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Língua Portuguesa

Sequência didática- n° 15
Eixo de conhecimento: Leitura e Interpretação textual

Vamos conhecer um poema de cordel criado por Pedro Costa e impresso em


folheto. Ele tem como assunto uma lenda do Piauí, sobre um personagem conhecido
como Cabeça de Cuia.

A LENDA DO CABEÇA DE CUIA O homem tem enfrentado


Perigos no alto-mar,
 I. Nos espaços siderais,
O povo que não acredita Monta usina nuclear,
Em história de pescador, Não domina o universo
De vaqueiro e cachaceiro, Porque Deus não vai deixar.
De poeta cantador.
Motorista e seringueiro, Existe homem no mundo
Marinheiro e caçador. Que desconhece o amor
E contra pais e irmãos
Dizem que toda mentira As palavras do Senhor.
Deturpa sempre a verdade, Xinga Terra, Sol e astros
Por menos que ela seja As coisas do Criador.
Dita na sociedade,
Contada por muita gente, Muitos anos atrás
Se torna realidade. Existiu no Piauí
Um pescador que pescava
Uma história de verdade No Parnaíba e Poty.
Contada de uma maneira A sombra da maldição
Deturpada, duvidosa, Estava perto de si.
Como fosse brincadeira,
Por mais que seja real, III.
Nunca será verdadeira.
O seu nome era Crispim,
Existe história lendária Cresceu sem religião,
Que virou verdade pura, Sem pai pra lhe dar conselho,
Com o tempo ganhou fama Sem amigo e sem irmão,
Com personagem e figura Sua mãe muito velhinha,
Inserida no folclore, Sem mágoa no coração,
Enriquecendo a cultura.
Acontece que Crispim
II. Não aprendeu a trabalhar.
Para sustentar a mãe,
Entre todas criaturas Ele tinha que pescar.
Sempre o homem é o mais forte, Quando não pescava nada,
Enfrenta feras nas selvas, Danava a esbravejar.
Escapa no fio da sorte.
Tem o instinto voraz. Devido à necessidade,
Só quem o vence é a morte Ele só vivia aflito,
Ameaçava sua mãe,
Dava soco, dava grito,
Agredia todo mundo, Os anjos disseram amém
Chamava o rio maldito. Na hora em que a mãe falou.
Sua madrinha não ouviu,
Sua mãezinha chorava, Jesus no céu escutou.
Muito tristonha e velhinha, E de repente Crispim
Sem esperança de vida, No monstro se transformou.
Em sua pobre casinha,
O sofrimento do filho, Ficou todo transformado,
Com a pobreza que tinha. Com a cara muito feia.
A cabeça cresceu tanto,
IV. Que dava uma arroba e meia.
Caiu nos rios e aparece
Vendo o filho em desespero, Em noite de lua cheia.
A mãe se compadecia.
Assim vivia Crispim, VI.
Sem ter sorte em pescaria,
Xingava até sua sombra A velha foi sepultada
E a roupa que vestia. Como se fosse uma indigente.
Não ficou nem um registro,
Um certo dia Crispim Não apareceu parente.
Voltou pra casa zangado. E Crispim ainda vive
Não tinha pescado nada, Querendo voltar a ser gente.
Crispim ficou irritado.
Xingando os rios e os peixes, Até mesmo os pescadores
Tudo que tinha ao seu lado. Nele não querem falar.
Quando falam sentem medo,
A mãe lhe disse: “Filhinho, Passam noites sem pescar.
Não pense mais em mazela, Todos temem a qualquer hora
Coma um pirão com uma ossada Com Crispim se encontrar.
Que tem naquela panela”.
Crispim pega um corredor, Cabeça de Cuia vive
Bateu na cabeça dela. Cumprindo sua trajetória.
Uma velha diz que viu,
A pancada foi tão grande, Porém perdeu a memória,
Levou a velha ao chão. Se assombra, fica louca
A mãe antes de morrer Quando escuta essa história
Jogou-lhe uma maldição:
“Serás transformado em monstro, Todo final de semana,
Num ente sem coração”. Sempre, sempre é registrado
Nas águas desses dois rios
V. Alguém morrer afogado,
Deixando cada vez mais
“Filho maldito e ingrato, Banhista desesperado.
Tu foste muito ruim.
Matar tua genitora, VII.
Te amaldiçoo, Crispim.
Serás um monstro maldito, Crispim Cabeça de Cuia
Triste será teu fim. Vive ainda à procura
Das sete Marias virgens,
Nas águas desses dois rios, Cumprindo sua desventura
Tu vais ficar a vagar. Rio abaixo e rio arriba,
Serás um monstro assombroso, Em noite clara ou escura.
Até você devorar
As sete Marias virgens, Passaram séculos e séculos,
Mas nunca irás encontrar.” A história permanece.
Dizem quando os rios enchem,
Na correnteza ele desce,
Dando gargalhadas estranhas
Toda vez que aparece.

Ele vaga pelas águas


Do Parnaíba e Poty
E no encontro dos rios
Tem sua estátua ali
Descrevendo esta lenda
Folclórica do Piauí.

EXPLORANDO O TEXTO

1- A narrativa da lenda do Cabeça de


Cuia tem início na estrofe 8. Que ideia
o poeta defende nas estrofes
anteriores?

2-Quem era Crispim?

3-Como ele vivia?

4-Como era o temperamento de


Crispim?

5-Qual a atitude da mãe, já velhinha,


diante da ira do filho?

6-Que fato levou Crispim a matar a


própria mãe?

7-Qual a reação de Crispim ao


perceber monstro?

8- O que deveria acontecer para que o


encantamento acabasse?