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INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS JURIDICAS E SOCIAIS

CURSO DE CRIMINOLOGIA E SEGURANÇA PUBLICA

DISCIPLINA DE CRIME ORGANIZADO

TEMA: CRIME ORGANIZADO NA ÁFRICA OCIDENTAL E EM CABO VERDE

ÉTICA PROFISSIONAL DO PSICOLOGO:

DISCENTES: 1-Igor Tavares


2- Casiene Gomes
3- Danilco Xavier

DOCENTE:

Emersom Lubrano
Índice
Conceito do crime organizado……………………………………………………….1
Crime organizado na africa ocidental…………………………………………….2
Crime organizado em cabo verde……………………………………………………3
Formas de combater crime organizado em cabo verde…………………….4
Crimes organizados mais frequentes em cabo verde…………………………5
Conclusão …………………………………………………………………………………………..6
Bibliografia…………………………………………………………………………………………..7
Crime organizado É um grupo organizado com intuito de cometer crimes com
estrutura hierárquica ou relações pessoais que possibilitam o controlo do grupo por
partes do líder, praticam violência, intimidação e corrupção desenvolvidos com o
propósito de obter lucros ou controlar mercados e territórios.

• Caraterísticas principais do CO:


1) O Crime Organizado é cometido com o fim de obtenção de ganhos financeiros;
2) Os grupos costumam se organizar de forma estável;
3) O Crime Organizado depende da infiltração no poder público;
4) O dinheiro obtido ilicitamente volta a circular por meio da lavagem de dinheiro;
5) Os grupos criminosos utilizam de intimidação para conseguirem manter-se.

Crime organizado em africa ocidental


A África ocidental é afetada por um conjunto de fluxos comerciais ilícitos. Alguns
destes tem origem na região, tais como os que envolvem petróleo roubado,
trabalhadores emigrantes sem documentação ou casos de exploração sexual. Outros
tem região como destino, tais como resíduos tóxicos, as armas de fogo ou
medicamentos de contrafação. Outros ainda passam apenas pela região, como a
cocaína.
O Crime organizado está dominando a África ocidental ameaçando a paz e a segurança
humana, impede os direitos humanos e mina o desenvolvimento económico, social,
cultural, político e civil das sociedades. Nos últimos anos a África ocidental se tornou
uma rota de tráfico de cocaína, que tem origem na América latina, com o destino a
europa. Em 2006, cerca de um quarto da cocaína que adentrou na europa
(aproximadamente 40 toneladas) passou pela África.
Os países que se posicionam, estrategicamente, entre os locais de produção (América
Latina) e o mercado consumidor (Europa e EUA) são potencialmente atrativos ao
narcotráfico.
A ONUDC aponta a África Ocidental como uma importante zona de transição e de
assistência logística do tráfico da cocaína na zona atlântica e em 2007, cerca de 80% de
cocaína movido da América do Sul para esta sub-região africana foram transportados
via mar e 20% pelo ar. África se constitui atualmente como um continente pivô para o
narcotráfico internacional e o crime organizado.
Cerca de 2/3 da cocaína transportada da América Latina para a Europa passa na Costa
Ocidental Africana, especificamente, Benim, Cabo Verde, Gana, Guiné-Bissau, Mali,
Nigéria e Togo.
Aproximadamente cerca de 40 a 50 toneladas de cocaína destinada ao mercado
europeu anualmente para por África.
Esta atividade rende pelo menos cerca de 1.8 bilhões de dólares, segundo as últimas
estimativas.
Juntamente com as organizações do crime organizado, as organizações terroristas do
continente tiram vantagem desta oportunidade e, portanto, controlam também esta
rota. Grupos como Al Qaeda, Magrebe Islâmico e o movimento jihad da Costa
Ocidental estão envolvidos nos tráficos de cannabis e cocaína no Sahel e na Costa
Ocidental.
A África Ocidental está a ser crescentemente explorada pelas redes de narcotráfico sul-
americanas da cocaína para grandes mercados europeus.
A Guiné-Bissau, atualmente, é apontada como um ponto estratégico para os atores do
narcotráfico, pois o clima de caus que reina o país, aliado à sua especificidade
territorial e geográfica, facilita em muito os trabalhos dos criminosos. Tem havido
apreensões de quantidades abismais de cocaína em toda a região. Por uma série de
razões, o local de entrada e saída de estupefacientes nem sempre são coincidentes.
Muitas vezes, é movimentada pelo continente, por mar e terra, para ser embarcadas
em países sobre os quais se tem menores suspeitas, numas estratégia que visa iludir as
autoridades fronteiriças europeias.

Como a droga alcança a África?


A droga alcança a África, quer por via aérea, quer através do mar. No primeiro caso,
são utilizadas, essencialmente, pequenas avionetas submetidas a algumas
modificações, mormente a adição de tanques de combustíveis extras, de modo a
suportar o voo transatlântico. Chegam a transportar centenas de quilos de cocaína
numa só viagem, principalmente, para países como a Guiné-Bissau, a Serra Leoa, a
Mauritânia, onde são armazenadas e, ulteriormente, enviadas pela europa. No
segundo, método pelo qual e transferido o grosso de narcóticos, os traficantes
recorrem aos grandes cargueiros e navios pesqueiros, designados também por
“navios-mãe”, que levam a mercadoria até às águas africanas, onde é feito o
transbordo para pequenas embarcações constituídas, normalmente, por uma
tripulação mista de africanos e sul-americanos.
Como as drogas chegam ao seu destino?
A introdução da droga nos mercados europeus faz-se com recurso a dois métodos que,
até certo ponto, se complementam: no primeiro, são inseridos grandes montantes, por
via marítima, normalmente, transportados por grandes navios porta-contentores que
atracam nos portos de Portugal e Espanha, operação dirigida, essencialmente, por sul-
americanos (colombianos, venezuelanos, mexicanos e brasileiros), coadjuvados por
cidadãos europeus. A segunda vertente desse tráfico desenvolvem com o auxílio de
intermediários, muitos dos quais pagos em droga, mas também por indivíduos que
adquirem pequenas quantidades, normalmente, entre 500 gramas a 10 quilos, sendo
exportadas, em seguida, para a Europa, carregam porções que variam entre um a dois
quilos, quer na bagagem, quer coladas ao corpo, ou ainda encapsuladas no interior do
estômago – as “mulas”. Neste âmbito, uma prática corriqueira é o que se
convencionou denominar de “shot gun approach”, ou seja, sabendo de antemão que
os aeroportos possuem limitações ao nível do controlo dos suspeitos, os traficantes,
não raras vezes, antecipando ou mesmo planeando as perdas, embarcam dezenas de
“mulas” num só voo, maximizando a probabilidade de grande parte do estupefaciente
chegar ao destino.

A maioria dos ilícitos traficados passa pela africa ocidental, mas não se originam lá.
Porquê a África Ocidental?
Essa parte do continente africano apresenta grandes contingências estruturais, que
transparecem na fragilidade das suas instituições, traduzindo na mitigação da
autoridade do Estado. Há um vazio relativamente à execução das suas
responsabilidades primeiras.
Os serviços públicos, quando funcionam, são deficientes, as suas infraestruturas
centrais, na maior parte dos casos, encontram-se arruínas pelas guerras;
Por outro lado, o Estado não constitui uma garantia de segurança para os cidadãos;
As Forças de segurança, além de sobredimensionadas, estão mal preparadas,
constituindo não raras vezes, o principal foco de instigação da instabilidade;
A sua ineficiência, aliada ao facto de estarem frequentemente envolvidos em
conflitos, impede os Estados de exercerem uma soberania efetiva sobre o território;
Os controlos fronteiriços são deficientes, favorecendo todo o tipo de atividades ilegais;
A corrupção, um problema transversal à toda estrutura estatal, ou seja, infiltram-se
nas estruturas estatais por intermediário de corrupção para corromper as autoridades,
isto é uma estratégia fundamental engendrada pelos criminosos com intuito de
facilitar os seus negócios.
O crescimento demográfico em África é gritante, com isso, é suscetível de provocar
uma pressão urbanística sobre as cidades densamente povoadas. Grandes partes
desses novos habitantes vir-se-ão impelidos a viver em barracas, transformando as
cidades em grandes megalópolis de pobreza e desigualdades sociais, a explosão
demográfica é e particularmente grave na medida em não é seguida por um
crescimento económico que proporcione a criação de postos de trabalho, não havendo
empregos, os jovens, a grande maioria da população da africa ocidental, Vêm no crime
uma forma de supressão das sua necessidades.

Impactos dos narcotráficos na África ocidental


A sub-região oeste-africana apresenta um quadro de insegurança, de certa forma,
endémico, que, presentemente, vem sendo gradualmente agravado pelo narcotráfico.
Houve acréscimo do crime violento, sobretudo, os assassinatos, raptos e agressões,
ocorrentes nas sociedades onde se prolifica, as mais recente onda de assassinatos em
países como Gana e Nigéria esteja vinculada à disputa entre os grupos rivais que se
dedicam ao tráfico de cocaína. Os lucros avultados advenientes deste comércio ilícito
permitem comprar quase tudo o que almejam, incluindo os “assassinatos por
contracto”.
Os altos índices de criminalidade que, por norma, estão associados ao narcotráfico, são
passíveis de afastar qualquer investimento externo, agravando a taxa de desemprego e
crescimento económico dos países da sub-região. A droga está a ter repercussões
terríveis sobre a juventude oeste-africana.
O crime organizado não possui só impactos negativos mas também há positivos tais
como:
- Aumentos de postos d trabalhos;
- Desenvolve a economia do país;
- Melhoria no sistema de saúde (pois os remédios são feitos com base nas drogas).
Crime organizado em cabo verde
As organizações criminosas ligadas ao narcotráfico objetivam fazer chegar os
estupefacientes às regiões do globo onde este alcança elevados preços. Para isso, o
seu fluxo tende a seguir determinadas rotas que garantam maior segurança.
Cabo verde é a parada ideal para reabastecer os navios, armazenas os seus produtos e
envia-los para o destino final que é a Europa. Devido a sua localização estratégia, Cabo
Verde pela maior parte dos carregamentos de cocaína com o destino a costa europeia.
Em 2016, o escritório das Nações Unidas sobre drogas e crimes (UNODC) colocou Cabo
Verde no topo das listas de países da África Ocidental onde a maior quantidade de
cocaína foi apreendida entre 2009 e 2014. Seguem-se Gambia, Nigéria, Gana, e mais
recentemente Guiné-Bissau.
O envolvimento de Cabo Verde na naco-industria não é novo, mas o país até
recentemente manter o baixo fluxo de embarques de drogas, sem colocar em risco a
população local. As alegacões indicam que o governo ignorou especialmente o
problema das drogas, pois costumava gerar lucros para desenvolver a indústria do
turismo. A economia de Cabo Verde altamente afetada pela escassez de recursos
naturais, daí a necessidade de o governo se orientar para outros meios financeiros.
Para explorar as atraentes paisagens do arquipélago, era necessário dinheiro para
projetos de infraestrutura e modernização. Em 2011, uma investigação liderada pela
polícia local revelou que certos membros da liderança política estavam a permitir que
cartéis estrangeiros e locais usassem Cabo Verde como armazém para envios
encomendados da europa. No início de 2019, Cabo Verde bateu o seu próprio recorde
com 9,5 toneladas de cocaína apreendidas pela polícia a um navio com bandeira de
panamá
Grandes remessas passam por Cabo Verde
No dia 1º de fevereiro de 2019 foi realizada a maior apreensão de drogas do país. O
navio que escondia o carregamento tinha como destino Tânger, Marrocos. Fez escala
de emergência na Praia, na sequência da morte de um tripulante a bordo. A cocaína
estava escondida em 260 pacotes, enquanto todos os 11 membros da tripulação eram
russos.
Em 2016, 280 kg de cocaína foram apreendidos em um navio de bandeira brasileira. O
carregamento de drogas foi intercetado enquanto estava sendo transferido para um
iate com bandeira dos Estados Unidos. Durante a operação, quatro brasileiros, um
cabo-verdiano e um russo foram presos. A máfia russa é conhecida por operar na área.
A Comissão Europeia também alertou sobre o aumento do consumo local de drogas.
Os dados sobre até que ponto os habitantes locais são afetados pelo contrabando de
drogas em seu país ainda não estão disponíveis. No entanto, o governo está agora
cooperando com o UNODC e a UE para a implementação de medidas preventivas.
Indústria do narcotráfico afeta o setor turístico
As redes criminosas ameaçam as autoridades, pois estão interessadas em obter apoio
político para seus negócios. As pessoas diretamente envolvidas na luta contra as
drogas evitam falar publicamente por medo de represálias. Em 2014, a mãe do
principal investigador antidrogas foi morta, e o filho do primeiro-ministro foi ferido em
um tiroteio meses depois. Ambos os ataques estavam ligados a uma repressão
governamental às drogas.
Cabo Verde é considerado um dos poucos estados africanos que representa um
modelo de democracia. Goza de uma instituição estável, violência reduzida e imprensa
livre. No entanto, os últimos desenvolvimentos na indústria farmacêutica local
ameaçam a reputação de Cabo Verde. A insegurança local e a violência dos gangues
provavelmente reduzirão a renda obtida com a indústria do turismo. Isso é muito
importante para o país, já que suas receitas vêm principalmente do setor de turismo. A
melhora está aumentando ligeiramente, pois os esforços constantes das autoridades
locais para conter o comércio ilícito de drogas e o crime organizado conquistaram o
apoio técnico e financeiro de aliados estrangeiros, como França, Estados Unidos e
Portugal.
O dinheiro da droga circula por todo o arquipélago. Dos bairros pobres aos distritos
centrais, a sociedade cabo-verdiana está infestada de receitas ilegais que ameaçam
vidas locais. Gangues rivais estão cada vez mais violentas, lutando para dominar a
máfia clandestina que colabora com os cartéis sul-americanos. Os criminosos estão
usando empresas, notários, organizações não-governamentais e empresas imobiliárias
para lavar dinheiro. O dinheiro da droga está sendo inserido na economia, enquanto
muitas transações ainda permanecem descobertas.
Recursos insuficientes para combater o narcotráfico
Cabo Verde dispõe de cerca de 160 policiais e alguns barcos e aviões usados no
combate às operações de contrabando de drogas. Cabo Verde não tem capacidade
para patrulhar devidamente as suas próprias águas territoriais, uma área maior do que
a França. As forças policiais dependem fortemente do apoio da ONU e da UE, bem
como das visitas de treinamento da Marinha Real Britânica. É fundamental que as
forças cabo-verdianas capturem os carregamentos assim que chegam à costa do
arquipélago. Uma vez que os transportes de drogas são entregues à Europa, perseguir
a rede e seus produtos torna-se quase impossível.
Forma de combater a criminalidade organizada em cabo verde:
1-Cooperação e internacional (ao ter cooperação em ambos os lados e possível
combater o crime com maior eficácia).
2- Inteligência (como já sabemos os criminosos acompanha a atualidade e o com
temporário por isso os seus crimes são dinâmico e altamente organizados e
inteligentes, e os nossos profissionais devem ser altamente inteligente para poderem
desvendar os crimes.)
3- Controlo nas fronteiras (como já sabemos e lá que é o pilar de tudo, a entrada e
saída não só dos criminosos mas também dos outos produtos para o crime, esperando
as mínimas falhas das autoridades competentes para poderem passar).
4- Policiamento (se tiver mais agentes especializados e capacitados acreditamos que o
crime ira diminuir com o tempo).
5- Reforços no sistema penitenciário (como já sabem a cadeia é a maior escola para os
criminosos é lá que eles têm tempo para pensar, arquitetar misturando Com outros
tipos de criminosos ganhando experiencias para nossos crimes).
6- Corrupção (está é a chave para o crime organizado a raiz de tudo isso, o crime só
alastra atreveis desse fator).

Crime organizado mais frequente em Cabo Verde

 Tráfico de drogas ilegais;


 Furto e roubos de veículos;
 Roubos de cargas;
 Lavagem de dinheiro (em boutiques, táxis, construções civis);
 Falsificação de documentos;
 Corrupção;
 Tráficos de armas;
 Bomba de combustível;
 Salões de beleza;
 Cafés;
 Restaurantes etc.

Conclusão
O Crime Organizado se tornou um fenômeno de dimensão global. Ele está presente em
todos os cantos do mundo, mas em cada lugar apresenta uma faceta diferenciada. Nos
países produtores de drogas é visto por parte da população até como benéfico e
essencial. Nos mercados ou países consumidores, é visto como uma epidemia que gera
problemas de saúde pública e de segurança à vida e à propriedade. Nos países onde
ocorre a lavagem de dinheiro, a atuação do Crime Organizado passa despercebida para
a sociedade, mas pode ter grande influência sobre a economia local. Já nos lugares que
recetam armas, a população sente o acirramento das guerras civis e a instabilidade
crescerem.
Concluímos o nosso trabalho que foi possível identificar , ainda que a solução para
este problema esta alem de um combate das forcas de segurança, e melhores
investimento em educação e saúde que são motivos relevantes ao crescimento da
criminalidade , envolvendo também todo o sistema da politicas publicas que alcancem
a toda a população, nomeadamente as necessidades básicas da educação, saúde e
emprego, evitando que as organizações criminosas conquistam estes espaços, atraindo
os colaboradores juntos a comunidades.
Conclui-se também que a integração da polícia e seus sistemas e medida premente
para enfrentar as mais variadas e estruturadas organizações criminosas .

Bibliografia:
Dissertação de mestrado em ciências políticas e relações internacionais