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FACULDADES KENNEDY

Marcos Alexandre Gomes dos Santos Baldin

DETALHES DE LIGAÇÃO ENTRE PILARES MISTOS PREENCHIDOS E VIGAS DE AÇO

Belo Horizonte
2021
Marcos Alexandre Gomes dos Santos Baldin

DETALHES DE LIGAÇÃO ENTRE PILARES MISTOS PREENCHIDOS E VIGAS DE AÇO

Resumo bibliográfico apresentado ao curso de Engenha-


ria Civil das Faculdades Kennedy, como parte dos requi-
sitos para aprovação da disciplina de Estruturas Metáli-
cas.

Docente: Prof. Sérgio Cláudio dos Santos

Belo Horizonte
2021
Sumário
1 Introdução ................................................................................................................ 4
2 Desenvolvimento ...................................................................................................... 5
3 Conclusão ................................................................................................................ 7
Referências ................................................................................................................. 8
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1 INTRODUÇÃO

Denomina-se Sistema Misto de Aço e Concreto aquele em que um perfil de aço


trabalha junto com o concreto na resistência aos esforços solicitantes. Elementos
estruturais mistos sob essa condição podem apresentar diversas vantagens
estruturais. Enquanto a contribuição do aço na resistência de cálculo em um pilar
puramente de concreto armado está entre 17 a 61%, em um pilar misto de aço e
concreto esta contribuição está entre 20 e 90% (GILSON, PIMENTA e MATA, 2001).
Entretanto, desafios também se apresentam e, entre eles, o comportamento
das ligações entre os pilares (normalmente peças verticais) e as vigas (normalmente
peças horizontais).
Além dos aspectos estruturais que envolvem a configuração das ligações viga-
pilar, o aspecto econômico também se mostra importante na decisão por essa solução
construtiva, conforme (NARDIN, SOUZA e EL DEBS, 2007). Afinal, dependendo da
complexidade de produção e instalação e da quantidade de peças na edificação, as
ligações metálicas podem representar importante valor no orçamento da obra.
Diversos elementos de ligação podem ser utilizados, conforme a necessidade
e do comportamento esperado da estrutura.
Apesar da crescente utilização de estruturas mistas de aço e concreto nas
últimas décadas, pode-se observar uma lacuna nas recomendações normativas para
o dimensionamento das ligações metálicas viga-pilar, especialmente em países onde
as ações sísmicas não são um fator relevante, como no Brasil. Assim, os principais
estudos brasileiros nesse campo são experimentais e fundamentados em literatura
técnica estrangeira, conforme Nardin, Souza e El Debs (2007).
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2 DESENVOLVIMENTO

O comportamento das ligações viga-pilar pode ser classificado sob o aspecto


da rigidez e sob o aspecto da resistência. De acordo com esses, elas podem ser
denominadas conforme a tabela abaixo:

Tabela 1 - Classificação das ligações metálicas

Aspectos Tipos Descrições


Rígida Restringe acima de 90% da capacidade de rotação da ligação.
Flexível Permite mínimo de 80% da rotação teórica esperada.
Rigidez
Permite entre 20 e 90% da rotação correspondente à ligação
Semirrígida
flexível.
Nominalmente Rotulada Transfere somente esforços normais e cortantes.
Possui resistência ao momento fletor maior do que a dos
De Resistência Total elementos ligados a elas. Leva a deformação plástica para
Resistência
tais elementos.
Possui resistência de cálculo inferior à dos elementos ligados
De resistência parcial
a elas. Traz a deformação plástica para si.
Transfere as ações da viga diretamente para o pilar e possui
soldagem das mesas da viga para a face do perfil tubular do
pilar, bem como chapas que conectam a alma da viga ao pilar.
Possui como vantagem a facilidade de execução e de
Externa Não Enrijecida concretagem, bem como baixo custo. Como desvantagem,
pode comprometer a redistribuição de esforços entre as
peças. Além disso, caso haja separação entre o concreto e o
perfil do pilar, tal perfil pode sofrer sobrecarga e o concreto
pode ter seu confinamento reduzido.
Também transfere as ações da viga diretamente para o pilar e
possui soldagem das mesas da viga para a face do perfil
tubular do pilar, bem como chapas que conectam a alma da
viga ao pilar. Entretanto, o pilar recebe reforço por meio de
Externa Enrijecida enrijecedores.
Possui como vantagem a melhor redistribuição de esforços
solicitantes. Como desvantagem o aumento do consumo de
aço e, consequentemente o custo.

Ligações Transfere parte do esforço para a viga e parte diretamente


para o concreto, pelo uso de parafusos passantes, chapas de
extremidade, conectores de cisalhamento e barras de
armadura soldadas às mesas da viga.
A soldagem de pequenas cantoneiras no interior do perfil do
pilar (nesse caso, um perfil U duplado, soldado após a
instalação dessas cantoneiras) promovem também a
Internas transferência dos esforços para o concreto.
Como vantagens, apresenta montagem simples e boa
transferência dos esforços da viga para o pilar, bem como
baixo consumo de material em relação às ligações externas.
Como principal desvantagem, esse tipo de ligação dificulta a
concretagem, podendo gerar a formação de vazios dentro do
perfil tubular.
Configura-se ligação mista quando a laje participa da
transmissão do momento fletor de uma viga mista para um
Mistas pilar ou para outra viga mista. Nesse caso, a laje pode
modificar o comportamento da ligação de flexível para
semirrígida.
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Os pilares de tubos de aço preenchidos com concreto apresentam bom


comportamento estrutural diante do esforço de compressão, muito em função do
confinamento dado ao concreto. Ao mesmo tempo, este volume rígido no interior do
tubo reduz a possibilidade de deformação plástica do tubo metálico, contribuindo para
maior estabilidade da estrutura. Entretanto, apesar desses benefícios, a frequência de
uso dos pilares desse tipo pode estar aquém do seu potencial em função da falta de
previsões normativas e estudos da relação custo/benefício das ligações entre as vigas
metálicas e os pilares mistos de aço e concreto. Análises de dados de ensaios
sugerem que a incorporação de componentes da ligação ao núcleo de concreto pode
aliviar a demanda de cisalhamento do tubo do pilar (CHEN, QIN e WANG, 2015, p.
409).
Desde a década de 1960, quando se intensificou o uso de solda nas estruturas
metálicas, privilegiou-se esta técnica de ligação nos pilares mistos compostos por
tubos metálicos preenchidos com concreto. Muita atenção e estudos foram dados a
esse tipo de ligação externa.
Na década de 1990, com o advento do terremoto Northridge (janeiro de 1994),
seguido pelo terremoto Kobe (janeiro de 1995), o conhecimento convencional dos
engenheiros sobre a transferência de momento de forma dúctil foi desafiado.
Percebeu-se fraturas frágeis nas conexões externas em níveis baixos de demanda
plástica. Muitas fissuras começaram nas soldas entre os pilares e a base das mesas
inferiores das vigas (CHEN, QIN e WANG, 2015, p. 411).
Vários modelos de ligações foram criados em diversos países, com destaque
para o Japão e a França, nos quais uma gama de formas de distribuição das cargas
e de solidarização do concreto com o aço foram apresentadas; de conectores de
cisalhamento a enrijecedores. Métodos computacionais foram desenvolvidos com o
tempo e simulações mais precisas puderam ser feitas com grande controle de
variáveis.
As constatações periciais a partir de colapsos, bem como os ensaios e
simulações apontaram para melhor distribuição de cargas nas ligações internas, nas
quais parte da carga é direcionada diretamente para o núcleo de concreto, em vez do
descarregamento na parede do tubo do pilar (CHEN, QIN e WANG, 2015, p. 422).
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3 CONCLUSÃO

Ainda se faz necessária a criação de modelos mais precisos sobre o


comportamento das ligações viga-pilar nas estruturas mistas de aço e concreto, de
forma a se produzir orientações normativas consistentes.
O desempenho crítico das conexões externas soldadas continua sendo visto
como um problema em potencial, que pode ser contornado pelo uso de conexões
internas, apesar das dificuldades que essas podem gerar para o processo de
concretagem.
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Referências
CHEN, Z.; QIN, Y.; WANG, X. Development of connections to concrete-filled rectangular tubular
columns. Advanced Steel Construction, Tiajin, 2015. 408-426.

GILSON, Q.; PIMENTA, R. J.; MATA, L. A. C. D. Elementos das Estruturas Mistas Aço-Concreto.
Belo Horizonte: O Lutador, 2001.

NARDIN, S. D.; SOUZA, A. S. C. D.; EL DEBS, A. L. H. C. Detalhes de ligação entre pilares mistos
preenchidos e vigas de aço. Construção Metálica, São Paulo, n. 89, p. 23-26, 2007. Disponivel em:
<https://www.abcem.org.br/lib/php/_download.php?now=0&arq=produtos/303_artigo_ed79.pdf>.
Acesso em: 13 mar 2021.