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Físico-Química Experimental

Decomposição Catalítica de H2O2

Docente:

Prof. Dr. Hugo Barbosa Suffredini

Discentes:

Giovanna Trevisan

Guilherme Rodrigues

Thalita Soares Galhardo

Vanessa Lima dos Santos

Santo André

2010
1. Introdução

O peróxido de hidrogênio é um dos oxidantes mais versáteis que existe, superior


ao cloro, dióxido de cloro e permanganato de potássio; através de catálise, H2O2 pode
ser convertido em radical hidroxila (•OH) com reatividade inferior apenas ao flúor. Além
de agente oxidante (H2O2 + 2H+ + 2e- ® 2H2O, 1,77 V) o peróxido de hidrogênio pode
também ser empregado como agente redutor (H2O2 + 2OH- ® O2 + H2O + 2e-, -0,15
V)1.

A primeira comercialização de H2O2 data de 1800, e sua produção mundial


aumenta a cada ano. Acredita-se que o peróxido de hidrogênio, na forma isolada ou
combinada (principalmente) seja um dos reagentes mais empregados nas mais
diversas aplicações2.

Em adição ao controle da poluição, muitas vezes com ênfase ao monitoramento


ambiental, o peróxido de hidrogênio é empregado nos processos de branqueamento
nas indústrias têxtil, de papel e celulose3.

A velocidade de uma reação química depende de numerosos fatores como, por


exemplo, das concentrações dos reagentes, da temperatura, de catalisadores, etc. Um
catalisador pode aumentar notavelmente a velocidade do processo, especialmente na
presença de aceleradores e promotores.
O peróxido de oxigênio se decompõe segundo a equação:

2H2O2  2H2O + O2

A velocidade é grandemente acelerada por vários catalisadores, p. ex., dióxido


de manganês, nitrato férrico, ou pela ação combinada de um catalisador e um
promotor de catalisador (nitrato férrico + nitrato cúprico). A luz, o pH e as próprias
paredes de vidro podem afetar a velocidade de decomposição da água oxigenada4.

Estabilizadores especiais são adicionados durante a produção do mesmo e


inibem a decomposição catalítica causado pelo efeito de metais, luz UV, e outras
impurezas que podem acidentalmente contaminar o reagente durante a estocagem ou
manuseio2.

2. Objetivos

O objetivo desta experiência foi verificar qualitativa e quantitativamente a velocidade


de decomposição da água oxigenada na presença de catalisador, na presença de
catalisador e promotor, na presença de promotor e na ausência de catalisador e
promotor.

3. Materiais e Procedimentos:

3.1. Materiais:
3.1.a) Aparelhagem:

 4 erlenmeyers de 100 mL;


 4 erlenmeyers de 125 mL;
 2 buretas;
 Provetas de 100 e 15 mL;
 4 pipetas de 5 mL.

3.2.b) Soluções:

 Solução de KMnO4 0,02 mol.L-1;


 Solução de H2SO4 1 mol.L-1;
 Solução de Fe(NO3)3 (nitrato férrico) 0,05 mol.L-1 + HNO3 0,4 mol.L-1;
 Solução de Cu(NO3)2 (nitrato cúprico) 0,005 mol.L-1;
 Solução de Fe(NO3)3 (nitrato férrico) 0,05 mol.L-1 + Cu(NO3)2 (nitrato cúprico)
0,005 mol.L-1 + HNO3 0,4 mol.L-1;
 Solução de HNO3 0,4 mol.L-1;
 Solução 0,6% (2 volumes) de H2O2.

3.2. Procedimentos:

O experimento foi realizado em quatro partes, sendo:

1ª Parte – Verificação de decomposição da água oxigenada em solução aquosa na


ausência de catalisadores ou promotores de catalisador. Nesta experiência, observou-
se se a ação da luz e das paredes do recipiente é eficiente para decompor a água
oxigenada por cerca de três horas.

Procedimento da 1ª Parte: Em um dos erlenmeyers de 125 mL, foi colocado 75 mL


da solução de H2O2 2 volumes e 15 mL de água destilada. Uma alíquota de 5 mL foi
retirada e colocada num dos erlenmeyers de 100 mL contendo, previamente, 5 mL de
H2SO4 1mol.L-1. O tempo exato em que retirou a 1ª alíquota foi anotado. Esta alíquota
foi titulada com solução 0,02mol.L-1 de KMnO4 (permanganato de potássio). A cada
meia hora, uma nova alíquota foi retirada, fazendo um total de quatro titulações. Após
a 1ª titulação, a 2ª parte foi iniciada.

2a Parte – Verificação da decomposição da água oxigenada em solução aquosa


contendo nitrato férrico (catalisador) por cerca de três horas.

Procedimento da 2ª Parte: Em outro erlenmeyer de 125mL foi colocado 75mL de


solução de H2O2 a 2 volumes e 15mL da solução 0,05 mol.L-1 de nitrato férrico. Uma
alíquota de 5mL foi retirada e foi procedido da mesma maneira que na 1ª Parte. Após
a 1ª titulação, a 3ª Parte foi iniciada.

3a Parte – Verificação da decomposição da água oxigenada em meio aquoso


contendo nitrato férrico (catalisador) e nitrato cúprico (promotor).

Procedimento da 3ª Parte: No outro erlenmeyer de 125mL foi colocado 75mL de


solução de H2O2 a 2 volumes e 15mL de solução de nitrato férrico + nitrato cúprico.
Uma alíquota de 5mL foi retirada e foi procedido igualmente às experiências
anteriores. Após a 1ª titulação, a 4ª Parte foi iniciada.

4a Parte – Verificação da decomposição da água oxigenada em solução aquosa


contendo nitrato cúprico (promotor).

Procedimento da 4ª Parte: Em outro erlenmeyer de 125mL foi colocado 75mL de


solução de H2O2 a 2 volumes e 15mL da solução 0,05mol.L-1 de nitrato cúprico. Uma
alíquota de 5mL foi retirada e foi procedido igualmente às experiências anteriores.

4.1. Preparação de soluções:

4.1.1. Solução de ácido sulfúrico 1 mol.L-1

Para o preparo da solução de ácido sulfúrico 1 mol.L-1 a partir do ácido


concentrado, utilizou-se a seguinte relação expressa pela Equação 1:
C1V1 = C2V2 (1)

onde C1 é concentração do H2SO4 concentrado (96 % de pureza, densidade (d) =


1,835 g.cm-3).
MM H2SO4 = 98,1 g.mol-1
C1 = (d H2SO4 / MM H2SO4 ) x (100/96)

Para preparar 1L da solução de ácido sulfúrico 1 mol.L-1, foram necessários


54,50 mL do ácido concentrado.

4.1.2. Solução de ácido nítrico 0,4 mol L-1

-1
Para preparar a solução ácido nítrico 0,4 mol.L a partir do ácido concentrado
usou-se a Equação (1):

C1 = concentração de HNO3 concentrado (65 %, densidade (d) = 1,40 g.L-1)


MM HNO3 = 63 g.mol-1
C1 = (d HNO3 / MM HNO3 ) x (100/65)

Para preparar 100 m L da solução de ácido nítrico 0,4 mol.L-1, foram


necessários 2,77 mL.

4.1.3. Solução de nitrato férrico 0,05 mol L-1

Para preparar a solução de nitrato férrico, calculou-se a massa necessária de sal


(m1, em g e pureza de 99,9%) para preparar 100 mL de solução (0,05 mol. L-1):

m 1 = (MM Fe(NO3)3) x (100/99) x 0,05 x 0,1


MM Fe(NO3)3 = 241,8 g.mol-1
m 1 = 1,2212 g

4.1.4. Solução de nitrato cúprico (0,005 mol L-1)

Para preparar a solução de nitrato cúprico, calculou-se a massa necessária de sal


(m1, em g e pureza de 99,9%) para preparar 100 mL de solução (0,005 mol. L-1):

m 1 = (MM Cu(NO3)2) x (100/99,9) x 0,005 x 0,1


MM Cu(NO3)2 = 187,5 g.mol-1
m 1 = 0,09376 g

4.1.5. Solução de solução H2O2 (0,6% ,2 volumes)

Para preparar 1L de solução de peróxido de hidrogênio (0,6%) a partir da


solução de 30% usou-se a equação (1). Obteve-se como resultado que são
necessários 20 mL de solução de peróxido de hidrogênio 30%.

4.1.6. Cinética da reação de decomposição do peróxido de hidrogênio

O experimento para o estudo da cinética da reação de decomposição do


peróxido de hidrogênio foi dividido em quatro etapas, as quais apresentavam as
seguintes condições experimentais:

Condição 1: peróxido de hidrogênio e água;

Condição 2: peróxido de hidrogênio e nitrato férrico (catalisador);

Condição 3: peróxido de hidrogênio, nitrato férrico (catalisador) e nitrato cúprico


(promotor);

Condição 4: peróxido de hidrogênio e nitrato cúprico (promotor).

A partir da relação tempo (em minutos) e volume de permanganato de potássio


(0,02 mol.L-1) gasto na titulação, foi calculada a concentração de peróxido de
hidrogênio em cada tempo para cada etapa do experimento por meio dos seguintes
cálculos:

n MnO4- (mol) = 0,02 mol.L-1 x Vol (mL) gasto na titulação x (5/2)


[H2O2] (mol.L-1) = n MnO4- / (5 x 10-3 L)

Os valores obtidos estão relacionados na Tabela 1.

Tabela 1: Valores de concentração de peróxido de hidrogênio, nas quatro condições


experimentais, de acordo com o tempo.

Volume KMnO4- gasto (mL) [H2O2] (mol.L-1)


Condições Condições

t (min) 1 2 3 4 1 2 3 4

0
14,65 15,1 15,2 15,8 0,1465 0,151 0,152 0,158
30
14,5 9,4 3,4 16,2 0,145 0,094 0,034 0,162
60
14,3 5,9 1,5 16,3 0,143 0,059 0,015 0,163
90
14,35 4 1 16,3 0,1435 0,04 0,01 0,163
180
14,45 1,3 0,5 16,3 0,1445 0,013 0,005 0,163

Para determinar a ordem da reação, os seguintes tipos de gráfico foram


construídos:

 t (min) x [H2O2] (mol.L-1): se linear ordem da reação 0.

 t (min) x ln([H2O2]/ [H2O2]0: se linear ordem da reação 1.

 t (min) x 1/[H2O2]: se linear ordem da reação 2.

O Gráfico 1 apresenta os dados referente ao experimento na Condição 1.

Decomposição do H2O2 com H2O

0,1470

0,1460

0,1450
[H202] (mol/L)

0,1440

0,1430

0,1420

0,1410

0,1400
0 20 40 60 80 100
y = -0,000037x + 0,146150
Tem po (m in)
R2 = 0,806667
Gráfico 1: Decomposição de peróxido de hidrogênio com água.

De acordo com o Gráfico 1, que relaciona o tempo e a concentração de


peróxido de hidrogênio, obteve-se que a ordem de reação é igual a zero, o que
significa que a velocidade é independente da concentração dos reagentes. O valor da
constante de velocidade da reação (k) é obtido através do coeficiente angular da reta
apresentada no gráfico 1, portanto seu valor é 0,000037 mol.L-1.s-1.

Foi verificado que ocorre uma pequena decomposição do peróxido de


hidrogênio em solução aquosa na ausência de catalisadores ou de promotores de
catalisadores. Isto se explica pelo fato da luz ou do próprio recipiente influenciarem na
decomposição deste composto.

O Gráfico 2 apresenta os dados referente ao experimento na Condição 2.

Decomposição do H2O2 com Fe(NO3)3


0,0
0 50 100 150 200
-0,5
ln ([H2O2]/[H2O2]o)

-1,0

-1,5

-2,0

-2,5

-3,0
Tem po (m in)
y = -0,0134x - 0,0693
R2 = 0,9961

Gráfico 2: Decomposição de peróxido de hidrogênio com catalisador (nitrato férrico).

De acordo com o Gráfico 2, que relaciona o tempo e o ln do quociente da


concentração de peróxido de hidrogênio num tempo qualquer e a concentração inicial,
obteve-se que a ordem de reação é igual a 1, o que significa que a concentração do
reagente diminui exponencialmente com o tempo, numa velocidade determinada pela
constante k. O valor da constante de velocidade da reação é dado por -k, e foi obtido
através do coeficiente angular da reta apresentada no Gráfico 2. Portanto seu valor é
0,0134 s-1.
Para estudos cinéticos, o processo de decomposição é acelerado com adição
de um catalisador, neste caso, o nitrato férrico. A reação se processa por um caminho
alternativo com menores energias de ativação, acelerando o tempo de decomposição
do peróxido de hidrogênio.

O Gráfico 3 apresenta os dados referente ao experimento na Condição 3.

Decomposição do H2O2 com


Fe(NO3)3 e Cu(NO3)2
250

200

150
1/[H2O2]

100

50

0
0 50 100 150 200
Tem po (m in)
y = 1,0949x + 1,6974
2
R = 0,9977

Gráfico 3: Decomposição de peróxido de hidrogênio com catalisador (nitrato férrico) e


promotor (nitrato cúprico).

De acordo com o Gráfico 3, que relaciona o tempo e o inverso da concentração


de peróxido de hidrogênio, obteve-se que a ordem de reação é igual a 2, o que
significa que a velocidade é proporcional ao quadrado da concentração de peróxido. O
valor da constante de velocidade da reação é dado por k, e foi obtido através do
coeficiente angular da reta apresentada no Gráfico. Portanto seu valor é 1,0949 L.mol-
1
.s-1.

Neste caso, observou um grande aumento na constante de velocidade, que se


explica pela presença de catalisador (nitrato férrico) e um promotor de catalisador
(nitrato cúprico) no sistema. Um promotor de catalisador é uma substância que ativa o
catalisador e aumenta sua eficiência.

O Gráfico 4 apresenta os dados referente ao experimento na Condição 4.


Decomposição do H2O2 com Cu(NO3)2

0,165

0,164

0,163
[H2O2] (mol/L)
0,162

0,161

0,160

0,159

0,158

0,157
0 50 100 150 200
Tem po (m in) y = 0,000021x + 0,160283
R2 = 0,450522

Gráfico 4: Decomposição de peróxido de hidrogênio com promotor (nitrato cúprico).

De acordo com o Gráfico 4, que relaciona o tempo com a concentração de


peróxido de hidrogênio, obteve-se que a ordem de reação é igual a zero, o que
significa que a velocidade é independente da concentração dos reagentes. O valor da
constante de velocidade da reação é dado por k, e foi obtido através do coeficiente
angular da reta apresentada no Gráfico 4. Portanto seu valor é 0,000021 mol.L-1.s-1.

Como há presença somente de promotor, o mesmo não tem ação catalítica na


reação.

5. Conclusão

Por meio do experimento realizado e dos dados obtidos, verificou-se que a reação
de decomposição do peróxido de hidrogênio é de ordem zero na condição de
ausência de catalisador e promotor e na condição de presença apenas de
promotor. Para a condição de presença de catalisador, a ordem da reação é 1 e
para a condição de presença de catalisador e promotor, a ordem da reação é 2.

6. Referências Bibliográficas
1. Schumb, W. C.; Satterfield, C. N.; Wentworth,R. L.; Hydrogen Peroxide, Reinhold:
New York, 1955.

2.http://moodle.grude.ufmg.br/paginas//moodledata/18726/moddata/workshop/27/Expe
riencia_3.pdf (acessado dia 23/03/2010)

3. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-40422003000300015
(acessado dia 23/03/2010)

4. http://lem.iq.usp.br/mlat/cursos/QFL3402/QFL3402-Roteiros_2008.pdf (acessado dia


23/03/2010)