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Capitulo 07 – Cristalizadores 7-1

Capítulo 07

Cristalizadores
Capitulo 07 – Cristalizadores 7-2

3.1 - Conceito

Processo de separação sólido-líquido no qual há transferência de massa (soluto) da


solução líquida para uma fase sólida cristalina

3.2 - Objetivos

• Obter sólidos cristalinos


• Produtos com granulometria específica

3.3 - Exemplo

• Obtenção de açúcar, a partir de cana

Fonte: Shreve, 4a Ed., 1997

3.4 - Características

• Ponto de partida é uma solução homogênea


• Normalmente utiliza-se concentração/resfriamento
• Na fabricação industrial importa a pureza dos cristais, o tamanho, etc

Curva de solubilidade:

Mostra a quantidade de substância “A” que satura uma quantidade específica de


solvente “B” para cada temperatura
Capitulo 07 – Cristalizadores 7-3

Temperatura, oC

3.5 - Tipos de cristalizadores

Classificação conforme o método utilizado para obter o depósito de partículas:

a) Precipitação por resfriamento de solução concentrada quente:

a.1) Cristalizadores descontínuos com agitação

• Providos de agitação
• Geralmente com fundo cônico
• Sistemas de serpentinas de resfriamento
• Adequados para processamento de pequeno
porte
• Baixo custo de instalação /manutenção
• Operação simples
• Produto irregular
• Utilizado quando a curva de solubilidade é
abrupta

Fonte: Foust, 2a Ed., 1982

a.2) Cristalizador Swenson-Walker


Capitulo 07 – Cristalizadores 7-4

• Operação contínua
• Calha cilíndrica com resfriamento e misturador
• Vários cristalizadores em seqüência
• Solução quente concentrada introduzida
continuamente numa das extremidades
• Agitador raspa os cristais das paredes (promove
contato entre os cristais, promove acúmulo de
material sobre os cristais

Fonte: Foust, 2a Ed., 1982

b) Precipitação por evaporação de solução:

b.1) Evaporador - Cristalizador

•Solução bombeada continuamente


•Classificação de partículas pelo tamanho (cristais)
•Finos ficam em suspensão para crescerem
•Suspensão grossa é bombeada para filtros/centrífugas
•Calefator externo
•Solução vaporiza
•Usado quando a solubilidade modifica-se muito pouco
com a temperatura

Fonte: Geankoplis, 3a Ed., 1993

c) Precipitação por evaporação adiabática e resfriamento:

c.1) Cristalizadores a vácuo com recirculação


Capitulo 07 – Cristalizadores 7-5

• Evaporação obtida pelo “flash” da solução quente


• Diminuição da temperatura
• Pressão de operação abaixo da atmosférica
• Indicado quando a curva de solubilização apresenta
inclinação intermediária
• Evaporação em média de 5 a 10% do solvente

Fonte: Geankoplis, 3a Ed., 1993

3.6 - Conceitos Gerais

Mecanismos de formação dos cristais

Sol. Conc. Sol. sat. Sol. supersat.

T1 T2 T3

cristal

Situação A Situação B Situação C

Curva de saturação e supersaturação:

Fonte: Geankoplis, 3a Ed., 1993


Capitulo 07 – Cristalizadores 7-6

A) Solução concentrada, porém abaixo do limite de solubilidade

B) Solução saturada, mas ainda não há formação de cristais

C) Solução supersaturada (nucleação)

Observações:
• Formação de cristais (Nucleação)
• Para a nucleação leva-se em conta a temperatura, a influência da pressão não é
significativa
• A curva de supersolubilidade é o conjunto dos pontos nos quais inicia-se
espontaneamente a nucleação

Formação dos cristais:

• Primária (homogênea):

T • Ocorre pela a supersaturação (força motriz)

• Partículas do soluto formam aglomerados


(embrião), isto ocorre pela associação
T ocasional das partículas

• Pode ocorrer migração da solução para o


embrião e vice-versa
T
Capitulo 07 – Cristalizadores 7-7

• Aglomerado aumenta de tamanho e é


denominado “cristal”
T

• Quanto maior o cristal, menor a sua


solubilidade
T

• Secundária (de contato):

• Cristais colidem uns contra os outros (ocorre


pela agitação do meio, por colisão com as
T paredes do cristalizador)

• Precipitação

3.7 - Balanços

• Esquematicamente
Capitulo 07 – Cristalizadores 7-8

V, yV

• F – alimentação do cristalizador
L, xL • xF – fração do soluto na alimentação
• V – solvente (se houver evaporação)
F, xF
• yV = 0
• L – solução saturada resultante
• xL – fração do soluto na solução saturada
• C – massa de cristais formados
• xc – de cristais anidros em C

C, xC

• Balanço total:

F =V + L+C

• Balanço para o soluto:

FxF = LxL + VyV + CxC

• Calor removido:

h2, T2
F, hF, T1

• Correção de hF e h2 com diagramas entalpia x


concentração (quando disponíveis)
• Considerar o calor de solução quando disponível

Para Calores de cristalização:


Capitulo 07 – Cristalizadores 7-9

Fonte: Giulietti, 2001, p. 28

Exemplo 7-1:

A alimentação de um cristalizador é a seguinte: 2268 kg/h de uma solução a


327,6 K, contendo 48,2 kg MgSO4/100 kg de água. Dentro do cristalizador a solução é
resfriada até 293,2 K, resultado na cristalização de MgSO4.7H2O. Calcule a quantidade
de cristais formados. Considere que não há evaporação de parte da água. Calcule
também a energia necessária para o processo de cristalização. Dados:

kg kg 35,5kg MgSO4
H 2 O : 18 ; MgSO4 : 120,49 ; S MgSO4 , 293, 2 K =
kmol kmol 100 kg H 2O

kJ
C P , F = 2,93
kg ⋅ K
Referências:

Foust, A., S.; Wenzel, L., A.; Clump, C., W.; Maus, L; Andersen, L., B.; “Princípios das
Operações Unitárias”, 2a Ed., Editora LTC, 1982

Geankoplis, C., J.; “Transport Processes and Unit Operations”, 3a Ed., Editora Prentice-
Hall, 1993

Giulietti, M.; Hostomsky, J.; Nyvlt, J.; “Cristalização”, Editora da Ufscar, 2001

Shreve, R., N.; Brink Jr., J., A.; “Indústrias de Processos Químicos”, 4a Ed., Editora
Guanabara, 1997
Exemplo
Exemplo: 7-1:
A alimentação de um cristalizador é a seguinte: 2268 kg/h de uma solução a
327,6 K, contendo 48,2 kg MgSO4/100 kg de água. Dentro do cristalizador a solução é
resfriada até 293,2 K, resultado na cristalização de MgSO4.7H2O. Calcule a quantidade
de cristais formados. Considere que não há evaporação de parte da água.

Dados:

kg kg
H 2O : 18 MgSO4 : 120,49
kmol kmol

kJ 48,2kg MgSO4
C p , F  2,93 (Cp válido para solução com entre 293,2 K e 327,6K)
kg  K 100 kg H 2O

35,5kg
S MgSO4 , 293, 2 K 
MgSO4

100 kg H 2O

• Esquematicamente:

V 0
F  2268kg / h L  ? kg / h
327,6K 293,2K
48,2kg MgSO4 35,5kg MgSO4
100 kg H 2O 100 kg H 2O
293,2K

C  ? kg / h
293,2K
kg MgSO4
?
kg H 2O

Fração de MgSO4 em C:

MgSO4 : 120,49 kg kmol

7 H 2O : 7  18 kg kmol  126 kg kmol

MgSO4  7 H 2O : 246,49 kg kmol

Logo, para a corrente “C”:


120,49kg MgSO4
126kg H 2O

• Esquematicamente:
V 0
F  2268kg / h L  ? kg / h
327,6K 293,2K
48,2kg MgSO4 35,5kg MgSO4
100 kg H 2O 100 kg H 2O
293,2K

C  ? kg / h
293,2K
120,49kg MgSO4

126kg H 2O

Balanço material:

• Por componente (MgSO4):

F  x1, F  L  x1, L  C  x1, L  V  x1,V

F  x1, F  L  x1, L  C  x1, L  V  x1,V

48,2 35,5 120,49


2268   L C
48,2  100 35,5  100 120,49  126

0,26199 L  0,4888  C  737,64 (equação 1)

• Por componente (H2O):

F  x2 , F  L  x 2 , L  C  x 2 , L

100 100 126


2268   L C
48,2  100 35,5  100 126  120,49

0,738  L  0,5112  C  1532,43 (equação 2)

Resolvendo o sistema:
0,26199 L  0,4888  C  737,64

0,738  L  0,5112  C  1532,43

C  630,04 kg h
L  1640,04 kg h

Balanço de energia:

48,2kg
• Estado de referência arbitrado: solução com MgSO4
a 293,2 K
100 kg H 2O

• H12 :

F  2268kg / h H  Cp  T
327,6K H
48,2kg MgSO4
F  2268kg / h hsol. ref.  hF   Cp  Tsol. ref.  TF 
100 kg 293,2 K
H 2O
48,2kg MgSO4
0  hF   2,93  293,2  327,6
100 kg H 2O

hF  100,792 kJ kg

E para a corrente “F”:

hF  100,792 kJ kg F

kg
hF  2268  100,792 kJ kg F
h

h1 2  hF  228596,256 kJ h

• H 23 :

L  1640,04kg / h
F  2268kg / h
293,2 K
293,2 K
H 35,5kg MgSO4
48,2kg MgSO4
100 kg H 2O
100 kg H 2O

C  630,04 kg h
de Cristais MgSO 4  7H 2 O
a
293,2K
hC  ?
Para a geração das duas correntes (cristalização):

kcal
H 23  22,5 (tabela 2.3, p.7-9 notas de aula)
molMgSO4 7 H 2O

kcal kJ mol kmolMgSO4 7 H 2 O


H 23  22,5  4,1868  1000 
molMgSO4 7 H 2 O kcal kmol 246,49kg

kJ
H 2 3  382,2 ou
kgMgSO4 7 H 2 O

382,2kJ devem ser retirados para obter-se a cristalização de 1 kg de sal heptahidratado

Calor retirado do estado 2 para 3:

kg  kJ 
  240787,29 kJ ou
H 2 3  630,04   382,2
h  kgMgSO4 7 H 2 O  h

kJ kg
240787,29 devem ser retirados para obter-se a cristalização de 630,04 de sal
h h
heptahidratado

Calor total retirado do estado 1 ao 3:

kJ kJ kJ
q  228596,256  240787,29  469383,546
h h h

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