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Imagem corporal e atividade

física

No mundo contemporâneo, o conceito que se tem sobre a aparência induz à ideia de que um corpo
cuidadosamente trabalhado e definido é também um sinal de beleza interior, realização, disciplina, saúde física e
mental.

A prática de atividade física constitui um caminho possível para a aquisição deste corpo “modelo de
sucesso”, na expectativa de uma eventual satisfação, bem-estar e prazer, tendo, desta forma, relação direta com
os elementos do corpo e imagem corporal.

A imagem corporal é entendida como as percepções, pensamentos e sentimentos de um indivíduo sobre


sua forma física. Imagem corporal positiva pode ser definida como um construto fundamentado em respeito,
amor, apreciação e aceitação da aparência e funcionalidade do corpo.

A aceitação e amor ao corpo são expressos pelo conforto e bem-estar com o corpo, mesmo quando não se
está completamente satisfeito com ele. O corpo é o elo entre o sujeito e o mundo.

Cada cultura modela e fabrica, à sua maneira, um corpo humano – seja por meio de razões sociais, seja por
rituais ou apenas por razões estéticas e determina também aquilo que se considera ideal.

O corpo parece assim se apresentar como uma síntese de desejo, ciência e tecnologia, a serviço do
chamado bem-estar. Atualmente o corpo é a própria fragmentação, decomposto em músculos, glúteos, coxas,
seios, boca, olhos, cabelos, órgãos genitais, etc. Cada um destes pedaços se torna um potencial alvo de consumo e
de tratamento. Como um rascunho que pode ser refeito ou aperfeiçoado de acordo com o desejo e o bolso do
indivíduo, ao corpo é dado o significado de objeto de consumo cujas peças podem ser substituídas, redesenhadas,
cortadas, modeladas e transformadas, de forma que seu valor é medido pelos atributos físicos que possui (ou
conquista). Dissociado de si e dos outros, da natureza, da coletividade, o corpo torna-se uma parte de um
espetáculo, que precisa ver e ser visto.

A indústria da beleza, implícita ou explicitamente,


induz à ideia de que para se ter sucesso, felicidade ou
dinheiro, o único caminho é por meio da beleza estética, e,
numa sociedade onde ser feliz muitas vezes está vinculado à
aparência, ao status e ao sentir bem o tempo todo, o corpo
torna-se objeto de constante investimento e preocupação.

O discurso da saúde se misturou ao discurso da aptidão


e da estética e resultou num processo de constante
insatisfação que converge para o que se acredita ser um bit.ly/32yyi4S
“cuidado com o corpo” . Tal cuidado vem se tornando
demasiado, quase uma obrigação diária, gerando por
vezes sentimento de culpa, insuficiência, vergonha e
fracasso naqueles que não podem alcançá-lo,
podendo acarretar no desenvolvimento de
transtornos dismórficos corporais (TDC) e os
transtornos alimentares.

Especificamente na dismorfia muscular (um


tipo de TDC), os exercícios físicos anaeróbicos e de
força podem ser praticados de forma excessiva para
alcançar um corpo demasiadamente forte e
bit.ly/3knZidp musculoso, além do uso de suplementos para
hipertrofia muscular, e eventual uso de
anabolizantes.

Pontos de atenção:

 forçar-se ao exercício mesmo quando


não se sente bem;
 quase nunca se exercitar por prazer;
 ficar estressado e ansioso quando não se
exercita;
 deixar de cumprir obrigações familiares
para se exercitar;
 preferir fazer exercícios a estar com
amigos;
 calcular quanto deve fazer de atividade
física baseado em quanto come; bit.ly/2FrKY56
 não conseguir relaxar porque pensa que
não está queimando calorias, preocupar-se em ganhar peso se pular um dia de atividade física.

Qual é a relação entre imagem corporal e atividade física?

A prática de atividade física constitui um caminho possível para a aquisição deste corpo “modelo de
sucesso”, na expectativa de uma eventual satisfação, bem-estar e prazer, tendo, desta forma, relação direta com
os elementos do corpo e imagem corporal.

A imagem corporal é entendida como as percepções, pensamentos e sentimentos de um indivíduo sobre sua
forma física (SANTOS; PEREIRA; SOBRAL, 2019).

Atividade física: caminho possível para a aquisição de um corpo “modelo de sucesso”.


Escola/Colégio:

Disciplina: Ano/Série:

Estudante:

LISTA DE EXERCÍCIOS

1 - (ENEM 2019) Em nenhuma outra época, o corpo magro adquiriu um sentido de corpo ideal e esteve tão em
evidência como nos dias atuais: esse corpo, nu ou vestido, exposto em diversas revistas femininas e masculinas,
está na moda: é capa de revistas, matérias de jornais, manchetes publicitárias, e se transformou em um sonho de
consumo para milhares de pessoas. Partindo dessa concepção, o gordo passa a ter um corpo visivelmente sem
comedimento, sem saúde, um corpo estigmatizado pelo desvio, o desvio pelo excesso. Entretanto, como afirma a
escritora Marylin Wann, é perfeitamente possível ser gordo e saudável.
Frequentemente os gordos adoecem não por causa da gordura, mas sim pelo estresse, pela opressão a que são
submetidos.
VASCONCELOS, N. A.; SUDO, I.; SUDO, N. Um peso na alma: o corpo gordo e a mídia. Revista Mal-Estar e
Subjetividade, n. 1, mar. 2004 (adaptado).
No texto, o tratamento predominante na mídia sobre a relação entre saúde e corpo recebe a seguinte crítica:

a) Difusão das estéticas antigas.


b) Exaltação das crendices populares.
c) Propagação das conclusões científicas.
d) Reiteração dos discursos hegemônicos.
e) Contestação dos estereótipos consolidados.

2 - (ENEM 2019) No Brasil, a disseminação de uma expectativa de corpo com base na estética da magreza é
bastante grande e apresenta uma enorme repercussão, especialmente, se considerada do ponto de vista da
realização pessoal. Em pesquisa feita na cidade de São Paulo, aparecem os percentuais de 90% entre as mulheres
pesquisadas que se dizem preocupadas com seu peso corporal, sendo que 95% se sentem insatisfeitas com “seu
próprio corpo”.

SILVA, A. M. Corpo, ciência e mercado: reflexões acerca Da gestação de um novo arquétipo da felicidade. Campinas:
Autores Associados; Florianópolis: UFSC, 2001.

A preocupação excessiva com o “peso” corporal pode provocar o desenvolvimento de distúrbios associados
diretamente à imagem do corpo, tais como
a) anorexia e bulimia.
b) ortorexia e vigorexia.
c) ansiedade e depressão.
d) sobrepeso e fobia social.
e) sedentarismo e obesidade.