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interpretacao

Publicado em NOVA ESCOLA 01 de Abril | 2007

Planejamento

Aula de interpretação
Em cena, atores novatos conhecem textos de escritores
famosos e técnicas de improvisação, ampliando o
repertório cultural
Paulo Araújo

Existe uma anedota envolvendo os


baianos que diz o seguinte: na
terra de Jorge Amado, Caetano
Veloso, Glauber Rocha e tantos
outros nomes importantes da
cena cultural brasileira, ninguém
nasce, mas estréia. Ao montar um
projeto de teatro, o professor José
Amorim de Oliveira Júnior, do
Colégio Polivalente do Cabula, em
Salvador, resolveu investigar até
que ponto a tirada cômica tinha
Esquete sobre uma madame baiana que
humilha fundamento. E não é que tinha
empregada: jogos teatrais na sala de aula. mesmo?!
Foto: Valter Pontes

Durante dez meses, o professor -


que também é ator - trabalhou
com o grupo de estudantes de 5ª a 8ª série. No fim do ano, estava convencido
de que na sua escola se escondiam pequenos talentos. Com intervenções
claras, é possível levar os alunos a expressar-se dramaticamente. "Não queria
transformá-los em atores", explica. O objetivo dele era trabalhar com a
garotada diferentes recursos cênicos, como a improvisação, além de
maquiagem e figurino. Os jovens trabalharam a voz, conheceram textos de
vários escritores brasileiros, fizeram adaptações deles e incorporaram
diferentes papéis. O aprendizado sobre como entrar em cena certamente
não sairá mais da cabeça deles. P.A.

Seqüência de atividades
1. CLAREZA NOS OBJETIVOS

Um projeto de teatro é mais do que recreação. Durante as aulas, aprendemse


técnicas de relaxamento, vocalização, maquiagem e interpretação. A
linguagem artística educa o corpo, solta a imaginação e aumenta o repertório
intelectual e estético. Ao convidar os alunos para participar do projeto, José
Amorim deixou claro o que seria aprendido ao longo de um ano.

2. DEFINIÇÃO DO MÉTODO

É fundamental definir os procedimentos para que todos saibam que é preciso


muito aprendizado (e ensaio). José Amorim escolheu jogos teatrais do
sistema Viola Spolim, baseado na improvisação. Durante um mês, a turma leu
textos de Luis Fernando Verissimo, Fernando Sabino, do próprio professor e
contos infantis, adaptados para o universo dos alunos. Chapeuzinho
Vermelho, por exemplo, não levava doces para a vovó, mas ligava para um
disque-pizza.

3. PREPARAÇÃO DO ESPETÁCULO

O trabalho de preparação é intenso. José Amorim dedicou três meses para


fazer jogos teatrais, técnicas de relaxamento e fundamentos de dicção e de
interpretação. "Muitos acreditavam ter a voz horrorosa", cita. Ele gravou os
alunos falando para que ouvissem e fez uma oficina de vocalização. Durante
a montagem do espetáculo - colagem de vários esquetes -, os estudantes
aprenderam truques de maquiagem. Um policial ganhou cara de mau com o
lápis carregado nas sobrancelhas, por exemplo. Quanto aos figurinos, eles
usaram cores quentes para dar a idéia de excitação e frias para passar a idéia
de calma.

4. ENSAIO ABERTO

Antes da apresentação, é importante mostrar a montagem para um grupo de


convidados. O teste de público serve para que diretor e atores se habituem à
platéia e também para receber críticas. José Amorim testou cinco esquetes e,
como resultado, diminuiu o espetáculo de 60 para 45 minutos.

5. HORA DA SESSÃO

Depois de muito ensaio para aprimorar as cenas, chega o grande dia. Para a
estréia, os alunos de José Amorim convidaram toda a comunidade escolar,
que recebeu o programa da peça na entrada da sala de aula - adaptada com
cortinas e cadeiras como num teatro.

Outras propostas
SITUAÇÕES DO DIA-A-DIA

Divida a classe em grupos de


seis alunos. Proponha a
encenação de uma cena
cotidiana: fila de ônibus, feira
livre, sala de espera de dentista
etc. Deixe os grupos decidirem
o enfoque a ser dado à situação
proposta. Num tempo limite de
cinco minutos, as equipes criam
Foto: Heudes Regis
a cena e depois apresentam
para a classe. Faça um debate
que enfoque as semelhanças e diferenças entre imitação e realidade. É
importante que a criançada, durante o debate, desenvolva o senso crítico
perante os fatos da vida real.

FONTE: JOGOS TEATRAIS NA ESCOLA, OLGA REVERBEL, 160 PÁGS., ED. SCIPIONE, TEL. 0800-161-700, 37,90
REAIS

A VOZ NO TEATRO

Falar bem é uma competência fundamental de todo ator. Para fazer a


garotada empostar e aquecer a voz, peça que todos alternem movimentos de
boca em bico e sorrindo. Depois, que inspirem e soltem devagar o ar, fazendo
os lábios vibrarem emitindo o som de PRRRRR. Outro truque é manter a
língua no palato, soltar o ar devagar e fazer som de TRRRR. Para relaxar,
respirar lentamente e pronunciar ca-la-ta, ra-la-ta, pa-la-ta. Uma boa dicção
também não pode faltar. Combine com o grupo de ler o texto da peça
articulando as sílabas exageradamente e suprimindo o som das palavras.
Morder um lápis enquanto fala também é um ótimo recurso para a dicção,
assim como trabalhar com trava-línguas. Lembre-se dos cuidados para ter
uma boa voz: beber bastante água, evitar chocolate e pipoca, não gritar nem
pigarrear e, claro, ficar sem falar, em descanso, sempre que possível.

CONSULTORIA: WILTON DE SOUZA ORMUNDO, PROFESSOR DE TEATRO DA ESCOLA MÓBILE E


COORDENADOR PEDAGÓGICO DO PROJETO LITERATURA NO TEATRO DO CENTRO CULTURAL GRUPO
SILVIO SANTOS, EM SÃO PAULO

PEGA-PEGA COM ENREDO

Os jovens contam a história da peça que vai ser encenada durante um jogo
de aquecimento. Pode ser um pega-pega, por exemplo, no qual o pegador
narra o enredo. Assim que alguém é pego, continua a narrativa do ponto em
que foi interrompida. A dinâmica continua até o fim da história. Em seguida, a
classe encena a peça inteira em cinco minutos. É preciso se desdobrar para
realizar essa tarefa. Imagine Sonho de Uma Noite de Verão encenada nesse
tempo. Ao fim do exercício, os alunos entrarão em contato com o enredo da
peça, a dinâmica das cenas e os personagens e - o melhor - terão criado um
esboço de cada cena que vai servir de ponto de partida para o trabalho
posterior, ou seja, aprofundar cada um desses aspectos.

CONSULTORIA: TUNA SERZEDELLO, DO COLÉGIO SÃO LUÍS, EM SÃO PAULO

Quer saber mais?

CONTATO
Colégio Polivalente do Cabula, R. Silveira Martins, s/nº, 41150-100, Salvador, BA, tel. (71) 3385-2497

EXCLUSIVO ON-LINE
Veja uma galeria de fotos do projeto de teatro em Salvador em www.novaescola.org.br