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ConJur - Sanderson: É preciso fiscalizar fronteiras pela paz social 22/11/2020 19:56

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OPINIÃO

É preciso Fscalização nas fronteiras para


restabelecer a paz social no país
19 de junho de 2016, 6h52 Imprimir Enviar

Por Ubiratan Antunes Sanderson

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Black das Blacks magalu


Magazine Luiza

As regiões de fronteira de nosso país encontram-se em absoluto abandono


estatal, situação que deve ser motivo de preocupação social e pauta de
debates em todas as esferas.
LEIA TAMBÉM
Essa insegurança, produto de políticas públicas equivocadas e baseadas em
FAMÍLIA DO NORTE
premissas erradas, trouxe e traz repercussões negativas de toda sorte, desde o
STJ afasta desembargadora do AM
aumento assustador do tráfico de drogas e de armas de fogo, passando pela
acusada de favorecer criminosos
crescente evasão de divisas, pelo contrabando e descaminho de mercadorias,
indo até o tráfico de pessoas e de animais silvestres. LIMINAR NEGADA
Toffoli mantém ação por importação
Na busca de virar esse jogo, a presidente Dilma Rousseff lançou em 9 de de sementes de maconha
junho de 2011 o chamado Plano Estratégico de Fronteiras (Decreto
7496/2011), um pacote de medidas que incluía a promessa de dobrar o PROCESSO PRESCRITO

efetivo policial nos limites do Brasil com os países vizinhos (Uruguai, Desclassificação de tráfico para porte
Argentina, Paraguai, Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname muda competência de juiz
e Guiana Francesa).
MITO TRIBUTÁRIO

A promessa era a de promover a integração dos ministérios da Justiça, da Preços da maconha caem com
Fazenda e da Defesa, com atuações integradas em operações de combate ao legalização em estados dos EUA

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crime organizado nessas regiões. Apesar das promessas políticas e do


Facebook Twitter
compromisso assumido publicamente pelo governo federal, passados quase
cinco anos do lançamento do plano, nada foi feito até a presente data.
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O Tribunal de Contas da União, por meio de Auditoria Operacional
registrada no TC 014.387/2014-0, avaliou a governança das políticas
públicas federais para a faixa de fronteira, oportunidade em que foi
constatada a precariedade das condições das entidades responsáveis pela
fiscalização fronteiriça.

A nossa faixa de fronteira, que compreende 150 km de largura ao longo de


16.886 km de extensão terrestre, limítrofe com 11 países, passando por 11
estados, onde residem cerca de 10 milhões de habitantes, em 588 municípios,
está praticamente abandonada sob o ponto de vista do controle migratório, da
fiscalização aduaneira e, sobretudo, do combate aos crimes de toda sorte.

Nesse sentido, o TCU, no item 54 do voto do ministro relator do TC


014.387/2014-0, constatou que há baixa priorização política e orçamentária
para o tema “fronteiras”, registrando inclusive que:

O baixo grau de investimentos e a carência de recursos humanos e


materiais e financeiros dos órgãos responsáveis pela prevenção,
controle, fiscalização e repressão aos crimes transfronteiriços
realçam a vulnerabilidade daquele espaço territorial e contribuem
para agravar sua condição de ambiente propício aos ilícitos
relacionados ao tráfico de drogas e de armas, entre outros crimes
típicos de regiões fronteiriças, caracterizando verdadeira omissão,
parcial ou total, do poder público.

Essa falta de priorização política para as questões de segurança nas fronteiras


é uma triste realidade em quase todas as instituições. Na Polícia Federal,
todavia, esse desinteresse governamental é ainda mais assustador. Para
operar nos 16.886 km de fronteiras terrestres, o efetivo policial federal é de
aproximadamente mil servidores (incluindo agentes, escrivães, peritos,
delegados e papiloscopistas). Esses números são absolutamente irrisórios,
pois a fiscalização fronteiriça concorre com todas as demais atribuições das
delegacias da PF nessas regiões, restando, para o controle migratório
propriamente dito, míseros 200 homens para monitorar a linha que vai do
Chuí (RS) ao Oiapoque (RR). Só para se ter uma ideia, na fronteira dos
Estados Unidos com o México (principal via clandestina de acesso aos
EUA), há um efetivo 20 vezes maior em operação, para vigiar uma extensão
de aproximadamente 3.140 km.

Na nossa vizinha Argentina, que dispõe de um Produto Interno Bruto (US$


600 bilhões) quatro vezes menor que o PIB brasileiro (US$ 2,3 trilhões), a

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Gendarmeria Nacional (instituição responsável pelo controle das fronteiras)


conta com cerca de 30 mil funcionários para fazer a segurança de 41 milhões
de habitantes (população cinco vezes menor que a nossa).

Por fazer fronteira com os três maiores produtores de cocaína do mundo


(Colômbia, Peru e Bolívia), o Brasil, como o país mais próspero
economicamente da região, é o alvo principal de traficantes e comerciantes
de drogas, que chegam às grandes capitais de forma livre e sem qualquer
anteparo estatal.

O mesmo ocorre com o tráfico de armas de fogo, já que Paraguai e Uruguai


são importantes fornecedores desse tipo de produto para nosso país, servindo
a fronteira entre Brasil e Uruguai (1.069 km) de verdadeiro free shop para o
comércio de um legítimo arsenal de guerra. O tráfico de armas é o crime
mais lucrativo no mundo. No Brasil, calcula-se que para cada arma
apreendida outras 30 entram ilegalmente no país.

Segundo um relatório elaborado pela Comissão Global da ONU sobre o


assunto, “apesar de os governos, cada vez mais, reconhecerem que
estratégias policiais para o controle das drogas e armas precisam estar
integradas em uma abordagem mais ampla, social e de saúde pública, as
estruturas das políticas públicas, de orçamento e de gastos públicos não se
modernizaram na mesma velocidade”.

Esse quadro só poderá ser alterado com investimentos em recursos humanos,


tecnológicos e de estrutura. Para se ter uma noção de quão abandonadas
estão as delegacias da PF nas fronteiras, basta verificar o número de agentes
policiais federais com atuação nessas localidades. Enquanto, por exemplo, a
unidade da PF em Uruguaiana (RS) conta com apenas dois policiais federais
por dia, a Gendarmeria Nacional conta com cerca de 20 servidores para
fazer a mesma espécie de trabalho, numa mesma área de ação.

Na fronteira do Brasil com o Uruguai, em Aceguá (RS), a 60 km de Bagé


(RS) e a 450 km de Porto Alegre, há apenas dois agentes da PF para
fiscalizar cinco rotas (uma BR e quatro rodovias vicinais) de acesso ao
interior do país. Nas cidades gaúchas de Chuí, Santana do Livramento e
Jaguarão, essa realidade não é diferente; apenas dois agentes policiais atuam
em regime de plantão em cada um desses municípios de fronteira.

O abandono das localidades de fronteira é, sem dúvida, um incentivo para a


já gigantesca evasão de divisas, para o tráfico de armas, para o tráfico de
drogas e para o contrabando de mercadorias, posto que apenas 10% das
transações clandestinas são barradas por nossos agentes de fiscalização.

Todo mundo sabe, mas não custa lembrar, que não há comércio lícito de
armas pesadas no Brasil (fuzil, metralhadora, bazuca, granada etc.).

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Diferente da realidade norte-americana, por exemplo, toda arma pesada


apreendida em território brasileiro é produto de contrabando. Fuzis e
metralhadoras ingressam diariamente, 365 dias por ano, por uma das 20
cidades fronteiriças.

Notícia da IstoÉ, veiculada em janeiro de 2016, registrou que há 30 anos os


cariocas convivem com a estratégia de “enxugar gelo”. A polícia desce o
morro com drogas e armas e, no dia seguinte, o arsenal e o estoque de drogas
são rapidamente repostos. Segundo a reportagem, é o tráfico de drogas que
dá lastro financeiro ao crime organizado, mas são os fuzis que conferem
poder aos criminosos.

No estado do Paraná, a situação é ainda pior, pois a fronteira do Brasil com o


Paraguai está dividia pelo rio Paraná e pelo lago de Itaipu, onde dezenas de
portos clandestinos são usados para o contrabando de drogas, armas e
mercadorias diversas, para um efetivo de apenas seis policiais federais em
turnos de 24 horas.

Em Mato Grosso do Sul, em Ponta Porã e Corumbá, a situação é igual.


Tendo como vizinha a cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero (divisa
seca), Ponta Porã é um dos principais focos de traficância de cocaína,
maconha e crack do Brasil, drogas que têm como destino principal os estados
de São Paulo e Rio de Janeiro. Para guarnecer os cerca de 1.600 km de
fronteira entre Brasil, Paraguai e Bolívia, apenas dois agentes policiais se
revezam em turnos de 24 horas. Cada policial é (ir)responsável pelo controle
de cerca de 800 km.

Em Corumbá, o posto de controle da Polícia Federal está no chamado Posto


Aduaneiro Esdras, ou apenas Posto Esdras, que é um ponto localizado no
último trecho da rodovia BR-262, a 50 metros da fronteira com a Bolívia e a
cerca de 6,5 km da cidade de Corumbá. O posto pertence ao governo do

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Brasil (Receita Federal do Brasil) para cobrança de tributos e fiscalização em


geral, mas a precariedade de capital humano impede qualquer tipo de ação
estatal. Devido à falta de efetivo, durante à noite não há qualquer fiscalização
policial no Posto Esdras.

No estado de Rondônia, esse quadro não é diferente. A delegacia de Guajará-


Mirim, por exemplo, é responsável pela fiscalização de uma fronteira de
mais de 600 km, onde dois agentes federais têm a quase impossível missão
de controlar o fluxo migratório entre Brasil e Bolívia.

Esse descaso estatal se repete nas unidades do Acre, Amazonas, Roraima,


Pará e Amapá. De sul a norte (17.000 km), a deficiência da Polícia Federal é
uma regra.

Em entrevista feita com agente policial federal de um posto de fronteira da


Polícia Federal, chama a atenção a seguinte expressão: “Aqui me sinto um
náufrago, e não um agente do Estado”.

Levando-se em conta o nosso PIB e a extensão de nosso território, pode-se


afirmar que somos o país mais desprotegido do mundo.

Assim, uma estratégia de segurança tem que ser elaborada e posta em prática
imediatamente, já que a falta de controle nas regiões de fronteira é fator de
incentivo à traficância organizada e ao surgimento de novas organizações
criminosas.

Sendo a atividade da Polícia Federal daquelas em que o seu resultado está


diretamente ligado ao total comprometimento de seus profissionais, as ações
levadas a efeito nas localidades de fronteira, onde as condições de trabalho,
moradia, educação e saúde são extremamente deficitárias ou inexistentes,
devem receber tratamento diferenciado, tal como já ocorre com servidores

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das Forças Armadas, por exemplo.

Em localidades como Tabatinga (AM), Tefé (AM), Bonfim (RR), Chuí (RS),
Oiapoque (AP), Epitaciolândia (AC), Guajará-Mirim (RO), Pacaraima (RR)
e Óbidos (PA), entre outras, essas condições são ainda mais difíceis, pois,
além de enfrentarem a inospitalidade propriamente dita, sofrem com o alto
custo de vida da região e com os elevados gastos com transporte para saírem
de suas sedes.

Diante da precariedade de condições apresentadas nessas regiões, o grau de


descontentamento dos servidores do Departamento de Polícia Federal é
altíssimo, chegando a mais de 80%, segundo pesquisa feita entre servidores
dessas 27 localidades. O policial federal é designado para uma dessas regiões
sem nenhuma ajuda de custo ou de transporte, sem qualquer previsão de
saída, chegando ao ponto de ter que lá permanecer por quase dez anos, até
que seja contemplado com uma remoção.

Diferentemente do que ocorre, por exemplo, com os militares brasileiros que,


tal como a PF, fazem missões típicas e exclusivas de Estado junto à fronteira,
sendo lotados nessas regiões por tempo determinado, com apoios logísticos,
de transporte, médico, financeiro (ajuda de custo mesmo para os recém-
formados) e com tempo de serviço acrescido em 1/3 para fins de
aposentadoria, os policiais federais não recebem qualquer incentivo
remuneratório a título de indenização ou de compensação do tempo de sua
estada na localidade especial.

Aprovada e sancionada há quase três anos, a Lei 12.855/2013, que instituiu a


chamada Indenização de Fronteira para Agentes de Fiscalização da PF, PRF,
RF e Ministério da Agricultura atuantes em regiões de fronteira e de difícil
provimento, ainda não foi regulamentada pelo Poder Executivo, omissão que
contribui fortemente para o agravamento do caos vigorante nas nossas
fronteiras.

De tudo, fica evidente que o desinteresse do governo federal com a


segurança das fronteiras é fator preponderante para o aumento da traficância
de drogas e de armas de fogo, sobretudo numa época em que o crime
organizado se estrutura transnacionalmente. Não vislumbramos a menor
possibilidade de o Estado retomar o controle das regiões de fronteira, sem
um forte e imediato investimento nas instituições que lá operam, medida que
certamente contribuirá para o restabelecimento da paz social em nosso país.

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00:00/01:20 ANDAR DE BICICLETA E SEUS BENEFÍCIOS

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Ubiratan Antunes Sanderson é escrivão da Polícia Federal em Porto Alegre, bacharel em


Direito e pós-graduado em Gestão de Segurança Pública pela Ulbra/RS, além de presidente
do Sindicato dos Policiais Federais do Rio Grande do Sul.

Revista Consultor Jurídico, 19 de junho de 2016, 6h52

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COMENTÁRIOS DE LEITORES
4 comentários

APOCALIPSE II
Servidor estadual (Delegado de Polícia Estadual)
20 de junho de 2016, 17h36

Advogados as duzias visitam seus clientes duas a três vezes ao dia amparados por
prerrogativas, embora apenas um que os visita uma vez a cada seis meses fale nos
autos. Mega traficantes continuam comandando o crime de dentro dos presídios,
mas ainda assim obtém cada vez maiores benefícios penais. Constroem mitos como
"guerra a drogas", quando na verdade há posições românticas embaladas por
sonhas de academia de um país que surgirá, ainda, daqui mil anos, mas cuja
filosofia se tenta impor à força. O Exercito e o Ministério da Justiça atendendo a
demanda dos direitos humanos vedaram o uso da arma fuzil para as policiais, os
calibre 7.62mm foram trocados por carabinas 5,56mm e, apenas alguns Estados
conseguem compra-los como RJ e SP, os demais receberam carabina .40 com
rajada (sic) de 2 tiros, enquanto o traficante vem utilizando 7,62mm com rajadas de
800 tiros por minuto. Resultado a PM é chamada para atender uma ocorrência de
tentativa de homicídio e é expulsa por traficantes armados com fuzis que fizeram a
gentileza de não tomar as armas dos policiais, pois sabiam que responderiam a
sindicância. Esse é o retrato do governo FHC e PT socialista e irmãos dos povos da
America Latina deixaram ao povo brasileiro, uma fronteira tão ou mais perigosa
que as cidadelas mexicanas onde os cartéis matam estudantes. Aqui é só uma
questão de tempo, já há muita gente desaparecida, mas aí, sem problemas, vamos
colocar roupa branca e passear pelas ruas soltando pombinhas ao invés de se

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debruçar sobre o problema com força, como se o traficante se preocupasse com tais
passeatas.

APOCALIPSE
Servidor estadual (Delegado de Polícia Estadual)
20 de junho de 2016, 17h22

Sou a favor da PEC, mas desculpem a segurança na fronteira extrapola as funções


da Polícia Federal. Hoje, na verdade, em razão do abandono o compadrio com
países marginais produtores de coca e maconha, a política desastrosa de aceitar
grupos terroristas como expressão da liberdade, leia-se FARC, nem mesmo as
Forças Armadas têm condições de enfrentamento, basta ver o que vem ocorrendo
em Ponta Porã com operação ágata e tudo mais. O primeiro passo a tomar e copiar
o bom exemplo americano e europeu onde as fronteiras secas são fechadas por
muro, como em Israel. O segundo passo é entender que se está lidando com grupos
que tem por fundamento relevar o Estado a segundo plano em favor de sua
ambição e exploração econômica. Se um policial publica mensagem (não precisa
nem agir) no facebook se insurgindo contra tais "empresários" é assinado como
aquele jovem policial em Paranhos. na fronteira há Ferraris, helicópteros, mas não
há ninguém oficialmente com recursos para adquiri-los. Trata-se de um grupo que
em minutos decide entre pagar a dívida em dinheiro com prazo certo, em regra 30
dias ou a morte, opção última em que a vitima ou é despedaçada viva ou queimada
no famigerado microondas, pois só a morte é pouco para tal trupe. Enquanto isso
em berço iluminista o processo penal no Brasil coloca vítimas e testemunhas nos
bancos da "justiça" lada a lado com tais réus acreditando no direito sublime do
acusado conhecer quem lhes acusa. Resultado: 100% absolvição, são os advogados
mais bem sucedidos do planeta, isso, quando não são assassinados por quebra de
contrato. As chamadas mulas com carregamentos milionários são considerados na
justicinha meros transportadores, como se o transporte e entrega não fizesse parte
da logística de toda empresa.

PARA COMEÇAR
Prof. Denis - História (Professor)
19 de junho de 2016, 20h06

Aprovação da pec 412

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