, era muito
conhecido de muitas pessoas — pastores e líderes que estariam nessa
conferência.
Depois do jantar eles voltaram com outro casal para a casa de Jeff e
decidiram tomar a Santa Ceia juntos. “Senti a presença de Deus vir sobre
mim e senti esse fogo vir sobre mim. Algo que nunca senti antes. Lembro-
me de dizer às pessoas: ‘Alguma coisa está acontecendo, é realmente
estranho. Sinto que estou aqui, mas que de algum modo não estou’”, Jeff
explicou.
Fui me deitar por algumas horas e levantei-me às 2 horas da manhã para
me arrumar e dirigir até a conferência em Cincinnati. Quando cheguei lá,
a conferência já havia começado, então me inscrevi, coloquei meu crachá,
e passei o dia inteiro ali. No fim do dia, os pastores anfitriões me viram e
disseram: “Ei, até hoje de manhã pensava que você não viesse, mas vejo
que esteve aqui ontem à noite.” Eu disse a eles que acabara de chegar,
que me levantara às 2 horas da manhã e dirigi até a conferência e que ia
para o hotel descansar. Eles não acreditaram e disseram: “O que você
está dizendo? Vimos você aqui ontem à noite.”
Jeff insistiu que não estava ali na quinta-feira à noite e disse a eles que
estava em Nashville com sua esposa e com outro casal. “O pastor
anfitrião disse: ‘Não se lembra da nossa conversa? Você assinou o seu
nome no livro. Coloquei o seu crachá em você e você orou por mim a
noite’. Descobri que havia mais de 40 pessoas com quem havia falado,
ministrado ou que toquei naquela quinta-feira à noite. Foi um
acontecimento sobrenatural. O grande burburinho sobre aquilo foi que
as pessoas começaram a especular que fora o meu anjo quem apareceu.
Eu não sabia o que era. Eu apenas estava confuso tanto quanto todos os
outros. De uma coisa eu sei — não era eu.”10
O que devemos concluir sobre essas experiências? Elas são traslados? Ou
um fenômeno conhecido como bilocalização? Seria possível o seu anjo da
guarda assumir a sua forma humana e fazer aparições sem o seu
conhecimento? Ou é Jesus assumindo a aparência de outra pessoa e
andando por aí ministrando a outros de tal maneira que eles possam
recebê-lo? Ou foi um espírito familiar ou a forma de um espírito
demoníaco tomando a forma de um ser humano?
O resultado ou fruto dessa experiência e o senso da presença de Deus
durante a experiência de Jeff revela que a fonte era Deus na verdade. A
pessoa que se parecia com Jeff ministrou profeticamente a diversas
pessoas na conferência. As palavras proféticas liberaram uma revelação
do que Deus pretendia fazer em Cincinnati — uma revelação que
glorificava a Deus e liberava encorajamento àqueles que estiveram
orando e trabalhando para ver uma maior liberação da presença de Deus
na sua cidade. Satanás é incapaz de glorificar a Deus nem tem interesse
em elevar a fé dos crentes e encorajá-los. Sua natureza é minar as coisas
de Deus, e não abençoá-las. A experiência de Jeff pode não ser definida
facilmente como uma experiência de bilocalização ou o seu anjo falando
àqueles que estavam na conferência naquela noite. Mas o fruto da
experiência fala imensamente sobre a sua fonte.
Muitos de nós que experimentamos as dimensões sobrenaturais e
reveladoras de Deus concordamos com Jeff quando ele diz isto:
“Malaquias 3:16-18 diz que Deus está se preparando para revelar os Seus
tesouros preciosos e peculiares, os Seus anéis com Seus selos. Estamos
em um momento de glória inteiramente novo.” E coisas mais estranhas
do que estas nos impressionarão nos dias que estão por vir.
Creio que é quase impossível para nós entendermos a mecânica dessas
experiências, e é tolice querermos classificar as experiências espirituais
de acordo com a nossa compreensão natural. Os caminhos de Deus não
são os nossos caminhos e os pensamentos dele não são os nossos
pensamentos (ver Isaías 55:8-9). O mistério ainda é abundante, mas
Deus deseja aumentar o nosso entendimento nos dias que estão por vir.
Ele realmente tem um propósito em liberar experiências e encontros
com Deus. Este é um propósito que nos leva continuamente a abraçar o
mistério:

Para que o coração deles seja confortado e vinculado juntamente em amor, e


eles tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para
compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, em quem todos os
tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos (Colossenses 2:2-3).

FALSIFICAÇÕES DEMONÍACAS

Podemos abraçar o mistério e ainda estar cientes das falsificações


demoníacas que procuram torcer o evangelho levando-o para um
domínio mais tenebroso. Na verdade, é importante aprendermos a
discernir o que é de Deus e o que não é — aquilo que pode ser
claramente uma experiência que nasceu dos desejos da nossa alma ou
uma experiência que é claramente demoníaca. Uma pessoa que andou
dos dois lados da cerca que divide as experiências demoníacas
falsificadas das que são autenticamente de Deus é a escritora Johanna
Michaelson que escreve sobre suas experiências como assistente pessoal
de um cirurgião paranormal, no México, em seu livro The Beautiful Side
of Evil (O Lado Belo do Mal).
Durante uma reunião em que ela se tornaria uma médium completa, ela
escreve sobre como foi treinada para liberar seu espírito para uma
experiência fora do corpo induzida por si mesma. Esta foi a sua primeira
experiência com essa manifestação:
“Os procedimentos agora familiares foram seguidos. Fui para a
plataforma e esperei. De repente, senti-me afundando cada vez mais.
Algo dentro de mim me puxava com força; meu corpo parecia se esvair.
Olhei para baixo e pude ver a minha casca vazia sentada reta em uma
cadeira — as mãos flutuando com as palmas para cima. Tinha
consciência que estava muito longe em um espaço novo além de onde eu
estivera antes. Eu passara através de profundas trevas, mas agora tudo
estava cheio de pura luz branca. Agora eu entendia plenamente que a
minha essência, o meu espírito, não tinha de estar amarrada a um saco
de carne abaixo de mim. Ele me fora dado por algum tempo para facilitar
a obra que estava à minha frente, para ajudar a cumprir o meu karma e
purificar o meu espírito para eu poder me unir novamente a Deus. Mas
eu, eu era eterna, uma parte inseparável da Força Viva... E fui cheia de
êxtase; não havia tempo, tristeza, dor, só uma alegria, luz e paz vibrantes
e insuportáveis além de qualquer coisa que já tivesse experimentado.
Olhei para baixo. Uma figura silenciosa e incandescente estava ao lado do
meu corpo esperando... esperando... mas não me possuindo.”11
Ela “retornou” ao seu corpo quando vozes terrenas a chamaram de volta
para o seu corpo e sua consciência. Johanna afirma que não é apenas
perigoso iniciar transes e experiências fora do corpo, como também que
muitos na igreja que professam ser cristãos também estão praticando as
falsificações ocultistas das experiências espirituais:
“Hoje estamos vendo muitos sinais e maravilhas. Eles podem até ser
feitos em nome de Jesus e ‘para a glória de Deus no alto’. Mas que Jesus?
Que Pai? Usar o Seu nome não garante a sua fonte, porque muitos hoje o
redefiniram de tal maneira que o que eles chamam de ‘Jesus’ de modo
algum se assemelha ao Jesus que está na Bíblia, e assim eles levam as
pessoas sem discernimento à adoração a ‘outros deuses, a quem ainda
não conhecem’.”

Se, na verdade, vindo alguém, prega outro Jesus que não temos pregado, ou
se aceitais espírito diferente que não tendes recebido, ou evangelho diferente
que não tendes abraçado, a esse, de boa mente, o tolerais (2 Coríntios 11:4).

“Incidentalmente, Paulo disse isso a uma igreja à qual não faltava


nenhum dom (1 Coríntios 1:7), uma igreja que era sincera na sua
devoção ao Senhor (ver 1 Coríntios 1:4-8). No entanto, a quantidade de
dons e a sinceridade deles apenas, diz Paulo, não elimina a possibilidade
de eles serem enganados, defraudados e desviados por causa da sua falta
de discernimento e da ênfase antibíblica deles na experiência.”12
A falta de discernimento e uma ênfase antibíblica na experiência além
dos limites das Escrituras são pedras de tropeço importantes para a
maioria dos cristãos carismáticos e pentecostais que estão abertos às
dimensões sobrenaturais e reveladoras de Deus. Acho interessante que o
dom espiritual do discernimento esteja agregado na mesma passagem
das Escrituras aos poderes miraculosos, à profecia e às línguas, em 1
Coríntios 12:10, onde o apóstolo Paulo escreve:

...a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento


de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade para
interpretá-las.

No que se refere aos dons de poderes miraculosos e profecias,


precisamos de anciãos maduros em todas as igrejas equipados com o
dom de discernimento para cuidar do rebanho. Também precisamos de
vozes apostólicas que liberem as diretrizes para o discernimento nos
anos que estão por vir, à medida que aumenta o senso da presença e do
poder de Deus em todo o mundo — crescendo ao lado das “ervas
daninhas” deste mundo, evidenciando-se em expressões de poder
falsificadas, induzidas por demônios e pela alma. Agora mesmo, estamos
infelizmente equipados com pouquíssimos líderes apostólicos que são
respeitados o suficiente para falar a verdade em amor sobre questões de
discernimento e correção. E temos pouquíssimos líderes de igreja
humildes que estão abertos à correção dos líderes apostólicos,
independente de suas preferências denominacionais, redes ou alianças.

PARA ONDE VOCÊ VAI VOAR DAQUI?


E daí se o seu espírito voar do Canadá para Washington ou do Tennessee
para Cincinnati? Que diferença isso faz? Uma vez que a sensação cesse, o
surto de adrenalina diminui e a experiência se acalma; uma vez que os
cuidados do dia retomem as suas intrusões irredutíveis, você é deixado
com uma simples pergunta: Que raios você vai fazer com essa
experiência? Em outras palavras, para onde você vai voar daqui?
Primeiro, você deve discernir a fonte. James Goll nos dá uma lista
impressionante para aumentarmos o discernimento, mais adiante, neste
livro.
Segundo, determine o significado. Talvez o significado tenha aumentado
uma revelação da natureza de Deus para você pessoalmente. Talvez o
significado envolva uma revelação de algo em você que Deus está
tentando expor e curar, ou algo que Ele quer liberar através de você. Ou
talvez o significado seja um dom espiritual que você deve liberar para
outra pessoa. É preciso tempo para se entender totalmente um encontro
com Deus. Dedique tempo para orar sobre o significado e convide outros
para compartilhar a interpretação deles com você.
E finalmente, se estiver em dúvida, descarte-a.
De acordo com o ministro profético Graham Cooke, “Se você não entende
alguma coisa, você não está debaixo da compulsão de fazer algo a
respeito dela. Você precisa orar: Senhor, estou colocando isto de volta em
tuas mãos. Ajuda-me a entender o que significa. Até que Ele se manifeste
nisso, escolho não fazer nada a respeito. Às vezes, é apenas o inimigo
tentando nos tirar do foco. Ou recebo uma confirmação ou uma certeza.
As duas coisas me são permitidas. O chumaço de lã de Gideão não tinha a
ver com conhecer a vontade de Deus; ele já tinha isto. Mas tinha a ver
com uma certeza”.
NOTAS

1. http://faculty.washington.edu/chudler/obe.html, 27 de setembro
de 2002.
2. Tracing the Synapses of Our Spirituality: Researchers Examine
Relationship Between Brain and Religion.
3. Shankar Vedantam, Washington Post, Domingo, 17 de junho de
2001.
4. Patricia King, Spiritual Revolution (Shippensburg, PA: Destiny
Image Publishers, 2006), 76.
5. Baseado em uma entrevista pessoal com John e Paula Sandford.
6. Patricia King, Spiritual Revolution (Shippensburg, PA: Destiny
Image Publishers, 2006), 77-78.
7. Baseado em uma entrevista pessoal com John e Paula Sandford.
8. John Crowder, The New Mystics (Shippensburg, PA: Destiny Image
Publishers, 2006), 180-181.
9. “Naturally Supernatural”, John Paul Jackson,
http://streamsministries.
com/blogger/2000_08_01_archive.html, 4 de agosto de 2000.
10. Johanna Michaelson, The Beautiful Side of Evil, 103.
11. Michaelson, The Beautiful Side of Evil, 174-175.
12. Michaelson, The Beautiful Side of Evil, 174-175.

CAPÍTULO 11
MILAGRES

por JULIA LOREN

Embora a maioria das experiências espirituais aconteça dentro de nós, os


milagres são eventos que ocorrem externamente. Eles acontecem
conosco. Eles são eventos materialistas que transcendem as leis da física
e invalidam a natureza. Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento falam
de milagres, sinais e maravilhas. Eles são usados para validar as palavras
de Deus e o amor e poder inigualáveis de Jesus Cristo. Embora alguns
fiquem eletrizados com essas histórias, outros as desprezam como sendo
meros mitos que são exaltados pelo pensamento primitivo. Inúmeros
livros foram escritos ao longo dos anos procurando desacreditar os
relatos de eventos miraculosos na Bíblia ou refutá-los por intermédio da
análise científica.
As pessoas sempre acreditarão no que querem acreditar. Nas palavras de
um médico amigo meu, “As pessoas vão acreditar em milagres de cura se
quiserem ou não. Ainda que você apresente uma documentação que
testifique a autenticidade de um milagre, isto não vai influenciar as
opiniões de um cético. Ou você escolhe acreditar ou não”.
Na nossa cultura voltada para a mente racional, escolher acreditar está
ficando cada vez mais difícil enquanto as pessoas atestam o
acontecimento de milagres fantásticos e não comprovados de cura,
provisão sobrenatural, e eventos de encontros que transcendem as leis
da natureza. Para a maioria de nós, ver é crer. Precisamos ver ou
experimentar por nós mesmos antes de acreditarmos que Deus está vivo
e é poderoso e que o Criador do universo ainda detém as leis do universo
em Suas mãos. Ou, no mínimo, precisamos de algum depoimento seguro
que comprove o milagre como um evento genuíno que está além da
capacidade da ciência moderna produzir.
Muitas histórias de milagres, porém, não podem ser comprovadas. São
relatos pessoais que ninguém testemunhou. Talvez eles tenham sido
fabricados para atrair a atenção para uma pessoa ou para o ministério de
uma pessoa. Ou, talvez, não tenham sido fabricados. Aquele que
experimentou o milagre pode ter decidido arriscar-se a enfrentar a
zombaria dos céticos a fim de usar a história para elevar o nível da sua fé,
deixando você com a escolha de acreditar ou não. As histórias incluídas
neste capítulo destinam-se a atrair a sua atenção para a glória do poder
inigualável de Deus e a elevar o nível da sua fé para acreditar que você,
também, verá o impossível um dia, talvez, até na sua própria vida.
Para mim, pessoa “de pequena fé”, ver torna mais fácil o crer. É fácil
duvidar ou criticar as histórias que ouço; é mais difícil criticar as que vi.
Para eu crer em uma história que foi passada de uma pessoa para outra,
geralmente pela Internet ou boca a boca, preciso pelo menos saber que a
fonte da história é um testemunho que tem credibilidade. É muito fácil as
pessoas fabricarem histórias se você sabe que elas não podem ser
comprovadas. E as histórias são enfeitadas, distorcidas e transformadas
quando passam da boca de uma pessoa para o ouvido de outra.
Por este motivo, estou apenas incluindo as histórias daqueles que têm
credibilidade e ministram com integridade, aqueles que não precisam
fabricar histórias para promover seus ministérios. As histórias deles são
bem documentadas. As histórias que incluo aqui foram testemunhadas
ou por mim ou por outros, e também foram impressas (não que você
possa acreditar em tudo que lê). Elas não foram passadas para criar um
sensacionalismo; elas são simplesmente relatadas.
A maioria de nós tende a descansar na segurança de nossos lares e se
abster de comportamentos arriscados, como andar sobre a água e fazer
paraquedismo. Quando damos um jantar ou convidamos pessoas para
almoçar, nós nos certificamos de ter comida suficiente. Em geral, passar
fome é uma opção na América do Norte. Se você não pode pagar pelos
alimentos, os refeitórios coletivos e os abrigos para desabrigados lhe
servirão alguma coisa para comer. Na América do Norte, as pessoas que
passam fome, geralmente, são viciadas e pessoas doentes mentais, que
estão nas ruas e se esquecem de comer, crianças abandonadas ou idosos
que ficam confinados em casa e são esquecidos. Nos países em
desenvolvimento, a fome é uma batalha diária que milhões têm
enfrentado. Mas em muitas ocasiões, a provisão sobrenatural de Deus
chega ou a multiplicação soberana de alimento acontece em momentos
inesperados, principalmente no exterior. Quando o Espírito Santo
multiplica o alimento e alimenta as massas, as massas se voltam para
segui-lo.
Na América do Norte, uma doença simples é curável com certa
quantidade de remédios (ou pelo menos os sintomas podem ser
grandemente reduzidos). Em muitos países, uma simples doença, em
geral, significa uma sentença de morte tanto para jovens quanto para
idosos. Toda vez que Deus revela o poder para curar, o coração das
pessoas é conquistado. Quando Jesus aparece e cura o chefe, as pessoas
seguem a sua liderança. Pragas são interrompidas pelas orações dos
poucos fiéis, cegos veem e surdos ouvem. E às vezes, geralmente nos
países do terceiro mundo, até os mortos são ressuscitados para a vida!
Milagres acontecem e a fé para ver o impossível aumenta ainda mais.
Os missionários em geral veem a sua fé ser esticada quando os seus
recursos materiais se esgotam. E assim eles oram com fé, apelando para
o amor compassivo de Deus, e eles veem resultados. A fé deles,
inicialmente fundamentada no desespero, floresce em algo muito além
da nossa. Eles descobrem que se orar, Deus responderá. Se eles pisarem
fora do barco, Deus os segurará. A crença tênue no Jesus mencionado na
Bíblia que os lançou ao campo missionário para início de conversa se
torna, para muitos, um encontro com a poderosa realidade do Jesus que
anda ao lado deles de formas milagrosas.
Jesus libera os Seus sinais e maravilhas que fazem o coração dos
incrédulos se voltar para Ele e aumentar a fé de todos nós. Milagres
acontecem e a fé para ver o impossível não apenas aumenta como se
torna o modo de vida normal para os cristãos do terceiro mundo. E a fé
deles os posiciona para receber mais à medida que o sobrenatural se
torna um modo de vida natural.
Segue apenas alguns dos milagres que outros estão testemunhando no
campo missionário.

TRANSCENDENDO A NATUREZA

Em Josué 10:12-15, Deus ouve um homem e concede o seu pedido de que


o sol fique parado por mais de 24 horas, dando luz suficiente no campo
de batalha para que a nação de Israel se vingue. O sol parou no meio do
céu e por quase um dia inteiro não se pôs. Enquanto os inimigos fugiam, o
Senhor enviou grandes pedras de granizo, matando mais deles do que
aqueles que foram mortos pelas espadas dos israelitas (ver Josué 10:11).
Foi o contrário de um eclipse. A luz do sol total temperada com uma
tempestade de granizo arrasou o inimigo em retirada.
Em outro incidente onde Deus não apenas parou o sol como também o
fez retroceder, o Senhor ouviu outro homem, Isaías, quando ele pediu ao
Senhor para dar um sinal de que o Rei Ezequias seria curado. Em 2 Reis
20:9-11, é dada a Ezequias uma escolha: deveria Deus fazer o sol
retroceder ou avançar? Ezequias diz que é fácil demais fazer o sol
avançar. E ele observa as sombras na escadaria recuarem dez passos
quando o tempo retrocede.
No Antigo Testamento, vemos Deus ouvindo as orações dos homens e
transcendendo as leis da natureza em resposta à fé deles. No Novo
Testamento, porém, vemos Jesus movendo-se na Sua autoridade,
enquanto Deus transcende as leis da natureza. Jesus ficou em pé em um
barco e falou ao vento e às ondas; Ele acalmou a tempestade e assumiu a
autoridade sobre a ira da natureza (ver Marcos 4:35-41). Mais tarde, Ele
andou sobre o lago até o barco onde estavam Seus discípulos, com um
vento contrário. Pedro grita: “Senhor, se és tu, manda-me ir até ti sobre
as águas!” Jesus disse: “Vem.” E assim Pedro sobe na lateral do barco de
pesca deles, e começa a pisar na água, e como ele sente que ela está
sólida sob seus pés, decide se aventurar a dar alguns passos — até que o
medo se instala. Imediatamente, Jesus estende a mão e o segura. Mais
tarde, Jesus desaprova Pedro pelo incidente: “Homem de pequena fé, por
que duvidaste?”
Pedro é a epítome da igreja, e ele simboliza aqueles de nós que estamos
na Igreja. Pedro estava duvidando de Jesus ao dizer: Senhor, se és
realmente tu? Ou Pedro estava duvidando se ele, também, podia
convocar a sua autoridade como crente em Jesus Cristo e andar sobre as
águas, ressuscitar os mortos, curar os enfermos, expulsar demônios, e
ver muitos, muitos outros milagres que não foram registrados?
Quaisquer que tenham sido as dúvidas de Pedro, todos nós as temos.
Quando testemunhamos um milagre ou ouvimos falar de um, tendemos a
perguntar: Senhor, és realmente tu? Todos nós sofremos de vários graus
de incredulidade e dúvida se tentarmos orar pela cura de outra pessoa
ou pedirmos um milagre, pensando: Se eu orar, verei resultados? Quando
saímos do barco da nossa zona de conforto com medo e tremor, nós nos
perguntamos: Será que Ele vai me segurar se eu falhar?
Em Imperatriz, Brasil, em 8 de setembro de 2005, o ex-pastor da
Vineyard Christian Fellowship e ministro associado da Global
Awakening, Gary Oates, pregou diante de uma multidão de mais de três
mil pessoas em uma grande igreja das Assembleias de Deus. A igreja
parecia um estádio de futebol em miniatura com aberturas gigantes nas
paredes em diversos níveis do prédio para permitir a entrada de ar. Nem
uma nuvem pairava no céu estrelado da noite quando chegamos à igreja.
Só o prateado de uma lua nova brilhava a sua saudação do céu, sem dar
qualquer pista do que estava reservado. Era a estação da seca. A poeira
soprava pelas ruas e se amontoava ao lado da estrada, e nas paredes das
casas que tinham vidro quebrado e arame farpado no topo para manter
os intrusos afastados. A cidade e as pessoas tinham calor, estavam
sedentas, e com medo umas das outras.
Gary pregou a respeito de Elias, o som da abundância da chuva, e sobre
orar com perseverança pela chuva da presença curadora de Deus. Elias,
Gary explicou, orou sete vezes por chuva, cada vez olhando para cima
para ver se uma nuvem do tamanho da mão de um homem apareceria e
derramaria uma abundância de chuva sobre as pessoas, interrompendo a
seca. No final de sua história, ouvimos o som de abundância de chuva
levada pelo vento. De repente, uma ventania forte soprou através das
janelas, circulando rapidamente no sentido anti-horário dentro do vasto
prédio. As palmeiras se dobraram e oscilaram, dançando extaticamente
com o vento do lado de fora. A presença palpável de Deus varreu a igreja,
e as pessoas se levantaram em forte clamor. Gary ficou em pé na
plataforma; seus braços erguidos bem alto acima de sua cabeça por cerca
de dez minutos, enquanto a chuva e o vento duraram.
Deus havia suspendido completamente as leis da natureza. A chuva não
apenas veio fora da estação em uma noite de lua nova e não de lua cheia
como eles viam tradicionalmente naquela região, como o vento do Seu
Espírito também soprou ali dentro. Uma mulher saiu do gabinete do
pastor onde um grupo de intercessores se reunira para orar. Ela e sua
família haviam sido missionários da Missão New Tribes naquela região
por mais de 21 anos. Antes de cair de joelho, ela disse: “Isto nunca
acontece. Isto é um verdadeiro milagre.”
A chuva continuou batendo na rua, mas as palmeiras finalmente pararam
de balançar. Apenas um vento leve soprava do lado de fora. Finalmente,
ele cessou e a audiência ficou em silêncio, pensando. Oates convidou as
pessoas a receberem a presença curadora do Senhor, dizendo que Ele
estava presente para curar. Realmente, Ele havia apenas ilustrado a Sua
mensagem com sinais e maravilhas. Centenas de pessoas receberam
curas instantâneas. Centenas mais receberam Jesus e foram salvas
naquela noite.
Você acredita nesta história? Eu sim. Eu estava lá, com uma equipe de
norte-americanos que podem confirmar este relato. O momento em que
percebi que eu testemunhava um milagre foi quando a missionária caiu
de joelhos reconhecendo que em mais de 21 anos vivendo naquela
região, aquilo nunca ocorrera. O grande número de pessoas recebendo
curas instantâneas se tornou um acontecimento miraculoso inegável que
ficou gravado indelevelmente na minha memória.
DEEM-LHES VOCÊS ALGO PARA COMER

As pessoas caminhavam quilômetros para ouvir Jesus. A maioria se


esquecia de levar suas garrafas d’água e de encher mochilas com lanches
e sanduíches. Talvez elas não pensassem que iriam se demorar por muito
tempo, mas as Palavras dele aqueciam o coração delas de uma maneira
estranha, e elas permaneciam. Algo no que Ele dizia e a maneira como
Ele falava elevava a fé delas. E então os milagres começavam a acontecer.
Ninguém queria ir embora. Mas os discípulos começaram a ficar com
fome e encorajaram Jesus pelo menos em uma ocasião a enviar as massas
embora para um intervalo de almoço.

Respondeu Jesus: “Eles não precisam ir. Deem-lhes vocês algo para comer”
(Mateus 14:16, NVI).

Os discípulos recolheram cinco pães e dois peixes. Então eles se voltaram


para contar a multidão. Pelo menos cinco mil homens, com inúmeras
mulheres e crianças, os cercavam. De repente, eles perceberam que
haviam testemunhado Jesus transformar água em vinho. Por que não
transformar aquele almoço escasso em um banquete para milhares? Eles
partiram o pão e o peixe e continuaram caminhando pela fila, passando
um pedaço de cada até que todos tivessem algo para comer. Atrás deles,
algumas pessoas se moviam também, pegando os pedaços menores de
pão, recolhendo-os em cestos de sobras. Dentro de horas todos sabiam
que testemunhavam um milagre de provisão sobrenatural.
Jesus não apenas alimentou todos eles, como houve sobras; pelo menos
um cesto cheio para cada discípulo comer. Era como se Jesus estivesse
dizendo a eles: “Vocês alimentam as massas, e eu alimentarei vocês. Não
se preocupem com o que vocês vão comer, porque eu sei o que vocês
precisam. Simplesmente peçam. Comecem a ignorar o que estão vendo
na esfera natural a fim de receber o que é sobrenatural.”
Jesus multiplicou comida para as massas duas vezes no relato de Mateus.
Ainda assim, os discípulos não entenderam. “Onde vamos conseguir pão
suficiente para alimentar essa multidão?” eles perguntaram a Jesus
enquanto pessoas recém-curadas, que antes eram mancas, dançavam em
torno deles e os que antes eram surdos riam e gargalhavam de alegria, e
as pessoas que antes eram cegas na multidão quebravam suas bengalas
com a ponta branca nos joelhos e choravam de alívio ou gritavam com
grande alegria, e aqueles que não podiam falar uma palavra praticavam
murmurar e formar palavras, compensando o tempo e as conversas
perdidas.
Os discípulos estavam em um campo de milagres e esqueceram que Jesus
está preocupado com a pessoa por inteiro — com a necessidade de cada
um de saúde espiritual, emocional e física, assim como com a sua
necessidade diária de alimento. Os discípulos reuniram sete pães e dois
peixinhos e ingressaram em outro milagre — o milagre de alimentar a
multidão com pouco mais do que um homem podia segurar em suas
mãos, alguns pães e dois peixes. Porém todos eles comeram e ficaram
satisfeitos. O Deus que cura é o Deus que supre alimento em abundância.
Mas ainda assim, Jesus advertiu Seus discípulos de que eles eram aqueles
que deviam alimentar os famintos — sobrenaturalmente.
Os missionários e as organizações de socorro enviam toneladas de
alimentos todas as semanas para regiões remotas a fim de alimentar as
vítimas da fome causada pela seca, pelas práticas agrícolas ruins, e pelas
inundações. Às vezes, o alimento não chega ou é redirecionado para
outro local. Em alguns dias, os missionários ficam chorando lágrimas de
desespero, ao enfrentarem as massas de crianças famintas, sabendo que
não têm nada — nem mesmo um pedaço de pão para seus próprios filhos
comerem. E eles se voltam para Jesus e dizem: “Onde conseguiremos pão
suficiente para alimentar tamanha multidão?”
Uma mulher, Heidi Baker, missionária em Moçambique, sabe a resposta
para esta pergunta. Ela está ali há muito tempo, e ao longo dos anos ela
aprendeu a não chorar de desespero, mas a se alegrar, sabendo que seu
Pai sempre supre. Quando as visões, os sons e as lágrimas humilhadas
das massas a abatem; quando milhares se colocam diante dela em busca
de comida; quando as doenças avassaladoras, as feridas abertas e os
cheiros da morte a atacam, ela redireciona sua atenção para a face de
Jesus.
“Simplesmente olhe para o Seu rosto. Você só conseguirá ir até o fim se
puder focar no Seu rosto. Concentre-se no Seu belo rosto. Você não pode
alimentar os pobres, você não pode ir para as ruas, você não pode ver
nada acontecer a não ser que veja o Seu rosto. Um olhar nos olhos dele, e
temos tudo que é preciso.”1
Uma vez, quando o seu Ministério com as Crianças de Chihango, em
Maputo, enfrentou uma grave perseguição, toda a equipe tinha 48 horas
para deixar seus prédios e sair da cidade. E assim eles trabalharam sem
parar por 48 horas para tirar tudo que podiam, para que as coisas não
fossem confiscadas ou roubadas quando eles partissem. Eles não faziam
ideia do que fazer também. E assim, mais de cem crianças seguiram Heidi
e Roland Baker até a porta do pequeno apartamento deles; algumas se
espalharam pela casa, enquanto outras ficaram com o rosto pressionado
contra o portão, apenas em pé ali.
Na verdade, os dois filhos dos Bakers estavam em meio ao caos e à
exaustão, tão sobrecarregados quanto seus pais. Heidi olhou para a
multidão de crianças dentro de sua casa e para as outras que enchiam a
rua, e achou que ia surtar. Ela não tinha nem comida, nem panelas para
cozinhar a quantidade de alimento que aquelas crianças precisavam. Foi
então que uma mulher da embaixada dos Estados Unidos do outro lado
da rua bateu na sua porta. Ela pensou que iria apenas parar ali com um
pequeno jantar para os Bakers e dar a eles um pouco de chili com arroz
— o suficiente para eles quatro.
Heidi disse: “Não tínhamos comido havia dias. Abri a porta e mostrei a
ela todas as nossas crianças. ‘Tenho uma grande família!’, indiquei,
cansada mas em total e desesperada sinceridade. Minha amiga ficou
séria. ‘Não há suficiente. Tenho de ir para casa e cozinhar um pouco
mais!’ Mas eu apenas pedi que ela orasse pela comida... Começamos a
servir e, desde o começo, dei um prato cheio a cada um. Fiquei estupefata
e impressionada. Eu mal entendia naquela época a maravilha do que
estava acontecendo. Mas todas as nossas crianças comeram, minha
amiga comeu, e até a nossa família de quatro pessoas comeu... Porque Ele
morreu, sempre há o suficiente.”2
De acordo com os relatos adicionais que foram feitos pela equipe e
voluntários que trabalharam com o ministério dos Bakers, a
multiplicação de alimentos ocorreu mais de uma vez. Muitas pessoas
testemunharam esses milagres pessoalmente.

RESSUSCITANDO OS MORTOS

O profeta Elias hibernou na casa de uma viúva, esperando pelo momento


da seca terminar. Grato por Deus ter se movido milagrosamente em favor
de uma viúva, ele não apenas tinha um lugar para ficar, como recebeu o
milagre progressivo da multiplicação de alimento quando havia pouco.3
Um dia, o filho da viúva morreu; e com a sua morte, a viúva percebeu que
não havia ninguém que pudesse sustentá-la na sua velhice, ninguém para
consolá-la. Elias, movido pelo Espírito de Deus, estirou-se sobre o
menino, orou por ele, soprou vida de volta nele, e devolveu-o,
perfeitamente vivo e bem, à sua mãe.
Mais tarde, o seu sucessor profético, Eliseu, foi chamado para ressuscitar
o filho de sua benfeitora dos mortos.4 A sua fé havia sido elevada pelo
sucesso de seu predecessor em ressuscitar os mortos. E, tendo aprendido
com o modelo de Elias, certa técnica de oração para ressuscitar os
mortos, Eliseu pôs mãos à obra. E o filho da mulher voltou para se juntar
à terra dos viventes.
Séculos depois, Jesus veio à cidade. Ele conhecia as histórias de Elias e
Eliseu, mas parecia relutante em empregar as técnicas que eles usaram.
Ele decidiu quebrar o molde e ensinar ao povo que a verdadeira
autoridade transcende a técnica. Ele provavelmente ouvira certos
médicos da cidade debaterem com os fariseus com relação aos méritos
de um mero toque ou ordem, o que certamente demonstraria a
autoridade de um profeta maior. Os resmungos dos inteligentes,
especulando que as histórias do antigo profeta pareciam simples relatos
de ressuscitação boca a boca, provavelmente também chegaram até
Jesus.
Quando se lhe apresentou a oportunidade de ressuscitar uma garotinha
dos mortos, Jesus, sabendo que Ele é o Profeta de todos os profetas, o
próprio Filho de Deus, simplesmente orou e trouxe a menina de volta à
vida.5 O povo reagiu desde o começo ao espectro da credulidade —
alguns disseram que a criança nunca morreu, enquanto outros gritavam
de um telhado a outro, devido ao milagre da ressurreição, passando a
história por todo o país.
Mais tarde, Jesus viu um caixão passando e uma viúva com o coração
partido chorando por seu filho que estava dentro dele.6 Com certeza, se
Jesus ressuscitou aquele homem dos mortos, a multidão não podia dizer
que ele não havia morrido. Afinal, ele já estava em um caixão a caminho
da cerimônia do enterro. Assim, impelido pelo Espírito Santo, Jesus
ordenou que a vida voltasse ao corpo do homem e seguiu feliz o Seu
caminho.
Ainda assim a sociedade debatia com fúria a autenticidade dos milagres.
Desta vez, os fariseus e médicos provavelmente disseram: “O primeiro foi
questionável — afinal, havia poucas pessoas no quarto com Jesus quando
Ele supostamente ressuscitou a menina dos mortos, ou, mais
provavelmente, despertou-a do seu sono. O segundo foi um pouco mais
realista, mas ainda assim, o homem estava supostamente morto havia
menos de 24 horas. Pode ter sido obra do acaso. Talvez Jesus o tenha
ouvido bater de dentro do caixão, querendo sair. Então Ele interrompeu
a procissão quando percebeu que os gritos da mãe abafavam o barulho
das batidas e fingiu ressuscitá-lo dos mortos simplesmente abrindo o
caixão. O que quero ver é esse homem, Jesus, tirar um cadáver
repugnante e malcheiroso de um túmulo e trazê-lo de volta à vida. Então
acreditarei que Jesus pode de fato, ressuscitar os mortos”.
E assim, quando Lázaro morreu, Jesus esperou. E esperou. E esperou até
o quarto dia, quando o cadáver estava repugnante pelo apodrecimento e
a decomposição. Logo antes do milagre do século se realizar, Ele se
voltou para Maria e proclamou: Eu Sou a ressurreição e a vida...7 Então,
Jesus chamou Lázaro, um homem inegavelmente morto, do seu túmulo,
enquanto um grupo de fariseus observava, de boca aberta, tremendo,
enquanto o temor de Deus percorria suas veias.
Agora, não acredito que Jesus tenha feito milagres apenas para aparecer,
ou que Ele achasse que tinha de provar alguma coisa a alguém,
principalmente aos fariseus de Sua época. As ressurreições que Ele
realizou foram precursoras da Sua própria ressurreição. Os milagres
testificavam da verdadeira autoridade de Jesus e da mensagem da
salvação. Eu os uso aqui para revelar quanto tempo leva para que o
nosso “intelecto” e o nosso ceticismo finalmente creia que Deus nos
enviou modelos e mentores e o Seu próprio Filho para nos mostrar que,
nós, também, temos esse poder inigualável residindo dentro de nós —
poder para curar enfermos, expulsar demônios e ressuscitar mortos.8
Alguns crentes já estão captando a mensagem. Eles estão andando no
entendimento de que eles, também, podem orar com o poder da
ressurreição porque dentro deles vive Aquele que é a ressurreição e a
vida, Aquele que disse: Tudo o que vocês pedirem em oração, creiam que
já o receberam.9 Até nos nossos dias, mulheres estão recebendo de volta
os seus entes queridos dos mortos e crianças estão sendo restauradas e
recebendo um futuro e esperança, à medida que a fé deles move o céu.
Reinhard Bonnke, um conhecido evangelista internacional, estava
pregando em uma igreja na Nigéria, completamente inconsciente do
milagre que se desenrolava em uma sala próxima da igreja — um homem
que estava declaradamente morto voltara à vida por meio das orações de
muitos. Mais tarde, seu ministério, Christ for All Nations (Cristo para
Todas as Nações), recebeu uma filmagem dramática do acontecimento
em vídeo.10 Os rostos daqueles que oravam, as lágrimas e gritos de
choque daqueles que testemunharam o fôlego de vida voltar ao homem,
o longe e lento processo de massagear o rigor mortis dos membros do
homem, revelou um milagre em formação. O que me impactou quando
assisti ao DVD que foi lançado pelo ministério de Bonnke foi o olhar no
rosto do homem morto quando ele voltou à vida, confuso e perplexo. A
história do homem foi mais ou menos como o descrito a seguir.
Um pastor nigeriano, Daniel Ekechukwu, fora ferido fatalmente em um
acidente de carro próximo à cidade de Onitsha, na Nigéria, África, em 30
de novembro de 2001. Durante uma jornada dramática até um hospital
em Owerri, Nigéria, ele perdeu todos os sinais vitais e foi posteriormente
declarado morto por dois membros diferentes da equipe médica em dois
hospitais diferentes. O último fez um relatório médico e enviou o cadáver
para a funerária.
A funerária nigeriana primitiva para onde o corpo de Daniel foi levado
não tinha instalações de refrigeração, de modo que o agente funerário
injetou produtos químicos para embalsamamento em Daniel.
Mas a esposa de Daniel se lembrou de um versículo de Hebreus 11:
“Mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos.” Ela ouviu falar
de uma reunião onde o evangelista Reinhard Bonnke iria pregar, e
providenciou para que o corpo de Daniel fosse colocado de volta em seu
caixão.
A essa altura, Daniel estava morto havia mais de 28 horas. O rigor mortis
tinha se instalado por completo. Uma ambulância foi chamada no
domingo pela manhã, 2 de dezembro, e o caixão contendo o corpo de
Daniel foi levado até a Missão Grace of God em Onitsha, onde o
evangelista Reinhard Bonnke estava pregando em um culto à tarde.
A segurança não queria deixar nem a ambulância nem os acompanhantes
entrarem na igreja. Ela criou tamanho tumulto que o pastor veterano foi
notificado, e seu filho instruiu que a esposa de Daniel fosse autorizada a
levar seu corpo para a igreja sem o caixão, e que ele fosse colocado no
porão. O corpo de Daniel foi colocado sobre duas mesas juntas em uma
sala de escola dominical.
Alguns crentes se reuniram em torno do corpo de Daniel e oraram
enquanto Reinhard Bonnke, que nada sabia sobre o corpo no porão,
pregava e orava. Finalmente, as pessoas observaram que o corpo de
Daniel se agitou, e depois teve início uma respiração irregular. Os crentes
que estavam presentes começaram a orar fervorosamente, e devido ao
fato de seu corpo estar rígido e frio, eles começaram a massagear seu
pescoço, braços e pernas. Quando as pessoas no santuário ficaram
sabendo que um homem morto na parte de baixo estava voltando à vida,
logo a sala no porão ficou lotada de pessoas. De repente, Daniel espirrou
e levantou-se de um salto. E ele lentamente voltou à consciência.
Muitos outros missionários, como Heidi e Roland Baker e David Hogan, e
pastores indígenas em todo o mundo, têm histórias semelhantes de
pessoas mortas voltando à vida nas regiões onde eles ministram. Alguns
deles têm visões do céu e do inferno e voltam não apenas com um
testemunho impressionante de ressurreição, mas com uma mensagem e
um chamado de vida também. Outras são simplesmente devolvidas aos
seus pais que sofrem. À medida que a fé aumenta, também aumentam os
relatos de milagres. Mas em lugares onde o ceticismo é abundante e a
visão racional do mundo ocidental prevalece, e onde as pessoas
acreditam na santidade absoluta da profissão médica que dá
diagnósticos para mais doenças do que pode curar, vemos pouco na
forma de milagres dramáticos. Por quê? Mateus 13:58 nos dá uma pista:
“E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles.”

MILAGRES DE CURA
Existem lugares na América do Norte onde os milagres de cura médica
são abundantes. Na verdade, o movimento de cura passou a estar tão
integrado às igrejas carismáticas e pentecostais que a maioria das igrejas
vê pelo menos um milagre ou dois por ano. Algumas igrejas
experimentam muitos mais. Os evangelistas de cura e as vozes proféticas
em toda a nação preveem que nas próximas duas décadas haveremos de
nos sentar reverentes e maravilhados diante do vasto número de curas,
milagres, sinais e maravilhas que gritarão ao mundo que Jesus está vivo e
bem e que o Espírito Santo está vindo.
Nesse meio-tempo, alguns pioneiros de cura concentram-se em liberar a
cura na retaguarda da batalha, dedicando-se a reunir documentação de
milagres de cura autênticos enquanto avançam. Eles são aqueles que
realmente sabem que os dons do Espírito Santo são para todos. A cura
não depende da fé de quem ministra nem a salvação de uma pessoa
depende da fé do evangelista. Os dons de Deus podem ser liberados por
intermédio de qualquer pessoa.
Mahesh e Bonnie Chavda, pastores da All Nations Church na Carolina do
Norte, são pioneiros em evangelismo de cura que documentam e atestam
as curas que ocorrem regularmente em suas reuniões. O segredo do
sucesso deles está em saber que Jesus deseja curar, que a expiação dele
fez provisão para a nossa cura, e que a Igreja, como coletivo, tem a
responsabilidade de ministrar uns aos outros em amor. Eles chamam a
igreja deles para orar e jejuar por uma maior liberação de cura sobre
seus membros, e o resultado é que eles veem resultados contínuos.
Um artigo que escrevi sobre eles para a revista Charisma revela a história
de uma família cujo filho foi curado de um problema neurológico
chamado síndrome de Tourette, depois que a igreja convocou um jejum
coletivo em favor do menino.11
Peter e Monica Floyd descobriram o poder dessa unção coletiva quando a
igreja colocou seu filho Michael no topo da sua lista de oração e convocou
os membros para um jejum de 21 dias. Michael havia sido diagnosticado
com a síndrome de Tourette, um problema neurológico que gera tiques
de ordem oral e motora e inclui sintomas de Distúrbio Hiperativo por
Déficit de Atenção e tendências obsessivo-compulsivas (pensamentos e
comportamentos repetitivos que a pessoa não consegue controlar).
Durante seis anos, os tiques de Michael pioraram até que ele passou a ter
um quase a cada segundo e teve de ser retirado da escola. Ele passou por
turnos de medicamentos para corrigir os sintomas, mas eles geravam
aumento de peso rápido ou emagrecimento como efeitos colaterais. A
certa altura, Michael não podia mais engolir ou respirar.
“Depois de quase quatro anos indo a muitos especialistas e conselheiros
diferentes, estávamos esgotados”, diz Peter. “A igreja já fizera muitas
orações por nós, mas eles decidiram orar e jejuar por 21 dias.”
Não muito depois do término do jejum, os Floyds estavam sentados para
jantar quando Peter olhou para seu filho e disse: “Ei, não vimos nenhum
tique”, ele relembra.
“Aqui em casa havíamos nos acostumado com eles e não sabíamos o
exato momento em que eles pararam”, ele continua. “Foi uma questão de
semanas até nos darmos conta de que eles tinham desaparecido por
completo.”
O pediatra dele acredita que a cura de Michael é um milagre. Mas os
especialistas dizem que Michael poderia estar simplesmente em um
período de remissão, e pediram aos Floyds para retirar lentamente os
medicamentos que ele estava tomando. Já faz um ano desde que Michael
retirou toda a medicação e os tiques não voltaram.
Mahesh diz sobre as curas como a de Michael que estão ocorrendo na
igreja: “A comunidade está sendo treinada para amar e dar as boas-
vindas à unção e a honrar o Rei da glória. Quanto mais aprendermos a ter
graça coletiva, melhor será.”
Kathryn Kuhlman, a principal evangelista de cura do século XX, fez mais
para desafiar a incredulidade de uma nação do que qualquer evangelista
do nosso tempo. Para cada médico que atestava e documentava que Deus
curara alguém de alguma coisa que a comunidade médica era impotente
para curar, outro médico se levantava incrédulo. No entanto, os números
fantásticos de milagres de cura documentados que ocorriam durante
suas reuniões criaram uma atmosfera de fé que fez muitos acreditarem
que Deus é compassivo e poderoso. Ainda assim, ela acreditava que ela
não era quem curava. Ela não tinha a capacidade para gerar um milagre.
Era o Espírito Santo — que está disponível a qualquer um que peça. Seu
biógrafo escreveu isto sobre o segredo do sucesso de Kathryn — que ela
simplesmente reconhecia o que Deus estava fazendo; o poder não era
dela.
O dom de Kathryn no culto de milagres não era o dom de cura, mas sim
os outros dons que o apóstolo Paulo enumerou em sua carta à igreja de
Corinto — “fé” e “palavra de conhecimento” (1 Coríntios 12:1). Kathryn
não era uma “curadora”. Os “dons de cura”, sobre os quais Paulo falou,
Kathryn acreditava, apenas vinham aos enfermos. Eram os enfermos que
precisavam do dom de cura. Tudo que Kathryn tinha era fé para crer e
uma palavra de conhecimento com relação a onde aquele dom havia sido
concedido. Por esse motivo, ela dizia sem parar: “Não sou eu quem cura.
Não tenho poder de cura. Não tenho virtude para curar. Não olhem para
mim. Olhem para Deus.”
Mas durante aqueles cultos de milagres, quando a onda de fé se erguia e
a presença de Deus realmente invadia o prédio — habitando nos
louvores do Seu povo — Kathryn podia de repente começar a reconhecer
as curas que estavam ocorrendo no auditório. Essa era a marca
registrada do culto de milagres. Seus críticos a chamavam de
“paranormal”. Allen Spraggett do Toronto Star disse que ela era
“clarividente”. Kathryn, porém, sabia que era simplesmente o poder do
Espírito Santo, que estava disponível a qualquer pessoa que quisesse
pagar o preço.12
Todas as igrejas em toda parte e todas as pessoas que estão abertas ao
Espírito Santo estão destinadas a ver milagres, e elas são capazes de
liberar milagres de cura a outros. Quer Deus venha em um grande
movimento de poder que libera toneladas e toneladas de curas
milagrosas em toda uma região ou não, todos nós temos o Espírito Santo
que deseja que estendamos nossos corações e nossas mãos a outros e
que façamos a oração da fé que diz: Seja curado, em nome de Jesus Cristo.
Quanto mais pessoas fizerem isso, mais milagres serão vistos nas nossas
comunidades. O dom de cura, como Kathryn disse, não depende do nosso
poder, mas do dele.

ALÉM DA NOSSA REALIDADE — OU NÃO?

Se simples seres humanos podem fazer os mesmos milagres que Jesus


fez — como curar os enfermos, expulsar demônios, ressuscitar mortos —
e quanto às coisas estranhas que Jesus fez? Podemos fazê-las também?
Esperamos que um fantasma ou o corpo ressuscitado de Jesus fosse
capaz de passar por uma porta fechada na Terra (ver João 20:19, 26).
Mas não é estranho que o Seu corpo natural aparentemente tenha se
desmaterializado quando Ele passou por uma nuvem sem ser visto e sem
ser tocado, como se ninguém pudesse ver ou sentir a Sua forma física?
Poderíamos fazer isso também, em uma situação extrema, quando uma
multidão está pretendendo nos prender e matar?
Não é estranho que o Seu corpo ressuscitado possa assumir uma forma
irreconhecível (ver Marcos 16:12) e andar sobre a Terra? E não é incrível
que Ele possa entrar em um ser humano na Terra e se tornar “Cristo em
nós”? (2 Coríntios 13:5).
E quanto a Jesus deixar Pedro andar sobre as águas sem um colete salva-
vidas (ver Mateus 14:25-30), podemos fazer isso também? Bem, então,
por que não voar de um lugar para outro sem um avião ou um carro
quando o Senhor o desejar? Se Deus pode dividir o Mar Vermelho, como
está relatado no livro de Êxodo, por que um homem não pode dirigir o
seu carro debaixo da água, através de um rio violento, em segurança até
o outro lado? Ou voar com a sua motocicleta de um penhasco, ao fugir de
terroristas na selva e de repente descobrir que foi transladado
milagrosamente por uma grande distância até uma estrada muito
próxima da sua casa?
Jesus é Senhor de todos (ver Atos 10:36). Todas as coisas estão sujeitas a
Ele (ver Efésios 1:22). Coisas estranhas, até coisas bizarras, estão
completamente dentro da Sua esfera de autoridade. Afinal, Ele é o
Criador do universo. O universo ainda se dobra à Sua vontade.
Mas será que você irá se dobrar em submissão à vontade dele? Deseje
acreditar e deixe a sua incredulidade dar lugar à fé — a fé que vê e
recebe as coisas maiores — coisas que você não pode sequer imaginar.
NOTAS

1. Roland e Heidi Baker, Always Enough: God’s Miraculous


Provision Among the Poorest Children on Earth (Grand Rapids,
MI: Chosen Books, 2002), 176-177.
2. Baker and Baker, Always Enough, 52
3. 1 Reis 17.
4. 2 Reis 4.
5. Marcos 5.
6. Lucas 7.
7. João 11:25.
8. Mateus 10:8.
9. Marcos 11:24
10. Para maiores informações, o DVD pode ser obtido junto ao
ministério Christ for All Nations
11. Julia Loren, “Anointed to Heal”, Revista Charisma, janeiro de
2006.
12. Jamie Buckingham, Daughter of Destiny (Gainesville, FL:
Bridge-Logos, 1999), 226-227.
CAPÍTULO 12
VISLUMBRES DO QUE ESTÁ POR VIR

por JULIA LOREN

Um dia, os céus se abrirão para os cristãos e não cristãos igualmente —


na rua, e não apenas na igreja ou em uma conferência. A presença
manifesta de Deus será tão palpável que as pessoas serão curadas em um
instante e os demônios fugirão; e anjos aparecerão e se moverão entre
nós, liberando palavras, visões e direções enquanto ficamos atônitos e
boquiabertos porque o céu desceu à Terra. As pessoas tremerão e cairão
sob o poder de Deus quando os cristãos liberarem o Reino de Deus nos
locais de trabalho e restaurantes de suas cidades. Os estádios e lugares
públicos serão cheios de pessoas pregando e liberando o poder de cura.
As agências do governo em todo o mundo se abrirão enquanto os que
fazem política gritarão: “Tragam aquele cristão aqui — preciso de uma
palavra profética de sabedoria.”
Isto é realmente um vislumbre do que está por vir quando as dimensões
sobrenaturais do céu invadirem a Terra? Ou os profetas extremos estão
apenas abrindo a boca tentando fazer sensacionalismo com a fé e
alimentar um pouco mais de expectativa?
O Reino de Deus está muito próximo; ele está tão próximo quanto as
batidas do seu coração. As experiências que acabo de mencionar
aconteceram e estão acontecendo. Precisamos apenas olhar para dentro
e entender que Cristo está em nós e que podemos liberar a Sua presença,
a Sua luz, a Sua autoridade sobre a doença e a enfermidade, e todos os
principados, potestades e governos desta era se curvarão a Ele. Só
precisamos estender a mão e tocar o mundo com a presença de Deus em
nós.
O que será necessário para elevar o nível da nossa fé para estar
compatível com a Sua Palavra?
E se Deus de repente entrasse nas reuniões carismáticas e evangélicas,
criando uma fusão entre o Espírito de Deus e o espírito do homem que
nos levasse todos a um abandono mais profundo de nós mesmos e
fizesse que explodíssemos de amor e poder sobrenaturais? E se todos
nós nos tornássemos encontros espirituais ambulantes para os
incrédulos? E se liberássemos a presença de Deus e irradiássemos Cristo
em um mundo em trevas? Você resistiria a esse mover? Ou você o
abraçaria?
A que proximidade você quer estar da fogueira do amor de Deus e ter
experiências espirituais que você jamais sonhou ter? Tudo começa com
uma revelação maior do poder da Palavra de Deus. E avança para
encontros dinâmicos com o Espírito Santo que edifica a nossa capacidade
de desejar mais dele e diminui o nosso foco em nós mesmos.

EXPERIÊNCIAS SOBRENATURAIS LIBERADAS ATRAVÉS DO PODER


DA PALAVRA DE DEUS

O lugar mais próximo para o qual você pode se voltar para ter uma
transferência da revelação e um encontro instantâneo com Deus é a
Palavra de Deus. A Sua Palavra é viva e ativa, e ela ministra a você
enquanto lê. A Sua Palavra pode parecer um martelo que quebra o
coração mais duro um dia. E no dia seguinte, a Sua Palavra flui para
dentro de você como um bálsamo suave, apaziguando a sua dor mais
profunda.
Um amigo meu aventurou-se passar alguns meses em um monastério
depois que sua esposa morreu a fim de buscar consolo em um retiro
silencioso. O seu único contato era um monge que lhe dava direção
espiritual todas as manhãs. O monge aconselhou-o a ler certa passagem
dos evangelhos e entrar ali na sua imaginação enquanto lia. “Ande com
Jesus, ouça-o dirigir-se ao povo, imagine a cena, as visões, os aromas, o
povo. Peça a Deus uma revelação mais profunda da Sua Palavra e da
palavra que Ele está lhe dizendo por meio dessa passagem”.
Meu amigo pegou a passagem e meditou nela diariamente. Em princípio
ele analisou o significado teológico e simbólico que encontrou ali. Depois
ele ousou aventurar-se um pouco mais e considerar como era Jesus,
como a compaixão se levantava dentro dele, levando-o a tocar as massas
e a curá-las. E à medida que a semana passava, ele descobriu que seu
coração assumiu o comando e que a história tornou-se viva para ele.
No último dia do seu retiro, enquanto meditava na passagem, ele sentiu
que entrou em um estado de sonolência, como em um sonho, e viu o
Senhor se voltar, tomá-lo em seus braços, e liberar o calor do Seu abraço.
De repente, ele sabia que de algum modo a sua imaginação dera lugar a
uma visão em que Jesus o retirou da multidão, fez sinal para ele, e o
deixou chorar em Seu ombro. Depois, ele percebeu que Jesus sempre
estaria ao lado dele, sempre esperando que ele se afastasse da multidão e
passasse um instante com Jesus. Jesus agora parece tão próximo a ele
quanto as batidas do seu próprio coração.
Entrar em tamanha proximidade com a Palavra o levou a ter um
encontro que o capacitou a adquirir uma perspectiva diferente da
natureza de Deus. E a mudança de perspectiva foi esta — Jesus não era o
bicho-papão que levou o amor de sua vida. Em vez disso, Ele é um Amigo
compassivo que chora quando ele chora e que ri com ele, e que fica ao
seu lado para andar e falar com ele para que ele nunca esteja só.
O Espírito Santo fala por intermédio da Palavra e nos dá revelação das
profundas verdades que estão ocultas na Palavra. Se quisermos
aumentar a nossa capacidade de ter encontros autênticos com Deus,
experiências espirituais e revelação, nós devemos passar tempo com a
Sua Palavra.
De acordo com R. T. Kendall, em seu livro, The Anointing:

... Deus nos deu a Bíblia ontem. Mas o Espírito Santo a aplica hoje. E se
estivermos abertos ao testemunho imediato e direto do Espírito, a Bíblia será
duplamente real para nós.
... O Espírito Santo continua a falar — clara, direta e imediatamente através
da profecia, da palavra de conhecimento, da visão, e de uma voz audível.
Mas Ele nunca, nunca, nunca entrará em conflito ou irá contradizer
qualquer coisa na Bíblia, mas apenas a tornará mais clara!
O Espírito Santo falando hoje não é uma nova revelação nem está
competindo com a Bíblia. A prova da voz do Espírito Santo ou da
manifestação dele será o fato de que Ele engrandecerá e defenderá a Bíblia.1

Dedique tempo para meditar em uma passagem da Bíblia e convide o


Espírito Santo para liberar revelação acerca da natureza de Deus, o Seu
caráter, e os Seus pensamentos sobre você. Você pode ser projetado a ter
uma visão extraordinária de quem Ele é para você hoje.

EXPERIÊNCIAS SOBRENATURAIS LIBERADAS ATRAVÉS DE UMA


REVELAÇÃO DA GLÓRIA DE DEUS
Moisés encontrava-se face a face com Deus, que descia em uma nuvem de
glória que envolvia a tenda da congregação. E o seu rosto irradiava a
presença e o amor de Deus por muito tempo depois disso. Séculos
depois, Jesus subiu para a glória. Hoje, Ele está liberando e transferindo
esta glória cada vez mais, nos transformando, ampliando as nossas
capacidades de ver e entender mais dele. “E todos nós, com o rosto
desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos
transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo
Senhor, o Espírito.”2
Qual é o nível de glória com o qual você consegue lidar atualmente?
Não apenas somos limpos e purificados em glória (ver Isaías 6:5), como
estamos sendo transformados à semelhança dele. Estamos destinados a
ser transformados “de glória em glória”. Estamos destinados a mudar
enquanto contemplamos diretamente o seu rosto e adoramos o Rei da
glória. Lentamente, ao longo dos anos, entramos na Sua presença e
descobrimos que a nossa velha natureza vai cedendo lugar, enquanto nos
tornamos pessoas que fomos criados para ser. Mas algumas vezes Deus
acelera o processo e desce em uma nuvem de glória que faz que
irradiemos a presença e o amor de Deus por muito tempo depois.
De acordo com o avivalista canadense Todd Bentley, fundador do
Ministério Fresh Fire:

A mesma palavra para permanecer e glória ocorre mais de 50 vezes somente


no livro de Êxodo e todas as vezes se referindo à glória Shekinah permanente
que você pode tocar, provar, ver, sentir e experimentar na esfera natural.
Todas as vezes que Moisés entrava na tenda da congregação, a nuvem de
glória estava ali (Números 20:6). Todas as pessoas testemunhavam a glória.
Elas podiam vê-la no tabernáculo como uma nuvem e como uma coluna de
fogo. Creio que quando prepararmos o santuário da maneira que agrada a
Deus, Ele derramará a Sua glória e permanecerá na nossa presença tão
intensamente que nem sequer teremos de dizer coisa alguma. Acredito que
existe um lugar onde a glória de Deus pode se tornar tão manifesta que
quando andarmos pelas ruas, os enfermos haverão de ser curados e quando
entrarmos em uma fábrica os incrédulos haverão de ser salvos. Quando nos
sentarmos no trem a presença e a glória permanecerá em tal medida que
todo o trem será salvo!3

Assim como Moisés, precisamos encontrar a glória de Deus primeiro, a


fim de nos tornarmos portadores da Sua glória. Os maiores e mais puros
encontros reveladores e experiências espirituais ocorrem quando você
se encontra em uma atmosfera repleta da glória de Deus. Precisamos
buscar a Sua face, orar por uma liberação da glória de Deus, e abraçá-la
quando ela vier. Então, enquanto nos deleitamos na Sua glória, Cristo em
nós, a esperança da glória, poderá transbordar por nosso intermédio
para o mundo.

TORNANDO-SE UMA EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL QUE LIBERA O


BRILHO DA SUA PRESENÇA

Em Cristo e na Sua Palavra, não há sombra de variação, não existem


matizes variáveis de luz e trevas. Nele há luz. Ele é a luz do mundo. E nós
somos a luz do mundo. Estamos destinados a nos tornarmos
experiências espirituais ambulantes, para que o mundo encontre Deus
em nós, a esperança da glória. Permanecendo na tenda da congregação
plenos de glória, nossos rostos irradiam o Seu amor e o céu toca a Terra
por nosso intermédio.
Muitas vozes apostólicas e proféticas dos nossos dias afirmam que
podemos liberar a Sua presença e a Sua glória agora mesmo. Os seguintes
relatos nos darão, de uma forma especial, as chaves que nos capacitarão
a nos tornarmos experiências espirituais ambulantes, liberando a Sua
glória por onde quer que formos:

James Goll: Um dia, quando eu estava “descansando” na presença do


Senhor, o Espírito Santo disse: “Quero ensiná-lo a liberar a maior arma
de guerra espiritual.” Continuei ouvindo, pois eu sabia que havia muito
mais... Ele continuou: “Vou ensiná-lo a liberar o brilho da Minha
presença.” Em um instante, pareceu que todo o debate teológico sobre as
questões da guerra espiritual foi respondido, Qual é a sua maior arma?
Ora, Ele é!... Ele quer que sejamos guardiões para podermos liberar o
brilho da Sua grande presença!4

Mark Chironna: Não estamos tentando entrar no Santo dos Santos,


estamos lá. Precisamos liberá-lo na atmosfera. Estamos vivendo de
dentro para fora. Quanto mais você entende Deus, tanto menos você tem
uma consciência de separação. Eu carrego a glória de Deus. Eu posso
liberar Deus em vez de esperar que Deus apareça.5

Kim Clement: Está vindo aí uma fusão entre Deus e o homem para que
nenhum homem seja visto — apenas Deus e a Sua glória.6

Bill Johnson: Jesus reconheceu que “virtude” saiu do Seu corpo quando
uma mulher tocou a orla de Suas vestes na sua necessidade desesperada
por cura. Na Porta Formosa, Pedro disse: ... o que tenho, isto eu te dou.
Jesus ensinou Seus discípulos ...de graça recebestes, de graça dai. O que
eles deviam dar? O que foi extraído do corpo de Jesus pela mulher? Foi a
unção — a presença manifesta do Espírito Santo.7

Uma das grandes alegrias de desfrutar a presença do Espírito Santo em


nossas vidas é aprender como Ele se move. À medida que aprendemos a
reconhecer o fluxo de vida por nosso intermédio, podemos aprender
liberar melhor a Sua presença em determinada situação. Podemos fazer
isso intencionalmente pela imposição de mãos, pela declaração e por
meio de atos proféticos (ações que são inspiradas pelo Espírito Santo,
mas que em si mesmas não têm relação com o resultado — i.e., Moisés
ferindo a rocha fez brotar água dela para Israel beber). Aprender a
liberar o Espírito Santo em situações específicas torna mais fácil para nós
vermos o que o Pai está fazendo, seguindo assim o exemplo que Jesus nos
deixou.
Em outras palavras, Deus está em nós e Ele quer sair! Deus está em nós e
Ele está vendo com medidas de glória cada vez maiores que nos
saturarão de tal maneira que parecerá que a presença de Deus e o
homem estão fundidos. Aprender a liberar o Espírito Santo para outros
será fácil à proporção que a unção da Sua presença fluir de nós.
É possível experimentar isto agora. Durante os últimos dois anos, entrei
em um entendimento maior do que essas vozes proféticas estão tentando
nos explicar. Elas são verdades que são mais captadas do que ensinadas,
e elas são aceleradas quando nos banhamos em uma atmosfera da Sua
presença.
Orar pelas pessoas na igreja e ver a presença e o poder de Deus moverem
em favor delas é normal para mim no meu meio cristão. Há mais de um
ano, porém, descobri, para a minha consternação, que eu estava
liberando a presença de Deus acidentalmente em meu local de trabalho e
que ela não queria parar. A dinâmica espiritual que me seguia enquanto
eu trabalhava em diversos contratos no exterior me impactou. Minhas
habilidades profissionais abriram portas para ministrar nos lugares onde
Deus me chamava — não no casulo da igreja ou no ninho de minha casa,
mas em meio a lugares muito sombrios na Europa e na Ásia. E sim, as
pessoas com quem eu falava eram salvas, libertadas, e tocadas pela
presença palpável de Deus e pelo Seu amor avassalador.
Na maior parte do tempo eles não sabiam que sou um cristão; até que
começavam a tremer e chorar e a me perguntar o que estava
acontecendo com as estranhas sensações que tinham no meu
“escritório”. Vi coisas impressionantes, enquanto Deus andava comigo e
se movia através de mim; e à medida que eu liberava as Suas palavras
proféticas e o Seu poder para os outros, ou eles simplesmente
descobriam que haviam entrado em uma “zona de poder da presença de
Deus” e reagiam à presença de Deus dentro de mim.
Enquanto trabalhava no exterior, tornei-me extremamente ciente de que
o que eu carregava dentro de mim instantaneamente e inegavelmente
transformava o ambiente que me cercava. Embora eu tivesse
experimentado isto em raras ocasiões no passado, agora, a Sua presença
não queria e não podia ser desligada sempre que eu saía para trabalhar.
O resultado foi a minha demissão imediata. Mas Deus cobre aquilo que
Ele inicia. O Seu amor pelos outros é tão grande, que Ele moverá céus e
Terra, varrerá para longe os “gigantes da terra”, e quebrará todos os
protocolos do homem, para tocar o coração daqueles a quem Ele quer
estender a mão naquele dia.
Uma vez que eu me dei conta do que estava acontecendo quando as
pessoas entravam na minha/Sua presença, percebi que eu podia liberar
intencionalmente a Sua presença para quem eu quisesse e aprendi a
“controlar” o Seu poder com maior eficácia. Entretanto, foi apenas
quando assisti a uma Conferência da Fusão8 em Albany, no Oregon, que
entendi plenamente o que estava acontecendo comigo e por meu
intermédio.
As percepções proféticas de Lance Wallnau que foram dadas durante
aquela conferência ajudaram a diminuir o meu medo, a esclarecer o meu
entendimento, e me ensinaram a dirigir o fluir da Sua presença com mais
eficácia. Eis os pontos-chave que obtive de Lance. Deixe que eles sirvam
como palavras proféticas de sabedoria, enquanto vislumbramos o que
está por vir:
Deus está nos enviando em missões e tarefas às quais não
queremos ir. Ele nos chama para liberar o céu nesses lugares. Os
profissionais podem fazer isso até mesmo em um dia ruim. Temos
autoridade para trazer ao presente o que vemos no futuro. O
maior peso de glória na Terra hoje está trazendo o céu à Terra.
Chegue ao lugar onde você não seja abalado [pelo que vê e ouve à
sua volta].
O que você está carregando muda o ambiente à sua volta. A
autoridade inferior se submete à autoridade superior. A pessoa
que tem o processo dominante pode assumir o controle da
frequência da sala ou do grupo. Os deprimidos ou irados afetarão
o grupo, ou você pode colocá-los sob a autoridade da unção que
está sobre a sua vida.
Temos uma “esfera do céu” do Reino. Ela está tão perto quanto a
sua mão. Atmosferas são coisas que você pode moldar, e não
coisas às quais você reage.
Estamos carregando a capacidade de liberar o sobrenatural.
Temos o reino dentro de nós — uma força de justiça, paz, alegria,
amor, poder e autoridade.9

Estamos carregando a capacidade de liberar o sobrenatural. Quando um


crente cheio do Espírito entra pela porta, a atmosfera muda! Temos o
Reino dentro de nós — a força da justiça, paz, alegria, amor, poder e
autoridade — e ela flui acidentalmente de nós nos momentos mais
estranhos e deslocam as forças internas e externas que prendem os
incrédulos em um ciclo de desespero.
A presença de Deus em mim e a esfera do céu me cercando eram
fortalecidos pelo tempo que eu passava em casa e na igreja, banhando-
me na presença poderosa de Deus. Durante todo aquele ano, eu voltava
para casa para me recarregar, e algumas semanas depois eu partia de
novo para a Europa ou Ásia e liberava a Sua presença em um mundo
escuro e faminto. Deus e eu nos fundíamos, enquanto eu me embebia na
Sua glória como uma esponja e a espremia sobre qualquer pessoa que
estivesse próxima. Cristo em mim ficava mais forte e liberava a
esperança da glória sobre outros, com ou sem o meu consentimento
consciente.

ADVERTÊNCIAS SOBRE AS MANIFESTAÇÕES VARIÁVEIS DA GLÓRIA

Com que quantidade de glória você pode lidar atualmente? Aprender a


lidar com a glória de Deus também envolve estar ciente do quanto é
perigoso manipular a glória de Deus ou tentar glorificar a nós mesmos
quando usamos a nossa autoridade para liberar Sua presença e poder.
O ministro profético Rick Joyner nos faz duas advertências que chamam
a atenção para a facilidade que o inimigo pode mudar as sombras de
confusão e trevas sobre o brilho da glória de Deus. Em especial, ele nos
adverte quanto à “feitiçaria carismática” e ao “espírito religioso”. Ele
afirma que o perigo não vem daqueles que estão tendo revelações
proféticas, ou liberando a presença de Deus, mas daqueles que ficaram
cheios de orgulho com essas experiências.
Com relação à feitiçaria, Rick escreve em seu livro Overcoming Evil
(Vencendo o Mal):

Uma forma proeminente de feitiçaria branca, que é comum na Igreja, pode


ser descrita como Movimento Carismático, mas é uma
pseudoespiritualidade. Ela geralmente utiliza este disfarce para ganhar
influência ou controle sobre pessoas ou situações. Ela é a fonte de muitas
profecias, visões e sonhos falsos que podem finalmente destruir ou
neutralizar uma igreja, ou levar a liderança a um ponto em que eles reajam
exageradamente de forma a desprezar completamente as profecias. Aqueles
que utilizam esta forma de feitiçaria quase sempre pensarão ter a mente do
Senhor, o que lhes dá maior autoridade. Assim, concluirão que a liderança,
ou qualquer pessoa que os contradiz, são os que estão em rebelião.10

Com relação às variadas manifestações dos espíritos religiosos, ele


escreve:

Colossenses 2:18-19 indica que uma pessoa que tem um espírito religioso
tenderá a ter prazer na auto-humilhação e, em geral, será dada a adorar
anjos ou tomar posições impróprias nas visões que teve. O espírito religioso
quer que adoremos qualquer coisa, menos Jesus. O mesmo espírito que é
dado a adorar anjos também terá a tendência de exaltar as pessoas
excessivamente.
Precisamos tomar cuidado com qualquer pessoa que exalte os anjos ou os
homens e mulheres de Deus indevidamente, ou com qualquer pessoa que use
as visões que recebeu a fim de ganhar uma influência imprópria na Igreja.
Deus não nos dá revelações para que as pessoas nos respeitem mais, ou para
provar os nossos ministérios. O fruto da verdadeira revelação será a
humildade, e não o orgulho.11

VISLUMBRES DO QUE ESTÁ POR VIR

Aqueles que cultivam um abandono humilde ao Senhor e se propõem a


dar a Ele toda a glória, logo descobrirão que se tornaram a Igreja
emergente deste século que transborda com os dons de cura e milagres
do Espírito Santo. Já estamos tendo vislumbres do que está por vir
enquanto mais pessoas são estimuladas à fé e à ação e mais lugares estão
se tornando igrejas e comunidades que são conhecidas como lugares
onde a presença de Deus habita.
As visões abertas e sonhos que Deus me deu ao longo dos anos me
propõem que eu deixe estas perguntas para você responder:
E se um grupo de jovens que está conversando de maneira informal
sobre nada em particular estivesse tão cheio da presença de Deus, que o
poder de Deus impactasse as pessoas que por acaso estivessem
passando?
E se de repente uma pessoa cruzasse o olhar com outra que está andando
a dez metros de distância, apontasse para ela, e liberasse o poder de
Deus e uma palavra profética que revela os segredos do coração daquele
transeunte; depois voltasse à conversa com o grupo como se nada tivesse
acontecido, pois isso acontecia o tempo todo?
Será que esses jovens estariam perambulando pela sala de espera da sua
igreja deixando fluir a presença de Deus que liberava o poder do céu e
profetizava e curava e deixava as pessoas caídas no carpete enquanto os
frequentadores da igreja desavisados percebiam que se aproximavam
demais da “zona de poder”? Ou eles estariam andando pela sua cidade
acidentalmente impactando as pessoas com a salvação enquanto
estivessem reunidos do lado de fora de um cinema? Será que você, ou um
de seus filhos, estaria reunido com eles?
E se você estivesse em pé na plataforma de uma estação de trem e de
repente todos à sua volta ficassem boquiabertos ao olharem para o céu?
Os céus se enrolando, revelando uma visão chocante que todos viam
simultaneamente — tanto crentes quanto incrédulos. Uma pessoa, que
havia tido muitas experiências sobrenaturais ao longo dos anos,
conseguia manter a sua sanidade mental por tempo suficiente para
entrar na estação, agarrar o alto-falante, e conduzir todos em oração por
salvação. Então todos caíssem de joelhos chorando e orando por causa
daquela grande e terrível visão coletiva. Você seria a pessoa que estaria
boquiaberta olhando para o céu, ou você seria aquele que tem a calma
para conduzir a multidão em oração por salvação e intercessão enquanto
uma cidade ou nação vem a Cristo em um único dia?
Quem são aqueles que brilham com a glória de Deus e se tornam
experiências espirituais ambulantes para outros? Aqueles que anseiam
por estar na Sua presença, por se banhar no Seu amor, por aquietarem
suas almas e permitirem que o Senhor as mude, transformando-os de
glória em glória.
Levante-se, caro leitor, e brilhe. Porque a sua luz, a glória de Deus, se
levantará sobre você!
NOTAS

1. R. T. Kendall, The Anointing (Nashville, TN: Thomas Nelson


Publishers, 1999), 163.
2. 2 Coríntios 3:18.
3. http://www.freshfire.ca/teaching_details.php?Id=117
4. James Goll, Revival Breakthrough Workbook, 73.
5. Mark Chironna, Fusion Conference, Albany, OR, agosto de
2006.
6. Kim Clement, Fusion Conference, Albany, OR, agosto de 2006.
7. Contribuição de Bill Johnson especificamente para ser incluído
neste capítulo.
8. As Conferências Fusion são realizadas através de uma aliança
de conferencistas que inclui Kim Clement, Mark Chironna, e
Lance Wallnau. Para maiores informações, ver
www.fusionexperience.org.
9. Lance Wallnau, Fusion Conference, Albany, OR.
10. Rick Joyner, Overcoming Evil in the Last Days (Shippensburg,
PA: Destiny Image Publishers, 2003), 82-83.
11. Rick Joyner, Overcoming Evil, 153.
CAPÍTULO 13
DISCERNINDO AS ORIGENS DAS EXPERIÊNCIAS
SOBRENATURAIS

por JAMES GOLL

Quando começamos a virar a esquina, observamos que já descemos a rua


e passamos pelas salas de Milagres e Vislumbres do que Está por Vir. Na
verdade, estivemos juntos em uma viagem investigativa incrível.
“O que resta?” você pergunta, enquanto nos dirigimos para o percurso
final da estrada menos frequentada. Bem, na verdade guardamos o
centro da questão para o fim. Você está prestes a receber a sua bússola
para ajudá-lo a navegar pelo campo das muitas experiências da vida. O
que você irá aprender neste capítulo pode simplesmente salvar a sua
vida de um grande desastre e permitir que complete a sua carreira com
sucesso.
Agora voltaremos a nossa atenção para os princípios práticos do tema
Discernindo as Origens das Experiências Sobrenaturais. Você está pronto?
Vamos em frente!

FONTES DE REVELAÇÃO

As Escrituras indicam que a revelação ou a comunicação espiritual vem


de uma de três fontes: o Espírito Santo, a alma humana e a dimensão dos
espíritos malignos. A necessidade de discernimento nesta área é óbvia.
O Espírito Santo é a única verdadeira fonte da revelação (ver 2 Pedro
1:21). Era o Espírito Santo quem “movia” os profetas do Antigo
Testamento e as testemunhas do Novo Testamento. A palavra grega para
“movia”, phero, significa “ser carregado para adiante” ou mesmo “ser
levado adiante como um vento”.1
A alma humana é capaz de proclamar pensamentos, ideias e inspirações
vindos da parte não santificada das nossas emoções (ver Ezequiel 13:1-6;
Jeremias 23:16). Essas inspirações humanas não nascem
necessariamente de Deus. Como disse o profeta Ezequiel, elas são
profecias feitas “... pela sua própria imaginação: Ouçam a palavra do
SENHOR! ... Ai dos profetas tolos que seguem o seu próprio espírito e não
viram nada! (Ezequiel 13:2-3, NVI).
Os espíritos malignos operam com duas características comuns ao seu
senhor. Eles podem aparecer como “anjos de luz” (ou como “vozes
boas”), e eles sempre falam mentiras, porque eles servem ao chefe
mentiroso e pai da mentira, satanás. As mensagens entregues por
intermédio de espíritos malignos em geral são especialmente perigosas
para as pessoas que são ignorantes da Palavra de Deus ou inexperientes
no discernimento, porque satanás ama misturar “verdades” ou
afirmações factuais com as suas mentiras para enganar as pessoas
ingênuas. Pense nisso simplesmente como uma isca saborosa
cuidadosamente colocada no meio de uma armadilha mortal.
Atos 16:16-18 nos fala a respeito de uma menina escrava que tinha um
espírito de adivinhação que falava a verdade sobre os discípulos, mas a
recebia de uma fonte satânica. Quando o apóstolo Paulo finalmente já
havia ouvido o bastante e estava irritado no seu interior, ele ordenou ao
espírito de adivinhação que a deixasse.
Em um mundo de pessoas imperfeitas, a revelação dada por Deus pode
estar misturada com informações de fontes que não são de Deus e que
competem com ela. As pessoas que operam como boca profética ou
visionária são instrumentos imperfeitos, embora vitais para a igreja de
hoje.
Nenhum de nós está imune aos efeitos das influências externas em
nossas vidas. Embora o Espírito de Deus esteja em união com o nosso
espírito, podemos ser fortemente afetados em nossos espíritos e em
nossas almas por coisas como as circunstâncias de nossas vidas; as
nossas circunstâncias físicas ou corporais; por satanás ou seus agentes; e
com muita frequência pelas outras pessoas que nos cercam (ver 1
Samuel 1:1-15; 30:12; João 13:2, 1 Coríntios 15:33). A solução é “testar”
toda fonte e aspecto da revelação — seja um sonho, uma aparição, uma
palavra falada ou outro tipo. Primeiramente, devemos testar a nós
mesmos com uma série de perguntas de autodiagnóstico.

O TESTE DO EU

1. Existe alguma evidência de influências além do Espírito de Deus


em minha vida?
2. Qual é a essência da visão ou revelação? (Como ela se compara
com a Palavra escrita de Deus?)
3. Eu estava sob o controle do Espírito Santo quando recebi a visão?
a. Eu apresentei minha vida a Jesus Cristo como um sacrifício
vivo?
b. Tenho sido obediente à Sua Palavra?
c. Estou sendo iluminado com a Sua inspiração?
d. Estou comprometido em fazer a Sua vontade, seja ela qual for?
e. Estou rendendo a minha vida aos louvores de Deus ou às
palavras de crítica?
f. Estou esperando silenciosamente e com expectativa diante
dele?

O TESTE DA FONTE

O passo seguinte é testar se a imagem, a mensagem profética ou a visão


recebida vem da região da nossa alma, da dimensão satânica ou de Deus.
Os Drs. Mark e Patti Virkler, fundadores da Universidade Christian
Leadership em Buffalo, Nova York, dão diretrizes excelentes nesta área
em seu trabalho de referência, Communion With God (Comunhão com
Deus). Eles ensinam que “Os olhos do seu coração podem ser cheios do
eu, de satanás ou de Deus”.2 As seguintes diretrizes foram adaptadas a
partir de uma tabela descrita em um guia de estudos de Virkler.3
Primeiro, temos três instruções gerais:
1. Devo eliminar todas as imagens que foram colocadas diante dos
olhos da minha mente por satanás (ver Mateus 5:28 e 2 Coríntios
10:5), usando o sangue de Jesus.
2. Devo apresentar os olhos do meu coração ao Senhor para que Ele
os encha. Assim, preparo-me para receber (ver Apocalipse 4:1).
3. O Espírito Santo então projetará na tela interna do meu coração o
fluir da visão que Ele desejar (ver Apocalipse 4:2).

Testando se uma Imagem Vem do eu, de satanás ou de Deus


A. Descubra a sua origem testando o espírito (ver 1 João 4:1).
EU: A imagem nasceu primeiramente na mente? Ela alimenta o meu
ego ou exalta Jesus? Com o que ela se parece?
SATANÁS: A imagem parece destrutiva? Ela me seduz a me afastar?
DEUS: É um “livre fluir de imagens” vindas do mais íntimo do meu
ser? O meu íntimo estava focado calmamente em Jesus?
B. Examine o seu conteúdo testando as ideias (ver 1 João 4:5).
EU: Ela apela para o ego? O eu é o centro ou Jesus é Aquele que é
exaltado?
SATANÁS: Ela é negativa, destrutiva, controladora, amedrontadora e
acusadora? Ela é uma violação à natureza de Deus? Ela violenta a
Palavra de Deus? A imagem “tem medo de ser testada”?
DEUS: Ela é instrutiva, edificante e consoladora? Ela aceita ser
testada? Ela me encoraja a continuar na minha caminhada com
Deus?
C. Verifique o seu fruto testando o fruto (ver Mateus 7:16).
EU: Os frutos aqui são variáveis, mas finalmente eles elevam o lugar
do homem em contraste com a centralidade de Cristo.
SATANÁS: Estou com medo, compulsivo, escravizado, ansioso, confuso
ou tenho o ego inchado, em resultado desse encontro?
DEUS: Sinto a minha fé avivada, poder, paz, bons frutos, iluminação,
conhecimento ou humildade?

NOVE TESTES BÍBLICOS

Eis uma lista de nove testes bíblicos pelos quais podemos testar toda
revelação que recebemos para vermos a sua precisão, autoridade e
validade. As seguintes verdades são para todos nós — seja você um
profeta vidente reconhecido ou um crente comum no Senhor Jesus
Cristo. Vamos colocar o prumo da Palavra de Deus em nossas vidas!

1. A revelação edifica, exorta ou consola? “Mas o que profetiza fala


aos homens, edificando, exortando e consolando” (1 Coríntios
14:3). O propósito final de toda verdadeira revelação profética é
edificar, advertir e encorajar o povo de Deus. Qualquer coisa que
não seja direcionada a este fim não é verdadeira profecia. O
profeta Jeremias teve de realizar uma missão negativa, mas até a
sua mensagem difícil continha uma poderosa e positiva promessa
de Deus para aqueles que fossem obedientes (ver Jeremias 1:5,
10). E 1 Coríntios 14:26 resume isso melhor: “Seja tudo feito para
edificação.”
2. Ela está em concordância com a Palavra de Deus? “Toda a Escritura
é inspirada por Deus...” (2 Timóteo 3:16). A verdadeira revelação
sempre concorda com a letra e o espírito das Escrituras (ver 2
Coríntios 1:17-20). Onde o Espírito Santo diz “Sim e amém” na
Escritura, Ele também diz “Sim e amém” na Revelação. Ele nunca,
jamais contradiz a Si mesmo.
3. Ela realmente exalta Jesus Cristo? “Ele me glorificará, porque há de
receber do que é meu e vo-lo há de anunciar” (João 16:14). Toda
verdadeira revelação finalmente está centrada em Jesus Cristo e exalta
e glorifica a Ele (ver Apocalipse 19:10).
4. O seu fruto é bom? “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos
apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos
roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se,
porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?” (Mateus
7:15-16). A verdadeira atividade de revelação produz frutos no
caráter e na conduta que é compatível com o fruto do Espírito
Santo (ver Efésios 5:9 e Gálatas 5:22-23). Alguns dos aspectos do
caráter e da conduta que claramente não são fruto do Espírito
Santo incluem o orgulho, a arrogância, o exagero, a desonestidade,
a cobiça, a irresponsabilidade financeira, a licenciosidade, a
imoralidade, os apetites viciantes, os votos de casamento
rompidos, e os lares destruídos. Normalmente, qualquer
revelação que é responsável por este tipo de resultado procede de
uma fonte que não é o Espírito Santo.
5. Se ela prevê um acontecimento futuro, ele se realiza? (ver
Deuteronômio 18:20-22). Qualquer revelação que contenha uma
previsão com relação ao futuro deve acontecer. Se não acontecer,
então, com poucas exceções, a revelação não procede de Deus. As
exceções podem incluir as seguintes questões:
a. A vontade da pessoa envolvida.
b. Arrependimento nacional — Nínive se arrependeu, então a
palavra não aconteceu.
c. Previsões messiânicas (elas levaram centenas de anos para se
cumprir).
d. Há um padrão diferente para os profetas do Novo Testamento e
os profetas do Antigo Testamento cujas previsões estavam
ligadas ao plano messiânico de Deus de libertação.
6. A previsão profética faz as pessoas se voltarem para Deus ou se
afastarem dele? (Ver Deuteronômio 13:1-5). O fato de uma pessoa
fazer uma previsão com relação ao futuro que se realiza não prova
necessariamente que essa pessoa está atuando com base em uma
revelação inspirada pelo Espírito Santo. Se essa pessoa, pela
própria ministração, faz as pessoas se desviarem da obediência ao
único Deus verdadeiro, então o ministério dessa pessoa é falso —
ainda que ela faça previsões corretas com relação ao futuro.
7. Ela gera liberdade ou escravidão? “Porque não recebestes o
espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados,
mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos:
Aba, Pai” (Romanos 8:15). A verdadeira revelação dada pelo
Espírito Santo produz liberdade e não escravidão (ver 1 Coríntios
14:33 e 2 Timóteo 1:7). O Espírito Santo nunca faz que os filhos de
Deus ajam como escravos, nem nos motiva por medo ou
compulsão legalista.
8. Ela produz vida ou morte? “... o qual nos habilitou para sermos
ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito;
porque a letra mata, mas o espírito vivifica” (2 Coríntios 3:6). A
verdadeira revelação do Espírito Santo sempre gera vida e não
morte.
9. O Espírito Santo testifica que ela é verdadeira? “Quanto a vós
outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não
tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua
unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e
não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou” (1
João 2:27). O Espírito Santo dentro do crente sempre confirma a
verdadeira revelação do Espírito Santo. O Espírito Santo é o
“Espírito da Verdade” (ver João 16:13). Ele testifica do que é
verdadeiro, mas rejeita aquilo que é falso. Este nono teste é o mais
subjetivo de todos os testes que apresentamos aqui. Por este
motivo, ele deve ser usado com os oito padrões objetivos
anteriores.

A Palavra de Deus nos diz que devemos provar todas as coisas e reter
aquilo que é bom (ver 1 Tessalonicenses 5:21). Em todo o tempo
devemos buscar a sabedoria do Senhor enquanto nos recusamos a usar a
“sabedoria” como uma desculpa para o medo. Devemos tomar cuidado
para não nos escandalizarmos com as coisas genuínas que o Espírito
Santo está fazendo, por mais estranhas que elas possam nos parecer. A
revelação divina e as experiências visionárias vêm em muitas formas
diferentes, e é vital que entendamos como discernir o verdadeiro do
falso.
Agora, sei que alguns de vocês estão esperando que eu distribua
“algumas das coisas mais profundas” com vocês a esta altura. Mas do
meu ponto de vista, eu seria remisso se não me certificasse de que essas
verdades fundamentais fossem bem estabelecidas antes de nos levar
mais adiante na nossa “jornada mística”. Com isto em mente, faríamos
bem em estudar as quinze “questões de sabedoria” que se seguem. Elas
nos ajudarão a aprender a julgar com sabedoria as diversas formas de
revelação que encontraremos na nossa aventura com Cristo.

QUINZE ASPECTOS DA SABEDORIA

1. Busque a exegese adequada e o contexto bíblico. Um dos aspectos


mais importantes com relação à sabedoria é a nossa interpretação
das Escrituras — ou a própria exegese. Muitas vezes, as pessoas
“dotadas profeticamente” parecem assumir predominantemente
um tipo de interpretação simbólica frouxa das Escrituras. Embora
haja diferentes escolas e metodologias de interpretação, devemos
procurar o contexto histórico do qual a Escritura está falando. A
sabedoria sugere que as pessoas que possuem dons de revelação
deveriam consultar mestres, apóstolos e pastores para obter uma
clareza adicional sobre a interpretação das Escrituras. “Procure
apresentar-se a Deus aprovado...” (2 Timóteo 2:15). Ande com
outros!
2. Ponha o foco em Jesus. As manifestações do Espírito Santo não
devem assumir o lugar central — Jesus é o nosso foco central.
Enquanto nos entregamos aos propósitos de Deus, às experiências
reveladoras do céu, aos movimentos do Espírito Santo, não vamos
entrar de cabeça em qualquer movimento. Às vezes, as pessoas
entram em qualquer coisa que está se movendo porque hes falta
segurança, e um fundamento bíblico adequado. Lembre-se de
fazer este simples teste: “Esta experiência me leva para mais perto
de Jesus Cristo?”
3. Especialize-se nas coisas “principais e simples”. As manifestações
não são a nossa mensagem principal. Na tendência predominante
da ortodoxia evangélica, a nossa ênfase deve estar nas coisas
“principais e simples” das Escrituras: salvação, justificação pela fé,
santificação, etc., seguidas das consequentes experiências
reveladas nos testemunhos das pessoas sobre como elas estão
avançando no seu relacionamento com Deus e com a comunidade
de crentes.
4. Siga os princípios bíblicos — não a letra rígida da Lei. Algumas
coisas se encaixam em uma categoria “não bíblica”. Isto não
significa que elas estejam erradas, que sejam “do diabo”, ou
contrárias às Escrituras. Significa apenas que não existe um “texto
bíblico seguro para comprovar” o fenômeno. (Não havia um texto
para justificar o fato de Jesus cuspir na terra e ungir os olhos de
um homem com lama também — mas obviamente aquilo estava
“certo”.) Não estique alguma coisa para tentar fazer que ela se
encaixe. Entenda que não haverá uma passagem para todas as
atividades. O que é importante é se certificar de que seguimos os
princípios claros da Palavra de Deus.
5. Construa pontes. Em “tempos de refrigério e experiências
sobrenaturais”, mantenha o foco na realidade de que existem
outros crentes sinceros que não estão tão entusiasmados com isto
quanto nós. Isto é normal e é de se esperar. Alguns dos discípulos,
como Tomé, estavam menos empolgados com a Ressurreição do
que os outros, mas todos eles apoiaram Cristo no final.
Precisamos tomar cuidado para nos mantermos isentos de
orgulho e arrogância espiritual, e nos dedicarmos a construir
pontes que levem aos nossos irmãos “mais cautelosos” através do
amor, do perdão, da compreensão e da bondade.
6. Honre os líderes e ore por eles. Entenda que toda equipe de
liderança de uma congregação ou ministério local tem o privilégio
e a responsabilidade de definir o tom ou a expressão da liberação
do Espírito em suas reuniões. Deus opera por intermédio da
autoridade delegada! Ore pelas pessoas que estão em posição de
autoridade com o coração e a atitude limpos diante de Deus. Peça
que eles recebam o tempo, a sabedoria e a estratégia adequada de
Deus. (Tome cuidado e hesite em aplicar o rótulo de “espírito
controlador” ou títulos semelhantes nos líderes! A maioria dos
líderes é de crentes sinceros que simplesmente querem fazer o
que é melhor para o bem geral do seu rebanho em particular — e
lembre, eles foram escolhidos e ungidos por Deus.)
7. Esteja ciente dos tempos e das estações. Existe alguma coisa que
deve acontecer o tempo todo? Exceto o mover soberano de Deus,
eu acredito que não. Eclesiastes 3:1 nos diz: “Tudo tem o seu
tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do
céu.” As Escrituras retratam vividamente as “reuniões
pentecostais”, mas elas também incluem advertências claras de
Paulo sobre como aqueles que estão na “sala dos que não têm
dons ou são incrédulos”. Nunca deveríamos usar a nossa
liberdade para ofender outros voluntariamente. Eu pessoalmente
creio que está alinhado com a Palavra de Deus ter reuniões
específicas para propósitos predeterminados. A direção do
Espírito opera das duas maneiras. Podemos predeterminar pela
direção dele que certas reuniões ou sessões sejam orientadas
como “reuniões proféticas ou de vida no Espírito”. Mas também
esteja faminto e dê as boas-vindas às ocorrências espontâneas
quando a Sua presença manifesta é introduzida mesmo quando
não esperamos ou planejamos isto.
8. Deixe que o amor governe. Aquilo que é “incomum e raro” não
deve ser a nossa dieta constante, nem jamais substituirá as
disciplinas espirituais cristãs diárias. Se tudo que uma pessoa faz
é falar sem parar e deixar de ler as Escrituras e de se relacionar
adequadamente com outros membros da igreja local, então muito
provavelmente algum espírito está operando. Talvez a pessoa
tenha simplesmente perdido o foco e precise de uma palavra dita
em amor para ajudá-la a manter o equilíbrio espiritual em meio a
um derramamento poderoso. Seja qual for o caso, deixe que o
amor governe sempre.
9. Mantenha o equilíbrio. Não existe uma ciência exata para se
entender todas as manifestações do Espírito Santo. Quando
alguma coisa não está clara, não devemos tentar definir
excessivamente o que não entendemos. Há uma corda de acrobata
divina de tensão dinâmica entre a realidade da experiência
subjetiva e a doutrina bíblica. Vamos nos esforçar para manter o
nosso equilíbrio! Existe uma tensão — e ela deve estar ali!
10. Entenda a relação entre a iniciação divina e a resposta humana.
Todas estas atividades demonstrativas (riso, choro, tremores,
quedas, etc.) são necessariamente de Deus? Chamo-as
especificamente de “manifestações do Espírito Santo” por uma
razão muito boa. Embora alguns desses sinais externos, visíveis e
audíveis sejam iniciados divinamente, devemos admitir que
alguns são reações e respostas humanas ao movimento do
Espírito Santo sobre nós ou sobre outros que estão próximos de
nós. A iniciativa divina é seguida pela reação humana. Isto é
normal. Também precisamos abrir espaço para demonstrações
culturais étnicas e diferentes do nosso afeto por Deus. Todo dom
vem de Deus, mas se expressa por meio de uma série de vasos de
barro!
11. Seja conhecido pelos seus frutos. Embora queiramos abençoar o
que vemos o Pai fazer, vamos também direcionar essa bênção
para obras frutíferas. Se tivermos sido realmente ativados pelo
Espírito Santo, então precisamos canalizar isto para obras práticas
que expressem a nossa fé. Vamos canalizar esta energia do “clube
do abençoe-me” para o foco em “abençoar os outros”, que
alimente os famintos, e ministre aos pobres, às viúvas, aos órfãos,
e às mães e pais solteiros. Canalize o rio de Deus da bênção
reveladora para uma vida de evangelismo, intercessão, adoração e
outras coisas que demonstrem a paixão e a compaixão de Jesus
pelas pessoas.
12. Entenda as obras de Deus e os motivos do homem. Embora o
fenômeno das manifestações e encontros proféticos tenha
ocorrido nos avivamentos ao longo da história da Igreja, duvido
que possamos justificar a nossa posição dizendo que qualquer
dessas pessoas quis que as coisas acontecessem. Essas
experiências foram equivalentes a receber uma unção de poder
para o ministério e como ferramentas de meios radicais pelos
quais Deus trouxe transformação pessoal.
13. Controle a sua carne e coopere com Deus. O domínio próprio é um
dos frutos do Espírito (ver Gálatas 5:23). Muitos de nós nos
esquecemos dele ou o jogamos pela janela! Em nenhum lugar nas
Escrituras nos é dito que devemos “controlar Deus” — mas nos é
dito para controlarmos “a nós mesmos”. O fruto do domínio
próprio é vencer os feitos da carne — luxúria, imoralidade,
ganância, etc. Devemos cooperar com a presença de Deus e nos
rendermos a ela, controlando os feitos da carne.
14. Esteja alerta e ciente. Vamos pesquisar as Escrituras, rever a
história da igreja, buscar o Senhor, e receber informações
daqueles que são mais sábios e mais experientes do que nós. Os
crentes maduros sabem que o inimigo sempre tenta bater na
cabeça dos cristãos depois de eles terem um encontro ou
experiência, na esperança de que eles fiquem confusos,
desanimados e desnorteados. Precisamos nos armar
continuamente para a batalha. Esta é uma guerra de verdade.
Estas visitações radicais reveladoras não são apenas “diversão e
brincadeira”. Elas vêm para nos levar a uma maior eficácia para o
nosso Mestre!
15. Evite os extremos espirituais. Existem dos extremos profundos que
deveríamos evitar. Primeiro, deveríamos tomar cuidado com o
nosso ceticismo analítico, que fará que nos escandalizemos com o
que não entendemos. O outro extremo mortal é o medo (do
homem, da rejeição, do fanatismo, etc.). Esses dois extremos têm
um fruto comum: a crítica. Considere esta pérola de sabedoria que
me foi dita há alguns anos:
“Se você não pode pular no meio de alguma coisa, abençoe-a. Se você não
puder abençoá-la, então a observe com paciência. Se você não puder
observá-la com paciência, então simplesmente não a critique! Não
estique a sua língua contra as coisas que você não entende!”

Lembro-me muito bem de quando o Espírito Santo me disse esta frase.


Ela salvou o meu pescoço naquele tempo, e pode salvar o seu de uma
atitude julgadora e crítica também no futuro. “Não estique a sua língua
contra as coisas que você não entende!” Outra maneira de dizer isto
poderia ser: “Este é o pior momento para ser um sabe-tudo!”
Agradeça a Deus pelo dom do Espírito que se chama palavra de
sabedoria! Um pouco de bom senso ao longo do caminho é de grande
ajuda também! Oh Deus! Uau, que bom que tiramos isso do caminho!

FAZENDO A CURVA
Vamos recapitular o que acabamos de ver e depois fazer a curva na
direção de casa! Neste capítulo, investigamos as Fontes da Revelação.
Nove Testes Bíblicos e Quinze Aspectos da Sabedoria. Não leia apenas
este material como mais uma boa “Lista de Tarefas”. Em vez disso,
medite nestes conceitos e os imprima na sua alma. Vale a pena meditar
nestes princípios e revê-los para garantir que o fio de prumo da Palavra
de Deus caia com verdade e segurança na sua vida e ministério.
Vamos edificar uma casa para o Senhor construída para durar — uma
casa que resista aos ventos e tempestades do tempo e da pressão. Com
isso em mente, vamos comigo para o encerramento deste livro cheio de
diversão e sabedoria, ao contemplarmos Somente Jesus!
NOTAS

1. Goll, James, Understanding Supernatural Encounters Study Guide.


2. Dr. Mark e Patti Virkler, Communion With God.
3. Dr. Mark e Patti Virkler, Study Guide.

CAPÍTULO 14
VENDO SOMENTE JESUS!

por JAMES GOLL

Vamos começar o nosso último capítulo lendo as palavras do discípulo


Marcos, que viu e registrou muitas experiências espirituais
impressionantes. O seguinte foi extraído de Marcos 9:1-8, e diz respeito
ao que ocorreu no Monte da Transfiguração. Foi algo que mudou a sua
vida para sempre!

E lhes disse: “Garanto-lhes que alguns dos que aqui estão de modo nenhum
experimentarão a morte, antes de verem o Reino de Deus vindo com poder”
(Marcos 9:1, NVI).
Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e os levou a um
alto monte, onde ficaram a sós. Ali ele foi transfigurado diante deles. Suas
roupas se tornaram brancas, de um branco resplandecente, como nenhum
lavandeiro no mundo seria capaz de branqueá-las. E apareceram diante
deles Elias e Moisés, os quais conversavam com Jesus. Então Pedro disse a
Jesus: “Mestre é bom estarmos aqui. Façamos três tendas: uma para ti, uma
para Moisés e uma para Elias”. Ele não sabia o que dizer, pois estavam
apavorados. A seguir apareceu uma nuvem e os envolveu, e dela saiu uma
voz, que disse: “Este é o meu Filho amado. Ouçam-no!” Repentinamente,
quando olharam ao redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus (Marcos
9:2-8, NVI).

DAS RUÍNAS DE ZION

Há alguns anos, saí em uma jornada para visitar a famosa cidade de Zion,
em Illinois, onde Alexander Dowie viveu e ministrou em fins da década
de 1800 até a virada do século. Dowie foi poderosamente usado pelo
Senhor em profunda operação de milagres e dons de cura. Ele construiu
uma cidade modelo fora de Chicago, em Illinois, que era um tremendo
centro de fé no seu apogeu. Muitos sabem que este ministério
eventualmente caiu no engano, quando alguns começaram a chamar
Dowie de o “Elias que foi enviado do céu”. Adoração ao vaso, o orgulho e
o erro doutrinário se instalaram. A queda foi tão grande quanto a altura
do seu sucesso de curta duração.
Após esse fracasso, o Senhor levantou das ruínas de Zion um testemunho
silencioso daqueles que buscavam a presença manifesta de Jesus. Os
principais líderes eram Martha Wing Robinson e um homem adorável
chamado Elder Brooks. Eles e outros com eles estabeleceram o que ficou
conhecido como a Zion Faith Homes.
Lembro-me de ter visitado a Zion Faith Homes, onde ainda se podia
sentir a presença do nosso querido Senhor Jesus Cristo. Reafirmei
naquele dia que eu queria que minha vida estivesse centralizada não nos
dons em primeiro lugar, mas no homem Cristo Jesus, o Senhor — o
Cabeça do Corpo de Cristo! Até o dia de hoje, este é o objetivo da minha
vida, e tenho confiança de que também é o seu — estar tão próximo de
Jesus de tal forma que apenas uma única sombra seja vista.
Enquanto visitava a Zion Faith Homes, peguei uma cópia do livro Cartas
de John G. Lake a Elder Brooks e a resposta cheia de sabedoria de Elder
Brooks escrita em 1916. As lições incluídas nessas cartas eram
impressionantes então, e talvez sejam ainda mais impressionantes hoje.
Enquanto eu pensava no encerramento deste livro catalítico, pensei que
não poderia haver uma maneira melhor de fazer isto do que abrasar a
sua vida com esses escritos, esperando que eles arrasem você como
fizeram comigo! Portanto, respire fundo, porque aqui vamos nós!

CARTA DE JOHN G. LAKE A ELDER BROOKS E SUA RESPOSTA

A seguir temos duas cartas que foram escritas há muitos anos. Uma é do
legendário operador de milagres John G. Lake e outra a de Elder
Eugene Brooks da Zion Faith Homes, em Zion, Illinois. Estou colocando-
as aqui porque elas apresentam, na sua substância, um problema
recorrente no ministério cristão — assim como na vida de qualquer
seguidor de Jesus Cristo. Esse problema é a enorme necessidade que está
latente na vida e na experiência daqueles que Deus abençoa e usa. Muitos
precisam entender como seguir em frente com Deus, como guardar a sua
vida com Jesus, e como crescer nela.
Isto é especialmente verdadeiro nestes dias do que parece uma ênfase
excessiva — em alguns lugares — nas grandes obras e nos grandes dons.
Digo que é uma ênfase excessiva por causa da ênfase reduzida até
mesmo em alguns dos maiores líderes do nosso tempo, sobre o
crescimento em Deus da vida diária do filho de Deus. É um fato
impressionante que, em muitos casos, os cristãos e os obreiros cristãos não
sabem o que fazer e como prosseguir para a plenitude de Deus. Isto é
quase um fracasso comum inacreditável! Muitos falam e ensinam sobre
“oração” e, na verdade, não praticam em suas vidas privadas uma
preocupação vital com Deus! Ou eles perdem gradualmente na sua
caminhada com Deus ao se envolverem demais com idas e vindas e/ou
no esforço de se tornarem “grandes” ou “maiores”.
Qualquer pessoa que não entenda a sua necessidade de estar a sós com
Deus diariamente certamente se encontrará em um deserto, enfrentando
uma perda espiritual e frivolidade, uma vez que o espírito deste mundo se
opõe ao avanço e procura tornar vazia a frutificação de sua vida, que
começou na maravilha do poder do Espírito Santo. Estas cartas são
oferecidas como estudos de contrastes espirituais. Elas serão
grandemente recompensadoras a qualquer pessoa que esteja disposta a
ler, estudar, ponderar e digerir o que está expresso nelas.
John Lake e Elder Brooks foram homens de Deus — cada um à sua
própria maneira e no seu chamado — como as cartas mostram
claramente. E aqueles que os conhecem bastante intimamente podem
acrescentar o seu testemunho de que essa estimativa é verdadeira.

Carta escrita ao Reverendo e à Sra. Brooks pelo Reverendo John Lake


(16 de junho de 1916):

Durante alguns dias, fui movido pelo Espírito a escrever-lhe. Na época do


nosso casamento, senti que Deus havia realmente colocado sobre as nossas
almas o fardo da minha necessidade em Deus. À medida que eu saí pela fé
naquela época, esforçando-me para confiar em Deus para dar-me força
física, orientação e graça do céu para realizar a Sua vontade, Ele abençoou
minha alma ricamente e o nosso trabalho foi acompanhado pelo poder do
Seu Espírito.
Enquanto estava em Filadélfia, o Espírito do Senhor veio poderosamente
sobre mim para cura, e curas maravilhosas ocorreram. Mais tarde fomos a
Spokane, Washington. A primeira porta que Deus abriu ali, estranhamente,
foi uma porta no que é conhecido aqui como a Igreja da Verdade, um novo
grupo de reflexão.
O pastor deles era um ex-pregador Universal. Ele havia visto Cristo através
dos ensinamentos da Ciência Cristã. Ele era uma alma faminta. Ele me
convidou para pregar na sua igreja! Eu disse a ele: “A minha mensagem não
é a sua. Eu prego Cristo e Cristo crucificado.” Ele respondeu: “Irmão,
pregue a sua própria mensagem tanto quanto desejar. Você está nas mãos do
Espírito de Deus.”

Depois do primeiro sermão, ele me convidou para ocupar uma das salas de
cura na igreja deles e orar pelos enfermos durante toda a semana. Deus
realizou curas maravilhosas! A igreja foi poderosamente impactada. Aquela
era uma manifestação nova do poder de Deus para eles. Fui convidado a
ensinar nas classes diárias durante a semana sobre o tema do batismo no
Espírito. Deus me mostrou quatro pessoas na igreja naquela época que
receberiam o batismo. Ministramos ali cerca de seis meses, depois
começamos o nosso próprio trabalho por volta de 1º. de fevereiro de 1915.
A primeira senhora da Igreja da Verdade a ser batizada no Espírito foi a
Sra. P. Ela recebeu o seu batismo no primeiro culto que dirigimos no nosso
próprio salão. No encerramento do culto de domingo pela manhã, o Espírito
caiu sobre ela e ela foi batizada na presença da congregação.
A Sra. P. me disse que cinco anos antes, enquanto estava em grande agonia
de alma, ela caiu de joelhos e clamou por libertação, luz e ajuda, dizendo:
Oh, Deus, não existe ninguém em nenhum lugar que possa me trazer a luz
que minha alma necessita e me mostrar Deus como meu espírito anseia? E o
Espírito falou com ela e disse: Sim, em Johanesburgo, na África do Sul. No
dia do seu batismo, enquanto ela estava sob o poder do Espírito, o Senhor
lembrou-lhe que Ele cumprira a Sua promessa a ela, e que eu havia vindo de
Johanesburgo, África do Sul, em resposta ao clamor de sua alma e do clamor
da alma daqueles que necessitavam de Deus.
Outra senhora da Igreja da Verdade, a Sra. F., foi batizada da mesma forma
no Espírito. O Espírito revelou Cristo e o sangue e o Seu poder purificador.
Elas eram lindas almas, assim como as outras duas.
Com relação ao nosso trabalho... mantemos salas de cura, que estão abertas
desde as 10 da manhã todos os dias, nas quais os enfermos e as almas
necessitadas vêm para receber oração. Também temos um salão que está
ligado às salas de cura onde fazemos as nossas reuniões semanais de dia e
de noite. Os nossos cultos aos domingos são realizados no Templo Maçônico
com Escola Dominical pela manhã, pregação às 11 horas e o culto para o
grande público às 15 horas. O nosso trabalho aqui tem se caracterizado por
curas maravilhosas, e muitas delas. Quando escrevi para a América sobre as
histórias das maravilhas que Deus estava realizando na África, as pessoas
em sua maioria disseram: “Não acreditamos”. Satanás tentou de muitas
maneiras fazer o mundo acreditar que isso não era um fato. Mas o nosso
trabalho aqui tem sido feito sob os olhos de testemunhas tão competentes e
de caráter tão elevado — e de tantas delas — que satanás não pode mais
negar as histórias que Deus fez. A notícia chegou a todos os Estados da
Costa do Pacífico. As pessoas vêm, não apenas os enfermos, mas os mestres
(que vêm particularmente do povo da Verdade da província costeira), para
inquirir do que se trata, qual é a diferença, o que queremos dizer quando
falamos sobre o batismo no Espírito Santo, e como recebê-lo.
Durante o ano de 1915, cerca de 8.030 pessoas foram curadas. O Sr.
Westwood ministra comigo na obra e ocupa a sala de curas adjacente à
minha. O Sr. S. P. Fogwill, um ex-diácono da cidade de Zion, também está
comigo. Ele faz as convocações de casa em casa por toda a cidade o dia
inteiro com o seu carro Ford. Geralmente ministramos a cem pessoas por
dia, às vezes mais... às vezes menos.
Entre os casos de cura notáveis estão três ocorrências recentes que quero lhe
contar. Elas pertencem a uma ordem de curas fora do comum e, em minha
opinião, pertencem à classe de milagre de ordem criativa.

Um é o caso da Sra. Pn., uma enfermeira treinada e formada do Hospital


Trinity em Milwaukee. Ela foi operada e os seus órgãos reprodutores (útero
e ovários) foram retirados em julho passado. Em novembro, ela foi operada
novamente para a retirada de pedras na vesícula. Depois da operação, a bile
espalhou-se pelo seu corpo — a tal ponto que a sua morte era iminente. Na
verdade, durante o tempo em que ela recebeu oração, ela entrou em estado
de coma, morte aparente, e por cerca de meia hora não houve evidência de
vida e nenhuma respiração passou por seus lábios. O Sr. Westwood estava
com ela. O Espírito de Deus tomou posse do seu ser gradualmente com
tamanho poder que ela foi curada totalmente do problema de pedra na
vesícula. Seus órgãos reprodutores cresceram novamente e no mês passado
ela se tornou uma mulher perfeitamente normal! A Sra. Pn. agora é a
enfermeira-chefe da nossa Casa de Cura Divina.
O segundo caso é o da Srta. K., uma vítima de tuberculose glandular. Ela foi
operada 26 vezes e foi tratada por 56 médicos diferentes — e finalmente foi
deixada para morrer. Um médico após o outro abandonava o caso. Em uma
de suas cirurgias, foi feita uma incisão no abdome inferior. Isto foi feito na
tentativa de retirar uma grande quantidade de pus que havia se formado no
corpo. Por conta do estado tubercular de sua carne, as feridas não queriam
sarar nem aceitar os pontos. Ela foi aberta e costurada três vezes, mas sem
sucesso. A consequência foi que o movimento normal dos intestinos não
podia ocorrer. Este estado durou seis anos e meio!
Enquanto estava na cidade, ela desmaiou na rua. Estavam para levá-la para
o St. Luke’s Hospital para uma cirurgia quando ela voltou à consciência e
recusou-se a ir. Ela veio à nossa casa e passou a noite conosco. Oramos por
ela. No domingo seguinte, quando ela se sentou no tabernáculo no culto da
tarde e foi oferecida oração ao público, ela disse que sentiu como se uma
mão tivesse sido colocada dentro do seu abdome e outra em sua cabeça. A
voz do Espírito falou dentro de sua alma e disse: Você está curada. Ela se
levantou da cadeira e se tornou perfeitamente normal!
Número três. A Sra. L., esposa de um comerciante da avenida principal da
cidade, caiu de uma escada há dez ou doze anos, o que causou um
deslocamento do estômago, dos intestinos e dos órgãos femininos. Ela ficou
inválida. Depois de vários anos de operações e sofrimento, ela foi atacada
por reumatismo e se tornou uma aleijada impotente.
Quando os médicos falharam, foi-lhe recomendado tomar banhos de
tratamento em Soap Lake, um dos lagos quentes de Washington, onde a água
é muito quente e muito cheia de minerais. Os tratamentos tiveram este
estranho efeito — a doença deixou o seu corpo e se centralizou totalmente na
perna direita! Uma formação óssea (do tamanho de uma laranja grande)
apareceu na parte interna da perna direita e o osso da perna começou a
crescer até a perna ficar sete centímetros e meio mais comprida que a outra
e o pé quase dois centímetros e meio mais longo que o outro!
Seus pulmões haviam murchado devido à tuberculose. Ela recebeu oração
um dia nas salas de cura. Quando ela foi entrar no carro, ficou surpresa ao
descobrir que seus pulmões estavam inflando e seu peito estava se enchendo.
Ela foi perfeitamente e instantaneamente curada!

Mais tarde, enquanto eu orava por ela por causa do calombo em sua perna,
o Espírito veio sobre ela poderosamente e ela começou a transpirar
abundantemente, e o suor escorria por seu corpo e entrava nos seus sapatos!
A perna que tinha sete centímetros e meio a mais que a outra naquele
momento, encurtou dois centímetros e meio por semana e dentro de três
semanas estava perfeitamente normal e igual à outra! O pé também encurtou
e agora ela usa o mesmo tamanho de sapatos em ambos os pés e suas pernas
têm o mesmo comprimento!
Deus quer fazer algo novo com relação ao meu trabalho! Ainda não está
claro para a minha alma o que é. As finanças têm estado apertadas
ultimamente. Não tem havido o fluxo normal de ajuda financeira. As curas
não têm sido tão poderosas há três semanas. Meu espírito está perturbado.
Reconheço isto como um dos indícios que ocorrem à alma antes de uma
mudança no caráter da obra e do ministério. Sinto a necessidade das suas
orações. Sei que Deus me colocou nos seus corações. Sei que ainda estou nos
seus corações e que sempre estarei, pois creio que Deus colocou o fardo da
intercessão sobre vocês, meus queridos, pela minha vida. Talvez eu nem
sempre veja a direção de Deus como vocês a veem, mas quero lhes garantir o
meu amor profundo por todos vocês, e o vínculo do Espírito Santo com vocês
que é intenso e poderoso. Quero as suas orações!

Nosso trabalho tem se estendido ao redor de todo o país. Nós temos agora
uma congregação em Bovill, Idaho; outra em Moscow, Idaho, o centro da
universidade estadual; outra em Pullman, Washington, onde se localiza a
Washington Agricultural Schools; e outra congregação na parte norte de
Spokane, Washington, ao lado da central do trabalho. Amados, vocês sabem
que podemos confiar em Deus para aplicar à alma a disciplina necessária
para a sua submissão a Deus. Quando olho para trás, para o caminho
percorrido, embora ele pareça difícil, posso ver que cada passo dele foi
necessário para a disciplina da minha alma — não apenas para que a
humildade de Deus pudesse reinar em mim, mas para que o poder de Deus
fosse manifesto por meu intermédio e a minha fé fortalecida em Deus.
Sinto que nunca atingi aquele lugar em Deus onde posso realizar a
verdadeira obra da minha vida que Ele deseja que seja feita por meu
intermédio. Existe um ministério mais amplo que Deus quer que seja
realizado. Sinto que Ele me chamou para isto, mas o caminho até agora
nunca foi aberto, nem senti que minha alma estivesse realmente pronta para
ele.
Eu lhe dei uma boa quantidade de detalhes com relação a mim mesmo, pois
John Lake sempre foi um fardo bastante grande para si mesmo, e sinto que
quero a sua oração amorosa e a sua fé santa em meu favor, para que a
verdadeira vontade de Deus possa ser feita em mim e por meu intermédio
para a glória de Deus. Que Deus o abençoe! Mande o nosso amor a todos os
nossos amados.

Seu irmão em Cristo,


John G. Lake

Resposta de Elder Eugene Brooks à Carta de John Lake


1º de julho de 1916:

Meu querido irmão Lake,


A sua carta longa e interessante foi recebida e lida com muito prazer.
Ficamos extremamente satisfeitos em ouvir notícias suas e em saber que
Deus o tem abençoado tão abundantemente. Eu o louvo por tudo que Ele está
fazendo no Seu povo e por meio do Seu povo.
Temos estado sob muita pressão de trabalho durante algumas semanas — às
vezes passando 14 horas por dia trabalhando. Parecia que o seu pedido
ficaria sem resposta, pois sabíamos que uma curta oração não atenderia às
exigências do seu caso, mas o Senhor disse que devíamos fazer uma oração
de três horas por você. Para conseguir isso, cancelamos a nossa reunião
comum na noite passada e chamamos as pessoas de três casas para se
reunirem e oramos por três horas, de uma maneira forte e poderosa. Estou
certo de que Deus ouviu esse clamor e creio que Deus manifestará a resposta
da maneira e no tempo de Sua escolha.
Não precisamos lhe dizer que o amamos e desejamos grandemente que você
esteja à altura das exigências divinas, portanto não é necessário nenhum
pedido de desculpas por uma pequena palavra de advertência. A minha alma
parece sentir um possível erro que você está cometendo com referência a si
mesmo e ao seu trabalho. Não digo que eu esteja correto neste ponto, mas
sinto em minha alma que você está com os olhos voltados para a direção
errada. Você diz: “Deus quer fazer algo novo com relação ao meu
trabalho.” Não duvido disso. Mas o que é? É uma ampliação?
Desenvolvimento? Combate? Dons e domínio? Pode ser todas estas coisas
ou nenhuma delas, mas uma coisa é certa — que se os seus olhos se fixarem
nelas, de algum modo você fracassará.
Embora eu não alegue sabedoria por estas palavras, no entanto estou bem
certo da correção da afirmação de que nenhum homem pode ser usado tão
grandemente quanto você indicou e não estar pisando em um terreno muito
perigoso.
E embora seja verdade que uma conquista, ampliação, domínio, etc. em
maior escala possam ser a pretensão do Senhor, uma coisa é absolutamente
necessária se estas vitórias tiverem de continuar — que uma humildade
genuína, profunda e duradoura seja sua.
Você sabe que um homem pode ser chamado e grandemente ungido para
certa obra e ainda não ser tão poderoso em Deus quanto outro não tão
grandemente chamado. Mas você aprendeu que o homem assim grandemente
chamado deve encontrar essa graça e profundidade em Deus ou perder a sua
mordomia e desgraçar o seu nome e a sua profissão? Deus precisa que
certas obras sejam feitas e chama quem Ele quer para fazê-las, mas Ele
sacrificará a obra para salvar o obreiro. Para Deus o obreiro é importante;
para o homem a obra é importante. Deus tem os olhos no homem; o homem
tem os olhos na obra. Porém a sua carta mostra que você está com a visão
um tanto misturada. Você vê Deus e vê a sua necessidade, mas você também
vê outras coisas e essas outras coisas precisando de você.

A verdadeira visão é ver “somente Jesus” e não ver nada mais! Não Jesus e
alguma coisa — somente Jesus. O “único olho” não vê ninguém a não ser
Jesus; os dois olhos veem Jesus e algo mais.
Se eu pudesse colocar em palavras esta visão da alma, você teria a ideia e
procuraria transmiti-la, mas ela é uma experiência, e não uma doutrina. É a
absoluta suficiência de Jesus para cada necessidade e a completa inutilidade
de todo esforço humano. Enquanto houver coisas e feitos na nossa visão,
Jesus não pode ser tão poderoso. Quando somente Ele é visto, Ele cuida das
coisas e dos feitos. Tentamos e falhamos até estarmos dispostos a desistir e
admitir não poder — então podemos nos voltar para Ele.
Meu irmão, somos absolutamente inúteis sem Ele! E se tivermos sido tão
usados quando não o estávamos reconhecendo? Isto não prova a nossa
suficiência, mas a Sua graça. Ele sabia que estávamos cegos e por isso foi
paciente, mas a nossa cegueira e loucura precisam ser expostas e falhamos
— depois acordamos para descobrir que as nossas fontes estavam todas nele
o tempo todo! É loucura o homem natural supor que ele está fazendo isso até
que o seu conceito seja exposto e então ele descobrir que Deus fez um vaso
para honra porque Ele precisava dele. Quando o vaso tomou a glória para
si, Ele quebrou o vaso para que pudesse fazê-lo de novo.

Ora, você sabe tão bem quanto eu as coisas que estou dizendo. Então, por
que as digo? Apenas para provocar a sua “mente pura”.
Mas há uma coisa que você talvez não saiba tanto quanto eu — a única e
infalível maneira de atingir o fim desejado. Você é aquele que foi chamado e
equipado (por causa da necessidade) sem muito esforço da sua parte. Eu,
não tendo sido assim chamado, preciso encontrar ao pé da cruz o que foi
transmitido a você no início, por causa da necessidade. Deus é injusto?
Absolutamente não. Então, em algum momento, em algum lugar, você
também terá de ir até o pé da cruz para reter aquilo que foi transmitido para
o momento de necessidade, ou você descobrirá algum dia que é um “vaso
quebrado”. Não, não estou de modo algum querendo dizer que você deve
fazer o que eu faço, nem de modo algum andar da maneira que eu ando, mas
digo que seja lá o caminho que você quiser andar, você precisa andar de
joelhos. Nem penso que você tenha de dedicar à oração o tempo que nós
dedicamos, pois o fato do seu chamado ser diferente torna a exigência
diferente. Mas é certo que se o lugar secreto da oração for negligenciado por
causa do estresse do trabalho, Deus, às vezes, negligenciará a obra.
Não podemos nos convencer a desistir da vitória com o pensamento de que
Deus perdoará a nossa decadência na oração porque estamos tão envolvidos
com a vinha. Quando nos voltamos para a vida do nosso Senhor e o
encontramos deixando a multidão (que havia vindo para ser ministrada) e
saindo para orar — temos de admitir que não temos desculpas.
Mas com certeza, excedi os limites da conveniência. Eu simplesmente
pretendia dizer algumas palavras amorosas, a título de lembrança, e veja,
estou pregando para você e em uma velocidade frenética. Ainda assim, não
disse aquilo que desejo dizer, pois eu realmente queria apenas engrandecer
Jesus e fazer você olhar para Ele de todos os ângulos e ver como Ele é tão
entusiasticamente belo — o quanto Ele é suficiente — como Ele enche tudo
— atende todos os requisitos — satisfaz cada anseio — é Ele próprio o
equipamento para todo serviço! Oh, John Lake, não há outra necessidade
nossa neste mundo ou no que está por vir a não ser Jesus. Sei que não estou
falando claro, e não posso, mas ainda assim é verdade.
Isto é tão verdade que é uma suprema loucura procurar, desejar ou ser
tentado por outra coisa! Se Ele é “o Caminho”, não podemos nos perder. Se
Ele é “a Vida”, o diabo não pode nos matar. Se Ele é “a Verdade”, não
podemos ser enganados por mentiras. Então, de que precisamos além de
Jesus? Se tudo vem dele — se todas as coisas culminam nele e se Ele é a
personificação, o cumprimento e a consumação de todas as coisas — então
por que deveríamos buscar ou mesmo pensar em outra coisa?
Não, eu ainda não lhe disse e agora me desespero por fazer isto, pois Jesus é
tão infinitamente maravilhoso que todas as palavras se desvanecem quando
nos referimos a Ele. Oh, meu irmão John, um dia eu busquei poder — quis
equipamento; procurei utilidade — vi dons na distância — soube que o
domínio estava em algum lugar no futuro, mas glória a Deus! Estas coisas
desapareceram uma a uma, e à medida que elas desapareciam, havia uma
forma — uma figura emergiu das sombras que se tornaram mais claras e
mais distintas à medida que essas coisas desapareciam. Quando elas
passaram, eu vi “somente Jesus”.
Que o Senhor o abençoe, meu irmão, e cumpra todos os Seus propósitos em
você. O nosso mais sincero amor a você e à sua querida esposa.
Todos os santos os saúdam em amor. Minha esposa e eu estamos entre eles.
No vínculo de Cristo

Eugene Brooks

Refletindo Sobre as Cartas


Jesus não é a pessoa mais linda e impressionante que você já conheceu?
Imagino que você concorde comigo ou você nem estaria lendo este livro.
Mas talvez você tenha ficado preso no labirinto de muitas coisas boas
para fazer a ponto de perder o seu olhar sobre a maravilha do homem
Cristo Jesus.
Perdi o meu caminho de tempos em tempos, e precisei de um ajuste
quiroprático ocasional para me ajudar a voltar ao alinhamento correto. É
muito fácil ficar com as roupas presas nas máquinas do ministério, do
trabalho, dos cuidados desta vida, e da manutenção das suas taxas de
aprovação a ponto de perder o motivo pelo qual você entrou nisso para
início de conversa. Tudo tem a ver com o amor. Tem a ver com ter um
relacionamento apaixonado, doador de vida, com o nosso Pai através do
homem Cristo Jesus, o Senhor! Quero mais de Jesus!
Como os três discípulos sobre os quais lemos anteriormente, embora
Elias e Moisés pudessem até aparecer diante de mim em alguma
experiência espiritual, quero ver somente Jesus!
Na verdade, neste instante, quero lhe dar uma oportunidade de reajustar
a calibragem do seu coração para ver Jesus o Senhor. Se isto ecoa o
clamor do seu coração, faça esta oração simples comigo.
Pai celestial, pelo poder do Espírito Santo, transforma o meu coração!
Traga a minha visão de volta ao foco. Quero ver Jesus! Quero ser um
adorador apaixonado de Deus. Escolho voltar o olhar do meu coração do
meu foco primeiramente nos dons e no ministério para uma devoção
consagrada ao teu Filho. Perdoa-me por não dar a Jesus o primeiro lugar.
Ajuda-me a ver Jesus mais claramente para a tua glória e honra. Amém e
Amém! Glória ao Senhor!

SÃO DUAS COISAS!

Em 1 Coríntios 14:1 A Bíblia afirma que devemos buscar o amor e ainda


desejar sinceramente os dons espirituais, principalmente que possamos
profetizar! Não que em uma das mãos tenhamos os dons do Espírito e na
outra o fruto do Espírito. Eles não são dois campos separados — ou pelo
menos não deve ser assim.
Na economia de Deus, são as “duas coisas”! Portanto, vamos garantir que
este ponto esteja claro. Devemos ser pessoas que buscam
ardorosamente, com um anseio apaixonado, os dons espirituais,
enquanto mantemos o amor como o nosso objetivo! Podemos fazer isso,
não podemos? Podemos ter caráter para levar os dons e sabedoria para a
jornada da vida. Deus não quer nada menos. Então, por que se contentar
com um Cristianismo destituído de poder?
Temos tanto o fruto quanto o poder. Vamos buscar o dobro nesta
geração. Vamos ver as sombras de engano serem retiradas e andar na luz
do Cristianismo apostólico autêntico, cheio de poder. Vamos ver este
Cristianismo cobrir a Terra assim como as águas cobrem o mar, para a
glória do nosso maravilhoso Deus e Salvador — Cristo Jesus o Senhor!
O mundo está esperando por uma geração de crentes em Cristo
autênticos que sejam cheios de poder, sabedoria e caráter. Eles valem
isso! Jesus é digno disso! Deixe a luz de Deus brilhar e a única sombra
que seja vista seja a dele! Que Eles nos revele a dimensão do céu!

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membro do Conselho Apostólico de Anciãos Proféticos e membro da
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