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Lição nº

Sumário: Resolução de hipóteses práticas.


Na resolução de hipóteses práticas existem passos a serem seguidos. Está sucessão de
passos vai nos possibilitar ter maior clareza na elaboração dos nossos argumentos e ter uma
noção mais alargada em relação ao problema ou situação nos é apresentado.
Importa ainda dizer que a resolução de hipóteses práticas muita das vezes também está
vinculada a forma como a hipótese nos é apresentada. Há casos em que a própria hipótese
prática já vem acompanhada de perguntas, então nos caberá apenas respondê-las. E há outros
casos em que apenas nos são narrados os factos e nós temos que arranjar uma solução coerente e
baseada nas matérias estudadas. É justamente sobre este segundo tipo de hipóteses que iremos
falar. Uma vez que para os casos em que as perguntas já veem apresentadas na hipótese prática,
o método de resolver será sempre responder as perguntas.
Para este segundo tipo de hipótese, a resolução obedece 3 passos simples que nos
possibilita resolvê-los.
O primeiro passo é entender que o que vem descrito nas hipóteses práticas são factos.
Situações que ocorrem ou podem vir a ocorrer na vida cotidiana que têm relação ou relevância
para o Direito. Então torna-se imperioso que no acto de resolução de qualquer hipótese prática
se faça uma boa leitura dos factos a fim de que se tenha uma noção clara do que nos é proposto.
O segundo passo é a identificação das matérias jurídicas ou institutos jurídicos, que
veem narrados nos factos. Pois é a partir daí que vamos começar a resolver a hipótese prática.
Subsumindo as matérias de direito aos factos narrados e apresentando as noções de direito para
cada facto.
A última e não menos importante é a conclusão. Nesta fase, apresentamos a proposta de
resolução para cada facto descrito, e encerramos a incongruência ou disparidade entre os factos
e as matérias de Direito.
É importante lembrar que todo argumento apresentado na resolução de qualquer
hipótese prática, tem que ter como fundamento a lei. Então é bastante importante que se
apresente a base legal sempre que possível.
Exemplo de hipóteses práticas
Partindo da noção tradicional do Direito Comercial como o «direito do comércio», identifique
quais as actividades, de entre as actividades a seguir apresentadas, que cabem na acepção de
comércio indicando se o sentido da sua comercialidade é económico ou jurídico.

A) António decide vender os produtos obtidos na exploração da sua propriedade rural.

RESOLUÇÃO
Entendendo que o comércio em sentido económico corresponde à actividade de intermediação entre a
produção e o consumo, excluísse aqui a possibilidade de que a exploração de uma propriedade rural
enquanto actividade enquadrada no sector primário, pode ser abrangida neste conceito (económico). Sendo
que em sentido económico o comércio apenas engloba uma parte do sector terciário de interposição de
trocas. Mas admitindo a possibilidade de haver actividade de venda dos produtos obtidos por via dessa
exploração, já estaríamos enquadrados com o conceito de comércio (s. económico), uma vez que estaria
a ser mediada a produção e o consumo dos produtos obtidos desta produção.

Assim bastará apenas analisar, se esta actividade enquadrasse no conceito de direito em sentido jurídico, que por definição é o
conjunto de actividades económicas a que num dado país e num certo momento se aplicam as leis
comerciais. O art. 230º§1 e no 464º/2 e 4 CCOM, exclui a aplicação da lei comercial aos agricultores,
por isso, também não se trata de comércio em sentido jurídico.

Lurveny Ventura dedica-se à pesca.

RESOLUÇÃO

Trata-se de comércio em sentido jurídico porque o Decreto-Lei n.º 20677, de 28 de dezembro de 1931,
sujeita a pesca à lei comercial. Mas já não o é em sentido económico porque não é uma actividade de
intermediação ente a oferta e a procura, não se enquadrando no sector terciário (mas ao invés, no sector
primário).

Tarefa

1- Com base ao que estudamos a respeito da resolução de hipóteses práticas, resolva as


seguintes:

a) Noélio dedica-se ao artesanato enquanto sua irmã Mélanie explora uma fábrica de sapatos.
A presente hipótese prática nos apresenta, Noélio com a

Diga se os seguintes negócios devem ser qualificados como actos de comércio. Em caso afirmativo,
proceda à sua classificação segundo as categorias.

b) Contrato de compra e venda de um prédio urbano composto de vários apartamentos que o


comprador, funcionário público reformado, destina a arrendamento, sendo o vendedor uma
sociedade que o construiu para vender.

c) Contrato para o fabrico de uma mobília para a residência de um professor, sendo fabricante um
marceneiro que utiliza dois empregados na sua oficina.
d) Por ocasião do Carnaval, Kailani Fonseca e Cassiana André, donas de uma estação de
serviços, adquiriram, numa agência de viagens do Porto, bilhetes de avião para o Brasil.

Diga se os intervenientes na seguinte relação jurídica podem ser qualificados como


comerciantes:

e) Admita que Luíz é casado com Jana e ambos são proprietários de uma loja de tecidos. E que
por motivos diversos eles decidiram deixar de trabalhar na loja, nomeando assim, Winnie,
como gerente da loja a quem conferiram plenos poderes de gestão.