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ECONOMIA COLONIAL

E ESCRAVIDÃO

A CANA-DE-AÇÚCAR Apesar da presença estrangeira em certas atividades, a exploração


da riqueza colonial, especialmente o açúcar, era regido pelo sentido
A cana-de-açúcar foi o principal protagonista, durante muito do Pacto Colonial. Por ele, caberia aos colonos produzir segundo a
tempo, da economia colonial, principalmente, pelo fato dos fortes lógica da complementação da economia e da riqueza da metrópole;
fatores que favoreceram sua produção. Entre eles, temos: Mercado dessa forma, haveria um sentido da colonização, que nortearia
Consumidor Europeu com forte demanda, crise do comércio as ações dos colonos. Assim, a exploração colonial se daria por
português com as índias, ausência de concorrência, altos lucros, monopólios ligados à Coroa portuguesa, e o sistema colonial seria
experiência portuguesa anterior (Madeira, Açores, Cabo Verde), uma importante fonte de recursos para enriquecer a metrópole, no
condições naturais favoráveis (clima e solo, massapé) e investimento contexto da economia mercantilista. A exploração do açúcar se dava
econômico holandês. pelo regime da plantation, caracterizada pela grande propriedade
monocultural, voltada para o mercado externo e pela utilização da
mão de obra escrava.
O tabaco se constituiu um importante produto secundário,
principalmente, pelo seu relevante valor na troca por escravos
africanos, inclusive, ocorrendo incentivo da sua produção em paralelo
ao da cana-de-açúcar. Toda esta estrutura compreende aquilo
que denominamos como PLANTATION, que tem como principais
características: o latifúndio (grandes áreas de terras), monocultora
(foco produtivo em um único produto), exportador (produção voltada
para o mercado externo) e escravista (mão de obra escrava como
a principal força de produção, apesar das existências de algumas
funções assalariadas).
O açúcar era um produto conhecido no continente europeu desde A produção do açúcar era organizada em uma estrutura espacial
o século XII, pelo menos. Ele era qualificado como uma especiaria, que constava das seguintes áreas: Casa Grande (moradia do senhor
possuindo alto valor de mercado, sendo de consumo quase exclusivo de engenho), Senzala (moradia dos escravos que trabalhavam no
da aristocracia europeia. Era usado com propriedades medicinais, engenho), Casa dos trabalhadores livres (pequenas residências),
como conservante do sabor dos alimentos, e, por vezes, era utilizado moenda (maquinário usado no processo produtivo do açúcar), Capela
como dote de casamento. Por ser voltado para tal mercado suntuário (local dos rituais religiosos), Canavial (reservado para o plantio de
e por seu caráter de exclusividade, consumir açúcar reafirmava os açúcar) e plantações de subsistências.
padrões sociais de uma sociedade europeia marcada por privilégios e
exclusividades aristocráticas.
Durante o processo da expansão marítima, no qual os
portugueses foram pioneiros, a produção açucareira se expandiu
pelas ilhas atlânticas do Açores e da Madeira. Lá se constituiu um
primeiro grande centro de produção de cana-de-açúcar voltado para
os mercados europeus. Essa primeira experiência com o produto seria
fundamental para o desenvolvimento da cultura da cana no Brasil.
Na América Portuguesa, a cultura do açúcar responderia a várias
necessidades da metrópole. A produção açucareira geraria uma
ocupação efetiva do território, o que ajudaria na proteção contra
as possíveis invasões estrangeiras. Além disso, graças às condições
naturais do território, a produção de açúcar ganhava relevo. Nas
colônias, os portugueses encontraram amplas extensões territoriais,
um clima tropical favorável e, especialmente no Nordeste, um rico solo
argiloso de massapé, que favorecia o cultivo da cana. Além disso, a No entanto, existiam outros tipos sociais e atividades econômicas
Região Nordeste, grande foco produtivo no Brasil colonial, encontrava- no Brasil colônia. Era muito marcante a presença dos comerciantes.
se próxima das principais rotas comerciais rumo ao Velho Continente. Muitos atuavam no abastecimento interno, outros no comércio ligado
A produção do açúcar centrou-se nas unidades agromanufatureiras aos circuitos europeus. Também eram importantes os comerciantes
conhecidas como engenhos. Esses grandes complexos produtivos de escravos, que alimentavam com “braços” a economia colonial.
demandavam muito capital para serem construídos. Tradicionalmente, Os grandes comerciantes na colônia eram conhecidos como
era necessário que os homens que atuavam na sua montagem “comerciantes de grosso-trato”. Muitas vezes, eram economicamente
pedissem empréstimos a banqueiros estrangeiros, especialmente mais poderosos que os senhores de engenho. No entanto, em uma
aos holandeses. Os flamengos ainda participavam da economia sociedade que se pensa como de Antigo Regime, não necessariamente
açucareira em atividades como o refino do açúcar e sua distribuição a riqueza representa status, e ser comerciante não era valorizado
no continente europeu. Outra fonte de recursos tradicionalmente socialmente. A estes homens era relegado um papel secundário, em
utilizada para a montagem dos engenhos eram os recursos que a elite função de seus “defeitos mecânicos”, ou seja, de trabalharem com
colonial conseguia participando de cargos administrativos na colônia. as mãos.

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A lavoura de cana-de-açúcar favoreceu ainda o desenvolvimento Tal concepção levou historiadores, durante décadas, a analisar
de atividades litorâneas secundárias. A lavoura, limitada ao espaço o continente africano segundo uma ótica eurocêntrica, portanto,
litorâneo do Brasil, cedeu o interior para a pecuária, responsável pelo carregada de preconceitos e juízos de valor. A África seria um
abastecimento interno dos colonos. A pecuária era indispensável para continente “a-histórico”, onde o progresso seria gerado apenas pelo
a alimentação em uma época em que não era possível ser dependente contato com os europeus. Nas palavras do historiador inglês Trevor-
da importação de víveres. Existia ainda um número considerável de Roper, “não existe história da África, mas sim história dos europeus
lavradores livres, que recebiam uma pequena recompensa financeira na África”.
pelo trabalho nos engenhos.
Apesar dessas outras atividades econômicas, a atividade
açucareira tornou-se, ao lado do tráfico negreiro, a principal fonte
de receita econômica da metrópole até a segunda metade do século
XVIII, quando os holandeses iniciaram uma concorrência com o açúcar
produzido nas Antilhas.

A SOCIEDADE COLONIAL
Entretanto, a sociedade colonial não era apenas um mero
complemento da economia metropolitana, mas uma extensão de
uma sociedade que se pensava como Antigo Regime, mas nas
Américas. Uma sociedade de Antigo Regime nos Trópicos. Dessa
forma, a sociedade colonial foi palco de uma reprodução e de uma
readaptação da sociedade europeia, sob um prisma tipicamente Para superar tais preconceitos, foi fundamental o papel da
colonial. O engenho de açúcar, núcleo produtivo, também pode ser Sociologia e da Antropologia no auxílio da História. Graças a estudos
analisado como um núcleo social que reflete as principais tensões interdisciplinares, foi possível observar o continente africano sob uma
e aspirações dessa sociedade. Nas palavras do historiador Stuart ótica própria, longe dos grandes padrões explicativos europeizantes.
Schwartz, o “engenho é o espelho e metáfora da sociedade colonial”.
Uma análise mais crítica do continente africano já desfaz uma
O latifúndio monocultor também consistiu num centro que se série de mitos: primeiramente, a tal “densa mata”, que abrigaria os
traduzia em prestígio político e status social. Ele caracterizava os “nativos”, seria restrita a uma parte específica do território. A África
símbolos de riqueza e prestígio social dos chamados “homens bons”, moderna, entendida entre os séculos X e XVIII, era marcada por uma
literalmente a nobreza da terra da sociedade colonial. Essa elite rural, grande diversidade geográfica, étnica e linguística.
denominada por Evaldo Cabral de Mello como a “açucarocracia”,
reproduzia padrões da vida nobiliárquica europeia nas Américas, O Saara dividia dois locais bem diferentes: a África “branca”, ao
mesmo sem possuir títulos de nobreza ou distinções honoríficas. O norte, com povos predominantemente islamizados, que travavam
poder político desses homens, exercido a nível local, concentrava-se intensos fluxos com outras partes do continente e mesmo da Europa
nas Câmaras Municipais. através de caravanas de mercadores; e a África “negra”, ao sul. Nessa,
predominaria o grupo linguístico herdeiro da tradição oral Níger-
Além de ser dono de terras, conferia amplo status ao senhor de congo. Esse grande grupo, e uma variante em especial, os bantos,
engenho possuir escravos. Ter a posse sobre estes, numa sociedade ocupariam o sul da África, dividindo-se entre a floresta tropical e a
patriarcal, reforçava o caráter extremamente hierárquico da sociedade savana, esta última predominante no continente.
colonial, herdeira de uma mentalidade de Antigo Regime. Nas palavras
do jesuíta Antonil, “ser senhor de engenho é título a que muitos Além da grande diversidade étnica e linguística, outro mito
aspiram, porque traz consigo o ser servido, obedecido e respeitado sobre a sociedade africana não encontra sustentação nas pesquisas
de muitos”. recentes: a imagem da África de sociedades aldeãs rurais. Existiam
grandes centros urbanos por todo o território africano, especialmente
Os senhores de engenho tinham na casa-grande o grande no litoral. Além disso, existiam mesmo alguns grandes Impérios,
símbolo de seu poder que ultrapassava os limites do latifúndio extremamente hierarquizados e organizados socialmente. Durante
açucareiro, como vimos, tornando-se poder patriarcal e político. O a Idade Moderna, os mais destacados eram o Império do Mali
sociólogo Gilberto Freyre, autor do mito da “democracia racial” no (desenvolvido às margens do Níger), o Império do Benin (na atual
Brasil, escreveu o clássico Casa-Grande e Senzala, no qual analisa este Nigéria), o Império do Monomotapa (atual Moçambique) e o Reino do
binômio colonial como uma espécie de estrutura econômica e social Congo. A capital do Reino do Congo, M’banza Congo, chegou a ter
da grande propriedade rural no Brasil. Dessa forma, na casa-grande e mais de 100 mil habitantes.
na senzala estava explícita a principal tensão social do Brasil colonial.
Nesses grandes Impérios, era largamente difundida a instituição
da escravidão. Tradicionalmente, os perdedores dos conflitos militares
ESCRAVIDÃO e suas famílias eram aprisionados pelos vencedores. Dessa forma,
Durante séculos, o continente africano foi encarado pelos havia a escravização de africanos pelos próprios africanos, muito antes
europeus como um local exótico e virtualmente desconhecido. A visão da chegada dos europeus.
estereotipada dava conta de uma densa mata que cobriria cada pedaço Entretanto, a escravidão na África, em geral, configurou-se
do “continente negro”, apenas contrastando com as gigantescas áreas muito diferente do que aconteceria no Novo Mundo. Primeiramente,
desérticas, com destaque para o Saara. No interior da mata, viveriam os escravos tinham funções predominantemente caseiras e havia a
espaçadas tribos, de técnicas e hábitos extremamente rudimentares, prática de prover condições de vida minimamente decentes para eles,
num estágio, ao olhar europeu, de “pré-civilização”. prática defendida principalmente entre os povos islâmicos. Além disso,
Essa visão da África, moldada pelos europeus ao longo de mais apesar da venda de escravos já ser frequente, não havia um comércio
de quatro séculos de contato com os africanos, é carregada pelo em larga escala como aconteceu após a chegada dos europeus.
que antropólogos e cientistas sociais denominam de etnocentrismo. O tráfico negreiro, como negócio complexo envolvendo a
Por esta expressão, podemos entender qualquer visão de mundo na captura em massa de africanos e seu transporte em larga escala para
qual um povo ou sociedade considera suas crenças, valores, hábitos e a América, só se caracterizou após a introdução dos comerciantes
técnicas melhores que os de outras sociedades, e, a partir disso, olham europeus nos circuitos do tráfico de escravos. A atividade negreira se
com preconceito ou com desvalorização a cultura de outros povos. tornou frequente desde inícios do século XV até o XIX, fazendo parte
da lógica mercantilista inerente à expansão marítima e atlântica.

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O tráfico e a escravização dos africanos foram defendidos e a obtenção de ameríndios como cativos. O ataque de bandeirantes
estimulados pela Igreja Católica desde o início da expansão marítima. aos aldeamentos ou missões jesuíticas era a forma mais garantida de
Bulas, como a Romanus Pontifex (1455), apontavam o cativeiro como apresar índios. Os inacianos, em determinadas ocasiões, armaram-se
forma única de retirar os africanos do hostil ambiente em que viviam para defender suas missões de ataques de bandeirantes e colonos. A
e convertê-los ao catolicismo. Apesar de a América ser o principal pressão dos traficantes, e da própria Coroa portuguesa, que lucrava
destino dos escravos, também havia cativos no continente europeu. com o “infame comércio”, fornecem também indícios da opção pelo
Estima-se, por exemplo, que em fins do século XVI, 10% da população emprego do trabalho escravo negro.
de Lisboa fosse escrava. A baixa expectativa de vida de um escravo negro, que girava em
Os escravos eram obtidos pelos comerciantes negreiros a partir torno dos trinta anos, e o alto índice de mortalidade infantil, tornavam
do escambo de produtos considerados valorosos para a sociedade o tráfico negreiro o modo mais corriqueiro de obter novas “peças” para
africana. Era frequente a troca dos cativos, por exemplo, pelo fumo a lavoura. A necessidade de um indivíduo para o trabalho árduo na
produzido no recôncavo baiano, pela aguardente produzida no Rio de zona rural tornava o perfil de homem jovem o mais procurado pelos
Janeiro ou por tecidos finos importados da Índia. O lucro obtido com grandes proprietários. Posteriormente, com o processo de urbanização
o tráfico e com as diversas atividades econômicas que ele estimulava da colônia na segunda metade do século XVIII, surgiu uma nova
também pode ser apontado como fator fundamental para a adoção modalidade de escravo, denominado “escravo de ganho”, o qual
da mão de obra africana como predominante nas Américas. desempenhava funções urbanas, como as vendedoras de quitutes ou
Dessa forma, desenvolveu-se uma ampla conexão econômica os barbeiros, gozando de maior autonomia para circular nas cidades,
entre diferentes partes do Brasil e a costa africana, genericamente desempenhar seus ofícios e obter dinheiro para seus senhores.
chamada de “Guiné”, ao longo dos séculos XV até o XIX. Regiões Não existe uma estatística confiável ou oficial sobre o número de
como o Benin, São Jorge da Mina e São Paulo de Luanda tinham cativos que entraram no Brasil desde os primeiros anos da colonização.
um fluxo comercial gigantesco com cidades como Salvador e Rio de Até a proibição formal do tráfico, em 1850, entretanto, estima-se
Janeiro. Essa conexão levou historiadores como Alberto da Costa entre 3 a 8 milhões o número de escravos negros que entraram no
e Silva a destacar que a história do Brasil colonial e do continente Brasil no referido período. A dificuldade da estatística reside no fato
africano estavam conectadas por “um rio chamado Atlântico”. de não existirem fontes fidedignas para a construção do cálculo.
A atividade do tráfico negreiro deve ser entendida a partir da Ademais, o numerário não leva em conta o grande número de negros
lógica mercantilista da expansão marítima e comercial atlântica. O que acabavam morrendo na longa travessia do Atlântico.
modelo de plantation estabelecido pelos portugueses, isto é, latifúndio
monocultor agroexportador, requeria uma grande quantidade de
mão de obra, resultando disso a necessidade do emprego de um
considerável número de homens. O tráfico negreiro, atividade
econômica que sobreviveria até o século XIX, constituíra a espinha
dorsal do império colonial mercantilista português.
Nos primórdios da expansão ultramarina, a Igreja Católica aprovou
o tráfico negreiro através de documentos formais, como, por exemplo,
as bulas papais Dum Diversas (1452) e Romanas Pontifex (1455), nas
quais Roma admitia o cativeiro como instrumento de conversão de
infiéis. A posição dos membros da Igreja, entretanto, nem sempre
foi unida, existindo casos de elementos do clero que isoladamente EXERCÍCIOS DE

FIXAÇÃO
questionavam a existência da escravidão negra.
A partir da década de 1440, o tráfico negreiro já era uma
imprescindível fonte de renda para a Coroa portuguesa patrocinar
a aventura ultramarina. Os lusitanos iniciaram os experimentos com
a mão de obra escrava negra na ilha atlântica de Madeira, sendo 01. (ENEM 2016) A África Ocidental é conhecida pela dinâmica das
posteriormente adaptada para a realidade econômica americana. suas mulheres comerciantes, caracterizadas pela perícia, autonomia
A principal região africana a fornecer mão de obra para a lavoura e mobilidade. A sua presença, que fora atestada por viajantes e por
açucareira foi a Guiné, termo vulgar para designar, entre os séculos XV missionários portugueses que visitaram a costa a partir do século XV,
e XVI, toda a costa ocidental do continente negro. A partir de 1470, consta também na ampla documentação sobre a região. A literatura
os portugueses atingiram a costa da Mina, rebatizada de São Jorge da é rica em referências às grandes mulheres como as vendedoras
Mina, local que se tornou um dos principais pontos de comércio de ambulantes, cujo jeito para o negócio, bem como a autonomia e
negros para a América. mobilidade, é tão típico da região.
Posteriormente, a denominação genérica para a costa ocidental (HAVIK, P. Dinâmicas e assimetrias afro-atlânticas: a agência feminina e
representações em mudança na Guiné (séculos XIX e XX). In: PANTOJA. S. (Org.).
passou a ser definida de modo mais detalhado, sendo identificadas
Identidades, memórias e histórias em terras africanas.
as regiões da Costa da Mina, o arquipélago de Cabo Verde, o império Brasília: LGE; Luanda: Nzila, 2006.)
de Benin e os reinos de Angola e Congo. As primeiras aquisições de
escravos africanos decorreram de ataques de portugueses contra A abordagem realizada pelo autor sobre a vida social da África
comunidades que viviam nas áreas litorâneas saarianas e senegalesas. Ocidental pode ser relacionada a uma característica marcante das
Angola, uma das principais praças de escravos negros a partir de cidades no Brasil escravista nos séculos XVIII e XIX, que se observa pela
1575, quando fundaram São Paulo de Luanda, foi atingida pelos a) restrição à realização do comércio ambulante por africanos
portugueses em 1480. escravizados e seus descendentes.
O padre jesuíta Antonil, em célebre frase, argumentou que “os b) convivência entre homens e mulheres livres, de diversas origens,
escravos são os pés e as mãos do senhor de engenho”. De fato, o no pequeno comércio.
trabalho escravo no Brasil passou a ser identificado com o trabalho
c) presença de mulheres negras no comércio de rua de diversos
negro. As populações indígenas, protegidas pelos padres jesuítas
produtos e alimentos.
em seus aldeamentos, chegaram a sofrer cativeiro, sobretudo
no início do processo de colonização e no momento de invasão d) dissolução dos hábitos culturais trazidos do continente de origem
holandesa no litoral nordestino, quando o tráfico negreiro sofreu dos escravizados.
forte desestabilização. A baixa densidade demográfica de índios no e) entrada de imigrantes portugueses nas atividades ligadas ao
Brasil, dispersos pelo extenso território colonial, entretanto, dificultava pequeno comércio urbano.

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02. (FUVEST 2013) Observe o mapa abaixo. 04. (UFG 2014) Leia os textos a seguir.
Dom Fernando, pela graça de Deus, Rei de Portugal e do Algarve,
considerando que as terras, que deviam ser lavradas e semeadas
(porque são boas para dar pão e outros frutos com que os povos se
manterão), são deixadas sem proveito, com grande dano dos povos,
estabelece que: 1) todos os que têm terras aforadas sejam obrigados
a lavrá-las e semeá-las; 2) se o senhor das ditas terras não puder lavrá-
las por si, que se faça por outros ou as dê a lavrador que as lavre e
semeie, de modo que as terras, que servem para dar pão, sejam todas
lavradas, aproveitadas e semeadas.
(LEI DAS SESMARIAS, 1375. Disponível em: <http://www.cm-coimbra.pt>)

Art. 1°; §1° Considera-se Reforma Agrária o conjunto de


medidas que visem a promover melhor distribuição da terra, mediante
modificações no regime de sua posse e uso, a fim de atender aos
princípios de justiça social e ao aumento de produtividade.
Art. 17. O acesso à propriedade rural será promovido mediante a
distribuição ou a redistribuição de terras, pela execução de qualquer das
seguintes medidas:
a. desapropriação por interesse social.
b. doação.
c. compra e venda.
d. arrecadação dos bens vagos.
e. herança ou legado.
(ESTATUTO DA TERRA, 1964. Disponível em:<http://www.planalto.gov.br>)

A lei das sesmarias, originalmente aplicada a Portugal e ao processo


de colonização do Brasil, e o Estatuto da Terra, elaborado no governo
de Castelo Branco (1964-1967), remetem a uma característica do
espaço agrário brasileiro. Tal característica, presente nos dois períodos
mencionados, pode ser identificada
Com base no mapa e em seus conhecimentos, assinale a alternativa a) pela tendência à policultura na produção agrícola.
correta.
b) pela existência de uma crise de abastecimento.
a) O rio São Francisco foi caminho natural para a expansão da
cana-de-açúcar e do algodão da Zona da Mata, na Bahia, até a c) pela mecanização dos sistemas produtivos.
Capitania de São Paulo e Minas de Ouro. d) pelo processo de concentração fundiária.
b) A ocupação territorial de parte significativa dessa região foi e) pela ausência de conflitos pela posse da terra.
marcada por duas características geomorfológicas: a serra do
Espinhaço e o vale do rio São Francisco. 05. (IFSP 2012) […] vos ordenamos e mandamos a vós, e a vossos
c) Essa região caracterizava-se, nesse período, por paisagens sucessores que cada um por si ou pelos seus ministros, assistindo com
onde predominavam as minas e os currais, mas no século XIX o socorro de uma eficaz proteção a todos os índios habitantes das
a mineração sobrepujou as outras atividades econômicas dessas províncias do Paraguai, do Brasil das margens do rio da Prata, e de
capitanias. quaisquer outros lugares, e terras das Índias Ocidentais e Meridionais;
mandeis afixar editos públicos, pelos quais apartadamente se proíba,
d) O caminho pelo rio São Francisco foi estabelecido pelas bandeiras
debaixo da excomunhão latae sentetiae (das quais os transgressores
paulistas para penetração na região aurífera da Chapada dos
não poderão ser absolvidos senão por nós e pelos romanos pontífices)
Parecis e posterior pagamento do “quinto” na sede da capitania,
que alguma pessoa, ou seja secular, ou eclesiástica, de qualquer
em Salvador.
estado, sexo, grau, condição e dignidade (...) se atreva, nem atente
e) As bandeiras que partiam da Capitania da Bahia de Todos os Santos daqui em diante fazer escravos os referidos índios, vendê-los, comprá-
para a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro propiciaram o los, trocá-los ou dá-los, levá-los para outras terras, transportá-los, ou
surgimento de localidades com economia baseada na agricultura por qualquer modo privá-los de sua liberdade, e retê-los em escravidão
monocultora de exportação. […]
(Maria de Fátima Neves, Documentos sobre a escravidão no Brasil.
03. (IFSUL 2017) As revoltas nativistas foram aquelas que tiveram São Paulo, Contexto, 1996)
como causa principal o descontentamento dos colonos brasileiros com
as medidas tomadas pela coroa portuguesa. Ocorreram entre o final De acordo com o texto, a Igreja Católica
do século XVII e início do XVIII. a) era expressamente contrária à escravidão dos indígenas no Brasil
(Disponível em: <http: //www.historiadobrasil.net>. Acesso em: 22 jul. 2016.) Colônia.
b) era bastante tolerante em relação à escravização dos indígenas
Entre as principais revoltas nativistas, destacam-se durante todo o período colonial.
a) Beckman e Filipe dos Santos. c) defendia a escravização dos indígenas, como único meio para
b) Cabanagem e Balaiada. purificá-los e garantir-lhes a salvação.
c) Sabinada e Farrapos. d) aceitava a escravização dos indígenas apenas nas atividades mais
d) Carrancas e Setembrada. rentáveis, como a mineração.
e) proibia tanto a escravização dos indígenas quanto dos africanos
em terras americanas.

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06. (UFU 2012) A santidade Jaguaripe (Bahia) foi uma espécie de d) as redes de alianças que explicam as estratégias das famílias
antecessora, à moda indígena, do que seria Palmares no século XVII. escravas representaram uma concessão do senhor de escravos,
Ela fez tremer o recôncavo, incendiando engenhos e aldeamentos cabendo a ele única e exclusivamente a decisão por unir os
jesuíticos, prometendo a seus adeptos a iminente alforria na “terra familiares cativos.
sem mal”, paraíso tupi, e a morte ou escravização futura dos e) os setores sociais do mundo rural livres ou libertos, estiveram à
portugueses pelos mesmos índios submetidos ao colonialismo. Na parte das redes de alianças dos cativos, sendo eles excluídos no
santidade baiana predominavam especialmente os tupinambás, mas processo de constituição de famílias.
havia ainda uns cristãos, outros pagãos e ainda rebeldes africanos,
assim como em Palmares haveria índios.
09. (UNESP 2012) Leia o fragmento a seguir.
(VAINFAS, Ronaldo. Deus contra Palmares: representações senhoriais e ideias jesuíticas.
In: REIS, João Jose & GOMES, Flávio dos Santos. Liberdade por um fio: história dos Nas primeiras três décadas que se seguiram à passagem da
quilombos no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1996, p.61-62 - adaptado) armada de Cabral, além das precárias guarnições das feitorias [...],
apenas alguns náufragos [...] e “lançados” atestavam a soberania do
Os movimentos conduzidos por indígenas e negros no Brasil colonial rei de Portugal no litoral americano do Atlântico Sul.
representaram (Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota.
a) a resistência frente aos aldeamentos jesuíticos que buscavam História do Brasil: uma interpretação, 2008.)
impor aos colonizados a religião cristã em detrimento das crenças
tradicionais, sendo Palmares, localizado na Serra da Barriga, o Os lançados citados no texto eram
maior e mais duradouro símbolo dessa luta no século XVII. a) funcionários que recebiam, da Coroa, a atribuição oficial de
b) a busca por reconstruir sociedades existentes antes do contato gerenciar a exploração comercial do pau-brasil e das especiarias
com os europeus, sendo que tanto na santidade Jaguaripe como encontradas na colônia portuguesa.
no Quilombo de Palmares foi a religiosidade tupinambá e banto, b) militares portugueses encarregados da proteção armada do litoral
respectivamente, revivida sem a presença de elementos cristãos. brasileiro, para impedir o atracamento de navios de outros países,
c) a luta contra o colonialismo e a escravidão, sendo que Palmares interessados nas riquezas naturais da colônia.
entrou para a História não pelo nome português cristão, a c) comerciantes portugueses encarregados do tráfico de escravos,
exemplo da santidade dos tupis, senão como quilombo, vocábulo que atuavam no litoral atlântico da África e do Brasil e asseguravam
de origem banto (kilombo), alusivo a acampamento ou fortaleza. o suprimento de mão de obra para as colônias portuguesas.
d) a batalha pela manutenção de elementos culturais de seus d) donatários das primeiras capitanias hereditárias, que assumiram
antepassados, sendo a santidade de Jaguaripe e o Quilombo de formalmente a posse das novas terras coloniais na América e
Palmares formas de negar o colonialismo europeu, caracterizadas implantaram as primeiras lavouras para o cultivo da cana-de-
pela recusa ao enfrentamento direto dos senhores e das tropas açúcar.
portuguesas, visando os acordos. e) súditos portugueses enviados para o litoral do Brasil ou para a
costa da África, geralmente como degredados, que acabaram por
07. (UESPI 2012) Sobre o Padroado Régio, durante o período colonial se tornar precursores da colonização.
brasileiro, é correto afirmar que
a) a Coroa portuguesa foi indiferente às definições da Igreja Católica 10. (UPE 2010) O trabalho cria riquezas sociais que, nem sempre,
Romana, notadamente as do Concílio de Trento. são divididas e servem para efetivar sociedades equilibradas. O uso
b) as relações de compadrio foram estimuladas por Portugal e da escravidão mostra a existência da exploração, mesmo nos tempos
significaram a faculdade da elite rural de nomear seus afilhados. modernos. A escravidão
c) foi representativo da forte interferência dos monarcas portugueses a) foi utilizada nas colônias europeias até o século XVIII, na agricultura,
na administração da Igreja Católica no Brasil. apresentando grande lucratividade nos negócios agrícolas.
d) os monarcas portugueses, na qualidade de grão-mestres da b) tinha lugar no trabalho doméstico, apenas nas colônias portuguesas
Ordem de Cristo, é que indicavam o nome do santo padroeiro de e inglesas, sendo ineficaz no comércio.
uma localidade. c) conseguiu se firmar nas colônias espanholas; sem êxitos expressivos,
e) representou o papel exercido pela Igreja Católica na proteção, aos nas colônias inglesas, devido aos preconceitos raciais.
indígenas e aos africanos, contra a exploração dos colonos. d) deu condições para favorecer o crescimento da burguesia, que
lucrava com o comércio da época e firmava seus interesses.
08. (UFF 2012) Nos últimos anos, a historiografia nacional e e) inexistiu no trabalho, nas minas de ouro da América, sendo utilizada
internacional tem somado esforços para compreender as redes de na agricultura latifundiária e nos serviços urbanos.
alianças que explicam as estratégias de sobrevivência no mundo rural.
No caso brasileiro, esse tem sido o foco central nos estudos sobre
as famílias escravas ao longo dos séculos XVIII e XIX. A partir dessa
proposição, pode-se afirmar que
a) a enorme desproporção entre o número de escravos e escravas
inibia formas de organização que não incorporassem os
portugueses. Por essa razão, a constituição de famílias formada
apenas por cativos foi uma realidade norte-americana, não
brasileira.
b) a família patriarcal brasileira era a expressão da organização no
Brasil colônia. Nesse sentido, é incorreto afirmar que as estratégias
de sobrevivência dos cativos implicavam formas de organização
familiar.
c) a despeito dos enormes entraves para a constituição de famílias
escravas, posto que os cativos eram mercadorias, é possível
identificar a existência de uniões estáveis de cativos no Brasil dos
séculos XVIII e XIX.

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EXERCÍCIOS DE Assinale a alternativa correta.

TREINAMENTO a) Somente as afirmativas 1 e 4 são verdadeiras.


b) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras.
c) Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras.
01. (UFRGS 2018) Observe o mapa abaixo. d) Somente as afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras.
e) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras.

03. (UEPG 2018) Diferentemente da versão romantizada que mostra


uma chegada pacífica dos europeus ao Brasil no século XVI, a
colonização portuguesa se deu a partir do uso sistemático da violência
e do extermínio dos habitantes originais da terra (os indígenas).
A exploração e o povoamento da colônia só foi possível após a
sobreposição bélica dos europeus sobre os nativos.
A respeito da colonização brasileira no século XVI, assinale o que for
correto.
01) No século XVI, as mulheres tiveram destacada atuação na vida
social e política colonial. Não são raros os casos de mulheres
que administraram engenhos de açúcar e ocuparam cargos nas
câmaras coloniais. Esse quadro muda gradualmente nos dois
últimos séculos coloniais.
02) É possível afirmar que a ocupação efetiva da colônia pelos
portugueses se deu a partir de 1530. Antes disso, ocorrem
algumas expedições, nomeiam-se algumas localidades litorâneas
e se constroem poucas feitorias. Somente com a produção do
açúcar no litoral nordestino é que, de fato, os portugueses trazem
Considere as seguintes afirmações sobre a origem dos grupos étnicos contingentes humanos e montam uma estrutura produtiva na
africanos escravizados, trazidos para o Brasil entre os séculos XV e XIX. colônia.

I. A maior parte dos grupos étnicos são oriundos do norte da África. 04) Martin Afonso de Souza fundou as vilas de Piratininga e São Vicente
(ambas no litoral de São Paulo) e ali desenvolveu o plantio de cana-de-
II. As principais áreas de saída de africanos foram os atuais territórios açúcar, cultura com a qual os portugueses tomaram contato durante as
de Moçambique e Angola. Cruzadas medievais.
III. Os grupos étnicos africanos escravizados, levados ao nordeste, 08) A atividade açucareira no século XVI teve seu auge no litoral nordestino.
vêm do leste da África, e aqueles levados para o sudeste e o sul Naquela região, os engenhos reais contavam com centenas de escravos
são oriundos da África ocidental. (predominantemente africanos) e produziam em larga escala, uma vez
Quais estão corretas? que o principal objetivo era abastecer os mercados europeus.
a) Apenas I. c) Apenas III. e) I, II e III. 16) Na medida em que já existiam habitantes no território brasileiro
b) Apenas II. d) Apenas II e III. antes da chegada dos europeus é, no mínimo, questionável o
uso do termo “descobrimento do Brasil” pelos portugueses. O
que houve, de fato, foi um processo de dominação dos europeus
02. (UFPR 2018) Leia o trecho abaixo:
sobre os nativos americanos.
[...] O quilombo aparecia onde quer que a escravidão surgisse.
Não era simples manifestação tópica. Muitas vezes, surpreende pela 04. (UFSC 2018) Observe o excerto abaixo.
capacidade de organização, pela resistência que oferece; destruído
parcialmente dezenas de vezes e novamente aparecendo, em outros SHOPPING DE SC DECIDE FECHAR EXPOSIÇÃO ACUSADA DE
locais, plantando a sua roça, constituindo suas casas, reorganizando a NATURALIZAR A ESCRAVIDÃO
sua vida social e estabelecendo novos sistemas de defesa. O quilombo
não foi, portanto, apenas um fenômeno esporádico. Constituía-se em O Shopping Continente, na cidade de São José, em Santa Catarina,
fato normal dentro da sociedade escravista. Era reação organizada de informou que decidiu retirar de suas dependências a exposição “Negras
combate a uma forma de trabalho contra a qual se voltava o próprio Memórias”. A mostra, que exibia peças e documentos originais do
sujeito que a sustentava. período da escravidão no Brasil, foi acusada por historiadores de
reproduzir o discurso escravista.
(MOURA, Clóvis. Rebeliões da Senzala. Editora Conquista, Rio de Janeiro, 1972, p. 87)
A crítica foi gerada especificamente por uma legenda explicativa
A respeito da história dos quilombos no Brasil, considere as seguintes fixada em um tronco usado para agredir escravos. [...]
afirmativas: “Foi um instrumento utilizado para castigar os escravos rebeldes que
1. Foi uma forma de organização dos escravos libertos, que não haviam cometido delitos ou tinham mau comportamento. Ao contrário
encontraram lugar na sociedade brasileira pós-abolição. do que o senso comum acredita, a maioria dos escravos não sofria
2. O quilombo marcou sua presença durante todo o período maus-tratos cotidianamente. Os instrumentos de punição, assim como
escravista, existindo praticamente em toda a extensão do território este tronco, eram usados em situações específicas. A responsabilidade
nacional. pelos atos dos escravos eram (sic) dos seus donos, portanto, quando
algum deles cometida (sic) um roubo, deveria ser punido e ir para o
3. Sua estrutura social respondia a uma lógica particularmente castigo. Assim, serviria de exemplo para outros escravos infratores.”
militar, que visava desestabilizar a estrutura social dos senhores (Disponível em: <http://painelacademico.uol.com.br/painel-academico/9240-
de escravos. shopping-de-sc-decide-fechar-exposicao-acusada-de-naturalizar-a-escravidao#>.
4. A quilombolagem se constituiu na unidade básica de resistência, fruto [Adaptado]. Acesso em: 15 ago. 2017)
das contradições estruturais do sistema escravista, e sua dinâmica
refletia a negação desse sistema.

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ECONOMIA COLONIAL E ESCRAVIDÃO

Sobre o cotidiano de trabalho escravo no Brasil, é correto afirmar que a) incorporação pelos colonizadores dos padrões culturais indígenas.
01) a resistência dos africanos e dos afrodescendentes nas diversas b) ligação da atividade produtiva local com o comércio internacional.
regiões em que se empregou a mão de obra escrava assumiu c) miscigenação crescente dos grupos étnicos presentes na cidade.
diferentes formas, de revoltas violentas à preservação de valores e
tradições de suas culturas de origem. d) existência luxuosa da nobreza portuguesa na capital da colônia.

02) nos centros urbanos era comum a existência de “escravos de e) dependência da população em relação à importação de produtos
ganho”, ou seja, negros escravizados que trabalhavam por conta de sobrevivência.
própria e entregavam parte do ganho ao seu senhor.
07. (FGV 2018) A agromanufatura da cana resultaria em outro
04) na produção açucareira, os negros escravizados participavam
produto tão importante quanto o açúcar: a cachaça. Alambiques
apenas de parte do processo de produção de açúcar, não
proliferaram ao longo dos séculos coloniais. A comercialização da
exercendo trabalhos mais especializados.
bebida afetava profundamente a importação de vinhos de Portugal.
08) a criação de irmandades religiosas voltadas à participação dos Esse comércio era obrigatório, pois por meio dos tributos pagos pelas
trabalhadores escravizados foi muito importante no processo de cotas do vinho importado é que a Coroa pagava as suas tropas na
homogeneização cultural dos africanos que chegavam à América Colônia. A cachaça produzida aqui passou a concorrer com os vinhos,
portuguesa. com vantagens econômicas e culturais. Essa concorrência comercial
16) o texto apresentado na exposição é equivocado por naturalizar entre colônia e metrópole se estendeu para as praças negreiras e
a violência sofrida pelos negros escravizados sem abordar os rotas de comercialização de escravos na África portuguesa. A cachaça
processos de resistência àquela condição social. brasileira, por ser a bebida preferida para os negócios de compra
32) os negros escravizados não sofriam maus-tratos cotidianamente, e venda de escravos africanos, colocou em grande desvantagem a
pois, ao contrário do senso comum, estudos recentes têm dado comercialização dos vinhos portugueses remetidos à África. A longa
conta do grande poder de negociação que eles tinham com seus queda de braço mercantil acabou favorecendo afinal a cachaça,
senhores. porque sem ela, nada de escravos, nada de produção na Colônia, com
consequências graves para a arrecadação do reino.
64) o trabalho escravo em Nossa Senhora do Desterro foi empregado, (Ana Maria da Silva Moura. Doce, amargo açúcar.
por exemplo, na pesca baleeira, visando à produção de óleo, Nossa História, ano 3, nº 29, 2006. Adaptado)
muito comum na região entre os séculos XVIII e XIX.
A partir dessa breve história da cachaça no Brasil, é correto afirmar
05. (FGV 2018) Como a sociedade do reino e as dos núcleos mais que
antigos de povoamento – a de Pernambuco, Bahia ou São Paulo – a) essa produção prejudicou os negócios relacionados ao açúcar,
seguiam, em Minas, os princípios estamentais de estratificação, ou porque desviava parte considerável da mão de obra e dos capitais,
seja, pautavam-se pela honra, pela estima, pela preeminência social, além de incentivar o tráfico negreiro em detrimento do uso do
pelo privilégio, pelo nascimento. A grande diferença é que, em Minas, trabalho compulsório indígena, que mais interessava ao Estado
o dinheiro podia comprar tanto quanto o nascimento, ou “corrigi-lo”, português.
bem como a outros “defeitos” [... Como rezava um ditado na época,
b) esse item motivou recorrentes conflitos entre as elites colonial
“quem dinheiro tiver, fará o que quiser”.
e metropolitana, condição em parte solucionada quando as
(Laura de Mello e Souza. Canalha indômita.
Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 1, nº 2, ago. 2005. Adaptado)
regiões africanas fornecedoras de escravos tornaram-se também
produtoras de cachaça, o que desestimulou a sua produção na
No Brasil colonial, tais “defeitos” referem-se América portuguesa.
a) aos que fossem acusados pelo Tribunal da Santa Inquisição e c) essa bebida tem uma trajetória que comprova a ausência de domínio
aos que estivessem na Colônia sem a permissão do soberano da metrópole sobre a América portuguesa, porque as restrições ao
português. comércio e à produção de mercadorias no espaço colonial não surtiam
efeitos práticos e coube aos senhores de engenho impor a ordem na
b) ao exercício de qualquer prática comercial desvinculada da Colônia.
exportação e à condição de não ser proprietário de terras e
escravos. d) esse produto desrespeitava um princípio central nas relações que
algumas metrópoles europeias impunham aos seus espaços coloniais,
c) aos que explorassem ilegalmente o trabalho compulsório dos nesse caso, a quebra do monopólio de grupos mercantis do reino e a
indígenas e aos colonos que não fizessem parte de alguma concorrência a produtos da metrópole.
irmandade religiosa.
e) essa mercadoria recebeu um impulso importante, mesmo
d) aos colonos que se casavam com pessoas vindas da Metrópole e contrariando as determinações metropolitanas, mas, gradativamente,
aos que afrontassem, por qualquer meio, os chamados “homens perdeu a sua importância, em especial quando o tabaco e os tecidos
bons”. de algodão assumiram a função de moeda de troca por escravos na
e) aos de sangue impuro, representados pela ascendência moura, África.
africana ou judaica, e aos praticantes de atividades artesanais ou
relacionadas ao pequeno comércio. 08. (UECE 2018) Atente para os excertos apresentados a seguir.
“[...] No Brasil atual, ainda se acredita que os amuletos estão
06. (FAMERP 2018) A Bahia é cidade d’El-Rei, e a corte do Brasil; nela associados a cultos afro-brasileiros, o que nem sempre é verdadeiro.
residem os Srs. Bispo, Governador, Ouvidor-Geral, com outros oficiais Um caso clássico é o da figa. Vinculada a um passado escravista
e justiça de Sua Majestade; [...]. É terra farta de mantimentos, carnes e, por isso, a uma origem africana, é um amuleto antiquíssimo,
de vaca, porco, galinha, ovelhas, e outras criações; tem 36 engenhos, provavelmente da Europa mediterrânica, e que não teve só a função
neles se faz o melhor açúcar de toda a costa; [...] terá a cidade com que hoje se conhece, de trazer sorte e proteger o usuário: [...] E mesmo
seu termo passante de três mil vizinhos Portugueses, oito mil Índios vindo do Mediterrâneo, foi perfeitamente incorporado aos amuletos
cristãos, e três ou quatro mil escravos da Guiné. afro-brasileiros, evidenciando assim uma mistura de culturas”.
(Fernão Cardim. Tratados da terra e gente do Brasil, 1997.)
(PAIVA, Eduardo França. Pequenos objetos, grandes encantos. In: Revista Nossa
História. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, ano 1, nº 10, agosto 2004. p.58-59)
O padre Fernão Cardim foi testemunha da colonização portuguesa do
Brasil de 1583 a 1601. O excerto faz uma descrição de Salvador, sede
do Governo-Geral, referindo-se, entre outros aspectos, à

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ECONOMIA COLONIAL E ESCRAVIDÃO

[...] A abundância diversificada e o recrudescimento do devocionário b) os paulistas tinham prática na perseguição de índios, os quais,
privado no Brasil antigo explicam-se, antes de mais nada, pela aliados aos negros de Palmares, ameaçavam o governo com
multiplicidade dos estoques culturais presentes desde os primórdios movimentos milenaristas.
da conquista e ocupação do novo mundo, onde centenas de etnias c) o quilombo desestabilizava o grande contingente escravo existente
indígenas e africanas prestavam culto a panteões os mais diversos. Por no Nordeste, ameaçando a continuidade da produção açucareira e
se tratar de crenças e rituais condenados pelos donos do poder espiritual, da dominação colonial.
tiveram de ocultar-se no recôndito das matas ou no secreto das casas.
d) os senhores de engenho temiam que os quilombolas, que haviam
MOTT, Luiz. Cotidiano e vivência religiosa: entre a capela e o calundu. in:
História da vida privada no Brasil: Cotidiano e vida privada na América portuguesa. atraído brancos e mestiços pobres, organizassem um movimento
São Paulo: Companhia das Letras,1997, p.220. de independência da colônia.
e) os aldeamentos de escravos rebeldes incitavam os colonos à
A partir dos excertos acima, é correto afirmar que revolta contra a metrópole, visando trazer novamente o Nordeste
a) não houve uma miscigenação cultural no Brasil, tão forte foi a para o domínio holandês.
predominância da cultura europeia e do catolicismo na construção
da cultura brasileira.
b) o sincretismo religioso é uma marca da cultura brasileira, pois
os cultos brasileiros adotaram, desde a colonização, matrizes EXERCÍCIOS DE
europeias, africanas e indígenas.
c) apesar de diversas etnias indígenas e africanas terem participado COMBATE
da formação cultural brasileira, resta apenas a religiosidade cristã
católica europeia em nossa cultura.
d) todo o conjunto de crendices e amuletos que ainda hoje são 01. (CN 2015) O Brasil integrou-se ao quadro econômico europeu
utilizados na crença dos brasileiros é originário só dos cultos afro- como uma colônia de exploração. Com relação à economia colonial
brasileiros e foi incorporado à fé cristã. brasileira, é INCORRETO afirmar que
a) durante o período pombalino, com o objetivo de fortalecer o erário
09. (UEM 2018) Sobre a sociedade que se construiu em torno da régio, houve um aumento da carga tributária e a consolidação
produção de açúcar na América portuguesa, assinale a(s) alternativa(s) dos monopólios (criação das Companhias Gerais do Comércio do
correta(s). estado do Grão-Pará e Maranhão e de Pernambuco e Paraíba).
01) O termo “engenho” se referia ao local em que se produzia o b) a pecuária nordestina se caracterizou por ser uma atividade
açúcar, com suas moendas, fornalhas e casas de purgar, bem econômica subsidiária à economia açucareira, voltada para o
como as demais instalações e construções que o cercavam, como mercado interno, organizada de forma extensiva e que comportou
as moradias, a casa-grande e a senzala, a Igreja e os canaviais. predominantemente a mão de obra escrava.
02) Na sociedade açucareira havia grande dinamismo e mobilidade c) as “drogas do sertão” se caracterizam pela coleta de recursos
social. Essa mobilidade permitia a ascensão social dos escravos, florestais da Amazônia, tais como o cacau e o guaraná, organizada
que decorria da importância de seus conhecimentos sobre pelos jesuítas, tendo como mão de obra predominante a indígena.
o processo produtivo, pois as funções que desempenhavam d) o açúcar tornou-se o carro-chefe de nossa economia colonial
requeriam sólidos conhecimentos técnicos. porque possuía alto valor no mercado externo e viabilizava a
04) Além dos trapiches, engenhos movidos por tração animal e com ocupação territorial, além de contribuir para a estruturação da
uma capacidade produtiva menor, havia também os engenhos classe senhorial.
reais, movidos por rodas d’água e com uma maior capacidade e) a mineração provocou um grande aumento demográfico, o
produtiva. aparecimento de vilas e cidades, a articulação de um mercado
08) Essa sociedade foi classificada como patriarcal, pois era centrada interno e uma maior diversificação no estrato social e econômico.
no poder do patriarca, que era ao mesmo tempo dono da terra,
autoridade local e senhor dos destinos dos seus dependentes 02. (ESPCEX 2016) As relações entre a metrópole e a colônia foram
(empregados, parentes, agregados e escravos). regidas pelo chamado pacto colonial, sendo este aspecto uma das
16) De forma distinta de outras regiões da América portuguesa, na principais características do estabelecimento de um sistema de
sociedade que se organizou em torno da produção de açúcar exploração mercantil implementado pelas nações europeias com
nunca foram utilizados escravos nativos, isto é, os índios. relação à América. Com relação ao Brasil, do que constava este pacto?
a) As colônias só poderiam produzir artigos manufaturados.
10. (UPF 2018) “Não é fácil saber de onde foi que Jorge Velho partiu b) A produção agrícola seria destinada, exclusivamente, à
para ir combater Palmares, se de São Paulo ou do Piauí. Tanto se subsistência da colônia.
pode admitir uma versão como a outra, já que ambas se apoiam em c) A produção da colônia seria restrita ao que a metrópole não
documentos de igual autoridade [...]. Há também muita controvérsia tivesse condições de produzir.
sobre os seus efetivos. Em diferentes documentos o número de
indígenas oscila entre 800 e 1.300, e o de brancos entre 80 e 150, d) A colônia poderia comercializar a produção que excedesse às
não falando nas mulheres e crianças que costumava levar consigo. necessidades da metrópole.
A marcha de seiscentas léguas até Pernambuco foi uma estupenda e) Portugal permitiria a produção de artigos manufaturados
façanha. Custou-lhe a perda de 396 pessoas, das quais 196 morreram pela colônia, desde de que a matéria-prima fosse adquirida da
de fome ou doença e 200 desertaram.” metrópole.
(FREITAS, Décio. Palmares: a guerra dos escravos.
Porto Alegre: Mercado Aberto, 1984, p. 145-146) 03. (ESPCEX 2008) A estrutura econômica implantada por Portugal,
no Brasil Colônia, existente no século XVII, tinha como base
O bandeirante Domingos Jorge Velho foi contratado pelo governo
português para destruir o quilombo de Palmares. Isso se deu porque a) pequenas propriedades distribuídas a portugueses natos, destinadas
à produção de subsistência, para garantir a posse da terra.
a) os paulistas, excluídos do circuito da produção colonial centrada
no Nordeste, queriam aí estabelecer pontos de comércio, sendo b) pequenas propriedades com policultura de alimentos necessários
impedidos pelos quilombos. na Europa, como trigo e carne, utilizando mão de obra indígena
escrava.

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ECONOMIA COLONIAL E ESCRAVIDÃO

c) grandes propriedades com monocultura de produtos tropicais, de 07. (FAAP 1996) Os principais portos de desembarque de negros no
alto valor na Europa, como o açúcar. Brasil foram:
d) grandes propriedades com monocultura de produtos tropicais, a) Santos, Vitória e Belém.
utilizando mão de obra indígena no sistema de parceria. b) Salvador, Recife e Rio de Janeiro.
e) grandes propriedades com policultura de produtos tropicais c) Rio Grande e Fortaleza.
voltados para o mercado interno, utilizando mão de obra
assalariada. d) Espírito Santo e Porto Alegre.
e) nas ilhas atlânticas portuguesas.
04. (UNIRIO 2009) “Seria conveniente que os nossos lavradores
simultaneamente dividissem a sua indústria e não se ocupassem de
08. (FGV 1996) No período colonial, a renda das exportações do
um só ramo, fazendo por consequência dar-lhe queda mortal. Aqueles
açúcar:
que primeiro se aplicassem a esses diversos objetos seriam felizes”.
(WERNECK, Francisco Peixoto Lacerda. Memória para a Fundação de uma a) raramente ocupou lugar de destaque na pauta das exportações,
Fazenda de Café na província do RJ. 1847) pelo menos até a chegada da família real ao Brasil.
b) mesmo no auge da exportação do ouro, sempre ocupou o
A afirmativa escrita em 1847 pelo Barão de Pati do Alferes, grande
primeiro lugar, continuando a ser o produto mais importante.
fazendeiro de café no Rio de Janeiro, critica uma característica das
estruturas de produção desenvolvidas no Brasil desde o início da c) ocupou posição de importância mediana, ao lado do fumo, na
colonização. A característica criticada é: pauta das exportações brasileiras, de acordo com os registros
comerciais.
a) a produção diversificada para atender ao crescente consumo de
alimentos do mercado europeu. d) ocupou posição relevante apenas durante dois decênios, ao
lado de outros produtos, tais como a borracha, o mate e alguns
b) a expansão limitada da produção favorecida pela disponibilidade
derivados da pecuária.
de mão de obra de custo baixíssimo – o escravo.
e) Nunca ocupou o primeiro lugar, sendo que mesmo no auge
c) o caráter especializado da agricultura desenvolvida em articulação
da mineração, o açúcar foi um produto de importância apenas
com o comércio atlântico da época moderna.
relativa.
d) a elevada produtividade, consequente à introdução intensa de
recursos tecnológicos, possibilita pela acumulação de capital na
09. (FUVEST 1993) A sociedade colonial brasileira “herdou concepções
colônia.
clássicas e medievais de organização e hierarquia, mas acrescentou-
e) a associação entre a produção agrícola e a nascente indústria, lhe sistemas de graduação que se originaram da diferenciação das
ambas vinculadas à organização escravista da produção. ocupações, raça, cor e condição social. (...) As distinções essenciais
entre fidalgos e plebeus tenderam a nivelar-se, pois o mar de
05. (UNESP 2009) Sobre o tratamento dispensado aos índios no
indígenas que cercava os colonizadores portugueses tornava todo
período colonial, pode-se afirmar que
europeu, de fato, um gentil-homem em potencial. A disponibilidade
a) os colonos de várias regiões do Brasil e os representantes das de índios como escravos ou trabalhadores possibilitava aos imigrantes
ordens religiosas, especialmente os jesuítas, entraram em concretizar seus sonhos de nobreza. (...) Com índios, podia desfrutar
conflitos, pois defendiam formas diversas nas relações com as de uma vida verdadeiramente nobre. O gentio transformou-se em
sociedades indígenas. um substituto do campesinato, um novo estado, que permitiu uma
b) as ordens religiosas de origem portuguesa e os grandes reorganização de categorias tradicionais. Contudo, o fato de serem
proprietários rurais defendiam a escravização indiscriminada dos aborígenes e, mais tarde, os africanos, diferentes étnica, religiosa
povos indígenas, mesmo para aqueles que fossem catequizados. e fenotipicamente dos europeus, criou oportunidades para novas
c) com o início do tráfico negreiro para o Brasil em fins do século XVI, distinções e hierarquias baseadas na cultura e na cor.”
uma ampla legislação do Estado português de proteção aos índios (Stuart B. Schwartz, SEGREDOS INTERNOS)
passou a vigorar, cessando de imediato a escravidão indígena.
A partir do texto pode-se concluir que:
d) para a Igreja Católica e para os senhores de escravo, árduos
defensores do sentido religioso da colonização do Brasil, a a) a diferenciação clássica e medieval entre clero, nobreza e
escravização indígena deveria ser um instrumento de conversão campesinato, existente na Europa, foi transferida para o Brasil por
religiosa. intermédio de Portugal e se constituiu no elemento fundamental
da sociedade brasileira colonial.
e) a experiência de escravização dos povos indígenas no Brasil foi
efetiva em poucas regiões do nordeste, em atividades de menor b) a presença de índios e negros na sociedade brasileira levou ao
importância econômica, e apenas nas primeiras décadas da surgimento de instituições como a escravidão, completamente
presença lusa. desconhecida da sociedade europeia nos séculos XV e XVI.
c) os índios do Brasil, por serem em pequena quantidade e terem sido
06. (UFES 1996) A organização da agromanufatura açucareira no facilmente dominados, não tiveram nenhum tipo de influência sobre
Brasil Colônia está ligada ao sentido geral da colonização portuguesa, a constituição da sociedade colonial.
cuja dinâmica estava baseada na
d) a diferenciação de raças, culturas e condição social entre brancos
a) pesada carga de taxas e impostos sobre o trabalho livre, com o e índios, brancos e negros, tendeu a diluir a distinção clássica e
objetivo de isentar de tributos o trabalho escravo. medieval entre fidalgos e plebeus europeus na sociedade colonial.
b) unidade produtiva voltada para a mobilidade mercantil interna, e) a existência de uma realidade diferente no Brasil, como a
ampliada pelo desenvolvimento de atividades artesanais, escravidão em larga escala de negros, não alterou em nenhum
industriais e comerciais. aspecto as concepções medievais dos portugueses durante os
c) estrutura de produção, que objetivava a urbanização e a criação séculos XVI e XVII.
de maior espaço para os homens livres da colônia.
d) pequena empresa, que procurava viabilizar a produção açucareira
apenas para o mercado interno.
e) propriedade latifundiária escravista, para atender aos interesses
da Metrópole Portuguesa de garantir a produção de açúcar em
larga escala para o comércio externo.

PROMILITARES.COM.BR 37
ECONOMIA COLONIAL E ESCRAVIDÃO

10. (FGV 2017) O que queremos destacar com isso é que o tráfico
atlântico tendia a reforçar a natureza mercantil da sociedade colonial:
apesar das intenções aristocráticas da nobreza da terra, as fortunas
senhoriais podiam ser feitas e desfeitas facilmente. Ao mesmo
tempo, observa-se a ascensão dos grandes negociantes coloniais,
fornecedores de créditos e escravos à agricultura de exportação e às
demais atividades econômicas. Na Bahia, desde o final do século XVII,
e no Rio de Janeiro, desde pelo menos o início do século XVIII, o tráfico
atlântico de escravos passou a ser controlado pelas comunidades
mercantis locais. [...]
(João Fragoso et alii. A economia colonial brasileira (séculos XVI-XIX), 1998)

O texto permite inferir que


a) o tráfico atlântico de escravos prejudicou a economia colonial
brasileira porque uma enorme quantidade de capitais, oriunda
da produção agroindustrial, era remetida para a África e para
Portugal.
b) as transações comercias envolvendo a África e a América
portuguesa deveriam, necessariamente, passar pelas instâncias
governamentais da Metrópole, condição típica do sistema
colonial.
c) a monopolização do tráfico negreiro nas mãos de comerciantes
encareceu essa mão de obra e atrasou o desenvolvimento das
atividades manufatureiras nas regiões mais ricas da América
portuguesa.
d) as rivalidades econômicas e políticas entre fidalgos e burgueses,
no espaço colonial, impediram o crescimento mais acelerado da
produção de outras mercadorias além do açúcar e do tabaco.
e) em todos os fluxos econômicos, durante o processo de colonização
portuguesa na América, eram controlados pela Coroa portuguesa,
revelando uma certa autonomia das elites coloniais em relação à
burguesia metropolitana.

GABARITO
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
01. C 04. D 07. C 10. D
02. B 05. A 08. C
03. A 06. C 09. E
EXERCÍCIOS DE TREINAMENTO
01. B 04. SOMA: 83 07. D 10. C
02. C 05. E 08. B
03. SOMA: 30 06. B 09. SOMA: 13
EXERCÍCIOS DE COMBATE
01. B 04. C 07. B 10. E
02. C 05. A 08. B
03. C 06. E 09. D

ANOTAÇÕES

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