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Manual de Ondas

e Óptica

Ensino à Distância

Universidade Pedagógica

Rua Comandante Augusto Cardoso nº 135


Direitos de autor

Este módulo não pode ser reproduzido para fins comerciais. Caso haja necessidade
de reprodução deverá ser mantida a referência à Universidade Pedagógica e aos
seus Autores.

Universidade Pedagógica
Rua Comandante Augusto Cardoso, no 135
Telefone: 21-320860/2
Telefone: 21 – 306720

Fax: +258 21-322113


Moçambique
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância i

Agradecimentos
À COMMONWEALTH of LEARNING (COL) pela disponibilização do Template usado na
produção dos Módulos

Ao Instituto Nacional de Educação à Distância (INED) pela orientação e apoio prestados.

À intermón-Oxfarm pelo financiamento para a produção deste Módulo.

Ao CEAD pela coordenação e operacionalização de todo o processo de Produção do


módulo.

Ao Magnífico Reitor, Directores de Faculdade e Chefes de Departamento pelo apoio


prestado em todo o processo.
2 Índice Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância 2
2

Ficha Técnica

Autores: Jossias Arnaldo Vilanculo

Desenho Instrucional: Nilsa Pondja Cherinda

Revisão Linguística: Ernesto Guimino Júnior

Maquetização : Aurélio Armando Pires Ribeiro

Ilustração: Valdinácio Florêncio Paulo


3 Índice Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância 3
3

Índice
Visão geral 1
Bem-vindo ao Módulo de Óptica e ondas .......................................................................................... 1
Objectivos do curso ............................................................................................................................. 2
Quem deveria estudar este módulo.................................................................................................... 2
Como está estruturado este módulo................................................................................................... 2
Ícones de actividade............................................................................................................................ 3
Acerca dos ícones.......................................................................................................... 3
Acerca dos ícones.......................................................................................................... 3
Habilidades de estudo ......................................................................................................................... 4
Precisa de apoio? ................................................................................................................................ 5
Tarefas (avaliação e auto-avaliação).................................................................................................. 5
Avaliação.............................................................................................................................................. 7

Unidade 1 9
Movimento Oscilatório ......................................................................................................................... 9

Lição nº 1 11
Oscilações Mecânicas: Movimento Harmónico Simples .................................................................11

Lição nº 2 17
Movimento Harmónico simples e movimento circular uniforme. .....................................................17
Energia do Movimento Harmónico Simples...........................................................................17

Lição nº 3 .....................................................................................................................................................21
Pêndulo Simples...............................................................................................................................21
4 Índice Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância 4
4

Lição nº 4 27
Sobreposição do Movimento Harmónico Simples ...........................................................................27

Lição nº 5 42
Oscilações Amortecidas....................................................................................................................42
Movimento sub amortecido ...............................................................................................................43
Energia de um oscilador sub amortecido .........................................................................................47

Lição nº 6 50
Oscilações Forçadas e Ressonância................................................................................................50
Tratamento matemático da Ressonância.........................................................................................53
Sumário ..............................................................................................................................................56
Auto avaliação....................................................................................................................................57
Feed Back ..........................................................................................................................................61

Unidade 2 63
Oscilações eléctricas.........................................................................................................................63

Lição nº 1 64
Oscilações harmónicas .....................................................................................................................64

Lição nº 2 68
Oscilações eléctricas amortecidas. Circuito (RLC)..........................................................................68

Lição nº 3 71
Oscilações eléctricas forcadas (RLC com gerador).........................................................................71
Relação entre Z , R, X , α ................................................................................................................74
Aplicação da ressonância nos circuitos eléctricos...........................................................................76
Sumário ..............................................................................................................................................78
Auto-Avaliação...................................................................................................................................83

Unidade nº 3 85
Ondas.................................................................................................................................................85

Lição nº 1 86
Ondas Mecânicas. Classificação das Ondas Mecanicas ................................................................86

Ondas mecânicas 86
5 Índice Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância 5

Para o tratamento do movimento ondulatório, são de extrema importância os conceitos de meio elástico
e de meio homogéneo. 86
Classificação das ondas quanto ao meio de propagação..........................................88

Classificação quanto a direcção de propagação 88


Transversais .................................................................................................................88
Longitudinais.................................................................................................................88
Fontes sonoras ..................................................................................................................................90
Tecnologia Sonora .......................................................................................................91
Meios de Propagação ..................................................................................................92
Produção do Som ...............................................................................................93
Transmissão do Som..........................................................................................96
Qualidades do Som ............................................................................................96

Lição n º2 98
Equação da Onda..............................................................................................................................98
Equação de onda ........................................................................................................................98
Ondas harmónicas ....................................................................................................................100
Equação da onda ......................................................................................................................101
Ondas unidimensionais.............................................................................................................101
Grandezas que caracterizam uma onda ..................................................................................102
Energia cinética e potencial numa corda .................................................................................103
Energia potencial.......................................................................................................................103
Energia media de um segmento...............................................................................................104
Potência media de transmissão de energia.............................................................................104
Potência de transmissão...........................................................................................................104

Lição n º3 105
Propagação das ondas....................................................................................................................105
Ondas em três dimensões ........................................................................................................105
Intensidade das ondas ..............................................................................................................106
Nível de intensidade e sonoridade ...........................................................................................107
Ondas contra obstáculo ............................................................................................................107
Velocidade de grupo .................................................................................................................108
Efeito Doppler na acústica ........................................................................................................111
Grandezas que caracterizam uma onda ..................................................................................114
Velocidade de uma onda ..........................................................................................................114
Energia cinética e potencial numa corda .................................................................................115
Energia potencial.......................................................................................................................116
Energia media de um segmento...............................................................................................116
Potência media de transmissão de energia.............................................................................116
Potência de transmissão...........................................................................................................116
Ondas em três dimensões ........................................................................................................116
Intensidade das ondas ..............................................................................................................117
Nível de intensidade e sonoridade ...........................................................................................118
6 Índice Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância 6

Sumário ............................................................................................................................................118
Ondas.........................................................................................................................................119
Auto Avaliação .................................................................................................................................120

Unidade n º4 126
Ondas...............................................................................................................................................126

Lição nº 1 127
Electromagnétismo ..........................................................................................................................127
Ondas electromagnéticas .........................................................................................................127
Energia e momento de uma onda electromagnética...............................................................129

Lição nº 2 131
Sobreposição de Ondas Electromagnéticas ..................................................................................131
Princípio de super posição de ondas .......................................................................................131
Efeito Doppler em ondas electromagnéticas ...........................................................................138
Sumário ............................................................................................................................................141
Auto avaliação..................................................................................................................................143

Unidade 5 144
Óptica Geométrica...........................................................................................................................144

Lição nº1 146


Fenómeno e Reflexão da Luz .........................................................................................................146
Ponto fo......................................................................................................................................148
Aumento produzido por um espelho esférico .........................................................................151

Lição nº2 152


Fenómeno e Refração da Luz.........................................................................................................152
Refracção numa superfície esférica ...............................................................................................153
Lentes ........................................................................................................................................156
Aumento produzido por uma lente ...........................................................................................160
Sumário ............................................................................................................................................160
Auto avaliação..................................................................................................................................161
Bibliografia........................................................................................................................................163
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

Visão geral
Bem-vindo ao Módulo de Óptica e
ondas
Caro estudante! O estudo de Óptica e Ondas que você vai iniciar
tem em vista a criação de uma base sólida para o curso de
Física. Nesta área da Física os conceitos de “oscilação” e “onda” e
“raio luminoso” são deveras fundamentais para o estudo de muitos
fenómenos da natureza.

Com o tratamento deste módulo, você estará habilitado a iniciar e


desenvolver o curso de Física com segurança e facilidade.

Certamente, você se lembra do fatídico terramoto (Dezembro de


2007) na Indonésia, onde milhares de pessoas perderam a vida,
como pode explicar este fenómeno? Ao terminar o módulo, estará
em condições de explicar fenómenos de género.

Os cuidados que os engenheiros de construção civil tomam ao


construir edifícios para evitar desabamentos em casos de
oscilação da terra, são explicados neste módulo. Estes são
apenas alguns exemplos. Mas há ainda tantos relacionados com a
tecnologia que são discutidos neste módulo.

O módulo é constituído por 5 unidades: Oscilações Mecânicas,


Oscilações Eléctricas, Ondas Mecânicas, Ondas
Electromagnéticas e Óptica.
Objectivos do curso
Quando terminar o estudo de óptica e ondas, você deverá ser
capaz de:
- Explicar os conceitos e as grandezas, modelos, leis e os
Objectivos principais da disciplina de Ondas e Óptica
- Explicar as aplicações tecnológicas das Ondas e Óptica
- Aplicar o método experimental na disciplina de Ondas e Óptica
Objectivos - Explicar fenómenos relacionados com oscilações, ondas e óptica
- Resolver exercícios básicos das oscilações, ondas e óptica

Quem deveria estudar este


módulo
Este Módulo foi concebido para a formação de professores em
exercício que tenham feito a décima segunda classe ou o
equivalente e que pretendem continuar com o ensino de física se
tenham matriculado no curso de ensino à distância fornecido pela
Universidade Pedagógica.

Como está estruturado este


módulo
Todos os módulos dos cursos produzidos pela Universidade
Pedagógica encontram-se estruturados da seguinte maneira:

Páginas introdutórias
Um índice completo.
Uma visão geral detalhada do curso / módulo, resumindo os
aspectos-chave que você precisa conhecer para completar o
estudo. Recomendamos vivamente que leia esta secção
com atenção antes de começar o seu estudo.

Conteúdo do curso / módulo


O curso está estruturado em unidades. Cada unidade incluirá
uma introdução, objectivos da unidade, conteúdo da
unidade incluindo actividades de aprendizagem, um
sumário da unidade e uma ou mais actividades para auto-
avaliação.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

Outros recursos
Para quem esteja interessado em aprender mais, apresentamos
uma lista de recursos adicionais para você explorar. Estes
recursos podem incluir livros, artigos ou sites na internet.

Tarefas de avaliação e/ou Auto-avaliação


Tarefas de avaliação para este módulo encontram-se no final
de cada unidade. Sempre que necessário, dão-se folhas
individuais para desenvolver as tarefas, assim como instruções
para as completar. Estes elementos encontram-se no final do
Módulo.

Comentários e sugestões
Esta é a sua oportunidade para nos dar sugestões e fazer
comentários sobre a estrutura e o conteúdo do Módulo. Os
seus comentários serão úteis para nos ajudar a avaliar e
melhorar este Módulo.

Ícones de actividade

Acerca dos ícones


Ao longo deste Módulo irá encontrar uma série de ícones
nas margens das folhas. Estes ícones servem para
identificar diferentes partes do processo de aprendizagem.
Podem indicar uma parcela específica do texto, uma nova
actividade ou tarefa, uma mudança de actividade, etc.

Acerca dos ícones


Pode ver o conjunto completo de ícones deste manual já a
seguir, cada um com uma descrição do seu significado e da
forma como nós interpretámos esse significado para

representar as várias actividades ao longo deste Módulo.


Comprometime Resistência, “Aprender
“Qualidade do
nto/ perseverança através da
trabalho”
perseverança (excelência/ experiência”
Auto-avaliação
Actividade autenticidade) Exemplo /
Estudo de
Avaliação / caso
Teste

Paz/harmonia
Debate “Eu mudo
Unidade/relaçõ Vigilância / ou
es humanas preocupação transformo
Actividade de Tome Nota! a minha
grupo vida”
Objectivos

Apoio /
[Ajuda-me] “Pronto a “Nó da encorajame
deixa-me enfrentar as sabedoria” nto
ajudar-te” vicissitudes da Dica
Leitura vida” Terminologia

(fortitude /
preparação)
Reflexão

Habilidades de estudo

Caro estudante!
Para frequentar com sucesso este módulo terá que buscar através
de uma leitura cuidadosa das fontes de consulta a maior parte da
informação ligada ao assunto abordado em cada uma das
unidades apresentadas. Para o efeito, no fim de cada unidade
apresenta-se uma sugestão de livros para leitura complementar.
Antes de resolver qualquer tarefa ou problema, você deve
certificar- se de ter compreendido a questão colocada;
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

É importante questionar se as informações colhidas na literatura


são relevantes para a abordagem do assunto ou resolução de
problemas;
Sempre que possível, deve fazer uma sistematização das ideias
apresentadas no texto.
O grupo deseja – lhe muitos sucessos!

Precisa de apoio?
É evidente que dúvidas e problemas são comuns ao longo de
qualquer estudo. Neste contexto, em caso de dúvida numa
matéria tente consultar os manuais sugeridos no fim da lição e
disponíveis nos centros de Recursos mais próximos. Se tiver
dúvidas na resolução de algum exercício, procure estudar os
exemplos semelhantes apresentados no manual. Se a dúvida
persistir, consulte a orientação que aparece no fim dos exercícios.
Se a dúvida ainda persistir, veja a resolução do exercício.
Sempre que julgar pertinente, pode consultar o tutor que está à
sua disposição no centro de Recurso mais próximo.
Não se esqueça de consultar também colegas da escola que
tenham feito a cadeira de óptica e ondas, vizinhos e até
estudantes de universidades que vivam na sua zona e tenham ou
estejam a fazer cadeiras relacionadas com a óptica e ondas.

Tarefas (avaliação e auto-


avaliação)
Ao longo deste módulo irá encontrar várias tarefas que
acompanham o seu estudo. Tente sempre solucioná-las. Consulte
a resolução para confrontar o seu método e a solução
apresentada. Você deve promover o hábito de pesquisa e a
capacidade de selecção de fontes de informação, tanto na internet
como em livros devendo apenas apresentar o devido cuidado na
pesquisa de tais informações. Consulte manuais disponíveis e
referenciados no fim de cada lição para obter mais informações
acerca do conteúdo que esteja a estudar. Se usar livros de outros
autores ou parte deles na elaboração de algum trabalho deverá
citá-los e indicar estes livros na bibliografia. Não se esqueça que
usar um conteúdo, livro ou parte do livro em algum trabalho, sem
referenciá-lo é plágio e pode ser penalizado por isso. As citações
e referências são uma forma de reconhecimento e respeito pelo
pensamento de outros. Estamos cientes de que o estimado
estudante não gostaria de ver uma ideia sua ser usada sem que
fosse referenciado, não acha?

Na medida de possível, procurar alargar competências


relacionadas com o conhecimento científico, as quais exigem um
desenvolvimento de competências, como auto-controle da sua
aprendizagem.

As tarefas colocadas nas actividades de avaliação e de auto-


avaliação deverão ser realizadas num caderno à parte ou em folha
de formato A4 de preferencia.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

Avaliação
O Módulo de óptica e ondas terá dois testes e um exame final.
Note que o exame referenciado deverá ser feito no Centro de
Recursos mais próximo, ou em local a ser indicado pela
administração do curso. O calendário das avaliações será também
apresentado oportunamente.

A avaliação visa não só informar-nos sobre o seu desempenho


nas lições, mas também estimular-lhe a rever alguns aspectos e a
seguir em frente.

Durante o estudo deste módulo o estudante será avaliado com


base na realização de actividades e tarefas de auto-avaliação
previstas em cada Unidade, dois testes escritos, e um exame oral.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
15

Unidade 1
Movimento Oscilatório

Introdução
Além do movimento circular e uniforme, são exemplos de
movimentos periódicos o movimento de um pêndulo gravítico, o
movimento de um sistema massa-mola, o movimento da roda de
balanço de um relógio, o movimento das cordas e das colunas de
ar dos instrumentos musicais ao produzirem uma nota, o
movimento dos átomos ou dos iões num sólido em torno de uma
posição fixa, o movimento dos electrões numa antena
transmissora ou numa antena receptora, etc.

Mas o que diferencia estes movimentos, está no facto de uns


mudarem periodicamente do sentido da sua trajectória e outros
manterem constante. Para o caso do movimento circular e
uniforme, este se efectua sempre no mesmo sentido, enquanto os
outros movimentos referidos mudam periodicamente de sentido.

Assim, aos movimentos que mudam periodicamente do sentido,


na mesma trajectória, para um e para o outro lado de uma posição
fixa, chamada posição de equilíbrio, designam-se por
movimentos oscilatórios.

Os movimentos oscilatórios classificam-se em mecânicos e


electromagnéticos, de acordo com as forças que levam os
osciladores a posição de equilíbrio. Por exemplo, quando o
pêndulo gravítico é afastado da sua posição de equilíbrio, é a
força gravítica (mecânica) que tende a fazê-lo regressar à posição
de equilíbrio. Numa antena emissora, cada electrão é um
oscilador electromagnético pois que são forças de natureza
eléctrica e magnética que o levam à posição de equilíbrio.

As oscilações são as responsáveis pelo funcionamento de


aparelhos como o auto-falante, o microfone, os toca-discos e
muitos outros. Átomos em um sólido podem ser estudados se
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
16

considerarmos um sistema de molas ligando uns aos outros e que


os mantêm todos unidos como um modelo para a vibração dos
mesmos.

Podemos fazer modelos oscilatórios para explicar a estrutura da


matéria.

A medição do tempo surgiu a partir da comparação com sistemas


periódicos, tendo surgido a nossa noção de tempo que temos
hoje, e tantas técnicas e invenções para medir esse tempo. A
periodicidade dos astros foi usada como um dos nossos primeiros
calendários, dando origem ao nosso sistema de tempo.

Entretanto, para se começar o estudo da ondulatória é necessário


dominar e saber aplicar bem o modelo para o Movimento
Harmónico Simples, um dos sistemas periódicos mais simples,
sendo este o nosso objectivo.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:


• Caracterizar o movimento oscilatório e o movimento harmónico
simples;
• Deduzir a equação diferencial do movimento harmónico simples
Objectivos
num sistema massa-mola e num pêndulo simples;
• Representar e interpretar os gráficos da elongação, velocidade e
aceleração do movimento harmónico simples;
• Deduzir e interpretar as equações da energia no movimento
harmónico simples

Nesta Unidade poderá fazer o uso de novos termos como


equação diferencial, oscilador harmónico e equação da onda.

Terminologia
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
17

Lição nº 1
Oscilações Mecânicas:
Movimento Harmónico Simples

Introdução

Seja bem-vindo ao estudo desta lição. Nela você vai aplicar as leis
de Newton discutidas no módulo da Mecânica num movimento de
vai e vem numa mola como ilustra a FIG.1

Ao terminar esta lição você será capaz de:

• Deduzir a equação diferencial do movimento harmónico


simples a partir do movimento unidimensional duma mola
presa numa das extremidades,
Objectivos
• Deduzir as equações do período e frequência dum
oscilador de mola,

• Deduzir as equações da velocidade e aceleração do


movimento harmónico simples,

• Resolver exercícios aplicando as equações do movimento


harmónico simples.

Você precisará de 2 horas para completar esta lição

1.1. Movimento Harmónico Simples

Você já observou o que acontece quando nos atiramos numa


cama de molas? Quando suspendemos algo numa balança de
molas?

Certamente que você nota um movimento de vai e vem de cima


para baixo sucessivamente. Como interpretar este movimeno com
equações matemáticas?
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
18

Para o estudo do Movimento Harmónico Simples, designado por


MHS, tomamos um oscilador simples composto por um ponto
material e uma mola elástica.

Temos que considerar as seguintes condições:

− A oscilação deve ser unidimensional (ao longo de um só


eixo);
− A mola deve ser de massa desprezível;
− O corpo oscilante é um corpo material;
− A força de atrito é tendente para zero.

FIG.1 Mola disposta horizontalmente presa a um corpo de massa m,


executando um movimento oscilatório numa superfície sem atrito.

Se deslocarmos o corpo de massa m para a esquerda, afastando-


a da posição x = 0,denominada posição de equilíbrio e depois a
largarmos, veremos que ela fica animada de um movimento para
a direita e para a esquerda, um movimento oscilatório.

Torna-se cómodo começar por analisar as oscilações de uma


massa ao longo da horizontal, isto é, segundo um eixo 0x, sob a

acção da força elástica de uma mola .

Se deslocarmos a massa da sua posição de equilíbrio, para o lado


direito, alongamos o comprimento da mola em Xmax, passando a
actuar sobre a massa a força elástica da mola.

Se não existisse atrito, o movimento da massa nunca pararia, mas


ele existe, em particular a resistência do ar, e o sentido das forças
resistentes é sempre contrário ao do movimento, isto é, da
velocidade. Por este motivo, o atrito trava a deslocação da massa,
sendo a amplitude das oscilações, afastamento máximo
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
19

relativamente á posição de equilíbrio, cada vez menor, até que por


fim o movimento cessa de todo. Se o atrito for pequeno, o
amortecimento das oscilações só se nota após muitas oscilações
da esfera, podendo considerarmos desprezável o atrito durante
um intervalo de tempo não muito longo.

Em equilíbrio a mola não exerce força no objecto. Quando é


deslocado de uma distancia de X a partir da posição de equilíbrio,
a mola exerce a força –kX, segundo a lei de Hooke.
F = − kX (1)

Onde K é a rigidez da mola. O sinal negativo indica que a força é


oposta ao sentido do deslocamento (força restauradora).

Combinando a equação (1) com a lei de Newton ( Fx = m⋅ a x ) ,


onde m é a massa do corpo e ax a sua aceleração, temos:
− kX = ma x
d2X . Substituindo o valor da aceleração na
ou ax = −
dt 2
d 2x
expressão acima, temos kx = − m Passando a massa ao
dt 2
d2X kX
membro contrário temos 2 = − (2)
dt m

Observando a equação (2), nota-se que a aceleração é


proporcional ao deslocamento e tem sentido oposto. Esta é a
característica do movimento harmónico simples.
k
Fazendo = ω 2 e substituindo na equação (2), temos:
m

d2X
2
= −ω 2x ou X& + ω 2 x = 0 (3) Equação diferencial
dt
do Movimento Harmónico simples que se representa por MHS.

Esta equação admite várias soluções das quais se pode


considerar a seguinte: X = Acos(ωt + δ ) (4) onde A, ω e δ são
constantes.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
20

O deslocamento máximo Xmax a partir do equilíbrio é chamado


amplitude e representa – se pela letra A. O argumento da função
seno ( ω t+δδ chamada
constante ), é chamado de fase
de constante do movimento,
de fase, sendo
a qual é a fase para at
= 0.

π
Note que cos(ωt + δ ) = sen(ωt + δ + ).
2

Pode ser mostrado que a equação (4) é solução da equação (2).


derivando-se X duas vezes em relação ao tempo.

A primeira derivada de X resulta na velocidade v:


dX
v= = − ωAsen(wt + δ ) (5)
dt

Derivando a velocidade em relação ao tempo, obtemos a


aceleração:
dv d 2 X
a= = 2
= − ω 2 Acos(ωt + δ ) (6)
dt dt
Substituindo X por A cos(ωt + δ ) , tem-se: a = − ω X
2
(7)

k
a = −ω 2X a= −
Comparando com m X , pode-se ver que

X = Acos(ωt + δ ) é solução da equação (2), a qual pode ser


k
d 2X k se ω =
expressa como 2
= − X m (8)
dt m

O período T é o tempo mais curto que satisfaz a relação


X (t ) = X (t + T ) para todos os valores de t. Substituindo essa
relação na equação (4), tem-se:

X = Acos(ωt + δ ) = Acos[ω (t + T) + δ ]
= Acos(ωt + δ + wT)

A função seno ( e a função co-seno) repete seu valor quando a


fase é incrementada de 2 π , então:
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
21


ωT = 2π ou ω=
T

A constante ω é chamada a frequência angular. Tem como


unidade radiano por segundo.

Para o movimento em análise, a frequência é inversa do período e


representa – se por:
k
1 ω ω2 = ⇒ f 1 k
f = = (9) Como : m =
T 2π 2π m
(10)

Caro estudante, note que depois de explicarmos claramente o


conceito de oscilação, surge uma necessidade de uma certa
visualização. No contexto, apresentar – lhe emos o seguinte
exemplo:
Um objecto oscila com frequência angular ω = 8,0rad / s. Para
t = 0, o objecto está em x = 4cm com uma velocidade inicial de

Exemplo 1 v = − 25cm / s.

a) Calcule a amplitude e a constante de fase para o


movimento

b) Escreva x como função de tempo.

Solução:

a) Para t = 0 temos as condições iniciais que nos são úteis para a


determinação quer da amplitude quer da constante de fase. Como
a constante de fase é determinante para a determinação da
amplitude, temos a partir da posição inicial e da velocidade o
seguinte:
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
22

x = Acos(ωt + α ) ⇔ x0 = Acos α ∧ v = − ωAsen(ωt + α ) ⇔ v0 = − ωAsenα


v0 − ωAsenα v0 v − 25cm / s
= = − ωtagα ⇔ tagα = ⇔ α = arctag 0 = arctag − =
x0 Acos α − ωx0 − ωx0 8rad / s * 4cm
25
= arctg ⇔ α = 0,663rad
32rad
x0 4cm
x0 = Acos α ⇔ A = ⇔ A= = 5,08cm
cos α cos0,663
8
b) x(t) = Acos(ωt + α ) ⇔ x(t) = 5,08cmcos( t + 0,663)
s
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
23

Lição nº 2
Movimento Harmónico simples e
movimento circular uniforme.
Energia do Movimento Harmónico Simples

Introdução
Seja bem vido ao estudo desta lição.Nela você vai estabelecer a
relação entre o movimento harmónico simples e o movimento
circular uniforme discutido no módulo da Mecânica.

Ao termina-la, você devera ser capaz de:


• Deduzir a equação do movimento harmónico simples a
partir do movimento circular uniforme,
Objectivos • Deduzir as equações das energias cinética, potencial e
total no movimento harmónico simples,
• Explicar a relação entre a amplitude de uma oscilação e
sua energia,
• Aplicar as equações das energias cinéticas, potencial e
total no movimento harmónico simples na resolução de
exercícios

Você precisará de 1 hora para completar esta lição

Na lição número 1 desta unidade discutimos o movimento


harmónico simples. Agora vamos mostrar que o movimento
circular uniforme é um dos exemplos do movimento harmónico
simples. Para tal, vamos deduzir a equação do movimento
harmónico simples apartir duma partícula que descreve uma
trajectória circular com velocidade constante, ou seja em
movimento circular uniforme.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
24

1.2 Movimento Harmónico simples e movimento circular


uniforme

A figura 2 a baixo, mostra nos que deslocamento angular relativo


ao eixo x é θ = ωt + δ (11) onde δ é o deslocamento angular

v
para t=0s e ω = é a velocidade circular angular da partícula
A

A componente X da posição da partícula é X=Acos θ =Acos


( ω t+ δ ) a qual é a mesma para o movimento harmónico simples
(MHS) e daí a relação entre o movimento harmónico simples e o
movimento circular uniforme.

FIG.2

1.3. Energia do Movimento harmónico simples

Você ainda se lembra do que foi discutido no módulo da


mecânica,de que a energia mecânica total dum sistema é obtida
pela soma das energias cinética e potencial ( E = k + U ), estas
energias variam com o tempo, mas a energia mecânica total, é
constante.

Considerando um objecto a uma distância x da posição de


equilíbrio; se este objecto sofre uma força de restauração
( F = − kx ), a energia potencial do sistema pode se calcular
através da relação entre força e energia potencial
dE p dE p
Fx = − ⇔ = kx. ⇔ dE p = kxdx . Integrando membro a
dx dx
Ep x
1 2 1
membro temos: ∫ dE p = ∫ kxdx ⇔ E p = kx ⇔ E p = mω 2 x2 . No
0 0
2 2
MHS, a energia potencial tem um valor mínimo no centro (x = 0) e
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
25

aumenta a medida que a partícula se aproxima de um dos


extremos de oscilação ( x = ± A) .
Como x(t) = Acos(ωt + α ) , temos substituindo que

1 2
Ep = kA cos 2 (ωt + α ) .
2
1 2
A energia cinética do sistema é dada por Ec = mv . Para o
2
MHS, vx = − ωAsen(ωt + α ) . Substituindo na equação anterior,

1 k
obtém – se Ec = mω 2 A2 sen 2 (ωt + α ) . Sabe – se que ω2 = ,
2 m
1 2 2
então Ec = kA sen (ωt + α )
2

Como sen 2α = 1− cos 2 α e usando x = cos(ωt + α ) para o


deslocamento, pode se expressar a energia cinética como:
Ec =
1 2
2
[ ] 1
kA 1 − cos 2 (ωt + α ) ⇔ E c = k(A2 − x 2 )
2
A energia total do oscilador harmónico simples é a soma das
energias cinética e potencial.

Etotal = E p + Ec =
1 2
2
1 1
[
kA cos 2 (ωt + α ) + kA2 sen2 (ωt + α ) ⇔ Etotal = kA2 cos 2 (ω t + α ) + sen2 (ωt + α )
2 2
]
1 2
⇔ Etotal = kA . A energia total de um oscilador harmónico é
2
uma quantidade constante.

Com vista a reforcar o seu nivel de percepcao, trazemos – lhe um


pequeno exemplo a seguir.

1) Considere um corpo preso a uma mola tendo a sua posição


dada por x=5cos (9.905-1t).
a) Calcule a velocidade máxima do corpo?
Exemplo 2 b) Quando essa velocidade máxima ocorre pela primeira vez?
c) Qual a aceleração máxima do corpo?
d) Quando essa aceleração máxima ocorre pela primeira
vez?
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
26

Resolução:

a) Considerando que o corpo parte do repouso com δ =0, então a


posição, a velocidade e a aceleração são dados por:
Com δ = 0 X = Acosωt; v = − ωAsenωt; a = − ω 2 Acos ωt
vvmax= ω A ωt
= Aωsen A velocidade max ima ocorre quando senωt = 1

= 9.9rad / s ⋅ 5cm b) senωt = 1 ocorre pela primeira vez quando


π π 3π 5π
= 49.5cm/ s ωt = . Calculando t para ωt = ; ; ;...
2 2 2 2
π π π
ωt = ⇒t= = = 0.154s
2 2ω 2 ⋅ 9.9
c) a = − ω 2 Acos ωt a aceleraca~o max ima ocorre quando cos ωt = − 1
a max = ω 2 A = (9.9rad / s ⋅12.5cm) = 490cm / s 2
d) A aceleraca~o max ima ocorre quando cos ωt = 1 o qual ocorre quando ωt = 0, π , 2π ...
π
enta~o t = = 0.317s
ω
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
27

Lição nº 3
Pêndulo Simples
Introdução

Seja bem-vindo ao estudo desta lição. Nela você vai aplicar as leis
de Newton discutidas no módulo da Mecânica num movimento de
vai e vem num pêndulo simples como ilustra a FIG.3. Lembre-se
que na lição número 1 desta unidade fizemos a mesma discussão,
mas com um oscilador de mola.

Ao terminar esta lição você será capaz de:

• Deduzir a equação diferencial do movimento harmónico


simples a partir do movimento unidimensional duma
partícula suspensa por um fio,
Objectivos
• Deduzir as equações do período e frequência dum pêndulo
simples,

• Explicar a dependência do período e frequência das


oscilacoes num pêndulo simples com o comprimento do
fio,

• Explicar a dependência do período e frequência das


oscilacoes num pêndulo simples com o valor da
aceleração de gravidade local

• Resolver exercícios aplicando as equações do período e


frequência de um pendulo simples.

• Deduzir a equação de movimento num referencial


acelerado

Você precisará de uma hora para completar esta lição

Você já observou o que acontece com um relógio de pêndulo


colocado na parede? Já imaginou um relógio de pêndulo levado
por um astronauto à lua?
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
28

Certamente que consegue imaginar que para o caso do


astronauta, devido à diminuição do valor da aceleração de
gravidade na lua, o comportamento do relógio em relação `a terra
vai mudar. Como interpretar este movimeno com equações
matemáticas?

1.4. Pêndulo Simples

Definição

É um oscilador composto por uma partícula de massa (m) presa


num ponto por um fio de comprimento (l) e massa desprezível,
FIG.3.

As forças responsáveis pelo movimento num pendulo simples são:

9 Peso
9 Força aplicada
9 Tensão de fio

A força responsável pela variação da direcção da velocidade é a


resultante da tensão Py .

A força responsável pela variação da norma v ( ) é a componente


tangencial Px . Esta força coincide com a força tangencial, Ft
⎧Py = Pcos θ
⎨ → onde θ ≤ 5o
P
⎩x = − Psen θ
Px = Ft
Ft = − Psenθ como θ ≤ 5 o ⇒ sen ≈ θ
x x
Ft = − mgθ senθ = ⇒ θ =
l l
x
Ft = − mg.
l
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
29

FIG.3 Pêndulo Simples

Esta força tem intensidade proporcional a x pois m, g e l são


constantes.
Seria MHS se Ft ~ s se tivesse a mesma direcção. Isso só
acontece para ângulos pequenos, onde x ≈ s .
g
Assim: a = − .x
l

Onde na análise de molas dissemos:


g
a = −ϖ 2 x ⇒ a = −x
l
l
⇒ f 1 g
T = 2π g =
2π l

Para oscilações que já não podem ser consideradas pequenas o


período T é determinado a partir da seguinte fórmula:

l⎛ 1 θ 1 32 θ ⎞
T = 2π ⎜1 + 2 sen 2 + 2 x 2 sen + ...⎟
g⎝ 2 2 2 4 4 2 ⎠

Equação diferencial de um pêndulo simples

Voltando a FIG.3 temos:


Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
30

x
Px = − Psenθ sabe − se : θ = ;s ≈ x
l
− Psenθ = mat d 2x
+ gsenθ = 0
d 2s dt 2
/ gsenθ = m
−m /
dt 2 d 2x
+ gθ = 0
dt 2
d 2x 1 d 2x g
l 2 + gθ = 0/ ⇒ 2 + θ = 0
dt l dt l
2
d x g
2
+ x = 0 → equaca~o diferencial
dt l

A seguir vamos apresentar lhe um exemplo muito interessante


sobre o conceito do periodo de uma oscilacao. Procure ler com
muito gosto que isso so sera bom para si.
g
Como: ϖ = Então: Figure 1 X ′ + ϖ X = 0
2 2

Um astronauta foi à lua com um relógio de pêndulo, chegado a


lua, diz se o seu relógio adianta ou atrasa. O que é que ele deve
fazer para acertar o seu relógio?
Exemplo 3

Resolução:

R: o relógio atrasa porque a gravidade na lua é menor que a


gravidade na terra.

g terra = 9,8m s 2
g lua = 1,62m s 2
l
⇒ T inversamente proporcional a g
T = 2π g

lterra l
Tterra = Tlua ⇒ = lua
9,8 1,62
1,62. lterra l
⇔ llua = ⇔ llua = terra
9,8 6

Para resolver a questão é necessário igualar os dois períodos:


Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
31

Assim, para acertar o relógio é necessário diminuir o comprimento


do pêndulo 6 vezes.

1.4.1 Pêndulo num referencial acelerado

FIG.4 Pêndulo
simples suspenso
na estrutura de uma
caixa móvel

A FIG. 4 Mostra um
pêndulo simples
suspenso na
estrutura de uma caixa móvel que tem aceleração ao relativa à
base, para a direita, enquanto a é a aceleração do pêndulo
relativa também à base.

Aplicando a segunda lei de Newton para o pêndulo tem-se


r r r
∑ F = T + mg = ma .
Se o pêndulo permanece em repouso em relação a caixa móvel,
então a = a0 e

∑F
x = Tsenθ 0 = ma 0 ∑F y = T cosθ 0 + mg = 0 T x = Tsenθ

a0
Onde θ 0 é o ângulo de equilíbrio. θ 0 é então dado por θ 0 = .
g
Se o pêndulo está em movimento em relação à caixa móvel, então
r r r
a′ = a − a 0 . Onde a ′ é a aceleração do pêndulo em relação a
r
caixa móvel. Substituindo, a ′ pela definição acima, temos:
r
r
∑ F =T + mg = m(a ′ + a0 ) T + mg = ma′ + ma0 substituindo
ma0 em ambos os lados da equação, temos:
r
T + mg − ma0 = ma′ + ma 0 + ma0 ⇒ m(g − a 0 ) = mg′
r r
T + mg ′ = ma ′
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
32

r r r
Substituindo g por g ′ e por a′ na equação T + mg′ = ma ′ pode-se
resolver a equação mostrada nesta secção para o pêndulo.
r
Recorde – se que a ′ é a aceleração do pêndulo em relação a
caixa móvel e g ′ a aceleração.

T + m(g − a 0 ) = m(a − a 0 )

Se a mola para, de forma que T=0, então tem-se a’=g’, o que


significa que g’ é uma aceleração de queda livre no quadro de
referencia móvel.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
33

Lição nº 4
Sobreposição do Movimento
Harmónico Simples
Introdução

Seja bem-vindo ao estudo desta lição. Nela você vai estudar a


sobreposição de dois movimentos harmónicos simples com:
mesma direção e mesma frequência, mesma direcao e
frequências diferentes e com direcaoes perpendiculares.

Ao terminar esta lição você será capaz de:

• Deduzir a equação resultante da sobreposição de dois


movimentos harmónicos com mesma direção e mesma
frequencia,
Objectivos
• Representar graficamente a sobreposicao de dois
movimentos harmónicos simples com mesma direcao e
mesma frequencia,

• Interpretar a sobreposição de dois movimentos harmónicos


simples com mesma direcao e mesma frequência nos
casos especiais ( θ = 0 , θ = π e quando θ é arbitrária),

• Resolver exercícios de sobreposicao de dois movimentos


harmónicos simples com mesma direção e mesma
frequência,

• Deduzir a equação resultante da sobreposição de dois


movimentos harmónicos com mesma direção e
frequências diferentes,

• Representar graficamente a sobreposicao de dois


movimentos harmónicos simples com mesma direcao e
frequências diferentes,

• Explicar o fenómeno de batimentos,


Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
34

• Resolver exercícios de sobreposicao de dois movimentos


harmónicos simples com mesma direção e frequências
diferentes,

• Deduzir a equação resultante da sobreposição de dois


movimentos harmónicos com direções perpendiculares,

• Representar graficamente a sobreposicao de dois


movimentos harmónicos simples com com direções
perpendiculares,

• Interpretar a sobreposição de dois movimentos harmónicos


simples com direções perpendiculares nos casos especiais
π
( δ = 0, δ = eδ = π ),
2

• Resolver exercícios de sobreposicao de dois movimentos


harmónicos simples com com direções perpendiculares,

Você precisará de 3 horas para completar esta lição, 1 hora


para cada tipo de sobreposição

Você já observou o que acontece com uma senhora que


transporta agua numa lata pela cabeça? Já tomou consciência
dos movimentos sincronizados para a água não transbordar?
Como você explicaria cientificamente?

Certamente que já esta percebendo que a lata realiza movimento


oscilatório na cabeça e cada particula constituinte da água
também oscila como interpretar este movimento com equações
matemáticas?

1.5. Sobreposição (superposição do MHS)

Uma sobreposição significa a realização de duas ou mais


oscilações em simultâneo, e como resultado aparece uma
oscilação.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
35

1.5.1 Sobreposição de dois MHS com a mesma direcção


e mesma frequência

1. Método: Método de vectores girantes

Consiste em representar dois vectores no sistema cartesiano.


O objectivo fundamental é encontrar a amplitude e a fase do
movimento, fig 5.

X 1 = A1sen(ω + α 1 )
Sabe-se:
X 2 = A2 sen(ω + α 2 )

Como os vectores são constantes, podemos somar as


progressões no eixo x ou y usando a regra do paralelogramo para
encontrar o vector girante resultante.

Onde: ϕ = α 1 − α 2

A1 senα 1 + A2 senα 2
tagα =
A1 cos α 1 + A2 cos α 2

A= A1 + A2 + 2A 1A 2 cos ϕ
2 2

FIG.5 Vectores girantes

Se as frequências cíclicas forem constantes, a frequência cíclica


resultante também será uma constante. A tarefa é determinar a
amplitude e fase da oscilação resultante.

Para a determinação da amplitude recorremos ao método do


vector girante que consiste em pegar as amplitudes das
oscilações como vectores, as quais vão movimentar no plano
xoy , FIG.5.
Casos especiais I.
Δθ = 2πk onde k = (0,1,2,3,4,...) θ=0
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
36

x = A1 cos ωt + A2 cos ωt = (A1 + A2 ) cos ωt


(Os dois movimentos estão em concordância de fase), ou
x1 = A1 cos ωt e x2 = A2 cos ωt

FIG.6 Dois movimentos em concordância de fase

A figura representa dois movimentos em concordância de


fase, onde o preto representa o primeiro movimento, o
vermelho o segundo movimento e o azul o movimento
resultante. Note que o movimento resultante está em fase com
os dois elementares, na medida em que os dois atingem os
máximos e os mínimos nos mesmos pontos.

II. ϕ = π (Movimento em oposição de fase)


ϕ = (2k + 1)π com k = 0,1,2,3,...

x2 = A2 cos(ωt + π ) = − A2 cos ωt . O movimento resultante é


x = x1 + x2 = A1 cos ωt − A2 cos ωt = (A1 − A2 ) cos ωt .A amplitude
resultante é a diferença entre A1 e A2 , razão pela qual se diz
que os dois movimentos estão em oposição de fase. Em
termos dos vectores de rotação temos
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
37

A = OP1 − OP2 = A1 − A2 , onde OP1 corresponde a amplitude


A1 e OP2 corresponde a amplitude A2

FIG.7.Sobreposicao de dois movimentos harmonicos simples


em oposiçao de fase

Se A1 = A2 os dois movimentos anulam-se

π
III. Quando ϕ (diferença de fase) é
2

x1 = A1sen(ωt + α1 )
e θ1 − θ 2 = ωt + α1 − ωt + α 2 = ϕ
x2 = A2sen(ωt + α 2 )

FIG.8 Representacao geometrica da sobreposicao de dois


movimentos em que a diferença de fase θ é arbitraria
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
38

A resultante é um MHS com a mesma frequência e amplitude


A = A1 + A2 + 2A 1A 2 cos ϕ
2 2
dada por e

A1 senα1 + A2 senα 2
tagα =
A1 cos α1 + A2 cos α 2

Na discussão destes movimentos, podemos trabalhar apenas com


vectores no plano bidimensional para a determinação do
movimento resultante de uma forma geométrica.

Ao método da determinação da resultante que consiste em


colocar vectores no SCO (Sistema Carteziano Ortogonal) chama –
se método dos vectores girantes.

Se as frequências cíclicas parciais forem constantes, a frequência


cíclica resultante também será uma constante cabendo ao
estudante determinar a amplitude e fase da oscilação resultante.

Fora do método dos vectores girantes, temos o chamado método


de quadratura, que se verifica sempre que se satisfizer a condição
π
ϕ = θ1 − θ 2 =
2

FIG.9 Sobreposiçao de dois movimentos harmonicos simples em


π
que a diferença de fase é ϕ = θ1 − θ 2 =
2

A= A1 + A 2
2 2
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
39

Tal como em casos anteriores, vamos criar para si um exemplo


sobre a sobreposição de dois movimentos harmonicos simples.
Fazer da nossa resolução a sua própria, só assim é que verá que
tudo lhe vai ser fácil.

Uma partícula está sujeita simultaneamente a 2 MHS de


mesma direcção e mesma frequência, suas equações são:
π π
X1=10sen (2t+ ) e X2=6sen (2t+ ). Escrever a equação do
Exemplo 4 4 3
movimento resultante

Resolução:

Para a resolução desta tarefa vamos recorrer ao teorema dos


cosenos para a amplitude, ou seja,
A= A1 + A2 + 2A1 A2 cosϕ
2 2
Sendo o ângulo entre os dois

A1senϕ1 + A2 senϕ 2
vectores ϕ e tgϕ = para a determinação da
A1 cos ϕ1 + A2 cos ϕ 2
inclinação da recta, onde o ângulo procurado seria determinado
pela razão inversa da tg ϕ , ou seja, determinando o arco cuja tag
é o resultado do quociente acima.

Neste contexto temos:


π π π
V(t ) − ? ϕ= − A= A1 + A2 + 2 A1 A2 cos
2 2

3 4 12
π
δ−? ϕ= A = 15.8cm
12
A1 senϕ1 + A2 senϕ 2
A− ? tgδ = δ = 50.6 0
A1 cos ϕ1 + A2 cos ϕ 2
X (t ) = Asen(wt + δ )

x (t ) = 15,8sen(2t + 50,6)

1.5.2 Sobreposição de dois MHS com a mesma direcção e


frequências diferentes.

Como já deve saber, sobreposição é uma realização simultânea


de dois ou mais movimentos produzindo como resultado um único
movimento.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
40

Agora vamos fazer o estudo de uma realização simultânea de dois


movimentos com a mesma direcção mas frequências diferentes.

Para simplificar o estudo, consideremos o caso mais simples em


que ϕ 1= ϕ 2=0. As equações são dadas do seguinte modo:

⎧ X1 = A1 cos ω1t

⎩X 2 = A2 cos ω 2 t

O ângulo entre os vectores girantes será: ω 1t- ω 2t=( ω 1- ω 2)t


consequentemente o movimento resultante X=X1+X2 não é
harmónico simples.

A amplitude das oscilações será dada pela expressão:


A= A1 + A2 + 2A1 A2 cos(w1 − w2 )t .
2 2

Esta amplitude oscila entre os valores A+ e A-.

FIG.10 Sobreposicao de dois movimentos com a mesma direcção e


frequencias diferentes.

A+=A1+A2 quando (w1-w2)t=2n π


A-= A1 + A2 quando (w1-w2)t=2(n+1) π .

A frequência de oscilação da amplitude é expressa da seguinte


w1 − w2
forma: f = ou f = f1 − f2 .

Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
41

Batimentos

Ainda relacionado com a sobreposição, vamos estudar um caso


especial em que dois movimentos harmónicos se sobrepõem
produzindo um não harmónico.

Se duas notas têm frequências ligeiramente diferentes, surge um


batimento (um dissonância – um som áspero) que resulta da
interferência construtiva e destrutivas das duas ondas quando
ficam em fase ou em oposição de fase.

Se as duas frequências se forem aproximando, o batimento,


tornar-se-á gradualmente lento e desaparecerá quando elas forem
idênticas (uníssono).

Para descrevermos este fenómeno, consideremos duas


amplitudes iguais, propagando-se num meio (por exemplo o ar) e
na mesma direcção, porém com frequências ligeiramente
diferentes f 1 e f 2.

O deslocamento que cada onda provocaria em um certo ponto do


espaço é dado por:

Y(t)=Acos(2 π f 1t) e Y2=Acos(2 π f 2t)

Pelo principio da sobreposição, observamos que o deslocamento


resultante no ponto considerado é dado por:
Y(t)=Y1(t)+Y2(t)=A(cos(2 π f1t) + Acos(2 π f 2t)).Pela resolução
trigonométrica, sabe-se que:
⎛α − β ⎞ ⎛α − β ⎞
cos α + cos β = 2cos⎜ ⎟ ⋅ cos⎜ ⎟ fazendo α = 2πf1t
⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠
encontramos:
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
42

⎡ ⎛ f − f ⎞ ⎤ ⎡ ⎛ f1 + f 2 ⎞ ⎤
2π ⎜ 1 2 ⎟t ⎥cos ⎢
y (t ) = 2Acos ⎢ 2π ⎜ ⎟t ⎥ (1)
⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠

Através da equação (1) observamos que o deslocamento


resultante da combinação das duas oscilações tem uma
f1 + f 2
frequência efectiva igual à frequência média e uma
2
amplitude não constante, mas modulada por uma função
oscilatória, ou seja,

⎡ ⎛ f1 − f 2 ⎞ ⎤
2π ⎜
2A cos ⎢ ⎟t ⎥ (2) A amplitude varia com o tempo e
⎣ ⎝ 2 ⎠⎦
f1 + f 2
com uma frequência dada por .
2

1.5.3 Sobreposição de dois movimentos harmónicos simples


com direcções perpendiculares

Acabou de abordar a sobreposicao de dois ou mais movimentos.


Note a seguir vamos de uma forma resumida apresentar tal
situacao
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
43

FIG.11 Sobreposição de dois movimentos com direcções


perpendiculares.

A FIG.11 representa uma composição de dois movimentos


harmónicos simples com a mesma frequência e direcções
perpendiculares. Fica claro que a trajectória depende da diferença
de fase.

Consideremos o caso em que a amplitude se move num plano de


modo que suas coordenadas x e y oscilem com MHS.

Esses MHS têm a mesma frequência, a mesma amplitude mas


fases na origem diferentes.
X (t )
X (t ) = Ax cos(ωt + ϕ ) ⇔ = cos(ωt + ϕ ) e
Ax
⎛ π ⎞ y (t) ⎛ π⎞
y(t ) = Ay cos⎜ωt + ϕ + ⎟ ⇔ = cos⎜ωt + ϕ + ⎟, y(t) = Ay cos(ωt + ϕ )
⎝ 2⎠ Ay ⎝ 2⎠
(3)

Elevando ambos os membros das duas igualdades ao quadrado e


somando membro a membro, obtemos:
X (t ) 2 y ⎛ π⎞
( ) = cos2 (ωt + ϕ ) ∧ ( ( )t ) 2 = cos2 ⎜ωt + ϕ + ⎟= sen2 (ωt + ϕ )
Ax Ay ⎝ 2⎠
X (t ) y(t ) 2 X y
) = cos ( t + ) + sen ( t + ) ⇔ + =1
2 2 2
( ) +(

ω ϕ ω ϕ 2 2
A A
2 2

Ax Ay x y
2 2
X y
2
+ 2 = 1 Equação da elipse.
Ax Ay

Se :

I) Ax=A y

X2+Y2=1

Escolhemos a origem do tempo de modo que a fase inicial ϕ do


movimento ao longo do eixo dos x seja zero, teremos:

X = Ax cos ωt
y = Ay cos(ωt + ϕ ) ⇒ y = Ay senωt
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
44

Casos especiais
1.Se
⎧X = A cosω t y B
δ=0 ⇒ ϕ = 0 ⎨ ⇒ = 1⇒ y = X
⎩ y = B cosω t X A

FIG.12 a. Caso especial de uma sobreposição ( δ = 0 e ϕ = 0 )

2.Se δ = π (movimentos em oposição de fase)

Na figura acima (FIG.12 a) temos a equação da trajectória descrita


durante o movimento, o que efectivamente mostra que esta é
descrita no sentido crescente
X = Acosωt B
⇒ y= − X
y = B cos ωt A

FIG.12b

Já para o caso da FIG.12 b, a equação da recta é decrescente

Nos dois casos o movimento é harmónico simples. No entanto,


podemos concluir que, se δ =0 ou δ = π , a sobreposição de 2
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
45

MHS com direcção perpendiculares resulta numa polarização


linear, cuja amplitude é dada pela equação A = A x + A y .
2 2

π
3.Se δ = diz-se que o movimento ao longo dos eixos x e y está
2
em quadratura.

Sobreposição de oscilações reciprocamente perpendiculares entre


si e de frequência cíclica pω e qω .

⎧X = A1 cos( pω + μ1 )
Nestas condições os valores de x e y

⎩y = A2 cos(qω + μ 2 )
repetem simultaneamente nos intervalos de tempo T de valores
2π 2π
iguais; mmc (T1, T2); T1 = e T2 = . T1 e T2 são períodos
pω qω
que podem verificar nos eixos x e y.

Como resultado aparecem movimentos com trajectórias fechadas.

FIG.13 Sobreposição de oscilações reciprocamente perpendiculares


entre si e de frequência cíclica pω e qω .

π π qω q
a) ϕ1 − ϕ 2 = = =2
2 2 pω p

π q 3
b) ϕ1 − ϕ 2 = =
2 p 2
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
46

Através de um exemplo concreto, vamos lhe mostrar a resultante


dos movimentos parciais X1 e X2.

Exemplo 5 Uma partícula esta sujeita simultaneamente a dois MHS da


mesma frequência e mesma direcção. Suas equações são dadas
⎛ π⎞ ⎛ π⎞
por: X 1 = 10sen 2t
⎜+ e⎟ X 2 = 6sen 2t
⎜ + ⎟
⎝ 4⎠ ⎝ 3⎠

Exemplo.

Determinar o movimento resultante para este caso concreto,


A1 + A2 + 2A1 A2 cosϕ sendo
2
atente ao exemplo 6, ou seja, A =
2

A1 senϕ1 + A2 senϕ 2
o ângulo entre os dois vectores δ e tgδ =
A1 cos ϕ 1 + A2 cos ϕ 2
para a determinação da inclinação da recta, onde o ângulo
procurado seria determinado pela razão inversa da tg ϕ , ou seja,
determinando o arco cuja tag é o resultado do quociente acima.

X = X1 + X 2

10 A = ? α=?
Resolução:
A= A12 + A22 + 2A 1 A 2 cos ϕ
Dados:
ϕ = α1 − α 2
π A1 = 10m π π π
α1 = ϕ= − =
3 4 12
4
π
A2 = 6m A = 102 + 6 2 + 2x10x6cos
12
π ⎛ A senα + A senα ⎞
α = α arctg

2 = ⎜ 1 1 2 2

3 ⎝ A1 cos α 1 + A2 cos α 2 ⎠
⎛ π π⎞
+ 6sen

⎜10sen 3
α = arctg ⎜ 4 3 ⎟⎟

⎜⎝ π + 6cos
4 π ⎟
⎜10cos
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
47

Um objecto de 3kg, preso a uma mola, oscila com uma amplitude


de 4 cm e um período de 2s.

a) Qual o valor da energia total.


Exemplo 6
b) Qual a velocidade máxima do objecto.
c) Em que posição x1 a velocidade é a metade da velocidade
máxima?

1 2
Resolução: E = kA
2
Dados:
M= 3 kg
A=4 cm
T =2s
1 2
a) E = kA mas
2
2π 1 2π 1 2π
k = mω 2 = m( )2 ⇔ E = m( ) 2 A2 = 3kg( ) 2 (0,04m)2 = 2,37x10− 2 j
T 2 T 2 2s

1 2 2Ec 2(2,37x10− 2 ) j
b) Ec = mv max ⇔ v = = = 0,126m / s
2 m 3kg
1 2 1 2
c) E = mv + kx . Pretende-se que a velocidade seja metade
2 2
da velocidade máxima.
1 1 1 2 1 1 1 2 1 1 2 1 1 2
E= m( v max )2 + kx1 = ( mv 2 max ) + kx1 = E + kx1 ⇔ E − E = kx1
2 2 2 4 2 2 4 2 4 2
1 3 3E 3E 3 1 2 3 3
⇔ kx12 = E ⇔ x12 = ⇔ x1 = = kA = A= (4cm) = 2 3cm
2 4 2k 2k 2k 2 2 2
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
48

Lição nº 5
Oscilações Amortecidas
Introdução

Ao nos atirarmos sobre uma cama de molas, por exemplo, surge


um movimento de vai – e - vem que ao longo do tempo vai-se
diminuindo até parar. O mesmo acontece se nos atirarmos sobre o
capom de um carro com amortecedores gastos.

Este tipo de oscilações e a maior parte das que vemos no nosso


dia-a-dia, surgem quando há uma perturbação do sistema, e que
dá lugar a esse movimento de vai - e -vem em que com o decorrer
do tempo a sua amplitude vai diminuindo até parar.

Nesta lição, vamos nos ocupar com o estudo deste tipo de


oscilações.

Ao completar esta lição, você será capaz de:

• Caracterizar o movimento amortecido;


• Deduzir a equação diferencial do movimento amortecido;
Objectivos
• Representar e interpretar os gráficos dos movimentos;
super amortecido, amortecimento crítico e subamortecido;

• Interpretar o valor da constante b;

• Deduzir e interpretar as equações da energia no


movimento amortecido;

• Demonstrar que a relação entre frequências de oscilações


consecutivas é constante.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
49

1.6. Oscilacoes Amortecidas


São aquelas cuja amplitude diminui paulatinamente com o tempo
à custa da perda de energia devido ao atrito com meio ambiente.
Este tipo de oscilações acontece na realidade, por exemplo: o
movimento do pêndulo gravítico simples é amortecido pela
resistência do ar e pelo atrito na suspensão, pois há conversão de
energia mecânica em energia interna do ar envolvente e do
pêndulo.

O movimento amortecido difere do movimento harmónico simples,


dado que no movimento amortecido a amplitude vai diminuindo
com o tempo ao passo que no MHS esta é uma constante.

Se o amortecimento é bastante grande, a oscilação para


completamente antes mesmo de um ciclo de oscilação. O pêndulo
apenas se move em torno da posição de equilíbrio com uma
velocidade que tende a zero, a medida que tende para a posição
de equilíbrio, esse tipo de movimento é denominado super
amortecido.

Se o amortecimento é pequeno o bastante para que a oscilação


do sistema diminua lentamente com o tempo, o movimento é dito
sub amortecido.

O movimento que apresenta um imediato retorno à posição de


equilíbrio é definido como um movimento criticamente
amortecido.

Movimento sub amortecido


O movimento sub amortecido é o movimento em que o
amortecimento é suficientemente pequeno para que a
oscilação do sistema diminua lentamente com o tempo.

Citamos como exemplo deste movimento, uma criança


baloinçando num infantário quando a mae pára bruscamente de
empurrar a cadeira onde a criança se encontra sentada.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
50

A forca de amortecimento exercida sobre um corpo que oscila, tal


como mostra a figura, pode ser representada pela seguinte
equação: Fd = − bv

Onde: b é uma constante de amortecimento.

FIG.15 Amortecimento de uma oscilação num líquido

A figura 15 representa um amortecimento de uma oscilação num


líquido.

Este sistema é chamado linearmente amortecido. Devido à força


de amortecimento ser oposta à direcção do movimento, seu
trabalho é negativo e causa a redução da energia mecânica do
sistema.
1
A energia é proporcional ao quadrado da amplitude E = KA 2 , e
2
o quadrado da amplitude decresce exponencialmente com o
−t

aumento do tempo. A = A 0e τ
2 2
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
51

FIG.16 Gráfico da Amplitude em função do tempo de uma oscilação


amortecida

Na fig 16, temos uma diminuição da amplitude de uma oscilação


com o tempo.

A – é a amplitude

A0 – é a amplitude para o t = 0 s

τ –a constante de tempo. A constante de tempo representa o


tempo necessário para a energia decrescer a um factor e .

Aplicando a 2ª lei de Newton ao sistema, temos:


− Kx − bv = ma
dv d 2x
− Kx − b = m 2
dt dt
dx d 2x 1
+ Kx + b +m 2 = 0
dt dt m
2
d x b dx k
+ + x= 0
dt 2 m dt m
b
x′ +
m x′+ ϖ x = 0
2

Equação diferencial

A solução para um caso sub amortecido é:

⎛ b ⎞
−⎜ ⎟t
x = A0 e ⎝ 2m ⎠
cos(ω ′t + δ )
ou
b
x = A0 e − βt cos(ω ′t + δ ) β= −
2m

A frequência cíclica ϖ ′ é dada por:

2
⎛ b ⎞
ω ′ = ω0 . 1 − ⎜ ⎟ onde ϖ é a frequência sem amortecimento
⎝ 2mω 0⎠

⎛ K⎞
⎜ω = ⎟
⎝ m⎠
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
52

A amplitude da oscilação é dada por:


− βt
A = A0e

m
A constante de tempo τ =
b

Se a constante de amortecimento b for aumentada, a frequência


angular ω ′ se reduz ate se tornar zero para um valor critico.
bc = 2mω .
Quando b ≥ bc diz-se que o sistema tem amortecimento
critico e o corpo retorna à posição de equilíbrio sem oscilar
Se b > bc o sistema é super amortecido.

Quanto maior for o b, mais rápido é o retorno do corpo à posição


de equilíbrio.

FIG.17 Graficos da variacao da constante de amortecimento


Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
53

Energia de um oscilador sub


amortecido
Como a energia de oscilador é proporcional ao quadrado da sua
amplitude, a energia de um oscilador sub amortecido também
diminui exponencialmente com o tempo.

⎛b ⎞

[A e ( ]
⎜ ⎟
− b 2m )t 2
E= mϖ 2 A 2 = mϖ 2
= mω 2 A 2 e m

1 1 1 − t

⎝ ⎠
0 0
2 2 2
t
onde 1 m
− E = mω 2 A 2 e τ=
⇔E= Ee τ

0 0 0
Uma oscilação amortecida é frequentemente descrita por um
2 b

factor Q (factor de qualidade de amortecimento), Q = ω 0τ . Q é a


parcela de energia perdida em cada ciclo.
−t
Derivando a equação E = E 0 e τ

Quando a tecla dó central no piano é tocada (frequência de


262Hz), ela perde metade da sua energia em 4s.

Exemplo 7 a) Qual é o valor da constante de tempo τ?


b) Qual é o factor Q para essa corda do piano?
c) Qual é a fracção de energia perdida por ciclo?

Se o amortecimento é fraco, então a energia perdida pelo ciclo é


pequena, podendo substituir-se dE por ΔE , dt pelo período T
(τ ) . Então:
ΔE
em um ciclo é dado por:
E
ΔE T 2π ΔE
= = << 1
E τ (ΔE E ) E

Q é universalmente proporcional a parcela da energia perdida por


ciclo.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
54

b)Q = ϖτ Q = 2πfτQ = 2π (262Hz).(5,77s)


Q = 9,5x10 3

t −4 −4
− 1 1 1
a) usa − se E = E0e τ
e faz − se E = E0 ⇒ E0 = E0 e τ = eτ
2 2 2
−4 −1

⎛ ⎞
1 1 4 1
1 4 4 4
ln = ln e τ ⇔ ln = − ⇒ − ln = ⇔ ln⎜ ⎟ = ⇒ τ = = 5,77s
2 2 τ 2 τ ⎝2 ⎠ τ ln 2
Nota: τ- é tempo necessário para a energia decrescer de um factor
e.

c)A fracção da energia perdida no ciclo é dada pela equação


⎛ ΔE ⎞ T 1 1
⎜ ⎟ = = = = 6,61x10 − 4
⎝ E ⎠ciclo τ fτ 262.5,77

NB: Para a determinação de Q, também é válida a relação


2π 2π
Q= = = 9,5x103
ΔE E 6,61x10 − 4

Observe que a fracção da energia perdida após 4s não é apenas


o número de vezes em que a fracção da energia é perdida por
ciclo, porque a perda de energia é exponencial e não constante.
Agora veja o seguinte exemplo, que espelha esta situação.
2π 2π 2π 2.3,14
Q= ⇒ ΔE E = ⇒ ΔE E = =
ΔE E Q 200 200
6,28
ΔE E = = 0,0314 ⇒ ΔE E = 3,14%
200
Um oscilador tem um factor Q de 200. Qual é a perda percentual
da sua energia durante um período?

Exemplo 8
Resolução:

Neste segundo exemplo pretendemos mostrar a relação de


amplitude para duas oscilações sucessivas.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
55

Mostre que a relação da amplitude para duas oscilações


sucessivas é constante para uma oscilação amortecida.

Exemplo 9
Resolução:
seja :
At = A0 e − βt ⎫
⎪ A(t + 1) A0 e − β (t + 1) e − βt.e − β
⎬ = − βt = = e− β
A(t + 1) = A0 e − β (t + 1) ⎪
⎭ A A 0 e e − βt
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
56

Lição nº 6
Oscilações Forçadas e
Ressonância
Introdução
Bem-vindo ao estudo desta lição.

Nas licções anteriores falamos sobre oscilações amortecidas, ou


seja, aquelas cuja amplitude vai diminuindo com o tempo. Está
claro que a amplitude de um movimento amortecido pode se
manter sempre constante. Para manter um sistema harmónico
amortecido em movimento, a energia mecânica precisa ser
adicionada ao sistema. Quando isso é feito o sistema oscilante é
dito forçado. No nosso dia-a-dia este tipo de movimento pode ser
observado, por exemplo, num baloiço em que uma pessoa está
baloiçando enquanto a outra vai aplicando periodicamente uma
força (empurrão) ao sistema para este se manter em movimento
oscilatório.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

• Caracterizar o movimento oscilatório forçado;


• Deduzir a equação diferencial do movimento oscilatório
Objectivos forçado;

• Representar e interpretar os gráficos da ressonância;

• Interpretar o valor de Q;

• Deduzir e interpretar as equações da energia no


movimento oscilatório forçado;

• Citar exemplos da aplicação da ressonância.


Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
57

1.7. Oscilações forçadas e ressonância

Certamente que você deve saber que um pelotão de soldados não


deve atravessar por uma ponte em marcha.Sabia?

Uma ponte, ou qualquer estrutura, é capaz de vibrar com certas


frequências naturais. Se a marcha regular de um pelotão de
soldados for próxima de umas das frequências naturais de
vibração da ponte, esta poderá romper por atingir uma amplitude
de vibração muito alta. É por este motivo que os soldados são
orientados a não seguirem uma marcha constante ao atravessar
uma ponte.

É extremamente perigoso quando o vento produz uma frequência


perto da frequência de vibração de uma ponte, pois este pode
fazer a ponte desmoronar.

Este fenómeno é conhecido por Ressonância. A ressonância é um


fenómeno em que ocorre quando um corpo começa a vibrar por
influência do outro e na mesma frequência ou próxima deste.

A ressonância é um problema de maior importância. Além do


atrito, existe uma força externa f(t) aplicada ao oscilador.A
amplitude, e por tanto a energia, de um sistema em estado estável
depende não somente da amplitude da força de excitação, mas
também da sua frequência. A frequência natural de um sistema
oscilatório, ωο , é a frequência do sistema quando nenhuma força

de excitação ou de amortecimento está presente (no caso de uma


k
mola por exemplo, ω Ο = ).
m

Se a frequência de excitação é aproximadamente igual a


frequência natural do sistema, este oscilará com uma amplitude
muito grande. Mas se a frequência de excitação for muito maior ou
muito menor à frequência natural, o sistema oscilará com uma
amplitude menor.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
58

Quando a frequência de excitação é igual a frequência natural do


sistema oscilatório, a energia por ciclo transferida para o sistema é
máxima. Diz se entao que o sistema está em ressonância. A
frequência natural do sistema é então chamada de frequência de
ressonância.

FIG.20 Curvas de força média transferida ao sistema oscilante como


uma função de frequência de excitação para dois valores diferentes de
amortecimento.

As figuras acima representam curvas de força média transferida


ao sistema oscilante como uma função de frequência de
excitação para dois valores diferentes de amortecimento.

A largura da banda das curvas de ressonâncias Δϖ , indicada na


figura, é a largura referente à metade da altura máxima. Para
amortecimentos fracos, a relação entre a largura da banda da
curva de ressonâncias e a frequência de ressonância é igual ao
Δϖ 1
inverso do factor Q. =
ϖο Q
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
59

Tratamento matemático da
Ressonância
Pode-se tratar matematicamente um oscilador forçado assumindo
que, além da força de restauração e da força de amortecimento, o
oscilador está submetido a um força de excitação externa que
varia harmonicamente com o tempo. Fext = F0 cosϖt

Onde F0 e ϖ são a amplitude e frequência angular da força de

excitação. Esta frequência geralmente não esta associada a


frequência angular do sistema, ϖ 0 .

Aplicando a 2ª lei de Newton, a um corpo de massa m preso


numa mola com rigidez k e submetida a um força de
amortecimento − bv e uma força externa F0 cosϖt , é:

∑F x = ma x

d 2x
− kx − bv x + F0 cosϖt = m onde é usada
dt 2
d 2x
ax = , k = mϖ 2

dt 2 0

d 2x dx 1
m 2 + b + mϖ 02 x = F0 cosϖt.
dt dt m

d 2x b F
2 + dx + ϖ 02 x = 0 cos ϖt Equação diferencial
dt m m

A solução desta equação diferencial é dada por


x = Acos (ϖt − δ ) onde ϖ é a frequência de excitação e a
amplitude A é dada por, o que mostra que o movimento já foi
mantido com a mesma amplitude
F0
A= Sendo a constante δ dada por:
m (ϖ − ϖ
2 2
0
2 2
) + bϖ 2 2


tg =
m(ϖ 02 − ϖ 2 )
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
60

A velocidade do corpo na fase permanente é obtida dividindo-se


x em relação a t :

dx π
v= = − ϖAsen (ϖt − δ ) para a ressonância δ = , a velocidade
dt 2
esta em fase com a força de excitação:

⎛ π⎞
v = − ϖAsen⎜ϖt − ⎟= + ϖAcosϖt
⎝ 2⎠

Um corpo com uma massa de 1,5kg preso a uma mola de


rigidez igual a 600 N m perde 3% de sua energia a cada ciclo
de oscilação. O mesmo sistema é excitado por uma força
sinuidal com valor máximo de F0 = 0,5N.

a) Qual é o valor de Q do sistema?


Exemplo 10
b) Qual é o valor da frequência angular de ressonância?

c) Se a frequência de excitação variar levemente em torno da


ressonância, qual é a largura Δϖ da ressonância?

d) Qual é a amplitude na ressonância?

e) Qual é a amplitude, se a frequência de excitação é


ϖ = 19rad s ?

Resolução:
a) Como a energia perdida por ciclo é somente 3% , então o
amortecimento é fraco, pode-se encontrar Q a partir da
equação:
Q = 2π (ΔE E )ciclo

Q= = 209
0,03

b) Quando há ressonância, temos a seguinte igualdade:


K
= 20rad s
ω = ω0 = m
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
61

Δϖ 1 ϖ
c) Sabe-se que = ⇒ Δϖ = 0 = 0,0957rad s
ϖ0 Q Q

d) A amplitude para qualquer frequência de excitação é dada


F0
por: A = , na ressonância ϖ = ϖ 0 ,
m (ϖ − ϖ
2 2
0 )
2 2
+ bϖ 2 2

F0
então A= , sabe-se que
bϖ 0
m ϖm
Q = ϖ 0τ ∧ τ = ⇒Q= 0
b b
ϖm F Q
b = 0 , enta~o A = 02 = 17,4cm
Q ϖ0m

e)
F0 0,5
A= = = 0,854cm
m (ϖ − ϖ
2 2
0
2 2
) +bϖ 2 2
1,5 (20 − 19
2 2
)
2 2
+ 0,144 19
2 2
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
62

Sumário

1. O movimento harmónico simples (MHS) ocorre sempre que uma força


restauradora for proporcional ao deslocamento a partir do equilibrio.Isso tem grande
aplicação no estudo das oscilações, ondas, dos circuitos eléctricos e da dinâmica
molecular

No movimento Harmônico simples, as forças totais e a aceleração são


proporcionais aos deslocamentos e têm direcções opostas.

Função posição x = A⋅ cos (ωt + δ )

Velocidade v = − ωA ⋅ sen (ωt + δ )

a x = − ω 2 A⋅ cos(ωt + δ )
Aceleração
ax = − ω 2 x


Frequência angular ω = 2πf =
T

Energia total Etotal = K + U = 1


2 kA 2

Energia cinética média ou


potência
K média = U média = 1
2 Etotal

Se uma partícula se move em círculos com


velocidade constante, a projeção da partícula ao
Movimento circular
longo do diâmetro do círculo representa um
movimento harmônico simples.

Se um corpo é levemente deslocado de sua


Movimento geral próximo ao posição de equilíbrio estável, ele oscila em torno
equilibrio dessa posiçâo com um movimento harmônico
simples
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
63

2. Na sobreposição de dois movimentos harmónicos símples com


a mesma direcção e mesma frequência, encontramos os
seguintes casos especias:

a) Sobreposição de dois MHS com a mesma direcção e mesma


frequência.

b) Sobreposição de dois MHS com a mesma direcção e


frequências diferentes.

c) Sobreposição de dois movimentos harmónicos simples com


direcções perpendiculares.

Quando a frequência de excitação é igual a frequência natural do


sistema oscilatório, a energia por ciclo transferida para o sistema é
máxima. Este fenómeno é denominado ressonância.

A equação diferencial deste movimento oscilatório forçado é dada


pela expressão:

d 2x b F
2 + dx + ϖ 02 x = 0 cos ϖt
dt m m

Auto avaliação
1. De condições básicas necessárias para o surgimento do movimento
oscilatório livre. Faça uma tabela que contenha as grandezas
fundamentais do movimento osculatório harmónico, suas unidades
no S.I. e seus símbolos.
2. Defina as oscilações livres.
3. Deduza e dê solução das equações diferenciais dos movimentos
harmónicos de uma mola elástica na horizontal e do pêndulo
simples.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
58

4. A equação do movimento de um ponto material é


⎛ π⎞
X = 6.0 cos⎜3πt + ⎟ , onde X é dado em metros e t em segundos.
⎝ 2⎠
a) Calcule o deslocamento, a velocidade, a aceleração, o período e a
frequência do movimento, no instante t=2.0s.
b) De que tipo de movimento se trata. Descreva-o.

c) Quais os valores máximos da velocidade e da aceleração.

5.Se a amplitude de um oscilador harmónico simples for triplicada, por


qual factor fica multiplicada a sua energia?

6.Dois sistemas massa-mola oscilam com frequências f A e f B .Se f A =2 fB


e as constantes das duas molas são iguais, qual será a relação entre as
massas?

7. Dois sistemas massa-mola oscilam de tal forma que suas energias


sejam iguais. Se kA = 2kB, qual será a relação entre as amplitudes das
oscilações

8. Um corpo de 1,5 kg oscila com movimento harmónico simples preso a


uma mola de constante k = 500N/m. Sua velocidade máxima é de
70cm/s. Qual a energia mecânica total? Qual é a amplitude da
oscilação?

9. Um corpo preso a uma mola oscila com amplitude de 4,5cm.Sua


energia total é de 1,4J. Qual é a rigidez da mola?

10. Um corpo de 2,4kg é preso a uma mola horizontal de rigidez k = 4,5


N/m. A mola é distendida 10cm a partir de sua posição de equilíbrio e
libertada. Calcule:

a) A frequência do movimento.
b) O período.
c) A amplitude.
d) A velocidade máxima.
e) A aceleração máxima.

11.Duas partículas 1 e 2 de mesma massa m estão presas por molas de


Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
59

constante elástica k, com comprimento relaxado l0 e massa desprezível, a


paredes verticais opostas, separadas de 2l0; as massas podem deslizar
sem atrito sobre uma mesa horizontal. Tem-se m=10g e k=100 N/m. No
instante t=0, a partícula 1 é deslocada de 1cm para a esquerda e a
partícula 2 é deslocada de 1cm para a direita, comunicando-se a elas uma
velocidade de 3 m/s, para a esquerda (partícula 1) e para a direita
(partícula 2).

(a) Escreva as expressões dos deslocamentos x1 e x2 das duas


partículas para t>0.
(b) Qual a energia total do sistema?

12.um corpo de 2kg de massa, preso a uma mola de rigidez k = 400 N/m,
oscila com uma amplitude inicial de 3cm.Determine:

a) O período.

b) A energia total inicial.

c) Se a energia decresce 1% por período, determine a constante de


amortecimento b e o factor Q.

13. Um oscilador tem um factor Q de 200.Qual é a perda percentual da sua


energia durante um ciclo?

14. Um oscilador tem um factor Q de 20.a) Qual é a fração da energia


decrescente em cada ciclio.

15. Considera-se que a vibraçào da Terra tem um periodo de ressonancia


de 54 min e um factor Q em torno de 400 e que, após um grande
terramoto, a terra continua vibrando por cerca de 2 mêses.a) Determine a
percentagem de energia perdida a cada ciclo.b) se a energia de vibração
após o terramoto é E0,qual será a energia após 2 dias?

16.Um corpo de 2kg oscila em uma mola de rigidez k = 400 N m .A


Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
60

constante de amortecimento vale b = 2,0


kg .O sistema é excitado
s
através de uma força senoidal com valor máximo de 10 N e frequência

angular ω = 10 rad .
s

a) Qual é a amplitude das oscilações?

b) Se a frequência de excitação é variada, para qual frequência ocorrera a


ressonância?

c) Qual é a amplitude das oscilações para a ressonância?

d) Qual é a largura da curva de ressonância?

17.Um corpo com uma massa de de 1,5kg preso a uma mola de 600N/m
perde 3% de sua energia a cada ciclo de oscilação. O mesmo sistema é
excitado por uma for,ca senoidal com valor máximo de F0 =0,5N.

a) Qual é o valor de Q do sistema?

b) Qual é o valor da frequência angular de ressonância?

c) Se a frequência de excitação varia lentamente em torno da ressonância,


qual é a largura da ressonância?

d) Qual é a amplitude na ressonância?

e) Qual é a amplitude, se a frequência de excitação é ω = 19π / s ?


Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
61

Feed Back
1. Para o surgimento do mivimento oscilatório l
− A oscilação deve ser unidimensional (ao longo de um só
eixo);
− A mola deve ser de massa desprezível e para o caso do
pêndulo, o fio deve ser inestencível e massa despresivel;
− O corpo oscilante é um corpo material;
− A força de atrito é tendente para zero;
− A amplitude deve ser muito menor.
Grandezas Ampletude Elongação Frequencia Fase
Fundamaentais angular Período inicial
Simbolo A X ou Y ω T ϕ
Unidade no S.I. m m rad s rad
s

2. Oscilação livre é aquele que após o afastamento do


oscilador da posição equilíbrio, oscila infinitamente sem
sofrer ação de forças externas.

3. Ver pagina 18, 19 e 20 para oscilador de mola, e páginas


28 e 29 para o pêndulo símples.
m 2 3
4. a) x = 6,0m; v = 0m / s; a = 54π 2 2
;T = s; f = Hz .
s 3 2

b)M.H.S, a amplitude da oscilação é menor e constante e a


aceleração é proporcional ao deslocamento.

c) A=6,0 cm.

m m
d) v = 18π ; a = 54π 2 2
s s
MB AB
5. f 2 = 9 f1 6. M A = 7. AA =
4 2
8. E = 0,368J; A = 3,84cm

kN
9. k = 1,38
m
62 Lição nº 6 Oscilações Eléctricas Forcadas Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

10.a) 6,89Hz; b)0,145 s; c) 0,100m; d) 4,33m/s; e)187 m/s2; f)


36,3m/s.

11. 0,04 J.

12.0,442s.

13. 3,14%.

14 . 0,314 .

15. a)1,57%; b)0,430E0.

16. a)4,98cm;b)14,1rad / s;c)35,4cm; d )1,00rad / s

17. a)209;b)20rad / s; c)0,0957rad / s; d )17,4cm; e)0,854cm .


63 Lição nº 6 Oscilações Eléctricas Forcadas Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

Unidade 2
Oscilações eléctricas
Introdução
Recorde – se que na unidade 1 falamos de oscilações mecânicas.
Neste capítulo, iremos continuar com a discussão de oscilações,
só que desta vez vamos discutir oscilações eléctricas, Estas
oscilações são análogas às estudadas na unidade 1, sendo que
nesta unidade a discussão estará virada para as grandezas
eléctricas.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

Deduzir a equação diferencial do movimento harmónico simples num


circuito eléctrico constituído por uma bobina e um capacitor.
Representar e interpretar os gráficos da carga e corrente num circuito
Objectivos
LC.

Deduzir e interpretar as equações da energia no movimento


harmónico simples num circuito LC

Condensador, bobina, capacitância, bobina.

Terminologia
64 Lição nº 1 Oscilações Eléctricas Forcadas Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

Lição nº 1
Oscilações harmónicas
Introdução

Seja bem-vindo ao estudo desta lição. Nela você vai dar


continuidade ao estudo das oscilações harmónicas discutidas na
Unidade 1. Acontece que agora você vai estudar Oscilacoes
geradas por energia eléctrica, enquanto as oscilações discutidas
na Unidade 1 são de origem mecânica.

Ao terminar esta lição, você será capaz de:

• Deduzir a equação diferencial de uma oscilação eléctrica


harmónica;

• Deduzir as equações do período e frequência num circuito


RC;

• Deduzir as equações da intensidade e da carga num


circuito RC;

• Deduzir a equação da energia num circuito RC;

• Resolver exercícios aplicando as equações do movimento


harmónico simples num circuito RC.

Você terá 2 horas para o estudo desta lição

Para a obtenção de uma oscilação harmónica, usamos um circuito


oscilatório simples que para a sua realização precisamos de um
condensador e de uma bobina, ou seja, a resistência deve ser
igual a zero (circuito ideal).
65 Lição nº 1 Oscilações Eléctricas Forcadas Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

FIG.21 Esquema do circuito LC em serie (Bobina e Condensador


ligados em serie).

Q = Qmax
U = U max
I=0

Uc + UB = 0

Para este circuito oscilatório simples temos:


d2I 1 d2I 1 d2 I
L + I = 0 ⇔ + I = 0 ⇔ + ω0 2 I = 0 .
dt 2 C dt 2 LC dt 2
Representando a equação diferencial através da carga eléctrica
temos:
d 2q q d 2q q 1
L 2
+ = 0 ⇔ 2
+ = 0, = ω0 ,
2
Então,
dt C dt LC LC
2
q& + ω0 q = 0
q& + ω0 q = 0 - Equação diferencial de uma oscilação
2

eléctrica harmónica. A solução desta equação diferencial é dada


por q = q 0 sen (ωt + α)
q0 ⇒ Amplitude da carga, ω 0 é frequência das oscilações
não harmónicas.

1
= ω0 , pode se extrair o período do
2
Da expressão
LC
movimento oscilatório
1 2π 1
ω0 = ⇔ = ⇔ T = 2π LC e
LC T LC
1 1
f = .
2π LC
66 Lição nº 1 Oscilações Eléctricas Forcadas Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

A intensidade da corrente é a derivada temporal de q(t).


dq
I = dt

dq π
I= = ωq 0 cos(ωt + α ) = ωq 0 sen(ωt + α + ) ou
dt 2
π⎞
I = I0 sen⎜⎛ωt + α + ⎟. Em consequência, concluímos que a
⎝ 2⎠
corrente do circuito é oscilatório, com uma frequência angular

1
ω0 = e uma amplitude constante. Razão porque se pode
LC
expressar a corrente na forma I = I 0 senα . ω 0 é a frequência

natural do circuito.

Pelas expressões da carga e da Intensidade da corrente,


nota-se que a intensidade atinge o valor máximo rapidamente do
π
que a carga e está desfasada em .Tomando em consideração a
2
q
q U= q
tensão U = nesta descrição, temos c = 0 sen(ωt + α ) ,
c c
q0
onde é a amplitude da tensão. U = U 0 sen(ωt + α ) . Desta
c
expressão da tensão, conclui-se que a carga e a tensão estão em
fase, ou seja, tanto a carga como a tensão, atingem os máximos
no mesmo ponto.

Representação gráfica
FIG.22 curva de variação da carga e intensidade de corrente
como função de tempo:
67 Lição nº 1 Oscilações Eléctricas Forcadas Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

A figura representa a curva de variação da carga e intensidade de


corrente como função de tempo.

No circuito, ocorre oscilação porque à medida que se descarrega


o condensador, a fem VL no auto indutância tende a manter uma
corrente em sentido oposto que carrega o condensador. Quando o
condensador se carrega de novo, o processo se repete em
sentido oposto, dado que ele tende a descarregar – se novamente

Energia de um circuito LC
Consideremos o circuito abaixo indicado V0 I0
Ligando o circuito, desenvolvem-se oscilações tanto da tensão
como da carga. A energia irá depender da capacitância e da
2
q 2 qm
tensão do condensador, então, we = = sen 2 (ωt + α ) e a
2C 2c
energia magnética

2
1 Li
w m = LI 2 ⇔ wm = 0 cos (ωt + α )
2

2 2

O máximo da energia eléctrica do circuito regista-se para o ângulo


de fase igual a 90º e o máximo da energia magnética regista se
quando o Ângulo de fase igual a oº. Nota se portanto que quando
we = 0 . wm é máxima, ou seja, quando o condensador
descarrega, a energia total do circuito é igual a energia magnética
1
, we = 0 wm =
2
LI 0 e quando
2
2
1 q q
wm = 0, we = qV ;V = we = max . Como o condensador não
2 C 2C
está descarregado, as duas energias registam-se
simultaneamente e a soma é igual a energia total do circuito.
wt = we + wm ,
68 Lição nº 2 Oscilações Eléctricas Forcadas Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

2 2
qm 1 2 1 q0 1
wt = sen (ωt + α ) + LI 0 cos (ωt + α ) = (
2 2
+ LI 0
2
)(sen 2 (ωt + α ) + cos
2c 2 2 C 2
2
1 q0 1
+ LI 0 2
2 C 2

2
1 q0 1
wt = + LI 2
2 C 2 0

Lição nº 2
Oscilações eléctricas
amortecidas. Circuito (RLC)
Introdução
Seja bem-vindo ao estudo desta lição. Nela você vai dar
continuidade ao estudo das oscilações eléctricas discutidas na
lição número 1, desta unidade. Nesta lição, você vai discutir
oscilações eléctricas amortecidas, em que diferentemente das
oscilações mecânicas amortecidas a causa de amortecimento é a
resistência do ar e, nesta a causa do amortecimento é a
resistência eléctrica.

Ao terminar esta lição, você será capaz de:

• Deduzir a equação diferencial do movimento amortecido num circuito


RLC;

• Representar e interpretar os gráficos dos movimentos super


Objectivos
amortecido, amortecimento crítico e subamortecido; num circuito
RLC;

• Interpretar o valor da constante Q num circuito RLC;

• Deduzir e interpretar as equações da energia no movimento


amortecido num circuito RLC;

• Resolver exercícios aplicando as equações do circuito RLC

A figura 24 mostra-nos um circuito RLC, ou seja, um circuito


constituído por uma resistência, uma bobina e um condensador.
69 Lição nº 2 Oscilações Eléctricas Forcadas Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

Neste circuito, teremos oscilações cuja amplitude diminui


gradualmente com o tempo devido a presença da constante de
amortecimento que no caso é a resistência eléctrica.

Para o estudo deste circuito, consideremos as condições iniciais,


onde teremos quedas de tensão nos seguintes elementos do
circuito: capacitor, resistor e na bobina. Pela lei de Kirchoof a
soma destas quedas de tensão é nula.

Quando a resistência não é dispresível, as oscilações


resultantes são amortecidas

FIG.24 Esquema do circuito RLC em serie (Resistencia, Bobina e


Condensador ligados em serie).

Neste caso conta se com uma constante de amortecimento


R
dada por γ =
2L
R 1 R2 1
γ = ∧ω = − 2
, ω 20 =
2L LC 4L CL
q dI 1 q d 2 q R dq
Uc + U B + U R = 0 ⇔ + L + IR = 0. ⇔ + + = 0⇔
C dt L CL dt L dt
d 2 q R dq q & + 2γQ& + ω 2 Q = 0
+ + = 0⇔Q
dt L dt CL
− γt
A solução desta equação diferencial é q = q 0 e sen(ωt + α )

A resistência no circuito faz com que a frequência da oscilação


seja menor que a frequência natural ω 0 .
70 Lição nº 2 Oscilações Eléctricas Forcadas Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

A corrente varia com o tempo de acordo com a expressão

I = I 0 e − γt sen(ω ′t + α ) , onde ⎛ R ⎞
2

ω′ = ω0 1− ⎜ ⎟
⎝ 2 Lω 0 ⎠

O amortecimento no circuito deve – se a dissipação de energia na


resistência.
2
Q dI Q } dI
+ L + IR = 0.I ⇔ I + ILa I 2R = 0
+{
C dt {C dt 3a
1a

1ª parcela, taxa de aumento de energia no capacitor

2ª parcela, taxa de aumento de energia na bobina

3ª parcela, taxa de diminuição de energia no resistor

Graficamente temos

FIG.25 Graficos da variacao da carga e corrente em funcao do tempo


t ⎛R ⎞
− ⎜ ⎟t L
τ=
E= E e ⇔E= Ee L


τ ⎝ ⎠
0 0
R
71 Lição nº 2 Oscilações Eléctricas Forcadas Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

Lição nº 3
Oscilações eléctricas forcadas
(RLC com gerador)
Introdução
Seja bem-vindo ao estudo desta lição. Nela você vai dar
continuidade ao estudo das oscilações harmónicas discutidas na
Unidade 1. Acontece que agora você vai estudar Oscilacoes
geradas por energia eléctrica, enquanto as oscilações discutidas
na Unidade 1 são de origem mecânica.

Ao terminar esta lição, você será capaz de:


• Deduzir a equação diferencial de uma oscilação eléctrica
harmónica,
Objectivos • Deduzir as equações do período e frequência num circuito
RC,

• Deduzir as equações da intensidade e da carga num


circuito RC,

• Deduzir a equação da energia num circuito RC,

• Resolver exercícios aplicando as equações do movimento


harmónico simples num circuito RC,

Você terá 2 horas para o estudo desta lição

O mais importante dos circuitos com muitas das características da


maior parte dos circuitos de corrente alternada é o circuito RLC
com gerador (Fig.22). As oscilações deste tipo de circuitos são
análogas às estudadas nas oscilações mecânicas forcadas. Note
que no circuito RLC, as oscilações eram amortecidas devido a
dissipação da energia eléctrica na resistência. Havendo uma
72 Lição nº 3 Oscilações Eléctricas Forcadas Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

necessidade de manter um movimento oscilatório harmónico,


vamos acoplar agora um gerador ao sistema.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

A regra de Kirchhoff aplicada a este circuito com gerador dá-


nos o seguinte:

As oscilações eléctricas forçadas são produzidas quando se


agrega uma f.e.m alternada da forma V = V0 senωt a um circuito

RCL, constituindo um circuito de corrente alternada (a.c).

FIG.26 Esquema do circuito RLC com gerador

Neste contexto, igualando as quedas de tensão através da


resistência e do condensador à fem total, temos:
q dI
U R + U C = U B + V0 sen(ωt + α ) ⇔ IR + = − L + V0 senωt ⇔
C dt
q dI
IR = − − L + V 0 senωt
C dt

Derivando ambos membros da igualdade acima, temos

dI 1 dq d 2I d 2I dI 1 dq
R = − − L 2 + V 0ω cos ωt ⇔ L 2 + R + = V 0ω cos ωt ∨
dt C dt dt dt dt C dt
d 2Q dQ Q
L 2 +R + = V 0ω cos ωt
dt dt C
A corrente será dada pela expressão: I = I0 sen(ωt − α ) . A
amplitude desta corrente é dada por
73 Lição nº 3 Oscilações Eléctricas Forcadas Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

V0 ε max ⎛ 1 ⎞
I max = ⇔ I max = ⇔ mas R 2 + ⎜ωL − ⎟ =
ω 2
R + (X − X )
2
⎛ ⎝ C⎠
L C R + ωL − 1 ⎞
2


⎝ ωC 2
2

1 ⎜
Z ∧ ωL − = X⇒ 1 ⎠
ωC ωL −

εmax ε max ωC ⇔ tgα = X ⇔ α = arctg X ⇒


I max = ⇔I max = ∧ tgα =
R + X
2 2 Z R R R
εmax X
I= sen(ωt + arctg )
Z R

Esta expressão dá-nos a fase da corrente em relação a fem


aplicada. Z é a impedância do circuito eléctrico e X é a reactância.
74 Lição nº 3 Oscilações Eléctricas Forcadas Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

Relação entre Z , R, X , α

No gráfico de V e I em função do tempo acima fica claro que I se


atrasa FIG.27 variação da corrente e da forca electromotriz em funcao
do tempo.
α
Em relação a V de um tempo . A corrente atrasa – se em
ω
relação e fem se α for positiva, o que se verifica se ωL for maior

1
do que e adianta – se em relação a fem se α for negativa, o
ωC
1
que por sua vez acontece quando ωL é menor que
ωC

Tensão em cada um dos elementos

a) Para o capacitor
q π
U c = = U 0 C cos(Ωt − α − )
c 2

a) Para o resistor

U R = IR = U0 R cos(Ωt − α )

b) Para o indutor
dI π
UL = L = U 0 L cos(Ωt − α − )
dt 2
75 Lição nº 3 Oscilações Eléctricas Forcadas Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

Para a produção de uma corrente eléctrica alternada precisa – se


de uma força perturbadora. Geralmente usa – se os circuitos RL,
RC, e RCL

Potência média fornecida a um circuito.

P = I 2R

Como o indutor e capacitor não dissipa energia, a potência media


fornecida a um circuito RLC em série é igual a potência media
fornecida ao resistor.

A potência instantânea é dada pela expressão:

P = RI 2 max .cos 2 (ωt − δ )


E a potência media para um ou mais ciclos:
1 2
P= RI max .R
2
O gráfico da potência media em função da frequência para um
circuito RLC

FIG.28 Grafico da variacao da potência media em funcao da frequencia

m L
Q = ωτ ; τ = ;τ =
b R

L
Então o factor de qualidade será: Q = ω 0
R
76 Lição nº 3 Oscilações Eléctricas Forcadas Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

Quando a curva de ressonância é muito estreita (Q>2) então:


ω0 f
Q= = 0
Δω Δf

Aplicação da ressonância nos


circuitos eléctricos
Ao sintonizar uma estação da rádio variamos a capacitância, na
tentativa de igualar a frequência; os circuitos RLC são usados em
receptores da rádio, nos quais se faz variar a frequência da
ressonância, ajustando o valor da capacitância; a ressonância
ocorre quando a frequência natural do circuito é igual a frequência
usada por uma das estações da rádio que o aparelho foi
projectado para captar;

Na ressonância existe uma corrente relativamente elevada no


circuito da antena. Se o factor Q do circuito é suficientemente alto,
as correntes produzidas pelas frequências das outras estações
fora da ressonância são menores.
Um circuito RLC em série tem L=2H, C=2µF e R=20Ω, é
alimentado por um gerador com uma tensão máxima de 100V e
frequência variável.
Exemplo 11
a) Determine a frequência f 0 na ressonância.

Resolução

1
a) f 0 = = 79,6Hz
2π LC

b) O factor Q do circuito
L L
b)Q = ω 0 ; ω 0 = 2πf 0 ⇒ Q = 2πf
R R

c) A largura da curva de ressonância

ω0 ω
c)Q = ⇒ Δω = 0
Δω Q
77 Lição nº 3 Oscilações Eléctricas Forcadas Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

d) A corrente máxima na ressonância.


d)X L = X C ; Z = R
ε max 100
ε max I max = = = 5A
I max = Z 20
R
Se o gerador do exercício anterior tiver uma frequência de 60Hz.
Determine a corrente máxima, o ângulo de fase e a potencia
media fornecida ao circuito.
Exemplo 12
Resolução:

Se I é máximo, R=0

Z= R2 + ( X L − X C ) 2 ⇒ Z = X L − X C
εmax εmax onde:
I max = ⇒ I = = 0,174A
Z max
X L − XC

1
X L = ω0 L e ; ω = 2πf
XC =
ωc
1
X L = 2πfL e X C =
2πfc

Para cada frequência há sempre um valor máximo.

b) Determine o ângulo de fase.

X L − XC
tgδ = arctg
R

c) Determine a potência média fornecida ao circuito.

1 2
P= RI max .R
2

Existe para cada frequência uma potência media.


78 Lição nº 3 Oscilações Eléctricas Forcadas Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

Determine as tensões máximas entre os terminais dos resistores


do indutor e do capacitor no circuito do exercício 1, quando a
frequência do gerador é igual a frequência de ressonância.
Exemplo 13
Represente todas as tensões no mesmo diagrama.

Resolução

VL = Imax .X L
VC = I max .X C
VR = I max .R

FIG.25 Diagrama
fasorial da tensao na
bobina, no
condensador e no
resistor.

Sumário
Circuito LC-Serie é um circuito que apresenta o condensador ( C)
e a bobina (L) ligados em serie.

A equação diferencial de uma oscilação eléctrica


& + ω 0q = 0 -.
harmónica q
2

A solução da equação diferencial de uma oscilação


eléctrica harmónica é dada por q = q 0 sen (ωt + α)

O período e a frequência das oscilações eléctricas


harmónicas são dados pelas expressões:
1 1
T = 2π LC e f = .
2π LC

A intensidade da corrente de uma oscilação eléctrica


harmónica é:
⎛ π⎞
I = I0 sen⎜ωt + α + .
⎝ ⎠
2⎟
79 Lição nº 3 Oscilações Eléctricas Forcadas Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

A tensão de uma oscilação eléctrica harmónica é dada


pela expressão: U = U 0 sen(ωt + α ) .

A energia depende da capacitância e da tensão do condensador,


2
q2 qm
então, we = = sen 2 (ωt + α ) é a energia eléctrica e
2C 2c
2
1 2 Li
wm = LI ⇔ wm = 0 cos (ωt + α ) é a energia magnética.
2

2 2

O máximo da energia eléctrica do circuito regista se para o Ângulo


de fase igual a 90º e o máximo da energia magnética regista-se
quando o Ângulo de fase igual a oº.

Circuito RLC-serie, é aquele em que a Resistência, a Bobina e o


conndensador estao ligados em serie.

Quando a resistência não é dispresível, as oscilações resultantes


são amortecidas

A equação diferencial do movimento oscilatório no circuito RLC é:

& + 2γQ& + ω 2 Q = 0
Q
− γt
A solução desta equação diferencial é q = q 0 e sen(ωt + α )

A corrente varia com o tempo de acordo com a expressão


I = I 0 e − γt sen(ω ′t + α )

O amortecimento no circuito deve – se a dissipação de energia na


resistência.

A energia no circuitob RLC-serie,é dada pela expressao:

⎛ R⎞
− ⎜ ⎟t
⎝L ⎠
E = E0e
80 Lição nº 3 Oscilações Eléctricas Forcadas Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

As oscilações eléctricas forçadas são produzidas quando se


agrega uma f.e.m alternada da forma V = V0 senωt a um circuito

RCL, constituindo um circuito de corrente alternada (a.c).

A corrente será dada pela expressão: I = I0 sen(ωt − α ) .

A tensao em cada um dos elementos, esta distribuida de seguinte


modo:

a) Para o capacitor
q π
Uc = = U 0 C cos(Ωt − α − )
c 2

c) Para o resistor

U R = IR = U0 R cos(Ωt − α )

d) Para o indutor
dI π
UL = L = U 0 L cos(Ωt − α − )
dt 2

Potência média fornecida a um circuito é P = I R


2

Como o indutor e capacitor não dissipa energia, a potência média


fornecida a um circuito RLC em série é igual a potência média
fornecida ao resistor.

A potência instantânea é dada pela expressão:

P = RI 2 max .cos 2 (ωt − δ )


E a potência media para um ou mais ciclos:
1 2
P= RI max .R
2
81 Lição nº 3 Oscilações Eléctricas Forcadas Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

Sistematização das oscilações

Mecânicas

Equação diferencial
X& + ω 2 X = 0 ;
massa (m) , constante (K ) , Grandeza
elongação (Χ ) , velocidade (v ) fundamental

Harmónicas
X = xm sen(ωt + α ) Solução da
equação
M 1 k
T = 2π ; f =
k 2π M Período e
1 2 1 frequência
EC = mv ; Ep = kx 2
2 2
Energias
1
Et = kA 2
2

Electromagnéticas

& + ω 2Q = 0
Q
Equação
⎛1 ⎞
Indutância ( L ) , constante ⎜ ⎟, carga diferencial
⎝c ⎠
Grandezas
(Q )
fundamental
Harmónicas Q = Q0 sen(ωt + α );
Solução da
T = 2π LC equação
1
f = Período e
2π LC
frequência
2 2
1Q 1 1 ω0 Energias
Ec = ; E m = LI 2 ⇒ E t =
2 C 2 2 C
82 Lição nº 3 Oscilações Eléctricas Forcadas Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

Mecânicas

m Grandeza
b =/ 0; τ =; Q = ω0τ
b fundamental
k b dx d 2 x
x+ + = 0; Equação
m m dt dt 2
⎛ b ⎞ diferencial
−⎜ ⎟t
Amortecidas x = Ae ⎝ 2m ⎠
cos(ωt + α )
Solução da
1
ω = ω00
t
'
1− equação
4Q 2
t
− Frequência
E = E 0 .e τ

Energias

Electromagnéticas

L
R =/ 0; τ = ; Q = ω0τ Grandeza
R
fundamental
1 R dQ d 2 Q
Q+ + 2 =0 Equação
LC L dt dt
Amortecidas ⎛ R ⎞
diferencial
−⎜ ⎟t
Q(t ) = Q0 e ⎝ 2L ⎠
cos(ωt + α )
Solução da
⎛ R ⎞ equação
ω ′ = ω0 1− ⎜ ⎟;
⎝ 2L ω 0 ⎠
t
frequência

E = E 0e T
Energias

Mecânicas

Função da
X (t ) = X max cos(ωt − α )
posição

tgα =
m(ω 02 − ω 2 )
; Constante e
Forçadas
f0 fase
A=
m 2 (ω 02 − ω 2 ) + b2 ω 2
2
Amplitude
83 Lição nº 3 Oscilações Eléctricas Forcadas Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

Electromagnéticas

Q(t ) = Q0 cos(ωt − α ) /
Função da
I (t ) = I max cos(ωt − α )
posição
εmax
Forçadas I = ; Amplitude
max
X ZL − X C
tgα = Constante e
R fase

Auto-Avaliação
1. Um capacitor de 1,5μF é carregado até que a voltagem entre as placas é de 57V. Ele é
então desligado da bateria e ligado a uma bobina de 12mH, dando inicio à oscilações LC.
Qual é a corrente máxima na bobina? Suponha que não existe resistência no circuíto.
2Quando a energia de um circuito LC está igualmente distribuida entre o campo electrico e o
campo magnético, qual é o valor da carga expressa em termos da carga máxima? Suponha
que o capacitor esteja totalmente carregado no início do processo, em que instante t isto
ocorre? Suponha L = 12mH;C = 1,7 μF .

1. Em um circuito temos L = 12mH;C = 1,6 μF e R = 1,5Ω . Depois de quanto tempo a


amplitude da oscilação da carga cairá à metade do seu valor inicial? A quantos períodos de
oscilação corresponde esse intervalo de tempo?

4.Um indutor de 1,48mH em um circuito LC armazena uma energia máxima de 11,2mJ .Qual é
a corrente de pico?

5.Osciladores LC são usados em circuitos ligados a alto-falante para criar alguns dos sons da
música electronica.Que induntância deve ser usado junto do capacitor de 6,7 μF para prouzir
uma frequência de 10KHz?

6.Para um circuito LC a energia total é transformada de energia eléctrica no capacitor em


energia magnética no indutor em 1,52 μs calcule o período e a frequência de oscilação? Quanto
tempo após a energia magnética ser máxima ela será máxima outra vez?

7.Ache o tempo necessário para que em um circuito LC amortecido, a energia máxima


armazenada no capacitor durante uma oscilação seja metade do seu valor inicial.Suponha
que q = q m em t=0.

8.Qual é a resistência que deve ser ligada em série a um indutor de L=220mH e a um


C = 12μF para que a carga máxima no capacitor caia para 99% do seu valor inicial depois de
50 ciclos.

9.Um circuito tem L=12,6 mH e C = 1,15μF .Qual é a resistência que lhe deve ser adicionada,
84 Lição nº 3 Oscilações Eléctricas Forcadas Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

para reduzir a frequência de ressonância própria de 0,01%?

Feed Back
1. imax = 0,64A

qm
2. q = ; t = 1,1 × 10 − 4 s
2
3. t = 0,0111s ; n ≈ 13

4. 123mA 5. 38μH 6. 6,08μs ; 164KHz 7. ( L / R ) ln 2 8. 8,7mΩ

9. 2,96Ω
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
85

Unidade nº 3
Ondas
Introdução
Einstein e Infeld como resposta a “ o que é uma onda “ diziam: “
um boato que tenha origem em Washington atinge rapidamente
Nova Yorque, sem que no entanto nenhuma das várias pessoas
envolvidas na divulgação do mesmo viaje entre as duas
cidades”.De facto a perturbação criada propaga-se a longas
distâncias; contudo, a perturbação provocada no meio é local, isto
é, embora se propague a longas distâncias, não provoca
alterações globais ao meio.Cada indivíduo “apenas” conta boato
aos seus “vizinhos”, deslocando se pequenas distâncias.
Analisemos também esta situação: quando se deixa cair uma
pedra num lago, gera se uma onda que se propaga a partir do
ponto de queda. No entanto, uma rolha que flutue nesse lago,
limita-se a subir e a descer, não sendo transportada pela onda.
Percebemos imediatamente a função das ondas na transmissão
da informação pelo método de transportar materialmente a
mensagem (carta, recado por mensageiro) que é muito mais lento
do que o método de transmissão por ondas (rádio, tv, telefone)

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:


• Definir os seguintes conceitos: Onda, Meio elástico, Meio
homogéneo e Campo de Onda
• Classificar as ondas mecânicas
Objectivos • Identificar as propiedades das ondas mecânicas
• Identificar as grandezas que caracterizam uma onda
mecânica
• Calcular grandezas que caracterizam uma onda mecânica

Nesta secção você deverá usar expressões novas como


Propagação, meio elástico.

Terminologia
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
86

Lição nº 1
Ondas Mecânicas. Classificação
das Ondas Mecanicas
Introdução
Seja bem-vindo ao estudo desta lição. Aqui pretende-se que você
discuta o conceito de Onda. Este conceito é de extrema
importância para a interpretação de muitos fenómenos físicos.

Ao terminar esta lição, você deverá ser capaz de:

• Definir meio elástico, meio homogenio, Onda, Frente de


Onda;

• Classificar as Ondas quanto ao meio de propagação e


quanto à direcao de propagação;

• Identificar as fontes de ondas sonoras;

• Calcular a velocidade de uma onda sonora;

• Identificar o espectro da onda sonora;

• Explicar o processo de transmissão do som.

Para o estudo desta lição, você vai precisar de 2 horas

Ondas mecânicas

Para o tratamento do movimento ondulatório, são de extrema


importância os conceitos de meio elástico e de meio homogéneo.

Meio elástico: Um meio diz – se elástico se as deformações que


sofre devido a acção de forças externas desaparecem logo que a
acção dessas forças cessa.
Fisicamente isto é caracterizado por δ = Eε onde E é a
constante ou módulo de elasticidade, ε constante do meio e δ
equivale a força exterior. Esta relação assemelha – se a lei de
Hooke nas oscilações mecânicas F = − Kx
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
87

Meio homogéneo: Diz se homogéneo ao meio em que as


propriedades físicas de importância fundamental para um
problema dado não variam de ponto para ponto.

Onda: É um processo no qual uma grandeza física (e) se propaga


com uma velocidade finita no espaço e varia periodicamente em
função de posição e de tempo e = e(r,t) . No movimento
ondulatório propaga – se ou transfere – se energia e momento
mas não há transmissão da substância.

Frente da onda: É um lugar geométrico dos pontos que se


encontram à mesma distancia R da fonte.

Descreve-se uma onda através do campo de uma onda


r
e = e(r , t) que é o conjunto de todos os pontos que são
abrangidos pela onda.
Os aspectos mais importantes das ondas são a sua velocidade de
propagação e as modificações que sofrem quando variam as
propriedades físicas do meio em que se propagam, quando se
intercalam diferentes espécies de obstáculos.

Condições para o surgimento de uma onda

Note que o movimento ondulatório pode se transformar numa


r
oscilação desde que –se considere r uma constante. Para tal
pode se fazer a acoplagem dos osciladores, o que vai permitir que
estes se transmitam energia passando a executar um movimento
periódico. (FIG.29. Osciladores acoplados)
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
88

Classificação das ondas quanto ao meio de propagação


1. Ondas Mecânicas
2. Ondas Electromagnéticas

Classificação quanto à direcção de propagação

a)Transversais
b) Longitudinais

Transversais
Ondas transversais são todas as ondas em que a perturbação
transmite -se numa direcção perpendicular a direcção de
propagação. Temos como exemplo as ondas numa corda

FIG.30 Onda transversal

O deslocamento transversal dos segmentos é representado pela


função de onda Y = f (x − vt) .

Longitudinais

FIG.31. Onda Longitudinal

São ondas em que a perturbação é paralela a direcção de


propagação.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
89

Imagine um cilindro com um êmbolo contendo ar. Imprimindo ao


êmbolo um movimento de vai- vem, vemos no ar contido no
êmbolo uma série de compreensão e dilatação.

As moléculas do ar situadas mais próximo do êmbolo adquirem


movimento vibratório que se transmite as moléculas vizinhas
situadas a direita do êmbolo e a esquerda do mesmo.

A velocidade das ondas depende das propriedades do meio e não


do movimento da fonte das ondas

Ex: A velocidade do som de uma buzina do carro depende apenas


das propriedades do ar e não só movimento do carro.

Para o caso dos pulsos ondulatórios numa corda, quanto maior for
a tensão maior será a propagação das ondas.

Alem disso as ondas se propagam mais rapidamente numa corda


leve do que numa corda pesada.

F
Esta velocidade pode ser determinada pela expressão v =
μ
sendo μ a massa por unidade de comprimento (densidade linear)
e F a tensão.

Se houver variação de pressão e de densidade, as ondas são


acústicas(sonoras).
As ondas sonoras são ondas de compressão que você pode
ouvir. São constituídas de compressões e rarefacções.
O som não pode propagar-se através do vácuo. Transmite-se
mais facilmente através de líquidos e sólidos que através do ar.
As ondas sonoras caminham cerca de 330 metros por segundo,
à temperatura do gelo em fusão. Sua velocidade aumenta de 55
centímetros por segundo para cada elevação de um grau
centígrado acima do zero.
Os ecos (som reflectido) são usados para medir a profundidade
da água. O som é uma compressão mecânica ou onda
longitudinal que se propaga através de forma circuncêntrica, em
meios que tenham massa e elasticidade como os sólidos, líquido
ou gases, ou seja, não se propaga no vácuo. Os sons naturais
são, na sua maior parte, combinação de sinais, mas um som puro
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
90

possui uma velocidade de oscilação ou frequência que se mede


em hertz (Hz) e uma amplitude ou energia que se mede em
decibéis. Os sons audíveis pelo ouvido humano têm uma
frequência entre 20 Hz e 20 kHz. Acima e abaixo desta faixa são
ultra-som e infra-som, respectivamente.

Os seres humanos e vários animais percebem sons com o sentido


da audição e podem saber a distância e posição da fonte sonora,
a chamada audição estereofónica. Muitos sons de baixa
frequência também podem ser sentidos por outras partes do corpo
e pesquisas revelam que elefantes se comunicam através de
infra-sons.

Os sons são usados de várias maneiras, muito especialmente


para comunicação através da fala ou, por exemplo, música. A
percepção do som também pode ser usada para adquirir
informações sobre ambiente em propriedades como
características espaciais (forma, topografia) e presença de outros
animais ou objectos. Por exemplo, morcegos, baleias e golfinhos
usam a ecolocalização para voar e nadar por entre obstáculos e
caçar suas presas. Navios e submarinos usam o sonar, seres
humanos recebem e usam informações espaciais percebidas em
sons.

Fontes sonoras

FIG.32 Propagação do som

Esquema representando a audição humana. (Azul: ondas


sonoras; Vermelho: tímpano; Amarelo: córnea; Verde: Células
receptoras de som; Púrpura: espectro de frequências da resposta
da audição; Laranja: Potencial de acção do nervo.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
91

A modelação das diferentes fontes sonoras corresponde à


primeira fase no processo de síntese de Som 3D. Uma "Fonte
Sonora" é definida como sendo um objecto que permite a
caracterização de um determinado som, baseado numa
associação a um objecto "Amostra" que representa uma amostra
de som armazenada no banco de sons do sintetizador. Existe
adicionalmente uma hierarquia de classes de objectos derivados
da "Fonte Sonora" e que herdam as características da classe de
objectos base, permitindo modelar comportamentos distintos. São
derivadas directamente de três classes de objectos a partir da
"Fonte Sonora"; uma "Fonte Sonora Impulsiva" que modela as
características de uma fonte sonora que apenas reproduz a
amostra de som uma única vez quando actuada (por exemplo o
som de uma colisão), uma "Fonte Sonora Cíclica" permitindo
modelar fontes sonoras que reproduzem a amostra ciclicamente
enquanto esta estiver activada (por exemplo uma buzina) e uma
"Fonte Sonora de Altura Variável".

Desta última classe são derivadas outras duas, que permitem a


diferente implementação dos algoritmos que alteram a altura e a
intensidade do som produzido, com base nos diferentes
fenómenos que modelam. A "Fonte Sonora Motorizada" simula o
comportamento de um motor e a "Fonte Sonora de Deslocamento"
modela os efeitos da fricção e da turbulência provocadas por
determinados objectos ao deslocarem-se sobre uma determinada
superfície ou por um determinado meio.

Tecnologia Sonora

Fig 33: Representação de baixas e altas frequências

Esquema representando duas ondas sonoras de diferentes


frequências.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
92

O advento da tecnologia e, principalmente, da electrónica permitiu


o desenvolvimento de armazenamento de áudio e aparelhos de
som para gravação e reprodução de áudio, principalmente música.

São exemplos de fontes ou médias o MP3, CD, o LP ou Disco de


vinil e o cassete. Alguns dos aparelhos que reproduzem essas
médias, são o toca-discos e o gravador cassete.

Meios de Propagação
Meios nos quais uma onda pode se propagar são classificados
como a seguir:
• meios lineares: se diferentes ondas de qualquer ponto
particular do meio em questão podem ser somadas;
• meios limitados: se ele é finito em extensão, caso contrário
são considerados ilimitados;
• meios uniformes: se suas propriedades físicas não podem
ser modificadas de diferentes pontos;
• meios isotrópicos: se suas propriedades físicas são as
mesmas em quaisquer direcções.

A velocidade do som é a distância percorrida por uma onda


sonora por unidade de tempo. É a velocidade a que uma
perturbação se propaga num determinado meio. Em
instrumentação pode-se utilizar este princípio para medir com
boa exactidão distâncias entre obstáculos, assim: conhecendo-se
a velocidade de propagação de um sinal (normalmente ultra-som
no ar) é possível medir o tempo que ele gastou a percorrer um
determinado espaço. Com este valor é simples calcular a distância
percorrida. Utilizam-se sensores especiais que emitem o sinal em
forma de pulso (ultra-som) e os recebe de volta (eco). Um sistema
micro processado pode calcular o tempo gasto (normalmente
milissegundos

Tabela - velocidade do som no ar c e C, densidade do ar ρ,


impedância acústica Z e temperatura
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
93

Impacto da temperatura

em °C c em m/s C em km/h ρ em kg/m³ Z em N·s/m³

-10 325,4 1.171,4 1.341 436,5

-5 328,5 1.182,6 1.316 432,4

0 331,5 1.193,4 1.293 428,3

+5 334,5 1.204,2 1.269 424,5

+10 337,5 1.215,0 1.247 420,7

+15 340,5 1.225,8 1.225 417,0

+20 343,4 1.237,0 1.204 413,5

+25 346,3 1.246,7 1.184 410,0

+30 349,2 1.257,1 1.164 406,6

Produção do Som

Fixemos uma lâmina de aço muito fina para que ela possa
oscilar conforme indica a figura abaixo.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
94

Fig. 34. Vibração de uma lâmina de aço

Quando deslocamos a lâmina, sua extremidade livre começa a


oscilar para a direita e para a esquerda.

Se a lâmina vibrar com rapidez, produzirá um som sibilante,


mostrando que os sons são produzidos pela matéria em vibração.

À medida que a lâmina oscila para a direita, ela realiza trabalho


nas moléculas do ar, comprimindo-as, transferindo para elas
energia na direcção da compressão. Ao mesmo tempo, as
moléculas do ar, situadas à esquerda, se expandem e se tornam
rarefeitas, o que retira energia delas.

Quando a lâmina se move no sentido inverso, ela transfere


energia para as moléculas do ar situadas à esquerda, enquanto as
da direita perdem energia.

O efeito combinado de compressão e rarefacção simultâneo


transfere energia das moléculas do ar da esquerda para a direita,
ou da direita para a esquerda na direcção do movimento da
lâmina, produzindo ondas longitudinais, nas quais as moléculas do
ar se movimentam para frente e para trás, recebendo energia das
moléculas mais próximas da fonte e transmitindo-a para as
moléculas mais afastadas dela, até chegarem ao ouvido.

No ouvido, as ondas atingem uma membrana chamada tímpano.


O tímpano passa a vibrar com a mesma frequência das ondas,
transmitindo ao cérebro, por impulsos eléctricos, a sensação
denominada som.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
95

FIG.35 Ouvido humano

As ondas sonoras são ondas longitudinais, isto é, são produzidas


por uma sequência de pulsos longitudinais.

As ondas sonoras podem se propagar com diversas frequências,


porém o ouvido humano é sensibilizado somente quando elas
chegam a ele com frequência entre 20 Hz e 20 000 Hz,
aproximadamente.

Fig. 36. Espectro sonoro

Quando a frequência é maior que 20 000 Hz, as ondas são ditas


ultra-sônicas, e menor que 20 Hz, infra-sônicas.

As ondas infra-sônicas e ultra-sônicas não são audíveis pelo


ouvido humano. As ondas infra-sônicas são produzidas, por
exemplo, por um abalo sísmico. Os ultra-sons podem ser ouvidos
por certos animais como morcego e o cão.

As ondas sonoras audíveis são produzidas por:

• Vibração de cordas
• Vibração de colunas de ar
• Vibração de discos e membranas
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
96

O som musical, que provoca sensações agradáveis, é produzido


por vibrações periódicas. O ruído, que provoca sensações
desagradáveis, é produzido por vibrações aperiódicas.

Transmissão do Som

A maioria dos sons chega ao ouvido transmitida pelo ar, que age
como meio de transmissão.

Nas pequenas altitudes, os sons são bem audíveis, o que não


ocorre em altitudes maiores, onde o ar é menos denso.

O ar denso é melhor transmissor do som que o ar rarefeito, pois


as moléculas gasosas estão mais próximas e transmitem a
energia cinética da onda de umas para outras com maior
facilidade.

Os sons não se transmitem no vácuo, porque exigem um meio


material para sua propagação.

De uma maneira geral, os sólidos transmitem o som melhor que


os líquidos, e estes, melhor do que os gases.

Observe a tabela que apresenta a velocidade de propagação do


som a 25°C.

Velocidade
Meio
(m/s)

Ar 346

Água 1498

Ferro 5200

Vidro 4540

Qualidades do Som

Se a energia emitida pela fonte é grande, isto é, se o som é muito


forte, temos uma sensação desagradável no ouvido, pois a
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
97

quantidade de energia transmitida exerce sobre o tímpano uma


pressão muito forte.

Quanto maior a vibração da fonte, maior a energia sonora, logo:

Quanto maior a amplitude da onda, maior a intensidade do som.

Quanto maior a amplitude da onda, maior a intensidade do som

Em homenagem ao cientista norte-americano Graham Bell (1847-


1922), que estudou o som e inventou o telefone, a intensidade
sonora é medida em bel (B) ou decibéis (dB). Os sons muito
intensos são desagradáveis ao ouvido humano. Sons com
intensidades acima de 130 dB provocam uma sensação dolorosa
e sons acima de 160 dB podem romper o tímpano e causar
surdez.
De acordo com a frequência, um som pode ser classificado em
agudo ou grave. Essa qualidade é chamada altura do som. Voz
do homem tem frequência que varia entre 100 Hz e 200 Hz e a da
mulher, entre 200 Hz e 400 Hz. Portanto, a voz do homem
costuma ser grave, ou grossa, enquanto a da mulher ser aguda,
ou fina.

No caso de ondas acústicas num fluido como o ar ou água, a


β
velocidade é dada por v = , sendo ρ a densidade do meio
ρ
em equilíbrio e β o módulo de compressibilidade
ΔP F
β= − , P= .
ΔV /V A
As expressões da velocidade acima mostram que em geral a
velocidade das ondas depende das propriedades elásticas do
meio (tensão nas ondas numa corda, módulo de
compressibilidade, nas ondas acústicas) e de uma propriedade
inercial (densidade linear da massa e densidade volumar de
massa).
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
98

Lição n º2
Equação da Onda
Introdução
Seja bem-vindo ao estudo desta lição. Aqui pretende-se que você
deduza a equação da Onda e calcular as grandezas que
caracterizam uma onda mecanica.

Ao terminar esta lição, você deverá ser capaz de:

• Deduzir a Equação de uma onda mecânica;

• Definir onda harmónica;


Objectivos • Deduzir as expressões para o cálculo da energia total
numa onda mecânica;

• Deduzir a expressão para o cálculo da potência de


transmissão da energia numa onda mecânica;

• Calcular a energia e a potência de transmissão numa onda


mecânica.

Você vai precisar de 1 hora para completar esta lição

Equação de onda

A equação diferencial que relaciona as derivadas espaciais de


y( x, t) às derivadas temporais pode ser deduzida aplicando as leis
de Newton ao movimento de um segmento de corda.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
99

FIG.35 Movimento de um segmento de recta

Neste caso admitimos pequenos deslocamentos verticais. O


comprimento do fio é aproximadamente Δx e a sua massa
m = μΔx com μ a densidade linear da corda. A força resultante
nesta direcção de propagação é ∑F = Fsenθ 2 − Fsenθ 1. θ1 ∧ θ 2
são os ângulos assinalados e F a tensão na corda.

Como os ângulos são pequenos,


senθ ≈ tagθ , então, ∑ F = F(senθ 2 − senθ 1 ) ≈ F(tagθ 2 − tagθ1 )

A tangente do ângulo é a inclinação S e é igual a derivada de


e(r,t) em relação a x com t constante.

∂y
S = tagθ =
∂x ∑ F = F(S 2 − S 1) = FΔs .
⇒ S 2 ∧ S1 são as

inclinações nas extremidades do segmento e ΔS a variação da


inclinação.

Aplicando a lei do movimento, temos


∂2 y ΔS ∂2 y
∑ F = ma ⇔FΔS = μΔx ∂t 2
⇔ F
Δx
= μ
∂t 2
. No limite de

Δx → 0 temos

ΔS ∂S ∂ ∂y ∂ 2 y ∂2 y μ ∂2 y
lim = = = . Então =
Δx ∂x ∂x ∂x ∂x 2 ∂x 2 F ∂t 2 Equação de
Δx → 0
uma onda numa corda tencionada.

A solução desta equação diferencial é qualquer função do tipo


y(x − vt).

Demonstração
Seja α = x − vt . A função de onda toma o aspecto
em y(α ) . Se representarmos
y = y(x − vt) = relação a por y′
α a derivada temos
de y
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
100

∂y ∂y ∂α ∂α ∂y ∂y ∂α ∂α
= = y′ = = y′ . Com
∂x ∂α ∂x ∂x ∂t ∂α ∂t ∂t

∂α ∂α
=1e = − v , temos
∂x ∂t

∂y ∂y
= y′ ∧ = − y ′v . Tomando as da segunda ordem, temos:
∂x ∂t
∂2 y ′ ∂2 y ∂y ′ ∂y ′ ∂ α ∂2 y 1 ∂2 y ∂2 y
= y ∧ = − v = − v = + v 2
y ′ , assim, = ⇔ = v
∂x 2 ∂t 2 ∂t ∂ α ∂t ∂x 2 v 2 ∂t 2 ∂t 2
. Equação geral de uma onda.
A solução desta equação diferencial é y(x, t) = Asen(kx − ωt). Tal
pode ser demonstrado a partir da equação.

∂y ∂y
= ( Asen(kx − ωt).) = Ak cos(kx − ωt).
∂x ∂x
∂ 2y ∂y
= ( Ak cos(kx − ωt)) = − Ak 2 sen(kx − ωt)
∂x 2
∂x

Em relação a t as duas derivadas tem o seguinte aspecto

∂y ∂y
= ( Asen(kx − ωt).) = − Aω cos(kx − ωt).
∂t ∂t
∂ 2y ∂y
= ( Aω cos(kx − ωt)) = − Aω 2 sen(kx − ωt)
∂t 2
∂t

Fazendo uma verificação na equação diferencial,


∂2 y 1 ∂2 y 1 ω
= 2 2 ⇔ − Ak 2 sen(kx − ωt) = 2 (− ω 2 Asen(kx − ωt)) se v =
∂x 2
v ∂t v k

Em uma dimensão a equação de onda para das ondas


sonoras tem o seguinte aspecto
∂ 2S 1 ∂2 y
= onde S é o deslocamento na direcção x e vS a
∂x 2 v S 2 ∂t 2
velocidade do som.

Ondas harmónicas

São ondas originadas por fontes harmónicas, ou seja, as que se


propagam obedecendo as leis seno e co-seno.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
101

1
Como durante um período T = a onda avança uma distância
f
λ
λ , então a velocidade v = = λf
T

A lei que descreve o deslocamento de uma partícula em


movimento Harmónico, é y(x) = Asen(kx + δ )

No estudo de uma única onda temos de escolher a posição de


origem e tomamos δ = 0
Um ponto x1 separado do outro x2 por λ de modo que

x2 = x1 + λ ; os dois pontos apresentar – nos –ão


deslocamentos iguais

y(x1 ) = y(x 2 ) ⇒ senkx1 = senkx2 = senk(x1 + λ ) = sen(kx1 + kλ ) ⇒ kλ = 2π ⇔ k

Se a onda avança para a direita com velocidade v, substituímos o


x na equação y(x) = Asen(kx + δ ) por x − vt (pulsos
ondulatórios) com uma constante de fase nula, temos:

2π 2π λ 2π 2π
y(x, t) = Asenk(x − vt) = Asen(kx − kvt) = Asen( x− t) = Asen( x−
λ λ T λ T
y(x, t) = Asen(kx − ωt)


ω = kv = v
λ

Equação da onda
∂=2 e
= ϕ 2∇e onde: ∇e - operador do Laplace
∂t 2

ϕ - Velocidade da propagação

∂ 2e ∂ 2 e ∂ 2 e
∇e = 2 + 2 + 2
∂x ∂y ∂z

Ondas unidimensionais

∂e2 2 ∂e
2
= ϕ
∂t 2 ∂x 2
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
102

Sol: e( x,t ) = e0 sen(ωt − kx + ϕ )


Onde: K- é o número de ondas. k =
λ
e iϕ = isenϕ + cos ϕ
e = e i0(ωt − kx+ ϕ ) [isen(ωt − kx + ϕ 0 ) + cos(ωt − kx + ϕ )]

Grandezas que caracterizam uma onda

FIG.36 Gráficos da variação da Amplitude em função da posição e


tempo

ft ft
1. Numa corda: v = ou v = onde: f t- tensão do fio
μ ρs

m
μ= - densidade linear.
e

s- área da secção transversal

m
ρ= - Densidade volumétrica
v

k = γp{p − pressa~o do gas; γ − con tan te adiabatica


γp nRT γnRT m γmRT γRT
v= ;p= ⇒v= ;n= ⇒ v= ⇒ v=
ρ V ρV M ρVM M

2. Para uma onda Sonora dentro de um fluido


Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
103

β
v= ; onde: β - constante de Bulde; p - massa específica do
P
ar.

β - é a razão negativa entre o aumento da pressão e a diminuição

Δp
do volume. β = −
ΔV /V

Energia cinética e potencial numa corda


A energia cinética é dada pela expressão:

Pela função de onda pode – se calcular a energia mecânica de um


segmento. Considerando Δx o comprimento do fio e μΔx a sua
1 dy
massa, a energia cinética procurada é Δk = μΔx( ) 2 . Como
2 dt
dy
y = Asen(kx − ωt), v y = = ωA cos(kx − ωt) , então
dt
1 dy 1
Δk = μΔx( ) 2 = μΔxω 2 A 2 cos(kx − ωt) ⇔
2 dt 2
1
⇔k= μΔxA 2ω 2 cos 2 (kx − ωt )
2

Energia potencial
O trabalho realizado na elongação de uma corda depende da
dy
inclinação e corresponde a energia potencial.
dx

Para pequenas amplitudes, a energia potencial, a inclinação e a


tensão do fio relacionam – se pela expressão

1 dy 2
ΔU = F ( ) Δx .
2 dx

De
dy 1
y = Asen(kx − ωt), = kAcos(kx − ωt) ⇒ ΔU = FΔxk 2 A 2 cos 2 (kx − ωt)
dx 2
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
104

ω ω
F = μv 2 ; v = ⇔ F = μ( ) 2
k k

A energia mecânica total será dada por:

1 1
E = ϕ + k ⇔ FΔxk 2 A 2 cos 2 (kx − ω t) + μ ΔxA 2ω 2 cos 2 ( kx − ω t ) ⇔
2 2
1 μω 2
1
E= 2 Δxk A cos (kx − ω t) +
2 2 2
μ ΔxA 2ω 2 cos 2 (kx − ω t )
2 k 2
1 1
⇔ E = μω 2 A 2 cos 2 (kx − ω t) + μ ΔxA 2ω 2 cos 2 (kx − ω t ) = μ ΔxA 2ω 2 cos 2 (kx − ω t ) = m ω 2 A 2 cos 2 (kx − ω t )
2 2
⇔ E = kA cos ( kx − ω t )
2 2

Energia média de um segmento


1 1 1
E med = ϕΔxA 2ω 2 = mA 2ω 2 = kA 2
2 2 2

Potência média de transmissão de energia


Potência de transmissão

dE 1 1 ω 1 μω 3A 2 ω
P= ⇔ Pmed = ϕvA 2ω 2 = μ A 2 ω 2 = ; com v =
dt 2 2 k 2 k k
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
105

Lição n º3
Propagação das ondas
Introdução
Seja bem-vindo ao estudo desta lição. Aqui pretende-se que você
peceba processos relacionados com a propagação de uma onda
mecânica.
Ao terminar esta lição, você deverá ser capaz de:
• Calcular a intensidade das ondas sonoras,
• Explicar os processos de transmissão e reflexão das ondas
mecânicas,
• Deduzir expressões para determinar as velocidades de
fase e de grupo,
• Explicar o efeito Doppler e a sua aplicação técnica,
• .Identificar as grandezas que caracterizam uma onda
mecânica
• Detertminar a velocidade da onda sonora em diferentes
meios,
• Determinar a velocidade de uma onda numa corda,

Você precisa de 2 horas para o estudo desta lição

As ondas podem – se propagar de três maneiras

Unidimensionais quando – se propagam em uma só direcção.

e = e(x,t)

Bidimensionais aquelas que – se propagam no plano, ou seja,


em duas dimensões

e = e(x, y,t)

Ondas em três dimensões


Estas ondas são geradas por uma fonte pontual que se desloca
para cima e para baixo em MHS. O comprimento da onda e a
distância são medidos entre duas cristas consecutivas, as quais
neste caso são círculos concêntricos. A cada um destes círculos
chamamos de frente de onda.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
106

e = e(x, y, z,t)

Para uma frente pontual de ondas sonoras, as ondas movem-se


em três dimensões, sendo as frentes de ondas superficiais
esféricas concertinas.

FIG.36 Ondas cilíndricas

Intensidade das ondas


Se uma fonte pontual emite ondas uniformemente em todas
direcções, então a energia a uma distância (l) a partir da fonte é
distribuída uniformemente sobre uma superfície esférica de raio
(R) e área A = 4πr 2 . Se P for a potência emitida pela fonte então
P
a potência por unidade da área é a razão .
4πr 2

A potência média por unidade de área (que é incidente de forma


perpendicular á direcção de propagação) é chamada Intensidade.
Pmed
I=
4πr 2
1
Pmed = P
2
A intensidade da corrente e a energia específica relacionam – se
entre sí através da relação
I = η med .v Onde: η med - é a energia específica média
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
107

Nível de intensidade e sonoridade

A percepção de sonoridade não é proporcional à intensidade do


som mas varia de forma logarítmica.

Assim, foi adoptada uma escala logarítmica para descrever o nível


de intensidade de uma onda Sonora a qual é medida em (dB).

I
β = 10 log ; onde: I- intensidade do som; I 0 - limiar de audição
I0
w
I0 = 10 − 12
m2

Escala:

B =0 dB – limiar de audição

B =120 dB – limiar de audição dolorosa.

Ondas contra obstáculo

Quando uma onda incide em uma fronteira que separa duas


regiões de diferentes velocidades, parte da onda é reflectida e
outra parte é transmitida

FIG.37 Reflexão e transmissão de uma onda


Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
108

FIG.38

b) Os dois pulsos transmitido e reflectido não são invertidos

Pi – pulso incidente Pr- pulso reflectido Pt- pulso transmitido

Velocidade de grupo

Quando se analisa um movimento ondulatório não harmónico, não


ω
se observa necessariamente a velocidade de fase v = . Para
k
uma onda harmónica contínua, ou seja, um trem de ondas de
comprimento infinito, a onda tem um só comprimento de onda e
uma só frequência, porém, uma onda destas já não é adequada a
transmissão de um sinal, dado que sinal significa algo que começa
num dado instante e termina noutro posterior. Medir a velocidade
com que um conjunto codificado de pulsos, (sinal) é transmitido,
equivale a medir essencialmente a velocidade com que os pulsos
se deslocam.

O pulso contém várias frequências e comprimentos de onda. Num


meio dispersivo, cada componente do pulso tem a sua velocidade
de propagação que é diferente da velocidade da fase.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
109

Se o movimento ondulatório é composto por dois movimentos com


frequências ω e ω ′ , quase iguais, de modo que ω - ω ′ seja
muito pequena, e com amplitudes iguais,
então,
ξ = ξ 0 sen(kx − ωt) + ξ 0 sen(k ′x − ω ′t) = ξ 0 [sen(kx − ωt) + sen(k ′x − ω ′t)] =
⎡(k ′− k)x − (ω ′− ω )t ⎤ (k ′+ k)x − (ω ′+ ω )t ⎤

2ξ 0 cos * sen
2 2

Para ω e ω ′ assim como k e k ′ quase iguais, pode se substituir


ω′ + ω k′ + k
por ω e por k de modo que
2 2
(k ′− k)x (ω ′− ω )t ⎤

2ξ 0 cos − * sen(kx − ωt )
2 2

Que representa um movimento ondulatório determinado pelo


factor sen(kx − ωt ) e cuja amplitude é modulada de acordo com

(k ′− k)x (ω ′− ω )t ⎤

2ξ 0 cos − . Este movimento ondulatório se
2 2
assemelha a uma série de pulsos. A amplitude modulada em si
representa um movimento ondulatório que se propaga com
ω ′ − ω dω
velocidade v g = = chamada velocidade de grupo.
k′ − k dk
Esta é a velocidade com que um sinal se transmite num meio
dispersivo. Tomando ω = kv , temos,
ω ′− ω dω d dv
vg = = = (kv) = v + k
k′ − k dk dk dk

Nos meios não dispersivos a velocidade de fase é independente


dv
do comprimento de onda. Neste contexto, =0 e as
dk
velocidades de fase e de grupo são iguais, facto que não acontece
para meios dispersivos onde a velocidade de fase depende do
comprimento de onda. Nestes meios a velocidade do grupo pode
ser superior ou inferior à velocidade de fase.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
110

FIG.39 Representação gráfica das velocidades de fase e de grupo

OBS:

a) No caso das ondas superficiais num líquido, na aproximação de


onda longa, a velocidade de fase é dada por
gλ g dv 1 g v
v= = , então, =− = (Ondas de
2π k dk 2k k 2k
gravidade)

Neste contexto a velocidade do grupo é precisamente metade da


1
velocidade de fase, v g = v , o que mostra que ao produzir uma
2
perturbação num líquido, a velocidade do pico máximo da
perturbação é metade da velocidade de propagação de cada
componente harmónico

2πΓ kΓ
b) Para aproximação de onda curta temos v = =
ρλ ρ

dv 1 Γ v
então, = = (ondas capilares) devido a sua
dk 2 ρk 2k
dependência da tensão superficial.
3
De modo que v g = v . Portanto a velocidade do grupo é superior
2
que a de fase, onde Γ é a densidade superficial medida em
Nm − 1 , ρ é a densidade do líquido, g é a aceleração de gravidade
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
111

Efeito Doppler na acústica

Diz se efeito Doppler ao fenómeno que consiste nas diferenças


entre as frequências das ondas observadas e as da sua fonte
quando esta e o observador estão em movimento relativo em
relação ao meio em que a onda se propaga. Christian J. Doppler
(1803 – 1853) foi o primeiro a observar o fenómeno em ondas
sonoras.

Considerando uma fonte de ondas (um corpo vibrando), movendo


– se para a direita num meio tranquilo (ar ou água), se a fonte se
move ocupando as posições 1,2, 3, 4..., nota – se algum tempo
depois contado a partir do momento em que a fonte estava na
posição 1, que as ondas emitidas nas posições sucessivas
ocupam as esferas 1,2,3,4,..., não concêntricas. Estas ondas
estão menos espaçadas no lado para o qual a fonte se move e
mais espaçadas no lado contrário. Um observador em repouso em
qualquer dos dois lados, isto corresponde a um comprimento de
onda mais curto e mais longo respectivamente. Se o observador
estiver em movimento se aproximando da fonte desde a direita,
este observará um comprimento de onda mais curto dado mover –
se em direcção ás ondas. Se o observador se afasta da fonte
destas ondas, verifica o contrário.
Designando por v F e v0 as velocidades da fonte e do observador

em relação ao meio em que as ondas se propagam com


velocidade de fase v da fonte e v′ a registrada pelo observador,
movendo se ambos na direcção e sentido de propagação, temos o
seguinte esquema:

A exemplo da figura acima, o observador e a fonte se movem ao


longo da mesma linha e que o observador O está a direita da fonte
F . Toma – se como positivo o sentido de FO .
Supondo que no instante t = 0 quando a fonte e o observador
estão separados por uma distância l, a fonte emite uma onda que
chega ao observador t segundos mais tarde. Neste tempo o
observador terá se deslocado v0 t e a distância total percorrida
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
112

pela onda é de l + v 0 t . Se v for a velocidade de propagação de

l
onda, esta distância é também vt , então, vt = l + v 0 t ∨ t = .
v − v0

No instante t = τ , a fonte estará em F ′ e a onda emitida nesse


instante chegará ao observador num tempo t ′ medido desde a
mesma origem temporal do caso anterior. Neste contexto, a
distância total percorrida pela onda até ser percebida pelo
observador é (l − v F τ ) + v 0 t ′ . O tempo real da propagação da

onda é t ′ − τ e a distância percorrida é v(t ′ − τ ) , por isso,

l + (v − v F )τ
v(t ′ − τ ) = l − vF τ + v0 t ′ ⇔ t ′ =
v − v0

O intervalo de tempo medido pelo observador entre as ondas


v − vF
emitidas pela fonte em F e F ′ é τ ′ = t′ − t = τ
v − v0

FIG.40

Agora se f for a frequência da fonte, o número de ondas emitidas


no intervalo de tempo τ é fτ .

Como as ondas são recebidas pelo observador no intervalo de


tempo τ, a frequência observada é

fτ v − v0
f′= ⇔ f ′ = f
τ′ v − vF
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
113

Onde v0 e v F consideram – se positivas se tiverem a mesma

direcção e sentido que o vector FO que vai da fonte para o


observador e negativas se tiverem o sentido oposto.

Dividindo o numerador e o denominador por v


v − v0 / v v v
temos f ′ = ( ) f = (1− 0 )(1− F ) − 1 f
v − vF / v v v

Tomando os dois primeiros termos da expansão do binómio,


teremos
(1- v F / v) − 1 ≅ (1+ v F / v), se v F / v <<1

v0 v v v vv
Então temos f ′ = (1 − )(1 − F ) − 1 f = (1 − 0 + F − 0 F2 ) f
v v v v v

Como na multiplicação consideramos apenas os primeiros dois


termos, desprezamos v0 v F e verificamos que a frequência medida
v0 − v F
f ′ = (1 − )f v
pelo observador se reduz a v = (1 − 0F ) f , ou
v
seja, para v0 e v F muito pequenas em relação a v , a expressão

que relaciona a frequência f da fonte e a frequência f ′


v
f ′ = (1 − 0F ) f
registrada pelo observador é v

v0 F = v0 − v F é a velocidade do observador em relação à fonte.

NB: Se vOF for positiva, o observador afasta – se Da fonte e a

frequência observada é menor. Se vOF for negativa, o observador


e a fonte aproximam – se um do outro e a frequência observada é
maior.

A superfície tangente a todas as ondas sucessivas é um cone,


v
cujo eixo é a trajectória da fonte e cuja abertura senα = .O
vF
movimento ondulatório resultante é uma onda cónica a que se dá
o nome de onda de March ou onda de choque que corresponde
ao som súbito e violento que um avião supersónico produz.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
114

Grandezas que caracterizam uma onda

FIG.41 Gráficos da variação da Amplitude em função da posição e


tempo

Sol: e( x,t ) = e0 sen(ω t − kx + ϕ )


Onde: K- é o número de ondas. k =
λ
e iϕ = isenϕ + cos ϕ
e = e 0i (ωt− kx+ ϕ ) [isen (ωt − kx + ϕ 0 ) + cos(ωt − kx + ϕ )]

Velocidade de uma onda

A velocidade das ondas depende das propriedades dos meios e


não do movimento da fonte das ondas.

Para o caso dos pulsos ondulatórios numa corda, quanto maior for
a tensão maior será a propagação das ondas.
ft ft
1. Numa corda: v = ou v = onde: f t- tensão do fio,
μ ρs
m
μ= - densidade linear
e

Além disso as ondas se propagam mais rapidamente numa corda


leve do que numa corda pesada
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
115

s- área da secção transversal

m
ρ= - Densidade volumétrica
v
k
2. Onda Sonora: v = , onde: k- módulo de elasticidade
ρ
do meio.

k = γp{p − pressa~o do gas; γ − con tan te adiabatica


γp nRT γnRT m γmRT γRT
v= ;p= ⇒v= ;n= ⇒ v= ⇒ v=
ρ V ρV M ρVM M

2.1 Para uma onda Sonora dentro de um fluido

B
v= ; onde: B- constante de Bulde; p- massa específica do ar.
P

B- é a razão negativa entre o aumento da pressão e a diminuição


Δp
do volume. B = −
ΔV /V

Energia cinética e potencial numa corda


1 2
A energia cinética é dada pela expressão: k = mv
2

Pela função de onda pode – se calcular a energia mecânica de um


segmento. Considerando Δx o comprimento do fio e μΔx a sua
1 dy
massa, a energia cinética procurada é Δk = μΔx( ) 2 . Como
2 dt
dy
y = Asen(kx − ωt), v y = = ωA cos(kx − ωt) , então
dt
1 dy 1
Δk = μΔx( ) 2 = μΔxω 2 A 2 cos 2 (kx − ωt) ⇔
2 dt 2
1
⇔k= μΔxA 2ω 2 cos 2 (kx − ωt )
2
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
116

Energia potencial
O trabalho realizado na elongação de uma corda depende da
dy
inclinação e corresponde a energia potencial.
dx

Para pequenas amplitudes, a energia potencial, a inclinação e a


tensão do fio relacionam – se pela expressão

1 dy 2
ΔU = F ( ) Δx . De
2 dx
dy 1
y = Asen(kx − ωt), = kA cos(kx − ωt) ⇒ ΔU = FΔxk 2 A 2 cos 2 (kx − ωt)
dx 2

ω ω
F = μv 2 ; v = ⇔ F = μ( )2
k k

A energia mecânica total será dada


por:
1 1
E = ϕ + k ⇔ FΔxk 2 A2 cos 2 (kx − ωt) + μΔxA 2ω 2 cos 2 (kx − ωt ) ⇔
2 2
1 μω 2
1
E= 2
Δxk 2 A2 cos 2 (kx − ωt) + μΔxA 2ω 2 cos 2 (kx − ωt )
2 k 2
1 1
⇔ E = μω 2 ΔxA2 cos 2 (kx − ωt) + μΔxA 2ω 2 cos 2 (kx − ωt ) = μΔxA 2ω 2 cos 2 (kx − ω
2 2
= mω A cos (kx − ωt ) ⇔ E = kA cos 2 (kx − ωt )
2 2 2 2

Energia média de um segmento


1 1 1
E med = ϕΔxA 2ω 2 = mA 2ω 2 = kA 2
2 2 2

Potência média de transmissão de energia


Potência de transmissão

dE 1 1 ω 1 μω 3A 2 ω
P= ⇔ Pmed = ϕvA 2ω 2 = μ A 2 ω 2 = ; com v =
dt 2 2 k 2 k k

Ondas em três dimensões


Essas ondas são geradas por uma fonte pontual que se desloca
para cima e para baixo em MHS. O comprimento da onda e a
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
117

distância medida entre duas cristas consecutivas são círculos


concêntricos. Estes círculos são chamados de frente de onda.

Para uma frente pontual de ondas sonoras, as ondas movem-se


em três dimensões, sendo as frentes de ondas superficiais
esféricas concertinas.

FIG.42 Fonte puntual de ondas

Intensidade das ondas


Se uma fonte pontual emite ondas uniformemente em todas
direcções, então, a energia a uma distancia (l) a partir da fonte é a
distribuída uniformemente sobre uma superfície esférica de raio
(R) e área A = 4πr 2 . Se P for a potência emitida pela fonte então
P
a potência por unidade da área é a razão .
4πr 2

A potência média por unidade de área (que é incidente de forma


perpendicular á direcção de propagação) é chamada Intensidade.

Pmed
I=
4πr 2
1
Pmed = P
2

Existe uma relação simples entre a intensidade da corrente e a


energia específica.
I = η med .v onde: η med - energia especifica media

1 P0
I= ; P0 - amplitude da onda Sonora
2 ρv

ρ - densidade
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
118

Nível de intensidade e sonoridade


A percepção de sonoridade não é proporcional à intensidade do
som mas varia de forma logarítmica.

Assim, foi adoptada uma escala logarítmica para descrever o nível


de intensidade de uma onda Sonora a qual é medida em (dB).

I
β = 10log ; onde: I- intensidade do som; I 0 - limiar de audição
I0
w
I0 = 10 − 2
m2

Escala:

B=0 dB – limiar de audição

B=120 dB – limiar de audição dolorosa

Sumário
Meio elástico: um meio diz – se elástico se as deformações que
sofre devido a acção de forças externas desaparece logo que a
acção dessas forças cessa.

Fisicamente o meio elástico é caracterizado por δ = Eε

Meio homogéneo: diz se homogéneo ao meio em que as


propriedades físicas de importância fundamental para um
problema dado não variam de ponto para ponto.

Onda: É um processo no qual uma grandeza física (e) se propaga


com uma velocidade finita no espaço e varia periodicamente em
r
função de posição e de tempo e = e(r , t) .

Frente da onda: É um lugar geométrico dos pontos que se


encontram à mesma distancia R da fonte.

Quanto a direcção de propagação, as ondas podem ser:


A)Transversais quando a perturbação coincide com a
propagação.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
119

B)Longitudinais quando a perturbacao e perpemdicular a


propagaçãoo.

A velocidade de propagação da Onda é determinada pela

F
expressão v =
μ

Se houver variação de pressão e de densidade, as ondas são


acústicas (sonoras). Os meios nos quais uma onda pode se
propagar são classificados como a seguir:

• Meios lineares
• Meios limitados
• Meios uniformes
• Meios isotrópicos

Ondas Harmonicas, são ondas originadas por fontes harmónicas,


ou seja, as que se propagam obedecendo as leis seno e co-seno.

A equação da onda escreve-se de seguinte modo:


∂=2 e
= ϕ 2 ∇e Onde: ∇e - operador do Laplace
∂t 2

ϕ - Velocidade da propagação

∂ 2e ∂ 2 e ∂ 2 e
∇e = 2 + 2 + 2
∂x ∂y ∂z

Ondas
A velocidade da onda numa corda e:

γRT
v=
M

Para uma onda Sonora dentro de um fluido, a velocidade de


β
propagação e v = ;
P

As ondas tridimensionais são geradas por uma fonte pontual que


se desloca para cima e para baixo em MHS.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
120

A potência média por unidade de área (que é incidente de forma


perpendicular á direcção de propagação) é chamada Intensidade.
Pmed
I=
4πr 2
1
Pmed = P
2
A intensidade da corrente e a energia específica relacionam – se
entre sí através da relação
I = η med .v onde: η med - é a energia específica média

No caso das ondas superficiais num líquido, na aproximação de


v
onda longa, a velocidade de fase é dada por v = (Ondas de
2k
gravidade)
1
A velocidade do grupo é metade da velocidade de fase, v g = v,
2

Diz se efeito Doppler ao fenómeno que consiste nas diferenças


entre as frequências das ondas observadas e as da sua fonte
quando esta e o observador estão em movimento relativo em
relação ao meio em que a onda se propaga.

A energia Mecânica de um segmento é dada pela expressão:


1
k= μΔxA 2ω 2 cos 2 (kx − ωt )
2

A energia mecânica total será dada por: E = kA cos (kx − ωt )


2 2

A energia media de um segmento e


1 1 1
E med = ϕΔxA 2ω 2 = mA 2ω 2 = kA 2
2 2 2

Auto Avaliação
1. Inchy, um pequeno verme, move-se lentamente ao longo de
um varal de roupas. O varal com 25 m de comprimento e
0,25 Kg de massa, é mantido esticado com o auxílio de um
objecto de 10Kg de massa, como mostra a figura. Vivian
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
121

está estendendo seu maiô a 5m de uma das estremidades


do varal, quando ela vê o Inchy a 2,5 cm da estremidade
oposta do varal, ela dá um puxão na linha do varal, enviand
um empulso de 3cm de altura na direcção de Inchy. Se Inch
o
se arrasta a 1in?s, ele alcancará a extremidade do varal
y
antes que a onda o alcance?

2. Calcule a velocidade do som no ar a: (a) 00C e (b) 20oC.

3. Na seção seguinte, ondas harmônicas são definidas pela


função de onda
y(x,t) = A sen(Kx –wt), onde v = w/K. Mostre por cálculos explicitos
das derivadas que essa função satisfaz a equação : ∂2y/∂x2 =
∂2y/v2∂t2.

4. A função de onda para uma onda harmônica em uma corda


é
y(x,t) = (0,03m) x sen (2,2m-1)x – (3,5s-1)t .

(a) Em que direcção essa onda se propaga e qual a sua


velocidade?

(b) Calcula o comprimento de onda, a frequência e o


período dessa onda.

(c) Qual o deslocamento máximo de qualquer segmento da


da corda?

(d) Qual a velocidade máxima de qualquer segmento curto


da onda?

5. Uma onda Harmônica com 25cm de comprimento e 1,2cm


de amplitude se desloca ao longo de um segmento de corda
com 15m de comprimento. A corda tem um comprimento
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
122

total de 60m, uma massa de 320g e está sujeita a uma


tração de 12N.

(a) Qual é a velocidade e qual a frequência angular da


onda?

(b) Qual a energia total média da onda?

6. O diafragma de um alto-falante tem 30cm de diâmetro e est


vibrando a 1KHz com uma amplitude de 0,020mm. á
Admitindo que as moléculas de ar nas vizinhanças do
diafragma tem a mesma amplitude de vibração, obtenha.

(a) A amplitude de pressão imediatamente à frente do


diafragma.

(b) A intencidade do som na frente do diafragma, e

(c) A potência acústica que está sendo gerada.

(d) Se o som for irradiado uniformimente para o emisfério


frontal ao diafragma, calcule a intensidade a 5m do alto-
falante.

7. Um observador acústico atenua níveis de som até 30db.


Qual o factor de decrescimo da intencidade.

8. O latido de um cão emite cerca de 1mW de potência. (a) Se


essa potência tiver uniformimente distribuida em todas as
direcções, qual o nível de intencidade sonora para uma
distância de 5m? (b) Qual seria o nível de intencidade de
dois cães latindo ao mesmo tempo, se cada um emitisse
1mW de potência?

9. Dois arrames com diferentes massas por unidade de


comprimento foram emendados com auxílio de uma solda
em suas extremidades e esticadas sob uma tração FT ( a
tração é a mesma em ambos arrames). A velocidade da
onda do primeiro arrame é duas vezes a do segundo. Se
apropagação de uma onda Harmônica no primeiro arrame
for incidente na junção dos arrames, a amplitude da onda
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
123

reflectida é a matade da onda transmitida. (a) Se a amplitud


da onda incidente for for A, quais as amplitudes das ondas
reflectida e transmitida? (b) Que fração da potência incident
é reflectida na junção dos arrames e que fração é
e
transmitida?

10. A frequência de uma bozina de carro é de 400Hz. Se a


buzina é accionada com o carro se movendo com uma
velocidade v = 34m/s (cerca de 122 Km/h), sem vento na
direcção a um receptor estacionário, obtenha (a) o
comprimento de onda do som que passa pelo receptor e
(b) a frequênciade recepção. Considere do som no ar
340m/s. (c) Obtenha o comprimento da onda de som que
passa pelo receptor e a frequência de recepção se o carro
está parado quando a buzina é accionada e o receptor se
move com velocidade vr = 34m/s em direcção ao carro.

11. A razão entre a frequência de uma nota e a frequência de


outra um semitom acima, na escala diatônica, é cerca de
15:16. Qual é a velocidade de um carro cujo som da
buzina seja reduzido de um semitom ao passar por você?
Suponha que não existe vento e que você está parado
próximo a rua. Considere a velocidade do som no ar
340m/s.

12. Um radar em um carro da polícia envia ondas


eletromagnéticas que se propagam na velocidade da luz c.
A corrente elétrica da antena do radar oscila na frequência
fs. A onda se reflete no carro que está em movimento,
dstanciando-se do carro da poícia na velocidade v relativa
a este. Há uma defasagem de frequência entre fs e f’r , a
frequência recebida pelo carro da polícia, correspondente
a ∆f. Obtenha v em função de fs e de ∆f.

13. Um avião supersônico voa para leste em uma altitude


15Km, passando directamente sobre o ponto P. A
explosão sónica é ouvida no ponto P quando o avião está
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
124

22Km a leste do ponto P. Qual é a velocidade do avião


supersônico?

14. Durante uma patrulha um navio bate em uma mina e pega


fogo e finalmente explodindo. Um dos marinheiros,o Jercy,
pula para a água nadando para longe do navio, enquanto que
um outro, o J.Júnior vai para a balsa de salva-vidas.
Comparando suas experiências mais tarde, o Jercy diz: “ Eu
estava nadando com da água e ouvi a grande explosão do
navio. Quando eu subi à superfície, eu ouvi uma segunda
explosão. O que você acha que teria sido?” O J.Júnior
respondeu:” Sua imaginação, eu ouvi apenas uma explosão.”

(a). Explique porque o Jercy ouviu duas explosões, enquanto


que o J.Júnior ouviu apenas uma.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
125

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1. Inchy não escapará do impulso.

2. (a) va = 331m/s; (b) vb = 343m/s

3. A sen (Kx –wt) = v1/v2 A sen de (Kx-wt)

4. (a). V = 1,59m/s; (b). F = 0,557Hz; (c). A = 0,03m; (d). Vy,máx =


0,105m/s.

5. (a). v = 47,4m/s; w = 1190rad/s; (b). ∆Emed = 8.19J

6. (a). Po = 55,1N/m2; (b). I = 3,46W/m2; (c). P = 0,246W; (d). I =


1,56 x 10-3 W/m2.

7. O factor de decréscimo é de 103.

8. (a) β = 65.0dB; (b). β = 68.0 dB.

9. (a). At = 2/3Ain e Ar = 1/3 Ain (b). Pt = 9/8Pin e Pr = 1/9Pin.

10. (a). λ =0,765m; (b). fr = 444Hz; (c). λ = 0.850m e fr = 440Hz

11. v = 0.0323Km/h = 24,5mi/h

12. v = - ∆fc = ∆f c
2fs 2fs

13. v = 640m/s
14.Houve apenas uma explosão. O som se move mais rápido na
água do que no ar.O Jercy ouviu primeiro a onda sonora na água
e, em seguida, já na superfície, ouviu a mesma onda movendo-se
pelo ar, que levou maís tempo para atingí-lo.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
126

Unidade n º4
Ondas
Introdução

Depois das ondas mecânicas que desenvolvemos na unidade


anterior, agora passamos a fazer uma abordagem das
electromagnéticas.

Da análise das equações do campo electromagnético, Maxwell


previu a existência de ondas electromagnéticas mostrando que os
campos eléctricos e magnéticos satisfazem a equação de onda
d 2ξ 2 d ξ
2
= v . No final do século XIX , Heinrich Hertz (1857-
dt 2 dx 2
1894), demonstrou de uma forma contundente que um campo
electromagnético variável se propaga no vácuo com uma
1
velocidade igual a velocidade da luz. C = ≈ 3x10 8 ms − 1
ε 0 μ0

Ao completar esta unidade/ lição, voce deve ser capaz de:

Identificar as propriedades das ondas electromagnéticas

Objectivos Comparar ondas electromagnéticas com ondas mecânicas


Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
127

Lição nº 1
Electromagnétismo
Introdução
Bem vindo ao estudo desta lição.Nela você irá discutir as
propriedades dos campos eléctricos e magnéticos.

Ao terminar esta lição, você deverá ser capaz de:

• Descrever a propagação de uma onda electromagnética;


• Demostrar que as ondas eléctricas e magnéticas estão em
Objectivos fase;

• Deduzir aa expressoes para determinacao da energia e


momento magnético.

Você vai precisar de 1 horas para estudar esta unidade

Ondas electromagnéticas
As equações de Maxwell numa região em que não existem cargas
livres nem correntes, admitem como solução especial, um campo
eléctrico E e um campo magnético B perpendiculares entre si
e que se propagam numa direcção perpendicular a ambos. Se
colocarmos o eixo y paralelamente ao campo E e orientando o
eixo z paralelamente ao campo B , teremos E x = 0, E y = E, e

E z = 0 ∧ B x = 0, B y = 0, Bz = B . Os campos eléctrico e magnético

d 2E 2
2 d E d2 B 2
2 d B
satisfazem a equação de onda = C ∧ = C .
dt 2 dx 2 dt 2 dx 2
B e E e propagam-se na direcção do eixo x com velocidade C.
Como consequência, os dois campos podem ser

respectivamente expressos por E = E(x − ct) ∧ B = B(x − ct) e


corresponde a uma onda electromagnética plana.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
128

ω 2π
Para o caso das ondas harmónicas com f = e λ= ,
2π k
então, E = E 0 senk(x − ct) e B = B0 senk(x − ct) .

FIG.43 Campo eléctrico e magnético de uma Onda


Electromagnetico

B0 e E0 não são independentes mas de acordo com Mawxuel


E0
relacionam – se da forma E 0 = CB0 ⇔ B0 = . Estas relações
C
mostram que os valores instantâneos E = E 0 senk(x − ct) e
E
B = B0 senk(x − ct) relacionam se por E = CB ⇔ B = .
C

E ∧ B estão em fase atingindo os seus valores zero e máximo ao


mesmo tempo.

O campo eléctrico oscila no plano XY e o magnético no plano XZ


o que corresponde a uma onda plana polarizada linearmente.

Quando os campos eléctricos e magnéticos permanecem


constantes em módulo mas rodam em torno da direcção de
propagação origina – se ondas polarizadas circularmente.

Se as amplitudes das duas componentes rectangulares de cada


campo forem diferentes temos uma polarização elíptica.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
129

As ondas electromagnéticas planas são transversais com os dois


campos perpendiculares entre si e à direcção de propagação das
ondas. De salientar que além das soluções das ondas planas
existem também ondas electromagnéticas cilíndricas e esféricas.

Energia e momento de uma onda electromagnética


As densidades de energia associadas aos campos eléctrico e
magnético de uma onda electromagnética são:
1 1
Ee = ε 0 E 2 ∧ Em = B 2. Segundo Maxwell,
2 2μ 0
1 1
E = CB ⇔ B = E e pela demonstração de Hertz C = .
C ε 0 μ0
1 1 1 1 2 1
ε0 = , então, E m = B2 = E = ε E 2 = E e , ou
μ0C 2
2μ 0 2μ 0 C 2 2
0
ainda,
1 1 1 1
Ee = ε 0 E 2 = ε 0C 2 B 2 = ε 0 B 2 = Em .
2 2 2 ε 0 μ0

Conclui – se logo que as densidades das energias eléctrica e


magnética são iguais.

A densidade de energia electromagnética total é dada por


1 1
E = Ee + Em = ε0 E 2 + ε0 E 2 = ε 0 E 2
2 2

A intensidade de uma onda electromagnética corresponde a


energia que passa por unidade de tempo através de uma área
unitária ortogonal à direcção de propagação. Esta energia é dada
por I = CE = Cε 0 E
2

Uma onda electromagnética comporta algum momento dado por


vE E
P= 2 . Para uma onda electromagnética, v = C , então, P = .
C C
E
Na sua forma vectorial P = u , sendo u o vector unitário na
C
direcção de ExB (vector de propagação)
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
130

Fora do momento linear, as ondas electromagnéticas possuem


também um momento angular intrínseco ou spin, semelhante ao
do electrão e protão. As ondas planas polarizadas circularmente
têm um spin ao longo da direcção de propagação dado por
E
S=±
W que depende da direcção de polarização (esquerda ou
direita)

As ondas electromagnéticas polarizadas linearmente têm um valor


médio do spin igual a zero, dado que uma o.e.m plana polarizada
pode ser tido como uma super posição de duas ondas polarizadas
circularmente com sentidos opostos.

Do acima exposto pode – se concluir que uma interacção


electromagnética entre duas cargas eléctricas implica uma troca
de energia, momento e momento angular entre elas, através do
campo electromagnético que produzem.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
131

Lição nº 2
Sobreposição de Ondas
Electromagnéticas
Introdução
Bem-vindo ao estudo desta lição, nela você vai estudar a
sobreposição de ondas electromagnéticas. Devido a sua
complexidade, você vai discutir apenas um caso particular.Para
além da sobreposição, abordará também o efeito Doppler.Nota
bem: Deve procurar leitura complementar sobre este tema na
bibliografia recomendada.

Ao terminar esta lição, você deverá ser capaz de:

Deduzir a expressão da sobreposição de duas ondas harmónicas


unidimensionais com frequências e velocidades de fase iguais
mas amplitudes e fases diferentes.

• Descrever o efeito Doppler em ondas electromagneticas


• Explicar a aplicação técnica do Efeito Doppler em ondas
electromagneticas
• Mencionar as condições do princípio de sobreposição
• Você vai precisar de 2 horas para estudar esta unidade

Princípio de superposição de ondas


O princípio de superposição diz nos que as ondas se propagam
num meio linear independentemente umas das outras de maneira
que a perturbação resultante num ponto qualquer do meio, no
caso de ser percorrido por várias ondas, torna-se igual a soma de
perturbação atribuída a cada uma das ondas em separado.

Meio linear quando a soma de duas soluções diferenciais


corresponde a solução da primeira equação.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
132

Apontam – se como condições de validade para o princípio de


superposição as seguintes:
• As amplitudes das ondas intervenientes não devem ser
muito grandes;
• As velocidades de fase não devem depender das
amplitudes;
• Para as ondas elásticas a alteração de forma deve
obedecer a lei de Hooke;
• Pelo princípio de linearidade, a soma de duas soluções é
também solução da equação diferencial.

Sobreposição de duas ondas harmónicas


unidimensionais com frequências e velocidades de fase
iguais mas amplitudes e fases
r r
diferentes f1 = f 2, v1 = v 2 ϕ 01 ≠ ϕ 02 ; ξ 01 ≠ ξ 02

Considerando ξ1 = ξ 01 sen(ωt − kx) e

2πd 2πd
ξ 2 = ξ 02 sen((ωt − kx) + ) Δϕ =
λ λ

FIG.44 Sobreposição de ondas electromagnéticas com frequências e


velocidades de fases iguais

d = ξ 2 − ξ1 e D = ξ r − ξ 2
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
133

De acordo com o princípio de superposição,


t x t x d
ξ r = ξ1 + ξ 2 = ξ 01 sen2π ( − ) + ξ 02 sen2π (( − ) + ) ,
T λ T λ λ

sen(α + β ) = senα cos β + cos αsenβ , então,


t x t x d t x t x 2πd
ξ01sen2π( − )+ ξ02sen2π(( − )+ ) = ξ01sen2π( − )+ ξ02sen(2π( − )+ )
T λ T λ λ T λ T λ λ
t x t x =2πd t x =2πd
= ξ01sen2π( − )+ ξ02sen(2π( − )cos + ξ02 cos2(π( − )sen ∨
T λ T λ λ T λ λ
t x =2πD t x =2πD t x =2πD
ξ =ξ
sen(2π( − )+ = ξ sen(2π( − )cos + ξ cos2π( − )sen
T λ λ T λ λ
0r

r 0r ) 0r
T λ λ

Igualando as duas amplitudes resultantes e comparando os


coeficientes, temos:
t x t x 2πd t x 2πd
ξ 01 sen2π ( − ) + ξ 02 sen(2π ( − ) cos + ξ 02 cos(2π ( − )sen =
T λ T λ λ T λ λ
t x 2πD t x 2πD
ξ 0r sen(2π ( − ) cos + ξ 0r cos 2π ( − )sen ⇔
T λ λ T λ λ
2πd 2πD 2πd 2πD
ξ 02 sen = ξ 0r sen ∧ ξ 01 + ξ 02 cos = ξ 0r cos
λ λ λ λ

t x t x 2πd t x 2πd
ξ 01 sen2π ( − ) + ξ 02 sen(2π ( − ) cos + ξ 02 cos(2π ( − )sen =
T λ T λ λ T λ λ
t x 2πD t x 2πD
ξ 0r sen(2π ( − )cos + ξ 0r cos 2π ( − )sen ⇔
T λ λ T λ λ
2πd 2πD 2πd 2πD
ξ 02 sen = ξ 0r sen ∧ ξ 01 + ξ 02 cos = ξ 0r cos
λ λ λ λ
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
134

2πd 2 2πD 2 2πd 2 2πD 2


(ξ 02 sen ) = (ξ 0r sen ) ∧ (ξ 01 + ξ 02 cos ) = (ξ 0r cos )
λ λ λ λ
2πd 2πD 2πd 2πd 2πD
(ξ 02 ) 2 sen 2 = (ξ 0r ) 2 sen 2 ∧ (ξ01 ) 2 + 2ξ 01ξ 02 cos + (ξ 02 ) 2 cos 2 = (ξ 0r ) 2 cos 2
λ λ λ λ λ
2πd 2πd 2πd 2πD 2πD
(ξ 02 ) 2 sen 2 + (ξ01 ) 2 + 2ξ 01ξ 02 cos + (ξ 02 ) 2 cos 2 = (ξ 0r ) 2 sen 2 + (ξ0r ) 2 cos 2 ⇔
λ λ λ λ λ
2πd 2πd 2πd 2πD 2πD
(ξ 01 ) 2 + (sen 2 + cos 2 )(ξ02 ) 2 + 2ξ 01ξ 02 cos = (sen 2 + cos 2 )(ξ0r ) 2 ⇔
λ λ λ λ λ
2πd 2πd
(ξ 01 ) 2 + (ξ 02 ) 2 + 2ξ 01ξ 02 cos = (ξ 0r ) 2 ⇔ ξ 0r = (ξ 01 ) 2 + (ξ 02 ) 2 + 2ξ 01ξ 02 cos
λ λ
2πd
ξ 0r = (ξ 01 ) 2 + (ξ 02 ) 2 + 2ξ 01ξ 02 cos Amplitude da onda
λ
resultante.

Da expressão da amplitude resultante, pode se concluir que ξ 0r é

função de ξ 01, ξ 02 e d.

Se d = 0, ξ r = ξ 01 + ξ 02 , isto é,

ξ 0r = (ξ 01 ) 2 + (ξ 02 ) 2 + 2ξ 01ξ 02 cos 0 = (ξ 01 ) 2 + (ξ 02 ) 2 + 2ξ 01ξ 02 = (ξ 01 + ξ 02 ) 2


Ou seja, o máximo corresponde a soma das duas amplitudes.

Se d for igual a um múltiplo inteiro do comprimento de onda,


temos um máximo d = nλ e se d for igual a um múltiplo ímpar

λ
de λ teremos um mínimo, isto é, d = (2n + 1)
2

No contexto, temos um máximo pronunciado se


2πd
cos = 1, d = 0, nλ , ∀n ∈ Z
λ

Esta situação é graficamente descrita por


Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
135

FIG.45 Gráfico da sobreposição de ondas electromagnéticas

2πd
Quando d é igual a múltiplos ímpares de λ , cos = −1
λ

λ 3 5 λ
d= ; λ ; λ ,...,(2k + 1) .
2 2 2 2
2πd
Como cos = − 1, temos para a amplitude que
λ

ξ 0r = | ξ 01 − ξ 02 |= ξ 2 01 + ξ 02 2 − 2ξ 01ξ 02 . Se ξ 02 f ξ 01 ,

FIG.46 Grafico da sobreposicao de onda de maior amplitude e em


oposição de fase com a onda de menor amplitude.

ξ r está em fase com a onda de maior amplitude e em oposição


de fase com a onda de menor amplitude.

Casos especiais:

Depois de um tratamento generalizado, vamos fazer uma


abordagem de alguns casos especiais:
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
136

a) Se ξ 01 = ξ 02 , em fase, ξ r é o dobro da amplitude das ondas


parciais

ξ 01 = ξ 02 , em oposição de fase, a onda resultante é nula, isto é, os


dois movimentos cancelam – se.

b) As duas ondas tem a mesma amplitude,


r r
U 1 = U 2 ; f 1 ≠ f 2 ;| f 2 − f 1 | < < f 1 ; f 2
x x ⎡ x x ⎤
ξ 1 = ξ 0 sen2πf1(t − );ξ 2 = ξ 0 sen2πf2 (t − ); ξ r = ξ 0 ⎢
sen2πf1(t − ) + sen2πf 2 (t − )
U U ⎣ U U ⎥

Pelos desenvolvimentos trigonométricos,


α+ β α− β
senα + senβ = 2sen * cos , então,
2 2
x x x x
2πf1(t− )+ 2πf2(t− ) 2πf1(t− )−2πf2(t− )
ξr = 2ξ0sen U U cos U U=
2 2
(f + f ) x (f − f ) x (f − f ) x (f + f )
= 2ξ0sen(2π 1 2 (t− ))cos2(π 1 2 (t− ))= 2ξ0 cos2(π 1 2 (t− ))sen(2π 1 2 (t− x))
2 U 2 U 2 U 2 U
( f −f ) x
2ξ 0 cos(2π 1 2 (t − )) é uma amplitude variável que
2 U
depende do tempo e da coordenada. A segunda parte desta
( f1 + f 2 ) x
expressão, sen(2π (t − )) , representa a estrutura geral
2 U
de uma onda harmónica de frequência igual a semi – soma das
frequências intervenientes. Este movimento designa se por
batimento ou pulsações, ou seja, movimento não harmónico que –
se obtém da sobreposição de dois movimentos harmónicos do
mesmo sentido e de frequências próximas.

FIG.47 Representação gráfica de batimentos


Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
137

r r
a) | U 1 |= | U 2 |; f 1 = f 2 , mas propagando – se em sentidos

contrários, U 1 ↑↓ U 2
x x
ξ 1 = ξ 01 sen[ω (t − )] ∧ ξ 2 = ξ 02 sen[ω (t + )]
U U

A onda resultante é a combinação linear das ondas 1 e 2, isto é,


x x
)] + ξ 02 sen[ω (t + )] =
ξ r = ξ 1 + ξ 2 = ξ 01 sen[ω (t −
U U
x x x x
ω (t − ) − [ω (t + )] ω (t − ) + [ω (t + )]
2ξ 0 cos U U sen U U =
2 2
x x x x
ω (t − − t − ) ω (t − + t + )
2ξ 0 cos U U sen U U = 2ξ cos 2π xsen 2π t
2 2 0
λ T

2π 2π
ξ r = 2ξ 0 cos xsen t
λ T


2ξ 0 cos kx é uma amplitude variável em função de x; sen t
T
representa a onda normal só que é diferente das iniciais.

Este movimento representa ondas estacionárias.

FIG.48 Gráfico da Amplitude em função da posição de uma onda


electromagnetica
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
138

Os valores de x onde o coseno se anula correspondem aos nós


ou nódos. Por estes valores não há transição de energia.

Condição das cristas

Para o aparecimento de uma crista é necessário que



cos x = 1 . Para o efeito, x deve ser igual a um múltiplo inteiro
λ
λ λ 2π
de , isto é, x = k ; x = 0, π ,2π ;
2 2 λ

Condição dos Nódos


λ
Para os nódos temos múltiplos inteiros de , isto é,
4
2π λ
cos x = 0 ⇒ x = (2k + 1)
λ 4

Efeito Doppler em ondas electromagnéticas


No efeito Doppler para as ondas electromagnéticas a velocidade
da fonte em relação ao meio, não entra na análise dado que as
ondas electromagnéticas não consistem de matéria em
movimento. Apenas vamos considerar a sua velocidade v em
relação ao observador. Sabe – se que a velocidade de
propagação das o.e.m no vácuo é C para todas as ondas. É por
esta razão que o efeito Doppler será calculado com base na teoria
de relatividade. f ′ é a frequência medida pelo observador O′
deslocando – se com velocidade v em relação a uma fonte de
frequência f medida por um observador O em repouso em
relação à fonte.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
139

1− vC
f′= f , onde v é positiva se o observador e a fonte se
1+ v
C
afastam um do outro e negativa se se aproximam. O efeito
Doppler nesta secção depende única e exclusivamente da
velocidade do observador em relação à fonte.
v
Se v < < 1 , f ′ = f (1 − )
c

Esta expressão pode ser demonstrada considerando dois


observadores O ∧ O ′ em movimento relativo entre si e v a
velocidade de O′ em relação a O . Para ( O ), uma onda
electromagnética harmónica plana pode ser descrita através da
função senk(x − ct) . Para O′ num sistema de referência inercial
diferente, x ∧ t devem ser substituídas por x′ ∧ t′ relacionadas
pela transformação de Lourentz. O′ Expressará a função como
senk′(x′ − ct′); O princípio de relatividade requer que

k(x − ct) permanece invariável para os dois observadores, então


temos: k(x − ct) = k ′(x ′ − ct′) . Pela transformação inversa de

t′ + vx′
x ′+ vt ′ c2,
Lourentz, x= e t= então de
v2 v2
1− 2 1− 2
c c
k(x − ct) = k′(x′ − ct′) temos:

x ′+ vt ′ t ′ + vx ′ 1+ v 1− v
k( −c c 2 ) = k ′(x′ − ct′) ⇔ k′ = k( c )= k c
v2 v2 v2 1+ v
1− 2 1− 1− 2 c
c c2 c
ω
. Mas ω = ck e f = ,

Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
140

1− vc
f′= f( ). Para vv < < 1, temos
1+ v
c
1v
1−
f′= f 2 c ≈ f (1 − v)
1v c
1+
2c

v
f ′ = f (1 − )
c
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
141

Sumário
Da análise das equações do campo electromagnético, Maxwell
previu a existência de ondas electromagnéticas mostrando que os
campos eléctricos e magnéticos satisfazem a equação de onda
d 2ξ 2 d ξ
2
= v .
dt 2 dx 2

No final do século XIX , Heinrich Hertz (1857-1894) demonstrou


de uma forma contundente que um campo electromagnético
variável se propaga no vácuo com uma velocidade igual a
1
velocidade da luz. C = ≈ 3x10 8 ms − 1 .
ε 0 μ0

As equações de Maxwell numa região em que não existem cargas


livres nem correntes, admitem como solução especial, um campo
eléctrico E e um campo magnético B perpendiculares entre si
e que se propagam numa direcção perpendicular a ambos.

O campo eléctrico oscila no plano XY e o magnético no plano XZ


o que corresponde a uma onda plana polarizada linearmente.

Quando os campos eléctricos e magnéticos permanecem


constantes em módulo mas rodam em torno da direcção de
propagação originam – se ondas polarizadas circularmente.

Se as amplitudes das duas componentes rectangulares de cada


campo forem diferentes temos uma polarização elíptica.

A densidade de energia electromagnética total é dada por


1 1
E = Ee + Em = ε0 E 2 + ε0 E 2 = ε 0 E 2
2 2

A intensidade de uma onda electromagnética corresponde a


energia que passa por unidade de tempo através de uma área
unitária ortogonal à direcção de propagação. Esta energia é dada
por I = CE = Cε 0 E 2
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
142

O princípio de superposição diz que as ondas se propagam num


meio linear independentemente umas das outras de maneira que
a perturbação resultante num ponto qualquer do meio, no caso de
ser percorrido por várias ondas, se torna igual a soma de
perturbação atribuída a cada uma das ondas em separado.

O Meio linear é a soma de duas soluções diferenciais e


corresponde a solução da primeira equação.

Apontam – se como condições de validade para o princípio de


superposição as seguintes:

1. As amplitudes das ondas intervenientes não devem ser


muito grandes,
2. As velocidades de fase não devem depender das
amplitudes
3. Para as ondas elásticas a alteração de forma deve
obedecer a lei de Hooke
4. Pelo princípio de linearidade, a soma de duas soluções é
também solução da equação diferencial.

Para a sobreposicao de ondas electromagnéticas, são validas as


seguintes condicoes:
a) Se ξ 01 = ξ 02 , em fase, ξ r é o dobro da amplitude das ondas
parciais

ξ 01 = ξ 02 , em oposição de fase, a onda resultante é nula, isto é, os


dois movimentos cancelam – se.

b) As duas ondas tem a mesma amplitude,


r r
U 1 = U 2 ; f 1 ≠ f 2 ;| f 2 − f 1 | < < f 1 ; f 2
x x ⎡ x x ⎤
ξ 1 = ξ 0 sen2πf1(t − );ξ 2 = ξ 0 sen2πf2 (t − ); ξ r = ξ 0 ⎢
sen2πf1(t − ) + sen2πf 2 (t − )⎥
U U ⎣ U U ⎦
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
143

Auto avaliação
1. Um obervador está a 1,8 m de uma fonte de luz( dimensões
muito menores do que 1,8m) cuja potência de saída é 250W.
Calcule os valores rms dos campos magnético e eléctrico na
posição do observador. Considere que a fonte irradia
uniformemente em todas as direções.

2. Um feixe de luz com intensidade I (= s) de 12 W / cm 2 incide


perpendicularmente sobre um espelho plano perfeitamente
2
reflector de 1,5cm de àrea.Qual a força sobre o espelho?

3. O comprimento de onda dos raios X mais energéticos


produzidos quando electrões acelerados a 18 GeV no Acelerador
de Stanford se chocam com um alvo sólido é 0,067mf.Qual é a
frequência destes raios X?

4. Que indutância deve acoplar a um capacitar de 17 pF para se


construir um oscilador capaz de gerar ondas electromagnéticas
de 550nm.Comente sua resposta.

5.Em uma certa onda electromagnética plana o módulo do campo


electromagnético máximo é 321μV / m .Encontre a magnetude do
campo magnético máximo.

Feed Back

Soluções dos exercícios propostos na Unidade 4


1. E rms = 48V / m ; Brms = 1,6x10 − 7 μT

2. F = 1,2x 10 − 7 N .
3. f = 4,5x1024 Hz

4. L = 5,0x10− 21 H 5. I = 1,07pT
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
144

Unidade 5
Óptica Geométrica
Introdução

Ao processo que consiste na análise dos fenómenos de reflexão e


refracção de ondas em superfícies de descontinuidade através do
conceito de raio, desprezando qualquer outra variação à superfície
chama – se geometria das ondas. A parte da grande física que se
debruça sobre o estudo destes processos e sua representação
geométrica recebe o nome de óptica geométrica. O tratamento
geométrico que é aplicado para qualquer tipo de onda Acústica
(ultra sónicas), electromagnéticas, sísmicas, etc, é adequado
quando as superfícies e outras descontinuidades que a onda
encontra na sua propagação são muito grandes que o
comprimento de onda. A aplicabilidade de raios, consiste na
produção de imagem num dos lados de uma caixa, ao colocar um
objecto emissor de ondas AB em frente a um orifício muito
pequeno desta caixa.

A qualidade da imagem é melhor se o orifício for muito pequeno


de modo que para cada ponto do objecto exista um ponto
correspondente na imagem. Isto porque pelo orifício passa uma
pequena fracção da frente de onda. Se o orifício for muito grande,
a qualidade da imagem fica comprometida porque a cada ponto
do objecto corresponde uma mancha na imagem. Salienta – se
que o orifício não pode ser tão pequeno que o seu raio seja
comparável ao comprimento de onda, pois assim sendo começam
a aparecer efeitos de difracção.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:


Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
145

• Desenhar diagramas simples de raios luminosos,


• Descrever as características de imagens obtidas em
espelhos e lentes
Objectivos
• Localizar a imagem formada por um espelho esférico ou
por uma lente delgada mediante a equação do espelho ou
a das lentes delgadas,

• Calcular a ampliação da Imagem.

• Localizar a imagem formada por uma única superfície


refractora.

• Descrever o funcionamento do olho.

• Descrever, com um diagrama simples, a razão de os


objectos próximos parecerem maiores que os afastados.

• Descrever a operação de uma lupa simples e calcular o


aumento angular de uma lupa simples.

• Descrever, com recurso a diagramas e equações, a


operação de um microscópio e a de um telescópio.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
146

Lição nº1
Fenómeno e Reflexão da Luz

Introdução

Bem-vindo ao estudo desta lição, nela você vai estudar


fenómenos de reflexão da luz em superfícies esféricas.Para
melhor compreensão desta lição sugerimos que antes do seu
estudo, faça revisão dos princípios da óptica geométrica, do
princípio de funcionamento do olho humano e as deficiências do
olho humano.

Ao terminar esta lição, você deverá ser capaz de:


• Deduzir a fórmula de Descartes para a reflexão numa
superfície esférica;
• Construir imagens fornecidas por espelhos esféricos;
Objectivos
• Caracterizar imagens fornecidas por espelhos esféricos;

• Determinar geometricamente a posição da imagem


fornecida em espelhos esféricos;

• Determinar analiticamente a posição, o tamanho e as


características da imagem fornecida por um espelho
esférico;

• Explicar o princípio de funcionamento do olho humano.

Você vai precisar de 2 horas para estudar esta unidade

Reflexão numa superfície esférica


Você já refletiu sobre como a imagem é formada nos nossos
olhos? Os Oftamologistas para diagnosticar certas anomalias do
olho humano usam princípios estudados na Óptica Geometrica
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
147

ConsideremosC o centro de curvatura da superfície esférica, O


vértice da calota esférica. A linha que une O e C com eixo
principal. Se a origem das coordenadas estiver em O, são
positivas todas as quantidades medidas de O para a direita e
negativas para a esquerda.

Fórmula de Descartes

FIG.49 Trajectória de um raio reflectido por uma superfície esférica

Considerando P um objecto pontual sobre o eixo principal e que P


seja uma fonte de ondas esféricas, um raio incidente PA passando
por P é reflectido como AQ e, como os ângulos de reflexão e de
incidência são iguais, temos a partir da figura 25 que β = θ + α 1 e

α 2 = β + θ , de onde α 1 + α 2 = 2β . Considerando os ângulos


α 1,α 2 ∧ β muito pequenos, (raios paraxiais) e representando a
distância AB por h, com uma boa aproximação pode se escrever
AB h AB h AB h
α1 = tagα 1 = ≈ ,α 2 = tagα 2 = ≈ ∧ β = tagβ = ≈
BP P BQ q BC r
. Fazendo uma substituição destas relações na equação
α 1 + α 2 = 2β e eliminando h temos

AB AB AB h h h 1 1 h
α 1 + α 2 = 2β ⇔ + =2 ≈ + = 2 ⇔ h( + ) = 2 ⇔
BP BQ BC P q r p q r
1 1 2
+ = . (Fórmula de Descartes para a reflexão numa
P q r
superfície esférica) Note que esta relação é apenas válida para

valores pequenos de α 1,α 2 ∧ β


Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
148

Nota se a partir desta fórmula que todos os raios incidentes que


passam por p, são reflectidos passando por q. Q é a imagem do
objecto P.

Ponto fo
Se o objecto for colocado muito longe do espelho, o raio
incidente é paralelo ao eixo principal. P = ∞ . Representando
por f a distância da imagem ao espelho, a equação toma o
1 2 r
aspecto = ∨ f =
q r 2

O que mostra que a imagem forma-se no ponto F a uma


r
distância do espelho dada por f = .
2

F é o foco e a sua distância do espelho chama se distância


1 1 1
focal. Nisto, a equação pode ser escrita + =
P q f

Nesta equação que não depende do raio, está patente a


relação entre a posição do objecto dada por P, com a da
imagem dada por q e com a do foco f. Note que se p = f, então
q = ∞ , ou seja, os raios que incidem passando pelo foco,
reflectem se paralelamente ao eixo principal.

A distância focal de um espelho côncavo tem um raio positivo


e a de uma superfície convexa negativa.

Construção de imagens
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
149

FIG.50 Construção da imagem de um ponto produzida por um


espelho esferico

Uma imagem através da figura a) a imagem é real dado que


os raios reflectidos se cruzam e através da figura b) a imagem
é virtual uma vez que os raios reflectidos só se cruzam atrás
do espelhos através dos prolongamentos virtuais.

FIG.51. Construção de imagens produzidas por um objecto em


espelhos esféricos. (a) Côncavo, (b) convexo

IV) Aberração esférica

Ocorre quando a abertura do espelho é tão grande de modo


que aceitam raios com grandes inclinações. Neste caso, a
1 1 1
equação + = não produz uma boa aproximação. Uma
P q f

1 1 2 h2 1 1 2
primeira correcção a esta fórmula é + = + ( − ) .
P q r r r p
No contexto, já não existe um ponto imagem bem definido
correspondente a um objecto pontual mas um número infinito
de pontos e, em consequência disto, a imagem de um ponto
aparece desfocada.

Os raios que incidem ao espelho passando por P, são


reflectidos e não se intersectam no mesmo ponto mas num
segmento QQ′ ao longo do eixo principal. Q′ corresponde aos
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
150

raios de máxima inclinação cujos raios reflectidos se


intersectam numa superfície cónica.

Figura abaixo:

FIG.52 Aberração esférica


A linha grossa QS é designada de cáustica de reflexão
Os espelhos podem ser também elípticos

FIG.53 Exemplo de um espelho elíptico.


Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
151

Aumento produzido por um espelho esférico


O aumento produzido por um espelho esférico que geralmente se
representa por M define – se como sendo o quociente entre o
tamanho da imagem e o do objecto, isto é,
imagem ab AB AB ab ab
M = = . tagθ = = e tagθ ′ = − =−
objecto AB OA P oa q

O aumento pode ser positivo ou negativo, dependendo do facto de a


imagem ser direita ou invertida em relação ao objecto.

. Conforme se disse antes, o sinal negativo deve – se ao facto de ab


ser negativa, pois a imagem é invertida. Assim, tomando θ = θ ′ ,
q
pode se ter, M = −
p

FIG.54 Ampliação da imagem em espelho esférico


Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
152

Lição nº2
Fenómeno e Refracção da Luz

Introdução
Bem-vindo ao estudo desta lição, nela você vai estudar
fenómenos de refracção da luz em superfícies esféricas.Alguns
conceitos discutidos na lição anterior serão usados também nesta
lição.

Ao terminar esta lição, você deverá ser capaz de:


• Deduzir a fórmula de Descartes para a refracção num meio
esférica;
• Construir imagens refratadas por meios esféricos;

Objectivos • Caracterizar imagens fornecidas pela refracção;


• Determinar geometricamente a posição da imagem
fornecida pela refracção;
• Determinar analiticamente a posição, o tamanho e as
características da imagem fornecida pela refracção;
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
153

Refracção numa superfície


esférica
Considere – se uma superfície esférica que separa dois meios cujos
índices de refracção são n1 e n2 .

Para o caso de refracção numa superfície esférica, uma imagem real


cai no meio 2, ou a esquerda de O, dando um sinal negativo para q,
e o contrário se a imagem for virtual.

FIG.55 Refracção em superfície esférica

I. Fórmula de Descartes.

Considerando o raio incidente PA, cujo raio refractado é AD. Dos


triângulos PAC e QAC, observa - se que
β = θ + α 1 ∧ β = θ ′ + α 2 , da lei de Snell, n1 senθ = n 2 senθ ′ .
Admitindo ângulos muito pequenos, senθ ≈ θ ∧ senθ ′ ≈ θ ′ . A lei
de Snell transforma – se em n1θ = n2θ ′ ou

h h h
n1 ( β − α 1 ) = n 2 ( β − α 2 ) . Da figura, α1 ≈ ,α 2 = ∧β ≈ .
p q r
Substituindo em n1 ( β − α 1 ) = n 2 ( β − α 2 ) temos

h h h h n −n n n
n1 ( − ) = n2 ( − ) ⇔ 1 2 = 1 − 2
r p r q r p q
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
154

n1 n2 n1 − n2
− =
p q r

Se todos os raios refractados passam por Q, dizemos que este é


a imagem de P.

II. Pontos focais

O foco objecto, também chamado de primeiro ponto focal é a


posição de um objecto pontual colocado sobre o eixo principal
de tal modo que os raios refractados são paralelos ao eixo
principal, o que explica que se tenha a imagem do objecto no
infinito. A distância do objecto à superfície esférica designa – se
distância focal objecto e representa – se por f. Então
p = f , q = ∞ . Neste caso, a equação de Descartes toma o
n1 n1 − n 2 n1
aspecto = ∨ f = r . Para raios incidentes
f r n1 − n2
paralelos, os raios refractados passam pelo ponto Fi situado
sobre o eixo principal chamado foco imagem ou segundo ponto
focal. A distância da imagem à superfície esférica designa – se
distância focal imagem e representa – se por f ′ . Supondo que
p = ∞ ∧ q = f ′ , a equação de Descartes toma o seguinte
n1 n1 − n2 n1
aspecto: − = ∨ f′= r. f + f′= r
f′ r n1 − n2
Estas transformações produzem novos desenvolvimentos à
n1 n2 n1
fórmula de Descartes para − =
p q f
Convenção de sinais para uma superfície refractora esférica
+ -

Raio r Concavo Convexo


Foco f Convergente Divergente Virtual

Real Real
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
155

III. Construção de imagens

FIG.56

Se a superfície esférica for de abertura muito pequena, cada


ponto objecto corresponde a um ponto imagem.

Aumento:

Para uma superfície refractora esférica, o aumento é dado por


AB AB ab ab
tagθ = = ,tagθ ′ = =
OA P Oa q

qtagθ ′ qsenθ ′
Então, o aumento M = =
ptagθ psenθ
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
156

FIG.57

Conforme pode ver na figura, temos três raios básicos para


a obtenção de qualquer imagem. Porém importa realçar que
de cada vez, dois destes raios são suficientes para a
obtensão da imagem. O importante é que você conheça
todas as características de todos os raios: raio focal, raio
paralelo e raio central.

Lentes
São meios transparentes limitados por duas superfícies curvas
(em geral esféricas ou cilíndricas). Uma destas superfícies é
plana. O que faz com que ao atravessar uma lente, um raio sofra
duas refracções.

Fórmula de Descartes.
C1C 2 são dois centros da lente cuja união dá origem ao eixo
principal. Seja PA o raio incidente que passa por p; na primeira
superfície o raio incidente é refractado segundo o raio AB.
Prolongando AB, este passa por Q′ que é a imagem de P
produzida pela primeira superfície refractora. A distância q ′ de Q ′
1 n 1− n
a O1 obtém-se pela aplicação da equação − = .
p q′ r1
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
157

FIG.58 Formação de imagens em lentes bi-concavas.

Em B, o raio sofre uma segunda refracção e converte – se no raio


BQ. Q é a imagem final de P produzida pelo sistema de duas
superfícies refractoras que constituem uma lente. Considerando a
refracção em B, o objecto virtual é Q′ e a imagem é Q, a uma
distância q da lente. Da equação anterior, temos substituindo p por
q′ , n1 por n e n2 por 1 o seguinte:

n 1 n− 1
− = . Quando o raio passa da lente para o ar, a ordem dos
q′ q r2
índices de refracção é invertida. A espessura da lente é sempre
desprezada das medições feitas porque a lente é muito delgada, o que
equivale a medir partindo de uma origem O considerada comum.
1 n 1− n n 1 n−1
Combinando as equações − = e − = temos
p q′ r1 q′ q r2

1 1 1 1
− = (n − 1)( − ) Fórmula de Descartes para uma lente
p q r2 r1
delgada.

Nesta equação, se q for negativa, a imagem é real dado estar à


esquerda da lente. O oposto acontecerá para uma imagem virtual.
Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância
158

(ii) Pontos focais. Como no caso de uma só superfície refractora,


o foco objecto Fo ou primeiro ponto focal, de uma lente é a
posição do objecto para a qual os raios emergem paralelamente
ao eixo principal ( q = ∞) depois de terem atravessado a lente.
A distancia de Fo a lente designa-se distancia focal objecto e
representa-se por f. Então, fazendo p =f e q = ∞ na equação de
Descartes,
1 1 1
− = (n − 1)( − ) Equação do fabricante das lentes
f r2 r1
Uma lente delgada biconvexa é feita de vidro de índice de
refração n=1,5 e tem os dois raios de curvatura medindo 20cm.
Um objecto com 2 cm de altura é colocado a 10cm da
Exemplo 13
lente.Calcular a distânciã focal da lente

Resolução:

Primeiro vamos calcular a distância focal da lente, observando


que r1 = 20cm e r2 = − 20cm :

1 1 1 1
= (1,5 − 1,0)( − )= ⇔ f = 20cm
f 20 − 20 20
159 Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

Combinado a equação de Descartes e a do fabricante das lentes


obtém – se
1 1 1
− = que é muito importante na determinação experimental de
p q f
f. sem ter em conta o índice de refracção ou os raios da lente.

O centro óptico faz – se sempre coincidir com o ponto O de


maneiras que todo o raio que passe por ele, emerge
paralelamente ao raio incidente.

Construção de imagens

Representamos para este efeito, a lente delgada através de


um plano perpendicular ao eixo que passa por O
160 Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

FIG.59

Aumento produzido por uma lente


O aumento produzido por uma lente é definido como

ab
M=
AB

Sumário
Se o objecto for colocado muito longe do espelho, o raio incidente
é paralelo ao eixo principal.

A distância focal de um espelho côncavo tem um raio positivo e a


de uma superfície convexa negativa

A Aberração esférica ocorre quando a abertura do espelho é tão


grande de modo que aceitam raios com grandes inclinações.

O foco objecto, também chamado de primeiro ponto focal é a posição


de um objecto pontual colocado sobre o eixo principal de tal modo que
os raios refractados são paralelos ao eixo principal, o que explica que se
tenha a imagem do objecto no infinito. f + f ′ = r
161 Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

Se a superfície esférica for de abertura muito pequena, cada


ponto objecto corresponde a um ponto imagem.

Para uma superfície refractora esférica, o aumento é dado por


ab
tagθ =
q

Lente são meios transparentes limitados por duas superfícies


curvas ( em geral esféricas ou cilíndricas).

A Fórmula de Descartes para uma lente delgada é:


1 1 1 1
− = (n − 1)( − )
p q r2 r1

O aumento produzido por uma lente é definido como

ab
M=
AB

Auto avaliação
1. Um objecto, de 2cm de altura está a 10cm de um espelho
convexo que tem um raio de curvatura de 10cm. Localizar
a imagem e calcular a sua altura.

2. Calcular a profundidade aparente de um peixe que está a


um metro da superfície da àgua, cujo índice de refracção é
n= 4/3. Com n1= 4/3 e n2 = 1.

3. Uma lente delgada biconvexa é feita de vidro de índice de


refracção n = 1,5 e tem os dois raios de curvatura medindo
20cm. Um obecto com dois cm de altura está colocadio a
10cm da lente. Calcular a distância focal da lente, localizar
a imagem e calcular as suas dimenções.

4. Uma segunda lente, de distância focal 10cm está colocada


a 20cm à direita da lente do exercício anterior. Localizar a
imagem final.
162 Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

5. Duas lentes delegadas, de distância focal 10cm cada uma,


estão separadas por 15cm. Determine a imagem final de
um objecto colocado 15cm de uma das lentes.

6. Qual deve ser a alteração da distância focal do sistema


côrnea-cristalino do olho quando um objecto se desloca do
infinito até ao ponto proximo, a 2,5cm?

7. Descreva o funcionamento do olho humano.

Feed Back
1. f = -5cm; s’ = 3(1/3)cm; y = 3/2cm
2.s’= 75cm
3. f = 20cm
4. s’ = 13,3cm
5.s’= 30cm
6.f = 2,27cm
7. A luz entra no olho atravéz de uma abertura variável, a pupila, e
é focalizada pelo sistema córnea-cristalino, sobre a retina, que é
uma pelicula de fibras nervosas que recobrem a superfície
posterior do globo ocular. A retina contém pequenas estruturas
sensoras denominadas bastonetes e cones, que recebem a
imagem e transmitem a informação para o cérebro através do
nervo óptico.
162 Manual de Ondas e Óptica Ensino à Distância

Bibliografia
• ALONSO & FINN. Física um Curso Universitário, Vol.2
Campos e ondas, Edgard Blucher, São Paulo, 1981

• B.M. Yavorski, Prontuário de Física, Editora Mir, Moscovo,


1984.

• JDANOV; L. S. Física; Moscovo; editora Mir; 1981.


• JDANOV,L.S. Física para o Ensino Técnico Especializado.
MIR, Moscovo, 1985.

• JDANOV, L.S. Física para o Ensino Técnico Especializado.


MIR, Moscovo, 1985.

• L. JDANOV, G. JDANOV, física para o ensino técnico


especializado, editora Mir Moscovo,1985

• P. POUPKEVITCH, at all. Ondas, Óptica elementar de


física moderna, Maputo, 1986

• RESNICK, R &. D. Halliday. Livros técnicos e científicos, 3ª


edição, Rio de Janeiro, 1981.

• RESNICK, R .& D. Halliday. Física 4. Rio de Janeiro. 1981.

• RESNICK, R. & Halliday, D. Física 3 Rio de Janeiro: LTC-


Livros técnicos e científicos, Editora

• RESNICK; R. & D. HALIDAY. Física 4;3ª edição, rio de


Janeiro, livros técnicos e científicos editora, 1981.

• TIPLER, Paul A. Mecânica. Oscilações e ondas volume 1 –


LTC – livros técnicos e específicos, S.A. 2000.

• TIPLER. PAUL A, oscilações e ondas. Volume 1, S.A.


1983

• TIPLER, Paul. A. Física,2ª edição, Vol.2, Rio de Janeiro,


1984.