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Biologia 11º - resumos para os exames

Crescimento e Renovação celular:


1. DNA e sintese proteica:
-»A célula, unidade básica estrutural e funcional comum a todos os organismos vivos, sintetiza moléculas
específicas que garantem o crescimento e a renovação celular.Para que esta síntese ocorra, a célula utiliza a
informação genética contida no DNA e transforma-a em moléculas essenciais à vida, como as proteínas e os
aminoácidos, indispensáveis à manifestação das características genéticas dos seres vivos.

1.1. DNA e síntese de proteínas (I):

-»O DNA (dupla hélice) e o RNA (cadeia simples), também designados ácidos nucleicos por manifestarem
propriedades ácidas, estão contidos nas células. A unidade básica constituinte dos ácidos nucleicos é o
nucleótido, que é composto por três constituintes fundamentais:

● o ácido fosfórico ou grupo fosfato, que confere as propriedades ácidas aos ácidos nucleicos;
● a pentose, que é um açúcar e pode ser ribose ou desoxirribose, conforme se trate de RNA ou DNA,
respectivamente;
● as bases azotadas, que podem ser:

– pirimídicas como a timina, a citosina e o uracilo, que apresentam uma estrutura molecular de anel
simples;

– púricas, como a adenina e a guanina, que apresentam uma estrutura molecular de anel duplo.

-»O DNA ou ácido desoxirribonucleico é o suporte químico da informação genética:

● contém os genes que determinam as características de todos os seres vivos e são os responsáveis pela
sua transmissão;
● intervém na síntese de numerosas proteínas distintas que:
1. controlam os processos químicos das células;
2. são constituintes estruturais das células;
3. são indispensáveis à manifestação das características genéticas dos seres vivos.
● contém as “instruções” para a síntese de mRNA;
● tem a capacidade e a função de se autoduplicar, através da replicação, assegurando a manutenção das
características genéticas;
● garante a unidade da estrutura celular e a diversidade do seu funcionamento;
● apesar da estrutura do DNA ser comum a todas as espécies e de ser universal no mundo vivo, existem
algumas diferenças entre o material genético dos eucariontes e dos procariontes.

-»O núcleo é um organelo celular característico das células eucarióticas que contém cerca de 99% do material
genético:

● é formado por uma membrana dupla – o invólucro nuclear com poros que permitem comunicar com
o citoplasma;
● contém o nucleoplasma ou suco nuclear, onde se encontra a cromatina:
a. que é material constituído por filamentos de DNA associado a proteínas;
b. cuja unidade morfológica e fisiológica é o cromossoma.
● nele podem existir um ou mais nucléolos, que são estruturas com ácidos nucleicos e proteínas na sua
constituição.

1.1.2 Composição e estrutura do DNA:


● uma vez que os nucleótidos são designados pela base azotada que os constitui, o DNA tem quatro
tipos distintos de nucleótido adeninanucleótido guaninanucleótido citosina nucleótido timina
● para se formarem nucleótidos, ocorrem reacções de condensação que estabelecem ligações químicas
entre o grupo fosfato e o carbono 5´ da pentose e o carbono 1´ da pentose e a base azotada;
● para se formarem cadeias polinucleotídicas, também se verificam reacções de condensação que
favorecem a ligação grupo fosfato de um nucleótido e o carbono 3´ da pentose
● o processo repete-se na direcção 5´- 3´, ficando sempre um carbono 3´ livre para se poder ligar um
novo nucleótido, pelo que a cadeia polinucleotídica cresce sempre neste
sentido;
● a sequência nucleotídica, que é dada pelo número e pela ordem dos
nucleótidos, é onde se encontra codificada a informação genética que define as
características de cada indivíduo.

-»O modelo e a estrutura do DNA foram construídos através do contributo de vários dados; seguem-se os que
mais contribuíram para a sua compreensão:

1. o DNA é constituído por duas longas cadeias polinucleotídicas enroladas em hélice – dupla hélice –
em torno de um eixo central;
2. as bandas laterais da hélice são formadas por moléculas de fosfato (grupo fosfato de cada nucleótido)
que alternam com moléculas de desoxirribose;
3. a ligação entre as cadeias faz-se por pontes de hidrogénio que se estabelecem entre os pares de
bases;
4. verifica-se especificidade nas ligações e, devido à complementaridade das bases, a adenina liga-se à
timina por duas ligações de hidrogénio(A=T), enquanto a guanina se liga à citosina por três ligações de
hidrogénio(G≡C);
5. as cadeias da dupla hélice são antiparalelas, ou seja, dispõem-se em sentido oposto uma em relação
à outra e cada uma das cadeias inicia-se numa extremidade 5´e termina numa ponta 3´ livre;
6. a formação das cadeias ocorre sempre de 5´ para 3´ e, à extremidade 5´ de uma cadeia corresponde
sempre a extremidade 3´ da cadeia complementar.

Em suma:

● a estrutura do DNA é a mesma em todas as espécies e é universal nos seres vivos;


● a grande variedade e diversidade de moléculas deve-se às diferentes ordenações possíveis dos quatro
nucleótidos do DNA, que podem variar em ordem e em número;
● os genes são segmentos de DNA com uma sequência nucleotídica própria que contém uma
determinada informação;
● o genoma é a informação genética de um indivíduo, ou seja, o seu conjunto de genes;
● universalidade e variabilidade são então características do DNA.
1.1.3 Replicação do DNA:

-»As células sofrem divisões para darem origem a novas células. As células-filhas possuem o mesmo património
genético das células que lhes deram origem. Para assegurar a preservação desse património genético, o DNA
tem a capacidade de se autoduplicar. Este fenómeno ocorre através da replicação, que garante a transmissão
da informação genética às células-filhas.

Até 1958 existiam três hipóteses para explicar a replicação:

1. – hipótese semiconservativa;
2. – hipótese conservativa;
3. – hipótese dispersiva.

Meselson e Stahal realizaram experiências importantes com bactérias, cujos resultados apoiaram o modelo de
replicação semiconservativa que ocorre segundo a regra de complementaridade de bases.

Este modelo permite explicar a transmissão do património genético e a relativa constância da composição do
DNA durante as divisões celulares. Passou então a utilizar-se este modelo para explicar a replicação do DNA.

Replicação semiconservativa do DNA:

● as duas cadeias da molécula de DNA, na presença da DNA polimerase, afastam-se por ruptura das
pontes de hidrogénio que unem as bases azotadas;
● nucleótidos de DNA que se encontram livres na célula encaixam nos filamentos que se vão afastando,
através de ligações que obedecem à regra da complementaridade das bases – a citosina liga-se à
guanina e a timina à adenina;
● quando os filamentos de DNA que serviram de molde estão inteiramente preenchidos pelos novos
nucleótidos, formam-se duas novas moléculas de DNA;
● as novas moléculas de DNA, idênticas entre si, são complementares das cadeias originais e cada uma
delas é antiparalela relativamente à cadeia que lhe serviu de molde;
● cada molécula de DNA formada é idêntica à molécula original e é portadora de uma cadeia antiga
(metade da molécula-mãe) e de uma cadeia recém-formada, daí a designação de semiconservativa.

1.1.4. Composição e estrutura do RNA:

● o RNA ou ácido ribonucleico é um polímero de nucleótidos, geralmente formado por uma cadeia
simples, podendo apresentar formas estruturais diferentes de acordo com a função que desempenha;
● os nucleótidos do RNA são formados por:
1. um grupo fosfato;
2. a ribose (C5H10O5), que é uma pentose;
3. as bases azotadas, que neste caso são a adenina e a guanina, bem como a citosina e o
uracilo.
● existem três tipos de RNA:
1. RNA mensageiro ou mRNA – que transporta a mensagem contida no DNA do núcleo para o
citoplasma;
2. RNA de transferência ou tRNA – que transporta os aminoácidos dispersos no citoplasma
para os locais de síntese de proteínas, os ribossomas;
3. RNA ribossómico ou rRNA – que juntamente com algumas proteínas forma o ribossoma.
● o RNA encontra-se no nucléolo, no citoplasma, nas mitocôndrias e nos cloroplastos.
1.1.5.Expressão da informação genética - Biossíntese de proteínas:

-»Na molécula de DNA é possível delimitar vários segmentos, os genes, cuja informação conduz à síntese de
proteínas que são indispensáveis à manifestação das características genéticas dos seres vivos.

O DNA e as proteínas são macromoléculas sequenciadas de monómeros que são as suas unidades básicas
constituintes. Os monómeros:

1. no DNA são os nucleótidos;


2. nas proteínas são os aminoácidos.
● A sequência de aminoácidos numa proteína, ou seja, o número e a ordem como se dispõem, é muito
importante, pois
● É a estrutura das proteínas que condiciona a sua função biológica, quer se trate de proteínas
estruturais, de proteínas
● É nos genes que está contida a informação para a ordenação e colocação dos aminoácidos nas cadeias
polipeptídicas das proteínas.
● No DNA a “linguagem” é de quatro letras – as bases azotadas presentes nos nucleótidos, nas proteínas
a “linguagem” é de cerca de 22 letras – os aminoácidos comuns a todos os organismos.
● Tem que haver a transformação da linguagem codificada do DNA (sequência de nucleótidos) para a
linguagem de proteínas (sequência de aminoácidos), existindo um código – o código genético – cujos
símbolos são as bases dos nucleótidos. Como o DNA se localiza no núcleo das células e a síntese de
proteínas ocorre nos ribossomas que se localizam no citoplasma, torna-se necessária a transferência
de informação.

-»Basicamente, no núcleo das células ocorre a síntese de uma molécula de RNA que é
complementar de uma porção do DNA que contém a informação. Este RNA transporta a
mensagem em código para os ribossomas. Aí, a mensagem vai ser traduzida e os
aminoácidos que vão formar as proteínas vão ser selecionados, ordenados e ligados de
acordo com a ordem que estava determinada no DNA.

1.6.Código genético:

-»A síntese proteica é condicionada pelo código genético.

Este código envolve a codificação de cerca de 22 aminoácidos a partir de quatro


nucleótidos diferentes.

Determinou-se que o sistema de codificação mais simples utilizado pelas células seria uma sequência de três
nucleótidos para codificarem um aminoácido.

● O código genético pode traduzir-se num quadro de correspondências entre 64 codões possíveis de
nucleótidos e os 22 aminoácidos existentes.
● Um codão é um tripleto de mRNA, complementar de
um codogene, que codifica um determinado
aminoácido ou o início ou o fim da síntese de
proteínas.
● Existem:
1. codões sinónimos (codificam o mesmo
aminoácido),
2. codões STOP (indicam o fim da síntese de
proteínas) e
3. codões de iniciação (determinam o início da
síntese de proteínas).
● Os codões são consecutivos e não sobrepostos, isto é, sucedem-se sem qualquer separação ou
sobreposição de nucleótidos.
● O codogene é um tripleto (três nucleótidos consecutivos de DNA) que representa a mais pequena
unidade de mensagem genética necessária à codificação de um aminoácido.
● As diferentes sequências de tripletos vão permitir codificar a ordenação de séries de aminoácidos que
caracterizam diversas proteínas.
● As características do código genético são as seguintes:
1. – é universal – a linguagem do código genético é aproximadamente a mesma em todos os
organismos, ou seja, o mesmo codão codifica o mesmo aminoácido;
2. – não é ambíguo – a um tripleto de nucleótidos corresponde um e só um aminoácido;
3. – é redundante – vários codões são sinónimos, ou seja, podem codificar o mesmo
aminoácido. A maioria dos sinónimos difere apenas no último nucleótido. Este fenómeno é
também designado por degenerescência do código genético, pelo que se pode caracterizar
como sendo degenerado;
4. – o terceiro nucleótido de cada codão não é tão específico como os dois primeiros – por
exemplo, os codões CGU, CGC, CGA e CGG são sinónimos na codificação da arginina;
5. – o tripleto AUG tem dupla função – este tripleto codifica a metionina e é um codão de
iniciação da síntese de proteínas;
6. – os tripletos UAA, UAG e UGA são codões STOP ou de finalização – estes codões, que não
codificam nenhum aminoácido, representam sinais de fim de síntese de proteínas.

1.2. DNA e síntese de proteínas (II):

1.2.1. Mecanismo da síntese de proteínas:

-»A síntese de proteínas é um processo muito complexo que ocorre com a participação de enzimas, ATP,
mRNA, tRNA, DNA e ribossomas, que leva à formação de cadeias de aminoácidos – as proteínas, cuja
sequência foi determinada pelos tripletos do DNA.

Este processo implica que haja:

● um fluxo de informação genética entre o DNA e o RNA e entre a sequência de nucleótidos de mRNA e
a sequência de aminoácidos das proteínas;
● um fluxo de materiais entre o núcleo e o citoplasma (mRNA e ribossomas) e entre o citoplasma e o
meio extracelular (aminoácidos);
● um fluxo enzimático e energético.

Na passagem da linguagem polinucleotídica do DNA para a linguagem polipeptídica das proteínas,


consideram-se duas fases:

transcrição – segmentos de DNA codificam a produção de RNA;

tradução – o mRNA codifica a produção de proteínas.

1.2.2. Transcrição da mensagem genética:

-»Esta fase, que nas células eucarióticas ocorre no núcleo, caracteriza-se pela síntese de mRNA a partir de uma
cadeia de DNA que contém a informação que lhe serve de molde. Processa-se da seguinte forma:

A síntese de mRNA inicia-se na presença da RNA-polimerase, que é um complexo enzimático catalisador das
reações.
Este complexo tem as seguintes funções:

● reconhecer no DNA os codões de iniciação e de finalização;


● abrir a molécula de DNA quebrando as ligações de hidrogénio que unem as duas cadeias;
● a polimerização dos nucleótidos que vão formar o mRNA.
● durante a transcrição, só uma das cadeias de DNA é que é utilizada como molde;
● a polimerização de nucleótidos que vão formar o mRNA ocorre obedecendo à ordem imposta pela
complementaridade das bases que se estabelece entre os nucleótidos da cadeia de DNA e os
nucleótidos do mRNA;
● o complexo enzimático fixa-se sobre uma determinada sequência de DNA e vai deslizando, o que
provoca a abertura da dupla hélice e a quebra das pontes de hidrogénio entre as bases
complementares;
● inicia-se a transcrição da informação – os nucleótidos livres no núcleo da célula, por
complementaridade, ligam-se a uma das cadeias livres de DNA no sentido 5´- 3´,sintetizando uma
molécula de RNA complementar;

● depois da passagem da RNA-polimerase, a molécula de DNA reconstitui-se e voltam a estabelecer-se
as pontes de hidrogénio entre as bases complementares das duas cadeias;

● a transcrição de um segmento de DNA forma um RNA pré-mensageiro que vai sofrer processamento
ou maturação:
1. a molécula de DNA é constituída por sequências de nucleótidos que não codificam
informação – os intrões, intercalados com sequências que codificam – os exões;
2. o processamento consiste na eliminação de certas porções de RNA – enzimas específicas
removem os intrões do RNA pré-mensageiro e, posteriormente, há união dos exões,
formando-se o mRNA funcional ou ativo;
3. o mRNA funcional migra para o citoplasma, fixando-se nos ribossomas.
1.2.3. Tradução da mensagem genética:

-»Nesta fase, a mensagem em código contida no mRNA vai ser descodificada nos
ribossomas, sendo transformada na sequência de aminoácidos que constituem a cadeia
polipeptídica das proteínas.

Os ribossomas são organelos celulares que se podem encontrar livres no citoplasma ou


associados às membranas do retículo endoplasmático:

● formam-se nos nucléolos e migram para o citoplasma;


● possuem RNA ribossómico e proteínas na sua constituição;
● são formados por duas subunidades de tamanho diferente, que podem estar unidas ou separadas;
● neles ocorre a formação das proteínas.
● A tradução tem início quando o mRNA se liga à subunidade menor do ribossoma.
● Intervém o tRNA – RNA de transferência que seleciona e transporta os aminoácidos para os
ribossomas, onde vão ser ordenados de acordo com o código expresso no mRNA.
● A cadeia simples de tRNA, devido ao estabelecimento de ligações A=U e , dobra-se e em cada
molécula forma-se uma zona especial que corresponde à sequência de três nucleótidos, designada
anticodão. O anticodão é complementar de um dos codões do mRNA.

● À extremidade 3´ da molécula de tRNA liga-se o aminoácido


correspondente, através de ligações catalisadas por enzimas
em que há transferência de energia.
● Como o código genético é degenerado, a diferentes codões
pode corresponder o mesmo aminoácido, pelo que, em
alguns casos, existe mais do que um tRNA com a mesma
informação.
● A mesma cadeia de mRNA pode ser traduzida várias vezes,
formando proteínas idênticas.
● O processo de tradução compreende três etapas
fundamentais: a iniciação do processo, o alongamento da
cadeia polipeptídica e a finalização, que coincide com o fim
da incorporação de aminoácidos.
1.2.4. Características fundamentais da biossíntese de proteínas:

● Complexidade – é um processo que envolve grande consumo de energia e a intervenção de vários


agentes, como as enzimas e os ribossomas.
● Rapidez – apesar de complexo, o processo é extremamente rápido. Por exemplo, uma célula
eucariótica pode juntar 140 aminoácidos em 2 ou 3 minutos.
● Amplificação – a mesma zona de DNA pode ser transcrita várias vezes, formando várias moléculas de
mRNA idênticas. Por sua vez, o mesmo filamento de mRNA é descodificado simultaneamente por
vários ribossomas. Desta forma originam-se várias cadeias polipeptídicas idênticas e a atividades do
mRNA, que tem uma duração muito curta, é amplificada.

Depois de sintetizadas, as proteínas podem não possuir atividades biológica, podendo sofrer diversas
alterações. Elas determinam a forma e a estrutura das células e condicionam todo o metabolismo celular.

As proteínas podem:

● ter função enzimática (ex.: protease) ou de transporte (ex.: hemoglobina);


● ser integradas em estruturas celulares – membrana plasmática, lisossomas, mitocôndrias e núcleo;
● ser exportadas para o meio extracelular, como as enzimas digestivas ou as hormonas proteicas.

1.2.5. Alterações do material genético:

-»O material genético de um indivíduo não permanece estático, por exemplo, durante os fenómenos de
replicação ou de transcrição, pode sofrer alterações que originam anomalias mais ou menos graves.

Quando as alterações são bruscas designam-se por mutações.

Os efeitos provocados por essas alterações podem ser:

● tão pequenos que nem se evidenciam;


● tão significativos que levam à morte da célula ou do organismo;
● nulos, se provocarem mutações que não alteram as proteínas devido a:
1. – haver redundância do código genético – o codão mutado pode codificar o mesmo
aminoácido;
2. – o novo aminoácido ter propriedades semelhantes às do que foi substituído;
3. – ter ocorrido substituição numa zona da proteína que não é determinante para a sua função.

-»Se as alterações ocorrerem na sequência de bases da molécula de DNA, podem verificar-se mudanças nas
proteínas produzidas e, quando estas desempenham funções importantes no organismo, as anomalias podem
estar na origem de determinada doença. Alguns exemplos de mutações devidas a alterações do material
genético são:

● o albinismo – que é uma hipopigmentação devida à ausência de melanina;


● a hemofilia – que decorre de uma anomalia na formação de uma proteína sanguínea, levando a
graves dificuldades na coagulação do sangue;
● a anemia falciforme – que é provocada pela formação de hemoglobina anormal, hemoglobina S.

As alterações ambientais que têm vindo a ocorrer levaram a um aumento dos fatores que conduzem a
alterações do DNA, bem como ao aumento da frequência de mutações. Os agentes mutagénicos podem ser
físicos ou químicos:

● agentes mutagénicos físicos – os principais são: raios X; raios gama;radiações ultravioleta;calor.


● agentes mutagénicos químicos– são substâncias químicas como:corantes alimentares;conservantes
alimentares;componentes do fumo dos cigarros.
-»A ocorrência de mutações não é exclusivamente nefasta. Pode levar à formação de proteínas diferentes, com
novas capacidades que podem ser a base do sucesso evolutivo dos organismos que as sintetizam – as
mutações são verdadeiros fatores de evolução.

Atualmente, no contexto da reprodução, alimentação e saúde, realizam-se numerosas experiências de


manipulação genética que se baseiam precisamente na seleção, substituição e alteração do material genético.

2. Ciclo celular e Mitose:


2.1. Ciclo celular:

-»O desenvolvimento dos seres vivos inclui períodos de crescimento celular e


períodos de divisão celular que ocorrem num processo cíclico.

O ciclo celular é o conjunto de transformações que decorrem desde que uma


célula é formada até que essa célula inicia o processo de divisão, para originar
células-filhas.

De forma simplificada, pode dizer-se que as células crescem, aumentam o seu conteúdo celular e dividem-se,
originando duas células-filhas geneticamente semelhantes e com o mesmo conjunto de cromossomas da
célula-mãe. As células filhas crescem, podendo tornar-se células-mãe. Durante a divisão celular, os organelos
são distribuídos pelas células filhas, assim como o DNA que se auto duplicou. As células-filhas asseguram, deste
modo, a continuidade genética da vida.

Através da divisão celular, uma célula – célula-mãe – origina, normalmente, duas células-filhas geneticamente
semelhantes à célula que as originou, que vão crescer até atingirem a maturidade celular.

-»Nas células eucarióticas, a divisão celular assegura a transmissão quase exacta da informação genética às
células filhas.

-»Nos seres unicelulares, cada divisão celular corresponde à reprodução, pois, a partir de uma célula,
formam-se duas ou mais células independentes, perpetuando-se assim a espécie.

-»Nos seres multicelulares as divisões celulares sucessivas são necessárias para que a célula-ovo se transforme
no indivíduo, ou seja, possibilitam a passagem do estado unicelular ao estado pluricelular.

A divisão celular é constante e contínua, de forma a assegurar a manutenção da integridade física dos
indivíduos e, em suma, a sua sobrevivência.

Assim, a divisão celular é fundamental para:

● a reprodução e consequente perpetuação das espécies;


● o crescimento do organismo;
● a manutenção do organismo, garantindo a renovação celular e a substituição das células que morrem
nos tecidos;
● a regeneração e cicatrização de tecidos ou órgãos;
● a estabilidade genética das espécies, assegurando a existência de igual conjunto de cromossomas nas
células resultantes dessa divisão;
● os processos de clonagem, pois o clone é um conjunto de células geneticamente idênticas, que são
todas descendentes de uma só célula somática que sofreu divisões sucessivas.
2.1.1.Divisão celular em procariontes:

Nas células procarióticas:

● geralmente, apenas existe uma só molécula de DNA não associado a proteínas;


● a molécula de DNA é circular e está dispersa no citoplasma;
● a divisão celular é um processo muito simples que ocorre imediatamente a seguir à
replicação do DNA:
1. – o DNA inicia o processo de replicação num ponto único e este fenómeno
prossegue em dois sentidos;
2. – depois de duplicado, as duas cadeias circulares de DNA destacam-se e
separam-se;
3. – a célula divide-se formando duas células-filhas, cada uma com uma cadeia
de DNA;
4. – porque são unicelulares, quando ocorre divisão celular está a verificar-se reprodução,
originando-se dois indivíduos geralmente idênticos entre si e idênticos à célula-mãe.

2.1.2. Estrutura dos cromossomas das células eucarióticas:

-»Os cromossomas, nas células eucarióticas, são estruturas filamentosas complexas formadas por DNA
associado a proteínas (histonas). Nessas estruturas:

● o DNA contém a informação genética;


● as proteínas são as responsáveis pela sua forma física e regulam a actividade do DNA;
● o DNA enrolado em torno das histonas forma uma cadeia polinucleossomática.

-»Os cromossomas:

● designam a unidade morfológica e fisiológica da cromatina, que contém a informação genética;


● podem encontrar-se na forma dispersa ou na forma condensada:
● podem conter:

– um só cromatídio, se for constituído por uma só molécula de DNA;

ou

– dois cromatídios, se na sua constituição possuir duas moléculas de DNA associadas a


proteínas. Esta estrutura dupla dos cromossomas, que se deve à duplicação do material
genético, verifica-se na interfase:

– os cromatídios apresentam-se ligados por uma estrutura sólida e resistente – o


centrómero;

– o centrómero corresponde a uma zona de constrição do cromossoma, com uma


sequência de DNA específica, à qual se liga um disco proteico.

O conjunto de cromossomas que existe numa célula determina a constituição cromossomática ou o cariótipo,
que:

● é característico de cada espécie, sendo


constante nas células de indivíduos da mesma
espécie;
● varia de espécie para espécie.
2.1.3. Fases do ciclo celular:

-»O ciclo celular corresponde à alternância de fases de crescimento com fases de


divisão celular, com o objectivo final de originar novas células.

Algumas células mantêm a capacidade de se dividirem continuamente; outras


perdem essa capacidade quando atingem a maturidade. Assim, a periodicidade
com que ocorrem os ciclos celulares depende de vários factores, como, por
exemplo, o tipo de célula.

Em qualquer caso, o ritmo de divisão permite responder às necessidades do


organismo, pois só assim se mantém a vida.

O ciclo celular compreende dois períodos ou fases, a interfase e a fase mitótica ou


de divisão celular:

1. Interfase
● corresponde ao período compreendido entre o fim de uma divisão celular e o início da divisão
seguinte;
● é, normalmente, o período mais longo do ciclo celular – a maioria das células passa cerca de 90% do
ciclo celular em interfase;
● nesta fase, os cromossomas não são visíveis ao microscópio ótico;
● compreende três períodos ou subfases designadas por período G1 ou pós-mitótico, período S ou de
síntese de DNA e período G2 ou pré-mitótico, cuja duração é variável dependendo da espécie, do
tecido ou do estádio de desenvolvimento:
● caracteriza-se por ser um período de intensa actividade biossintética, em que ocorre crescimento e
duplicação do conteúdo celular, nomeadamente:
1. duplicação da componente cromossómica numa das suas fases, ou seja, duplicação do DNA;
2. nas células animais, ocorre duplicação dos centríolos:
3. centríolos são estruturas cilíndricas constituídas por microtúbulos, altamente organizados,
possuindo cada centríolo nove conjuntos de três microtúbulos.

2. Fase mitótica ou de divisão celular:

● corresponde a uma etapa final do ciclo celular;


● é visível ao microscópio óptico;
● nesta fase, ocorre a separação (divisão) das unidades moleculares anteriormente duplicadas (na
interfase);
● caracteriza-se pela divisão celular;
● porque as células têm que sofrer divisão do núcleo e do citoplasma, nesta fase consideram-se duas
etapas, a mitose ou cariocinese e a citocinese:
Mitose: corresponde à cariocinese ou divisão nuclear, ou seja, é o conjunto de transformações durante as
quais o núcleo das células eucarióticas se divide;

– apesar deste processo ser contínuo, podem distinguir-se quatro subfases – a profase, a metafase, a anafase e
a telofase:

-»Embora seja idêntica nas células animais e vegetais, a mitose


apresenta algumas diferenças, relacionadas, principalmente, com a
presença de centríolos:

(2)
áster – estrutura radial originada pelos microfilamentos proteicos
que se forma à volta dos centríolos.

Citocinese

– corresponde à divisão do citoplasma e individualização das


duas novas células-filhas;

– existem algumas diferenças na citocinese das células animais


e vegetais:
2.1.4. Regulação do ciclo celular:

● o ciclo celular é regulado por rigorosos mecanismos de controlo;


● o ritmo das divisões celulares é muito variável e depende de vários factores, como por
exemplo, as condições ambientais;
● os mecanismos de regulação actuam, principalmente, no final de G1 e de G2:
● no final de G1, as células podem não iniciar um novo ciclo celular e permanecem num
estádio de “pausa” designado G0:
1. – o tempo que as células permanecem em G0 depende do tipo de células e das condições do
meio;
2. – as células que não sofrem divisão permanecem em G0 até morrerem (ex.: neurónios e fibras
musculares).
● no final de G2 há novo controlo antes de se iniciar a mitose e,
1. – ou o ciclo prossegue normalmente;
2. – ou o ciclo interrompe, por exemplo, se ocorreram anomalias na replicação do DNA.

2.1.5. Estabilidade do programa genético:

-»Durante a divisão celular, as células apresentam a capacidade de


transmitir a informação genética de uma geração para outra, mantendo
igual conjunto de cromossomas nas células-filhas. Este fenómeno
verifica-se porque, ao longo do ciclo celular, a quantidade de DNA, que
duplicou no período S da interfase, durante a mitose, volta ao valor inicial
em cada célula-filha.

Assim, na interfase:

● no período G1 a célula possui uma só cadeia de DNA;


● no período S ocorre a replicação semiconservativa do DNA e os cromossomas ficam constituídos por
dois cromatídios ligados pelo centrómero – a informação genética duplica;
● cada um dos cromatídios de cada cromossoma-irmão é idêntico ao cromossoma inicial da fase G1, mas
não há alteração do número de cromossomas;
● no período G2 vai-se manter essa quantidade de DNA.

Durante a mitose:

● na prófase e na metafase a quantidade de DNA continua a ser dupla e o número de cromossomas não
alterou;
● na anafase, depois de ocorrer a clivagem dos centrómeros, cada um dos cromossomas-irmãos migra
para os pólos da célula, pelo que se verifica a distribuição equitativa dos cromossomas e a
consequente redução para metade do teor de DNA; o número de cromossomas mantém-se;
● nesta altura, cada nova célula possui a mesma quantidade de DNA que a célula-mãe possuía em G1;
● a telofase não altera o teor de DNA nem o número de cromossomas.

A alternância entre a replicação do DNA, com a separação dos dois cromatídios de cada cromossoma, garante a
identidade genética ao longo das gerações.

Excepcionalmente podem ocorrer erros – mutações – que podem alterar quer o conteúdo genético dos
cromossomas, quer o número de cromossomas e, desta forma, a estabilidade genética das populações.

3.Diferenciação celular, regeneração e crescimento:


-»Todos os fenómenos de multiplicação, crescimento e renovação celular e, também, de reprodução assexuada
estão associados ao processo mitótico. Dependem dele para que seja possível, a partir de uma célula,
formarem-se duas células geneticamente idênticas entre si e idênticas à progenitora.
O ciclo celular pode repetir-se inúmeras vezes, permitindo formar um organismo pluricelular, que resultou de
sucessivas divisões de uma célula única – o ovo.

Mas embora possuam a mesma informação genética, as células dos organismos pluricelulares são de
diferentes tipos e apresentam diferentes funções, organizando-se em tecidos que formam órgãos e sistemas.

Esta diversidade de formas e funções resulta de complexos mecanismos de regulação genética, que activam
selectivamente diferentes porções de DNA – genes – em diferentes células.

Então, os genes que estão activos num determinado tecido podem não ser os mesmos que estão activos num
outro, determinando as diferenças que se verificam entre eles.

Para que a partir de uma célula inicial se obtenha uma grande variedade de células especializadas em diversas
funções, é necessário que ocorra um processo de diferenciação celular.

Permitiram ainda concluir que, nos eucariontes:

● as potencialidades genéticas dos indivíduos superam as características que eles expressam;


● muitos dos genes que constituem o património genético dos indivíduos apenas se destinam a regular
o funcionamento de outros genes;
● os genes que se expressam num determinado contexto dependem das relações que se estabelecem
entre o DNA e o ambiente que caracteriza esse contexto;
● muitas das potencialidades genéticas das células diferenciadas encontram-se inibidas e nunca chegam
a expressar-se.

As células que, como o ovo ou zigoto, possuem a capacidade de originar todas as outras células, designam-se,
totipotentes. As primeiras divisões do ovo origina células indiferenciadas que se vão continuar a dividir até
que, à medida que prossegue o ciclo celular, iniciam um processo de diferenciação, tornando-se células
especializadas.

A maioria dos tecidos de um organismo no estado adulto possui algumas células estaminais, que são células
que apresentam um grau de diferenciação menor do que as restantes células. Nas plantas, nos tecidos adultos
existem células indiferenciadas, agrupadas em tecidos chamados meristemas.

A capacidade que uma célula tem de originar outras células especializadas é, geralmente, tanto maior quanto
menor for a sua diferenciação.

Em determinadas circunstâncias, as células diferenciadas podem perder especialização, tornando-se


indiferenciadas, e readquirem a capacidade de originar novos tecidos, voltando a ser totipotentes.

A clonagem consiste na produção de um ou mais indivíduos geneticamente idênticos – os clones, a partir de


células somáticas que se dividem sucessivas vezes.

O controlo da expressividade genética pode ocorrer na transcrição ou na tradução e é sensível a elementos


provenientes do ambiente que podem ativar ou reprimir essa actividade. É por isso que certas substâncias
químicas podem ser potencialmente perigosas para a saúde.

As radiações, certas substâncias tóxicas e até determinados vírus podem ser responsáveis pelas alterações do
património genético das células.

A perda dos mecanismos de regulação celular pode ser uma das consequências da alteração do património
genético das células, levando ao aparecimento de cancro. As células cancerosas dividem-se de forma
descontrolada e podem adquirir características de malignidade,
produzindo tumores. Podem invadir tecidos e órgãos e podem
espalhar-se por várias partes do organismo – metastização.
Reprodução nos seres vivos:
-»A Reprodução é uma função característica dos seres vivos que permite o aparecimento de novos indivíduos,
através da divisão celular. Esta função permite aos seres vivos darem origem a seres semelhantes,
perpetuando, assim, as espécies ao longo do tempo.

Apesar de haver diversos processos reprodutivos, para que ocorra reprodução tem que se verificar uma
sequência de fenómenos a nível celular, tais como a replicação de DNA, que é comum à generalidade dos seres
vivos e que permite que a informação genética passe de geração em geração.

A grande variedade de processos reprodutivos que existe pode sistematizar-se em dois tipos fundamentais: a
reprodução assexuada e a reprodução sexuada.

Na reprodução assexuada formam-se novos indivíduos a partir de um só progenitor, não havendo formação de
gâmetas. Este processo está associado à divisão celular mitótica.

Na reprodução sexuada os novos indivíduos são originados através da união de duas células especializadas –
os gametas, formados através de um tipo de divisão celular denominado meiose.

1. Reprodução assexuada:
-»A reprodução assexuada é um processo que se verifica nos procariontes e na maioria dos unicelulares
eucariontes; também ocorre em seres multicelulares, mas com baixo nível de diferenciação tecidular.

1.1.Na reprodução assexuada:

● apenas intervém um progenitor, que origina um conjunto de indivíduos;


● não há participação de células reprodutoras ou gâmetas;
● não há fecundação nem meiose;
● ocorrem mitoses sucessivas (divisões que mantêm o número de cromossomas) responsáveis pelo
crescimento e pelo aumento do número de indivíduos;
● se não se verificarem mutações, os descendentes são geneticamente idênticos entre si e aos
progenitores, sendo um processo que não contribui para a variabilidade genética das populações;
● a descendência é numerosa e o processo é rápido;
● como normalmente não se verifica variabilidade genética, os indivíduos não se adaptam às alterações
ambientais com tanta facilidade, logo, este processo só é vantajoso para a sobrevivência das
populações quando o ambiente não está em mudança, ocorrendo normalmente em condições
favoráveis.

Apesar destes aspetos comuns, existe uma grande diversidade de processos reprodutivos assexuados, sendo os
fundamentais a bipartição, a gemulação, a divisão múltipla, a esporulação, a fragmentação, a multiplicação
vegetativa e a partenogénese.
1.1.1.Multiplicação vegetativa natural:

-»Dependendo da espécie podem-se originar


novas plantas a partir de várias partes da
planta-mãe. Os processos de multiplicação podem
ser por folhas (Bryophillum), estolhos
(morangueiro), rizoma
1.1.2. Multiplicação vegetativa artificial:

-»Os métodos artificiais de multiplicação vegetativa são usados no sector


agroflorestal com o intuito de rapidamente produzir novas plantas. Estas
técnicas têm elevado interesse económico já que permitem preservar as
características genéticas das plantas. Destaca-se o método da estaca, a
mergulhia e a enxertia.

Como os organismos geneticamente idênticos constituem clones, então,


podem considerar-se os processos de reprodução assexuada como
processos de clonagem. Mas aos processos tradicionais de propagação,
natural ou artificial, de espécies com interesse económico, juntaram-se
técnicas de cultura in vitro para mais eficientemente garantir a
preservação de certas características genéticas dessas espécies.

Nos últimos anos, o termo clonagem tem vindo a ser aplicado a situações
mais específicas:

● a clonagem é o processo de obtenção, em laboratório, de


indivíduos geneticamente iguais através de técnicas de
manipulação de células e de tecidos;
● um tipo de clonagem pode fazer-se obtendo in vitro embriões
com a mesma informação genética a partir de células do mesmo
ovo, que se implantam em mães portadoras. Este processo de
clonagem baseia-se na existência de gémeos verdadeiros.
● outro tipo de clonagem – a clonagem por transferência de núcleos – pode explicar-se
simplificadamente como a junção de um núcleo de uma célula do indivíduo que se pretende clonar
com uma célula-ovo sem núcleo de um outro indivíduo. A fusão ocorre devido a uma pequena
descarga eléctrica e a célula-ovo formada desenvolve-se de acordo com a informação genética do
núcleo implantado;

-»o clone é um conjunto de células geneticamente idênticas descendentes


de uma única célula ancestral e que, em condições apropriadas, pode
originar um grande número de organismos iguais entre si;

os processos de clonagem tornam-se possíveis devido à totipotência – as


células perdem a sua especialização e adquirem a capacidade de originar
um indivíduo completo através de divisões sucessivas;

a clonagem é um processo muito utilizado em floricultura e fruticultura


sendo muito vantajoso uma vez que se produz grande número de indivíduos
a custos baixos e se originam culturas em óptimo estado sanitário; outra
vantagem é a recuperação de espécies vegetais ameaçadas de extinção.

2. Reprodução Sexuada:
-»A reprodução sexuada é o tipo de reprodução mais comum no mundo
vivo; é o processo reprodutivo quase exclusivo dos animais superiores e é
usual nas plantas superiores. A maioria dos seres com reprodução
assexuada, em certas condições, também se reproduz sexuadamente.

2.1. Na reprodução sexuada:

● intervêm dois progenitores, que produzem células reprodutoras especializadas – os gâmetas;


● ocorre fusão dos dois gâmetas – um masculino e um feminino –, ou seja, ocorre fecundação. A
reprodução sexuada depende da fecundação;
● durante a fecundação ocorre cariogamia (fusão dos núcleos dos gâmetas) que leva à formação do ovo
ou zigoto;
● o ovo é a primeira célula do futuro ser vivo. Por mitoses sucessivas, vai originar um indivíduo com
características resultantes da combinação genética dos gâmetas dos progenitores;
● os indivíduos das sucessivas gerações que vão sendo originados, apesar de terem algumas
características comuns, apresentam diferenças mais ou menos acentuadas entre eles e em relação aos
progenitores – verifica-se, assim, variabilidade genética nas populações;
● a descendência é, normalmente, reduzida e o processo é lento;
● como se verifica variabilidade genética, os indivíduos suportam as alterações do meio com alguma
facilidade, estando aptos a sobreviver em ambientes em mudança. A seleção natural elimina os
menos aptos e os mais aptos vão ser selecionados;
● para a formação dos gâmetas ocorre um processo de divisão celular – a meiose – que permite a
redução do número de cromossomas de uma célula. A reprodução sexuada depende da meiose.

-»O ovo resulta da união dos gâmetas que ocorre durante a fecundação. Assim, os cromossomas presentes no
núcleo do ovo são pares de cromossomas do mesmo tipo que provieram metade de cada gâmeta. Designam-se
cromossomas homólogos e possuem forma e estrutura idênticas, sendo portadores de genes
correspondentes.

Quanto ao número de cromossomas que possuem, as células podem classificar-se em haploides e diploides:

● Haploides – são células que possuem um só cromossoma para cada par de homólogos,
representam-se simbolicamente por n. Exemplos destas células são os gâmetas que se formaram por
meiose;
● Diploides – são células que possuem dois pares de cromossomas homólogos e representam-se
simbolicamente por 2n. Exemplos destas células são o ovo que resultou
da fecundação e todas as células somáticas.

A fecundação implica uma duplicação cromossómica mas o número de


cromossomas característico de cada espécie mantém-se constante. A meiose,
por sua vez, garante a passagem da diploidia para a haploidia.

Assim, pela existência alternada destes dois fenómenos indispensáveis para que
ocorra reprodução sexual, está garantida a constância do número de
cromossomas de geração em geração.

2.2. Meiose – redução cromossómica:

-»A meiose é um processo de divisão celular que leva à formação de quatro células haploides semelhantes
entre si e com metade do número de cromossomas da célula que lhes deu origem. Como este fenómeno
implica a passagem de um estado Diplóide para um estado haploide, pode ser designado por redução
cromossómica.

A meiose inclui duas divisões sequenciais e inseparáveis, a divisão I e a divisão II.

● Divisão I:
1. é precedida pela interfase onde, no período S ocorre a replicação do DNA, constituinte dos
cromossomas;
2. no início da meiose cada cromossoma é constituído por dois cromatídios;
3. a separação dos cromossomas homólogos de cada par reduz para metade o número de cromossomas
da célula diploide;
4. são originados dois núcleos haploides, ou seja, com metade do
número de cromossomas do núcleo da célula que lhes deu origem;
5. porque reduz o número de cromossomas, é uma divisão
reducional.
● Divisão II:
1. os dois núcleos haploides dividem-se e formam-se quatro núcleos, também haploides;
2. porque os cromossomas são igualmente distribuídos pelos novos núcleos, é uma divisão equacional;
3. no final, formam-se quatro células haploides, contendo, cada uma, um cromossoma de cada par de
homólogos;
4. é uma divisão idêntica à mitose.

-»As divisões I e II da meiose, embora tenham fenómenos exclusivos, incluem sequências de estádios com
características idênticas às que ocorrem na mitose. Por este facto, os estádios têm o mesmo nome – prófase,
metáfase, anáfase e telófase:
2.3. Mitose e meiose – aspetos comparativos:

-»Nos processos de reprodução assexuada, a divisão celular é feita


por mitose.

Na reprodução sexuada, para além da mitose ser fundamental para


que se verifique o crescimento dos novos indivíduos, a meiose é
também necessária, como processo de divisão que compensa a
duplicação de cromossomas que se verifica na fecundação.

Assim, existem algumas diferenças bem significativas entre estes dois


processos:

2.4. Mutações: Durante a meiose podem ocorrer anomalias que alteram o número e a estrutura dos
cromossomas. Estas anomalias designam-se mutações.

Na meiose, as mutações podem ocorrer:

● durante a divisão I – pela não separação dos cromossomas homólogos;


● durante a divisão II – pela não separação dos cromatídios de cada cromossoma;
● quando ocorre crossing-over – pela troca anormal de segmentos entre cromatídios de cromossomas
homólogos, que podem alterar a estrutura dos cromossomas.

As mutações cromossómicas podem ser:

● por perda do material genético;


● por duplicação do material genético.

Efeitos das mutações cromossómicas:

● a maior parte é prejudicial para o indivíduo portador ou para os seus descendentes;


● algumas podem ser benéficas e melhorar a capacidade de sobrevivência dos indivíduos das novas
gerações;
● são as fontes primárias da variabilidade genética que permitem a diversidade de organismos e a
evolução das espécies.

As mutações podem ser provocadas por vários fatores físicos e químicos, mas também podem ser
propositadamente causadas pelo homem, como, por exemplo, a duplicação do número de cromossomas –
poliploidia – para a obtenção de alguns alimentos.
2.5. Reprodução sexuada e variabilidade genética:

-»Na reprodução sexuada, a meiose e a fecundação, que são dois mecanismos compensatórios, asseguram a
manutenção do número de cromossomas característico de cada espécie, de geração em geração. Estes dois
fenómenos são igualmente responsáveis pela variabilidade genética que se verifica entre indivíduos da mesma
espécie.

2.6. Diversidade de estratégias na reprodução sexuada:

-»Tal como na reprodução assexuada, em que se verificam estratégias reprodutivas variadas, na reprodução
sexuada as soluções reprodutivas são também diversas.

As estratégias mais representativas estão relacionadas com a reprodução sexuada nas plantas e nos animais.

Em ambos os casos, os gâmetas – células reprodutoras cuja união leva à formação de um novo indivíduo – são
formados em estruturas especializadas.

Para que ocorra fecundação, os gâmetas masculinos e femininos têm que se


encontrar no mesmo local, ao mesmo tempo.

2.7. Fecundação nos animais: Nos animais há duas estratégias de


reprodução, o hermafroditismo e o unissexualismo:

● Hermafroditismo:
1. ocorre principalmente em espécies que têm dificuldades de dispersão geográfica, ou vivem
mesmo isolados;
2. é comum nos seres invertebrados;
3. um indivíduo possui simultaneamente o sexo masculino e o sexo feminino;
4. podem verificar-se dois tipos de comportamento distinto – o hermafroditismo suficiente e o
hermafroditismo insuficiente.
1. Hermafroditismo suficiente – ocorre por autofecundação, um só indivíduo pode originar descendentes.
Verifica-se, por exemplo, na ténia.

2. Hermafroditismo insuficiente – não se verifica a autofecundação, como nos unissexuais tem que haver
fecundação cruzada. Ocorre na minhoca e no caracol, por exemplo.

● Unissexualismo:
1. ocorre na maioria das espécies;
2. há um indivíduo do sexo masculino – macho – e um do sexo feminino – fêmea;
3. a reprodução, neste caso, exige a contribuição de dois indivíduos, um de cada sexo, sendo
estas espécies dioicas;
4. a união dos gâmetas efetua-se de diversos modos que dependem da mobilidade dos animais
e do habitat.

De acordo com o local onde ocorre, a fecundação pode ser externa ou interna:

2.8. Fecundação nas plantas:

-»Nas plantas, as estratégias reprodutivas são bastante diversas. Também os gametângios são muito variados e
característicos dos diferentes tipos de plantas e, como tal, também os processos de fecundação são diferentes:

● nos musgos e nos fetos a fecundação é dependente da água, só assim é que os anterozoides podem
alcançar as oosferas que se encontram dentro dos arquegónios;
● nas Gimnospérmicas, como os pinheiros, os gametângios são estruturas especializadas – os cones
masculinos, onde se produzem os grãos de pólen, e os cones femininos (as pinhas), onde se produzem
os óvulos. A fecundação não depende da água, revelando melhor adaptação ao ambiente terrestre;
● as Angiospérmicas caracterizam-se por possuírem flor, que é o órgão reprodutor nestas plantas e,
portanto, onde se formam os gâmetas. A fecundação é independente da água.

2.8.1. Flores: existe uma grande variedade que se distingue pela:

● posição na planta;
● forma;
● coloração do perianto.

-»é constituída por:


● produzem os gâmetas que são:

● podem ser:
1. – hermafroditas – os estames e os carpelos estão na mesma flor;
2. – unissexuais – há flores só com estames – flores unissexuais masculinas; e
há flores só com carpelos – flores unissexuais femininas.
● para que haja fecundação tem que ocorrer a polinização:
1. – é o transporte de grãos de pólen para os órgãos femininos da flor;
2. – pode ser direta ou cruzada:

direta – quando há polinização na mesma flor. Nesta situação a variabilidade genética é reduzida;

cruzada – quando a polinização se efetua entre flores de plantas distintas, mas da mesma espécie. Esta
estratégia propicia grande variabilidade genética;

– faz-se por agentes polinizadores como o vento, os insetos e as aves. As características das flores estão
intimamente relacionadas com o agente específico que as poliniza.

● quando desabrocham estão na época favorável à reprodução.


● depois de ocorrer a fecundação no interior dos óvulos, a flor vai desaparecer e originar o fruto:

2.9. Vantagens e desvantagens dos tipos de reprodução:

-»Alguns seres vivos podem apresentar os dois tipos de reprodução,


conseguindo mudar de estratégia reprodutiva de acordo com as
condições do meio, de modo a maximizar as vantagens oferecidas
por cada processo. Esta situação é vulgar em espécies como os
afídios, vulgarmente designados por pulgões.

As principais vantagens e desvantagens destes dois tipos de


reprodução são:

3. Ciclos de vida - unidade e diversidade:


-»O ciclo de vida de um ser vivo corresponde à sequência de
acontecimentos que ocorrem na vida de um organismo desde que
foi concebido até que produz a sua própria descendência. O ciclo de
vida de uma espécie repete-se de geração em geração.

Quando a reprodução é assexuada existe estabilidade genética e, como tal, não há alteração do número de
cromossomas de cada espécie.

Quando a reprodução é sexuada, a duplicação do número de cromossomas que resulta da fecundação é


compensada pela redução de cromossomas que ocorre na meiose, possibilitando a manutenção de um
número de cromossomas constante em cada espécie.

Da alternância entre estes dois fenómenos resulta sempre uma alternância de fases nucleares características:

● a haplofase ou fase haploide – está compreendida entre a meiose e a fecundação, inicia-se na célula
que resultou da meiose e que possui n cromossomas;
● a diplofase ou fase diploide – está compreendida entre a fecundação e a meiose, inicia-se no ovo,
célula que resultou da fecundação e que possui 2n cromossomas.
-»A ocorrência da fecundação e da meiose, embora comum a todos os seres vivos com reprodução sexuada,
pode dar-se em momentos diferentes do ciclo de vida do organismo. Tendo em conta esse momento,
estabeleceram-se, então, diferentes tipos de meiose – a meiose pós-zigótica, a meiose pré-gamética e a
meiose pré-espórica:

Atendendo ao desenvolvimento relativo das duas fases nucleares, determinadas pelo momento em que ocorre
a meiose, gera-se alguma diversidade nos ciclos de vida dos seres vivos que se podem classificar em:

3.1.Ciclo de vida de uma alga – espirogira :

● A espirogira:
● é uma alga pluricelular verde brilhante;
● vive em água doce, principalmente em charcos e regatos;
● forma agregados filamentosos constituídos por células cilíndricas dispostas topo a topo;
● apresenta reprodução assexuada por fragmentação – quando as condições são favoráveis, podem
destacar-se dos filamentos fragmentos que crescem e originam novos indivíduos;
● tem reprodução sexuada quando as condições do meio são desfavoráveis, garantindo a possibilidade
de se formarem indivíduos com características que podem ser vantajosas nesses ambientes.
3.2.Ciclo de vida de um mamífero:

Os mamíferos:

● têm uma grande dispersão geográfica;


● são um grupo com um elevado número de espécies, nos
quais se inclui a espécie humana;
● caracterizam-se por apresentarem glândulas mamárias e por
se alimentarem de leite nos primeiros tempos de vida;
● apenas se reproduzem sexuadamente;
● existe unissexualismo, os sexos estão separados havendo
representantes masculinos e femininos;
● as espécies são dióicas, para ocorrer fecundação têm que
intervir os dois representantes de ambos os sexos;
● a produção de espermatozóides – gâmetas masculinos – e
de óvulos – gâmetas femininos – ocorre nas gónadas,
testículos e ovários, respetivamente;
● a fecundação é interna e o desenvolvimento embrionário,
em quase todas as espécies ocorre no útero da fêmea –
espécies vivíparas;
● para se formarem gâmetas tem que se verificar meiose.

3.3. Ciclo de vida de uma planta – polipódio:

O polipódio:

● é um feto comum que forma, normalmente, tufos;


● é uma planta vascular que não produz sementes;
● habita locais húmidos, tais como zonas arborizadas, troncos
de árvores e muros velhos;
● tem o corpo constituído por um caule subterrâneo – o
rizoma, de onde emergem raízes e folhas;
● as folhas pinuladas, designadas megáfilos, são muito
desenvolvidas e o seu limbo é extremamente recortado;
● apresenta reprodução sexuada e assexuada por
fragmentação vegetativa do rizoma e por esporulação.

Evolução Biológica:

1. Unicelularidade e multicelularidade:
-»Atualmente, os seres vivos ocupam todo o tipo de habitats, desde as zonas mais profundas dos fundos
oceânicos às cordilheiras mais altas do nosso planeta. A diversidade das formas de vida existentes é evidente,
desde os organismos simples e unicelulares, até aos organismos multicelulares mais complexos que coabitam
nos ecossistemas, mantendo-os em equilíbrio. Mas nem sempre foi assim!
-»A vida na Terra foi evoluindo, de forma lenta e gradual, sofrendo diversas modificações que deram origem à
grande diversidade de seres vivos que podemos observar hoje em dia no nosso planeta. Mas, para
compreendermos a evolução da vida temos de compreender, em primeiro lugar, a história evolutiva da célula.

Os seres vivos podem agrupar-se em dois grandes grupos, os seres procariontes e os seres eucariontes:

● esta classificação é apoiada pelo registo fóssil que testemunha a existência destes dois tipos de seres
no passado;
● são classificados com base na organização celular, ou seja, no tipo de células que os constituem.

Pensa-se que foram os procariontes que estiveram na origem da diversidade de formas de vida existentes
atualmente, devido:

● à sua simplicidade estrutural (a evolução processar-se-ia de seres mais simples para mais complexos);
● ao registo fóssil existente: os dados fósseis sugerem que os seres eucariontes surgiram 2000 milhões
de anos depois dos organismos procariontes.

Alguns grupos de procariontes terão evoluído e aumentado a sua complexidade e terão


estado, provavelmente, na origem dos organismos eucariontes.

Para explicar o aparecimento de células eucarióticas a partir da evolução de células


procarióticas, existem duas hipóteses: a hipótese autogénica e a hipótese endosimbiótica.

1.1. Argumentos a favor da hipótese


endossimbiótica:

● as mitocôndrias e os cloroplastos são muito semelhantes a bactérias (seres


procariontes), na forma, no tamanho e nas estruturas membranares;
● estes organelos produzem as suas próprias membranas, as suas divisões são
independentes das da célula e são semelhantes à divisão binária das bactérias,
contêm um DNA próprio semelhante ao das bactérias – uma molécula circular,
geralmente, não associada a histonas;
● os ribossomas das mitocôndrias e dos cloroplastos são semelhantes aos dos
procariontes, quer no tamanho, quer nas suas características bioquímicas;
● atualmente, podem encontrar-se associações simbióticas entre bactérias e alguns eucariontes.

1.2. Pontos fracos da hipótese endossimbiótica:

● esta hipótese não explica a origem do núcleo das células procarióticas;


● não esclarece como é que o DNA nuclear comanda o funcionamento dos cloroplastos e das
mitocôndrias.
1.3. Multicelularidade:Depois do aparecimento das células eucarióticas, a vida na Terra apresentava já
grande diversidade.

Os organismos eucariontes, que desenvolveram capacidade de predação, começaram a aumentar de tamanho,


o que favoreceu:

● a captura mais eficiente de outras células;


● a deslocação que, sendo mais rápida, facilita a fuga e a alimentação;
● o aumento do metabolismo.

À medida que as dimensões da célula aumentam, a razão entre a área da célula e o seu volume diminui porque
o crescimento celular não pode ser indefinido. Então, como o metabolismo se torna mais ativo mas a superfície
membranar que contacta com o exterior não tem um aumento proporcional, as trocas com o meio tornam-se
menos eficientes e não são capazes de dar resposta às necessidades das células.

Assim, para indivíduos com dimensões superiores a 1mm sobreviverem só têm duas possibilidades: ou são
unicelulares mas com um metabolismo muito baixo ou, para darem resposta às necessidades metabólicas, têm
de ser multicelulares.

Embora ainda não esteja bem esclarecida, pois o registo fóssil não é suficiente, pensa-se que a
multicelularidade tenha resultado de associações vantajosas entre eucariontes unicelulares que foram
evoluindo:

● inicialmente, todas as células desempenhariam a mesma função;


● posteriormente, algumas células ter-se-iam especializado em determinadas funções, ocorrendo
diferenciação celular;
● a diferenciação celular, em que se verifica interdependência estrutural e funcional das células,
ter-se-á acentuado, originando verdadeiros seres multicelulares.

Atualmente, verifica-se a existência de agregados de seres eucariontes unicelulares da mesma espécie que
estabelecem ligações estruturais entre si, formando colónias ou agregados coloniais.

Volvox não é considerado um ser pluricelular, pois, embora seja


constituído por células estruturalmente independentes, sob o ponto de
vista funcional, a sua diferenciação é ainda muito incipiente,
confinando-se exclusivamente às células reprodutoras. Contudo, este
exemplo é bastante útil para se compreender que organismos coloniais
semelhantes tenham evoluído no sentido de maior organização e
diferenciação estrutural e funcional e, como tal, da verdadeira
multicelularidade.

Pensa-se que:

● os seres coloniais possam ter estado na origem de algas verdes


pluricelulares, algumas das quais evoluíram mais tarde para
plantas;
● este dado é apoiado pela existência de clorofila a e b nas algas
verdes e nas plantas e, também, pela presença de amido como
substância de reserva em ambas;
● os diferentes tipos de células, já com especialização,
originaram tecidos que levaram ao aparecimento de órgãos e
de sistemas de órgãos, havendo uma crescente especialização e
diferenciação celulares.
1.4. Vantagens evolutivas da multicelularidade para os organismos:

● permite que os organismos tenham maiores dimensões, mantendo a relação área/volume ideal para a
realização de trocas com o meio;
● possibilita maior diversidade, proporcionando uma melhor adaptação a diferentes ambientes;
● diminuição da taxa metabólica, como resultado da especialização celular que permitiu uma utilização
de energia de forma mais eficaz;
● maior independência relativamente ao meio ambiente, devido a uma eficaz homeostasia (equilíbrio
dinâmico do meio interno) que resulta da interdependência entre os vários sistemas de órgãos.

Em suma, pode dizer-se de forma muito simples que a evolução das formas de vida se processou dos
procariontes para os eucariontes unicelulares e dos seres coloniais para os pluricelulares.

A especialização crescente gerou a grande diversidade de seres vivos existentes ao longo da História da Terra.
Atualmente, estima-se que existam entre 30 e 50 milhões de espécies diferentes.

2. Mecanismos de evolução:
Desde tempos remotos que o Homem tenta explicar a origem e a diversidade das espécies. Várias teorias
surgiram, enquadradas em dois grandes grupos: teorias fixistas e teorias evolucionistas.

● Fixismo:
1. foi a primeira tentativa de explicação da grande
diversidade de seres vivos existentes na Terra;
2. foi aceite durante muitos séculos, principalmente porque
era apoiada pela observação de gerações sucessivas de
seres vivos que eram sempre semelhantes;
3. admite que as espécies surgiram tal como se conhecem
actualmente e, que se mantiveram fixas e imutáveis ao
longo do tempo;
4. as espécies foram criadas independentemente umas das
outras;
5. as principais teorias fixistas são o criacionismo, o
espontaneísmo e o catastrofismo:

● Evolucionismo:
1. admite que as espécies se alteram de forma lenta e progressiva ao longo do tempo, dando origem a
novas espécies;
2. as espécies são originadas a partir de ancestrais comuns;
3. o ambiente intelectual em que o evolucionismo se estabeleceu foi influenciado pelas ideias de
mudança que surgiram, ao mesmo tempo, em todas as áreas do conhecimento;
4. construiu-se com o contributo e a colaboração de várias ciências e, em particular, da Geologia.

As principais evidências geológicas que abalaram o modelo fixista foram:

1. a idade da Terra ser muito superior à admitida até então;


2. o aparecimento de fósseis de espécies muito diferentes das que se conheciam.
3. foi dificilmente aceite pela comunidade científica e a sua implantação definitiva decorreu do
aparecimento de mecanismos explicativos muito bem fundamentados e apoiados por argumentos
válidos;
4. as duas teorias evolucionistas mais marcantes são o Lamarckismo e o Darwinismo.
● Lamarckismo:

-» foi a primeira teoria explicativa sobre o mecanismo de evolução


dos seres vivos, formulada e defendida por um naturalista francês,
o cavaleiro de Lamarck;

-» esta teoria assentava em duas leis fundamentais – a Lei do uso


e do desuso e a Lei da herança dos caracteres adquiridos;

-» nesta teoria, a adaptação é definida como sendo a capacidade


dos seres vivos desenvolveram características que lhes permitam
sobreviver e reproduzir-se num determinado ambiente;

-» o ambiente é considerado o principal agente responsável pela


evolução;

-» admite, ainda, uma progressão lenta e gradual dos organismos mais simples para os mais complexos.

O lamarckismo sofreu grande contestação porque:

– atribui à evolução uma intenção ou objetivo, ao afirmar que as alterações ocorrem devido à necessidade de
as espécies procurarem a perfeição, o que não se conseguiu provar cientificamente;

– a herança dos caracteres adquiridos não se verifica experimentalmente.

Esta teoria não vingou e o evolucionismo foi, temporariamente, posto de parte. Na altura em que surgiu era
impossível testar, cientificamente, alguns dos seus pontos e, por outro lado, as ideias fixistas ainda estavam
bem enraizadas.

● Darwinismo:

-»Charles Darwin, naturalista inglês, apresentou a teoria evolucionista como explicação para a biodiversidade;

–» Darwin baseou-se num conjunto de dados e informações recolhidos ao longo de mais de 20 anos,
destacando-se os recolhidos na viagem à volta do Mundo no Beagle;

–» os fundamentos desta teoria são os dados geológicos, os dados biogeográficos, o Malthusianismo, a


selecção artificial e a variabilidade intraespecífica:
– o mecanismo essencial que dirige a evolução é a selecção natural: só os mais aptos sobrevivem e transmitem
as características mais favoráveis porque o ambiente não possui os recursos essenciais para a sobrevivência de
todos os que nascem;

– esta teoria pode enunciar-se da seguinte forma:

1. – todas as espécies apresentam indivíduos com pequenas variações nas suas características;
2. – as populações tendem a crescer em progressão geométrica, originando mais descendentes do que
aqueles que podem sobreviver;
3. – o número de indivíduos de uma espécie não se altera significativamente de geração em geração;
4. – em cada geração, uma parte dos indivíduos é naturalmente eliminada na luta pela sobrevivência;
5. – sobrevivem os indivíduos que estiverem mais bem adaptados a um determinado meio, por
possuírem características mais vantajosas relativamente aos restantes;
6. – a selecção natural, feita pela Natureza, privilegia os indivíduos mais bem dotados e elimina os
menos aptos relativamente a determinadas condições do ambiente – sobrevivência do mais apto;
7. – os mais aptos, portadores das variações favoráveis, vivem durante mais tempo e reproduzem-se
mais e, como tal, transmitem as suas características aos descendentes por reprodução diferencial;
8. – a acumulação de pequenas variações ao longo das gerações determina, a longo prazo, a
transformação e o aparecimento de novas espécies.
9. – a principal crítica a esta teoria é o facto de não conseguir explicar as causas das variações existentes
nas populações.

2.1. Confronto entre Lamarckismo e Darwinismo:

-»O Lamarkismo e o Darwinismo explicam a diversidade de espécies existente através de processos evolutivos.
Contudo, embora ambos valorizem o papel do meio e da adaptação, os mecanismos de explicação que
apresentam são diferentes:

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2.2. Argumentos a favor do evolucionismo:

-»Apesar de haver lacunas nas explicações lamarckistas e darwinistas, a perspectiva evolucionista foi tendo
cada vez maior aceitação. Para apoiar o evolucionismo foram utilizados diversos argumentos, sendo os mais
importantes os argumentos de anatomia comparada, os argumentos da paleontologia e os argumentos da
citologia:

● argumentos de anatomia comparada

– a anatomia comparada baseia-se no estudo comparativo das formas e das estruturas dos organismos, ou
seja, no estabelecimento de semelhanças e diferenças entre os caracteres morfológicos;

– tem como objectivo estabelecer possíveis relações de parentesco entre seres vivos de diferentes grupos
taxonómicos;

– a existência de relações filogenéticas entre diferentes espécies é apoiada pela presença de estruturas
homólogas, análogas e vestigiais.

1. – estruturas homólogas:
● – são órgãos com um plano estrutural semelhante e com
origem embrionária semelhante;
● – por evolução divergente podem desempenhar diferentes
funções;
● são o resultado da actuação da selecção natural sobre os
mesmos indivíduos em diferentes meios; os indivíduos que
possuem estruturas que lhes conferem vantagem num
determinado habitat são seleccionados em detrimento
de outros;

exemplos: os bicos dos tentilhões das Galápagos ou os órgãos


anteriores dos Vertebrados:

-» permitem construir séries filogenéticas:

● são séries que traduzem a evolução de estruturas


homólogas em diferentes organismos;
● podem ser progressivas ou regressivas:

1. Séries filogenéticas progressivas:

A evolução verifica-se a partir de um órgão simples que se vai


tornando gradualmente mais complexo.

Por exemplo, o estudo do coração dos vertebrados é um exemplo de evolução progressiva.

2. Séries filogenéticas regressivas:

Um órgão que era mais complexo vai evoluindo no sentido de se tornar mais simples, regredindo.

Por exemplo, a redução dos membros dos répteis.


2. – estruturas análogas:
● – são órgãos com estrutura e origem embrionária diferentes;
● – por evolução convergente, estes órgãos desempenham a mesma função, resultado de adaptação ao
mesmo ambiente.
● – resultam da atuação da selecção natural sobre indivíduos
com origens distintas que conquistaram meios semelhantes;
os que possuem estruturas que desempenham funções
semelhantes são seleccionados em detrimento de outros;

– exemplos: a cauda da baleia e a barbatana caudal dos peixes ou as


asas de insectos e as das aves.

3. – estruturas vestigiais:
● – são estruturas atrofiadas que não possuem significado fisiológico em determinados grupos de seres
vivos mas que, noutros grupos são desenvolvidas e funcionais;
● – uma vez que eram órgãos desenvolvidos e funcionais em espécies ancestrais, constituem
importantes evidências anatómicas a favor do evolucionismo;
● – a selecção natural pode exercer pressões selectivas que favoreçam indivíduos com determinado
órgão desenvolvido mas, noutro meio, esse órgão pode ser desnecessário;
● – são evidentes em séries filogenéticas regressivas;

– existem vários exemplos: é o caso do apêndice intestinal, da membrana nictitante, dos músculos das orelhas,
das vértebras do cóccix e os dentes do siso no Homem.

4. – argumentos paleontológicos:
● – o estudo do registo fóssil fornece dados que apoiam o evolucionismo;
● – os fósseis de animais já extintos puseram em causa a ideia de imutabilidade defendida nas teorias
fixistas, permitindo concluir que na Terra já existiram seres vivos muito diferentes daqueles que
conhecemos actualmente;
● – quando o registo fóssil é mais completo, permite definir percursos evolutivos de determinados
grupos, partindo de um ancestral até às formas actuais – as séries ortogenéticas – através do
levantamento das modificações que se foram registando ao longo do tempo.

– existem fósseis que permitem documentar relações de parentesco (filogenéticas) entre espécies actualmente
muito afastadas e que não foram independentes quanto à sua origem – estes fósseis designam-se de formas
sintéticas ou fósseis de transição:

5. – argumentos citológicos: – referem-se ao estudo das células, objecto de estudo da Citologia.

Baseiam-se na Teoria Celular, que enuncia que:

● – todos os seres vivos, apesar da grande diversidade que apresentam, são constituídos por células;
● – a célula é a unidade básica estrutural e funcional comum a todos os seres vivos;

– apoiam fortemente o evolucionismo porque:

● – se há uniformidade na constituição dos seres vivos, então, a sua origem deve ter sido comum;
● – os processos e mecanismos celulares são também semelhantes, constituindo um forte argumento a
favor da origem comum. Por exemplo, a mitose e a meiose são idênticas nas células animais e
vegetais.
2.3. Neodarwinismo – Teoria Sintética da Evolução:

-»Tal como foi enunciada por Darwin, a teoria da evolução apresentava alguns pontos que não foram
totalmente esclarecidos, como:

● os mecanismos responsáveis pelas variações existentes nos indivíduos de uma espécie;


● a forma como as variações são transmitidas de geração em geração.

O desenvolvimento da tecnologia e da ciência, principalmente no âmbito da Genética, forneceu os


conhecimentos necessários para colmatar estas lacunas.

Surgiram, então, duas novas ideias fundamentais:

● mutações – são uma evidência que permite explicar as variações dos seres vivos;
● a Teoria da Hereditariedade de Mendel – que explica a transmissão das características de geração em
geração.

Com estes novos dados, a Teoria de Darwin é revista e surge uma nova teoria – o Neodarwinismo ou Teoria
Sintética da Evolução. Para explicar os mecanismos evolutivos, esta teoria apresenta duas ideias fundamentais,
a variabilidade genética e a selecção natural:

● a selecção natural actua sobre a diversidade, que é gerada pela variabilidade genética;
● a variabilidade genética resulta de mutações e da recombinação genética:

– Mutações:

1. são alterações bruscas do património genético de um indivíduo;


2. podem ocorrer ao nível dos genes – mutações genéticas – ou envolver porções significativas de
cromossomas – mutações cromossómicas;
3. são a fonte primária da variabilidade porque introduzem novos genes nas populações;
4. podem ser letais para os seus portadores e levarem ao seu desaparecimento, ou podem ser
favoráveis, conferindo vantagens aos indivíduos que as possuem. Neste caso, os indivíduos
sobrevivem e reproduzem-se mais e transmitem esta mutação aos seus descendentes, modificando os
genes da população.

– Recombinação genética:

1. é a fonte mais próxima da variabilidade genética;


2. ocorre através da reprodução sexuada e da meiose, no crossing-over e na separação independente
dos cromossomas homólogos;
3. introduz variabilidade genética porque favorece o aparecimento de uma multiplicidade de diferentes
combinações de genes.

De acordo com o Neodarwinismo:

● as populações são as unidades evolutivas, pois apresentam a variabilidade sobre a qual a selecção
natural vai
● cada conjunto génico confere potencialidades adaptativas aos indivíduos, num determinado meio e
num determinado
● as populações são conjuntos de indivíduos da mesma espécie que, num dado momento, ocupam uma
determinada
● quanto maior for a diversidade maior é a probabilidade de uma população se adaptar às mudanças
que ocorram no

Actualmente define-se evolução como uma mudança no fundo genético das populações, como resultado da
selecção natural.
O fundo genético de uma população:

● é o conjunto de todos os genes presentes nos indivíduos da população, num dado momento;
● pode ter genes mais frequentes do que outros;
● num ambiente em mudança, pode alterar-se porque o conjunto de genes mais favorável pode deixar
de o ser:

– alguns genes tornam-se mais frequentes, outros vão sendo progressivamente eliminados;

– as populações vão ficando cada vez mais adaptadas ao meio;

– os indivíduos com o conjunto génico que os torna mais aptos reproduzem-se mais e estes genes tornam-se
mais frequentes na população;

– o fundo genético da população alterou-se, determinadas características foram eliminadas da população,


ocorreu evolução.

Sistemática dos seres vivos:


-»No nosso planeta existe uma grande diversidade de seres vivos, pelo que o seu estudo se torna, muitas vezes,
difícil.

Os cientistas sentiram, ao longo do tempo, a necessidade de agrupar e classificar os seres vivos. Assim, ordenar
ou classificar os organismos vivos, atribuindo-lhes um nome (nomenclatura), tornou-se uma tarefa necessária
para referenciar os grupos de seres vivos de forma a melhor se compreender e conhecer a diversidade das
espécies existentes na Terra.

A classificação agrupa os seres vivos de acordo com critérios pré-estabelecidos. Assim, os grupos de seres vivos
formados dependem dos critérios selecionados.

A Taxonomia é o ramo da Biologia que se ocupa da classificação e da nomenclatura dos diferentes grupos de
seres vivos formados. Tem como finalidade adotar sistemas de classificação uniformes que expressem, da
melhor forma, o grau de semelhança entre os organismos.

Também relacionada com a classificação, a Sistemática recorre à Taxonomia e à Biologia Evolutiva e utiliza
todos os conhecimentos disponíveis sobre os seres vivos para compreender as suas relações de parentesco e a
sua história evolutiva, desenvolvendo sistemas de classificação que refletem essas relações.

1. Sistemas de classificação:
-»Com os avanços da Ciência e da Tecnologia, os conhecimentos sobre os seres vivos foram também evoluindo.
Assim, os critérios utilizados nas classificações e os próprios sistemas de classificação também se foram
alterando e evoluindo ao longo do tempo.

As classificações existentes podem distribuir-se por três períodos distintos:


1.1. Os reinos da vida:O reino é a categoria taxonómica mais ampla, inclui maior número de espécies que
as restantes categorias e as semelhanças entre elas são menores.

Os sistemas de classificação correspondem a formas de organização de dados respeitantes aos seres vivos que
se pretende classificar. À medida que vão surgindo novos dados sobre os seres e que os critérios de
classificação vão sendo revistos, as classificações podem ser alteradas. Por exemplo, a classificação dos seres
vivos em reinos sofreu diversas modificações:
1.2. Sistema de classificação de Whittaker:

O sistema de classificação em cinco reinos é bastante coerente, pois permite


sistematizar as características mais importantes dos principais grupos de
organismos.

As modificações propostas por Whittaker verificaram-se, principalmente, no


reino Protista, que passou a incluir os fungos flagelados e as algas, quer sejam
unicelulares, quer sejam multicelulares.

Vários critérios estão subjacentes a esta classificação, sendo os principais o


nível de organização estrutural, os tipos de nutrição e as interacções nos
ecossistemas:

● organização estrutural

– diz respeito ao tipo de célula, se é procariótica ou eucariótica, e se os seres


são unicelulares ou pluricelulares.

● tipos de nutrição

– tem como base o processo de obtenção de alimento, os seres podem ser autotróficos fotossintéticos ou
quimiossintéticos ou podem ser heterotróficos, obtendo o alimento por ingestão ou por absorção.

● interacções nos ecossistemas

– são as interacções alimentares que os organismos estabelecem no ecossistema, estão relacionadas com o
modo de nutrição. Assim, consideram-se:

– os produtores, que são seres autotróficos;

– os macroconsumidores, que são heterotróficos e que obtêm os alimentos por ingestão;

– os microconsumidores, são heterotróficos decompositores ou saprófitos que obtêm o alimento por absorção
da matéria decomposta.

1.3. Sistema de classificação de Whittaker modificado:

Devido às limitações do seu sistema de classificação, Whittaker


apresentou uma versão modificada do mesmo – o sistema de
classificação de Whittaker modificado:
-»Apesar da grande aceitação do sistema de classificação de Whittaker, continuam a realizar-se pesquisas na
área da classificação. Foram surgindo novos dados e a interpretação desses dados tem demonstrado diferentes
perspetivas.

Assim, atualmente, há propostas de novos sistemas de classificação:

● um sistema propõe a existência de seis reinos:


1. – baseia-se no facto de existirem duas linhagens diferentes de
organismos procariontes;
2. – propõe a extinção do reino Monera e que, em seu lugar,
surjam dois novos reinos – o das Arqueobactérias e o das
Eubactérias.
● um sistema de classificação com dois super-reinos:
1. – foi proposto em 1980 por Margulis e Schwartz;
2. – basearam-se em dados morfológicos, de desenvolvimento e
em dados moleculares;
3. – agruparam os cinco reinos de Whittaker em dois super-reinos:
● um sistema de classificação em três domínios:
1. – proposto por Woese e seus colaboradores;
2. – baseia-se na filogenia molecular, principalmente na
comparação de sequências nucleotídicas de RNA-ribossómico;
3. – que são:

– este sistema tem sido muito criticado porque se baseia apenas em dados moleculares como critério de
classificação.

Conclui-se que a Taxonomia é uma ciência em constante evolução. Mas, apesar das novas propostas
apresentadas, o sistema de classificação de Whittaker em cinco reinos continua a ser um dos mais consensuais.

2. Taxonomia e nomenclatura:
2.1. Categorias taxonómicas:

-»À medida que o conhecimento biológico se foi desenvolvendo, aumentou também a variedade de
características utilizadas em Taxonomia.

Estabeleceu-se, assim, uma hierarquia taxonómica – o sistema hierárquico de classificação:

● foi proposto por Lineu que, pelo seu contributo nesta área, foi considerado o “pai da Taxonomia”;
● corresponde a um modo de ordenação dos seres vivos, numa série ascendente;
● a espécie é a unidade básica de classificação;
● as espécies semelhantes agrupam-se em géneros, os géneros agrupam-se em famílias, as famílias em
ordens e as ordens em classes.

Cada categoria taxonómica é um táxon e os taxa principais são sete: Espécie, Género, Família, Ordem, Classe,
Filo/divisão, Reino.

Podem existir categorias intermédias que são indicadas com os prefixos: super, sub e infra.Da espécie para o
reino vai aumentando o número de organismos incluídos em cada nível, mas vai diminuindo o grau de
parentesco entre eles.

De acordo com o conceito biológico, a espécie é um grupo natural constituído por indivíduos com o mesmo
fundo genético, morfologicamente semelhantes e que se podem cruzar entre si originando descendentes
férteis. Os organismos da mesma espécie estão isolados reprodutivamente dos indivíduos de outras espécies,
pelo que é a única categoria taxonómica natural. Todas as outras são agrupamentos feitos pelo Homem.
Com a aceitação das ideias evolutivas, os agrupamentos taxonómicos formados passaram a representar
linhagens evolutivas. Assim, considera-se que dois seres vivos são tanto mais próximos quanto maior for o
número de taxa comuns a que pertencem.

2.2. Nomenclatura – regras básicas:

A nomenclatura:

1. consiste na atribuição de um nome científico aos diferentes grupos taxonómicos;


2. surgiu para tentar uniformizar os nomes que eram dados aos seres vivos: popularmente os
organismos são conhecidos por nomes muito diferentes, que até podem variar de região para região;
3. é atribuída de acordo com regras específicas com o objectivo de criar uma nomenclatura
internacional.

As regras básicas de nomenclatura são:

● a designação dos taxa é feita em Latim, porque:

– esta língua já era usada desde a Idade Média havendo já muitos nomes atribuídos, pelo que não seria
necessário alterá-los;

– o Latim é uma língua morta, como não evolui, o significado das palavras não se altera.

● para designar a espécie utiliza-se um sistema de nomenclatura binomial:

– foi proposto por Lineu;

– são duas palavras em latim: a primeira diz respeito ao género a que a espécie pertence e é um substantivo
escrito com inicial maiúscula; a segunda corresponde ao restritivo ou epíteto específico, é normalmente um
adjetivo escrito com inicial minúscula e identifica uma espécie dentro do género a que pertence.

● os grupos superiores à espécie são uninominais, formados por uma só palavra, que é um substantivo
escrito com inicial maiúscula;
● a nomenclatura das famílias constrói-se acrescentando uma terminação à raiz do nome de um dos
géneros: nos animais acrescenta-se idae; nas plantas a terminação é aceae. Existem excepções;
● quando as espécies têm subespécies, a nomenclatura é trinominal, consiste no nome da espécie
seguido do restritivo ou epíteto subespecífico;
● os nomes genéricos, específicos e subespecíficos devem ser escritos em tipo de letra diferente da do
texto corrente. Normalmente, utiliza-se o itálico, nos textos manuscritos sublinham-se estas
designações;
● depois da espécie deve escrever-se o nome ou a abreviatura do taxonomista que, pela primeira vez a
partir de 1758, atribuiu o nome científico;
● a data da publicação do nome da espécie também pode ser citada, neste caso coloca-se depois do
nome do autor, separada por uma vírgula.

Pela utilização das regras de nomenclatura, uniformizaram-se os nomes das categorias taxonómicas facilitando
a comunicação científica, pois estes nomes são os mesmos no mundo inteiro.

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