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Lourenço de Ana Guimo

Rajabo Manuel Sitambur

Sauninha Ana Pascoal

Melina Martinho Muachave

Pragas e Controle de Infestantes

(Licenciatura em Agro-pecuária)

Universidade Rovuma

Extensão do Niassa

2021

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Lourenço de Ana Guimo

Rajabo Manuel Sitambur

Sauninha Ana Pascoal

Melina Martinho Muachave

Relação entre nível de infestação e perdas, nível económico de ataque (NEA)

(licenciatura em agro-pecuária)

Trabalho de carácter avaliativo da cadeira de


pragas Agrícolas e Controle de Infestantes, a
ser entregue no Departamento de Ciências
Alimentares e Agrarias e sob orientação da
Engª: Virgínia Sousa.

Universidade Rovuma

Extensão do Niassa

2021

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Índice
1.Introdução: ............................................................................................................................... 5

1.1.Objectivo Geral ..................................................................................................................... 5

1.2.Objectivos Específicos: ......................................................................................................... 5

1.3.Metodologia: ......................................................................................................................... 5

2.RELAÇÃO ENTRE NÍVEL DE INFESTAÇÃO E PERDAS ................................................ 6

3.Reprodução............................................................................................................................... 7

3.1.Reprodução sexuada:............................................................................................................. 7

4.Reprodução assexuada ............................................................................................................. 8

4.1.Plantas daninhas com reprodução sexuada e assexuada ....................................................... 8

4.2.Disseminação: ....................................................................................................................... 8

5.Agentes de dispersão de estruturas de reprodução sexuada de plantas daninhas: ................... 9

5.1.Banco de dissemínulos .......................................................................................................... 9

5.2.Densidade e composição : ..................................................................................................... 9

6.Dinâmica: ............................................................................................................................... 10

6.1.Processos de depósito .......................................................................................................... 10

6.2.Processos de retirada ........................................................................................................... 10

6.3.Dormência e germinação ..................................................................................................... 10

6.4.Dormência ........................................................................................................................... 10

7.Germinação ............................................................................................................................ 11

8.Infestação com plantas de uma única espécie vegetal............................................................ 12

8.1..Densidade crítica: ............................................................................................................... 12

8.2.Infestação com plantas de diferentes espécies vegeta ......................................................... 12

9. NÍVEL ECONÓMICO DE ATAQUE (NEA) OU NÍVEL DE DANO ECONÓMICO


(NDE) ........................................................................................................................................ 13

9.1.Selecção dos meios de intervenção ..................................................................................... 13

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10. Produtos adaptados a Protecção Integrada: ......................................................................... 14

10.1.Gestão das resistências: ..................................................................................................... 14

10.2.Efeitos em auxiliares: ........................................................................................................ 14

12.Novos produtos e tecnologias .............................................................................................. 15

12.Melhoria dos métodos de aplicação ..................................................................................... 15

12.1.Formação ........................................................................................................................... 15

13.Nível de acção ou controle (NA ou NC) .............................................................................. 17

13.1.Nível de não-ação (NNA) ................................................................................................. 17

13.2.Consequências do ataque de pragas às plantas ao nível económico ................................. 17

13.3.Injúrias ............................................................................................................................... 17

14.Prejuízos do ataque das pragas: ............................................................................................ 18

14.1. Dano das pragas agrícolas ................................................................................................ 18

14.2.Factores favoráveis à ocorrência de pragas ....................................................................... 18

15. Conclusão ............................................................................................................................ 19

16.Bibliografia: ......................................................................................................................... 20

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1.Introdução:
O trabalho da cadeira de pragas e controle de infestantes faz enfâse a assuntos referentes a
relação entre nível de infestação e perdas, nível económico de ataque (NEA). Bem o nível
económico de ataque encontra-se relacionado com dois aspectos que definem o conceito de
protecção integrada. O aspecto ecológico, que se baseia essencialmente no equilíbrio biológico
de uma cultura com tolerância do maior número de organismos nocivos, e o aspecto económico
associado à compensação do capital de produção que deve proporcionar ao agricultor, uma
produção sem perdas significativas, com produtos de qualidade, obtida com o menor número de
tratamentos e com melhoria do solo e ambiente. E quanto a relação entre nível de infestação e
perdas é Um dos factores que mais afecta o rendimento e a produtividade agrícola, pós é a
ocorrência de plantas daninhas. Estas plantas assumem grande importância por causarem efeitos
directos na cultura principal, como a interferência (acção conjunta da competição e da alelopatia)
e consequentemente a perda de rendimento, além de efeitos indirectos, como aumento do custo
de produção, dificuldade de colheita, depreciação da qualidade do produto, e hospedagem de
pragas e doenças. O trabalho tem como objectivos:

1.1.Objectivo Geral:
 Descrever a Relação entre nível de infestação e perdas. Nível económico de ataque.

1.2. Objectivos Específicos:


 Descrever como ocorre a infestação com plantas de uma única espécie e com varias
espécies vegetais;
 Indicar a relação da Análise e tomada de decisão no Nível económico de ataque.

1.3.Metodologia:
Para a realização do presente trabalho recorreu-se a métodos de pesquisa e revisão bibliográfica,
na qual cingiu-se na consulta de várias obras literárias em formatos electrónicos.

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2.RELAÇÃO ENTRE NÍVEL DE INFESTAÇÃO E PERDAS
Nível Prejudicial de perda ou Ataque (NPA). O NPA é chamado de seuil de dêgats economiques
Ou Economic injury level, em francês e inglês, respectivamente. CAUSSANEL J. P. et al.,
(1986).

Em matologia/herbologia, o NPA representa a densidade de infestação a partir da qual os gastos


no controle das infestantes são menores que os prejuízos causados por elas.

Segundo COUSSANS J. P. et al. (1986), esse nível é aquele a que todos os outros devem-se
reportar. Convém ressaltar que o NPA incorpora componentes biológicos e económicos, o que
não acontece com o NCA.

Com o NPA, tem-se por objectivo obter resposta à seguinte pergunta:

 A partir de qual densidade de infestação é economicamente vantajoso controlar as


infestantes?

O NPA representa uma análise de custo/ benefício.

De acordo com AGUIAR (1992), para Alternativamente, sob alta densidade de plantas daninhas,
não há dúvidas quanto à necessidade de controlo, mas é conveniente conhecer o potencial
competitivo individual de cada espécie para decidir quais devem ser priorizadas no controle.

Quando as densidades de plantas daninhas são muito elevadas, é impossível obter contagens
precisas de todas e cada uma das espécies daninhas. Para essas áreas, uma estimativa do número
total de plantas daninhas pode ser suficiente, pois, à medida que o número de plantas aumenta, o
efeito por indivíduo diminui.

Nessas situações, o mais importante é definir a relação das populações de plantas daninhas
para estimar com precisão o melhor tratamento possível de ser recomendado.

Entende-se por infestação o processo de rápida reprodução, produção intensa e disseminação


facilitada das estruturas reprodutivas, armazenamento dos dissemínulos viáveis no solo e
germinação e estabelecimento das plantas na área, possibilitando sua rápida colonização.

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Esse processo é regulado pelos diversos e complexos mecanismos de dormência das plantas
daninhas. Com isso, as plantas daninhas podem perpetuar-se intensamente e regular o fluxo de
gerações ao longo do tempo, garantindo sua sobrevivência no solo e a possibilidade de
reinfestações ou recolonizações futuras das áreas. CARVALHO LB. (2013).

3.Reprodução
As plantas daninhas, assim como qualquer planta, podem reproduzir-se por meio sexuado
(reprodução sexuada ou seminífera) ou por meio assexuado (reprodução assexuada ou
vegetativa). Para que ocorra a reprodução sexuada, há necessidade de polinização e fecundação
do óvulo, o que não é necessário na reprodução assexuada. Além disso, é importante ressaltar
que algumas plantas, daninhas ou não, podem apresentar os dois tipos de reprodução, sexuada e
assexuada, na mesma planta.

3.1.Reprodução sexuada:
A primeira etapa da reprodução sexuada é a polinização. Polinização é o processo de
transferência de células reprodutivas masculinas, por meio dos grãos de pólen que estão
localizados nas anteras, para o receptor feminino, denominado estigma. Grande parte das plantas
daninhas é autógama, ou seja, se autopolinizam, sendo, portanto, hermafroditas. A planta
hermafrodita pode possuir flores masculinas e femininas ou mesmo flores com os dois aparelhos
reprodutores na mesma planta. Mas não por isso plantas autógamas não necessitarão de agentes
polinizadores para se reproduzirem. Além disso, parte das plantas daninhas é alógama,
necessitando, portanto, obrigatoriamente, de agentes polinizadores para se reproduzirem
sexuadamente. Assim, a participação dos agentes polinizadores é essencial para a reprodução
sexuada das plantas daninhas.

Para que a planta daninha tenha maior sucesso na colonização das áreas é importante que não
possua agentes de polinização específicos e que seja facilmente polinizada pelo vento. Os
principais agentes polinizadores de plantas daninhas, e o respectivo tipo de polinização, são:
vento (Anemofilia), insectos diversos (Entomofilia), aves diversas (Ornitofilia), água
(Hidrofilia), morcegos (Quiropterofilia), ser humano (Antropofilia), entre outros.

Muitas plantas daninhas reproduzem-se apenas por meio sexuada.

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4.Reprodução assexuada
Reprodução assexuada ocorre quando não há fusão de gametas masculinas com gametas
femininas. As plantas que se originam da reprodução assexuada são clones do progenitor,
apresentando, portanto, características genéticas idênticas à planta mãe. ; Os tipos de reprodução
assexuada podem ser vários, destacando-se para plantas daninhas:

a) Apomixia – produção de sementes sem fecundação dos óvulos;


b) b) Multiplicação vegetativa – germinação de gemas e/ou enraizamento de estruturas de
propagação (propágulos), como bulbos, tubérculos, rizomas e estolõesc)
c) Brotação – algumas plantas daninhas podem, ainda, simplesmente brotar de gemas
presentes nas raízes, nos caules e nas folhas;
d) d) Fragmentação – algumas plantas daninhas podem, ainda, brotar de gemas presentes
em estruturas fragmentadas, como raízes, caules e folhas. A diferença para a brotação
(acima descrita) é que, neste caso, a estrutura é separada da planta mãe, o que não ocorre
na brotação.

4.1.Plantas daninhas com reprodução sexuada e assexuada


Muitas plantas daninhas com reprodução vegetativa apresentam, ainda, reprodução seminífera.
Plantas com essa característica, normalmente, são perenes, com alto potencial infestante e de
difícil controlo.

Como exemplos de plantas daninhas com reprodução tanto sexuada quanto assexuada destacam-
se: tiririca (Cyperus spp.), capim-amargoso (Digitaria insularis), sagitária (Sagittaria spp.),
trapoeraba (Commelina spp.), capim-de-rodhes (Chloris gayana), capim-dos-pampas (Cortaderia
selloana), grama-seda (Cynodon dactylon), entre muitas outras.

4.2.Disseminação:
A dispersão das plantas daninhas pode ser realizada por meios inerentes ou próprios à planta-mãe
(Autocoria) ou por agentes de dispersão, ou seja, meios não-inerentes à planta-mãe (Alocoria).
No caso, a autocoria, basicamente, deve ser considerada como dispersão, pois a própria planta-
mãe não possui meios próprios de espalhamento das estruturas vegetativas. Portanto, quando se
refere a espalhamento de estruturas vegetativas pensa-se em espalhamento por acção de agentes
de dispersão, caracterizando a alocoria. A autocoria é bem limitada quanto à colonização

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eficiente de áreas extensas, pois é pouco abrangente em área, ou seja, a planta-mãe não consegue
lançar suas estruturas de reprodução sexuada a distâncias maiores que o limite de sua copa, com
raras exceções para plantas que apresentam frutos deiscentes com propulsão mecânica
(deiscência explosiva). O leiteiro (Euphorbia heterophylla) é um exemplo de planta daninha com
propulsão mecânica, podendo lançar suas sementes de 2 a 5 metros de distância da planta-mãe.

5.Agentes de dispersão de estruturas de reprodução sexuada de plantas daninhas:


 Vento
 Água
 Animais

5.1.Banco de dissemínulos
Refere-se a banco de sementes, Que é conceituado como o “montante de sementes e outras
estruturas de propagação presentes no solo ou em restos vegetais” CARMONA, (1992).

De acordo com o conceito, o banco de sementes engloba sementes e outras estruturas de


reprodução vegetativa. Assim, como o termo usado para definir o conjunto de estruturas de
reprodução sexuada (sementes, diásporos ou o próprio fruto) e de estruturas de reprodução
assexuada (bulbos, tubérculos, rizomas e estolões)

Há dois tipos de banco de dissemínulos:

 Transitório – constituído por dissemínulos viáveis por menos de um ano;


 Persistente – constituído por dissemínulos que não germinam no primeiro ano e que
permanecem viáveis por mais de um ano.

5.2.Densidade e composição:
A composição e a densidade do banco de dissemínulos são variáveis em função das condições
edafo-climáticas e de manejo do solo e da vegetação emergente. Por exemplo, espécies mais
adaptadas a climas temperados serão mais numerosas em regiões temperadas, espécies mais
adaptadas a solos férteis serão mais numerosas em locais de uso contínuo e em grande
quantidade de adubos. Além disso, o manejo que se emprega na área também é importante, em
função da adaptação de certas espécies a determinada pressão de selecção (manejo, nesse caso).

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Por exemplo, sementes com mais reserva possibilitam a germinação a maiores
profundidades, sendo que o revolvimento do solo não é um impedimento para sua germinação e
emergência; nesse mesmo caso, a presença de palha sobre o solo (no caso do plantio direto) não
seria um impedimento tão grande para sementes com essa característica do que para sementes
com pouca reserva.

6.Dinâmica: A dinâmica do banco de dissemínulos pode ser entendida como o balanço dos
processos de entrada (chamados de processos de depósito) e saída (chamados de processos de
retirada) de estruturas de reprodução do solo.

6.1.Processos de depósito: Os processos de depósito são governados Produção e disseminação


de estruturas reprodutivas de espécies presentes na área (conhecido como chuva de sementes,
embora, não necessariamente, sejam apenas sementes); disseminação de estruturas de reprodução
de espécies presentes na área, porém vindos de outras áreas; disseminação de estruturas de
reprodução de espécies não presentes na área, vindos, logicamente, de outras áreas.

6.2.Processos de retirada: Processos de retirada são governados por predação e deterioração,


processos que causam algum dano ao dissemínulo e que inviabilizam sua germinação; morte
fisiológica (ou senescência), processo que inviabiliza, naturalmente, os dissemínulos por ação do
tempo; e a germinação, propriamente, que elimina os dissemínulos do solo, gerando um novo
indivíduo.

6.3.Dormência e germinação
De acordo com CARVALHO LB. (2013). A dormência e germinação de sementes e
propágulos de plantas daninhas são processos inteiramente ligados à dinâmica do banco de
dissemínaculos como visto anteriormente.

Na verdade, são processos antagônicos, ou seja, a dormência está ligada à manutenção do


dissemínulo no banco, enquanto a germinação, à retirada do dissemínulo no banco, permitindo
que nova planta seja gerada e produza mais estruturas de reprodução.

6.4.Dormência: A dormência é um processo de não germinação da semente ou do propágulo


mesmo que esse tenha condições ambientais ideais para sua germinação. Dentre os principais
mecanismo de dormência de sementes de plantas daninhas destaca-se:

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 Impermeabilidade do tegumento à água;
 Impermeabilidade do tegumento ao oxigênio e/ou gás carbónico;
 Resistência mecânica do tegumento ao crescimento e desenvolvimento do embrião;
 Imaturidade do embrião;
 Dormência fisiológica do embrião;

É importante ressaltar que todos esses mecanismos conferem dormência primária (dormência
desenvolvida quando a semente está ligada à planta-mãe) às sementes.

7.Germinação
Superada a dormência, a semente está apta a germinar desde que haja condições ambientais
adequadas, principalmente de temperatura e humidade do solo. Toda semente é composta por
uma estrutura de protecção (tegumento), uma estrutura de reserva (endosperma ou cotilédones) e
o embrião. A germinação é entendida, nesta obra, como o conjunto de processos, fisiológicos e
metabólicos, que se iniciam logo após a embebição da semente e culminam no rompimento do
tegumento pelo caulículo (que se desenvolverá em caules/colmos e folhas) e/ou a radícula (que
se desenvolverá em raízes). Portanto, a germinação não é um processo pontual que pode ser
medido facilmente. No entanto, sabe-se que uma semente germinou quando o embrião cresceu e
rompeu o tegumento.

Sequenciais que ocorrem dentro da semente até a expressão final da germinação são:

 Dissolução do ácido giberélico, contido na semente, pela água absorvida;


 Activação de genes do DNA nuclear;
 Transcrição desses genes e de respectivos RNAm (mensageiro);
 Tradução do RNA, culminando na síntese de amilases (proteínas enzimática);
 Hidrólise dos tecidos de reserva (compostos basicamente por amido) catalizada pelas
amilases, gerando açúcares;
 Transporte dos açúcares até o embrião;
 Activação do metabolismo do embrião, sendo os açúcares usados como combustível e
matéria-prima para o crescimento do embrião.
 Rompimento do tegumento pelo caulículo e/ou pela radícula na medida em que ocorre o
crescimento do embrião, finalizando o processo de germinação.

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A luz é um importante factor que controla a germinação, assim como o balanço hormonal.

A infestação de plantas daninhas em terras para cultivo diminui o valor comercial do local,
podendo até mesmo inviabilizar a exploração agrícola. Os efeitos negativos da sua presença em
lavouras incluem a competição que exercem por recursos limitados. O grau de interferência
imposto pelas plantas daninhas às culturas é determinado pelas espécies que ocorrem na área,
pela distribuição espacial da comunidade infestante, pelo período de convivência entre as plantas
daninhas e a cultura, e pelo ambiente. A competição por nutrientes essenciais é de grande
importância, pois estes na maioria das vezes, são limitados.

Para a realização apropriada do Manejo Integrado de Plantas Daninhas (MIPD), é importante e


necessário que seja feita uma identificação correta das espécies presentes, bem como sua
frequência na área, pois cada espécie apresenta seu potencial para se estabelecer e sua
agressividade, o que pode interferir de forma caracterizada na cultura.

8.Infestação com plantas de uma única espécie vegetal


Os níveis de Dano Económico são apresentados por respectivo acrónimo. Apresentam-se as
designações de cada nível nos idiomas francês e inglês, com a finalidade de facilitar as revisões
de literatura para a comunidade científica.

8.1.Densidade crítica:
Também denominada Nível Crítico de Ataque (NCA) FERNANDES (2003); Corresponde ao
nível de infestação a partir do qual é mensurável, por testes de inferência, o efeito depressivo das
infestantes no rendimento da cultura. Esse nível diz respeito a densidade de infestação que
verifica a redução significativa na produção.

Normalmente a densidade de plantas daninhas não é constante durante todo o ciclo de vida da
cultura. Assim, um componente temporal define o período crítico de ataque, chamado de período
de critique e critical period.

8.2.Infestação com plantas de diferentes espécies vegeta


Nas condições reais de campo, as infestações são constituídas por várias espécies vegetais. Nesse
caso, há necessidade de outra abordagem para quantificar os NPA, NEA e NDE. Durante o

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período crítico de interferência das plantas daninhas na cultura, o número de plantas infestantes é
determinado por espécie. O método de cálculo desenvolvido para esta estimativa tem como base

9. NÍVEL ECONÓMICO DE ATAQUE (NEA) OU NÍVEL DE DANO ECONÓMICO


(NDE)
O NEA define-se como "...a intensidade de ataque de um inimigo da cultura a que se devem
aplicar medidas limitativas ou de combate para impedir que a cultura corra o risco de prejuízos
superiores ao custo das medidas de luta a adoptar acrescidos dos efeitos indesejáveis que estas
últimas possam provocar..." VIÇOSA-MG (2009).

Para o estabelecimento dos níveis económicos de ataque apropriados é importante monitorizar os


níveis de prejuízo. O Nível económico de ataque pode variar dependendo da fase de
desenvolvimento de cultura.

Podem existir uma série de factores biológicos e económicos que influenciam os níveis
económicos de ataque. É importante que os níveis sejam definidos de um modo simples e
compreensível para que os agricultores possam adopta-los sem dificuldade.

9.1.Selecção dos meios de intervenção: Na aplicação dos produtos fitofarmacêuticos é


imprescindível a leitura dos rótulos que formalizam um conjunto de informação autorizada
oficialmente, para a sua correcta utilização, nomeadamente:

 Doses de utilização adequadas ao problema;


 Épocas de aplicação;
 Intervalo entre tratamentos;
 Persistência;
 Selectividade sobre culturas;
 Precauções toxicológicas;
 Intervenção de segurança;

Deverá também ser considerado a selectividade dos produtos sobre os organismos auxiliares,
Homem e Ambiente;

A utilização dos produtos para a protecção das plantas devera efectuar-se de forma a minimizar
o risco da ocorrência de resistências.

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10. Produtos adaptados a Protecção Integrada:
 Pesquisa e desenvolvimento de novos produtos químicos e biológicos compatíveis com
programas de Protecção Integrada;
 Enquadramento dos produtos existentes e sua aplicação apropriada;
 Desenvolvimento de auxiliares de decisão tais como sistemas de diagnósticos e de
previsão.

10.1.Gestão das resistências:


A resistência desenvolve-se normalmente quando uma população é frequentemente exposta à
mesma substância activa. Este processo pode acontecer rapidamente (numa única campanha) ou
nunca acontecer.

Os factores importantes que determinam o desenvolvimento das resistências são:

 Biologia da espécie,
 Tipo de cultura,
 Tipo de produtos disponíveis, bem como a sua utilização;

0 Agricultor deve utilizar todos os meios disponíveis para evitar o desenvolvimento de


resistências. Estes meios incluem o fomento da alternância de substâncias com modos de acção
diferentes (químicas e ou biológicas), assim como qualquer prática agronómica que reduza as
populações dos inimigos das culturas. OLIVEIRA A. (2014).

A indústria procura disponibilizar toda a informação necessária para minimizar os riscos da


ocorrência de resistência.

10.2.Efeitos em auxiliares: 0 Impacto dos produtos para a protecção das plantas nos organismos
auxiliares (predadores e parasitóides) precisa de ser monitorizado de forma a desenvolverem-se
estratégias de Protecção Integrada apropriadas;

A preservarão dos inimigos naturais das pragas e reconhecida como uma parte importante dos
programas de Protecção Integrada para o equilíbrio natural e dinâmica das populações.

A manutenção de populações mínimas da praga para alimentação dos seus inimigos naturais
pode ser essencial para a sobrevivência destes. Qualquer acção a praticar requer um

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conhecimento fundamental do impacto das diferentes estratégias de controlo na dinâmica das
populações dos inimigos naturais da praga.

12.Novos produtos e tecnologias


A constante procura de novos produtos e tecnologias inovadoras irá certamente ampliar práticas
e estratégias enquadráveis nos sistemas de Protecção Integrada.

A descoberta de novos modos de acção contribuirão para rápidas mudanças na protecção das
plantas, dando origem a:

 Menores quantidades de fitofarmacêuticos no ambiente;


 Análogos de substâncias naturais (hormonas de insectos, agentes de defesa das plantas,
etc.);
 Novas tecnologias aplicadas em complementaridade com os produtos param a protecção
das plantas (ex. feromonas, modelos de previsão e diagnostico...);
 0 Desenvolvimento de novas formulações (grânulos dispersáveis, mico encapsulados,
suspensões aquosas,)
 Permitirá reduzir o impacto ambiental, a toxicidade em relação ao Homem e aumentar a
selectividade em relação aos organismos auxiliares.

12.Melhoria dos métodos de aplicação


A utilização de equipamento de protecção do aplicador (fato, máscara, luvas, botas, óculos,) é
fundamental para reduzir o risco inerente à aplicação dos produtos para a protecção das plantas.

A utilização de equipamento de aplicação inadequado ou envelhecido, para além de potenciar o


risco para o aplicador, provoca frequentemente uma deficiente distribuição dos produtos,
permitindo a sobrevivência de muitos inimigos das culturas. Além de um desperdício da calda,
podem surgir sérios efeitos adversos no solo e nos seus organismos. E fundamental incentivar
novas tecnologias de aplicação (baixo volume, mobilização mínima, recuperadores de calda,)
que optimizem a eficácia biológica dos produtos de forma económica e ambientalmente
sustentável.

12.1.Formação: Considera-se uma área vital para a implementação da Protecção e Produção


Integradas e deverá incluir formação técnica e pedagógica dos intervenientes, técnicos de campo,

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distribuidores de produtos fitofarmacêuticos e agricultores. É necessário que a formação
sensibilize os agricultores e outros agentes que a Produção Integrada é um método bem adaptado
aos condicionalismos locais e dele se extraem benefícios económicos e ambientais.

Para uma correcta adopção e implementação da Protecção e Produção Integradas, é necessário


que os agricultores detenham um bom nível de conhecimento sobre a sua pratica, o qual! Devera
incluir:

 Reconhecimento dos problemas fitossanitários, dos auxiliares e seu comportamento;


 Conhecimento de métodos de estimativa de risco;
 Como manter as infestações iniciais num nível baixo usando todos os meios de gestão
disponíveis;
 Como seleccionar correctamente as variedades;

O nível económico de ataque embora tomado muitas vezes como um valor fixo, é variável em
função dos seguintes factores:

 Preço do produto agrícola (quanto maior o preço do produto menor será o nível de dano
económico).
 Custo de controlo (quanto maior o custo de controle, maior será o nível de dano
económico).
 Capacidade da praga em danificar a cultura.
 Susceptibilidade da cultura à praga.

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13.Nível de acção ou controle (NA ou NC): É a densidade populacional da praga em que
devemos adoptar medidas de controlo, para que esta não cause danos económicos. Sendo que a
diferença entre os valores do ND e do NC, deve-se a velocidade de acção dos métodos de
controlo.

13.1.Nível de não-ação (NNA): Corresponde a densidade populacional do inimigo natural capaz


de controlar a população da praga.

13.2.Consequências do ataque de pragas às plantas ao nível económico

13.3.Injúrias: Lesões ou alterações deletérias causadas nos órgãos ou tecidos das plantas. As
pragas de aparelho bucal mastigador provocam as seguintes injúrias:
 Lesões em órgãos subterrâneos;
 roletamento de plantas;
 Broqueamento (confecção de galerias no interior de órgãos subterrâneos, caule, frutos e
grãos);
 Surgimento de galhas;
 Vectores de doenças;
 Desfolha;
 Confecção de minas (galerias surgidas nas folhas devido a destruição do mesófilo foliar).

As pragas fitossucívoras provocam as seguintes injúrias:

 Sucção de seiva;
 Introdução de toxinas;
 Vectores de doenças (principalmente viroses).

Sendo que ataque de pragas fitossucívoras pode ocasionar:

 Retorcimento ("engruvinhamento");
 Amarelecimento;
 Anormalidade no crescimento e desenvolvimento;
 Secamento;
 Mortalidade;
 Queda na produção das plantas.

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14.Prejuízos do ataque das pragas:
 Queda na produção agrícola causada por pragas.

14.1. Dano das pragas agrícolas


Prejuízos causado por organismos fitófagos com densidade populacional acima de nível de dano
económico.

14.2.Factores favoráveis à ocorrência de pragas


 Descaso pelas medidas de controlo
 Plantio de variedades susceptíveis ao ataque das pragas
 Diminuição da diversidade de plantas nos agro-ecossistemas (o plantio de monoculturas
favorecem as populações das espécies fitófagas "especialistas" e diminui as populações
dos inimigos naturais das pragas)
 Falta de rotação de culturas nos agro-ecossistemas.
 Plantio em regiões ou estações favoráveis ao ataque de pragas.
 Adopção de plantio directo (geralmente há um aumento de insectos que atacam o sistema
radicular das plantas).
 Adubação desequilibrada (as plantas mal nutridas são mais susceptíveis ao ataque de
pragas)
 Uso inadequado de Pesticidas (uso de dosagem, produto, época de aplicação e
metodologia inadequada).

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15. Conclusão
De acordo com os objectivos desenhados Acima foi constatado que a base do equilíbrio entre os
aspectos ecológicos e económico designa-se por Nível Económico de Ataque (NEA) e define-se
do seguinte modo: intensidade de ataque a partir da qual se devem aplicar medidas limitativas ou
de combate para impedir que o aumento da população atinja níveis em que se verifiquem
prejuízos de importância. O NEA baseia-se previamente na tomada de decisão, pondera a
necessidade de adoptar por medidas directas para reduzir a nocividade do inimigo), avalia os
factores de nocividade que podem influenciar positivamente ou negativamente o comportamento
de um dado inimigo da cultura. E no que diz respeito ao processo de infestação, esse processo è
baseado na capacidade que as plantas daninhas tem de rápida reprodução, produção intensa e
disseminação facilitada das estruturas reprodutivas, armazenamento dos dissemínulos viáveis no
solo e germinação, e estabelecimento das plantas na área, possibilitando sua rápida colonização.

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16.Bibliografia:
CARVALHO, LEONARDO DE BIANCO Plantas Daninhas / Editado pelo autor, LAGES, SC, 2013 vi,
82 p.

ADATI, C. OLIVEIRA, V. A.; KARAM, D. Análise matemática e biológica dos modelos de


estimativa de perdas de rendimento na cultura devido à interferência de plantas daninhas. Planta
Daninha, v. 24, n. 1, p. 1-12, 2006

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