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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DE TECNOLOGIA


PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTRUTURAS E CONSTRUÇÃO CIVIL

ESTRUTURAS EM CONCRETO PRÉ-MOLDADO:


CONTRAVENTAMENTO

Trabalho apresentado ao Programa de


Pós-Graduação em Estruturas e
Construção Civil da Universidade Federal
de São Carlos, como parte dos requisitos
da disciplina CIV251 - Análise e
Comportamento dos Sistemas Estruturais
em Concreto Pré-Moldado.

Alunos:
Elker Lucas Garroni
Wallison Angelim Medeiros

Professor: Dr. Marcelo Araújo Ferreira

São Carlos
2016
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .................................................................................................... 3
2. ELEMENTOS DE CONTRAVENTAMENTO ....................................................... 5
Núcleos Centrais................................................................................................. 5
Ação da Parede de Cisalhamento ...................................................................... 5
Travamentos Diagonais ...................................................................................... 6
Ação de Diafragma das Lajes-Piso ..................................................................... 7
Painéis Preenchidos ........................................................................................... 7
3. INFILL WALLS (PAINÉIS PREENCHIDOS) ....................................................... 9
Dimensionamento ............................................................................................. 17
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................. 20
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................. 21
3

1. INTRODUÇÃO

A estabilidade é importante no estudo das estruturas pré-moldadas, nas quais


a deslocabilidade de primeira ordem é influenciada pelo comportamento das
ligações viga-pilar, o que, por sua vez, afeta a análise de segunda ordem.
A estabilidade e o equilíbrio de uma estrutura pré-moldada devem ser
garantidos para as diferentes etapas da obra, pois os pré-moldados possuem várias
possibilidades de redistribuição de carga. A análise da estrutura deve considerar
todas as fases pelos quais possam passar os elementos, suscetíveis a condições
desfavoráveis, quanto aos ELU e ELS previstos na ABNT NBR 6118.
Frequentemente essas fases que devem serem consideradas, quanto a
dimensionamento e verificação são: fabricação, manuseio, armazenamento,
transporte, montagem, fases transitórias da construção e obra finalizada. (ABNT
NBR 9062)
As estruturas em concreto pré-moldado, não se comportam como pórticos
tridimensionais de concreto moldado in loco, devido à dificuldade de se conseguir
ligações resistentes à flexão com rigidez elevadas. Para garantir a estabilidade
global das estruturas, a ABNT NBR 9062, no seu item 5.1.2.1, prevê a utilização
isolada ou em combinação entre si, dos seguintes sistemas estruturais:
a) Pilares engastados na fundação, podendo estar associados a vigas
articulares;
b) Ação de pórtico composto por pilares e vigas, interligados entre si por meio de
ligações resistentes a momentos fletores;
c) Elementos de contraventamento, como paredes, elementos celulares e
elementos de contraventamento tipo X e/ou outros;
d) Pisos ou coberturas que formam diafragmas que garantem a transferência de
esforços horizontais para os elementos verticais de sustentação e
contraventamento.
Esses sistemas são comumente utilizados no contraventamento de estruturas
pré-moldadas devido sua fácil execução no canteiro de obra (ACKER, 2013).
Os deslocamento horizontais podem ser excessivos em construções com
mais de três pavimentos (10m), sendo necessário a utilização do contraventamento.
4

Assim, componentes pré-fabricados, como: núcleos centrais, paredes, travamentos


diagonais ou em X; paredes de preenchimento em alvenaria; outras formas de
enrijecimento e até a combinação desses elementos são empregados. A distribuição
de carga horizontal entre os elementos estabilizantes é determinada a partir da
posição e a rigidez dos elementos de contraventamento na estrutura. A rigidez
relativa de cada elemento de fixação determina a força carregada por esse
elemento, e por sua vez, define as deflexões horizontais na placa da laje piso.
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2. ELEMENTOS DE CONTRAVENTAMENTO

Núcleos Centrais
A solução mais eficaz para estruturas esqueléticas de vários andares, pois
usualmente, a caixa de escada e poços de elevador já estão presentes por razões
funcionais, de modo que o custo adicional de os utilizar como membros de
estabilização é insignificante.

Figura 1: Exemplo de núcleo central

Fonte: fib, 2013

Ação da Parede de Cisalhamento


As paredes de concreto têm uma grande rigidez no plano. Por esta razão,
elas são comumente usadas, tanto em estruturas pré-moldadas como em estruturas
de concreto moldado no local, para estabilizar a estrutura contra as ações
horizontais. Nos edifícios com múltiplos pavimentos elas são formadas por painéis
que são conectados de forma que a parede toda atue como uma única viga rígida
em balanço.
Figura 2: Ação nos planos das paredes pré-moldadas

Fonte: fib, 2013


6

Paredes de cisalhamento também são frequentemente utilizadas para


complementar a ação de reforço horizontal de núcleos, por exemplo, em ambas as
extremidades de um edifício longo e estreito com um núcleo central, ou em que os
núcleos são colocados numa posição excêntrica.

Figura 3: Paredes de cisalhamento são necessárias para equilibrar a torção provocada pela posição
excêntrica do núcleo

Fonte: fib, 2013 (adaptado)

Travamentos Diagonais
O desing supõe que o travamento sempre deve resistir às forças diagonais de
compressão em vez de tração - a exceção a essa regra é o travamento em cruz de
aço que é eficaz à tração. Sob a ação inversa e cíclica do vento, a escora diagonal
muda de direção de compressão, e assim as diferentes partes do contraventamento
são submetidos a compressão e tração alternada de acordo com a direção dos
ventos. (Elliott, 2002)

Figura 4: Escora de concreto diagonal de travamento

Fonte: Elliott, 2002


7

Ação de Diafragma das Lajes-Piso


Em edifícios pré-fabricados, as cargas horizontais de vento ou outras ações
são normalmente transmitidas para os elementos de contraventamento por meio do
efeito de diafragma das lajes de piso e cobertura. O sistema de diafragma,
desempenha um papel chave na resistência lateral das estruturas. Uma de suas
principais funções é transferir cargas horizontais em cada nível para os elementos
de contraventamento vertical (paredes, pórticos, etc.);

Figura 5: Ação diafragma de laje em uma estrutura esquelética

Fonte: fib, 2013

Painéis Preenchidos
Um tipo alternativo da ação de cisalhamento é realizado com o chamado
painel de preenchimento. Esta parede de preenchimento que está confinada entre
pilares e vigas, recebe as forças horizontais por meio das lajes, desenvolvendo uma
diagonal comprimida, em equilíbrio com as reações nas vigas e pilares.
No capítulo seguinte, esse elemento de contraventamento será tratado mais
profundamente.
8

Figura 6: Comportamento das cargas com os diferentes tipos de preenchimento dos pórticos

Fonte: Murty, 2006


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3. INFILL WALLS (PAINÉIS PREENCHIDOS)

Os painéis de preenchimento são eficientes e eficazes para resistir forças


laterais ao plano em edifícios de baixa e média altura. Quando estas estruturas
estão sujeitas a uma carga lateral, uma grande parte da carga é absorvida pelo
painel de preenchimento no seu canto carregado. Ações gravitacionais atuantes na
estrutura são suportadas apenas pela estrutura, enquanto as cargas laterais são
transferidas para a fundação, por meio da estrutura mista do painel e o pórtico
confinado.

Figura 7: Estruturas pré-fabricadas podem ser estabilizadas com os painéis de alvenaria

Fonte: Elliott (2013)

Em geral, painéis de preenchimento de alvenaria proporcionam rigidez


adequada para os pórticos que são sistemas flexíveis e de forma recíproca, os
pórticos que confinam os painéis de alvenaria rígidos proporciona-lhes a ductilidade
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necessária. Mesmo depois de fissurado, um painel de preenchimento de alvenaria é


capaz de absorver ações horizontais e manter-se para cargas muito mais elevadas
do que poderiam ser alcançadas sem a presença do pórtico. De um modo geral, a
literatura mostra ampla variação de materiais, dimensões, geometrias e
procedimentos de teste usados no estudo de pórticos preenchidos de alvenaria.
Assim, as abordagens adaptadas e suposições feitas por vários investigadores
também tem variado amplamente e, como consequência, existe uma ampla
variedade de técnicas analíticas para prever a rigidez e resistência de pórticos
preenchidos (SEAH, 1998).
Vale ressaltar, que é recomendável a criação de uma junta no encontro da
alvenaria com os pilares pré-moldados. Tal junta, entretanto, pelo menos do lado
externo, deve ser tratada com selante flexível (mastique acrílico, por exemplo). Caso
a argamassa de revestimento cubra também os pilares, além da alvenaria, pode-se
adotar uma fita de dessolidarização na região de encontro alvenaria e pilar (fita
crepe ou telafix).

Figura 8: Junta de encontro pilar-alvenaria (mastique acrílico)

Fonte: Foto do autor


11

MADIA (2012) cita que a alvenaria é um elemento com baixa, praticamente


desprezível, resistência à tração, porém, com resistência significativa à compressão,
podendo assim servir para contraventamento de pórticos. A Figura abaixo,
demonstra como se desenvolvem as tensões na alvenaria de preenchimento de um
pórtico submetido a forças horizontais.

Figura 9: Tensões atuantes no interior da alvenaria

Fonte: MADIA, 2012

A maioria dos trabalhos pioneiros sobre painéis preenchidos – embora


usando alvenaria - foram realizados por STAFFORD-SMITH e CARTER (1969),
MAINSTONE (1971) e WOOD (1978). Os procedimentos de projeto sugerido por
esses autores são amplamente utilizados e respeitados em todo o mundo. Mais
recentemente KWAN e LIAUM (1983) propuseram uma teoria plástica para lidar com
os mecanismos de estado último e sugeriu que um projeto ótimo pode ser alcançado
usando articulações reforçadas com a força de cisalhamento de interface finita. Essa
é a abordagem apoiada no Reino Unido.
Comentários sobre o comportamento de painéis de preenchimento são
numerosos, entretanto, WRIGHT (1981) produziu um método com base nos
princípios desenvolvidos pelo Stafford-Smith, para o preenchimento de alvenaria que
foram combinadas com o trabalho de Mainstone usando micro-concreto. As
premissas do método são:
1. As forças horizontais são resistidas por uma diagonal comprimida através
do preenchimento da parede. A largura efetiva da diagonal depende
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principalmente da rigidez relativa do painel de preenchimento, da estrutura


e da geometria, mas também reduz o quanto a interface de ruptura de
carga for excedida.
2. A resistência à tração diagonal da parede de concreto armado é ignorada,
mas a quantidade de reforço é suficiente para impedir a fissuração
diagonal excessiva e para manter a forma íntegra do painel preenchido,
em particular nos cantos.
3. Os painéis de preenchimento delgados são concebidos como paredes de
concreto simples, tendo em conta as imprecisões da fabricação local e a
deflexão induzida por momentos de flexão.
4. A resistência ao cisalhamento na interface horizontal entre o feixe e o
painel de parede é também baseado em cisalhamento nas paredes de
concreto simples (C20/25, no mínimo) usando uma tensão final média
igual a 0,2x0,14(fck)2/3 mais 0,6 vezes a tensão de pré-compressão
{0,45MPa ou um valor igual a 25 por cento da tensão de pré-compressão
verticais}.
5. A parede não é submetida a carga vertical, isto é, pilares e vigas são
assumidos estruturalmente isolados, embora a distância entre eles tenha
sido solidarizada com argamassa.
6. A parede não está sujeita ao carregamento simultâneo do vento dentro e
fora de plano. Correntes ar nos pátios fechados de edifícios em forma de I
pode, em circunstâncias extremas apresentar mutuamente pressão do
vento perpendicular a partes da estrutura.
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Figura 10: (a) pórtico preenchido com quadro rígido; (b) quadro de tensões em preenchimento de
alvenaria

Fonte: Elliott, 2013 (adaptado)

Algumas análises foram tão refinadas que o painel de preenchimento muitas


vezes pode ser deturpado como uma treliça articulada onde as paredes, colunas e
vigas são singularmente substituídos por barras. Esta analogia é inadequada,
porque a transferência de carga ocorre através de uma região estendida da interface
e a distribuição de interação ao longo do comprimento de contato é semi-
parabólico/triangular. O comprimento de contato fornece a largura efetiva da
diagonal de compressão e, juntamente com as reduções adequadas para esbelteza
e excentricidade, a máxima resistência à compressão da diagonal do preenchimento
é calculada. Se a tensão de cisalhamento horizontal permitida não foi excedida, a
carga × os dados de tamanho do painel de preenchimento podem ser apresentados
como mostrado na figura abaixo.
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Figura 11: capacidade de carga horizontal de painéis de preenchimento de concreto pré-moldado de


acordo com a BS EN 1992-1-1

Fonte: Elliott, 2013 (adaptado)

POLYAKOV (1960) descreveu três estágios do comportamento de pórticos


preenchidos com alvenaria, submetidos a ações laterais. No primeiro estágio, o
painel de alvenaria e os membros da estrutura reticulada comportam-se como uma
unidade monolítica. Este termina quando surgem as primeiras fissuras entre o painel
e os membros do pórtico. As fissuras são observadas na interface do painel-pórtico,
com exceção de pequenas regiões onde as tensões de compressão são
transmitidas do pórtico para o painel nos dois cantos diagonalmente opostos. O
segundo estágio é caracterizado por um encurtamento da diagonal comprimida e
alongamento da diagonal tracionada. Neste estágio, a distribuição de tensões
configura-se de forma a identificar uma diagonal comprimida no painel de alvenaria e
o conjunto pórtico/painel se converte em um sistema estrutural de pórtico com barra
de travamento biarticulada. Este termina com fissuras no painel ao longo da diagonal
comprimida. As fissuras usualmente aparecem de forma escalonada nas juntas
horizontais e verticais. No terceiro estágio, a estrutura composta continua a resistir a
incrementos de carga apesar das fissuras na diagonal. Estas continuam a aumentar
e novas fissuras aparecem, encerrando este estágio, uma vez que, o sistema não
possui mais capacidade para suportar acréscimos de carga. As três etapas podem
ser vistas na Figura 10.
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Figura 12: Estágios do comportamento de alvenaria de contraventamento

Fonte: Madia (2012)

Os principais problemas nesta abordagem são:


• Determinar os comprimentos de contato entre pórtico e painel;
• Encontrar uma largura efetiva para a diagonal equivalente;
• Estabelecer o modo de ruptura e resistência da parede.

O comprimento de contato depende da rigidez relativa da armação e do


preenchimento, e na geometria do painel. Stafford-Smith desenvolveu pela primeira
vez a analogia com um feixe em uma fundação elástica, por cada coluna de um
quadro não preenchida sob carga lateral pode ser considerado como uma metade
de uma viga em uma fundação elástica que sob uma carga concentrada central, P,
permanece em contato com a fundação ao longo de um comprimento conhecido
como o comprimento característico, α, dada por:

α P
=
h 2λh

λh é um parâmetro adimensional que expressa a rigidez relativa da armação e do


preenchimento, onde:

Ei t sin 2θ
λ =4
4 Ec Ih '

onde:
Ei = módulo de elasticidade do preenchimento
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Ec = módulo de elasticidade do pórtico


t = espessura do preenchimento
θ = inclinação do preenchimento
I = momento de inércia mínima de vigas ou colunas
h' = altura de enchimento.

Uma analogia a “diagonal equivalente” é, portanto, desenvolvida para a


determinação de α. Este aspecto depende h '/ L'. A ruptura ocorre por esmagamento
local, no canto, pela divisão da diagonal devido à excessiva compressão ou ruptura
por cisalhamento. O ábaco da Figura 11 é utilizado para determinar as cargas de
ruptura adequados a estas condições. Resultando em tensões projeto avaliadas em
função das seguintes expressões:

0, 6 f ck
• ; para painéis de concreto em compressão com, γ m = 1,5
γm
0, 67 f cu
• ; para painéis de concreto em compressão com, γ m = 2,2
γm

f k 0,5 fb0,7 f m0,3


• = ; para prisma de alvenaria em compressão com argamassa
γm γm

determinada (bloco: fb ≤ 110MPa; argamassa: fm ≤ 20MPa; fk ≤75MPa; γ m ≤ 3,0)

fk
• ; para painéis de alvenaria em compressão com, γ m = 3,5
γm
f cvk
• ; para painéis de alvenaria em cisalhamento com, γ m = 2,2
γ mv
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Figura 13: Gráfico de paredes de preenchimento para limitar: (a) compressão, (b) cisalhamento

Fonte: Elliott, 2013

O método de Mainstone considera uma solução limite superior ao restringir a


largura da diagonal equivalente a 0,1w', onde w' = comprimento da diagonal do
painel, mas onde os efeitos da esbeltez deve ser considerado.

Dimensionamento
Paredes de concreto são consideradas paredes simples, de acordo com BS
EN 1992-1 e
BS 8110-1, porque a área mínima de armadura é fornecida apenas para fins de
elevação. No BS EN 1992-1 a resistência de projeto de compressão é multiplicada
0,8; dando fcd,pl = 0,8 × 0,85 fck/1,5 = 0,453fck. A força limitante de concreto pela BS
8110, é de 0,3fcu. Estas reduções são devidas a baixa ductilidade e
presumivelmente, o não confinamento, natural dos painéis preenchidos de concreto.
A força do suporte Rv é dada por:

• Rv = 0,453 fck × 0,1 w’ (t – 2ei); onde ei = h’/400 e eo = 0


• Rv = 0,3 fcu × 0,1 w’ t
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A componente horizontal de Rv será: Hv = Rv cosθ, logo:


• Hv = 0,0453 fck L' (t - 2 ei)
• Hv = 0,03 fck L't

Para BS EN 1992-1-1, onde a proporção de enchimento esbeltez Le/t > cerca


de 6,5; a equação acima é modificada, utilizando um fator de carga φ com base na
esbeltez. A notação é: comprimento de preenchimento = b, comprimento = lw e
espessura = hw. O comprimento efetivo Le = βw', onde β = b/2lw se b ≤ lw, ou β = (1 +
(lw/b)2)-1 se b > lw.
Nos cantos, Stafford-Smith mostra que o comprimento de contato com a
coluna é α = π/2λ, onde λ = rigidez. Embora o comprimento de contato ao longo da
viga seja de 0,5L'; no caso das paredes de concreto pré-moldado, onde a carga
ruptura não é excedido, o contato horizontal é dado ao longo do comprimento total
de L'.
As contribuições de contato verticais e horizontais à Rv são, respectivamente:
=VRv c.0,14 f ck2/3αt ≤ Rv s enθ V=
Rv 0, 45αt ≤ Rv s enθ

Η Rv Rv cos θ ≤ (c.0,14 f ck2/3 + µσ n ) L ' t


= Η Rv Rv cos θ ≤ 0, 45 L ' t
=

No dimensionamento de painéis preenchidos em alvenaria, as forças


horizontais finais também são resistidas por uma diagonal comprimida através do
enchimento. O critério baseia-se num fator λ de rigidez, como antes. O método é o
mesmo, exceto por:
• Um fator k substitui a constante de 0,1 para a largura da diagonal comprimida;
• A resistência ao esmagamento do concreto é substituída por fk, que é a
resistência a compressão da alvenaria;
• Um outro critério é a resistência de esmagamento local da alvenaria, que ocorre
nos cantos;
• O módulo de elasticidade para o tijolo = 1000fk {450}fk (MPa);
• O limite de cisalhamento horizontal é obtido a partir da Figura 11, com fs =
0,35MPa e γm = 2,5. v = 0,3 + 0.4σd ≤ 0,065 fb; para tijolo maciço γm = 2,5. μ =
0,6; porque uma tensão de compressão vertical, atua ao mesmo tempo como o
cisalhamento.
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ELLIOTT (2013), apresenta um exemplo prático de um prédio de três


andares, mostrado abaixo, com 50m de comprimento por 6m de largura e é
contraventado em cada extremidade entre o primeiro e o segundo pavimento com
painéis de alvenaria de 215mm de espessura. Usando blocos de 47MPa e
argamassa (1: ¼ : 3), foi possível verificar que a ação de uma força horizontal, no
topo do segundo pavimento de 135kN, tem-se 34,4kN transferidos para a viga do
primeiro pavimento e não para os pilares, mostrando assim, a influência positiva
para estabilidade devido os painéis de preenchimento.

Figura 14: Esquema prédio e corte laje-viga

Fonte: Elliott (2013)


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4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pode-se concluir que o preenchimento de pórticos pré-moldados com painéis


de alvenaria é viável para resistir aos esforços laterais, aumentando a rigidez da
estrutura. Infelizmente, ainda existe poucos autores que tratam sobre esse assunto,
porém, percebe-se que os estudos de pórticos metálicos preenchidos de alvenaria,
foram adaptados para pórticos pré-moldados e também comprovaram a existência
desse benefício.
Constata-se que a estrutura preenchida apresenta um significativo aumento
da força máxima possível de ser resistida e diminuição das deformações nos
pórticos preenchidos, principalmente em estruturas articuladas, visto que, são mais
flexíveis. Os esforços normais e os momentos fletores são, também, muito
influenciados pela consideração do painel.
Pode-se identificar ainda algumas desvantagens do método, como:
• A velocidade de execução que é bem mais lenta que a montagem da
estrutura pré-moldada;
• Os modelos adotados pelos autores utilizam blocos de alta resistência
que não são encontrados no país;
• A passível ruptura por esmagamento, principalmente nos cantos do
pórtico.
Faz-se necessário, portanto, identificar se a situação é adequada para a
utilização de painéis de preenchimento em alvenaria, e quando utilizá-los, ter um
cuidado mais apurado com o detalhamento desses painéis, identificando a
necessidade de juntas de contato entre o quadro e a estrutura pré-moldada, ou até
mesmo uma outra solução como a criação de um “cintamento” em toda a borda do
painel para evitar problemas de ruptura.
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5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ACKER, A. V. (org.). Planning and Design Handbook on Precast Build


Structures. [S.l.]: fib, 2013.

ELLIOTT, K. S. (org.). Precast Concrete in Mixed Construction. Lausanne: fib,


2002.

ELLIOTT, K. S. Precast Concrete Structures. Oxford: Butterworth-Heinemann,


2002. 367 p.

ELLIOTT, K. S.; JOLLY, C. K. Multi-storey precast concrete framed structures.


2a. ed. Oxford: Wiley-Blackwell, 2013. 761 p.

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KWAN, K. H.; LIAUM, T. C. Non-linear Analysis of Multi-Storey Infilled Frames.


Proceedings of the Institute of Civil Engineers, v. 73, June 1982.

KWAN, K. H.; LIAUM, T. C. Plastic Theory of Infilled Frames with Finite Interface
Shear Strength. Proceedings of the Institute of Civil Engineers, v. 75, December
1983.

MAINSTONE, R. J. On the Stiffness and Strengths of Infilled Frames. Proceedings


of the Institution of Civil Engineers, v. IV, p. 57-90, 1971.

POLYAKOV, S. V. On the Interaction Between Mansory Filler Walls and Enclosing


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Francisco, p. 36-42, 1960.

SEAH, C. K. A Universal approach for analysis and design of mansory infilled


frame structures. New Brunswick: University of New Brunswick, 1998. 273 p.

STAFFORD-SMITH, B.; CARTER, C. A Method of Analysis for Infill Frames.


Proceedings of the Institution of Civil Engineers, v. 44, p. 33-48, September
1969. ISSN 1753-7789.

WOOD, R. H. Plasticity, Composite Action and Collapse Design of Unreinforced


Shear Wall Panels in Frames. Proceedings of the Institution of Civil Engineers, v.
65, June 1978.

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