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Preparatório Ancord

Módulo 3 – Prevenção e combate a crimes de


ocultação de bens e dinheiro
Conceito
Lavagem de dinheiro – conjunto de operações
para ocultar a origem de dinheiro ou bens
resultantes de atividades criminosas e integrar
esse dinheiro ao sistema financeiro. Operação
para transformar o dinheiro “sujo” em dinheiro
“limpo”.
Fases
Os crimes de ocultação de bens e dinheiro (lavagem de
dinheiro) ocorrem, comumente por meio de um processo
com três etapas:
I - Colocação – é a fase em que o dinheiro ilícito entra no
sistema financeiro. Isso geralmente acontece por meio do
depósito do dinheiro em paraísos fiscais (regiões em que o
controle da procedência do dinheiro é menos rigoroso), ou
compra de bens facilmente negociáveis, com transações
geralmente feitas usando dinheiro em espécie e fracionado.
Depósitos, compra de instrumentos negociáveis, compra de
bens, moeda estrangeira são operações comuns nos casos
de crime de lavagem de dinheiro
Fases
II - Ocultação – fase do processo em que o dinheiro ilícito
que havia sido depositado inicialmente em um banco agora
passa por transferências em série para dificultar o
rastreamento contábil em possíveis investigações e
fragmentar a cadeia de evidências.

III - Integração – é quando ocorre a incorporação formal do


dinheiro ilícito ao sistema econômico, por meio de serviços,
investimentos em imóveis, dentre outros. Fase das contas-
fantasma e dos laranjas (geralmente são pessoas usadas
pelos criminosos como titulares das contas para não
levantar suspeitas).
Principais operações que são indícios de crime
de ocultação de bens e dinheiro
- Aumentos substanciais no volume de depósitos de
qualquer PF ou PJ sem razão aparente.
- Troca de grandes quantidades de notas de pequeno valor
por notas de grande valor.
- Proposta de grandes quantias em moeda nacional por
moeda estrangeira e vive-versa.
- Compras de cheques de viagem e administrativos sem
evidências de propósito claro.
- Movimentação de recursos incompatível com o patrimônio
e renda.
Principais operações que são indícios de crime
de ocultação de bens e dinheiro
- Numerosas contas com depósitos em nome de um mesmo
cliente que os valores somados resultem em uma quantia
significativa.
- Abertura de conta em agência localizada em estação de
passageiros de aeroporto, rodoviária, ou porto (salvo se o
cliente está regularmente instalado nesses locais).
- Uso de cartão de crédito em valor não compatível com a
capacidade financeira do usuário.
Arcabouço legal
O arcabouço legal brasileiro para lidar com a questão da
Lavagem de Dinheiro foi definido pela Lei nº 9.613, de 03 de
março de 1998 – alterada pelas Leis nº 10.701, de 9 de julho
de 2003, e nº 12.683, de 09 de julho de 2012.

Essas leis dispõem sobre a definição do crime de Lavagem


de Dinheiro, as medidas preventivas, o sistema de
comunicação de operação suspeita, a criação de uma
Unidade de Inteligência Financeira (UIF) e os vários
mecanismos de cooperação internacional para evitar os
crimes.
Arcabouço legal
Lei 9.613/98 – conceitua o que é lavagem de dinheiro, a
quem se aplica essa lei e quais são as punições cabíveis.
Também fala sobre a prevenção da utilização do sistema
financeiro para ilícitos previstos na lei; cria o Conselho de
Controle de Atividades Financeiras – COAF.

Essa lei foi atualizada pela Lei 12.683/12, para fechar ainda
mais o cerco, combates com maior eficiência os crimes de
lavagem de dinheiro. A principal atualização dessa lei é a
ampliação do leque de crimes antecedentes.
Arcabouço legal
Crimes antecedentes – A lavagem de dinheiro é um crime
que consiste na ocultação de bens ou dinheiro de
procedência criminosa. Portanto, trata-se sempre de um
crime acessório, ou seja, só ocorre como consequência de
outro crime inicial, o qual deu origem aos recursos ilícitos
(ex: um assalto a banco). O crime que dá origem aos
recursos ilícitos é chamado de crime antecedente.
A Lei 9.613 de 1998 estabelecia uma lista de crimes que
poderiam ser considerados antecedentes à lavagem de
dinheiro. Se alguém ocultasse dinheiro ilícito de uma
atividade que não estivesse naquela lista de crimes
antecedentes, não seria enquadrado no crime de lavagem
de dinheiro.
Arcabouço legal
A lei 12.683 ampliou consideravelmente o rol de crimes
antecedentes, ao estabelecer que qualquer crime ou
contravenção penal pode ser considerado como crime
antecedente à lavagem de dinheiro. Essa medida fechou o
cerco e intensificou ainda mais o combate a esse tipo de
crime.
Arcabouço legal
Além das leis federais, há ainda duas Circulares do Banco
Central, a (BACEN) 3.461, de 24/07/2009, e a 3.425, de 2012.
Enquanto as leis definem o crime e falam sobre as punições,
as circulares do BACEN falam sobre quais devem ser os
procedimentos a serem adotados pelas instituições
financeiras para prevenção e combate às atividades
relacionadas com o crime previsto nas leis 9.613/98 e
12.683/12
Penas
Para os crimes de ocultação de bens e dinheiro, estão previstas
as seguintes penas:
Prisão (reclusão) de 3 a 10 anos e multa.
A pena de reclusão pode ser reduzida de 1/3 a 2/3, cumprida em
regime aberto, podendo o juiz deixar de aplicar ou substituir por
pena restritiva de direitos, se o autor ou co-autor do crime
colaborar espontaneamente com as autoridades, prestando
esclarecimentos que conduzam à apuração das infrações penais
e de sua autoria ou à localização dos bens, direitos ou valores
objeto do crime (Delação Premiada).
A pena também pode ser aumentada de 1/3 a 2/3 se os crimes
definidos forem cometidos de forma reiterada ou por meio de
organização criminosa.
Penas
Multa – aplicada pelo COAF – não pode ser superior:
Ao dobro do valor da operação ilícita;
Ao dobro do valor do lucro real obtido ou que
presumivelmente seria obtido pela realização da operação;
Ao valor e R$ 20 milhões (era R$ 200 mil e aumentou)
Novidade:
Antes de o criminoso ser condenado de forma definitiva, já
é possível apreender os bens obtidos e vende-los, evitando
a depreciação dos bens.
Abrangência da lei
As leis 9.613/98 e 12.683/12 e as circulares do BACEN
tornaram bem abrangente o rol de pessoas físicas e jurídicas
que estão sujeitas aos mecanismos de controle para
combater e prevenir os crimes de lavagem de dinheiro.

Sujeitam-se à lei as pessoas físicas e jurídicas que tenham,


em caráter permanente ou eventual, como atividade
principal ou acessória, cumulativamente ou não:
Abrangência da lei
I - a captação, intermediação e aplicação de recursos
financeiros de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira;
II – a compra e venda de moeda estrangeira ou ouro como
ativo financeiro ou instrumento cambial;
III - a custódia, emissão, distribuição, liqüidação, negociação,
intermediação ou administração de títulos ou valores
mobiliários.
Quanto às instituições, sujeitam-se à lei:
I – as bolsas de valores, as bolsas de mercadorias ou futuros
e os sistemas de negociação do mercado de balcão
organizado;
Abrangência da lei
II - as seguradoras, as corretoras de seguros e as entidades de
previdência complementar ou de capitalização;
III - as administradoras de cartões de credenciamento ou cartões
de crédito, bem como as administradoras de consórcios para
aquisição de bens ou serviços;
IV - as administradoras ou empresas que se utilizem de cartão ou
qualquer outro meio eletrônico, magnético ou equivalente, que
permita a transferência de fundos;
V - as empresas de arrendamento mercantil (leasing) e as de
fomento comercial (factoring);
VI - as sociedades que efetuem distribuição de dinheiro ou
quaisquer bens móveis, imóveis, mercadorias, serviços, ou, ainda,
concedam descontos na sua aquisição, mediante sorteio ou
método assemelhado;
Abrangência da lei
VII - as filiais ou representações de entes estrangeiros que
exerçam no Brasil qualquer das atividades listadas neste
artigo, ainda que de forma eventual;
VIII - as demais entidades cujo funcionamento dependa de
autorização de órgão regulador dos mercados financeiro, de
câmbio, de capitais e de seguros;
IX - as pessoas físicas ou jurídicas, nacionais ou estrangeiras,
que operem no Brasil como agentes, dirigentes,
procuradoras, comissionárias ou por qualquer forma
representem interesses de ente estrangeiro que exerça
qualquer das atividades referidas neste artigo;
X - as pessoas físicas ou jurídicas que exerçam atividades de
promoção imobiliária ou compra e venda de imóveis;
Abrangência da lei
XI - as pessoas físicas ou jurídicas que comercializem jóias,
pedras e metais preciosos, objetos de arte e antigüidades.
XII - as pessoas físicas ou jurídicas que comercializem bens
de luxo ou de alto valor, intermedeiem a sua comercialização
ou exerçam atividades que envolvam grande volume de
recursos em espécie
XIII - as juntas comerciais e os registros públicos;
Abrangência da lei
XIV - as pessoas físicas ou jurídicas que prestem, mesmo que
eventualmente, serviços de assessoria, consultoria,
contadoria, auditoria, aconselhamento ou assistência, de
qualquer natureza, em operações:
a) de compra e venda de imóveis, estabelecimentos
comerciais ou industriais ou participações societárias de
qualquer natureza;
b) de gestão de fundos, valores mobiliários ou outros ativos;
c) de abertura ou gestão de contas bancárias, de poupança,
investimento ou de valores mobiliários;
d) de criação, exploração ou gestão de sociedades de
qualquer natureza, fundações, fundos fiduciários ou
estruturas análogas;
Abrangência da lei
e) financeiras, societárias ou imobiliárias; e
f) de alienação ou aquisição de direitos sobre contratos
relacionados a atividades desportivas ou artísticas profissionais;
XV - pessoas físicas ou jurídicas que atuem na promoção,
intermediação, comercialização, agenciamento ou negociação de
direitos de transferência de atletas, artistas ou feiras, exposições
ou eventos similares
XVI - as empresas de transporte e guarda de valores;
XVII - as pessoas físicas ou jurídicas que comercializem bens de
alto valor de origem rural ou animal ou intermedeiem a sua
comercialização; e
XVIII - as dependências no exterior das entidades mencionadas
neste artigo, por meio de sua matriz no Brasil, relativamente a
residentes no País.
O COAF
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf),
unidade de inteligência financeira brasileira e órgão
integrante do Ministério da Fazenda, possui um papel central
no sistema brasileiro de combate à Lavagem de Dinheiro e
ao financiamento ao terrorismo. CRIADO PELA 9.616/98.

Enquanto Unidade de Inteligência do governo brasileiro, tem


a incumbência legal de receber e analisar as comunicações
suspeitas oriundas dos segmentos econômicos elencados na
Lei n.º 9.613/98. Da mesa forma, esse diploma também
confere ao Coaf o papel de supervisor das pessoas
obrigadas lá elencadas que não possuem um supervisor
próprio.
O COAF
Além de receber, examinar e identificar as ocorrências
suspeitas de atividades ilícitas, ele também tem função
disciplinar, aplicando penas administrativas.
O COAF é composto por servidores públicos de reputação
ilibada, e reconhecida competência, designados em ato do
Ministério de Estado da Fazenda.
O Presidente do Conselho será nomeado pelo Presidente da
República, por indicação do Ministro de Estado da Fazenda.
Identificação de clientes e manutenção de
registros

As instituições e pessoas de que trata essa lei:


I - identificarão seus clientes e manterão cadastro atualizado,
nos termos de instruções emanadas das autoridades
competentes;
II - manterão registro de toda transação em moeda nacional
ou estrangeira, títulos e valores mobiliários, títulos de crédito,
metais, ou qualquer ativo passível de ser convertido em
dinheiro, que ultrapassar limite fixado pela autoridade
competente e nos termos de instruções por esta expedidas;
Identificação de clientes e manutenção de
registros
III - deverão adotar políticas, procedimentos e controles
internos, compatíveis com seu porte e volume de operações,
que lhes permitam atender ao disposto na lei, na forma
disciplinada pelos órgãos competentes;
IV - deverão cadastrar-se e manter seu cadastro atualizado no
órgão regulador ou fiscalizador e, na falta deste, no Conselho
de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), na forma e
condições por eles estabelecidas;
V - deverão atender às requisições formuladas pelo Coaf na
periodicidade, forma e condições por ele estabelecidas,
cabendo-lhe preservar, nos termos da lei, o sigilo das
informações prestadas.
Identificação de clientes e manutenção de
registros
Na hipótese de o cliente constituir-se em pessoa jurídica, a
identificação referida no inciso I deste artigo deverá abranger as
pessoas físicas autorizadas a representá-la, bem como seus
proprietários.
Os cadastros e registros deverão ser conservados durante o período
mínimo de cinco anos a partir do encerramento da conta ou da
conclusão da transação, prazo este que poderá ser ampliado pela
autoridade competente.
O registro será efetuado também quando a pessoa física ou jurídica,
seus entes ligados, houver realizado, em um mesmo mês-calendário,
operações com uma mesma pessoa, conglomerado ou grupo que, em
seu conjunto, ultrapassem o limite fixado pela autoridade competente.
O Banco Central manterá registro centralizado formando o cadastro
geral de correntistas e clientes de instituições financeiras, bem como
de seus procuradores.
Comunicação de operações financeiras

As pessoas e instituições de que trata a lei:


I - dispensarão especial atenção às operações que, nos
termos de instruções emanadas das autoridades
competentes, possam constituir-se em sérios indícios dos
crimes previstos nesta Lei, ou com eles relacionar-se;
Comunicação de operações financeiras

II - deverão comunicar ao Coaf, abstendo-se de dar ciência de tal


ato a qualquer pessoa, inclusive àquela à qual se refira a
informação, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, a proposta ou
realização:
a) de todas as transações referidas no inciso II do art. 10,
acompanhadas da identificação de que trata o inciso I do
mencionado artigo; e
b) das operações referidas no inciso I;
III - deverão comunicar ao órgão regulador ou fiscalizador da sua
atividade ou, na sua falta, ao Coaf, na periodicidade, forma e
condições por eles estabelecidas, a não ocorrência de propostas,
transações ou operações passíveis de serem comunicadas nos
termos do inciso II.
Comunicação de operações financeiras

As autoridades competentes elaborarão relação de


operações que, por suas características, no que se refere às
partes envolvidas, valores, forma de realização, instrumentos
utilizados, ou pela falta de fundamento econômico ou legal,
possam configurar a hipótese nele prevista.
As comunicações de boa-fé, feitas na forma prevista neste
artigo, não acarretarão responsabilidade civil ou
administrativa.
As transferências internacionais e os saques em espécie
deverão ser previamente comunicados à instituição
financeira, nos termos, limites, prazos e condições fixados
pelo Banco Central do Brasil
Responsabilidade administrativa

Às pessoas e instituições de que trata a lei, bem como aos


administradores das pessoas jurídicas, que deixem de
cumprir as obrigações previstas nos arts. 10 e 11 serão
aplicadas, cumulativamente ou não, pelas autoridades
competentes, as seguintes sanções:
I – advertência
II - multa pecuniária variável não superior:
a) ao dobro do valor da operação;
b) ao dobro do lucro real obtido ou que presumivelmente
seria obtido pela realização da operação; ou
c) ao valor de R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais);
Responsabilidade administrativa

III - inabilitação temporária, pelo prazo de até dez anos, para


o exercício do cargo de administrador das pessoas jurídicas
IV - cassação ou suspensão da autorização para o exercício
de atividade, operação ou funcionamento.

A multa será aplicada sempre que as pessoas a que se refere


essa lei, por culpa ou dolo:
I – deixarem de sanar as irregularidades objeto de
advertência, no prazo assinalado pela autoridade
competente;
Responsabilidade administrativa

III - inabilitação temporária, pelo prazo de até dez anos, para o


exercício do cargo de administrador das pessoas jurídicas
IV - cassação ou suspensão da autorização para o exercício de
atividade, operação ou funcionamento.

A multa será aplicada sempre que as pessoas a que se refere essa


lei, por culpa ou dolo:
I – deixarem de sanar as irregularidades objeto de advertência, no
prazo assinalado pela autoridade competente;
II - não cumprirem com as obrigações de identificação de clientes
e manutenção de registros
Responsabilidade administrativa

A inabilitação temporária será aplicada quando forem


verificadas infrações graves quanto ao cumprimento das
obrigações constantes desta Lei ou quando ocorrer
reincidência específica, devidamente caracterizada em
transgressões anteriormente punidas com multa.
A cassação da autorização será aplicada nos casos de
reincidência específica de infrações anteriormente punidas
com a pena prevista de inabilitação.
O procedimento para a aplicação das sanções previstas
neste Capítulo será regulado por decreto, assegurados o
contraditório e a ampla defesa.
Circular BACEN 3461/09

Consolida as regras sobre os procedimentos que devem ser


adotados na prevenção e combate às atividades relacionadas
com os crimes previstos na Lei 9.613/98
Artigo 1 - Pela circular, as instituições financeiras e demais
instituições autorizadas a funcionar pelo Bacen devem
implementar políticas e procedimentos internos de controle para
prevenir a prática dos crimes de lavagem de dinheiro.

Parágrafo 1: As políticas devem:


1 - especificar, em documento interno, as responsabilidades dos
integrantes de cada nível hierárquico da instituição;
2 - contemplar a coleta e registro de informações sobre clientes,
que permitam a identificação dos riscos de ocorrência da prática
dos mencionados crimes;
Circular BACEN 3461/09

3 - definir os critérios e procedimentos para seleção,


treinamento e acompanhamento da situação econômico-
financeira dos empregados da instituição;
4 - incluir a análise prévia de novos produtos e serviços, sob a
ótica da prevenção dos mencionados crimes;
5 - ser aprovadas pelo conselho de administração ou, na sua
ausência, pela diretoria da instituição;
Circular BACEN 3461/09

Parágrafo 2: Os procedimentos devem incluir medidas prévia


e expressamente estabelecidas, que permitam:
1 - confirmar as informações cadastrais dos clientes e
identificar os beneficiários finais das operações;
2 - possibilitar a caracterização ou não de clientes como
pessoas politicamente expostas.
Pessoa politicamente exposta: agentes públicos que
desempenham ou tenham desempenhado, nos últimos cinco
anos, no Brasil ou em países, territórios e dependências
estrangeiros, cargos, empregos ou funções públicas
relevantes, assim como seus representantes, familiares ou
pessoas de seu relacionamento próximo.
Circular BACEN 3461/09

Parágrafo 3: Para os fins desta circular, considera-se cliente


eventual ou permanente qualquer pessoa natural ou jurídica com
a qual seja mantido, respectivamente em caráter eventual ou
permanente, relacionamento destinado à prestação de serviço
financeiro ou à realização de operação financeira.

Os procedimentos de que trata o caput devem ser reforçados


para início de relacionamento com:
I - instituições financeiras, representantes ou correspondentes
localizados no exterior, especialmente em países, territórios e
dependências que não adotam procedimentos de registro e
controle similares aos definidos nesta circular;
II - clientes cujo contato seja efetuado por meio eletrônico,
mediante correspondentes no País ou por outros meios indiretos.
Circular BACEN 3461/09

Manutenção de Informações Cadastrais Atualizadas


Art. 2º As instituições mencionadas no art. 1º devem coletar e
manter atualizadas as informações cadastrais de seus clientes
permanentes, incluindo, no mínimo:
I – nome completo, filiação, nacionalidade, data e local de
nascimento, sexo, estado civil, identificação do cônjuge,
profissão, documento de identificação, etc (resolução 2025/93
BACEN)
II - os valores de renda mensal e patrimônio, no caso de pessoas
naturais, e de faturamento médio mensal dos doze meses
anteriores, no caso de pessoas jurídicas;
III - declaração firmada sobre os propósitos e a natureza da
relação de negócio com a instituição.
Circular BACEN 3461/09

As informações relativas a cliente pessoa natural devem


abranger as pessoas naturais autorizadas a representá-la.

As informações cadastrais relativas a cliente pessoa jurídica


devem abranger as pessoas naturais autorizadas a
representá-la, bem como a cadeia de participação societária,
até alcançar a pessoa natural caracterizada como beneficiário
final.
As instituições mencionadas no artigo 1º devem realizar
testes de verificação, com periodicidade máxima de um ano,
que assegurem a adequação dos dados cadastrais de seus
clientes.
Circular BACEN 3461/09

Art. 3º As instituições mencionadas no art. 1º devem obter as


seguintes informações cadastrais de seus clientes eventuais,
do proprietário e do destinatário dos recursos envolvidos na
operação ou serviço financeiro:
I - quando pessoa natural, o nome completo, dados do
documento de identificação (tipo, número, data de emissão
e órgão expedidor) e número de inscrição no Cadastro de
Pessoas Físicas (CPF);
II - quando pessoa jurídica, a razão social e número de
inscrição no CNPJ.
Circular BACEN 3461/09

Registros de Serviços Financeiros e Operações Financeiras


Art. 6º As instituições de que trata o art. 1º devem manter
registros de todos os serviços financeiros prestados e de todas as
operações financeiras realizadas com os clientes ou em seu nome.
§ 1º No caso de movimentação de recursos por clientes
permanentes, os registros devem conter informações
consolidadas que permitam verificar:
I - a compatibilidade entre a movimentação de recursos e a
atividade econômica e capacidade financeira do cliente;
II - a origem dos recursos movimentados;
III - os beneficiários finais das movimentações.
Circular BACEN 3461/09

§ 2º O sistema de registro deve permitir a identificação:


I - das operações que, realizadas com uma mesma pessoa,
conglomerado financeiro ou grupo, em um mesmo mês
calendário, superem, por instituição ou entidade, em seu
conjunto, o valor de R$10.000,00 (dez mil reais);
II - das operações que, por sua habitualidade, valor ou forma,
configurem artifício que objetive burlar os mecanismos de
identificação, controle e registro.
Circular BACEN 3461/09

Registros de Depósitos em Cheque, Liquidação de Cheques


Depositados em Outra Instituição Financeira e da Utilização de
Instrumentos de Transferência de Recursos
Art. 7º As instituições de que trata o art. 1º devem manter
registros específicos das operações de transferência de recursos.
§ 1º O sistema de registro deve permitir a identificação:
I - das operações referentes ao acolhimento em depósitos de
Transferência Eletrônica Disponível (TED), de cheque, cheque
administrativo, cheque ordem de pagamento e outros
documentos compensáveis de mesma natureza, e à liquidação de
cheques depositados em outra instituição financeira;
Circular BACEN 3461/09

II - das emissões de cheque administrativo, de cheque ordem de


pagamento, de ordem de pagamento, de Documento de Crédito
(DOC), de TED e de outros instrumentos de transferência de
recursos, quando de valor superior a R$1.000,00 (mil reais).
- Os registros efetuados por instituição depositária devem conter,
no mínimo, os dados relativos ao valor e ao número do cheque
depositado, o código de compensação da instituição sacada, os
números da agência e da conta de depósitos sacadas.
- Os registros efetuados por instituição sacada devem conter, no
mínimo, os dados relativos ao valor e ao número do cheque, o
código de compensação da instituição depositária, os números
da agência e da conta de depósitos depositárias, cabendo à
instituição depositária fornecer à instituição sacada os dados
relativos ao seu código de compensação e aos números da
agência e da conta de depósitos depositárias
Circular BACEN 3461/09

- No caso de cheque utilizado em operação simultânea de


saque e depósito na própria instituição sacada, com vistas à
transferência de recursos da conta de depósitos do emitente
para conta de depósitos de terceiros, os registros de que
trata o inciso I do § 1º devem conter, no mínimo, os dados
relativos ao valor e ao número do cheque sacado, bem como
aos números das agências sacada e depositária e das
respectivas contas de depósitos.
Circular BACEN 3461/09

Os registros devem conter, no mínimo, as seguintes


informações:
I - o tipo e o número do documento emitido, a data da
operação, o nome e o número de inscrição do adquirente ou
remetente no CPF ou no CNPJ;
II - quando pagos em cheque, o código de compensação da
instituição, o número da agência e da conta de depósitos
sacadas referentes ao cheque utilizado para o respectivo
pagamento, inclusive no caso de cheque sacado contra a
própria instituição emissora dos instrumentos referidos neste
artigo;
Circular BACEN 3461/09

III - no caso de DOC, o código de identificação da instituição


destinatária no sistema de liquidação de transferência de
fundos e os números da agência, da conta de depósitos
depositária e o número de inscrição no CPF ou no CNPJ do
respectivo titular;
IV - no caso de ordem de pagamento: a) destinada a crédito
em conta: os números da agência destinatária e da conta de
depósitos depositária; b) destinada a pagamento em
espécie: os números da agência destinatária e de inscrição
do beneficiário no CPF ou no CNPJ.
Circular BACEN 3461/09

Registro de cartões pré-pagos

Art. 8º As instituições devem manter registros específicos da


emissão ou recarga de valores em um ou mais cartões pré-
pagos. Define-se cartão pré-pago como o cartão apto a
receber carga ou recarga de valores em moeda nacional ou
estrangeira oriundos de pagamento em espécie, de
operação cambial ou de transferência a débito de contas de
depósito
Circular BACEN 3461/09

O sistema de registro deve permitir a identificação da:


I - emissão ou recarga de valores em um ou mais cartões pré-
pagos, em montante acumulado igual ou superior a
R$50.000,00 (cinquenta mil reais) ou o equivalente em moeda
estrangeira, no mês calendário;
II - emissão ou recarga de valores em cartão pré-pago que
apresente indícios de ocultação ou dissimulação da natureza,
da origem, da localização, da disposição, da movimentação
ou da propriedade de bens, direitos e valores.
Circular BACEN 3461/09

Os registros das ocorrências de que tratam os incisos I e II do


devem conter as seguintes informações:
I - o nome ou razão social e o respectivo número de inscrição
no CPF ou no CNPJ da pessoa natural ou jurídica
responsável pela emissão ou recarga de valores em cartão
pré-pago, no caso de emissão ou recarga efetuada por
residente ou domiciliado no País;
II - o nome, o número do passaporte e o respectivo país
emissor, no caso de emissão ou recarga de valores em cartão
pré-pago efetuada por pessoa natural não residente no País
ou domiciliada no exterior;
III - o nome e o respectivo número de inscrição no CPF da
pessoa natural a quem se destina o cartão pré-pago;
Circular BACEN 3461/09

IV - a identificação das instituições, das agências e das contas


de depósito ou de poupança debitadas, os nomes dos
titulares das contas e respectivos números de inscrição no
CPF, no caso de emissão ou recarga de valores em cartão
pré-pago oriundos de transferências a débito de contas de
depósito ou de poupança tituladas por pessoas naturais;
V - a identificação das instituições, das agências e das contas
de depósito ou de poupança debitadas, os nomes dos
titulares das contas e respectivos números de inscrição no
CNPJ, bem como os nomes das pessoas naturais autorizadas
a movimentá-las e respectivos números de inscrição no CPF,
no caso de emissão ou recarga de valores em cartão pré-
pago oriundos de transferências a débito de contas de
depósito ou de poupança tituladas por pessoas jurídicas;
Circular BACEN 3461/09

VI - a data e o valor de cada emissão ou recarga de valores


em cartão pré-pago;
VII - o propósito da emissão do cartão pré-pago;
VIII - o nome e o respectivo número de inscrição no CPF das
pessoas naturais que representem as pessoas jurídicas
responsáveis pela emissão ou recarga de valores em cartão
pré- pago.
Circular BACEN 3461/09

Operações com recursos em espécie


Os bancos comerciais, a Caixa Econômica Federal, os bancos
múltiplos com carteira comercial ou de crédito imobiliário, as
sociedades de crédito imobiliário, as sociedades de
poupança e empréstimo e as cooperativas de crédito devem
manter registros específicos das operações de depósito em
espécie, saque em espécie, saque em espécie por meio de
cartão pré-pago ou pedido de provisionamento para saque.
Circular BACEN 3461/09

O sistema de registro deve permitir a identificação de:


I - depósito em espécie, saque em espécie, ou saque em espécie
por meio de cartão pré-pago, de valor igual ou superior a
R$50.000,00 (cinquenta mil reais);
II - depósito em espécie, saque em espécie, saque em espécie
por meio de cartão pré-pago ou pedido de provisionamento para
saque, que apresente indícios de ocultação ou dissimulação da
natureza, da origem, da localização, da disposição, da
movimentação ou da propriedade de bens, direitos e valores;
III - emissão de cheque administrativo, TED ou de qualquer outro
instrumento de transferência de fundos contra pagamento em
espécie, de valor igual ou superior a R$50.000,00 (cinquenta mil
reais).
Circular BACEN 3461/09

Os registros devem conter as informações abaixo indicadas:


I - o nome e o respectivo número de inscrição no CPF ou no
CNPJ, conforme o caso, do proprietário ou beneficiário dos
recursos e da pessoa que efetuar o depósito, o saque em
espécie ou o pedido de provisionamento para saque;
II - o tipo e o número do documento, o número da
instituição, da agência e da conta corrente de depósitos à
vista ou da conta de poupança a que se destinam os valores
ou de onde o valor será sacado, conforme o caso;
Circular BACEN 3461/09

III - o nome e o respectivo número de inscrição no CPF ou no


CNPJ, conforme o caso, dos titulares das contas referidas no
inciso II, se na mesma instituição;
IV - o nome e o respectivo número de inscrição no CPF, no
caso de saque em espécie por meio de cartão pré-pago cujo
portador seja residente ou domiciliado no País;
V - o nome e o número do passaporte e o respectivo país
emissor, no caso de saque em espécie por meio de cartão
pré-pago cujo portador seja não residente no País ou
domiciliado no exterior;
Circular BACEN 3461/09

VI - a data e o valor do depósito, do saque em espécie, do


saque em espécie por meio de cartão pré-pago ou do
provisionamento para saque; e
VII - a finalidade do saque ou do pagamento em espécie
mencionados
Na hipótese de recusa do cliente ou do sacador não cliente
em prestar as informações requeridas, as instituições
mencionadas no caput devem registrar o fato.
As instituições devem requerer de seus clientes e dos
sacadores não clientes comunicação prévia, com, no mínimo,
três dias úteis de antecedência, dos saques e pagamentos
em espécie de valor igual ou superior a R$50.000,00
(cinquenta mil reais)
Circular BACEN 3461/09

As instituições devem:
I - possibilitar a comunicação prévia por meio do sítio
eletrônico da instituição na internet e das agências e Postos
de Atendimento (PA);
II - emitir protocolo de atendimento ao cliente ou sacador
não cliente, no qual devem ser informados o valor da
operação, a dependência na qual deverá ser efetuado o
saque e a data programada para o saque; e
Circular BACEN 3461/09

Especial atenção
As instituições devem dispensar especial atenção a:
I - operações ou propostas cujas características, no que se
refere às partes envolvidas, valores, formas de realização e
instrumentos utilizados, ou que, pela falta de fundamento
econômico ou legal, indiquem risco de ocorrência dos crimes
previstos na Lei nº 9.613, de 1998, ou com eles relacionados;
II - propostas de início de relacionamento e operações com
pessoas politicamente expostas de nacionalidade brasileira e
as oriundas de países com os quais o Brasil possua elevado
número de transações financeiras e comerciais, fronteiras
comuns ou proximidade étnica, linguística ou política;
Circular BACEN 3461/09

Especial atenção
III - indícios de burla aos procedimentos de identificação e
registro estabelecidos nesta circular;
IV - clientes e operações em que não seja possível identificar
o beneficiário final;
V - operações oriundas ou destinadas a países ou territórios
que aplicam insuficientemente as recomendações do Gafi,
conforme informações divulgadas pelo Banco Central do
Brasil; e
VI - situações em que não seja possível manter atualizadas as
informações cadastrais de seus clientes.
Circular BACEN 3461/09

A expressão “especial atenção” inclui os seguintes


procedimentos:
I - monitoramento contínuo reforçado, mediante a adoção de
procedimentos mais rigorosos para a apuração de situações
suspeitas;
II - análise com vistas à verificação da necessidade das
comunicações de que tratam os arts. 12 e 13;
III - avaliação da alta gerência quanto ao interesse no início ou
manutenção do relacionamento com o cliente.
Considera-se alta gerência qualquer detentor de cargo ou função
de nível hierárquico superior ao daquele ordinariamente
responsável pela autorização do relacionamento com o cliente.
Circular BACEN 3461/09

Manutenção de informações e registros


As informações e registros de que trata esta circular devem
ser mantidos e conservados durante os seguintes períodos
mínimos, contados a partir do primeiro dia do ano seguinte
ao do término do relacionamento com o cliente permanente
ou da conclusão das operações:
I - 10 (dez) anos, para as informações e registros de que trata
o art. 7º;
II - 5 (cinco) anos, para as informações e registros de que
tratam os arts. 6º, 8º e 9º.
III - 5 (cinco) anos, para as informações cadastrais definidas
nos arts. 2º e 3º.
Circular BACEN 3461/09

Comunicações ao COAF
As instituições devem comunicar ao Conselho de Controle
de Atividades Financeiras (Coaf), na forma determinada pelo
Banco Central do Brasil:
- Emissão ou recarga de valores em um ou mais cartões pré-
pagos de montante acumulado igual ou maior que R$ 50.000
ou equivalente em moeda estrangeira, no 5º dia útil após o
fim do mês calendário.
- Emissão ou recarga de valores em um ou mais cartões pré-
pagos que apresente indício de ocultação ou dissimulação
da natureza, da origem, da localização, da disposição, da
movimentação ou da propriedade de bens, direitos e valores.
Circular BACEN 3461/09

Comunicações ao COAF
- Depósito em Espécie, Saque em Espécie (inclusive por meio de
cartão pré-pago ou pedido de provisionamento de saque) de
valor igual ou superior a R$ 50.000
- Emissão de cheque administrativo, TED ou de qualquer outro
instrumento de transferência de fundos contra pagamentos em
espécie, de valor igual ou superior a R$ 50.000.
- Operações realizadas ou serviços prestados cujo valor seja igual
ou superior a R$ 10.000 e que, considerando as partes
envolvidas, os valores, as formas de realização, os instrumentos
utilizados ou a falta de fundamento econômico ou legal, possam
configurar a existência de indícios dos crimes previstos na Lei
9.613/98
Circular BACEN 3461/09

Comunicações ao COAF
- Operações realizadas ou serviços prestados que, por sua
habitualidade, valor ou forma, configurem artifício que
objetive burlar os mecanismos de identificação, controle e
registro.
- operações realizadas ou os serviços prestados, qualquer
que seja o valor, a pessoas que reconhecidamente tenham
perpetrado ou intentado perpetrar atos terroristas ou neles
participado ou facilitado o seu cometimento, bem como a
existência de recursos pertencentes ou por eles controlados
direta ou indiretamente.
Circular BACEN 3461/09

Comunicações ao COAF
- os atos suspeitos de financiamento do terrorismo
As comunicações ou referências das ocorrências desses dois
últimos itens devem ser realizadas até o dia útil seguinte
àquele em que verificadas.
As demais operações devem ser registradas e mantidas pelo
prazo de 5 anos.
Circular BACEN 3461/09

Procedimentos internos de controle


As Instituições devem indicar ao Banco Central o diretor
responsável pela implementação e cumprimento das
medidas estabelecidas nesta circular, bem como pelas
comunicações de que tratam esta circular.
Para fins de responsabilidade, admite-se que o diretor
indicado desempenhe outras funções na instituição, exceto
relativa à administração de recursos de terceiros.
No caso de conglomerados financeiros, admite-se a
indicação de um diretor responsável pela implementação e
cumprimento das medidas estabelecidas nesta circular, bem
como pelas comunicações referentes às respectivas
instituições integrantes.
Circular BACEN 3461/09

Princípio “Conheça seu Cliente (KYC)”


Esse princípio prevê que as instituições e profissionais realizem,
de forma adequada, cadastro, manutenção e acompanhamento
das informações referentes aos clientes. Os registros devem ser
mantidos por, no mínimo, 5 anos a contar da data de abertura da
conta ou início das operações do cliente.
Ações preventivas do “Conheça seu Cliente”
O profissional deve tomar todas as medidas necessárias para
conhecer os clientes e suas necessidades, devendo
especialmente:
- documentar e confirmar a verdadeira identidade dos clientes
com quem mantenha qualquer tipo de relação profissional.
- Documentar e confirmar qualquer informação adicional sobre o
cliente
Circular BACEN 3461/09

Princípio “Conheça seu Cliente (KYC)”


Esse princípio prevê que as instituições e profissionais realizem,
de forma adequada, cadastro, manutenção e acompanhamento
das informações referentes aos clientes. Os registros devem ser
mantidos por, no mínimo, 5 anos a contar da data de abertura da
conta ou início das operações do cliente.
Ações preventivas do “Conheça seu Cliente”
O profissional deve tomar todas as medidas necessárias para
conhecer os clientes e suas necessidades, devendo
especialmente:
- documentar e confirmar a verdadeira identidade dos clientes
com quem mantenha qualquer tipo de relação profissional.
- documentar e confirmar qualquer informação adicional sobre o
cliente
Circular BACEN 3461/09

Princípio “Conheça seu Cliente (KYC)”


- Tomar todas as medidas necessárias para que não se realizem
operações com pessoas ou entidades cuja identidade não se possa
confirmar; cujas informações sejam de difícil obtenção ou cuja
informação fornecida seja falsa ou contenha incoerência significativa
que não se possa verificar, ou que não caiba retificação.
Ações preventivas do “Conheça seu Cliente”
Os princípios do Conheça seu Cliente encontram fundamento na
instrução 301/99 da CVM.
As PF e PJ que têm a ver com isso devem:
I – adotar continuamente regras, procedimentos e controles internos,
de acordo com procedimentos prévia e expressamente estabelecidos,
visando confirmar as informações cadastrais de seus clientes, mantê-las
atualizadas, e monitorar as operações por eles realizadas, de forma a
evitar o uso da conta por terceiros e identificar os beneficiários finais
das operações;
Circular BACEN 3461/09

Princípio “Conheça seu Cliente (KYC)”


II - identificar as pessoas consideradas politicamente
expostas;
III – supervisionar de maneira mais rigorosa a relação de
negócio mantida com pessoa politicamente exposta;
IV – dedicar especial atenção a propostas de início de
relacionamento e a operações executadas com pessoas
politicamente expostas, inclusive as oriundas de países com
os quais o Brasil possua elevado número de transações
financeiras e comerciais, fronteiras comuns ou proximidade
étnica, linguística ou política;
Circular BACEN 3461/09

Princípio “Conheça seu Cliente (KYC)”


V – manter regras, procedimentos e controles internos para
identificar clientes que se tornaram após o início do
relacionamento com a instituição ou que seja constatado que
já eram pessoas politicamente expostas no início do
relacionamento com a instituição e aplicar o mesmo
tratamento dos incisos III e IV; e
VI – manter regras, procedimentos e controles internos para
identificar a origem dos recursos envolvidos nas transações
dos clientes e dos beneficiários identificados como pessoas
politicamente expostas.
Circular BACEN 3461/09

Princípio “Conheça seu Cliente (KYC)”


§ 1º No caso de relação de negócio entre as pessoas
mencionadas no art. 2º e cliente estrangeiro que também seja
cliente de instituição estrangeira fiscalizada por autoridade
governamental assemelhada à CVM, admite-se que as
providências previstas nesta Instrução sejam adotadas pela
instituição estrangeira, desde que assegurado à CVM o acesso
aos dados e procedimentos adotados.

§ 2º As instituições de que trata o art. 2º somente devem iniciar


qualquer relação de negócio ou dar prosseguimento a relação já
existente com o cliente se observadas as providências
estabelecidas nos arts. 3º e 3º-A, conforme o caso.
Circular BACEN 3461/09

Princípio “Conheça seu Cliente (KYC)”


Art. 3º-B Para efeitos do disposto nesta Instrução considera-se:
I – pessoa politicamente exposta aquela que desempenha ou tenha
desempenhado, nos últimos 5 (cinco) anos, cargos, empregos ou
funções públicas relevantes, no Brasil ou em outros países, territórios e
dependências estrangeiros, assim como seus representantes, familiares
e outras pessoas de seu relacionamento próximo.
II – cargo, emprego ou função pública relevante exercido por chefes de
estado e de governo, políticos de alto nível, altos servidores dos
poderes públicos, magistrados ou militares de alto nível, dirigentes de
empresas públicas ou dirigentes de partidos políticos; e
III – familiares da pessoa politicamente exposta, seus parentes, na linha
direta, até o primeiro grau, assim como o cônjuge, companheiro e
enteado.
Circular BACEN 3461/09

Princípio “Conheça seu Cliente (KYC)”


§1º O prazo de 5 (cinco) anos referido no inciso I deve ser
contado, retroativamente, a partir da data de início da
relação de negócio ou da data em que o cliente passou a se
enquadrar como pessoa politicamente exposta.
§2º Sem prejuízo da definição do inciso I do caput deste
artigo, são consideradas, no Brasil, pessoas politicamente
expostas:
I - os detentores de mandatos eletivos dos Poderes
Executivo e Legislativo da União;
Circular BACEN 3461/09

Princípio “Conheça seu Cliente (KYC)”


II - os ocupantes de cargo, no Poder Executivo da União:
a) de Ministro de Estado ou equiparado;
b) de natureza especial ou equivalente;
c) de Presidente, Vice-Presidente e diretor, ou equivalentes,
de autarquias, fundações públicas, empresas públicas ou
sociedades de economia mista; ou
d) do grupo direção e assessoramento superiores - DAS,
nível 6, e equivalentes;
Circular BACEN 3461/09

Princípio “Conheça seu Cliente (KYC)”


III - os membros do Conselho Nacional de Justiça, do
Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores;
IV - os membros do Conselho Nacional do Ministério Público,
o Procurador-Geral da República, o Vice-Procurador-Geral da
República, o Procurador-Geral do Trabalho, o Procurador-
Geral da Justiça Militar, os Subprocuradores-Gerais da
República e os Procuradores-Gerais de Justiça dos Estados e
do Distrito Federal;
Circular BACEN 3461/09

Princípio “Conheça seu Cliente (KYC)”


V - os membros do Tribunal de Contas da União e o
Procurador-Geral do Ministério Público junto ao Tribunal de
Contas da União;
VI - os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os
Presidentes de Tribunal de Justiça, de Assembleia Legislativa
e de Câmara Distrital e os Presidentes de Tribunal e de
Conselho de Contas de Estados, de Municípios e do Distrito
Federal; e
VII - os Prefeitos e Presidentes de Câmara Municipal de
capitais de Estados